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Agora ficou mais fácil aprender sobre esse assunto tão presente no dia

a dia do Engenheiro Civil. Vem aí mais um sucesso de aprovação da 2B


Educação: livro Patologia das Construções!

E para você já ir estudando, preparamos um e-book sobre o tema para você!

O conteúdo desse e-book foi retirado do primeiro capítulo do livro “Patologia das
Construções”.

O conteúdo desse e-book foi escrito por Gildeon Oliveira de Sena, dono do Instagram @momento_engenharia.

Coordenadores do Livro:

Gildeon Oliveira de Sena


Matheus Leoni Martins Nascimento
Abdala Carim Nabut Neto

Autores do Livro:

Gildeon Oliveira de Sena (@momento_engenharia)


Matheus Leoni Martins Nascimento (@matheusleoni_eng)
Abdala Carim Nabut Neto (@construcaocivil)
Natália Maria Lima (@recuperandoestruturas)

Coautoras do Livro:

Ana Paula Araújo Ribeiro


Lais Alves da Silva Pires

Bons Estudos!
CONCEITOS INICIAIS

1 – PATOLOGIA E MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

A patologia das edificações, também chamada de patologia das construções, vem


sendo um tema bastante estudado nos dias atuais e, a despeito desta crescente atenção
dedicada às questões relativas à saúde e ao desempenho das edificações nas últimas
décadas, esta é uma preocupação que remonta a tempos bem antigos.
São encontradas referências a este assunto, por exemplo, no código de Hamurabi, um
texto mesopotâmio escrito há cerca de 4.000 anos, que apresenta um conjunto de leis escritas
para a sociedade daquela época, porém muito conhecida por sua referência à lei de talião,
aquela do “olho por olho, dente por dente”.
O código de Hamurabi dedica uma seção à atividade de construtores e arquitetos,
sendo evidente em seus artigos que aspectos como desempenho, qualidade e segurança das
edificações já despertavam a atenção naquele tempo, a ponto de figurar no texto da lei.
Vejamos o que postulavam tais artigos:
229º - Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente
e a casa que ele construiu cai e fere de morte o proprietário, esse
arquiteto deverá ser morto.
230º - Se fere de morte o filho do proprietário, deverá ser morto o filho
do arquiteto.
231º - Se mata um escravo do proprietário ele deverá dar ao
proprietário da casa escravo por escravo.
232º - Se destrói bens, deverá indenizar tudo que destruiu e porque
não executou solidamente a casa por ele construída, assim que essa
é abatida, ele deverá refazer à sua custa a casa abatida.
233º - Se um arquiteto constrói para alguém uma casa e não a leva ao
fim, se as paredes são viciosas, o arquiteto deverá à sua custa
consolidar as paredes.
Vale atentar-se ao olhar já aguçado para o processo de construção das habitações
humanas no que diz respeito à segurança e bem-estar de seus moradores, e de como este
seria já um vislumbre do que a patologia das edificações viria a se dedicar.
Entretanto, antes de avançarmos para a seção seguinte, aproveitando o ensejo dessa
preocupação com a segurança e desempenho das edificações, iniciada ainda na antiguidade,
deixemos registrada a reflexão sobre a responsabilidade técnica, civil e penal (ou criminal)
que repousam sobre o profissional da engenharia e também da arquitetura nos dias de hoje.
De acordo com Fonseca (2017), a responsabilidade técnica preconiza “o cumprimento
das normas, dos encargos e das exigências de natureza técnica”, já a responsabilidade civil
diz respeito à aplicação de medidas que obriguem a reparação de dano moral ou patrimonial
causado a terceiros e se fundamenta no Novo Código Civil Brasileiro e nas Leis 5.194/66 e
6.496/77. Por fim, a responsabilidade penal ou criminal pode acabar sujeitando o profissional
à pena de reclusão, a depender da gravidade das ações por ele cometidas, relativas ao
exercício de sua profissão.

