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Índice

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 1
1.Sistema Romanista............................................................................................................................... 2
1.1 Introdução ..................................................................................................................................... 2
1.2 História e Origem .......................................................................................................................... 2
1.3 Características ............................................................................................................................... 3
2. Common Law ...................................................................................................................................... 6
2.1 Introdução ..................................................................................................................................... 6
2.2 História e Origem .......................................................................................................................... 7
2.3 Características ............................................................................................................................... 7
3. Sistema Chines .................................................................................................................................... 8
3.1 Introdução ..................................................................................................................................... 8
3.2 História e Origem .......................................................................................................................... 8
3.3 Características ............................................................................................................................. 11
4. Sistema Muçulmano ......................................................................................................................... 12
4.1 Introdução ................................................................................................................................... 12
4.2 Características ........................................................................................................................... 13
4.3 Fontes do direito muçulmano ...................................................................................................... 14
5. Sistema Hindu ................................................................................................................................... 16
5.2 História e Origem ........................................................................................................................ 16
5.3 Características do direito hindu................................................................................................... 18
Conclusão .............................................................................................................................................. 20
Referências............................................................................................................................................ 21
Tema:

Pluralidade de Ordenamento Jurídico

Titulo:

As influências e detalhes dos direito Romanista, Common Law, Direito Chines, Direito
Muçulmano e Direito Hindu.

Palavras-chaves: Historia, Origem, Características.

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objectivo mostrar toda a organização, influências e detalhes dos
Direitos Romanista, Common law, Direito Muçulmano e Direito Hindu.

De igual forma serão mostradas todas as formas do Direito Chines, e que sofreu imensa
influência do Direito Romano, e em que época esta influência aparece com traços mais
marcantes, e também todos os envoltórios do Direito Chinês e suas particularidades.

E, mesmo tendo dificuldade para se encontrar fontes bibliográficas para a pesquisa, e quando
encontradas, na maioria dos casos em outras línguas, chegamos a uma conclusão clara
baseada nos factos que passamos a reproduzir.

Para que possamos entender melhor vamos fazer um breve relato de períodos distintos da
História, no ocidente.

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1.Sistema Romanista

1.1 Introdução

O sistema jurídico romano-germânico, que, em oposição ao fenómeno tipicamente inglês


da Common Law, é denominado pelos britânicos de Civil Law, formou-se na Europa
continental, a partir do século XIII d.C., e, ainda hoje, conserva essa região como seu
principal centro. Decorre dos princípios e regras dos antigos direitos romano e canónico, os
quais, associados aos costumes dos povos germânicos que definitivamente ocuparam a
Europa Central após o século V d.C., formaram um conjunto elaborado de normas jurídicas
que estão na base dos ordenamentos dos países directa ou indirectamente influenciados pelas
nações do continente europeu.

1.2 História e Origem

A história do sistema jurídico romanista se desenvolve em três períodos: um, que se inicia
com o renascimento dos estudos de direito romano nas universidades, por volta dos séculos
XII e XIII d. C.; outro, no qual, durante cerca de cinco séculos é o modelo dominado pela
doutrina, que chega a exercer grande influência no conteúdo de diferentes direitos nacionais;
e um último, iniciado no século XVIII com a Escola do Direito Natural, e que persiste até os
dias atua, em que há o predomínio da legislação como fonte do direito.

O Império Romano, fundado por Augusto em 27 a.C., conheceu uma civilização brilhante,
cujo génio legou ao mundo um sistema jurídico nunca antes visto. As invasões de diversos
povos bárbaros, em especial os germanos, contudo, levaram à queda do Império Romano do
Ocidente no século V d.C. Em decorrência, as populações romanizadas e os bárbaros
passaram a viver lado a lado, seguindo, uns e outros, as suas próprias leis. Gradualmente, foi-
se verificando a miscigenação entre os diversos grupos étnicos e, com a feudalidade
crescente, voltaram a vigorar os costumes locais, com perda do valor primitivo conferido à
lei.

Esse movimento de abstracção normativa conduziu a um declínio do direito escrito, que, por
sua vez, levou à decadência da própria ideia de Direito durante a Alta Idade Média (séculos V

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a ao XI d.C.). Com efeito, muitos dos costumes vigentes no auge do período medieval
contavam com a utilização de ordálios ou “juízos de Deus” (judicium Dei) quais critérios
para a solução de litígios. Tratava-se de uma espécie de prova judiciária usada para
determinar a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da
natureza, cujo resultado era interpretado como um juízo divino.

A formação do sistema de direito romano-germânico, pois, está ligada ao renascimento


cultural que se produz nos séculos XII e XIII no Ocidente europeu, que preparou o caminho
para o amplo movimento de retorno aos valores da antiguidade clássica operado nos séculos
XIV a XVI. O principal meio pelo qual as novas ideias se espalharam, favorecendo a
retomada do valor conferido ao direito romano, foi constituído pelos novos focos de cultura
criados na Europa, em especial as universidades, dentre as quais a primeira e mais ilustre foi
a Universidade de Bolonha, na Itália.

1.3 Características

A doutrina comparatista costuma elencar características próprias dos direitos da família


romano-germânica não verificáveis nos países de Common Law. Trata-se de institutos ou
princípios estruturais do sistema jurídico justificados por uma formação histórica peculiar,
notadamente, a influência do direito comum das universidades construído sobre a base dos
direitos romano e canónico.

