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Toda pessoa tem o direito a comida segura enutritiva e todos os Povos tem o direito a

soberania de comida, como, reafirmou-se na Declaração das Nações Unidas no World


Food Summit realizado em Roma em 2002.
A implementação destes direitos fundamentais sempre foi a preocupação primária da
Associação Amazonia, passos são tomados para racionalizar, com a ajuda da Embrapa,
os métodos agrícolas utilizados pelas comunidades e famílias do Jauaperí.
Recentemente a Associação Amazonia iniciou um projeto, ambicioso, para a criação de
uma Fazenda Modelo na Reserva do Xixuaú que devera cobrir as exigências alimentares
das pessoas da área.
Antes da chegada dos Europeus as populações Indígenas da Amazonia tinham
desenvolvido a permacultura da floresta que permitiu alimentar, de modo ecológico e
auto sustentável, uma população de floresta muito maior que a atual. À agricultura
futura da Floresta Amazónica devera ser baseada, indispensavelmente, nessas técnicas
perdidas. O passo fundamental, para, o restabelecimento, destas, será feito com ajuda do
Mapeamento da Paisagem Amazónica e o Programa de Estimação de Biodivercidade,
estes, feitos pelas Comunidades de Caboclo do Rio Jauaperí.

Pesquisa da Esalq afirma que regionalização seria melhor forma de proteger


matas, mas descarta necessidade de desmate para ampliar produção agrícola

Um argumento bastante usado pelos ruralistas e parlamentares favoráveis a mudanças


do Código Florestal Brasileiro (CF) é a falta de embasamento científico e técnico na lei
federal em relação ao uso e manutenção de áreas de preservação permanente (APP) e
reservas legais (RL).

Dessa forma, lançaram mão de estudos para justificar mudanças na lei federal, um deles
está sendo coordenado por Gerd Sparovek, professor da Escola Superior de Agricultura
“Luiz de Queiros” (Esalq/USP), que lidera pesquisas em relação ao uso e recuperação
de áreas degradadas pela agropecuária. O trabalho não terminou, mas algumas
conclusões já foram publicadas pelo grupo formado também pelo aluno de doutorado da
Esalq/USP Alberto Barretto, do consultor Israel Klug, e do professor da Universidade
de Chalmers (Suécia), Göran Berndes.

“Os estudiosos enfatizam que não há necessidade do código florestal ser revisado”

Os pesquisadores afirmam que não há como criar uma regra nacional que se adapte a
todas as situações ambientais e características de cada território do país e, ainda, que a
regionalização poderia atender com maior eficiência a proteção dos biomas sem
prejuízo da produtividade agropecuária. Esses são pontos que os ruralistas utilizaram
para justificar a reforma no CF.

Mas, em contrapartida, os estudiosos enfatizam que não há necessidade do código


florestal ser revisado: “a agricultura pode se desenvolver pela expansão territorial sobre
áreas de elevada aptidão agrícola que atualmente são ocupadas com pecuária extensiva.
A pecuária, que ocupa parte das terras destinadas à produção agropecuária, pode se
desenvolver pela intensificação e ganho da produtividade”, dizem.
Em entrevista, realizada por e-mail, Gerd Sparovek diz que o caminho da regionalização
da lei federal não deve ser a permissão para os estados determinarem suas próprias
regras. Isso poderia resultar “num processo de ‘guerra ambiental’ entre estados que irão
querer atrair investimentos do agronegócio flexibilizando demais o CF [Código
Florestal] para atrair estes investimentos”, considera.

Por outro lado, deve haver considerações especificas, por região, conforme a cultura a
ser produzida. A exemplo de espécies de plantas que se desenvolvem bem em APP,
como é o caso do café, da banana e arroz. Outro exemplo, citado por Sparovek, são as
lavouras de vazante da região semi-árida do Nordeste. O professor ressalta que essas
considerações devem ser equilibradas e não servir para anistiar situações fora daquelas
em que realmente se apliquem.

“Poderá incentivar ainda mais o desmatamento”

Para conciliar a legalidade da produção à conservação dos biomas os pesquisadores


sugerem:

a) Melhorar a eficiência da aplicação do Código Florestal;

b) Resolver o problema dos passivos ambientais já existentes e com isso viabilizar sua
aplicabilidade. Os autores do estudo estimam que o custo para recuperar todo o déficit
de APP e RL, ou restabelecer a vegetação natural a partir do plantio, equivale a duas
vezes o Produto Interno Bruto (PIB) anual de todo o setor agropecuário, sem considerar
a perda da produção nas áreas convertidas para vegetação.

c) Por último, garantir que o Código Florestal seja cumprido. Um mecanismo teria que
ser criado para desencadear o cumprimento da lei federal, uma vez que, mesmo tendo
um Código Florestal vigente, 104 milhões de hectares de vegetação nativa não são
protegidos no Brasil.

Dentre as alternativas para aumentar a eficiência do CF, sugerem que APP preservadas
e recuperadas só sejam contabilizadas no cálculo das RL quando ocorre o déficit de
ambas. “Neste caso pode estimular as ações de recuperação das APP e assim contribuir
para a preservação dos recursos hídricos”. Se essa regra for aplicada em áreas onde APP
e RL ainda estão preservadas, poderá incentivar ainda mais o desmatamento.