PATOLOGIA

O termo patologia aqui utilizado no universo das construções é, de fato, uma analogia
ao emprego deste mesmo termo na área da saúde, o qual tem sua origem no grego, de uma
derivação dos termos pathos, que significa sofrimento, doença, e logia, significando ciência,
estudo. Desta forma, a patologia seria o estudo das doenças de modo geral, representando
um estado ou condição anormal cujas causas podem ser conhecidas ou desconhecidas. Esta
definição vale tanto para a área da Medicina quanto para outras áreas do conhecimento
humano, tal como a Engenharia.
Ainda no âmbito das ciências biológicas, a patologia se debruça sobre o estudo de
toda e qualquer anomalia nas estruturas e funcionamento dos organismos vivos, alterações
essas que podem estar (e geralmente estão) sob a ação de doenças. Uma particularidade, no
entanto, encontrada nessas doenças às quais os organismos são submetidos é que elas
possuem, na sua gênese, uma causa (ou até mais de uma) que vai resultar nas alterações
observadas e que acabam sendo manifestas por meio de sintomas.
Este contexto trazido do universo da medicina foi o pano de fundo para a analogia
elaborada e utilizada pelos engenheiros civis, que introduziram termos das ciências biológicas
nas questões relacionadas às construções, inclusive na literatura de engenharia civil mundo
afora. O ponto chave para a adesão desses termos é a correspondência (guardadas as
devidas proporções) traçada entre, por exemplo, uma edificação e o corpo humano, que são
os objetos de estudo destas duas grandes áreas do conhecimento humano.
Para França et al (2011), não é difícil estabelecer uma analogia entre os elementos
estruturais de um edifício e o esqueleto humano, uma vez que a função de ambos seria prover
sustentação, conforme se verifica nas Figuras 1 e 2.

Figura 1 – Esqueleto Humano.

Fonte: Portal Canal Cederj1

Figura 2 – Modelo Estrutural de edificação elaborado no software TQS.

Fonte: Captura de Tela do Software TQS 21 pelo autor2.

1
Disponível em: <https://canalcederj.cecierj.edu.br/recurso/3245> Acesso em: 20 de dez. de 2018
2
Para ler este o QR code da Figura 2, basta que você baixe em seu celular, smartphone ou tablet um
aplicativo para leitura de QR code. Toda vez que encontrar este símbolo durante a leitura, abra o aplicativo,
aponte a câmera do seu aparelho para a imagem e acesse o conteúdo complementar associado ao QR code.
Assim, também se encontram similaridades entre os elementos de alvenaria e a
musculatura do corpo, que teriam como ponto em comum preencher as estruturas
anteriores, complementando-as, conforme visto nas figuras 3 e 4.

Figura 3 – Sistema Muscular Humano.

Fonte: Portal Anatomy Libray3

Figura 4 – Alvenaria de vedação de uma edificação.

Fonte: Portal AECweb4

3
Disponível em: <https://anatomy-library.com/img/human-muscle-anatomy-images-download-29.html >
Acesso em: 20 de dez. de 2018
4
Disponível em: < https://www.aecweb.com.br/prod/e/vedacao-racional-e-alvenaria-
estrutural_4050_46597> Acesso em: 21 de dez. de 2018
É possível, ainda, relacionar as instalações prediais (elétrica, hidrossanitárias, gás) ao
sistema circulatório, a função de ambos seria o transporte por dutos de elementos
essenciais ao funcionamento e esta relação pode ser observada nas Figuras 5 e 6.

Figura 5 – Sistema circulatório humano.

Fonte: Portal Anatomia em Foco5

Figura 6 – Sistema hidrossanitário residencial.

