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Estudo Exegético – Eclesiastes

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... versículo chave

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TEXTO:
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ORAÇÃO

1. CONTEXTO:

Eclesiastes não contribui senão indiretamente para o desenvolvimento do propósito histórico de


Deus no Antigo Testamento, pois não contém história em si. O livro serve, todavia, para retratar
o fato do decreto da permissão do mal e a tentativa frequente do homem, como indivíduo, em
resolver e explicar tal problema. A teodicéia de Eclesiastes consiste em demonstrar a
impossibilidade humana de resolver o problema e a necessidade de viver na fé em um universo
onde o Criador determinou que o mal exista até o dia em que Ele vai julgar os justos e os ímpios
(3:17).

2. DIVISÃO

3. PROPÓSITO:

O livro de Eclesiastes compartilha com o livro de Jó uma posição única no cânon, a categoria
de sabedoria especulativa, pois ambos estão ocupados com a busca de uma proposição definitiva
com respeito à natureza da vida. Em tal busca o autor oferece uma apologética para um estilo de
vida teocêntrico em um mundo que perdeu sua racionalidade devido às tentativas humanas de
obter sentido da vida por sua engenhosidade e realização.
O propósito aparente de Eclesiastes, estimular o temor do Senhor como a chave para uma vida
significativa em um mundo que é, em tudo o mais, desprovido de significado, é obtido pela
demonstração da incapacidade humana de obter proveito da vida, isto é, encontrar realização
como indivíduo (1:12– 6:9), e pela demonstração da incapacidade humana de encontrar ou
perceber o sentido da vida (6:10–11:6).

Salomão (Qohelet), ao encerrar sua obra, afirma que “ensinou conhecimento ao povo” (12:9).
Seu propósito parece ter sido didático e estar relacionado a suas exortações finais.
Sua análise dos afazeres do homem levou-o a concluir que o esforço humano, por mais nobre
que seja, não pode dar ao indivíduo realização na vida, que é inapelavelmente deformada pelas
muitas “astúcias” do homem (7:29). Portanto, seu propósito parece ter sido:
Estudo Exegético – Eclesiastes
Estimular o temor do Senhor como a chave para uma vida significativa em um mundo que é,
em tudo o mais, desprovido de significado.1

