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O MEDO DA VIDA
NEUROSE
Alexander Lowen defini a neurose como o medo da vida. Este medo se reflete em nossa maneira de nos
mantermos ocupados o tempo todo, de nos alcoolizamos ou drogarmos para não sentir. Por medo da
vida, desenvolvemos uma personalidade controladora, dominadora e neurótica. Sentir em intensidade é
algo que nos ameaça. Fomos educados para temer o que sentimos, para sentir medo da vida.
A ênfase de nossa cultura recai sobre o fazer, sobre atingir resultados> O indivíduo de nosso tempo está
comprometido com seu sucesso, não em ser uma pessoa. Lema: faça mais e sinta menos.
Neurose é um conflito interno. O caráter neurótico assume muitas formas, mas todas elas envolvem
uma luta, no interior da pessoa, entre o que ela é o que acredita que deva ser. Toda pessoa neurótica é
prisioneira deste conflito. Como surge um tal estado de conflito interno?
No interior de cada um de nós existe uma luta entre aquilo que se é e o que se acredita que deva ser.
Todos nós em maior ou menor grau somos prisioneiros deste conflito. A resolução desse conflito só é
possível através da aceitação e integração de todas as partes que nos compõem. Mas como surge um tal
estado de conflito? De que forma somos aculturados para aprender a rejeitar e esconder nossa
natureza?
Estamos determinados a superar nossas fraquezas, dominar nossos temores e conter nossas
ansiedades.
Toda pessoa neurótica apresenta algum distúrbio em sua resposta orgástica, não tendo condições de se
entregar por inteiro às agradáveis e involuntárias convulsões de um orgasmo Reich vinculou impotência
orgástica e complexo edipiano.
Incapaz de encarar sua dor e a raiva a qual a dor dá surgimento, a pessoa neurótica esforça-se por
superar seus temores, ansiedades, hostilidades e raiva. Ela esforça-se para vencer a si mesma e
evidentemente fracassará. O fracasso parece significar submissão, mas, na realidade significa auto
aceitação e possibilita libertação das neuroses.
O neurótico não tem percepção do seu caráter neurótico.
O caráter neurótico refere-se a um padrão de comportamento que se baseia num conflito interno e
representa medo da vida, do sexo e de ser. Refere-se as primeiras experiências de vida da pessoa e a
uma das mais significativas experiências – o complexo de édipo, que ocorre de 3 a 7 anos, onde surge a
atração sexual da criança pelo genitor do mesmo sexo e a rivalidade, medo, hostilidade e raiva em
relação ao genitor do mesmo sexo. Ambos os pais desempenham um papel ativo nesta situação
triangular em que a criança se vê presa a um complexo sentimental que envolve culpa, medo, raiva e
outros sentimentos que ameaçam sua sobrevivência e portanto devem ser suprimidos.
Tensão muscular e rigidez corporal são meios de supressão.
No princípio a tensão é criada conscientemente para bloquear a expressão de um impulso que poderia
evocar uma resposta hostil de nossos pais. Com o tempo, porém, a tensão passa ser crônica e não temos
mais consciência da mesma. Não estamos nos permitindo ser, não estamos permitindo que o fluxo de
excitação se desloque em toda sua integralidade através de nossos corpos, até atingir o nível de
exteriorização. Nós nos contemos contra nossa raiva, tristeza e medo. Reprimimos o choro e os gritos.
Refreamos o orgasmo e o amor. Temos medo da entrega, de ser, de viver de sentir.
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A contenção, funciona como uma defesa inconsciente contra sentimentos e sensações, que no passado,
foram percebidas como perigosas. A pessoa pode ter medo da sua tristeza, sentindo que, se se entregar
a este sentimento, poderá cair em desespero tão profundo que talvez não consiga sobreviver. Ou então,
que se confrontar com um medo tão grande pode levar a um terror paralisante ou uma raiva tão intensa
que sinta desejo de matar.
Ser sexual é ter vitalidade e ter vitalidade é ser sexual
O complexo de Édipo será acentuado pela forma como os pais sentem e vivem sua própria sexualidade,
o relacionamento deles, seus preconceitos e não resolução de seu pp complexo de Édipo...muito
genitores frustrados se voltam para o filho do sexo oposto em busca de sintonia e afeição, tornando-se
altamente sedutores e complicando sobremaneira os sentimentos já tão densos.
O sentimento de não pertencer sempre surge quando existe a falta de contanto emocional entre pais e
filhos.
Por fim o CE inclui uma raiva assassina por parte da criança, em relação ao genitor do sexo oposto…
quer-se matar o pai mas teme ser morto por ele...o medo intenso leva a supressão da raiva e só emerge
em visões do pai morto em acidente…no final a criança sente culpa pela hostilidade sentida.
Em nossa cultura as sensações sexuais infantis estão por demais mescladas por ódio, culpa e medo para
que haja uma resolução simples, assim todos complexo é reprimido levando a neurose.
Tanto Freud quanto Fenichel eram da opinião que a neurose resultava de uma repressão inadequada do
complexo de édipo. A persistência do mesmo supunha-se levava a pessoa a um nível infantil do
desenvolvimento sexual.
Um dos aspectos do caráter neurótico é a incapacidade da pessoa neurótica de aceitar a si mesma – ela
luta para evitar o destino temido mas o pp esforço por ela despendido assegura o destino do qual tenta
escapar. Ex a pessoa movida pela rejeição pode se defender abrindo mão das pessoas, afastando-as, se
isolando e assim assegura que sentirá rejeição. Ninguém que esteja constrangido numa posição
defensiva está livre. Isso vale para o caráter neurótico que constrói couraças musculares e ergue
barreiras psicológicas para se proteger, somente para descobri depois que sua dor está enterrada com
ele. A tentativa de superar um problema de personalidade negando-o internaliza o problema e garante
sua manutenção.
A supressão de uma sensação só a empurra para mais fundo, até a inconsciência – o caminho é o
entendimento que conduz a auto aceitação, auto expressão e autodomínio.
O indivíduo neurótico nunca aceita suas sensações como naturais e certas. Se estiver cansado, diz: não
sei porque estou cansado – se não tem sensações sexuais toma isto como frustração, algo errado. A
pessoa neurótica é movido a desempenho e não aceita nem o que seu corpo expressa, nem o que sente.