Um primeiro elemento típico do regime de civil law é a divisão sistemática entre direito
público e privado. O direito romano é, basicamente, um direito privado, e a instituição do
direito público, na Europa continental, surge apenas tardiamente e de modo deficiente, na
medida em que o problema originário da legitimidade e imparcialidade do juiz, qual órgão do
Estado, para decidir demandas movidas contra a Administração Pública, mostrou-se
complexo e de difícil solução. O que hoje parece uma solução evidente independência
funcional do Poder Judiciário, temperada pela imposição da supremacia do interesse público
sobre o privado, com presunção de legitimidade dos actos administrativos revelou-se, no
período de formação dos Estados nacionais, desenvolvimento de intrincada composição, na
medida em que governo e sociedade não estavam acostumados a essa sistemática, pesando,

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em verdade, severa desconfiança por parte dos particulares acerca da idoneidade do
julgamento dessa sorte de demandas. Como esclarece René David,

No plano prático, apresentam-se verdadeiras dificuldades. Como organizar jurisdições,


estatuindo em nome do Estado, e que sejam, no entanto, bastante independentes do Estado? A
solução de questões de direito público pela via jurisdicional pressupõe juízes que não se
considerem como funcionários. Por outro lado, como levar a administração a aceitar a
competência destas jurisdições e a executar as decisões por elas pronunciadas? A existência
de um direito verdadeiramente público, que seja o equivalente do direito privado, exige
essencialmente uma certa formação psicológica da opinião pública e dos administradores: em
uns e outros, uma estrita concepção da “razão do Estado” e o sentimento de que o interesse
público bem concebido exige a execução das decisões emanadas dos tribunais em matéria de
direito público, mesmo quando resultem para a administração dificuldades imediatas ou certo
prejuízo.

Outro caracter fundamental do sistema romano-germânico é a comunhão, pelos países deles


integrantes, de determinados ramos dos direito desconhecidos do regime de common law, a
exemplo do direito das obrigações. Originário do direito romano, o regramento das
obrigações teve sua perfeição técnica altamente desenvolvida ao longo dos séculos em que
foi objecto de reflexão e aprimoramento nas universidades europeias, encontrando-se
presente em todos os direitos da família de civil law. Apesar disso, o próprio conceito de
obrigação, elementar nos países de tradição romanista, inexiste no direito anglo-saxônico,
sendo a própria palavra intraduzível para o inglês jurídico. No âmbito do direito público,
outrossim, não obstante a existência de certas distinções pontuais, há uma identidade
sistemática dos princípios basilares nos diferentes ordenamentos, a qual também se explica
pelo intercâmbio de ideias propiciado pelo meio académico. Com efeito, “a ciência jurídica
nada mais fez, por vezes, que dar executoriedade, no plano do direito, às ideias e tendências
que inicialmente se manifestaram em outro plano, filosófico ou político”, pelo que a
influência de obras como as de Montesquieu e Rousseau, no direito constitucional, e
Beccaria, no direito criminal, é considerável e nítida nos países do raio de alcance do civil
law.

O papel da doutrina na elaboração da regra de direito é outro característico marcante do


sistema romanista. Nos países de tradição romano-germânica, o direito está longe de ser o
resultado exclusivo de uma reflexão teórica, estabelecida a priori, na busca de uma

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construção perfeitamente lógica. Há uma supletividade expressiva do ordenamento pelo
trabalho da jurisprudência, não se podendo dela olvidar quando o objectivo seja a busca pela
norma aplicável a determinada situação concreta. Ocorre que a doutrina, em todos os países
do civil law, não se contenta com a tarefa de sistematizar o direito legislativo e
jurisprudencial, mas se considera investida da função de “formular, acima dessa massa que
progressivamente se forma ao acaso dos acontecimentos e sob pressão da urgência, sem
princípios directores bem definidos, as regras de direito que futuramente inspirarão os juízes
e os práticos.” Isto é: o jurista de civil law considera-se apto a, em trabalho de sistematização,
elaborar proposições normativas, situando a regra de direito na posição intermediária que
figura abaixo da lei e acima da decisão judicial, na busca incessante pelo grau ideal de
generalidade da norma. Trata-se de tarefa árdua, mas de importância fulcral no sistema
romanista.

O Império Romano, fundado por Augusto em 27 a.C., conheceu uma civilização brilhante,
cujo génio legou ao mundo um sistema jurídico nunca antes visto. As invasões de diversos
povos bárbaros, em especial os germanos, contudo, levaram à queda do Império Romano do
Ocidente no século V d.C. Gradualmente, foi-se verificando a miscigenação entre os diversos
grupos étnicos e, com a feudalidade crescente, voltaram a vigorar os costumes locais, com
perda do valor primitivo conferido à lei.

Durante a Alta Idade Média (séculos V a ao XI d.C.), verificou-se significativo declínio do


direito escrito, que, por sua vez, levou à decadência da própria ideia de Direito, época em que
muitos dos costumes vigentes contavam com a utilização de ordálios ou “juízos de Deus”
(judicium Dei) quais critérios para a solução de litígios.