4. DESENVOLVIMENTO
I. Demonstrando que os esforços humanos são desprovidos de significado em um mundo que
não traz realização pessoal ao homem (1:2–11).
Esta primeira divisão do livro introduz a observação inicial sobre a natureza da vida (1:2). À luz
da natureza enigmática da vida, os esforços do homem não lhe trazem realização (1:3). Essa
observação inicial é confirmada pela aparente falta de contribuição do homem a um mundo que
está irremediavelmente preso a ciclos enfadonhos (1:4–11). Além da natureza repetitiva da vida,
o homem está enredado em um mundo em que o passado logo perde sua significância e tudo que
se realiza é rapidamente esquecido (1:11).
II. Demonstrando, por meio de sua busca empírica por significado, que o homem não pode
derivar proveito da vida, a não ser que a desfrute sob o temor de Deus (1:12–6:9).
Qohelet, nos versículos 1:12–18, apresenta um resumo de sua investigação e indica seu
princípio direcionador. Seu escopo foi todo o campo do esforço (atividade) humano (1:13) e seu
princípio direcionador foi a sabedoria ( ‫חכְמָה‬ ָ , ḥoḵmâ, 1:13). Ele afirma que a vida se apresenta
como uma série de paradoxos desprovidos de sentido (1:14,15) que mesmo a sabedoria humana
sem paralelo não conseguiu resolver. Em última análise, sua capacidade de discernir e entender
idéias e situações serviu apenas para torná-lo mais agudamente cônscio dos problemas insolúveis
da vida.
A seguir, a busca por significado levou Qohelet a buscar o prazer como a avenida pela qual a
vida pudesse ser vivida em toda sua intensidade. Isso, todavia, levou à frustração (2:1–11). Ele
declara a futilidade de suas tentativas (2:1,2) e lista as áreas de sua busca de modo a não deixar
dúvidas na mente de seus leitores. Desfrutar os prazeres do vinho (2:3), tornar-se um renomado
construtor (2:4–6), acumular riquezas e propriedades (2:7, 8 a), desfrutar os prazeres sensoriais
da arte e do sexo (2:8b), tudo isso se mostrou inútil (cf. ‫אֵין י ִתְ רֹון‬, ʾên yiṯrôn, em 2:11) como
fundamento para trazer significado à vida.
Qohelet, uma vez que sua tentativa epicuriana terminara em fracasso, tentou uma abordagem
mais estóica, buscando a sabedoria como o fundamento básico para uma vida significativa (2:12–
17). Acabou por descobrir que a sabedoria, isto é, um estilo de vida disciplinado, era superior ao
estilo de vida desenfreado conhecido como loucura e insensatez ( ‫סכְלּות‬ ִ ‫הֹולֵלֹות ְו‬, hôlēlôṯ
e
w siḵlûṯ, 2:12 ), mas no final a morte acaba por nivelar o sábio e o insensato (2:14,15), e isso
configurou um enigma aos olhos de Qohelet (2:15). O esquecimento definitivo é o fim tanto do
sábio quanto do insensato e isso desqualifica a sabedoria como o caminho pelo qual o indivíduo
“alcança o topo” na vida (2:17).
A terceira avenida pela qual Qohelet buscou encontrar realização foi o trabalho (2:18–23). A
vida de um ergoólatra, no entanto, negou-lhe satisfação duradoura, uma vez que o homem não
tem garantia de que será capaz de desfrutar o resultado de seus cansativos labores (2:18), tendo,
às vezes, de deixá-lo para descendentes menos qualificados (2:19), o que é desestimulante para
alguém cuja mente e, até mesmo, cujo sono estão absorvidos em seu trabalho (2:20, 23).
Qohelet, depois de percorrer esse caminho, chega a sua primeira conclusão (2:24–26). Embora
o homem não obtenha vantagem real nesta vida e não seja capaz, depois da morte, de desfrutar o
resultado de seu esforço, o gosto obtido com o trabalho e o desfrute das necessidades básicas para
a sobrevivência humana são uma dádiva de Deus ( ‫מִ י ַּד הָאֶֹלהִים‬, miyyaḏ hāʾĕlōh’m, “vem da
mão de Deus”, 2:24), que tem um cuidado especial por aqueles que buscam o bem (2:26). No
1
Pinto, C. O. C. (2006). Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento (p. 565–566). São Paulo:
Editora Hagnos.
Estudo Exegético – Eclesiastes

