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História – 29/10 Professor: William Freitas

Durante o período de transição da fase pré-colonial para as fases das capitanias hereditárias e do Governo-geral,
aconteceu uma importante alteração nas relações de trabalho do Brasil colonial: impôs-se o uso do trabalho escravo. O
uso da mão de obra escrava, a princípio, começou com a exploração dos indígenas, no entanto, progressivamente, passou-
se a utilização do negro africano.

Escravização indígena

Durante a fase inicial da colonização brasileira, a escravidão concentrava-se na mão de obra do indígena. A
escravização do indígena aconteceu, principalmente, na extração do pau-brasil. Desde o momento em que a produção do
açúcar, a partir do cultivo da cana-de-açúcar, impôs-se como principal produto econômico da colônia, ocorreu a transição
para a utilização da mão de obra do escravo africano.
Os historiadores citam alguns fatores para explicar a transição de uso do escravo indígena para o africano:
mortalidade e fuga dos indígenas e imposição comercial da metrópole pelo tráfico negreiro. Outras razões, como a falta de
adaptação do nativo para o trabalho regular, são atualmente contestadas pelos historiadores.
Primeiramente, o contato dos indígenas com os europeus levou a uma redução demográfica gigantesca por causa
de doenças como varíola e gripe, que dizimavam as populações nativas. Isso acontecia pela falta de defesa biológica dos
nativos a essas doenças. O historiador Boris Fausto (2013, p. 46) indica que, em 1562 e 1563, por exemplo, surtos
epidêmicos foram responsáveis pela morte de cerca de 60 mil indígenas.
Além disso, considera-se que a redução demográfica da população indígena aconteceu a partir das guerras travadas
contra os portugueses. Por fim, muitos indígenas fugiram para o interior do território brasileiro para evitar o contato com
os portugueses. Outras questões levantadas por estudos tradicionais, como a resistência indígena ao trabalho contínuo e
sedentário, estão sendo criticadas por estudos atuais.
Aliada a essa questão, os historiadores sugerem que, além da redução demográfica da população indígena, a
demanda da metrópole pela imposição do tráfico negreiro foi fundamental para que a mão de obra do escravo africano
fosse disseminada no Brasil. Isso ocorreu porque o tráfico negreiro era uma atividade extremamente lucrativa para a
metrópole.

Escravização africana

A escravização africana no Brasil passou a sofrer incentivos da Coroa após 1570 e, assim, segundo o historiador
Thomas E. Skidmore (1988, p. 33), a partir de 1580, chegavam ao nordeste brasileiro pelo menos dois mil escravos
africanos por ano. Os escravos eram trazidos ao Brasil em embarcações conhecidas como navios negreiros e em condições
extremamente precárias. Era comum que metade dos cativos trazidos morresse durante a viagem em razão dessas más
condições.
Esses escravos originavam-se de diversas regiões da África, mas os historiadores sugerem que, em grande parte,
eles pertenciam ao grupo étnico dos sudaneses e dos bantos. A respeito disso, o historiador Boris Fausto (2013, p. 47)
afirma que:

No século XVI, a Guiné (Bissau e Cacheu) e a Costa do Marfim, ou seja, quatro portos ao longo do
litoral do Daomé, forneceram o maior número de escravos. Do século XVII em diante, as regiões mais
ao sul da costa africana – Congo e Angola – tornaram-se os centros exportadores mais importantes,
a partir dos portos de Luanda, Benguela e Cabinda. Os angolanos foram trazidos em maior número
no século XVIII, correspondendo, ao que parece, a 70% da massa de escravos trazidos para o Brasil
naquele século.

Os historiadores estimam que, ao longo da história da escravidão africana no Brasil colonial, foram trazidos cerca
de quatro milhões de africanos. Os escravos eram utilizados nos mais diversos tipos de trabalho, com maior destaque para
a sua utilização nos engenhos produtores de açúcar e nos centros de mineração a partir do século XVIII.
O regime de escravidão no Brasil impunha ao africano (e ao indígena também) um regime de trabalho exaustivo e
desumano. Além disso, os escravos eram mantidos em condições precárias, muitas vezes mal alimentados e vítimas dos
mais variados tipos de violência. Isso motivou focos de resistência entre os escravos por meio de sabotagem e,
principalmente, fuga.
A escravização dos africanos moldou profundamente a sociedade brasileira. Culturalmente, a presença africana
influenciou a cultura brasileira em diversos aspectos: música, culinária, idioma etc. Além disso, impôs um forte preconceito
racial, que reverbera ainda no século XXI e que necessita de medidas para atenuar os contrastes sociais existentes.

