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CURSO
PROFISSIONAL DE
FITOTERAPIA
INTRODUÇÃO A FITOTERAPIA
História da Fitoterapia
MÓDULO 01
UNIDADE MODULAR 01.1

GRADE CURRICULAR

História da Fitoterapia

Fitoterapia e seus
Paradígmas

Aspectos Tradicionais
em Fitoterapia

Divisões da Fitoterapia

A Fitoterapia e a
Comunidade Cietífica

MÓDULO 1/1.1
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CURSO DE PROFISSIONAL
DE FITOTERAPIA

Introdução a Fitoterapia
História da Fitoterapia
Módulo I / I.I

Professor
Marcos Lima

INSTITUTO SETE
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Sumário:

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Introdução a fitoterapia ................................................... 9

O que é fitoterapia .................................................... 9


História .................................................................. 10
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CURSO PROFISSIONAL
DE FITOTERAPIA

Introdução a Fitoterapia
História da Fitoterapia

Módulo I / I.I
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CURSO PROFISSIONAL DE FITOTERAPIA


INTRODUÇÃO A FITOTERAPIA Há muito, os animais usam
instintivamente determinadas plantas como
O Que é Fitoterapia? alimento, e também como meio para tratar e
aliviar seus distúrbios. Quem nunca
A palavra fitoterapia vem do grego presenciou um animal ingerindo
phyton que significa “vegetal” e de determinada planta com o objetivo de
therapeia, que por sua vez significa provocar o vômito, no intuito de promover a
"tratamento", e baseia-se na aplicação eliminação de substâncias nocivas do seu
externa e/ou interna de plantas para o organismo.
tratamento de diferentes tipos de doenças, Há mais de 6 mil anos, o homem
podendo as mesmas serem utilizadas em sua vem experimentando e escolhendo
forma natural ou na forma de fármaco. instintivamente as melhores plantas
Fitoterapia é o meio de cuidado e medicinais para curar suas enfermidades.
terapêutica de doenças através das plantas No último século, a medicina convencional
medicinais, e é a maneira mais antiga e disseminou o emprego de antibióticos e
primordial de medicina que se conhece. remédios alopáticos, e a medicina natural
A fitoterapia, também é conhecida passada de geração em geração caiu no
como: Herbologia, Medicina pelas esquecimento. No entanto, a cada dia, as
Plantas, Medicina Botânica, Medicina plantas ganham seu espaço como aliadas no
Vegetal, Medicina Herbática, e muitas equilíbrio orgânico do ser humano: o
outras denominações, é utilizada como predomínio da cor verde se relaciona à
recursos para o tratamento de uma saúde e estabilidade, como chave para uma
infinidade de doenças, as plantas em geral vida saudável.
como: ervas, árvores, arbustos, líquens, As plantas têm sido usadas, há
musgos, fungos e algas, no universo da séculos, por médicos, fitoterapeutas e por
fitoterapia são chamadas de plantas e/ou herbolários em remédios populares. A
ervas medicinais. Na fitoterapia, a planta fitoterapia atual associa a ciência moderna e
pode ser utilizada inteira ou em partes (raiz, o conhecimento tradicional às novas
flor, folhas, frutos ou sementes, cascas, pesquisas e às capacidades de diagnóstico.
sucos, seiva ou resinas, madeira etc.). A fitoterapia é uma terapia com a
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propriedade de auxiliar na cura de diversas


doenças penosas e integralmente, de forma
acessível e não agressiva, estimulando as
defesas naturais do organismo e religando o
ser humano às suas raízes terrestres.
Atualmente, diversos centros de pesquisa
nacionais e internacional se dedicam ao
estudo das substâncias presentes nas plantas
medicinais. A ciência começa então a se
render à força da natureza. Natureza
presente e ligada a nós através da terra, luz,
ar e água.
No indivíduo os problemas físicos, Biblioteca
emocionais e espirituais exercem efeitos
INTRODUÇÃO A FITOTERAPIA

