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Königsberg, 1724 - à  1804

Filósofo alemão. A vida de Kant não tem nada de extraordinário e bem pode dizer-se que
encarna as virtudes (e talvez o aborrecimento) de uma vida integralmente dedicada ao estudo e
ao ensino. Homem piedoso e de profunda religiosidade, que se revela na sua obra, é sóbrio de
costumes, de vida metódica, benévolo e provinciano (só uma vez na sua vida deixa a sua
Königsberg natal, e não mais de 12 km). ???

Profundamente imbuído dos ideais do Iluminismo, experimenta profunda simpatia pelos ideais
da Revolução Francesa e da independência americana. É pacifista convencido, antimilitarista e
alheio a qualquer forma de patriotismo exclusivista. ???

A exigência da clarificação do pensamento kantiano é tal que apenas a partir dessa postura se
tem capacidade para examinar o seu sentido e alcance nos campos da teoria do conhecimento e
da filosofia da ciência. Kant está intelectualmente situado numa encruzilhada, a partir da qual
elabora diversas interpretações da razão, ponto de partida do pensamento moderno de onde se
determinam a) a acção moral, b) o trabalho científico, c) a ordenação da sociedade, e d)? o
projecto histórico em que a sociedade se encontra. ???

Não é possível redigir-se aqui uma exposição do sistema filosófico de Kant, coisa que requer
todo um volume. Basta assinalar que o grande objectivo de Kant é determinar as leis e os
limites do intelecto humano para ousar enfrentar, por um lado, o dogmatismo arrogante
daqueles que sobrestimam o poder da mente humana e, por outro lado, o absurdo cepticismo
daqueles que o subestimam. «Apenas deste modo [ou seja, por meio de uma crítica que
determine as leis e os limites da razão humana] poderão arrancar-se as raízes do materialismo,
do fatalismo e do ateísmo.» E propõe-se, com isso, «pôr fim a toda a futura objecção sobre a
moralidade e a religião, apresentando as mais claras provas da ignorância dos seus
adversários». ???

Quanto ao seu sistema filosófico, o mesmo sugere um paralelo com Copérnico. Kant imagina
para a filosofia o mesmo que imagina Copérnico para a astronomia. Assim como Copérnico
determina a importância relativa e a verdadeira posição da Terra no sistema solar, Kant
determina os limites e a verdadeira posição do intelecto humano relativamente aos objectos do
seu conhecimento. E do mesmo modo que Copérnico demonstra que muitos dos movimentos
aparentes dos corpos celestes não são reais, mas que se devem ao movimento da Terra, Kant
mostra que muitos fenómenos do pensamento requerem explicação, mas não atribuindo-os,
como muitos filósofos, a causas externas independentes, mas às leis essenciais que regulam os
próprios movimentos do pensamento. ???

Kant encarna a razão ilustrada. Expressa com clareza e exactidão o carácter autónomo da razão
tal como a concebem os iluministas. O iluminismo é o facto que leva o homem a deixar a
menoridade; menoridade de que ele mesmo é culpado. A referida menoridade consiste na
incapacidade para se servir do próprio entendimento sem a direcção de outro. A própria pessoa
é culpada dessa menoridade se a causa da mesma não reside num defeito do entendimento, mas
na falta de ânimo e de decisão para se servir dele com independência, sem a condução de outro.
† ?   «atreve-te a servir-te do teu próprio entendimento»: tal é a divisa do iluminismo.
???

Quanto aos limites da razão, são impostos pela sua própria natureza. A razão é uma e a mesma
para todos os povos, homens, culturas e épocas, e tem uma essência ou natureza fixa que se
desenvolve no tempo, mas sempre segundo a sua própria essência. ???

