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Conciliação Bancária

1. Definição de Conta Corrente


Entende-se por conta corrente bancária a parceria existente entre um cliente
(ou correntista), sempre uma pessoa física ou jurídica, com uma casa
bancária, de tal modo que o cliente deposita seu numerário no banco
escolhido, que por sua vez, fornece ao cliente talonários de cheques e cartões
magnéticos.
É em posse destes títulos de crédito (cheques e cartões) que o cliente vai os
emitindo sempre quando necessário for; os beneficiários disto dirigem-se até
o banco e descontam o cheque, ou depositam em outro banco, que
internamente desconta o cheque com o banco sacado, ou ainda, os bancos
transferem entre si as transações fundadas em cartões.
É devido a isto que surge o nome de conta corrente, visto que a conta está
sempre sendo movimentada, com o cliente com uma certa freqüência
depositando (entradas) e também emitindo cheques, fazendo saques, etc.
(saídas).

2. Definição de cheque
Segundo as normas do Banco Central do Brasil, um cheque é uma ordem de
pagamento de determinada quantia dirigida a um banco, por pessoa ou firma
que aí tenha conta de depósito, em favor de outra pessoa ou firma,
independente de sua data de emissão, desde que esta não seja superior a seis
meses.

2.1 Conceito de “Cheque para Esperar”


Embora a definição anterior legalmente identifica um cheque como uma
ordem de pagamento à vista, no Brasil há longa data estabeleceu-se um
costume comumente chamado de “cheque pré”, proveniente de “pré-
datado”. Analisando o conteúdo da palavra, chega-se à conclusão de que pré
significa “antes, prévio, antecipado, etc.”; no entanto, sendo um cheque uma
ordem de pagamento liquidável à data de sua emissão, e um “cheque para
esperar” um compromisso de pagamento futuro, o nome correto seria então
“pós-datado”, visto que o credor preencheria a data somente em ocasião
posterior à transação, ou então, o próprio emitente já anota a data futura no
próprio documento. Isto é apenas um mero detalhe técnico, posto que o que
realmente importa é a definição dos mecanismos inerentes a um cheque
emitido para apresentação futura.

3 Critérios contábeis referentes à contabilização do movimento bancário


Cientificamente estabelecido, a contabilidade gera as informações a partir
dos registros dos fatos contábeis (fenômenos negociais, internos ou externos,
que são capazes de modificar a situação patrimonial da entidade, no presente
ou futuro), e considerando que a emissão de uma folha de cheque já é por si
só um fato contábil, o dever profissional determina que um cheque deve ser
contabilizado tão logo seja emitido. Neste caso, debita-se a conta inerente à
aplicação dos recursos, a crédito do respectivo banco, sendo este a origem
dos recursos.
Registre-se que as demonstrações contábeis estão corretas e também são
confiáveis apenas quando seus dados informativos são confrontados com as
fontes que forneceram os dados que foram registrados. Geralmente os
contabilistas encontram dúvidas e problemas quando confrontam os extratos
bancários com os saldos bancários do balancete de verificação, embora
internamente as empresas usem certos caderninhos de capa dura que também
recebem o nome de “contas correntes”.
Este procedimento resume-se à prática de que no momento em que a empresa
emitir um cheque, o mesmo é dado baixa no caderninho e também lançado na
contabilidade; na semana seguinte (ou na ocasião propícia à conciliação),
quando é pego o extrato, o conferente recorre ao caderninho e vai riscando os
cheques já compensados. O mesmo também é feito com depósitos em
cheques a liberar, convênios a receber, etc. O que importa é que nem sempre
a contabilidade e os informes bancários têm a mesma velocidade. O seguinte
exemplo ilustra claramente o modo se harmonizar os saldos contábeis com os
saldos constantes no extrato bancário.