uns sobre os outros, a expressão “doença


psicossomática” é apenas um aspecto disto.
A nível global, a saúde humana reflete o
ambiente, bem como os fatores sociais e
econômicos, e é afetada por esses. A tarefa
da fitoterapia é descobrir alguns dos padrões
gerais da saúde, ou doença do indivíduo, à
luz dessas influências interligadas.
Semelhante abordagem apresenta muitas
implicações práticas, significa que a
fitoterapia se preocupa com a natureza Ilustração do Rei Assurbanipal
individual do indivíduo.

História

Como dito anteriormente, a


fitoterapia é o estudo das plantas medicinais
e suas aplicações no tratamento e cura das
doenças (Ferro, 2008). O uso de plantas
medicinais e seus derivados para o
tratamento das enfermidades remonta as
origens da humanidade, e se confunde em
alguns pontos com a própria história da
Medicina.
Em um sítio arqueológico, no
Iraque, foram encontradas várias plantas de
uso medicinal. Durante as escavações onde Tábua de Argila
foi localizada a biblioteca do Rei
Assurbanipal, 3000 a.C, foram encontradas Por volta do ano 2700 a.C., Shen
inúmeras tábuas em argila, que faziam Nung, Imperador chinês, deu início um
referência ao uso terapêutico de 250 intenso estudo das ações terapêuticas de
espécies, como a cássia, mirra, pinheiro, aproximadamente 365 plantas, algumas
aloe, beladona, cardamomo (gengibre) e a sendo experimentadas por ele próprio, ele
raiz e as folhas de tâmara (rica em potássio, foi o autor do primeiro Pen Tsao, onde é
ferro, cálcio e vitaminas). descrito as propriedades de inúmeras
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plantas como o ginseng, a cânfora e a E Ma O Egito também foi um outro grande


Huang, a base da efedrina. O Pen Tsao teve centro da Fitoterapia. O papiro de Erbs é o
participação de diferentes autores, que mais completo, datado de 1550 a.C.,
foram agregando modificações à obra menciona 800 prescrições e 700 plantas,
inicial, e por isso são atribuídas ao livro entretanto, o papiro mais antigo data de
diferentes autorias. A sua importância 1900 a.C., o Papiro Médico de Kahun. Esse
relaciona-se à minuciosa classificação de papiro faz referência a plantas comuns como
cada planta: nome, habitat, preparação, absinto, alho, meimendro (hyosciamus),
toxicidade, etc. Muitas das plantas descritas coriandro, genciana, granado e funcho. Há
nele, ainda são utilizadas na China nos dias também o papiro de Edwin Smith (1600
atuais. A.C), fazendo referência a procedimentos

CURSO PROFISSIONAL DE FITOTERAPIA


O Shang Hang Lun, é mais cirúrgicos, e que parece ter sido copiado de
importante manual clínico de Medicina um outro documento bem mais antigo (3000
Tradicional Chinesa, foi escrito por Chang a.C.).
Chung Ching (142-220). O Shang Hang Lun
deu origem as famosas fórmulas herbárias
clássicas, tornando-se a base do herbalismo
Chino-Japonês e Chinês, o Kampo.

Papiro de Ebers

Shang Hang Lun

Papiro Médico de Kahun

Chang Chung Ching Papiro de Edwin Smith

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Em baixo-relevo, dos tempos de descobriram as cidades de Mohenjo-Daro e


Tutmés II (1450 A.C), exposto no museu de Harapa, onde encontraram escritas e
Agricultura do Cairo, encontra-se um dos gravuras referindo o emprego de plantas
herbários mais antigos de que se tem notícia, medicinais, tratavam-se dos Vedas. Estima-
gravado em granito, e que contém se que estes escritos datem de 1.500 – 1.000
esculpidas 275 plantas medicinais. a.C. Entre outras coisas eles fazem menção
às plantas aromáticas de uso alimentício de
forma terapêutica: alfavaca, alho, cominho,
gengibre (infecções respiratórias, infecções
bucais e antídoto contra picada de cobra),
noz moscada, pimenta, alcaçuz, açafrão, etc.
INTROFUÇÃO AO FITOTERAPIA

