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As Primícias no Plano de Deus

Texto Básico

“Honra ao Senhor com os teus bens e com as Primícias de todo a tua renda.” Prov. 3:9 RA

A Oferta chamada Primícias é devolvida, segundo nos é revelado em dados recentes pelo Departamento
de Mordomia da Conferência Geral, apenas por 40% dos crentes contribuintes de dízimos e ofertas alçadas.
É razoavelmente pouco. Atribui-se a limitação na devolução dessa dádiva entre o povo de Deus à duas coisas:
ignorância ou dureza de coração.
Nas Uniões Brasileiras – Norte e Sul, concluímos que a grande razão é que o povo ainda não a conhece
profundamente como doutrina bíblica. Portanto, se está escrito, doar esta oferta de primícias deve estar claro
para cada um de nós nesta reunião, ela está nos planos de Deus. Carecemos ser melhores – carecemos crescer
na graça da liberalidade. A fim de crescermos simetricamente como homens e mulheres em Cristo Jesus,
precisamos crescer na graça de dar – vamos ler? II Cor. 8 v 7: Como, porém, em tudo, manifestais
superabundância, tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e em nosso amor para
convosco, assim também abundeis (crescei) nesta graça.” Que graça? A graça de dar. No verso 10 diz assim:
“... no passado fostes os primeiros não só a dar, mas também a querer dar”, Edição Contemporânea de
Almeida. 1“ Neste capitulo oitavo Paulo usa seis vezes a palavra graça em relação ao ato de contribuir. Com
detalhe ensina reiteradamente que a contribuição é um favor que Deus nos faz e não que nós lhe fazemos.
Enquanto o crente não entender e não sentir que a contribuição é uma graça divina, ele não terá completado
o desenvolvimento simétrico” .
Por isso queremos, através desta palestra, buscar mostrar, à luz da Bíblia e dos Testemunhos, qual é o
plano de nosso Deus, desde o início da história deste velho mundo de pecado, com respeito à devolução dessa
importante oferta.Queremos, irmãos , voltar às origens.