Área de produção x vegetação nativa

Outra crítica dos ruralistas é que se a lei federal de conservação de todas as áreas fosse
cumprida integralmente e somando as Unidades de Conservação e Terras Indígenas já
estabelecidas e conservadas, as áreas preservadas cobririam cerca de 71% do território
brasileiro, restando apenas 29% para todas as atividades humanas (áreas urbanas e
produção agropecuária).
Atualmente, com toda a produção de alimentos, e somando as áreas urbanas, o país
mantém 53% da área de cobertura florestal nativa. Logo, não estaria de bom tamanho
manter a proporção de terras cobertas e alterar os mecanismos de lei que mantém hoje
quase 90% dos produtores na ilegalidade?

Stapovek responde que não. O pesquisador explica que a proporção 29% provavelmente
foi consultada num relatório da Embrapa Monitoramento por Satélite. “Caso você dê
uma olhada com mais detalhe neste relatório, na sua parte de métodos, irá perceber que
os próprios autores indicam incertezas na definição de vários parâmetros que utilizam.
Há outros estudos que indicam que há erros nesta estimativa”, e completa: “Olhar
números agregados do Brasil engana muito. A distribuição das áreas preservadas, a
ocupação agrícola e onde precisamos de água e preservar biodiversidade ameaçada não
coincidem espacialmente”.

“A pecuária utiliza uma área de 211 milhões de hectares”

A agricultura ocupa uma área total de 67 milhões de hectares. Os pesquisadores


concordam que o setor já possui um elevado grau de produtividade, sobretudo na
cultura de grãos. Ou seja, se for preciso aumentar a oferta de alimentos, o país terá que
crescer em área de produção. O estoque de novas terras poderá acontecer pela abertura
de novas terras sobre a vegetação natural, ou utilização de terras já exploradas pela
agropecuária.

No relatório, os pesquisadores destacam que o estoque de terras consideradas de elevada


aptidão agrícola ainda cobertas por vegetação é de apenas 7 milhões de hectares,
enquanto que as terras de elevada e média aptidão para agricultura já exploradas e
utilizadas pela pecuária é de 29 milhões de hectares e 32 milhões de hectares,
respectivamente. Ou seja, existe um estoque de 61 milhões a serem explorados pela
agricultura, podendo quase dobrar o tamanho de área dessa atividade.

A pecuária utiliza uma área de 211 milhões de hectares, com uma característica de
baixíssima produtividade: 1,1 cabeça por hectare. Segundo os pesquisadores, já existem
tecnologias para melhorar e intensificar a criação do gado mas, simplesmente, elas não
são aplicadas: manejo mais intensivo da pastagens através da correção do solo e sua
adubação, estocagem de forragens para evitar a sazonalidade da produtividade dos
pastos, são alguns exemplos.

“A complexidade [de melhorar a produtividade da pecuária brasileira] está em


intensificar um setor enorme e tradicional, num cenário pouco favorável em relação à
legislação. Ou seja, um Código Florestal que ainda permite 104 milhões de hectares de
desmatamento legalizado e que tradicionalmente vem acompanhando um longo
histórico de desmatamento ilegal”, reforçam.

“Cerca de 83 milhões estão em situação de não conformidade com o Código


Florestal”
Dos 278 milhões de hectares ocupados pelo setor agropecuário no Brasil, cerca de 83
milhões estão em situação de não conformidade com o Código Florestal e teriam que
ser recuperados – os processos de uso e exploração do solo acabaram deteriorando as
qualidades produtivas dessas áreas.

A área total do Brasil é de 850 milhões de hectares, sendo que 537 milhões são áreas
que preservam boa parte da vegetação natural (floresta, caatinga, pampa, por exemplo).
Dos 537 milhões de hectares, considerados de vegetação natural, 170 milhões de
hectares estão em Unidades de Conservação e Terras Indígenas. O restante, 367 milhões
de hectares, em sua maior parte, estão em áreas privadas, nas quais se aplica o Código
Florestal.

Do total de 103 milhões de hectares de APP, 59 milhões permanecem com vegetação


natural, tendo um déficit de 44 milhões de hectares. As perdas estariam divididas de
forma uniforme em todas as regiões do país. Já, o total de área de RL é 254 milhões de
hectares, sendo calculado um déficit de cobertura dessas reservas de 43 milhões de
hectares.

Novo CF só em 2011

Na última terça-feira (6/7), o grupo especial criado para discutir o PL 1876/99 aprovou
por 13 votos a 5 as propostas de mudança do Código Florestal Brasileiro (Lei 4.771/65),
reunidas pelo deputado Aldo Rebelo, relator do projeto. Dentre as principais propostas
está a consolidação de RL já desmatadas em pequenas propriedades e redução de 30
para 15 metros a área de proteção das matas ciliares em rios de até 10 metros de largura.

O próximo passo será a aprovação do PL no plenário da Câmara dos Deputados, sem


data prevista. A estimativa é que a votação aconteça somente após as eleições, restando
para o próximo presidente da república a decisão de aceitar ou vetar o PL.

As principais medidas:

- Redução do prazo de recomposição da Reserva Legal de 30 para 20 anos;

- Os cursos de água de até 10 metros de largura terão suas áreas de preservação


permanente (APP) reduzidas de 30 para 15 metros. E os estados não terão mais o direito
de reduzir ou aumentar essa metragem;

- As reservas legais (RL) em pequenas propriedades de até quatro módulos estão


dispensadas da recomposição da RL. Ao mesmo tempo, não poderão desmatar partes
que estão preservadas;

- O PL prevê que nos próximos cinco anos seja proibido qualquer tipo de desmatamento
– durante esse período, União, estados e municípios deverão agilizar a regularização de
todas as propriedades e realizar o levantamento de todas as florestas no país.
A pressão para atualizar o Código Florestal Brasileiro (CFB) aflorou nos últimos dois
anos, fomentada especialmente por parlamentares ligados ao agronegócio. Tal como
outros intentos governamentais que atritam com a área ambiental, imprime-se a esse
projeto caráter de necessidade quase emergencial.

