Você está na página 1de 2

Ficha do artigo: Artes Performativas e Investigações da Percepção (2014)

Autor: Quilici

No artigo A contemplação reconsiderada: artes performativas e investigações da


percepção (2014), o pesquisador Cassiano Sydow Quilici identifica um diálogo entre
trabalhos com caráter performativo e a cultura asiática. Quilici explora, principalmente,
a obra de John Cage e Bill Viola, observando um ponto em comum entre esses artistas:
o uso de práticas contemplativas, tais como meditação, filosofia Budista, budismo
tibetano e zen-budismo.

Desse texto, interessa para o processo criativo de ADEUZARÁ a visada que mostra um
caminho capaz de atualizar um estudo sobre percepção no que se refere aos sentidos,
por meio das artes performativas. A argumentação de Quilici parte de suas impressões
sobre a vida moderna nas grandes cidades, que gradativamente torna-se mais e mais
caracterizada pela saturação de informações e estímulos, que pode levar,
invariavelmente, a um embotamento dos sentidos.

O termo contemplação, é colocado, nessa argumentação, como um termo “sob-


suspeita”, já que, na teoria do teatro, principalmente, está associado aos estudos sobre
recepção e a um tipo de fruição da obra, relacionada com o olhar passivo do espectador
diante da obra. Um olhar distanciado a um posicionamento crítico diante do quadro, do
espetáculo etc. Conforme explica Quilici, esse tipo de apreciação da obra de arte
“meramente contemplativa”, foi e continua sendo firmemente questionada e rebatida
por reformadores das artes em momentos históricos distintos. Em nome desse
questionamento, alguns procedimentos utilizados por grupos e artistas performativos
tornaram-se emblemáticos dentre as “estratégias artísticas de comunicação”, apoiadas
na “estética do choque”.
A “estética do choque” é relativa ao confronto, “ao escândalo”, à instauração de
situações que provoquem o público a aflorar um outro tipo de percepção frente ao
público, na busca de estabelecer outros tipos de relação entre obra de arte e
sujeito/apreciação artística. Nesse contexto, tipos de abordagens e/ou de aproximação
artista/público foram experimentados tais como intervenções em rua ou lugares
inesperados (arte de emboscada), bem como “passeios pela cidade”.
Pode-se reconhecer, no entanto, outras estratégias críticas e propositivas, em relação aos
novos regimes de percepção e atenção que provocaram alterações profundas no
Ocidente, a partir do final do século XIX, incluindo-se aí as novas formas de
entretenimento e espetáculo. Refiro-me a um trabalho microfísico com a percepção,
desenvolvido por artistas que se interessaram justamente pelo diálogo com “tradições
contemplativas” (QUILICI, 2014, p. 76).
cênicas, tais como Bertold Brecht na Alemanha, Antonin Artaud na França, Augusto
Boal no Brasil.