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Reflexões,

orientações
e relatos de
experiência
Caderno digital sobre
educação em museus
associação parceiros da educação
tomara! educação e cultura
Reflexões,
orientações
e relatos de
experiência
Caderno digital sobre
educação em museus

Realização Patrocínio Apoio Realização


expediente

GESTÃO GERAL Equipe técnica Publicação


Associação Parceiros Relações Institucionais Organização
da Educação Bia Henriques Parceiros da Educação
Tomara! Educação e Cultura
Diretora Executiva Produção
Lúcia Fávero Raul Cavalcanti Elaboração de textos
Tomara! Educação e Cultura
Coordenadora Pedagógica Projeto pedagógico
Renata Aparecida Felinto dos Santos
Mônica Guerra Renata Aparecida Felinto dos Santos
Marcos Felinto dos Santos Coordenação de Arte
Coordenadora Operacional
Parceiros da Educação
Manoela Miranda Roteiros culturais
Tomara! Educação e Cultura
Amanda Carneiro
Coordenadora de
Anike Laurita de Souza Design
Comunicação e Projetos
Giselda Pereira Rodrigues Lucia de Menezes Farias
Fabiana Pasquetto
Formadores Revisão de Texto
Coordenadora Administrativa
Evelyn Ariane Lauro Lucimara Carvalho
Renata Fonseca
Marcos Felinto dos Santos
Assistente de Comunicação Vera Belo
Tamara Nobrega
Educadores
Ana Paula Ferreira Santos
COORDENAÇÃO TÉCNICA André Luiz de Jesus Leitão
Anike Laurita de Souza
Tomara! Educação e Cultura Carolina Rocha Pradella
Ana Luiza Mendes Borges Cintia Maria da Silva
Camila Iwasaki Daniela Ortega
Clara de Assunção Azevedo Juliana Oliveira Gonçalves dos Santos
Júlia Serra Young Picchioni Maria Ferreira da Silva Meskelis
Marilia Furman
Mona Lícia Santana Perlingeiro
Simone Vieira de Moraes
Tiago Luz
Assessoria de Imprensa
Mira Comunicação
Videocase
Social Filmes
SUMÁRIO

Apresentação......................................................................................................................... 5

Capítulo 1  Quais são os princípios e as bases conceituais do Projeto?....................................... 41


O trabalho educativo em museus: premissas e caminhos possíveis Quais foram os objetivos e a estrutura da formação
da equipe de educadores?.................................................................................................... 43
1.1 O que é um museu? ................................................................................................... 9
Como os roteiros educativos do Projeto Conexões Culturais
Todos os museus são iguais?.................................................................................................. 11
foram estruturados? ............................................................................................................... 45
Quem é o público dos museus e por que visitá-los? .................................................... 13
 Como pode ser o trabalho de educação dentro dos museus?.................................. 14 Diferenciais de cada roteiro cultural .................................................................................. 51

1.2 Qual é o papel do Educativo nos museus? ........................................................... 15 2.3 Ciclo operacional do Projeto.................................................................................. 58
O que é Educação em Museus? ........................................................................................... 16 Como o Projeto funcionou na prática? ............................................................................ 58
 É preciso escolher uma única metodologia?.................................................................... 17  Monitoramento do Projeto: foco nas visitas educativas..............................................60
A Educação em Museus e o Projeto................................................................................... 22
2.4 Resultados do Projeto............................................................................................. 62
1.3 Quais são as orientações gerais para realizar uma visita?................................ 24 Números finais de atendimento........................................................................................... 62
A pré-visita ................................................................................................................................ 25 Avaliação da visita: o olhar dos participantes................................................................ 68
A visita......................................................................................................................................... 26
A pós-visita................................................................................................................................. 30 Capítulo 3
Anexos
  Dicas gerais de como fazer a “mediação” de acervos.............................................. 31

3.1 Instrumentos de gestão e avaliação...................................................................... 74


1 .4. A construção do conhecimento para além da sala de aula................................ 33
Anexo 1: Termo de cooperação técnica ........................................................................... 75
 Aproximações e distanciamentos entre educação formal
e educação não forma............................................................................................................ 33 Anexo 2: Planilha de controle de visitas por escola...................................................... 75
Anexo 3: Avaliação da visita pelos educadores............................................................. 76
Os PCNs e a BNCC como lugares de reflexão
e articulação de conteúdos e temas.................................................................................. 35 Anexo 4: Avaliação da visita pelo público....................................................................... 78

Os frutos da articulação entre museus e escolas.......................................................... 36 3.2 Roteiros culturais..................................................................................................... 79


Anexo 5: Roteiro Cultural do Memorial da Resistência................................................ 79
Capítulo 2  Anexo 6: Roteiro Cultural do Museu Afro Brasil............................................................80
O Projeto Conexões Culturais: um relato da primeira edição  Anexo 7: Roteiro Cultural da Museu da Imigração ........................................................ 81
 Anexo 8: Roteiro Cultural da Pinacoteca do Estado de São Paulo......................... 82
2.1. O Projeto Conexões Culturais................................................................................. 39
Capítulo 4
2.2. A proposta educativa do Projeto Conexões Culturais........................................40 Referências do Projeto....................................................................................................... 83
Apresentação

O
O material aqui apresentado integra Projeto Conexões Culturais constituiu-se em um
o Projeto Conexões Culturais: museu, programa de visitas a quatro museus da cidade
de São Paulo – Museu Afro Brasil, Museu da Imi-
comunidade e escola realizado pela gração, Memorial da Resistência e Pinacoteca
Associação Parceiros da Educação, com do Estado de São Paulo – que buscou promover
coordenação técnica da Tomara! Educação a ampliação do repertório sociocultural de alunos de Anos
Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, de professores
e Cultura e fomentado pelo Proac ICMS, e da comunidade de familiares de alunos de vinte escolas
iniciativa de incentivo à cultura do Governo integrantes do Programa de Ensino Integral da Secretaria
do Estado de São Paulo por meio da da Educação do Estado de São Paulo 1 . O Projeto totalizou
Secretaria de Estado da Cultura. um público de 2.811 pessoas distribuídas em 157 visitas,
proporcionadas por 79 saídas culturais para as instituições
envolvidas. Além de atender diretamente esse público com
as visitas mediadas aos acervos dos museus participantes,
o Projeto desenvolveu este caderno educativo digital e pro-
moveu um debate no encerramento das atividades, sediado
por um dos museus participantes.

Com este material, queremos que os profissionais da educa-


ção – das escolas, das organizações e dos museus – tenham
acesso a uma ferramenta de facilitação e de propagação de
ações voltadas à socialização das coleções e dos bens cultu-
rais, históricos e artísticos, que se encontram salvaguardados
e preservados nesses acervos públicos.

1
As vinte escolas participantes do Projeto possuem um relacionamento pregresso com a Da experiência de entrar em contato com essas coleções, um
Associação Parceiros da Educação, inclusive fazendo parte de outras iniciativas de cunho aspecto que ganha cada vez mais relevância no campo museal
educacional e cultural da associação junto à Rede Estadual de Educação de São Paulo. também inspirou o Projeto: a oportunidade de falar sobre nós

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Apresentação

e nossa humanidade, conectando-nos à nossa própria história, digital sobre educação em museus” divide-se em quatro
a partir de ideias e conceitos materializados em instalações capítulos, detalhados a seguir.
expográficas e objetos de arte, de história, de cultura, de vida.
Refletir sobre como tais experiências podem ser significativas No Capítulo 1, compartilhamos o modo como teoria e prá-
e contribuir para nos reconectarmos com as várias camadas tica se encontram no trabalho educativo em museus. Para
de memórias e com os significados e ideais de sociedade nelas tanto, apresentamos o que configura um museu na con-
mobilizados, conduzindo-nos à transformação por meio da temporaneidade, considerando as diversas naturezas de
educação, é um dos objetivos deste material. coleções para, em seguida, dedicarmo-nos a delinear o
papel importante dos núcleos e dos setores de educação
Para concretizar esses desejos, este caderno apresenta, dos museus e suas iniciativas voltadas às pesquisas das
propõe, argumenta, registra e analisa teorias e práticas coleções. O papel dos edifícios que alocam os museus na
que alimentaram e alinharam o desenvolvimento do Projeto criação de estratégias e dinâmicas que os aproximem dos
Conexões Culturais desde as premissas e os objetivos, pas- diversos públicos, as linguagens e os objetos de apoio
sando pela formação da equipe de educação – que realizou adequados aos diferentes visitantes e, ainda, a sugestão de
as mediações de grupos de visitantes compostos por jovens estrutura básica e orientações para o trabalho de mediação
e adultos –, pelas etapas da visita até a apresentação dos de visitas educativas também fazem parte desse capítulo.
resultados obtidos com a iniciativa.
No Capítulo 2, compartilhamos, em forma de relato, de-
Este material pretende trazer à tona facetas e resultados do poimentos e números da primeira edição do Projeto, a fim
Projeto, contribuindo com as reflexões acerca das relações de analisá-lo de forma mais detida e divulgar informações
entre museus, comunidades e escolas e, quiçá, com o aden- que consideramos de interesse social, político e educati-
samento da articulação entre instituições privadas e poder vo. Assim, iniciamos apresentando o projeto educativo e
público, sociedade civil organizada e espaços de educação pedagógico que orientou cada etapa realizada, especial-
formal e informal de nosso país, em prol da promoção de mente no que se refere à formação da equipe que realizou
processos educativos qualificados e significativos. o trabalho de mediação nas visitas e ao tipo de experiên-
cia que ambicionávamos que o Projeto proporcionasse
O “Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola: aos grupos de visitantes atendidos. Introduz-se também
Reflexões, orientações e relatos de experiência – Caderno as bases conceituais e premissas metodológicas que, em

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Apresentação

verdade, ampararam-se na desconstrução de fórmulas fixas ter contado com mais de quatro roteiros, esses foram aqui
de mediação e propuseram a liberdade de selecionar ferra- condensados de modo a exemplificar e agregar em um
mentas e práticas, pautadas em experiências significativas, único lugar as abordagens utilizadas para mediar visitas
para uma visitação transformadora, mobilizadora. Tratamos, com os diferentes públicos participantes do Projeto.
ainda, da elaboração dos roteiros de visitação, que foram
instrumentos fundamentais durante esse processo. Neste Por fim, no Capítulo 4 apresentaremos as referências bi-
ponto, destaca-se o enfoque à apresentação de cada museu bliográficas, webográficas e filmográficas utilizadas nesta
em termos de origem, história do edifício, divisão dos acer- publicação e em todas as outras etapas do Projeto, além
vos, seleção de objetos e conceitos que foram abordados, de documentos oficiais que nos ampararam do início ao
sempre com cautela em relação aos diferentes públicos fim do trabalho.
atendidos e suas faixas etárias. Apresentamos também o
ciclo operacional do Projeto na perspectiva de identificar Desejamos que este material seja bem aproveitado e estimule
as ações realizadas, especialmente no que tange às visita- pessoas interessadas e comprometidas com a democratiza-
ções, foco central do Projeto. Abordamos o monitoramento ção, o acesso e a fruição qualificada de bens culturais. Que
contínuo das visitações, as avaliações junto à equipe do seja um instrumento que possibilite ampliar visões e reper-
educativo bem como as devolutivas avaliativas realizadas tórios, incentivando todos a reverem e valorizarem os nossos
pelos grupos de participantes. Por fim, trazemos resultados acervos, patrimônios materiais e imateriais que formam o
do Projeto de forma sintética, por meio da apresentação de Brasil e são indicativos da ação da humanidade na história,
dados quantitativos, infográficos, gráficos e tabelas. na cultura, na arte e na sociedade. Que possamos, por meio
desse compartilhamento, repensar e fortalecer o papel das
O Capítulo 3 – Anexos contém dois grandes grupos de relações essenciais e contínuas destes três lugares que se
documentos, o primeiro reúne instrumentais considerados retroalimentam para dar sentido uns aos outros: museu, co-
importantes de serem divulgados a título de exemplos de munidade e escola. Que este seja um material que inspire e
como se pode garantir uma ação mínima de monitoramen- permita estabelecer novas pontes e conexões.
to e avaliação em um projeto como esse. O segundo grupo
de documentos é composto por quatro roteiros culturais
gerais de mediação de visitas educativas, referentes a cada
um dos museus envolvidos no Projeto. Apesar de o Projeto Boa leitura!

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

M
useus são espaços dinâmicos, em constante transfor- museu. No Brasil, os primeiros museus são organizados nesse
mação, a serviço da sociedade e com grande potencial período; o mais antigo, inaugurado em 1862, foi o Museu do
para a educação, o lazer e a pesquisa. Possuem um Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano.
papel fundamental na preservação, comunicação e discussão
das nossas memórias, articulando passado, presente e futuro Tradicionalmente, um museu é um tipo de instituição em
e contribuindo para a sociedade se repensar. O acesso às ins- que são guardados e exibidos objetos de interesse artístico,
tituições museológicas é um direito que deve ser usufruído e, cultural, científico, histórico, técnico ou de qualquer outra
para que seja desfrutado no máximo de suas potencialidades, natureza cultural com fins de preservação, pesquisa, edu-
é importante saber para que servem e como funcionam. cação e lazer. Hoje em dia, entretanto, esse conceito foi
ampliado, podendo um museu preservar, pesquisar e expor
O hábito de colecionar objetos acompanha a humanidade há temas, histórias ou facetas culturais de diversas maneiras e
milênios, mas o modelo de instituição que denominamos hoje a partir de vários suportes e recursos, não necessariamente
museu tem origem entre os séculos XVI e XVII, com os gabi- respaldados em obras e objetos tridimensionais.
netes de curiosidades europeus, fruto do colecionismo de ele-
mentos coletados durante as grandes navegações europeias. Uma exposição de museu é um discurso sobre algo. É sem-
Nesse período, quem tinha riquezas para investir constituía pre um recorte, uma versão que traz uma ou algumas pers-
coleções heterogêneas com objetos de naturezas e procedên- pectivas sobre um assunto, um artista, um movimento. As
cias das mais diversas. Possuir e acessar essas coleções era um exposições podem ser de longa duração, quando geral-
marcador de distinção social. Com os gabinetes de curiosidade, mente o museu exibe parte de seu acervo, já que muito do
então, as coleções particulares passaram a ser expostas e apre- patrimônio também fica preservado nas reservas técnicas;
sentadas a grupos seletos de nobres e iniciados nas ciências. ou de curta duração, como são chamadas as exposições
temporárias. Esse discurso é construído por um curador ou
Durante a Revolução Francesa, pós-queda da Bastilha (1791), uma equipe curatorial. O que está à mostra numa exposição
a preocupação com a salvaguarda do patrimônio histórico não é, e não pode ser, despropositado ou mera decoração.
francês, em perigo no meio das disputas pelo poder, produ- Ao contrário, é parte de uma narrativa proposta pela cura-
ziu as primeiras políticas oficiais de proteção ao patrimônio doria para abordar determinado conteúdo.
histórico, artístico e cultural, dando origem, por exemplo, ao
Museu do Louvre, que em pouco tempo se tornou referência As exposições de longa duração são aquelas que dão soli-
para a museologia ocidental. Nesse momento, colecionar e dez à identidade da instituição, estruturam e representam
preservar passam a ser, também, preocupações do Estado. sua razão de ser e permanecem por um longo período sem
grandes alterações. As exposições de curta duração (ou tem-
No entanto, foi somente no século XIX que se popularizou, porárias), de período que varia de museu para museu, em
em alguma medida, o acesso ao que hoje conhecemos como geral representam a ampliação e diversificação dos discursos
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

propostos pela instituição. As exposições de curta duração No entanto, no cotidiano de um museu, existe muita coisa
buscam dialogar com a exposição de longa duração e, mui- entre o guardar e o exibir...
tas vezes, aprofundar alguns de seus assuntos. Entretanto,
podem ser, também, espaços para se tratar de assuntos com- Para que um objeto guardado seja exposto, atuam sobre ele
pletamente novos, embora relacionados de algum modo à diversas atividades museais, tais como conservação, docu-
instituição, ou ainda para se apresentar outras perspectivas e mentação e pesquisa, que buscam garantir as abordagens,
formas de abordar um mesmo assunto. Isso torna os museus critérios e procedimentos em prol da preservação, da dis-
espaços em constante renovação: de tempos em tempos há cussão e do acesso. O resultado desse conjunto de ações
algo de novo para ver naquele museu que você já visitou. é comunicado à sociedade, principalmente, por meio das
exposições – a linguagem por excelência dos museus – mas
O museu não é uma instituição distanciada da sociedade: também por meio de oficinas, publicações, cursos, palestras
as exposições que produz têm que ter consonância com as e outros eventos ou mecanismos de comunicação, como a
demandas sociais e, para tanto, precisam ser concebidas em internet. Todas essas atividades museais são importantes
diálogo com o presente e com a comunidade sobre a qual e e se complementam para construir significados e conferir
para a qual fala. O museu precisa, então, estar aberto para o relevância ao acervo. É a conexão e a integração entre elas
diálogo constante com o exterior, o que significa renovação que dá sentido ao que o público tem acesso.
também constante. Nessa perspectiva, o museu se torna
um espaço de encontro e construção; e é na diversidade Além da curadoria, da conservação, da documentação,
desses encontros que propõe, por meio dos discursos que da pesquisa – para mencionar algumas atividades – e do
elabora e materializa em exposições e em outras ações de trabalho educativo – tratado adiante – para orquestrar a
extroversão, que o museu estabelece suas interpretações e série de atividades que compõem um museu existem ainda
conexões com a sociedade, dando sentido ao que preserva. as diversas funções de gestão. Não podemos esquecer das
equipes de recepção, manutenção, limpeza e segurança
Para além das exposições em seus espaços físicos, os museus patrimonial que, junto a tudo o que já foi listado, formam
também podem realizar exposições itinerantes, levando os a teia de relações institucionais que garantem o bom fun-
discursos por eles elaborados, e parte de seu acervo, para cionamento dos museus internamente.
que pessoas de outras localidades tenham acesso. Com a
popularização do acesso à internet, é comum, ainda, que É evidente que o tamanho das equipes depende dos recursos
sejam feitas exposições virtuais, iniciativas que podem ser financeiros de que o museu dispõe. São muitas as experiên-
concretizadas com menos recursos do que aqueles necessá- cias de museus que atuam com equipes reduzidas, em que
rios para se fazer uma exposição física. Nesse sentido, os sites cada colaborador assume diferentes funções e várias das
e as redes sociais dos museus são ferramentas importantes atividades aqui elencadas.
de difusão do conhecimento por eles produzido.

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

Todos os museus
são iguais?

M
useus são espaços múltiplos, Museus de Museus Museus de Museus
carregados de uma personali- Artes Plásticas Casa Ciências Antropológicos
dade definida por sua missão, e Visuais e Etnográficos
por seus objetivos e valores; São aqueles que têm São aqueles que tratam
pela natureza de seu acervo; São aqueles cujo a edificação e a das ciências naturais, São aqueles que tratam
pelo trabalho desenvolvido acervo é composto, história de vida de como a biologia, da identidade de um
pelas pessoas que nele atuam; e pela relação majoritariamente, seus habitantes como ou ainda que tratam determinado conjunto
que estabelece com a comunidade onde está por obras de artes elementos centrais, da ciência sob a de pessoas, abrigando
inserido e com seu público. Mas, para além plásticas e visuais em articulando a arquitetura, perspectiva de sua coleções relacionadas
dessa personalidade própria, os museus tam- suas múltiplas expressões, as relações humanas evolução técnica, a diversas etnias,
bém podem ser identificados por tipos ou tais como pintura, ali experimentadas tendo por objetivo voltadas para o estudo
categorias. Para se ter ideia da diversidade, escultura, desenho, e a coleção que abriga o desenvolvimento antropológico e social
listamos abaixo algumas das categorias mais gravuras, fotografias, para retratar um tipo de científico. de diferentes culturas.
acionadas, buscando reunir similaridades e instalações artísticas, ambiente, determinado
dar conta de diferenças. É importante dizer performances etc. período histórico Alguns exemplos são Exemplos dessa tipologia
que tais classificações objetivam explicitar ou modo de vida. o Museu de Zoologia da são o Museu do Índio,
como os museus estão organizados em rela- Um exemplo é a Universidade de São Paulo no Rio de Janeiro,
ção ao seu acervo e tema gerador. Inclusive, Pinacoteca do A Casa das Rosas, em e o Museu de Astronomia e o Museu Antropológico
muitos museus poderiam ser classificados Estado de São Paulo. São Paulo, e o Museu e Ciências Afins, da Universidade
em mais de uma categoria, sendo essa tipi- Casa de Portinari, em no Rio de Janeiro. Federal de Goiás.
ficação utilizada, em geral, para marcar os Brodowski, são exemplos
aspectos predominantes. dessa tipologia.

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

Todos os museus
são iguais?