Praticamente todos os conflitos que criam os problemas que levam as pessoas a terapia ocorrem no
primeiro ano de vida e depois são enterrados no inconsciente. Para pô-los a descoberto temos que
remexer no inconsciente.
Todos os conflitos emocionais inconscientes estão estruturados no corpo na forma de tensões, que
determinarão como a pessoa irá comportar-se, com quais sensações e sentimentos responderá às
situações, bem como, o quanto de sensações e excitação ela consegue suportar, dentro de determinada
situação. Muitas vezes o trabalho terapêutico é estender este limite.
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Toda tensão muscular crônica no corpo está associada a tristeza, medo e raiva. Uma vez que a tensão é
uma restrição de nosso ser, ficamos tristes. E também zangados, por sermos tão limitados. E temos
medo de demonstrar nossa tristeza ou de expressar nossa raiva, e assim ficamos prisioneiros deste
estado diminuto de ser, amarrados ao nosso destino.
Corpos muito tensos ou contraídos não conseguem suportar muito aumento de carga energética pois
isto ameaça sua integridade – sentem que vão morrer ou enlouquecer. É preciso ir aos poucos,
aumentando os limites e capacidade de tolerância – em cada oportunidade de choro, zanga, tristeza ela
vai aumentando mais e mais sua energia e sensações.
A pessoa rompe uma das conchas defensivas e adentra uma nova etapa de liberdade e esclarecimento.
Ou, poder-se-ia dizer que, a pessoa emerge com uma maior conscientização do seu si mesmo. A neurose
é a concha protetora que encapsula mas também isola a pessoa. As conchas não se dissolvem. Tem-se
que rompe-las, com o faz o pintinho recém-nascido. Da mesma maneira que a pessoa tem que romper
as barreiras ou limites que a constrangem.
O medo de ter as defesas colapsadas e a fachada cair é mais acentuado quando é desafiada a estrutura
de caráter do paciente. Isto é assim devido ao fato de a estrutura ter se desenvolvido como defesa
contra colapsos. A resistência que o paciente opõe é insuperável, a menos que se compreenda o medo
que a motiva. (Colapso seria como um surto psicótico – um medo da desorganização, da perturbação, da
insanidade)
CARATER
Refere-se ao modo habitual ou característico de ser e se comportar das pessoas e é determinado nos
primeiros anos da infância. Se conhecermos a estrutura de caráter de uma pessoa podemos predizer seu
destino.
Reich descreveu o caráter como um processo de formação da couraça a nível do ego, que tinha a função
de protege-lo dos perigos interno (impulsos inaceitáveis) e dos perigos externos (ameaças de punição
dos pais e outras figuras de autoridade). Posteriormente estendeu o conceito de couraça para o domínio
somático – tensões musculares e rigidez física, por meio do qual impulsos perigosos são suprimidos. O
que ocorre num domínio (psicológico) se comunica com o outro (soma).
O caráter se forma como resultado do conflito entre a natureza e a cultura, entre as necessidades
instintivas da crianças e a exigência da cultura, agindo através dos pais. Fazem exigências a criança em
termos de atitude e comportamentos cujo objetivo é encaixá-la na família e na matriz social. A criança
resiste às exigências porque constituem uma domesticação a sua natureza animal. Portanto, a criança
deve ser violada para que se adapta a cultura e se torne elemento integrante do sistema, fazendo-a
sentir medo da vida. O aspecto central do processo de adaptação cultural é o controle da sexualidade…
não há cultura que não imponha alguma forma de restrição sexual.
A repressão cristaliza o caráter numa estrutura – o processo de couraça muscular é por um lado o
resultado do conflito sexual infantil e a forma de soluciona-lo – não só a repressão afasta da consciência
toda lembrança desta situação edípica. Como soterra praticamente todos os eventos da primeira
infância.
Quando crianças aprendemos desde cedo que ficarmos quietos e sermos bons garante um pouco de
amor. Se formos barulhentos e ativos demais, seremos desaprovados, punidos ou ameaçados com a
retirada do afeto. Nossos pais não conseguem suportar nossa vitalidade. Leva-os a loucura. Aprendemos
assim a dosar a excitação no nosso organismo e desenvolvemos nosso caráter de acordo com isto.
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Pouca excitação é tédio, depressão, morte – muita excitação inunda o organismo e nos deixa inquietos,
amedrontados, pois inunda o limites e muitos não suportam.
O bebê não pode suportar que a pessoa que lhe proporciona prazer seja a mesma que lhe causa dor –
faz uma cisão da imagem da mãe em duas figuras, a mãe boa e a mãe má e esta cisão inicial persiste na
mente inconsciente da pessoa. (Ilusão romântica do início de relacionamento – projeção da mãe boa e
depois confronto com a mãe má)
Como a armadura de um cavaleiro medieval, a couraça é como um escudo protetor ou concha em torno
da pessoa. É idêntica a totalidade das tensões musculares. Em sua totalidade constitui a estrutura do
caráter. Sair para fora do caráter é como nascer. Para o indivíduo é um passo assustador e
aparentemente perigoso. Quebrar a concha equivale a morrer. Viver dentro dela parece garantir a
sobrevivência, mesmo se ela representar uma severa limitação ao ser da pessoa. Ficar dentro da concha
e sofrer parece mais seguro do que arriscar um confronto com a morte, em busca da liberdade e do
jubilo. Esta posição não é conscientemente escolhida. É uma atitude que deriva de uma lição
amargamente aprendida no passado e que não é fácil de esquecer. A concha também é uma prisão.
Simbolicamente ela simboliza o útero e tem um bebê desemparado lá dentro que deve se resguardar do
mundo cruel. Mas existe outro lado da metáfora. A concha também pode ser concebida como uma
tumba. A situação é trágica; Romper a concha é arriscar a morte, mas ficar lá dentro é uma morte viva
que inevitavelmente se torna uma morte verdadeira e concreta.
