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A Dimensão Celebrativa da Catequese

Por João Melo

A ausência de uma catequese orante tem esvaziado a


celebração cristã.

Refletir sobre essa questão ajuda a entender o porquê de jovens, crianças e também
adultos, depois de participarem da catequese e receberem os sacramentos se distanciam da
Igreja. Afinal, não foram eles/as iniciados na fé? Não foram eles/as “preparados/as” para
receberem o Batismo/Eucaristia/Crisma e serem autênticos/as cristãos/ãs? Então, por que
deixam de participar da celebração da Eucaristia e se afastam da Igreja? É evidente que a
questão é complexa, portanto a resposta também não é assim tão simples. Há diversos fatores
que influenciam nesse afastamento...

Mas, não se pode desconsiderar o fato de que as nossas catequeses serem mais “aulas”
do que encontros é fator agravante, uma vez que não iniciamos para a celebração/oração, não
educamos nossos/as iniciandos/as para e pela Liturgia e Oração. De fato, não adianta trocar o
nome de “aula” de catequese para encontro, e continuar a fazer as mesmas coisas. Muitas vezes,
há encaixes de momentos de oração e celebração dentro do encontro de catequese. Contudo,
ainda não existe uma catequese orante e celebrativa que evidencia a relação fé-vida. Por vezes,
nossos/as iniciandos/as são quase que “obrigados” a vir à Missa, dela participam e não
entendem nada ou muito pouco, isso quando o/a próprio/a catequista não compreende... Só boa
vontade não basta! Participar das celebrações da Igreja, de modo particular da Missa, deve ser
situação prazerosa, não “requisito” para a catequese ou para ser admito a algum dos
sacramentos.

Nesse caminho, é bom que o/a catequista aprenda ritos, encenações, a propor
Evangelho dialogado, lectio divina (Leitura Orante da Bíblia), pequenas procissões litúrgicas,
celebrações em conjunto, celebrações da Palavra, a cantar e a dançar com seus/suas
iniciandos/as, a fazer oficina de oração, adoração ao Santíssimo, momentos de louvor, de
penitência... A usar os símbolos sagrados como luz, fogo, pão, chinelo, cinza, incenso, cruz
erguida, o próprio ano litúrgico, as cores litúrgicas, os gestos de lavar as mãos, caminhar,
aspergir, imposição das mãos, cânticos com gestos, posições do corpo (estar de pé, sentado,
ajoelhado, andando, inclinado)... tudo isso cria significação do que é celebrar, de modo que
os/as iniciandos/as têm maior contato com o sagrado, o mistério da fé e são assim
introduzidos/as para a Celebração Maior, isto é, a Missa. Nesse sentido, é recomendável
conhecer e fazer uso do Itinerário Catequético: Iniciação à Vida Cristã – Um processo de
inspiração catecumenal, e, sobretudo, do RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos) que
sugere um itinerário litúrgico a todos/as os/as iniciandos/as, mesmo crianças e jovens.

1. Como vivemos em nossa prática a dimensão orante e celebrativa da


catequese? Rezamos nos encontros? Quando e como? Como as
crianças/adolescentes/adultos reagem?
2. O que podemos fazer para tornar nossa catequese mais orante e
celebrativa?

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