Você está na página 1de 3

TJ-RJ APELAÇÃO APL 00755630420148190002

Data de publicação: 21/08/2019

EMENTA

Ação Revisional de Contrato c/c Repetição de Indébito e Indenizatória por Danos Morais.
Autora alega que o réu vem realizando descontos indevidos na sua conta corrente, referente
ao valor mínimo da fatura do cartão de crédito, além de juros capitalizados incidentes sobre o
valor utilizado do limite do cheque especial. Alega abusividade das cláusulas contratuais que
estipulam o anatocismo e o débito automático do valor mínimo da fatura do cartão de crédito
em conta corrente. Sentença que julga parcialmente procedente o pedido autoral para
condenar o réu a devolver, em dobro, à autora a diferença apurada pelo perito na cobrança de
juros, bem como a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil
reais). Recurso interposto pelo réu, postulando a reforma do julgado. Apelo que não merece
prosperar.

1. Laudo pericial acostado aos autos que constata a cobrança indevida de juros, em relação à
conta corrente, no valor de R$ 129,51 (cento e vinte e nove reais e cinquenta e um centavos).

2. Cobrança de juros sobre o cheque especial (LIS) em virtude da demora pelo réu a
providenciar o estorno dos valores descontados indevidamente na conta corrente da autora, a
título de mínimo da fatura do cartão de crédito.

3. Capitalização de juros não prevista no contrato de abertura da conta corrente. Abusividade


na cobrança .

4. Devolução dos valores cobrados indevidamente (juros) que se impõe, sob pena de
enriquecimento ilícito do réu. Devolução que deve ocorrer em dobro, ante a ausência de
engano justificável a afastar a incidência da regra prevista no art. 42, parágrafo único, do
CDC.

5. Dano moral configurado. Descontos indevidos realizados na conta corrente da autora,


referentes ao valor mínimo do cartão de crédito, que causaram transtornos à consumidora.
Descontos realizados sem prévio consentimento. 6. Verba indenizatória fixada em valor
adequado à reparação do dano suportado pela requerente. Princípios da razoabilidade e
proporcionalidade....

0115719-32.2017.8.19.0001 - APELAÇÃO
 
Des(a). MARCIA FERREIRA ALVARENGA - Julgamento: 13/11/2019 - DÉCIMA SÉTIMA
CÂMARA CÍVEL
 
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM
PEDIDOS INDENIZATÓRIOS. COMPRAS NÃO RECONHECIDAS NO CARTÃO DE
CRÉDITO. COBRANÇAS INDEVIDAS. DANOS MATERIAL E MORAL ALEGADOS.
SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DA AUTORA QUE MERECE
PROSPERAR. DEFEITO NO SERVIÇO PRESTADO PELAS EMPRESAS APELADAS.
COMPRAS EFETIVADAS QUE FOGEM DO PERFIL DA CLIENTE E QUE DEVERIAM SER
BLOQUEADAS PELO SISTEMA ELETRÔNICO DO CARTÃO. COBERTURA DO SEGURO
CONTRA PERDA DO CARTÃO QUE FORA NEGADA INDEVIDAMENTE. NEGATIVAÇÃO DO
NOME DA AUTORA. DANO MORAL IN RE IPSA. REPETIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO
(ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC). RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO.

0403224-82.2014.8.19.0001 - APELAÇÃO
 
Des(a). MARIANNA FUX - Julgamento: 31/01/2018 - VIGÉSIMA QUINTA CÂMARA CÍVEL
 
AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ALEGAÇÃO DE
CONTRATAÇÃO DE EMPRÉSTIMO PARA CAPITAL DE GIRO NÃO RECONHECIDA E
TRANSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA CONTA CORRENTE DA AUTORA. SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA PARCIAL PARA CONDENAR A RÉ A RESTITUIR, EM DOBRO, A QUANTIA
DE R$ 12.000,00. APELAÇÃO DO RÉU. 1. Ausência de interesse quanto ao pedido de
redução do valor da indenização a título de danos morais, considerando que a sentença
combatida sequer condenou o réu a compensá-los, impondo-se o não conhecimento do
recurso nesta parte. 2. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor ao caso, por se tratar
de sociedade limitada na modalidade microempresa, incidindo a Teoria Finalista Mitigada,
diante da sua vulnerabilidade técnica e jurídica. Precedentes: CC nº 0023226-
73.2016.8.19.0000- Des. Rel. Elizabete Fillizola- Relator do acórdão: Des. Marcos Alcino-
Órgão Especial- Julgado em: 11/07/2016; 0063466-41.2015.8.19.0000 - Conflito de
Competência - Des. Mauro Dickstein - Julgamento: 25/01/2016 - Órgão Especial. 3. Depósito
de valor referentes a empréstimo para formação de capital de giro, cuja contratação a empresa
autora não reconhece, além de diversas transferências e saques não autorizados. 4. Instituição
financeira que não se desincumbiu do ônus de comprovar a regular contratação do
empréstimo, na forma do artigo 373, inciso II, do CPC/2015, estando caracterizada a falha na
prestação do serviço, devendo responder pelos danos causados à consumidora. 5. Alegação
de que as transações ocorreram mediante fraude perpetrada por terceiro, diante da utilização
de cartão e senha, que não merece prosperar, por se tratar de fortuito interno, inerente à
atividade desenvolvida, atraindo a incidência da Súmula nº 94 deste E. TJRJ, que diz:
"Cuidando-se de fortuito interno, o fato de terceiro não exclui o dever do fornecedor de
indenizar." 6. Aplicação da Teoria do Risco do Empreendimento, segundo a qual todo aquele
que se disponha a exercer alguma atividade no campo do fornecimento de bens e serviços tem
o dever de responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento, independentemente
de culpa. 7. Réu que, além dos descontos em conta realizados por terceiro
mediante fraude (R$ 12.000,00), debitou o montante restante (R$ 78.000,00), totalizando o
objeto do mútuo (R$ 90.000,00), e, ainda, R$ 12.000,00 novamente, em momento
posterior, de forma indevida. 8. Diante da evidente falha no serviço, sem causa
excludente de responsabilidade, o valor indevidamente descontado da conta da
sociedade empresarial autora deve ser ressarcido, em  dobro. 9. Incidência do art. 42,
parágrafo único, do CDC, que estabelece que "o consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito a` repetição do indébito, por valor igual ao  dobro do que pagou em
excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável". 10. Interpretando o referido dispositivo legal, o Superior Tribunal de Justiça
firmou orientação no sentido de que "o engano, na  cobrança indevida,
só¿ e¿ justificável quando não decorrer de dolo (má¿-fé) ou culpa na conduta do
fornecedor do serviço" (REsp. 1.079.064/SP, 2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe
de 20.4.2009), não sendo justificado, in casu, porquanto decorrente de vínculo jurídico
inexistente. 11. Honorários sucumbenciais que não se majoram pela fase recursal, conforme
dispõe o artigo 85, §§1º e 11, do CPC/2015, porquanto já fixados no percentual máximo de
20% estabelecido no parágrafo 2º do referido dispositivo legal. 12. Recurso parcialmente
conhecido e, nesta extensão, desprovido.

Você também pode gostar