Você está na página 1de 11

Introdução

O presente trabalho tem como ponto de abordagem a Penetração mercantil Europeia, a

Decadência dos estados de Mwenemutapa e as consequências do ciclo de ouro, estes que

iremos desenvolver ao longo do trabalho.

O trabalho tem como objectivo geral fazer saber e aprofundar o nosso conhecimento sobre

os temas referidos a cima, a fim de complementar o nosso conhecimento.

Este trabalho foi feito com base em consultas de alguns livros que estão colocados na

referêcia bibliografica. O trabalho está organizado da seguinte maneira: capa, contra capa,

introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia.


A penetração mercantil europeia

A penetração mercantile europeia foi levada a cabo essencialmente por portugueses. Os

portugueses, movidos por interesses económicos, ocuparam e coloniaram Moçambique.

Numa primeira fase, ocuparam posições costeiras, junto de pontos de comércio, mas, mais

tarde, foram para o interior, junto dos pontos de extracção de ouro.

Enquanto a penetração árabe só ambicionava comercializar com os nativos, a penetração

portuguesa foi mais devastadora. Para além de quererem comercializar, queriam também

dominar e controlar tanto o comércio como a produção aurífera.

Os àrabes, descontentes com a actuação portuguesa, entraram em conflito com aqueles. A

relação entre portugueses e mwenemutapas não foi linear. Houve momentos de sã

convivência e outros de disputas e inimizades. Os portugueses, a fim de prolongar a sua

estadia em Moçambique, firmaram contratos no século XVII que comprometeram a

soberania e economia dos Estados moçambicanos.

Factores económicas, sociais e religiosos da penetração europeia

A penetração mercantil europeia, sobretuddo portuguesa, foi motivada por factores de

diferentes ordens. Em primeiro, os portugueses tinham motivos económicos, depois

seguiram-se os sociais e finalmente os religiosos.

Factores económicos

Os portugueses viram em Moçambique uma dupla função económica. Por outro lado, era

um local para escoar produtos produzidos em Portugal. E, por outro lado, era um local com

raras, dispendiosas e apetecíveis matérias-primas, como o ouro, o marfim assim como um


local propício ao tráfico de escravos. Os portugueses foram provavelmente os primeiros

europeus a fixarem-se na costa litoral moçambicana porque precisavam de ouro. Quando

Vasco da Gama, na viagem de procura do caminho marítimo para a India, passou por

Moçambique, ouviu falar falar de um reino no interior muito rico em ouro. Era o Império

de Mwenemutapa. Com ouro, os Portugueses, especialmente a burguesia comercial, podiam

pagar os seus excessos: as especiarias orientais e os produtos exóticos do mercado europeu.

Assim, Moçambique transformou-se para os Portugueses numa espécie de reserva de meios

de pagamentos das especiarias. Durante vários séculos o ouro foi o produto mais importante

no comércio para os Portuguese, mas quando começou a rarear ou quando não o havia em

determinada região, os Portugueses voltaram-se para o marfim. O marfim era um produto

exótico e caro que os Portugueses levavam para a Europa a fim de comerciar. Depois dos

ciclos de exploração do ouro e do marfim, oa Portugueses começaram a comercializar

escravos.

Factores sociais

Para a aristocracia dos Murapas o importante era o desenvolvimento do comércio com os

mercadores estrangeiros, pois com estes tinham a garantia para a obtenção de bens de

prestígio como tecidos. Por isso, a primeira comunidade portuguesa permanente nas

proximidades da capital do Mwenemutapa surgiu logo em 1541.

Numa primeira fase, tanto a penetração como a convivência era pacíficas; vivia-se um

ambiente de coexistência pacífica. Este cenário mudou com a morte do padre jesuíta

Gonçalo da Silveira em 1561, altura em que começou o envio de expedições militares para
impor à força a presença portuguesa na região. O grande objectivo dos portugueses na

região era económico.

Factores religiosos

Do ponto de vista religioso, os Portugueses pretendiam fazer duas coisas. Em primeiro

lugar queriam espalhar a fé cristã e, em segundo lugar, pretendiam enfraquecer o Islão.

A vontade de evangelizar os africanos foi um dos motivos da expanção marítima. O clero,

ordem social composta por sacerdotes e outros clérigos, era um dos grandes conselheiros da

Coroa portuguesa. Logando com a influência e posição privilegiada, o clero conseguiu

convencer os portugueses que a expanção traria muitos convertidos à sua religião. Essa

vontade de evangelizar era evidente na pressão que os portugueses fizeram para que se

baptizassem os monarcas dos Estados moçambicanos.

