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HISTÓRIA DO

ESCUTISMO
MUNDIAL
Na Ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, Inglaterra, BP realizou um acampamento com vinte
jovens de 12 a16 anos de idade, onde ensinou técnicas de primeiros socorro, observação,
segurança, orientação entre outras. Como símbolo de campo levavam uma bandeira verde com
uma flor de lis amarela no centro.

Animado com o sucesso deste acampamento B.P começou a escrever o Livro “Escutismo para
Rapazes”, que foi publicado em 1908, inicialmente em 6 fascículos de Janeiro a Maio, vendidos
em bancas de jornais. Em Maio do mesmo ano foi editado em livro com ligeiras modificações.

A recepção das idéias de BP foi de tal maneira popular que em poucas semanas, centenas de
patrulhas escutistas estavam formadas praticando activamente o Escutismo. Rapidamente o
Escutismo espalhou-se em vários países do mundo. No ano de 1909 mais de 10.000 jovens
concentraram-se no famoso Palácio de Cristal em Londres, demonstrando as suas habilidades
Escutistas. Nem mesmo a chuva e o frio daquela manhã de 4 de Setembro puderam ofuscar o
entusiasmo dos jovens. Neste histórico evento Escutista os rapazes constituíam a grande
maioria, mas, para espanto de B.P, pequenos grupos de meninas também se fizeram
presentes.

Naquela época meninas e rapazes recebiam educação em escolas diferentes, mas elas
apelaram a B.P. que as inscrevesse como Escuteiras, com o argumento de que também eram
capazes de fazer tudo que os rapazes faziam.

Em Novembro de 1909 B.P. escrevia um artigo sobre o programa para as Guias na sede do
Gazette, publicação oficial do Escutismo. O passo seguinte era encontrar-lhe uma chefe. Pediu
a sua Irmã Agnes que lhe ajudasse. Ela aceitou com muita satisfação e se tornou na primeira
Presidente das Guias, permanecendo no cargo até 1920.

Receando a degeneração das suas idéias e verificando a necessidade de integrar todos no


seio do movimento que crescia rapidamente, BP, passou a dedicar-se a organização do
Movimento Escutista, que não era a sua proposta original. Desliga-se do Exercito em 1910 e
ingressa no que chamou de sua segunda vida, dedicada ao crescimento e fortalecimento do
Escutismo.
Ainda em 1910 é criado o Escutismo Marítimo e surgem no movimento as “Girls Guides”, ou
seja, as Guias Escuteiras.

A partir de 1912, BP passa a viajar pelo mundo divulgando e unindo o Escutismo, que se
desenvolve agora como uma fraternidade mundial.

No mesmo ano (1912) foi publicado o primeiro Manual das Guias – como as Moças podem
ajudar a construir o Império-, escrito por Agnes Baden Powell.

Em 1916, a pedido das crianças menores que queriam fazer parte do movimento Escutista,
B.P. cria a Secção dos Lobitos, baseado no Livro da Selva de Rudyard Kipling e contou com a
ajuda de sua Irmã Agnes.

No ano de 1917, é constituído iformalmente o primeiro Conselho Internacional da Associação


de Guias da Inglaterra e no ano seguinte é publicado o texto básico do “Guidismo”, Livro escrito
por B.P. especialmente para as Guias.

O Escutismo recebe de William F. de Bois Maclaren, um terreno na floresta de Epping,


arredores de Londres, onde se instala o Gilwell Park, onde B.P. realiza em 1919 o primeiro
Curso destinado aos Chefes Escuteiros que passa a denominar-se Curso da insígnia de
Madeira, transformando assim Gilwell Park no Centro de Formação de Dirigentes.

Em 1930, Lady Olave Baden-Powell é aclamada Chefe Guia Mundial, função que exerceu até
1976, quando faleceu.

