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O AUXILIO PSICOPEDAGÓGICO EM UNIVERSITÁRIOS COM TDAH

Stefane Paulino Dos Santos Santana 1

1. Licenciada em pedagogia- Cursando especialização de psicopedagogia e docência


de ensino superior- Itesp. Formosa-go.
Autor correspondente: Stefane.paulino@hotmmail.com

RESUMO

Esse artigo abordara pontos importantes em relação ao papel do psicopedagogo no auxílio de


alunos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, também conhecido como TDAH
no ensino superior. O mesmo tem como objetivo principal abordar o papel do psicopedagogo
no auxílio de alunos com o transtorno, quando os mesmos ingressam no ensino superior e
auxiliar os educadores sobre os principais erros dos docentes de ensino superior em relação a
aprendizagem de alunos que possuem algum transtorno. Também será abordado as
dificuldades enfrentadas por alunos que possuem este transtorno, e as dificuldades de
ingressar e em concluir sua escolarização. Abordando também as principais falhas em relação
a estes alunos e os principais motivos das desistências de alunos com TDAH no ensino
superior. Será levantada a questão referente ao papel do psicopedagogo neste contexto e quais
suas ferramentas para que ocorra uma aprendizagem significativa e para que não ocorra a
evasão de alunos com transtorno e também técnicas para o auxílio a aprendizagem dos alunos
que possuem o transtorno. Sendo utilizado como metodologia a pesquisa bibliográfica e
descritiva, para se obter maior conhecimento e transparência do assunto. Podendo concluir
que apesar de terem leis que regem a favor dos alunos com alguma deficiência e preciso
trabalhar o processo de inclusão com as instituições de ensino superior e se necessita de um
olhar diferenciado referente a pratica psicopedagógica no ensino superior.
Palavras-chave: TDAH. Psicopedagogia. Docente. Ensino superior.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho se dá devido a necessidade de se está vivendo em uma sociedade


inclusiva, afirma-se que as pessoas com alguma deficiência ou dificuldade possui direitos
igualitários, mas que na pratica esses direitos não vem sendo respeitados, privando-os assim
de muitas vezes realizarem seus objetivos.
Faz-se necessário falar sobre o assunto, de forma que todos possam ter acesso e
possam conhecer os direitos designados aos discentes que tenham laudo, e que queiram
ingressar em um ensino superior, visando a melhoria de sua qualidade de vida.
O acesso ao ensino superior está sendo oferecido, mas não o auxílio na permanência
do aluno na instituição, devido a diversos fatores que serão abordados no decorrer deste
artigo, precisando inicialmente saber sobre a historia do TDAH na educação, o papel do
psicopedagogo, a inclusão do TDAH no ensino superior, o psicopedagogo no ensino superior,
o papel do psicopedagogo no auxílio do mesmo e técnicas para se trabalhar com o TDAH.
O presente trabalho reflete sobre a necessidade de um auxilio psicopedagógico nas
intuições de ensino, não apenas para os alunos, mas para a instituição ao todo, de forma que
possa auxiliar também os educadores visando a melhor forma de lidar com as situações que
são encontradas diariamente.
A metodologia utilizada no trabalho e uma pesquisa bibliográfica, com o intuito de ler
diversos artigos, textos e publicações a cerca do assunto, com o objetivo de refletir sobre a
1
forma que está sendo oferecido o ensino superior no Brasil, e também uma pesquisa
descritiva, descrevendo sobre um assunto já conhecido, mas de forma que o mesmo ainda não
foi abordado, com o objetivo de se obter maior conhecimento e esclarecer duvidas que muitas
vezes surgem entre educadores, alunos e portadores do transtorno.
Espera-se que este seja de extrema importância para os profissionais que lidam com
estas dificuldades no exercício de seu trabalho e para alunos que possuem questionamentos
referentes aos direitos a uma educação inclusiva.
Por fim, as considerações finais que ressalta uma síntese sobre o tema abordado nesse
trabalho