Como foi a Liturgia no Primeiro Culto Público

Quando criança, estudamos nas primeiras lições bíblicas - na Escola Sabatina - a história de Caim e
Abel. Se, quando viemos para a Igreja, já éramos adultos, e só então começamos a ler a Bíblia, logo nos
deparamos com o livro das origens (Gênesis), contando a história dos primeiros filhos de Adão e Eva. Logo
que começamos a ler no capítulo 4 de Gênesis versículos 3-7, vimos que os dois irmãos realizaram a primeira
reunião pública que se tem conhecimento, de adoração a Deus.
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“Em que consistiu o primeiro culto sobre o qual lemos na bíblia? (A adoração de Abel e Caim – Gn.
4:3-7). Será que houve leitura das Escrituras? Não, pois naquela época não havia Bíblia. Houve música
cantada por um Coro? Não, não havia coro, e por certo nem havia música especial. Houve pregação?
Ninguém estava preparado para fazer uma pregação. Que foi que houve ali e nisso constituiu um culto? A
julgar pelo relato que temos, foi a oferta. A oferta de Abel foi um verdadeiro ato de culto e muito agradou a
Deus.”
Pelo simples relato bíblico, vemos que houve a oferta de um animal (o derramamento do seu sangue
inocente) por Abel, acompanhada de confissão dos pecados e fé no sangue do Cordeiro de Deus.
O cordeiro morto pelas mãos de Abel representava Cristo, que seria morto e ressuscitaria e Se ofereceria
a Deus também como primícias dos que dormem – dos mortos. “Cristo ressurgiu dos mortos como as
primícias dos que dormem ... Assim Cristo, as primícias, representava a grande messe espiritual a ser colhida
para o reino de Deus.” DTN, 754.
É interessante notarmos que uma leitura superficial não identifica que além da oferta de um cordeiro
tipificando Cristo, uma outra, uma segunda oferta seguiu à primeira. Assim explica a pena inspirada da serva
do Senhor: “Sem derramamento de sangue não poderia haver remissão de pecado; e deviam eles (Caim e
Abel) mostrar sua fé no sangue de Cristo como a expiação prometida, oferecendo em sacrifício o
primogênito do rebanho. Além disto, as primícias da terra deviam ser apresentadas diante do Senhor em
ação de graças.” PP 67. ... devemos reconhecer a bondade de Deus não simplesmente exprimindo nossa
gratidão com palavras, mas por meio de dádivas e ofertas à Sua causa”. Idem pág. 187. Desde criança, ou
desde os primeiros momentos de crença em Cristo, ouvimos muito falar de Seu amor – Se ofereceu a Si
mesmo - nos alegramos por conhecer o caminho da salvação mas não percebemos facilmente que quando
vimos para adorar ao Salvador (o Cordeiro morto desde a fundação do mundo), devemos vir perante Ele
sempre com uma oferta. Ou seja, não há um culto perfeito, completo, se não apresentarmos parte de nossas
rendas - nossas dádivas - no altar de Deus.
Nossas crianças, nossos jovens e todos os irmãos adultos precisam ser orientados a ver na primitiva
história dos dois adoradores, o detalhe de se dar uma oferta nos cultos públicos, especialmente no momento de
gratidão. Expressar gratidão consiste em falar o porquê e trazer uma contribuição em dinheiro. Chega de
ilusão: só belas e comoventes palavras diante de Deus, diante da congregação, sem nada nas mãos, não é
gratidão: “... com as nossas dádivas ... É essa a única maneira em que nos é possível manifestar nossa
gratidão e amor a Deus. E não proveu outro.” CSM, 18-19.
Insistimos, portanto, no detalhe de virem perante Deus, sempre com uma oferta resultante dos frutos do
labor das próprias mãos, como Abel. Hoje, claro, Cristo é o cordeiro tipificado naquela primeira oferta - não
necessita-se mais derramar sangue de animais. A segunda oferta, porém, é uma ilustração até hoje, que deve
ter sua realidade no trazer à igreja parte de nosso dinheiro: Mc. 12 v 41-44: “ ... Jesus ... observava como a
multidão lançava dinheiro no cofre; e muitos ricos deitavam muito ... esta pobre viúva deu mais do que todos
... da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.” Note que a Bíblia é enfática ao dizer
que os adoradores, os ricos e até uma pobre viúva, trouxeram suas dádivas em espécie, em dinheiro. Como é
voluntária ( não se pré determina quanto tem que ser), ninguém pode dizer que não tem ou, pior, que não pode
dar. Se aquela mulher carente deu, quem aqui pode se considerar isento, dispensado, liberado da contribuição?
Ninguém, cremos! Nenhum crente honesto é tão pobre, que não possa dar. E para dar, precisamos planejar.
A verdade é que devemos vir perante Ele com reverência – um coração liberal, pois Ele sempre vem a
nós – um reencontro contínuo, especialmente nas grandes reuniões. Em Ex. 29:43 a Bíblia diz: “Ali virei aos
filhos de Israel.” Os hebreus fiéis sabiam que antes de saírem de casa “para adorar o Rei, o Senhor dos
exércitos”, no templo em Jerusalém, deveriam preparar suas ofertas, pois o mandamento era este: “ninguém
aparecerá de mãos vazias.” (Zac.14: Ex. 23v15; Dt. 16:16). Em Neemias 12:44, lê-se bem claro que deveriam
levar os dízimos, as primícias e outras ofertas pertinentes ao culto sagrado.

