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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE


CURSO DE FISIOTERAPIA

A RELAÇÃO DA INVOLUÇÃO PSICOMOTORA COM O NÚMERO DE QUEDAS EM


IDOSAS PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE EXERCÍCIO FÍSICO REGULAR
(HIDROGINÁSTICA)

CLAUDIA CRISTINY PONTES CRUZ


KEILA EIMY SHIRAKAWA

Belém – Pará
2006
A RELAÇÃO DA INVOLUÇÃO PSICOMOTORA COM O NÚMERO DE QUEDAS
EM IDOSAS PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE EXERCÍCIO FÍSICO
REGULAR (HIDROGINÁSTICA)
por

Claudia Cristiny Pontes Cruz

Keila Eimy Shirakawa

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Fisioterapia do Centro de Ciências
Biológicas e da Saúde da Universidade da
Amazônia, como requisito para a obtenção do grau
de Bacharel em Fisioterapia, orientado pela
professora Angélica Homobono Nobre.

Belém – PA
2006
2

A RELAÇÃO DA INVOLUÇÃO PSICOMOTORA COM O NÚMERO DE QUEDAS EM IDOSAS


PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE EXERCÍCIO FÍSICO REGULAR (HIDROGINÁSTICA)

Claudia Cristiny Pontes Cruz


Keila Eimy Shirakawa

Avaliado por:

________________________________________

Data: ____/____/____

Belém – Pará
UNAMA
2006
3

AGRADECIMENTO

Aos nossos pais, pelo apoio constante.

À nossa orientadora Profª Angélica Homobono Nobre


pela compreensão e paciência.

Às idosas que foram voluntárias na pesquisa, pois sem


elas a realização desse trabalho não seria possível.

Aos nossos amigos pelo companheirismo.

E a todos que de alguma forma contribuíram para a


realização deste trabalho.
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EPÍGRAFE

" Tornamo-nos jovens leva muito tempo."

Pablo Picasso
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RESUMO

CRUZ, Claudia Cristiny Pontes; SHIRAKAWA, Keila Eimy. A Relação da Involução


Psicomotora com o Número de Quedas em Idosas Praticantes e Não Praticantes de Exercício
Físico Regular (Hidroginástica). Universidade da Amazônia. Belém, Pará, 2006

O estudo foi do tipo caso-controle e teve por objetivo geral avaliar a influência do exercício
físico na manutenção psicomotora e no número de quedas em idosas praticantes e não
praticantes de exercício físico regular (hidroginástica) e objetivos específicos: verificar a
influência do exercício físico na manutenção dos fatores psicomotores; verificar a associação
entre a prática de exercício físico regular (hidroginástica) e o número de quedas. A pesquisa
foi realizada em 30 idosas com idade entre 60 a 75 anos, sendo 15 idosas praticantes de
hidroginástica (media de idade = 67 anos) e 15 idosas não praticante de exercício físico
regular (média de idade = 63 anos). Para avaliar o Desempenho Psicomotor das idosas
utilizou-se uma adaptação da Escala de Desenvolvimento Motor proposta por Francisco Rosa
Neto. Os fatores avaliados foram: motricidade fina, motricidade global, equilibração, esquema
corporal, organização espacial e organização temporal; além disso, foi realizado um
questionário sobre quedas. Os resultados foram submetidos aos testes T de Student, Mann-
Whitney, Odds Ratio e Risco relativo (p ”  9HULILFRX-se não haver diferença
estatisticamente significante entre o desempenho psicomotor dos grupos e também não se
verificou influência do exercício físico regular no número de quedas. Porém, em virtude das
limitações metodológicas são necessários mais estudos a esse respeito.

Palavras-chave: Idoso, Psicomotricidade, Queda, Exercício Físico.


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RESUMEN

CRUZ, Claudia Cristiny Pontes; SHIRAKAWA, Keila Eimy. The Relation of the Motor
Psychophysics Involution with the Number of Falls in Aged Not Practicing Practitioners and
of Regular Physical Exercise (Aquatic Gymnastics). Universidade da Amazônia. Belém, Pará,
2006.

The study it was of the type case-control and it had for general objective to evaluate the
specific influence of the physical activity in the psicomotora maintenance and the number of
falls in aged not practicing practitioners and of regular physical exercise (aquatic gymnastics)
and objectives: to verify the influence of the physical activity in the maintenance of the
factors motor psychophysics; to verify the association enters practical of regular physical
exercise (aquatic gymnastics) and the number of falls. The research was carried through in 30
aged ones with age enters the 60 - 75 years, being 15 aged practitioners of aquatic gymnastics
(measured of age = 67 years) and 15 not practicing of regular physical exercise (average of
age = 63 years). To evaluate the motor psychophysics performance of the aged ones an
adaptation of escalate de motor development was used proposal for Francisco Rosa Neto. Os
evaluated factors had been: fine motor, global motor, equilibrium, corporal project, space
organization and secular organization; moreover, a questionnaire on falls was carried through.
The results had been submitted to tests T of Student, Mann-Whitney, Odds Ratio and Relative
Risk (p ”  ,W ZDV YHULILHG QRW WR KDYH VWDWLVWLF VLJQLILFDQW GLIIHUHQFH HQWHUV WKH
psychomotor performance of the groups and also it was not verified influences of the regular
physical exercise in the number of falls. However, in virtue of the methodological limitations
more studies to this respect are necessary.

Word-keys: Aged, Motor Psychophysics, Fall, Physical Exercise.


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LISTAS DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AVD – Atividade de Vida Diária


IADLS – Atividades Instrumentais da Vida de Diária
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
UEPA – Universidade do Estado do Pará
UFPA – Universidade Federal do Pará
UNITERCI – Universidade da Terceira Idade
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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Problemas que afetam saúde e qualidade de vida das


participantes da pesquisa............................................................... 90
Gráfico 2: Não praticantes de exercício físico regular.................................. 99
Gráfico 3: Praticante de Hidroginástica......................................................... 99
Gráfico 4: Quantidade de quedas sofridas pelas participantes da
pesquisa........................................................................................ 100
Gráfico 5: Necessidade de procurar auxílio médico após ocorrência de
queda............................................................................................ 102
Gráfico 6: Ocorrência de alguma conseqüência em virtude de quedas 103
Gráfico 7: Atividade realizada no momento da queda.................................. 103
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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Da ontogênese a retogenese............................................................... 43


Figura 2: Área Cortical Somatosensorial.......................................................... 52
Figura 3: Áreas Corticais Visual e Auditiva..................................................... 55
Figura 4: Área Cortical Motora......................................................................... 59
Figura 5: Homúnculo Motor.............................................................................. 62
Figura 6: Atividade física, exercício e desempenho humano operam ao
longo de um espectro....................................................................... 72
Figura 7: Ciclo Vicioso do Envelhecimento..................................................... 74
Figura 8: Palestra realizado na UEPA............................................................... 80
Figura 9: Avaliação Psicomotora...................................................................... 80
Figura 10: Prova de Equilíbrio.......................................................................... 81
Figura 11: Confecção do material..................................................................... 81
Figura 12: Materiais Adquiridos...................................................................... 82
Figura 13: Aula de Hidroginástica na UEPA.................................................... 87
Figura 14: Atividade Desenvolvida na UNITERCI.......................................... 88
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................... 12
CAPÍTULO 1: O ENVELHECIMENTO.......................................................... 15
1.1. Envelhecimento: Aspectos Socioeconômicos e Culturais.......................... 15
1.2. Atuais Conceitos Sobre Envelhecimento................................................... 18
1.2.1. Tipos de Envelhecimento........................................................................... 21
1.2.2. Longevidade e Envelhecimento.................................................................. 23
1.3. Aspectos Anatomofisiológicos do Envelhecimento................................... 23
1.3.1. Alterações Celulares................................................................................... 24
1.3.2. Alterações Teciduais................................................................................... 26
1.3.3. Altura, Peso e Composição Corporal.......................................................... 27
1.3.4. Sistema Muscular........................................................................................ 28
1.3.5. Tendões, Ligamentos e Cartilagens Articulares.......................................... 30
1.3.6. Ossos........................................................................................................... 32
1.3.7. Alterações das Funções do Sistema Nervoso.............................................. 33
1.3.7.1. Aspectos Neurológicos Somáticos........................................................... 35
1.3.7.2. Aspectos Cognitivos................................................................................. 37
CAPÍTULO 2: PSICOMOTRICIDADE NO IDOSO...................................... 40
2.1. Conceito de Psicomotricidade..................................................................... 40
2.2. Gerontopsicomotricidade............................................................................ 41
2.2.1. Tonicidade................................................................................................... 44
2.2.2. Equilíbrio..................................................................................................... 46
2.2.3. Lateralização................................................................................................ 49
2.2.4. Noção do Corpo.......................................................................................... 51
2.2.5. Estruturação Espaçotemporal..................................................................... 54
2.2.6. Praxia Global............................................................................................. 58
2.2.7. Praxia Fina.................................................................................................. 61
CAPÍTULO 3 : A PROBLEMÁTICA DA QUEDA EM IDOSOS................. 63
3.1. Conceito de Queda........................................................................................ 63
3.2. Incidência de Queda no Brasil.................................................................... 65
11

3.3. Quedas: Mortalidade e Morbidade............................................................. 65


3.4. Fatores de Risco........................................................................................... 67
3.4.1. Fatores de Risco Intrínsecos....................................................................... 68
3.4.2. Fatores de Risco Extrínsecos...................................................................... 69
3.4.3. Principais Causas de Queda em Idosos...................................................... 69
CAPÍTULO 4: ATIVIDADE FÍSICA............................................................... 71
4.1 Efeitos da Atividade Física no Envelhecimento e a Prática de
Hidroginástica............................................................................................... 71
4.2. Hidroginástica.............................................................................................. 75
4.3 Atividade Física X Quedas.......................................................................... 77
METODOLOGIA................................................................................................. 79
RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................... 86
1. Caracterização dos Grupos Envolvidos na Pesquisa................................... 86
2. Aspectos Socioeconômicos.............................................................................. 89
3. Análise Estatística do Desempenho dos Grupos na Avaliação
Psicomotora....................................................................................................... 91
3.1. Análise do Desempenho dos Grupos por Fator Psicomotor............................ 94
3.2. Análise do Desempenho Psicomotor Geral dos Grupos................................. 98
4. Frequência de Quedas no Último Ano.............................................................. 100
CONCLUSÃO....................................................................................................... 105
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 107
APÊNDICES........................................................................................................ 114
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1. INTRODUÇÃO

Segundo Paschoal, Salles & Franco (2006) a tendência mundial à diminuição da

mortalidade e da fecundidade e o prolongamento da esperança de vida têm levado ao

envelhecimento da população. Os números do Instituto Brasileiro de geografia e estatística

(IBGE), em 2000 mostram que, no mundo, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou

mais e, para 2050, estima-se que a relação será de uma para cinco em todo o mundo, e de uma

para três nos países desenvolvidos.

Ainda segundo o IBGE, em 2000 o Brasil contava com cerca de 15 milhões de idosos e

estimativas para 2005 mostravam um contingente de 97.552 pessoas acima de 60 anos

residentes na cidade de Belém-Pará. Em virtude do crescente número de idosos em todo o

mundo, reveste-se de grande interesse para os profissionais da área da saúde estudos que

venham a contribuir para a melhoria da qualidade de vida dessa população.

Assim, estudos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos têm mostrado que 30%

dos idosos caem ao menos uma vez ao ano e que as quedas possuem relação causal com 12%

de todos os óbitos na população geriátrica; tornando-se a sexta causa de óbito em indivíduos

com mais de 65 anos (PEREIRA et al, 2004). No Brasil cerca de 29% dos idosos caem ao

menos uma vez ao ano e 13% caem de forma recorrente. Além de a queda ser causadora de

mortalidade na população geriátrica é responsável também pela morbidade entre idosos. Isso

acarreta limitações funcionais para estes e grandes gastos em saúde pública.

Nesse sentido Guimarães et al (2004) considera a queda na população idosa como um

marcador potencial do início de um importante declínio da função. Assim, estudos sobre a

ocorrência de quedas em idosos, suas causas, e formas de prevenção tornam-se especialmente

importantes para essa população e para os profissionais que trabalham no processo de


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reabilitação desses idosos. Quanto a isso, Motta (2005) afirma que apesar do processo de

envelhecimento no Brasil ser um fato concreto, ainda é pouco estudado. Qualidade de vida

sem incapacidade, capacidade funcional, autonomia e independência são indicadores que

podem ser mais informativos que as estatísticas de morbidades, mas não são regularmente

registrados ou produzidos nos diversos níveis do sistema de saúde.

Sabendo que a queda pode ser definida como a falta de capacidade para corrigir o

deslocamento corporal durante o seu movimento no espaço e que a estabilidade do corpo

depende da recepção adequada de informações de componentes sensoriais, cognitivos

(orientação têmporo-espacial; memória; capacidade de cálculo; capacidade de planejamento e

decisão; linguagem-expressão e compreensão), integrativos centrais (principalmente cerebelo)

e músculos-esqueléticos, de forma altamente integrada. E que a psicomotricidade é a

integração das funções motrizes e mentais, sob o efeito do desenvolvimento do sistema

nervoso. (Ministério da Educação e do Desporto e Secretaria de Educação Especial apud

REZENDE et al, 2003).

Pode-se inferir que os aspectos psicomotores interfiram na ocorrência de queda entre a

população idosa, até porque segundo Fonseca (1998) durante o processo de envelhecimento

ocorre uma involução psicomotora, que é o produto final da evolução onde acontece a

deterioração das propriedades e funções dos fatores psicomotores. A esse conjunto de

mudanças que acontece no idoso dar-se o nome de retrogênese.

Nesse sentido pode-se questionar também se a prática de exercício físico regular

influencia nesse processo e interfere no número de quedas em indivíduos idosos. Sabendo que

o percentual de mulheres idosas é maior que o de homens e que essas caem mais que eles até

os 75 anos. (PERRACINI & RAMOS, 2002; PASCHOAL & LIMA, 2006). Decidiu-se fazer

um trabalho com mulheres com idade entre 60 e 75 anos, praticantes e não praticantes de

exercício físico regular. Como a hidroginástica é uma atividade altamente difundida entre a
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população idosa, optou-se pela escolha dessa atividade específica. Dessa forma o presente

estudo tem por objetivo geral: avaliar a influência do exercício físico na manutenção

psicomotora e no número de quedas em idosas. E como objetivos específicos: verificar a

influência do exercício físico na manutenção dos fatores psicomotores e verificar a associação

entre a prática de exercício físico regular (hidroginástica) e o número de quedas


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CAPITULO 1 : O ENVELHECIMENTO

1.1. Envelhecimento: Aspectos Socioeconômicos e Culturais

Segundo Netto (2000) o processo de envelhecimento e sua conseqüência natural, a

velhice, são uma das preocupações da humanidade desde o início da civilização. A história

nos mostra que as idéias e conceitos sobre a velhice são tão antigos quanto a própria

humanidade.

Porém a concepção de velhice é diferente nas diferentes épocas e sociedades, sofrendo

variações também de acordo com cada cultura; podendo o idoso desempenhar papéis sociais

diferenciados. Segundo Dantas & Oliveira (2003) “ser velho é uma categoria social”. Só

existimos socialmente na medida em que nossos papéis são confirmados e reconhecidos pela

sociedade da qual fazemos parte. Espera-se que cada grupo ou categoria desempenhe o papel

a ele associado.

Assim, as atitudes, os comportamentos e as expectativas dos idosos, em grande parte, são

condicionados pela maneira pela qual a sociedade os vê e os rotula. E essa maneira está

intimamente relacionada com a cultura de cada povo. Segundo Guedes (1994) as culturas são

teias de significados e é no interior de uma série de estruturas superpostas de significados que

as diferenças sexuais, etárias, de cor, e muitas outras são tomadas ou não como importantes,

são selecionadas e tematizadas, compondo com outras categorias de pensamento sistemas

específicos de significados articulados.Nesse sentido, as culturas são “ordens de significados

de pessoas e coisas” constituindo-se num quadro de referência fundamental que orienta a

visão de mundo e a atuação das pessoas.


16

Por isso ao falarmos das diferentes concepções acerca do envelhecimento não podemos

ignorar o aspecto cultural, visto que a forma como que cada sociedade encara a velhice

influenciará de forma marcante no conceito e no papel social do idoso.

É importante ressaltar como coloca Guedes (1994), que não se trata de negar o processo

biológico de envelhecimento progressivo de cada ser, mas de chamar atenção para o fato de

que o processo de envelhecimento, sem dúvida universal, pode ser vivido de muitas e

diferentes maneiras.

Na atual sociedade ocidental capitalista, os idosos, são por vezes, marginalizados e

vitimas de preconceito. Isso se dá principalmente em virtude de dois aspectos: o culto ao

corpo e uma ordem econômica mundial cada vez mais centrada na produtividade (DANTAS

& OLIVEIRA,2003; NETTO,2000). O culto ao corpo e sua intima relação com o preconceito

aos idosos vem de longa data. Segundo Santos (2001) no ocidente, o primeiro texto referindo-

se a velhice encontra-se no Egito e data de 2.500 a .C.:

“Quão penoso é o fim do ancião! Vai dia-dia enfraquecendo: visão baixa, seus ouvidos tornam-se
surdos, o nariz se obstrui e nada mais pode cheirar, a boca se torna silenciosa e já não fala. Suas
faculdades intelectuais se reduzem e torna-se impossível recordar o que foi ontem. Doem-lhe todos
os ossos. A ocupação a que outrora se entrega com prazer, só a realiza agora com dificuldade e
desaparece o sentido do gosto. A velhice é a pior desgraça que pode acontecer a um homem.”

Porém, atualmente é muito mais evidenciado pelos meios de comunicação de massa que

segundo Dantas & Oliveira (2003) privilegiam o sensionalismo e o glamour; que não

condizem com atitudes e expectativas dos idosos. O “enfraquecimento físico” contraria os

padrões eregidos pelos meios de comunicação e pela própria sociedade. O que muitas vezes

acarreta em baixa auto-estima para o idoso e contribui para o aumento da discriminação e do

preconceito.

Quanto ao aspecto socioeconômico, segundo Netto (2000) principalmente após a

revolução industrial e a implementação de uma ordem mundial cada vez mais centrada na

produtividade; aqueles que não tem um bom vigor físico e capacidade produtiva são
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marginalizados do sistema e da sociedade. Nesse sentido o idoso acaba sendo excluído do

processo produtivo.

Nesse contexto é importante ressaltar a questão da aposentadoria; que segundo Morangas

(1997) é uma ruptura com os meios econômicos da sociedade, mas também com os sociais, na

medida em que o trabalho origina status. No caso do aposentado brasileiro além do status

social, ele perde também em poder econômico visto que em muitos casos ao se aposentar o

nível de vida de indivíduos da classe media cai em virtude do precário sistema previdenciário

em nosso país.

E ainda no caso dos mais pobres a aposentadoria muitas vezes é a única renda familiar,

reflexo também do desemprego entre os jovens; que também influencia na qualidade de vida

do idoso tendo em vista que ao usar o dinheiro da aposentadoria para ajudar a sustentar filhos

e netos; esse idoso investe menos em saúde e qualidade de vida para si; passando a depender

muito mais dos serviços oferecidos pelo governo, que carente em políticas públicas eficientes

e de grande alcance para essa população; não conseguem ofertar atendimento de saúde de

qualidade, que leve em consideração as especificidades e necessidades desses indivíduos.

Porém essa dificuldade na assistência a população idosa, não é exclusividade do Brasil,

muito pelo contrário é um problema concreto ate mesmo para nações desenvolvidas, pois

representam um gasto exorbitante com saúde pública. Mas em países em desenvolvimento, o

impacto do aumento da população idosa é ainda mais dramático porque esse aumento se deu

de forma muito mais rápida e sem os devidos avanços na área social para esse segmento

populacional.

Loewy (2004) afirma que os avanços na medicina e na saúde pública aumentaram de

forma significante a expectativa de vida na América Latina, porém a região parece não estar

pronta para os desafios desse crescimento. Diz ainda que o crescimento da população não é
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algo ruim, o problema é que as sociedades não estão se dando conta do tamanho do

fenômeno.

Para Loewy (2004) evitar a morte prematura e promover maior longevidade são

realizações da saúde pública. Porém condenamos as pessoas idosas a sofrer desta realização

porque nós não lhes damos os recursos ou o cuidado que necessitam para viver com dignidade

esses últimos anos de suas vidas.

Contudo cada vez mais idosos, principalmente os de um nível socioeconômico mais

privilegiado, estão buscando viver essa fase de suas vidas de uma forma mais agradável,

saudável e produtiva. Participando de agremiações, viajando, praticando exercício físico

regular, aprendendo coisas novas, muitas vezes descobrindo e investindo em seus novos

talentos. Ou seja, encarando a velhice como mais uma etapa da experiência humana que pode

e deve ser positiva para o desenvolvimento individual e social apesar de algumas limitações

físicas que são próprias do processo de envelhecimento normal do ser humano.

Mas infelizmente ainda são poucos os idosos que tem direito a uma vida digna na terceira

idade. E para que esse panorama se modifique são necessários maiores investimentos em

políticas públicas para essa população.Investimentos esses principalmente em saúde e

qualidade de vida; que inclui profissionais e educadores preparados para trabalhar com esse

público, preparados no sentido técnico e humano vendo a população idosa a partir de um novo

prisma, rompendo preconceitos e estabelecendo novos paradigmas.

1.2. Atuais Conceitos Sobre Envelhecimento

Não é uma tarefa fácil conceituar “envelhecimento” em virtude da complexidade do

processo que demanda uma abordagem multidisciplinar.


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Segundo Guimarães et al (2004) o envelhecimento é um processo dinâmico e

progressivo, o qual há alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, com redução na

capacidade de adaptação homeostática as situações de sobrecarga funcional, alterando

progressivamente o organismo e tornando-o mais suscetível as agressões intrínsecas e

extrínsecas.

Para Veras (1996) a velhice é um termo impreciso e sua realidade é difícil de perceber.

Nada flutua mais do que os limites da velhice em termos de complexidade fisiológica,

psicológica e social. Nem todas as pessoas chegam à velhice no mesmo estado físico e mental,

umas são mais vigorosas, mais autônomas e desenvolvidas que outras, que não conseguem

conservar o mesmo dinamismo.

Em virtude da imprecisão e complexidade do termo faz-se necessário tomarmos

conhecimento de outros conceitos. Para Motta (2005) é necessário problematizar o que

chamamos de pessoa idosa ou velha, distinguido, inicialmente, idade cronológica e idade

biológica. Motta (2005) considera a idade cronológica como o tempo transcorrido a partir de

um momento específico: a data de nascimento do indivíduo. Netto (2000) afirma que o limite

entre o indivíduo adulto e o idoso é de 65 anos para as nações desenvolvidas e 60 para os

países em desenvolvimento. Porém sob alguns aspectos, principalmente legais, o limite é de

65 anos também em nosso país. Motta (2005) diz ainda que esta medida apesar de simples,

tem sentido apenas legal ou social, pois os eventos biológicos ocorrem no tempo, mas não

necessariamente devido à sua passagem, pois acontecem em momentos e ritmos diferentes em

cada indivíduo.

Quanto à idade biológica é difícil de ser mensurada de forma acurada (MOTTA, 2005;

NETTO, 2000). Para Motta (2005) é provável que as mudanças biológicas relacionadas ao

envelhecimento comecem em diferentes partes do corpo em momentos diferentes, e que o

ritmo de mudanças varie entre células, tecidos e órgãos, bem como de pessoas para pessoa. E
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acrescenta ainda que ao contrário do envelhecimento cronológico, o envelhecimento biológico

implica em difícil medição das mudanças associadas à idade.

Para Netto (2000), a dificuldade em definir a idade biológica tem como uma das causas

às visões contraditórias sobre o início do processo de envelhecimento, alguns consideram que

começa logo após a concepção, outros no final da terceira década de vida, tendo quem julgue

que o início se dá no final da existência do indivíduo. Esse aspecto associado à inexistência de

marcadores biofisiológicos eficazes e confiáveis do processo de envelhecimento, justifica a

dificuldade de definir a idade biológica.

Netto (2000), afirma que outro aspecto que precisa ser ressaltado é que, embora as

manifestações da velhice sejam bem claras, não se pode afirmar se elas são exclusivamente

dependentes do envelhecimento (senescência) ou se são resultados de outros fatores, que em

conjunto, tornam difícil a mensuração da idade biológica. Assim pode-se considerar que sexo,

classe social, saúde, educação, fatores da personalidade, história passada e contexto

socioeconômico são elementos importantes que mesclados com a idade cronológica irão

determinar diferenças entre idosos de 60 a 100 anos.

Netto (2000) menciona ainda outros três tipos de idade: idade funcional, idade

psicológica e idade social.

A Idade Funcional seria correspondente ao grau de conservação do nível de capacidade

adaptativa em comparação com a idade cronológica. Papalia & Olds (2000) concordam com

Netto (2000) quando afirmam que se entende por idade funcional o quão bem uma pessoa

funciona num ambiente físico e social em comparação com os outros da mesma idade

cronológica. Porém para Veras (1996), em decorrência das precárias condições de vida nos

países em desenvolvimento, o envelhecimento funcional precede o cronológico,

principalmente nas populações mais carentes.