A HISTÓRIA DO TDAH NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e um transtorno


neurobiológico que é caracterizado pela tríade sintomatológica: desatenção, hiperatividade e
impulsividade, e está entre os diagnosticados mais comuns em crianças, que geralmente são
relatados no final da educação infantil ou no ensino fundamental I, mas apesar de bastante
conhecido ainda não possui uma origem definida, acreditando-se na junção e fatores genéticos
e ambientais.
Segundo Stroh (2010):

 em regra, de origem genética e congênita. Ou seja, nato, sendo facilmente perceptível
quando a criança adentra na fase escolar. Neste nível, de forma particular, os sintomas
aparecem com clareza, principalmente dentro da sala de aula. O TDAH é um transtorno
Neurobiológico, em que, o córtex pré-frontal direito é um pouco menor nas pessoas que
apresentam este transtorno. (STROH. 2010. P. 3)

Apesar das causas ainda não serem claras, os pesquisadores acreditam que existem
alterações no funcionamento de algumas substancias no celebro, o tratamento para o
transtorno e através de medicamentos, e acompanhamentos com profissionais especializados,
sendo eles psicólogos e psicopedagogos, para que possa ser feito um trabalho acerca do
aprendizado do mesmo.

A pessoa com o TDAH possui uma inabilidade de concluir algumas tarefas, sejam
elas complexas, ou ate mesmo do cotidiano, como ler um livro, assistir um filme, entre outros.
Também possuem dificuldades de controlar impulsos principalmente relacionados as suas
emoções, mas outros fatores também são comprometidos, como a atenção, memoria, o auto
estimulo e a organização de tarefas.

De acordo com CALIMAN (2010) o transtorno começou a ser citado na literatura na


primeira metade do século XIX, sendo que a primeira escrita sobre o assunto foi publicada em
um jornal de médicos em 1902. Sendo bastante estuda ate os dias de hoje, o termo TDAH foi
nomeado, renomeado e pesquisado por diversas vezes até conseguir chegar no termo atual,
sendo considerada como deficiência mental leve e moderada, mas ainda possuem diversos
educadores e pesquisadores que desejam saber de fato a origem deste transtorno, e como se
desenvolve.

Muitos pesquisadores acreditavam que se tratava de uma maturação cerebral, e que na


vida adulta desapareceria, mas pesquisadores que pesquisam sobre o assunto puderam
perceber que a realidade era outra, que ao se tornarem adulto as características do TDAH
continuavam, e muitas vezes era possível observar características semelhantes em adultos que

1
até então não tinham sido diagnosticados, sendo desenvolvidos inclusive testes para que se
pudesse diagnosticar na fase adulta, mas que são difíceis serem percebidas na fase adulta,
quando não se foi observado na infância, já que muitas vezes são escondidos através de
características que acompanham a fase adulta.

Conforme diz Barkley, 2002; Phelan, 2005:

O TDAH em adultos muitas vezes tem sido visto como uma doença camuflada,
devido ao fato dos sintomas serem mascarados, ocorrendo problemas de
relacionamento afetivo e interpessoal, de organização, problemas de humor, abuso
de substâncias, ou seja, caracterizados pela comorbidade. Desta maneira, o
diagnóstico se torna difícil e os adultos e, principalmente as mulheres, ficam sem
diagnóstico e tratamento. Contudo, o diagnóstico precoce e tratamento adequado
podem reduzir os sintomas significativamente (BARKLEY, 2002; PHELAN, 2005).

Para que ocorra esse diagnóstico em adultos e necessário uma ampla rede de
avaliações, com diversos profissionais da área como psicopedagogos, neurologistas,
fonoaudiólogos e outros que possam observar diversos fatores que são característicos do
transtorno como: desatenção, hiperatividade, impulsividade e outros. Já que muitos adultos
possuem um temperamento instável, o que torna o auxílio e diagnostico aos portadores de
TDAH complicado.