A pretendida reforma deveria remover o estrangulamento para a expansão de terras


agrícolas, hoje supostamente bloqueada pela combinação de áreas de preservação
permanente (APP) e reservas legais (RL). Só que esse bloqueio não existe.

A suposta escassez de terras agricultáveis não resiste a estudo mais criterioso, como o
recentemente coordenado pelo professor Gerd Sparovek, da Escola Superior de
Agricultura da USP (Esalq).

“As APP e RL serão colapsadas, reduzidas e drasticamente transformadas”

Realocando para cultivo agrícola terras com melhor aptidão, hoje ocupadas com
pecuária de baixa produtividade, e aumentando a eficiência da pecuária nas demais, por
meio de técnicas já bem conhecidas, a área cultivada no Brasil poderá ser quase
dobrada, sem avançar um hectare sequer sobre a vegetação natural.

A reforma também pretende retirar da ilegalidade muitas propriedades que não mantêm
as APP e RL estipuladas. Para isso, pensa-se em fundir as APP com as RL e flexibilizar
o uso destas últimas.

No entanto, as APP e as RL são áreas que exercem papel complementar na conservação


das paisagens rurais e não deveriam ser tratadas como equivalentes. Ademais, o uso de
RL com espécies exóticas representa uma completa descaracterização dessas áreas.

Sob a desculpa de proteger as pequenas propriedades, as APP e RL serão colapsadas,


reduzidas e drasticamente transformadas, levando a amplos desmatamentos e perda de
áreas protegidas, que não se destinam apenas a conservar espécies e a promover o uso
sustentável de recursos naturais.

“Os parlamentares decidiram quem são os cientistas que merecem atenção”

Elas asseguram uma gama de serviços ambientais indispensáveis à qualidade de vida


humana e à própria qualidade e produtividade agrícola. Da proteção dessas áreas
dependem a regulação de cursos de água, o controle da erosão, a polinização de diversas
plantas cultivadas, o controle de pragas, o sequestro do carbono atmosférico e muitos
serviços mais.

Qual a participação da comunidade científica competente na formulação dessas


alterações? Quase nula. Há muitos grupos científicos pesquisando ativamente a
conservação e restauração da biodiversidade e o desenvolvimento de metodologias que
permitam a produção agrícola com a efetiva preservação do ambiente.
Nem os pesquisadores mais reconhecidos dessas áreas nem as sociedades científicas
relevantes foram ouvidos. Os parlamentares decidiram quem são os cientistas que
merecem atenção e desqualificaram ou ignoraram todos os demais.

“E quem duvida de que tal certificação será cada vez mais exigida?”

Passado quase meio século de intensas transformações, é necessário atualizar o CFB,


facilitar a produção agrícola em pequenas propriedades, mas sem deixar de fortalecê-lo
nos objetivos essenciais.

Se esses objetivos forem soterrados, haverá sérias consequências para o próprio


agronegócio, porque não apenas se comprometerá os serviços ambientais, mas o mero
cumprimento formal de legislação ambiental inócua não irá assegurar certificação
ambiental respeitada.

E quem duvida de que tal certificação será cada vez mais exigida para comercializar
qualquer commodity brasileira?

É hora de os agroparlamentares e demais envolvidos compreenderem que as demandas


ambientais representam componentes indispensáveis da boa agricultura, bem como da
melhor qualidade de vida.

Relatório do Código Florestal é apresentado na Câmara dos


Deputados
Ter, 08 de Junho de 2010 17:55
Aldo Rebelo, apoiado pela bancada ruralista, defende que o Código Florestal
atual engessa a agricultura brasileira, porque "coloca na ilegalidade 90% dos
proprietários rurais". A expectativa é que sua proposta flexibilize a Área de
Preservação Permanente (APP) e a reserva legal. O deputado acredita que a
legislação brasileira é resultado da pressão de ONGS internacionais, que
querem "paralisar o País, bloqueando a construção de estradas, pontes,
hidrovias, portos e hidrelétricas, e, pela insuficiência de sua infraestrutura,
condená-lo ao atraso permanente".

Acontece hoje, dia 8 de junho, desde as 14 hr a reunião da Comissão Especial


pra Reforma do código florestal Brasileiro, onde deve ser apresentado o
chamado "Código Ambiental" - conjunto de propostas que muda o atual Código
Florestal.

O relator da comissão é o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Rebelo vai


analisar os 11 projetos de lei que tramitam na Câmara, todos propondo
modificar ou sustar os efeitos da legislação florestal.

Aldo Rebelo, apoiado pela bancada ruralista, defende que o Código Florestal
atual engessa a agricultura brasileira, porque "coloca na ilegalidade 90% dos
proprietários rurais". A expectativa é que sua proposta flexibilize a Área de
Preservação Permanente (APP) e a reserva legal.

O deputado acredita que a legislação brasileira é resultado da pressão de


ONGS internacionais, que querem "paralisar o País, bloqueando a construção
de estradas, pontes, hidrovias, portos e hidrelétricas, e, pela insuficiência de
sua infraestrutura, condená-lo ao atraso permanente".

Ambientalistas contestam essa tese. Segundo o coordenador da ONG SOS


Mata Atlântica, Mario Mantovani, a comunidade internacional não pretende
paralisar a agricultura brasileira, até porque são os estrangeiros quem
realmente consomem os produtos do agronegócio brasileiro. "Nós temos a
leitura exatamente distinta: o mercado mundial vai buscar cada dia mais os
mercados éticos, aqueles que respeitam a floresta e a comunidade".