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A Idade Psicológica refere-se à relação que existe entre a idade cronológica e as

capacidades, tais como percepção, aprendizagem e memória, as quais prenunciam o potencial

de funcionamento futuro do indivíduo. Ao mesmo tempo, a idade psicológica tem sido

relacionada também com o senso de subjetivo de idade, isto é, com cada pessoa avalia a

presença de marcadores biológicos, sociais e psicológicos do envelhecimento, comparando-se

com outros indivíduos de sua mesma idade.

A Idade Social tem relação com a avaliação da capacidade de adequação de um indivíduo

ao desempenho de papéis e comportamentos de sua idade, num determinado momento da

história de cada sociedade. Dessa forma, as experiências de envelhecimento e velhice podem

variar no tempo histórico de uma sociedade, dependendo de circunstâncias econômicas.

Motta (2005) comenta ainda que a idade funcional é o reflexo mais fiel da integridade do

indivíduo durante o processo de envelhecimento. Este conceito é utilizado na geriatria como

capacidade funcional , isto é, a capacidade de manter habilidades físicas e mentais necessárias

para uma vida independente e autônoma.

Ainda segundo Motta (2005) quando, na avaliação de um indivíduo idoso, utilizam-se

escalas que medem a capacidade de adaptação e interação com o meio, mais do que a idade

cronológica (ou o somatório de morbidades), objetiva-se definir a necessidade de cuidado

visando à identificação de problemas e a programação de sua terapêutica no sentido da

prevenção, reabilitação e acompanhamento. Nesse sentido a capacidade funcional é um

conceito fundamental para a fisioterapia.

1.2.1. Tipos de Envelhecimento

Segundo Papalia & Olds (2000), um fator importante no aspecto econômico de uma
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população em envelhecimento é a sua proporção que é saudável e fisicamente capaz. Nesse

aspecto a tendência é encorajadora. Muitos problemas que costumavam ser considerados parte

da idade avançada são atualmente atribuídos não ao envelhecimento propriamente dito, mas a

fatores de estilo de vida ou a doenças que podem acompanhar ou não o envelhecimento.

Neste sentido Papalia & Olds (2000) bem como outros autores, classificam o

envelhecimento em primário e secundário. Sendo o envelhecimento primário um processo

gradual e inevitável de deteriorização corporal que começa mais cedo na vida e continua com

o passar dos anos. Para Motta (2005) nesse tipo de envelhecimento também denominado de

“normal” não há declínio da capacidade funcional. O envelhecimento secundário consistiria

dos resultados de doenças, abusos ou desuso – fatores que muitas vezes são evitáveis e dentro

do controle das pessoas. Motta (2005) cita ainda o envelhecimento terciário, que é

caracterizado por um grande acúmulo de perdas em um pequeno curso de tempo.

Motta (2005) nos traz ainda outros conceitos do campo da geriatria como envelhecimento

bem sucedido e envelhecimento produtivo.

O envelhecimento bem-sucedido pode ter três conotações: 1) a idéia de realização do seu

potencial na busca do bem-estar físico, social e psicológico, dado como adequado para sua

faixa etária; 2) a idéia de funcionamento semelhante às populações mais jovens e 3) á idéia da

manutenção da competência em domínio pré-estabelecido por compensação ou otimização.

O envelhecimento produtivo está ligado a idéia de envelhecimento bem-sucedido, se

contrapõe à idéia de velhice como inatividade, afastamento e improdutividade. Incorpora

questões como trabalho remunerado, ou não, atividades de lazer; contribuição para a

economia pela criação de áreas de consumo; contribuições para a melhoria da saúde,

capacidade funcional e satisfação.


23

1.2.2 Longevidade e Envelhecimento

Segundo Papalia & Olds (2000), a expectativa de vida é a idade estatisticamente provável

até a qual a pessoa nascida em certa época e lugar irá viver considerando se sua idade e estado

de saúde atual, e longevidade diz respeito ao tempo que uma pessoa realmente vive. A

expectativa de vida se baseia na longevidade mediana dos membros de uma população.

1.3. Aspectos Anatomofisiológicos do Envelhecimento

Com relação aos aspectos morfofisiológicos tomaremos como referência os autores

Netto, Carvalho Filho & Salles (2006).

Para eles o envelhecimento é a fase final de um continuum que é a vida. Sendo o período

que sucede a fase da maturidade e que é caracterizado por um declínio das funções orgânicas

que acabam por aumentar a susceptibilidade à eclosão de doenças, o que culmina na morte do

indivíduo. Em virtude da falta de marcadores biofisiológicos confiáveis não se sabe ao certo

quando “termina” a maturidade e “inicia-se” a senescência. Porém sabe-se que a diminuição

da capacidade funcional é linear em função do tempo e que essa redução da capacidade

funcional se expressa por dificuldade do organismo em adaptar-se às condições de sobrecarga

funcional, especialmente aquelas que envolvem situações de estresse.

Apesar da controvérsia em relação ao momento de início do processo de envelhecimento,

a maioria dos autores admite que ele tem início relativamente precoce, aproximadamente ao

final da segunda década de vida, perdurando por mais uma década pouco perceptível, quando

então surgem as primeiras alterações funcionais e/ou estruturais próprias do envelhecimento.


24

Estas alterações em seu início são discretas, aumentando progressivamente. Quando se

considera o conjunto dos sistemas orgânicos pode-se aceitar como regra geral que ocorra, em

média, a partir dos 30 anos de idade, perda de 1% da função por ano.

Um outro fato que merece ser destacado é que o ritmo de declínio da função não se

modifica com o avançar da idade. Assim, em condições normais, o ritmo de perda de uma

determinada função aos 80 anos ou mais anos de idade é idêntico ao que ocorre aos 40 anos,

ou seja, o fenômeno do envelhecimento se processa de forma semelhante nas diversas fases de

sua evolução; porém o efeito cumulativo do conjunto dessas alterações não se faz de maneira

linear. Paralelamente ao declínio funcional, porém não com a mesma intensidade e ritmo,

ocorrem alterações teciduais, celulares e enzimáticas.

Pode-se afirmar que essas alterações funcionais são comuns a todas as pessoas, não são

induzidos por doenças e ocorrem simplesmente em conseqüência do avançar do tempo. Essas

modificações, portanto, são decorrentes do envelhecimento natural ou primário. Porém é

importante ressaltar que, é grande a variabilidade de comportamento do declínio das funções

de um órgão para outro, como também de idosos na mesma idade. Nesse sentido pode-se

aplicar os conceitos de envelhecimento normal e bem sucedido, dentre outros.

Sabendo da importância das alterações anatomofisiológicas, decorrentes do

envelhecimento, para a o desempenho psicomotor do indivíduo; buscaremos explanar as

principais alterações que ocorrem nos músculos, tendões, ligamentos, articulações, sistema

nervoso e alterações na postura e marcha.

1.3.1. Alterações Celulares

Segundo Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) as células envelhecem com velocidades
25

diferentes de acordo com o órgão a que pertencem. As alterações determinadas pelo

envelhecimento são passíveis de reparação em alguns tipos de células, porém em células do

fígado e rins (células diferenciadas) ou neurônio e fibras miocárdicas (células que não se

dividem) as alterações são definitivas e irreversíveis.

O achado mais característico do processo de envelhecimento consiste no acúmulo de uma

substância em forma de grânulos, denominada lipofuscínico ou pigmento da idade. Sua

composição química é heterogênea, mas sabe-se que contém 25% de lípedes; sua origem é

discutível; alguns acham tratar-se de restos de organelas citoplasmáticas ou resíduos do

metabolismo celular. Outros ainda relacionam o aparecimento dessa substância a ação de

radicais livres. (HAYFLICK, 1997; NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

As células que acumulam mais comumente esses pigmentos da idade são as células

nervosas - freqüentemente as cerebrais- e as células do músculo cardíaco; sendo essas células

vitais, a interferência em suas atividades poderia ter conseqüências significativas. Contudo,

não se comprovou que o lipofuscinico comprometa a função celular, porém tem sido cogitada

a hipótese de que sua origem seja mitocondrial, assim, o pigmento poderia ser um indicador

de alteração dessa estrutura, com repercussão na capacidade de produção de energia.

(HAYFLICK, 1997; NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

Outras alterações celulares relacionadas ao envelhecimento são: modificação de tamanho,

forma e quantidade das mitocôndrias; retículo endoplasmático modificado; ruptura de

lisossomas, alterações na membrana celular, provavelmente em decorrência da ação de

radicais livres e outros componentes tóxicos;acúmulo de água intracelular (a redução do

conteúdo aquoso intracelular global seria por diminuição do número de células no

organismo); decréscimo da capacidade da célula em reter potássio em seu interior e manter o

sódio em seu exterior; acúmulo de gordura em forma de grânulos visíveis. (NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)


26

1.3.2. Alterações Teciduais

Segundo Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) em todos os tecido do organismo

observam-se alterações durante o envelhecimento. Elas variam em intensidade, dependendo

do indivíduo e do tecido considerado. O melhor exemplo dessas alterações encontra-se no

tecido conjuntivo, que além de ter sido o mais estudado, está distribuído por todos os setores

do organismo. Ele é formado por um componente celular (fibroblastos) e matriz celular

constituída por substância fundamental além de proteínas fibrosas, que compreendem dos

sistemas de fibras colágenas e elásticas.

Com relação ao colágeno, é a proteína mais encontrada no organismo e corresponde a

aproximadamente um terço das proteínas orgânicas; ele se dispõe em forma de fibrilas e de

fibras que se entrelaçam, formando uma estrutura rígida e quase inextensível. Com o

envelhecimento, mais colágeno é formado, assim surgem ligações cruzadas na molécula e há

maior resistência à ação da colagenase. Em conseqüência, aumenta a rigidez dos tecidos e há

maior dificuldade de difusão dos nutrientes dos capilares para as células e dos metabólitos

para os capilares, o que ocasiona deterioração progressiva da função celular. (NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

Já as fibras elásticas, são responsáveis pela elasticidade do tecido conjuntivo. Elas se

distribuem mais seletivamente que o colágeno, encontrando-se em maior quantidade nos

tecidos e órgãos que sofrem maior ação de tração e extensão, como pele, parede arterial e

pulmão. (NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

Com o envelhecimento ocorrem alterações mais evidentes nas fibras elásticas maduras,

observando-se aumento na quantidade de fibras e alteração na sua composição de


27

aminoácidos; fragmentação e irregularidades de forma; além de depósito de cálcio. Tais

alterações determinam mudanças nas características funcionais das mesmas, ocasionando

redução da elasticidade dos tecidos que as contêm. Em estudos morfológicos observou-se

alteração das fibras elásticas em aorta humana, pulmão e miocárdio ventricular,

comprometendo desta forma a função do sistema cardiovascular e pulmonar. (NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

Assim, as alterações do tecido conjuntivo; que dizem respeito principalmente ao aumento

do colágeno e perda gradual de sua propriedade elástica, comprometem também o sistema

músculo-esquelético. Pois haverá maior rigidez muscular, que juntamente com outras

alterações que ocorrem nesse sistema, poderão comprometer as funções motoras do indivíduo

idoso, visto que poderá existir perda da amplitude de movimento e flexibilidade decorrentes

de alterações nas propriedades do tecido conjuntivo. (DANTAS & OLIVEIRA, 2003;

NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; SILVA et al, 2003)

1.3.3. Altura, Peso e Composição Corporal

A altura atinge seu pico máximo em torno dos 40 anos, diminuindo um centímetro por

década até os anos 70 anos, quando, então, a redução é provavelmente maior. A diminuição é

devida às alterações osteoarticulares da coluna, caracterizadas por achatamento das vértebras;

redução dos discos intervertebrais e cifose dorsal; é também decorrente do arqueamento dos

membros inferiores e o achatamento do arco plantar. (VALE et al, 2003; NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

Em relação ao peso, observa-se que com o envelhecimento há uma discreta redução a

partir dos 60 ou 70 anos de idade; isso em decorrência da diminuição da massa celular. Porém
28

com ocorre um aumento da quantidade de gordura pode haver manutenção ou mesmo

elevação ponderal. (NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006)

No que diz respeito a composição corporal, ocorre alteração em todos os principais

componentes do organismo. Há redução da quantidade de água (representando

aproximadamente 52% da composição corpórea da pessoa idosa), da massa celular e do

conteúdo mineral ósseo (passando de 6% no adulto jovem para 5%no idoso); enquanto se

eleva a quantidade de tecido gorduroso – com o passar dos anos o tecido adiposo aumenta de

18% a 36% nas pessoas do sexo masculino e de 33% a 48% nas do sexo feminino. Esse tecido

adiposo tem uma distribuição centrípeta, situando-se no tecido subcutâneo do tronco, nos

epíplons ao redor das vísceras (como coração e rins) e dentro de órgãos, onde podem

substituir porções do parênquima. (VALE et al, 2003; NETTO, CARVALHO FILHO &

SALLES, 2006)

Para Robergs & Roberts (2002), as alterações da composição corporal com a idade

podem ser dramáticas, podendo o idoso, por volta dos 75 anos, ter uma composição típica de

8% de osso, 15% de músculo e 40% de tecido adiposo, comprometendo significantemente a

autonomia funcional e qualidade de vida. Uma atividade física reduzida na senescência

contribui para uma perda de massa muscular e acúmulo de massa gorda, sendo o maior fator

de risco para o desenvolvimento de muitas doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento.

(VALE et al, 2003)

1.3.4. Sistema Muscular

Segundo Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) a massa muscular diminui cerca de 30%

a 40 % em pessoas com 80 anos de idade, quando comparadas com as de 30 anos. A perda


29

muscular é progressiva, porem não apresenta um comportamento linear em função do tempo.

Segundo Tortora & Grabowski (2002) esse tecido perdido é, em grande parte, substituído por

tecido conjuntivo fibroso e tecido adiposo, Foss & Keteyian (2000) relata ainda a diminuição

da capilarização do tecido muscular. Souza (2006) afirma ainda que a perda de células

musculares com a idade depende de uma série de fatores, inclusive do grau de atividade física

que o indivíduo desenvolve, de sua nutrição e do aspecto hereditário.

Com relação ao tipo de fibra muscular mais afetada no idoso, o tipo II (brancas, fásicas,

de contração rápida) parece ter seu tamanho reduzido com a idade, enquanto que o tamanho

da fibra de tipo I (vermelhas, tônicas, de contração lenta) permanece bem menos

alterado.Porém a perda em número parece ser maior por parte das fibras do tipo I. (NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; SOUZA, 2006; FOSS & KETEYIAN, 2000)

Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) mencionam que todas essas alterações na fibra

muscular, são acompanhadas de modificações da inervação, podendo-se verificar fibras

totalmente desnervadas e atrofiadas. Souza (2006) relata que estudos realizados utilizando

microscópios eletrônicos revelam que o sistema de tubos T e o retículo sarcoplasmático

proliferam, talvez como um mecanismo compensatório, para assegurar a transmissão do

impulso nervoso nas células.

Segundo Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) o tamanho das unidades motoras,

representadas pelo número de fibras musculares inervadas por um mesmo motoneurônio,

aumenta no idoso, o que faz pensar que o número de motoneurônios encontra-se diminuído e

os remanescentes passariam a inervar fibras anteriormente inervadas pelos motoneurônios que

desapareceram. Com relação as placas motoras Souza (2006) afirma que a fenda sináptica fica

mais ampla, diminuindo a área de contato entre axônio terminal e a placa motora da célula, ao

mesmo tempo ocorre também diminuição na quantidade de acetilcolina liberada nas sinapses.
30

Ainda com relação a força muscular Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) afirmam que

em conseqüência da redução da massa há diminuição da força muscular, porém esta é

proporcionalmente menor que a outra. A diminuição da força muscular é de cerca de 40% nos

membros inferiores e 30% nos membros superiores, quando se comparou pessoas de com 80

anos com as que possuíam 30 anos. Já Mendonça (2006) também menciona a diminuição da

força muscular e diz que a fraqueza muscular é mais evidente na cintura pélvica.

Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) dizem ainda que o declínio da força muscular, que

começa a ocorrer entre 30 e 40 anos de idade, evolui muito lentamente até os 60 anos de

idade, quando então acentua-se muito rapidamente em decorrência da perda mais intensa de

fibras musculares, particularmente em idosos do sexo masculino. Apesar de tais modificações

estruturais e funcionais, o metabolismo energético celular pouco se altera. Outra alteração que

se observa em idosos é a deficiência de hormônios andrógenos e do crescimento, que pode

contribuir para a alteração da função muscular, sendo o diafragma o músculo mais resistente a

tais alterações.

Mendonça (2006) afirma que a prática de exercícios adequados à idade propicia melhora

da força muscular sem correspondente aumento da massa muscular. Porém, Foss & Keteyian

dizem que o treinamento com exercícios reverte modificações como: atrofia muscular, força e

capilarização. Relatam que constatou-se que o treinamento de resistência acelera a síntese de

proteínas musculares entre pessoas de 63 a 66 anos.

1.3.5. Tendões, Ligamentos e Cartilagens Articulares

Todos os tipos de articulações sofrem alterações com o envelhecimento. Com o

envelhecimento há redução do conteúdo de água de tendões e ligamentos (estes encurtam-se


31

perdendo flexibilidade), o que acarreta em aumento da rigidez dessas estruturas. Alterações

significativas ocorrem também nas cartilagens articulares; a função da cartilagem é diminuir o

atrito entre as superfícies ósseas, com o envelhecimento ocorrem alterações especialmente nas

camadas mais superficiais da cartilagem articular; o número de células, a água e as

proteoglicanas diminuem, enquanto as fibras colágenas aumentam em número e espessura.

(SOUZA, 2006; NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; TORTORA &

GRABOWSKI, 2002)

Como conseqüência, a cartilagem fica mais delgada e surgem rachaduras e fendas na

superfície, sendo que estas alterações aumentam em freqüência com a idade. Assim a

cartilagem vai sofrendo processo degenerativo, levando a perda gradativa de suas

propriedades elásticas e da capacidade de resistir a deformações.Porém não são apenas as

articulações sinoviais que sofrem alterações com o envelhecimento. Com relação aos discos

intervertebrais por exemplo, o núcleo pulposo perde água e proteoglicanas e apresenta

aumento das fibras colágenas em número e espessura. Já no anel fibroso, há perda de células,

acúmulo de cálcio e as fibras colágenas tornam-se mais delgadas. Esse conjunto de alterações

acarreta em acentuação das curvas da coluna, especialmente a torácica; contribuindo para a

cifose torácica, comumente observada entre os idosos. (SOUZA, 2006)

Porém, o efeito do envelhecimento nas articulações é influenciado por fatores genéticos e

pelo uso e desgaste durante a vida. E embora os processos degenerativos das articulações

possam ser observados em pessoas de 20 anos, freqüentemente só ocorrem com idade mais

avançada.(SOUZA,2006; TORTORA & GRABOWSKI, 2002)


32

1.3.6. Ossos

O tecido ósseo pode ser classificado em dois tipos principais: o compacto ou cortical e o

esponjoso ou trabecular. O osso cortical faz parte de ¾ da massa esquelética total, porém de

somente 1/3 da superfície total, localiza-se principalmente na diáfise dos ossos longos e

vértebras. Já o osso trabecular corresponde a ¼ da massa total esquelética e aproximadamente

2/3 da superfície total; estando concentrado principalmente nas epífises ósseas. (SOUZA,

2006; BORELLI, 2006)

Para Borelli (2006) a evolução da massa óssea durante a vida pode ser dividida em três

períodos. No primeiro que vai desde a concepção até a puberdade, ocorre um aumento

progressivo do volume ósseo, que se encerra com fechamento das epífises. Segundo Tortora

& Grabowski, (2002) nesse período ocorre o remodelamento ósseo,onde o organismo produz

mais tecido ósseo do que perde. Durante o segundo período,que vai desde a puberdade até o

momento em que se atinge o pico de massa óssea, entre os 30 e 40 anos de idade, ocorre

aumento progressivo e consolidação da massa óssea, porém Tortora & Grabowski (2002)

afirmam que durante esse período a deposição e a reabsorção do osso são aproximadamente

equivalentes. O pico de massa é de 20% a 30% maior nos homens do que nas mulheres e

ainda 10% maior nos negros. (NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; BORELLI,

2006)

Alguns anos após a fase de formação óssea máxima; começa o terceiro período, onde

ocorre perda progressiva de massa óssea, que é de aproximadamente 0,3% ao ano em homens

e de 1% ao ano em mulheres, tanto na massa compacta como na trabecular (NETTO,

CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; BORELLI, 2006). Essa diminuição ocorre porque a

reabsorção do osso supera a deposição, um dos motivos é a diminuição de esteróides na meia-


33

idade, especialmente na mulher após a menopausa. Como a mulher geralmente possui menos

massa óssea que o homem, a perda de massa óssea no idoso, tem tipicamente efeito mais

adverso na mulher. (TORTORA & GRABOWSKI, 2002)

A perda da massa óssea com a idade é também devida a outros fatores, um dos mais

importantes talvez seja a diminuição em número e atividade dos osteócitos, que controlam

todo o metabolismo da matriz extracelular. Com isso, o metabolismo do cálcio se desequilibra

e há perda de cálcio na matriz. E as moléculas de cálcio estão aderidas às fibras colágenas da

matriz óssea. Como a destruição de colágeno no idoso é mais lenta do que a formação de

novas fibras, a quantidade de sais inorgânicos no osso passa a ser maior do que a quantidade

de colágeno, embora haja perda real de cálcio. Isto torna o osso mais quebradiço. (SOUZA,

2006, NETTO, CARVALHO FILHO & SALLES, 2006; BORELLI, 2006)

1.3.7. Alterações das Funções do Sistema Nervoso

Segundo Netto, Carvalho Filho e Salles (2006) o peso do cérebro diminui

significativamente com o envelhecimento, apresentando em média redução de 5% aos 70 anos

e cerca de 20% aos 90 anos de idade. A quantidade de neurônios que é de aproximadamente

10 bilhões, sofre diminuição de 50 mil a 100 mil por dia, sendo esta perda maior no córtex do

que no hipotálamo, ponte e medula; esta perda neural, entretanto, não é uniforme. Souza

(2006) acrescenta que essa diminuição ocorre especialmente no córtex dos giros pré-centrais;

que é a área motora voluntária, giros temporais e também no córtex do cerebelo.

Para Netto, Carvalho Filho e Salles (2006) embora a diminuição de neurônios possa

exercer papel importante no declínio da memória e das funções cognitivas, é provável que

esta não seja o único fator responsável, desde que os neurônios, as células neuroglias e o
34

tecido conectivo (representado pelas células endoteliais, mesenquimais e fibroblastos) através

de suas intercomunicações, possam agir como uma unidade funcional.Com relação às células

gliais, Souza (2006) afirma que há discordância na literatura: alguns trabalhos mostram

aumento destas células com o envelhecimento enquanto outros mostram diminuição.

Segundo Souza (2006) no giro do hipocampo que é uma área associada com a memória

para fatos recentes, encontram-se no idoso as denominadas placas neuríticas e os

emaranhados neurofibrialares. Estes são massas de neurofibrilas no interior do citoplasma

neural, enquanto as placas neuríticas são massas de proteína amilóide situadas entre os

neurônios. O significado funcional destes elementos não é conhecido. Em alguns idosos o

número desses elementos parece não alterar as funções celulares. No paciente com Alzheimer,

porém, o número de placas e emaranhados é grande. O mesmo ocorre em pacientes com

doença de Parkinson.

Souza (2006) relata que na medula espinhal, não há perda de neurônios antes dos 60 anos.

Após esta idade, começa a ocorrer morte celular. A maneira como a perda de células nervosas

afeta a função do sistema nervoso varia entre pessoas e depende de vários fatores, entre os

quais da região em que ela é mais intensa. Netto, Carvalho Filho & Salles (2006) afirmam que

o metabolismo e o fluxo sanguíneo cerebral, que têm sido admitidos como excelentes

marcadores do envelhecimento, mostram-se diminuídos.

O conjunto dessas modificações, situadas ao nível das sinapses e necessariamente

associadas com alterações da neurotransmissão, representam funcionalmente um dos

distúrbios mais críticos relacionados ao envelhecimento e podem ser responsáveis por

alterações neurológicas observadas em pessoas idosas. (NETTO, CARVALHO FILHO &

SALLES, 2006)
35

1.3.7.1. Aspectos Neurológicos Somáticos

Com relação aos reflexos profundos Mendonça (2006) afirma estes estão diminuídos ou

abolidos; o reflexo cutâneo plantar é normal ou abolido. As alterações sensitivas observadas

nesta faixa etária são hipoestesia superficial distal e alterações da sensibilidade profunda. A

artrestesia é preservada; a eletroneuromiografia pode detectar a diminuição das velocidades de

condução nervosa motora e sensitiva.