As Primícias Nos Dias do Antigo Israel

I – A Festa da Páscoa (dia 14 do primeiro mês, corresponde ao nosso abril)


“A páscoa era seguida pelos sete dias da festa dos pães ázimos. O primeiro e sétimo dia eram dias de
santa convocação, nos quais nenhum trabalho servil deveria ser feito. No segundo dia da festa, as primícias
da ceifa do ano eram apresentadas perante Deus. A cevada era o primeiro cereal a produzir-se na Palestina,
e no início da festa estava começando a amadurecer. Um molho deste cereal era movido pelo sacerdote
diante do altar de Deus, em reconhecimento de que todas as coisas eram dEle. Antes que essa cerimônia se
realizasse não se devia fazer a colheita.” PP, 577.
Notemos que havia um cerimonial especial. Um molho de cevada era apresentado diante do altar. Era
a primeira oferta das primícias do ano, toda especial.
Esta representava Cristo e Sua ressurreição: (1Co. 15:20)

II – A Festa dos Tabernáculos (no 7º mês, equivalente ao nosso fim de outubro) se dava uma 2ª oferta de
promícias.
Motivo da festa: Apresentar ações de graças.
“No sétimo mês vinha a Festa dos Tabernáculos, ou da colheita. Esta festa reconhecia a munificência
de Deus nos produtos do pomar, do olival e da vinha. Era a reunião festiva encerradora do ano. A terra havia
outorgado o seu produto, as messes estavam recolhidas nos celeiros; os frutos, o azeite e o vinho estavam
armazenados, as primícias reservadas, e agora o povo vinha com seus tributos de ações de graças a Deus,
que os havia assim abençoado ricamente.” PP, 577.
“Assim, lembrava-se constantemente ao povo que Deus era o verdadeiro Proprietário de seus
campos, rebanhos e gados; que Ele lhes enviava a luz do Sol e a chuva para a semeadura e a ceifa, e que tudo
que possuíam era de Sua criação, e Ele os fizera mordomos de Seus bens.” PP, 559.
As ações de graças deveriam ser de caráter público: “Reunindo-se no tabernáculo os homens de
Israel, carregados com as primícias do campo, dos pomares e dos vinhedos, fazia-se um reconhecimento
público da bondade de Deus.” PP, 560.

Finalidade
“As primícias deviam ser apresentadas diante de Senhor no Santuário, e eram dedicadas ao uso dos
sacerdotes.” PP, 559
“Afora o dízimo, o Senhor requer de nós as primícias de todas as nossas rendas, e isto para que Sua
obra na Terra possa ser amplamente custeada. Se, todo o povo professo de Deus, velhos e moços, cumprissem
o seu dever, ... e demonstrassem ao Senhor as primícias dos seus proventos, não escasseariam os fundos para
Sua obra.” 3 TSM, 35,36. (Ela não terminou, não é mesmo?)

Como procediam a separação das Primícias

“Mesmo antes que o dízimo pudesse ser reservado, tinha havido já um reconhecimento dos direitos de
Deus. Aquilo que em primeiro lugar amadurecia dentre todos os produtos da terra, era-Lhe consagrado. A
primeira lã, quando as ovelhas eram tosquiadas; o primeiro trigo quando era trilhado; o primeiro óleo; o
primeiro vinho, eram separados para Deus. Assim também o eram os primogênitos de todos os animais; e
pagava-se um resgate pelo filho primogênito.” PP, 559
Como Proceder Hoje?
“ Guardarás a festa da Messe, das primícias dos teus trabalhos de semeadura nos campos, e a festa
da Colheita, NO FIM DO ANO, quando recolheres dos campos o fruto dos teus trabalhos. Ninguém
comparecerá de mãos vazias.” Ex. 23:16 e 15. Bíblia de Jerusalém.
“Bom seria que o povo de Deus na atualidade tivesse uma Festa dos Tabernáculos – uma jubilosa
comemoração das bênçãos de Deus.” PP, 578.
Caros irmãos, estamos chegando mais uma vez ao final de um ano. Gostaríamos que fizessem da
recepção do novo ano, uma “festa dos tabernáculos”, aqui na igreja, como de costume. Deverá ser um
momento especial para trazerem os primeiros louvores, as primeiras palavras, acompanhadas da oferta de
primícias – será a gratidão de cada um (por trás de toda oferta deve haver um espírito de gratidão). Pelo
momento a ser vivido, será contabilizada como as “primícias do ano novo”. Isso ocorrerá na próxima sexta-
feira, ao pôr-do-sol do dia 31. Deus quer ver a todos, aqui neste santo lugar, louvando-O e, muito mais,
cooperando com a Sua causa.
Estamos certos que no mês de dezembro muitos receberam seus proventos em dobro, os negociantes
venderam muito mais que o normal, todos tiveram progresso. É momento de agradecer por um ano mais de
vida, de vida abundante – tanto espiritual como material.
Mas não vamos parar por aí. Segundo o texto inicial, todas as vezes que recebermos durante o ano
2005, vamos separar o dízimos e uma oferta de primícias, certo?