entanto, mesmo esta atenuante, não elimina a natureza paradoxal da vida ( ‫ה‬ ַ ‫ ֶחבֶל ו ְְרעּות רּו‬,
e e a
ḥeḇel w r ʿûṯ rû ḥ, 2:26b).
A tentativa de Qohelet de provar a incapacidade humana de extrair proveito da vida leva-o,
portanto, a considerar a maneira soberana pela qual Deus estruturou o tempo (3:1–8). Por isso,
além do esforço humano ser frustrado e frustrante, a ânsia por significado eterno (ou, pelo menos,
duradouro) nesta vida que (3:11b – ‫לבָּם‬ ִ ‫אֶת־הָעֹלָם נָתַ ן ְּב‬, ʾeṯ hāʿōlām nāṯan belibām, “pôs na
mente do homem a idéia da [o anseio pela] eternidade”) permanece insatisfeita, pois o homem
não pode compreender o plano todo-abrangente de Deus.
A despeito dessa aparente desvantagem, a vida ainda é uma dádiva divina que o homem pode
desfrutar e compartilhar (3:12,13). Esta conclusão secundária parece indicar que o mundo de
Qohelet se mantinha equilibrado pela tensão e que ele manteve seu juízo em suspenso no que diz
respeito à questão do significado da vida.
Sua tese básica de que um proveito definitivo não pode ser alcançado nesta vida é enfatizada
em 3:14–21, em que a imutabilidade do plano de Deus é contrastada com a finitude do homem
em um mundo onde a injustiça prevalece. Falando de maneira empírica, o homem tem pouca
vantagem sobre os animais, de modo que o que lhe toca de melhor na vida é desfrutar tudo que
consegue realizar (3:22).
Qohelet, para sustentar sua tese, extrai apoio de diversas áreas da vida (4:1—5:17). A opressão
torna a vida infeliz tanto para o opressor quanto para o oprimido (4:1–3), a ponto da não-vida
parecer melhor que a vida. O trabalho, que poderia prover certa medida de realização, se sua
dificuldade e benefícios forem repartidos com outros, também é desperdiçado por aqueles que
avaramente acumulam riquezas para um futuro incerto que não podem compartilhar com mais
ninguém (4:4–12). Mesmo aqueles que detêm o poder e que aparentemente não são afetados
pelos paradoxos da vida serão eventualmente confrontados com a natureza volúvel da
popularidade, porque aquilo que uma geração exalta a geração seguinte execra (4:13–16).
A natureza não-racional da vida também aparece em 5:1–7, em que uma religião insincera ou
insensata – que não leva em conta a transcendência e severidade de Deus – pode pôr a perder o
trabalho de toda uma vida. Assim, o que realmente é importante na vida não é um envolvimento
excessivo com a religião, mas o verdadeiro temor a Deus.
O árduo trabalho da vida e o produto dos campos tantas vezes acabam no bolso de oficiais
gananciosos e autoridades superiores que isso não deveria sequer causar surpresa (por inferência,
Qohelet está afirmando que a produtividade da terra e seus lucros também não constituem
garantia de uma vida gratificante [5:8,9]).
Ambição e tragédias são outros dois fatores que Qohelet acrescenta a sua lista de razões pelas
quais o trabalho não garante realização na vida (5:10–17). Tudo isso produz seu refrão e sua
conclusão: a vida – com suas incoerências – deve ser desfrutada como uma dádiva divina, não
como um enigma a ser entendido e resolvido (5:18–20).
Como confirmação final de sua tese de que a vida não oferece proveito além de seu próprio
desfrute, Qohelet levanta a questão da prosperidade desperdiçada, de riquezas e fama que não
podem ser desfrutadas por causa de alguma tragédia ou de excessiva ganância. A morte nivela
ricos e pobres, sábios e insensatos, de modo que o indivíduo fique satisfeito com o que tem nesta
vida enigmática (6:1–9).
III. Demonstrando que o homem não pode encontrar ou conhecer o significado da vida a não
ser que a desfrute sob o temor de Deus (6:10—11:6).
Esta divisão do livro é caracterizada pela ocorrência de frases que indicam a incapacidade
humana de conhecer ou entender ( ‫ע‬ ַ ֵ‫מִ י )יד‬, mî yōḏēaʿ, “quem sabe” [6:12]; ‫אֵ ין י ֹדֵ ַע‬, ʾên yōḏēaʿ,
“não o sabe o homem” [9:1] e variantes em 9:12, 10:14, 11:2, e 11:6). Essa divisão também é
mais prática, com mais conselhos e imperativos. Por isso, muitos comentaristas a consideram
Estudo Exegético – Eclesiastes
uma compilação desconexa de máximas sapienciais. No entanto, Qohelet, em toda a passagem,
sugere que a sabedoria não é suficiente para que o homem entenda a vida.
Em 6:10–12, o homem é apresentado como incapaz de discernir tanto o futuro, que Deus
determinou, quanto o presente que passa por ele sem ser aproveitado. Assim, em 7:1–8:17, a
sabedoria, apesar de possuir méritos relativos, é incapaz de ajudar o homem a sondar os
propósitos de Deus para o mundo e para o próprio homem. A sabedoria pode ajudar o homem e
protegê-lo em tempos de angústia, mas não é capaz de ajudá-lo a discernir o propósito da
prosperidade ou da adversidade (7:1–14). Além do mais, a sabedoria não oferece proteção
adequada contra reviravoltas do destino e atos irresponsáveis causados pela extensão e
profundidade do pecado. A insensatez (“a mulher cujo coração são laços e redes, e cujas mãos
são grilhões”, 7:26) traz a humanidade (pelo menos, a maior parte dela) presa em suas garras e
assim o homem desperdiça o dom divino da justiça e da retidão (7:15–29).
Essa divisão termina com a indicação de que a sabedoria não tem explicação adequada para o
enigma da retribuição divina. A sabedoria pode levar o indivíduo à obediência civil
(conformidade social), mas isso não garante que ele esteja a salvo do uso errado que outros façam
da autoridade (8:1–9). Mesmo a sabedoria não pode explicar adequadamente a natureza
aparentemente aleatória da retribuição divina (8:10–17). O versículo 17 é a mais clara admissão
encontrada nas Escrituras de que a sabedoria per se fracassa como instrumento de encontrar
propósito na vida.
A terceira seção dessa divisão retrata a incapacidade da sabedoria em revelar ao homem o que a
vida lhe preparou (9:1—11:6). O indivíduo não deve tentar resolver o enigma da vida à luz da
certeza da morte e da incerteza da vida (9:1–10). Além do mais, a sabedoria não pode oferecer ao
homem um vislumbre sequer de sua recompensa nesta vida (9:11—10:11), uma vez que a vida é
consideravelmente aleatória (9:11–18), e que a insensatez pode desfazer o que a sabedoria
realizou (10:1–11).
Por fim, apesar de suas deficiências, a sabedoria nos acautela a respeito de palavras impensadas
contra os que estão em autoridade justamente devido à natureza aleatória da vida; a crítica
particular pode resultar em confrontação pública com conseqüências funestas (10:12–20). A
despeito de nossa ignorância quanto ao futuro, a vida deve ser encarada com entusiasmo (11:1–
6), como indicam as repetidas exortações, nesta seção, para que se desfrute a vida (cf. 8:15; 9:7–
10).
IV. Exortando seus leitores a desfrutar a vida responsavelmente sob o temor de Deus (11:7 –
12:14).
Qohelet propõe um equilíbrio entre o hedonismo e o estoicismo que surge quando se insere no
quadro, até aqui sombrio, a figura de um Deus pessoal que irá julgar o homem. A vida deve ser
intensamente desfrutada em vista de sua brevidade, mas o comportamento deve ser equilibrado
pela lembrança solene e inquietante do juízo divino (11:7–10). Além do mais, a senilidade é
inimiga do desfrute e a dádiva de Deus não pode ser perdida para ela (12:1–7).
O parágrafo final do livro exige dos leitores a atitude apropriada que tornará possível o
verdadeiro desfrute da vida, isto é, o temor a Deus, manifesto em obediência aos Seus
mandamentos, à luz de Seu juízo que abrangerá a tudo e a todos (12:8–14).2