Por outro lado, a razão iluminista é crítica (contra os preconceitos, contra a tradição, contra a
autoridade não racional, contra a superstição). Assim compreendida, não é uma mera negação
de certas dimensões da realidade e da vida, ou de questões como a legalidade política, a religião
ou a história, mas a recusa de um modo de as entender que se opõe à ideia de clarificação
racional. A razão ilustrada é, além do mais, tolerante. Como dizia Voltaire, a tolerância é o
património da razão. ???

A razão tem uma natureza própria e, além disso, é o instrumento ou meio de conhecer como
interpretar o mundo e exercer a crítica. A razão iluminista? é analítica no sentido em que é 1)
capacidade de adquirir conhecimentos da experiência e 2) capacidade de analisar o empírico
tentando compreender, numa aliança entre o empírico e o racional, a lei que governa. ???

Em termos gerais, o pensamento kantiano é uma tentativa original e vigorosa de superar e


sintetizar as duas correntes filosóficas fundamentais da modernidade: o racionalismo e o
empirismo. Mas a obra de Kant vai mais além, e nela entrecruzam-se todas as correntes que
constituem a trama do pensamento do século XVIII. É, pois, o filósofo mais representativo deste
período. ???

O criticismo de Kant é uma filosofia que tenta responder a três perguntas básicas: Que posso
saber?, Que hei-de fazer?, Que posso esperar? ???

Que posso saber? Para o conhecimento universal e necessário ser possível, e dado que não pode
provir da experiência, é preciso que os objectos do conhecimento se determinem na natureza do
sujeito pensante, e não ao contrário. A? à ? ?  ?  de Kant leva a cabo esta
revolução do método e mostra como o entendimento, ao legislar sobre a sensibilidade e a
imaginação, torna possível uma física ? àà. Mas, se a natureza está submetida ao
determinismo, pode o homem ser livre? Kant leva a cabo a revolução copernicana no terreno
prático postulando a existência de uma alma livre animada por uma vontade autónoma. ???

Que hei-de fazer? «Actua estritamente segundo a máxima que faz que possas desejar
simultaneamente que se converta numa lei universal.» ???

Que posso esperar? Para a espécie humana, o reino da liberdade garantido por uma constituição
política. Para o indivíduo, o progresso da sua virtude e um melhor conhecimento do outro e de
si mesmo através da arte. ???

No que se refere ao idealismo, a filosofia kantiana lega aos seus sucessores três grandes
problemas: 1) a sua concepção do idealismo como idealismo transcendental; 2) a oposição
entre a razão teórica e a razão prática, e 3) o problema da coisa em si. ???

A filosofia posterior a Kant assume até às suas últimas consequências a razão crítica. Os
filósofos esforçam-se por desenvolver as teses kantianas na linha da razão prática. Tanto o
idealismo subjectivo de Fichte como o idealismo objectivo de Schelling são tentativas muito
meritórias nessa linha. Mas a superação do kantismo não se consegue até à formulação do
sistema de Hegel. ???

As obras de Kant costumam distribuir-se por três períodos, denominados pré-crítico, crítico e
pós-crítico. O primeiro momento corresponde à sua filosofia dogmática, à sua aceitação da
metafísica racionalista, na peugada de Leibniz e de Wolff. No segundo período escreve as suas
obras mais conhecidas e influentes: à ? ?  ?  ? à ? ?  ? à ? e? a?
à ? ? 
?Além destas grandes obras, Kant publica diversos estudos e opúsculos. Pelo
vigor e originalidade do seu pensamento e pela sua influência sobre o pensamento filosófico,
Kant é justamente considerado um dos filósofos mais notáveis da cultura ocidental.

? ???

Robson Stigar

Quais são os caminhos que possam concretizar a força da razão a respeito da conduta do
homem em relação a moral, a ciência e a ética religiosa. Neste contexto definimos a da obra de
Kant em relação à filosofia transcendental e coloca como afirmação, "O céu estrelado acima de
mim e a lei moral dentro de mim", é a relação que o autor aponta os caminhos em que se
fundamenta as ciências, matemática, física, geometria, astrologia e os juízos sintéticos a priori.

