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Adolescência na perspectiva

da Psicologia Histórico-
Cultural
Para começar...

 1. Adolescentes?
 2. Sempre
existiram
adolescentes?
 3. Em qualquer
lugar a
adolescência
existe e é igual?
Algumas considerações iniciais
Fases da vida: determinação histórico-
social

 “Observamos que nem a juventude (ou seja, a continuação


do crescimento e do desenvolvimento após a maturação
sexual), é, de forma alguma, um patrimônio geral: nos povos
ou grupos sociais que se encontram em condições
desfavoráveis de desenvolvimento terminam ao mesmo
tempo em que a maturação sexual. Desta forma, a juventude
em lugar de ser um fenômeno eterno, constitui uma aquisição
tardia da humanidade, que ocorreu quase que diante dos
olhos da história.” (Blonski, apud Elkonin, 2017, p. 151)
De onde partimos?
O problema da idade

No estudo do desenvolvimento da
 Aspectos biológicos psique da criança há que se partir
do desenvolvimento de sua
 Mundo das coisas x mundo das pessoas atividade, tal como ela se forma
nas condições concretas dadas
 Aspectos histórico-sociais (Leontiev, apud Elkonin, 2017, p.
153)
 Atividade principal
 Lugar social

Ao colocarmos a periodização do desenvolvimento em pauta, visamos apresenta-la por meio


de um enfoque psicológico ancorado no aporte filosófico materialista histórico-dialético, à luz
do qual se evidencia a natureza social do homem e, consequentemente, o desenvolvimento
psíquico como resultado da apropriação de signos culturais. (Martins, 2016, p.13)
Não precisamos de conhecimentos eruditos para ter a certeza de que o
ser humano pertence direta e – em última análise – irrevogavelmente
também à esfera do ser biológico, que sua existência – sua gênese,
transcurso e fim dessa existência – se funda ampla e decididamente
nesse tipo de ser, e de que também tem de ser considerado como
imediatamente evidente que não apenas os modos de ser determinados
pela biologia, em todas as suas manifestações de vida, tanto interna
como externamente, pressupõem, em última análise, de forma
incessante, uma coexistência com a natureza inorgânica, mas também
que, sem uma interação ininterrupta com essa esfera, seria
ontologicamente impossível, não poderia de modo algum desenvolver-
se interna e externamente como ser social. (Lukács, 2010, p. 36)
Desenvolvimento
humano na PHC
 Primeira infância
 Comunicação emocional
direta (primeiro ano de
vida)
 Atividade objetal
manipulatória (1-3 anos)
 Infância
 Brincadeira de papéis-
sociais (3-6 anos)
 Atividade de estudo (6-
10 anos)
 Puberdade (10 – 15 anos)
 Idade adulta
 Velhice
Adolescência

 Séc XIX
 Conduta patológica / mudanças hormonais:
perspectivas biologizantes
 Transição de interesses
 Mudança na forma de pensar (pensamento por
conceitos)
 Atividade principal: comunicação íntima-
pessoal e atividade de estudo/trabalho
 Maturação sexual: influência mediada
Comunicação íntima pessoal

 Reprodução de relações existentes entre os adultos


 Formação de pontos de vista
 Formação da autoconsciência (consciência social – intra/inter)
 Relações regidas por um código de companheirismo
 Sentimento de maturidade: comparação com o adulto
 Modelo ideal de referência: adulto (processos de alienação /
não intervenção)
Atividade de estudo

 Motivação diversa da infância


 Desvelamento do significado do conhecimento
científico
 Surgimento de novos interesses
 Educação: formar para o trabalho x formar para o
mercado (desafio)
 Tendência ao idealismo: dificuldade em lidar com
a realidade
 Novos métodos de ensino: autonomia
 Necessidade de aumento das responsabilidades e
das exigências
Formas de pensamento

 Pensamento sincrético: ausência da palavra, agrupamento sincrético


 Ensaio e erro
 Primeiros sinais de organização do campo perceptual (fatores acidentais)
 Imagem difusa: sub-agupamentos
 Pensamento por complexos: agrupamentos ordenados em bases objetivas e subjetivas
 Associativo: relação objeto-família de objetos (ex: abelha-avião)
 Complexo por coleção: afinidade funcional
 Complexo por cadeias: conexões a partir de um traço
 Complexo difuso: conexões difusas e vagas limitação às relações visuais e concretas/ generalização /
imaginação?
 Pseudoconceitos: equivalente funcional do conceito
 Formação de conceitos
Formação de conceitos