Segundo o site NEURO SABER (2018) pesquisas mostram que o TDAH contribui de
forma negativa para o desenvolvimento do indivíduo, de forma que a maioria dos
diagnosticados possuem um índice socioeconômico reduzido, dificuldades em manterem
empregos, em concluírem os estudos, acarretando em um prejuízo emocional e social, ou seja
a maioria não consolida um emprego por muito tempo, geralmente são tímidos e não tem
muito contato com o mundo, muitas vezes não possuindo amigos ou companheiros. Além de
possuírem oito vezes menos chances de conseguir um diploma universitário, e mais
possibilidades de abandonarem os estudos.

O PAPEL O PSICOPEDAGOGO

O profissional da área de psicopedagogia tem uma ampla e complexa rede em que ele
pode atuar, já que o mesmo atua como interventor e auxiliador juntamente com uma rede de
profissionais como : professores, médicos, neurologistas e fonoaudiólogos quando o aluno
possui alguma dificuldade , distúrbio de aprendizagem ou deficiência que implicam na
aprendizagem e desenvolvimento do aluno, ou seja Segundo Weiss, “a psicopedagogia busca
a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção
da própria aprendizagem de alunos e de educadores”.
Conforme diz Gasparian (1997):

Um dos principais objetivos do surgimento da Psicopedagogia foi investigar as


questões da aprendizagem ou do não - aprender em algumas crianças. Por um longo
período atribuía-se exclusivamente à criança a patologia do não - aprender Foi na
Europa, no século XIX, que médicos, pedagogos e psiquiatras levantaram questões
sobre o não - aprender, entre eles: Maria Montessori, Decroly e Janine.
(GASPARIAN,1997,p.15).
1
Mas não se pode restringir a sua função apenas ao objetivo em que foi criado, o
profissional de psicopedagogia auxilia em estratégias que ajudem o aluno a organizar seus
modos de aprendizagem, auxilia na busca de compreender seus problemas, suas frustações e
emoções, além do raciocínio, concentração e criatividade. Ou seja, estuda a aprendizagem
humana.
Na visão de Fagali (2010):

trabalhar as questões pertinentes às relações vinculares professor-aluno e redefinir


os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e o cognitivo, através da
aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento ( FAGALI,
2002.P.10)

O profissional de psicopedagoga também atua com função preventiva , ou seja


auxiliando educares em futuras dificuldades que possam ocorrer no âmbito escolar e
preparando os educadores para diversas ocasiões que possam ocorrer , atua também no
processo de detectar ações negativas que possam implicar em algum problema de
aprendizagem , auxiliar com dinâmicas e interações entre alunos x alunos, alunos x
educadores, educadores x educadores, além de orientações vocacionais.
Segundo Nascimento (2013):

Além do já mencionado, o psicopedagogo está preparado para auxiliar os


educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo
para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver
alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como
participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a
um pequeno grupo de alunos. (NASCIMENTO. 2013. P. 09)

Pode-se observar então que o papel do psicopedagogo vai além de auxilia-lo apenas
em sala de aula, mas auxilia e prepara para dificuldades que podem surgir na sua vida
cotidiana e que o indivíduo seja ele aluno ou professor deve estar preparado para lidar com
as dificuldades.