Sacerdote Brâmane

Na antiga Grécia três nomes se


destacam Teofrasto (372- 287 AC),
Hipócrates (460 – 375 A. C.) e Galeno
(200-130 DC). Das obras de botânica
médicas escritas na Grécia, considera-se a
mais antiga a pertencente a Teofrasto (372 –
287 a.C.), foi o discípulo predileto de
Aristóteles, e escreveu o livro História das
Plantas (dividida em nove volumes)
Herbário Egípcio fazendo menção à 455 plantas. A obra de
Hipócrates (460 – 355 A.C) considera-se
A Índia também se destaca na como a mais clara e completa da
utilização da fitoterapia, mesmo que dentro Antiguidade já que não faz referência só a
do ponto de vista da medicina Ayurvédica. plantas medicinais, e sim as bases das
No passado, na Índia, quem exercia a ciências médicas em sua totalidade, a ponto
medicina eram os sacerdotes de grande de ser reconhecido como o “Pai da
prestígio, pertencentes à primeira das quatro Medicina”. Hipócrates teve a sorte de viajar
castas em que se dividia o povo hindu muito nessa época e pode transladar seus
(Brâmanes). A Ayúrveda (ayur = vida; veda conhecimentos às terras longínquas como
= conhecimento, o estudo de) nasce como faziam os navegadores gregos que
parte do sistema integral e filosófico de vida transmitiam seu legado, criando a Escola
do povo indiano. Os primeiros textos datam Médica de Alexandria.
de até 5 a 6 séculos a.C. Escavações Teofrasto, considerado “pai da
arqueológicas realizadas na Índia, botânica moderna” (370 - 285 a.C.), era
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grego e estudou com Platão, em Atenas, e


depois com Aristóteles. Escreveu Historia
Plantarum, a obra de botânica mais antiga
que se conhece. A sua influência sobre os
estudos das plantas se estendeu por 1800
anos. Historia Plantarum descreve um
grande número de plantas, incluindo uma
descrição do local onde vegetavam,
germinação das sementes e respectivo uso
na medicina e na preparação de perfumes.

CURSO PROFISSIONAL DE FITOTERAPIA


Hipócrates

Hipócrates possuía profundo


conhecimento em botânica e o uso
medicinal de centenas de espécies de plantas
Teofrasto aromáticas. Em suas obras, cita mais de 400
plantas, entre elas: papoula, alecrim, sálvia
e artemísia. Fundamentou a sua prática e a
sua forma de compreender o organismo
humano, incluindo a personalidade, na
teoria dos quatro humores corporais
(sangue, fleuma, bílis amarela e bílis
negra), e afirmava que de acordo com os
estados da mente, ou o ser entra em
equilíbrio (eucrasia), ou em doença e dor
(discrasia).

Historia Plantarum Alecrim

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Artemísia
INTROFUÇÃO AO FITOTERAPIA

Galeno

Galeno, (129 - 200 d.C.), foi um dos


mais famosos médicos gregos. Ele conhecia
e estudava as plantas medicinais e seus
Papoula poderes curativos. Em sua obra De
Simplicibus descrevia com detalhes cada
planta medicinal.