COMPLEXO DE EDIPO
A Lenda pág. 30
Freud observou: o precoce desabrochar da sexualidade infantil está fadado a ter seu fim porque seus
desejos são incompatíveis com a realidade e com o estágio inadequado de desenvolvimento que a
criança atingiu. Esse desabrochar perece nas circunstâncias mais perturbadoras, sendo acompanhado
pelas sensações e sentimentos os mais dolorosos. As circunstancias perturbadoras são a ameaça de
retirada de amor e a ameaça de castração. Os sentimentos dolorosos são o medo e a tristeza. Em
resultado, a criança suprime suas sensações sexuais pelo genitor do sexo oposto, mas isto não é o
mesmo que o termino natural da sexualidade infantil. A sexualidade infantil chegaria a sua resolução
natural se não sofresse interferências. A criança passa para o mundo exterior, com aproximadamente 6
anos de idade e forma vínculo eróticos com seus iguais. Freud concordava que os desejos da criança são
irreais. Realidade e crescimento normal distanciam a criança de seu envolvimento incestuoso com os
pais, A supressão, sob ameaça de castração ou as confusões e carências e processos sedutores dos pais
com os filhos, resultam em traumas, bloqueios e neuroses.
Pág. 71 , 72– O que existe na situação edipiana que a torna tão medonha?
Nem todas crianças são afetadas pelo complexo de édipo da mesma forma – muito depende do
relacionamentos dos pais, do amor e respeito entre eles, da sua sexualidade. Contudo, poucos casais na
nossa cultura não se encontram presos pela busca do sucesso, pelas suas próprias ansiedades sexuais e
CE não resolvido. O sucesso e poder são as respostas da nossa cultura ao CE. Garante que a pessoa será
admirada, respeitada. Promete amor pela satisfação das exigências dos pais e proclama a superioridade
do filho sobre o pai. Pela mesma razão o sucesso evoca a ameaça de castração. A admiração suscita
inveja. O poder conduz ao medo, ao temor. A vitória traz o medo de ser devorado que se sentiu um dia,
pelo pai.
A criança, como o primitivo, vive numa condição de inocência e pureza. E, semelhante a ele, perde sua
pureza violando um tabu: o tabu contra sensações incestuosas por um dos genitores. A criança é levada
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a sentir-se culpada por nutris tais sensações e também a hostilidade pelo genitor do mesmo sexo. Não
lhe resta outra alternativa a não ser suprimir todas essas vivências, repudiá-las. Mas as sensações que
são suprimidas continua, a existir no inconsciente, na qualidade de forças alienígenas. Pode-se, por isso,
falar deste impulsos reprimidos como maus espíritos. E quando nos damos conta de que a sensação
sexual da criança sofre ainda outra contaminação na forma da percepção da sexualidade adulta, filtrada
pelo comportamento sedutor do pai ou da mãe, não fica difícil compreender o vínculo entre
contaminação-culpa e a perda da inocência pureza.
COMPLEXO DE EDIPO NAS MULHERES – as meninas se submetem aos mesmos conflitos que o menino.
Ela faz parte de um triangulo que inclui seus pais e no qual é o objeto de interesse de seu pai, da mesma
forma que de ciúmes e hostilidade pela mãe. A castração resultante é tanto psicológica quanto
fisiológica. No primeiro nível, vem como uma sensação de culpa e vergonha a respeito das sensações
sexuais. No segundo, consiste em tensões musculares da região pélvica que reduzem a quantidade de
sensação sexual. A castração consiste na interrupção do vínculo entre o ego e a sexualidade, entre a
pelve e a metade superior do corpo, e na perda da vitalidade e da mobilidade pélvicas.
O caráter e o destino de um indivíduo são determinados por todas suas experiências. Contudo, aquelas
vividas durante a infância, desde o comento da concepção até o final do período edipiano, perto dos
seis e sete anos são as mais importantes porque a personalidade, durantes esses anos iniciais da vida, é
mais impressionável. A maneira pela qual se vive a fase oral e se resolve posteriormente o conflito
edipiano determina em grande parte a natureza do caráter da pessoa. Na verdade a qualidade das
experiências na fase oral impacta na forma como será vivido o complexo de édipo
Não é tanto o que os pais fazem que conta, mas quem eles são. Pais saudáveis sexualmente, num bom
relacionamento homem e mulher tendem a criar filhos também saudáveis em relação a sua sexualidade.
Fato é que muitos pais respondem com suas próprias carências e desejos sexuais ao interesse dos filhos.
O flerte entre pai e filho é excitante para o adulto e, não obstante parece destituído de consequências
sérias. O ego imaturo do adulto fica inflado diante do olhar de admiração e busca do filho. São pais
carentes oral e sexualmente, castrados quando crianças, e por isso necessitados deste apoio. Neste
sentido, muitos pais se voltam para filha numa afirmação de sua masculinidade, coisa que não obtém
junto a esposa. A esposa passa a posição de ser depreciada e detratora, contra a qual pai e filha forma
um pacto pecaminoso. Isto aumenta o desprezo pelo marido e hostilidade pela filha.
No processo inverso a mulher ignorado pelo marido, amedrontada em relação a sua sexualidade,
incapaz de usufruir de um orgasmo total, volta-se para o filho numa tentativa de afirmar sua
feminilidade. Como pode o menino resistir-lhe? Com ele ela age como uma menininha, de novo,
coquete, brincalhona, gozadora, sedutora etc. O pai fica furioso e despeitado. Ele sente a esposa frígida
com ele, mas a vê atuando de forma erótica com o filho. Porque ele não dirige sua fúria a ela? Não pode
porque se vê parcialmente responsável em sua virilidade pela frieza sexual da esposa.
Os pais que não resolver seus conflitos sexuais, sua imaturidade e ansiedades nesta área irão atuar nos
filhos e estes não serão poupados do seu mesmo destino…sofrerá da impotência e frigidez sexual e
viverá um casamento confuso e complexo como o dos pais.
DIFERENÇA ENTRE SUPRESSÃO E REPRESSÃO
A repressão de uma lembrança é um processo psicológico
A supressão de uma sensação é realizada pelo falecimento de uma parte do corpo ou pela redução de
sua mobilidade, de tal sorte que as sensações ficam reduzidas. – ela desencadeia uma tensão muscular
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crônica naquelas áreas do corpo em que a sensação foi experimentada. No caso de sensações sexuais,
está tensão será encontrada no abdômen e na pelve e em torno destas áreas.
Um dos resultados da repressão é fixar parte da personalidade no conflito reprimido e cria uma
compulsão inconsciente para atuar o desejo suprimido.
Se as sensações sexuais em relação aos pais foram suprimidas e as lembranças reprimidas – o desejo
pode permanecer fixado no objeto original de amor e só pode ser transferido para alguém que
apresente traços e características similares com os pais. Esta é a razão básica de homens e mulheres
terem a tendências de buscar seus pais nas suas relações.