Com o ressurgimento das cidades e do comércio, a sociedade constata novamente a


imprescindibilidade do direito, visto como o único instituto capaz de assegurar a ordem e a
segurança que permitem o progresso. A formação do sistema jurídico romano-germânico,
pois, está ligada ao renascimento cultural que se produz nos séculos XII e XIII no Ocidente
europeu, que preparou o caminho para o amplo movimento de retorno aos valores da
antiguidade clássica operado nos séculos XIV a XVI. O principal meio pelo qual as novas
ideias se espalharam, favorecendo a retomada do valor conferido ao direito romano, foi
constituído pelos novos focos de cultura criados na Europa, em especial as universidades.

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São características típicas do sistema de civil law ou romano-germânico: a) a divisão
sistemática entre direito público e privado; a comunhão, pelos países dele integrantes, de
determinados ramos dos direito desconhecidos do regime de common law, a exemplo do
direito das obrigações; o papel da doutrina na elaboração da regra de direito, com reflexão
teórica, estabelecida a prior, na busca de uma construção perfeitamente lógica da proposição
normativa; à tendência à codificação e o primado da lei; a interpretação do direito, voltada à
exegese, por vezes meramente artificial, das fórmulas legislativas, em oposição à actividade
francamente criativa da jurisdição nos sistemas de origem saxónica; o carácter secundário da
jurisprudência como fonte do Direito.

A partir do século XX, verifica-se um movimento de recíproca aproximação entre os


sistemas jurídicos anglo-saxónico e romano-germânico, atribuído pela doutrina, sobretudo, às
necessidades do comércio internacional, que estimulou uma nítida consciência das afinidades
que existem entre os países europeus ligados a certos valores da civilização ocidental, e ao
desenvolvimento do constitucionalismo no período posterior à Segunda Guerra Mundial, com
o reconhecimento da supremacia da Constituição e da força normativa dos princípios
constitucionais, que conferiu ao juiz do civil law poderes cada vez mais assemelhados aos
historicamente outorgados aos magistrados de common law.

2. Common Law

2.1 Introdução

Common Law é um termo utilizado nas ciências jurídicas para se referir a um sistema de
Direito cuja aplicação de normas e regras não estão escritas mas sancionadas pelo costume ou
pela jurisprudência. Tal forma de Direito tem origem na concepção do direito medieval inglês
que, ao ser ministrado pelos tribunais do reino, reflectia os costumes comuns dos que nele
viviam. Este sistema legal vigora no Reino Unido e em boa parte dos países que foram
colonizados por este país.

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2.2 História e Origem

O Common Law desenvolveu-se originalmente sob o sistema inquisitório


da Inglaterra durante os séculos XII e XIII, como o conjunto das decisões judiciais que se
baseavam na tradição, no costume e no precedente. Instituições e culturas legais deste tipo
assemelham-se às que existiram historicamente em sociedades nas quais o precedente e o
costume desempenharam, por vezes, um papel substantivo no processo legal, inclusive o
direito germânico e o direito islâmico.

O Common Law emprega um forma de raciocínio baseado em casos ou "casuísmo". Aplicado


a casos cíveis, o Common Law foi criado para compensar alguém por actos ilícitos
chamados torts, quer dolosos, quer culposos, e desenvolveu o ramo do direito que reconhece
e regula os contractos. O procedimento adoptado pelos tribunais de common law é
chamado adversarial system (algo como "sistema do contraditório"), também criado por este
sistema jurídico.

Alguns teóricos afirmam que o Common Law inglesa teria sido inspirada pela lei
islâmica;[2][3][4] Académicos como John Makdisi, Jamila Hussain e Lawrence
Rosen[5]argumentaram que diversas das instituições fundamentais do Common Law inglesa
derivaram ou foram adaptadas de instituições legais similares na lei e na jurisprudência
islâmica, e introduzidas à Inglaterra após a conquista normanda da
Inglaterra pelos normandos, que conquistaram e herdaram a administração legal do Emirado
da Sicília (ver cultura árabe-normanda)

2.3 Características

Uma das principais características do Common Law é de que as questões devem ser
resolvidas tomando-se como base sentenças judiciais anteriores, ao contrário de preceitos
legais fixados antecipadamente, como ocorre no sistema romano-germânico, utilizado por
vários outros países, entre eles o Brasil. A reunião de sentenças judiciais sobre várias
situações semelhantes permite extrair regras gerais que geram precedentes e que se
convertem em orientações para o julgamento futuro dos juízes, em casos análogos.

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O Common Law representa a lei dos tribunais, como expresso em decisões judiciais. Além do
sistema de precedentes judiciais, outras características do direito comum são julgamento por
júri e da doutrina da supremacia da lei.

Dentro do sistema Common Law, as disputas são resolvidas através de uma troca de
contraditório de argumentos e provas. Ambas as partes apresentam seus casos perante um
elemento julgador neutro, seja um juiz ou um júri. Este juiz ou júri avalia a evidência, aplica
a lei adequada aos fatos, e elabora uma sentença em favor de uma das partes. Após a decisão,
qualquer das partes pode recorrer da decisão a um tribunal superior. Tribunais de apelação
neste sistema jurídico podem rever sentenças apenas de direito, e não determinações de fato.