Centros culturais e outros espaços de ex- Museus de Museus Museus Museus


posição, embora não sejam museus, devem História Temáticos ou Comunitários/ Virtuais
ser lembrados aqui por serem espaços múl- Especializados Ecomuseus
tiplos que muitas vezes têm no rol de suas São aqueles que buscam, São os museus no
atividades ações museológicas, tais como por meio de seu acervo, São museus que trabalham São museus em que ciberespaço. Podem ser
produzir, receber e expor coleções e acer- preservar e difundir um tema específico a integrantes de um grupo, páginas de museus físicos,
vos. Esse é o caso de diversos centros cul- determinado aspecto ou partir de diversas comunidade ou etnia são que estão cada vez
turais, além de também ser o caso, algumas período da história local, abordagens, utilizando-se protagonistas no processo mais independentes,
vezes, de teatros, bibliotecas, livrarias e ou- nacional e/ou da de diferentes tipos de formulação, execução ou podem ser instituições
tros espaços de cunho cultural. humanidade. de acervo para isso. e manutenção do criadas exclusivamente
equipamento com para existir em ambiente
Criar categorias para classificar os mu- Um exemplo é o Um exemplo é o Museu o intuito de musealizar digital, com acervo
seus é um exercício que tem por objetivo Museu do Ipiranga – do Futebol, localizado seu território, sua digital, destinados à arte
dar inteligibilidade às questões que levam ou Museu Paulista em São Paulo. cosmologia, suas e a conteúdos digitais. 
à compreensão da lógica operacional des- da Universidade de práticas e seus modos
sas instituições. No entanto, como já dito, São Paulo, seu nome de vida, englobando Um exemplo
não é difícil pensar em museus que podem oficial – em São Paulo. os ambientes cultural, é o Museu da Pessoa.
ser classificados em mais de uma das ca- social e espacial.
tegorias apresentadas, como é o caso do
Museu Afro Brasil, que pode ser entendido Alguns exemplos são o Eco
como um museu de artes plásticas e visuais, Museu de Itaipu e o Museu
de história e temático, por exemplo. Nesse da Maré, no Rio de Janeiro.
sentido, a lista proposta acima demonstra
apenas uma perspectiva para olhar esses
equipamentos. O que podemos afirmar é
que nem todo museu é igual, e também que
um museu não permanece igual a si mesmo
por muito tempo.

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

Quem é o público dos


museus e por que visitá-los?

E
m um plano ideal, o público dos museus é irrestrito, Os museus têm importante papel nessa tarefa e, por isso,
portanto, universal. Ainda que a realidade se mostre visitá-los, com eles se conectar e dialogar são formas de
diferente, os museus têm potencial para o atendimen- participar desse processo, em contínua construção.
to de públicos cada vez mais diversos; eles estão mais pre-
parados para isso e é parte das demandas contemporâneas A associação entre produção cultural ou artística e contexto
garantir a universalização do acesso. histórico, social e econômico são exercícios que contribuem
para o processo de interpretação do mundo e dos contextos
São vários os públicos potenciais, e eles podem ser classifi- sociais nos quais estamos inseridos. E os museus, ao elabo-
cados de diferentes maneiras: faixa etária (crianças, jovens, rarem discursos sobre as coisas e os fatos, fazem isso.
adultos e idosos); ocupação (estudantes, trabalhadores, de-
sempregados, aposentados) e origem (vizinhos, habitantes Nas palavras de Pedro Pereira Leite, do Centro de Estudos
da mesma cidade, pessoas de outros estados, estrangeiros), Sociais da Universidade de Coimbra (2017), um museu con-
são apenas alguns dos modos possíveis de categorizar o tribui para ampliar “o modo como olhamos para o mundo,
público. Para o trabalho de um museu é fundamental conhe- para os outros e para nós mesmos”.
cer a fundo o público e também o não-público (aqueles que
ainda não o visitam) e descobrir seus interesses, desejos e Garantir acesso aos museus é, então, ampliar o acesso à cidade,
motivações. Com esse conhecimento o museu pode rever é contribuir para a construção do conhecimento, é fomentar a
e diversificar a programação, considerando tanto o público reflexão sobre a produção humana e sobre o funcionamento
que já o frequenta como aquele que pode vir a frequentá-lo. da sociedade, é fortalecer vínculos de afetividade, empatia e
reciprocidade entre e para as pessoas.
Mas, por que visitar um museu? Um museu é, sobretudo, um
espaço de memória e, embora esteja muito associado a dis- Os museus, por meio de seus acervos e exposições, têm o
cursos sobre o passado, museu é também lugar para refletir potencial de alimentar processos criativos, despertar inte-
sobre o nosso presente. De modo geral, podemos dizer que resses intelectuais e profissionais e, sobretudo, gerar ques-
museus buscam preservar a memória dos processos históri- tionamentos sobre a vida e a sociedade nos públicos que os
cos pelos quais a sociedade passou ao longo dos tempos, num frequentam. A gama de possibilidades educativas, criativas
constante debate entre passado e presente, crucial à proje- e de sociabilidade abertas pela experiência de visitar um
ção da sociedade que desejamos no futuro. O que queremos museu é imensurável.
e estamos selecionando como legado para o futuro, afinal?
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

13
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.1 O que é um museu?

Como pode ser


o trabalho de educação
dentro dos museus?

P
odemos entender que o ato de educar engloba Trabalhar questões inter e transdisciplinares, possibilitar
todos os processos de ensino e aprendizagem. maior interação entre abstração teórica e realidade, mostrar
Esses processos podem ser classificados como outras abordagens para os fenômenos, além de promover a
formais, ou seja, aqueles que acontecem nos sis- ampliação do capital cultural dos estudantes, estão entre as
temas de ensino regulares, tais como escolas e principais motivações de docentes e gestores da educação
universidades; não formais, ou seja, aqueles que acontecem ao incluir visitas a museus no planejamento escolar.
fora dos espaços regulares, mas cujo processo é organi-
zado de forma a se relacionar com a educação formal; e No entanto, é importante apontar que, antes da visita, vale
informais, que se dão no processo de aprendizado que conhecer a instituição e as propostas educativas desenvol-
se desenvolve sem planejamento, nas relações familiares, vidas pelo museu – essa dimensão será abordada a frente.
nos meios de comunicação, nas dinâmicas corriqueiras da
vida, por exemplo. Muitos são os museus que contam com equipes dedicadas
ao atendimento de grupos, sejam eles escolares ou não, e
Um museu é, por natureza, um espaço de educação não que, para tanto, se especializam na dinâmica de mediação e
formal. Ainda que, muitas vezes, articule conteúdos pre- interação entre museu e escola, museu e comunidade
sentes nos currículos escolares, suas práticas pedagógicas
não têm, necessariamente, compromisso com eles. O que Conhecer os conteúdos trabalhados nas instituições que se
significa dizer que os museus não estão a serviço dos cur- pretende visitar, estabelecer contato com os serviços educa-
rículos escolares, mas podem contribuir com a formação tivos disponíveis e criar redes de diálogos entre a escola e o
escolar e acadêmica na medida em que atravessam esses museu e entre a comunidade e o museu são ações fundamen-
conteúdos. Por essa razão, muitos são os docentes que os tais para que a visita seja proveitosa e os museus se tornem
buscam como lugares alternativos à sala de aula, para pro- aliados reais dos processos de ensino e aprendizagem, confor-
mover a aprendizagem dos estudantes. me se espera dos espaços de educação formal e não formal.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

14
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

O
Educativo de um museu dá as boas-vindas aos dife-
rentes públicos que o visitam e participa ativamente
da mediação entre o que o público percebe e aprecia
e que o museu pretende e oferece. Seu papel é o de promo-
ver práticas que contribuam para aprofundar o entendimen-
to dos conteúdos apresentados. O educador de um museu
deve conhecer e se interessar pela historicidade das obras de
arte, dos documentos, dos objetos e de todos os elementos
constituintes dos acervos, de modo a incentivar a leitura e a
interpretação desse conjunto por parte do visitante, contri-
buindo, assim, para o processo de atribuição de significados
que podem se relacionar às experiências vividas no contexto
social e histórico do nosso país e do mundo.

Em geral, o Educativo está entre as equipes que mais têm


contato com os visitantes. Ele atua no sentido de concre-
tizar e divulgar a missão e os objetivos do museu, além
de traduzir as linguagens apresentadas para outras mais
acessíveis a fim de estimular olhares multifacetados nos
diversos públicos do museu.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

15
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

O que é Educação
em Museus?

O
serviço educativo realiza a mediação dos conteú- procurando formas eficazes de apresentação, fruição e tra-
dos expostos junto ao público visitante, conside- dução do acervo junto ao público.
rando diferentes recortes etários, de escolaridade
e de condições socioeconômicas. Essa não é uma Uma característica comum no trabalho de grande parte dos
tarefa fácil, e para que esse trabalho tenha sucesso é ne- Educativos é a efemeridade dos encontros com os grupos
cessário que todos da equipe de educação se engajem em visitantes que, em média, duram 90 minutos. O tempo de
longas jornadas de leituras e pesquisas acerca das estratégias que se dispõe com determinado grupo geralmente é úni-
capazes de dar consistência às atividades. co e nunca se repetirá. Essa característica do trabalho de
Educação em Museus exige ferramentas específicas, meto-
Diferentemente de uma escola, os Educativos de museus aten- dologias e estratégias bastante elaboradas, pois a duração
dem um espectro mais amplo do que o oferecido da Educação do encontro é exígua e as possibilidades de aprendizagem,
Infantil ao Ensino Médio, pois recebem grupos variados – as- embora com potencial de serem efetivas, são muitas.
sociações, universidades e também o público que, esponta-
neamente, visita as instituições com uma multiplicidade de Os educadores de museu, pelo contato direto por deter-
interesses que transcendem e muito as preocupações dos minado período de tempo com os visitantes escolares,
currículos escolares. Todavia os Educativos dedicam grande têm a oportunidade ímpar de provocar novas reflexões
parte de suas ações ao diálogo com o contexto escolar, visto e conexões entre a vida do estudante, a escola, o museu,
que, muitas vezes, a escola é um público bastante significativo. a cidade, o país, o mundo; entre o contexto e o tempo,
passado, presente e futuro. Como o período da visita é
Os profissionais que atuam nos serviços educativos dos mu- relativamente curto, quanto mais bem preparados os edu-
seus, os educadores, são provocadores que tornam todas as cadores estiverem e mais conhecerem o grupo que irão
ocasiões, oportunidades para sensibilizar o público e compar- receber, melhor será a visita oferecida. O mesmo vale para
tilhar com ele a responsabilidade pelo patrimônio arquitetô- os estudantes e docentes: se tiverem algum contato prévio
nico, histórico, social, cultural, natural, artístico, dentre outros com o conteúdo que irão encontrar, sem dúvida, poderão
que estejam salvaguardados na instituição. se apropriar melhor do acervo e aprofundar antigas e no-
vas questões. Os Educativos de museus possuem papel
Em decorrência dos vários tamanhos de espaços expositivos, na formação crítica de estudantes, docentes e público em
quantidade e teor das obras apresentadas, cada instituição geral, contribuindo para a compreensão das relações entre
busca seu modo de desempenhar a Educação em Museus, museus e sociedade.

16
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

É preciso escolher
uma única metodologia?

N
ão necessariamente é preciso escolher uma única objetivos educativos do Projeto, que coloca em diálogo e O currículo Integrado faz parte
metodologia para o trabalho educativo dentro de no mesmo lugar de importância, a experiência de aprendi- de uma concepção de organização
um museu, mas é importante conhecer tanto certa zagem não formal (instituições/centros/museus), informal da aprendizagem que tem como
variedade de metodologias e estratégias quanto o tipo de (comunidade/casa/família) e formal (escola). finalidade oferecer uma educação
trabalho educativo desenvolvido pelo museu que se visita- que contemple todas as formas
rá. A aproximação com o fazer educativo de cada museu A fim de experimentar a interação e a permeabilidade entre de conhecimento produzidas pela
é importante porque os modos de operação próprios de diferentes áreas e espaços de diálogos de saberes lançamos atividade humana. Trata-se de
cada um deles se apoiam no recorte temático da instituição mão de estudar e aplicar, como referenciais teóricos para o uma visão progressista de educação
e nos modos como os educadores criam, sistematizam e Projeto, as ideias de Jorge Larrosa Bondía (2002) e de Jac- à medida que não separa o
compartilham conhecimentos acerca dos acervos. Visitas queline Chanda (1998), tomando-as como complementares. conhecimento acumulado pela
mediadas, cursos, oficinas e palestras são as ferramentas de humanidade na forma de
comunicação mais usuais entre os Educativos instituciona- Ele trata da experiência transformadora do saber, que arreba- conhecimento científico daquele
lizados e, por mais que algumas estratégias sejam comuns, taria o ser; ela, da não hierarquização das obras de arte como adquirido no cotidiano das relações
os conteúdos dificilmente serão. melhores ou mais significativas, pensando na desconstrução culturais e materiais. Por essa
da história da arte generalista e eurocêntrica e sempre con- razão, possibilita uma abordagem
Para as visitas mediadas são escolhidas metodologias que siderando as obras inseridas nas diferentes culturas que as da realidade como totalidade,
ofereçam caminhos de observação, apreciação e compreen- criaram. Nos ateremos a essas duas referências mais adiante, permitindo um cenário favorável
são do acervo pelos diversos públicos visitantes. A esse pro- no Capítulo 2, ao explicitarmos como o Projeto Conexões Cultu- a que todos possam ampliar a sua
cesso chamamos fruição, que é a contemplação reflexiva e rais foi elaborado desde suas premissas didático-pedagógicas, leitura sobre o mundo e refletir
significativa de obras, objetos e conteúdos de um museu. passando pela formação da equipe educativa, até a elaboração sobre ele para transformá-lo
e aplicação dos doze roteiros culturais para os quatro museus. no que julgarem necessário.
O Projeto Conexões Culturais abrange museus com temas e
acervos muito distintos, que vão desde a história da funda- Interessa-nos aqui mencionar alguns nomes de profissionais (LOTTERMANN, 2012, p.21)
ção do Brasil até a arte contemporânea em suas linguagens basilares para pensar o trabalho de Educação em Museus.
mais recentes; por isso consideramos interessante favorecer Pessoas que têm se dedicado a estruturar as experiências
abordagens compreendidas no âmbito da pedagogia como de fruição dos acervos a fim de facilitar o contato entre os
currículo integrado. Essa perspectiva se caracteriza por uma vários públicos e as mais diferentes coleções de objetos,
concepção mais global da educação, muito próxima dos documentos ou obras de arte.

17
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

É preciso escolher
uma única metodologia?

A maioria dos pensadores mencionados tratam de me- Na década de 1980, o professor estadunidense Robert Wil- Dewey discorre sobre teorias da arte
todologias relacionadas a acervos de arte. Isso faz com lian Ott produziu o texto Art Education: an international e propõe certo entendimento sobre
que elas sejam mais propagadas e acabem adaptadas aos perspective (Arte-Educação: uma perspectiva internacio- a produção e a fruição de obras
mais diferentes acervos, desde aqueles que salvaguardam nal), no qual compartilha o método Image Watching (olhan- artísticas. Embora não explicite
e apresentam objetos até o chamado acervo imaterial ou do imagens), que propõe o conhecimento da obra de arte nenhuma proposta sobre o ensino
intangível. baseado na produção artística, crítica, estética e histórica da arte nem sobre a presença
da arte. Nessa metodologia são percorridos seis estágios. da arte no ensino, esse livro teve
Um desses estudiosos é o pioneiro estadunidense John importante participação no ingresso
1. 
Aquecer e sensibilizar as pessoas participantes da arte-educação no Brasil.
Dewey (1859-1952), um filósofo e pedagogo que formu-
para a leitura do material visual a ser apreciado.
lou pressupostos pedagógicos conectados à mediação de
acervos. Esses pressupostos orientaram pensadores na 2. Descrever os aspectos formais da imagem, (CUNHA, 2015, p. 71)
Europa, na América do Norte e também no Brasil. ou seja, cores, linhas, composição etc.

Em seu livro A arte como experiência (1934) ele não trata 3. Analisar os conceitos formais da obra considerando
exatamente de uma metodologia de Educação em Museus opções de composição de quem a criou.
ou de etapas para uma leitura de obra de arte, mas de 4. Interpretar a obra visual, apontando sensações
como o entendimento de teorias da arte nos auxilia a abor- suscitadas pela apreciação com perguntas como:
dar o artista, a obra de arte e o público que a recepciona, “O que você sentiu observando a obra?”.
dando um roteiro para a compreensão do fazer artístico.
Quando Dewey escreveu sobre a experiência que o contato 5. Fundamentar por meio do trabalho de mediação
com a obra de arte nos proporciona, ele estava tratando a apresentação do contexto e da história da obra.
da experiência estética.
6. Revelar o fazer artístico da obra observada.
Dewey propôs uma dimensão do pensamento sobre a arte
na qual quem a produz (artista), o produto (obra) e quem Robert William Ott nos apresenta uma metodologia que
o recepciona (público) constituem parte de um fenômeno pode ser aplicada passo a passo para que o grupo chegue
que não deve ser dissociado. Seu pensamento foi resgatado junto a uma descoberta acerca do objeto mediado. Nesse
no bojo de discussões no campo museal a partir de 1960. processo, é preciso criar um ambiente agradável e estimu-

18
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

É preciso escolher
uma única metodologia?

lante, com o objetivo de que todas as pessoas se sintam Por sua vez, a teórica Abigail Housen entende os avanços
convidadas a participar da mediação. cognitivos na leitura de obras de arte considerando uma
metodologia dividida em quatro fases:
Seguindo esse raciocínio, no mesmo período, Michael Par-
sons, em sua obra Compreender a Arte (1992), propôs um
método que se baseia na compreensão das imagens em 1. 
A descritiva, que aponta
cinco diferentes estágios. como a obra foi feita.
2. A classificativa, que dá os referenciais
sobre artista e obra, materiais
1. 
Favoritismo: inclui preferência e gosto pessoal,
e procedimentos empregados na produção.
que podemos traduzir como a seleção
deliberada de uma obra ou parte dela. 3. A interpretativa, que atenta para as sensações,
as ideias e os sentimentos expressos pela obra.
2. Beleza e realismo: a escolha de imagens ou obras
visuais a partir da noção de Belo na arte. 4. A recreativa, que se refere ao estímulo
à experimentação plástica com
3. Expressão do artista como fator importante
base nos dados observados na obra.
para compreender suas intenções ao produzir
a obra visual e os sentimentos, ideias
ou sensações que a obra suscita. Essas são as bases que causaram profundas transforma-
4. Estilo e forma: demonstra o interesse pelo estilo ções no modo de pensar metodologias de práticas de
e pela composição visual da obra, procurando mediações no mundo, sendo também parte da história HOUSEN, Abigail. O olhar
relacioná-los com a expressividade. da educação. No Brasil, essas metodologias ou modos de do observador: investigação,
pensar a educação no âmbito dos museus encontrarão teoria e prática. In: FRÓIS,
5. Juízo, interpretação, autonomia: a fim ressonâncias em pensadores das mesmas épocas. Esse pa- João Pedro (Org). Educação
de se entender a validade da obra segundo norama de renovação metodológica também é responsável estética e artística –
seu contexto social e histórico, buscando pelo enfraquecimento contínuo de modelos tradicionais Abordagens Transdisciplinares.
compreender os sentidos e experiências de mediação, marcados pela transmissão verticalizada de Lisboa: Fundação Calouste
que ela traz para as pessoas que a apreciam. informações dos Educativos para o público. Gulbenkian, 2000.

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Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

É preciso escolher
uma única metodologia?

Por certo, tais atributos são


Em nosso país, podemos elencar diversos profissionais re- dutores e usuários originais, já o torna apto a expressar o historicamente selecionados
conhecidos que têm investido no estudo das metodologias passado de forma profunda e sensorialmente convincente e mobilizados pelas sociedades
de leitura de obras de arte, de objetos e de documentos (MENESES. 1998). e grupos nas operações de
considerando esse amplo arcabouço desenvolvido pelos produção, circulação e consumo
estudiosos acima listados. Assim, os processos de Educação em Museus devem com- de sentido. Por isso seria vão buscar
preender os objetos musealizados com base na natureza nos objetos o sentido dos objetos.
Consideramos dois nomes referenciais. O primeiro deles observável: forma geométrica, peso, cor, textura, dureza,
é o de Ana Mae Barbosa, que ambienta o pensamento de etc. Entretanto, é fundamental lembrar que os atributos que (MENESES, 1998, p.91)
John Dewey no trabalho de Educação em Museus de arte conferem sentido e significado aos objetos são acionados
no Brasil desde a década de 1980. O segundo é o de Ul- pelo intercruzamento das relações possíveis entre esses
piano Bezerra de Meneses, que busca a compreensão da objetos; pela temática do museu; pela abordagem curatorial;
musealização de documentos e objetos inseridos como tes- e pela recepção de quem o observa. Nessa perspectiva, o
temunhos nas exposições. que esses objetos representam diante do público também
está pautado nos diálogos que serão estimulados pelas
Ana Mae Barbosa desenvolveu a Abordagem Triangular, metodologias desenvolvidas para a mediação.
metodologia de entendimento mais amplo da leitura de
obras de arte, largamente utilizada em escolas e museus. A Assim como se elaboram etapas e perguntas que auxiliam
abordagem triangular está baseada em três pilares: contex- na leitura de uma obra de arte, é fundamental olhar para
tualização histórica; apreciação artística; e fazer artístico. os objetos a partir desse intercruzamento a fim de lhes
atribuir historicidade e sentido.
Já Ulpiano Bezerra de Meneses não criou exatamente uma
metodologia, mas dedicou-se a compreender a importân- As observações trazidas acima refletem aspectos con-
cia essencial do patrimônio material e o papel fundamental temporâneos acerca da mediação de coleções próprias
dos objetos nos processos de reconstrução da memória. de museus históricos. O simples procedimento de histo-
Para ele, o aspecto externo dos objetos, ou a sua apa- ricizar um objeto por meio da patrimonialização revela o
rência, traz marcas específicas da memória, do tempo de condicionamento do passado ao tempo presente. Esse
uso. Basta lembrar que a simples durabilidade do artefato, mesmo procedimento é o que infla de vida os documentos
que em princípio costuma ultrapassar a vida de seus pro- e objetos históricos.

20
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

É preciso escolher
uma única metodologia?