Desta forma destacaremos os principais conceitos da filosofia em relação ao que ele captava
deste infinito. "O destino do homem, portanto, é o infinito". Kant, na critica a razão pura dos
juízos sintéticos a priori, define ao longo do seu trabalho a importância da ciência estabelecer
princípios básicos para a evolução do homem.

Contudo vale, ressaltar por que o homem junto com a ciência procure afirmações da origem
real dos valores morais na relação homem e universo encontrara resposta que lhe firmam como
agente na existência, mas não encontrara uma resposta absoluta que definam a existência do
mundo e os valores atribuídos, por meio da ciência e o conhecimento total do homem no
conduto moral é ética em relação a seu estudo e suas constatações.

Deste modo examinaremos quais são estes caminhos que vem desde a critica da razão pura nos
juízos sintéticos a priori indo de encontro à revolução copernicana e as bases seguras da ciência
e por conseqüência a critica a metafísica e as razões do homem em relação à fé religiosa, a
intuição, estética e sensibilidade em suas formas de entendimento. Em todos estes conceitos ±
ciências ± ocupa um fundamental para as leis se fortalecem e conduzo homem a sintetizar seus
fundamentos para que a razão seja o fio condutor de toda experiência humana.

Desta maneira vale ressaltar a "revolução copernicana" de Kant, estabelece uma leitura mais
aprofundada em relação à metafísica "ainda não consegui tornar o caminho seguro da ciência",
segundo Kant são os objetos que giram ao redor do sujeito cognoscente e que se rejeitam sobre
os princípios que supervisionam o funcionamento das faculdades cognoscitivas do homem.

É através do conhecimento humano e suas formas e sensibilidade que existem ferramentas


necessárias que só podem ser usados na experiência, - desta maneira a crítica a razão Pura Kant
afirma que a metafísica não figura do caminho seguro da ciência. Ex: "Tente imaginar alguma
coisa que existe fora do alcance - do tempo ± a quem não tem extensão no espaço".
A mente humana não pode produzir tal idéia. Desta maneira nada pode ser apercebido exceto
através destas formas, e os limites da física são os limites da estrutura fundamental da mente.
Sendo assim, já vemos que não podemos conhecer fora do tempo e do espaço. Por esta razão a
metafísica não caminhar como ciência. Ao contrário da matemática em relação ao universo
infinito dos números. A física no tempo e o espaço...

A geometria, a astronomia, que usam a relação do espaço e do tempo nos caminhos seguros da
ciência indo mais além das formas e sensibilidades Kant nos diz o que há também o
entendimento, que seria uma faculdade da razão. O entendimento nos fornece as categorias
com quais podemos operar as sínteses do diverso da experiência. Desse modo como são
possíveis juízos sintéticos a priori? São possíveis porque há uma faculdade da razão ± o
entendimento ± que nos fornece categorias a priori ± como causa e efeito ± que nos permitem
emitir juízos e valores sobre o mundo. Não podendo ser empregados fora do campo da
experiência. Daí porque na filosofia crítica de Kant "não nos é possível conhecer a coisa, em si,
ou aquilo que não está no campo fenomenológico da experiência".

Por isso o conhecimento "a priori" de algumas coisas uma vez a mente tem que possuir estas
categorias por forma de compreender a massa sussurrante da experiência crua, não interpretada
as nossas consciências.

Em segundo lugar, ela remove o mundo real da área do da percepção humana a qual Kant
denominar a sua filosofia crítica de "idealismo transcendental". Apesar da interpretação exata
desta frase é uma maneira de compreender é através da comparação de Kant a "critica da razão
pura" da sua filosofia crítica com a revolução de Copérnico, na Astronomia. Kant assim define,
"Até aqui, foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-se aos objetos. Mas
todas tentativas nossas, de estender o nosso conhecimento de objetos pelo estabelecer de qual
quer coisa "a priori" pois, por tentativas, que ver se temos ou não mais sucessos nas tarefas da
metafísica se como Copérnico revolucionar a astronomia ao mudar o ponto de vista, filosofia
crítica da Kant pergunta as condições "a priori" para que o conhecimento do mundo.

