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Casamento

Charles R. Swindoll

Casamento
Da sobrevivência ao sucesso

Rio de Janeiro, 2007


Título original
Marriage — from surviving to thriving

Copyright © 2006 by Charles R. Swindoll

Edição original por Thomas Nelson, Inc. Todos os direitos reservados.


Copyright da tradução © Thomas Nelson Brasil, 2007.

Supervisão editorial Nataniel dos Santos Gomes


Assistente editorial Clarisse de Athayde Costa Cintra
Tradução Maria Emília de Oliveira
Capa Valter Botosso Jr.
Copidesque Silvia Rebello
Revisão Margarida Seltmann / Magda de Oliveira Carlos Cascardo
Projeto gráfico e diagramação Julio Fado

Todas as citações foram tiradas da NVI — Nova Versão Internacional


da Sociedade Bíblica Internacional, salvo indicação em contrário.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

S98c

Swindoll, Charles R., 1918-


Casamento: da sobrevivência ao sucesso/Charles R. Swindoll; [tradução
Maria Emília de Oliveira] -
Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007.

Tradução de: Marriage: from surviving to thriving


ISBN 978-85-6030-333-5

1. Casamento I. Título.

07-2055. CDD: 248.8425


CDU: 248.151

Todos os direitos reservados à Thomas Nelson Brasil


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Para você, Cynthia.

Depois de mais de cinqüenta anos de uma longa caminhada


juntos, compartilhando tristezas e lutas, realizações e prazeres,
hoje meu compromisso com você é muito mais forte, meu
respeito por você é muito maior e meu amor por você é
muito mais intenso.
Sumário

Agradecimentos 9
Introdução 11

1 – Esta não é a família do seu avô 13


ii – De volta ao alvo 31
iii – A sinfonia da sobrevivência 55
iv – Conselhos práticos para preservar o casamento 71
v – A cola que todos os casais devem 87
aplicar no casamento
vi – Do que as famílias necessitam para 105
alcançar o sucesso
vii – Sinais perigosos de erosão no casamento 121
viii – Permanecendo jovem à medida que 139
a família envelhece

Notas 161
Agradecimentos

Q ualquer casamento que tenha durado tanto quanto o nosso


sempre conta com a participação de outras pessoas — de muitas
outras — que foram importantes na vida do casal. Cynthia e eu
agradecemos aos nossos pais, Leslie e Laverne Parker e Earl e Lovell
Swindoll, dois exemplos de casamentos duradouros. Na infância,
observávamos como eles agiam para permanecer unidos. Até hoje,
minha mulher e eu nos lembramos com freqüência de muitos
exemplos deixados por eles e reconhecemos a poderosa influência
que exerceram em cada um de nós. Somos muito gratos aos nossos
fervorosos pais que, agora, vivem na presença do Senhor.
Recebemos também influências dos nossos filhos adultos e
dos seus cônjuges, que nos ensinam numerosas lições e nos transmi-
tem informações preciosas. Nosso amor por eles é incomensurável.
Também não podemos deixar de mencionar as influências
recebidas de professores, conselheiros, colegas e de todos os nossos
amigos maravilhosos que colaboraram conosco ao longo destes
anos — são tantos que não é possível citar o nome de cada um.
O incentivo e a fé que depositaram em nós nos ajudaram, de várias
maneiras, a preservar a nossa união. Estiveram ao nosso lado em
tempos extremamente difíceis, mas também se alegraram e come-
moraram conosco em tempos de alegria e satisfação, que excede-
ram em muito os dias de sofrimento.
Quando decidi escrever este livro, contei com a colaboração
de meu editor, David Moberg, do W Publishing Group, a quem
apresento meus agradecimentos pelo estímulo. Sou grato também
a Mark Gaither, meu genro, por sua colaboração e pelos seus ex-
celentes conhecimentos editoriais. Uma palavra de gratidão para
Mary Hollingsworth e sua maravilhosa equipe no Shady Oaks Studio,
em Fort Worth, pelos toques finais dados a esta obra — vocês a
transformaram em um livro bonito e apropriado para ser oferecido
como presente.
Por fim, sou grato àquela que é há 51 anos minha noiva, mãe
de nossos filhos, minha fiel e dedicada companheira em todos es-
tes anos de ministério; aquela que me conhece e me compreende,
e que, acima de tudo, me ama mais do que qualquer outra pessoa
deste planeta... o que mais posso dizer?
Meus mais sinceros agradecimentos a todos!

