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De le ga ç ão R egi ona l do Al e nt ejo

Centro de Formação Profissional de Portalegre

Cultura, Língua e Comunicação


CLC6- Culturas de urbanidade e mobilidade
Formadora: Anabela Peça

Nome ______________________________________________________ Data______________________


Curso ______________________________________________________ Local______________________

Arquitetura tradicional e sistemas construtivos

Desde que os Homens conseguiram romper o isolamento que os continha em pequenas áreas,
os aperfeiçoamentos técnicos e as inovações formais da arquitectura alastraram pela Terra,
acompanhando a expansão territorial de certos povos, das doutrinas religiosas e do intercâmbio
económico e cultural.

A história da arquitectura em Portugal acompanhou sempre de perto a evolução da história de


Portugal e as sucessivas ocupações e expansões a que o atual território nacional esteve sujeito.
Pretende-se apresentar neste documento de apoio os momentos mais significativos dessa evolução.

Figura 3. Castro/citânia de Briteiros (Guimarães)

Construída antes da chegada dos romanos, a Citânia de Briteiros em Guimarães é um bom


exemplo da arquitetura nativa, desenvolvida na Idade do Ferro. As casas eram redondas,
feitas em granito, sem argamassa, organizando-se em Castros – pequenas comunidades no
alto das montanhas, cercadas por estruturas defensivas.

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Atividade 6. Conhece algum exemplo de arquitectura tradicional inspirada ou com


semelhanças a este modelo construtivo no distrito de Portalegre?

R:

Na localidade de Cabeçudos, próximo de Marvão, existem casas de assento circular e tecto


cónico de colmo ou giestas.

“Nessas palhotas, que mal se distinguem das dos selvagens, vivem famílias inteiras como
animais. Os habitantes dedicam-se ao contrabando.” In Guia de Portugal (Estremadura, Alentejo e
Algarve), c. 1927.

Romanos

Com a formação do Império Romano espalharam-se pela bacia mediterrânica e por vastas
regiões da actual Europa os edifícios típicos, os processos de construir e as conceções plásticas
greco-romanas. A arquitetura portuguesa desenvolveu-se significativamente com a chegada dos
romanos no século II a.C..

Figura 4. Casa dos Repuxos, Conimbriga, Condeixa-a- Velha

Os romanos construiram também um conjunto considerável de infraestruturas e estruturas de apoio


às povoações mais importantes, como estradas, aquedutos e pontes. Há muitos vestígios dessa época
espalhados por todo o território nacional, cumprindo funções variadas, como habitações, teatros,
templos e outros edifícios públicos.

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Património Local - Elvas

Figura 5. Vila Romana da Quinta das Longas, Elvas. (Fonte:


http://www.portugalromano.com/2011/10/villa-romana-da-quinta-das-longas-elvas/)

Figura 6. Ponte romana de Barbacena, Elvas

Fonte: http://www.portugalromano.com/2011/12/ponte-romana-de-barbacena-barbacenaelvas/

Muçulmanos

No século VIII a Península Ibérica foi ocupada pelos Muçulmanos, sofrendo novamente a
arquitectura ibérica influências diversas. Note-se que por esta altura já as influências romanas na
arquitetura tinham sido perdidas depois das invasões bárbaras.

As cidades coevas do período pós primeiras invasões bárbaras (do século V ao VIII) eram
aglomerados de casas mal acondicionadas e as ruas tinham os seus esgotos a céu aberto. Após a
conversão dos reis bárbaros (a primeira conversão verifica-se ainda no século VI) ao cristianismo
começaram então a erguer-se igrejas para prestar culto à religião Cristã.

Os muçulmanos trouxeram, desta forma, nova vida à arquitetura civil, militar e religiosa.
Ergueram-se mesquitas e palácios, organizando as cidades da época. Os materiais mais utilizados
eram a taipa, intercalada, por vezes, com alvenaria de pedra. A cor típica do edifícios muçulmanos
era o branco, pois caiavam os exteriores.

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Figura 7. Igreja de Mértola, antiga mesquita muçulmana


(distrito de Beja)

Românico, Gótico e Manuelino

Figura 8: Sé Velha de Coimbra Figura 9: Mosteiro da Batalha Figura 10: Torre de Belém (Lisboa)

Românico Gótico Manuelino

Com a Reconquista transformaram-se as mesquitas em igrejas, como se fez com a Mesquita de


Mértola, e de forma progressiva passou-se para o românico. As grandes igrejas pesadas começaram a
povoar o território até que o gótico, mais elegante e leve, e depois o Manuelino as tranformaram em
edifícios mais esbeltos e decorados.