Ao pensar a mediação em museus e suas metodologias, é Para finalizar, destacamos outros nomes que, no Brasil, têm Robert Willian Ott
interessante também destacar museus cujo acervo é pre- se dedicado à educação patrimonial em grandes museus e Art Education: an international
dominantemente intangível, apresentado em diferentes su- cujos textos disponíveis na internet podem ser úteis para perspective (1984) (Arte-Educação: uma
portes, como é o caso de vários museus temáticos recentes. pensar na metodologia mais adequada à mediação na fusão perspectiva internacional)
São museus que se utilizam de diferentes experiências e de diferentes metodologias ou, ainda, no desenvolvimento de • Aquecer e sensibilizar
recursos para dar visualidade e entendimento às memórias novas: Cristina Rizzi, Mila Chiovatto, Miriam Celeste Martins, • Descrever os aspectos
e questões que abordam, fazendo uso de projeções audio- Paulo Portella Filho, Rejane Galvão Coutinho, Marina Sartori • Analisar os conceitos formais
visuais, ambientes virtuais imersivos (caves), interatividade de Toledo, Ialê Cardoso e Renata Bittencourt, dentre outros • Interpretar a obra visual
digital, dentre outros. Considerando essas especificidades, profissionais tão relevantes quanto os citados. • Fundamentar por meio
os museus também apresentam novos desafios na mediação
do trabalho de mediação
de seus acervos com o público. Cabe a você, leitor, se houver interesse em se aprofundar,
pesquisar algumas dessas metodologias a fim de verificar a
Para a área da educação patrimonial, as metodologias de que mais se aproxima do que espera. Lembre-se também de Michael Parsons,
mediação ainda estão em construção e consolidação, em que que é extremamente válida a convergência de metodologias Compreender a Arte (1992)
pese ser possível lançar mão de inúmeras estratégias similares ou mesmo experimentação de algo que se adeque melhor • Favoritismo
às adotadas em museus com exposições ancoradas em obras à sua realidade. De qualquer maneira, logo adiante, vamos • Beleza e realismo
de arte ou em acervos tridimensionais. O que vale ressaltar apresentar algumas orientações para a organização, prepa- • Expressão do artista
é que existem diferenças entre a abordagem de um objeto ração e realização de uma visita educativa. • Estilo e forma
inanimado, cujo princípio inicial é a observação e aprecia- • Juízo, interpretação, autonomia
ção, e uma projeção, um jogo, uma imersão sonora ou outras
formas de interatividade digital, que trazem novos desafios,
temporalidades e, em geral, apostam na multiplicidade de Abigail Housen
estímulos e nas tecnologias de ponta para mediar um tema. O olhar do observador: investigação,
teoria e prática (2000)
Ainda assim, permanecem válidas as metodologias mais • Descritiva
tradicionais de mediação, porque é com base nelas, tam- • Classificativa
bém, que se desenvolvem formas de mediar estes novos • Interpretativa
espaços museais. • Recreativa

21
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

A Educação em
Museus e o Projeto

P
ara a elaboração do Projeto aprofundamos o nosso
conhecimento acerca dos quatro museus do Estado
de São Paulo que participaram da iniciativa – Memo-
rial da Resistência, Museu Afro Brasil, Museu do Imigrante e
Pinacoteca do Estado de São Paulo – e buscamos pensar as
noções de cidadania, sociedade e sociabilidade, conceitos
a partir dos quais também manejamos outras questões que
transcendem os limites de disciplinas isoladas como, por
exemplo, conflito, respeito, memória e identidades.

O olhar proposto pretendeu também focar na integração


da arte com as demais disciplinas do currículo: História,
Geografia, Ciências, Línguas, etc., e considerar a interdepen-
dência e as inter-relações entre dimensões macro e micro,
entre contextos global e local. Favorecer o trânsito entre
contextos mais abrangentes até chegar às especificidades
apareceu como uma opção apropriada para lidar com os
grupos em processo de formação que seriam atendidos,
quer sejam escolares, quer sejam os familiares.

Isso não significa que devemos descartar as disciplinas. Em


um currículo integrado, as disciplinas são entendidas como
ferramentas, formas de organizar o conhecimento usadas para
pensar problemas. Nos processos de ensino e aprendizagem,
nem sempre é fácil decidir se tratamos primeiro das ferramen-
tas e incentivamos o seu uso para resolver problemas mais
tarde, ou se começamos com os problemas e discutimos o uso
das ferramentas à medida que a necessidade é reconhecida.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

22
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.2 Qual é o papel do


Educativo nos museus?

A Educação em
Museus e o Projeto

Ao desenvolver o trabalho com os quatro diferentes museus


selecionados, consideramos alguns princípios gerais, para
modo mais delineado, o interesse dos Educativos pela visitação
participativa. Galerias táteis, indumentárias acessíveis, instru- O que se almeja
garantir o mesmo padrão de mediação, e adotamos rotei-
ros específicos para cada museu e para cada um dos três
mentos musicais, audioguias e réplicas de obras são os recur-
sos empregados nos encontros. Enquanto esses dispositivos
no final da visita não
públicos atendidos pelo Projeto. Todos os roteiros serviram
como guias orientadoras das visitas, com flexibilidade su-
familiarizam os visitantes com temas importantes, também
oferecem situações para que as experiências transcendam as
é especialmente a
ficiente para as adaptações necessárias em cada visita e, próprias obras que motivam a existência dos museus. quantidade do que
ao mesmo tempo, garantindo um pano de fundo teórico-
metodológico comum. No intuito de atingir a diversidade de públicos, sem perder foi aprendido sobre
A visita a um museu deve considerar a pré-visita (prepa-
a qualidade da informação, os museus têm investido cada
vez mais na formação de Educativos capazes de explorar a exposição, mas a
ração), o desenvolvimento (a visita propriamente dita) e
algum trabalho pós-visita, seja de amarração, seja de pon-
não só os conteúdos específicos, mas os modos como eles
são trabalhados: boa comunicação visual, seja interativa
qualidade das interações
tapé para novas reflexões e atividades. Entre a pré-visita
e a pós-visita há a mediação educativa no contexto do
ou apenas contemplativa; mediação humana descontraída
e democrática.
estabelecidas.
espaço expositivo, isto é, a visita na qual são promovidas
vivências fundadas na conexão entre a realidade maior dos Desse modo, os diferentes conceitos, os que fazem parte dos
grupos e as especificidades dos acervos e recortes temáti- repertórios dos visitantes e aqueles que povoam o conteúdo
cos das instituições. Nesse momento, os Educativos lançam trabalhado pelos mediadores dos museus, são relevantes
mão de ferramentas como o debate e o levantamento de e devem ser interconectados e retroalimentar a interação.
conhecimentos prévios junto ao grupo. O que se almeja no final da visita não é especialmente a
quantidade do que foi aprendido sobre a exposição, mas
Os programas de acessibilidade de instituições como a Pina- a qualidade das interações estabelecidas. Essas interações
coteca do Estado de São Paulo e do Museu Afro Brasil são são expressas por meio das falas das pessoas envolvidas e
exemplos palpáveis de diálogos entre as instituições e co- podem evidenciar como o aprendizado aconteceu durante
munidades visitantes. Nessas visitas podemos encontrar, de as atividades (ALLEN, 2002; GARCIA, 2006).

23
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

T
oda visita a um museu é um momento mobilizador,
de enorme entusiasmo e expectativa para as pessoas
envolvidas. O grupo de visitantes vive, em geral, ex-
periências com as quais não possui muita familiaridade,
como o trajeto entre a escola ou instituição de origem até o Pré-visita visita PÓS-visita
museu a ser visitado; o contato com obras de arte, objetos
históricos e outros elementos salvaguardados e expostos
no acervo; a apreciação da arquitetura e o conhecimento da
história dos espaços que abrigam o museu visitado; enfim,
tudo pode gerar curiosidade e interesse.

O docente ou responsável pela sugestão de visitação e sua Pesquisa em fontes Conversa de


Acolhimento
preparação é figura-chave para que a experiência seja um diversas recapitulação
momento de descoberta capaz de motivar antes, durante
e após a visita, boas reflexões entre os participantes. Para
que isso aconteça é preciso atenção em três etapas: pré-
visita, visita e pós-visita. A eficácia da saída dependerá do
preparo dessas etapas.
Visita Ampliação do universo
Desenvolvimento
prévia visitado

Roda de Encerramento
conversa

24
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A pré-visita

E
ssa etapa consiste na preparação da pessoa responsá- • Pesquise obras de arte, objetos, documentos, • Organize uma roda de conversa com perguntas que
vel pela proposição e pelo acompanhamento da visi- conceitos, experiências etc. que constituem provoquem a curiosidade do grupo e ao mesmo
ta. Essa pessoa deve ter e desenvolver conhecimento o patrimônio salvaguardado no acervo tempo estimulem o interesse pelo museu: O que é
prévio do acervo e de estratégias de aquecimento e sensi- e estude-os dispondo fotocópias em mesas um museu? Quem organiza as exposições? Como
bilização do grupo por meio de atividades sobre a temática ou paredes ou reproduzindo vídeos e áudios de pode ser constituído um acervo? O que é
abordada no museu. forma que o grupo possa apreciá-las e comentar identidade? As obras apresentadas lidam com
sobre seus usos ou significados, criando realidades como as que você vivencia? Em que
O momento da pré-visita é valioso porque possibilita a inte- familiaridade entre a turma e o acervo. aspectos? Você acredita que essas diferenças e
ração e integração sobre o assunto. Sugerimos que se pes- similaridades afetam sua vida? Afetam o seu bairro,
quise sobre a instituição a ser visitada, com base nas dicas • Leia, assista ou ouça depoimentos de pessoas que sua família e sua educação? Por quê? Como
elencadas a seguir. tenham ligação com a história e o tema do museu a ser podemos criar leituras sobre o país e nossa cidade a
visitado, por exemplo: profissionais que atuam em Artes partir do contato com o acervo exposto?
• Acesse o site do museu para saber um pouco Visuais, História, Museologia, Ciências Sociais, etc.
sobre a construção do projeto, sobre a fundação Tendo trabalhado e conversado sobre essas questões an-
da instituição, a história do edifício, o tipo • Se possível, conheça as pessoas que fazem o museu tecipadamente, é provável que o grupo crie, de antemão,
de acervo, a organização desse patrimônio funcionar e saiba um pouco mais sobre esse lugar a alguma intimidade em relação ao museu e seu acervo. E, tão
no espaço expositivo, etc. Familiarize-se partir do ponto de vista de sua equipe. logo a turma visite o museu, a sensação será de reencontro.
com algumas imagens e leia alguns textos É como se o espaço dissesse:
que orientam as escolhas da instituição. • Realize uma visita prévia à instituição
visando mapear um roteiro para o grupo
• Entre em contato com bons filmes de apresentação de acordo com os pontos interessantes
do museu ou de seu tema; por exemplo, entrevistas
com profissionais da direção, da curadoria, da
ao estudo coletivo, ou mesmo converse com
a equipe do Educativo para conhecer
Olá, sejam bem-vindos!
pesquisa, da educação que atuam no espaço. o acervo e tirar dúvidas com antecedência. Vocês já me conhecem
um pouco, agora
• Reúna e leia com o grupo que irá realizar conheçam a minha casa!
a visita matérias de jornais, revistas, sites ou
mesmo artigos curtos que tratem do museu
e de suas ações de forma sintética.

25
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A visita

A
visitação ao museu é uma ocasião especial e o
planejamento é importante para que ela ocorra
com bom aproveitamento, pois todas as novidades
desse passeio de estudo podem dispersar o grupo.
Em geral, ela é realizada por um educador destacado pelo
museu e já previamente agendado para receber o grupo.

Entre os Educativos de museus tem-se como consenso que


uma visita equilibrada deve durar entre uma hora e meia e
duas horas, com, no máximo, 20 pessoas em cada grupo e
duas pessoas adultas responsáveis, geralmente o educador
do museu e um responsável da escola ou instituição. Caso
o grupo tenha disponibilidade, se interesse mais que o es-
perado ou se espalhe durante a visita, o tempo estimado
pode variar. Se houver algum imprevisto durante o trajeto,
haverá mais de uma pessoa adulta para resolver a situa-
ção. O formato da visita pode variar de museu para museu,
mas sugerimos que ela seja organizada em três momentos:
acolhimento, desenvolvimento ou exploração investigativa
e encerramento. Elencamos a seguir, algumas dicas sobre
essas três fases. Caso o Educativo do museu visitado traba-
lhe de forma diferente, o docente ou educador responsável
pelo grupo pode aproveitar algumas das sugestões aqui
apresentadas e desenvolvê-las com os grupos em outros
momentos. De todo modo, as reflexões a seguir estão des-
critas no intuito de auxiliar educadores que desejem realizar
uma visita mediada a um museu.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

26
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A visita

Acolhimento jetividade de cada participante. Nessa perspectiva, a fala

Acolher tem como objetivo criar um contexto confortável


de cada pessoa, mesmo que aparentemente inadequada,
deve ser considerada e se preciso reestruturada com ou-
A ação de
para que o grupo se expresse coletiva ou individualmente sem
receio de estar sob avaliação, ainda que o educador esteja
tras palavras caso soe desrespeitosa, preconceituosa ou
equivocada. Tudo isto faz parte do aquecimento da media-
acolhimento deve
tomar entre

10 e 15
cumprindo a função de qualificar a interação do grupo com as ção: impressões, dúvidas e conhecimentos compartilhados.
propostas de investigação oferecidas. Esse primeiro momento Envolver-se com essa experiência enriquece o processo;
é uma conversa introdutória na qual é interessante abordar as por isso, provocar o grupo, brincar com ele e conhecê-lo o
expectativas do grupo em relação à visita, sondar ou reforçar mais possível é fundamental; também é muito importante
conhecimentos trabalhados anteriormente, observar e falar abandonar a oposição entre certo e errado.
sobre as primeiras impressões diante do contato com o local,

minutos
o edifício e os primeiros elementos do acervo em exibição. Uma dica para sensibilizar crianças pequenas de até 10 anos
é levar uma letra de música que tenha a ver com o tema es-
Ao chegar ao museu, é importante identificar o grupo na tudado no museu para aproximá-las do assunto e ao mesmo ;
recepção ou bilheteria para facilitar o acesso. Informe-se
sobre onde guardar mochilas, bolsas e lanches para, em
tempo descontrair. Crianças, de modo geral, adoram cantar
juntas! Para adolescentes ou adultos, pode ser uma poesia encerrada essa
seguida, escolher um lugar para sentar-se com o grupo ou
ir ao indicado para essa primeira atividade. A conversa ini-
que estimule a sensibilização sobre o tema.
etapa é hora
cial deve usar perguntas disparadoras que estimulem o diá-
logo. As muitas respostas darão indícios aos responsáveis
A ação de acolhimento deve tomar entre 10 e 15 minutos;
encerrada essa etapa é hora de investigar!
de investigar!
envolvidos de como conduzir a visita, que peças valorizar e
que limites teóricos e conceituais abordar, desenvolver mas
detidamente ou evitar a fim de manter o maior número de Desenvolvimento
pessoas conectadas com a atividade.
(ou exploração investigativa)
Vale enfatizar a importância da qualidade desse momento Nesse momento, é interessante que o educador opte por
no sentido de fazer com que todos entendam a visita como investigar de quatro a cinco obras, objetos, conceitos, expe-
espaço para o debate, para a construção de reflexões, no riências ou documentos de modo mais detido, sentando-se
qual são permitidas divagações que levam em conta a sub- com o grupo diante dos itens escolhidos, observando-os

27
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A visita

com cuidado e trocando impressões. No trajeto entre um


elemento e outro será possível liberar os participantes para
que façam pequenos passeios de caráter mais livre, a fim
de explorar melhor e reconhecer os conteúdos presentes
na exposição. O educador pode, inclusive, sugerir que cir-
culem por determinado espaço dentro do museu por uns
cinco minutos e observem objetos, obras, textos, etc. para
depois reunir o grupo novamente e promover uma troca de
impressões acerca do que viram.

Há assuntos mais ou menos apropriados e interessantes para


cada faixa etária, todavia, a desenvoltura para lidar com de-
terminadas questões tidas como complexas é algo que o
educador, considerando os interlocutores, deverá avaliar – o
momento do Acolhimento pode ajudar nesse julgamento e
nas escolhas que deverão ser feitas para a visita. É importante
utilizar linguagem simples e acessível, que possibilite amplo
entendimento de todas as pessoas. Para crianças pequenas
pode ser divertido, dizer um elemento a ser descoberto em
pinturas ou fotografias, por exemplo frutas, ou identificar
outras crianças representadas. Para adolescentes ou adultos,
pode-se levar uma poesia que se relacione a um objeto no
acervo. É importante sempre contextualizar obras, objetos
e conteúdos ao fim das dinâmicas propostas.

As obras, objetos, conceitos, experiências, documentos e


demais elementos podem ser investigados de muitas formas.
Por exemplo, no caso das obras de arte, podemos lê-las a
partir da materialidade, dimensões, formas e cores; se com-
parada a outras obras da mesma categoria que estejam pró-
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

28
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A visita

ximas, é possível falar sobre estilo. Por outro lado, se investigar- Encerramento
mos a partir da simbologia, do contexto histórico, de produção
ou de uso, daremos mais espaço para reflexões que valorizem Tão importante quanto os dois momentos anteriores da vi-
aspectos culturais. Considerando as diversas possibilidades sita, o encerramento encaminha o grupo para um balanço
de abordagem, é importante frisar que uma leitura pode ser qualitativo sobre a vivência dentro do museu. As impressões
estética, histórica, sociológica, estruturalista, formalista, etc. de cada pessoa servem como parâmetro para mensurar o
que foi apreendido pelo grupo durante a visita. É importan-
Importante notar que a sinalização de cada obra nos serve te encerrar, então, lançando provocações de caráter mais
como precioso recurso de familiarização; nas legendas, tex- conclusivo, por exemplo: Se você fosse iniciar este museu e
tos de parede e demais elementos é possível saber um pou- na abertura pudesse apresentar apenas uma obra ou expe-

VISITA
co mais sobre a origem e o contexto histórico-cultural. Isso riência que tivesse força suficiente para falar da importância
tudo organizado nos mostra como a expografia, e o discurso das questões discutidas na visita, o que você apresentaria
construído por ela, já tem em si um caráter de mediação que ao público? Por qual razão?
em geral pressupõe a autonomia completa do visitante para
realizar seu percurso dentro do espaço expositivo. Dessas perguntas, e considerando as muitas escolhas e muitas

Alguns exemplos de perguntas disparadoras capazes de esti-


respostas, será possível ponderar sobre o quanto as atividades
desenvolvidas na visita deram conta de favorecer debates que
Acolhimento
mular boas trocas são: De que é feita esta obra? Qual técnica visam à valorização das pautas levantas no museu.
foi empregada para a sua feitura? Quantas partes você iden-
tifica neste objeto? Quais eram os seus usos em seu contexto Ouvir atentamente o grupo é fundamental. Essa rica conver- Desenvolvimento
(ou exploração investigativa)
original? Este objeto apresenta algum tipo de narrativa? Esta sa de encerramento é ponto de partida para o responsável
narrativa corresponde a alguma cultura com a qual você tem pelo grupo na escola ou na instituição prosseguir com a
alguma familiaridade? Por qual razão esse conteúdo está sen- investigação na pós-visita, no contexto da sala de aula, na
do exposto? Você já teve contato com algo similar antes? O instituição, na comunidade, extrapolando para outros es- Encerramento
que essa informação ou conteúdo provoca em você? paços que a sua criatividade pode lhe apresentar.

O Desenvolvimento (ou exploração investigativa) é a parte


que requer mais tempo de vivência e pode ter como base
o período de uma hora.

29
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?

A pós-visita

S De volta à escola,
ão inúmeras as possibilidades de atividades para dar con- contro seguinte, imagens de jornais e revistas que se co-
tinuidade e aprofundamento às temáticas trabalhadas. nectem ao tema do museu visitado. Com o grupo reunido,
De volta à escola, instituição ou comunidade, é possível
iniciar uma conversa a partir da recapitulação de tudo o que
peça que formem trios e que, a partir das imagens coleta-
das, construam cartazes utilizando cola e cartolina. Esses
instituição ou
aconteceu no museu: falas e reflexões levantadas pelo grupo
durante a visitação. Dar sequência à investigação, trazendo,
produtos podem ser expostos pelos corredores, pátio e
outros lugares de circulação pública.
comunidade, é possível
por exemplo, obras e conteúdos que não fazem parte do
acervo do museu, mas que poderiam estar lá é um caminho. Essas são algumas alternativas para fechar o trabalho com
iniciar uma conversa a
os conteúdos mobilizados durante a visita, portanto, não partir da recapitulação
É possível propor um cine-debate com a exibição de al-
gum filme que tenha relação com o museu visitado. Após
se esgotam as atividades que podem ser realizadas. Tudo
depende da criatividade e das preferências daquele que de tudo o que
assistir ao filme com toda a turma, vale abrir uma roda de
conversa com a seguinte provocação: Vocês encontraram
irá conduzi-las. A ideia desse momento é realmente arre-
matar o conhecimento produzido ao longo do processo
aconteceu no museu
relações entre o museu que visitamos e esse filme? Quais? e quem sabe, abrir novas discussões e levar pessoas que
não participaram da visita a pensarem sobre os conteú-
É possível também propor uma pesquisa a ser feita em dos trabalhados e as possibilidades de aprendizagem em
casa. Por exemplo, solicite que tragam para a aula ou en- espaços fora da sala de aula.

