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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA

CELSO SUCKOW DA FONSECA – CEFET/RJ


Engenharia Mecânica
Mecânica dos Materiais II

Análise de Tensões em um Feixe de Molas

Aluno: Guilherme Sixe da Silva

Professor: Lı́via Nogueira

Nova Iguaçu
2019
Sumário
1 Introdução 2
1.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

2 Revisão Bibliográfica 2
2.1 Mola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.1.1 Feixe de Molas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

3 Modelagem 5

4 Resultados Obtidos 10

5 Conclusão 10

6 Referências Bibliográficas 11

1
1 Introdução
Qualquer corpo feito de um material que se deforme elasticamenhte pode ser consi-
derado como uma mola. O termo mola se refere a corpos construı́das em configurações
particulares para prover um intervalo de força dentro de um espaço significativo de de-
flexão e/ou para armazenar energia potencial. Molas são projetadas para prover uma
forças de tração, compressão ou um torque, ou principalmente para guardar energia, e
podem ser dividas nessas quatro categorias gerais. Dentro de cada categoria, muitas
configurações de molas são possı́veis.

1.1 Motivação
O presente trabalho analisará as tensões em um feixe de molas. Elas são pricipalmente
empregadas em veı́culos pesados, como caminhões e pick-ups.
Esse foi o elementode máquina escolhido para o trabalho, pois ele é dispositivo que,
devido ao peso desses veı́culos, sofrem grandes carregametos.Com isso é possivel realizar
diversas análises com a maioria dos temas que são apresentados no curso de Mecânica dos
Materiais I e II.

2 Revisão Bibliográfica
2.1 Mola
Pode-se definir mola como sendo um elemento ou uma associação de elementos capaz
de assumir deformações elásticas quando submetida a forças axiais ou forças de flexão, em
condições de armazenar energia potencial elástica. As molas são utilizadas nas máquinas
para exercer força, como por exemplo molas de atuação de válvulas de motores; para
fornecer flexibilidade, como molas dos discos das embraiagens de automóveis; e para
armazenar ou absorver energia, como por exemplo molas de suspensões de veı́culos. Há
variados tipos de molas e a necessidade desta diversidade deriva do fato de existirem
aplicações com constrangimentos particulares, como sendo o espaço útil para a utilização
da mola e de especificações próprias dos projectos. Na figura 1 podemos observar alguns
dos tipos de mola.

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Uma mola é geralmente considerada, para efeitos de cálculo, sem massa nem amor-
tecimento. Esta é considerada linear elástica quando a sua deformação é diretamente
proporcional à força que a provocou, obedecedo a Lei de Hook.

F =k·δ (1)

O coeficiete k é a rigidez ou constante elástica da mola, F a força aplicada na mola e δ a


variação de comprimento entre as extremidades sofrida pela mola. Este último é igual à
diferença entre os deslocamentos das extremidades.

δ = y2 − y1 (2)

A energia potencial, U , resultante do deslocamento relativo das duas extremidades da


mola será
1
U = · k · y2 (3)
2

3
2.1.1 Feixe de Molas
Os feixe de mola têm como objetivo atuar como elemento elástico estrutural nas sus-
pensões de eixo rı́gido, absorvendo os movimentos de baixa frequência e grande amplitude
proporcionando maior estabilidade. As molas planas, em sua maioria, são empregadas
em automóveis, pick-ups, caminhões leves, pesados e jipes.
Esse tipo de mola é constituı́do de lâminas metálicas unidas por um parafuso, deno-
minado espigão, em sua parte central, com exceção das mono-lâmina, que não possui esse
parafuso. Eles trabalham sob esforço de flexãoe torção onde o esforço predomiate nos
feixes é a flexão.
Os materiais usados para confeccionar feixes de molas são aços-liga que apresentam
como propriedades mecânicas, dúctilidade, dureza e resistência a fadiga.

De acordo com o papel que ela desempenhará, a curva de rigidez da mola poderá ser
linear ou não. A linear é caracterizada por apresentar uma curva de rigidez constante.
Ela é utilizada em sistemas que a carga não é muito progressiva.

Já a curva de rigidez variável, teremos uma rigidez menor no instante inicial da força
aplicada, e com o decorrer do tempo a rigidez dela aumentará. Por isso, a curva de rigidez
variável é aplicada em sistemas em que a carga aplicada é progressiva. Essa caractristica
porporciona maior coforto.