Mendonça (2006) diz que no sistema nervoso periférico há tendência à diminuição do

número e tamanho de neurônios e axônios e degeneração da mielina. A tendência à

hipotensão ortostática e a redução das respostas sudomotoras refletem o acometimento do

sistema nervoso autônomo. A marcha pode estar lentificada, com os passos mais curtos e

diminuição dos movimentos associados. O equilíbrio é instável e os reflexos posturais estão

diminuídos.

Visão, paladar e olfação estão diminuídas. A limitação da convergência ocular e da

acomodação visual prejudicam a visão para curta distância; outras alterações da visão que

possuem importância para a movimentação são: a diminuição da discriminação espacial,a

limitação do olhar para cima e a redução da capacidade de seguir objetos. Já as alterações

relacionadas à audição manifestam-se mais tardiamente que as alterações da visão.

(MENDONÇA, 2006; VANDERVOOT, 2000)

Parece que a deterioração funcional afeta tanto o aparelho auditivo como as respectivas

vias nervosas, hipoacusia é uma manifestação característica. Além disso ocorrem também

modificações morfológicas nos órgãos vestibulares, contribuindo para diminuir a capacidade

de orientar-se no espaço e favorecendo o aparecimento de vertigem. O aparelho olfativo e os

receptores gustativos também são afetados; o comprometimento desses órgãos dos sentidos
36

pode resultar em diminuição do apetite e em nutrição inadequada. A discriminação vocal

também pode estar prejudicada por diminuição de células em lobo temporal. (MENDONÇA,

2006; VANDERVOOT, 2000)

Mendonça (2006) afirma que quedas freqüentes são comuns no idoso e ocorrem pelo

conjunto dos dados expostos. As alterações da sensibilidade profunda (receptores musculares,

tendíneos e osteoarticulares que informam a posição dos segmentos), vestibulares, dos

reflexos posturais, agravados pela deficiência visual, rigidez ligamentar, fraqueza muscular e

postura fletida, tornam seu equilíbrio bastante instável.

Nesse processo é fundamental ressaltar a importância dos receptores musculares,

tendíneos e osteoarticulares como : fuso muscular, órgão tendinosos de golgi ,corpúsculos de

pacini e órgãos terminais de Ruffini dentre outros. Visto que segundo Foss & Keteyian (2000)

a função dos proprioceptores é aquela de conduzir informações sensoriais para o sistema

nervoso central a partir de músculos, tendões, ligamentos e articulações.

Assim Foss & Keteyian (2000) afirma que esses órgãos estão relacionados com a

cinestesia que em geral nos diz inconscientemente onde as partes de nosso corpo estão em

relação ao meio ambiente. Suas contribuições nos permitem executar um movimento

uniforme e coordenado, quer se trate de golpear uma bola de golfe, de realizar uma corrida em

casa, ou simplesmente de subir um lance de escada desconhecida sem tropeçar. Eles ajudam

também a manter a postura corporal e tônus muscular normais. Dessa forma podemos

perceber o quanto as alterações desses proprioceptores em conjunto com outros fatores já

citados influenciam de forma marcante no equilíbrio do idoso.


37

1.3.7.2. Aspectos Cognitivos

Para Vandervoort (2000) a cognição abrange várias componentes; como memória,

comunicação, a linguagem falada e escrita, as habilidades motoras, a aprendizagem, a

capacidade para resolver problemas e o raciocínio. Mendonça (2006) afirma que as alterações

cognitivas que são freqüentemente encontradas no idoso e consideradas normais para a faixa

etária se relacionam à atenção, tempo de reação, processamento cognitivo, memória e

habilidades visual-espaciais. Idosos normais apresentam dificuldade em manter a atenção

voluntária e dirigida. Esta dificuldade é particularmente observada quando há necessidade de

divisão da atenção entre duas fontes de informação. O declínio da habilidade atencional pode

interferir e prejudicar outras funções cognitivas dos indivíduos idosos. Doenças vasculares e

afecções sistêmicas também podem produzir déficits cognitivos por interferirem na

circulação, oxigenação e metabolismo cerebrais. (MENDONÇA, 2006; PAPALIA & OLDS,

2000)

Para Mendonça (2006) a disfunção frontal é freqüentemente a primeira manifestação de

declínio cognitivo na senescência; isso poderia comprometer funções dependentes

basicamente dessa região, isso diz respeito à fluência verbal e as funções executivas que são:

habilidade de abstração; raciocínio lógico; formação de conceitos; identificação de objetos e

busca proposicional dos mesmos, com inibição de fatores estranhos irrelevantes; manipulação

da experiência e conhecimentos prévios; análise de alternativas e dedução de resultados.

Idosos normais também apresentam redução da atenção visual e da exploração visual do

ambiente. A percepção visual-espacial e as habilidades visual-construtivas (ex: desenhar,

montar um quebra-cabeça) são também diminuídas. Alguns autores afirmam que o hemisfério
38

direito (relacionado às capacidades visual-espaciais e visual-construtivas), envelhecem antes

que o esquerdo (dominante para as funções verbais).

Com relação aos déficits de memória relacionados ao envelhecimento, pode-se dizer que

existem vários tipos de memória e que apenas alguns de seus aspectos estão menos eficientes

nos idosos. Pode-se classificar a memória em dois grupos: curto prazo (que engloba: memória

primária e memória operacional ou de trabalho) e longo prazo (que incluem: memória

episódica, memória semântica e memória implícita ou procedimental). A memória de curto

prazo primária, em que se retém a informação por segundos, parece pouco diminuída no

idoso. Já a memória operacional, que é a capacidade de arquivar temporariamente um

conjunto de informações para o desempenho de uma atividade, está mais comprometida, isso

pode ter relação com a sua maior complexidade, visto que envolve não apenas o

armazenamento da informação mas também sua adequada manipulação. (VANDERVOORT,

2000; HAYFLYCK, 1997; MENDONÇA, 2006; PAPALIA & OLDS, 2000)

A memória episódica refere-se às recordações conscientes de eventos pelos quais o

indivíduo passou e sua localização no tempo;exemplos de informações armazenadas por esse

tipo de memória são: o tipo de comida do almoço, se trancou a porta da casa ao sair,

recordações ligadas a uma festa ou evento esportivo. É o componente da memória de longo

prazo que mais tende a se deteriorar com a idade. A capacidade em recordar informações

recém obtidas, em especial, parece diminuir. Já a memória semântica, que armazena fatos,

conceitos e conhecimentos; costuma manter-se íntegra durante a senescência. Ocorrendo o

mesmo com a memória implícita, que inclui habilidades motoras, hábitos e maneiras de fazer

coisas; e é implícita. (VANDERVOORT, 2000; HAYFLYCK, 1997; MENDONÇA, 2006;

PAPALIA & OLDS, 2000)

As dificuldades de memória do idoso devem ser interpretadas também à luz das inter-

relações das funções cognitivas. Déficit de atenção e lentificação geral do processo perceptivo
39

e integrativo vão interferir na memorização e evocação. O papel do lobo frontal no controle

atencional, em discernir o que é relevante no ambiente e no contexto, inibindo aspectos

desnecessários, e utilizar esses dados relacionando-os com a informação é primordial para o

processamento da memória. (MENDONÇA, 2006)

Segundo Papalia & Olds, apesar dessas alterações, as pessoas mais velhas podem e

efetivamente continuam a adquirir novas informações e habilidades e são capazes de lembrar

e usar bem aquelas que já conhecem. Parente & Taussik (2002), afirmam que a

neuropsicologia tem demonstrado que a crença de que o envelhecimento constitui um período

de declínio inevitável está sendo atualmente desafiada, considerando o aumento de sujeitos

que envelhecem não apenas de forma ativa e independente como também de forma criativa.

À medida que as pessoas envelhecem, um teste importante da competência cognitiva é a

capacidade de viver de modo independente, conforme medição das atividades instrumentais

da vida diária (IADLs): administrar as finanças, fazer compras necessárias,usar o telefone,

conseguir transporte, preparar refeições, tomar medicação e manter a casa. Dois aspectos

afetam de forma considerável a capacidade de cognição são a saúde e a base educacional. E

esse relacionamento pode ser recíproco. Não apenas a má saúde e a falta de instrução podem

limitar a cognição, como também as pessoas com maior capacidade cognitiva tendem a obter

melhor educação e cuidar de sua saúde. (PAPALIA & OLDS, 2000)

Nesse sentido a atividade mental continuada ajuda a manter o desempenho cognitivo em

nível elevado; quer essa atividade envolva leitura, conversação, palavras cruzadas, jogo de

cartas ou xadrez, ou voltar para a escola, como cada vez mais adultos estão fazendo.

Programas educacionais especificamente criados para adultos maduros estão florescendo em

muitas partes do mundo. Outro aspecto que vem sendo estudado é a influencia da atividade

física, nos processos cognitivos principalmente no que diz respeito à memória. (PAPALIA &

OLDS, 2000)
40

Rosat, Milano & Santos (1998) afirmam que como as memórias são susceptíveis a

influências hormonais e neuro-humorais; existem fenômenos que podem facilitar ou

prejudicar a memória. Nesse sentido constatou-se que perifericamente os hormônios liberados

em resposta ao estresse ocasionado pelo exercício físico, influenciam no processo de

consolidação da memória. Além disso demonstrou-se também que há um aumento gradual na

perfusão cerebral durante exercícios com carga leve e sem carga, enquanto exercícios com

cargas mais altas provocariam uma diminuição da perfusão cerebral.

CAPÍTULO 2 : PSICOMOTRICIDADE NO IDOSO

2.1. Conceito de Psicomotricidade

Le Boulch apud Nasser (2004) define psicomotricidade como uma ciência que estuda a

conduta motora como expressão do amadurecimento e desenvolvimento da totalidade psico-

física do homem. Similarmente a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade considera-a como

a ciência que tem por objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em

relação ao seu mundo interno e externo, fazendo aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.

De acordo com o Ministério da Educação e do Desporto e Secretaria de Educação

Especial apud Rezende et al (2003), psicomotricidade é a integração das funções motrizes e

mentais, sob o efeito do desenvolvimento do sistema nervoso, destacando assim as relações

existentes entre a motricidade, a mente e a afetividade do indivíduo.

É considerada por alguns como uma ciência encruzilhada, pois utiliza conhecimentos da

Biologia, da Psicologia, da Sociologia e da Lingüística; sendo uma área em que se cruzam e


41

se encontram vários pontos de vista. Outros a reconhecem na prática, como terapêutica para a

reabilitação gestual. (LEVY, 2000; CHAZANO, 1976).

Diante disso, considera-se a Psicomotricidade como a ciência que percebe o homem

como um todo; tornando indissociável a relação mente e corpo, visto que associa a funções

neurológicas, psíquicas, cognitivas e afetivas do individuo. Sendo, durante a maturação, muito

importante para o processo de aprendizagem.

O desenvolvimento psicomotor abrange o desenvolvimento funcional do corpo e das suas

partes e encontra-se dividido em vários fatores psicomotores. Fonseca (1995) apresenta sete

fatores, que são: tonicidade, equilíbrio, lateralidade, noção corporal, estruturação espácio-

temporal e praxias fina e global.

2.2. Gerontopsicomotricidade

Segundo Fonseca (1998) para a abordagem de retrogênese psicomotora é preciso

equacionar o conceito de evolução humana. O cérebro é considerado o órgão mais organizado

do organismo por envolver a passagem do menos organizado (medula) ao mais organizado

(córtex); do mais simples ao mais complexos; do reflexo ao automático; do automático ao

mais voluntário, pressupondo uma organização vertical ascendente. Contudo, para o autor

nenhuma teoria conseguiu explicar todas as características da evolução, porém é reconhecido

que o cérebro a traduz na sua essência intrínseca e extrínseca, tendo alterado e modificado a

função de sistemas antigos, desenvolvendo-os para transformá-los assim em novos sistemas.

Esses novos sistemas e novos níveis de complexidade sobrepõem as unidades funcionais

que existiam, emergindo assim uma progressiva organização de tais unidades em um único

sistema que será mais organizado, sendo assim ao longo da evolução cada nível de
42

organização possui propriedades únicas de estruturação e de comportamento. Esses novos

sistemas com novas propriedades (propriedades que não foram e nem são anexadas do

exterior), são resultados de sistema interno de organização, para que possam responder

melhor às exigências externas para consubstanciar o desenvolvimento da criança e da

humanidade. (FONSECA, 1998).

Ainda o mesmo autor, afirma que é através desta transformação e modificação que se

justifica as adaptações morfológicas e funcionais da evolução humana, partindo da

protomotricidade à arquimotricidade, o cérebro humano adquiriu novas propriedades e

funções, posteriormente com a motricidade o cérebro foi capaz de captar informações,

integrar formações e elaborar transformações até chegar a neomotricidade de onde surgirá a

ação de um produto final de uma organização central do cérebro conhecido também como

psicomotricidade.

O ser humano desde a sua vida embrionária até o momento de sua morte, sofre processos

de transformação através de fases. Partindo da imaturidade para maturidade, sendo esta a fase

de aquisição para a integração de informação e que culminará posteriormente na

desmaturidade, que é o declínio que ocorre na senescência. Ou seja, ocorre uma involução

psicomotora, que é o produto final da evolução onde acontece a deterioração das propriedades

e funções dos fatores psicomotores numa seqüência inversa ao que foi adquirido. (FONSECA,

1998)

Durante a fase de crescimento, ocorre a ontogênese; processo de aquisição dos fatores

psicomotores, estes são adquiridos na seguinte ordem: tônus muscular, equilíbrio,

lateralização, noção do corpo, estruturação espaço-temporal, praxia global e praxia fina. Ao

término dessa fase inicia-se o estágio adulto, onde ocorre o aperfeiçoamento desses fatores.

Chegará a uma determinada fase da vida que o ser humano sofrerá perdas progressivas das
43

habilidades na seguinte ordem: praxia fina, praxia global, estruturação espaço-temporal ,

noção do corpo, lateralização, equilíbrio e por último o tônus muscular. (FONSECA, 1998)

ADOLESCÊNCIA ADULTO
(REPRESENTAÇÃO) (PLANIFICAÇÃO)

PF PF
PG PG
EET EET
NC NC
L L
E E
T T

BEBÊ GERONTE
(AÇÃO) (AÇÃO)

Fig. 1 :Da ontogênese a retogenese T – Tonicidade; E – Equilibração; L – Lateralização;


NC – Noção Corporal; EET – Estruturação Espacio-Temporal; PG – Praxia Global; PF –
Praxia Fina.
Fonte: FONSECA, 1998

A esse conjunto de mudanças que acontece no idoso dar-se o nome de retrogênese. Esse

processo é geneticamente programado e ocasiona uma desorganização no sentido vertical-

descendente em relação à evolução, direcionando-se do córtex a medula; das atividades mais

complexas as mais simples; do voluntário ao automático. (FONSECA, 1998)

Durante o processo de envelhecimento muitos processos tornam-se lentificados, bem

como as respostas psicomotoras. Para Moragas (1997), com a idade, todo processo é mais

lento, parece que devido a menor capacidade do sistema nervoso central. A diminuição das

respostas é atribuída a todas as etapas do processo. Os órgãos perceptivos dos sentidos

necessitam de maior intensidade nos estímulos ou “sinais” para possam captá-los,

demonstrando a necessidade de um nível maior de excitação do sentido para que possa captar

o sinal.
44

Contudo, para Simões (1998) o corpo idoso é mais rico em experiências motoras, porém

o tempo deprecia a execução do ato motor. Nesse sentido, Morangas (1997), afirma que as

limitações e a diminuição das respostas psicomotoras observadas no idoso são reflexo do

aumento do tempo de reação entre o estímulo e ao início da resposta..

2.2.1 Tonicidade

Lundy-Ekman (2004), define tônus como o grau de tensão no músculo em repouso. Logo,

Thompson (2000) o considera como sendo o estado de tensão permanente dos músculos, que

tem origem reflexa, varia quanto a sua intensidade e segue as diferentes ações sinérgicas;

sendo reforçado ou inibido, com a função de ajustamento postural. O tônus pode ser

classificado como tônus residual ou tônus de repouso: está sempre presente nos músculos e

fornece estabilidade ao segmento corporal; tônus de postura ou tônus de atitude: é a atitude

que manifesta o sistema muscular, notoriamente os extensores, para permitir ao corpo resistir

à ação constante da gravidade e considerado por Rosa Neto (2002), como resultado das

sensações proprioceptivas e da soma dos estímulos do mundo exterior; e o tônus de

sustentação ou tônus de força: acompanha as contrações estáticas voluntárias, e é em parte

responsável pela força muscular.

A tonicidade está inserida no modelo psiconeurológico de Luria na primeira unidade

funcional do cérebro, cuja função primordial de alerta e vigilância assegura as condições de

genética e seletivas, sem as quais nenhuma atividade mental pode ser realizada. Assim a

tonicidade é considerada como o alicerce fundamental para o desenvolvimento motor, pois é

através do tônus que a criança estabelece seu contato com o mundo exterior e é através dele

que a tonicidade garante as atitudes, as posturas, as mímicas, as emoções, etc., emergindo a


45

motricidade humana, sendo assim, o tônus é fundamental no desenvolvimento motor, pois

assegura a preparação da musculatura para as múltiplas e variadas formas de atividade

postural e práxicas, e também influencia no desenvolvimento psicológico. (FONSECA, 1995;

ROSA NETO, 2002)

Segundo Fonseca (1995), Machado (2003) e Guyton & Hall (2002) a regulação do tônus

ocorre na formação reticulada do tronco encefálico, que é um centro integrador da primeira

unidade funcional do cérebro, pois ocorre a regulação automática também do equilíbrio e da

postura, combinando e coordenando todas as informações sensoriais com as informações

motoras. A formação reticulada, através de suas fibras retículo-espinhais modula os padrões

reflexos que preparam a atividade postural e cinética, comandada do córtex ou relacionada

com os centros extrapiramidais.

A sua função de ajustamento e de plasticidade, de vigilância e de integração, atua

permanentemente na postura e na praxia, facilitando ou inibindo a atividade dos

motoneurônios alfa e gama. Seu mecanismo de regulação também é dependente da atividade

dos fusos musculares, pois estes conferem ao músculo um componente sensorial de

inexcedível importância, na medida em que lhe oferecem uma qualidade aferente das

terminações anuloespirais, que caracteriza a intervenção da consciência e a coativação dos

motoneurônios alfa e gama, que no fundo refletem um complexo servo-mecanismo pósturo-

cinético humano. (FONSECA 1995; MACHADO,2003; GUYTON & HALL,2002)

É impossível separar motricidade da tonicidade, pois toda motricidade parte de uma

tonicidade preparando-a, apoiando-a e inibindo-a, ocorrendo auto-regulamento. A motricidade

é composta por uma sucessão de tonicidades que resulta na equilibração e na postura humana.

(FONSECA, 1955). E assim, relacionando a tonicidade com o processo de envelhecimento,

Mendonça (2006) defende a tendência a ocorrer o aumento do tônus muscular no idoso. Ao

contrário de Fonseca (1995, 1998), que afirma que pelo princípio de retrogênese dos fatores
46

psicomotores, o tônus muscular sofre uma diminuição e é o último fator a ser alterado. Para

Fonseca (1995), a explicação está na relação neurológica do tônus com a força muscular, ou

seja, ao fortalecer o músculo ocorre o aumento do tônus muscular, e o inverso é verdadeiro,

afirmando que a força muscular é proporcional a tonicidade. Com isso, entende-se que no

processo de envelhecimento com a diminuição progressiva da força muscular ocorre também

a diminuição da tonicidade. Para Mendonça (2006), pode haver uma falsa impressão de

hipertonia no idoso em virtude do enrijecimento articular, do encurtamento ligamentar e de

limitações na amplitude de movimento.

2.2.2. Equilíbrio

Conforme Lundy-Ekman (2004) o equilíbrio é definido como a capacidade de

manutenção corporal do centro de massa em relação à base de apoio. Entretanto, Quiros e

Schrager apud Thompson (2000) o consideram como a interação entre várias forças,

principalmente da gravidade e da força motriz dos músculos corporais. Já Rosa Neto (2002)

entende por equilíbrio, o estado corporal onde forças distintas atuam sobre esse corpo,

compensando-se e anulando-se mutuamente.

O equilíbrio é classificado em duas formas: estático e dinâmico. O equilíbrio estático

apresenta maior dificuldade em ser mantido, pois exige concentração e as mesmas

características da imobilidade; seu controle é importante para a aprendizagem e aquisição

motora, suas formas de ação referem-se à capacidade de sustentar-se em diferentes situações.

Enquanto que o equilíbrio dinâmico está relacionado com as funções tônicas motoras, com os

membros e os órgãos, tanto os sensoriais como os motores. Dessa forma, exigindo, ao


47

contrário do estático, uma orientação controlada do corpo em situação de deslocamento no

espaço com auxílio da visão. (OLIVEIRA, 2002; THOMPSON, 2000; FONSECA, 1995).

Assim, o equilíbrio é formado por um conjunto de aptidões estáticas e dinâmicas,

abrangendo o controle postural e o desenvolvimento de aquisições motoras, sendo

considerado por Rosa Neto (2002) como a base para toda ação diferenciada do segmento

corporal. Fonseca (1995), afirma que o equilíbrio pertencente à primeira unidade funcional do

modelo psiconeurológico de Luria, que tem como principais funções a vigilância, estado de

alerta e atenção. Sendo que várias áreas do sistema nervoso fazem parte da equilibração,

envolvendo essencialmente o tronco cerebral, cerebelo e os gânglios da base.

Para o ser humano manter posturas, posições e qualquer atitude é necessária a presença

do equilíbrio, pois estas ações exigem a interação de várias estruturas neurofisiológicas e de

vários sentidos e sistemas funcionais, tornando a integração postural um sistema complexo

que exige a combinação de reflexos simples, informações proprioceptivas, integração

vestibular, ativação da formação reticulada, da informação visual e dos movimentos

voluntários. (FONSECA, 1995; ROSA NETO, 2002)

Para que haja o domínio postural é necessária a contração tônica dos músculos profundos,

realizada através de reflexos, sendo estes considerados a base para o controle da postura

fornecendo suporte para a execução das ações. Desta forma o fuso muscular torna-se essencial

para a manutenção do tônus muscular e assim torna-se possível a regulação do equilíbrio.

(FONSECA,1995; ROSA NETO, 2002)

A modulação do tônus depende do mecanismo de integração sensorial dos fusos

musculares, esses fusos possuem dois tipos de receptores sensoriais, associados a fibra gama

eferentes, atuando tonicamente como mecanismos de feedback sensorial com o sistema

nervoso central. De um lado, a contração tônica associa-se com as terminações aferentes

secundárias; do outro, a contração fásica associa-se com as terminações aferentes primárias


48

resultando as funções estáticas e fásicas interdependentes. Sendo, a informação “tônica”

aferente originada dos fusos neuromusculares, que assegura os diversos circuitos posturais,

não só em nível do tronco cerebral, como também em nível do cerebelo, produzindo por esse

servo-mecanismo as necessárias co-contrações e sinergias próximo-distais. (FONSECA,1995)

Eis a razão de o sistema vestibular ter a participação no equilíbrio, pois está estritamente

associado com as terminações aferentes secundárias dos fusos neuromusculares, assim ocorre

a coordenação das contrações tônicas e fásicas dos diferentes grupos musculares, realizando

por esse mecanismo uma complexa integração sensorial de grande importância na

organização da equilibração e na orientação espacial da motricidade. (FONSECA,1995)

Dentre as informações sensoriais a visão é a mais importante para o controle postural

segundo Paixão Júnior e Heckmann (2000), pois compensa a ausência de outros estímulos

sensoriais, além de fornecer localização e a distância de objeto no ambiente, o tipo de

superfície onde se dará o movimento e a posição das partes do corpo uma em relação à outra e

ao ambiente. No envelhecimento, o sistema visual é afetado tornando crítico para o equilíbrio,

por ocorrer a diminuição da acuidade visual, da sensibilidade ao contraste, da percepção de

profundidade, da visão periférica e superior.

O mesmo acontecerá com a capacidade proprioceptiva do idoso, que encontra-se

diminuída, pois a diminuição da sensibilidade cutânea tem como causa a redução de

mecanoceptores da derme, a rigidez e a inelasticidade da derme e a degeneração dos nervos

periféricos. (PAIXÃO JÚNIOR & HECKMANN, 2000; SILVA, 2003)

Anatomicamente os integrantes do mecanismo de equilíbrio são: canais semicirculares,

utrículos e sáculos, responsáveis pelo ajuste postural através das aferências vestibulares que

indicam a posição da cabeça no espaço. E no envelhecimento em decorrência das perdas das

células ciliares dos canais semicirculares; das células ganglionares e das fibras nervosassurge

no idoso déficit na manutenção do equilíbrio estático. (MENDONÇA, 2006; GUYTON &


49

HALL, 2002; ROSA NETO, 2002; FONSECA, 1995; PAIXÃO JÚNIOR & HECKMANN,

2000).

Nota-se que com a diminuição das informações sensoriais conseqüentemente da

percepção visuo-espacial, o equilíbrio diminui no idoso causando instabilidade postural,

tornando suscetível à ocorrência de quedas. Pois, em um estudo sobre a associação entre a

função sensorial e risco de quedas em idosos, Lord et al apud Paixão Júnior & Heckmann

(2000) evidenciaram que indivíduos com sensibilidade diminuída são mais propensos a sofrer

quedas.

