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CASO PRÁTICO

(MORA/ INCUMPRIMENTO/ IMPOSSIBILIDADE)

A, emigrante no Brasil, celebrou com B, residente na terra natal de ambos, o


seguinte contrato: B consertaria uma parede da casa de A, que ameaçava ruir e, em
troca, A traria do Brasil, nas férias seguintes, a jibóia “666” (assim conhecida depois de
ter sido protagonista de um filme satânico chamado “666”) que B queria colocar no seu
quintal para impor respeito aos filhos do vizinho C.
B fez, de facto, a reparação do muro em que despendeu €1.500.

4.ª Hipótese: A é informado, no aeroporto de Lisboa, de que só pode levantar a jibóia


dali a 15 dias, pelo que chega à terra natal sem a mesma.

A impossibilidade diz-se temporária quando a prestação é impedida de modo transitório


e o cumprimento é protelado para um momento posterior. Se a impossibilidade for temporária, o
devedor não incorre em mora no cumprimento e é exonerado da responsabilidade pelo atraso
em cumprir até à terminação do impedimento. Ora, a impossibilidade só se considera temporária
enquanto, atenta a finalidade da obrigação, ainda se mantiver o interesse do credor. Se o
adiamento do cumprimento levar ao desaparecimento completo do interesse do credor ou se a
prestação for ligada a um termo absolutamente fixo, a impossibilidade é considerada definitiva
(art. 792.º, n.º 2)
Contudo, apesar deste preceito, ANTUNES VARELA E GALVÃO TELLES têm
entendido que a impossibilidade temporária integra ainda a “impossibilidade de facto”,
associada a casos de impossibilidade devido a factos fortuitos ou totalmente imprevisíveis, não
devendo estes ser reconduzidos ao Artigo 792.º2, já que, como referem os professores, por via
do Artigo 804.º2, o incumprimento não seria imputável ao devedor. Portanto: daqui a 15 dias A
deverá levantar a jiboia no Aeroporto e entrega-la a B

5.ª Hipótese: A considera que transportar uma jibóia é um grande incómodo e não se
preocupa mais com o caso, deparando, à chegada, com a ira de B.

Perante os dados da hipótese, poderá admitir-se duas soluções possíveis:

1. Admitir que, enquanto A cogitada em não querer entregar a jibóia, o mesmo poderá
ter declarado a B, de forma inequívoca, clara, categórica e definitiva que não iria cumprir, o que

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redundaria no problema de saber se o incumprimento antecipado do contrato releva para efeitos
de incumprimento ou de mora (hipótese que não pode ser adiantada, porque o caso não nos dá
os dados necessários)

2. Admitir que, ao chegar ao aeroporto, e pelo facto de a obrigação de A ser uma


obrigação com prazo certo (Artigo 777.º CC), já que a entrega deveria ser feita no “próximo
Verão” (presumindo-se que a ira de B se deve ao facto de A ter chegado, no Verão, sem a
jiboia), A torna a prestação impossível, por sua própria causa, já que “não se preocupa mais com
o caso”, faltando este culposamente ao cumprimento – Artigo 801.º1 CC.º. Neste sentido, a
impossibilidade de A cumprir será superveniente, definitiva e culposa. Tratando-se de uma
obrigação de resultado – a entrega da coisa – é bastante questionável que, para efeitos de
interesse do credor B – Artigo 808.º2 – ainda haveria algum tipo de vantagem em a obra ser,
futuramente, entregue.

Neste sentido, abrem-se dois caminhos:

1. Pode admitir-se que o caso seria resolvido pela mora debitoris (tendo o prazo para o
cumprimento já decorrido) – Artigo 805.º1, não se exigindo interpelação – e, neste sentido,
tendo A uma obrigação pecuniária de indemnizar B pelos prejuízos advenientes da mora –
Artigo 806.º1. Neste sentido, B manteria ainda interesse (e credibilidade) no cumprimento por
A, devendo apenas B exigir juros moratórios e fixar o prazo para o cumprimento da obrigação
de entrega por parte de A

2. Pode, também, admitir-se, como me parece mais sensato, que a conduta de A se


materializa na situação de impossibilidade culposa. Admitindo esta segunda hipótese, sendo o
contrato de A e B bilateral (sinalagmático), B poderá, para além de exigir uma indemnização,
resolver o contrato, bem como exigir a restituição do que já tivera prestado – Artigo 801.º2,
Artigo 434.º1.