A repressão cristaliza o caráter numa estrutura. O processo da couraça muscular é, por um lado, um
resultado do conflito sexual infantil e a forma de solucioná-lo. Não só a repressão afasta da consciência
toda lembrança da situação edípica, coo ainda soterra com ela praticamente todos os eventos da
primeira infância.
Tensões orais localizam-se na parte de cima do corpo: lábios, boca, maxilar, garganta, peito, ombros e
braços (espasticidades musculares crônicas nestas áreas limitam a capacidade da pessoa para se abrir
e ir em busca de amor- a incapacidade de ir em busca de algo é uma importante manifestação do
medo da vida)
Tensões sexuais localizam-se na pelve e em torno da mesma, também na forma de músculos
espásticos que restringem os movimentos involuntários naturais da pelve, reduzindo a capacidade da
pessoa para tolerar e conter a excitação sexual)
DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE
MÃE
O Ser origina-se no sexo. Um bebê é sexual, sem consciência de sê-lo, por intermédio do erotismo de
sua boa e pele. Depois, à medida que a criança se desenvolve, torna-se consciente de sua sexualidade
durante o período edipiano. Essa sexualidade é muito inocente, parte integrante da natureza animal da
criança, parte integrante do seu ser. E, como todos nós sabemos, a criança é muito curiosa a respeito de
coisas sexuais. Contudo, essa inocência não dura muito em nossa cultura. A criança é ameaçada por
causa de masturbação infantil, humilhada por se proteger, punida por espionar e fazer brincadeiras
sexuais. Uma vez que sensações e impulsos sexuais são tão integrantes de seu ser, a criança sente-se
culpada e má, em seu próprio cerne.
Sexualidade infantil refere-se a todas as manifestações sexuais do nascimento até a idade de 6 a 7 anos,
em média. O prazer erótico de um bebê com a amamentação ou chupando o dedo é considerado de
natureza sexual. Entre os 3 a 5 anos a criança começa a focalizar os genitais. A diferença entre a
sexualidade da criança e do adultos é que faltam a primeira os elementos da penetração e ejaculação e
o desejo não é direcionado a prática sexual. A sexualidade infantil portanto é um fenômeno superficial,
referindo-se mais a excitação e menos a descargas. Contudo as sensações e sentimentos associados a
sexualidade infantil dificilmente pode ser distinguidos dos que estão relacionados a forma adulta.
Útero – símbolo do paraíso – todas as necessidades são satisfeitas, o conforto é assegurado – fusão com
ela. Sensação de completude. A vida cresce, amadurece sem esforço algum – tudo é fornecido por ela.
Nascimento – ejeção e expulsão do paraíso - mundo hostil e a vida depende de seus próprios esforços –
luta para sobreviver. Existe dor e prazer – prazer´ (contato com ela) Dor (separação dela).
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O retorno para a mãe é a alegria e sensação do paraíso perdido – o contato corporal, a proximidade de
seu corpo, o calor, a amamentação (como um orgasmo para a criança – expressão de satisfação muito
parecida com o gozo adulto)
Amamentação insuficiente - antigamente
Após 3 anos – a mãe é vista sob nova luz – encantadora, sedutora – excitação e adoração pela figura dos
pais – a fantasia é de ser casada com um dos dois – prazer no contato corporal, em sentir o calor de seus
corpos, estar na sua cama, ser por eles tocados.
Após 8 anos – desistimos de nossos pais como objetos sexuais, de prazer, à medida que nos deslocamos
para o mundo externo. A escola, o brincar, os amigos vão surgindo e ganhando espaço e crescemos.
Adolescência – feitiço por outra pessoa – satisfeito é o céu, insatisfeito é o inferno
FRACASSO QUE ANGARIAMOS NO AMOR
1. Fracasso no relacionamento amoroso com a mãe no nível oral (dor e rejeição do desejo
insatisfeito – desmame precoce é sentido como um abandono e rejeição – sensação de
desemparo)
2. Complexo de Édipo – apaixonamento pela figura do genitor do sexo oposto (já vem com a
herança dos desejos insatisfeito da fase oral anterior e se torna mais intenso – esse
relacionamento também está fadado a terminar em dor e nos sentimos traídos – muitos se
trancam nesta fase as relações – desenvolve medo de amar, de se entregar)
Sentimos nossa primeira rejeição a nível oral, quando o amor e o apoio de nossa mãe são retirados
porque ela talvez não tenha mais nada a dar, nesse sentido. Talvez tenha ocorrido quando fomos
desmamados depois de um período muito curto de amamentação. Pode ter sido causado pelo
nascimento de outra criança. Ficamos terrivelmente magoados, choramos, mas vamos em frente.
Chance número um. O segundo golpe ocorreu durante o período edipiano, a nível genital. Somos
rejeitados por causa de nossa sexualidade e nosso coração é mais uma vez partido. Só temos mais uma
chance de sobra, mas não ousamos usá-la. Temos que nos proteger a nós mesmos e a nossos corações
bloqueando-os dentro de uma caixa fechada ou gaiola (o tórax). Não abriremos mais nosso coração para
o mundo e acreditamos que isso garantirá nossa sobrevivência. Mas, com nossa própria defesa
convidamos a rejeição que finalmente partirá nosso coração, chance número três.
A amamentação satisfaz todas as necessidades orais da criança, provendo-a de alimento, amor, apoio,
excitação e proteção. Também realiza a necessidade fisiológica de sucção do bebê. Sugar o seio estimula
a respiração do bebê e promove a respiração profunda, que preenche o baixo ventre de energia e
sensações. Fornece o contato físico com a mãe, experiência essencial para o desenvolvimento de sua
capacidade de sentir o próprio corpo.
Na nossa cultura a maioria dos seres é carente oralmente…existe uma vazio em seus corpos e em suas
personalidades.
Um aspecto dominante das pessoas com carência oral é o medo de ficar sozinho ou ser abandonado.
Desejos e privações orais são transferidos para as funções genitais. A vagina se torna uma boca no
sentido de ingestão de alimentos. O desejo oral procura a continua proximidade, abomina a separação.
E embora agradável a proximidade sexual com o outro, a potência orgástica encontra-se diminuída, não
é satisfatória, completa. Permanece o vazio interior e a pessoa vê-se forçada a repetir mais e mais,
buscar mais e mais a experiência para suprir uma carência oral.