2.2.3. Lateralização

A lateralidade corporal para Negrine apud Faria (2004) refere-se ao espaço interno do

indivíduo, ou seja, é a capacidade que o indivíduo possui de realizar determinados

movimentos de um lado do corpo, seja do lado direito ou esquerdo, com menor desembaraço

possível durante uma atividade que requer habilidade. Para outros é definida como a

propensão que o ser humano possui de utilizar preferencialmente mais um lado do corpo que

o outro, nos seguintes níveis: mãos, olhos, pé e audição. (ROMERO apud FARIA, 2004;

ROSA NETO, 2002)

Os indivíduos podem ser classificados segundo Faria (2004) em: destros quando há

predomínio do lado direito do corpo; sinistros quando há predomínio do lado esquerdo do

corpo e ambidestro quando não há predomínio claro estabelecido e ocorre o uso dos dois

lados indiscriminadamente.Dentre os níveis corporais mencionados, a lateralização está mais

relacionada à preferência manual por ser o membro de maior especialização e dissociação


50

motora do ser humano. Constituindo o elemento fundamental de reação e orientação com o

mundo exterior. (FONSECA, 1995; THOMPSON, 2000)

A lateralidade como integrante da segunda unidade funcional de Luria juntamente com a

noção corporal e estruturação espácio-temporal possui a função de compreender a recepção, a

análise e o armazenamento de informação. E há participação dos fatores que compõem a

primeira unidade do modelo luriano. (FONSECA, 1995)

Nesse sentido, a integração bilateral do corpo corresponde a uma condição para a

motricidade humana, já que a lateralidade é considerada como a capacidade motora de

percepção integrada dos dois lados do corpo, tanto direito quanto esquerdo. Sendo adquirida

pelo movimento de ambas as partes e por concomitantes impressões sensoriais; produzindo a

conscientizações das direções no espaço. (FONSECA, 1995; THOMPSON, 2000).

Dessa forma, a integração bilateral, estabelecida no tronco cerebral é indispensável ao

controle postural e ao controle perceptivo-visual, proporcionando ao corpo experiência

extracorporal e intracorporal através dos receptores. Tornando possível a aquisição da

lateralização como sistema funcional complexo, desta forma ocorre o predomínio de um dos

hemisférios para iniciativa da organização do ato motor, proporcionando a aprendizagem e a

aquisição das praxias. A representação anatômica da lateralidade é dada no hemisfério

cerebral oposta ao lado do corpo que possui maior destreza. (FONSECA, 1995; ROSA

NETO, 2002; LE BOULCH, 1982; FARIA, 2004)

Entende-se, portanto, que no processo de envelhecimento ocorre a diminuição da

integração bilateral; provocando alterações dos reflexos posturais e controle perceptivo-

visual,dificultando o controle postural, a discriminação e exploração do espaço. O que em

conjunto com outras alterações do sistema sensorial e músculo-esquelético irão interferir de

forma marcante no equilíbrio do indivíduo idoso. Aumentando sua propensão a sofrer quedas.
51

2.2.4. Noção do Corpo

A palavra noção corporal tem como sinônimo: estruturação corporal, esquema corporal e

esquema postural. No entanto, esquema corporal não é sinônimo de imagem corporal, muitas

vezes essas palavras são confundidas, mas ambos possuem conceitos diferentes.

Para Tavares (2003), o esquema corporal está relacionado com as estruturas neurológicas

que são responsáveis pelas informações proprioceptivas e que permitem assim o

reconhecimento do corpo anatômico. Enquanto, para Ferreira & Thompson (2002) o esquema

corporal é abordado como sinônimo de somatognósia; tratando-se de uma representação ativa

e dinâmica do espaço no corpo, incluindo a postura e os seus segmentos corporais e o seu

revestimento cutâneo próprio, por meio dos quais o individuo encontra-se em contato com o

espaço, para assim agir com eficácia e harmonia. Já Thompson (2000), define esquema

corporal como o conhecimento e a representação do próprio corpo, sendo fundamental nas

relações entre o “Eu” e o mundo exterior. Oliveira (2002), defende que através desse

conhecimento corporal e das partes específicas do corpo é que a criança descobre seu próprio

“Eu”.

Entretanto, a imagem corporal relaciona-se com a vivência afetiva do próprio corpo, ou

seja, o corpo reflete as experiências corporais do indivíduo. (TAVARES, 2003). Para Le

Bouch (1982) esses dois termos não podem ser compreendidos isoladamente, como fazem

alguns psicanalistas, que consideram a imagem corporal como propriedade psicológica ou

como alguns neurologistas que afirmam que o esquema corporal é uma “ressonância

mecanicista”, ainda o mesmo autor, defende que a imagem corporal constitui um estágio para

estruturação do esquema corporal, favorecendo assim a evolução psicomotora. Este estágio

precedente seria o de “corpo vivido” que termina na primeira imagem do corpo que a criança
52

desenvolve, reconhecendo seu próprio “Eu”, já o “corpo percebido” corresponderia à

organização de esquema corporal, pois é a partir desse período que a imagem visual do corpo

se associa às sensações táteis e as sensações cinestésica correspondentes.

O esquema corporal corresponde à segunda unidade funcional no modelo de organização

cerebral de Luria. A somatognósia (esquema corporal) compreende a recepção, análise e

armazenamento das informações originadas no corpo, o que torna possível a conscientização

das estruturas corporais. Seu substrato neurológico de integração situa-se no córtex parietal,

mais precisamente na área 5 e 7 de Brodmann local que elabora-se e armazena-se como

construção gnósica corporal. (FONSECA, 1995)

A B
Fig. 2: Área Cortical Somatosensorial. A – vista medial; B – vista lateral.
Fonte: LUNDY-EKMAN, 2004.

A noção do corpo constitui uma integração superior devido aos seus dados intra e

interneurossensoriais, que mobilizam as memórias neuronais imprescindíveis para a

aprendizagem psicomotora e aquisição simbólica. (FONSECA, 1995). Porém, Ferreira e

Thompson (2002) afirmam que na fase de aquisição do esquema corporal, devido a sua

complexidade, as partes do corpo não são imediatamente integradas. Assim durante a

infância, a criança faz apenas uma justaposição das partes do seu corpo.
53

As informações proprioceptivas que passam pelos circuitos espinhais são pré-

selecionadas no tronco cerebral e nas estruturas talâmicas, ascendendo ao córtex parietal onde

é tomada a conscientização específica do corpo; essa conscientização é adquirida através das

experiências motoras e do convívio social. (FONSECA, 1995)

Com isso, o esquema corporal através das informações proprioceptivas enviadas dos

músculos, tendões e articulações, produz um sistema funcional em conjunto com os sistemas:

sensório-tônico; tátil–cinestésico e vestibular, permitindo que o corpo module a gravidade

(postura) e realize movimentos, ocorrendo dessa forma a transição da sensação de percepção

por meio dos processos sensoriais e tônicos. Assim, o esquema corporal integra um sistema

complexo na motricidade e no controle postural. (FONSECA, 1995; FERREIRA &

THOPMSON, 2002)

Portando, a noção corporal é reconhecida como resultante da organização do impulso

sensorial tátil-cinestésico, vestibular e propriceptivo, numa imagem interiorizada e

estruturada, de onde emerge uma representação mental, que em si, constitui-se num marco de

referência interna que precede todas as relações com o exterior. (FONSECA, 1995)

As informações proprioceptivas, visuais, táteis, cinestésicas e vestibulares reunidas na

estruturação corporal, correspondem a um alimento indispensável para o cérebro, pois

privando-o desses estímulos, poderá ocorrer desorganização e manifestações de desordens de

processamento da informação ou de comportamento. (FONSECA, 1995).

Assim pode-se supor que, com o envelhecimento ocorra uma diminuição paulatina na

organização corporal do idoso; seja pela diminuição ou maior dificuldade em captar

informações proprioceptivas (em decorrência de alterações fisiológicas do envelhecimento

nos órgãos sensoriais como visão e audição e alterações nos proprioceptores musculares e

articulares); ou pelo estilo de vida de alguns idosos, onde há maior privação de estímulos ou

ainda pela combinação de ambos. Nesse sentido pode-se inferir que as alterações no esquema
54

corporal poderiam afetar a capacidade cognitiva ou o inverso, e que essas modificações

seriam significativas no que diz respeito ao equilíbrio, tempo de reação, raciocínio o que

implicaria em uma maior probabilidade de quedas nos indivíduos idosos.

2.2.5. Estruturação Espaçotemporal

A estruturação espaço-temporal pertence à segunda unidade funcional do modelo luriano,

sendo responsável pela função de analise, processamento e armazenamento de informação. A

integração cortical de dados espaciais está mais relacionada ao sistema visual que está

localizado no lóbulo occipital. Enquanto, que a integração dos dados temporais, rítmicos, está

mais associada com o sistema auditivo situado no lóbulo temporal.

No que diz respeito à estruturação espacial, é através da visão que ocorre a emissão de

informações ao lóbulo occipital; que corresponde a área visual primária representada pela área

17 de Brodmann, que irá processar as informações obtidas pelo sistema visual, indicando

assim as características e a posição do objeto no espaço. Desta forma, pela visão é que ocorre

a estruturação, organização e interpretação do espaço e da dimensão. (TORTORA e

GRABOWSKI, 2002).

Entretanto, a área cortical responsável pela estruturação temporal é a área auditiva

primária nas áreas 41 e 42 de Brodman situado no córtex temporal e de acordo com Tortora e

Grabowski (2002), essas áreas tem a função de interpretar as características básicas do som

como o ritmo e a sua altura.


55

A B

Fig. 3: Áreas Corticais Visual e Auditiva. A – vista medial; B – vista lateral.


Fonte: LUNDY-EKMAN, 2004.

A estruturação espácio-temporal está somada aos fatores de lateralização e noção

corporal formando assim a segunda unidade, cujas propriedades funcionais estão adaptadas à

captação de informação, sua análise, síntese e armazenamento recebido pelos receptores

sensoriais, visuais e auditivos para formar os dados espácio-temporal. Para Fonseca (1995) a

estruturação espaço-temporal tem início a partir da dimensão intra-espacial. Esse autor relata

que no processo de crescimento do ser humano ocorre a elaboração de uma dimensão extra e

inter-espacial, adquirindo-se um sistema cada vez mais complexo e distanciado-se da sua

própria localização, ou seja, inicialmente ocorre a localização do objeto em relação ao corpo

do indivíduo, e com o desenvolvimento da estruturação espaço-temporal passa-se a localizar o

objeto sem tomar como referência o corpo.

Nesse sentido, o corpo interpretará qualquer informação do espaço através da noção

corporal associada a outros fatores psicomotores como a estruturação espácio-temporal, para

poder calcular a quantidade de movimento necessário, para explorar o espaço ou contatar com

qualquer objeto. E assim, de acordo com Coste (1998), a estruturação espaço-temporal


56

oferece ações que são realizadas nas atividades; em uma seqüência organizada e bem

estruturada.

Para a aquisição da estruturação do espaço, a criança precisa saber interpretar as

informações sensoriais em termo de espaço e com isso construir os conceitos espaciais em

termos sensoriais e motores, através das informações vestibulares; proprioceptivas e

exteroceptivas. Relacionando assim os dados espaciais com os corporais, segue-se o princípio

para a construção do espaço. (FONSECA, 1995)

Assim, Fonseca (1995) considera a visão como o principal sistema sensorial para a

estruturação espacial, visto que é através da integração de dados visuais e tátil-cinestesicos

que se obtém a posição do corpo no espaço que será explorado pela motricidade. Nesta

condição, as dimensões espaciais que corresponde à perspectiva, acomodação, convergência,

tamanho da imagem, profundidade, movimento aparente, gradiente da textura e invariantes

multimodais, são importantes para a aprendizagem visuo-motora, podendo adquirir a relação

espaço-corpo e corpo-objeto formando assim a percepção espacial.

Entende-se assim, que no envelhecimento o déficit visual é uma das causas para que

ocorra uma diminuição da estruturação espacial no idoso, ocasionando segundo Fonseca

(1998), uma desintegração neuropsicológica, principalmente em relação a discriminação de

figura e fundo, quanto à forma e detalhes. Observa-se no idoso a restrição do campo visual,

que contribui para o declínio da estruturação espacial.

Segundo Fonseca (1995), o refinamento da noção corporal leva a uma abstração,

formando a base de todas as funções psíquicas superiores. Nesse sentido, o conhecimento do

espaço e do objeto a um nível mais complexo permite lidar com o “espaço mental”,

adquirindo a capacidade de comparar objetos com as experiências anteriores e perspectivando

o pensamento abstrato. Assim a estruturação espacial obedece a uma estrutura de hierarquia

que ocorre do corporal ao representacional, da diminuição progressiva de especificidade


57

sensorial iniciado do intra-espaço tátil-cinestesico, auditivo e visual a um interespaço que

relaciona com dados espaciais associativo.

A estruturação temporal envolve a localização da dimensão do tempo e transcende a

estimulação sensorial. Sendo assim, o cérebro desenvolveu as suas memórias que respondem

ao presente e o futuro através das múltiplas combinações das experiências anteriores. É

caracterizada por ser uma noção de controle e de organização, abrangendo desde o nível da

atividade até o da cognição. Além disso, a consciência do tempo se estrutura sobre as

mudanças percebidas, e sua retenção está associada à memória e à codificação da informação

contida nos acontecimentos. (FONSECA, 1995; ROSA NETO, 2002)

Assim como citado anteriormente, no capítulo de envelhecimento, ocorre o declínio

cognitivo nos idosos, e a diminuição de uma das propriedades pode afetar outras propriedades

da cognição, devido à inter-relação das funções, deste modo, déficit de atenção e lentificação

do processo perceptivo e integrativo interferem na memorização. Assim, como a inteligência

que se encontra em declínio progressivo durante o envelhecimento. Somando todo esse

processo, para Fonseca (1998) desordem cognitiva repercute no déficit de estruturação noção

do tempo e do espaço, nota-se que a delapidação desse fator psicomotor no geronte é

justificado a esses motivos.

A dimensão temporal possibilita localizar séries de acontecimentos que representam

todas as relações com o envolvimento, e além de fornecer a localização dos acontecimentos

no tempo, fornece também a preservação das relações entre os acontecimentos. Sua

apreciação é feita com simultaneidade, com o intervalo de tempo entre o acontecimento deve

ser igual a zero, sendo esta simultaneidade é aprendida pela motricidade e mais tarde com o

desenvolvimento da lateralização, chegando à alternância e sucessão de movimentos, para

poder distinguir experiências simultâneas das experiências sequencializadas. Desta maneira, a

simultaneidade, sequecialização e sincronização, são dimensões temporais de transcendente


58

importância, quer para as funções gnósicas, ou práxicas, já que ambos obedecem ao princípio

da coordenação dos sistemas funcionais. (FONSECA, 1995)

A unidade de extensão da dimensão temporal, a ser testado nas avaliações práticas, é o

ritmo que envolve a conscientização da igualdade dos intervalos de tempo. Desta forma,

considera um ritmo constante, uma série de intervalos de tempo iguais, fenômeno esse que

traduz muitos ritmos biológicos no indivíduo como: a circulação, respiração, etc. E para o

Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmo o cotidiano de uma pessoa que reflete

seu comportamento correspondendo num ritmo de compromisso de trabalho e que no idoso a

aposentadoria às vezes traz impacto no estilo de vida, alterando o seu ritmo de atividade e

conseqüentemente o ritmo biológico. Desta forma Fonseca (1995) afirmar que a função do

ritmo ultrapassa a dimensão temporal, presente em todas as manifestações comportamentais,

desde as biológicas e as nervosas até as psicológicas.

Na avaliação, o ritmo compreende a capacidade da memória para que haja a reprodução

motora das estruturas rítmicas. Nota-se que no processo de envelhecimento para Moragas

(1997) a capacidade de memorização está diminuída principalmente no que se refere a

memória de curto prazo e somado a diminuição neural dos giros temporais, entende-se que

ocorra a delapidação da estruturação temporal.

2.2.6 Praxia Global

Integrante da terceira unidade funcional de Luria. Cuja função fundamental envolve a

organização da atividade consciente e a sua programação, regulação e verificação.está

localizada no lóbulo frontal, mais precisamente pela zona motora do córtex, que corresponde
59

a área 4 de Brodmann e pelas zonas pré-motora nas áreas 6 e 8 de Brodmann. (FONSECA,

1995).

Fig. 4: Área Cortical Motora


Fonte: Disponível em: http://www.lecerveau.com

Rezende et al (2003) definem a praxia global, como a capacidade de realizar movimentos

voluntários que são pré-estabelecidos para um determinado objetivo, está relacionada com a

realização e a automação dos movimentos globais complexos, que se desenrolaram num

determinado tempo, exigindo a atividade conjunta de vários grupos musculares.

A praxia global possui relação maior com a área 6 por ter como principal função a

realização e a automação dos movimentos globais complexos exigindo a atividade de vários

grupos musculares. A esse respeito Machado (2003) afirma que essa área, por ser menos

excitável, necessita de uma corrente elétrica intensa para que se obtenha a resposta motora.

A área 6 responsável é função de preparar, regular e realizar referência, pois

primariamente nessa área ocorre a construção do movimento para que haja a preparação dos

componentes posturo-motores e tônico-posturais, assim programando para realizar uma ação.

Posteriormente, os comandos são enviados a área 4 pelas vias piramidais, e assim produzindo

os movimentos necessários para a realização da ação. (FONSECA, 1995)


60

A praxia global pertencente à terceira unidade funcional de Luria, e necessita da

integração e interação da primeira e segunda unidade, necessitando do tônus muscular

segundo Fonseca (1995) para que o movimento ocorra de forma harmônica sem a presença de

sinergia onerosa, como Tortora (2002) menciona a respeito do tônus, que a contração seja

feito na medida certa, o suficiente para a produção do movimento. O equilíbrio é necessário

por sincronizar sistemas extrapiramidais cerebelares e vestibulares, pois estes irão assegurar a

estabilidade gravitacional necessária ao movimento. Inclui também a coordenação,

lateralização, noção do corpo e estruturação espacio-temporal, que irão harmonizar o espaço

intra-corporal com o extra-corporal, e por fim realizar a função de decisão, regulação e

verificação para que o movimento seja efetivado. (FONSECA, 1995)

A praxia global é pré-programada pelas áreas associativas pré-motora, pelo cerebelo e

pelos gânglios da base. A área pré-motora processa as atividades motoras de origem complexa

e de forma seqüencial, através do impulso gerado por essa área é que os músculos contraem

numa seqüência especifica. Enquanto o cerebelo atua tanto na aprendizagem quanto nos

movimentos rápidos com a função de monitorar as intenções para a realização do movimento,

monitorar os movimentos em curso, comparar os sinais de comando com a informação

sensorial e enviar sinais corretivos. E os gânglios da base são responsáveis pelo planejamento

e programação do movimento. (TORTORA, 2002; FONSECA, 1995)

O cérebro controla harmoniosamente e automaticamente os movimentos balísticos e

fásicos por sistema de retroalimentação, realizando a modulação e a sucessão dos

movimentos, a fim de permitir que eles atinjam o seu fim com precisão, simultaneamente e

sincronizadamente, programando os movimentos antes destes serem iniciados. A regulação

sistêmica entre o cerebelo e a área 6, alimenta previamente a área 4 e entra em atividade,

mantendo igualmente sistema de referência com os gânglios da base, que controlam

movimentos lentos e tônicos. Posteriormente, dispara o comando motor pelo sistema


61

piramidal, alimentando paralelamente o cerebelo, que simultaneamente reatualiza o comando

motor em face dos novos dados que lhe são fornecidos pela proprioceptividade. (FONSECA,

1995)

Portando, a praxia global é a expressão da informação do córtex motor, como resultado

da recepção de muitas informações sensoriais, táteis, cinestésica, vestibulares, visuais etc.

Para Souza (2006), no envelhecimento ocorre perda neuronal no córtex do giro pré-central e

no cerebelo, como foi citado no capítulo anterior. Presumindo que devido a essas alterações

ocorra a diminuição da praxia global por estar relacionado a estas áreas e informações.

2.2.7. Praxia Fina

Considerado por Le Bouch (1982) como aspecto particular da coordenação global. A

praxia fina para Fonseca (1995) pertence à terceira unidade funcional de Luria ao lado da

praxia global. A praxia fina está localizado nos lóbulos frontais, compreendendo as tarefas

motoras seqüenciais finas e possui relação maior com a área 8, por ser responsável pela

coordenação dos movimentos dos olhos durante a fixação da atenção e das manipulações de

objetos, e exigem o controle visual, sendo está área responsável também pelas funções de

programação, regulação e verificação das atividades preensivas e manipulativas mais finas e

complexa, e Oliveira (2000), afirma que esses movimentos específicos utilizam pequenos

músculos.

Assim, todos os fatores anteriores são integrados para a realização de um processo mais

complexo e diferenciado, que compreende a micromotricidade e a perícia manual. A mão é

considerada como o principal órgão deste fator, por ser a unidade motora mais complexa tanto
62

é que, na representação do homúnculo motor de Penfield a mão é maior em comparação ao

tronco e pernas. (BEAR et al, 2002; FONSECA, 1995).

Fig. 5: Homúnculo Motor


Fonte: Disponível em: http://www.cérebro
mente.org.br

Porém, à medida que as informações tátil-perceptiva se ajustam às informações visuais,

proporcionam a velocidade e a precisão de movimentos finos e a facilidade na reprogramação

de ações, transformando na coordenação óculo-manual, correspondendo a uma atividade

hipercomplexa da área frontal com o occipital. Enquanto, as áreas córtico-sensoriomotoras

das mãos e dos dedos, ressaltam a fineza do controle tátil e motor. Com isso as informações

visuais participam como mobilizadoras iniciais dos programas de ação, contribuindo com

funções de detecção de característica do objeto (contornos, formas, permenores, etc.) e com

funções de estabilizações de posições e direções, oferecendo a coordenação dos dados

captados visualmente com os dados captados manualmente (coordenação visuomotora),

processo de ação que exige o ato motor e a estimulação visual. A exploração e a inspeção

visuais, como competências perceptivo-visual, entram nessa fase fundamental. (FONSECA,

1995; ROSA NETO, 2002)


63

A preensão é o resultado da integração de diversas coordenações iniciais, que envolvem

olho-corpo-objeto. Pois, a aquisição da preensão se faz por uma atenção visual primitiva

envolvendo o olhar e a perseguição do objeto para posteriormente tocar-prender de imediato.

Depois da descoberta visual da mão, essa tenta o contato com o objeto sem os apanhar, só

depois que tenta apanhar o objeto, para que ocorra a inspeção realizando comportamento

olho-mão e olho-objeto. Isso determinará o desenvolvimento da praxia fina durante a infância.

Essa íntima relação, que a praxia fina tem com a percepção visual é importante para o

desenvolvimento psicomotor, assim também para o desenvolvimento de aprendizagem da

escrita que exige a atividade controlada de músculos e articulação dos membros superiores e

na capacidade construtiva na infância.(FONSECA, 1995)

No envelhecimento esse fator psicomotor é o primeiro a sofrer delapidação por constitui-

se de uma atividade complexa ao demais fatores, acredita-se que essa diminuição, se deve ao

às alterações degenerativas das estruturas do olho durante o processo de envelhecimento, para

Mendonça (2006), Freitas (2000), Fonseca (1995, 1998) ocorre a diminuição da acuidade

visual e algumas vezes redução do campo visual, além da limitação da convergência ocular e

da acomodação visual prejudicar a visão para curta distância, também ocorre a diminuição da

percepção visual.

CAPÍTULO 3 : A PROBLEMÁTICA DA QUEDA EM IDOSOS

3.1 Conceito de Queda

Segundo Guimarães et al (2004), a queda pode ser definida como uma falta de capacidade

para corrigir o deslocamento corporal durante o seu movimento no espaço. E de acordo com
64

Paschoal & Lima (2006) esse evento é encontrado na população idosa freqüentemente, isso

porque em virtude do processo de envelhecimento há maior fragilidade e vulnerabilidade.

Entretanto, para outros a queda é definida como um deslocamento não intencional do

corpo para um nível inferior a posição inicial, logo ocorre incapacidade de correção em tempo

hábil, comprometendo a estabilidade que causa o desequilíbrio postural, levando assim a

queda. A dificuldade de encontrar o equilíbrio corporal durante esse evento, ocorre por várias

causas. Sendo que esse tipo de evento não é decorrente de uma paralisia súbita, ataque

epilético ou força externa extrema. (PERRACINI, 2005; FABRÍCIO et all, 2004;

GUIMARÃES et al, 2004)

Nesse sentido, Guimarães et al (2004) consideram a queda na população idosa como um

marcador potencial do início de um importante declínio da função ou sintoma de uma

patologia nova. Havendo um aumento na incidência desse evento na população idosa de

acordo com o avançar da idade; independente do sexo, grupos étnicos e raciais. Ao contrário

da Classificação Internacional de Doenças (CID) apud Fabrício (2004) que considera a queda

como uma causa externa no envelhecimento.