Questiona-se na doutrina se a “indemnização” prevista no Artigo 801.º2 corresponde a


uma indemnização pelo interesse contratual negativo (colocar o lesado na situação em que
estaria se não tivesse sido celebrado o contrato), ou pelo interesse contratual positivo
(indemnizar o lesado como se o contrato fosse cumprido) No primeiro entendimento:
ALMEIDA COSTA, PEREIRA COELHO, ANTUNES VARELA. ALMEIDA COSTA refere
que, o interesse contratual negativo, abrange quer os danos emergentes quer os lucros cessantes
– Artigo 564.º1 – devendo, portanto, B exigir o ressarcimento, quer dos danos que representam
uma desvalorização ou perda patrimonial, quer ainda dos que se traduzem numa não valorização

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ou frustração do ganho No segundo entendimento: VAZ SERRA, PAULO MOTA PINTO,
ROMANO MARTINEZ, BAPTISTA MACHADO, MENEZES CORDEIRO.

Neste sentido, defendemos que a prestação se tornou impossível, por impossibilidade


culposa, nascendo na esfera do credor B um direito à indemnização e à resolução do contrato.
Veja-se que, pelo conhecimento psicológico do devedor A, o mesmo nunca se predispôs a
querer cumprir a obrigação, provavelmente tendo omitido informações a B quanto à sua
intenção de não querer manter o contrato, daí o mesmo ter ficado “fulo”. Assim, A,
presumidamente, agiu contra a boa fé na execução do contrato – Artigo 762.º2 -, sendo
claramente desproporcional exigir a manutenção do vínculo contratual. Contudo, a hipótese da
mora será de admitir, especialmente se B ainda mantiver interesse no cumprimento

6.ª Hipótese: A é assolado por uma enfermidade que não o deixa viajar durante as
férias, pelo que não entrega a jibóia a B.

A impossibilidade absoluta é a impossibilidade propriamente dita, traduz-se na plena e


verdadeira inviabilidade da prestação, seja por força da natureza ou do homem, ou por
determinação da lei, ao passo que a impossibilidade relativa respeita aos casos em que a
prestação é ainda praticamente possível, mas o cumprimento será excessivamente difícil ou
oneroso de ordem financeira, pessoal ou moral para o devedor, isto é, mera difficultas
praestandi. No caso em apreço, estamos diante da segunda impossibilidade: impossibilidade
relativa De facto, VAZ SERRA, no seu anteprojeto, analisou exaustivamente as diversas
modalidades de impossibilidade em sede das obrigações, inclinando-se para a tese da
aproximação entre a dificuldade excessiva ou extraordinária da prestação e a impossibilidade
absoluta do cumprimento, tidos em conta a boa-fé e os usos negociais e, além disso, pela
interpretação das declarações negociais que fundam a obrigação, não se deve presumir que o
devedor esteja disposto a vincular a esforços muito superiores àqueles que razoavelmente lhe
são exigíveis para a prestação. Contudo, o CC.º não adotou este entendimento. Ou seja, o
devedor, em princípio, tem de suportar o encargo agravado da prestação sem receber uma
correspondente contrapartida mais alta. Mesmo assim, entende-se que alguns dispostos no CC
podem ser recorridos para tratar os casos de excessividade da prestação e concedem algumas
atenuações à rigidez da impossibilidade para salvaguardar os interesses do devedor,
nomeadamente, o erro sobre a base do negócio e a alteração da base do negócio dos arts. 252.º e
437.º, o princípio da proibição do abuso do direito do art. 334.º, o conflito de direitos ou de
deveres do art. 335.º 140 . Ademais, o n.º 1 do art. 566.º prevê a substituição da reconstituição
natural pela indemnização pecuniária, sempre que o interesse do credor não justifique a