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A privação oral de uma criança provoca uma intensificação do conflito edipiano. A criança carente se
volta para o genitor do sexo oposto com mais interesse buscando também a satisfação de suas
necessidades orais. O desejo de proximidade com o genitor tem uma dupla motivação: oral e sexual. A
primeira é mais forte pois que está relacionada a sobrevivência, a uma necessidade de obter calor e
apoio.
O perigo de incesto é irreal antes da puberdade – as atividades sexuais da criança não são diferente das
atividades lúdicas. A forma como os pais lidam com isto é que criam o trauma – ao revestir de um perigo
real o que é lúdico para as crianças transformam as fantasias e sensações em algo temido e assustador.
Os pais com frequência rejeitam as primeiras experiências e descobertas da criança em relação a
sexualidade. Ameaçam com olhares e tons de voz, hostilidade e agressão.
O problema edipiano se torna mais complexo quando os pais respondem emocionalmente a sexualidade
dos filhos, se tornam despertos, envaidecidos e excitados pelo interesse dos filhos. São sedutores e dão
gratificações e incentivo a fantasia infantil. Colocam a criança como fonte de interesse e foco, em
detrimento do parceiro, despertando sua hostilidade pelo filho e acentuando seu medo da retaliação
CORAGEM DE SER
São poucas pessoas em nossa cultura que tem coragem de SER. A maioria adota máscaras e
desempenha papéis – não conhecem nem acreditam naquilo que é genuíno em si mesmas. Estão
permeadas pelo que viveram na infância: não faça cara triste – ponha um sorriso no rosto, cumprimente
todo mundo – seja amável – ombros pra trás, peito para frente – engole o choro etc.
Nossos corpos e ações são moldados pela força social e familiar para tentar agradar e receber assim
afeto e amor.
Desistimos de sequer conhecer nossa natureza, nos conformamos e assim estamos destinados a
rejeição, pois já rejeitamos a nós mesmo. Ficamos prisioneiros de um círculo vicioso, estreitando nossa
vida e nosso ser.
PORQUE NÃO DESISTIMOS DO PAPEL, NÃO INTERROMPEMOS O JOGO E DEIXAMOS O DISFARCE CAIR DE
LADO, ARRANCANDO A MÁSCARA?
Por que isto se tornou parte de nosso ser. Esta é natureza que conhecemos – a natureza original é
estranha, assustadora, desconhecida. Não conseguimos conceber ser outra coisa. Tememos nossa
natureza – que ela seja inadequada, inaceitável. O que fazemos é continuar suprimindo sensações e
sentimentos genuínos em detrimentos de sermos aquilo que cremos ser esperado de nós.
QUE ASPECTOS EU OCULTO QUE SÃO POR DEMAIS AMEAÇADORES E DOLOROSOS QUE NÃO PODEM SER
VISTO E CONFRONTADOS?
A maioria das pessoas não sente o esforço ou a carga energética do papel que desempenham, o que
efetivamente sentem é fadiga crônica, irritabilidade e frustração
Quanta arrogância pensar que eu posso quanto vejo à minha volta que nenhum de nós pode.
EX: Existem papéis que as pessoas desempenham para encobrir a realidade do que sentem Um homem
sempre sorridente, simpático, bem humorado. Nunca se zanga. Pode encobrir alguém amargurado,
cheio de rancor e ódio que não ousa admitir ou demonstrar. Alguns homens tomam uma expressão
muito dura para encobrir sua fragilidade, suas qualidades sensíveis ou infantis. Até mesmo o fracasso
pode ser um papel para encobrir a sensação de superioridade. (Tentativa de não trazer para si a ira do
pai – de não superara-lo)
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Diferença entre o papel social e o papel neurótico – o papel neurótico tem a intenção de ocultar algo,
defesa contra o que sente e seu ser real.
Com a perda da autenticidade perdermos a sensação de SER, de existir, a possibilidade de satisfação e
plenitude.
Quanto mais se luta contra o destino maior o cansaço que se sente...até que ele se torne mortal e você
se renda ao desespero e aceite seu destino. A pessoa fica amarrada a seu passado se a sensação e
lembrança estiverem reprimidas.
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FORMAS DE AUTOEXPRESSÃO E DE DESCARREGAR ENERGIA


Chorar é o mecanismo mais primitivo que o corpo tem de aliviar a tensão e a dor.
Chutar é outra forma de protesto que mobiliza o corpo e solta a raiva, a indignação
Gritar é outra forma de liberar as tensões e de grande descarga (a voz é uma das principais via de auto
expressão e reflete a ressonância do ser interior – fomos condicionados a bloqueios na expressão oral,
carregando tensões e couraças nesta área. Gritar é libertador!!! Uma explosão de energia.
Orgasmo –quando o ego se rende, abaixa os controles, e o corpo assume o comando, no momento do
orgasmo, não existe nem um eu observador, nem uma função genital em separado. O si mesmo (self) é
vivenciado em sua unidade e totalidade, como ser completo. Orgasmo - Uma convulsão corporal total,
vivida com a sensação de satisfação, completude. Descarrega toda excitação e tensão excedente,
levando a um completo relaxamento e sensação de comunhão com o cosmo. A capacidade para total
descarga de potência orgástica está bloqueada na maioria das pessoas – é rara em nossa cultura, cuja
sexualidade é limitada a genitália.
NO momento do orgasmo existe um obnubilamento da consciência e uma perda dos limites egóicos.
Um pulsar em que se parece em perfeita comunhão com tudo que existe…desaparece a sensação do eu
- o ego morre (le Petit mort) – MEDO DE PERDER O CONTROLE
Sexualidade é a chave do ser e da personalidade – qualquer tensão nesta área compromete toda a
dinâmica do corpo.
Sexualidade é diferente de atividade sexual – a primeira refere-se a sentir – a segunda ao fazer o ato
sexual. As sensações sexuais podem ser muito ameaçadoras porque estão associadas ao medo da
castração.
Gritar ou ter um orgasmo ou uma crise de raiva ou um choro pode equivaler a uma explosão de
barreiras, de estouro e transcendência.
Se desmanchar em lágrimas
TER E POSSE RESTRINGINDO A LIBERDADE Pág. 96
Somos possuído por nossos posses. – o modo possessivo restringe nossa liberdade e nossa capacidade
de ser.