Um estudo recente produzido pelo professor Gerd Sparovek, da Escola


Superior de Agricultura da USP (Esalq), contesta que a reserva legal ou as
Áreas de Preservação Permanente inviabilizem a produção. Segundo
Sparovek, "a área cultivada no Brasil poderá ser quase dobrada, sem avançar
um hectare sequer sobre a vegetação natural".

Veja quais devem ser as principais propostas do "Código Ambiental" do


deputado Aldo Rebelo:

- Isenção de reserva legal para propriedades com até 4 módulos rurais (na
Amazônia, o módulo pode chegar a 100 hectares);

- Áreas de Preservação Permanente poderão ser repostas com plantas


exóticas;

- Formação coletiva de reserva dentro do mesmo bioma;

- Fundo de financiamento para que os produtores não sofram o ônus da


preservação, com participações federal, estadual e municipal;

- O código deve manter as áreas de reserva legal - 80% na Amazônia, 35% no


cerrado e 20% em outras regiões - mas os Estados terão autonomia para
redefinir a porcentagem de acordo com o Zoneamento Ecológico Econômico
(ZEE).

Código Florestal vigente não inviabiliza desenvolvimento agropecuário


Amazonia.org.br

“É necessário revisar o código florestal para permitir o desenvolvimento do setor


agropecuário? A resposta simples é não”. Está foi a conclusão de um estudo realizado
por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que buscou fazer considerações
sobre o Código Florestal Brasileiro e sua relação com a produção agropecuária.
O principal argumento da bancada ruralista, que tenta fazer modificações no código
florestal, é que a legislação atual inviabiliza a produção agropecuária. Mas, segundo o
estudo “a agricultura pode se desenvolver pela expansão territorial sobre áreas de
elevada aptidão agrícola que atualmente são ocupadas com pecuária extensiva. A
pecuária, que ocupa a maior parte das terras destinadas à produção agropecuária, pode
se desenvolver pela intensificação e ganho de produtividade”.

Segundo o relatório a maior parte das terras de elevada aptidão para a agricultura já
foram abertas e por isso, o desenvolvimento da agricultura não precisa das terras
atualmente cobertas com vegetação natural para se desenvolver. “O estoque de terras de
elevada e média aptidão para agricultura já abertas e que estão sob pastagens é de 29 e
32 milhões de hectares respectivamente, totalizando 61 milhões de ha. Este estoque
pode ser utilizado para a expansão agrícola que com isto pode quase dobrar o seu
tamanho”.

Apesar de apontar a viabilidade da produção agropecuária no país, sem que o código


seja alterado, o documento aponta que a legislação ambiental não tem funcionado
adequadamente. “Nos 278 milhões de hectares ocupados pelo setor agropecuário no
Brasil pelo menos 83 milhões estão em situação de não conformidade com o Código
Florestal e teriam que ser recuperados.”

A sugestão para conciliar a legalidade da produção com a conservação da vegetação


natural exposta no documento seria “repensar o Código Florestal visando a) melhorar
sua eficácia, b) resolver o problema dos passivos já existentes e com isto viabilizar sua
aplicabilidade, e c) garantir que ele seja cumprido no futuro”.

Os pesquisadores ressaltam também que “regionalizar as possíveis revisões do Código


Florestal, e fazer esta discussão sobre uma base física de dados confiável parece ser o
único caminho de uma discussão profícua sobre o tema. Eles defendem que seria
necessário criar mecanismos que auxilie no desenvolvimento, mas que não degrade os
recursos naturais que ainda existem no país.

O documento faz parte do projeto Agricultural Land Use and Expasion Model (AgLue)
que tem como objetivo compreender e prever mudanças de uso da terra decorrentes da
dinâmica da agropecuária. Os artigos científicos que embasam o estudo estão em fase de
preparação e ainda não possuem uma data para serem divulgados.

No Senado

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) apresentou na terça-feira passada (8/6) seu


relatório sobre as mudanças no código florestal, durante a reunião da Comissão Especial
para a Reforma do Código Florestal Brasileiro, na Câmara dos Deputados. Segundo o
relatório de Rebelo, os Estados devem regulamentar, por lei, o tamanho das Áreas de
Preservação Permanente (APP), que poderia ser aumentada ou reduzida em até 50%.

Na quarta-feira (9/6), quando os debates foram retomados, os deputados da comissão


fizeram, antes da leitura, um acordo para que fosse feita apenas a leitura do voto. Os
parlamentares voltam a se reunir no dia 15 - como será a data de estreia da seleção
brasileira na Copa do Mundo, a reunião vai ocorrer no período da manhã, às 9h.
O Código Florestal Brasileiro data de 1934. Surgiu como forma de regrar a expansão da
economia agrícola para as áreas de florestas estimulada pelo desenvolvimentismo do
Governo Vargas. Não funcionou pois a lei não foi respeitada nem exigida.

O Código foi reformado pelo Governo Militar em 1965, também como forma de
controlar minimamente o desmatamento quando o governo da ditadura montou um
grande programa de colonização da Amazônia como forma de esvaziar a luta pela
Reforma Agrária que surgira no início dos anos 60. Mas foi novamente letra morta. Os
militares induziram duas brutais ondas de migrantes, uma do sul e outra do
leste/nordeste em direção à Amazônia. Era, no dizer dos militares, levar “os homens
sem terra para a terra sem homens”. Grandes rodovias foram construídas. Milhões de
famílias nordestinas e sulistas adentraram a Amazônia para “colonizá-la e levar o
desenvolvimento”. A exploração da madeira vai na frente, levando os pobres como mão
de obra barata, muitas vezes através de projetos de colonização, vindo logo em seguida
o grande capital comercializando madeira, tomando terra e criando gado. O estímulo era
desmatar e não cumprir o Código, mais uma vez, “letra morta”. Nos projetos de
colonização, quem desmatasse um lote, ganhava outro.