A última presença publica de BP para os Escuteiros foi 1937, no 5º Jamboree Mundial em


Vogelezang, Holanda, depois Viajou para o Kénia, onde fixou residência a partir de 1938
juntamente com Lady Olave. Foi nesse lugar tranqüilo cercado por florestas e montanhas que
Baden Powell morreu.

HISTÓRIA DA AEA
A história do Escutismo em Angola remonta a 1924, ano em que a Associação dos Escoteiros

de Portugal (AEP) instalou o seu primeiro grupo em Angola. Seguiu-se depois em 1932 a

criação do primeiro grupo do Corpo Nacional de Escutas, Escuteiros Católicos de Portugal

(CNE).

Com o fim da colonização portuguesa, cujo culminar foi a proclamação da independência a 11

de Novembro de 1975, o escutismo parou em Angola. Como não podia deixar de ser, grande

parte dos Escuteiros se entregou aos ideiais da revolução, sobretudo antigos Caminheiros e
jovens Dirigentes. Porém, o ideal da sua promessa, as lembranças dos conselhos e

brincadeiras a volta da fogueira continuaram a acompanhar a vida de quase todos eles, e cada

vez que se encontravam, falavam do escutismo. Assim, por iniciativa dos Drs. Alfredo Júnior e

Rui Pinto de Andrade, então Vice-ministro da Juventude e Chefe do Departamento de

Recreacção do Ministério da Juventude respectivamente, a 15 de Agosto de 1990, realizou-se

um encontro na Direcção Nacional de Cultura Física e Recreação do Ministério da Juventude e

Desportos, presidido pelo Sr. Nelo Victor, então Director Nacional da Juventude, e nele

participaram em resposta a uma convocatória pública, os antigos escuteiros seguintes:

Rui Luís Falcão Pinto de Andrade

Pe. Agostinho

Alfredo Romero Fernandes

Susana Nicolau Inglês

António Francisco Miguel da Fonseca

Isidro Alves

Manuel Ramos Pedro

José Jacinto e ainda, o Sr. Pedro de Almeida, funcionário daquela Direcção.

A primeira fase do Projecto, teve a aderência de cerca de 35 antigos Escuteiros. Imediatamente

iniciaram os Seminários nas instalações da Paróquia de Fátima, à medida que se consolidava o

entrosamento dos participantes, os seus filhos, sobrinhos, irmãos, vizinhos e outros, eram

mobilizados para fazerem parte do embrião Escutista da Angola nova.

Os trabalhos de formação dos jovens aspirantes, tiveram o seu inicio entre os meses de

Setembro e Outubro de 1990. Por essa altura, estava em fase de acabamento o Projecto de

Estatuto, a Comissão Instaladora marca a Assembleia Constituinte para Fevereiro de 1991.

Nos dias 20, 21 e 22 de Fevereiro de 1991, realizou-se na Casa do Desportista em Luanda, a

Assembleia Constituinte, estando presentes 39 antigos Escuteiros bem como outros 2 novos
aspirantes que proclamaram a ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ESCUTEIROS, ANE elegeram o

seu executivo (Junta Centra), e o Conselho Fiscal e Jurisdicional.

A Associação proclamada define-se como não-governamental, apartidária e ecuménica,

subordinando toda sua acção aos seus Estatuto e Regulamento Geral. Estiveram presentes no

acto de abertura da Assembeia Constituinte S. Excelências Dr. Marcolino Moco, o Sr. Sardinha

de Castro, Ministro e Vice Ministro da Juventude e Desportos, respectivamente, e outros

quadros superiores do Ministério como convidados de honra, tendo proferido o discurso de

abertura, o Sr. Vice Ministro.

São Membros Fundadores da ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ESCUTEIROS os Dirigentes

seguintes:

A 16 de Junho de 1991, data em que por feliz coincidência se proclama o dia da criança

africana, realizaram-se as Promessas dos primeiros Dirigentes e Escuteiros, no quintal do

Seminário dos Capuchinhos, Paróquia de Fátima, Dos três Agrupamentos iniciais, o Movimento

rapidamente se estendeu a quase toda a extensão de Luanda. Estávamos ainda no limiar dos

primeiros passos, logo uma crise se instalou na Associação entre os meses de Outubro e

Novembro de 1991 e em princípios de 1992, um grupo de Dirigentes abandonou a Associação,

levando consigo uma parte de jovens e, criaram a Associação de Escuteiros Católicos de

Angola – AECA.