Desta maneira seguindo as colocações e as teorias de Kant aqui apresentadas nos quais a crítica
a razão pura, dos juízos sintéticos a priori, revolução copernicana e os caminhos os quais se
firmaram a física, a matemática e a astronomia como ciência nesse contexto vale ressaltar com
todas colocações feitas ao longo da fundação da filosofia transcendental onde não podemos
conhecer as "coisas em si" como os fenômenos, mas podemos, todavia, pensá-lo corretamente.

Quando Kant refere-se os caminhos, que a ciência junto com o homem podem trilhar. Desta
maneira apontaremos a liberdade, ética ± estética, intuição, moral e fé religiosa. Quando o
individuo pelo fruto da razão e do conhecimento atribuir como fundamentos na sua relação com
o mundo estabelecerá princípios básicos de convivência em relação a sua história e seu
intelecto.

Partindo deste pressuposto Kant coloca o homem na descoberta de seus valores a fim que
possam aprimorar suas atividades consigo e com universo que o rodeia. Valendo ressaltar no
campo da investigação e a percepção "eu penso". Caminhando seguramente pode brotar
qualquer regra que implique necessidade. Trilhando tudo implique como necessidade o bem
deve ser determinado o conceito o bem.

Os caminhos são amplos apresentados por Kant, entretanto apresentaremos das quais julgamos
essenciais em relação ao bem não só imperativo mais universal. A intuição moral e a
obediência aos valores máximos do evangelho, "Amar a Deus acima de tudo razão já enraizado
na sociedade ± ao teu próximo como ti mesmo... serão parâmetros necessários para a
descoberta, afirmação de novas ciências, afim que estabeleça no âmbito racional de todos os
campos de investigação da filosofia, em que a vontade humana fundamente seus juízos
estéticos" prazer que nós ligamos ao belo cabendo ao homem junto com a ciência no caminho
de suas descobertas e avanços cada vez mais a sua existência de Deus.

Deste modo para sintetizarmos a forma apaixonada o qual a filosofia transcendental visa não só
a crítica, mas sim o campo da investigação e a sublimação de valores que possam carregar o
belo em todos homens em suas representações.

Concluímos quando apontamos a frase o qual foi e sempre será o fio condutor desta obra,
filosofia transcendental " concluindo cabe ao homem a descoberta do infinito...não
sócontemplar o céu estrelado...mas sim despertar em si os seus valores para construção de sua
realidade...O destino e a marca espiritual de Kant" duas coisas enche-se o espírito de admiração
e de reverência sempre novas e crescentes, detém; o céu estrelado acima de mim e a lei moral
em mim.

Cabendo a ciência / homem não deturpar os princípios básicos de toda descoberta valendo ética
moral, a beleza das coisas, mas fundamentalmente os valores que aproximem a realidade e as
convicções humanas ao bem comum valendo definitivamente a vontade natural de Deus. O
qual devia ser parâmetro não só da filosofia transcendental. Mas sim da ciência / homem.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/6168/1/A-Razao-Em-
Kant/pagina1.html#ixzz11hvt0KRK
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É só no domínio da moral que a razão poderá, legitimamente, manifestar -se em toda sua
pujança. A razão teórica tinha necessidade da experiência para não se perder no vácuo da
metafísica. A razão prática, isto é, ética, deve ao contrário, ultrapassar, ½   ½½ 


 
½ .