As fazes fazer é não deixar ser ou estar. (Deixa estar). O homem não se contenta apenas em ser; ele tem
que fazer alguma coisa, alcançar um objetivo, criar algo.
A saúde emocional só pode ser atingida com a tomada de consciência de si mesmo e com auto
aceitação.
A CURA PARA A NEUROSE ESTÁ NA ENTREGA, NA RENDIÇÃO

 Entrar em contato com os sentimentos e sensações suprimidas


 Entender a raiz e dinâmica do que sente
 Gritar, morder, chutar, chorar, vomitar – expressões
 Com apoio terapêutico perceber que pode expressar isto e vai sobreviver – pode se entregar ao
desespero e o resultado será alivio
 Ao dar vazão ao desespero as couraças se dissolvem
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Aceitar o desespero requer mais do que uma declaração nesse sentido. A aceitação significa que a
pessoa não faz esforço para lutar contra o desespero. Se ela o aceita e se entrega a ele completamente,
chora. Chorar é um sinal de aceitação. O desespero pode ser definido como um buraco aparentemente
sem fundo, de tristeza e mágoa. A pessoa sente que se entregar a fundo a este buraco, se afogará em
suas mágoas. Para impedir de se entregar ela emprega toda sua força, vitalidade até esmorecer e ficar
tão exausta que se deprime.
Depois se se entregar ao desespero há a possibilidade de se compreender a origem desta sensação.
Talvez consiga correlacionar seu desespero à sua vivencia de criança, de não ter ninguém que
respondesse aos seus anseios, com amor, a sua dor, com conforto; pode ter se sentido terrivelmente
solitário, com uma profunda sensação de abandono. Pode até ter dito a si mesmo: desista! Não adianta
lutar pelo amor deles. Eles não ligam. Mas nenhuma criança pode aceitar uma situação desta sem
esperança e sobreviver. Ela precisa negar o desespero, deve acreditar que o amor é possível, que poderá
consegui-lo e se esforçar mais para ser boa, para ser quem eles esperaram e gostaria que ela fosse. Deve
criar uma ilusão de que é realmente amada, mas que o amor está sendo retirado porque está fazendo
algo errado, alguma coisa suja. Não tem outra escolha a não ser dedicar sua energia a realização do que
lhe é exigido na tentativa de provar que é digna de amor.
O desespero se encontra frequentemente associado ao medo da morte
Se pudéssemos aceitar o fato de aquilo que nos amedrontava ter acontecido no passado, não
necessitaríamos repeti-lo. Naquela ocasião éramos crianças, totalmente dependentes de nossos pais
para o amor, a intimidade. O contato humano e a validação. Nossas próprias vidas dependiam deles.
Agora somos adultos, independentes no sentido de podermos nos deslocar e escolher aqueles com
quem compartilharemos do amor, da intimidade, do prazer. Se abrirmos nosso coração, poderemos ser
magoados, mas nosso coração não se partirá. Um coração partido é causado pela sensação de traição.
Na qualidade de adultos, não podemos ser traídos a menos que sejamos ingênuos. Se somos ingênuos,
traímos a nós mesmos, negando nosso passado.
Toda experiência de regressão leva a pessoa a entrar em contato com alguma experiência traumática do
passado que ameaçou sua sanidade ou a sua vida e a forçou a criar estruturas defensivas para
sobreviver emocionalmente e proteger-se de seus próprios impulso.
MEDO
TENSÃO É MEDO.
Todas as tensões servem ao propósito de bloquear impulsos, cuja manifestação é por demais dolorosa
A supressão dos impulsos de sucção significa que a pessoa não pode realizar um forte esforço
inspiratório, feito quando se suga o ar. Incapaz de inalar profundamente o ar, a pessoa não pode exalá-
lo por completo na expiração ou em sons (choro e grito). As tensões aparecem nos ombros e peito,
inibem os impulso de ir em busca de algo devido ao medo e à dor da rejeição.
De não ser amado – de ser desagradável, de expressar ativamente o amor, de impor respeito. Medo da
postura hostil das pessoas, de nos mostrar agressivos.
Pode ser que nos tornemos contra fóbicos ou exageradamente agressivos, para ocultar nossos medos.
Mas independente de nos retrairmos ou agredirmos desmesuradamente, nossos corpos revelam nossos
medos.
No estado retraído o corpo fica encolhido, contraído, para dentro. No estado agressivo fica duro e tenso.
Ambas posições são defensivas e conduzem ao medo. Enquanto nos mantivermos defensivos iremos
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sentir medo. Embora seja verdade que a atitude defensiva desenvolveu-se em resposta a experiências
precoces da vida é a continua manutenção da defesa que causa nosso temer atual. Enquanto o corpo
não for liberado de sua postura defensiva, representada por músculos cronicamente tensos e
contraídos, não poderemos falar da superação dos medos.
Nossa raiva é proporcional ao nosso medo, a nossa dor, a perda de si mesmo. Podemos trancafiar nossa
raiva em nosso maxilar, nos ombros, costas e pernas, em todos os músculos que conseguem expressar
nossa raiva. A alternativa é abrir por completo e expressar os sentimentos e sensações suprimidas, num
andamento progressivo, até que o corpo se livre de toda tensão possível.
Da mesma forma que a serpente troca de pele, o caranguejo sai da casca, em seus processos de
crescimento, nos humanos devemos romper as velhas estruturas se quisermos crescer. Durante esta
transição o organismo está vulnerável, existe o risco, mas todos os organismos aceitam o risco na
natureza dos processos vivos. Por que nos amedrontamos tanto?
Winniccot O medo de um colapso é o medo de um colapso já vivido. É um fato que tem sido carregado o
tempo todo oculto, no inconsciente. Gato escaldado tem medo de agua fria. Uma criança não tem medo
do fogão quente até se queimar. Se a experiência do parto foi traumática, no sentido de ter havido
alguma ameaça a vida da criança, então qualquer situação que suscite nascimento ou emergência à luz
será vivida com terror. Tranca-se a porta da estrebaria depois que o cavalo fugiu, antes não. Não se
arma uma defesa contra um perigo inconcebível. É importante percebeu que já aconteceu o colapso,
que sua defesa é tanto uma negação deste fato quanto uma proteção contra um futuro colapso.
