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TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA À LUZ DA REFORMA

TRABALHISTA

Trabalho avaliativo para requisito em obtenção de


nota parcial em Direito do Trabalho I, como docente xxxxxx

PORTO VELHO/RO

2019

INTRODUÇÃO

Foi aprovada no plenário do Senado, a Reforma Trabalhista que entrou


em vigor em novembro de 2017 alterando diversos artigos da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT) a fim de adequar à legislação às novas relações de
trabalho, entre elas a terceirização de serviços.

Vale ressaltar que a lei da Terceirização foi aprovada em março, antes


da Reforma Trabalhista. Sendo assim, os pontos alterados na Reforma foram
apenas para complementar a nova lei; A reforma trabalhista consiste em
mudanças nos direitos e deveres dos trabalhadores e empresas, sendo que a
proposta é oferecer uma maior flexibilidade às relações entre os patrões e os
empregados.

TERCEIRIZAÇÃO E A REFORMA TRABALHISTA

A lei da terceirização foi aprovada em março de 2017 no Congresso. Por


meio dela foi estipulada uma permissão para que as empresas
contratem trabalhadores terceirizados para exercer qualquer função, até
mesmo atividades-fim. Se antes eles só podiam exercer funções de atividades-
meio, agora essa regra torna-se irrestrita. Isso é argumentado pela Lei
13467/17: 
“Art. 4º-A. Considera-se prestação de serviços
a terceiros a transferência feita pela contratante da
execução de quaisquer de suas atividades, inclusive
sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito
privado prestadora de serviços que possua
capacidade econômica compatível com a sua
execução.”

A reforma trabalhista trouxe regras complementares para a lei da terceirização.

“Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as


formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não,
afasta a qualidade de empregado prevista no artigo 3º da CLT. 

Assim, segundo a Reforma, um autônomo perde o vínculo de


empregado, tenha ele sido contratado com exclusividade ou não. Com isso,
os custos do trabalhador para a empresa são minimizados. 

De fato, não existia uma lei para legalizar/reger a terceirização, o que


existia apenas era a Súmula 331, elaborada pelo Tribunal Superior do
Trabalho (TST). A referida súmula, regulamenta apenas serviços ligados à
vigilância, limpeza e as funções não relacionadas às atividades-fim das
empresas.

Importante destacar que a Lei nº 13.467/2017 e, especialmente, a Lei


nº 13.429/2017 (Lei da terceirização), veio para as empresas ganharem maior
flexibilidade e autonomia, haja vista que só era possível ocorrer a
terceirização em algumas funções.

Na terceirização, há três pessoas envolvidas na relação jurídica:


trabalhador, empresa prestadora (ou intermediadora) de serviços e empresa
contratante (tomadora de serviços). Verifica-se, assim, que a relação é
triangular. O vínculo empregatício ocorre entre trabalhador e empresa
prestadora de serviços a terceiros, embora o trabalhador preste serviços em
outro local, na empresa contratante.

IGUALDADE DE DIREITOS NAS INSTALAÇÕES


O terceirizado deve ter as mesmas condições de trabalho dos
empregados efetivos como:
-Atendimento em ambulatório;
-Alimentação;
-Segurança;
-Transporte;
-Capacitação;
-Qualidade de equipamentos.
A regra não contempla benefícios como vale-alimentação ou plano de saúde;
estes ficam a critério do contratante, podendo ter diferenças em relação aos
que são concedidos aos outros funcionários.

JULGAMENTO COM EFICÁCIA GERAL


No dia 30/8/2018, o STF julgou a ADPF 324 e o Recurso
Extraordinário em repercussão geral 958252, que versavam sobre a
possibilidade de terceirização em todas as atividades da empresa. Por
maioria de 7 votos contra 4 contrários, o Tribunal julgou que é lícita a
terceirização em todas as etapas do processo produtivo, sejam elas em
atividades-meio ou fim. Nesse sentido, a modificação realizada pela reforma
trabalhista passa a ser reconhecida pelo STF, cuja decisão tem efeito
vinculante para todo o Poder Judiciário.

Do julgamento do recurso extraordinário 958252 foi firmada a seguinte


tese de repercussão geral:
‘’É lícita a terceirização ou qualquer outra
forma de divisão do trabalho entre pessoas
jurídicas distintas, independentemente do objeto
social das empresas envolvidas, mantida a
responsabilidade subsidiária da empresa
contratante.’’

Dessa forma, a terceirização de serviços, independente do objeto social das


empresas envolvidas, seja em atividades-meio ou fim, é lícita. Vale ressaltar
que o STF manteve a responsabilidade subsidiária da empresa contratante já
prevista no art. 5º-A, § 5º da lei 6.019/74. Se ausente o pagamento das
verbas trabalhistas do empregado terceirizado, a empresa tomadora será
subsidiariamente responsável.
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO TOMADOR DOS SERVIÇOS

A responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços permanece a


ser a principal medida jurídica para combater eventuais problemas de
terceirizações fraudulentas, de modo que se pode prever que a Justiça do
Trabalho continuará a enfrentar muitas ações judiciais sobre o tema. Trata-se
de técnica adotada pelo direito para buscar garantir o adimplemento de
prestações obrigacionais, de modo que o credor pode mover ação em face do
devedor e do responsável subsidiário.

A responsabilidade subsidiária não se confunde com a solidariedade,


uma vez que nessa segunda hipótese o credor pode exigir de qualquer um dos
devedores o cumprimento integral da prestação. Ocorre que no artigo 265 do
Código Civil, a solidariedade não se presume, mas resulta da lei ou da vontade
das partes. Nos casos de terceirização em que o empregado da empresa
fornecedora de serviços não recebe os seus direitos trabalhistas, a
responsabilidade subsidiária segue sendo a técnica a ser adotada.
CONCLUSÃO

Pode-se concluir que a terceirização tem papel estratégico nos processos


produtivos e deve ser utilizada para aumento da produtividade e
competitividade por meio de processos que amplificam especializações e
geram oportunidade de empreendedorismo, intercâmbio tecnológico e
inovação.
BIBLIOGRAFIA

https://blog.luz.vc/o-que-e/terceirizacao-principais-modificacoes-realizadas-
pela-reforma-trabalhista/

https://blog.luz.vc/o-que-e/terceirizacao-principais-modificacoes-realizadas-
pela-reforma-trabalhista/

https://jus.com.br/artigos/66910/a-terceirizacao-e-a-reforma-trabalhista-no-
brasil

https://juslaboris.tst.jus.br/handle/20.500.12178/125416

https://gamademedeiros.com.br/o-que-muda-na-terceirizacao-com-reforma-
trabalhista/

https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI267633,21048-
A+nova+lei+da+terceirizacao+e+a+reforma+trabalhista

https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=Terceiriza
%C3%A7%C3%A3o+de+Servi%C3%A7os