30
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?
 o selecionar o museu
A I ntroduza informações
Dicas
A pós-visita
que deseja visitar, tenha sobre o museu a ser
em mente os pontos visitado antes da data gerais
que gostaria de abordar
no espaço junto a seu
da realização da saída.
Apresente o histórico, de como
grupo. Escreva-os e tente
justificá-los. A partir disso,
o tema, promova uma
conversa, realize uma
fazer a
visite virtualmente ou leitura de texto, navegue mediação
presencialmente o acervo
da instituição e verifique
no site da instituição, conte
uma história/conto/mito
de acervos
se ela contempla as suas que se alinhe ao tema
expectativas. de estudo e do museu,
apresente imagens
de objetos ou obras
Comunique as pessoas do acervo. Você não
responsáveis pelos precisa realizar todas
participantes do grupo – essas sugestões, mas seria
O Brasil dispõe de museus maravilhosos a se- quando for o caso – com interessante desenvolver
rem visitados e terem suas histórias, edifícios antecedência de algumas uma ou mais delas, a fim
e acervos explorados a serviço da socieda- semanas, por meio de de aquecer o grupo sobre
de. São instituições que ajudam a repensar comunicação por escrito. Garanta sempre duas
o museu e os conteúdos
acontecimentos do passado, ressignificá-los Apresente a proposta pessoas adultas como
com os quais ele entrará
no presente e projetar-se, como coletividade sucintamente, as responsáveis pelo grupo
em contato na visita.
ou mesmo individualidades, no futuro. recomendações gerais de até 20 pessoas. Se
e solicite autorização de forem crianças menores Cheguem ao local com
Quando olhamos para nossos museus, per- saída, que deve ser de até 10 anos de idade, pelo menos 30 minutos de
cebemos que variam bastante em forma e devolvida assinada, caso os Para o dia da visita sugerimos no máximo 15 antecedência do horário
conteúdo e que dispomos de riqueza e di- participantes sejam menores ao museu oriente os crianças por grupo. São agendado ou no qual
versidade a serem descobertas e cultivadas. de idade. A autorização deve participantes a usarem necessárias duas pessoas gostaria de iniciar a visita
ser devolvida acompanhada roupas confortáveis, tênis, responsáveis porque, além a fim de se identificarem
Para aproveitá-los em sua variedade e in- de fotocópia de documento mochila com água, fruta e de fortalecer o cuidado na recepção, dividirem os
tegralidade, é preciso ter alguns cuidados de identificação. Todas as lanche. O lanche pode ser com o grupo, havendo grupos adequadamente,
no que diz respeito às visitações, desde a autorizações devem estar organizado coletivamente imprevisto, uma delas guardarem bolsas e
preparação até a finalização. Assim, seguem numa pasta sob a guarda como piquenique, no caso continua a visita, enquanto mochilas, irem ao banheiro
abaixo algumas dicas mais gerais para do- de uma das pessoas de haver parque ou praça a outra prossegue com os e beberem água antes do
centes, educadores sociais ou responsáveis responsáveis pelo grupo. no entorno do museu. encaminhamentos. início da visitação.
de instituições acerca do processo que se
inicia antes mesmo da chegada ao museu.

31
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.3 Quais são as orientações gerais


para realizar uma visita?
Dicas
A pós-visita gerais
de como
Escolha um local inicial Localize e destaque as obras, A participação de
fazer a
para se sentarem ou objetos ou experiências que foram cada pessoa é muito mediação
se agruparem e dê
orientações gerais: andar
escolhidos como foco da visita.
Busque perceber com o grupo
importante, portanto,
estimule de acervos
e manter-se juntos, o que elas estão representando, as falas, as opiniões
ninguém deve se afastar tentem narrar a cena e identificar e interpretações e ao
do grupo sem autorização; a que se refere. Também procurem final das conversas
conversar; falar num tom identificar a técnica empregada, de investigação da
de voz que todos possam o estilo ou escola artística exposição, reúna
se ouvir sem elevar a com a qual a obra dialoga, todas as contribuições
voz e respeitando outras o contexto histórico e social pertinentes e faça Proporcione o tempo de  o final, procure um local
A
pessoas no espaço; de sua criação e relacionem uma fala que as olhar, ou seja, é possível onde possam sentar-
observar as obras e os as informações levantadas sintetize, trazendo parar diante de obras, se para uma reflexão
objetos com os olhos, anteriormente. É importante mais elementos. objetos ou conteúdos não coletiva de finalização
pois o toque pode alterar ler a legenda de identificação necessariamente para do encontro. Uma
e danificar a preservação para se informar sobre o gênero, analisá-los em detalhe, mas boa sugestão é: cada
(salvo os casos em que o segmento étnico-racial e origem  scolha um
E é interessante, sempre que participante diz uma frase
toque ou a manipulação socioeconômica do artista espaço no qual possível, anotar as curta ou palavra que
são permitidos e até ou pessoa em destaque, pois essas o grupo possa ver informações das legendas, a resuma sua impressão
estimulados); aproveitar informações dizem muito sobre mais autonomamente fim de pesquisá-los melhor sobre a visitação.
esse momento para trazer o contexto de produção as obras ou posteriormente, ou mesmo
perguntas e observações desse conteúdo e mesmo sobre conteúdos e registrar alguma sensação
que contemplem os quem tem acesso a ele. Se objeto, proponha que cada ou sentimento provocado  onforme as orientações
C
estudos ou trabalhos que já investiguem, seu desenho participante escolha o pela interação com a obra anteriores já expressas
vem sendo desenvolvidos ou sua estética, sua época, que considerou mais ou conteúdo exposto. aqui, sugerimos
junto ao grupo; vivenciar quem o deteve com base nos indícios interessante para, Pode-se até levar caderno que prossiga no
harmoniosamente essa socioeconômicos. Após levantar depois, sentarem-se e lápis para anotações, aprofundamento do estudo
experiência fora do espaço essas hipóteses, contextualize-as e compartilharem se o museu permitir o em sala de aula ou no
de aula, de trabalho e/ou em relação aos temas de essas eleições ingresso na área expositiva espaço em que desenvolve
dos encontros habituais. estudo e interesse do grupo. e suas motivações. com esses materiais. trabalhos com o grupo.

32
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.4. A construção do conhecimento


para além da sala de aula

Aproximações e distanciamentos
entre educação formal
e educação não formal

N educação
o campo das pesquisas em educação, já foram tecidas O compartilhamento desses saberes obedece a critérios
várias definições sobre o que caracteriza a educação específicos de aplicação estipulados pela Lei de Diretrizes
formal e a educação não formal. Resumidamente, e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e suas

formal
podemos dizer que a educação formal é aquela vincula- práticas são estabelecidas e organizadas em documentos,
da ao ensino escolar institucionalizado, cronologicamente tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a
gradual e hierarquicamente estruturado. E a educação não Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esses documen-
formal define-se por práticas educacionais organizadas e tos servem como diretrizes para que as escolas e os demais vinculada ao ensino escolar
sistemáticas que, geralmente, são realizadas fora do con- centros de ensino criem suas propostas educativas, levando institucionalizado,
texto formal de ensino. Esses diferentes modos de trocas em consideração suas particularidades regionais, culturais, cronologicamente gradual e
de conhecimento, longe de serem estanques em si mesmos, socioeconômicas, étnico-raciais e políticas. hierarquicamente estruturado.
devem ser pensados de maneira complementar, a fim de
garantir formação para a plena socialização e participação Assim, faz parte da natureza e função dos Parâmetros
cidadã de crianças, jovens, adultos e idosos. Curriculares Nacionais, por exemplo, orientar que crian-

educação
ças e jovens, mesmo de locais com pouca infraestrutura e
No Brasil, a educação formal básica é garantida pelo Es- condições socioeconômicas desfavoráveis, tenham acesso
tado para crianças e jovens em idade escolar e atende da ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e

não formal
Educação Infantil ao Ensino Médio. É por meio dela que são reconhecidos como necessários para o exercício da cida-
apresentados os saberes científicos, históricos, geográficos, dania e deles possam usufruir.
culturais, artísticos e sociais, organizados em currículos e
planos de ensino. Seus objetivos são amplos, mas se desta- O ambiente escolar deve propiciar experiências específicas
ca o desenvolvimento de habilidades e competências para e enriquecedoras, visto que os conteúdos trabalhados na- práticas educacionais
a formação de pessoas ativas em relação ao seu papel na queles espaços são constantemente pensados e articulados organizadas e sistemáticas que,
sociedade, à cidadania. Além disso, busca-se desenvolver por docentes e demais profissionais da educação, de maneira geralmente, são realizadas fora
a criatividade, a motricidade, a socialização, etc. que os conhecimentos acumulados ao longo da história da do contexto formal de ensino

33
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.4. A construção do conhecimento


para além da sala de aula

Aproximações e distanciamentos
entre educação formal
e educação não formal

humanidade possam ser compartilhados e discutidos em os torna interessantes e propícios a diversas faixas etárias, Defendemos a noção de que
salas de aulas por meio dos mais variados instrumentos. níveis de escolaridade e áreas de conhecimento. Muito se essas maneiras de difusão
pode aprender nesses locais independentemente do contato de saberes são importantes
Entretanto, o espaço escolar é limitado em sua estrutu- prévio com a escolarização.
tanto em seus contextos
ra física, modelo conceitual e mesmo em relação ao tem-
po disponível. Ali, na maioria das vezes, os conteúdos são
específicos, como em ação
conjunta, uma vez que
veiculados sem a possibilidade do aprofundamento com Mas afinal, quais são esses espaços?
acontecimentos reais ou experiências mais abrangentes, essa conexão pode
sobretudo no que diz respeito às escolas públicas. Nesse
sentido, o vínculo com a chamada educação não formal,
Como falamos anteriormente, muitas pesquisas se ocupam
em analisar esses ambientes de educação, e as delimitações
ser transformadora
que tem nos museus um de seus espaços privilegiados de algumas vezes são sutis e tênues. No caso específico dos na vida educacional
materialização, pode propiciar experiências mais amplas
no processo de ensino e aprendizagem. Entretanto, não
museus, que são locais de salvaguarda, pesquisa e difusão
de arte e cultura e que têm valorosos trabalhos de documen-
de crianças, jovens
se quer com isso dizer que a educação não formal deve tação e organização de acervos, elaboração de exposições e adultos em processo
servir apenas como apoio à educação formal. Defendemos e outras programações, realização de atividades educativas de aprendizagem.
a noção de que essas maneiras de difusão de saberes são variadas, é apropriado afirmar que são espaços consolida-
importantes tanto em seus contextos específicos, como dos da educação não formal. São ambientes fecundos para
em ação conjunta, uma vez que essa conexão pode ser o desenvolvimento de análises críticas sobre os rumos da
transformadora na vida educacional de crianças, jovens e política, das relações sociais e culturais e dos próprios pro-
adultos em processo de aprendizagem. cessos educacionais.

Espaços de educação não formal são locais ricos em informa- É tarefa importante refletir sobre as diversas característi-
ções, experiências sensoriais, ambientes de reflexão sobre o cas dos contextos educativos e considerar aproximações
passado, o presente e o futuro. Além disso, têm como uma de e diferenças entre eles, pois esse exercício contribui para o
suas características principais a interdisciplinaridade, o que aprimoramento das práticas educacionais.

34
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.4. A construção do conhecimento


para além da sala de aula

Os PCNs e a BNCC como


lugares de reflexão e articulação
de conteúdos e temas

No âmbito da BNCC, a noção de Os temas transversais caracterizam-se


competência é utilizada no sentido por um conjunto de assuntos que
da mobilização e aplicação dos aparecem transversalizados em áreas
conhecimentos escolares, entendidos de determinadas do currículo, que

O
forma ampla (conceitos, procedimentos, apontam a necessidade de um trabalho
s documentos orientadores da educação for- ambiente, saúde, trabalho e consumo, orientação sexual e valores e atitudes). Assim, ser mais significativo e expressivo de
mal, que em alguns casos são também dire- pluralidade cultural. competente significa ser capaz de, ao temáticas sociais na escola. Alguns
trizes na educação não formal, falam sobre se defrontar com um problema, ativar critérios utilizados para a sua
desenvolvimento e estímulo de competências Desse modo, educação formal e não formal conectam-se em e utilizar o conhecimento construído. constituição se relacionam à urgência
e capacidades nas práticas educacionais. No suas diferentes formas de promover os processos de ensinar social, à abrangência nacional, à
caso da Base Curricular Nacional encontramos a ideia de e de aprender. Docentes e demais agentes da educação têm (BRASIL, 2016) possibilidade de ensino e aprendizagem
competência. a tarefa constante de propiciar, mediar e potencializar situa- na Educação Básica e ao estímulo à
ções que propiciem a expansão de competências e capacida- No contexto da proposta dos Parâmetros participação social. São temas que
A definição se aproxima bastante daquilo que é estabelecido des e, durante o processo, os temas transversais podem ser Curriculares Nacionais se concebe a envolvem um aprender sobre a
pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) com relação aprofundados no contato dialógico entre escolas e museus. educação escolar como uma prática que realidade, na realidade e da realidade,
ao desenvolvimento de capacidades. tem a possibilidade de criar condições preocupando-se também em interferir
Nessa jornada, a conexão entre museus e escolas é funda- para que todos os alunos desenvolvam na realidade para transformá-la.
Tanto no caso dos PCN quanto da BNCC, consideramos que mental. Toda a mobilização em torno desse contato visa à suas capacidades e aprendam os
para além dos conteúdos e conceitos trabalhados em sala aprendizagem significativa, às trocas dialógicas, podendo conteúdos necessários para construir (HAMZE, 2018)
de aula no contexto da educação formal, temos nos espaços essa experiência ser mediada também pela ludicidade e instrumentos de compreensão da
dos museus enriquecedoras possibilidades de vivências e de pelo prazer. realidade e de participação em relações
aprendizagens que, por sua vez, somam-se positivamente à sociais, políticas e culturais diversificadas
implementação dos PCN e da BNCC. Assim, a proposta de investigar e conhecer espaços mu- e cada vez mais amplas, condições estas
seais que discutam os feitos culturais, sociais, históricos, fundamentais para o exercício da
Um dos principais papéis dos museus quando pensamos artísticos, naturais, dentre outros, por meio de repertórios cidadania na construção de uma
neles a partir desses documentos orientadores é a oferta e visões de mundo diferentes, da memória, do diálogo e sociedade democrática e não excludente.
de possibilidades de abordagem dos temas transversais, de atividades diversas das realizadas na educação formal,
que estão especificamente nos PCN. São eles: ética, meio pode ser muito profícuo. (BRASIL, 2006)

35
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.4. A construção do conhecimento


para além da sala de aula Eu achei bem bacana, apesar
de ser um assunto meio triste da
Os frutos da articulação realidade que a gente está vivendo,
mesmo sendo uma coisa antiga, sendo
entre museus e escolas um museu falando da nossa
história, a gente vê muitas coisas
que aconteceram e que ainda estão

O
intercâmbio de conhecimentos é capaz de gerar
presentes na nossa sociedade.
amadurecimento de ideias, empoderamento pessoal,
sentimento de pertencimento à sociedade, noções
A opressão, o racismo, o preconceito, a
de cidadania e, consequentemente, maior poder de agencia- discriminação pela pessoa ser pobre ou
mento social, sempre com olhar apurado e crítico sobre si ser negra é uma coisa que entristece
e sobre a coletividade. Cabe aos profissionais da educação bastante, mas [a experiência da visita]
promover essa aproximação, sobretudo aos docentes, que, passa consciência pra gente (...)
por conhecerem com mais profundidade a realidade dos e mostra que a gente tem que resistir
estudantes, podem encontrar as melhores maneiras de fazer
a essas questões (...) e continuar
acontecer a integração entre experiências em sala de aula
e em ambientes da educação não formal, como os museus.
estudando e procurando
o melhor pra nossa sociedade.
Uma das estratégias, como já mencionado anteriormente,
pode ser a pesquisa prévia sobre os acervos dos museus es-
Depoimento de alunO
colhidos para visitação a partir de conteúdos e temas traba- participante da 1ª edição 2017
lhados em sala de aula. Essa pesquisa pode ser realizada em
conjunto entre estudantes e docentes e considerada como
uma das etapas da visita, a pré-visita. A internet é um ótimo
veículo para essa atividade inicial, pois vários museus têm
sites riquíssimos em informações.

No decorrer das atividades promovidas pelo Projeto Cone-


xões Culturais foi possível ver os frutos dessa articulação ao
acompanhar alguns grupos que mediados pela equipe de
educadores do Projeto, visitaram os museus. Vimos estudan-
tes e docentes em contato com experiências muito potentes.

Alguns relatos dos participantes podem ilustrar a riqueza des-


se processo, por exemplo, a fala de um estudante do Ensino
Médio, quando convidado a compartilhar o que sentiu e pen-
sou ao conhecer o Memorial da Resistência de São Paulo.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

36
Capítulo 1
O trabalho educativo em museus:
premissas e caminhos possíveis

1.4. A construção do conhecimento Foi uma experiência legal,


para além da sala de aula vai ajudar muito no nosso currículo na
escola e foi interessante naquela parte
Os frutos da articulação do barco, no esqueleto do barco,
entre museus e escolas porque foi como se eu sentisse o que
eles passaram, mas eu sei que eu
nunca vou chegar aos pés disso porque,
O depoimento do adolescente revela o quanto podem ser assim, o que a gente fala que a gente
significativas experiências que extrapolam os limites da sofre, a gente não sofre nem um terço
sala de aula. Outros jovens fizeram reflexões nesse sentido,
como podemos ler na fala de uma estudante do Ensino
do que eles sofreram. Eu achei meio
Médio ao visitar o Museu Afro Brasil. pesado, mas é uma parte da história
que não pode ser esquecida (...).
O relato foi elaborado logo após a visita à exposição de A história serve pra gente aprender
longa duração do Museu Afro Brasil. A parte da história com os erros do passado
que não pode ser esquecida, nesse caso, é o período de e não cometer eles no futuro.
escravização de africanos no Brasil. O barco citado é uma
das obras da exposição de longa duração do museu, que Depoimento de aluna
propõe pensar sobre os tratamentos cruéis e desumanos a participante da 1ª edição 2017
que foram submetidas pessoas africanas durante viagens
forçadas através do Atlântico.

Associar os fatos passados aos acontecimentos do pre-


sente e perceber o aprendizado da história como uma
ferramenta de transformação do futuro é uma perspec-
tiva próspera e revigorante. Os museus podem oferecer
diversas outras reflexões nas mais variadas áreas de co-
nhecimento e talvez seja essa a sua maior potencialidade.

Assim, muito mais do que lugares que “guardam objetos associação, é ação de extrema eficiência na medida em
antigos”, como o senso comum entende o papel dos mu- que desperta outras formas de aprender, propicia maior
seus, eles são instituições dinâmicas, reflexivas e sempre liberdade nos diálogos travados e, certamente, é uma
contemporâneas que se convertem em grandes aliadas experiência inesquecível para crianças, jovens e adultos
dos processos educativos. que, muitas vezes, terão seu primeiro acesso a esses es-
paços. O Projeto Conexões Culturais foi criado com essa
Aliar a visitação ao museu aos conteúdos estudados em perspectiva: unir saberes diversos e momentos de lazer,
sala de aula ou aos assuntos trabalhados em outras ins- possibilitando novas relações, conexões e aprendizados
tituições de educação não formal, como uma ONG ou entre todos os envolvidos.
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

37
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.1. O Projeto Conexões Culturais

O os museus são
Projeto Conexões Culturais, realizado entre os meses Para a sua elaboração, desde a escrita do conceito até o
de setembro e dezembro de 2017, constituiu-se em um desenvolvimento a aplicação dos roteiros semiestruturados
programa de visitas a museus que buscou promover a
ampliação do repertório sociocultural de comunidades, alu-
das visitas, amparamo-nos nos documentos oficiais que
determinam que conhecimentos e conteúdos são ineren-
organismos
nos e professores de vinte escolas integrantes do Programa
de Ensino Integral da Secretaria da Educação do Estado de
tes aos currículos escolares da educação formal, como
os PCN, a LDB e a BNCC. O objetivo foi se aproximar de
pulsantes que
São Paulo, totalizando um público de 2.811 pessoas. Além do
atendimento direto por meio de visitas educativas aos quatro
conteúdos fundamentais para o desenvolvimento dos es-
tudantes participantes (a maioria do público do Projeto),
guardam uma potência
museus escolhidos para essa primeira edição – Memorial da sem deixar de valorizar outros conteúdos e vivências de educativa real e
Resistência, Museu Afro Brasil, Museu da Imigração e Pina-
coteca do Estado de São Paulo – a iniciativa se desdobrou
caráter experimental e sensorial – presentes na ação de
formação dos educadores do Projeto. multifacetada.
neste guia prático para realização de visitas educativas em
museus e em um evento final de celebração e troca de ex- Cuidamos para que os conhecimentos mobilizados pelos
periências vivenciadas no âmbito do Projeto. museus, por meio dos roteiros e das abordagens especi-
ficas desenvolvidas para cada um, fossem descobertos,
O Projeto esteve comprometido desde o início com as pos- aprofundados e entrelaçados com os universos de cada
sibilidades de construção e intercâmbio de conhecimen- participante dos grupos atendidos durante os processos
tos que se estendem das visitas promovidas aos acervos de mediação dos acervos.
dos quatro museus contemplados e também incluem o
arcabouço de nossa equipe de educadores, composta por O entendimento aqui é de que os museus são organismos
profissionais da Educação com formação em Artes Visuais, pulsantes que guardam uma potência educativa real e
História, Geografia, Pedagogia, Filosofia, dentre outras multifacetada. Assim, apresentar acervos de museus tão
áreas das humanidades. A partir do diálogo, da reflexão diferentes e tão humanos em seus temas centrais e, com
e dos saberes trazidos pelos grupos das escolas partici- isso, potencializar os processos de formação e de educa-
pantes, englobando estudantes, gestores e membros da ção foi de extrema relevância.
comunidade, foi possível criar espaços de interação entre
os diferentes atores e mobilizar conhecimentos.