Temos medo de regredir emocionalmente ao período infantil pois a sensação de desproteção é por
demais ameaçadora. Foi uma época de ameaça a nossa sobrevivência, de sofrimento. Embora estas
experiências atuem inconscientemente na sua vida a pessoa não está disposta a revive-las
conscientemente.
Mas se nenhuma criança que tenha encostado o dedo no fogão quente repete a experiência, porque o
homem repete sistematicamente os mesmos traumas. Tudo o que foi soterrado no inconsciente será
projetado, cedo ou tarde. É uma forma de se liberar da carga que aquele núcleo contém e organizar a
experiência.
Na neurose você reduz a excitação para se proteger – paralisa a sensação, reduz o ser para se proteger.
Se não houver um movimento para romper as estruturas, um ponto que leve ao colapso, este
rompimento poderá ser através de uma doença somática ou mental.
Ponto e contraponto – se tem um lado tentando paralisar a vida – regressão – tem uma força de
progressão tentando expandir. Isto pode levar a um círculo vicioso, no qual todo esforço para expansão
sofre oposição e resistência de um aumento da estrutura defensiva.
ESTAR PLENAMENTE VIVO É PERMITIR AO SI MESMO SER LEVADO DE ROLDÃO POR UMA INUNDAÇÃO
DE SENSAÇÕES E SENTIMENTOS.
Pág. 149 – ego saudável e limite do rio para ser inundado e voltar
Erguem-se defesas somente quando se sente medo. Os neuróticos podem se esconder por detrás de um
ego aparentemente seguro e estável e afirmar não ter medo da insanidade, justificar posturas.
Comportamentos por demais racionais ou por demais controlados levam a suspeita de estarem
encobrindo um medo subjacente da insanidade. A pessoa não pode se entregar plena e livremente a
suas sensações e sentimentos e, por isso, sofre uma severa limitação. Neste caso, tem que se encorajar
o paciente a agir feito um louco, significando soltar a cabeça ou perder o juízo.
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Todas as defesas psicológicas são meios de sobrevivência; tornam-se defesas neuróticas porque
permanecem ativas além de seu momento de utilidade original.
MEDO DE VIVER E MEDO DE MORRER
O neurótico tem tanto medo de viver quanto de morrer.
A terapia não pode erradicar o passado, mas lida com seus efeitos no presente.
Toda tensão é literalmente uma contenção para salvar a própria pele – é parte de um padrão total que
constitui o a estrutura de caráter, cuja objetivo é a sobrevivência da pessoa. Dar um passo fora dos
limites deste caráter é por demais ameaçador. A sensação é de perda da identidade, de um
momentâneo não ser e de morte. Mas a morte também é a saída das armadilhas, das lutas, da dor de
viver.
O medo da morte é proporcional ao medo que a pessoa tem de viver
A inibição da vida é a morte. Toda tensão crônica no corpo é um medo da vida, um medo de soltar, um
medo de ser.
O medo da morte é um dos atalhos que devemos percorrer em nossa jornada de volta a meninice e à
infância. Devemos confrontar em nós o medo da morte e reconhecer que o mesmo decorre de um
medo desejo de morrer (pois a vida está dolorosa demais), Este desejo, por sua vez, decorre de uma luta
em que todos nós nos engajamos para provarmos que somos dignos de amor, para superarmos nossa
vulnerabilidade e para negarmos nosso medo. Estes, porém, são objetivos que jamais serão atingidos e,
na realidade, não há mesmo necessidade de se os atingir, Podemos nos permitir desistir da luta. E na
verdade, se não o fizermos, encontrar-nos-emos na situação de Frank: forçando-nos a tal ponto que a
morte pareça ser a única saída. Desistir da luta afasta o desejo de morrer e elimina esse medo. Abre a
porta a um viver mais pleno.
Se temos medo de ser, ou medo da vida, podemos mascarar este medo aumentando nosso fazer. E
podemos até nos ludibriar, acreditando que fazer é ser e viver.
Se temermos ser avassalados por nossas sensações e sentimentos, procuraremos suprimi-las. Quanto
maior o medo maior a supressão. Mas a supressão de sensações e excitação é a morte, uma morte do
corpo por congelamento. Assustamo-nos igualmente com isto
MEDO DO SUCESSO
Situação edipiana – naturalmente o menino ou menina entra em uma luta competitiva com o genitor do
mesmo sexo – mas por exemplo quando a mãe se sente numa posição inferior ao do parceiro e usa o
filho para provar que ele é melhor que o pai, para se vingar por ela, esperando um maior destaque dele
teremos uma acentuação do conflito. Por causa da cultura o pai deve aplaudir o sucesso do filho, deseja-
lo, mas internamente se ressente da derrota implica, do filho ter provado ser um melhor macho que ele.
Implica em sentir-se traído. A criança tem sensibilidade para os estados interiores dos pais e teme seus
conflitos e reações.
O filho vive a ambivalência e conflito das mensagens subliminares e inconscientes. Falhar significa
desagradar a mãe – ir além do pai, significa destrona-lo e seu afastamento e seu casamento com a mãe.
Sente que a mãe o possuiria e perderia sua independência.
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MEDO DO SEXO
Tanto a vida quanto o sexo tem aspectos assustadores. São imprevisíveis e estão além do controle,
sendo de natureza explosiva. O orgasmo começa num fluxo e termina numa explosão. É como estar num
galope e subitamente ser lançado da sela no espaço.
A pessoa sente que controlando a atividade sexual controla a vida. Tem medo da qualidade ebuliente e
explosiva. Muitas pessoas brincam com o sexo de maneiras eróticas e sensuais, mas morrem de medo
de explodir num orgasmo...sente o medo de ansiedade do orgasmo. O intimo vinculo psicológico entre
morte e sexo é o símbolo da esfera da caverna que representam tanto o útero quanto o tumulo. A
maioria das pessoas não sente o medo da morte quando se aproxima o orgasmo, porque
inconscientemente refreia a descarga só lhe permitindo que seja parcial. A descarga total é bloqueada
por meio de tensões da pelve. Estas ansiedades estão relacionadas ao medo da castração e ao medo da
morte.
Algumas pessoas ao se aproximarem do orgasmo sentem a excitação esvanecer, escoar pelo ralo ou
ainda sentem um congelar logo antes do clima.