ca

10
Introdução

E m 18 de junho de 1955, dois jovens se casaram. Ele acabara de


completar 20 anos; ela estava com apenas 18.
Sete dias após o primeiro encontro, ele a pediu em casamen-
to porque já estava convencido de que ela era a “mulher de seus
sonhos”. Embora estivesse com 16 anos na época e cursando o se-
gundo ano do ensino médio, a adolescente disse “sim”. Depois de
pouco mais de 18 meses, eles se casaram e iniciaram uma jornada
que duraria mais de cinco décadas. E que jornada! Quatro filhos
casados, hoje com idades entre 35 e 45 anos, e dez netos: o mais
novo está cursando a segunda série do ensino fundamental e o mais
velho recebeu o diploma de faculdade recentemente.
Na década de 1950, quem teria adivinhado tudo o que acon-
teceria aos dois jovens recém-casados, tudo o que aconteceria entre
eles...? E quem teria imaginado quantas vidas eles influenciariam e
por quantas situações maravilhosas passariam em mais de cinqüenta
anos de vida conjugal? A parte mais interessante é o fato de terem
permanecido juntos — somente pela graça de Deus!
A esta altura você deve estar pensando que minha mulher e
eu somos o primeiro casal criado por Deus.
Ao pensar nesses tantos anos de casamento, conforme Cynthia
e eu costumamos fazer, suspiramos fundo e, às vezes, sorrimos. Con-
trariando a opinião popular, não fomos poupados dos vendavais da
vida. E, para deixar a história um pouco mais interessante, somos
pessoas de difícil convivência. Para ser franco, nosso casamento pas-
sou de um extremo a outro: da sobrevivência ao sucesso. Mas temos
uma boa notícia: chegamos juntos até aqui! E isso se deu em grande
parte porque descobrimos algumas coisas capazes de fazer um casa-
mento funcionar, e costumamos aplicá-las sempre que possível.
Ocorreu-me que algumas dessas coisas que aprendemos são
úteis para passar adiante. Foi então que resolvi escrever este livro. Se
ele lhe ajudar, ficarei agradecido. Por favor, compartilhe com outras
pessoas o que leu aqui. Se não lhe ajudar, desculpe-me. Guarde
tudo para si. Eu detestaria pensar que fui responsável por piorar um
casamento deteriorado.

Chuck Swindoll
Frisco, Texas

12
I
Esta não é a família do seu avô

I magine por alguns instantes que você seja uma versão moderna
de Rip van Winkle. Está vivendo em meados da década de 1960 e
leva uma vida relativamente normal ao lado do cônjuge e dos filhos
com menos de dez anos de idade, todos morando na mesma casa.
A vida é boa, mas de vez em quando a sua paz é interrompida por
uma discreta inquietação. Após a agitação do assassinato de Kennedy,
Washington volta a dirigir suas costumeiras implicâncias a Lyndon
Johnson, o 36.º presidente dos Estados Unidos. No momento, a tran-
qüilidade reina em Cuba e na União Soviética, mas aquele conflito
preocupante no sudeste da Ásia parece estar aumentando.
Você também se preocupa com seus filhos porque eles pas-
saram a ouvir as músicas dos Beach Boys depois que um rapaz,
conhecido simplesmente por Elvis, apresentou um tipo de música
diferente ao público da época. Os trejeitos e movimentos insinuan-
tes que aquele cantor fazia com os quadris levaram embora a antiga
inocência da televisão, mas você atura pacientemente os Smothers
Brothers e está aprendendo a tolerar o humor excessivamente api-
mentado do Laugh-In na TV. Afinal, é sempre possível assistir ao
programa musical de Lawrence Welk nos sábados à noite e ao Bo-
nanza no domingo após o culto noturno na igreja.
“Erva” é apenas uma hortaliça usada para realçar o sabor dos
alimentos, “pó” é uma camada de partículas de terra seca que se
acumula no chão e nos móveis e “mouse” não passa de um simples
animal roedor. “Coca” é só um refrigerante, e “gay” não tem outro
significado além de alegre, divertido. Aborto, incesto, homossexualidade
e preservativo são palavras que você jamais ouviu em um sermão e
raramente são proferidas em público. Os beatniks tornaram-se hippies,
mas você nunca os viu de outro modo que não pela TV, vivendo quase
sempre em comunidades ou em algum lugar entre Santa Cruz e
Portland, ou talvez na praia de Cape Cod.
De modo geral, você gosta da sua casa e da vizinhança tran-
qüila. O lugar é seguro para morar. Seus filhos saem para passear
de bicicleta todos os sábados de manhã. Retornam para o almoço,
desaparecem novamente e você só volta a vê-los quando o dia já
escureceu. Não há necessidade de preocupar-se com eles porque os
outros pais ajudam a vigiá-los para livrá-los das raras encrencas.
A vida é boa. Não é perfeita, mas é boa. Simples. Estável.
Controlável. Diante disso... você se deita para tirar um cochilo.
Quando abre os olhos, já se passaram quatro décadas. Seus
filhos estão com mais de quarenta anos e seu cônjuge partiu em
busca de outros ideais. Depois de chegar à conclusão de que você
jamais poderia atender a todas as necessidades dele ou dela, o di-
vórcio pareceu ser a única alternativa razoável para garantir uma
felicidade duradoura. E seu cônjuge encontrou outra pessoa. O lu-
gar espaçoso onde você morava foi ocupado por prédios altos de
apartamentos e a chegada de novos moradores tirou a tranqüilidade
e a segurança do bairro. Você gostaria de explorar melhor o pe-
queno mundo coberto de vegetação e os canteiros de flores de seu
minúsculo jardim, mas franze a testa ao perceber que o local não é
tão seguro quanto antes.