Sob a Common Law, todos os cidadãos, incluindo os funcionários de mais alto escalão do
governo, estão sujeitos ao mesmo conjunto de leis, e o exercício do poder do governo é
limitado a essas leis. O Poder Judiciário pode rever a legislação, mas apenas para determinar
se ele está de acordo com normas constitucionais.

3. Sistema Chines

3.1 Introdução

O direito chinês é uma das tradições legais mais antigas do mundo. Hoje, funciona como uma
combinação de conceitos tradicionais chineses e da apropriação de convenções ocidentais. É
caracterizado por uma forte influência confucionista de controle social por educação moral,
assomada a uma ênfase legalista no cumprimento da Lei.

3.2 História e Origem

As quatro constituições, a estrutura do estado e as influências

O Direito chinês surgiu há mais de 4mil anos, durante a dinastia Xia, a primeira dinastia da
história chinesa. Durante séculos a China floresceu isoladamente do resto do mundo. A
codificação da lei na antiguidade chinesa, primeiramente de natureza penal, foi empreendido
durante as dinastias Qin , Tang , Song , Ming e Qing .

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Foi criado um sistema de governo dualista constituído de li e xing. Li era as normas que
regiam as condutas dos membros da família real e nobre, enquanto xing era um grupo de
regras secretas e draconianas impostas aos escravos.

Na dinastia Zhou Oriental observou-se aumento de diversas escolas importantes de


pensamento político, social e jurídico. Sob o ponto de vista da Filosofia do Direito, destaca-se
o confucionismo.

Durante a dinastia Qing, o mundo ocidental se aproximou dos monarcas manchu por
propostas estratégicas e abertura de comércio. A China, inicialmente, foi ambivalente com
relação aos estrangeiros e acreditou que não havia necessidade de relacionar com a Europa e
com os Estados Unidos da América. Os manchus permitiram que os estrangeiros
governassem seus próprios interesses e gradualmente a jurisdição era afirmada.

As potências ocidentais impuseram o sistema de extraterritorialidade, aproveitando-se das


imperfeições observadas no sistema legal chinês. As primeiras objecções ao sistema legal
chinês se relacionavam às reivindicações de que as penas eram muito severas, a tortura era
utilizada para obter confissões de culpa, e as cortes eram corruptas. Com isso, governos
estabeleceram uma multiplicidade de tribunais localizados fisicamente na China.

Em resposta, o governo chinês iniciou a reforma de seu sistema legal, inclusive o


estabelecimento de um judiciário independente e a codificação de suas leis. Em 1902, o
imperador Guangxu expediu uma ordem de reforma do sistema legal chinês e instituiu uma
Comissão de reforma de lei dirigida pelo jurista Shen Jiaben. Além disso, com a república de
Sun Yat-sen em 1911, iniciou-se a promulgação de leis criminais e comerciais, e a reforma
do sistema penal chinês.

Os nacionalistas haviam introduzido em 1935 elementos de direito positivo, com normas


gerais e escritas. Abolidos os códigos do período nacionalista, a República Popular até aquele
momento deles prescindira. Os que agora apareciam, além das carências de carácter histórico
acima delineados, eram principalmente fruto de um regime autoritário, que distinguia o
homem comum do contra-revolucionário e também dos membros do partido. No entanto,
pelo menos eram normas, e não slogans políticos ou directrizes traçadas pelo poderoso do
momento.

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Durante trinta anos, o limite entre actos criminosos e não criminosos foram definidos por
noções de lutas de classes. A distinção entre o ditado político e a lei penal jamais existira,
pelo simples fato de que não existiam códigos nem um sistema judiciário.

Com a entrada em vigor do código, foi reconstituída, no início de 1980, a associação de


advogados, anunciada como mais um passo no sentido de construção de um sistema jurídico.

Em 1958, a China toma um rumo em direcção ao comunismo diversamente ao da União


Soviética designado de o Grande Salto Adiante.

"Mão Tse Tung convocou uma segunda sessão do oitavo congresso, fazendo repudiar os
planos económicos, atendidos anteriormente e aprovando em seu lugar outros, mais
grandiosos, sob a égide do slogan de mobilizar todas as energias, mirar ao alto, construir o
socialismo melhor, mais velozmente e a menor custo".

O cenário contemporâneo chinês parece manter o mesmo vigor, continua a empreender


grandes esforços, todavia os objectivos mudaram, bem como o desafio que agora se
concentra na implementação de um preceito legal socialista com peculiaridades chinesas
através de diversas leis.

A Constituição de 1982 sofreu diversas emendas importantes, a primeira referia-se ao setor


privado da economia, uma segunda em 1993, relacionava-se à reforma do estado e criação de
uma economia de mercado socialista. Desde a fundação da República Popular da China, em
1949, ela já adoptou quatro constituições, concomitantemente em 1954, 1975, 1978 e 1982.

"Deng Xiaoping em 1955 apresentou relatório sobre as mudanças que viriam a se caracterizar
sobre o que passou a ser o novo estatuto do partido, cujo estatuto não dizia que o presidente
do Comité Central seria ex-officio presidente do Comité Permanente do Politburo, nem que
deste fazia parte também o secretário-geral do Comité Central. Deng exaltou ainda a
liderança colectiva e atacou o culto da personalidade: os líderes não estão acima do partido,
mas em seu interior. A essa nova engenharia de poder juntava-se outro fato, o banimento nos
estatutos de qualquer referência ao pensamento de Mao Tse Tung" .

