Você está na página 1de 8

Nicolau Spadoni

5799202
História da Filosofia Antiga I
Prof. Roberto Bolzani

Como é possível o conhecimento na Metafísica de Aristóteles?

“Há, depois, uma questão afim a esta, que é a mais difícil de todas e cujo exame é o mais
necessário. Dela devemos agora falar. Se, com efeito, não existe nada além das coisas individuais, e
se as coisas individuais são infinitas, como é possível adquirir ciência dessa multiplicidade infinita?
De fato, nós só conhecemos todas as coisas na medida em que existe algo uno, idêntico e
universal”1.

Introdução

O presente trabalho será um breve comentário sobre as sentenças acima reproduzidas, que iniciam a
oitava aporia do livro III da Metafísica de Aristóteles. Fundamentalmente, o trecho nos direciona
para uma discussão que, a nosso ver, é central na obra do autor, a saber, sobre como é possível o
conhecimento. A questão, no entanto, não é levantada em abstrato por Aristóteles; antes, como fica
patente pelo trecho, ela é formulada a partir de uma problemática da filosofia platônica, embora
também represente, ao mesmo tempo, um ponto de tensão central de Aristóteles para com o
platonismo.

Não cabe ao nosso trabalho tratar extensivamente da filosofia platônica, mas é necessário
apontar, mesmo que de maneira mais geral, o sentido que a questão do conhecimento toma em
Platão. Pois, lá, o conhecimento verdadeiro só pode existir na medida em que trate de um conteúdo
universal (e, portanto, imutável). Daí que se siga o duplo esforço de Platão de, por um lado,
problematizar a possibilidade de um conhecimento que se efetive nos saberes dos sentidos, das
particularidades, dos exemplos, das impressões etc., dado que esses objetos estão em constante e
infindável mudança; e de outro lado, desenvolver a chamada “doutrina das formas” como seu modo

1 ARISTÓTELES. Metafísica (Met.), III, 999a24-29.


1
de instaurar um espaço possível em que se trate de objetos unos e imutáveis (as ideias, ou formas),
espaço no qual esse conhecimento pode ocorrer.

No excerto que é tema deste trabalho, Aristóteles mostra uma afinidade para com parte
dessa visão platônica. Ele, ao dizer que “de tôdas as coisas só adquirimos conhecimento na medida
em que possuam alguma unidade e identidade, e em que algum atributo lhes pertença
universalmente”2, está certamente se vinculando à posição epistemológica de Platão que apontamos
acima. Não obstante, a afirmação anterior, de que “se, com efeito, não existe nada além das coisas
individuais, e se as coisas individuais são infinitas, como é possível adquirir ciência dessa
multiplicidade infinita?”3 já nos apresenta um grande distanciamento da ontologia platônica. Em
suma, portanto, o trecho nos traz Aristóteles se fazendo a seguinte pergunta: como que, afirmando a
realidade, única e exclusivamente, das coisas particulares, ou como que, se distanciando da doutrina
das formas platônica, ainda se pode buscar um conhecimento científico (no sentido platônico,
mesmo) das coisas?

Tentaremos, aqui, apontar como Aristóteles responde à questão na Metafísica por meio da
introdução da noção de substância. Devemos atentar, porém, para o fato de que, embora a obra
tenha, perceptivelmente, uma unidade temática e conceitual, ela não apresenta um desenvolvimento
sistemático e “claro” (apesar de, certamente, ter uma unidade), pelo que optamos por um tratamento
da questão que consiste na reconstituição de alguns momentos que consideramos centrais para o
assunto. Ao final, amarraremos em uma conclusão um pouco mais concretamente o sentido do
movimento realizado.