5. ESTUDOS LÉXICOS E VARIANTES TEXTUAIS

A perspectiva total da obra depende de como o intérprete entenda certas expressões e certos
temas do livro. A frase utilizada com freqüência: “debaixo do sol”, com 33 ocorrências no livro, é
a primeira delas. Muitos intérpretes conservadores a tomam como uma indicação da maneira de
Qohelet analisar os dados de que dispõe para entender a vida, assim chegando à conclusão de que
2
Pinto, C. O. C. (2006). Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento (p. 566–570). São Paulo:
Editora Hagnos.
Estudo Exegético – Eclesiastes
os argumentos principais do livro não deveriam ser considerados como “verdade”, já que
oferecem apenas uma “perspectiva humana da vida”. Scofield acaba por conferir ao livro uma
espécie de subinspiração, que lhe permite transmitir em linguagem inspirada as impressões
errôneas de um ponto de vista totalmente humanista sobre a vida. Todavia, os íntimos paralelos
entre Eclesiastes e o livro de Gênesis apontam para uma perspectiva criacionista e teocêntrica,
que orientou Qohelet em sua análise.30 Tal perspectiva é identificável nas passagens citadas no
quadro a seguir. Esse uso generoso de Gênesis sugere fortemente que a teologia de Qohelet era
bastante “mosaica” (e, portanto, parcialmente pactual), e que seu uso de “debaixo do sol” indica a
esfera de suas observações, não sua abordagem interpretativa.

Afinidades teológicas entre Eclesiastes e Gênesis

O homem feito e destinado ao pó da terra – Ec 12:7; 3:20; Gn 2:7

O coração do homem cheio de maldade – Ec 9:3; Gn 6:5

O trabalho do homem em meio à criação – Ec 1:3–11; Gn 1:28; 2:5, 15

O conhecimento do homem inferior ao de Deus – Ec 8:7; Gn 2:17; 3:5

Outra expressão-chave para a interpretação de Eclesiastes é a palavra hebraica ‫הבֶל‬