A INCLUSÃO DO TDAH NO ENSINO SUPERIOR

As crianças que são diagnosticadas com o TDAH crescem, e se tornam adultos e


passam a enfrentar diversas dificuldades, entre elas está o ingresso no ensino superior, que
apesar de todos os obstáculos, vem se tornando possível.
Barkley (2011) cita que:

provavelmente não há nada mais difícil para pessoas com TDAH do que conseguir
uma formação educacional. Isso vale tanto para crianças, como para adultos. O
TDAH prejudica o desempenho acadêmico, conduz a problemas de comportamento
na escola e reduz o número de anos de educação concluídos com sucesso.
(BARKLEY. 2011. P.18)

Existem diversas leis acerca da inclusão de alunos no ensino superior, o que faz com
que o acesso a uma universidade seja acessível, apesar das dificuldades. Mas quando se fala
especificamente do TDAH, segundo OBDA (2014) ” Em esfera nacional, o projeto de Lei
7081, tem por objetivo instituir, no âmbito da educação básica, a obrigatoriedade da
manutenção de programa de diagnóstico e tratamento do TDAH e da Dislexia.“, mas vale
ressaltar que o projeto observado acima, fala desta obrigatoriedade apenas na educação
básica, excluído o ensino superior.
1
Apesar da lei apoiar os alunos inclusivos em diversos pontos, inclusive na educação,
ainda se enfrenta uma dificuldade tremenda em relação a entrada e permanência no ensino
superior, entre muitas outras dificuldades, já que não possuem condições adequadas para o
seu aprendizado de forma ampla e completa. Segundo PLETSCH E LEITE (2017) “é
importante frisar que esse crescimento ainda está longe do ideal, pois apenas 0,37% da
participação no ensino superior se refere ao montante de estudantes com deficiência”, o que
pede uma reflexão sobre a gravidade do dado citado acima, afinal se ouve tanto falar em
educação e sociedade inclusiva, mas os dados fornecidos mostram uma realidade diferente e
assustadora.
Outro ponto importante a se observar e que a legislação Brasileira a leis que regem a
educação inclusiva no ensino superior a respeito do ingresso dos mesmos, o que ocorre
geralmente por meio das cotas, mas que o aluno com TDAH, apesar de suas características
serem descritas na constituição, não entram como alunos inclusivos conforme descreve
DAHMER(2017):

apesar da Lei Brasileira de Inclusão n°13146/2015, em seu artigo 2°, dispor que
“considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo
de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou
mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em
igualdade de condições com as demais pessoas”, ela não se aplica às pessoas que
possuem TDAH ( DAHMER. 2017.P. 02).

E importante lembrar que apesar deles não se enquadrarem na lei, nenhuma


instituição, seja de educação básica ou superior pode recusar o aluno apenas devido ao seu
transtorno.
Além do fato de que o aluno com TDAH não se enquadra na constituição brasileira de
inclusão ainda possuem outros fatores que são agravantes no processo de desistência do
ensino superior, sendo um deles o fato de muitos educadores são possuírem conhecimento e
formação adequada para a realização de uma inclusão em sala, de modo a realizar uma aula
que prenda a atenção dos mesmos, já que o mesmo se torna complicado devido ao seu
transtorno, e a falta desta juntamente com as dificuldades que eles possuem do transtorno faz
com que a evasão continue, outro fator que agrava a situação de alunos com TDAH e que as
instituições não possuem obrigatoriedade de destinar um tempo maior para a realização das
provas, podendo ocorrer, mas sendo de critério das instituições.
O fato e que por acreditarem que o individuo portador do transtorno já esta na idade
adulta, o fato de muitos pesquisadores acreditarem que na idade adulta os efeitos são
minimizados e que o mesmo já passou por fases que se desenvolva o cérebro por completo
MARTINES diz (2009) que:

A representação de que processos de pensamento lógico/conceitual já estariam


plenamente desenvolvidos na idade adulta, incluindo a ideia amplamente
generalizada de que aprender depende essencialmente da cognição, pode levar a
supor que aqueles que têm passado com sucesso pelo ensino médio já teriam
atingido os recursos necessários para a aprendizagem no nível superior.
(MARTINES. 2009. P. 220)