A presença portuguesa e o Estado dos Mwenemutapa (1505-1693)

Quando os Portugueses chegaram a Moçambique, em 1498, ficaram desde logo fascinados

pela riqueza em ouro de um reino que havia no interior do território, o Império

Mwenemutapa. Contudo, só em 1505 é que os Portugueses se instalaram no nosso

território. A presença dos Portugueses no Estado do Mwenemutapa foi marcada por lutas

constantes com os Árabes que já cá estavam instalados e, também, por períodos de acordo e

desacordo com os monarcas mwenemutapas.

A entrada dos Portugueses no Índico foi desastrosa para os Árabes. Os principais

intermediários comerciais dos grandes impérios do Índico eram os Árabes. Quando os

portugueses chegaram nâo só passaram a servir de intermediários comerciais, como


ocuparam e dominaram alguns pontos de produção. Foi o caso de Moçambique. No início,

os portugueses pareciam só querer comprar ouro e marfim, mas depois percebeu-se que a

sua vontade era alcançar as minas e dominar o território.

Os acordos de 1607 e 1629: suas repercussões

A primeira comunidade portuguesa permanente surgiu a partir de 1541, próximo da capital

do Mwenemutapa. Na fase inicial a coexistência era pacífica. O período de boas relações

durou até o assassinato do padre Gonçalo de Silveira, em 1561, dando início ao primeiro

conflito entre Portugal e o Mwenemutapa.

Seguiram-se anos de conflitualidade que se traduziram em confrontos armados com o envio

de expedições militares portuguesas:

 A primeira em 1571, que veio a fracassar, composta por Francisco Barreto, Vasco

Fernandes Homem e Lourenço Carvalho;

 A segunda tentou atingir a região da capital do império através de Sofala, Manica e

Tete, mas também não logrou.

De modo a não comprometerem a sua busca do ouro e a criarem formas de dependência ao

Mwenemutapa, os portugueses estabeleceram feiras comerciais no planalto no interior das

terras do Mwenemutapa, aproximadamente por volta de 1580: Masapa, Bukutu, Ruhanje,

Manzovo, Dambarare, Chipiriviri. A feira mais importante foi Masapa, comandada pelo

capitão das Portas, o mais importante intermediário nas relações comerciais entre os

portugueses e o Mwenemutapa.
A dependência do Mwenemutapa aos portugueses cresceu na forma de novos tratados tais

como o Tratado de 1607 e de 1629. No geral, estes documentos garantiam aos portugueses

a livre circulação de homens e bens isentas de pagamento de qualquer tributo. O

Mwenemutapa teve também de ceder terras ricas em meios de ouro ou em ouro fluvial. Esta

acção traduziu-se na quase total alienação da produção aurífera.

A decadência do Estado dos Mwenemutapas

O grande Estado dos Mwenemutapas entrou em decadêcia a partir dos finais do século

XVII (1693-1698). Para esse início de decadência contribuíram diversos factores.

Ao nível político, por outro lado, a sociedade Shona começou a sofrer conflitos internos.

Por outro lado, a revolta de Changamire Domdo provocou o afastamento e consequente

represália dos portugueses. Ao nível económico, destaca-se o factor nefasto que o capital

mercantil e o ciclo do ouro tiveram na sociedade mutapa.

O Estado Mwenemutapa terninou no inicio do século XX, em 1917, numa batalha contra

Portugal. Aí morreu o último mambo, Chioko. Foi o fim da longa decadência que ja se

sentia desde meados do século XIX.

Os conflitos interdinásticos na sociedade Shona

No século XVI, a dinastia Mwenemutapa mostragva-se como uma monarquia poderosa e

unida. Por exemplo, as tentativas portuguesas de controlar o Estado fracassaram. A

expedição de Barreto e as que seguiram foram derrotadas devido à forte unidade que existia

no seio da aristocracia dominante do Estado.


Contudo, nos últimos anos do século XVI, começaram a surgir contradições devido ao

comércio mercantil e à necessidade cada vez maior de controlar os locais de extração de

ouro. Foi também neste período que as terras de Mwenemutapa foram invadidas por

guerreiros maraves, criando uma debilidade interna e fragilidade na sua estrutura política.