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3 Modelagem
Como a força externa aplicada ao feixe de molas são nos olhais (extremidades da pri-
meira lâmina) e existe um espigao (parafuso) no centro do feixe que retringe o movimento
em x, y e uma rotação neste ponto, para o estudo das tensões, modelaremos como uma
viga engastada, estudando-a do centro até a uma de suas extremidades, por conta da sua
simetria.

A norma ABNT NBR 8567 recomenda o uso da equação (4) para a determinação da
tensão em um feixe de molas. Onde W é a espessura das láminas; b é a largura do feixe
de molas, n é o número de lâminas, L do centro até a forças aplicada no feixe e, por fim,
P é a forças aplicada à extremidade no topo do feixe de molas.
3P L
σ= (4)
nbW 2
Caso exista lâminas com a espessura (W ) diferente, deverá ser usada a equação a
seguir, recomendada pela norma ABNT NBR 8567.
3P LWi X 1
σ= (5)
nb W3
Sendo o Wi a espessura da lâmina que está sendo estudada.
Pelas equações (4) e (5), consideramos que a tensão nas seções 1, 2, 3 e 4, em cada
lâmina do feixe de molas (Figura 6) serão as mesmas, não considerando essa escalação da
lâminas. Ou seja, na seção 3 do feixe, as tensões nas lâminas i=1 até 4, serão as mesmas.

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Ao receber uma força externa P no olhal, haverá uma deflexão na lâmina. Pelo
modelo adotadoa para a análise de tensões (viga engastada com carregamento em sua
extremidade), esta força provocará um deslocamento máximo determinado pela equação
a seguir.

P L3
vmax = (6)
2EI
(Apêndice C, HIBBELLER, R. C. Resistência dos materiais. Rio de Janeiro, LTC,
1997.)

Onde E é módulo de elasticidade do material e I o momento de inércia da lâmina.


A equação é positiva, pois o eixo y do referencial adotado está para baixo. Assim um
deslocamento para baixo sinaliza um deslocamento positivo.
Como existe mais de uma lâmina no feixe de molas, com o deslocamento da primira
para baixo, será assumido que há uma transferência de força através do ponto de contato
entre a superfı́cie inferior dela com a extremidade superior da segunda lâmina, e assim
por diante. Ou seja, em cada lâmina haverá uma força de reação F causada pela lâmina
de baixo. A única lâmina que não terá esta reção F , será a última lâmina do feixe de
molas.
Com esta primeira análise será desenvolvida a equação da linha elástica para a condição
de uma viga engastada, com uma força externa em sua extremidade e outra força, com
sentido oposto, atuando no corpo da viga.

Conseguindo chegar na equação da linha elástica, podemos determinar o deslocamento

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vP e vF , nos pontos onde atuam as forças P e Q.

F a3
 
1 P 2 3
vF = (EaL − L ) − (7)
EI 6 3

P L3 F a2
vP = (3L − a) (8)
18E 2 I 2
Manipulando a equação (9), conseguimos determinar F .

P L3
  
6EI
F = 2 − vP (9)
a (3L − a) 3EI
Tendo como imput uma força externa P1 no olhal, por exemplo o peso do veı́culo,
e sabendo o deslocamento da extremidade, conseguimos determinar o deslocamento do
ponto em que há a força de reação F i e a sua magnitude. Com esses dados poderemos
encontrar, teoricamente, a tensão em cada ponto de cada lâmina do feixe de molas.
A força de reação F1 , será determinada pela equação (8), em função das distâncias
das forças P1 e F1 , da magnitude da força P1 e do vp1 da primeira lâmina. A equação (3)
determinará o deslocamento vertical vF1 no ponto onde atua a força F1 . A força P2 possui
mesmo módulo F1 , mas com sentido oposto. Teremos um deslocamento vF1 na primeira
lâmina igual ao deslocamento vP2 na segunda lâmina, e assim, sucessivamente.

A seguir, na posse das cargas P e F , de cada lâmina, poderemos determinar o momento


fletor Mf em qualquer ponto das lâminas. Com esse momento fletor conseguiremos obter
a energia de deformação de cada lâmina.
Para determinar essa energia, partiremos da seguinte integral da energia de deformação.
Z 2
σ
dV (10)
2E
Para a energia de deformação em cada lâmina, teremos
My
σ= (11)
I
Substituindo na equação (12) chegaremos a

( MI y )2
Z
Ui = dV (12)
2E

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M2
Z Z 
2
Ui y dA dx (13)
2EI 2
Como a integral de área representa o momento de inércia da viga em torno do eixo
neutro, o resultado final pode ser escrito como

M2
Z
Ui = dx (14)
2EI
O próximo passo é calcular o M . Consideraremos o mesmo c para todas as lâminas
para o cálculo de energia.