3.1 Cheques à vista


Consideremos uma certa empresa que efetua os pagamentos a seus
fornecedores toda sexta-feira, sempre na parte da tarde; tanto os
pagamentos, como também os depósitos bancários, são direcionados aos
devidos departamentos somente após serem preenchidos e contabilizados na
parte da manhã, e o encarregado do controle bancário tira extratos bancários
toda segunda-feira.

Por sua vez, o razão desta conta corrente bancária estaria da seguinte forma:
Então, ao chegar na segunda-feira seguinte a estes fatos, visto que a empresa
fica fechada nos finais de semana, o encarregado de contas correntes
bancárias obteria o seguinte extrato bancário:

É neste momento em que surgem as dúvidas visto que enquanto o livro razão
aponta um saldo positivo de R$ 3.349,27, o extrato bancário disponibiliza
apenas R$ 2.505,27. Os procedimentos necessários à harmonização entre livro
razão e extrato bancário requer o seguinte cálculo extracontábil:

Conforme se observa, apenas ajustamos um saldo com outro, adicionando e


subtraindo as transações ainda não processadas; ao fim, estando sem
diferença, o controle está correto.

3.2 Cheques “Pré-Datados”


Independente do nome a ser dado ao cheque emitido para apresentação
futura convém citar que isto não passa de um acordo entre cavalheiros.
Até nos meios jurídicos já está estabelecido que em uma certa transação,
quando as partes denotarem este acordo simplório de se apresentar o
documento somente em data futura, geralmente anotando a data propícia no
rodapé da folha, quase sempre com os dizeres “bom para ___/___/___”, a
folha de cheque perde as características de uma ordem de pagamento à vista
e assume a figura de uma nota promissória. Há inúmeros casos de
comerciantes que, após receberem cheques “para esperar” que na data certa
são devolvidos por falta de fundos, ao sentirem-se ultrajados pela má-fé do
cliente procuram alguma Delegacia de Polícia para registrar queixa de
estelionato; raramente algum delegado registra queixa; são aceitas queixas
deste tipo somente quando a data de emissão do documento for próxima à
data do carimbo de devolução pelo banco.
Contabilmente falando, visto que um cheque deste tipo passa a valer como
uma espécie de Nota Promissória, não há mal algum em a empresa registrar os
cheques a compensar no passivo circulante; assim que na data acordada o
banco receber um depósito para cobrir o cheque, ou o cheque do cliente for
depositado, é dada baixa no passivo circulante e também na conta bancária,
debitando-se o banco com crédito à conta de cheques a depositar. Da mesma
maneira que no item anterior foi passado um exemplo prático, desta vez
haverá outro exemplo, valendo-se da mesma empresa.
Caso hipotético: A Distribuidora Alfa contratou de uma Pessoa Jurídica
serviços de propaganda e publicidade no valor de R$ 900,00, divididos em três
parcelas de 300,00, para os dias 13/04, 13/05 e 13/06/200X, representados
por cheques do Banco Delta:

Segundo consta nas contas envolvidas, está registrada a despesa e em


contrapartida o compromisso assumido; visto que o cheque passou a valer
como um título de crédito a prazo, o valor foi classificado no passivo
circulante
Já no mês seguinte, supondo-se que o primeiro cheque foi pago pelo banco no
mesmo dia em que se esperava, o lançamento contábil será o seguinte:

Portanto, conclui-se que este é o melhor método a ser adotado, porque é


registrada a despesa administrativa, o compromisso assumido e com o passar
do prazo, também o pagamento dos cheques dados em garantia para a
satisfação do débito.

4. Conclusões
Frente a tais exposições conclui-se que não é a contabilidade que deve estar
de acordo com os extratos bancários, e sim, os extratos bancários é que
deveriam estar de acordo com os registros contábeis. Visto que nem sempre
as datas de processamento dos movimentos pelo banco coincidem com as
datas dos registros contábeis, somente a conciliação bancária explicitada
anteriormente demonstrará que os registros estão corretos porque o resultado
final do relatório indicará que os dois saldos (contábil e bancário) estão
iguais.
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