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excessiva onerosidade daquela para o devedor; o n.º 2 do art. 762.º permite que o devedor seja
indemnizado no caso de a dificuldade excessiva ser censurável ao credor, bem como, por dentro
dos pressupostos da Responsabilidade Contratual, o pressuposto da culpa não se preencher se
existe dificultas praestandi (veja-se: A ao faltou ao cumprimento porque estava “enfermo”
(doente?) Pode com isto entender-se que A, por estar “enfermo”, não poderia viajar, e seria
requisito para o cumprimento da obrigação que o mesmo tivesse viajado. Contudo, pode
apontar-se que o cumprimento da obrigação – i.e, a satisfação do interesse do credor – dá-se
com a mera entrega da jibóia, não com a ida de A de férias, ou sequer com a sua viagem.
Portanto, em vez de “relativa”, a impossibilidade poderá admitir-se ser “subjetiva”, já que a
prestação de A não é infungível, podendo bem o mesmo fazer substituir-se por mandatário –
Artigo 1157 e ss - ou por terceiro, Artigo. 791.º1 (aqui, terceiro, já que à luz do Artigo 767.º1 a
prestação pode ser feita por terceiro. MENEZES CORDEIRO refere que os casos de
impossibilidade relativa – como no caso sucede – devem tentar sempre ser resolvidos com vista
à “substituição” por terceiro no cumprimento, quanto essa substituição não é excessivamente
onerosa. Efetivamente, o exemplo de MENEZES CORDEIRO tem toda a aplicação no caso em
apreço. A situação “enferme” de A não faz extinguir a sua obrigação, devendo esta manter-se.
Assim, A ao não cumprir, e sendo-lhe este comportamento imputável – Artigo 804.º2 -, já que o
mesmo se deveria ter feito substituir, cai em mora, Artigo 805.º2, Artigo 806.º.

7.ª Hipótese: A jibóia morre devido a causas naturais.


A impossibilidade superveniente objetiva, prevista no n.º 1 do art. 790. º 130, conduz à
extinção das obrigações atingidas e à consequente exoneração do obrigado. Neste sentido,
exige-se que a impossibilidade seja objetiva, isto é, que não possa ser cumprida por terceiro; que
seja absoluta, ou seja, que não seja uma mera impossibilidade relativa relacionada com a
dificuldade do devedor prestar; exige ainda que impossibilidade seja originada por uma causa
que não seja imputável ao próprio devedor. Efetivamente, os casos/causas fortuitas/naturais são
situações de inadimplemento não imputáveis ao devedor (aqui, a A, já que a jiboia morreu por
“causas naturais”) Neste sentido, o caso fortuito irá extinguir a obrigação de A.

8.ª Hipótese: A chega a Lisboa com a jibóia, mas B recusa-se a recebê-la porque mudou
de ideias e já não a quer no jardim.

O credor B entra em mora porque, sem motivo justificado, recusa-se a aceitar a


prestação por parte de A – Artigo 813.º. Não existe, de facto, fundamento legítimo para
a recusa, já que, como B refere “já não queria a jiboia para pôr no jardim”. A doutrina
tem elencado por exemplo típico de fundamento legítimo a situação prevista no Artigo