Em quatro capítulos de 138 artigos divide-se a Constituição. Organizando no primeiro


capítulo os princípios gerais onde o tema trata do sistema político e económico da República
Popular da China, e sua política social. O segundo capítulo aborda os Direitos Fundamentais
e os deveres do cidadão. Onde no terceiro capítulo há informações alusivas à estrutura do

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Estado, e o quarto e último capítulo tratam da Bandeira Nacional, Emblemas e a Capital do
País.

A Constituição de 1954 instituiu a base do sistema legal chinês e consolidou a estrutura


política vigente.

A forma do governo na China é o sistema do Congresso do Povo, que também ajuíza a


natureza do estado. Estado esse que se denomina em seu primeiro artigo da constituição
como sendo um estado socialista de ditadura democrática popular, a ditadura proletária,
conduzida pelo Partido Comunista Chinês.

3.3 Características

A Constituição apresenta o sistema do Congresso do Povo como a forma fundamental da


organização do poder político sob a ditadura democrática do povo, e junto aos congressos do
povo locais nos vários níveis são os órgãos através dos quais o povo exerce o poder do
estado.

A estrutura do estado se dispõe nesta hierarquia: Congresso Nacional do Povo, a Presidência,


o Conselho de Estado, os governos locais e congressos do povo. As eleições incidem de
maneira directa e indirecta, sendo que os deputados são eleitos directamente nos níveis
municipal e distrital. Os deputados nos níveis do Congresso Nacional do Povo, das
províncias, regiões autónomas e municipalidades sob o controle do governo central, são
eleitos indirectamente pelos deputados do nível inferior.

Os tipos diferentes de órgãos do estado são todos organizados numa estrutura hierárquica de
quatro ou cinco níveis. No topo está o nível nacional ou central, e directamente abaixo está o
nível provincial. Desde 1990, há 23 províncias, três municipalidades directamente sob o
governo central (Pequim, Tianjin e Xangai) e cinco regiões autónomas. O terceiro nível é o
das prefeituras, que inclui 113 prefeituras, 30 prefeituras autónomas, oito uniões (todas na
região da Mongólia) e 185 cidades do nível de prefeitura. O quarto nível é o dos condados
com 1.919 condados ou unidades equivalentes, 262 cidades do nível de condado, e 648
cidades distritais. O quinto nível é o das vilas e vilarejos, que são mais do que 56.000. Os
congressos do povo e governo existem no nível central, provincial e nos níveis do condado e

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da vila. Conforme mencionado, os congressos do povo no nível de condado ou inferior são
eleitos, directamente pelo eleitorado; somente os congressos do povo no nível de condado, ou
acima, têm conselhos.

O Tribunal Supremo do Povo é o órgão judicial mais elevado, entretanto responde ao


Congresso Nacional do Povo e seu Conselho. Tribunais do Povo locais são monitorizados
pelo Tribunal Supremo. Estrutura Governamental da República Popular da China.

Como a actividade económica ocidental tem por pressuposto de funcionamento em condições


aceitáveis, a existência de regras escritas, de normas, de garantias, e ainda de um aparato
legal que garanta satisfatoriamente a remuneração do capital investido, moderando os riscos
da actividade económica, as transformações legais assumem importância primordial.

4. Sistema Muçulmano

4.1 Introdução

O Direito Muçulmano é o direito da comunidade religiosa Islâmica, ou seja, é um direito que


rege os adeptos onde quer que eles se encontrem. O Direito Muçulmano é o direito de um
grupo religioso, e não de um povo ou de um país. Este grupo religioso conta com mais de 400
milhões de fiéis, repartidos por mais de 30 países.
O Islamismo tem um fundador, Mohamad (Maomé) sua vida sua história são a própria
essência do Islamismo. Ele é até hoje o guia do Islã. Maomé nasceu em Meca no ano de 570
d. C. era de uma família de notáveis da cidade que havia perdido sua influência. Cresceu
exercendo comércio e empreendendo viagens comerciais. Em 610, aproximadamente Maomé
fez um retiro longo em uma gruta no monte Hira (alguns quilómetros de Meca) em pleno
deserto e lá teve um sonho (ou uma visão) ele viu um ser sobre humano que lhe dava a ordem
de recitar um texto. Os muçulmanos consideram essas mensagens como sido ditadas pelo
anjo Gabriel e foram reunidos alguns anos após a morte de Maomé em um livro: O Alcorão.
Maomé luta contra o politeísmo e os velhos ídolos, perseguido, teve de fugir de sua cidade
Meca, em 622, data que marca o início da era muçulmana.

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Como chefe de um grupo, Maomé reconquista Meca pela “guerra santa”, ao mesmo tempo
em que organiza a comunidade religiosa do Islã.