39
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

A buscamos humanizar a
proposta educativa do Projeto Conexões Culturais nais, o Projeto Conexões Culturais teve como fio condutor
buscou conectar conhecimentos provenientes da edu- e princípio a prática dos verbos conhecer, experienciar,
cação formal com os da educação não formal, e tam-
bém como os da educação informal, que são os adquiridos
dialogar e trocar, com o foco na pluralidade e buscando
sempre considerar as subjetividades dos envolvidos.
experiência de visitação com
nas vivências e nas relações humanas que se estabelecem
ao longo da vida, tendo como mote os múltiplos temas que A metodologia que guiou o Projeto foi construída para reforçar
base na pesquisa, no
se referem a nossa vida em sociedade. a experiência como vivência significativa e suprimir eventuais diálogo, nos intercâmbios
Estudamos, fundamentamos e planejamos os roteiros e as
hierarquias que pudessem imobilizar a produção de conheci-
mento conjunto. O objetivo foi fortalecer práticas educativas e nas observações
visitas considerando teorias e práticas educativas e didáti-
co-pedagógicas em consonância com os escopos histórico,
para a equidade, a cidadania, o sentimento de pertencimento
a uma mesma sociedade, composta por múltiplas condições
apreciativas e reflexivas
social, étnico-racial, artístico e cultural apresentados em de existência humana, diversidades que devem fundamentar
cada um dos quatro museus contemplados pelo Projeto. os processos educativos sejam eles de qualquer natureza.
Além disso, buscamos humanizar a experiência de visitação
com base na pesquisa, no diálogo, nos intercâmbios e nas Além disso, o acesso qualificado a importantes equipa-
observações apreciativas e reflexivas. mentos culturais que salvaguardam patrimônios materiais e
imateriais possibilita não só o contato com objetos artísti-
Processos de educação e experiências com foco na diver- cos ou documentais que falam sobre nossa história, cultura
sidade muitas vezes foram e são ameaçados por propostas e sociedade – embasados por um discurso curatorial –, mas
herméticas, padronizadas e tecnicistas, que tendem a es- também, acompanhado do fazer educativo proposto pelo
vaziar vivências plurais e não promover reflexões que aces- Projeto, traz e fomenta outras vozes, compondo novos
sem a subjetividade de indivíduos. Na contramão dessa discursos e entendimentos dos acervos, de si e dos outros,
recorrência observada em muitas experiências educacio- considerando e respeitando as diferenças.

40
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Quais são os princípios e as


bases conceituais do Projeto

P
ara a concepção e planejamento das ações educa- Para Chanda, o exercício de olhar atentamente obras/objetos é
tivas e didático-pedagógicas do Projeto Conexões imprescindível, e deve ser tratado como um momento que é ao
Culturais, a equipe se fundamentou em um arcabou- mesmo tempo de captar informações e de apreciação. A autora
ço nacional e internacional de metodologias voltadas aos propõe abordagens para análise e leitura de objetos e obras de
processos de formação de educadores e de mediação de arte e se apoia em teorias da Iconologia, da Semiótica, do Es-
diferentes conteúdos em museus. truturalismo, da História Social da Arte e do Desconstrutivismo.

Considerando as diferenças temáticas que caracterizam Em síntese, a Iconologia para revelar o que objetos e ideias
os quatro museus abraçados pelo Projeto, bem como o presentes em obras/núcleos podem nos dizer sobre práti-
vasto público que seria atendido, composto por pessoas cas de uma época, por exemplo. A Semiótica para amparar
de diversas idades, privilegiamos também como bases a compreensão do que símbolos e signos nos dizem sobre
conceituais as ideias contidas nos textos da afro-estaduni- ideias culturais, estéticas e sociais. O Estruturalismo, grosso
dense Jacqueline Chanda, Teoria crítica em história da arte: modo, para descrever como obras/objetos foram organi-
novas opções para a prática de arte-educação (1998), e do zados esteticamente e conceitualmente para que atinjam
espanhol Jorge Larrosa Bondía, Notas sobre a experiência uma determinada finalidade. Já a análise a partir da História
e o saber de experiência (2002). Social da Arte para destacar a intensa conexão com fatores
políticos, religiosos, sociais, econômicos e científicos. E, final-
Para Bondía, o saber advindo
Chamamos a atenção ao fato de que ambos os autores não mente, o Desconstrutivismo, para inspirar exatamente o que a
desenvolveram exatamente metodologias para leituras de palavra informa: a revisão e questionamento de um discurso
da experiência destaca sua
obras/objetos/experiências, isto é, propondo métodos com estético/ambiental estruturado anteriormente, inclusive, por
qualidade existencial, ou seja,
etapas ou um passo a passo como, habitualmente, encon- outras teorias cujas interpretações são relativamente aceitas. a relação da experiência
tramos na bibliografia básica de formação de educadores, com a existência, com a vida
e tampouco suas pesquisas são voltadas aos processos As teorias das quais a autora lança mão para falar desse “exer- singular e concreta de
de mediação em museus. Entretanto, eles trazem novas cício do olhar atento” não são exatamente metodologias de um ser singular e concreto.
maneiras de relacionar vida e conhecimento, qualidades
étnico-raciais e culturais com produção estética material,
leitura de obras/objetos/experiências, mas caminhos possíveis
que sempre devem ser conjugados ao contexto sócio-político
Para ele, a experiência
desconstruindo ou desestabilizando importantes paradig- e cultural em que tais obras/objetos/experiências foram pro- aliada ao saber permite
mas sedimentados na educação formal e mesmo na não duzidos ou em que estão sendo lidos e interpretados. Essa que os sujeitos se
formal presentes nos currículos escolares, que conferem somatória confere à interpretação desses patrimônios o caráter
pouca relevância ou significado aos saberes e contribuições singular e social que coloca em destaque num espaço museo-
apoderem de suas vidas
dos diferentes povos e culturas para o legado humano. lógico: o que a obra, o objeto, conteúdo ou experiência nos diz em direção à autonomia.

41
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Quais são os princípios e as


bases conceituais do Projeto
considerando a estrutura política, econômica, social e cultural caráter quantitativo e pouco qualitativo de nossas vivências.
da sociedade na qual foi produzido? E ainda, qual a importância Apesar de participantes da sociedade da informação, não
deles para nos entendermos como indivíduos/sociedade hoje? estamos necessariamente construindo conhecimento a par-
tir de experiências significativas, e sim, talvez, somente acu-
A abordagem sugerida por Chanda questiona o padrão da mulando informações que nos motivam e auxiliam a opinar
arte ocidental, muitas vezes tratado como referência uni- acerca de qualquer assunto – passamos a ser pseudoespe-
versal, equiparando-a à produção de arte não ocidental e cialistas de tudo. Entretanto, informação, conhecimento e
defendendo o valor da variedade da produção humana, que aprendizagem, como aponta o autor, não necessariamente
deve ser lida e compreendida considerando a sociedade caminham juntos ou constituem uma linha evolutiva do pro-
que a criou. Com base nessa perspectiva, atribui-se a obras, cesso educativo. A sensação da falta de tempo decorrente
objetos e conteúdos outros significados e também a devida do excesso de informação que produzimos e consumimos
relevância para além das definições de belo ou raro. em nossa sociedade impacta até mesmo as crianças.

Já para Bondía, repensar os significados das palavras e como Nessa perspectiva, as ideias do autor sinalizam que é im-
as sentimos é de suma importância na construção do conhe- portante procurar desautomatizar as nossas atividades, bus-
cimento e como base para processos de aprendizagem inte- cando vivenciar as experiências com serenidade e atenção
ressados em romper com noções limitadores de dicionários. a todos os sentidos, abrindo espaço para deslocar o nosso
O ato de pensar sobre isso, inclusive, tem potência para dar olhar e permitir novas compreensões.
sentido ao que somos e ao que nos acontece. As ideias do
autor discutem nossas muitas vivências e poucas experiências; Um acontecimento que nos toca e nos mobiliza a uma
essa situação é recorrente em nosso cotidiano. Entre tudo o transformação ocorre considerando a nossa subjetivida-
que nos acontece, que episódios atuam na promoção de mu- de. Isso quer dizer que um mesmo acontecimento pode
danças, transformações, mobilizações de sentimentos e sensa- ter reverberações internas diferentes para cada pessoa e
ções? O que se transforma de fato em novos entendimentos? gerar experiências distintas.

Por exemplo, no contato com uma nova informação, em uma As ideias de Chanda e Bondía inspiraram as práticas educati-
visita a um dos museus trabalhados no Projeto, como trans- vas e pedagógicas desenvolvidas no Projeto e, evidentemente
formá-la em experiência na era dos cliques dos smartpho- enriquecidas por outras leituras e estudos 2 , fundamentaram
nes, da informação superficial e imediata? Bondía destaca as premissas que embasaram a nossa ação e propiciaram
também que experiência e conhecimento divergem no que atendimentos e mediações mais horizontais e humanizadores 2
Para acessar a bibliografia usada na elaboração
tange à massa de informações, o que nos leva a questionar o no processo de troca e experiências significativas proposto. e desenvolvimento do Projeto, ver Capítulo 4.

42
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais Apresentação
Quais foram os objetivos e Instrumentalização
a estrutura da formação da da equipe
equipe de educadores? Acolhimento
e recepção
Aplicação
dos roteiros
Experimentação

A
formação da equipe do Educativo do Projeto Conexões A formação dos educadores para o Projeto foi estruturada
Culturais também se amparou nas ideias e ideais de com base nos mesmos verbos condutores da elaboração da
Chanda e de Bondía. O intuito, ambicioso, foi de criar nossa proposta educativa: conhecer, experienciar, dialogar
meios próprios de conexão com nossos públicos, a fim de e trocar, pois pretendíamos que tais palavras-ação perpas-
contemplar (i) a diversidade temática, expressa nos acervos sassem, como prática, todo o Projeto.
dos quatro museus com os quais trabalhamos; e (ii) a diversi-
dade de visitantes, notada desde a faixa etária até as diferen- A formação foi dividida em dois momentos: (i) teórica/
tes origens étnico-raciais, educacionais e socioeconômicas. expositiva, que contou com oito horas de duração; e (ii)
prática/in loco, com 16 horas ao todo. A primeira etapa,
A nossa equipe foi composta por profissionais graduados em em linhas gerais, se consistiu na apresentação das ideias de
várias áreas das ciências humanas e preparada para interagir Chanda e de Bondía, na discussão de textos desses autores
de modo versátil e flexível, porém sempre com foco na expe- e na formulação de estratégias e dinâmicas de mediação.
riência transformadora, na horizontalidade de origens, povos A segunda etapa, realizada diretamente nos museus, a fim
e culturas, cujas características estão impressas nas obras, de a equipe conhecer todos os acervos e de avaliarmos a
objetos ou conceitos mediados nos acervos. Assim, o esforço aplicabilidade dos roteiros elaborados para cada espaço e
para realizar uma adequação de linguagem na mediação, público, teve como premissa a mobilização dos conceitos
conforme cada público e cada roteiro previamente pesqui- discutidos na primeira etapa e a troca de saberes e modos
sado e elaborado, esteve na base do trabalho. Importante de fazer entre a equipe de educadores.
dizer que a maioria possuía experiência prévia com visitas
educativas em museus, o que permitiu uma interlocução Os objetivos mais gerais do processo de formação da equipe
altamente qualificada durante a etapa de formação. do Educativo estão listados a seguir.

43
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição
Um ponto muito sensível ao projeto e à sua
execução, enfatizado durante todo o proces-
2.2. A proposta educativa do so de desenvolvimento do trabalho e, princi-
Projeto Conexões Culturais palmente, durante a formação da equipe do
Educativo, foi a importância de estimular e
Quais foram os objetivos e de fornecer meios de exercitar e incentivar,
em cada participante dos grupos, o senti-
a estrutura da formação da mento de cidadania, de pertencimento e de
apropriação em relação aos museus visita-
equipe de educadores? dos e aos conteúdos e aprendizagens pro-
venientes dessa experiência, estabelecendo
e fortalecendo os laços entre os indivíduos
e as vivências proporcionadas.

Apresentação Instrumentalização Introdução às Observação Experimentação


e investigação, da equipe com bibliografia dinâmicas de e aplicação e elaboração
na formação teórica e selecionada e apostilada, acolhimento dos roteiros de dinâmicas
prática, dos acervos das relacionada aos temas dos e de recepção dos grupos elaborados para cada e estratégias de mediação
quatro instituições, museus e aos processos de visitantes, às estratégias um dos espaços, desenvolvidas durante a
contemplando: o mediação, para o de mediação adequadas identificando obras, formação teórica ou
surgimento, breve histórico aprofundamento contínuo das à diversidade. objetos, conteúdos e estruturadas a partir de
do edifício e introdução ao investigações acerca dos Essas dinâmicas foram conceitos, relacionando-os novas percepções
conceito curatorial do acervos e das abordagens de utilizadas durante a aos textos estudados despertadas pela visitação
acervo e de sua leitura das obras, objetos, realização das visitas. anteriormente e aos acervos dos museus.
organização expográfica, conteúdos ou conceitos. verificando as adequações
no caso de divisão do de faixa etária conforme as
acervo por setores ou proposições apresentadas.
núcleos temáticos.

44
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Como os roteiros
educativos do Projeto
Conexões Culturais
foram estruturados?

Caro professoR
O objetivo desTe material é preparar a turma
e a escola para as visitas nas instituições,
tornando-as experiências significativas
para você e seus alunos. Para isso, é
importante que você conheça as propostas.

P
ara cada um dos quatro museus contemplados no no que diz respeito a sua estrutura e a obras, objetos,
Projeto, foram desenvolvidos três roteiros culturais, conteúdos ou conceitos abordados, possibilitando assim a
Abaixo, você tem informações pertinentes à
focando os diferentes públicos atendidos pelo Projeto: apreensão de informações e conhecimentos fundamentais instituição, os objetivos do roteiro, os valores
Anos Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e comu- por parte da equipe do nosso Educativo. Ao mesmo tem- que podem ser explorados, competências
nidade de pais, mães e familiares dos alunos das escolas po, buscou-se a adequação de linguagem considerando e habilidades que podem ser desenvolvidas,
envolvidas. Para os dois primeiros perfis de atendimento, as diferenças entre os grupos, tratando desde as questões relações interdisciplinares que o professor
aproveitamos os documentos oficiais do Estado, que for- que perpassam o acesso a determinadas informações até pode estabelecer e conhecimentos
necem subsídios sobre os conteúdos a serem trabalhos os processos de aquisição de conhecimento próprios de específicos que podem ser aprofundados.
nos currículos em cada ano/série. Para o terceiro perfil de cada idade e etapa escolar.
visitantes, levamos em consideração a possível variedade Por último, um item com referências sobre
de faixas etárias. Em todos os casos, como já mencionamos, Cada roteiro cultural veio acompanhado de uma ficha de o museu, outros materiais e links
procuramos demonstrar a centralidade das relações que apresentação, dando boas-vindas aos docentes responsá- interessantes para se aprofundar inicialmente
consideramos fundamentais durante o processo educati- veis pelos grupos e, também, elucidando os objetivos dos no universo da instituição a ser visitada.
vo entre três lugares de aprender – museu, comunidade e roteiros culturais. Assim, elaboramos um texto explicativo,
escola – tendo o museu como catalizador das interações. comum às fichas de apresentação de todos os museus.

Estudamos amplamente todos os acervos e concluímos Essa introdução foi seguida do histórico de cada museu,
que os roteiros culturais deveriam ter uma base comum conforme apresentamos a seguir.

45
MEMORIAL
DA RESISTÊNCIA
O Memorial da Resistência de São Paulo, uma iniciativa do Governo
do Estado de São Paulo por meio de sua Secretaria da Cultura, é
uma instituição dedicada à preservação de referências das memórias
da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à
atualidade), por meio da musealização de parte do edifício que foi sede,
durante o período de 1940 a 1983, do Departamento Estadual de Ordem
Política e Social de São Paulo – Deops/SP, uma das polícias políticas
mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar.

O Memorial da Resistência é vinculado à Associação


Pinacoteca Arte e Cultura – APAC, qualificada como
Organização Social da Cultura a partir da assinatura de contrato
de gestão com a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Desde 2009, o Memorial da Resistência de São Paulo é membro


institucional da Coalizão Internacional de Sítios de Consciência,
uma rede mundial que agrega instituições constituídas em lugares
históricos dedicados à preservação das memórias de eventos passados
de luta pela justiça e à reflexão do seu legado na atualidade.

Fonte e para saber mais


www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial

© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

46
Museu
Afro Brasil
Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do Diretor
Curador Emanoel Araújo, o Museu Afro Brasil construiu,
ao longo de 10 anos, uma trajetória de contribuições decisivas
para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar
a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e
internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade.

Araújo já tentara sem sucesso viabilizar a criação


de uma instituição voltada ao estudo das contribuições
africanas à cultura nacional quando, em 2004, apresentou
uma proposta museológica à então prefeita de São Paulo,
Marta Suplicy. Encampada a ideia pelo poder público
municipal, iniciou-se o projeto de implementação do Museu.
Foram utilizados recursos advindos da Petrobrás
e do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet.

Desde 2009, o Museu Afro Brasil, é uma instituição


pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura
de São Paulo, que, administrado pela Associação
Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura,
é subordinado ao Governo do Estado de São Paulo.

Fonte e para saber mais


www.museuafrobrasil.org.br

© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

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Museu da
Imigração
A Hospedaria de Imigrantes do Brás, na capital paulistana,
foi fundada em 1887 e conserva a história dos processos
de (i)migrações desde a sua fundação até 1978, quando
foi desativada. Durante esse período, passou por diversas
transformações estruturais, acompanhando o crescimento
e as mudanças de São Paulo e do Brasil, tendo, por curtos
períodos, por exemplo, sido prisão política e uma escola
de aviação. O prédio da instituição, hoje conhecida como
Museu da Imigração, ocupa 30% do espaço do conjunto
arquitetônico, que antigamente era a Hospedaria.
Os outros 70% do espaço abrigam o Arsenal da Esperança.

Passaram pela hospedaria do Brás aproximadamente


3,5 milhões de pessoas de aproximadamente 75 países.
Esse local acolheu as histórias que os (i)migrantes carregavam
e foi pensado para receber esses deslocamentos humanos –
era um local onde se podia expedir documentos,
alimentar-se, cuidar da saúde, fazer a higiene, descansar,
obter um registro civil e encaminhamento para trabalhos.

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo é um espaço


para refletir sobre os principais fluxos migratórios que foram
a base de uma possível identidade paulista (imbricada com
a tentativa de uma identidade nacional) e sobre como essa
história se relaciona com os fluxos migratórios contemporâneos.

Fonte e para saber mais


www.museudaimigracao.org.br

© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

48
Pinacoteca do
Estado de São Paulo
A Pinacoteca é uma das instituições culturais brasileiras mais
importantes e é considerada o museu de arte mais antigo de São
Paulo. Localizado no Jardim da Luz e construído em 1900, projeto
de Ramos de Azevedo e Domiciano Rossi, o edifício tinha como
proposta inicial ser sede do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Foi inaugurada em 25 de dezembro de 1905, mas só foi


regulamentada como museu público em 1911, ano em que a entrada
de obras passou a ser registrada oficialmente. Foram destinadas
três salas para compor o salão da “Galeria de Pintura do Estado”,
que foi inaugurada com 26 pinturas transferidas do Museu Paulista.

Em seus primeiros anos de funcionamento,


recebeu visita de mais de 15 mil pessoas por ano, demonstrando
seu potencial social e artístico. Atualmente, realiza cerca
de 30 exposições e, recebe cerca de 500 mil visitantes por ano
e conta com um acervo de quase 11 mil obras.

A Pinacoteca também incorporou, em 2004, a Estação Pinacoteca,


onde está instalado o Memorial da Resistência de São Paulo,
dedicado à preservação da memória da resistência e da repressão
política do Brasil republicano, por meio da musealização de parte
do antigo edifício-sede do DEOPS – Departamento Estadual de
Ordem Política e Social de São Paulo.

Com uma história marcada por transformações sociais, políticas


e econômicas significativas, a Pina, como também é chamada, é
considerada uma das entidades culturais mais dinâmicas do país.

Fonte e para saber mais


www.pinacoteca.org.br
© Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola

49
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Como os roteiros
educativos do Projeto
Conexões Culturais
foram estruturados? I – Informações
iniciais
mensurar o grau de conhecimento
dos participantes do grupo em
grupo reflita e responda de forma
participativa às perguntas feitas
Retoma os objetivos, valores, relação ao tema sobre o qual está após a mediação de cada um dos
competências e habilidades, organizado o acervo. O objetivo pontos abordados.
interdisciplinaridade, é também que essa amostra
conhecimentos específicos, prévia de conhecimento auxilie 3º Passo: Atividade no museu
temas transversais. na condução mais adequada Sugestão de uma atividade de
e interessante da visita. São aprofundamento a ser realizada no
apresentados os eixos temáticos próprio museu como finalização.
II - preparação e sugeridas as perguntas
do educador disparadoras ao público em 4º Passo: De volta à escola:
Dividida em duas partes,
visitação. Essas indagações, interferindo na realidade/
tem o intuito de antecipar ao desdobramentos
presentes em cada um dos
docente, ou responsável pelo Aqui se configura a pós-visita
roteiros, são próprias para cada
grupo, os conteúdos com com sugestões de atividades que
um dos três públicos atendidos
que o educador terá contato objetivam a continuidade dos
pelo Projeto. Ou seja, partindo do
para a preparação da visita.