Para a 1a lamina:
M1 (x1 ) = P x1 , para (0 < x1 < c) (15)
M1 (x2 ) = P (c + a) − F x2 , para (0 < x2 < a) (16)
Para a 2a lamina:
M2 (x1 ) = P x1 , para (0 < x1 < c) (17)
M2 (x2 ) = P (c + a − c) − F x2 , para (0 < x2 < a − c) (18)
Para a 3a lamina:
M3 (x1 ) = P x1 , para (0 < x1 < c) (19)
M3 (x2 ) = P (c + a − 2c) − F x2 , para (0 < x2 < a − 2c) (20)
Para a 4a lamina:

M4 (x1 ) = P x1 , para (0 < x1 < a − 3c) (21)

Na posse dos momentos, substituiremos cada momento na equação (16) para achar Ui
para cada lâmina.

(P x1 )2 (P c − F x2 )2
Z Z
Ui1 = dx1 + dx2 (22)
2EI 2EI
(P x1 )M 2 (P (a − c) − F x2 )2
Z Z
Ui2 = dx1 + dx2 (23)
2EI 2EI
(P x1 )M 2 (P (a − 2c) − F x2 )2
Z Z
Ui3 = dx1 + dx2 (24)
2EI 2EI
(P x1 )M 2
Z
Ui4 = dx1 (25)
2EI

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Teremos como resultado
2c3 P12 + 4a3 F12 2 (−ca2 P1 F1 − a3 P1 F1 + ca2 P12 ) + c2 aP12 + a3 P12
Ui1 = + (26)
3EI EI
2c3 P22 + 4F22 (a − c)3 a3 P22 − ca2 P22 − 2aP2 F2 (a − c)2
U i2 = + (27)
3EI EI

Sendo P = P3 e F = F3 na equação Ui3 acima.

P42 (a − 3c)3
Ui4 = (28)
6EI
Somando-os obteremos a energia total de deformação devido a tensão de flexão em
um feixe de molas composto por 4 lâminas.

Uitotal = Ui1 + Ui2 + Ui3 + Ui4 (29)


Para calcular a tensão teórica em determinados pontos de cada lâmina, usaremos a
equação
M h2
σ= (30)
I
Os pontos que serão avaliados serão os seguintes:

Será denominada de DP i a distância de cada força Pi , atuante na extremidade de


cada lâmina, aos pontos em análise das mesmas, e receberá o ı́ndice i, que é referente ao
número do ponto em análise para determinarmos o momento fletor teórico.

Mi = Pi DP i − Fi DF i (31)
E assim conseguiremos calcular a tensão teórica.

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4 Resultados Obtidos
Com o auxı́lio do software Matlab faremos todos os cálculos de tensões e energia para
um feixe de molas com 4 lâminas, e os resultados obtidos serão apresentados a seguir
Os inputs para a análise do feixe de molas serão:

Resultados das forças Pi , Fi e vF i . O deslocamento provocado por P1 também é um


input.

Resultados das energias de deformação para cada lâmina.

Com os resultados de Pi e Fi , além dos dados de input, conseguimos definir o momento


fletor nas posições 1 e 2, definidas na seção anterior, e por fim, a tensão teórica nesses
mesmos pontos.

5 Conclusão
Ficou claro, com o trabalho apresentado, que o feixe de molas é um elemento de
máquinas em que se pode fazer muitas análises com os coteúdos apresentados no curso

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de Mecânica dos Materiais I e II, e as análises que foram feitas nesse trabalho os trouxe
resultados consistentes.

6 Referências Bibliográficas
[1] NBR 8567: Cálculo e projeto de feixes de mola para veı́culos rodoviários; ABNT5:04.02-
003/81; 1984
[2] HIBBELLER, R. C. Resistência dos materiais. Rio de Janeiro, LTC, 1997.
[4] Fischer, Grubisic, V.V., 1998, “Durability approval of leaf springs under operational
loading”, SAE paper.
[5] ANSYS 5.5 Elements Reference Manual, 10ty edition, ANSYS Inc.
[6] NORTON, ROBERT L. Projetos de Máquinas. Uma abordagem integrada.Porto
Alegre, BOOKMAN EDITORA LTDA, 2013.

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