Renascimento, Maneirismo, Barroco

No séc. XVI, chega de Itália o Renascimento e com ele a racionalização de todas as formas,
tornando-se os edifícios mais pragmáticos em detrimento da sua decoração.

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De forma natural passa-se para o Maneirismo que segue os passos da arquitetura renascentista.
A Igreja de São Vicente de Fora é um dos melhores exemplos desse tempo. Nesta época e desde o
românico, a principal produção da arquitetura eram as igrejas, e assim seria até ao Rococó (exagero
do pormenor).

No Barroco, séc. XVIII, as igrejas e conventos tornam-se mais luxuosos e ornamentados,


exemplo disso é o Convento de Mafra.No início do séc. XIX vêm influências de vários países
europeus, que culminam no Neoclassicismo. Poucas décadas depois, aparece como reação, o
romantismo. O Palácio da Pena é o ex-libris das obras românticas em Portugal.

Figuras 11,1 2 e 13: Igreja de S. Vicente de Fora (Lisboa), Santuário do Bom Jesus de Braga e Palácio
da Pena (Sintra)

Arquitetura do ferro

No final desse mesmo século, os engenheiros tomam conta dos projetos com a arquitetura do
ferro e do vidro. Este tipo de construção é sobretudo dirigido para construções comunitárias como os
mercados, estações de comboio e elevadores. O Elevador de Santa Justa em Lisboa e a Estação de S.
Bento, no Porto são exemplos disso. A Arte Nova teve pouca expressão em Portugal, mas regista
alguns exemplos bem conseguidos na Figueira da Foz e em Aveiro.

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Figuras 14, 15 e 16, Estação de S. Bento, Porto; Arte nova em Aveiro; Biblioteca Geral,
Coimbra (Estado Novo)

Mais tarde, durante o Estado Novo, foi aplicada uma arquitetura mais contida, mas sobretudo
funcional. Com o fim da ditadura, e abertura ao meio internacional, a arquitetura enriqueceu o seu
espólio, tanto em quantidade como em qualidade.

Na atualidade destacam-se os arquitetos portugueses Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de


Moura, Fernando Távora, Gonçalo Byrne, entre outros.

Atividade 7. Leia com atenção os seguintes textos.

Texto 1

“Portugal, por exemplo, carece de unidade em matéria de arquitectura. Não existem, de todo,
uma arquitectura portuguesa, ou uma casa portuguesa. Entre uma aldeia minhota e um monte
alentejano, há diferenças muito mais profundas do que entre certas construções portuguesas e gregas.
Entre as habitações do Paul e de Évora-Monte são insignificantes os traços comuns. (…)

Uma mancha importante do nosso território metropolitano é tipicamente mediterrânica, apesar


de debruçada sobre o Atlântico. (…) Outra mancha, mais a norte, sofre acentuada influência
atlântica. Diverge daquela de modo sensível, quanto ao clima e também quanto ao relevo em geral,
aos cultivos, à economia, organização social.(…)

Não existirá, contudo, nessa diversidade de feições, qualquer coisa comum, especificamente
portuguesa? Cremos que sim, que há certas constantes, de subtil distinção, por vezes, mas reais. Não
dizem respeito a uma unidade de tipos, de feitios ou de elementos arquitectónicos, mas a qualquer

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coisa do carácter da nossa gente, revelada nos edifícios que constrói- qualquer coisa difícil de definir
com rigor (…).”

Texto 2.

“Tem-se admitido e proclamado que as construções antigas do nosso país podem e devem
servir de inspiração para os arquitectos de hoje (…).

Tem-se admitido também que para projectar um edifício, destinado a determinada região do
País, se devem copiar ou estilizar os elementos arquitetónicos mais interessantes da região, para que
o edifício se integre no ambiente regional.

Maneira primária de conceber o problema da integração em ambientes pré-existentes e, por


consequência, a própria Arquitetura.

Não basta ao indivíduo da cidade vestir umas calças de surrobeco, calçar tamancos e ajeitar
uma enxada ao ombro para se integrar num meio rural; envergar pelico e safões para pertencer ao
Alentejo; ou vestir camisa vistosa de lã aos quadrados e desclaçar-se para não destoar entre os
pescadores da Nazaré.