Fonte: Portal Projetos Revit6

5
Disponível em: <https://www.anatomiaemfoco.com.br/sistema-circulatorio/> Acesso
em: 21 de dez. de 2018
6
Disponível em: <https://projetosrevit.wordpress.com> Acesso em: 22 de dez. de 2018 .
Vale ressaltar que as semelhanças entre corpo humano e estruturas das
edificações não param nas funções exercidas por ambos. Percebe-se que, quando se
trata de anomalias no funcionamento, as soluções adotadas partem de princípios
comuns: quando o corpo padece com uma enfermidade que afeta seu bom
funcionamento, ele pode ser tratado com medicamentos, uma edificação também pode
passar por reparos para recuperação de seu uso esperado (FRANÇA et al, 2011).
Entretanto, assim como o médico precisa conhecer a fundo as causas de uma
enfermidade para poder aplicar o correto tratamento, administrando os remédios
adequados, o especialista precisa conhecer bem as causas das anomalias nas
edificações para propor as soluções mais adequadas a cada situação, e isso requer
cada vez mais que os engenheiros se tornem especialistas nesta área.

PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES

A partir desses exemplos, é possível estabelecer uma definição para o termo


patologia das construções, a qual seria a área da engenharia responsável por
investigar as manifestações patológicas possíveis de ocorrerem em uma construção
(CAPORRINO, 2018, p. 12).
Para completarmos essa analogia e avançarmos para outras definições
importantes, França et al (2011) apresentam ainda mais algumas relações entre termos
e seus significados que valem a pena serem citadas:
Profilaxia – remete aos meios para evitar ou prevenir doenças. Na Engenharia,
seriam as medidas utilizadas para evitar anomalias ou problemas na edificação. Vem
do grego prophýlaxis, significando cautela.
Diagnóstico – diz respeito ao conhecimento acerca de algo, o qual pode ser
obtido através de exames. Na Engenharia, seria a fase de identificação e descrição da
origem e causa dos problemas na edificação.
Prognóstico – está associado ao julgamento médico, a partir da etapa de
diagnóstico e considerando as possibilidades terapêuticas, em que o objetivo seria
estipular qual seria a evolução do problema com o passar do tempo. Deriva do latim
prognosticu - pro = "antecipado, anterior, prévio" + gnosticu = "alusivo ao conhecimento
de".
Terapia – está associada ao tratamento da enfermidade. Na Engenharia, seriam
as soluções ou medidas estabelecidas, a partir das etapas anteriores, para que que se
possam ser sanadas as anomalias identificadas.
Anamnese – palavra que deriva do grego ana – “trazer de novo” e mnesis –
“memória” e caracteriza-se por uma entrevista conduzida pelo profissional da área da
saúde com o intuito de estabelecer, junto ao seu paciente, qual é o ponto de partida no
diagnóstico da enfermidade, ou seja, uma entrevista para relacionar cada fato que esteja
ligado à doença e ao paciente.

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

Uma vez estabelecida essa compreensão acerca de como a engenharia se


inspirou na Medicina ao longo do tempo para chegar ao estudo da patologia das
construções, avançamos agora para o conceito de manifestação patológica. Por
manifestações patológicas se entendem as degradações identificadas na edificação, as
quais podem ser geradas durante o período de execução da obra (quer por emprego de
métodos construtivos ou materiais inapropriados), ou na própria elaboração do projeto
ou ainda adquiridas ao longo do tempo pela utilização da edificação.
Souza e Ripper (1998) afirmam que o processo de sistematização do estudo da
patologia das construções nos últimos tempos, e em específico no que diz respeito à
patologia das estruturas (mas que pode também ser estendido perfeitamente às demais
áreas ou sistemas das edificações), conduz ao estabelecimento de uma classificação
preliminar dos problemas ou manifestações patológicas em dois grandes segmentos:
os simples e os complexos.
Neste caso, as manifestações patológicas simples se remetem àquelas que
podem ser analisadas e resolvidas através de uma padronização, sendo mais evidentes
tanto o diagnóstico quanto o tratamento das mesmas e não demandando que o
profissional responsável obrigatoriamente possua conhecimentos elevados sobre o
tema.
Um exemplo disso seria uma situação de corrosão de armaduras em um pilar,
causando o desplacamento de concreto e argamassa de revestimento no mesmo, por
conta de falta de cobrimento adequado para as armaduras e baixa qualidade do
concreto utilizado, o que pode ser constatado em uma análise visual, conforme
demonstrado na figura 7.
Figura 7 – Corrosão de armaduras em pilar.