14
Você também não se sente bem dentro de casa. Um aparelho
instalado em seu escritório contém pornografia e você quer ficar
longe dele. Há um número dez vezes maior de canais de televisão
do que antigamente e os palavrões passaram a fazer parte da maioria
dos programas, inclusive dos telejornais, dos noticiários esportivos
e, principalmente, das entrevistas levadas ao ar tarde da noite. Você
achava estranho ver casais dormindo em camas separadas nas novelas,
mas agora os personagens envolvem-se com vários parceiros em
um único capítulo. Na verdade, os detalhes da intimidade dos casais
podem ser vistos nas tardes de qualquer dia da semana.
No mundo além do seu bairro, a oração perde o valor a cada
dia, ao passo que o aborto é incentivado. As igrejas das principais
denominações passaram a realizar um número cada vez maior de
casamentos com pessoas do mesmo sexo. Se você contestar com
argumentos bíblicos, será acusado de “preconceituoso” e rotula-
do de “homofóbico”. As crianças recebem uma dose exagerada
de informações sobre sexualidade e violência, enquanto os soció-
logos se espantam diante do índice crescente de assassinatos e
da prática de sexo entre os adolescentes nas escolas. A sociedade
apresenta uma solução: submeta-os a detectores de metais e ofe-
reça-lhes preservativos.
Dizer que as coisas mudaram é um eufemismo gritante.
No final da década de 1960, o Seminário Teológico de Dallas
convidou o Dr. Francis Schaeffer para uma série de conferências
de três dias. Ouvi, fascinado, aquele profeta excêntrico e moderno,
trajando suéter de gola olímpica e calças curtas, retratar um quadro
nítido da época em que vivíamos. Ele falou das tendências e do
progresso da arte e da literatura ao longo da História até os nossos
dias. Chegou a arriscar-se a fazer algumas previsões assustadoras
que, com o tempo, se tornaram realidade. As palavras exatas de sua
última previsão nunca me saíram da mente: “Um dia vamos acordar
e descobrir que os Estados Unidos que conhecemos não existem
mais.” Schaeffer morreu mas suas palavras continuam vivas. Como
ele estava certo!

15
Esta não é a família do seu avô
O efeito dessas mudanças tem tido forte impacto sobre a família. As
imagens das funções atribuídas a cada um dentro do lar tornaram-se
tão desgastadas que mal as reconhecemos. O pai ou o homem da
casa, cuja função é ser o líder espiritual da família, precisa desculpar-
se por ter de exercê-la. Mesmo que ele tente abordar o assunto com
carinho e sensibilidade, nossa cultura o acusará de viver no regime
patriarcal e de ser autoritário. A mãe ou a dona de casa, que aprecia
sua função de cuidar da família e protegê-la, sente-se decepcionada
ao ver como o mundo se comporta. Apesar de seus esforços e sacri-
fícios dignos, ela tem a sensação de que ainda precisa provar alguma
coisa. Além disso, nesta cultura de limites não definidos, os filhos
passaram a ser o centro da atenção da casa. Tudo deve girar em
torno dos desejos e das necessidades deles. No entanto, mesmo nos
dias de hoje, é possível encontrar lares nos quais as crianças vivem
felizes. E, se observarmos atentamente, veremos que essa felicidade
resulta de uma união firme e íntima entre o pai e a mãe. Isso não
mudou nem um pouco.
Não posso, porém, deixar de culpar os reformadores pedagó-
gicos, que colocaram as crianças em primeiro plano.Vamos encarar
os fatos. Para muitas pessoas, o lar deixou de ser um lugar seguro.
James Patterson e Peter Kim, autores de The Day America Told the
Truth [O dia em que os Estados Unidos disseram a verdade], têm
absoluta razão quando afirmam que os Estados Unidos são o país
mais violento do mundo e que o lar é o epicentro dessa violência.
Os relatos de maus tratos impingidos a esposas e filhos tornaram-se
tão comuns que perdemos a noção do significado de arbitrariedade.
Homens com medo de ser homens. Mulheres com vergonha
de ser mulheres. Filhos sem saber quem tem autoridade na casa.
Lares transformados em campos de batalha. E tudo dentro de um
clima instável demais, provisório demais. Em alguns aspectos, devo
admitir, as coisas estão melhores do que eram quarenta anos atrás,
mas muitas outras pioraram. Poderíamos debater horas a fio cada
uma dessas questões, mas temos de concordar com uma verdade
inexorável: esta não é a família do seu avô.