Toda ação que toma seus móveis da sensibilidade, dos desejos empíricos, é estranha à
moral, mesmo que essa ação seja materialmente boa. Por exemplo: se me empenho por
alguém por cálculo interessado ou me smo por afeição, minha conduta não é moral. Com
efeito, amanhã, meus cálculos e meus sentimentos espontâneos poderiam levar -me a atos
contrários. A vontade que tem por fim o prazer, a felicidade, fica submetida às flutuações de
minha natureza. Nesse ponto, Kant se opõe não só ao naturalismo dos filósofos iluministas,
mas, também, à ontologia otimista de São Tomás, para quem a felicidade é o fim legítimo de
todas as nossas ações. Em Kant, há o que Hegel mais tarde denominará uma visão oral do
mundo que afasta a ética dos equívocos da natureza. O imperativo moral não é um imperativo
hipotético que submeteria o bem ao desejo 
½ 
    

 
   
   ½      
 , mas o imperativo
categórico: 
½ 
       .

Em que consiste esse dever? Uma vez que as leis que a Razão se impõe não podem, em
nenhum caso, receber um conteúdo da experiência e que devem exprimir a autonomia da
razão pura prática, as regras morais só podem consistir na própria forma da lei. ½
   
   
  ½    
  (primeira
regra). O respeito pela razão estende -se ao sujeito racional: ½    
  !
    
 ½   ½   
  
  
½  (segunda regra). Desse modo, o princípio do dever, para ser
absolutamente rigoroso, não implica em nenhuma "alienação", como diríamos hoje, em
nenhuma "heteronomia", como diz Kant.

Para se unirem numa justa reciprocidade de direitos e obrigações, os homens só têm que
obedecer às exigências de sua própria razão:       ½ 
 "   ½"#     (terceira regra).

O único sentimento que tem por si mesmo um valor moral nessa ética racionalista é o
sentimento do respeito, pois não é anterior à lei, mas é a própria lei moral que o produz em
mim; ele me engrandece, ele me realiza como se r racional que obedece à lei moral. Vimos
que, pelo fato de ser puramente formal, essa moral não me propõe, efetivamente, um ato
concreto a realizar. Ela simplesmente
 
½ # este ou aquele ato que tenho
vontade de praticar. Por exemplo, vejo de imediato que não tenho o direito de mentir, mesmo
que me diga: e se todos fizessem o mesmo? A mentira de todos para com todos é
contraditória, portanto, proibída. A moral formal, por conseguinte, apresenta -se como
essencialmente negativa. Como diz Jan Kél évitch, o imperativo categórico é um "proibitivo
categórico".

A moral de Kant, ao privilegiar a razão humana, exprime sua desconfiança com relação à
natureza humana, aos instintos, às tendências de tudo o que é empírico, passivo, passional,
ou, como diz Kant, patológico. Tal é o   kantiano. A razão fala sob re a forma severa
do dever porque é preciso impor silêncio à natureza carnal, porque é preciso, ao preço de
grande esforço, submeter a humana vontade à lei do dever. Por conseguinte, o domínio da
moral não é o da natureza (submissão animal aos instintos) n em o da santidade (em que a
natureza, transfigurada pela graça, sentiria uma atração instintiva e irresistível pelos valores
morais). O mérito moral é medido precisamente pelo esforço que fazemos para submeter
nossa natureza às exigências do dever.

  
 

A moral de Kant é o que chamamos de uma    ½   . Ela não possui outro
fundamento além da consciência humana, essa consciência que é essencialmente razão.
Mesmo que o universo não tenha o menor sentido, mesmo que a alma seja mortal, o discípulo
de Kant se sabe obrigado a respeitas as máximas da razão.
Todavia, Kant vai reerguer a metafísica - essa metafísica cuja demonstração era impossível,
segunda a crítica da razão pura. A originalidade de Kant está no fato de que, $ 
#
  
   
   na metafísica, ele   # 
   

        


   ½ 
    ½   . Por exemplo: o dever me
prescreve a realização de certa perfeição moral que não consigo atingir na vida presente
(posto que não chego a purificar totalmente a determinação de querer dos móveis sensíveis).
Kant então postula a imortalidade da alma.