Fonte: Autor.
Os problemas patológicos complexos seriam aqueles que demandam análise
muito mais criteriosa e detalhada, cujos mecanismos de diagnóstico, inspeção e
consequentemente de tratamento se distanciam daqueles mais convencionais e de
rotina. Neste caso, espera-se que o responsável técnico possua conhecimentos mais
aprofundados sobre a patologia das construções, para que se alcance com êxito a
solução dos problemas encontrados.
A exemplo disso, poderíamos citar as manifestações patológicas relacionadas à
umidade, pois nem sempre o local onde a infiltração se manifesta por meio de manchas,
mofo ou bolor, fissuras, entre outros, coincide com o local de origem. Então, apenas
uma constatação visual não é suficiente, sendo necessária uma investigação e métodos
mais apurados, tais como a termografia infravermelha. O QR Code da Figura 8 conduz
a um vídeo produzido pelo professor Matheus Leoni, onde ele utiliza o recurso da
termografia para auxiliar na identificação da infiltração em uma edificação.

Figura 8 – Identificação de infiltração com o auxílio da termografia.

Fonte: Perfil no Instagram do Prof. Matheus Leoni (@matheusleoni_eng).


Não obstante, cabe enfatizar uma ressalva sobre a distinção entre os termos
patologia e manifestação patológica, tendo em vista uma confusão recorrente no uso
dos mesmos. A patologia das edificações é o ramo da engenharia (ciência) responsável
pelo estudo das causas e mecanismos de anomalias e problemas nas estruturas,
enquanto a manifestação patológica é a própria expressão desses problemas
encontrados nas edificações. Não raramente esses termos distintos são utilizados
equivocadamente como sinônimos, e muito frequentemente encontram-se
manifestações patológicas sendo referenciadas como “patologias” não só por leigos,
mas também por profissionais.
França et al. (2011) chama a atenção para o correto emprego de ambos os
termos citando o seguinte exemplo para ajudar na compreensão: uma fissura
encontrada em uma edificação não seria uma patologia (uma vez que esta é a ciência
que estuda este tipo de problema), mas sim uma manifestação patológica, ou seja, um
sintoma que indica um mecanismo de degradação (doença), o qual poderia estar
acontecendo (causa) por conta de um processo de corrosão de armaduras, ou por
deformação excessiva da estrutura etc.
Uma vez identificado que as manifestações patológicas podem ter origem desde
as etapas iniciais da edificação (projeto e execução) e se estender para o tempo
decorrido de sua utilização, percebe-se que, a despeito de se haver registros da
preocupação com estas questões desde tempos antigos, este cuidado não conseguiu
acompanhar, durante muito tempo, o avanço tecnológico e o emprego de novos
materiais e métodos nas construções.
Neste ponto, cabe um parêntese para explorar alguns conceitos fundamentais
relacionados às manifestações patológicas, trazidos por Helene (1992) os quais são:
Causa – Geralmente associada a um agente, o qual seria aquele responsável
por desencadear a manifestação patológica. A exemplo, cita-se o surgimento de fissura
em uma viga de concreto armado por ação de momento fletor, cujo agente causador
seria a carga à qual a viga encontra-se submetida, pois, caso não haja a ação da carga,
não haveria a fissura.
Origem – Helene (1992) apresenta a origem da manifestação patológica
relacionada à determinação da etapa ou fase do processo de construção onde a mesma
teve seu início. Essas fases podem ser: planejamento, projeto, fabricação de materiais,
execução propriamente dita e uso.
Mecanismo – É o processo através do qual a manifestação patológica se
instaura e desenvolve. Neste sentido, “conhecer o mecanismo do problema é
fundamental para uma terapêutica adequada” (HELENE, 1992, p. 20).
A sede por conhecimento da humanidade promoveu grandes transformações
tecnológicas na busca por construções que fossem se adaptando às suas necessidades
e facilitando sua vida em constante evolução. Entretanto, esse crescimento acelerado
na descoberta de novos materiais e no desenvolvimento de novas técnicas tem como
um ponto negativo algo que é bastante comum pelo “encantamento” com as novidades:
o descuido ou desatenção às consequências (até porque muitas delas só se manifestam
bem depois).
Porém, já há algumas décadas a engenharia vem dedicando uma atenção
especial ao ramo da patologia das edificações, fazendo com que esse cenário histórico
venha se modificando bastante. Bauer (2011) chama a atenção para os crescentes
estudos, cursos, reuniões técnicas e publicações em todo o mundo sobre a patologia
das edificações, e isto por volta da década de 80 do século passado. Souza e Ripper
(1998, p. 16) pontuam que, desde o início da década de 70 do século passado, a
preocupação sobre as edificações vem se estendendo de sua capacidade de resistência
a esforços para abarcar também a sua capacidade de resistência à ação do tempo e do
uso.
Souza e Ripper (1998) tomam como base a patologia das estruturas – entretanto
seu pensamento pode se estender de forma igual para a patologia das edificações –
pontuando que esta área trilha seu caminho partindo do “cadastramento da situação
existente e pelo estudo detalhado de alguns casos de sintomas patológicos” (SOUZA e
RIPPER, 1998, p. 15). Do estudo desse acervo construído, a patologia das edificações
se desenvolve, apropriando-se também da consolidação de conceitos, processos e
métodos, possibilitando o aprimoramento desse campo ainda muito amplo a ser
desbravado.
Neste sentido, a Norma Brasileira (NBR) 15575-2013 – Edificações
Habitacionais – Desempenho, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
representa um avanço significativo no cenário nacional nos últimos anos em relação ao
debate e ao estabelecimento de parâmetros em busca da minimização na ocorrência de
manifestações patológicas.
2 – NORMA DE DESEMPENHO