Sálvia

Galeno nasceu em Pérgamo e viveu


no século II d.C., trabalhou em Roma, onde
permaneceu por três décadas, até um pouco
antes de sua morte no ano de 201 d.C. Foi
inicialmente médico de gladiadores e logo
passou a corte como médico dos
Imperadores Marco Aurélio, Cômodo e
Sétimo Severo. Foi o primeiro a considerar
diferentes formas de extração dos princípios
ativos e experimentou outros extratores
como água, vinagre, álcool e óleo. De Simplicibus

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Ibn Sina (Avicenna)
Em alguns períodos da História os
tratamentos médicos e especialmente o
conhecimento das plantas medicinais ficou
restrito a monastérios e abadias. Hildegard
Von Bingen (1078-1179), uma monja
beneditina, se projetou dentro deste cenário
Ibn Sina (Avicenna) não só como profunda conhecedora das
plantas como também, mística, teóloga,
No Oriente Ibn Sina foi o nome de compositora, pregadora, naturalista,
destaque na Medicina, mais conhecido no médica informal, poetisa e dramaturga,
Ocidente pelo nome de Avicenna (980-1037 escritora alemã, e mestra do Mosteiro de
D.C). Ibn (Persa) foi um grande médico, Rupertsberg em Bingen am Rhein na
poeta, físico, filósofo, matemático, Alemanha.
geólogo, considerado pai da medicina
moderna. Criou a “medicina baseada em
evidências”, a quarentena e os testes de
eficácia. Foi ele quem reconheceu a
natureza contagiosa da gripe e da
tuberculose, a contaminação de doenças
através da água e da terra, e a interação
entre a psicologia e a saúde. Escreveu The
Book of Healing, uma vasta enciclopédia
científica e filosófica e o The Cannon of Hildegard Von Bingen
Medicine (1025), considerada a Primeira
Farmacopeia, uma obra centrada Nesse período destaca-se também
firmemente no conhecimento grego e que Paracelso, um médico visionário, um
deu origem ao denominado método ou revolucionário, que cria a Teoria das
sistema Unami (palavra árabe que significa Assinaturas, onde ele presumia que as
“dos gregos”). Foi traduzida para o latim no plantas tinham um aspecto que já sugeria
século XII e desta maneira chega ao sua indicação terapêutica. Fazia parte da
Ocidente para converte-se no livro texto Escola de Florença, que em 1498, redige o
básico para todas as escolas médicas. Este célebre Receituário Florentino, uma
livro foi utilizado até 1650 nas espécie de vade mécum terapêutico escrito
Universidades de Montpellier e Leuven. por médicos e farmacêuticos.
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INTROFUÇÃO AO FITOTERAPIA

Paracelso

A cultura, nos primeiros séculos da


Alta Idade Media (V - X), sofreu um
retrocesso em termos civilizatórios. A
produção intelectual foi cercada pela
ignorância e desprezo pela vida terrena.
Durante este tempo, os indivíduos que
sabiam como usar as plantas medicinais
começaram a ser perseguidos e acusados de Historia Naturalis Brasiliae
bruxaria e pacto com o demônio. O
conhecimento sobre a utilização das plantas
medicinais só sobreviveu aos dias atuais No Brasil, inicialmente o
dentro dos monastérios, onde os monges conhecimento e a utilização das plantas
copiavam a mão os livros da antiguidade. Os medicinais era fruto de uma mistura das
monastérios dos beneditinos práticas e conhecimentos de indígenas,
monopolizaram a cultura e distribuição de escravos e imigrantes. Maurício de Nassau
ervas aromáticas durante a Idade das Trevas (séc. XVII), durante sua permanência em
na Europa. Esta situação durou até o fim do Recife (1637- 1644), trouxe médicos e
século XIX. A partir do Renascimento (1464 químicos que pesquisaram em profundidade
- 1534), novas luzes foram lançadas sobre a a flora medicinal brasileira. Desses estudos
humanidade. Os armazéns de especiarias surgiu a primeira publicação sobre as
passaram a ser conhecidos como boticas e, plantas medicinais brasileiras, o livro
seus proprietários, como boticários. Foram “Historia Naturalis Brasiliae”, que foi
esses boticários que deram origem as publicado em Amsterdam em 1648.
“matérias médicas.”