A
princípio de que as perguntas são estudos acerca dos temas e das
pós o histórico de cada museu, as fi- meios de condução da visitação mediações realizados no museu.
chas de apresentação traziam tam- 1º Passo: Apresentando e estímulos à participação, elas
bém os objetivos de cada roteiro o acervo e o museu
tiveram a linguagem adaptada
cultural; os valores que poderiam ser explo- a cada perfil, a fim de serem IV - Saiba Mais
rados; as relações de interdisciplinaridade 2º Passo: Conhecendo e entendidas com facilidade. Ao final do roteiro são
aprofundando temas e conteúdos apresentados anexos com
presentes em cada acervo; os conhecimentos
sugestões de links de vídeos
específicos que poderiam ser apreendidos 2º Passo: O roteiro em si
III - roteiro: e dicas de abordagem e textos a serem explorados
em cada instituição; e os temas transversais
dos PCN mobilizados em cada roteiro. A Visita São apresentados quatro pontos mais detidamente,
total de 1h30 de visitação de abordagem do acervo dentre juntamente com às referências
obras, objetos, salas especificas, bibliográficas consultadas.
Em seguida, o roteiro de visitação propria- 1º Passo: Roda de conversa / conceitos, vídeos, etc. Essas
mente dito tinha início apresentando os pas- acolhimento sugestões são acompanhadas de
sos a serem percorridos com os grupos a um breve comentário que visa
partir de uma base comum. Essa estrutura é Momento para que os educadores estimular e contribuir para que o
apresentada a seguir. façam perguntas a fim de

50
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Diferenciais de cada
roteiro cultural
Memorial
DA Resistência

A Importante!
base comum aos roteiros culturais teve como à experiência narrada e apresentada no Memorial, em um
objetivo garantir pontos importantes a serem constante exercício de colocar-se no lugar do outro. Assim,
atendidos em cada trajeto de visita, mesmo uma das orientações do roteiro foi, justamente, promover
considerando que cada museu abordaria as- esse tempo da observação e de silêncio, tratados como O projeto museológico do Memorial
suntos distintos. Com essa estrutura buscou-se ativadores de identificações e percepções dos espaços. A da Resistência foi elaborado
que os públicos visitantes tivessem experiências parecidas experiência de interagir com as celas, por exemplo, pau- integralmente em parceria com o
no acolhimento dos grupos; na apresentação de quatro ou tou-se nessa perspectiva. Nesse caso, a orientação foi que Núcleo de Preservação da Memória
cinco obras, objetos, documentos, experiências ou con- os educadores interferissem menos e evitassem mediar a Política do Fórum Permanente de
ceitos durante o desenvolvimento da visita; na atividade relação dos participantes com esses espaços, de modo que Ex-Presos e Perseguidos Políticos
de finalização, considerando uma média de 1h30 a 2h de os grupos tivessem fluxo livre para explorar e se deixar de São Paulo. As escolhas sobre o
duração das visitas. Essa base comum possibilitou visitas afetar pelo ambiente, tendo tempo e espaço para vivenciar que expor, como expor, como
equilibradas sob os pontos de vista de formato e método: experiências mais subjetivas e significativas. ambientar foram feitas com base
o tempo, o percurso das obras, objetos, experiências, con- nas memórias das experiências
ceitos abordados; as perguntas disparadoras; e também Estimular a livre circulação e a apreciação silenciosa para vividas no cárcere.
o tempo; de resposta ou de interação entre a equipe do que os grupos pudessem escutar e decodificar as “falas”
Educativo do Projeto e os grupos de visitantes. Para cada presentes em cada ambiente foi uma estratégia quase obri-
museu, os três roteiros elaborados – para os Anos Finais gatória, ainda mais considerando que para o partido cura-
do Ensino Fundamental, o Ensino Médio e a comunidade torial do museu, que trata de memórias da resistência e da
– destacaram o mesmo conjunto de itens e conteúdos no repressão políticas do Brasil republicano, escutar os pro-
acervo e o mesmo trajeto. tagonistas que vivenciaram o contexto foi fundamental.

No Memorial da Resistência, optou-se por um roteiro mais Pensar e dar visibilidade às narrativas dos protagonistas da
enxuto, cujas perguntas foram tão fundamentais quanto história e da resistência circunscrita ao período da ditadura
o exercício do olhar e do sentir, pois buscamos provocar no Brasil foi, assim, uma preocupação central das visitas
os grupos de visitantes na direção da empatia em relação realizadas no Memorial da Resistência.

51
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Diferenciais de cada
roteiro cultural

No Museu Afro Brasil a mesma inquietação guiou a constru-


ção dos roteiros das visitas: focar as perspectivas da história Museu
a partir de produções artísticas, culturais e sociais dos prota- Afro Brasil
gonistas, homens e mulheres afro-brasileiros. Paralelamente a
isso, foi importante dar ênfase às condutas de sobrevivência e
de resistência diante de uma estrutura pública, governamental (...) (...)
e social extremamente violenta que excluiu, omitiu, subesti- Mediar o acervo do Museu Afro A conformação da estrutura racista antinegra,
mou, desvalorizou a herança e a participação negro-africana Brasil passa primeiro pela enfatizada por expressões cotidianas de discriminação
na construção da história e da sociedade brasileiras. descolonização do pensamento e preconceito, é um dado possível de ser notado também
de quem media. É necessário rever no âmbito escolar, entre os professores, alunos
Para abordar esse museu, foi fundamental selecionar pala- nossos próprios conceitos acerca e comunidades que serão atendidos no Projeto.
vras e imagens tendo o zelo para não reforçar estigmas e da arte no contexto tradicional Tendo em vista o papel mediador da equipe educativa
preconceitos já correntes na sociedade brasileira acerca dos e no contexto da resistência cultural, que compõe este Projeto, é importante que pensemos
povos negros. Essa orientação e ansiedade foram explicita- em prol da preservação de uma estratégias para lidar com eventuais situações
das já no início de cada roteiro desse museu, como cautela a identidade negra e da memória de causadoras de conflitos no interior dos grupos ou mesmo
ser tomada pelos docentes e educadores diante da novidade uma ancestralidade africana, que entrem em choque com os nossos valores pessoais.
e das dificuldades que ainda povoam as discussões públicas negada pelos projetos de nação
sobre a questão étnico-racial no Brasil contemporâneo. O brasileira, desde a invasão para Uma boa estratégia diante de tensões é envolver o grupo
mito da democracia racial, que apregoava a existência de colonização até os dias atuais. na criação de soluções e acordos a partir dos quais
uma convivência harmoniosa entre os diversos grupos étni- todos lidem com os conflitos instaurados. Chamar a
co-raciais do país também foi objeto de questionamento nos Tradicional e contemporâneo estão atenção do grupo para um senso de responsabilidade,
roteiros propostos. Alguns trechos dos roteiros elaborados a todo o momento em diálogo no em algum grau, é uma medida potencialmente engajadora.
para o Museu Afro Brasil destacados a seguir sinalizam essa espaço expositivo, passado, Para que um conjunto de soluções seja efetivo,
perspectiva: primeiro, atualizando a pauta sobre mediar um presente e futuro, interligados é preciso incluir os grupos na criação desses acordos,
acervo que toca em pontos tabus da sociedade brasileira; pelo fio da ancestralidade africana de modo a valorizar as subjetividades de cada um.
segundo, discutindo posturas no âmbito escolar e museal a e da construção da identidade (...)
respeito da questão étnico-racial e da herança negro-afri- afro-brasileira.
cana ainda impregnadas de preconceitos. (...)

52
Capítulo 2 (...)
O Projeto Conexões Culturais:
No que concerne ao período de existência
um relato da primeira edição da Hospedaria do Brás, que durou quase
91 anos, vale destacar a relevância de
2.2. A proposta educativa do uma análise crítica do projeto de
Projeto Conexões Culturais desenvolvimento econômico e das
políticas de (i)migrações, desde a sua
fundação em 1887 até meados do século
Diferenciais de cada XX, que encontrou nos processos
roteiro cultural migratórios uma forma de realizar
objetivos políticos e comerciais. Seja com
as imigrações europeias, que tinham o
Museu da objetivo de povoar, civilizar e
Imigração “embranquecer” a população, seja com as
migrações internas, particularmente os
deslocamentos do Norte e do Nordeste para o Pinacoteca do
Sul e o Sudeste, que tinham diferentes Estado de São Paulo
características e visavam, entre outras
coisas, à exploração de mão de obra barata e
não especializada por determinado período,
No Museu da Imigração, as discussões propostas pelos ro- a fim de realizar o projeto da “Campanha de
teiros culturais também centralizaram pontos considerados nacionalização” da era Vargas.
muitos relevantes pelo Projeto. O primeiro deles refere-se (...)
às noções mais contemporâneas acerca dos estudos sobre
migrações e identidades culturais. Esses estudos nos infor- (...)
mam que as identidades culturais não são fixas e se trans- O vasto repertório cultural formado, ao longo da
formam e se atualizam em decorrência dos deslocamentos Por fim, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, propusemos história, por imagens de mulheres, nos permite acesso
e dos múltiplos contatos e afetações proporcionados pelos que as visitas para os três públicos buscassem uma abor- a sistemas de valores, muitos datados, além de
encontros culturais, que continuam acontecendo até hoje. dagem em total consonância com uma agenda nacional e discursos e narrativas construídas a partir da
internacional que tem discutido gênero, sobretudo a partir atribuição de papéis simbólicos, sociais e políticos, do
Assim, um dos focos foi marcar a atualidade dos estudos das interseccionalidades com marcadores socioeconômicos que se considerou, ou se considera, ser mulher.
sobre processos migratórios e imigratórios, desconstruindo a e étnico-raciais, e também propondo uma revisão de como Embora as mulheres tenham sido gradativamente, ao
ideia de que esses deslocamentos se referem apenas ao pas- a sociedade e a História da Arte representaram as mulheres longo dos séculos, idealizadas por artistas do gênero
sado já que, em verdade, os fluxos continuam acontecendo pictoricamente. Os roteiros traduziram esse recorte em um masculino e conformadas a arquétipos, ou seja, a imagens
intensamente na contemporaneidade. Sobretudo, foi preciso dos acervos mais importantes do país, destacando o que essa que compõem o inconsciente coletivo da humanidade, sua
encontrar meios de demonstrar os muitos povos, naciona- abordagem nos diz sobre o papel das mulheres na nossa so- representatividade é diretamente oposta à densidade de
lidades, etnias que migraram e continuam migrando para o ciedade: Qual a representatividade das mulheres como artista sua representação. À medida que as artistas do gênero
Brasil, relativizando a centralidade das discussões da imigra- visual? E qual o seu papel como objeto, modelo pintado nas feminino foram negligenciadas, seus corpos foram
ção europeia no século XIX e início do XX, especialmente obras exibidas no acervo? O que isso representa ou diz sobre largamente objetificados enquanto modelos anônimos e
da italiana, ainda muito forte no imaginário dos brasileiros. as relações de gênero estabelecidas? privados de subjetividade. Mas o fato de não encontrarmos
mulheres artistas presentes em um discurso hegemônico,
Sobre as intencionalidades prévias para a construção das O recorte proposto no roteiro cultural da Pinacoteca do ou encontrarmos muito poucas delas, no entanto, não
visitas culturais do Museu da Imigração, exemplificamos Estado de São Paulo pode ser visualizado no trecho apre- indica que suas produções foram escassas ou inexistentes.
com o trecho a seguir, que integrou os roteiros. sentado a seguir. (...)

53
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Exemplos práticos de estratégias


de mediação dos conteúdos

CÓDIGO
DE CORES
C
om as pesquisas sobre os acervos dos quatro mu- de fatores culturais e socioeconômicos, a faixa etária e ainda, Visando facilitar a leitura do conteúdo, CADA UMA DAS CATEGORIAS dos
seus realizadas e estabelecidos os recortes temáti- no caso dos estudantes, também a série e nível de ensino diferentes públicos atendidos e museus envolvidos No projeto aparecerá
cos a serem focados, o próximo desafio foi pensar a em que estão. Assim, o objetivo de promover reflexões e com uma cor diferente neste relatório, conforme a legenda abaixo
mediação junto aos diferentes públicos, considerando que discussões dentro dos mesmos recortes para cada museu
obras, objetos, conceitos, experiências e trajetos propostos permaneceu em todos os roteiros, mas sempre considerando,
em todos os roteiros eram os mesmos em cada museu, mas tanto na forma de mediar como na escolha de abordagens e
os públicos atendidos, não. O desafio exigiu o aprofun- de conteúdos específicos, as demandas de cada grupo e as ensino médio
damento das práticas de mediação: Que boas perguntas diferenças entre os públicos. Dois exemplos de sugestão para
podemos fazer a obras, objetos, conceitos, experiências, mediação presentes nos roteiros do Museu da Imigração e da
a fim de sermos facilitadores durante a visitação? Como Pinacoteca do Estado, e apresentados a seguir, ilustram bem ensino fundamental
tornar um mesmo objeto histórico interessante aos olhos a diferenciação proposta no tratamento de alguns conteúdos.
de uma criança de 10 anos de idade e de um adulto? Como
aproximar pinturas realizadas para decorar casas da elite Porém, a depender do conteúdo e da intenção, nem sempre comunidade
paulistana a pessoas que enfrentam problemas básicos de as perguntas precisam ser diferentes, mesmo considerando
moradia? Como relacionar a história, a arte e a vida? repertórios, origens ou faixas etárias distintas. Para ilustrar
isso, trouxemos também dois exemplos presentes nos ro-
Foram pensadas diferentes estratégias de mediação a fim teiros do Memorial da Resistência e do Museu Afro Brasil:
de atender às demandas mais específicas de cada público. situações em que optamos por trabalhar com as mesmas memorial da resistência museu da imigração
É importante notar que muitas vezes é o modo de realizar questões para os diferentes públicos. Nesses casos, as di-
a pergunta que deve ser alterado, e não o conteúdo em si; ferenças podem aparecer, por exemplo, nas sugestões de
outras vezes, apesar de o recorte maior ser o mesmo, conteú- desdobramentos da visita, momento que também pode ser MUSEU AFRO BRASIL pinacoteca
dos específicos podem ser trabalhados considerando, além reservado para especificidades de cada um (público).

54
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Exemplos práticos de estratégias


de mediação dos conteúdos

O primeiro exemplo apresenta um recorte ge-


ral comum, Hospedaria do Brás + Migração Roteiro Museu da Imigração
Interna e o cotidiano dos migrantes que passa-
ram pela Hospedaria, mediados para públicos Obras, objetos e conceitos
distintos de forma significativamente diversa, Hospedaria do Brás + Migração Interna
respeitando assuntos de estudo e mesmo as
limitações e potenciais relacionados ao perfil Orientação
de cada grupo. Pensem como era o cotidiano dos indivíduos que por aqui passaram.

Nesse roteiro notamos diferenças de adaptação Provocações


de linguagem, mas também de conhecimentos Hospedaria do Brás + Migração Interna
a serem acionados. Evidencia-se o objetivo de
extrair dos grupos de Anos Finais do Ensino Anos Finais do Ensino Médio Comunidade
Fundamental informações que se conectem a Ensino Fundamental • Quando pensamos em (i)migrações, • Vocês reconhecem esses objetos?
conteúdos apreendidos em sala de aula como o • Como eles passavam o dia? o que pensamos? • Alguém já teve ou utilizou algum deles?
próprio processo migratório e suas motivações. • Que tipo de vida esses indivíduos
• Que atividades eles faziam? • Como era o cotidiano de vocês quando
que migraram tinham? eram crianças?
• Como se comunicavam?
Já para os grupos de Ensino Médio são mo- • O que buscavam em outros territórios?
• O que estava acontecendo no mundo? • E de seus antepassados?
bilizados disparadores que retomam motivos
• Como as mudanças políticas, • Vocês acham que era parecido com o
políticos, econômicos e outros que fogem ao • Por que eles resolveram sair
econômicas e sociais influenciaram desses imigrantes?
controle dos povos de diversas nacionalidades, de seus países ou cidades?
esses deslocamentos?
mas que ocasionam fluxos migratórios, numa • O que eles trouxeram com eles? • Qual a importância de preservarmos
• Vocês se sentem (i)migrantes? essas memórias?
evidente tentativa de discussão de efeitos da • O que a sociedade ganha com isso?
• Seus familiares e antepassados • Vocês se identificam como paulistas?
globalização e de identidades que se transfor- • Como contribuíram para construir são de onde?
mam nesse processo. uma sociedade culturalmente plural? • Vocês se identificam como brasileiros?
• Existe uma identidade genuinamente
brasileira? Existe uma identidade
genuinamente paulistana?

55
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Exemplos práticos de estratégias


de mediação dos conteúdos

Finalizando, as questões voltadas aos grupos


das comunidades trazem um forte apelo à noção
Roteiro Pinacoteca do Estado de São Paulo
de memória e de identificação com a cultura e Obras, objetos e conceitos
a história de São Paulo e do Brasil. Almeida Junior (1850-1899), Cena de família de Antonio Augusto Pinto, 1891.

A partir de perguntas distintas, os disparadores Orientação


caminham para os mesmos pontos de reflexão Observem o quadro e pensem sobre a figura feminina que está representada nele.
no âmbito da discussão sobre o papel das mu-
Provocações
lheres nas famílias nucleares. Para os grupos de
Anos Finais do Ensino Fundamental, as indaga-
ções giram em torno dos papéis dos gêneros Anos Finais do Ensino Médio Comunidade
ou o que se convencionou padrão para cada Ensino Fundamental • Que tipo de família está • Quem são os personagens dessa ação?
um deles. Para os grupos de Ensino Médio, as • Quem são os personagens dessa ação? representada nessa imagem? • Nessa representação, em que papel
questões abordam o viés feminista e a refle- • Vocês se identificam com • Qual era o papel da mulher definido social está colocada essa mulher?
xão sobre a família nuclear e as mulheres nessa esses personagens? pela sociedade nessa época? • Que tipo de trabalho era
estrutura. E para a comunidade, as perguntas • Que identidades estão • Vocês consideram essa uma considerado responsabilidade
aproximam as discussões do pensamento sobre representadas nessa pintura? representação feminista? da mulher nessa época?
as relações maritais. • O que nessa imagem • Observando essa mulher, • Essa imagem evoca que tipo
representa o feminino? vocês imaginam ela como? de memória em vocês?
• O que nessa imagem • Que tipo de comportamento • Vocês se identificam com essa imagem?
representa o masculino? se esperava de uma mulher • Com essa mulher, com esse homem,
• Quem foi que definiu o que dessa classe social nessa época? com esse ambiente?
é feminino e o que é masculino? • E de outras?
• E atualmente?
• E de um homem dessa classe social?
• As famílias atuais são parecidas
com a que vemos nessa imagem?
• Vocês acham que essa era
uma família tradicional brasileira?

56
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.2. A proposta educativa do


Projeto Conexões Culturais

Exemplos práticos de estratégias


de mediação dos conteúdos
Nos dois exemplos a seguir, apresentamos um
formato distinto do que vimos acima, pautado Roteiro Memorial da Resistência Roteiro Museu Afro Brasil
na ideia de que as mesmas perguntas poderiam
ser feitas aos diferentes públicos sem prejuízo Obras, objetos e conceitos Obras, objetos e conceitos
do trabalho a ser desenvolvido com o conteúdo Cela 3 Núcleo de Trabalho e Escravidão
mobilizado pelos acervos dos museus.
Orientação Orientação
No Capítulo 3, estão disponíveis um roteiro ge- É um espaço que vale a permanência dos visitantes, para o Observem os objetos desenvolvidos por povos africanos no
ral de cada museu, com os três roteiros espe- exercício imaginativo e metafórico sobre a vida na prisão. Brasil e pensem nas relações que podem ser estabelecidas a
cíficos por público, sintetizados e trabalhados partir deles.
graficamente de maneira a apresentar todas as Públicos
abordagens dispostas em um único lugar. Es- Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Comunidade Públicos
peramos que isso estimule novas iniciativas e Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Comunidade
possibilidades ou mesmo a replicação, com as Provocações
adaptações que se fizerem necessárias, do tra- Provocações
• Há vidas encarceradas no contexto atual?
balho de visitação aqui exibido.
• Quais as condições de vida em uma prisão? • Que tipo de função as mulheres e os homens escravizados
desenvolviam durante a escravidão no Brasil?
• Há garantia dos direitos humanos?
• O que é tecnologia?
• Havia que tecnologia nesse período?
• Quem eram os inventores dessas peças?
• E quem lhes ensinou?

57
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.3 Ciclo operacinal do projeto Sabíamos que era


fundamental a
Como o Projeto participação efetiva de
cada uma das instituições,
funcionou na prática? assim como era
imprescindível que fosse
estabelecida uma boa
interlocução para o bom
desenvolvimento do

N
esse item, realizaremos um breve sobrevoo pelo Projeto Projeto e o atendimento
em seus aspectos operacionais com vistas a informar dos nossos objetivos.
ao leitor os caminhos percorridos e as escolhas feitas
no âmbito da gestão do Projeto. Pretende- se, com esse relato,
revelar aos interessados algumas das soluções encontradas e
estratégias adotadas para estruturar e dar corpo ao Projeto,
sempre tentando contemplar da forma mais participativa e
aberta os desejos de todos os envolvidos na iniciativa.