Em julho de 2013 passou a vigorar no Brasil a ABNT NBR 15575-2013 –


Edificações Habitacionais – Desempenho. Esta norma, dentre seus objetivos,
estabelece critérios que visam o conforto e segurança em edificações habitacionais (e
infelizmente no Brasil ainda não existem normas específicas para outros tipos de
edificações, tais como a NBR 15575-2013).
Como expresso no próprio nome e também como é mais conhecida entre os
profissionais, a Norma de Desempenho corrobora as discussões na área da patologia
das construções na medida em que a sua observação contribui para a redução na
ocorrência das manifestações patológicas.
Para explorarmos melhor o conceito de desempenho e algumas outras
definições trazidas por esta norma e já que vínhamos traçando o caminho percorrido
pela patologia das construções em sua evolução enquanto ciência, vejamos agora um
pouco do pano de fundo histórico até a chegada da norma de desempenho, traçado
pelo portal Buidin7:
 Muitas décadas antes da última atualização da NBR 15575, estudos sobre o
tema já haviam sido iniciados e em 1975 já se encontram registros do
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT)
começando a abordagem dessa temática em suas pesquisas.
 Novos estudos na área são iniciados nas décadas de 80 e 90 do século
passado, tendo acontecido uma pesquisa em 1998, em parceria do IPT o
Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), que
resultaram na criação de uma Comissão de Estudos da ABNT dois anos
depois.
 Ainda no ano de 2000, essas pesquisas foram alteradas para as conhecidas
normas, a partir de convênio estabelecido entre ABNT, caixa Econômica
Federal e Ministério da Ciência e Tecnologia.
 Em 2007, a primeira edição da ABNT NBR 15575 foi disponibilizada para
consulta pública.

7
BUILDIN, Tudo sobre a Norma de Desempenho. Disponível em: <https://www.buildin.com.br/norma-
de-desempenho> Acesso em: 22 de dez. de 2018.
 Os trabalhos seguiram e em 2018 foi publicado o primeiro documento
relacionado à Norma de Desempenho, sendo que ficou para 2010 a
exigibilidade da NBR.
 Chegando em 2010, houve um adiamento na exigibilidade da norma NBR
15575, a qual foi adiada para 2012 e novamente posta para consulta pública,
com nova avaliação de suas exigências.
 Entretanto, somente no ano de 2013 a NBR 15575 veio de fato a vigorar e
passou então a ser reconhecida em todo o mundo, tendo por objetivo a
melhoria na qualidade das edificações habitacionais.