Armazém de Especiarias (Botica) - Boticários Maurício de Nassau

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Carolus Linnaeus

Mas a fitoterapia dá um grande salto


realmente com Lineu (1707 D.C), botânico,
zoólogo e médico sueco, em suas obras
Espécies Plantarum (1758) estabelece o
ponto de partida da nomenclatura moderna
Espécies Plantarum
das plantas, baseado nos caracteres sexuais
das flores; e na obra Genera Plantarum
(1764), amplia esse conhecimento. Criador
da nomenclatura binominal e da
classificação científica, sendo considerado
“pai da taxonomia moderna”, criando uma
nomenclatura binominal-gênero e
descritor específico. Essa classificação foi
fundamental, visto que os nomes populares
das plantas se prestam a inúmeras
confusões, por exemplo, plantas com o
mesmo nome, mas com indicações
terapêuticas diferentes. É o caso, por
exemplo, das chamadas Ervas de São João,
que dependendo da região do país referem-
se a plantas totalmente diferentes, e com
indicações também distintas, como o
Hypericum perfuratum, planta europeia
utilizada para depressão, o Ageratum
conyzoides L. Sieber, conhecida como ipê
roxo no nordeste brasileiro ou como catinga
de mulata no Rio Grande do Sul e Rio de
Janeiro e utilizada para dores articulares,
febre e como diurética, ou ainda a
Pyrostegia venusta Miers, uma planta do
Sul utilizada no tratamento do vitiligo. Genera Plantarum

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No final do século XVIII e início do pela síntese de medicamentos a partir de


século XIX a química se estabelece como correlação estrutura atividade. A partir da
uma disciplina científica e os químicos que espécie Erythroxylum coca Lam. (coca),
estudavam as plantas medicinais, a partir de foram sintetizadas, em 1904–1905, os
recursos extremamente limitados, anestésicos locais derivados da cocaína.
dedicaram-se a isolar compostos ativos de Após a segunda guerra mundial,
plantas consagradas pelo uso medicinal. surgem os anti-histamínicos,
Princípios ativos começam a ser isolados a antipsicóticos, antidepressivos,
partir de espécies vegetais. Em 1806, ansiolíticos e anti-inflamatórios sintéticos.
Turnerite isola a morfina a partir da espécie Assim consolida-se o paradigma ocidental
Papaver somniferum L. (papoula). Em da terapêutica moderna: o fármaco é uma
1818, Pelletier e Caventou isolam a molécula pura, geralmente oriunda de
estricnina a partir da espécie Strychnos síntese, cujo modelo foi a aspirina. E o
nux-vomica L. (noz-vômica). Já em 1831, advento da Indústria Farmacêutica, cujas
INTROFUÇÃO AO FITOTERAPIA

Mein isola a atropina a partir da Atropa consequências foram:


belladona L. (beladona). Mas foi somente
em 1897 que o primeiro fármaco foi • Redução do uso de derivados
produzido a partir da espécie Salix alba L. vegetais como medicamentos;
(salgueiro), usada medicinalmente ha mais • Mono terapia para o tratamento de
de 6000 anos, a substância salicina é patologias complexas;
convertida em ácido salicílico e depois em • Desenvolvimento de drogas
ácido acetil salicílico (AAS) pela empresa sintéticas;
Bayer®, tornando-se sucesso de vendas no • Quebra da conexão entre plantas e
mundo todo (Der Marderosian & Beutler, saúde humana.
2011).
Sem dúvida, os avanços na ciência
proporcionaram um aumento significativo
da saúde e longevidade da população e,
como resultado, a Fitoterapia passou a ser
associada a curandeirismo, charlatanismo,
praticas primitivas, engodo, misticismo, e
até mesmo uma “medicina para quem não
tem acesso a ‘verdadeira Medicina.’”
Entretanto, a Organização Mundial
da saúde (OMS) estima que de 70 a 95% da
população mundial faça uso de práticas de
medicina tradicional, incluindo a
fitoterapia, como única forma de terapia
(WHO, 2013). O conhecimento tradicional
sobreviveu através dos curandeiros e
raizeiros que, com suas garrafadas, levaram
alívio a incontável número de pessoas
Fleming desassistidas pela medicina moderna.
Por todas essas razões, é que existem
Fleming, em 1928, isola a tantas dificuldades de aceitação da
penicilina a partir de um micro-organismo, fitoterapia pela comunidade médica
dando início a era dos antibióticos, que vai (Robinson & Zhang, 2011; Sardesai,
do início do século XX até meados da 2002). De fato, desde a primeira edição da
década de 1970. Este período foi marcado Farmacopeia Brasileira, o número de
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plantas medicinais foi reduzido a quase terapêutica alternativa e complementar,