Determinações preliminares da ciência filosófica (I, II)

Aristóteles inicia a Metafísica afirmando que “todos os homens, por natureza, desejam conhecer” 4.
Mas o sentido desses primeiros capítulos é, justamente, o de mostrar que, apesar de existirem
muitas maneiras pela qual se pode ter conhecimento de algo — por meio das sensações, da
memória, da experiência, da arte (τέχνη) —, há apenas um certo conhecer que constitui a sabedoria
(σοφία), o conhecer das primeiras causas e dos princípios das coisas. Essa ciência busca, por
conseguinte, conhecer as coisas no mais alto grau possível, isto é, em sua universalidade. O sentido
dessa afirmação será precisado mais para frente, mas aqui nos interessa que Aristóteles considera,
por isso, que essa ciência seja também o saber mais difícil de todos, por ser o mais afastado das
particularidades que se apresentam aos sentidos, e o saber mais instrutivo e que goza de maior

2 Met. III, 999a29.


3 Met. III, 999a26.
4 Met. I, 980a21.
2
autoridade, por elucidar as causas primeiras das coisas. Daí, também, que, no bastante breve livro
II, a filosofia seja caracterizada como “conhecimento da verdade” 5, pois o que deve haver de mais
verdadeiro é o conhecimento das causas das verdades ditas “derivadas”.

Ainda devemos apontar uma outra determinação fundamental dessa ciência, a que lhe
confere, mais propriamente, o estatuto de filosofia; é o fato de ela ser “a única livre” 6, isto é, por ela
ser a única cujo saber mesmo é seu próprio fim:

“foi pela admiração (θαυμάζειν) que os homens começaram a filosofar (…). E o homem
que é tomado de perplexidade (ἀπορῶν) e admiração (θαυμάζων) julga-se ignorante (…);
portanto, como filosofavam para fugir à ignorância, é evidente que buscavam a ciência a
fim de saber, e não com uma finalidade utilitária”7.

Ela é filosofia por não ter compromissos, por não ter finalidades exteriores a si mesma; é amor ao
próprio saber.

Como é possível essa ciência? (III)

No longo e complexo livro III, o famoso livro das aporias, Aristóteles irá lidar com várias
dificuldades em relação à questão que a Metafísica pretende tratar. Aristóteles crê que é necessário,
entre outras coisas, problematizar e afastar uma série de, por assim dizer, “desentendimentos”,
provavelmente em referência à formulações de filosofias anteriores (em especial, da platônica),
antes de poder prosseguir, mais propriamente, com o estudo pretendido.

A oitava aporia, cujo “caput” é tema deste trabalho, trata, fundamentalmente, da questão da
relação entre as particularidades e a universalidade. Mas o que já vinha sendo trabalhado por
Aristóteles neste livro III era justamente a refutação da tese de que os gêneros (“quer os imediatos,
quer os supremos [isto é, os universais]” 8) pudessem ter existência à parte das coisas particulares.
Certamente, Aristóteles está sustentando uma grande polêmica contra a ontologia platônica, que
confere o mais alto grau de realidade às formas, universais. Aqui, “nada existe à parte das coisas
particulares”9 significa a afirmação de um primado de realidade das coisas individuais diante dos
universais10.

5 Met. II, 993b19.


6 Met. I, 982b28.
7 Met. I, 982b12-22.
8 Met. III, 999a31.
9 Met. III, 999a25.
10 Aristóteles irá até mesmo definir duas maneiras pelas quais se formam os universais a partir dos
particulares: a abstração e a indução. Diferentemente de Platão, que trata da relação de participação dos
particulares nos universais. Quer dizer: cremos que as diferenças, entre Platão e Aristóteles, na consideração
3
Esse deslocamento da questão ontológica põe Aristóteles ante uma dificuldade, “a maior de
todas e a que mais importa examinar”11, a saber, a de como será possível haver ciência se apenas
existem coisas particulares, e estas existem em número infinito. Aristóteles, nesse ponto, se mantém
platônico e aceita que o conhecimento só pode ocorrer na medida em que delas possamos tratar
universalmente. Quer dizer: embora aceitando a intuição epistemológica básica da filosofia
platônica, Aristóteles se põe a tarefa de reformular a teoria do conhecimento, uma vez que,
afirmando a realidade, única e exclusivamente, das coisas particulares, ele se distancia
irreversivelmente da ontologia de Platão — que era para este, como mostramos na introdução, o que
sustentava a possibilidade do conhecimento.