Resistência e quilombos

Não se deve pensar que os negros aceitaram docilmente a sua condição de escravos e que nada fizeram para resistir ao
trabalho compulsório. Naturalmente, houve fugas individuais e em massa e a desobediência ou resistência se evidencia no
uso das punições e castigos corporais muitas vezes crueis, que vinha a se somar aos maus tratos naturalmente dispensados
a seres que eram considerados pouco superiores aos animais. Depois de comprado no mercado, o escravo podia ter três
destinos principais: ser escravo doméstico, isto, é fazer os serviços na casa do senhor; escravo do eito, que trabalhava nas
plantações ou nas minas; e escravo de ganho, que prestava serviços de transporte, vendia alimentos nas ruas, fazia
trabalhos especializados como os de pedreiro, marceneiro, alfaiate etc., entregando a seu senhor o dinheiro que ganhava.

Poucos anos de vida

Nas fazendas, principalmente, o escravo trabalhava de 12 a 16 horas por dia e dormiam em acomodações coletivas
chamadas senzalas ou mesmo em palhoças. Sua alimentação consistia basicamente de farinha de mandioca, aipim, feijão e
banana. O tempo de vida média útil de um escravo era de 10 a 15 anos, segundo muitos estudiosos. De qualquer modo,
apesar das fugas e da formação dos quilombos, dos quais se destacou Palmares no século 17, os escravos africanos ou afro-
brasileiros como um todo não tiveram condições de abolir por conta própria o sistema escravocrata. Com a Independência,
embora a questão da abolição tenha sido levantada, a escravidão continuou a vigorar no país até a promulgação da Lei
Áurea, em 13 de maio de 1888 - como coroação de uma ampla campanha abolicionista.
Contudo, a abolição não significou o fim da exploração do negro no Brasil, nem a sua integração - em pé de
igualdade - na sociedade brasileira, que ainda tem uma enorme dívida para com os descendentes dos escravizados.

Propriedade de monocultura e o Ciclo do açúcar

Chamamos de monocultura o tipo de exploração agrícola que tem como base a produção de um único tipo de
produto. Normalmente ela está associada ao que chamamos de latifundiários, que são os donos de grandes extensões de
terras. As grandes propriedades da colônia viviam da prática da monocultura, e se voltavam para a prática do mercado
externo, utilizando de mão-de-obra escrava para poder suprir a demanda. Essa mão-de-obra era inicialmente indígena,
vindo a ser trocada pelos negros africanos posteriormente.
Esses latifúndios realizavam a prática do plantio da cana-de-açúcar, que também poderia ser chamada tanto de
latifúndio monocultor quanto de plantation. Além das plantações, esses locais possuíam instalações e equipamentos que já
serviam para refinar o açúcar: moendas, caldeira, casa de purgar. Sendo conhecidos como engenhos, muitas famílias
passaram a morar neles para acompanhar de perto o processo de trabalho nos canaviais, além disso, os escravos eram
praticamente 100% da mão de obra existente, muito pouco era o número de funcionários assalariados. Eles viviam em
senzalas, lugares de um só cômodo, sem nenhuma higiene ou conforto, misturados homens, mulheres e crianças, como
animais. Além de todo o trabalho braçal eles ainda trabalhavam na casa grande, servindo aos senhores de engenhos.
Como os portugueses já conheciam a prática do plantio da cana-de-açúcar, esse produto foi escolhido para ser o
principal produzido no Brasil, além do que esse produto era muito aceito na Europa. Como o produto era muito procurado
pelos europeus, os holandeses decidiram também investir no país, instalando engenhos.
A partir da metade do século XVII o ciclo do açúcar no Brasil colonial começou a declinar, já que agora o país tinha
fortes concorrentes, como as Antilhas, por exemplo, que por ironia do destino eram financiadas e comercializadas pelos
holandeses. Portugal agora buscava por uma nova forma de explorar as riquezas da colônia, foi quando no século XVIII teve
início a exploração de diamantes e ouro, dando início a um novo ciclo econômico.
O Ciclo do Ouro na economia colonial

Logo que o açúcar deixou de ser o principal investimento brasileiro, os portugueses iniciaram pela procura de uma nova
forma de exploração colonial, foi quando descobriram as primeiras minas de ouro em solo brasileiro, localizadas nas
regiões onde ficam Minas Gerais e Goiás.
A importância dessa exploração foi tão grande para Portugal, que o governo decidiu mudar a capital, até então em
Salvador, para o Rio de Janeiro, pois desta forma estariam mais próximos das minas de ouro.
Eles também criaram as Casas de Fundição, que cobravam impostos altíssimos de quem extraísse o ouro, o que
deixava os mineiros completamente irritados. Entre esses impostos se destacavam:

 O quinto – 20% de toda a produção do ouro deveria ir para o rei de Portugal;


 A derrama – A colônia tinha a obrigação de arrecadar 1.500kg de ouro por ano;
 A capitação – Era cobrado imposto sobre cada escravo que trabalhava nas minas.
 O Ciclo do ouro seguiu até o ano de 1785. A exploração e os muitos impostos cobrados não agradavam em nada a
população, o que levou a muitas revoltas na época.

Referências Bibliográficas

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013


KLEIN, Herbert. O Tráfico de Escravos no Atlântico. São Paulo, FUNPEC, 1999
SKIDMORE, Thomas E. Uma História do Brasil, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998