zero, só voltando a crescer a partir deste com embasamento científico, através do
século. estabelecimento de Medicamentos
Reconhecendo a importância das originados a partir de determinação do real
práticas tradicionais na atenção à saúde das valor farmacológico de preparações de uso
pessoas, desde a Declaração de Alma Ata, popular à base de plantas medicinais.
em 1978, a OMS tem destacado a Em 1987, a Resolução 40.33 da 40ª
necessidade de se valorizar a utilização de Assembleia Mundial de saúde, reiterou os
plantas medicinais no âmbito terapêutico. O principais pontos das resoluções anteriores
uso de medicamentos fitoterápicos com e das recomendações feitas pela
finalidade profilática, curativa, paliativa ou Conferência Internacional de Cuidados

CURSO PROFISSIONAL DE FITOTERAPIA


para fins de diagnóstico, passou a ser Primários em saúde (Alma Ata, 1978) e
oficialmente reconhecido pela Organização recomendou enfaticamente aos Estados-
Mundial de Saúde, que recomendou a membros:
difusão, em nível mundial, dos
conhecimentos necessários para o seu uso. 1. Iniciar programas amplos, relativos à
No Brasil, foi somente em 1981 que identificação, avaliação, preparo, cultivo e
o Ministério da saúde começou a adotar as conservação de plantas usadas em medicina
plantas medicinais como prioridade tradicional;
(Portaria Nº 212, de 11 de setembro de 2. Assegurar a qualidade das drogas
1981). Em 1982, algumas plantas derivadas de medicamentos tradicionais,
medicinais foram incluídas na lista da extraídas de plantas, pelo uso de técnicas
Central de Medicamentos (CEME), por modernas e aplicações de padrões
intermédio do Programa de Pesquisa de apropriados e de boas praticas de fabricação
Plantas Medicinais (PPPM), que tinha (BPF).
como objetivo o desenvolvimento de uma

Figura 1. Número de plantas medicinais descritas em todas as edições da Farmacopeia


Brasileira.

300
NÚMERO DE PLANTAS MEDICINAIS

250

200

150

100

50

0
1ª 2ª 3ª 4ª 5ª
EDIÇÃO

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Em 1988, a Resolução CIPLAN Nº (PNPIC) (BRASIL, 2006b), que incluía a


08/88 regulamentava a implantação da fitoterapia, e em 2008 foi criada a Política
fitoterapia nos Serviços de Saúde, nas Nacional de Plantas Medicinais e
Unidades Federadas. Já em 1991, o Parecer Fitoterápicos (PNPMF) (BRASIL, 2006a),
Nº 06/91 do Conselho Federal de Medicina e publicada a Instrução Normativa (IN) nº
reconhece “a atividade de fitoterapia 5 (BRASIL, 2008), que regulamentava as 36
desenvolvida sob a supervisão de espécies de plantas medicinais de registro
profissional médico, e prática reconhecida simplificado junto a ANVISA. Em 2009, foi
pelo Ministério da saúde”. publicada a RENISUS – Relação Nacional
O reconhecimento da fitoterapia de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS,
como meio terapêutico pelo Conselho que listava 71 espécies de especial interesse
Federal de Medicina (CFM) só ocorreu mais do SUS para uso medicinal. Em 2010, a
tarde (PROCESSO CONSULTA CFM Nº ANVISA publicou a Resolução de
1301/91 – PC/CFM/Nº 04/1992). Naquele Diretoria Colegiada (RDC) nº 10
INTROFUÇÃO AO FITOTERAPIA