A ciência do ser enquanto ser (IV)

O livro IV da Metafísica inicia com a emblemática afirmação de que existe “uma ciência que estuda
o ser enquanto ser” (τὸ ὂν ᾗ ὂν), sendo esta ciência a única que, efetivamente, estuda
“universalmente o ser enquanto ser”12. As outras ciências estudam os atributos, as derivações, os
modos de ser, mas essa ciência, a filosofia, trata da coisa que é no mais alto grau de universalidade,
a saber, considerando-a segundo o aspecto do ser, considerando-a na medida em que ela é.

Em muitos sentidos, dirá Aristóteles, se pode dizer que uma coisa é. Mais à frente, no livro
VI, Aristóteles dá uma definição mais precisa dos sentidos em que o termo “ser” interessará à
ciência13, mas aqui ele já nos adianta que esse sentido será o “ponto central” 14 do que é, por assim
dizer, comum a tudo que é, ou seja, um âmbito originário de ser. Para a filosofia, portanto, se trata
de trabalhar com os elementos essenciais que constituem o ser das coisas, e não com os acidentes.
Mas se essa ciência, como anteriormente vimos, já havia sido definida, também, como aquela que
busca esclarecer os princípios e causas primeiras das coisas, temos uma questão definida: a
atividade filosófica consistirá, fundamentalmente, em descobrir as causas primeiras e os princípios
das coisas que são na medida em que elas são, em seu aspecto essencial de ser.

É neste ponto que Aristóteles introduzirá a noção de substância. No entanto, antes de


determinar e tratar mais propriamente dela, ele passará a discutir, ainda no livro IV, dois princípios
irrefutáveis e primeiros de todo ser, a saber, os princípios de não-contradição e do terceiro excluído.

dos modos de relação entre particulares e universais já revela a grande distância que Aristóteles toma do
forte estatuto ontológico que a universalidade tinha na filosofia platônica.
11 Met. III, 999a24.
12 Met. IV, 1003a21-23.
13 Isto é, enquanto essência e enquanto ato e potência. Essa discussão, contudo, foge da delimitação a que
se propõe nosso trabalho.
14 Met. IV, 1003a34.
4
A segunda parte do capítulo 2 do livro IV já prepara o terreno para o assunto. Essa discussão, não
obstante, foge da delimitação a que se propõe este trabalho.

A substância (VII, VIII)

Aristóteles apresenta alguns possíveis sentidos para a noção de substância logo no início do livro
VII, capítulo 3. Ele diz lá que substância se definiria como (1) a essência (τὸ τί ἦν εἶναι)15, (2)
universal, (3) gênero e (4) substrato (ὑποκείμενον).

A partir daí, Aristóteles começará a tratar da substância compreendida enquanto substrato,


isto é, na medida em que a substância seja esse lugar “subjacente” que contém, por assim dizer, os
atributos, qualidades e propriedades de uma coisa. Por isso ele dirá: “o substrato é aquilo de que se
predica tudo mais, mas que não é predicado de nenhuma outra coisa”16.

Nesse ponto, acreditamos ser fundamental acompanhar esse tema da substância tendo vista a
distinção anteriormente citada entre ontologia e epistemologia. Isso porque o modo como podemos
considerar a substância é diferente segundo cada um desses aspectos. De um ponto de vista
ontológico, podemos dizer que a substância é nada mais, nada menos do que um “composto de
matéria e forma”, quer dizer, ela é, imediatamente, esta unidade concreta e inseparável de uma
matéria e uma forma que a determina. Essa é uma maneira técnica aristotélica de se referir às coisas
individuais que, como vimos anteriormente 17, são as únicas coisas das quais se pode afirmar
existirem à parte. Quer dizer: no âmbito do que existe, das coisas particulares, concretas, apenas
podemos falar das substâncias como compostos de matéria e forma. Daí que Aristóteles, no livro
VIII, diga desse composto como “o único que é gerado e destruído, e o único capaz de existência
completamente separada”18.