Esta situação fragilizava cada vez mais a sua estrutura política administrativa, mantendo

uma supremacia precária sobre os chefes territoriais. Alguns destes chefes mantinham

fidelidade ao soberano apenas devido ás ligações afectivas que mantinham com o monarca,

que iam desde os casamentos com a família real até aos cultos dos espíritos dos

antepassados.

Os chefes territoriais começam a faltar ao pagamento do tributo ao poder central e não

prestam contas pelo comércio que desenvolvem com mercadores da costa. A exemplo disso

temos os Tongas do vale do Zambeze que eram os mais difíceis de controlar, pois deixaram

de pagar tributo e outras obrigações ao soberano.

Com a morte do mutapa Negomo por volta de 1590 e com a sucessão de Gatsi Rusere,

inicia-se uma nova era de relações com os portugueses. Vários chefes rivais aproveitaram a

morte do mwenemutapa reinante para desafiar o poder do novo soberano Gatsi Rusere.

Face a esta situação em 1607, o soberano teve de fazer mais concessões aos portugueses em

troca de maior apoio, aumentando assim a sua dependência (Tratado de 1607).

A revolta de Changamire Dombo (1693)

Changamire Dombo reforçou o poder do Mutapa reinante e os anos que se seguiram foram

de conflitos gerados por guerras civis pelo controlo do poder político do Estado.
O Estado Mwenemutapa sofreu na década de 70 do século XVII um período de

estruturação, conhecido por Mukombwe. Este período durou até cerca de 1692 e

caracterizou-se pela luta pelo fim da dependência em relação a Portugal.

Os mwenemutapas estavam descontentes com as guerras civis constantes e a destruição de

feiras comerciais provocada pelos portugueses.

Por volta de 1690, resultante de uma vaga de guerras civis, surgem nos estados

mwenemutapas os Changamiras Rozwii. E, em 1693, Changamire e o Mwenemutapa

estabeleceram uma aliança e expulsaram os portugueses do planalto. Esta ficou conhecida

como a revolta de Changamire Dombo.

Contudo, esta revolta teve como consequêcia a destruição de possessões portugueses –

prazos, igrejas – localizadas a sul do Zambeze. Como nem todo o território em conflito era

dominado pelo imperador Mutapa, algumas regiões aproveitaram o clima instalado e

reclamaram autonomia. Os Estados Mwenemutapa começaram a desintegrar-se a favor das

autonomias tribais. Sobretudo a dinastia Changamire ganhou hrande importância e poder

depois desta revolta. Por outro lado, pôde aumentar o seu território e, por outro, viu a sua

riqueza crescer pelo número de minas que doravante possuía.

As consequências do ciclo do ouro

Em meados do século XVIII, milhares de camponeses passaram a ser obrigados a trabalhar

mais tempo na mineração em detrimento da agricultura, base do sustento da população.

Esta situação levou à erosão da economia natural das muchas (pequena unidade

administrativa da comunidade aldeã) e consequentemente foi minando todo o Império

Mwenemutapa.
O trabalho das minas geralmente era realiado no âmbito das relações de parentesco, onde a

divisão de tarefas no processo produtivo fazia-se na base desta organização. As condições

de trabalho eram desumanas. As mulheres e as crianças cabiam-lhes as tarefas mais duras e

perigosas e mineração, como, por exemplo, a penetração nas escuras galerias a procura de

ouro.

Entre o compesinato e a aristocracia aumentaram as contradições, o que provocou a fuga

em massa de pessoas, até mesmo comunidades inteiras para terras distantes. A actividade

de mineração que, antes da penetração portuguesa, se fazis nas épocas mortas fora do

plantio e das colheitas agrícolas, passou a ser feita também nos períodos agrícolas, o que

criou períodos de fome no seio das comunidades mushas.


Conclusão

No trabalho falamos sobre a Penetração mercantil Europeia, a decadência do Estado de

Mwenemutapa e das consequêcias do ciclo de ouro, e concluimos que a penetração

mercantil europeia pode ser definida como o fenómeno de fixação e estabelecimento de

contactos comerciais dos europeus no continente africano. A decadência do estado dos

Mwenemutapas deveu-se a varios conflitos internos e externos. As consequências do ciclo

de ouro deveram-se aos trabalhos forçados nas minerações, com isto a população era

obrigada a passar mais tempo na mineração em detrimento da agricultura, o que provocou

períodos de fome no seio das comunidades mushas.


Bibliografia

NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12ª classe, Plural Editores, 2017.

FENHANE, João Baptista Henrique, Ciências sociais 7ª classe, Texto Editores, 1ª Edição,

2001.

Você também pode gostar