ֶ (heḇel), que
a maioria dos comentaristas liga ao suposto pessimismo do livro. É lamentável que a maioria dos
leitores tenha permitido que uma mentalidade negativa domine seu entendimento de um livro
escrito para ensinar conhecimento (12:9). Em geral, o significado de ‫הבֶל‬ ֶ presumido pelos
comentaristas determina sua opinião com respeito à perspectiva do livro e de seu autor. Isso pode
variar do extremo de um teísmo malévolo e fatalista a um deísmo moderado, 32 passando por total
agnosticismo e uma “filosofia de resignação”.34
Embora ‫הבֶל‬ ֶ possa ter várias nuanças diferentes no livro, prefiro o significado enigma, que
contém algumas das implicações negativas de traduções como “vaidade”, “futilidade” e
“absurdo”, mas permite o desenvolvimento de um contraponto positivo de um modo que as
outras traduções citadas não permitem.
Este contraponto se encontra no uso do tema de desfrutar a vida (2:24; 3:12; 3:22; 5:17; 8:15) e
das afirmações que contêm a expressão “não há nada de melhor (2:24; 3:12; 3:22; 8:15), que
perdem sua conotação puramente sensual e materialista que conservadores como Leupold e
Scofield lhes atribuem por sua compreensão errada da frase “debaixo do sol”.
Isso significa que o livro não tem uma visão pessimista da vida, e que Qohelet não está em
conflito aberto com a sabedoria tradicional, mas que oferece um equilíbrio aos princípios gerais
de fé esboçados em Provérbios e nos salmos didáticos.
Outra área em que esse contraponto teológico é necessário é a sabedoria. Ela parece ter falhado
a Qohelet em relação a 7:22–29. De acordo com 2:12–16, a sabedoria é impotente para que tanto
sábios quanto insensatos escapem ao destino comum que os espera; por isso, tal destino é
qualificado como um enigma (‫הבֶל‬ ֶ ).
Por isso, alguns sugerem que ‫כמָה‬ ְ ‫( ָח‬ḥoḵmâ) normalmente traduzida como “sabedoria” seja
entendida como “sagacidade”, sem qualquer conotação de piedade, como lhe é dada em Jó e
Provérbios. Isto, todavia, é negado por 2:3, em que Qohelet contrasta sabedoria e loucura.
Qohelet não descarta a sabedoria como algo inútil. Ele simplesmente aponta algumas “brechas na
muralha”, que Provérbios já apontava (cf. Pv 16:9; 17:27,28; 21:30). Poderíamos dizer que
Estudo Exegético – Eclesiastes
Qohelet consegue sacudir a confiança de seus leitores na sabedoria o suficiente, para que eles
vejam que Deus, não a sabedoria em si, deveria ser o objeto de sua fé. Neal Williams colocou a
situação em perspectiva apropriada ao afirmar: “Provérbios afirma pela fé (não pela visão, como
se presume comumente) que existe uma ordem justa no mundo, mas Qohelet responde que tal
ordem justa não pode ser discernida pela visão … Eclesiastes equilibra o otimismo da fé com o
realismo da observação”.
Uma última vítima hermenêutica na interpretação de Eclesiastes é seu conceito de morte. Em
vez de ver um conceito humanista da vida e da morte (cf. 9:5), como fazem muitos comentaristas
que não percebem a espiritualidade do livro, é mais correto perceber o princípio de contraponto
no elemento do juízo.
Esse tema surge em 3:17; 8:12,13; 11:9; 12:7; e 12:14. A vida, com todos seus paradoxos e
enigmas, é mais desejável que a morte, porque para além da morte, além da inatividade da morte
(9:10), não nos espera o aniquilamento, mas o julgamento divino. O tenaz abraço de Qohelet a
uma vida de cachorro, em vez de a uma morte de leão, sua angústia quanto à aparente falta de
retribuição nesta vida e a certeza de um julgamento por Deus, todos esses elementos contribuem
(dialeticamente ou em contraponto) para indicar que Qohelet tinha uma esperança definida,
embora limitada, de existência post-mortem.3

6. TRADUÇÃO

7. VERSÕES e PARÁFRASES
RA/RC/NTLH/NVT

8. DIVISÃO DA UNIDADE TEXTUAL:


I. Título (1:1)
II. Hipótese inicial – Os esforços do homem são desprovidos de significado em um mundo
que não lhe oferece realização pessoal (1:2–11).
III. Primeira investigação – A busca empírica de Qohelet por significado demonstra que o
homem não pode extrair proveito da vida a não ser que a desfrute sob o temor de Deus
(1:12–6:9).
IV. Segunda investigação – A busca empírica de Qohelet por significado demonstra que o
homem não pode encontrar ou conhecer o significado da vida a não ser que a desfrute sob o
temor de Deus (6:10–11:6).
V. Conclusão – A vida deve ser desfrutada responsavelmente sob o temor a Deus (11:7–
12:14).