ano, o CFM reconhece a existência da (BRASIL, 2010c), que regulamentava a


Acupuntura e da Fitoterapia como métodos comercialização de drogas vegetais de
terapêuticos, podendo ser usados por venda isenta de prescrição médica,
diversas especialidades médicas. destinados ao consumidor final. De acordo
Em 1998 é criada a Subcomissão com essa resolução, a droga vegetal seria
Nacional de Assessoramento em destinada ao uso episódico, oral ou tópico,
Fitoterápicos (CONAFIT), que teve como para o alívio sintomático, devendo ser
atribuições: disponibilizadas exclusivamente na forma
de droga vegetal para o preparo de infusões,
1. Assessorar a Secretaria de decocções e macerações (66 plantas). No
Vigilância Sanitária – SVS, nos assuntos mesmo ano, a RDC nº 14 dispõe sobre o
científicos, técnicos e normativos registro de medicamentos fitoterápicos, a
envolvidos na apreciação da eficácia e RDC nº 17 dispõe sobre as Boas Praticas de
segurança do uso de produtos fitoterápicos; Fabricação de Medicamentos, e a Portaria
2. Manifestar-se sobre questões nº 886 (MS) institui a Farmácia Viva no
relacionadas a farmacovigilância e ao âmbito do Sistema Único de saúde (SUS).
desenvolvimento de pesquisas clínicas na Paralelamente, a OMS lançava uma
área de fitoterápicos; série de publicações que embasavam e
3. Subsidiar a SVS na realização de estimulavam a produção e utilização de
eventos técnico-científicos, do interesse dos fitoterápicos, como o WHO Traditional
trabalhos da Comissão e que concorram Medicine Strategy (2002–2005) (WHO,
para a ampla divulgação de conhecimentos e 2002), o WHO Guidelines on good
informações pertinentes ao controle agricultural and collection practices
sanitário desses agentes. (GACP) for medicinal plants (2003)
Foi somente no século XXI que a (WHO, 2003), as WHO Monographs on
legislação brasileira começou a avançar de selected medicinal plants (4 volumes,
maneira significativa na área dos 2004–2009) (WHO, 1999a, 1999b, 2007c,
fitoterápicos. Em 2004, foram publicadas a 2009), o WHO Guidelines for assessing
RE nº 90 (Guia para a realização de quality of herbal medicines with reference
estudos de toxicidade pré-clínica de to contaminants and residues (2007)
fitoterápicos) e a RDC nº 48 (Dispõe sobre o (WHO, 2007a), o WHO Guidelines on
registro de medicamentos fitoterápicos). good manufacturing practices (GMP) for
Em 2006, foi criada a Política Nacional de herbal medicines (2007) (WHO, 2007b),
Práticas Integrativas e Complementares entre outros.

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Curso Profissional
de Fitoterapia
Aula: 002
História da Fitoterapia
Professor Marcos Lima

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Disponível no dia 26 de novembro de 2019 as 19 horas.


APOSTILA: Nº 02

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CURSO
PROFISSIONAL DE
FITOTERAPIA
INTRODUÇÃO A FITOTERAPIA
Fitoterapia e seus Paradígmas
MÓDULO 01
UNIDADE MODULAR 01.1

GRADE CURRICULAR

História da Fitoterapia

Fitoterapia e seus
Paradígmas

Aspectos Tradicionais
em Fitoterapia

Divisões da Fitoterapia

A Fitoterapia e a
Comunidade Cietífica

MÓDULO 1/1.1

Disponível no dia 26 de novembro de 2019 as 19 horas.