A 5 de Outubro de 1992, no Livro n.º 1 de Registo das Organizações/Associações Juvenis e

Estudantis do Ministério da Juventude e Desportos, a folha n.º 15, é registada sob o n.º 15, a

Associação Nacional deEscuteiros – ANE.

Em 1993, o Fundo das Nações Unidas para a infância, UNICEF, conhecendo as experiências

do Escuteiros no trabalho com crianças e jovens em situação particularmente difíceis, solicitou

ao Escritório Regional Africano deEscutismo o seu apoio para um projecto com as crianças de

rua em Angola, veio a Angola para contactos com a ANE, o Sr. Abdulaye Sène, Director

Regional Adjunto do Bureau Africano. Não obstante, o Chefe Nacional da ANE, anfitrião,
colocou também o ilustre visitante em contacto com D. Óscar Braga, para uma troca de

impressões sobre o desenvolvimento do Escutismo no País.

Da análise, concluiu-se que era imperioso a existência de uma só organização nacional

escutista, imperativo da OMME – Organização Mundial do Movimento Escuta, para o

reconhecimento. Foi neste quadro que se começou a desenhar o nascimento da AEA. Assim

as Direcções da ANE e da AECA, multiplicaram esforços neste sentido, que culminou com a

realização da Assembleia Constituinte no Seminário Maior de Luanda, sob presidência de D.

Óscar Lino Braga, então Bispo de Benguela e responsável peloEscutismo ao nível da CEAST.

A Assembleia discutiu e aprovou um novo Estatuto, elegeu os corpos sociais e, proclamou a

ASSOCIAÇÃO DE ESCUTEIROS DE ANGOLA – AEA, no dia 3 de Dezembro de 1994,

mantendo esta, o carácter não-governamental, apartidária e ecuménica, subordinando toda sua

acção ao seu Estatuto e Regulamento Geral.

A CAUSA DO
ESCUTISMO
Ao longo de diversas reuniões e debates do grupo de coordenação da estratégia (SCG /GSE)

durante o triênio 2008-2011, alguns conceitos-chave emergiram e que foram considerados

importantes para clarificar o entendimento comum da estratégia, como um pré-requisito para

novos progressos.

1. A missão e a visão do Escutismo, desenvolvidas ao longo deste período e adoptado como

parte da estratégia para o escutismo, continuam a servir o movimento. No entanto, nas

discussões, havia um sentimento de que o Escutismo não se diferencia o suficiente em relação

ao seu propósito central com relação a outras organizações que pretendem obter resultados

similares, particularmente na nossa reivindicação para "criar um mundo melhor", em outras

palavras não estávamos a fazer o melhor de nossa única vantagem estratégica. “A causa” ou
”a razão de ser”', por conseguinte, foi proposto como parte da nova abordagem para a

estratégia na 39ª Conferencia Mundial do Escutismo realizado no Brasil em 2011.

2. Verificou-se que devemos agora reconhecer que há uma nítida diferença entre a estratégia

para o movimento e a estratégia dos órgãos mundial (Os comités Mundial e Regionais e os

Escritórios Mundial e Regionais do escutismo). Quando falamos sobre como podemos criar um

mundo melhor, estamos a focar a essência do escutismo, que corresponde ao movimento. Por

outro lado, quando discutirmos a maneira de garantir que os objetivos finais sejam alcançados,

nos referimos ao nível operacional, isto é, os organismos do movimento. Embora ambos os

níveis estejam intrinsecamente relacionados, a combinação delas pode criar uma confusão. A

nova abordagem para a estratégia abrange ambos estes níveis.