Por outro lado, havíamos visto também como, ao aceitar a definição platônica de
conhecimento, Aristóteles precisa encontrar uma maneira de, ainda assim, poder lidar com as coisas
individuais de maneira universal. Por isso, ele irá formular como que, do ponto de vista
epistemológico, é possível falar da substância “enquanto algo separável”, isto é, ou como matéria,
ou como forma. Veremos à frente como essa possibilidade será crucial para a viabilização do
conhecimento.

15 É interessante notar que, no livro V, capítulo 8, na definição de substância, Aristóteles complementa que
a substância entendida como essência possa ser pensada “enquanto algo separável, como a forma (μορφὴ) ou
ideia (εἶδος) de cada ser” (Met. V, 1017b24).
16 Met. VII, 1028b35. A discussão que parece interessar ao autor, neste ponto, é, principalmente, a de que
substância não pode ser reduzida à matéria.
17 No comentário ao livro III, capítulo 4.
18 Met. VIII, 1042a31.
5
Para explicar esse ponto, tomemos como exemplo o próprio caso citado por Aristóteles no
livro VIII, o exemplo da casa19. Do ponto de vista da matéria, a substância da casa pode ser
compreendida como “pedras, tijolos e madeira”. Não obstante, observará ele, essa descrição é
insuficiente para dar conta do que é uma casa, pois com pedras, tijolos e madeira se poderia
produzir uma infinidade de coisas particulares e essencialmente distintas de uma casa 20. Ainda
assim, não é inteiramente errado aceitar que uma casa seja um construto de pedras, tijolos e
madeira. Quer dizer: a substância tem matéria, mas não pode se reduzir à ela. Por outro lado, no
exemplo, a substância pode ser compreendida também como “um receptáculo para abrigar móveis e
sêres viventes”; nesse sentido, refere-se à forma da casa, e não mais à sua matéria. A forma da casa
define sua essência enquanto casa. Mas ainda assim, essa distinção não tem valor ontológico, pois
na existência concreta apenas há as mais diversas casas particulares, compostos inseparáveis de
matéria e forma.

Como, por conseguinte, se encaixa a definição da substância como substrato nessa


formulação? Pelo fato de que a casa, então, tem diversas determinações, tanto materiais quanto
formais, que estão (jazem) na substância e que, de um ponto de vista do conhecimento, podem ser
conhecidas separadamente. Isto quer dizer que, da substância como substrato podemos falar de três
maneiras: enquanto matéria, enquanto forma, ou enquanto composto de matéria e forma.

Nos capítulos 13 e 14 do livro VII, Aristóteles irá, de maneira muito breve, afastar os
sentidos de substância enquanto universais e gêneros. Não trataremos dos argumentos aqui em
específico, mas indicaremos que se trata, fundamentalmente, da questão de que universais e
gêneros, diferentemente das substâncias, não podem ter, para o autor, uma existência em separado.

Resta, então, considerar a substância como essência 21. Aristóteles tratará dela nos difíceis
capítulos 4-6 e 10-12 do livro VII. Aqui, tentaremos delimitar o que nos parece central para indicar
o que foi pensado. E antes de tudo, talvez seja fundamental atentar para que, no início do capítulo 4,
o autor diga que fará, a respeito do assuntos, observações linguísticas (λογικῶς). Isso porque, a
nosso ver, Aristóteles assim já nos localiza o âmbito em que a substância, entendida enquanto
essência, deverá ser considerada: não em um âmbito ontológico, mas no de um certo discurso
19 Met. VIII, 1043a14-19.
20 Quer dizer: “pedras, tijolos e madeira” pode ser dito como uma casa em potência, mas não ainda em ato.
É necessário que uma certa forma atualize “pedras, tijolos e madeira” de modo que ela, então, possa ser uma
casa. Infelizmente, não poderemos nos estender sobre a dinâmica do ato e da potência nesse trabalho.
21 Na Metafísica, Aristóteles emprega duas expressões distintas para tratar daquilo que a tradução de Ross,
que tomamos por base nesse trabalho, emprega como sendo “essência”: τὸ τί ἦν εἶναι e a versão reduzida, τὸ
τί ἐστι, que traduzem, literalmente, por “o que era ser” e “o que é”. Há uma discussão, a qual aqui apenas
apontamos mas de que não poderemos tratar, de se haveria alguma diferença substancial entre os dois
termos. Em nosso trabalho, tomaremos as expressões como sinônimos, referindo-se a “o que é” de uma coisa
visada.
6
(λόγος). Contudo, se lembrarmos que a pergunta pela essência remete à questão por aquilo que é,
perceberemos que ela nos lança na busca de uma definição para a coisa questionada; sendo assim,
essa definição, essa resposta à pergunta “o que é”, diz Aristóteles, é algo que se pode dizer das
coisas, é lógica, e não ontológica. Ora, já no exemplo da casa, dito acima, vimos como a essência da
casa enquanto casa era dita segundo o aspecto de sua forma; quer dizer: é formalmente que
respondemos à questão sobre “o que é”, e essa resposta só pode ser dita.