O conjunto normativo na NBR 15575 compreende um total de seis partes, as


quais são:
 Parte 1: Requisitos gerais;
 Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais;
 Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos;
 Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e
externas;
 Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas;
 Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários.

A organização de cada uma destas partes da NBR 15575 foi feita a partir de
elementos da construção, contemplando uma sequência de exigências relativas à
segurança (desempenho mecânico, segurança contra incêndio, segurança no uso e
operação), habitabilidade (estanqueidade, desempenho térmico e acústico,
desempenho lumínico, saúde, higiene e qualidade do ar, funcionalidade e
acessibilidade, conforto tátil) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade e
adequação ambiental).
DESEMPENHO

A definição de desempenho, trazida pela própria norma, diz respeito ao


“comportamento em uso de uma edificação e de seus sistemas”.
Ainda sobre o conceito de desempenho, vale citar também a definição abordada
pela International Organization for Standardization (ISO) 15686-1 – General principles
and framework, para a qual desempenho em uso seria “o nível qualitativo crítico de uma
propriedade em qualquer tempo, ou seja, correspondente ao comportamento em
condições de serviço ou uso” (NASCIMENTO, 2016, p. 8). A ISO 15686, elaborada pela
British Standard Institution (BSI) em 2011, é uma espécie de norma de desempenho
internacional e, ainda que não esteja arrolada na linha do tempo apresentada na seção
anterior desta obra (até a chegada da NBR 15575), tem um papel importante na
compreensão dos aspectos relacionados ao desempenho e vida útil das edificações.
Não obstante a ideia de desempenho abordada pela NBR 15575 tenha sido
pensada com o objetivo final de atendimento às necessidades daqueles que viverão nas
edificações construídas, o conhecimento acerca das manifestações patológicas se
beneficia disso, uma vez que, para se atender as necessidades do usuário, é necessário
que se previna o surgimento de problemas desse tipo.
Atrelado ao conceito de desempenho, estão alguns outros termos que a NBR
15575 pontua e que ajudam na construção do entendimento sobre a qualidade buscada
para as edificações habitacionais. Esses outros termos são:
 Requisitos de desempenho – Seriam as condições qualitativas dos
atributos que a edificação habitacional precisa possuir, juntamente com
seus sistemas, de maneira que também atendam aos requisitos de
usuário, a saber: segurança, habitabilidade e sustentabilidade.
 Critérios de desempenho – Dizem respeito as especificações de cunho
quantitativo dos requisitos de desempenho. Esses critérios são
apresentados na forma de quantidades mensuráveis, que possam ser
objetivamente determinados.
 Durabilidade – Descrita como a capacidade que a edificação ou seus
sistemas possuem para desempenhar suas funções com o passar do
tempo, de acordo com as condições de uso e também de manutenção
especificadas pelo manual de uso, operação e manutenção. O termo é
comumente associado de forma qualitativa à situação na qual a
edificação e seus sistemas mantêm seu desempenho ao longo da vida
útil.
 Manutenção – Refere-se ao conjunto de atividades a serem executadas
a fim de que se assegure a conservação ou mesmo a recuperação da
capacidade funcional da edificação e dos sistemas que a compõem, de
modo que sejam atendidas as necessidades de segurança do usuário.
Acerca ainda da manutenção, faz-se necessário abordar seus os principais
tipos, quais sejam: manutenção corretiva, manutenção preventiva e
manutenção preditiva.
 Manutenção Corretiva – Trata-se da modalidade de manutenção
mais dispendiosa, uma vez que é caracterizada pela tomada de ação
no sentido do reparo ou recuperação apenas depois da ocorrência da
falha, ou seja, o famoso “esperar quebrar para consertar”.
Sobre essa questão do custo da manutenção corretiva, Tutikian e Pacheco (2013)
reforçam o que postula a lei de Sitter (1984), que atribui um custo para correção
crescente, em progressão geométrica em uma razão de cinco, para as etapas de
planejamento, execução, manutenção preventiva e manutenção corretiva. Assim sendo,
o gasto com a manutenção corretiva é 125 vezes maior que o gasto na etapa de
planejamento.
 Manutenção Preventiva – De acordo com Gomide et al (2006), “é
aquela que atua antecipadamente, para que não haja a reparação”.
Para que cumpra com esse objetivo, é preciso que as atividades
sejam programadas em datas previamente estabelecidas, seguindo
critérios técnicos e administrativos, balizados por dados estatísticos
ou então o histórico de manutenções anteriores.