A esse respeito, Perracini (2005) classifica queda a partir da freqüência e do tipo de

conseqüência provocada, em: queda acidental e queda recorrente. A queda acidental é um

evento único, ou seja, não ocorre freqüentemente e na maioria das vezes é decorrente de uma

causa extrínseca (fator de risco ambiental). Já a queda recorrente ocorre devido a presença de

fatores intrínsecos, como a falta de equilíbrio, por motivo de medicamento entre outros, nesse

caso o evento volta a ocorrer com freqüência.

Portanto, qualquer pessoa está suscetível a queda, porém esse risco é maior nos idosos,

devido o processo de envelhecimento, que ocasiona a diminuição das respostas de

ajustamento, diminuição da reação de equilíbrio e suporte e alteração no centro de gravidade

alterado, dentre outros.


65

3.2. Incidência de Queda no Brasil

Segundo Perracini & Ramos (2002) no Brasil cerca de 29% dos idosos caem ao menos

uma vez ao ano, e 13% caem de forma recorrente. Ao contrário, dos países orientais onde os

idosos caem com uma freqüência menor: 15% pelo menos uma vez ao ano e 7,2% de forma

recorrente.

A incidência anual de quedas em idosos da comunidade aumenta de 25% aos 70 anos de

idade para 35% a partir dos 75 anos, isso demonstra que idade e queda são diretamente

proporcionais, pois quanto maior a idade maior será o risco de queda. (PASCHOAL e LIMA,

2006).

Porém, a população geriátrica feminina cai mais que a masculina até os 75 anos, após

essa idade a freqüência de queda é igual para ambos os sexos. Essa questão não foi totalmente

esclarecida, e por vezes é motivo de controvérsias, nesse sentido surgem vários estudos com

diferentes explicações para a maior incidência de quedas em mulheres, porém, em sua

maioria, é citada a questão da maior fragilidade das mulheres em relação aos homens.Outros

afirmam ainda que as idosas estariam sobre influência maior de fatores de risco.

(PERRACINI & RAMOS, 2002; PASCHOAL & LIMA, 2006).

3.3 Quedas: Mortalidade e Morbidade

A queda representa uma das principais causas de morte na população geriátrica,

correspondendo ,segundo estudos realizados nos Estados Unidos, a sexta causa de óbito em
66

pacientes com mais de 65 anos, e ainda, a queda é responsável por 70% das mortes acidentais

em idosos com mais de 75 anos. Ainda de acordo com as pesquisas norte americanas, as

quedas têm relação causal com 12% de todos os óbitos na população geriátrica. (PERACINI,

2005; ABRAMS, 1995; GUIMARÃES & FARINATTI; 2005)

Segundo Peracini (2005), nos Estados Unidos, cerca de 75% das mortes são decorrentes

de quedas, ocorrendo em 14% da população acima de 65 anos de idade; e o índice de

mortalidade aumenta dramaticamente após os 70 anos, principalmente em homens.

Entretanto, no Brasil de acordo com os dados do Sistema de Informação

Médica/Ministério da Saúde apud Fabrício, Rodrigues e Costa Jr (2004) no período de 1979 e

1995, cerca de 54.730 pessoas morreram por causa de quedas, dentre elas 52% eram idosos

sendo que 39,8% apresentavam idade entre 80 e 89 anos.

Além da queda ser causadora de mortalidade na população geriátrica é também contribui

para a morbidade entre os idosos. Estudos revelam que dos idosos da idade que caem a cada

ano, entre 5% a 10% tem como conseqüência: fratura, traumatismo craniano e lacerações

sérias. Acarretando em diminuição da mobilidade tornando assim o idoso dependente. E é

importante ressaltar que a maioria dos idosos hospitalizados por fratura de quadril não

recupera a mobilidade prévia ao evento. (PERACINI, 2005)

Condições mórbidas, decorrentes de quedas entre a população idosa geram custo elevado

ao governo.Os Estados Unidos, por exemplo, gastam cerca de 10 bilhões de dólares para o

tratamento de fraturas de quadril. (PERACINI, 2005). E no Brasil não é diferente, visto que os

gastos com saúde publica; devido a alta incidência, conseqüências e complicações de quedas

demandam custos altíssimos para o governo , principalmente em relação às hospitalizações.


67

3.4. Fatores de Risco

Segundo Pereira et al (2001) a estabilidade do corpo depende da recepção adequada de

informações de componentes sensoriais, cognitivos (orientação têmporo-espacial; memória;

capacidade de cálculo; capacidade de planejamento e decisão; linguagem-expressão e

compreensão), integrativos centrais (principalmente cerebelo) e músculos-esqueléticos, de

forma altamente integrada. O efeito cumulativo de alterações relacionadas à idade, doenças e

meio ambiente inadequado parecem predispor à queda.

A maioria dos autores classifica os fatores de risco para queda em intrínsecos e

extrínsecos, para Lima & Paschoal (2006) os intrínsecos são aqueles decorrentes das

alterações fisiológicas que surgem com o processo natural de envelhecimento mais as

alterações patológicas, além de fatores psicológicos e efeitos colaterais de drogas. Já os

extrínsecos são os relacionados aos comportamentos de risco e às atividades praticadas por

indivíduos em seu meio ambiente. Para Soares et al (2003) devemos considerar além de

fatores extrínsecos e intrínsecos, fatores sócio-demográficos como as institucionalizações.

Segundo Lima & Paschoal (2006) os fatores de risco podem ser classificados também em

predisponentes e desencadeantes. Os predisponentes são aqueles que predispõem a cair e

fatores desencadeantes são aqueles que desencadeiam uma queda. Por exemplo, um indivíduo

com marcha arrastada, de passos curtos, que cai ao tropeçar numa borda de tapete, a causa que

o levou a cair foi à borda (fator desencadeante) e o distúrbio marcha foi o fator de risco (fator

predisponente). Porém em muitos momentos, vai ocorrer uma superposição desses fatores.

No presente estudo adotaremos a classificação dos fatores de risco para queda entre

idosos em intrínsecos e extrínsecos.


68

3.4.1. Fatores de Risco Intrínsecos

Os fatores intrínsecos, como já foi mencionado anteriormente, compreendem as

alterações normais do envelhecimento, como diminuição da amplitude dos passos; cifose

torácica; alteração no centro de gravidade; menor eficiência de órgãos sensoriais como visão e

audição; alterações nos proprioceptores, sensibilidade tátil e reflexos profundos -que estão

relacionados também a cinestesia e ao tônus; alterações cognitivas -orientação têmporo-

espacial, memória, capacidade de cálculo, capacidade de planejamento e decisão, linguagem-

expressão e compreensão; e menor habilidade dos sistemas eferentes em dar uma resposta

motora adequada em tempo hábil para determinada perturbação do meio – nos músculos

esqueléticos isso se relaciona principalmente com a diminuição da força muscular e

lentificação da condução nervosa. (VANDERVOORT, 2003; SIMOCELI, L. et al, 2003;

ZINNI & PUSSI, 2003; PERRACINI, 2002; LIMA & PASCHOAL, 2006; GUIMARÂES et

al, 2004; BARBOSA & NASCIMENTO, 2001; GUIMARÃES & FARINATTI, 2004;

FREITAS, 2000);

Porém além das alterações fisiológicas, também existem patologias que podem levar às

quedas; as mais mencionadas pelos autores são: doenças degenerativas nas articulações,

fraqueza muscular, hipotrofia muscular e dor ; déficits sensoriais de um AVE recente ou

remoto;hematoma subdural, demência, parkinsonismo,labirintopatias, disritmia cerebral,

labirintopatias, hipotensão postural, crise hipertensiva, arritmias cardíacas, doença arterial

coronariana,insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência vértebro-basilar,DPOC, embolia

pulmonar, hipo e hipertiroidismo, hipo e hiperglicemias, distúrbios hidroeletrolíticos,

incontinência ou urgência miccional, distúrbios psiquiátricos; doenças que comprometem a

capacidade sensória (diabete mellitus e outras afecções que causam neuropatias periféricas),
69

problemas nos pés que causam dor e alterações ao andar. Os distúrbios da visão e audição

acabam, diminuindo as pistas ambientais e predispõem às quedas. (BARBOSA &

NASCIMENTO, 2001; PEREIRA, 2004; PERRACINI, 2005)

3.4.2. Fatores de Risco Extrínsecos

Para Yuaso & Sguizatto apud Barbosa & Nascimento (2001) os fatores extrínsecos são

aqueles relacionados ao ambiente onde vivem as pessoas idosas e são responsáveis pela maior

incidências das quedas. São eles: presença de móveis instáveis; escadas inclinadas e sem

balaústres, tapetes avulsos e carpetes mal adaptados; iluminação inadequada; tacos soltos no

chão; pisos escorregadios e encerados; camas altas, sofás, cadeiras e vasos sanitários muito

baixos; prateleiras de difícil alcance; presença de animais domésticos pela casa; uso de

chinelos ou sapatos em más condições ou mal adaptados; fios elétricos soltos.

3.4.3. Principais Causas de Queda em Idosos

Estudos que compararam indivíduos idosos que caem com aqueles que não caem

apontaram fatores de forte correlação com quedas, são eles: sexo feminino; idade > ou = 75

anos, imobilidade, inatividade, quedas precedentes; história prévia de fratura,equilíbrio

diminuído; marcha lenta com passos curtos; baixa aptidão física; fraqueza muscular de

membros inferiores; fraqueza muscular de preensão, dano cognitivo; doença de Parkinson,

uso de sedativos, número de medicações, acidente vascular encefálico prévio, dispositivos de


70

auxílio a mobilidade, fraqueza geral, tontura, depressão e maior tempo de hospitalização.

(PERRACINI, 2005; LIMA & PASCHOAL, 2006)

Fatores de importância de moderada correlação foram: sedentarismo ou hiperatividade

física, anormalidades qualitativas da marcha, equilíbrio prejudicado em testes laboratoriais,

limitação ou dor em quadril e joelhos, anormalidades nos pés, diminuição da acuidade visual,

depressão ou ansiedade, artrite, acidente cerebrovascular, demência, incontinência,

antidepressivos, baixo índice de massa corpórea. (PERRACINI, 2005; LIMA & PASCHOAL,

2006)

Fatores que têm fraca correlação em alguns estudos:ausência de cônjuge, raça branca,

baixa renda, morar só, depressão, medo de cair, diabetes, hipotensão postural, anemia,

insônia, artrite/osteoartrose, neuropatia,necessidade de dispositivo de auxílio de marcha,

equilíbrio estático prejudicado em testes laboratoriais, reflexos plantares ou patelares

prejudicados, tempo de reação lento, percepção visual de profundidade, ou sensibilidade ao

contraste diminuída, erro de percepção visual, diminuição da sensibilidade na extremidade

inferior , sinais de frontalização, sinais cerebelares, piramidais e extrapiramidais, drogas

cardiovasculares, analgésicos, hospitalizações. (PERRACINI, 2005; LIMA & PASCHOAL,

2006)

Souza & Iglesias (2002) citam um estudo realizado por Koski et al, onde foi observado

que os fatores de risco para injúria grave decorrente de acidente por queda são diferentes entre

idosos dependentes e independentes. Para os dependentes dos fatores de risco identificados

foram; estado civil (divorciado, viúvo, solteiro), o baixo índice de massa corporal, a baixa

acuidade visual para longe, alguma dificuldade na deambulação e uso de certos medicamentos

por tempo prolongado. Já a neuropatia periférica e a insônia foram significativas como fatores

de risco para o grupo de idosos independentes.


71

Fabrício et al (2004) realizaram um estudo referente a idosos internados por motivo de

queda em um hospital público na cidade de Ribeirão Preto - São Paulo, dentre as causas

verificou-se que: 54% das quedas apresentaram como causa ambiente inadequado, seguidos

por doenças neurológicas (14%) e doenças cardiovasculares (10%). Uma proporção de 10%

das quedas teve causa ignorada.A maioria as quedas foi da própria altura e relacionadas a

problemas com o ambiente, tais como : piso escorregadio (26%), atrapalhar-se com objetos no

chão (22%), trombar em outras pessoas (11%), subir em objetos para alcançar algo (7%),

queda da cama (7%), problemas com degrau (7%) e outros, em menores números.

Para Fabrício et al (2004) as causas das quedas em idosos podem ser variadas e estar

associadas e os problemas com o ambiente serão mais perigosos quanto maior for o grau de

vulnerabilidade do idoso e a instabilidade que este problema poderá causar.

CAPÍTULO 4 : ATIVIDADE FÍSICA

4.1 Efeitos da Atividade Física no Envelhecimento e a Prática de Hidroginástica

Segundo Rahal & Sguizzatto (2006) a atividade física é definida como qualquer

movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético maior que o

de repouso, exemplificada por esportes, exercícios físicos e determinadas experiências de

lazer e atividades utilitárias. Já o exercício físico é uma atividade planificada, estruturada,

repetitiva, que tem por objetivo manter ou aprimorar a aptidão física do indivíduo; podendo
72

ser considerada como um subtipo da atividade física. (RAHAL & SGUIZZATTO, 2006;

ROBERGS & ROBERTS, 2002; FOSS & KETEYIAN, 2000).

Por exemplo trabalhadores braçais, como pedreiros, realizam grande atividade física na

sua prática profissional; porém isso difere de uma atividade corporal planejada e

complementar as atividades de rotina com o intuito de manter ou melhorar certa aptidão

física. (ROBERGS & ROBERTS, 2002; FOSS & KETEYIAN, 2000)

Segundo Robergs & Roberts (2002) ironicamente, as pesquisas têm demonstrado que a

aptidão física melhora tanto com a atividade como com o exercício. Portanto, indivíduos com

tendência a ter um estilo de vida fisicamente ativo podem estar em boa forma física sem

necessariamente realizar o que denomina-se exercício físico. Nesse sentido Foss & Keteyian

(2000), nos mostra a atividade física, o exercício e o desempenho humano como funcionando

ao longo de um espectro (fig.26).

Fig. 6: Atividade física, exercício e desempenho humano operam ao longo


de um espectro. O aumento do dispêndio energético do indivíduo
(passando da esquerda para a direira) proporciona ganhos tanto em
saúde como em aptidão.
Fonte: Foss & KETEYIAN, 2000

Na extremidade direita, estão os atletas de endurence com desempenho de elite,

indivíduos que gastam uma enorme quantidade de tempo e de energia (Kcal - kilocalorias)
73

tentando aprimorar sua capacidade de realização. Esses atletas possuem altos níveis de

aptidão física (curva inferior) e obtiveram, a maior parte dos benefícios de saúde (curva

superior) que podem ser conseguidos por meio de exercício. No extremo esquerdo do

espectro, existe o indivíduo sedentário ou inativo que, do ponto de vista da saúde pública,

corre o alto risco de desenvolver certas doenças, como cardiopatias, certos cânceres e

diabetes. Essas pessoas possuem também o mais baixo nível de aptidão, o que segundo

Perracini, (2005) e Lima & Paschoal (2006) é um fator de forte correlação com quedas.

Porém, a figura a linha inferior mostra que nem todos precisam tornar-se pessoas altamente

aptas para conseguir a maioria dos benefícios de saúde procedentes da condição fisicamente

ativa.

No caso de indivíduos idosos a atividade física se reveste de importância, visto que,

diversos declínios funcionais decorrentes do aumento da idade são devidos a um estilo de vida

sedentário e a uma dinâmica psicossocial diferenciada; porém, sendo esses fatores extrínsecos

ao envelhecimento, são passíveis de modificação. Então a adoção de um estilo de vida mais

saudável, como a inclusão de uma atividade física regular na rotina dos gerontes, poderá ser

eficaz para um envelhecimento bem sucedido, visto que minimizará o declínio da

performance física. (AMORIM&DANTAS, 2003)

Para Amorim & Dantas (2003), a importância da atividade física para idosos é grandiosa

na profilaxia de doenças e na melhora da qualidade de vida. Segundo o American College of

Sports Medicine - ACMS apud Amorim & Dantas (2003) por causa do seu baixo status

funcional e alta incidência de doenças crônicas, não há segmento populacional que se

beneficie mais dos exercícios que os idosos. Por sua vez os idosos sedentários de longos

períodos acabam por ter uma redução gradativa de todas as qualidades de aptidão física,

levando a comprometimentos da capacidade funcional; esse declínio da capacidade funcional

por sua vez pode ser tão significativo quanto os efeitos do próprio envelhecimento. Nota-se o
74

impacto de um estilo de vida sedentário no indivíduo idoso através do “ciclo vicioso do

envelhecimento humano” mostrado a seguir.

envelhecimento

Inatividade física Inatividade física

Ansiedade e
depressão Baixo
condicionamento

Baixa motivação+
Baixa auto-estima Fragilidade
músculo.esquelética

BAIXA INDEPENDÊNCIA

Fig. 7: Ciclo Vicioso do Envelhecimento


Fonte: NÓBREGA,1999 apud AMORIM e DANTAS, 2003

O engajamento do idoso em um programa de atividade física, muitas vezes, representa

não só benefícios físicos; mas também melhora da socialização, bem-estar, melhora da auto-

estima, segurança, diminui sintomas de depressão e ansiedade; afastando-o do “ciclo vicioso

do envelhecimento”. (THOMAS, 2000; DANTAS & OLIVEIRA, 2003; RAHAL &

SGUIZZATTO, 2006)
75

4.2. Hidroginástica

Como os efeitos fisiológicos do exercício físico regular em idosos, bem como em

qualquer outra faixa etária, dependem dentre outros fatores, do tipo de exercício realizado;

serão mencionados aqui especificamente os efeitos fisiológicos referentes à prática de

exercícios aeróbicos em especial a hidroginástica

Vários autores defendem que a atividade física aeróbica é ideal para idosos; em virtude

de seus benefícios fisiológicos que dizem respeito principalmente a melhora da função

circulatória e respiratória como: aumento do VO2 máximo; aumento da ventilação máxima;

aumento da densidade da rede capilar da musculatura, da atividade enzimática aeróbia dos

músculos; redução da agregação plaquetária, aumento das lipoproteínas de alta densidade

(HDL-colesterol); diminuição dos níveis sanguíneos de lípedes; pode levar diminuição da

pressão arterial sistólica e diastólica em hipertensos. Além de estímulo hormonal e

imunológico e estarem relacionadas a menor incidência de patologias como: coronariopatias,

diabetes tipoII, obesidade, osteoporose, neoplasias de cólon, ansiedade e dep ressão.

(THOMAS, 2000; DANTAS & OLIVEIRA, 2003; RAHAL & SGUIZZATTO, 2006)

Outros efeitos do treinamento aeróbico igualmente importantes e que tem ligação mais

direta com a motricidade do indivíduo são: melhora da força, da flexibilidade e da densidade

óssea. Porém esses efeitos são varáveis de acordo com o tipo de atividade desenvolvida,

duração, intensidade e freqüência. Entretanto, de modo geral, a maior intensidade de

treinamento resulta em resposta mais acentuada. (THOMAS, 2000; DANTAS & OLIVEIRA,

2003; RAHAL & SGUIZZATTO, 2006)

Exemplos de exercícios aeróbicos incluem caminhar, correr, andar de bicicleta, fazer

hidroginástica, nadar e até mesmo subir escadas. A hidroginástica encontra-se bastante


76

difundida no Brasil, principalmente entre idosos e é praticada principalmente por mulheres. E

pode ser conceituada como uma forma de condicionamento físico constituído de exercícios

aquáticos específicos, baseados no aproveitamento da resistência da água como sobrecarga,

sendo realizados de maneira agradável e recreativa. É recomendável que a água fique na

altura do tórax, para proporcionar para proporcionar uma flutuação que alivie a sustentação do

corpo. (PASSOS & OLIVEIRA, 2003)

Em virtude dessas propriedades específicas da água como a flutuação; a hidroginástica

pode ser considerada uma atividade aeróbica de baixo impacto, com diminuição das forças

gravitacionais, diminuição do estresse mecânico do sistema músculo-esquelético.Por esse

conjunto de fatores há quem afirme que a água seria o ambiente ideal para o indivíduo idoso

que já tem ossos ou articulações fracas. Porém, são patentes os benefícios do treinamento

resistido para o sistema músculo-esquelético. (PASSOS&OLIVEIRA, 2003; RAHAL &

SGUIZZATTO, 2006)

Um estudo realizado por Alves et al (2004) demonstrou que idosas sem atividade regular

ao serem submetidas a aulas de hidroginástica por três meses, duas vezes na semana;

obtiveram melhora na resistência de membros inferiores, força e resistência de membros

superiores, flexão de membros inferiores, mobilidade física (velocidade, agilidade e

equilíbrio) e flexibilidade dos membros superiores.

Passos & Oliveira (2003) afirmam que a água e o exercício físico formam uma

combinação saudável proporcionando ao praticante uma acentuada melhora na capacidade

funcional dos músculos e aumento da amplitude articular.


77

4.3 Atividade Física X Quedas

Guimarães et al (2004) afirma que o risco de quedas pode ser diminuído com a prática de

exercícios físicos. A atividade física tem sido comprovada como fator de melhora da saúde

global do idoso, sendo o seu incentivo, uma importante medida de prevenção das quedas,

proporciona ao idoso maior segurança na realização de suas atividades de vida diária garante

a melhora da performance funcional e conseqüentemente leva a uma maior independência,

autonomia e qualidade de vida do idoso. Por outro lado, a falta de atividade física contribui

ainda mais para a propensão de quedas, por acelerar o curso do envelhecimento, pois algumas

modificações fisiológicas e psicológicas observadas no idoso podem ser em parte atribuídas

ao estilo de vida sedentário.

Um estudo realizado por Guimarães et al (2004), que avaliou a propensão de quedas em

idosos com idade entre 65 a 75 anos demonstrou que 95% dos idosos que praticavam

exercício físico regular tinham um baixo risco de queda; enquanto 80%dos sedentários tinham

um alto risco de queda. Lima & Paschoal (2006) relata que estudos feitos nos Estados Unidos

(EUA) pelo National Institute on Againg e o National Institute for Nursing Research, para

verificar o papel dos exercícios na prevenção de quedas. Verificaram que participantes de

grupos de exercícios tinham um risco estimado em cair 10% menor que os controles e que

intervenções diretamente direcionadas para o equilíbrio atingiram uma redução de 25% no

risco de cair e que idosos que receberam aulas de Tai Chi (um exercício de equilíbrio

dinâmico) diminuíram o risco de queda em 37% em relação ao grupo controle. Mitchell &

Glasgow (2000) realizaram um estudo para avaliar a influência de um programa de atividade

física regular para idosos residentes na comunidade, e constataram que após seis semanas de

exercícios houve melhora significativa na mobilidade e no alcance funcional e que ao final de


78

três meses, 63% dos indivíduos não relataram nenhuma queda adicional. Rahal & Sguizzatto

(2006) mencionam que o Tai Chi, Hidroginástica, musculação e alongamentos com exercícios

aeróbicos, como práticas que estão relacionadas a redução de quedas em idosos com 75 anos

ou mais.

Pode-se notar que apesar da necessidade de mais estudos que possam verificar qual o tipo

de atividade mais benéfica para pessoas dessa faixa etária; é notável que em maior ou menor

grau, o exercício físico regular influencia substancialmente na melhora da capacidade

funcional e prevenção de quedas


79

METODOLOGIA

A pesquisa foi iniciada após a aceitação da Professora Orientadora Angélica Homobono

Nobre (Apêndice A), aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa - CEP da Universidade da

Amazônia – UNAMA (Apêndice B), autorização das Instituições envolvidas no projeto e

assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice C) por todos os

participantes da pesquisa.

O estudo foi do tipo caso-controle, a amostra foi composta por dois grupos distintos

constituídos de 15 pessoas cada, sendo o primeiro grupo idosos que praticavam hidroginástica

regularmente na Universidade do Estado do Pará – UEPA (Campus III, 10 de Dezembro,

Belém – Pará) e o outro grupo foi de idosos não praticantes de exercício físico regular que

participaram do Projeto de Atualização Cultural na Terceira Idade entre 2005 e 2006;

oferecido pela Universidade da Terceira Idade (UNITERCI) que é um Projeto de Extensão da

Universidade Federal do Pará – UFPA (Bairro do Guamá, Belém – Pará).

A pesquisa de campo foi composta de 5 (cinco) momentos distintos: sensibilização dos

idosos para participar da pesquisa foi feita através de palestras (fig.8); aplicação de

questionário para triagem (Apêndice D); contato com os idosos que se enquadravam no perfil

da pesquisa e agendamento das avaliações de acordo com a disponibilidade de tempo dos

idosos; assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, entrevista sobre quedas

(Apêndice E) e avaliação psicomotora (fig. 9). Essas etapas foram realizadas durante o

período de fevereiro de 2006 até a primeira semana de novembro de 2006.


80

Fig.8: Palestra realizado na UEPA.