O Islã é a submissão a Deus, a obediência e aos comandos de Alá. Alá é o deus único;
Maomé é o seu profeta, o último dos enviados de Alá, depois de Adão, Noé, Abraão, Moisés,
David e Jesus.
Podemos afirmar mais absolutamente do que no caso de qualquer outro direito, que este é
religioso, tendo em vista que “não é um a ciência autónoma, mas uma das faces da religião”.
Além disso, a principal sanção compreendida neste direito é o estado de pecado, desta forma
o direito muçulmano preocupa-se geralmente, muito pouco com sanções nas regras que
prescreve e, pelo mesmo motivo, somente é aplicável aos fiéis.
É na puberdade que o muçulmano torna-se obrigado à lei, isto porque se considera que, a
partir deste período, o indivíduo possui o uso da razão. É costume preparar as crianças para o
momento a partir do qual deverá obedecer a lei islâmica.

4.2 Características

O direito muçulmano não é uma ciência autónoma, mas uma das faces da religião. Esta
compreende a teologia (que fixa os dogmas, aquilo em que o muçulmano deve acreditar) e a
Char’ia, que prescreve aos crentes o que devem ou não fazer.
Então a châr’ia é a via a seguir, a lei revelada; compreende o que nos chamamos Direito, mas
também o que o crente deve fazer em relação a Deus (oração, jejuns, etc.). A sanção é o
estado do pecado; ela não é, portanto, aplicada senão aos crentes; o direito muçulmano é
inaplicável aos infiéis.
O Fiqh é o conjunto de soluções preconizadas para obedecer a châr’ia; é a ciência dos direitos
e deveres dos homens, nas recompensas das penas espirituais. Ciência das Normas que
podem ser deduzidas por um processo lógico, das quatro fontes da châr’ia: O Alcorão, a
tradição (Sunna), o acordo unânime da comunidade muçulmana (idjma) e a analogia ( qiyâs).
Os muçulmanos concebem a ciência do direito como uma árvore: as quatro fontes são as
raízes, a lei revelada (châr’ia) é o tronco, os ramos constituem as soluções especiais
deduzidas da lei revelada (fiqh).

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4.3 Fontes do direito muçulmano

O Alcorão é o livro sagrado de Islã. É constituído por revelações de Alá, transmitidas à


humanidade pelo seu último enviado, Maomé. De fato, o Alcorão foi escrito cerca de vinte
anos depois da morte de Maomé por um dos seus colaboradores. Compreende cerca de 5000
versículos agrupados em 114 capítulos. Não é um livro de direito, mas uma mistura de
história sagrada e profana, de máximas filosóficas, de regras respeitantes aos rituais.

Apenas cerca de um décimo dos versículos pôde ser utilizado pelo Doutores da Lei para
elaborar o Fiqh; trata-se sobre tudo de decisões que dizem respeito a casos especiais,
nomeadamente em matéria de sucessões; as sanções previstas são na maior parte dos casos
penas sobrenaturais, sobretudo o inferno.

Os poucos princípios jurídicos que se podem deduzir do Alcorão correspondem às


finalidades políticas prosseguidas por Maomé: dissolver a antiga organização tribal dos
Árabes e substituí-la por uma comunidade de crentes sem classes privilegiadas. As regras
impostas tendem a uma maior moralidade: proibição do vinho, do jogo, do empréstimo a
juros Os Juízes devem, nas suas decisões judiciárias, procurar o que é justo: lutar contra a
corrupção, impor o testemunho na justiça, fazer respeitar o peso e a medida exacta; os
contractos devem ser executados fielmente; os fracos (mulheres, órfãos e escravos) devem ser
protegidos.

4.3.1 Alguns pontos do Alcorão

Justiça e equidade – em um sentido geral, a sociedade muçulmana é igualitária, visto que não
reconhece sacerdócio. Logo, para a lei, todos devem ser tratados de maneira igual pois são
idênticos na fé.

Poligamia – o Alcorão abre a possibilidade de um homem casar-se com várias mulheres.


Entretanto, no islã, hoje, nos países que a poligamia é permitida, duas condições são
impostas: primeiro que o número de esposas não ultrapasse quatro e em segundo, que o
marido trate a todas com igualdade.

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Mulheres – elas são colocadas em situação nitidamente inferior ao homem. Em temos gerais
é considerado o único objectivo da vida de uma muçulmana; todo resto deve ser subordinado
a isto. As mulheres devem manter um pudor completo, não devem exibir seu corpo, sequer
devem olhar as pessoas nos olhos.

Dvorcio – a palavra que denomina repudio. O homem tem primazia neste direito e, para isso,
não é necessário que ele preste contas a ninguém do seu ato.
Difamação e Injúria – são condenadas objectivamente com ameaças do juízo final.

A Sunna (tradição) é o conjunto dos actos, comportamentos e palavras de Maomé (e até do