16
Uma perspectiva de grande utilidade

A esta altura, quero assegurar-lhe de que este capítulo não vai to-
mar o rumo que você talvez esteja esperando. Tenha, portanto, um
pouco de paciência comigo. Em geral, os políticos conservadores
começam os discursos da mesma forma que escolhi para iniciar este
livro. Bombardeiam a platéia com estatísticas e mencionam possibi-
lidades alarmantes, com a finalidade de prender a atenção dos ou-
vintes amedrontados; em seguida, prometem uma solução política.
Eu defendo a maioria deles e espero que contribuam com influ-
ência positiva em qualquer cargo que ocupem. Há ainda os refor-
madores da sociedade que censuram publicamente os malefícios da
tecnologia moderna e as suas ameaças às famílias. Minha mensagem
é intencional e direta, mas não tem o objetivo de parecer distorcida
ou antiquada. Não tenho nenhum interesse em voltar ao passado.
Gosto muito das conveniências e dos prazeres dos dias de hoje. Não
voltaria ao passado, mesmo que pudesse.
Escrevo este livro não como político nem como cientista so-
cial mas como marido, pai, avô, pastor e, assim espero, como seu
amigo. Desejo que todos os leitores e leitoras destas páginas — jo-
vens ou idosos, conservadores ou liberais, otimistas ou pessimistas
— comecem a analisar de maneira direta o casamento e a família a
partir de uma posição vantajosa, com base neste simples axioma:

O mundo mudou.
E continuará a mudar.

Não se trata de uma grande revelação, reconheço, mas tê-la


gravada em nossas mentes nos será de grande utilidade. Primeira-
mente, ela arranca de nossas mãos a esperança fútil e frustrante de
que podemos retornar ao passado. Além disso, alerta-nos para o fato
de que nós estamos mudando à medida que as coisas mudam a nosso
redor. E, ainda, ela nos força a procurar algo permanente.

17
Enfrente o futuro
Não podemos resolver os problemas modernos por meio de
um retorno ao passado. Buscar refúgio na segurança da família é
uma reação compreensível, mas Deus exorta-nos a ter uma vida de
fé. E a fé exige que enfrentemos o desconhecido confiando plena-
mente em Deus. Além do mais, o apego aos bons tempos do passado
impossibilita que as gerações mais velhas transmitam ensinamentos
às mais novas. Famílias jovens necessitam de orientação e incentivo
para ajudá-las a lidar com as situações da atualidade porque as de-
cisões tomadas hoje terão efeito no futuro — um futuro que todos
nós compartilharemos.

Examine a si mesmo
Tenho sentido, e estou certo de que você também, uma mu-
dança em meu modo de pensar na medida em que a nossa sociedade
muda. Quando nos deparamos com uma maldade extrema, costu-
mamos reagir com comoção e repúdio. Lembro-me de ter sentido
um frio na espinha quando li a notícia da mãe que afogou os filhos
ao atirar o carro em um lago. Fiquei indignado com outra mãe que
afogou os filhos na banheira. Depois de tomar conhecimento de
outros casos desse tipo, notei que, a cada vez, eu me comovia um
pouco menos. Comecei a passar da comoção ao desinteresse, depois
à indiferença e, finalmente, à apatia. Em momentos de descuido,
confesso que cheguei a uma tendência gradual e inevitável de acei-
tação passiva diante daquilo que eu considerava errado. Antes eu
corava de vergonha diante de tais fatos; hoje eu me entristeço, mas
raramente me comovo.
Eu gostaria de dizer que ainda me surpreendo ao ouvir falar
de cristãos que moram juntos sem que sejam devidamente casados.
Não aceito essa condição. Não a tolero. A igreja precisa disciplinar
seus membros envolvidos nessa situação, mas eu não me perturbo
tanto quanto antes. Minha posição bíblica sobre o assunto perma-
nece firme como sempre, apesar de nossa sociedade ter passado da
apatia à aceitação total desse pecado e de tantos outros.

18
Alguns poucos líderes, mas muito influentes, em nossa cul-
tura popular usam uma saída escorregadia para promover projetos
pessoais. Em uma entrevista realizada em 1991 para a The Advocate,
uma publicação encabeçada por homossexuais, a cantora Madonna
respondeu a uma pergunta proposital sobre as imagens provocativas
que ela usava em seus vídeos e sobre seu comportamento no palco
e sobre que efeitos isso poderia causar nos adolescentes da classe
média americana. A popstar respondeu que os adolescentes assimi-
lam de várias maneiras as imagens incomuns de homossexualidade.
A seu ver, alguns poderiam repudiá-las conscientemente, mas se-
riam estimulados e provocados inconscientemente ao ver dois
homens dançando juntos, em trajes de roupas íntimas femininas.
Outros talvez se divertissem com a ironia das imagens, o que os aju-
daria a superar o medo do proibido. Madonna concluiu sugerindo
que a repetição das imagens tornaria essas situações cada vez menos
bizarras, mais normais.
Não se deixe enganar. Esse não é um divertimento inofen-
sivo ou uma simples “expressão artística”, como se poderia pensar.
É um esforço consciente para ampliar, aos poucos, os nossos limi-
tes morais.1
Pausa para assimilar o que foi mencionado.
Robert Lewis, pastor em Little Rock, Arkansas, escreveu estas
palavras muito perspicazes em seu livro, Real Family Values [Os ver-
dadeiros valores da família]:

A família cristã observa, de longe, as autoridades tomarem


decisões que vão de encontro a todas as verdades que ela
aprendeu [...].
Anestesiadas por uma sociedade corrupta, muitas famílias
perderam a capacidade de discernir o bem do mal. Nossos
padrões morais estão amortecidos. À noite, nossos filhos sen-
tam-se perto de nós no sofá e assimilam as opiniões, valores
e imagens de uma sociedade sem religião. Nosso silêncio e a
nossa passividade são letais para eles. E ainda temos coragem

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de nos surpreender diante da sua falta de entusiasmo espiri-
tual e da sua tendência à transigência moral!2

Se você age como a maioria dos cristãos, é bem possível que


tenha a consciência calejada.Talvez você, por vezes, reflita sobre algu-
mas verdades bíblicas que aprendeu, mas neste momento as considera
irrelevantes. Cuidado! Você está sendo atraído pela força da gravidade
e não demorará muito para chegar à transigência moral. Acredite em
mim. Eu já passei por essa situação. Ninguém é imune a ela.

Busque a verdade
Depois dessa discussão sobre mudanças, precisamos nos concen-
trar em algumas verdades imutáveis — em fatos que não mudam.
Primeiro, o coração da humanidade não mudou.Você e eu somos
— por herança genética, por natureza e por opção — depravados
interiormente ou, melhor dizendo, inteiramente corruptos. Isso
não quer dizer que não existam aspectos bons em nós; eles existem.
No entanto, aquilo que é bom em nós foi corrompido pelo pecado.
O pecado atinge tudo. Sem o poder redentor de Cristo não pode-
mos impedir nossa decadência moral. Somente o poder do Espírito
Santo trabalhando em nós é capaz de fazer isso.
Segundo, o plano de Deus para seu povo não mudou. Deus é
santo, justo e puro. Ele nos diz, por meio da Bíblia, que devemos
ser como ele é, ou seja, Deus espera que seu povo seja santo, justo e
puro. Não santarrões, não antiquados, não impertinentes, mas san-
tos, justos e puros. Sabemos que isso é possível porque Deus nunca
nos deu uma ordem que não pudesse ser cumprida. E, acima de
tudo, ele prometeu a seus filhos que os transformaria mediante seu
poder. Isso não mudou. Podemos confiar nessa verdade.
Terceiro, Deus continua a ser fiel e misericordioso e deseja que seja-
mos fiéis e misericordiosos. Podemos nos posicionar contra as situações
que contrariam frontalmente os ensinamentos bíblicos e, ao mesmo
tempo, amar aqueles que vivem no caminho errado, sem conflitos.
Sim, podemos proclamar a verdade da Palavra de Deus e, ao mesmo

20
tempo, procurar melhorar a vida dos outros, com interesse sincero.
Aliás, essa foi a essência do ministério de Cristo na terra. Mas não
espere receber medalhas de condecoração. Assim como Jesus foi
crucificado, você pode esperar reações de indiferença, na melhor
das hipóteses, ou mesmo uma terrível perseguição, na pior das hi-
póteses. Saiba, no entanto, que, se agir corretamente, muitas vidas
serão tocadas por ele. A santidade de Deus não mudou; sua miseri-
córdia também não.
Quarto, a verdade de Deus continua imutável, conforme revelada
nas Escrituras. Enquanto a mídia popular enfrenta os conceitos tradi-
cionais e anestesia os terminais nervosos de nossa moral, enquanto
os tribunais redefinem a verdade para acomodar um padrão moral
em evolução, podemos confiar na Bíblia, porque ela reflete a mente
de Deus, a fonte de toda a verdade. Tudo o mais pode falhar, mas,
como sempre, podemos confiar na Palavra de Deus.
Este é um resumo do que dissemos até agora:

O mundo mudou
e continuará a mudar,
mas Deus não muda nunca;
portanto, sentimos segurança
quando nos aproximamos dele.

Esperança para a família em geral e para seu


casamento em particular
Nosso objetivo neste livro não é o de resgatar os tempos passa-
dos, mas concentrar a atenção nos assuntos atuais e relevantes, sem
transigir o nosso compromisso com a verdade da Palavra de Deus.
A afirmação mencionada antes era verdadeira quando Moisés escre-
veu o livro de Deuteronômio e continua a ser verdadeira até hoje.
Sempre existiram mudanças. Com certeza, as coisas mudam de uma
geração a outra. Até dentro de uma mesma geração nada continua
igual. Lembre-se dos tempos em que você morava na casa de seus