Fonte: Dados da Pesquisa

A B

C D

Fig. 9: Avaliação Psicomotora, A - Motricidade Global; B – Equilíbrio; C - Estruturação Temporal e


D – Motricidade Fina.
Fonte: Dados da Pesquisa

O mesmo procedimento foi feito com os dois grupos; a avaliação psicomotora foi

realizada sempre pelos mesmos avaliadores sendo que cada avaliador era sempre responsável

pela realização dos mesmos testes em todos os idosos em ambos os grupos (fig. 10).
81

A B
Fig.10: Prova de Equilíbrio. A – realizado na UFPA e B – na UEPA
Fonte: Dados da pesquisa

Os materiais utilizados foram os mesmo em ambos os grupos, sendo que alguns materiais

foram confeccionados e elaborados pelas próprias autoras (fig.11) e outros foram adquiridos

(fig.12)

A B

C D

E F

Fig. 11: Confecção do material, A e B – Cartãode gestos. C a F-


Tabuleiro de formas geométricas.
Fonte: Dados da Pesquisa
82

A B

Fig. 12: Materiais Adiquiridos, A – caixas para construção de torre e ponte;


B – bolinhas; C – banco de madeira
Fonte: Dados da Pesquisa

As avaliações foram feitas em salas cedidas pelas instituições UFPA e UEPA; com a

exigência que estas tivessem no mínimo 18 m2.

Foram considerados como Critérios de Inclusão: sexo feminino; idade entre 60 e 75 anos;

ser independente para locomoção (sem auxílio de órtese, prótese ou outra pessoa). Para o

Grupo 1: praticar hidroginástica 3 vezes por semana há pelo menos 6 meses; para o Grupo 2:

não praticar exercício físico regular há pelo menos 6 meses.

Os Critérios de Exclusão foram: sexo masculino, indivíduos que não se enquadravam na

faixa etária estabelecida, portadores de doenças neurodegenerativas, distúrbio vestibular não

controlado, cardiopatia descompensada e pessoas não capazes de se locomoverem de forma

independente. Para o Grupo 1: pessoas praticantes de hidroginástica a menos de 6 meses;

pessoas que praticavam mais de 1 exercício físico de forma regular. Para o Grupo 2: praticar

exercício físico regularmente.


83

A avaliação psicomotora foi feita através da adaptação da Escala de Desenvolvimento

Motor proposta por Francisco Rosa Neto para Desempenho Motor da Terceira Idade

(Apêndice F) que é composta de testes para avaliar: motricidade fina, motricidade global,

equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e organização temporal e lateralidade.

Porém, como a bateria foi proposta para crianças; no presente estudo a avaliação dos

resultados foi feita de forma diferenciada. Assim para cada fator psicomotor avaliado foram

realizados 10 testes que valiam de 02 à 11 pontos em ordem crescente de dificuldade. Para

cada atividade em que o idoso tinha êxito era atribuído o sinal positivo (+); se o idoso só

conseguisse êxito com um dos membros registrava-se ½ (+/-) e contava-se apenas metade dos

pontos correspondentes àquela atividade e para a não realização da atividade o sinal era

negativo (-) e não era atribuído nenhum ponto.

Exemplo:

Motricidade Fina:

(+) 02 pontos Construção de uma torre


(+) 03 pontos Construção de uma ponte
(+) 04 pontos Enfiar a linha na agulha
(+) 05 pontos Fazer um nó
(+) 06 pontos Labirinto
(+) 07 pontos Bolinha de papel
(+) 08 pontos Ponta do polegar
(+) 09 pontos Lançar uma bola
(+/-)10pontos Círculo com polegar
(+) 11 pontos Agarrar uma bola

Desempenho = 02 + 03 + 04 + 05 + 06 + 07 + 08 + 09 + 05 + 11 = 60 pontos
Psicomotor DP (MF)
para Motricidade
Fina
84

DESEMPENHO PSICOMOTOR: PONTUAÇÃO


Motricidade Fina – DP (MF) 60 pontos
Motricidade Global – DP (MG) 50 pontos
Equilíbrio – DP (EQ) 40 pontos
Esquema Corporal – DP (EC) 50 pontos
Organização Espacial – DP (OE) 50 pontos
Organização Temporal – DP (OT) 65 pontos

Depois se contava os pontos de cada atividade que corresponderia ao desempenho

psicomotor avaliado e somavam-se os desempenhos, posteriormente fazia-se uma média

aritmética; como mostra o exemplo a seguir.

Exemplo:

Fórmula do Desempenho Motor Geral (Média dos Fatores Psicomotores)

DP (G) = DP (MF) + DP (MG) + DP (EQ) + DP (EC) + DP (OE) + DP (OT)

Exemplo:

DP (G) = 60 + 50 + 40 + 50 + 50 +65 = 52,5

Após os cálculos o desempenho psicomotor geral foi submetido a uma escala de

classificação dos resultados (adaptação da escala utilizada por Francisco Rose Neto)
85

Pontuação Classificação
55 – 65 pontos Muito Superior
45 – 54 pontos Superior
35 – 44 pontos Normal Alto
25 – 34 pontos Normal Médio
15 – 24 pontos Normal Baixo
10 – 14 pontos Inferior
09 – 0 pontos Muito Inferior
Quadro 1.: Escala de Classificação
Fonte: ROSA NETO, 2002

Feito isso, foi realizada a análise estatística através dos testes T de Student e Mann-

Whitney (quando havia heterocedasticidade dos dados) para verificar se existia diferença

estatisticamente significante entre os dois grupos no que diz respeito ao desempenho

psicomotor para motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal,

organização espacial e organização temporal.

Foi realizado também o teste Odds Ratio (razão de chance) no sentido de verificar

associação entre pratica de exercícios e quedas.

Além disso, foram realizados os testes Mann-Whitney para verificar se havia diferença

estatisticamente significante entre a média de idade dos 2 (dois) grupos. Para todos os testes

considerou-se estatisticamente significante quando p ”0,05.


86

RESULTADOS E DISCUSSÃO

1. Caracterização dos Grupos Envolvidos na Pesquisa

Antes de expor os resultados da pesquisa, faz-se necessário caracterizar os dois grupos

em questão.

O grupo praticante de exercício físico regular (hidroginástica) realiza essa atividade no

CAMPUS III da UEPA, onde ao assistir uma aula, observar-se que o ritmo e a intensidade dos

exercícios são de leves a moderados. Baseando-se principalmente em alongamentos,

relaxamento, além de alguns exercícios resistidos através de flutuadores (noodles ou

“macarrão”), porém estes são realizados principalmente para membros superiores, sendo que

a maioria dos exercícios para membros inferiores baseia-se em flexo-extensão de joelho e

quadril com resistência apenas da água. Outro aspecto que merece ser ressaltado é que os

alunos, durante toda a aula, mantém-se em flutuação, pois a profundidade da piscina não

permite que os idosos encostem os pés no solo e por isso todos fazem uso de flutuadores de

tronco.

Porém para Passos & Oliveira (2003) é recomendável que a água fique na altura do tórax,

para proporcionar uma flutuação que alivie a sustentação do corpo; estes autores mencionam

ainda que o meio aquático possibilita uma maior velocidade na movimentação e permite a

prática de exercícios aeróbicos como corridas e até mesmo saltos, atividades que para alguns

idosos talvez fossem impossíveis em terra.

No entanto, o que se pode perceber através da breve descrição dada da aula, é que as

vantagens que o meio aquático pode vir a oferecer a população idosa, parecem não estar

sendo aproveitadas em sua totalidade pelos coordenadores da atividade em questão. Pois ao


87

privarem o idoso do contato com o solo da piscina; diminuem suas informações

proprioceptivas, por menor estímulo dos receptores sensoriais como os plantares e cutâneos; a

falta de descarga de peso também pouco estimulará mecanoreceptores, tônus e controle

postural, além de não contribuir muito para melhora da densidade óssea.

Todos esses aspectos podem contribuir para que esses idosos não tenham uma resposta

psicomotora tão boa quanto se pode esperar de um treinamento mais especializado. As figuras

(13 A e B) ilustram momentos da aula.

A B

Fig.13: Aula de Hidroginástica na UEPA A - idosas,em dupla, realizando exercícios para membro superior
durante a aula de hidroginástica. B –idosas realizando exercícios em dois grandes grupos.
Fonte: Pesquisa de campo

No que diz respeito às idosas não praticantes de exercício físico regular e que freqüentam

a universidade da terceira idade (UNITERCI) na UFPA, é importante ressaltar que estas

possuem um estilo de vida bastante ativo, pois além de freqüentarem as aulas oferecidas pela

universidade, participam de eventos, passeios, assistem a concertos, realizam caminhadas

esporádicas, dentre outras atividades.

Como Rahal & Sguizzatto (2006) definem atividade física como qualquer movimento

corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético maior que o de repouso,

exemplificada por esportes, exercícios físicos e determinadas experiências de lazer e


88

atividades utilitárias. Ainda que as idosas em questão não tenham uma atividade física

regular, estruturada que vise a aptidão física, como é o caso das praticantes de hidroginástica,

não podemos considerar que esse grupo é composto por pessoas sedentárias.

Visto que Foss & Grabowski (2000) consideram que nem todos precisam tornar-se

pessoas altamente aptas para conseguir a maioria dos benefícios de saúde procedentes da

condição fisicamente ativa. Pode-se inferir que idosas com um grau de atividade física

razoável e que freqüentem um programa como a UNITERCI, talvez possam manter um bom

nível psicomotor mesmo quando comparadas a idosas praticantes de exercício físico regular,

como a hidroginástica. Até porque, segundo Papalia & Olds (2000) a atividade mental

continuada ajuda a manter o desempenho cognitivo em nível elevado, e sabe-se que o aspecto

cognitivo tem íntima relação com o desempenho psicomotor, por envolver raciocínio,

atenção, tempo de reação dentre outros.

A B

Fig. 14: Atividade Desenvolvida na UNITERCI. A- idosas assistindo a palestras na UFPA.B - idosa
freqüentadora de longa data da universidade da terceira idade onde, seu talento para poesia é bastante
estimulado.
Fonte: Uniterci

Assim foi realizada uma avaliação psicomotora em 30 pessoas, todas do sexo

feminino, com idade entre 60 e 75 anos, sendo 15 praticantes de hidroginástica há pelo menos

seis meses e 15 freqüentadoras da UNITERCI não praticantes exercício físico regular. Sendo
89

que a média de idade das praticantes de hidroginástica foi de 67 anos e a das não praticantes

foi de 63 anos. Feito o teste Mann-Whitney constatou-se existir uma diferença

estatisticamente significante entre as médias de idade (p = 0,0213).

Para melhor compreensão acerca dos resultados e devidas considerações sobre os

mesmos, será feita uma subdivisão da discussão em temas. Primeiro será apresentado um

apanhado geral sobre os aspectos socioeconômicos dos grupos em questão, posteriormente:

análise estatística do desempenho dos grupos na avaliação psicomotora, análise do

desempenho dos grupos por fator psicomotor,análise do desempenho psicomotor geral dos

grupos e por ultimo, freqüência de quedas no ultimo ano em ambos os grupos.

2. Aspectos Socioeconômicos

Com relação aos aspectos socioeconômicos e estilo de vida, no grupo das praticantes de

hidroginástica: 66% eram casadas e 34% separadas, viúvas ou solteiras; nenhuma das idosas

morava sozinha; 100% das idosas se declararam não-fumante. Quanto ao grau de instrução:

13% possuíam ensino fundamental incompleto, 27% ensino fundamental completo, 7%

ensino médio incompleto, 46% ensino médio completo e 7% possuíam ensino superior

completo; 100% das idosas eram independentes para as AVDs (atividades de vida diária) e

IADLs (atividades instrumentais da vida diária) como: vestir, tomar banho, cozinhar, fazer

compras e cuidar da casa. A forma de locomoção mais utilizada foi o ônibus, com 67%.

No grupo de não praticante de exercício físico regular, observou-se que: 40% eram

casadas e 60% eram separadas, viúvas ou solteiras; 20% moravam sozinhas e 80% moravam

com a família ou cônjuge; 100% das idosas se declararam não-fumantes; quanto ao grau de

instrução: 40% tinham ensino fundamental incompleto, 13% ensino fundamental completo,
90

27%ensino médio completo e 20% possuíam ensino superior completo. Esse grupo também

contava com 100% de idosas independentes para as AVDs e IADLs. A forma de locomoção

mais frequentemente mencionada foi o ônibus com 80%.

No que diz respeito a problemas que afetem a saúde das idosas participantes da pesquisa,

os mais mencionadas foram: hipertensão (não-praticantes: 10 pessoas; praticantes: 5 pessoas)

e a osteoartrose (5 pessoas entre os não-praticantes e 2 entre os praticantes).

3
Labirintite 0
4
Diabetes 0
Osteoporose 2
1
5 Não Prat.
Osteoartrose 2
10 Prat.
Hipertensão 5
0
Nenhum 6
0 2 4 6 8 10
Frequência
.
Gráfico 1 – Problemas que afetam saúde e qualidade de vida das participantes da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa

Sabendo que doenças degenerativas nas articulações, labirintopatias e crises hipertensivas

são condições patológicas que atuam como fatores intrínsecos para o risco de quedas em

idosos (BARBOSA & NASCIMENTO, 2001; PEREIRA, 2004; PERRACINI, 2005); que a

osteoporose acarreta em maior risco de fraturas quando ocorre uma queda; que doenças

vasculares como a diabetes e a hipertensão podem influenciar no aspecto cognitivo, por

interferirem na circulação, oxigenação e metabolismo cerebrais (MENDONÇA, 2006), sendo

que o aspecto cognitivo tem relação com quedas. Pode-se inferir que as alterações relatadas
91

pelas idosas possam ter influenciado na ocorrência de quedas entre estas. Contudo, vale

ressaltar que estas alterações ocorrem com freqüência nesta faixa e etária, e logo, seriam

necessários exames específicos para quantificar e diferenciar os sinais do envelhecimento

primário dos do envelhecimento secundário.

Outra questão que deve ser mencionada é que todos os dados expostos até aqui, tanto em

relação a problemas que afetam a saúde, como os dados socioeconômicos, foram baseados em

dados obtidos através da aplicação de questionários respondidos pelas idosas.

3. Análise Estatística do Desempenho dos Grupos na Avaliação Psicomotora

Os resultados da avaliação psicomotora mostraram um melhor desempenho das idosas

praticantes de hidroginástica em 5 dos 6 fatores considerados: motricidade fina, motricidade

global, equilíbrio, estruturação espacial e esquema corporal. Já o grupo das não praticantes

obtiveram melhor resultado apenas no fator estruturação temporal (tabela 4.1).

Tabela 1: Desempenho Psicomotor das Idosas Praticantes de Hidroginástica e Não Praticantes de Exercício
Físico Regular
FATOR PRATICANTES DE NÃO PRATICANTES DE
PSICOMOTOR HIDROGINÁSTICA EXERCÍCIO FÍSICO
REGULAR
Motricidade Fina 58.10 pontos 57.73 pontos
Motricidade Global 26.73 pontos 24.83 pontos
Equilíbrio 41.53 pontos 40.93 pontos
Estruturação Espacial 59.87 pontos 56.73 pontos
Esquema Corporal 60.70 pontos 55.13 pontos
Estruturação Temporal 53.10 pontos 56.80 pontos
Desempenho Geral 49.34 pontos 48.59 pontos
Fonte: Dados da pesquisa
92

Contudo os teste t de Student e Mann-Whitney revelaram não existir diferença

estatisticamente significante entre o desempenho psicomotor dos indivíduos dos dois grupos,

em nenhum dos fatores avaliados (considerando-se p ”   6HQGR TXH REWHYH-se os

seguintes resultados para cada fator avaliado: motricidade fina: p = 0,8835; motricidade

global: p= 0,6639; equilíbrio: p = 0,9240; esquema corporal: p = 0,4680; orientação espacial:

p= 0,2998; organização temporal: p = 0,3822. A média geral do desempenho psicomotor, que

é dada através das médias dos desempenhos, também foi estatisticamente insignificante;

através do teste t de student obteve-se p=0,7687.

Podemos listar alguns motivos para que os dados, ao serem submetidos à análise

estatística, não tenham mostrado uma diferença significante entre o desempenho psicomotor

dos grupos; um deles diz respeito ao número reduzido da amostra - o que pode ser justificado

pela dificuldade em encontrar pessoas que se enquadrassem nos critérios de inclusão e que

estivessem dispostas a ser voluntárias na pesquisa; outra questão é que a média de idade das

idosas praticantes de hidroginástica foi mais alta que a média das não praticantes, e como bem

se sabe, sendo o envelhecimento um processo progressivo com alterações morfofisiológicas

cumulativas ao longo da idade o desempenho motor do indivíduo tende a piorar com o

avançar da idade.

Outro aspecto que merece destaque é as especificidades dos grupos, que já foram

mencionadas anteriormente. Assim pode-se inferir, quanto ao grupo de hidroginástica, que o

tipo de treinamento a que essas idosas estão sendo submetidas, pelo que já foi exposto, pode

não ter acarretado em efeitos de adaptação ao exercício físico tão significativos quanto os

encontrados no estudo de Alves et al (2004), em que idosas sem atividade regular ao serem

submetidas a aulas de hidroginástica por três meses, duas vezes na semana; obtiveram

melhora na resistência de membros inferiores, força e resistência de membros superiores,

flexão de membros inferiores, mobilidade física (velocidade, agilidade e equilíbrio) e


93

flexibilidade dos membros superiores. Fatores que tem intima relação com o desempenho

psicomotor do individuo.

Ou como no estudo de Silva (1999) onde 20 idosos, entre 61 e 79 anos de ambos os

sexos, submetidos a aulas de hidropsicmotricidade (exercício físico realizada dentre da água,

porém estruturada na psicomotricidade) duas vezes por semana, durante três meses, revelou

melhora nos sete aspectos avaliados (motricidade fina, motricidade global, equilíbrio,

esquema corporal, organização espacial, organização temporal e lateralidade). Porém esse

estudo apesar de revelar melhoras quantitativas, não submeteu os dados a nenhum teste

estatístico para verificar sua significância.

Quanto ao fato do desempenho das idosas não praticantes de atividade física ter se

equiparado (nos testes estatísticos) ao desempenho das praticantes de hidroginástica. Podem

ser mencionadas como causas: a menor média de idade, o estilo de vida ativo e a prática de

uma atividade mental continuada. Para Papalia & Olds a atividade mental continuada (leitura,

palavras cruzadas, jogo de cartas, etc.) contribui para um nível cognitivo elevado.

É importante notar que a cognição abrange várias componentes; como memória,

comunicação, a linguagem falada e escrita, as habilidades motoras, a aprendizagem, a

capacidade para resolver problemas e o raciocínio. Sendo que atenção, tempo de reação,

processamento cognitivo, memória e habilidades visual-espaciais são as principais alterações

percebidas no envelhecimento normal. (VANDERVOORT, 2000; MENDONÇA, 2006).

Visto que a psicomotricidade pode ser considerada como a integração das funções

motrizes e mentais, sob o efeito do desenvolvimento do sistema nervoso, que abrange as

relações existentes entre a motricidade, a mente e a afetividade do indivíduo (Ministério da

Educação e do Desporto e Secretaria de Educação Especial apud REZENDE et al ,2003).

Apesar da carência de estudos nessa área pode-se inferir que freqüentar um programa como a

UNITERCI, pode ajudar a manter um bom nível de desempenho psicomotor no indivíduo


94

idoso, retardando ou lentificando, em maior ou menor grau que a atividade física, o processo

de retrogênese psicomotora.

3.1 Análise do Desempenho dos Grupos por Fator Psicomotor

Apesar de, à análise estatística, o resultado do desempenho psicomotor dos grupos ter

sido equivalente, não existindo diferença estatisticamente significante. Não podemos

desconsiderar os resultados obtidos; que mostram que o grupo praticante de atividade física

regular (hidroginástica) teve melhor desempenho em cinco dos seis fatores avaliados (tabela

4.1); apesar das limitações referentes ao exercício físico e à média de idade do grupo.

Nesse sentido as maiores diferenças em relação aos fatores psicomotores foram

respectivamente: esquema corporal (praticantes: 60.70 pontos; não-praticantes: 55.13 pontos),

estruturação espacial (praticantes: 59.87 pontos; não-praticantes: 56.73 pontos), motricidade

global (praticantes: 26.73 pontos; não-praticantes: 24.83 pontos), equilíbrio (praticantes

:41.53pontos; não-praticantes: 40.93 pontos) e motricidade fina (praticantes: 58.10 pontos

;não-praticantes: 57.73 pontos). Já as idosas não-praticantes de exercício físico regular e que

freqüentam a UNITERCI obtiveram um melhor resultado apenas no fator estruturação

temporal (praticantes:53.10;não-praticantes:56.80).

No que diz respeito ao esquema corporal, que pode ser definido como o conhecimento e a

representação do próprio corpo e sua representação ativa e dinâmica do espaço

(THOMPSON, 2000). Pode-se dizer que a prática da hidroginástica estimula uma maior

consciência corporal, pois para realizar as atividades propostas faz-se necessário ter-se um

bom conhecimento a respeito dos segmentos corporais e de sua localização no espaço. Já as

idosas não praticantes de atividade física regular,talvez por não trabalharem muito o corpo de
95

forma especifica e sistemática, com maior estímulo proprioceptivo e portanto, não exercitando

também a sua capacidade de percepção deste em relação a si e ao meio; tiveram um menor

desempenho.

Isso pode ser confirmado por Fonseca (1995) quando este afirma que as informações

proprioceptivas que passam pelos circuitos espinhais são pré-selecionadas no tronco cerebral

e nas estruturas talâmicas, ascendem ao córtex parietal tomando a conscientização específica

do corpo, sendo que essa conscientização é adquirida através das experiências motoras e do

convívio social. Portanto, com base nos resultados, pode-se inferir que o exercício físico

sistemático que estimula a conscientização corporal e o convívio social (como a

hidroginástica), pode ser eficaz para a conservação psicomotora e lentificação do processo de

retrogênese.

Quanto à estruturação espacial, para Fonseca (1995), sua aquisição requer capacidade de

interpretar informações sensoriais em termo de espaço para que se possam construir os

conceitos espaciais em termos sensoriais e motores. E isso se dá através de informações

vestibulares, proprioceptivas e exteroceptivas relacionadas com os dados espaciais; dessa

forma havendo a construção do espaço. Esse processo se dá durante a infância e sua

deterioração gradual, bem a dos outros fatores psicomotores, ocorre durante o

envelhecimento.

Nesse sentido é possível perceber que a estruturação espacial tem íntima relação com o

esquema corporal e que, pelos motivos já citados; idosas praticantes de atividade física

regular como a hidroginástica, tendem a ter uma melhor estruturação espacial quando

comparados a idosas não praticantes de exercício físico regular.

A motricidade global, segundo Rezende et al (2003) é a capacidade de realizar

movimentos voluntários que são pré-estabelecidos para um determinado objetivo, e está

relacionada com a realização e a automação dos movimentos globais complexos, que se


96

desenrolaram num determinado tempo exigindo a atividade conjunta de vários grupos

musculares.

Nesse sentido, sabendo dos benefícios do exercício físico regular aeróbico como ganho

de força e flexibilidade; e no caso especifico da hidroginástica estudos mostram melhora na

resistência de membros inferiores, força e resistência de membros superiores, flexão de

membros inferiores, mobilidade física (velocidade, agilidade e equilíbrio) e flexibilidade dos

membros superiores (ALVES et al, 2004; PASSOS & OLIVEIRA, 2003). Pode-se inferir que

uma melhor aptidão física do sistema músculo-esquelético, e o treino de movimentos globais

na piscina; proporcionados pela hidroginástica, possam ser responsáveis pelo melhor

desempenho das praticantes de exercício físico regular quando comparado ao desempenho das

idosas que não realizam essa atividade.

Com relação ao equilíbrio a diferença encontrada entre os grupos foi de apenas 0,60

pontos.O equilíbrio é formado por um conjunto de aptidões estáticas e dinâmicas, abrangendo

o controle postural e o desenvolvimento de aquisições motoras, sendo considerado por Rosa

Neto (2002) como a base para toda ação diferenciada do segmento corporal. O seu controle

envolve aspectos sensoriais como o sistema vestibular e a visão, além de contração tônica dos

músculos profundos, realizada através de reflexos. Nesse sentido uma boa condição músculo

esquelética também é muito importante para o equilíbrio corporal em conjunto com outros

fatores psicomotores, como tonicidade e estruturação espacial.

Podemos inferir que a pouca diferença encontrada entre os grupos se deva ao treinamento

pouco especifico da hidroginástica para esse fator, por que como já foi dito as idosas fazem

uso de flutuadores de tronco durante toda a aula e não encostam os pés no chão, o que diminui

suas informações proprioceptivas e exige um menor controle tônico. Outra questão importante

é a força muscular em membros inferiores, visto que a fraqueza dessa musculatura e da


97

cintura pélvica está fortemente associada à ocorrência de quedas; e o trabalho realizado pelas

praticantes de exercício físico no sentido de fortalecer essa musculatura é bastante débil.