Muitos educadores então, acreditam que por a pessoa portadora de TDAH ter passado
por inúmeras dificuldades, e apesar delas ter concluído diversas etapas na educação básica,
que no ensino superior elas não serão prejudiciais, não necessitando que haja uma adequação,
mas é onde ocorre as reprovações, e as desistências, já que a falta de compreensão do
transtorno desanima os universitários, e os fazem acreditar ser algo impossível para eles.
QUINHONEIRO, GONÇALVES. MERCADANTE (2018) dizem que:

1
Deve-se considerar que esta problemática é agravada no que tange à
formação de professores, uma vez que o modo como o professor aprendeu deixa
marcas fortes que passam a fazer parte da cultura educacional, porque os docentes
carregam consigo conceitos, preconceitos, hábitos e estereótipos que dificultam a
percepção e a escuta do outro em sua realidade. (QUINHONEIRO, GONÇALVES.
MERCADANTE apud FERREIRA. 2018. P. 70)

Se faz necessário então uma rede que possa auxiliar os alunos nessa situação, ajudá-lo
a encontrar formas de superar as dificuldades e organizar seu tempo de forma que seja
produtiva, entrando em ação o psicopedagogo.

O PSICOPEDAGOGO NO ENSINO SUPERIOR

Devido as novas leis que regem a educação inclusiva, já se sabe que os alunos
portadores de deficiências ou transtornos podem entrar em um ensino superior, mas sabe-se
também que esse ingresso deve dar qualidade de acesso e permanência.
Sabe-se também que o campo de atuação do profissional de psicopedagogia não se
restringe apenas a crianças ou a educação básica.
Conforme afirma PORTO (2008):

[...] vai além da aplicação da psicologia à pedagogia, não é apenas o


estudo da atividade psíquica da criança e dos princípios que daí
decorre, visto que ela não se limita à aprendizagem da criança, mas
abrange todo o processo de aprendizagem e, consequentemente, inclui
quem está aprendendo, independentemente de ser criança, adolescente
ou adulto. (PORTO, 2008, p.48).

Logo o psicopedagogo pode auxiliar o adulto que ingressa no ensino superior, de


forma que o ajude enfrentar as dificuldades que surgem e ajuda-lo na organização do seu
conhecimento. O psicopedagogo deve atuar de forma global, ou seja atuando como
auxiliador em todos os campos da escola, seja no corpo docente, ajudando com formas de
fazer uma aula inclusiva, compreender o aluno, formas de se expressar, em avaliações e etc.,
mas também auxiliar o aluno de forma que o ajude a compreender a forma com que aprende,
organizar seu tempo, técnicas de concentração, e se necessário encaminha-lo para órgãos
competentes para que o trabalho a ser realizado seja mais amplo, e atinja o resultado
almejado.
O papel do psicopedagogo no ensino superior segundo Quinhoneiro, Gonalves.
Marcadante (2018):

Entende-se que a tarefa do psicopedagogo é olhar e buscar compreender como o


universitário aprende e identifica práticas interventivas adequadas ao nível superior
de ensino. No diagnóstico das dificuldades, as dimensões cognitivas, afetivas e
sociais são observadas, incluindo-se a fala do estudante em relação ao problema
exposto, às suas peculiaridades advindas do meio externo e, principalmente, às
normas e ao currículo da instituição de ensino. (QUINHONEIRO, GONALVES.
MARCADANTE 2018. P. 70)

O psicopedagogo então abre um legue de opções que focam essencialmente no aluno,


ou seja, em quem aprende, que podem resultar em aprendizem significativas e prazerosas para
os alunos, especialmente alunos com transtornos ou deficiências que afetam a aprendizagem,

1
fazendo com que a aprendizem não seja vista mais como um fardo a ser carregado, mas como
uma forma de melhorar sua visão de mundo.
Infelizmente ainda não possui um regimento que diz sobre a obrigatoriedade do
psicopedagogo no ensino superior, espera-se que logo esta possa ocorrer, visando o melhor
desenvolvimento dos alunos, e um melhor resultado dos mesmos nas aulas e não apenas os
que possuem algum transtorno ou deficiência, mas dos alunos em geral, esperando-se que
assim possa diminuir o número de alunos desistentes e reprovados no ensino superior.