 Mudanças no pensamento: forma x conteúdo


 Pensamento sincrético e por complexos permanecem (superação por incorporação)
 Pensamento cotidiano: dificuldade de superação do nível de pseudoconceito
 Depende de condições sociais objetivas
 Desenvolvimento do pensamento abstrato
 Influência na formação da imagem subjetiva da realidade objetiva
 Conceitos cotidianos x conceitos científicos
 Conhecimento: assimilado por conceitos
Implicações para o ensino

“O enfoque histórico-cultural acerca da periodização do


desenvolvimento, superando as análises naturalizantes próprias
à psicologia não dialética, evidencia que o acesso ao
patrimônio cultural, ao universo simbólico, é o que institui a
existência humana na qualidade de um permanente vir a ser.
Vir a ser que não resulta espontâneo, mas produzido pelo
trabalho educativo.” (Martins, 2016)
Que educação?

 Escola: lócus privilegiado de transmissão do saber sistematizado


 educação como ato de produzir no indivíduo a humanidade produzida
histórica e socialmente pelos homens (SAVIANI, 2012)
 Conhecimento como fonte de desenvolvimento
Forma de trabalho com os adolescentes

 Diante da primeira atividade-guia na adolescência, a comunicação


íntima pessoal, Elkonin (1960) enfatiza que o trabalho pedagógico deve
pautar-se no grupo adolescente, e não apenas no indivíduo
isoladamente, considerando que a opinião dos adolescentes sobre si e
sobre suas qualidades coincide mais com a valoração que seus colegas
fazem, e não no que pensam seus pais ou professores. A educação
escolar deve trabalhar sobre o grupo, pois é de acordo com ele que o
adolescente vai agir. Vale frisar que a opinião social da coletividade
escolar adquire uma importância significativa para os adolescentes. A
princípio ele se vê “com os olhos dos outros”. Portanto, se o processo
educativo estiver bem organizado pelo professor, será um potente meio
para a educação desenvolvente.” (Anjos e Duarte, 2016, p.201)
Referências

ANJOS, R.E.; DUARTE, N. A adolescência inicial: comunicação íntima pessoal, atividade de estudo e formação de conceitos. IN: MARTINS, L.M.;
ABRANTES, A.A.; FACCI, M.G.D. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas, SP: Autores
associados, 2016.

ELKONIN, D.B. Psicologia do jogo. São Paulo: Martins Fontes, 2009.


____. Sobre o problema da periodização do desenvolvimento psíquico na infância. IN: LONGAREZI, A. M.; PUENTES, R.V. Ensino desenvolvimental:
antologia: livro I. Uberlândia, MG: EDUFU, 2017.
LUKÁCS, G. Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível. São Paulo:
Boitempo, 2010.
MARTINS, L.M. Psicologia histórico-cultural, pedagogia histórico-crítica e desenvolvimento humano. IN: MARTINS, L.M.; ABRANTES, A.A.; FACCI,
M.G.D. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas, SP: Autores associados, 2016.
PASQUALINI, J.C. O sujeito aprendiz da educação infantil: implicações da análise histórico-cultural do desenvolvimento psíquico para a ação
pedagógica. IN: MILLER, S.; BARBOSA, M.V.; MENDONÇA, S.G.L. (orgs). Educação e humanização: as perspectivas da teoria histórico-cultural.
Jundiaí: Paco editorial, 2014.
____. A teoria histórico-cultural da periodização do desenvolvimento psíquico como expressão do método materialista dialético. IN: MARTINS,
L.M.; ABRANTES, A.A.; FACCI, M.G.D. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas, SP:
Autores associados, 2016.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. Campinas, SP: Autores Associados, 2012
TULESKI, S.C.; EIDT, N.M. A periodização do desenvolvimento psíquico: atividade dominante e a formação das funções psíquicas superiores. IN:
MARTINS, L.M.; ABRANTES, A.A.; FACCI, M.G.D. Periodização histórico-cultural do desenvolvimento psíquico: do nascimento à velhice. Campinas,
SP: Autores associados, 2016.
VYGOTSKI, L. S. Obras Escojidas IV: Psicología infantil. Madri: A. Machado Libros, 2006.