Por outro lado, Kant constata que a virtude e a felicidade quase não estão juntas, neste
mundo em que, de um mo do geral, os maus são muito prósperos. Ele então postula que um
Deus 
  , por intermédio de um sistema de recompensa e punições, restabelecerá no
além a harmonia entre virtude e felicidade.

Finalmente, partindo da consciência da obrigação moral, Kan t vai postular a liberdade


humana. Com efeito, a obrigação moral exclui a necessidade dos atos humanos. A obrigação
não teria o menor sentido se minha conduta fosse automaticamente determinada por minhas
tendências ou pelas influências que sofri. Ser moral mente obrigado é ter o poder de
responder sim ou não à regra moral, é ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal. %

 &    ½ '

Esta liberdade não poderia ser demonstrada. No plano dos fenômenos, isto é, da experiência,
do que hoj e denominamos ciência psicológica, eu vejo que meus atos, ao contrário, são
determinados uns pelos outros no tempo. Aquele crime pode ser explicado pelas paixões de
seu autor, pela deplorável educação que recebeu, etc... E, no entanto, o homem se sente
responsável, por conseguinte, livre. Não esqueçamos que o mundo dos fenômenos, isto é, do
determinismo, é um mundo de aparências. Por trás desse determinismo aparente, pelo qual o
mundo se me apresenta no conhecimento, esconde -se a realidade numenal de minha
liberdade. Por conseguinte, é fora do tempo, é nas profundezas do ser inacessível ao saber
científico, que o mau escolheu livremente o seu caráter de mau. Em tal sistema, portanto, não
existe liberdade parcial nem meia -responsabilidade. Totalmente determin ados nas aparências
fenomenais, seríamos totalmente livres em nossa realidade numenal: daí se segue que
nenhum pecado poderia ser escusável.

 
   

Desse modo, a filosofia de Kant nos surge como uma filosofia essencialmente trágica, já que
afirma simultaneamente a necessidade da natureza (     (  )
 ) e a exigência
de uma liberdade absoluta (     (  )  ).

Em sua terceira grande obra,    *


 , Kant se esforça por mostrar a possibilidade
de uma reconciliação entre o mundo natural e o da liberdade. A natureza não seja talvez não
seja apenas o domínio do determinismo, mas também o da finalidade que aparece
notadamente na organização harmoniosa dos seres vivos. Todavia, se o princípio de
causalidade (determinism o) é constitutivo da experiência (não posso dispensá -lo para explicar
a natureza), o princípio de finalidade permanece facultativo, puramente regulador (posso
interpretar o agrupamento de certas condições como a manifestação de um fim). Tudo se
passa como se o pássaro fosse feito para voar, mas uma coisa apenas é certa: o pássaro voa
porque é constituído de tal maneira.

Os valores de beleza, presentes na obra de arte, igualmente nos oferecem uma espécie de
reconciliação entre a razão e a imaginação, já que, na contemplação estética, a bela
aparência que admiramos parece inteiramente penetrada dos valores do espírito. Finalidade
sem fim (isto é, harmonia pura, fora de todo móvel exterior à obra de arte), a beleza oferece à
nossa imaginação a oportunidade de u ma satisfação inteiramente desinteressada. Ela é, no
mundo kantiano, o exemplo único de uma satisfação ao mesmo tempo sensível e pura de
todo egoísmo, o momento privilegiado em que uma emoção, longe de manifestar meu
egoísmo dominador, dele me liberta e, c omo se diz muito bem, me "arrebata".

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A "* 
? ? ? " (Vàà ? ?à

? 

), publicada inicialmente em 1781 com
uma segunda edição em 1787, é considerada a obra mais influente e mais lida do filósofo
alemão Immanuel Kant e uma das mais influentes e importantes em toda a história da filosofia
ocidental. Ela é geralmente referida como "primeira crítica" de Kant, uma vez que essa obra
precede a "Crítica da Razão Prática" e "Crítica do Julgamento".