21
pais. Não parecia que eles estavam sempre enfrentando uma grande
mudança? O nascimento de um filho ou uma morte repentina. Um
novo emprego. Um local desconhecido. Uma casa, uma escola, um
carro ou um ganho diferente. Conforme mencionei em meu livro
Getting Through the Tough Stuff [Vencendo as dificuldades], alguma
coisa sempre muda!
Os eventos registrados em Deuteronômio ocorreram após
uma série de mudanças. E o povo de Israel estava prestes a enfrentar
muitas outras. Os filhos de Jacó mudaram-se para o Egito em razão
da fome devastadora que tomou conta de Canaã, a terra prometida.
Depois, porém, que a vida em Canaã voltou ao normal, o povo
hebreu continuou a morar na próspera região do Egito. Conforme
costuma ocorrer, a prosperidade deu lugar à escravidão e os israelitas
não puderam mais sair de lá. Deus os libertou da escravidão depois
de passarem 430 anos no Egito, nomeando Moisés como líder da-
quele povo. Quantas mudanças!
Moisés conduziu uma nação de talvez dois milhões de pessoas
para fora do Egito, a fim de tomarem posse da terra que Deus lhes
havia concedido por meio do patriarca Abraão. Quando, porém,
avistaram a terra prometida e avaliaram a força dos inimigos, os israe-
litas deixaram de confiar em Deus. Preferiram voltar à escravidão a
conquistar a terra que Deus lhes prometera. Para punir aquela gera-
ção incrédula, Deus obrigou os israelitas a viverem como nômades
até que seus filhos crescessem para levar a missão adiante. Grandes
mudanças acompanharam aquelas duras décadas.
Depois de peregrinar por quarenta anos, a nação estava pron-
ta para entrar na terra prometida. Moisés, com cento e vinte anos de
idade, havia chegado ao fim da vida. Deuteronômio representa sua
última palavra ao povo de Israel. Assim como um venerável bisavô
em seu leito de morte, Moisés convocou a presença da família e rei-
terou suas mais importantes lições. É daí que se origina o nome do
livro. Deutero significa “segundo”. Nomos significa “lei”. Em termos
práticos, Deuteronômio é a segunda transmissão da Lei de Deus.

22
Moisés também sabia que aquele era um momento funda-
mental na vida de Israel como nação. Os israelitas teriam de se
mudar para cidades que não fundaram e viver em casas que não
construíram. Comeriam produtos de árvores e vinhas que não
plantaram e beberiam água de cisternas que não cavaram. O povo
de Deus teria uma vida de tanta riqueza e prosperidade que o pe-
rigo de esquecê-lo parecia grande demais. As palavras de Moisés
iniciam-se com uma simples verdade:

Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.


(Deuteronômio 6:4)

Daí em diante começa uma passagem a que os judeus dão


o nome de shema (pronuncia-se “shemá”). O nome se origina da
primeira palavra proferida por Moisés, que significa “ouça”. Trata-
se de uma ordem. Ouça! Ouça esta verdade fundamental: Deus é o
seu senhor e ele é o seu único senhor. É absolutamente único e não
existe nenhum outro Deus. E essa verdade fundamental conduz ao
mais importante de todos os mandamentos.

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a


sua alma e de todas as suas forças. (Deuteronômio 6:5)

Em outras palavras:“Não hesite. Ame-o com tudo o que você


é e com tudo o que tem.” Essa verdade e esse mandamento tinham
o objetivo de unir o povo todo em torno de um relacionamento
pessoal com Deus. Além disso, cada pessoa deveria repassar o man-
damento ao cônjuge e aos membros da família, de forma que a
verdade permeasse todos os aspectos da vida.

Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre


elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andan-
do pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.
(Deuteronômio 6:7)

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A palavra traduzida por “ensine” é um vocábulo hebraico
que significa “afiar” no sentido literal e “repetir” no sentido figu-
rado. Para afiar uma lâmina, é necessário raspar seu fio repetidas
vezes em uma pedra. O verbo apresenta-se em forma intensiva, su-
gerindo “ensine essas palavras a seus filhos continuamente; converse
sempre sobre elas e ponha-as em prática diante deles”. Essa instru-
ção ia além dos cultos domésticos e das orações padronizadas de
agradecimento antes das refeições. Uma devoção fervorosa a Deus
deveria envolver a casa toda, a começar pelo casal, na condição de
marido e mulher e, após a chegada dos filhos, na condição de pais.
O versículo 10 explica por que Moisés transmitiu essas lições com
tanto zelo e fervor.

O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos


seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, dar a vocês, terra
com grandes e boas cidades que vocês não construíram, com
casas cheias de tudo o que há de melhor, de coisas que vo-
cês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram,
com vinhas e oliveiras que vocês não plantaram. Quando
isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos, tenham
cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito, da
terra da escravidão. [...] O Senhor nos ordenou que obede-
cêssemos a todos estes decretos e que temêssemos o Senhor,
o nosso Deus, para que sempre fôssemos bem-sucedidos e que fôs-
semos preservados em vida, como hoje se pode ver. (Deutero-
nômio 6:10-12,24; grifos do autor)

Moisés foi um sinal visível da presença de Deus durante a


saída do povo de Israel do Egito e durante os quarenta anos de
peregrinação no deserto. Como profeta, ele era o porta-voz do
Senhor. Entregou os decretos de Deus. Liderou os hebreus nas
batalhas. Estabeleceu as bases das práticas religiosas deles. Definiu
sua forma de governo. Assim como um pai, intercedeu por eles,