Nas discussões sobre o futuro da estratégia, os membros do Grupo de Coordenação da

Estratégia (GCE) concordou plenamente com o conteúdo da missão e visão do Escutismo, mas

reconheceu que muitas organizações hoje também proclamam um porque. A causa definiria a

vantagem competitiva exclusiva da organização e ajuda a construir junto um sucesso financeiro

e social. Havia um sentimento de que a única causa do escutismo não foi suficientemente

definida em nossas declarações de missão e visão e que o escutismo necessita para definir

mais claramente sua vantagem competitiva.

Portanto, a CAUSA' do movimento é "EDUCAÇÃO PARA A VIDA".

Como pode a causa ser aproveitada para o suporte do Escutismo? A diferença entre a) os

jovens se divertirem e b) oferecer aos jovens uma "Educação para a vida" é que o a) é

percebida como "é bom ter" enquanto que o b) é "preciso ter", ou seja, uma posição principal

na sociedade. Os pais, os líderes de negócios e de Governos vão concordar que a preparação

dos jovens para levar uma vida plena, serem cidadãos activos e responsáveis que possam

demonstrar liderança, é essencial e a maioria desejará ser parte deste esforço. O Escutismo

tem o potencial para fornecer esta preparação e para que o movimento possa crescer e servir

em torno de 100 milhões ou mais jovens, ele deve equipar-se com outras pessoas que

partilhem este compromisso.


Este posicionamento é também importante para as Associações nacionais. Se uma Associação

coloca as suas actividades no âmbito da "Educação para a vida", é provável que seja capaz de

atrair substancial apoio de empresas individuais, associações industriais, governos e outros

que compartilham seu foco no desenvolvimento de jovens em cidadãos ativos, que

demonstram capacidades de liderança hoje e desenvolver ainda mais as mesmas para serem

líderes do futuro.

Pretendemos que um jovem que passe um tempo no escutismo, por mais curto que seja, tenha

tido a oportunidades educacionais que lhe permitam desenvolver habilidades adequadas em

todas suas áreas de vida, baseadas em valores transformacionais para o resto da sua vida.

Um exemplo de como "Educação para a vida" pode transformar é o que é hoje, o novo impulso

estratégico que é “ Estar preparado: Liderança para a vida ou simplesmente, líderes da

educação para a vida.

O Escutismo nasceu para criar um mundo melhor. No início do século XX, Baden-Powell viu

homens jovens saírem nas ruas, enquanto ao mesmo tempo, a Grã-Bretanha enfrentou

grandes desafios. O Escutismo nasceu como um programa de educação não-formal para

mobilizar jovens para ter um papel construtivo na sociedade. No prefácio da edição de 1910 do

"Escutismo para rapazes", isso foi formulado muito claramente: "O Escutismo desenvolve

"caracter", que é mais essencial do que qualquer outra coisa de um rapaz para fazer o seu

caminho na vida, …".

O Escutismo oferece a todos os seus membros oportunidades de desenvolver habilidades de

liderança. Através do método escutista e trabalho em pequenos grupos liderados pelos pares.

Os jovens têm a oportunidade de assumir papéis de liderança (como líder) e também a

experiência de liderança (como um seguidor). Através destas experiências, os escuteiros

devem ser ajudados a reflectirem, a compreenderem e a influenciarem a liderança e ganharem

experiência nestes pequenos grupos.

A nossa compreensão de liderança se desenvolve através de conceitos 'liderança

transformacional', 'liderança', "liderança baseada em valores", é importante que, no escutismo,


os jovens tenham a oportunidade de aprender as habilidades de liderança, como um líder e um

seguidor, para que possam desenvolver e usar as habilidades de liderança adequada em todas

as áreas de suas vidas. O Escutismo sendo um movimento com mais de 30 milhões de

membros em 161 países ao redor do mundo, tem a oportunidade de ter um impacto

significativo sobre a liderança no mundo hoje.