Neste livro Kant tenta responder três questões fundamentais da filosofia e da teoria do
conhecimento: Que podemos saber? Que devemos fazer? Que nos é lícito esperar?

 ? ?  - Ele distingue duas formas de saber:

O conhecimento empírico, que tem a ver com as percepções dos sentidos, isto é, posteriores à
experiência. E o conhecimento puro, aquele que não depende dos sentidos, anterior à
experiência, ou seja, ?àà, depende de uma afirmação universal que, para ser válida, não
depende de nenhuma condição específica.

Na verdade, o conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente


dos sentidos, e forma, que são as categorias do entendimento. A priori não se obtém um
conhecimento, mas pode-se saber quais são as categorias segundo as quais o conhecimento é
formulado, segundo as leis da razão. Ele já começa o livro esclarecendo sobre a diferença entre
os "juízos sintéticos" e "juízos analíticos". Sendo que o primeiro é aquele que, através da
junção de informações distintas chega a uma nova informação. O segundo refere-se à dividir
um mesmo objeto em seus constituintes, de modo que suas partes se tornem mais claras, mas
que nada mais surja, a não ser aquilo que previamente já estava contido no próprio objeto. Com
relação aos "juízos sintéticos" e "analíticos" a posteriori Kant não coloca qualquer problema.
Mas afirma que os pensamentos filosóficos correntes se utilizavam de "juízos analíticos" a
priori, isto é, apenas andavam em círculos sobre algum conhecimento, reproduzindo-o com
palavras diferentes, chegando a conclusões que em nada diferiam daquilo que já estava contido
no primeiro pensamento, sem produzir, assim, qualquer novo conhecimento a respeito das
questões sobre as quais eram formuladas. Porém o que chamou a atenção de Kant foi a
possibilidade de juízos a priori na matemática e na física proporcionarem conhecimento novo,
diferente dos sofismas redundantes filosóficos. Assim, Kant percebeu que estas duas ciências
eram capazes de elaborar "juízos sintéticos" a priori, por tratarem justamente das leis que regem
o conhecimento, dispensando, assim, qualquer experiência para validar seus achados. A partir
daí Kant se pergunta se é possível realizar também juízos sintéticos a priori na metafísica, que
estava enfraquecida pela obscuridão dos idealistas e praticamente destruída pela perspicácia
dos empiristas.

Kant principia sua reflexão crítica já na dissertação de 1770, mas, após 11 anos de silêncio
bibliográfico, ele lança a Crítica da Razão Pura, contendo uma reflexão sobre a possibilidade de
todo conhecimento, dando uma resposta aos empiristas, especialmente David Hume, e aos
racionalistas alemães, Leibniz e Wolff.

Kant aceita a premissa humana de que todo conhecimento ocorre a partir da experiência, mas
lembra que Hume esqueceu que o conhecimento, para existir, não precisa tão-somente da
experiência.

Assim, Kant mostra ao longo de sua crítica quais são as condições para qualquer experiência
possível, na "Estética Transcendental", analisando quais são as condições a priori para que um
dado fenômeno possa ser dado na intuição, chegando às condições de "espaço", para as
intuições externas, e "espaço" e "tempo" para as intuições internas.

Após a Estética, Kant prossegue para a análise da forma pela qual aquilo que é dado na
experiência é organizado em relações que constituem conhecimento. Estas são as categorias do
entendimento, determinadas pela razão pura e que, sendo preenchidas pela matéria proveniente
da experiência podem formar um conhecimento.

Ambas as análises são feitas na chamada "Analítica Transcendental"

Em seguida ele parte para a "Dialética Transcendental", parte do livro na qual ele usa esse
pensamento elaborado na analítica para mostrar erros de raciocínio impregnados no modo de
pensar filosófico de então, principalmente na filosofia idealtista alemã.