24
ensinou-os, puniu-os e levou-os a ter um relacionamento mais
íntimo com o Senhor. Moisés havia visto o povo passar por muitas
mudanças. Agora, de maneira semelhante à de um pai entregando
os filhos ao mundo, Moisés queria que eles vivessem por conta
própria, que reconhecessem a autoridade da Lei de Deus. Em
essência, ele disse: “Estou chegando ao fim da vida, mas estas leis
permanecem. Lembrem-se disto: elas foram escritas para o bem de
vocês e são necessárias para sua sobrevivência. Se vocês a desprezarem,
correrão muitos perigos! E se isso acontecer, assimilarão as cultu-
ras pagãs e o modo de vida dos cananeus, como uma esponja seca.
A atual geração não sobreviverá.”
O mesmo ocorre conosco. Jesus revogou a Lei de Moisés.
Não precisamos mais nos aproximar de Deus por meio de um con-
junto de decretos e sacrifícios no templo. Contudo, os princípios
da Palavra de Deus não passaram a ser menos importantes, menos
imperativos, menos fervorosos. Quando um profundo conhecedor
da Lei de Moisés perguntou a Jesus qual era o maior mandamento,
ouviu dele a seguinte resposta:

O mais importante é este: Ouve, ó Israel, o Senhor, o


nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor,
o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma,
de todo o seu entendimento e de todas as suas forças.
(Marcos 12:29,30)

Neste mundo de constantes mudanças, essa verdade é per-


manente. Podemos nos apegar a ela quando sentirmos a força da
gravidade atraindo-nos para uma queda moral inevitável. Nosso
relacionamento com Deus não é apenas bom; é essencial para
nossa sobrevivência. O casamento e a família continuam a ser as
melhores maneiras de assegurarmos o bem-estar e a sobrevivência
das futuras gerações.

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Quatro princípios sólidos e
aplicações simples e diretas

Tudo isso me leva a meditar em alguns princípios verdadeiros e eter-


nos.Tais princípios também nos prepararão para os próximos capítu-
los. Pense primeiro em seu casamento e, depois, em sua família.

Acorde!
A complacência impede-nos de enxergar a realidade. Na me-
dida em que somos levados pela correnteza de nossa cultura e se-
guimos o caminho do menor esforço, deixamos de notar a distância
cada vez maior entre nós e o Senhor. Como é fácil banalizar os
erros, ser indiferente a eles, tolerá-los, aceitá-los e, finalmente, apro-
vá-los. Acorde! Analise como está a sua relação com Deus e tome a
decisão de concentrar-se nela de forma realista.
Não é hora de cochilar. Se você e o seu cônjuge não têm
filhos, permaneça de olhos abertos e alerta quanto aos apelos ardi-
losos da transigência. Se tiver filhos pequenos morando com você,
esforce-se para descobrir como a cultura os está influenciando. Se
tiver filhos adolescentes, procure observar que programas de tele-
visão eles vêem e que tipo de música ouvem. Talvez você tenha de
interferir, mas é melhor entender as mensagens que eles estão rece-
bendo para que não ouçam uma única voz: a voz do mundo.
Não se deixe enganar pela indiferença deles. Você não pode
silenciar o mundo e não precisa fazer isso. Seus filhos atravessam um
período de confusão e mudança e estão ansiosos por receber orien-
tação. Os filhos fingem desprezar os conselhos dos pais e o interesse
por eles. Na verdade, a palavra dos pais é muito mais importante
do que eles admitem ser. Talvez encolham os ombros e revirem os
olhos, mas prestam atenção ao que você diz.

Ouça!
O conhecimento nos liberta. O inimigo de nossa alma anda
à caça da ignorância. Se Satanás, o governador deste mundo, for

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capaz de nos manter na ignorância, ele poderá nos iludir com su-
perstições e medo. Ele distorce nossos princípios religiosos com o
objetivo de nos levar a procurar soluções erradas. As conseqüências
são devastadoras! Nossa vida espiritual será dominada por incerte-
zas e insegurança. Ficaremos confusos, sem saber quem somos ou
aonde vamos.
Jesus disse estas palavras a quem deseja ser seu discípulo: “Se
vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente se-
rão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os liber-
tará” (João 8:31,32). Quando crescemos no conhecimento da Palavra
de Deus, temos condição de pensar com clareza e ver o mundo de
forma realista. Estude a Bíblia. Leia-a todos os dias. Memorize as
passagens principais. Sempre que me dedico a esse exercício, vejo,
maravilhado, como meu discernimento melhorou.Também enfren-
to, com mais facilidade, as provações rotineiras da vida.