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764.º1, quando a prestação deve ser feita em lugar diverso ou o devedor é incapaz.
Coloca-se ainda, para além do referido, que o problema também poderá ser reconduzido
a um problema de omissão de cooperação, pelo credor, sem motivo justificado, já que A
efetuou a prestação, tal como estipulado e da forma de como lhe competia para o efeito.
MENEZES CORDEIRO tem defendido que a “cooperação” presente funda-se nos
deveres acessórios, decorrentes da boa fé na execução dos contratos. Quanto aos efeitos
da mora do credor, ALMEIDA COSTA refere que as várias normas estabelecidas pelo
legislador traduzem o intuito de harmonizar dois princípios: o de que o vínculo
obrigacional deve subsistir, não obstante a mora, e o de que a posição do devedor deve
ser agrada por esse facto atribuído ao credor (de forma, segundo o Autor, a criar um
equilíbrio de interesses). Primeiro, a isenção de responsabilidades do devedor e a
possibilidade deste cumprir através de consignação em depósito – Artigo 841 n.º1 –
sendo que nenhuma destas situações se aplicaria, já que B já cumpriu com a sua
obrigação Há também um abrandamento da responsabilidade debitória, já que quanto ao
objeto da prestação, o devedor passa a responder apenas pelo seu dolo; neste sentido, o
devedor só responde pelos provento que hajam sido recebidos, e durante a mora, a
dívida deixa de vencer juros legais ou convencionais – Artigo 814 n.º1 e n.º2. Quanto ao
Risco, “a mora faz recair sobre B o risco da impossibilidade superveniente da prestação,
que resulte de facto não imputável aa A” – Artigo 815.º1. Neste sentido, acresce que A
poderá ter direito à indemnização, pro parte de B, pelas maiores despesas que este seja
obrigado a fazer com o oferecimento infrutífero da prestação e aguarda e conservação
do respetivo objeto – Artigo 816. De facto, o Artigo 816 tem toda a aplicação no
presente caso: efetivamente, A teve um enorme prejuízo com a viagem, bem como com
a conservação e o transporte (quiçá, caro) da jibóia. PEREIRA COELHO tem
questionado se, havendo culpa do credor (de B, o caso), a indemnização é suscetível de
ir além das “maiores despesas” a que se refere o Artigo 816. Por fim, a mora creditoris
de B expurgar-se-á quando o mesmo, inadimplente, cumprir a obrigação.

Variante: Como B não quis receber a jibóia, A levou-a para casa. No dia seguinte, a
jibóia parece apática e mexe-se pouco. Como A não está familiarizado com estes
animais, apesar de perceber que a jibóia não está bem, não atribui importância ao
sucedido. A meio dessa tarde, a jibóia morre. A fica desolado, até porque tinha gasto
dezenas de euros a comprar alimentação e brinquedos para a jibóia.

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A problemática desta situação prende-se com a transferência do risco da coisa aquando
da existência de mora creditoris. Efetivamente, como no Caso 8, B ao rejeitar o cumprimento
por A entra em mora – Artigo 813 - , já que, como referido no Caso 8, o mesmo rejeita “porque
não lhe apeteceu”: portanto, rejeita sem motivo justificado.
Os efeitos da mora do credor, aqui relevantes para o caso, é, desde logo, a obrigação de
indemnização a que o devedor tem direito – Artigo 816.º. B, ao não querer receber a jibóia, fez
com que A tivesse despesas decorrentes do oferecimento infrutífero da prestação (desde logo,
apesar do caso não o referir, com o transporte da jibóia). Para além disso, é referido que B até
“tinha gasto dezenas de euros a comprar alimentação e brinquedos para a jibóia”.
Tem-se entendido (GALVÃO TELLES) que a responsabilidade do credor face ao devedor,
aquando da existência de mora creditoris, é um caso de responsabilidade pelo sacrifício, já que o
credor, é discutido, não tem o dever de aceitar a prestação do devedor. O sacrífico seria,
portanto, as maiores despesas em que A incorreu com a rejeição do cumprimento por B.
Galvão Telles, Pessoa Jorge, Calvão da Silva, Antunes Varela, extraem do Artigo 762.º2 o
dever do credor colaborar no cumprimento. Os professores extraem do referido artigo com base
nos “deveres acessórios, resultantes da boa fé, no cumprimento dos contractos”
Acresce ainda que, apesar de não ser aplicado no caso, é bom relembrar: o segundo efeito da
mora é a atenuação da responsabilidade do devedor. Apesar de nos termos do Artigo 798.º o
devedor responder perante o credor por falta culposa de cumprimento, presumindo-se a sua
culpa – Artigo 799.º -, a partir do momento em que o credor entra em mora, a responsabilidade
do devedor atenua-se, respondendo este apenas pelo seu dolo – Artigo 814 – e, em relação aos
proventos da coisa, apenas responde pelos que efetivamente tiverem perecido; para além disso,
durante a mora do credor, a dívida deixa de vencer juros, quer legais quer convencionais.
Outro dos efeitos da mora é a transferência do risco – Artigo 815. Essa transferência do risco é
invertida e justifica-se no caso presente. Primeiro, porque a prestação de torna
supervenientemente impossível (a jibóia morre). Segundo, porque, tornando-se impossível
supervenientemente, essa situação não é imputável ao devedor (Artigo 790.º1, relembre-se, a
jibóia parece adoentada e, certamente, A não teria diligência suficiente, tendo em conta um
padrão de um homem médio, para perceber que a cobra estaria doente, portanto, jamais poderia
ser responsável por via de responsabilidade contratual – por falta de culpa – e, portanto, o
critério do dolo da parte final do Artigo 815, como situação que faz recair o risco sobre o
devedor, não está preenchido). GALVÃO TELLES refere que a lei estabelece um padrão de
diligência quase nulo do devedor, em caso de mora do credor, devendo aqui entender-se que a
responsabilidade não ocorrerá apenas em caso de dolo, mas por grave negligência. MENEZES
LEITÃO refere que, estando o credor em mora, não se aplicará o Artigo 799.º, cabendo antes ao
credor em mora demonstrar que o devedor actuou intencionalmente e com dolo.

