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Infecções Sexualmente

Transmissíveis - ISTs

Prof. Ana Carolina de Moura Coelho


Infecções Sexualmente Transmissíveis

• DSTs versus ISTs: nova nomenclatura - 2016

• O termo INFECÇÃO no lugar do termo DOENÇA permite destacar a


possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo
na ausência de sinais e sintomas

• DOENÇA implica a presença de sinais e de sintomas

• Podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos e protozoários

• São transmitidas por meio do contato sexual (oral, vaginal e/ou anal)

• Transmissão vertical: gestação, parto e/ou amamentação


Manifestações ISTs

• Três manifestações mais comuns - Diagnósticos


sindrômicos:

1. Úlceras genitais

2. Corrimentos (exceções: vaginose bacteriana, candidíase


vaginal)

3. Verrugas anogenitais

• Outras manifestações: dor pélvica, disúria, lesões de


pele, linfonodopatia, febre, etc.
Diagnósticos Sindrômicos
ISTs: Corrimento
Corrimento
• Principal queixa da mulher no consultório de Ginecologia

• Pode ser de origem:

• Fisiológica: aspecto mucóide

• Irritativo/alérgico

• INFECCIOSO:

- Endógeno

- IST
Candidíase vulvovaginal

• Corrimento por infecção endógena

• Não é considerada uma IST!

• Agente etiológico: Candida albicans - 80-92%

• Associado a gravidez, Diabetes mellitus,


obesidade, uso de antibióticos, uso de
corticóides, imunossupressão (infecção pelo
HIV, quimioterapia
Candidíase vulvovaginal

• Diagnóstico:

- Clínico: prurido, ardor, dispareunia, corrimento de aspecto


grumoso, placas esbranquiçadas na parede da mucosa, sem odor

- pH vaginal normal

- Citologia a fresco (hidróxido potássio 10%)

- Cultura

Tratamento: Tópico: - Nistatina 10.000 UI creme por 14 noites

- Miconazol 2% creme por 7 noites

Via oral: - Fluconazol 150mg 1cp VO dose única

- Itraconazol 100mg 2cp VO 2xdia por 1 dia


Candidíase vulvovaginal
Vaginose Bacteriana

• Corrimento por infecção endógena mais


prevalente entre mulheres na fase reprodutiva

• Não é considerada uma IST!

• Está associado a aumento de risco na aquisição


de uma IST - principalmente o HIV

• Agente etiológico: Gardnerella vaginalis

• Redução de lactobacilos
Vaginose Bacteriana

• Diagnóstico:

- Clínico: odor fétido, aspecto perolado bolhoso

- pH vaginal aumentado (> 4,5)

- Citologia a fresco: clue cells

- Teste amina positivo

Tratamento: - Metronidazol 250mg 2cp VO 2xdia por


10-14 dias
Vaginose Bacteriana
Tricomoníase

• Infecção causada por protozoário Trichomonas vaginalis

• Transmissão via relação sexual desprotegida

• Mais comum no sexo feminino

• Sinais e Sintomas:

• Corrimento amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado com mau cheiro,


geralmente lembrando peixe

• Prurido

• Sangramento após relação sexual

• Dor durante relação sexual

• Disúria

• A tricomoníase pode ser assintomática


Tricomoníase

• Diagnóstico:

• Exame a fresco: observação direta do protozoário (visualização do flagelo)

• Cultura

• Teste de Schiller “onçoide” ou “tigroide”

• Tratamento:

• Metronidazol 400mg 5cp VO dose única

• Metronidazol 250mg 2cp VO 2xdia por 7 dias

• Realizar tratamento do parceiro (a)


Microulcerações no colo uterino,
que dão um aspecto de morango
ou framboesa, presença de
bolhas na secreção purulenta
Gonorréia
• Infecção causada por bactéria Neisseria gonorrhoeae
(“Gonococo")

• Transmissão via relação sexual desprotegida

• Umas das principais causas de uretrite: processo


inflamatório da mucosa uretral

• 2ª IST mais prevelente no mundo segundo OMS

• Outros locais: orofaringe (faringite), conjuntiva ocular


(conjuntivite), cérvice uterino (cervicite)

• Sinais e Sintomas: corrimento uretral, edema e


hiperemia uretral, dor uretral, disúria, dor em baixo ventre
Gonorréia
• Diagnóstico:

- Biologia molecular: PCR (reação em cadeia de polimerase)

- Bacterioscopia: diplococo Gram negativo

- Cultura

• Tratamento:

• ELEVADA RESISTÊNCIA A QUINOLONAS: Ciprofloxacino

- Ceftriaxone 500mg IM dose única ASSOCIADO A

- Azitromicina 500mg 2cp VO dose única

• Complicações: orquiepididimite, Doença Inflamatória Pélvica (DIP),


infertilidade, abortamento, parto prematuro, conjuntivite neonatal
Infecção por Clamídia

• Infecção causada por bactéria Chlamydia trachomatis

• Transmissão via relação sexual desprotegida

• Umas das causas de uretrite não gonocócicas: processo


inflamatório da mucosa uretral

• Outros locais: orofaringe (faringite), conjuntiva ocular


(conjuntivite), cérvice uterino (cervicite)

• Sinais e Sintomas: corrimento uretral amarelado-claro, dor


uretral, disúria, dor em baixo ventre, dispareunia

• Síndrome de Reiter
Sd. Reiter
Infecção por Clamídia

• Diagnóstico:

- Biologia molecular: PCR (reação em cadeia de polimerase)

- Cultura

• Tratamento:
- Azitromicina 500mg 2cp VO dose única

- 2ª opção: Doxiciclina 100mg 1 cp 2xdia por 7 dias

• Complicações: orquiepididimite, Doença Inflamatória


Pélvica (DIP), infertilidade, abortamento, parto prematuro,
conjuntivite neonatal
ISTs: Úlceras genitais
Sífilis

• Infecção bacteriana causada por Treponema palidum

• Transmissão por contato sexual

- é maior nos estágios iniciais (sífilis primária e secundária) -> maior número
de treponemas

• Transmissão vertical

- taxa de transmissão para o feto de 80%

• A maioria dos casos é assintomática (sífilis latente)

• Atualmente é uma doença em reemergência


Sífilis
Sífilis
Sífilis
Sífilis

• Sífilis recente = até 2 anos de evolução

- Primária

- Secundária

- Latente

• Sífilis tardia = mais de 2 anos de evolução

- Terciária

- Latente
Sífilis
• Sífilis Primária:

- tempo médio de incubação de 3 semanas

- úlcera única, indolor, com borda regular e bem definida, base endurecida, fundo limpo, rica em
treponemas = cancro duro

- linfonodopatia regional

- desaparece independente do tratamento

• Sífilis Secundária:

- ocorre em média entre 6 semanas e 6 meses após a cicatrização do cancro, em um período


máximo de até 2 anos

- erupção macular eritematosa que pode atingir regiões palmares e plantares

- sintomas inespecíficos: mal estar, febre baixa, linfadenopatia


Sífilis
• Sífilis Latente:

- recente ou tardia

- período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma

- diagnóstico através de testes treponêmicos e não treponêmicos

- a maioria dos diagnósticos ocorre neste estágio

• Sífilis Terciária:

- ocorre em aprox 15-25% das infecções não tratadas

- tardia = ocorre após no mínimo 2 anos da infecção

- acometimento de Sistema Nervoso Central, Sistema Cardiovascular e formação de Gomas


sifilíticas (tumoração de pele, mucosas, ossos ou qualquer tecido)
Sífilis
Sífilis
• Métodos diagnósticos:

- Exames diretos: geralmente para lesões primárias e secundárias

- Campo escuro (alta sensibilidade, alta especificidade)

- Pesquisa direta com material corado

- Testes imunológicos:

- não treponêmicos

- treponêmicos
Sífilis
Sífilis
• Métodos diagnósticos:

- Testes imunológicos:

- Não treponêmicos = não são específicos; reagentes 1-3 semanas após o


aparecimento do cancro; permitem triagem qualitativa e quantitativa; monitorar
tratamento e controle de cura; podem existir falsos reagentes

-> VDRL

-> RPR

- Treponêmicos = são específicos; são os primeiros a se tornarem reagentes e em


85% dos casos permanecem reagentes por toda vida, mesmo após o tratamento

-> FTA-Abs

-> ELISA ou CMIA

-> TPHA
Sífilis
• Métodos diagnósticos:
Sífilis
Sífilis
• Tratamento:

• Sífilis Primária, Secundária e Latente Recente:

- Penicilina Benzatina 2.400.000 UI IM

- Doxiciclina 100mg 1cp 12/12h por 15 dias

• Sífilis Terciária e Latente Tardia (ou de duração ignorada):

- Penicilina Benzatina 2.400.000 UI IM por 3 semanas (intervalo de 7 dias entre as doses)

- Doxiciclina 100mg 1cp 12/12h por 30 dias

• Neurossífilis:

- Penicilina Cristalina 18 - 24 milhões UI/dia por 14 dias

- Ceftriaxone 2g/ dia por 14 dias


Sífilis
• Gestantes:

- O tratamento de escolha é a Penicilina

- Exame obrigatório no pré-natal

- Tratar o parceiro

- Sífilis neonatal: tratamento com Penicilina Cristalina

• Reação de Jarish-Herxheimer:

- ocorre em até 24 horas após a primeira dose de Penicilina

- caracteriza-se por exacerbação das lesões cutâneas, mal estar geral, febre, artralgia, cefaléia

- regressão espontanea após 12 - 24 horas

- pode ser controlada com o uso de analgésicos, sem necessidade de descontinuar o tratamento

- distinguir de quadros de alergia a Penicilina


Herpes Genital
• Agente Etiológico: Família Herpesviridae: HSV 1 e HSV 2

• DNA vírus

• Tipo 1: mais prevalente em lesões periorais

• Tipo 2: mais prevalente em lesões genitais

• Nem todos os portadores do vírus apresentarão lesões:


manifestação clínica em 13-37% dos portadores

• Sinais e sintomas: primoinfecção: média 6 dias de incubação


- lesões eritemato-papulares (3mm) -> vesículas
- dolorosas
- sintomas sistêmicos: febre, mialgia, disúria, linfonodomegalia
inguinal dolorosa
Herpes Genital
• Diagnóstico
- Diagnóstico clínico
- Exclusão de outros diagnósticos

• Atenção:
• Gestantes:
- Parto: Cesárea em caso lesões ativas

• Imunossuprimidos
- Lesões mais extensas
Herpes Genital - Tratamento

Herpes Genital
Cancróide

• Outras nomenclaturas: Cancro Mole, Cancro venéreo, Cancro


de Ducrey

• Agente etiológico : Bactéria (cocobacilo) Haemophilus ducreyi

• Mais frequente em homens

• Sinais e sintomas: Úlceras múltiplas com bordas irregulares,


contornos eritemato-edematosos e fundo heterogêneo
(exsudato necrótico amarelado e de odor fétido), dolorosas e
facilmente sangrantes

- Linfonodopatia inguinal fistulizante - Orifício único


Cancróide

• Diagnóstico
- Diagnóstico clínico

- Microscopia de material corado pela


técnica de coloração de Gram:
Bacilos Gram-negativos agrupados
em correntes dos tipos “cardume de
peixes”, “vias férreas” ou “impressões
digitais” em material coletado das
úlceras genitais.
Cancróide - Tratamento
Linfogranuloma venéreo

• Agente Etiológico: Bactéria Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3

• Linfonodopatia inguinal e femoral

• Evolução em 3 fases:

1. Fase de inoculação: pápula, pústula e úlcera indolor, quase nunca


perceptível pela localização e que desaparece sozinha

2. Fase de disseminação linfática regional: 1 a 6 semanas da lesão


inicial, geralmente unilateral

3. Fase de sequelas: Conglomerado de linfonodos - Bubões

- Fistulização - Orifícios múltiplos

- Sistêmicos: Febre, mialgia, perda ponderal,etc.


Linfogranuloma venéreo

• Diagnóstico

- Diagnóstico clínico
- Exclusão de outros diagnósticos
Linfogranuloma venéreo - tratamento
Donovanose
• Agente Etiológico: Bactéria Klebsiella granulomatis

• IST crônica progressiva, pouco frequente, clima tropical e


subtropical

• Acomete pele, mucosas genitais, perianais e inguinais

• Sinais e sintomas: Úlcera de borda plana, hipertrófica, bem


delimitada, fundo granuloso, vermelho, facilmente sangrante,
lesões múltiplas

• Evoluem para formas vegetantes e ulcero-vegetantes

• Linfonodomegalia inguinal é mais rara


Donovanose

• Diagnóstico

- Diagnóstico clínico
-Exclusão de outros diagnósticos
Donovanose - Tratamento
ISTs: Verrugas
Anogenitais
Papilomavírus Humano - HPV