Integrar-se, pertencer, são coisas mais sérias e profundas. De modo algum são apenas maneiras
de vestir, tanto pessoas como edifícios.”

Fonte: Arquitetura Popular em Portugal, Ordem dos Arquitetos, 2004

1. Com base na leitura dos textos, debata com os seus colegas a legitimidade da
utilização da expressão “casa portuguesa” ou “casa popular portuguesa”.

Casa Popular

A casa popular é um dos mais significativos e relevantes aspetos da humanização da paisagem,


em que, na sua grande diversidade de tipos, afloram com particular evidência, numerosos
condicionalismos:

 Geográficos

 Económicos

 Sociais

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 Culturais

 Históricos

Pode considerar-se um produto imediato das relações do Homem com o meio natural que o
rodeia e como tal faz uso dos materiais locais, é já uma forma de diferenciação regional. Existe uma
adaptação às peculiaridades do meio em que estão inseridas e à sua utilização como abrigo.

Não é porém unicamente na sua

 dimensão espacial,

 no meio físico e sua variabilidade,

 na diversidade dos seus elementos,

 nem mesmo na economia particular de uma dada região que exige uma adaptação funcional
da casa…

Que se encontram os factores explicativos da totalidade dos caracteres próprios da casa


popular dessa região…

A casa é acima de tudo um produto do Homem, um facto de cultura e é no próprio homem e


nas suas leis de criação cultural que se devem procurar a razão de ser e a explicação decisivas
da casa que é a sua obra:

- história

- influências

- componentes sociais e conceitos de familia

- status económico e profissional

- tradição

- traços de psicologia de grupo e gosto pessoal

Exemplos:

 casa do lavrador é de pedra

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 casa do pescador de madeira

 No Alentejo, como há muito espaço, é comum a casa-pátio (outro caso, a casa gandaresa)

 Na zona noroeste sente-se a influência dos países nórdicos (suevos-germânicos)

 O Alentejo e Algarve sentem a influência do mediterrâneo, norte-africano (influências


árabes)

Variantes

Em Portugal as variantes regionais e as versões são mais que muitas…

 Casas térreas e casas de andar

 Casas-torres

 Casas-blocos e casas de pátio, aberto ou fechado

 Casas de pedra, granito, xisto, calcário

 Casas de materiais leves como a taipa, adobo ou tijolo, blocos

 Coberturas de palha, de materiais vegetais, de telha, artesanal ou de fábrica, de lajes de pedra,

 De uma, duas, três ou quatro águas…

 Casas isoladas, no meio das terras, bordando os caminhos

 Povoamento disperso e concentrado

 Temos abrigos cavados na terra…

 Casas circulares (castros)

 Casas de lavoura simples

 Montes do sul

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Arquitetura tradicional: onde e quando construir, evolução dos materiais


Sistemas construtivos: técnicas de construção e aplicação dos materiais

Figura 17. Aldeia do Xisto, Talasnal, Lousã

Atividade 8. Pesquisa na net sobre arquitetura vernacular .

1. Consulte o seguinte site sobre arquitectura vernacular e identifique as suas principais


características .

http://arquiteturacesumar.blogspot.pt/2008/03/histria-da-arquitetura-arquitetura.html

Denomina-se arquitetura vernacular a todo o tipo de arquitetura em que se empregam


materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação é construída. Por essa razão, ela
apresenta um caráter local ou regional.

As técnicas construtivas e as soluções arquitectónicas foram desenvolvidas e aperfeiçoadas ao


longo dos anos, por meios de processos de tentativa e erro, com os recursos naturais do meio
envolvente. Estas soluções arquitetónicas, transmitidas de geração em geração, são soluções
adaptadas ao clima e cultura de cada região, adequando-se os materiais e os espaços ao meio
ambiente envolvente.

A Arquitectura Vernacular representa a base dos princípios hoje conhecidos como a


Arquitectura Bioclimática, a Construção Sustentável, a, a Eco-Arquitectura, a Arquitectura
Ecológica, entre outras. Os conceitos são transpostos de uma época em que não existiam sistemas de
climatização e iluminação, e a construção tinha de ser eficiente e adequada à região onde seria
implantada.