O Código veio a sofrer ainda, duas reformas significativas, uma em 1989 e a outra no
ano de 2001. A reforma de 1989 foi quando o Brasil se preparava para a ECO 92 no Rio
de Janeiro e a chamada “pauta ambiental” passou a ser um elemento de pressão
internacional sobre o governo brasileiro. É nesta reforma de 89 que o Código tenta
controlar o uso de motosserras, por exemplo. O agronegócio amplia o desmatamento na
Amazônia e no Cerrado. Nova onda de expansão capitalista pisoteia sobre as florestas e
sobre as normativas do Código, deixando atrás de si a ampliação da chaga ambiental.

Em 2001, através de Medida Provisória, o governo tucano de Fernando Cardoso fez a


última grande reforma no Código onde o mesmo é flexibilizado para permitir a
implantação de grandes obras de interesse do Capital. No que trata da preservação
ambiental, esta reforma cria mecanismos facilitadores para o cumprimento dos objetivos
do Código, mantendo as exigências em termos de áreas e percentuais estabelecidos em
1989 quanto às Áreas de Preservação Permanente e a Reserva Legal.

Porém, não se estabeleceu nenhuma Política Pública nem Programa de Governo para
adaptação e muito menos medidas efetivas de controle do desmatamento desregrado.

O Código Florestal se impôs pela luta dos brasileiros que sempre, ao longo da história,
defenderam o meio ambiente e a natureza como um bem estratégico do povo.
Conseguiram fazer escrever medidas importantes na lei, mas que nunca foram levadas a
sério nem pelos governos, nem pelo conjunto da sociedade. Hoje a natureza cobra a
conta e o cerco aperta, de modo especial com as conseqüências já comprovadas do
efeitos do aquecimento global e as freqüentes intempéries climáticas, exigindo mais do
que discursos na defesa de um ambiente saudável para todos. Neste momento, em rota
contrária aos sinais “do tempo” e “dos tempos”, os poderosos querem destruir a lei
ambiental para continuar destruindo a natureza. Nosso desafio, e os camponeses e
camponesas podem fazer isto, é produzir alimentos saudáveis e em grande quantidade,
respeitando a mãe natureza.

Esta história nos leva a algumas conclusões:


- O Estado Brasileiro, ao longo dos anos, na legislação florestal, fez lei para efeito
público e não para cumprir.
- A ação efetiva do Estado Brasileiro e o Movimento do Capital, andaram na linha
contrária à preservação ambiental e isto continua (veja-se o PAC) e se acentuou
sucessivamente em quatro grandes Etapas Históricas da expansão capitalista no Brasil,
refletidas nas Reformas do Código Florestal: anos 30, com Getúlio; anos 60 com a
Ditadura; anos 90 com a reorganização do Estado Brasileiro; e primeira década do
século 21 com a expansão neoliberal.
- O Estado criou leis ambientais sob pressão (inclusive internacional, veja-se a Eco 92),
mas não construiu condições objetivas para que fossem cumpridas ou que pudesse haver
adaptação, pelo contrário, as políticas econômicas, agrícolas e energéticas continuaram
induzindo e financiando a devastação.
- A legislação florestal nunca foi devidamente divulgada e o sistema educacional não a
incorporou em seus conteúdos. Nem sequer as áreas afins, como as ciências agrárias e
biológicas. O desconhecimento de seu conteúdo é geral.
- A corrupção campeou nesta área e o poder político local ( com seus interesses, sua
voracidade e suas ligações com grandes grupos econômicos), nas áreas de expansão da
devastação, sempre desprezaram a legislação, qualquer que fosse (“aqui a lei sou eu”).
Os corruptores, porém, via de regra, foram e são grandes empresas transnacionais
exportadoras de madeira, minérios, carne e produtos do agronegócio.

2 – Destrinchando o Código Florestal

Criou-se um verdadeiro pavor do Código Florestal, como se o mesmo fosse um “bicho


papão” que vem para acabar com os pequenos agricultores e os assentados de reforma
agrária e outras formas de produção camponesa. Muitos querem apresentar os pequenos
agricultores e assentados como os grandes culpados pela devastação ambiental que
atingiu o Brasil nos últimos 70 anos.

Temos que afirmar categoricamente: se há algo preservado, quem preservou foram os


camponeses e os índios. O latifúndio e o agronegócio, agora comandados pelas
transnacionais, foram e são os grandes devastadores. Este pavor, alimentado por ações
policialescas e punitivas dos governos estaduais e uma interpretação conservacionista
equivocada do Código Florestal, tem servido para os verdadeiros devastadores, o
agronegócio e as empresas capitalistas, buscar nos camponeses novos aliados para
continuar devastando. Um de seus principais objetivos é destroçar o Código Florestal no
Congresso Nacional para continuar devastando sem piedade. E para isto insuflam os
pobres do campo contra o Código.

Por isto que, para desfazer os mitos e as mentiras e acabar com o pavor criado nas
famílias camponesas, é preciso conhecer o que o Código Florestal realmente diz e fazer
uma interpretação correta do mesmo.