Se o outro grupo avaliado fosse de sedentárias talvez as praticantes de hidroginástica

obtivessem um melhor resultado, como nos estudos citados por Guimarães et al, 2004 que

mostraram que o exercício físico regular é uma modalidade terapêutica que melhora a

mobilidade e a estabilidade postural; estando diretamente relaciona com a diminuição de

quedas.E que a participação em programas de exercícios de leve intensidade tem demonstrado

reduzir significativamente o número de quedas comparado com pessoas que não realizam

exercício físico.Porém como o grupo as idosas que freqüentam a UNITERCI é composto por

pessoas bastante ativas, com um bom nível de mobilidade; os resultados praticamente

equipararam-se entre os grupos.

O fator motricidade fina apresentou uma diferença entre os grupos de apenas 0,37 pontos.

Este fator pode ser considerado como um aspecto particular da coordenação global, que

envolve atividades complexas de preensão e manipulação, utilizando pequenos músculos e

exigindo muita perícia manual.Em virtude dessa complexidade, a motricidade fina é o

primeiro fator psicomotor a ser afetado durante o envelhecimento; em virtude principalmente

do comprometimento da visão, o que afetara de forma marcante a realização de atividade

óculos-manuais (BEAR et al, 2002; FONSECA, 1995; Le Bouch,1982) .Outro fator que

merece ser ressaltado é que doenças reumáticas como a artrite, ao comprometeram as mãos,

podem comprometer a realização dessas atividades, visto que a mão é o principal órgão deste

fator psicomotor, considerada a unidade motora mais complexa (BEAR et al, 2002;

FONSECA, 1995).

Nesse sentido, a pequena diferença encontrada para o fator motricidade fina, demonstra

que a hidroginástica, por trabalhar de forma mais global e por não ser composta de

movimentos que envolvam atividades óculo-manuais complexas, parece não interferir na


98

manutenção desse fator pisicomotor.Por outro lado, como a praxia fina é mais sutil, sendo

estimulada por atividades como pintura, crochê, bordado, tocar um instrumento musical,

dentre outras atividades manuais; atividades estas não foram investigadas durante pesquisa

mas foram mencionadas de forma esporádica por algumas idosas em ambos os grupos, não se

pode chegar a muitas conclusões a esse respeito.

Com relação ao grupo de idosas não praticantes de exercício físico regular ter alcançado

melhor resultado no fator estruturação temporal, com uma diferença de 3.70 pontos em

relação às praticantes de hidroginástica, pode inferir que seja em virtude da sua atividade

intelectual na UNITERCI.Visto que a estruturação temporal é caracterizada por ser uma

noção de controle e de organização, abrangendo desde o nível da atividade até o da cognição.

Além disso, a consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas, e sua retenção

está associada à memória e à codificação da informação contida nos acontecimentos.

(FONSECA, 1995; ROSA NETO, 2002)

3.2. Análise do Desempenho Psicomotor Geral dos Grupos

Os gráficos 2 e 3, mostram o desempenho psicomotor geral de ambos os grupos quando

classificados em: muito superior, superior, normal alto, normal médio, normal baixo, inferior

e muito inferior. Onde se pode perceber que maioria dos participantes da pesquisa, em ambos

os grupos, alcançaram resultados entre muito superior e superior; sendo esse percentual de

66% nas idosas não praticantes de exercício físico regular e de 73% entre as idosas praticantes

de hidroginástica.
99

Nota-se ainda que entre as idosas não -praticantes exercício físico regular, o percentual de

pessoas com desempenho considerado muito superior foi de 39% enquanto que entre os

praticantes de hidroginástica esse percentual foi de 46%.

MUITO SUPERIOR
27% SUPERIOR
39% NORMAL ALTO
NORMAL MÉDIO
7% NORMAL BAIXO
0%
27% INFERIOR
MUITO INFERIOR

Gráfico 2 - Não praticantes de exercício físico regular


Fonte: Dados da pesquisa

MUITO SUPERIOR
SUPERIOR
46% NORMAL ALTO
27%
NORMAL MÉDIO
NORMAL BAIXO
0%
27% INFERIOR
MUITO INFERIOR

Gráfico 3 - Praticante de Hidroginástica


Fonte: Dados da pesquisa

Diante dos dados pode-se perceber que as idosas participantes da pesquisa, em sua

grande maioria possuem uma boa manutenção de seus fatores psicomotores (apresentando

desempenhos de normal médio a muito superior). Sendo que isso pode ser atribuído tanto a

prática de exercício físico regular como ao estilo de vida ativo dos grupos em questão.
100

4. Freqüência de Quedas no Último Ano

Com relação à freqüência de quedas no ultimo ano, como mostra o gráfico 4;

verificou-se que no grupo de não praticantes de exercício físico regular houve um índice de

queda igual a 33% (5 quedas) - sendo que uma idosa (7%) sofreu uma queda, três idosas

(20%) sofreram 2 quedas e uma idosa (7%) sofreu três quedas. Enquanto nas praticantes de

hidroginástica o índice de quedas no ultimo ano foi de 47% (7 quedas) - sendo que duas

idosas (13%) sofreram uma queda, três idosas (21%) sofreram duas quedas, uma idosa (7%)

sofreu três quedas e uma idosa (7%) sofreu mais de três quedas.

10 10
9 8
F
r 8
e 7
q
u 6
ê 5
n
4 3 3 Prat.
c
I 3 Não Prat.
2
a 2
1 1 1 1
1
0
0
Nenhuma 2 Quedas Mais de 3

Nº de quedas

Gráfico 4 – Quantidade de quedas sofridas pelas participantes da pesquisa


Fonte: Dados da pesquisa

Pode-se perceber que no grupo de praticantes de hidroginástica houve um maior número

de pessoas que sofreram quedas no último ano. Nesse grupo, 7 pessoas caíram totalizando 16

quedas; no grupo das idosas não praticantes de hidroginástica, 5 caíram totalizando 10 quedas.

Quando aplicados os testes estatísticos, ODDS RATIO (razão de chance) e RR (risco relativo)

para avaliar se havia alguma relação de entre a prática de exercício físico e o risco de quedas,
101

observou-se resultados estatisticamente insignificantes com p=0,7094 (odds ratio) e p=0,3547

(risco relativo). Assim o exercício físico regular (hidroginástica) não foi observado como fator

de proteção para risco de quedas, nem quantitativamente nem estatisticamente. Sendo que

esses dados vão de encontro a vários estudos realizados sobre atividade física e quedas.

No estudo de Carvalho et al (2006), em que foi avaliada a propensão de quedas em idosos

com idade entre 65 a 75 anos demonstrou-se que 95% dos idosos que praticavam exercício

físico regular tinham um baixo risco de queda; enquanto 80% dos sedentários tinham um alto

risco de queda. Porém Rahal & Sguizzatto (2006) afirmam que a hidroginástica, está

relacionadas à redução de quedas em idosos com 75 anos ou mais. Em concordância com

Matsudo et al (2003) que afirma que o incremento e/ou a manutenção da atividade física

regular pode contribuir para aumentar capacidade funcional e a expectativa de vida de

mulheres idosas, mas parece ter menor beneficio nas mulheres menores de 75 anos de idade.

Apesar de parecer consenso cientifico que o exercício físico regular melhora a capacidade

funcional dos idosos e diminui sua propensão a sofrer quedas (GUIMARÃES et al, 2004).

Pode-se perceber que quando se trata de mulheres com idade menor que 75 anos surgem

dúvidas a esse respeito.

Desta forma como Foss & Keteyian (2000), afirmam que nem todos precisam tornar-se

pessoas altamente aptas para conseguir a maioria dos benefícios de saúde procedentes da

condição fisicamente ativa. Pode-se inferir que a causa da não-significância estatística quando

se relacionou: atividade física regular e número de pessoas que sofreram quedas; deve-se ao

estilo de vida ativo do grupo de idosas freqüentadoras da UNITERCI e da baixa intensidade

do exercício físico regular realizada pelo outro grupo em questão.

Além da maior média de idade do grupo das idosas praticantes de hidroginástica, o que

também pode ter influenciado na maior ocorrência de quedas nesse grupo (apesar da diferença

entre os grupos não ter sido estatisticamente significante); visto que para Pereira (2001) o
102

efeito cumulativo de alterações relacionadas à idade, doenças e meio ambiente inadequado

parecem predispor à queda.

Com relação à gravidade das quedas, das 5 idosas não praticantes de exercícios físicos

que sofreram quedas, 4 (80%) necessitaram procurar um serviço médico especializado em

decorrência desta (gráfico 5), sendo que 80% das idosas que caíram afirmaram que a queda

trouxe alguma conseqüência como fratura, luxação, contusão etc. (gráfico 6). Nesse sentido

pode-se perceber que apesar do menor número de quedas entre as pessoas destes grupos;

quando estas ocorreram, foram de maior gravidade, pela necessidade de procurar um serviço

médico especializado e por apresentarem alguma conseqüência, o que com certeza trouxe

algum tipo de limitação para o indivíduo.

7
7
6
F5 4
r4
e3 Prat.
q.2 Não Prat.
1
1 0
0
Sim Não
Auxílio médico

Gráfico 5 – Necessidade de procurar auxílio médico após ocorrência de queda


Fonte: Dados da pesquisa.
103

5
5
4.5 4
F
r 4
e 3.5
q 3
u 2.5 2
ê Prat.
2
n 1 Não Prat.
c 1.5
i 1
a 0.5
0
Sim Não
Consequência

Gráfico 6: Ocorrência de alguma conseqüência em virtude de quedas.


Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao local em que ocorreram as quedas; as idosas não praticantes de exercício físico

caíram mais em casa (4 quedas), principalmente ao descer escadas (3 quedas). Já as

praticantes de hidroginástica caíram mais na rua (6 quedas). Nesse sentido, pode-se levantar a

hipótese de que as idosas praticantes de hidroginástica tenham se exposto mais aos fatores de

risco extrínsecos para quedas; visto que estas em sua maioria ocorreram na rua, onde

freqüentemente existem obstáculos, desníveis etc. (gráfico 7)

0 1
A Levantando da cadeira
T 1
Andando em casa 0
I
V Andando na rua
1 3
I 0
D Descendo declive 2 Não Prat.
A 3
Descendo escada (Casa) 0 Prat.
D
0
E Descendo Escada (Rua) 1
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3

Frequência

Gráfico 7 – Atividade realizada no momento da queda


Fonte: Dados da pesquisa
104

Mas é importante ressaltar que os resultados obtidos: equivalência de desempenho

psicomotor entre idosas praticantes e não praticantes de exercício físico regular

(hidroginástica) e a não influência do exercício físico regular na prevenção de quedas. Não

podem ser estendidos a todos os indivíduos, em virtude do tamanho limitado da amostra e das

especificidades dos grupos em questão. Nesse sentido fazem-se necessários mais estudos para

se verificar até que ponto determinado tipo de atividade física que é amplamente difundido

pela sociedade e pelo meio cientifico como extremamente benéfica para a população idosa,

com é o caso da hidroginástica; de fato influencia na manutenção psicomotora dessas

mulheres e em sua propensão a quedas. Outros dois aspectos que também merecem maiores

estudos são: a influencia de um estilo de vida ativo (ainda que não envolva uma atividade

física regular) na manutenção psicomotora e na propensão de quedas em mulheres idosas e a

influência de uma atividade cognitiva continuada na manutenção psicomotora de mulheres

idosas e na propensão de quedas.


105

CONCLUSÃO

O estudo demonstrou equivalência de desempenho psicomotor entre idosas praticantes e

não praticantes de exercício físico regular (hidroginástica) e a não influência da atividade

física na prevenção de quedas; porém esses achados não podem ser estendidos a todos os

indivíduos; em virtude das características específicas dos grupos em questão. Esses resultados

apesar de não responderem as expectativas iniciais da pesquisa, revelaram algo interessante;

que apesar da pessoa idosa não praticar um exercício físico regular se ela mantiver um bom

nível de atividade, uma vida dinâmica, com convívio social e ainda mais tiver uma atividade

mental continuada; esta pode ter um envelhecimento bem-sucedido e produtivo, manter sua

independência e viver essa fase da vida de uma forma agradável e com um bom nível de

qualidade de vida.

Talvez por esse motivo programas educacionais especificamente criados para adultos

maduros estão florescendo em muitas partes do mundo, como na china que tem investido de

forma concisa nesse aspecto.Nesse sentido, seria importante o governo atentar para essa

questão educacional como fator relevante para a qualidade de vida da população idosa.

Com relação aos exercícios físicos regulares, estes são muito importantes para a

população idosa, e tem relação com menor número de quedas na maioria dos estudos

realizados; isso quando comparados a indivíduos sedentários. Essa é uma outra questão que

merece destaque; em quase todos os estudos realizados são comparados grupos que praticam

uma atividade física regular e grupos sedentários da comunidade. Por isso o diferencial desse

estudo; visto que comparou um grupo de praticantes de exercício físico regular com um grupo

que tinha uma atividade mental continuada através da UNITERCI e um estilo de vida ativo.

Nesse sentido fazem-se necessários mais estudos que venham a esclarecer até que ponto o

exercício físico regular é mais eficiente na prevenção de quedas do que um estilo de vida
106

ativo (pelo menos nas idosas com menos de 75 anos).Outro aspecto a ser mencionado é que o

exercício físico regular voltado para essa população deve ser bem criterioso e levar em conta

as necessidades e especificidades da população idosa; proporcionando maior treino de

equilíbrio, estimulando o controle postural; e servindo dessa forma como medida profilática

na prevenção de quedas entre idosos; o que nessa pesquisa, não foi evidenciado pela prática

de hidroginástica.

O maior obstáculo à realização da pesquisa foi o número reduzido de pessoas que se

enquadrassem nos critérios de inclusão, o que acabou limitando o tamanho da amostra; o que

pode ter deixando os resultados encontrados menos fidedignos. Outras dificuldades

encontradas foram em relação a espaço apropriado e ao material da pesquisa, que em sua

grande parte tiveram que ser confeccionados pelas próprias autoras, sendo que alguns artigos

de madeira precisaram ser feitos por um profissional a partir de um projeto das autoras.

Contudo essa pesquisa despertou o interesse das autoras pela área da geriatria e

gerontologia, visto que as aproximou da realidade desta população. Além de potencialmente

poder ter contribuído com novos direcionamentos para pesquisa na área de fisioterapia

geriátrica, gerontopsicomotricidade e atividade física em idosos.


107

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Janeiro: Guanabara Koogan, 2002

VALE, R. G. S. et al. A Composição Corporal na Senescência. In: DANTAS, E. H. M.;


OLIVEIRA, R. J. Exercício, Maturidade e Qualidade de Vida. 2ed.Rio de Janeiro: Shope,
2003.

VANDERVOORT, A. A. Alterações Biológicas e Fisiológicas. In: PICKLES, B. et al


Fisioterapia na Terceira Idade. 2ed. São Paulo: Santos, 2000.

VERAS, R. P. Atenção Preventiva no Idoso para Abordagem de Saúde Pública Coletiva. In:
NETTO, M. P. Gerontologia. São Paulo: Atheneu, 1996.

ZINNI, J. V. S. & PUSSI, F. A. O Papel da Fisioterapia na Prevenção da Instabilidade e


Quedas em Idosos. In: Congresso Internacional da UNICASTELO 31 out. 2003. Disponível
em: http://www.fisioweb.com.br. Acesso em: 23 de fev. de 2006.
114

APÊNDICES
115

APÊNDICE A

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA


CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE-CCBS
CURSO DE FISIOTERAPIA

Declaração:
Eu, Angélica Homobono Nobre, aceito orientar o trabalho intitulado A Relação da
Involução Psicomotora com o Número de Quedas em Idosos Praticantes e Não-Praticantes de
Atividade Física, de autoria das alunas Claudia Cristiny Pontes Cruz e Keila Eimy Shirakawa,
declarando ter total conhecimento das normas de realização de trabalhos científicos vigentes,
segundo o Manual de Orientação de Trabalhos Científicos do Curso de Fisioterapia da
UNAMA para 2006, estando inclusive ciente da minha necessidade de participação na banca
examinadora na ocasião da defesa do trabalho.

Belém – Pará, 01 de novembro de 2005.

___________________________________________ _________________

Assinatura e carimbo Rubrica

Angélica Homobono Nobre


116

APÊNDICE B
117

APÊNDICE C

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) a participar, como voluntário(a), da pesquisa A Relação


da Involução Psicomotora com o Número de Quedas em Idosos Praticantes e Não-Praticantes
de Atividade Física, no caso de você concordar em participar, favor assinar ao final do
documento. Sua participação não é obrigatória, e a qualquer momento, você poderá desistir de
participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua relação
com o pesquisador(a) ou com a instituição. Você receberá uma cópia deste termo onde consta
o telefone e endereço do pesquisador(a) principal, podendo tirar dúvidas do projeto e de sua
participação.

NOME DA PESQUISA: A Relação da Involução Psicomotora com o Número de Quedas em


Idosos Praticantes e Não-Praticantes de Atividade Física

PESQUISADOR(A) RESPONSÁVEL: Angélica Homobono Nobre


ENDEREÇO: Rua Alcinda Cacela n.654 Bairro: Pedreira TELEFONE: 9114-2151

PESQUISADORES PARTICIPANTES:
Angélica Homobono Nobre; Claudia Cristiny Pontes Cruz; Keila Eimy Shirakawa

OBJETIVOS: Avaliar a influência da atividade física na manutenção psicomotora e no


número de quedas em idosos.

PROCEDIMENTOS DO ESTUDO: A princípio todos os participantes deverão responder


um questionário sobre os seus dados pessoais e perguntas relacionados à atividade física e
quedas. Posteriormente será realizada uma avaliação psicomotora através Bateria Psicomotora
para a Terceira Idade, proposto por Francisco Rosa Neto. Sendo realizado uma única vez e
disposicao de uma hora para a realização da avaliação psicomotora.

RISCOS E DESCONFORTOS: Não oferece nenhum risco aos participantes da pesquisa.


118

BENEFÍCIOS: Poderá vir a ocorrer à diminuição da dor e conseqüentemente a melhora na


qualidade de vida.
CUSTO/REEMBOLSO PARA O PARTICIPANTE: Não haverá nenhum gasto com sua
participação. Não haverá nenhuma cobrança com o que será realizado. Você também não
receberá nenhum pagamento com a sua participação.

CONFIDENCIALIDADE DA PESQUISA: A pesquisa seguirá os aspectos éticos


estabelecidos na resolução 196/1996 do CNS (Conselho Nacional de Saúde), que define os
critérios bioéticos da pesquisa em seres humanos. Sua identidade será preservada, não
havendo publicação de seus dados pessoais.

Assinatura do Pesquisador Responsável: ____________________________________

CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO

Eu, , declaro que li as informações contidas nesse


documento, fui devidamente informado(a) pelo pesquisador(a) – Angélica Homobono Nobre -
dos procedimentos que serão utilizados, riscos e desconfortos, benefícios, custo/reembolso
dos participantes, confidencialidade da pesquisa, concordando ainda em participar da
pesquisa. Foi-me garantido que posso retirar o consentimento a qualquer momento, sem que
isso leve a qualquer penalidade. Declaro ainda que recebi uma cópia desse Termo de
Consentimento.

Belém, de de .
_______________________________
Assinatura do paciente
119

APÊNDICE D

QUESTIONÁRIO

Nome: Sexo:
Endereço: Telefone:
Idade: Peso: Altura:

1. Estado civil:
Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado ( ) Separado ( ) Viúvo ( )
2. Você mora sozinho?
Sim ( ) Não ( )
3. GRAU DE INSTRUÇÃO:
ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO ( ) ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO ( )
ENSINO MÉDIO INCOMPLETO ( ) ENSINO MÉDIO COMPLETO ( )
SUPERIOR INCOMPLETO ( ) SUPERIOR COMPLETO ( )

4. VIDA PROFISSIONAL:
EMPREGADO ( )
DESEMPREGADO ( )
APOSENTADO ( )
DONA DE CASA ( )
APOSENTADO POR ORDEM MÉDICA ( )
AUTÔNOMO ( )

5. COM RELAÇÃO A CIGARROS:


FUMANTE ( ) NÃO-FUMANTE ( ) FUMA EVENTUALMENTE ( )

6. QUANTO À BEBIDA ALCOÓLICA:


NÃO BEBE ( ) BEBE ( ) BEBE OCASIONALMENTE ( )

7. VOCÊ TEM ALGUM PROBLEMA MÉDICO QUE AFETE SUA QUALIDADE DE VIDA ?
_____________________________________________________________________

8. VOCÊ PRATICA ALGUMA ATIVIDADE FÍSICA?


SIM ( ) NÃO ( )

9.VOCÊ PRATICAVA ATIVIDADE FÍSICA EM ALGUMAS DAS FASES ABAIXO?

PERÍODO DA VIDA SIM NÃO ATIVIDADE FREQUENCIA*


NA INFÂNCIA
NA ADOLESCÊNCIA
ENTRE 20 E 30 ANOS
ENTRE 31 E 40 ANOS
ENTRE 41 E 50 ANOS
ENTRE 51 E 60 ANOS
ENTRE 61 E 70 ANOS
ENTRE 71 E 80 ANOS
120

*FREQÜÊNCIA = QUANTOS DIAS NA SEMANA.

10. VOCÊ PRECISA DE AJUDA DE ALGUÉM PARA:


SE VESTIR SIM ( ) NÃO ( )
TOMAR BANHO SIM ( ) NÃO ( )
COZINHAR SIM ( ) NÃO ( )
FAZER COMPRAS SIM ( ) NÃO ( )
CUIDAR DA CASA SIM ( ) NÃO ( )
11. HABITUALMENTE QUAIS AS FORMAS DE LOCOMOÇÃO QUE VOCÊ MAIS USA.
A PÉ ( ) CARRO ( ) ÔNIBUS ( ) OUTROS ( )
12. VOCÊ CAI COM FREQÜÊNCIA ?Q UANTAS QUEDAS VOCÊ TEVE DURANTE O ÚLTIMO ANO?

13. EM QUE LOCAL OCORREU A QUEDA?


CASA ( ), CÔMODO: ___________________ RUA ( )
14. VOCÊ JÁ APRESENTOU ALGUMA FRATURA?
SIM ( ) , ONDE _______________
NÃO ( )
15. FICOU HOSPITALIZADO EM DECORRÊNCIA DE UMA QUEDA?
SIM ( ) , TEMPO________
Não ( )
121

APÊNDICE E

ENTREVISTA SOBRE QUEDA


Nome: _________________________________________ Idade: ________

1- Quantas vezes o Sr.(a) caiu no último ano?


2- Houve alguma conseqüência como fratura, luxação, trauma craniano ou escoriação,
contusão, corte?
3- Houve necessidade de procurar um médico ou serviço de emergência em um hospital?
4- O Sr. (a) restringiu suas atividades habituais por causa da queda?
5- Se sim, o Sr. (a) o fez por dor, insegurança, medo, dificuldade para andar, dentre outros.
6- Agora vamos falar sobre sua última queda.
7- O Sr. (a) sabe precisar quando ela ocorreu?
8- A queda aconteceu de dia ou de noite?
9- O evento ocorreu após a refeição?
10-Em que lugar aconteceu a queda?
11- Houve perda da consciência?
12- Que movimentos o Sr.(a) estava fazendo no momento da queda? Andando, levantando-se
da cadeira, inclinando-se, virando-se, etc.
13- Que atividade o Sr.(a) estava realizando no momento da queda? Tomando banho, andando
até o banheiro, voltando para o quarto, subindo no banquinho, calçando o chinelo, descendo
do ônibus, dentre outras.
14- Como a queda ocorreu? Desequilibrou-se, os joelhos falsearam, sentiu-se fraco
subitamente, sentiu-se tonto ?
15- Que parte do corpo bateu primeiro no chão ou no mobiliário?
16- Estava usando óculos ou aparelho auditivo (quando se aplicar)?
17- Como estava se sentindo antes de cair (na semana prévia)? Houve alguma modificação na
sua saúde? Como fraqueza generalizada, cansaço, apatia, falta de ar, problemas de memória,
febre, taquicardia, dor no peito, etc.
18- Houve alguma modificação na medicação usada habitualmente? Algum medicamento
novo foi introduzido ou retirado? Fez uso de alguma medicação por conta própria?
19- No último ano, o Sr.(a) esteve hospitalizado?
20- O Sr.(a) diria que tem tido maior dificuldade para andar dentro de casa, vestir-se, tomar
banho, andar fora de casa, ir ao banheiro em tempo, tomar remédios na hora certa ?
122

APÊNDICE F

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO PSICOMOTOR PARA TERCEIRA IDADE

MOTRICIDADE FINA

02 pontos - construção de uma torre


Material: 12 cubos em desordem; tomam-se 4 e com eles se monta uma
torre diante do idoso. “Faça você uma ponte igual.” (sem desmontar o
modelo). O idoso deve fazer uma torre de 4 cubos ou mais, quando se
lhe indique (não deve jogar os cubos antes nem depois).

03 pontos - construção de uma ponte


Material: 12 cubos em desordem; tomam-se 3 e com eles se constrói
uma ponte diante do idoso. “Faça você algo semelhante.”(sem
desmontar o modelo). Pode-se ensinar várias vezes a forma de fazê-lo. É
suficiente que a ponte se mantenha ainda que não esteja muito bem
equilibrado.