Na época em que os materiais artificiais eram limitados e raros a Arquitetura Tradicional


encontrou soluções próximas do que hoje se denomina de Arquitetura Bioclimática ou mais
recentemente Construção Sustentável. Nos dias que correm, esta última ainda aplica princípios

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básicos da construção tradicional. No passado, por exemplo, os portugueses recorriam à cal para as
paredes das casas do Sul do País e, no Norte, as janelas obedeciam a uma orientação a sul.

Nem a localização das aldeias era deixada ao acaso porque era um dado decisivo. Tal como a
orientação, o isolamento e a disposição interior do espaço. Todos pesam na hora de aliar a arquitetura
ao potencial do clima exterior. Já nesse tempo o recurso a materiais com determinadas características
térmicas era privilegiado sempre que se tratasse de manter um nível de conforto estável,
independentemente da temperatura exterior.

(Artigo sobre Arquitetura Bioclimática – Revista Unibanco Edição 127 2009 – Texto: Sandrine Lage)

Nos últimos anos assistimos a um interesse crescente pela procura da


identidade, no meio do emergente fenómeno da globalização. A
importância da identidade foi valorizada pelas últimas tendências
filosóficas que reclamam o direito à diferença, o respeito pelo outro, e a
erradicação de qualquer tipo de discriminação, seja a que nível for. Esta
abordagem chegou também à produção arquitetónica e urbanística.
Fig. 8. A casa da cascata, F.L. Wright
Os estudos sobre o meio ambiente colocaram em evidência a importância das propostas
arquitetónicas e urbanas que são capazes de manter a sua validade por muito tempo, isto é, que
mantém uma existência superior à data de caducidade da maioria dos produtos de consumo atuais.

Neste sentido, a arquitetura tradicional voltou a ser


reconsiderada embora, surpreendentemente, não pelos
arquitetos mas por outros sectores da sociedade. E, tal como
acontecera com os movimentos vanguardistas dos anos 20 e 30
do século XX, a arquitetura vernácula é reconhecida como o

Figura 9. Casa alentejana verdadeiro reduto da racionalidade. Não sobra nada na


arquitetura vernácula; as soluções propostas são o resultado de séculos de empirismo.

Simultaneamente, a relação com o meio acaba por ser a mais adequada, uma vez que ele próprio
constitui a fonte da vida para todos aqueles que nele vivem; o meio é cuidadosamente preservado,
transformado com extrema sensibilidade, nunca esquecendo que terá de ser transmitido as gerações
vindouras.

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Sistemas Construtivos

Vernaculares/tradicionais: taipa, tijolo, estruturas de madeira

Modernos: estruturas de ferro, modulares, concreto

Atividade 9: Pesquise na internet e elabore um esquema onde sintetize:

a) As diferenças entre os sistemas construtivos vernaculares e modernos.

b) Técnicas dos sistemas construtivos tradicionais, nomeadamente: alvenaria, taipa, adobe, tabique

c) Materiais usados na construção tradicional

Trabalho de pesquisa
(Pares e com a duração de 7 horas + 15 minutos para cada apresentação

1. Escolha um dos seguintes temas e prepare uma apresentação cuidada sobre o mesmo, tendo
presente que deve ser constituída pela capa, introdução, desenvolvimento (origens, evolução,
materiais usados, sistemas construtivos), conclusão, bibliografia e webgrafia com data de
consulta.

 Arquitetura tradicional da Madeira/Açores/Alentejo/ Algarve

 Arquitetura tradicional transmontana/ da Beira Alta/Baixa

 Arquitetura tradicional da Beira Litoral (Aveiro, Costa Nova, Tocha)

 Rutura paisagística / Nova arquitetura nas cidades

 Arquitetura palafita/Espigueiros/Moinhos

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 Arquiteto de renome ( Portugueses: Raul Lino, Siza Vieira, Cassiano Branco, Souto de
Moura; Estrangeiros: Niemeyer, Frank Lloyd Wright, Le Corbusier, Gaudi, Gropius, Frank
Gehry).

Alternativas de apresentação do trabalho

 Maquete

 Coleção de postais/ Caderneta de cromos / Puzzle (a partir de uma imagem original criada
por vós)

 Pintura/Desenho

 Filme

 Mapa local, regional ou nacional com a localização do tipo de habitação tradicional

 Jogo de perguntas e respostas /Criação de um concurso de promoção da arquitetura


tradicional portuguesa/casas tradicionais portuguesas (regulamento, cartaz, prémios)

 Dossiê temático

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