O PSICOPEDAGOGO E O AUXILIO AO TDAH

o papel do psicopedagogo e de extrema importância para o aluno com TDAH, desde


do início seja no processo de auxílio para o diagnóstico, de modo que observe e encaminhe
para os profissionais capacitados para uma avaliação e possivelmente um laudo, “a
psicopedagogia é uma área interdisciplinar em que o psicopedagogo colabora para que o
comportamento que atrapalha o desenvolvimento da criança fique em segundo plano,
possibilitando-lhe conviver melhor com o problema.” (CORREIA E LINHARES apud 42010.
p. 153)
mas também e de extrema importância após ser feito o diagnóstico, de modo que
segundo Correia e Linhares (2014):

o profissional pode exercer um trabalho de acompanhamento e orientação para a


família e para o professor, oferecendo possibilidades na elaboração do
direcionamento das condutas e estratégias pedagógicas que favoreçam a adequação e
a integração do indivíduo com tdah. (CORREIA E LINHARES apud 42010.
p. 153)

Correia e Linhares (2014) ainda complementam:

ressalte-se o papel fundamental do psicopedagogo na avaliação e intervenção com a


criança com tdah. ele deve considerar a realidade objetiva e a subjetiva que rodeiam
o entorno da criança durante o seu processo de aprendizagem, além de observar o
conhecimento com toda sua complexidade, em que as dimensões cognitiva, afetiva e
social se complementam. (CORREIA E LINHARES apud 42010. p. 153)

Podendo assim se observar a importância de um acompanhamento adequado, com um


profissional que possa agir como interventor no processo, de modo que se possa diminuir as
dificuldades enfrentadas pelo portador do TDAH, e que dessa forma ele possa desenvolver da
melhor forma possível suas habilidades.

TÉCNICAS PARA SE TRABALHAR COM TDAH

Ainda não possuem técnicas exclusivas para o auxílio de universitários, mas não
significa que não se pode obter modos de trabalhar para que ocorra uma menor dispersão nas
aulas e consequentemente uma melhor aprendizagem.
Existem diversas técnicas para se trabalhar com o TDAH na infância, logo acredita-se
que possa se fazer uma adaptação para que este possa ser utilizado para auxiliar também
adultos com o transtorno.
Além do atendimento especializado, que deve ocorrer para que os agravantes sejam
minimizados, e se necessário os medicamentos, e preciso um apoio das instituições, e

1
principalmente dos educadores para que compreenda que não e possível exigir um padrão
igual aos demais na turma, necessitando de uma atenção individualizada.
Conforme diz Fortunato (2011):

Ao unir saberes, o professor começa a direcionar o ensino numa perspectiva


inclusiva em prol do completo aprendizado e do bem- estar de todos os envolvidos.
Entende-se, portanto, que todo aluno possui potencialidade para desenvolver suas
capacidades de aprendizagem. A escola, enquanto instituição de ensino, voltada para
a construção e aquisição do conhecimento e de habilidades, torna-se “válvula
impulsionadora” de resultados positivos na vida acadêmica dos estudantes que
atende (FORTUNATO, 2011, p. 7377).

E preciso que o professor conheça as técnicas para se trabalhar com o universitário que
possui o TDAH, entendendo que apesar das suas dificuldades de concentração, eles possuem
interesses que podem ser utilizados como facilitadores do ´processo.
Segundo Silvia (2009):

Se por um lado o adulto e a criança todas têm profunda dificuldade em se concentrar


em determinado assunto ou enfrentar situações que sejam obrigatórias, por outro
lado podem se apresentar hiper concentrados em outros temas e atividades que lhes
despertem interesse espontâneo ou paixão impulsiva. ( SILVIA, 2009. P.19)