Precisamos conhecer algumas definições importantes que constam no Código Florestal


e que são fundamentais para os Camponeses e Camponesas Brasileiros e seus
Movimentos Sociais tomarem as decisões corretas neste momento em que o
Agronegócio das Multinacionais e dos Latifundiários querem continuar fazendo uma
agricultura e pecuária destruidora do solo, das águas, do ar, das chuvas, trazendo
prejuízos enormes para todos os brasileiros.
Vejamos quais são estas definições:

1 – As Florestas e outras formas de vegetação existentes no Brasil SÃO BENS DE


INTERESSE COMUM A TODOS OS HABITANTES DO PAÍS, e neles o direito de
propriedade não é absoluto e tem que respeitar as leis do meio ambiente ( Art. 1º).

2 – O desrespeito ao meio ambiente é considerado USO NOCIVO (mau) DA


PROPRIEDADE ( Art 1º, parágrafo 1º).

3 – Pequena propriedade rural ou posse rural familiar é aquela EXPLORADA PELA


FAMÍLIA com mais de 80% da renda vinda de atividades camponesas e que tenha
menos de 150 hectares na Amazônia Legal, menos de 50 hectares no Maranhão e menos
de 30 hectares no restante do País. ( Art 1º, parágrafo 2º, inciso I).
É importante ressaltar que, no Código Florestal, a pequena propriedade tem um
tratamento diferente.

4 – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – APP: é a área que deve ser


protegida NAS BEIRAS DE RIOS, CÓRREGOS, SANGAS, IGARAPÉS E
CORRENTES DE ÁGUA; NASCENTES E OLHOS D’ÁGUA; LAGOAS, LAGOS E
RESERVATÓRIOS D’ÁGUA; TOPOS DE MORRO, MONTANHAS E SERRAS;
ENCOSTAS COM DECLIVE ACIMA DE 45º; RESTINGAS; BORDAS DE
TABULEIROS E CHAPADAS, COM FUNÇÃO AMBIENTAL DE PRESERVAR A
ÁGUA, A PAISAGEM, A BIODIVERSIDADE, A FAUNA (animais), A FLORA
(plantas), PROTEGER O SOLO E ASSEGURAR O BEM ESTAR DAS PESSOAS
(Art. 1º, parágrafo 2º, inciso II).

As dimensões da APP são as seguintes:


- de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;
- de 50 (cinquenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50
(cinquenta) metros de largura;
- de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200
(duzentos) metros de largura;
- de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600
(seiscentos) metros de largura;
- de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600
(seiscentos) metros;
- um raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura nas nascentes e nos chamados
“olhos d’água”.
- em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais nas bordas dos
tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo (Art 2º).

5 – RESERVA LEGAL – RL: é a área no INTERIOR DE UMA PROPRIEDADE OU


POSSE RURAL, NECESSÁRIA AO USO SUSTENTÁVEL DO RECURSOS
NATURAIS, À CONERVAÇÃO E REABILITAÇÃO DA NATUREZA (processos
ecológicos), CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE E ABRIGO PARA
PLANTAS E ANIMAIS NATIVOS ( Art 1º, parágrafo 2º, inciso III).

As dimensões da Reserva Legal são as seguintes:


- 80 % em áreas de floresta na Amazônia Legal;
- 35% nas áreas do cerrado da Amazônia Legal, sendo 20% na propriedade ou posse e
15% podem ser compensados e outra área desde que na mesma microbacia;
- 20% em outras regiões do país, seja de floresta ou campos. (Art 16º, incisos I,II,III e
IV).

6 – ATIVIDADES DE INTERESSE SOCIAL: podem ser consideradas atividades de


interesse social, para fins de cumprimento do Código Florestal, entre outras, as
seguintes atividades:
- Atividades necessárias à proteção da vegetação nativa, tais como: prevenção e
combate ao fogo, controle da erosão, proteção de plantio com espécies nativas
reconhecidas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).
- Atividades de MANEJO AGROFLORESTAL SUSTENTÁVEL PRATICADOS NA
PEQUENA PROPRIEDADE OU POSSE RURAL FAMILIAR, desde que não
descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem a função ambiental da
propriedade;
- Planos, obras e projetos definidos em resoluções do CONAMA.

3 – As Áreas de Preservação Permanente e as Áreas de Reserva Legal são Áreas de Uso

Tanto a Área de Proteção Permanente como a Reserva Legal são ÁREAS DE USO e
não de PURO CONSERVACIONISMO sem nenhuma utilização no sustento da família
camponesa. Este é o primeiro equívoco que tem que ser desfeito e que tanto mal tem
causado às famílias agricultoras.

Há uma diferença profunda entre Unidades de Conservação, tanto Públicas como


Privadas, que tem o objetivo de preservar a Fauna, a Flora e outras formas de vida de
uma determinada região e que são intocáveis. Nelas, a não ser em casos muito especiais,
não podem se desenvolver projetos econômico-produtivos.

Não é este o caso das APPs e das RLs. Estas são áreas de uso, nas quais o componente
Florestal e a preservação devem ser preponderantes. Mas não são áreas que o agricultor
não possa usar para nada. Pode e deve.