 Manutenção Preditiva – É a atividade de manutenção pautada pelo


estudo dos equipamentos e sistemas, através da análise de seus
comportamentos em uso, objetivando predizer e identificar eventuais
anomalias, contribuindo assim, inclusive, para o direcionamento de
ações e implementação dos procedimentos a serem realizados na
manutenção preventiva.
E, para enfatizar a importância da manutenção no desempenho das edificações,
Correia (2013) chama a atenção para a necessidade de se implantar um Programa de
Manutenção, com rotinas de inspeção e manutenção estabelecidas e rigorosamente
realizadas, contando com registro claro feito pelo profissional responsável, de forma que
se permita uma gestão eficaz desse processo.
 Manutenibilidade – Trata do nível de facilidade que um sistema,
elemento ou componente possui para que seja mantido ou recolocado no
estado no qual possa executar suas funções requeridas, de acordo com
condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sob
condições determinadas, procedimentos e meios prescritos.
 Degradação – Diz respeito à diminuição no desempenho da edificação
ou de seus sistemas em decorrência da atuação de de um ou de vários
agentes de degradação.
 Agente de Degradação – Está associado a tudo aquilo que atua sobre
um sistema, de forma a colaborar na redução de seu desempenho

A partir da apresentação desses conceitos abordados pela NBR 15575 e em


conformidade com a essência da patologia das edificações – que é investigar as causas
das manifestações patológicas, colaborando assim para a prevenção e mitigação das
mesmas – se chega ao entendimento que uma das principais vantagens da aplicação
desta norma reside na possibilidade dos imóveis apresentarem um tempo de uso muito
maior ao longo do tempo. Em tese, quer dizer que as edificações poderão durar muito
mais em decorrência dos cuidados adotados durante a sua execução e ao longo da sua
utilização.
Essas questões sobre a durabilidade da edificação e a possibilidade de extensão
da mesma são salientadas no texto da NBR 15575 ao serem apresentados os conceitos
de Vida útil (VU) e Vida Útil de Projeto (VUP).

VIDA ÚTIL

De acordo com a NBR 15575, a VU de uma edificação é uma medida temporal


sobre sua durabilidade ou de seus sistemas, ou seja, o tempo em que esses elementos
conseguem desempenhar as funções ou atividades para os quais foram projetados, de
modo que sejam aferidos os níveis mínimos de desempenho requeridos por esta norma,
levando em consideração, inclusive, a realização das ações de manutenção. Ações
estas que devem constar no manual de uso, operação e manutenção da edificação.
Este manual, por sua vez, é elaborado com base nas orientações trazidas na
ABNT NBR 14037 – 1998 – Manual de operação, uso e manutenção das edificações –
Conteúdo e recomendações para elaboração e apresentação, a qual estabelece desde
o responsável pela elaboração e entrega (o construtor), o conteúdo a ser incluído no
manual, até a linguagem a ser utilizada (para que seja de fácil compreensão) e também
a maneira como será disponibilizado.
O manual utiliza ainda como referência para sua elaboração a ABNT NBR 5674
– 1999 – Manutenção de edificações – Procedimento, no que diz respeito ao provimento
de informações técnicas necessárias para desenvolvimento das atividades de operação,
uso e manutenção da edificação. O manual traz também como finalidade:
- informar aos usuários as características técnicas da edificação
construída;
- descrever procedimentos recomendáveis para o melhor
aproveitamento da edificação;
- orientar os usuários para a realização das atividades de manutenção;
- prevenir a ocorrência de falhas e acidentes decorrentes de uso
inadequado;
- contribuir para o aumento da durabilidade da edificação. (ABNT,
1998, p. 3)