• DNA vírus

• 200 tipos de HPV: 40 tipos acometem trato anogenital

• Induz a diversos tipos de lesões mucocutâneas

• Transmissão: relação sexual, transmissão vertical

• Infecção tipicamente assintomática:

- Verrugas anogenitais - 1 a 2%

- Alteração histológica: 2 -5% dos exames ginecológicos


Papilomavírus Humano - HPV

• Divididos em 2 grupos:
- Baixo risco oncogênico: tipos 6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 70, 72 e 81.
- Alto risco oncogênico: tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58,
59, 68, 73 e 82.

• Manifestações:

- Condiloma acuminado: lesões papilomatosas múltiplas ou única;


papulosas ou achatadas

- Cor da pele, eritematosas ou hiperpigmentadas

- Assintomáticas

- Acomete pênis, escroto, vulva, vagina, cérvice, perianal, mucosa oral e


laringe
Papilomavírus Humano - HPV

• Diagnóstico:

- Exame clínico

- Biópsia com exame histopatológico:

1. Lesões atípicas

2. Dúvida diagnóstica

3. Paciente com imunodeficiência


Papilomavírus Humano - HPV
• Tratamento:

1. Domiciliar:

- Imiquimode creme

- Podofilotoxina

2. Ambulatorial:

- Cauterização química: ATA, Podofilina

- Crioterapia

- Exérese cirúrgica

• Atenção : Comunicação dos parceiros

• Seguimento regular
Papilomavírus Humano - HPV
• Prevenção:
• Vacina HPV- MS 2014: PNI

-Cobertura para os vírus 6 e 11 (verrugas - baixo risco


oncogênico); 16 e 18 (alto risco oncogênico)
ISTs: Infecções com
Sintomas específicos
Outras ISTs

• Infecção pelo HIV

• Hepatites virais: Hepatite B e Hepatite C


ISTs: Prevenção
Prevenção Combinada

• Diferentes ações de prevenção às ISTs, infecção pelo


HIV e Hepatites virais

• Sexo seguro: uso exclusivo de preservativo

• Definição limitada!!!!

• 3 intervenções
Prevenção Combinada
• Biomédica: redução da transmissibilidade do vírus
• Utilização de preservativos masculinos e femininos e utilização de
gel lubrificante

• Incentivo a Profilaxia Pós Exposição - PEP

• Incentivo da Profilaxia Pré Exposição – PrEP

• Prevenção e Tramento das ISTs

• Imunização Hepatite B e HPV

• Prevenção transmissão vertical


Prevenção Combinada

• Comportamental: aumentar conhecimento, informação e


autoconhecimento

• Incentivo a realização dos testes sorológicos

• Redução de danos: tratamento etilismo, drogadição, uso


hormônios, silicone industrial

• Estratégias de educação e comunicação

• Campanhas HIV, Hepatites e ISTs


Prevenção Combinada

• Estrutural: enfrentar dificuldades socioculturais

• Combate a qualquer tipo de discriminação, desenvolver


mecanismos de enfrentamento aos estigmas

• Promoção e defesa dos Direitos Humanos

• Políticas de defesa de direitos consolidadas

• Campanhas educativas e de conscientização

• Diminuição das desigualdades socioeconômicas


Prevenção Combinada
Violência Sexual e ISTs
Atendimento à vítima de Violência Sexual
• Atendimento complexo: Serviços de Referência SUS

• Necessita de abordagem multidisciplinar: atendimento psicológico,


assistência social

• Profilaxia HIV: PEP (até 72 horas)

• Profilaxia ISTs não virais

• Profilaxia gestação: levonorgestrel (até 5 dias)

• Vacinação, Imunização passiva Hepatite B

• Testagem para sífilis, HIV, hepatites virais B e C, clamídia e


gonorréia

• Acompanhamento regular
LITERATURA RECOMENDADA

 Goldman-Cecil, Medicina. Cap 319: Sífilis

 Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às


Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ministério da
Saúde, 2019.

 http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-
terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
DÚVIDAS

Muito Obrigada !!

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