Dê um passo à frente!
Precisamos ser semelhantes aos homens comandados por
Issacar. A Bíblia refere-se a eles desta maneira: “Da tribo de Issacar,
[vieram] 200 chefes que sabiam como Israel deveria agir em qualquer cir-
cunstância. Comandavam todos os seus parentes” (1 Crônicas 12:32;
grifos do autor).
Após um estudo minucioso da situação de nossa sociedade, nós
também somos compelidos a agir corajosamente. Quando enxerga-
mos os problemas como Deus os enxerga e examinamos o mundo
sob a perspectiva de Deus, temos a sensação de estar sendo compe-
lidos por ele; adquirimos coragem sobrenatural para tomar uma po-
sição firme, ser diferente dos outros. É necessário ter sabedoria para
fazer isso sem parecer patético ou condenatório. Queremos que nossa
diferença atraia a atenção dos outros, mas ela produz rejeição e somos
expostos ao ridículo. Mesmo assim, temos o dever de agir.
Ofereça apoio aos homens e mulheres cristãos que ocupam
cargos públicos. Defenda as leis que protegem o casamento e a fa-
mília constituídos por Deus. Lute contra tudo o que possa afastar

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nossa sociedade dos princípios bíblicos transmitidos por Deus para
o nosso bem e nossa sobrevivência. Pense em si mesmo como um
filho ou filha de Issacar dos tempos modernos.

Olhe para o alto!


Deus nos ama de maneira incondicional. Precisamos lembrar
com freqüência esse fato maravilhoso. Enquanto lê este livro, talvez
você esteja passando por um período de grande tristeza, de medo
ou de dúvida em razão de problemas no casamento e/ou na família.
A tensão no casamento pode estar ameaçando desestruturá-lo. Tal-
vez as pressões externas tenham deteriorado o seu relacionamento
e transformado a intimidade entre você e seu cônjuge em algo mais
que um problema. Ou talvez tenha tomado decisões erradas ou trá-
gicas a ponto de pôr seu casamento em risco. Seja qual for a situação
ou o problema do momento, Deus ama você de maneira incondi-
cional e deseja que seu casamento não apenas sobreviva, mas que seja
bem-sucedido. Olhe para o alto! Clame a ele. Recorra a ele agora.
Convide-o para assumir o controle de seu casamento. Enquanto ora,
cite o nome de seu cônjuge e de cada membro da família, suplican-
do que o Senhor intervenha e derrube as antigas barreiras.

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Resumo
A complacência nos impede de enxergar a realidade. Acorde!
O conhecimento nos liberta. Ouça!
O discernimento nos compele a agir com coragem,
então dê um passo à frente!
Deus nos ama de maneira incondicional. Olhe para o alto!

Admito que esses quatro princípios sólidos e as quatro aplicações


simples e diretas possam parecer simples demais no papel, mas lhe
asseguro que não. Cada aspecto tem a finalidade de transformar um
ponto de vista profundo em algo memorável. Após quase 51 anos
de casamento e 45 de vida familiar, posso afirmar, com toda a since-
ridade, que esses conceitos foram provados e comprovados; e confio
neles até hoje. Aliás, faço questão de recomendar uma nova leitu-
ra deste capítulo para que as idéias sejam gravadas em sua mente.
Há boas possibilidades de você encontrar algo que lhe escapou no
decorrer da primeira leitura.
Nos próximos capítulos, analisaremos, com muito mais deta-
lhes, o panorama doméstico de seu lar, sempre com base na Bíblia.
Sem dúvida, vou mencionar lições aprendidas a duras penas, depois
de muitos reveses, e compartilharei com você todos os conheci-
mentos que adquiri ao longo dos anos. No entanto, gostaria de
dizer que não sou nenhuma autoridade em casamento; a autoridade
é Deus. Quando você chegar ao fim deste livro, espero que tenha
aprendido um pouco mais acerca do que Deus diz sobre essa mis-
teriosa união e que sua Palavra tenha esclarecido muitas dúvidas em
sua mente. Tenho plena confiança no poder da Bíblia para transfor-
mar o casamento, a família e até a sociedade inteira.
Erwin Lutzer ilustra dessa maneira o poder transformador da
Palavra de Deus na sociedade:

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A Grã-Bretanha do século XVIII encontrava-se em tal es-
tado de declínio que o Parlamento teve de ser dispensado
no meio do dia porque muitos de seus membros estavam
completamente embriagados. Crianças morriam abando-
nadas e a imoralidade espalhava-se por toda parte. O co-
nhecimento a respeito de Deus havia quase desaparecido.
Deus, em sua misericórdia, reverteu aquela tendência por
meio da pregação de John Wesley e George Whitefield. Al-
guns historiadores acreditam que aquele avivamento livrou
a Grã-Bretanha do destino sangrento da França, dilacerada
por uma revolução violenta.3

A Inglaterra estava no início de uma decadência moral, mas


Deus interveio. Deus usou a coragem de alguns poucos homens e
mulheres fervorosos que disseram: “Recorreremos a Deus e ele nos
dará orientação e força.”
Podemos ser semelhantes a eles, a começar pelo seu casamen-
to e pelo meu.

ca

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