Para que isto aconteça é preciso vencer dois obstáculos:

1º – Regulamentar corretamente o Código para que a família agricultora possa trabalhar


com tranqüilidade e desenvolver atividades produtivas preservadoras do Meio Ambiente
nas Áreas de Preservação e nas Reservas Legais, acabando com o terrorismo que as
Polícias Ambientais e o Ministério Público de algumas regiões tem feito
equivocadamente. E justamente porque, em muitos casos, as exigências do MP, dos
Órgãos Ambientais e da Polícia Ambiental são irracionais em relação à cultura
camponesa e em desconformidade com a letra e o espírito do Código, a causa ambiental
e o próprio código acabam sendo rejeitados pelos principais sujeitos e protagonistas da
preservação que são os pequenos agricultores. Isto precisa acabar imediatamente sob o
risco de transformar esta repressão equivocada em efeito bumerangue. Além de
regulamentar corretamente é preciso preparar os agentes dos órgãos fiscalizadores, pois
o despreparo e o desconhecimento de elementos basilares das práticas agrícolas e
pecuárias e da cultura camponesa também são enormes e causam grandes prejuízos.
O Código Florestal não pode ser lido e interpretado com o rigorismo que não se tem em
relação aos descalabros ambientais dos grandes centros urbanos, que aprendeu a
suportar e conviver com cidades ambientalmente insustentáveis, mas quer impor a uma
família de pequenos agricultores exigências impossíveis, desnecessárias, irracionais e
não constantes no Código Florestal, colocando sobre ele uma repressão policial
implacável, fazendo de um ambientalista nato (a família camponesa), um inimigo das
políticas ambientais. Isto tem que acabar para o bem da causa que é de todos.

2º – As diversas organizações políticas, sociais e econômicas dos camponeses


brasileiros precisam se convencer de vez que o cuidado com o meio ambiente faz bem
para todos, melhora a produção, melhora o regime de chuvas, diminui o impacto das
pragas, garante volumes mais regulares de produção, traz novas fontes de renda e de
auto-sustento nas áreas de preservação ambiental.
Promover e lutar por políticas públicas que promovam uma agricultura com áreas de
uso múltiplo, que cumpram funções ambientais, sequestrem carbono, protejam as águas
e o solo e ao mesmo tempo produzam alimentos e outros bens de uso e finalidades
econômicas é uma pauta bem mais interessante e inteligente do que ser linha auxiliar de
um projeto de agricultura que destrói e devasta. Além do mais, esta proposta de
agricultura aponta novas possibilidades de viabilidade social e econômica da produção
agropecuária de pequena escala e coloca a agricultura camponesa familiar na rota do
futuro e não no caminho do atraso.

Neste sentido, é necessário que as Organizações do Campo travem um debate profundo


sobre a questão ambiental, os modelos de agricultura e o papel das florestas na produção
e na qualidade de vida no campo e as disputas que se estabelecem em torno ao Código
Florestal sejam inseridas neste contexto. Não podemos debitar ao Código uma conta que
não é dele. Os camponeses precisam melhorar as práticas produtivas, o Estado precisa
regular melhor o Código e os Órgãos Ambientais precisam atuar preventiva e
educativamente buscando com o tempo necessário as devidas adaptações.

A repressão, a polícia, os órgãos ambientais e judiciários devem centrar suas ações


sobre os grandes devastadores, que certamente terão muito a fazer e com bem melhores
resultados para a preservação ambiental.

O Código Florestal é sensato, pode ser cumprido e algumas questões que são dúbias
podem ser resolvidas através de resoluções no âmbito do CONAMA e dos Conselhos
Estaduais de Meio Ambiente e no âmbito dos Ministérios do Meio Ambiente e do
Desenvolvimento Agrário, aplicando corretamente o que já está definido no Código e
ajudando ao Brasil todo fazer uma Agricultura realmente sustentável.

Cito, a título de exemplo que pode ser sensatamente ampliado, a Resolução 369/2006,
art 11, do CONAMA estabelecendo várias possibilidades de Usos Produtivos em Áreas
de Preservação Permanente, que podem ser desenvolvidas junto com a preservação
Florestal:

Definições do Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama, sobre a retirada de


vegetação em Áreas de Preservação Permanente, quando o impacto ambiental é baixo.

Art. 11. Considera-se intervenção ou supressão de vegetação, eventual e de baixo


impacto ambiental, em APP:
I – abertura de pequenas vias de acesso interno e suas pontes e pontilhões, quando
necessárias à travessia de um curso de água, ou à retirada de produtos oriundos das
atividades de manejo agroflorestal sustentável praticado na pequena propriedade ou
posse rural familiar;
II – implantação de instalações necessárias à captação e condução de água e efluentes
tratados, desde que comprovada a outorga do direito de uso da água, quando couber;
III – implantação de corredor de acesso de pessoas e animais para obtenção de água;
IV – implantação de trilhas para desenvolvimento de ecoturismo;
V – construção de rampa de lançamento de barcos e pequeno ancoradouro;
VI – construção de moradia de agricultores familiares, remanescentes de comunidades
quilombolas e outras populações extrativistas e tradicionais em áreas rurais da região
amazônica ou do Pantanal, onde o abastecimento de água se de pelo esforço próprio dos
moradores;
VII – construção e manutenção de cercas de divisa de propriedades;
VIII – pesquisa científica, desde que não interfira com as condições ecológicas da área,
nem enseje qualquer tipo de exploração econômica direta, respeitados outros requisitos
previstos na legislação aplicável;
IX – coleta de produtos não madeireiros para fins de subsistência e produção de mudas,
como sementes, castanhas e frutos, desde que eventual e respeitada a legislação
específica a respeito do acesso a recursos genéticos;
X – plantio de espécies nativas produtoras de frutos, sementes, castanhas e outros
produtos vegetais em áreas alteradas, plantados junto ou de modo misto;
XI – outras ações ou atividades similares, reconhecidas como eventual e de baixo
impacto ambiental pelo conselho estadual de meio ambiente.

Determinações semelhantes podem ser construídas, à várias bons e com intensos


debates, contribuições e estudos para Reservas Legais e mesmo para as APP.