9. SENTENÇA EXEGÉTICA:

Todo esforço humano é desprovido de significado se a vida não for vivida como uma dádiva
a ser desfrutada sob o temor de Deus, não como um enigma a ser resolvido.4

3
Pinto, C. O. C. (2006). Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento (p. 560–565). São Paulo:
Editora Hagnos.
4
Pinto, C. O. C. (2006). Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento (p. 571). São Paulo: Editora
Hagnos.
Estudo Exegético – Eclesiastes
11. BIBLIOGRAFIA:

Comentários Exegéticos e Expositivos


Software Logos 5

Comentários Expositivos e Devocionais


MacDonald, Comentário Bíblico Popular. São Paulo, Mundo Cristão
Wiersbi W.W., Comentário Expositivo, Geográfica

Suplementos
Pinto, C.O.C, Foco e desenvolvimento do Novo Testamento. São Paulo. Editora
Hagnos.
Strong, J. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade
Bíblica do Brasil.

12. ESBOÇO DO SERMÃO:

TEXTO
aaa

LEITURA PRÉVIA

SENTENÇA HOMILÉTICA

INTRODUÇÃO

METODOLOGIA EXPOSITIVA

SI.

ST.

DESENVOLVIMENTO

I. aaa
aaa

Ensino
a

Ilustração
a

Aplicação
a

II. aaa
aaa

Ensino
Estudo Exegético – Eclesiastes
Ilustração

Aplicação

CONCLUSÃO
Estudo Exegético – Eclesiastes

O Chamado do Alto
Se Deus tem chamado você para que seja verdadeiramente como Jesus com
todas as forças de seu espírito, Ele o estimulará para que leve uma vida de
crucificação e de humildade e exigirá tal obediência que você não poderá
imitar aos demais cristãos, pois Ele não permitirá que você faça o mesmo
que fazem os outros, em muitos aspectos.
Outros, que aparentemente são muito religiosos e fervorosos, podem ter a si
mesmos em alta estima, podem buscar influência e ressaltar a realização de
seus planos; você, porém, não deve fazer nada disso, pois, se tentar fazê-lo,
fracassará de tal modo e merecerá tal reprovação por parte do Senhor, que
você se converterá em um penitente lastimável.
Outros poderão fazer alarde de seu trabalho, de seus êxitos, de seus
escritos, mas o Espírito Santo não permitirá a você nenhuma dessas coisas.
Se você começar a proceder dessa forma, Ele o consumirá em uma
mortificação tão profunda que você depreciará a si mesmo tanto quanto a
todas as suas boas obras.
A outros será permitido conseguir grandes somas de dinheiro e dar-se a
luxos supérfluos, porém Deus só proporcionará a você o sustento diário,
porque quer que você tenha algo que é muito mais valioso que o ouro: uma
absoluta dependência Dele e de Seu invisível tesouro.
O Senhor permitirá que os demais recebam honras e se destaquem,
enquanto mantém você oculto na sombra, porque Ele quer produzir um fruto
seleto e fragrante para Sua glória vindoura, e isso só pode ser produzido na
sombra.
Deus pode permitir que os demais sejam grandes, mas você deve continuar
sendo pequeno; Deus permitirá que outros trabalhem para Ele e ganhem
fama, porém fará com que você trabalhe e se desgaste sem que nem mesmo
saiba quanto está fazendo.
Depois, para que seu trabalho seja ainda mais valioso, permitirá que outros
recebam o crédito pelo que você faz, com o fim de lhe ensinar a mensagem
da cruz: a humildade e algo do que significa participar de Sua natureza. O
Espírito Santo manterá sobre você uma estrita vigilância e, com zeloso
amor, lhe reprovará por suas palavras, ou por seus sentimentos indiferentes,
ou por malgastar seu tempo, coisas essas que parecem não preocupar aos
demais cristãos.
Por isso, habitue-se à idéia de que Deus é um soberano absoluto que tem o
direito de fazer o que Lhe apraz com os que Lhe pertencem e que não pode
explicar-lhe a infinidade de coisas que poderiam confundir sua mente pelo
modo como Ele procede com você. Deus lhe tomará a palavra; e se você se
vende para ser Seu escravo sem reservas, Ele o envolverá em um amor
zeloso que permitirá que outros façam muitas coisas que a você não são
permitidas. Saiba-o de uma vez por todas: você tem de se entender
diretamente com o Espírito Santo acerca dessas coisas, e Ele terá o
privilégio de atar sua língua, ou de colocar algemas em suas mãos ou de
fechar seus olhos para aquilo que é permitido aos demais. Entretanto, você
conhecerá o segredo do reino. Quando estiver cheio do Deus vivo de tal
maneira que se sinta feliz e contente no íntimo de seu coração com essa
Estudo Exegético – Eclesiastes
peculiar, pessoal, privada e zelosa tutoria e com esse governo do Espírito
Santo sobre sua vida, então haverá encontrado o chamado do alto, de Deus.5