Nesse ponto, importa fazer uma consideração crucial: falar essencialmente sobre uma coisa
implica em podermos nos referir, em separado, à sua forma. Isto significa que, de um ponto de vista
formal, posso falar, para todas as coisas particulares, de uma só coisa em sentido universal, posso
tratar do que há de igual, comum, em relação à cada coisa concreta e da outra diferente. O universal,
já havia dito Aristóteles no capítulo 13 do livro VII, “é comum, pois o que se chama universal é o
que pertence por natureza a muitos seres”22. Isso, certamente, é bastante diferente de atribuir
existência aos universais, ou de considerá-los substancialmente, mas, ainda assim, é uma maneira
que viabiliza um discurso universal sobre as coisas.

Conclusão

Certamente, ainda há muitos desenvolvimentos na questão da substância, como, por exemplo, a do


ato e potência, formulação da qual não tratamos aqui mas que está intimamente ligada ao tema da
substância como matéria e forma. De qualquer maneira, pareceu-nos que, com o que indicamos até
agora, já é possível adiantar, conclusivamente, a solução que Aristóteles dá ao problema do
conhecimento posto no trecho-tema deste trabalho.

Recapitulando: vimos como, inicialmente, nosso autor se depara com um problema, a saber,
de como, partindo de um deslocamento ontológico realizado em relação a Platão, ele poderia, ainda
assim, salvaguardar a possibilidade de que houvesse conhecimento, no mais alto grau do termo.
Para isso, Aristóteles aprofunda-se no tratamento da noção de substância. Quer dizer: a substância
aparece como aquilo que possibilitará, a Aristóteles, conciliar sua nova ontologia com as demandas
epistemológicas platônicas.

Isso porque, por um lado, a substância é a coisa particular e concretamente existente. Ela
satisfaz, nesse sentido, a intuição ontológica aristotélica central de que nada além das coisas
particulares são existentes. Daí que ele afirme que a substância não possa se reduzir nem à pura
matéria, nem à pura forma: ela é, concretamente, um composto de ambas. Por outro lado,
22 Met. VIII, 1038b12.
7
Aristóteles admite a possibilidade lógica (discursiva) de se considerar a substância como essência,
de maneira que se possa falar das coisas do ponto de vista de sua forma e, portanto, de maneira
universal.

É por meio dessa noção de substância, portanto, que Aristóteles poderá conciliar, em última
instância, imutabilidade e mudança, unidade e multiplicidade, epistemologia e ontologia.

Referências bibliográficas

ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução W.D. Ross. Porto Alegre: Editora Glôbo, 1969.

_____________. Metaphysics, ed. W.D. Ross. Oxford: Clarendon Press. 1924.

BLACKSON, T.A. Induction and Experience in "Metaphysics" 1.1. In: “The Review of
Metaphysics”, Vol. 59, No. 3 (Mar., 2006), pp. 541-552.

HEGEL, G.W.F. Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie II. Frankfurt am Main:
Suhrkamp, 1971.

ROSS, W.D. A metafísica de Aristóteles. In: Metafísica. Tradução W.D. Ross. Porto Alegre:
Editora Glôbo, 1969.