No início de abril de 2017 começaram as reuniões para de-


linear as primeiras ações e diversos encontros se sucederam ao trabalho de elaboração da proposta educativa geral e por determinado período de tempo até que todo o recurso
ao longo do período de execução do Projeto com o objeti- dos roteiros culturais, e a segunda destacada para executar para sua execução fosse captado e garantido junto aos par-
vo de alinhar e validar as diretrizes para a realização das a ação de mediação de visitas, os educadores. ceiros privados, que investiram no Projeto via incentivo fis-
atividades. A primeira atividade, de suma importância, foi cal proporcionado pelo PROAC ICMS. Assim, foi necessária
apresentar o Projeto Conexões Culturais às diretorias dos Em maio, concomitantemente ao desenvolvimento dos ro- uma readequação no cronograma de trabalho, já prevendo
quatro museus escolhidos para a primeira edição. Sabíamos teiros,  duas instituições tiveram mudanças em suas dire- o início das visitas educativas no mês de setembro, em vez
que era fundamental a participação efetiva de cada uma das torias (Memorial da Resistência e Museu da Imigração), o de junho, como incialmente planejado.
instituições, assim como era imprescindível que fosse estabe- que exigiu uma nova reunião de apresentação do Projeto
lecida uma boa interlocução para o bom desenvolvimento do para repactuar a parceria já estabelecida, uma vez que os Entre os meses de junho e agosto, já com a proposta edu-
Projeto e o atendimento dos nossos objetivos. acervos das instituições já estavam sendo trabalhados nos cativa e os roteiros de cada museu desenvolvidos, iniciamos
roteiros e o objetivo era manter os mesmos museus já pre- a seleção para a função de educador. Ao final do processo,
Ao realizarmos as reuniões, em que os objetivos e o de- vistos dentro do Projeto. Após essa nova rodada de reu- dentre vinte profissionais entrevistados, selecionamos os
senho do Projeto foram detalhadamente tratados, todas niões, a parceria foi formalizada com cada um dos museus doze educadores que atuariam no Projeto até o fim.
as instituições o acolheram muito bem e disponibilizaram por meio de um Termo de Cooperação Técnica (Anexo 1:
materiais produzidos por seus núcleos educativos a fim Termo de cooperação técnica, Capítulo 3 – Anexos), que Concomitantemente, também em agosto, um mês antes de
de ajudar na elaboração dos roteiros culturais, que seriam trazia em seu conteúdo definições mais precisas dos papeis iniciarmos as visitas aos museus, organizamos um grande
então utilizados nas mediações junto ao público-alvo. Com e das responsabilidades de cada membro da parceria. encontro na Casa do Saber, em São Paulo, para apresentar
essa parceria firmada, foi possível agendar reuniões de tra- o Projeto às escolas convidadas. Recebemos os diretores e
balho com os profissionais contratados para composição da Como é comum em projetos culturais, após essa primeira vice-diretores das vinte escolas integrantes do Programa de
equipe técnica do Projeto, sendo a primeira turma destinada etapa de montagem, foi preciso interromper as atividades Ensino Integral da Secretaria da Educação do Estado de São

58
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.3 Ciclo operacinal do projeto

Como o Projeto
funcionou na prática?

Projeto em sua ação principal. Com essa prática, era pos-


sível, além de observar o Projeto acontecendo em tempo
real, trocar ideias e impressões sobre as visitas com os
estudantes e educadores envolvidos e ainda registrar com
fotografias as atividades. No bojo desse trabalho de moni-
toramento das ações do Projeto, criamos um fluxo intenso
e profícuo de elaboração e validação dos instrumentais de
gestão, avaliação e monitoramento, do qual toda a equipe
técnica pôde participar, o que gerou um volume significa-
tivo de dados sobre a execução do Projeto.
Paulo e apresentamos o Projeto, dando ênfase a aspectos Conexões Culturais. Na segunda parte, que aconteceu no
estruturais da operação como um todo: o sistema de agen- espaço dos quatro museus envolvidos no Projeto, foram No dia 13 de setembro de 2017, as visitas culturais come-
damento das visitas, que aconteceria totalmente on-line; realizadas visitas mediadas pelos formadores com o suporte çaram de fato. Foram vinte escolas envolvidas, e para cada
o acompanhamento do trabalho realizado nos museus e a dos roteiros produzidos pela equipe técnica. Além do acom- escola foram reservadas quatro visitas, considerando o nú-
apresentação dos responsáveis pelas frentes de ação pre- panhamento de todas as visitas e do estabelecimento de mero de participantes correspondente a um ônibus (isto é,
vistas. A partir dessa data, as escolas passaram a entrar em um canal de comunicação on-line com os educadores, que aproximadamente 44 participantes por ônibus). Algumas
contato, via formulário eletrônico ou telefone, com o produ- incluiu instrumentos para relatos, levantamento de questões escolas tiveram problemas para atingir o quórum mínimo
tor do Projeto, responsável, dentre outras atribuições, pelo e trocas entre a equipe, um mês depois do início das visitas que justificasse a realização da visita (15 pessoas), abrindo
agendamento das visitas, articulando o desejo da escola com voltamos a realizar uma reunião geral com os educadores a oportunidade para que outras pudessem ocupar a data
a disponibilidade de agenda dos museus, além da organiza- visando a constante alinhamento entre a equipe e melhor reservada e acrescentar visitas à cota inicial. O período de
ção da escala de educadores e reserva de ônibus e lanches. aproveitamento das atividades da etapa de visitas. visitas transcorreu até o dia 13 de dezembro.

Ainda em agosto, dentro do cronograma, realizamos a Paralelamente a isso, foram contratados fornecedores que No dia 07 de dezembro, já na reta final das visitas, realiza-
formação dos educadores para o trabalho no Projeto em atuaram tanto na parte operacional como estratégica do Pro- mos uma reunião de balanço final com os representantes
um denso encontro, dividido em duas partes, já mencio- jeto: assessoria de imprensa, empresa responsável pela con- de cada escola e a equipe técnica do Projeto. Nessa reunião
nadas anteriormente:  teórica/expositiva e prática/in loco. fecção e entrega dos kit-lanches e empresa de transportes. foi possível apresentar os resultados alcançados na etapa
Na primeira etapa, foram utilizados diversos recursos de das visitas; avaliar os pontos fortes e críticos do trabalho
apresentação, aproximação e reflexão acerca dos conteú- Ao longo dos quase 90 dias de visita aos museus, a equipe realizado em todas as dimensões pertinentes; ouvir todos os
dos teóricos, considerados básicos para que os educadores técnica se organizou para acompanhar o trabalho, con- envolvidos diretos e indiretos; e, assim, alinhar tecnicamente
entendessem e incorporassem conceitos caros ao Projeto solidando uma prática importante de monitoramento do o Projeto para o encerramento previsto em março de 2018.

59
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.3 Ciclo operacinal do projeto

Monitoramento do
Projeto – Foco nas
visitas educativas olhar da olhar dOS olhar dOS
gestão FORMADORES EDUCADORES

C
Coleta de dados
omo forma de acompanhar e moni- quantitativos
torar a principal atividade do Projeto,
as visitas educativas aos museus, cria-
Observação
mos uma estratégia que envolveu boa parte participante
da equipe, desde membros da gestão até os
educadores, passando pelos especialistas que
participaram da formação dos educadores.

Para garantir um acompanhamento que abar-


casse a complexidade das visitas educativas,
com públicos variados e em museus muito
distintos, organizamos o trabalho de moni-
toramento das atividades de modo que ele
acontecesse tanto de perto, in loco, como a
distância. Para isso, produzimos instrumentais v i s i t as e d u ca t i v as
e estabelecemos fluxos que permitiram, ao
longo do Projeto, realizar de maneira consis-
tente a correção de rotas e a implementação GESTÃO Formadores educadores
de melhorias nos processos e nas atividades. Relato livre pautado Relatório de Registro on-line das visitas
em pontos de atenção acompanhamento das vistas
A sistemática de trabalho implementada está Controle de cumprimento das
ilustrada a seguir. Ela sintetiza as escolhas metas de atendimento
feitas em relação às formas de acompanhar
e avaliar o Projeto e coletar os dados sobre
a sua realização.

Elementos e conteúdos para correção de rotas


Sistema de acompanhamento e melhoria dos processos e atividades
das visitas educativas

60
Capítulo 2 Acompanhamento das visitas in loco pela equipe de formadores
(equipe pedagógica): Cada um dos três profissionais envolvidos
O Projeto Conexões Culturais: acompanhou duas visitas em pelo menos um dos museus participantes. A
um relato da primeira edição partir de um roteiro de observação elaborado para essa finalidade (Anexo 3:
Roteiro de acompanhamento da visita, Capítulo 3 – Anexos), os formadores
realizaram o registro escrito de cada visita acompanhada. A observação
participante foi o método adotado para coletar os dados in loco, e cada
2.3 Ciclo operacinal do projeto responsável pelo acompanhamento realizou a visita com o grupo, registrando
de diversas formas o que via e ouvia, e tendo ainda a possibilidade de

Monitoramento do participar dos debates ou mesmo de interferir na mediação do educador.

Projeto – Foco nas


visitas educativas olhar da olhar dOS olhar dOS
gestão FORMADORES EDUCADORES
Coleta de dados
quantitativos
Acompanhamento das visitas
in loco pela equipe de gestão:
Aconteceu à medida que se Observação
avaliou necessário e foi concentrado participante
no mês de outubro – período em que
houve um adensamento do número
de visitas realizadas. O olhar dos educadores:
O acompanhamento consistiu Fonte importante da estratégia
na livre observação e participação de monitoramento, a visão dos
na visita, geralmente sem educadores pôde ser captada
interferência na mediação do com a realização de registros
educador, e teve como produto um detalhados, também
relato (em áudio), compartilhado pré-roteirizados, sempre feitos
entre a equipe após o evento. por um deles após o termino de
cada visita. A orientação geral
era a realização do registro,
Acompanhamento das visitas preferencialmente, no mesmo
a distância pela equipe de dia ou até o dia seguinte à visita
gestão: Realizado para monitorar
as visitas de modo a obter um
v i s i t as e d u ca t i v as realizada, de maneira que a equipe
de gestão pudesse processar os
monitoramento preciso em termos dados rapidamente, em tempo
quantitativos de tudo que estava de agir pontualmente, quando
ocorrendo. O objetivo era ter uma GESTÃO Formadores educadores fosse necessário, para corrigir
algum desacerto ou repensar
visão apurada do cumprimento ou
não das metas previstas no Projeto; Relato livre pautado Relatório de Registro on-line das visitas alguma estratégia. Dos registros
foram utilizadas ferramentas como em pontos de atenção acompanhamento das vistas feitos pelos educadores, a
planilhas e formulários (ver Anexo equipe de gestão extraia ainda
2: Planilha de controle de visitas por Controle de cumprimento das os dados efetivos de quantidade
escola, Capítulo 3 – Anexos). metas de atendimento de participantes em cada visita.
Esses dados eram, então,
contabilizados, atualizando os
números informados previamente
no agendamento pelas escolas
(Anexo 4: Avaliação da visita pelos
educadores, Capítulo 3 – Anexos).

Elementos e conteúdos para correção de rotas


Sistema de acompanhamento e melhoria dos processos e atividades
das visitas educativas

61
Capítulo 2

2.811
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Números finais
de atendimento

participantes

20
escolas públicas
participantes
4
museus de
SÃO PAULO
79
saídas culturais
realizadas
12
roteiros culturais
elaborados
1
publicação digital
disponibilizada

157 visitas 9 cidades 12 24 horas de 8 horas de encontros 1 seminário


educativas paulistas educadores formação com gestores final
mediadas envolvidas envolvidos de educadores das escolas realizado

62
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Números finais
de atendimento

A
s estratégias de monitoramento, cuja
função era retroalimentar a gestão e ESCOLAS BENEFICIADAS PELO PROJETO Município
as decisões ao longo da execução do 1 Escola Estadual Alexandre Von Humboldt São Paulo
Projeto, tiveram como foco as visitas edu-
cativas e possibilitaram a coleta de dados 2 Escola Estadual Doutor Antônio Ablas Filho Santos
representativos dessa etapa. A seguir, apre- 3 Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz São Paulo
sentamos os números alcançados em um
panorama sintético do que o Projeto gerou. 4 Escola Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos São Paulo
5 Escola Estadual Professor Expedito Camargo Freire Campos do Jordão
6 Escola Estadual Frederico Marcicano Ibiúna
7 Escola Estadual João XXIII Americana
8 Escola Estadual Lauro Gomes de Almeida São Bernardo do Campo
9 Escola Estadual Professora Lurdes Penna Carmelo Ibiúna
10 Escola Estadual Professora Maria Ribeiro Guimarães Bueno São Paulo
11 Escola Estadual Professor Milton da Silva Rodrigues São Paulo
12 Escola Estadual República do Paraguay São Paulo
13 Escola Estadual Professora Olga Benatti São Paulo
14 Escola Estadual Olímpio Catão São José dos Campos
15 Escola Estadual Oswaldo Aranha São Paulo
16 Escola Estadual Princesa Isabel São Paulo
17 Escola Estadual Doutor Reinaldo Ribeiro da Silva São Paulo
18 Escola Estadual Reverendo Augusto Paes de Ávila Praia Grande
19 Escola Estadual Ryoiti Yassuda Pindamonhangaba
20 Escola Estadual Teotônio Alves Pereira São Paulo

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 63
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

20% 16%
2.4 Resultados do projeto 26%
Números finais
de atendimento 52%
17% 32%
37 %

DISTRIBUIÇÃO DISTRIBUIÇÃO
memorial da resistência DE VISITAS DE VISITAS
REALIZADAS REALIZADAS
POR MUSEU POR PÚBLICO
MUSEU AFRO BRASIL (157 visitas) (157 visitas)

museu da imigração
Distribuição
pinacoteca de público
por museu
(157 visitas) 30
22 21 21
ensino médio

11 12
ensino fundamental 10 8 8
0 7 7
comunidade memorial da resistência MUSEU AFRO BRASIL museu da imigração pinacoteca

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 64
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Depoimentos MEMORIAL MUSEU


dos Educadores DA
RESISTÊNCIA
AFRO
BRASIL

Desde o início da visita, os alunos Os estudantes Foi interessante saber Levando em consideração o relato dos
contaram que estavam estudando a alunos, foi possível notar que estudaram
ditadura civil militar, citando alguns recordaram pautas que essa turma está sobre o período de escravidão e sobre a
marcos como o AI-5, além de falarem que estão estudando realizando discussões na Abolição da Escravatura. Falamos sobre a
algumas vezes de seus estudos relativos para o ENEM. escola sobre a cultura captura dos negros no continente africano,
à Era Vargas (principalmente na sala da dos vários povos, culturas e idiomas
linha do tempo) e ao ciclo do café (quando afro-brasileira a partir misturados, sobre os navios negreiros, as
conversamos sobre o prédio e a região). da religiosidade. fazendas de cana-de-açúcar e de café...
Os alunos fizeram muitas
conexões com as aulas de Muitos participantes eram migrantes ou As conexões com essa
O Professor participou História (quais eram os descendentes de migrantes dos estados turma aconteceram,
ativamente, trazendo presidentes militares, quais os
períodos de ditaduras, quais as
do Nordeste e reconheceram costumes
e objetos do acervo como parte
principalmente, por conta
sempre um ponto do implicações do uso de termos do cotidiano da infância e da juventude. das realidades e experiências
conteúdo que os alunos como ditadura militar, civil- Se emocionaram e trouxeram a dos alunos. Assuntos como
tinham visto militar e revolução) e até de
biologia (ao pensar nas doenças
perspectiva do trabalho no olhar
de quem lidou com os resquícios
opressão, preconceitos e
ou que estavam vendo causadas pela ausência do das ferramentas e tecnologias resistência foram os que
em sala de aula. banho de sol). desenvolvidas e ou forjadas por negros. mais geraram diálogos.

65
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Depoimentos MUSEU PINACOTECA


dos Educadores DA
IMIGRAÇÃO
DO ESTADO
DE SÃO PAULO

O professor que Essa escola Consegui perceber Além do tema abordado ser pauta
estava presente, contemporânea (feminismo,
de Geografia, fica em uma que os alunos fizeram questões de classe e de gênero),
havia trabalhado região rural, e relação com o conteúdo consegui conectar com aspectos
alguns dos os estudantes de História quando de arte contemporânea
temas que é o que os alunos estão
recentemente, reconheceram falamos sobre o desejo de estudando nas aulas de artes.
em sala de aula. diversos objetos e retratar o tipo nacional.
artefatos. Falaram sobre escravidão
e colonialismo.
Os alunos trouxeram
Os alunos A experiência da visita parece
muitas reflexões sobre
trouxeram ter provocado relações mais Em alguns momentos os alunos o tema. Demonstraram
muitos profundas, além do ambiente fizeram relações entre a literatura familiaridade
exemplos escolar. Acredito que foi
interessante para entenderem
moderna e a arte moderna.
Trouxeram questionamentos quanto
com o assunto,
contemporâneos as questões sobre construção aos conteúdos acadêmicos e a autonomia de opiniões
de migrações. de identidade. representação do tipo brasileiro. e domínio de conteúdo.

66
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Percepção dos educadores


sobre o público

53% 58% 54%


74 %

Em 53% das visitas 58% das visitas Em 74% das visitas Em 54% das visitas
avaliaram que o foram experiências a participação os professores
público teve alto marcantes do público tiveram uma
aproveitamento para o público. foi satisfatória. participação
da experiência. satisfatória.

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 67
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Avaliação da visita
e o olhar
dos participantes

A
avaliação do Projeto feita pelo

1.974
público-alvo é fundamental. As-
sim, optou-se pela aplicação de
um formulário ao final da visita,
preferencialmente no caminho de volta à
unidade escolar, com alunos, pais e fami-
liares das escolas envolvidas. Tratava-se de
uma avaliação baseada na percepção dos
participantes sobre a experiência vivencia-
da, aplicada por meio de um questionário
com perguntas fechadas e abertas.

avaliações
respondidas

72 %
do público
atendido pelo
Projeto

68
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Avaliação da visita
e o olhar
dos participantes
A avaliação foi
respondida por todos
Você já tinha ido
os segmentos de público
envolvidos no Projeto. a um museu antes?
(1.974 pessoas)

Distribuição das
respostas dos segmentos
por ida anterior a museus

7%

Distribuição do público respondente por segmento


SIM
33% 60%
Segmento de público Q %
Aluno(a) 1.721 87,2% NÃO
Mãe 77 3,9 %

Professor(a) 73 3,7%
Pai 27 1,4% Não respondeu
Outro(a) responsável 62 3,1%
Não respondeu 14 0,7%
TOTAL 1.974 100%

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 69
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Avaliação da visita Do que você mais Distribuição do


e o olhar gostou na visita? público por aquilo que
mais gostou na visita
dos participantes (1.974 pessoas)

MUSEU AFRO BRASIL

de conhecer No Museu Afro Brasil, a maioria do público


mais sobre se interessou pela temática e pelos conteúdos
a temática e o 14% tratados no acervo e nas exposições.
conteúdo do museu

10% memorial da resistência museu da imigração


de conhecer
o espaço do museu 47%
No Memorial da Resistência e no Museu
e o prédio onde da Imigração a maioria se interessou mais pelo
está instalado prédio em que estão instalados.

29% pinacoteca
das atividades
realizadas pelo
educador
Na Pinacoteca o público em sua maioria
com a gente valorizou mais as atividades realizadas
pelos educadores.

Não respondeu

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 70
2% 1%
Capítulo 2 Após a essa
O Projeto Conexões Culturais: visita ao museu Sim, totalmente
um relato da primeira edição você ficou 5%
com vontade
2.4 Resultados do projeto de conhecer
outros espaços Talvez sim
Avaliação da visita culturais?
e o olhar (1.974 pessoas) 28% Não sei
dos participantes 64%
Não

Distribuição do
público respondente
Não respondeu
por impacto imediato
das visitas aos museus

1.120
Grau de satisfação com
as visitas aos museus
(1.954 pessoas - 20 pessoas
não responderam)

501
182 105 32 14
82%
6 deu notas
altas 5 4 3 2 1

57% 25% 9% 5% 2% 1%

Fonte: Avaliação preenchida pelo público ao final de cada visita. Tomara! Educação e Cultura (ver Capítulo 3 – Anexos). 71
Capítulo 2
O Projeto Conexões Culturais:
um relato da primeira edição

2.4 Resultados do projeto

Avaliação da visita Precisamos Diversão e curiosidade Novas ideologias a serem Uma experiência
pela cidade de São Paulo. descobertas por mim.
e o olhar conhecer o incrível que
dos participantes passado para não As pinturas são muito Ampliação possibilitou
cometer os mesmos mais que só tinta e sim
cultural. a reflexão
a sociedade, representada
erros no futuro. em uma simples imagem, de questões
o que é incrível. Emocionante, pois é que são
Um mergulho em um mar
de descobertas sobre a
incrível poder saber
sobre as pessoas que
necessárias.
história e a cultura do nosso
Por mais construíram nosso país.
aprendizados Aprofundamento em
país e sobre a história dos relações histórico-culturais.
africanos escravizados. como esse. Uma forma didática e
diferente de aprender. Foi legal aprender
Aprender nem sempre Reveladora, pois mais sobre a cultura
nos mostrou a verdade
O que a visita
representou
traz alegria, porém nos
ensina a aproveitar sobre nossas raízes.
O que não aprendi e a história do
povo africano.
para o público a vida com alegria. antes, aprendi
(depoimentos) Foi bom, pude com o educador. Cultura
debater e aprender.
Todos Representou muito para afro Brasil,
somos iguais. Muito legal, pois mim, pois eu amo história. a melhor.
conversamos sobre as obras
A palestra foi super e descobrimos coisas novas. Foi uma experiência muito Foi algo que mudou
interessante, pois ela contou boa. Agregou à minha minha maneira de falar
o que passou lá dentro. Lugar sensacional. bagagem cultural. e de ver o museu.