seu silêncio), tal como foram contados pelos seus discípulos; pode comparar-se aos
Evangelhos dos Cristãos, relatando a vida de Jesus. Cada uma das acções de Maomé constitui
a narração de um fato que pode ilustrar o pensamento do Profeta. Foram feitas numerosas
compilações destas ações no decurso dos séculos VIII, IX; as mais célebres impuseram-se
finalmente com definitiva.
Idjmâ é o acordo unânime da comunidade muçulmana. De fato, o acordo dos “Doutores da
Lei” basta; não é preciso o da multidão dos muçulmanos. Se este acordo é atingido, a solução
não pode ser contestada, porque segundo um h´adith de Maomé: “A minha comunidade
nunca chegará a acordo sobre um erro”.O idjmã é portanto a interpretação infalível e
definitiva da Alcorão e da Sunna; os juízes nunca podem interpretar eles próprios estas duas
fontes da lei; não podem conhecer senão o idjmâ , fonte dogmática do Fiqh. Esta obra
doutrinal foi escrita no decurso dos séculos VIII e IX da nossa era, do ano 100 ao ano 300 da
Hégira. Este ano 300 (922 da nossa era) é considerado pelos Muçulmanos como a data na
qual terminou a possibilidade de interpretação das fontes da Lei revelada. Desde então, a
doutrina é imutável. Imutabilidade que pesou e continua a pesar duramente sobre o direito
muçulmano.
Qiyâs (raciocínio por analogia) é também considerado com uma fonte da Lei revelada;
constitui tudo aquilo que pode ser deduzido do Alcorão e da Sunna através do raciocínio. O
qiyâs serve para fechar as lacunas de outras fontes.

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4.3.2 Outras fontes do direito muçulmano

A religião muçulmana não admite outras fontes do direito senão as do Fiqh. No entanto, o
costume e a legislação desempenharam e desempenham, sobretudo actualmente, um papel
importante que se deve ter em conta.
O Costume é admitido tanto sob a forma de adaptação dos ritos, como, muito simplesmente,
por necessidade social. Existe na realidade uma imensidade de costumes locais no vasto
mundo islâmico.

A lei, no sentido ocidental do termo, existiu em todos os Estados muçulmanos; são os


regulamentos promulgados pelos soberanos ou, nos Estados modernos que adoptaram
instituições europeias, as leis cotadas pelo Parlamento. Estas leis são válidas e obrigatórias
desde que não contradigam a châr’ia; mas, como os, juízes religiosos, não julga senão
segundo a châr’ia, foram instituídos tribunais seculares para julgar as infracções em certos
países.

5. Sistema Hindu

5.1 Introdução

Tradicionalmente repleto de misticismo, mistérios e variedade de crenças, o Hinduísmo,


uma das mais antigas religiões do mundo, é berço e fonte de distintas e complexas
ideologias. Em sua maioria, possui carácter genérico, cujo alicerce é o ciclo Samsara, isto é,
a crença em que o ser humano renasce a cada morte física para cumprir novos e
fundamentais papéis na nova vida.

5.2 História e Origem

O direito hindu, na Índia actual, tende a ser substituído por um direito laico de aplicação
nacional, direito esse inspirado em grande parte pelo common law. (9) De fato, a criação de
um Estado moderno e eficiente, bem como a instituição de uma verdadeira Democracia num
país de mais de um bilhão de pessoas, com a correspondente superação das gigantescas

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desigualdades sociais, económicas e etno-culturais que ainda persistem por todo aquele país,
demanda a criação de um sistema jurídico laico de abrangência nacional.

Neste sentido, o actual direito indiano é, antes de mais nada, um sistema jurídico de origem
estatal que extrapola as diversas etnias e comunidades religiosas que formam a Índia
contemporânea para ser um Direito supra-étnico e desvinculado desta ou daquela fé religiosa.

A primeira grande cultura existente no território da actual Índia, devidamente comprovada


pela Arqueologia, foi a civilização centrada em torno das três cidades-estados de
Mohenjodaro, Harappa e Chanhudaro, civilização essa cujo apogeu ocorreu na primeira
metade do segundo milénio antes de Cristo.

A cultura em tela, localizada em torno do Rio Indo, foi destruída por volta de 1.500 a. C.,
muito provavelmente devida a invasão e conquista de boa parte do actual território indiano
por um grupo étnico que se auto-identificava como "arianos" e falava um idioma indo-
europeu: o sânscrito.

Dessa conquista e colonização ariana da actual Índia, cujos pálidos ecos podem ser inferidos
no mais antigo documento literário indiano (o Rig Veda), nasceu a actual Civilização Hindu.

Durante a Dinastia Mauria (séculos IV a. C. - III a. C.) foi estabelecido o assim denominado
Primeiro Império Hindu, e muitos especialistas consideram que tal dinastia marcou o apogeu
da cultura clássica hindu, sobretudo devido as suas realizações políticas, artísticas e
científicas. De fato, nesta dinastia, muitos dos aspectos essenciais da sociedade hindu atual já
estavam presentes, ainda que de maneira embrionária.

No decorrer do século X da Era Cristã amplas porções territoriais do Leste, Norte e partes da
região central da atual Índia foram ocupadas por conquistadores de fé islâmica, ocupação essa
que resultou, com o tempo, na conversão de parcelas significativas da população desses
territórios hindu ao credo muçulmano. Desse fenómeno histórico deriva, nos dias atuais, um
dos problemas mais graves da Índia, qual seja os violentos conflitos etno - religiosos entre a
maioria hindu e a minoria muçulmana, em especial no território da actual Cachemira Hindu
que detém uma população de maioria islâmica.

No decorrer da segunda metade do século XVIII d. C. a Inglaterra assume paulatinamente o


controle sobre a actual Índia aproveitando-se do declínio do Império Mogul então
estabelecido no território daquele país. Realmente, os mongóis de fé muçulmana nunca

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conseguiram se integrar totalmente à cultura hindu, em grande parte devido a sua origem
etno-cultural indo-persa, totalmente distinta das tradições culturais e religiosas hindus.

