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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA DE MINAS GERAIS

FRANKENSTEIN

2 – SOCIALIZAÇÃO E SOCIEDADE

Adriene Antunes Pontelo


André Victor A. Ramos
Carolina Carvalho de Castro
Francisco Henrique Milagres
Nataly Lamounier

MECATRONIA 2ª
PAULA ELISER

BELO HORIZONTE, 24 DE NOVEMBRO DE 2010


Frankenstein, de Mary Shelley, é um livro de abordagem intrigante, transmitindo
uma mensagem sublime presente nos tempos modernos e contemporâneos. A obra foi
escrita no inicio do século XIX, em plena revolução industrial e em meio a um movimento
filosófico que ditaria os conceitos da atualidade, o iluminismo.

O “monstro”, criado por Victor Frankenstein, se assemelha ao ser humano, em


vários aspectos físicos e psicológicos. A criatura é boa por natureza; ao nascer, sua única
necessidade é a de ser amado e acolhido por seu criador, assim como todo humano. Suas
necessidades básicas são tão comuns como as humanas, e mesmo assim, ele é descrito ao
longo da obra, por Victor, como um demônio. As virtudes inerentes à natureza bondosa do
ser humano também são encontradas na criatura, visto que, ele tenta ajudar a família que ele
encontra na cabana e a menina que se afogava no rio. É visto a presença de uma consciência
dotada de bondade, compaixão, amor, benevolência e caridade na criatura. Porém, todos
estes atributos, como visto, são modificados ao longo da história de vida dele e de Victor.

A criatura passa por inúmeras experiências sociais que moldariam sua personalidade
e caráter, assim como acontece com um humano que está descobrindo o mundo. Uma das
principais lições que ele toma, logo quando foge, é numa aldeia, perto de onde foi criado.
Ele chega à aldeia, desnorteado pela fuga de Victor, e quando as pessoas notam sua
presença, elas atiram pedras e pedaços de madeira nele. A criatura fica desnorteada e foge,
chega a um lago e vê sua face e descobre o motivo pelo qual ele foi hostilizado na aldeia.
Ele enxerga um rosto amarelado com olhos amarelados, totalmente diferente daquelas
pessoas que ele havia encontrado na aldeia. Esta primeira experiência seria o prólogo para o
que a criatura se transformaria.

O “monstro”, logo após sair da aldeia, procura um refugio, um lugar onde ninguém
o machucaria pela sua diferença e encontra uma cabana, afastada de tudo. Pouco tempo
vivendo lá, ele descobre que uma família vivia logo ali perto, e passa a observa-la e aprende
com seus costumes e valores. A família era composta por dois filhos e um pai. O pai era
velho e cego, assim, ambos os filhos viviam ajudando o pai. Ele – a criatura – aprende
muito sobre a sociedade e os valores bondosos presente nas pessoas. Então, aprendido isto,
passa a ajudar a família: passava a madrugada colhendo lenha e frutas, e no dia seguinte, as
pessoas da cabana ficavam maravilhadas com a ajuda ‘divina’. Após muito observar, ele
resolve um primeiro contato, com o pai cego. Ele chega, segura sua mão, e pede sua ajuda.
Diz que está amando alguns amigos, e que precisa de ajuda para que eles o aceitassem.
Feito isto, quando os filhos o vêem acabam o hostilizando e – mais uma vez – a criatura
foge. Este foi mais uma marca deixada pela sociedade em sua consciência. Sua ingenuidade
e bondade estavam começando a mudar por conta do homem.

A partir disso, sua desilusão aumenta, ele sai vagando pelo mundo e acaba
encontrando um menino. Ao encontra-lo ele pensa ter, enfim, achado alguém para fazer-te
companhia e amá-lo, já que o garoto era puro e ingênuo ainda, ele pensa. Mas, logo
descobre que o menino era irmão de Victor e frente a isto, sua raiva mistura-se a
incompreensão e acaba por matar o menino, mesmo que sem querer. Sua necessidade
primária era ser amado, e gostaria que seu criador o fizesse. Sua incompreensão residia no
repúdio do pai, e quando descobre que o garoto se tratava de um irmão de Victor ele sente
que deveria criá-lo mostrando assim a Victor que alguém o podia amar, além é claro de
fazê-lo sofrer, de maneira semelhante a seu sofrimento.
Em termos gerais a Criatura buscava tanto sua felicidade quanto a ruína de seu
criador. Ao passar por tudo que passou, ela se vê incumbida no papel de destruir aquele que
a fez principiar na maldade, seu criador. Podemos relacionar aqui esse fato com o bom
selvagem de Rousseau, onde o ser é bom por natureza, mas o meio em que vive o
transforma, de modo que como percebido a criatura se transforma, do mais inocente e
bondoso ser para a pior das feras – aos olhos de Victor- dotado de um ódio mortal por seu
pior inimigo e criador.