Outro ponto importante, alunos com o transtorno precisam de uma metodologia


diferenciada, além de adequações que são extremamente importantes, sendo algumas delas
“realizar e estabelecer tarefas de maneira rotineira; propor regras claras exigindo o
cumprimento de todas; deixar visíveis listas [...] Para que o aluno as leia e se organize [...]”;
(SANCHES 2008, p. 25).
Os educadores conseguindo colocar em pratica esta realidade no cotidiano em sala de
aula, beneficiara certamente o aluno portador de TDAH, mas também a sua turma poderá ser
beneficiada, visando que seguindo certos princípios a aprendizagem se torna mais clara e
objetiva.
Como alerta a Associação Brasileira de Distúrbios de Aprendizagem (ABDA, 2012, p.
27), segundo a qual: [...] lidar com os sintomas de TDAH e suas consequências não é um
problema apenas dos portadores e/ou familiares. Os professores têm importante papel e real
responsabilidade na melhora do processo de aprendizado.
Logo cabe a todos do convívio do aluno com TDAH que conheçam os sintomas e
procurem entender e buscar formas que possam auxilia-lo, para que possa haver uma
compreensão e uma união de todos que possam estar presente na vida escolar e cotidiana, para
que assim haja um desenvolvimento por completo, superando as expectativas e os dados a
certa de alunos com o transtorno.

CONCLUSÃO

Este trabalho ressalta sobre a importância de se obter uma sociedade inclusiva, em que
os direitos dos alunos com necessidades especiais sejam respeitados de maneira ampla, de
forma que se de o auxílio necessário para esses alunos, fazendo com que os mesmos tenham
oportunidades para se desenvolver nas situações do cotidiano, na sua vida escolar e
posteriormente no mercado de trabalho.
Tendo como objetivo reconhecer os direitos dos alunos com TDAH e suas
dificuldades, que foram abordadas no decorre do mesmo, sendo assim refletindo sobre a
importância de um profissional especializado no ensino superior que supra as necessidades
dos alunos com o transtorno e dos educadores, auxiliando sempre que necessário para que não
1
ocorra divergências em relação ao ensino e a aprendizagem, atuando como facilitador e
também de modo preventivo.
Assim garantindo a igualdade e o direito a um ensino superior igualitário, e que possa
ser aproveitado pelo aluno que possui o transtorno da melhor forma possível, superando as
dificuldades sociais e educacionais, diminuindo a falta de escolarização de pessoas com
TDAH, que conforme decorrido no mesmo e um número preocupante.
Este também aborda algumas das muitas estratégias que e possível colocar em pratica,
técnicas simples e que podem auxiliar para que o aluno consiga compreender e aprender, sem
ser necessário grandes mudanças e nem prejudicar os demais alunos na turma, e fala sobre a
importância de todos conhecerem um pouco sobre a realidade dos alunos que possuem o
transtorno.
Fundamenta-se então, que se deve ter um olhar diferenciado para os mesmos, de forma
que garanta os seus direitos, tendo o psicopedagogo como ferramenta essencial para o
desenvolvimento completo do indivíduo.
Sendo possível observar que para que ocorra todos os pontos citados acima, necessita-
se também de um docente preparado para o que possa vim a ocorrer, de modo que mesmo
estando em um ensino superior possa panejar suas aulas de forma que seja inclusiva e
prazerosa para o discente, devendo então se especializar e procurar sempre conhecer as
dificuldades do seu aluno, para que possa auxilia-lo.
Pode-se concluir então que o papel do psicopedagogo e essencial não apenas na
infância, mas também no ensino superior, de forma que sua função e bastante ampla, e que
atua como auxiliador e facilitador do processo de aprendizagem, apoiando o aluno com
TDAH em processos simples e complexos, e ajuda também o docente no ensino superior
quando se faz necessário. Mas também deve refletir sobre o papel do docente no ensino de
alunos com transtorno e sobre a sua importância na formação dos mesmos.

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