Fora este caso do ano novo, temos outras Sugestões:

Os colportores deveriam fazer um pacto com Deus: a primeira coleção vendida na semana; a primeira
venda ou toda a venda do primeiro dia do mês; calcular um valor especial sobre alguma boa venda sucedida
inesperadamente etc.
Os irmãos empregados poderiam dedicar um dia do mês como oferta de primícias. Os irmãos
desempregados também poderiam fazer uma prova, na busca de serviço, decidindo entregar (como os do
mundo entregam às agências de emprego), parte do primeiro salário, senão todo.
Os proprietários de bens imóveis e móveis alugados (casa, salas comerciais, veículos, motocicletas
etc), deveriam dedicar suas primícias a cada mês.
Os irmãos que plantam ou criam animais, não teriam melhor parâmetro do que os exemplificados
pelos Israelitas nos textos desta palestra.
Ao apresentarem o primeiro filho deveriam os pais apresentar uma oferta de gratidão destinada ao
caixa primícias.

Uma Séria Advertência

“Dentre os milhões de Israel apenas um homem houve que, naquela hora solene de triunfo e juízo
(sobre a cidade de Jericó), ousara transgredir a ordem de Deus. A cobiça de Acã foi despertada à vista
daquela custosa capa de Sinear; mesmo quando ela o levou em face da morte, ele a chamou “uma boa capa
babilônica”. Um pecado arrastara outro, e ele se apropriou do ouro e da prata dedicados ao tesouro do
Senhor — roubou a Deus as primícias da terra de Canaã.” PP, 496.
“Deus exige esse tributo como prova de vossa fidelidade a Ele. A primeira parte é do Senhor, e deve
ser usada como tesouro que por Ele lhe foi confiado.” CSM, 72. Há que compreender aqui o seguinte: os
dízimos também devem ser entregues imediatamente após o recebimento de nossos proventos. Em um sentido
mais amplo, é uma forma de cumprir o dever de dar primícias (primeiro).
Acã lançou mão das primícias, os israelitas negligenciaram os dízimos nos dias de Malaquias, e Deus
mostrou claramente Seu desagrado.
Queridos irmãos, há uma relação direta de bênção ou maldição, entre os dízimos e a oferta das
primícias. Deus não pode suportar a sonegação dessas dádivas, que têm valor e finalidades iguais – santas são
ao Senhor, “... as primícias são santas...” Rom. 11:16

Vivendo a Tríplice Mensagem Angélica

Em Apocalipse 14:7 lemos; “Temei a Deus e daí-lhe glória...” aqui a palavra ‘glória’, pode-se traduzir
também como ‘honra’. A Bíblia diz: “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua
renda.” Há que ver aqui, o dever e privilégio de dar a oferta (primícias) e o dízimo sistematicamente.
Porventura, não carecemos compreender e viver melhor a “Verdade Presente”?
Ainda há tempo para obedecermos a ordem: primícias/dízimos.
Dos israelitas se diz: “Mesmo antes que o dízimo pudesse ser reservado, tinha já havido um
reconhecimento dos direitos de Deus.” PP, 559
Volvamo-nos com humildade e fé para Ele, com tudo que somos e devolvamos-Lhe o que a Ele
pertence. Sua graça nos basta! Amém!
Grifos, itálicos e parênteses acrescentados.

1
MOTTA, Waldomiro - A doutrina Bíblica da Mordomia. JUERP.1991
2
Editora Presbiteriana do Brasil