04 pontos - enfiar a linha na agulha


Material: linha nº 60 e agulha de costura (1 cm x 1m/m). Para
começar, mãos separadas 10 cm. A linha passa aos dedos em 2 cm.
Comprimento total da linha: 15 cm. Duração: 9 segundos. Ensaios:
dois.

05 pontos - fazer um nó
Material: um par de cordões de sapatos de 45 cm e um lápis. “Preste
atenção no que eu faço.” Juntar o cordão e o lápis, fazendo um nó simples.
Dar o outro cordão ao idoso. “Com este cordão,faça um nó em meu dedo
como eu fiz no lápis.” Aceita-se qualquer tipo de nó, desde que não se
desmanche.

06 pontos - labirinto
Material: dois labirintos impressos e um lápis. O idoso estará sentado e
na mesa colocam-se os labirintos. Ele deverá traçar com um lápis uma
linha contínua desde a entrada até a saída do primeiro labirinto e
imediatamente indicar o segundo. Após 30 segundos de repouso,
começar o mesmo exercício com a mão esquerda. Erros: A linha
ultrapassa o labirinto (mais de duas vezes com a mão direita e mais de
três vezes com a mão esquerda); tempo limite ultrapassado. Duração: 1
minuto e 20 segundos para a mão direita e 1 minuto e 25 segundos
para a esquerda. Tentativas: duas para cada mão.

07 pontos - bolinhas de papel


Material: papel de seda. Fazer uma bolinha compacta com um pedaço de papel (5 x 5 cm)
com uma só mão. Para iniciar, a palma estará para baixo sobre o papel, e sem ajuda da outra
mão irá fazer a bolinha. Após 15 segundos de repouso, o mesmo exercício será realizado com
123

a outra mão.Erros: tempo limite ultrapassado. Duração: 15 segundos para a mão direita e 20
segundos para a mão esquerda; bolinha pouco compacta. Tentativas: duas para cada mão.

08 pontos - ponta do polegar


Material: nenhum. Com a ponta do polegar, tocar com a máxima
velocidade possível os dedos da mão, um após o outro, sem repetir a
sequência. Inicia-se pelo dedo menor até o polegar, retornando para
o menor. O professor mostrará algumas vezes como se faz. 5 4 3 2 1
- 2 3 4 5. Realizar o mesmo exercício com a outra mão. Erros: tocar
várias vezes o mesmo dedo; tocar dois dedos ao mesmo tempo;
esquecer de um dedo; tempo ultrapassado. Duração: 5 segundos. Tentativas: duas para cada
mão.

09 pontos - lançamento com uma bola


Material: uma bola (6 cm de diâmetro), um alvo de 25 x 25
cm situado na altura do peito, 1.50 cm de distância. Segurar a
bola com uma das mãos, lançamento a partir do braço
flexionado, mão próxima do ombro, pés unidos. O professor
mostrará como se faz. Erros: deslocamento exagerado do
braço; o cotovelo não ficou fixo ao corpo durante o
arremesso; acertar menos de duas vezes sobre três com a mão
direita e um sobre três com a esquerda. Tentativas: três para cada mão.

10 pontos - círculo com o polegar


Material: nenhum. A ponta do polegar esquerdo sobre a ponta do
dedo mínimo direito e vive-versa. O mínimo direito deixa a
ponta do polegar esquerdo, desenhando uma circunferência ao
redor, o mínimo vai buscar a ponta do polegar, entretanto
permanece o contato do mínimo esquerdo com o polegar direito
e vice-versa. Realizar com a maior velocidade possível. Em torno
de 10 segundos o idoso fecha os olhos e continua assim por espaço de outros 10 segundos.
Erros: movimento mal executado; menos de 10 círculos; não execução com os olhos
fechados. Tentativas: três.

11 pontos - agarrar uma bola


Material: uma bola de 6 cm de diâmetro. Agarrar com uma mão uma
bola lançada a três metros de distância. O idoso deve manter o braço
relaxado ao longo do corpo até que se diga “agarre.” Após 30 segundos,
o mesmo exercício dever ser realizado com a outra mão. Erros: agarrar
menos de 3 vezes sobre 5, com a direita; menos de duas vezes sobre 5
com a esquerda. Tentativas: cinco para cada mão.

MOTRICIDADE GLOBAL

02 pontos - subir sobre um banco


Material: um banco de 15 cm. Subir, com apoio, no banco e descer. (banco
situado ao lado de uma parede).
124

03 pontos - saltar sobre uma corda


Material: uma corda. Com os pés juntos, saltar por cima da corda estendida
sobre o solo (sem impulso, pernas flexionadas). Erros: pés separados; perder
o equilíbrio e cair.Tentativas: três (duas tentativas deverão ser positivas).

04 pontos - saltar sobre o mesmo lugar


Material: nenhum. Dar saltos, 7 ou 8 sucessivamente, sobre o mesmo
lugar com as pernas ligeiramente flexionadas. Erros: movimentos não
simultâneos de ambas as pernas, cair sobre os calcanhares. Tentativas:
duas.

05 pontos - saltar uma altura de 20 cm


Material: dois suportes com uma fita elástica fixada nas extremidades dos
mesmos, altura: 20 cm. Com os pés unidos, saltar sem impulso a altura
solicitada. Erros: tocar no elástico; cair (apesar de não ter tocado no
elástico); tocar no chão com as mãos. Tentativas: 3, sendo que duas
deverão ser positivas.

06 pontos - caminhar em linha reta


Material: giz. Traçar uma linha de 2 m no solo. Com os olhos abertos,
percorrer o trajeto, posicionando alternadamente o calcanhar de um pé
contra a ponta do outro. Erros: se afastar da linha; balanceios; não foi
boa a execução. Tentativas: três.

07 pontos - pé manco
Material: giz. Traçar uma linha de 5 m no solo. Com os olhos
abertos, saltar ao longo da distância solicitada com a perna esquerda
(a direita ficará flexionada em ângulo reto) os braços estarão
relaxados ao longo do corpo. Após um descanso de 30 segundos, o
mesmo exercício será realizado com a outra perna. Erros: distanciar-
se mais de 50 cm da linha; tocar no chão com a outra perna; balançar
os braços. Tentativas: duas para cada perna. Tempo indeterminado.

08 pontos - saltar uma altura de 40 cm


Material: dois suportes com uma fita elástica fixada nas extremidades dos mesmos, altura 40
cm. Com os pés unidos, saltar sem impulso a altura solicitada. Erros: tocar no elástico; cair
(apesar de não ter tocado no elástico); tocar no chão com as mãos. Tentativas: 3 no total,
sendo que duas deverão ser positivas.

09 pontos - saltar sobre o ar


Material: nenhum. Flexionar os joelhos para tocar os calcanhares com
as mãos e saltar. Erros: não tocar nos calcanhares. Tentativas: três.

10 pontos - pé manco com uma caixa de fósforos


Material: giz e uma caixa de fósforos grande. Joelho flexionado em
ângulo reto, braços relaxados ao longo do corpo. A 25 cm do pé
repousa no solo uma caixa de fósforos. O idos deve levá-la
impulsionando-a com o pé até o ponto situado a 5 m. Erros: tocar no
125

chão (ainda que só uma vez) com o outro pé: movimentos exagerados com os braços, a caixa
ultrapassar em mais de 50 cm do ponto fixado; falhar no deslocamento da caixa. Tentativas: 3
para cada perna.

11 pontos - saltar sobre uma cadeira


Material: uma cadeira de 45 a 50 cm de altura. Salto com impulso de 1
m de distância da cadeira, cujo encosto está sustentado pelo professor.
Erros: perder o equilíbrio e cair; agarrar-se no encosto da cadeira.
Tentativas: três.

EQUILÍBRIO
02 pontos - equilíbrio estático sobre um banco
Material: um banco de 15 cm de altura. Sobre o banco o idoso deverá manter-
se em pé e imóvel, pés unidos, braços relaxados ao longo do corpo. Erros:
deslocar os pés, mover os braços. Duração 10 segundos.

03 pontos - equilíbrio sobre um joelho


Material: nenhum. Braços ao longo do corpo, pés unidos, apoiar um joelho
no chão sem mover os braços ou o outro pé. Manter esta posição com o
tronco ereto. (sem sentar-se sobre o calcanhar). Após 20 segundos de
descanso, o mesmo exercício será realizado com a outra perna. Erros:
tempo inferior a 10 segundos; deslizamentos dos braços, do pé ou do
joelho; sentar-se sobre o calcanhar. Tentativas: duas para cada perna.

04 pontos - equilíbrio com o tronco flexionado


Material: nenhum. Com os olhos abertos, pés unidos, mãos nas costas,
flexionar o tronco em ângulo reto e manter esta posição. Erros: mover os
pés; flexionar as pernas; tempo inferior a 10 segundos. Tentativas: duas.

05 pontos - equilíbrio nas pontas dos pés


Material: nenhum. Manter-se sobre a ponta dos pés com os mesmos unidos, olhos
abertos, braços ao longo do corpo. Duração: 10 segundos. Tentativas: três.

06 pontos - pé manco estático


Material: nenhum. Com os olhos abertos, manter-se sobre a perna direita. A
outra permanecerá flexionada em ângulo reto, coxa paralela à direita e
ligeiramente em abdução, braços ao longo do corpo. Fazer um descanso de 30
segundos e realizar o mesmo exercício com a outra perna. Erros: baixar mais
de 3 vezes a perna levantada. Duração: 10 segundos. Tentativas: três.

07 pontos - equilíbrio em cócoras


Material: nenhum. Em cócoras, braços estendidos lateralmente, olhos
fechados, calcanhares e pés unidos. Erros: cair; sentar-se sobre os
calcanhares; tocar no chão com as mãos; deslizar-se; baixar os braços três
vezes. Duração: 10 segundos. Tentativas: três.

08 pontos - equilíbrio na ponta dos pés com flexão de tronco


Material: nenhum. Com os olhos abertos, mãos nas costas, elevar-se sobre
as pontas dos pés e flexionar o tronco em ângulo reto (pernas retas). Erros:
126

flexionar as pernas mais de duas vezes; mover-se do lugar; tocar o chão com os calcanhares.
Duração: 1 segundos. Tentativas: duas.

09 pontos - fazer um quatro


Material: nenhum. Manter-se sobre o pé esquerdo, a planta do pé direito
apoiada na face interna do joelho esquerdo, mão fixadas nas coxas, olhos
abertos. Após um descanso de 30 segundos, mesma posição com a outra
perna.Erros: deixar cair uma perna; perder o equilíbrio; elevar-se sobre a
ponta dos pés. Duração: 15 segundos. Tentativas: duas para cada perna.

10 pontos - equilíbrio na ponta dos pés com os olhos fechados


Material: nenhum. Manter-se sobre a ponta dos pés, olhos fechados, braços ao
longo do corpo, pés e pernas juntam. Erros: mover-se do lugar; tocar o chão com
os calcanhares; balançar o corpo (se permite ligeira oscilação). Duração: 15
segundos. Tentativa: três.

11 pontos - pé manco estático com os olhos fechados


Material: nenhum. Com os olhos fechados, manter-se sobre a perna direita, o
joelho esquerdo flexionado em ângulo reto, coxa esquerda paralela à direita e
em ligeira abdução, braços ao longo do corpo. Após 30 segundos de descanso,
repetir o mesmo exercício com a outra perna. Erros: baixar mais de 3 vezes a
perna; tocar o chão com a perna levantada; mover-se do lugar; saltar.
Duração: 10 segundos.Tentativas: duas para cada perna.

ESQUEMA CORPORAL
02 a 05 pontos - controle do próprio corpo
Prova de imitação dos gestos simples (movimentos dos braços)
Material: quadro com os ítens. O idoso na posição de pé, imitará os movimentos de mãos e
braços que realiza o professor. Irá fazer como eu. Olhe bem e repita o movimento.”

Item 01 O professor apresenta suas mãos abertas, palmas para a face do sujeito (40 cm
de distancia entre as mãos a 20 com do peito)
Item 02 O mesmo, com os punhos fechados.
Item 03 Mão esquerda aberta, mão direita fechada
Item 04 Posição inversa ao anterior
Item 05 Mão esquerda vertical ,mão direita horizontal – tocando a mão esquerda em
ângulo reto.
Item 06 Posição inversa
Item 07 Mão esquerda plana, polegar a nível do esterno, mãos e braços direito
inclinados – distancia de 30 cm entre as mãos, mão direita por cima da mão
esquerda.
Item 08 Posição inversa
Item 09 As mãos estão paralelas, a mão esquerda esta diante da mão direita a uma
distância de 20 cm, a mão esquerda esta por cima da direita, desviada uns 10
cm. Previamente se pede ao idoso que feche os olhos – a profundidade pode
deduzir-se do movimento das mãos do prof.
Item 10 Posição inversa.
Item 11 O professor estende o braço esquerdo,horizontalmente para a esquerda, com a
mão aberta.
127

Item 12 O mesmo movimento, porém com o braço direito, para a direita.


Item 13 Levantar o braço esquerdo.
Item 14 Levantar o braço direito.
Item 15 Levantar o braço esquerdo e estender o direito para a direita.
Item 16 Posição inversa
Item 17 Estender o braço esquerdo para diante e levantar o direito
Item 18 Posição inversa
Item 19 Com os braços estendidos obliquamente, mão esquerda no alto, mão direita
abaixo com o tronco erguido.
Item 20 Posição inversa

Resultados:
Pontuação Acertos
3 pontos 07 a 12 acertos
4 pontos 13 a 16 acertos
5 pontos 17 a 19 acertos

06 a 11 pontos - rapidez
Prova do pontilhado
Material: folha de papel quadriculado com 25 x 18 quadrados, lápis grafite nº 2 e cronômetro.
A folha quadriculada se apresenta em sentido longitudinal. “Pegue o lápis. Vê estes
quadrados? Irá fazer um risco em cada um, o mais rápido que puder. Faça os riscos como
desejar, porém apenas um risco em cada quadrado, porque não poderá voltar atrás.”O idos
toma o lápis com a mão que preferir (mão dominante).Indicar o mais rápido que puder até o
sinal “PARE!”. O professor deverá repetir várias vezes: “Mais rápido”. Duração 1 minuto. Se
não tem respeitado os critérios da prova: Fazer traços precisos ou desenhos geométricos;
Indicar-lhe de novo quais os critérios de avaliação para a prova de rapidez e começar de novo.
Anotar dificuldades na coordenação motora, instabilidade, impulsividade ou ansiedade.
128

Correspondência de Pontos:
Pontuação Número de traços
06 pontos 057 a 073
07 pontos 074 a 090
08 pontos 091 a 099
09 pontos 100 a 106
10 pontos 107 a 114
11 pontos 115 ou mais

ORGANIZAÇÃO ESPACIAL

02 pontos - tabuleiro/posição normal


Material: tabuleiro com formas geométricas. Apresenta-
se o tabuleiro ao idoso, com a base do triângulo frente a
ele. Tiram-se as peças posicionando-as na frente de suas
respectivas perfurações. “Agora coloque as peças nos
seus respectivos buracos.” Tentativas: duas.

03 pontos - tabuleiro/posição invertida


Material: O mesmo utilizado anteriormente, porém retirar
as peças e deixá-las com a posição diferenciada dos
‘buracos’do tabuleiro. Pedir para o idoso encaixar as
peças. Sem limite de tempo. Tentativa: duas vezes.
04 pontos - prova dos palitos
Material: 2 palitos de diferentes comprimentos: 5 e 6
centímetros. Colocar os palitos sobre a mesa. Os
mesmos estarão paralelos e separados por 2,5 cm.
Perguntar ao idoso: “Qual o palito mais longo?” Pedir
para que ele aponte com o dedo. Realizar 3 vezes
trocando as posições dos palitos. Se falhar em uma das 3 tentativas, fazer mais 3 vezes
trocando as posições dos palitos. O resultado será positivo quando o idoso acertar 3 das 3
tentativas, ou 5 das 6 tentativas.

05 pontos - jogo de paciência


Material: um retângulo de cartolina de 14 x 10 cm, duas
metades do mesmo retângulo cortado pela diagonal. Colocar o
retângulo em sentido longitudinal diante do idoso. Ao seu lado e
um pouco mais próximo do sujeito, as duas metades do outro
retângulo, com a hipotenusas para o exterior e separadas uns
centímetros. “Pegue estes pedaços e junte-os de maneira que
saia um retângulo igual ao outro.” Tentativas: 3 em 1 minuto. Se falhar na 1ª tentativa, colocar
novamente as metades em sua posição original e pedir para tentar outra vez. Nota: 2 erros
sobre duas tentativas. Cada tentativa não deve ultrapassar um minuto.

06 pontos - direita/esquerda - conhecimento sobre si - (êxito 3/3)


129

Material: nenhum. Identificar em si mesmo a noção


de direita e esquerda: - Levantar a mão direita; -
Levantar a mão esquerda;- Indicar o olho direito. O
professor não executará nenhum movimento, apenas
o idoso. Total de 3 perguntas e todas deverão ser
respondidas corretamente. Ex: “Mostre-me sua mão
direita.”

07 pontos - execução de movimentos - (êxito 5/6)


Material: nenhum. O idoso deverá executar os movimentos de acordo com a seqüência
solicitada: - Mão direita na orelha esquerda; - Mão esquerda no olho direito; - Mão direita no
olho esquerdo; - Mão esquerda na orelha direita; - Mão direita no olho direito; - Mão esquerda
na orelha esquerda.

08 pontos - direita/esquerda - reconhecimento


sobre o outro - (êxito 3/3)
Material: uma bola. O professor se colocará de frente
ao idoso e perguntará: “” Agora você irá identificar a
minha mão direita.”: - Toca-me a mão direita; - Toca-
me a mão esquerda; - (o prof. Tem uma bola na mão direita) Em que mão tenho a bola?”.

09 pontos - imitação de movimentos - (êxito 6/8)


Material: nenhum. O professor irá falar: “Eu vou fazer certos movimentos, você observará e
fará o mesmo movimento.”Se o idoso entendeu o teste através dos primeiros
movimentos, pode-se prosseguir, caso contrário, oferecer uma segunda explicação.
- Mão direita no olho direito.
- Mão direita na orelha direita.
- Mão direita no olho esquerdo.
- Mão esquerda na orelha esquerda.
- Mão direita no olho direito.
- Mão esquerda na orelha direita.
- Mão esquerda no olho esquerdo.

10 pontos - reprodução de movimentos - (êxito 6/8)


Material: um cartão 18 x 10 cm com desenhos. Os mesmos movimentos executados
anteriormente (prova de 9 anos) estarão desenhados em ‘bonecos’ no cartão. O idoso deverá
realizar os mesmos movimentos do boneco, realizando com a mesma mão do desenho. Total:
8 desenhos.

11 pontos - reconhecimento da posição relativa de três objetos - (êxito 5/6)


Material: e bolas (15 cm) ligeiramente separadas, colocadas da direita para a esquerda, como
segue: rosa, azul, verde. Posição inicial com os braços cruzados. “Você irá responder as
perguntas que serão feitas.” O professor será o ponto de referência.
- A bola rosa está à direita ou à esquerda da verde?
- A bola rosa está à direita ou à esquerda da azul?
- A bola azul está à direita ou à esquerda da rosa?
130

- A bola azul está à direita ou à esquerda da verde?


- A bola verde está à direita ou a esquerda da azul?
- A bola verde está à direita ou a esquerda da rosa?

ORGANIZAÇÃO TEMPORAL

02 pontos - linguagem - (êxito: basta um só)


Material: nenhum. Frase de duas palavras, observação da linguagem espontânea. A prova se
considera bem resolvida se o idoso for capaz de expressar-se de outra forma do que com
palavras isoladas, quer dizer, se sabe unir ao menos duas palavras. Ex: “O carro não anda”, se
considera êxito. Pelo contrário: “Batata quente”, não tem valor.

03 pontos - linguagem - (êxito: basta um só)


Material: nenhum. Repetir uma frase de 6 a 7 sílabas: “Você sabe dizer carro?” Diga agora:
“Panela pequena.” Fazer repetir, então: - Eu tenho um cachorro pequeno; - O cachorro pega o
gato; - No verão faz calor.

04 pontos - linguagem - (êxito: basta um só)


Material: nenhum. O idoso irá repetir: - Vamos comprar pastéis para o José; - O João gosta de
jogar bola. A frase não poderá ser repetida.
05 pontos - linguagem - (êxito: basta um só)
Material: nenhum. O idoso irá repetir: - João vai fazer um castelo de areia; - Luis se diverte
jogando futebol com seu irmão. A frase não poderá ser repetida.

Estrutura espaço-temporal
Reprodução por meio de golpes - estruturas temporais
Material: 2 lápis e o cartão dos ítens.

Ensaio: 00 e 0
01 000 11 0 0000
02 00 00 12 00000
03 0 00 13 00 0 00
04 000 14 0000 00
05 0000 15 0 0 0 00
06 0 000 16 00 000 0
07 00 0 0 17 0 0000 00
08 00 00 00 18 00 0 0 00
09 00 000 19 000 0 00 0
10 0000 20 0 0 000 00

O professor e o idoso sentados frente a frente, cada um com um lápis na mão. “Você irá
escutar diferentes sons, e com o lápis irá fazer o mesmo, repetindo o som. Escute com
atenção.”
- Tempo curto: em torno de ¼ de segundo (00), dado com o lápis sobre a mesa.
- Tempo longo: em torno de 1 segundo (0 0 0), dado com o lápis sobre a mesa.
O prof. Dá golpes da primeira estrutura da prova e o idoso os repete. O examinador golpeia a
segunda estrutura e o idoso a repete. Os movimentos (golpes com um lápis) não poderão ser
vistos pelo idoso.
131

Ensaios: Se o idoso falha, nova demonstração e novo ensaio. Parar definitivamente quando o
idoso cometer e estruturas falhadas sucessivamente.
- Simbolização (desenho) de estruturas espaciais
Material: um lápis, o cartão com os ítens e uma de papel.

Ensaio: 00 e 0
01 0 000 06 000
02 00 00 07 00 0 00
03 000 0 08 0 00 0
04 0 000 09 0 0 00
05 000 00 10 00 00 0

O professor mostrará ao idoso o cartão com os ítens, um cartão maior. O idoso irá dar os
golpes e depois irá desenhar as estruturas espaciais na folha. O prof. mostrará como se faz
antes de começar. Tentativas: parar a prova se falhar duas estruturas sucessivas.
- Simbolização de estruturas temporais
a) Leitura - reprodução por meio de golpes
Material: um lápis, o cartão com os itens

Ensaio: 00 e 0
01 000 04 000
02 00 00 05 00 00 00
03 00 0

As estruturas simbolizadas serão representadas exatamente da mesma maneira que as


estruturas espaciais anteriores. O professor irá apresentar o cartão e o idoso ao invés de
desenhar, dará golpes com o lápis. Parar de falhar duas estruturas sucessivas.

b) Transcrição de estruturas temporais - ditado


Material: dois lápis, uma folha e o cartão dos ítens.
“Para terminar as provas, serei eu quem dará os golpes com o lápis e você irá desenhá-los.”
Parar após dois erros sucessivos.
Ensaio: 0 e 00
01 0 00 04 0 0 00
02 000 0 05 00 0 0
03 00 000

Resultados
Entende-se por êxitos as reproduções e transcrições claramente estruturadas. Concede-se um
ponto por um golpe ou desenho bem resolvido e totaliza-se os pontos obtidos nos diversos
aspectos da prova. Em todos os casos convêm anotar:
- Mão utilizada.
- Sentido das circunferências.
- Compreensão do simbolismo (com ou sem explicação).
132

Pontos Acertos
06 pontos 06 a 13 acertos
07 pontos 14 a 18 acertos
08 pontos 19 a 23 acertos
09 pontos 24 a 26 acertos
10 pontos 27 a 31 acertos
11 pontos 32 a 40 acertos

LATERALIDADE
Lateralidade das mãos
Material: uma bola, lápis e papel, objeto.
O idoso irá imitar ou realizar como realiza tal
movimento.

Lateralidade dos olhos


Material: um cartão de 15 x 25 cm com um furo
no centro (de 0,5 cm de diâmetro) - sighting e
um telescópio. O idoso segurará o cartão
mantendo o braço bem estendido, irá
aproximando o cartão até o rosto. O professor
irá demonstrar antes. Após, pedir para que o
idoso olhe o desenho que há dentro do telescópio.

Lateralidade dos pés


Material: uma bola de 6 cm de diâmetro. O professor deixará a bola
cair para que o idoso chute antes da bola chegar no solo. Tentativa: 2

Resultado

Lateralidade Mãos Olhos Pés


3 provas com a mão 2 provas com o olho 2 chutes com o pé
D (direito)
direita direito direito
3 provas com a mão 2 provas com o olho 2 chutes com o pé
E (esquerdo)
esquerda esquerdo esquerdo

Pontuação geral:

DDD Destro completo


EEE Sinistro completo
DED/EDE/DDE Lateralidade cruzada