No sexo repete-se o eterno ciclo de nascimento, morte e renascimento
Nem toda atividade sexual conduz a uma descarga orgástica – pode-se ter caricias agradáveis, ir até um
ponto de excitação, mas sem a descarga e o êxtase que o sexo pode oferecer.
No passado vivia-se sob rígido código moral que restringia e inibia a expressão natural da sexualidade.
Na atualidade comercializamos o sexo friamente, impedindo um acúmulo de excitação até aquele ponto
em que ocorre a explosão. O sexo tornou-se produção e não uma experiência criativa, de vida.
MEDO DA INSANIDADE
A insanidade representa uma ameaça tão grande quanto a morte. É uma espécie de morte, onde se fica
perdido num estado psicótico. Este medo surge quando e ego é inundado ou tomado de assalto pela
excitação ou pelas sensações. Contudo, sem isto não há expansão do ser.
Ficar louco significa perder o juízo, a cabeça. A desorientação se instala toda vez que a mente é
inundada por uma gama muito intensa de sentimentos e sensações. As duas sensações que mais
ameaçam a personalidade são a raiva e o sexo porque ambas estão intimamente ligadas ao medo e à
culpa. A medida que a sensação irrompe sem controle através das barreiras defensivas, a mente tem
suas bases na realidade literalmente varridas – a pessoa se sente confusa, desorientada
momentaneamente. Dependendo da estrutura da pessoa, ela pode ter dificuldade de retornar deste
estado.
Surto de raiva, surto de desejo – surto psicótico
Crianças podem ser levadas à beira da loucura por pais que sejam ao mesmo tempo sexualmente
sedutores e rejeitadores – trata-se de um típica situação duplo-vinculo. As mensagens ambíguas são
suficientes para levar alguém a loucura.
A ideia de que se queremos ficar sãos devemos nos entregar a loucura não é nova.
Chamamos de sanidade muitos comportamentos insanos da atualidade. O estado considerado normal,
ajustado, frequentemente são os estados do caráter neurótico, que suprime e reduz a vida, o sentir, o
êxtase, as sensações.
O que é sanidade? Uma meia vida ou ser um vivo- morto?
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No psicótico rompeu-se todas as couraças e ele foi inundado por profundas experiências sem conseguir
processa-las. Incapaz de bloquear a excitação ou reduzi-la, ele não tolera a carga e fica louco
No neurótico temo um rígido processo de encouraçamento, rigidez e controle. Evita a insanidade
bloqueando a excitação, reduzindo-a a um ponto em que não há perigo de explosão ou irrupção. Na
verdade sofre uma castração psicológica. Contudo, o potencial para a descarga ainda está presente em
seu corpo, apesar de rigidamente protegido, como se se tratasse de uma bomba
O neurótico está em guarda contra si mesmo, aterrorizado para relaxar suas defesas e permitir livre
transito a suas sensações. Ele se tornar, um normótico – homem normal, ajustado, tendo barganhado
sua liberdade e seu êxtase.
Sem ficar louco, sem se tornar pirado e tão enfurecido que chegue a querer matar alguém, tão triste e
desesperançado que beire ao desespero e insanidade. Não é possível abandonar as defesas que o
protegem e se libertar.
Principalmente nos músculos do pescoço encontraremos o refrear da entrega, do abandono as
sensações, do medo de ficar louco, de perder a cabeça.
Winniccot acredita que o medo da morte como o medo da insanidade deriva de uma morte que
aconteceu mas que não foi experimentada. Um morte que ocorreu com a psique e não com o corpo –
uma sensação de morte. Algo ocorreu com ele mas ele não era maduro o suficiente para experimentar,
compreender e naquele momento foi sentido como aniquilamento. O auto enxerga no desejo de morrer
uma necessidade traumática de lembrar de ter morrido. Deve experimentar o trauma original (morte
psíquica) como se estivesse acontecendo no presente. A pessoa não morreu lá na ocasião e não morrerá
agora, mas fica de frente a sensação da morte, vive a sensação de que poderia morrer e fica
aterrorizada.
PERDAS – ABCESSOS NA PERSONALIDADE
As crianças não podem prantear adequadamente uma perda. Uma perda de grande teor como a morte
de um genitor, uma separação ou forte rejeição parental pode ser devastadora, uma ferida de tal
extensão que nunca sara e ficam enterradas no corpo e podemos chama-la de abcessos na
personalidade. A criança só consegue reagir negando a perda e vivendo a fantasia de que situação irá se
recompor – o genitor retornará, com amor.
Um trauma assim fica encapsulado na personalidade como abcesso crônico e um evento que toque a
ferida resulta tanto numa dor nova quanto velha. Parece obra do destino! Este tipo de vivência afeta o
corpo (falta de vitalidade, olhos tristes, sem vida, ombro caídos, peito derrubado) e quando é aberta
manifesta-se com tal carga de desespero que a pessoa tem a sensação que não vai suportar. Carregam
uma sensação de que não são capazes de ser amadas. Muitas vezes chorar profundamente é a forma de
descarregar o abcesso.
Muitas pessoas estão dispostas a falar do passado, mas regredir no sentido de reexperimentar o
passado é algo que evitam com todas as forças. As sensações associadas com o passado geralmente são
dolorosas. Mas o passado é ainda mais ameaçador pois que, para muitas pessoas, constituem uma luta
de vida e morte. Sobreviveram, mas não sem uma profunda sensação de desespero – o desespero de
que a vida nunca mais seja algo além de uma luta pela sobrevivência.
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OBJETIVO DA TERAPIA
1. AUTOCONSCIENTIZAÇÃO
2. AUTOEXPRESSÃO – REGRESSÃO
3. HABILIDADE PARA TOLERAR NÍVEIS MAIS E MAIS ELEVADOS DE EXCITAÇÃO SEM ENDOIDAR OU
ELIMINAR AS SENSAÇÕES. A CAPACIDADE DE CONTER EXCITAÇÃO OU SENSAÇÃO É
AUTODOMINIO. S
Confrontando cada morte psicológica através da terapia, recuperamos nossa coragem. De frente para a
morte, perdemos nosso medo da mesma. Desafiando os terrores de nosso inconsciente, somos como os
heróis gregos. Não deveríamos dizer que, em última instância, o objetivo da terapia seria levar o
indivíduo a desenvolver uma atitude heroica perante a vida?
DEPRESSÃO PAG 182 – forma de refazer suas reservas de energia.

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