Também já há suficiente acúmulo científico, técnico e prático ( no Estado Brasileiro,


principalmente no MDA, no MMA, na Embrapa e no Sistema Brasileiro de Ater e de
Pesquisa Agropecuária e Florestal) para estabelecer formas de Manejo Florestal
Sustentável, Manejo Agroflorestal Sustentável e Atividades reconhecidas de Interesse
Social que possam estabelecer regras e parâmetros para produzir em escala, qualidade e
quantidade necessários e CUMPRIR O CÓDIGO FLORESTAL, com o devido tempo
de adequação e adaptação para as áreas que já foram devastadas no passado, não raro,
com estímulo de políticas de Estado.

O que precisa são Políticas do Estado forte e dinâmicas para induzir estas práticas.

Para as Áreas de Reserva Legal basta ficar mais claras quais são as atividades previstas
no Código, no Artigo 16º, parágrafos 2º e 3º, que dizem:

§ 2o – A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser
utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e
critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses
previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas.
§ 3o – Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em
pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de
árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas,
cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas.
E no Artigo 1º, parágrafo…, inciso V, letra b, que define as atividades de interesse
social:
V interesse social:
b) as atividades de manejo agroflorestal sustentável praticadas na pequena propriedade
ou posse rural familiar, que não descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem
a função ambiental da área;
Fica claro que o agricultor PODE fazer:
a) Manejo Agroflorestal sustentável, quando for reconhecido de Interesse social, que,
via de regra, o é;
b) Manejo Florestal sustentável, isto é, ele pode tirar madeira desde que não SUPRIMA,
isto é, tire toda, devaste a área toda. Manejo florestal sustentável também é usar árvores
para produzir comida e renda, como frutas, chás, lenha, madeira, óleos, energia, todas as
formas de extrativismo;
c) Plantios de árvores frutíferas, ornamentais e industriais, inclusive exóticas, cultivadas
de maneira intercalar (combinando cultivos diferentes) ou em sistemas de consórcio
com espécies nativas. O Código é quase flexível demais, mas fica claro que a família
agricultora pode fazer agroflorestas para extrair renda de forma inteligente e dinâmica e
cumprir o Código Florestal;
d) Desenvolver Regimes de Uso das áreas de preservação que combinem plantios
perenes com anuais, utilização sustentável de madeira para diversos usos, extrativismo,
produção de frutos e óleos, energia e outras que possam combinar produção e
preservação.

Precisa também o Estado Brasileiro, através dos Governos e do Judiciário, antes de


exigir dos agricultores, cumprir as suas tarefas, ainda não cumpridas ou só cumpridas
em parte, que Constam do Código, entre elas, as definições quanto:
I. o plano de bacia hidrográfica;
II. o plano diretor municipal;
III. o zoneamento ecológico-econômico;
IV. outras categorias de zoneamento ambiental

Além do mais, o Governo não precisa mudar o Código, caso precise adaptar algumas
situações difíceis, pois já tem autoridade delegada para tanto, como por exemplo,
mediar situações difíceis para os camponeses da Amazônia. O Governo pode reduzir a
reserva legal caso situações especiais o exijam sem mudar o Código:
O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo
Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o
Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá:
I. reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até
cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de
Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente
protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e
Ainda, em muitos casos, as Áreas de Preservação Permanente podem contar também
para Reserva Legal:
Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à
vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual
de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso
alternativo do solo (…..).
4 – Propostas para implementar uma Política Ambiental e Florestal Adequando para o
Campo Brasileiro:
1 – Manter o Código Florestal e cumpri-lo de forma a implementar uma agricultura
camponesa sustentável, reconhecendo a importâncias das florestas para alcançar este
objetivo;
2 – Interromper a devastação florestal imediatamente e criar condições e prazos
compatíveis para a adequação e regularização dos que estão em desconformidade com o
Código, pois a maioria foi induzida a esta desconformidade por políticas do próprio
Estado;
3 – Programa amplo com recursos não retornáveis para florestar e reflorestar; constituir
agroflorestas, sistemas agroflorestais e agrosilvipastoris implantando em todo o Brasil
uma agricultura que preserve o meio ambiente;
4 – Recursos não retornáveis para acompanhamento técnico e assistência técnica nas
comunidades camponesas e para coleta de sementes e construções de viveiros de mudas
em todo o território nacional;
5 – Implantação imediata de um Programa de Pagamento por Serviços Ambientais no
campo para os que preservarem matas, solo, agroflorestas, fontes e nascentes, rios,
encostas, mangues, restingas e todo e qualquer serviço ambiental relevante no campo,
com pagamento mensal e permanente em valores de R$ 150,00 a R$ 400,00 por família
(corrigidos anualmente pela correção do Salário Mínimo) de acordo com a situação de
renda e da área ambiental protegida.
6 – Criação de um Fundo Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas com imposto
sobre grandes fortunas, indústrias poluentes e eletrointensivas, empresas acumuladoras
de lixo, sobre produção e consumo de produtos petrolíferos e carboníferos, sobre a
indústria do cimento, empresas do agronegócio, etc. Este fundo financiaria o pagamento
por serviços ambientais e os custos da adequação da agricultura às exigências
ambientais.
7 – Implementação de um amplo Programa de Educação Ambiental, tanto nas escolas
como nas comunidades camponesas, em parceria com os sistemas educacionais e
Moimentos Sociais, e campanha pública de informação através dos Meios de
Comunicação, visando informar e formar a população sobre a questão ambiental e as
conseqüências da devastação e as vantagens da preservação.

Frei Sérgio Antônio Görgen


Dirigente da Vía Campesina no Brasil
Março de 2009.