72
Capítulo 3
Anexos
Capítulo 3

Este capítulo
é destinado a
apresentar ao leitor
alguns instrumentos
de gestão referentes
ao Projeto, além dos
roteiros culturais Clique

de cada museu. para


abrir

COMO NAVEGAR PELAS PÁGINAS


3.1 Instrumentos 3.2 Roteiros DOS ROTEIROS CULTURAIS?
de gestão e avaliação culturais Nas páginas como no modelo acima
(anexos 6, 7, 8 e 9), clique sobre as palavras
sublinhadas para abrir as caixas com detalhes
Anexo 1 Anexo 6
extras e, após a leitura, clique sobre a própria
Termo de cooperação técnica Roteiro Cultural do Memorial caixa (cinza) para fechar este conteúdo.
da Resistência
Anexo 2
Planilha de controle de visitas por escola Anexo 7

Anexo 3
Roteiro Cultural do Museu Afro Brasil
COM EM EF
abordagem abordagem abordagem
Roteiro de acompanhamento da visita Anexo 8 especialmente especialmente especialmente
Roteiro Cultural da Museu da Imigração desenvolvida desenvolvida desenvolvida para
Anexo 4 para tratar para tratar do tratar do conteúdo com
Avaliação da visita pelos educadores Anexo 9 do conteúdo conteúdo com os alunos dos ANOS
Roteiro Cultural da Pinacoteca com a os alunos do finais DO ENSINO
Anexo 5 do Estado de São Paulo COMUNIDADE ENSINO MÉDIO FUNDAMENTAL
Avaliação da visita pelo público
Clique
novamente
para fechar
74
Capítulo 3
Anexo 1
Termo de cooperação técnica
Anexo 2
Planilha de controle de visitas por escola

i) Fazer o máximo de esforço para ter antecedência de 30 dias no agendamento das visitas e,
3.1 Instrumentos de gestão e avaliação caso não seja possível, adequar-se aos horários disponíveis na agenda da ENTIDADE 2. Anexo 2: Planilha de controle de visitas por escola

Anexo 1: Termo de cooperação técnica


II – Da ENTIDADE 2
Projeto Conexões Culturais
TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA QUE CELEBRAM ENTRE SI A ENTIDADE 1 E O a) Apoiar a execução do Projeto (NOME DO PROJETO) no que tange às visitas educativas e à Planilha de controle de visitas por escola
ENTIDADE 2. colaboração na produção dos roteiros das visitas educativas;
Ch. Nome da Localidade Visitas Visitas Público Público Museu
b) Participar das reuniões sobre as etapas descritas no item a, conforme disponibilidade;
c) Compartilhar com a equipe técnica da ENTIDADE 1, pesquisas e conteúdos produzidos que Princ. escola da escola previstas realizadas previsto presente visitado
A ENTIDADE 1, com sede em (CIDADE), (ENDEREÇO COMPLETO), inscrita no CNPJ sejam do interesse do projeto; 1
XXXXXXXX/XXXX-XX, neste ato representada por seu representante legal (NOME d) Compartilhar dados e informações relevantes à execução do projeto; 2
COMPLETO), (NACIONALIDADE), CPF nº XXXXXXXXX-XX, RG nº XXXXXXXX-X, e) Respeitar os prazos estabelecidos pelo projeto para as devolutivas e devidas validações de
residente e domiciliado em (CIDADE E ESTADO) e conteúdos produzidos no âmbito do projeto; 3
f) Contribuir para a promoção e divulgação do projeto, em especial por ocasião do evento final 4
O ENTIDADE 2, administrado por ENTIDADE 3, com CNPJ XXXXXXXX/XXXX-XX neste ato do projeto. 5
representado por (NOME COMPLETO), (NACIONALIDADE), CPF nº XXXXXXXXX-XX, RG
nº XXXXXXXX-X, residente e domiciliado em (CIDADE E ESTADO) resolvem firmar o presente 6
TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA, que será regido pelas cláusulas e condições que CLÁUSULA TERCEIRA – DOS RECURSOS FINANCEIROS 7
seguem: 8
O cumprimento deste TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA não implica em repasse de 9
recursos financeiros entre as partes. Caso existam repasses financeiros entre as instituições
CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO
envolvidas, o mesmo será orientado por instrumento contratual específico. n

O presente TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA tem por objeto o estabelecimento de uma


parceria para o desenvolvimento do Projeto (NOME DO PROJETO), de autoria da (NOME DO
CLÁUSULA QUARTA – DA VIGÊNCIA E DA PRORROGAÇÃO
AUTOR/PROPONENTE).
O presente TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA vigorará por (PERÍODO DE DURAÇÃO DO
CLÁUSULA SEGUNDA – DAS RESPONSABILIDADES E OBRIGAÇÕES PROJETO) meses a partir da data de sua assinatura.

São responsabilidades e obrigações, além dos outros compromissos assumidos neste TERMO
DE COOPERAÇÃO TÉCNICA: CLÁUSULA QUINTA – DA MODIFICAÇÃO E RESCISÃO

I - Da ENTIDADE 1 Este TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA poderá ser modificado em qualquer de suas
Cláusulas e condições, ou mesmo rescindido, desde que tal interesse seja manifestado,
a) Executar o Projeto (NOME DO PROJETO); previamente, por uma das partes, por escrito e formalizado em comum acordo em termo aditivo,
b) Captar recursos para a realização do projeto; sem prejuízo à concretização do projeto.
c) Compartilhar dados e informações relevantes à execução do projeto;
d) Considerar como um dos espaços educativos para a realização das visitas previstas no
escopo do projeto na ENTIDADE 2;
e) Envolver a equipe educativa da ENTIDADE 2 nas discussões acerca dos conteúdos a serem São Paulo, (DIA) de (MÊS) de (ANO).
trabalhados junto ao público atendido no âmbito do Projeto, entre eles o desenvolvimento
dos roteiros, que devem considerar as sugestões e avaliação da equipe educativa da
Instituição sobre a viabilidade de sua implantação; ___________________________ ____________________________
f) Constar, no material produzido para o professor/aluno, as referências da ENTIDADE 2 e a (REPRESENTANTE LEGAL ENTIDADE 1) REPRESENTANTE LEGAL ENTIDADE 2)
menção ao trabalho desenvolvido pela Instituição, em virtude de suas experiências bem-
sucedidas da ENTIDADE 2 no tratamento de temas transversais em um espaço não formal
de educação, bem como a anuência ao texto sobre a Instituição desenvolvido pela equipe do TESTEMUNHAS:
Projeto;
g) Participar das atividades educativas específicas a serem promovidas pela ENTIDADE 2 para _____________________________ _______________________________
a celebração dessa parceria, tais como Encontro com Educadores e visitas técnicas, dentre NOME: NOME:
outras; ENDEREÇO: ENDEREÇO:
h) Considerar que as visitas educativas acompanhadas pelos educadores do Projeto devem CPF Nº CPF Nº
contar, sempre e se que possível, com a realização de atividades associadas a serem
desenvolvidas pela equipe do Programa de Ação Educativa da ENTIDADE 2, cuja
programação deverá ser acordada previamente entre os parceiros;

1
74
1 75
2
76

75
Capítulo 3
Anexo 3
Roteiro de acompanhamento da visita
Anexo 4
Avaliação da visita pelos educadores

Anexo 3: Roteiro de acompanhamento da visita Anexo 4: Avaliação da visita pelos educadores

Projeto Conexões Culturais: museu, comunidade e escola - 2017


Iniciativa: Parceiros da Educação
Coordenação técnica: Tomara! Educação e Cultura

Relatório de acompanhamento de visita educativa

Instituição:
Data:
Formadora:
Educadores:
Horário:
Grupo atendido:
Escola:

1. INFORMAÇÕES INICIAIS SOBRE A VISITA

2. AVALIAR A VISITA A PARTIR DOS ITEJNS ABAIXO:


a. O acolhimento
b. Apresentação da instituição
c. As estratégias/dinâmicas de mediação
d. Fechamento/finalização.

3. AVALIAR OS PARTICIPANTES A PARTIR DOS ITEJNS ABAIXO:


a. Resposta do público mediado
b. Relações estabelecidas entre o educador e o público.

4. RECOMENDAÇÕES PARA MELHORIA DO TRABALHO

5. OBSERVAÇÕES GERAIS

3 4 4

76
77 78 79
Capítulo 3
Anexo 4
Avaliação da visita pelos educadores

4 4 4

77
80 81 82
Capítulo 3
Anexo 5
Avaliação da visita pelo público

Anexo 5: Avaliação da visita pelo público

4 5 84

83 78
Capítulo 3
Cronologia 2º
1º passo
OApresentando
Percurso

3º acervo
passo dada
Memorial Emexposição
o acervo
Resistência
2004, e o do
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interessante. finalizado
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destacando- consolida
se o destacar
Plano suaNacional
implantação,
e a reflexão dos temas a partir
O acervo Projeto museológico http://memorialdaresistenciasp.
iniciou-se um projeto deMódulo
mesmos uma
de
restauração,
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Introduza
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C:Permanente
instalação. A construção
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Ensino
painéis e o papelde
Médio.
outros
concluído em 2002. Nesse Educação
oaspx?mn=4&c=83&s=0.
cotidiano
ano, sob nas emassumindo
celas Direitos
doAcesso o
Humanoscompromisso e as cívico
Diretrizes
dos roteiros e da autonomia
org.br/memorial/. Acesso em: Políticos
das
EMartes
Introduza
suportes Quem de São
visuais as
eram
audiovisuais Paulo.
como
questões:
esses AsDeops/SP
área
apresentam deem:
escolhas 10sobre
conhecimento
militantes? desde
ago.Eles
oo2017.
queque
processo expor,
criativa do educador. responsabilidade do Arquivo do Nacionais
Estado de único
para (re)construção
a Educação em da memória
Direitos Humanos.esuas
da
Percurso da exposição CELa 2 12 ago. 2017. como
possibilita
pertenciam expor,apresentar
EFimplantação
de Como como
umaa um
do ambientar
flor
Memorial fatos
pode sob foram
grupo?
da um
interferir feitasno
ponto
ResistênciaQuais decomsão
aos base
vista
As histórias invisíveis de São Paulo, foi criadohistórias o Memorial (Fonte:de davida história
Tavares, deles? C. política
(2012).DeO que do
PerspectivasBrasil.
eles da
abriram
Valores Direitos humanos, de longa duração em memórias
diferente.
ambiente Nesse
de deuma experiências
caso, o público
prisão? vividas
nafoique no cárcere.
protagonista
são símbolos do
patrimônio imaterial, memória. Acervo Memórias da Liberdade, abrangendotestemunhos mão
o
de espaçoao educação
resistência?
processo
se
das
deum
sobre
tornarem
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Você
cotidiano
de tem humanos
militantes? em
máscaras
prisão.
sua comna
COM realidade
vida Há hoje
algo,
significados um
Ditadura. Disponível em: em
símbolo,nosso contexto
latino-americana Fonte:
objeto, pessoas
eMemorial
uma brasileira.
música desaparecendo?
da Resistência.
Revistaque Jurídica,
inspire n.
CELa 3 antigas celas do DEOPS/SP. repletos
Há de violência, perda, agressão, abandono.
III - roteiro: A vida na cela http://memoriasdaditadura. e dêpessoas
Fonte: Memorial
forças oudagrupos
diante
15, p. 23-33.Disponível Resistência.
de
Disponível uma sendo
em: perseguidos
Disponível
dificuldade?
www.memorialdare-
no Repositório em: Awww.
arte
UPT, http://
Competências e habilidades e exterminados? Há militantes? Há histórias
Escuta ativa; oralidade; A Visita org.br/. Acesso em: pode ser uma forma
memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/default.
hdl.handle.net/11328/1103.
apagadas/invisíveis no seu contexto social?
de resistência?
sistenciasp.org.br/memorial/default.Acesso em: 10 ago. 2017. E
protagonismo; prática de O roteiro do Memorial da CELa 4 12 ago. 2017. Introduza
aspx?mn=4&c=83&s=0.
de outras pessoas as aspx?mn=4&c=83&s=0.
questões: Acesso
que você em:tenha 10 ago.observado?
2017.
Acesso em: 10
pesquisa, leitura e escrita; Resistência foi elaborado com O cravo vermelho EF EM Há vidas encarceradas
base na exposição de longa Documentário Trinta anos de no contexto atual? Quais as condições
ago. 2017.
criatividade, imaginação,
observação, concentração; duração, que está dividida em Recuo das artes anistia. Ministério da Justiça de vida em uma prisão?
quatro módulos. Nosso foco é do Brasil. Disponível em: COM Há garantia dos Direitos Humanos?
leitura de imagens;
representação visual; o Módulo C, que apresenta as https://www.youtube.com/
capacidade associativa. celas temáticas. Também watch?v=IMAQJIIjue4.
incluímos no fim da visita uma Acesso em: 12 ago. 2017.
Interdisciplinaridade História, atividade com o Educativo da
patrimônio material e imaterial, instituição.
arte como resistência.

79
Capítulo 3
2º e 3º passo 2º e 3º passos
passoS tradicionais, que, como contam os historiadores
banco é consideradona nossa o maiscultura
preservado
importante
nesses
queemblema
é a carneespaços
da e/ou
foi fundado geração em geração,
sagrados? O Navio negreiro
homenageando
avistou Cronologia
ao longe uma grandee respeitando
palmeira, com uma sombra O4º passo
Apresentando
Museu
acervo
CONTEXTO DAAfro OBRA:
Ossain Oso Iorubas
Brasil
ao ideia
domínio acervo
pelo
das poder ocupam
plantas epúblico
eo museu
a Oxossi da floresta e
Anexo
O roteiro7 em si, estudiosos do povo Iorubá, foi o únicorealeza
O roteiro em si, dicas de abordagem
A carne mais
orixá Luba. Éque barata do mercado
um gerador negra
de memória e história. a memória dos mais
se preservou das culturas africanas Solano Trindade.
deliciosa que o convidava a descansar. Ao encostar no
velhos.
tronco
Nos dias em
sentiuAntológica
Poesia
que há osa usar2004,
um frescorInaugurado
que o instigouem um cajado
Era
principalmente
Este
ODe
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Museu
acervo
volta
uma
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Museu
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a municipal,
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Oduduá
mãe,
história
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Nigéria
Brasil
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o Benin
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interferindo
Mahin, distribuir
que
livre,
e,mais
pública, na
assim
o projeto Bahia,
africanas
os elementos
era africana liberta eaos
em
de Ori-
o cha-

Roteiro Cultural
que deixou vestígios de sua existênciaEstá
comoligado aoe status
que fez nesses
faz social
história e é determinante
espaços? Aqui você na pode grandes festejos/ritos paraqueagradecer
o opaxaró as divindades
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para 6 miloutros
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subordinada
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Brasil
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dicas de abordagem e atividades no museu
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divisão hierárquica da comunidade,
enriquecer
esse país no braçoa visitapor isso, muitas
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os ancestrais, afurar
Lá vem o naviomúsica,
negreiro a dança,
o tronco, a culinária,
então começou
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uma
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mou
escravizados
emúltiplos
história
Paulo
Brasil
de
Luiz.
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e eadministrado
a construção
construiu,
receu
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e amantêm
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estar Afro
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do Museu Afro Brasil
hoje, é possível encontrar a família real de eleo cabra
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aqui
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se sente revoltado
e exibido pelos membros encenação, o transe
Lá vem deliciosa,
ele sobreeoomar Obataláestão
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bebeu, bebeu atéA que adormeceu, que os mundos
lutas a criação
divino em equilíbrio,
Petrobrás
revolucionárias e humano
pelo e
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não acharam
se
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escravidão. da oCultura
Tempos Ayêedepois,
um lu-
porque o revólver já está engatilhado bêbado.
ao longo de dez anos, religiosidade;
Era vinho de palma, mas ele não sabia.
Brasil,
euma
afro-brasileiros.
trajetória as presenças
uma Organização Dividido negras
Social
em de seisnas ciências,
Cultura.
núcleos letras e
temáticos,
Oyó, descendentes diretos de Xangô. da
Olhar os em momentos de investidura de um rei, o
corte; Lá vem o navio negreiro
visão deVamos gar tão bonito e agradável que resolveram não retornar
céu eminha
terra,gente inferno e céu, Sugerimos, o pai ao de no retornar
Luiz perdeu àtodos
sua oscomunidade
Leiseus bens, escolar,
vendendo-o naaosbem10
História
África: e memória
diversidade era Exúbem de eobservava
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quecontribuições edecisivas oseacervo
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doanos,
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suasaspectos
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dando
danova trabalho
visibilidade
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objetoseque
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olhar... Obatalá ao longe, ao Orum, fazendo da Terra sua morada. Mas
Núcleo compõem essa recriação ebanco
fazeraparece como mais uma insígnia de poder. mas muito bem intencionado
Pereira Rodrigues)
Giselda
diabo emLá oposição
vem o navio elesão visões
havia
negreiro colocadoquenopertenciam
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terra,
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afro-brasileira, tenham
marcenaria,
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dalidesse
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catolicismo
acordava
por
dívidas.
metalurgia,
segmento
Manoel
popular,
algumas
Como
para
umada
com cidades
escravo,
compartilhar
dentre outros.
étnico-racial
Nóbrega,
doda trabalho
grande dor
província
passou
de cabeça
de São
As religiões afro-brasileiras exercícios metafóricos sobre as simbologias e esse país Num tempo em que Olorum reinava soberano ocidental
sobrePordo colonizador
água encantoueonão
brasiliana jovem aorapaz.
africano.Exú então ao
brasileiro pegou o balaioa impressões,
revelar Preservam
com
para
dentro
e a existência
inventividade
das do mais
tecnologias
Paulo. afetos,
saber
Obatalá, do
SuafamosoDesdereflexões
ancestral
que
país.
necessárias
história foi 2009,
retornou
Objetiva
parque
marcada à eode
passado
ao suaconhecimentos
Museu
Orum
por de
também
São muito
muita geração
Afro
Paulo,
execução, sem Brasil
estimular
luta. o emé a ler
graça.
Aprendeu
I – Informações CONTEXTO Você podeTemas DO NÚCLEO:
iniciar emOnossanúcleo
a Transversais
mediação é dedicado
desse
sociedadenúcleo e na àcultura
históriaafricana
informando 1º Passo
DICASpodeDEvaiABORDAGEM:
deixando todo mundo toda a preto
A despeito
criação da conhecida
do universo, Pierre
e mantinhaVerger,
tudo sobre amensageiro
vi-Lá vem o navio as negreiro
cabaças e retornou ao palácio de Olorum.
e a ousadia de artistas adquiridos,
geração,
diálogos
da
Ibirapuera,
brasileiros amuseu
fim
naehomenageando
escravidão,
O pai
adolescência
reflexões
e
o das de
uma estimular
Olorum
sobre
festas instituição
econserva,
trabalhou como
questões
populares, emosabia
equerespeitando
já diálogo
pública,
tipógrafo,
da
11 das com
do fracasso
aartes
memóriadaoutros
vinculada
poeta,
atualidade
mil metros
missão
dose
advogado
como
visuais,
e à
sobrememória
a
CONTEXTO DO NÚCLEO: Para o Brasil foram Pluralidade,
iniciais de
diversidade importantes
de povos
trazidos ajudarsociedade personalidades
nos 53 países que
e meio a intolerância
o grupo a desvincular Roda e o cabelo
de conversa
poligamia
esticado
masculina entre gília de
os seus
Luba, olhos estrelas,entre
a mulher mantinha
tem papel dois
tudo em DICAS
mundos.
perfeito DE ABORDAGEM: Quando Olorum avistou
Diretor: A máscara gueledé, a egungun e integrantes
Trazendo carga humana... Exú com o balaio, soube que
mais velhos.
em
da
e se tornou
Nos
sua
escola infinita
um dosemaiores
àdias em
Secretaria
compreensão
daque comunidade,
dehá
acolheu
oscriar
Estadograndes
seu
dafazendo
líderes abolicionistas. filho e
A lembran-
festejos/
Cultura
lhe
dequee
negras
formamque se destacaram
oambiente,
continente Lula chamado
Buarque de Lá vem
Holanda. o navio a missão
negreiro havia fracassadointernacionais,
nas mãos de desde
Obatalá. oa
Acon- Lei 10.639/03,
quadrados,
registrando,
século XVIII umassim,
deu que
acervo
uma obriga
a nova com
trajetóriaas
missão.escolas
mais A de
de 6
histórica,a ensinar
mil no obras,
Ayê história
os seres
e africano.emjustiça
diversas
Foque naseáreas do relação
diferenças
de África milhões de pessoas escravizadas. ética, / acolhimento equilíbrio. Ele criou um mundo Orum
a epa para
são as demáscaras mais populares entre sua os segunda
Iorubá.filha mais reverberar ça que guardava
a láimportantes
importância da sua mãe
da o
arte acompanhou
eadministrado
da sempre.
cultura A impor-
Objetivos Conhecer o Museu
diálogo.
a demonização comuns em adeesses
destaque
15/20 mas nas representações
mesmo
minutos assim viver com sua artísticas
família, osdesse povo.
Produção:
Orixás Orum nin-Cheio
funfuns. No Europa Filmes, selhado
melancolia por Exú, Olorum atéchamou
a contemporaneidade. ritos para
cultura
artística
entre agradecer
africana
pinturas,
e as
tância São
dehabitariam,
Luiz Gama asPaulo,
divindades
e afro-brasileira.
esculturas, que
osinfluências
foi gravuras,
seres
tal que humanos, ou
seué enterro, os ancestrais,
fotografias,
africanas
mas emisso é uma
1882, pelaoutra
paralisou
AfroElasBrasil
trouxeram consigo suadas
e algumas conhecimento,
entre essas
história, cultura, desde
populações o período
do
símbolos. ponto colonial
de vista até os
social, Sua função histórica incluía
aind