O que testemunhamos nesta história é a transposição de fatos reais e cotidianos para


uma história fantasiosa que nos faz refletir. O nascimento é o início de uma larga jornada
que deve ser trilhada através de escolhas e decisões que modificarão o ser em si, e o
universo ao seu redor. As regras sociais, aliadas a educação que nos é dada, nos molda de
forma única e peculiar. Como na história, nascemos bons, somos dotados de consciência.
Talvez, esta seja a maior das evoluções do homem, visto que isto nos trás inúmeras
capacidades, isto nos distingue do primitivo e do atual. Nossa consciência é uma salvação
que deve ser mantida segura para que assim uma essência bondosa nos seja preservada. Os
acontecimentos da história não preservaram a essência de nossa criatura. A criatura
testemunha e aprende todas as regras sociais necessárias para o convívio em coletivo,
observa e aprende, também o que significa e como se deve usar a educação; porém, mesmo
assim, sua consciência se perdera na escuridão de seu ódio por Victor, bem como todo o
significado de educação e regra social. O ser torna-se maligno, não por natureza – veja bem,
pois isto é importante – mas sim por uma modificação da realidade a sua volta. Veja bem,
também, sua consciência não se fora perdida por completo, apenas tomada por um ódio
criado por uma sociedade miserável.

Outro conceito pregado pelo livro que deve ser analisado é a importância da
bondade sobre a aparência física do ser. A criatura é discriminada e maltratada apenas por
isto, pois os valores de bondade e inteligência não se sobressaem sob a aparência física do
ser. A luta incessante, presenciada nos dias de hoje, pela beleza é fruto de discussões e
conceitos antigos que desde aquela época já eram moldados e pregados.

Todos os pontos destacados – beleza, bondade, ódio, amor e benevolência – são


elementos primários de uma sociedade atual. Destacando-se ainda a ambição e
determinação, todos estes são bases de uma cultura moderna e contemporânea enraizada
seus ideais no liberalismo pregado pelo iluminismo de outrora. O iluminismo, precursor do
capitalismo e outras doutrinas que pregam o liberal, é o principal motivo do contraste hoje
existente entre o natural e o social. O natural é aquilo que lhe é dado no inicio inerente seu
conhecimento prévio, ou até mesmo proveniente a uma circunstancia absurda onde a
sobrevivência é o fator mais importante. Não só hoje, mas a um bom tempo, esta fonte
primária de vivencia é degradada ao longo de uma vida. Seus valores atualmente adotados
estão transpostos no lugar daqueles que a natureza lhe deu. No caso da Criatura, sua
bondade é a vivencia inerente que a natureza lhe dá. Enquanto que sua vivencia no mundo
degrada tudo isto.

O livro de Mary é, por fim, uma obra clássica, densa e muito rica em detalhes. Todo
conteúdo e tema abordado é passado por sutilezas e metáforas muito bem desenvolvidas,
tendo como personagem principal um ser sem nome e um homem comum. A análise aqui
feita é unilateral e observa os fatos como uma mensagem clara passada pela autora. Porém,
uma reflexão cabível quanto à personalidade de Victor Frankenstein é ver esta como sendo
boa e má ao mesmo tempo. Observa-se que o monstro pode ser um lado da personalidade de
Victor que transpõe todo o ódio e tristeza deste pela humanidade, enquanto que seu lado
bom é quase o natural. Mas, não cabe a este texto discutir melhor este assunto.

Frankenstein é uma obra clássica, de valore modernos que deve ser apreciada e
refletida por todos aqueles que a lêem, afinal, a consciência é algo que deve ser preservado
pelo bem de uma sociedade melhor.