Vale citar que a NBR 15575 traz uma observação sobre o conceito de VU, de
modo que não se confunda VU com prazo de garantia legal ou contratual.
Além das operações de manutenção, alguns outros fatores influenciam também
na VU da edificação, tais como: o uso apropriado da mesma e de suas partes, possíveis
alterações no clima, níveis de poluição da região e mudanças no entorno com o passar
do tempo etc.
Desta forma, o valor final alcançado pela VU será composto pelo valor teórico da
VUP sob influência positiva ou negativa destes fatores listados.
Em outras palavras, se negligenciado o cumprimento integral dos programas definidos
no
manual de uso, operação e manutenção da edificação, bem como a incidência de ações
anormais do meio ambiente, poderá ser verificado o desenvolvimento de manifestações
patológicas, o que ocasionará a redução do tempo de vida útil, podendo este ficar menor
que o prazo teórico calculado como vida útil de projeto.
VIDA ÚTIL DE PROJETO

Ainda de acordo com a NBR 15575, a VUP é o intervalo de tempo estimado para
o qual um sistema é projetado, de modo que cumpra com os requisitos de desempenho
requeridos pela norma, ou seja, é uma estimativa teórica.
O atendimento dos critérios mínimos para a VUP colabora para que não sejam
entregues edificações que possuam durabilidade inadequada e que possam
comprometer o valor do bem, trazendo assim prejuízos ao usuário.
A NBR 15575 apresenta uma relação entre a vida útil da edificação e a realização
de ações de manutenção, onde é possível verificar o prolongamento considerável da
vida útil quando da realização das manutenções.
Uma vez apresentado todo este arcabouço conceitual, avancemos então, nos
capítulos seguintes, para um conhecimento mais pormenorizado sobre patologia das
construções. O enfoque será em alguns dos elementos das construções mais comuns,
de maneira que seja possível conhecer e analisar as manifestações patológicas às quais
estes elementos podem estar submetidos.
Por fim, para informações adicionais acerca desta introdução à patologia das
construções, você pode acessar o QR Code da figura 9, onde será redirecionado para
uma página a qual será atualizada constantemente com informações relevantes a
respeito deste tema.

Figura 9 – QR Code para informações adicionais sobre Patologia das


Construções.

Fonte: Autor.
QUADRO RESUMO

PALAVRAS-CHAVE DESCRIÇÃO
Patologia Estudo das doenças de modo geral.
Patologia das construções Área da Engenharia responsável por investigar
as manifestações patológicas.
Manifestação patológica Degradação identificada na edificação, podendo
ser gerada durante execução da obra, do projeto
ou adquirida ao longo do tempo.
Norma de Desempenho NBR 15575/2013 – Conjunto de requisitos e
critérios estabelecidos para uma edificação
habitacional e seus sistemas, com base em
requisitos do usuário, independentemente da
sua forma ou dos materiais constituintes.
Desempenho Comportamento em uso de uma edificação e de
seus sistemas.
Durabilidade A capacidade que a edificação ou seus sistemas
possuem para desempenhar suas funções com
o passar do tempo.
Manutenção Conjunto de atividades para se assegurar a
conservação ou recuperação da capacidade
funcional de uma edificação.
Manutenibilidade Nível de facilidade que um sistema, elemento ou
componente possui para que seja mantido ou
recolocado no estado ideal de uso.
Degradação Diminuição no desempenho da edificação.
Agente de Degradação Tudo aquilo que atua sobre um sistema,
reduzindo seu desempenho.
Vida Útil É uma medida temporal sobre a durabilidade de
uma edificação ou de seus sistemas.
Vida Útil de Projeto Intervalo de tempo estimado para o qual um
sistema é projetado, de modo que cumpra com
os requisitos de desempenho.
QUADRO ESQUEMÁTICO