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Portanto, haverá indemnização de B a A, bem como será por conta de B que o risco correrá,
não tendo este, contudo, direito à redução da contraprestação no Artigo 815 n.º2.

9.ª Hipótese: No transporte da jibóia, um funcionário do aeroporto bate violentamente


com a jaula, provocando a morte do animal.

Em princípio, quando a prestação se torna impossível, por fato não respeitante ao devedor,
verifica-se impossibilidade superveniente, conduzindo à extinção da obrigação – artigo 790.º
Cc. Em face da presunção de culpa constante do art. 799.º/1 do CC, é ao devedor que compete
demonstrar que a impossibilidade não lhe é imputável. Pode afirmar-se que o caso fortuito
constitui uma forma de exoneração da responsabilidade do devedor. Repare-se que no caso em
apreço fora um “funcionário do aeroporto” que provocou a morte do Animal.
Em regra, se a prestação se impossibilitar em virtude de atuação de um terceiro, ocorre
impossibilidade superveniente e, em consequência disso, a extinção do dever de prestar e a
liberação do devedor. Para que tal se verifique é necessário que o devedor não tenha ele mesmo
provocado o incidente que deu origem à inexecução da prestação (de facto, A nada fez para
provocar a morte da Jibóia). Este regime é o que resulta da articulação entre os artigos 790.º e
seguintes e 798.º e seguintes do CC. Com o caso fortuito ora referido não se confunde a não
realização da prestação decorrente da intervenção de um terceiro ligado ao devedor, que este
voluntariamente introduz no esquema obrigacional. Neste ponto, a lei equipara o incumprimento
à impossibilidade de cumprimento por causa imputável ao devedor, que pode decorrer tanto de
um ato doloso, como de mera culpa. Assim, a prestação também se pode tornar impossível
devido a fato de uma pessoa que atua pelo devedor, caso em que este igualmente responde, não
se aplicando então o art. 790.º CC, mas o Artigo 800.º Por conseguinte, a extinção da obrigação
nos termos do art. 790.º CC pressupõe que o terceiro não seja auxiliar do devedor: “há a
distinguir os terceiros que nada têm a ver com a obrigação, daqueles que são chamados a
colaborar no cumprimento, quer como auxiliares do devedor, quer como auxiliares do credor”.
Isto porque de fato o devedor responde pela atuação dos terceiros aos quais recorreu para o
cumprimento. Contudo, nesta situação, A não poderá responder pelos atos praticados pelo
funcionário.
Concluindo, apenas a inexecução da obrigação devido a ato de terceiro estranho à mesma, sendo
tal ato imprevisível e inevitável para o devedor, é que é equiparada ao fato fortuito ou de força
maior, exonerando o devedor (PESSOA JORGE).
Neste sentido, sendo o funcionário um terceiro estranho ao devedor, equiparar-se-á a situação a
um caso fortuito. Assim, a sua obrigação de entrega da jibóia extinguir-se-á por via do Artigo
790.º, já que a causa da morte da jibóia não lhe é imputável.