A Índia só ganhou a sua independência política na segunda metade do século XX d. C.,


graças aos esforços de uma das figuras mais notáveis da última centúria: M. Gandhi.

5.3 Características do direito hindu

Iniciamos o presente tópico advertindo que "não se pode confundir [o direito hindu com] o
direito indiano, que é o direito territorial da Índia, enquanto estado moderno; o direito indiano
é constituído sobretudo por leis da República Indiana, teoricamente aplicado a todos os
habitantes do território; mas de facto, em muitos domínios, os direitos das comunidades
religiosas subsistem, quer se trate do direito hindu quer se trate do direito dos Muçulmanos,
quer se trate dos Cristãos, etc."

A primeira e mais importante característica do direito hindu é que ele se constitui num
direito de substrato religioso, muito embora não seja um direito advindo de uma "fé
revelada", como é o direito muçulmano.

Tal como o direito muçulmano, o direito hindu é um direito extremamente conservador e,


enquanto tal, não incentiva mudanças sociais abruptas. Enquanto tal, é um sistema jurídico
composto de normas intra-estatais de composição dos litígios sociais, notadamente as e cunho
religioso.

Por ser um sistema legal de origem religiosa o direito hindu pretende ir além e acima do
Estado laico, ou seja, é um direito cujas normas são, exclusivamente, voltadas para a sua
comunidade étnica-religiosa.

O direito hindu assenta-se numa visão hierarquizada da sociedade e, por via de conseqüência,
os princípios legais que regem tal sistema jurídico estão longe de propiciar um tratamento
jurídico-legal igualitário. (4)

O professor John Gilissen preleciona que "a palavra "direito", no sentido que os Ocidentais
lhe dão, não existe em sânscrito; os Hindus não conhecem o conceito das regras de
comportamento sancionadas por um constrangimento físico.

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O que corresponde melhor à nossa noção de direito é o dharma, que se pode traduzir duma
forma muito aproximativa, por dever. O dharma é o conjunto das regras que o homem deve
seguir em razão da sua condição na sociedade, isto é, o conjunto de obrigações que se
impõem aos homens, por derivarem da ordem natural das coisas. O dharma, portanto,
compreende regras que, segundo a nossa óptica, relevam umas da moral, outras do direito,
outras ainda da religião, do ritual ou da civilidade."

Por sua vez, o professor René David destaca que, "mais que um direito, o dharma é um
simples modelo que se adapta às derrogações e pede mesmo certas adaptações, dentro do
espírito de realismo e, mais ainda, de tolerância, que constitui a marca instintiva do
hinduísmo."

As fontes do dharma são três, a saber: o Veda que, em suma, é o somatório de todo o saber ou
verdades de cunho moral e religiosos reduzidos a determinados preceitos escritos contidos
nos livros sagrados, dos quais o mais importante é o Rigveda;2)a tradição;3)o costume.

O professor John Gilissen indica que "há um número infinito de costumes, diferentes não
somente de uma região para outra, mas sobretudo de uma casta para outra: cada casta tem, em
cada região, o seu costume próprio, a sua "maneira de viver das pessoas de bem (sadacara)."

À guisa de fecho deste tópico, registrando as palavras do professor René David, "o direito
hindu sofreu, nos dias atuais, profunda reformas. Continua a ser um direito unicamente
aplicável à parte hindu da população da Índia; mas numerosos costumes que comprometiam a
unidade deste direito foram abolidos. Em relação ao passado, esta é uma importante
modificação."

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Conclusão

Com a realização do trabalho, concluímos que o Direito surgiu com o interesse de servir às
garantias e necessidades através dos negócios, das negociatas, na aparição da propriedade e
na constituição da família, do trabalho, do comércio.

O direito muçulmano está intimamente ligado aos preceitos religiosos de um povo que onde
quer que esteja sempre seguirá a lei islâmica, portanto é um direito que resulta da religião que
professam. O Alcorão é basicamente a principal fonte deste direito, sendo como um norte
guiando seus fieis, ditando o que devem ou não fazer e para isso existe o Châr’ia que é a via a
ser seguida ou o direito propriamente dito e o Fiqh que nada mais é do que um conjunto de
soluções preconizadas para obedecer à Châr’ia.

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Referências

BOBBIO, Norberto, A Era dos Direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho – Portugal:
Campus, 1992.

DALLARI, Dalmo de Abreu, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998 –
Coleção Polêmica.

HERKENHOFF, João Baptista, Direitos Humanos: A Construção Universal de Uma Utopia –


Aparecida/ SP: Editora Santuário, 1997.

MARQUES, Cláudia Lima, Contratos no Código de Defesa do Consumidor. 3ª edição. São


Paulo: RT, 1999.

MORAES, Alexandre de, Direitos Humanos Fundamentais: Teoria Geral, Comentários aos
arts. 1º a 5º da Constituição Federal do Brasil, Doutrina e Jurisprudência/ 3ª edição. São
Paulo: Atlas, 2000.

MORAIS, José Luis Bolzan de, Do Direito Social aos Interesses Transindividuais: O Estado
e o Direito na Ordem Contemporânea – Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1996.

PIOVESAN, Flávia, Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. São Paulo:


Max Limonad, 1996.

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