TEXTO:
II Crônicas 8-9

ORAÇÃO:
29/06/2012

1. CONTEXTO:

As bênçãos partilhadas pela linhagem davídica como recipientes da promessa ainda


estão disponíveis para o remanescente restaurado, se eles esperarem pelo total
cumprimento da aliança davídica em fiel obediência.

2. EXEGESE DAS PALAVRAS CHAVES:

3. TRADUÇÃO DO TEXTO

4. VERSÕES:

5. DIVISÃO DO TEXTO:

Introdução “Ao fim de vinte anos”

O que fazer quando tudo vai bem?

Manter o dia a dia com Deus “O dever de cada dia”


Manter o testemunho
Manter-se longe da vaidade

Salomão começa a pensar em si 2Cr 8.1


Salomão pensa em si sem pensar nos outros 8.2
Salomão vive para si mesmo e esquece de Deus 9.29-31

6. COMENTÁRIO DOS VERSÍCULOS:

7. SENTENÇA EXEGÉTICA:

Com a construção do templo concluída Salomão se depara com oportunidades que


apesar de boas podem oferecer perigos que podem levar a ruína.

8. BIBLIOGRAFIA:
5
(Autor conhecido somente por Deus)
Título do original em espanhol:
El Llamado de lo Alto
© 2002 Editora dos Clássicos
Esta mensagem foi traduzida do espanhol de um folheto encontrado na Colômbia, sem direitos autorais, assinado
por um "autor conhecido somente por Deus", e publicada por esta editora no livro O Homem Que Deus Usa.
Tradução: Gerson Lima
Cooperação na Redação: Paulo César de Oliveira
Estudo Exegético – Eclesiastes

Pratt, I Cronicas
Wiersbi
Mc Arthur

9. ESBOÇO DO SERMÃO:

TEXTO
2 Crônicas 8-9

SENTENÇA HOMILÉTICA
Devemos aproveitar as oportunidades sem permitir que elas nos estraguem.

INTRODUÇÃO

Vinte anos.

Oportunidades de comprar são também oportunidades de contrair dívidas.

Oportunidades de ficar rico podem ser oportunidades de ficar longe de Deus.

Templo construído. Casa construída.

METODOLOGIA EXPOSITIVA

SI. O que fazer quando tudo vai bem?


ST. O que precisamos manter em dia para aproveitarmos as oportunidades
sem se perder.

DESENVOLVIMENTO

I. Manter o dia a dia com Deus. 2Cr 8-12-15


O perigo do esquecimento

Os momentos de paz e segurança oferecem o risco de baixar a guarda em nossas vidas.


Ficamos desprotegidos e podemos ser alvos fáceis.

É admitir que ainda não chegamos lá e precisamos crescer.

É aproveitar a oportunidade para aprender a descansar no Senhor e aproveitar para


adorar e louvar.

II. Manter o Testemunho Sólido. 2Cr 9.1,2


O perigo das pressões

Independente das circunstâncias.


Independente das facilidades.
Independente das pessoas.

Está disposto a abrir mão do que é mais fácil em prol do seu testemunho.
Estudo Exegético – Eclesiastes

Como é seu testemunho perante os homens?


Ele muda?

III. Manter–se humilde. 2Cr 8.1,2-9.17


O perigo da vaidade

Salomão começa a pensar em si 2Cr 8.1


Salomão pensa em si sem pensar nos outros 8.2
Salomão vive para si mesmo e esquece de Deus 9.29-31

CONCLUSÃO:

Com a construção do templo concluída Salomão se depara com oportunidades que


apesar de boas podem oferecer perigos que podem levar a ruína.

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