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Introdução

Trabalho de Sociologia Geral

1. O Conhecimento Científico é uma forma de construção de saberes sobre a


realidade social a partir do processo de investigação, obedecendo a certos
princípios metodológicos. É um processo que se dá através de uma relação entre
teoria, observação e interpretação dos factos observados. É um conhecimento
que resulta duma produção ou construção que o pesquisador faz a volta realidade
social a partir de um conjunto de preposições articuladas sistematicamente.

2. Os obstáculos mais comuns a construção do conhecimento científico são: naturalismo,


individualismo e etnocentrismo.
 Naturalismo, é a tendência de se explicar os factos sociais invocando causas
metasociais, ou seja, é a descrição e interpretação da sociedade a partir de elementos
naturais/físicos e biológicos. A partir do naturalismo, buscasse explicar o
comportamento de certos grupos sociais, considerando que estes comportamentos são
naturais a determinado grupo social, área geográfica, etc. Assim, tais características
acabam sendo inquestionáveis por si considerar que são “naturais”.
 Individualismo, contrariamente ao naturalismo podemos ver o este como sendo uma
abordagem que considera que a sociedade é a simples soma de indivíduos e que cada
um destes agem apenas tendo em vista a prossecução dos seus objectivos singulares, e
não vendo que o indivíduo é produto da própria sociedade, inclusive as suas escolhas
são socialmente determinadas.
 Etnocentrismo, este obstáculo ao conhecimento científico pode ser visto como a
tendência ou atitude de se sobrevalorizar a cultura de grupo social a que pertençam os
sujeitos, e a consequente desvalorização ou depreciação dos outros grupos sociais
diferentes. Os valores do grupo sujeito é que são considerados como norma ou
universais para análise da estrutura e práticas sociais de outros povos.

3. Dúvida metódica que consiste em questionar todo conhecimento e não assumir estes
como verdade já dada e absoluta. Esta tem como missão na sociedade permitir que as
ideias do senso comum não influenciem o nosso pensamento, daí que deve ser uma
atitude constante, ou seja, a ruptura com senso comum não se dá de uma única vez,
mais pelo contrário constantemente.
4. A Sociologia tem como benefícios de tentar intervir de forma directa e objectiva
a sociedade e não a simples compreensão de situações sociais radicalmente novas da
sociedade capitalista. Assim, pode-se entender a seu crescimento suscitado pelo seu
aparente papel na correcção da sociedade, quando na verdade a ela não tem como agir
directamente sobre a realidade social e indivíduos, sim explicar a razão de certos
comportamentos manifestados.
5. Locke, considerava que o homem possuía direitos naturais tais como a vida, a
liberdade, a propriedade, e que para garantir estes os homens criaram então os
governos. Por conseguinte, caso os governos não assegurassem estes direitos as
pessoas podiam obviamente se rebelar, contestar e derrubar o governo que era
definido como “um consentimento dos governados em relação a uma
autoridade constituída e ao direito natural do ser humano”
Sua teoria política tem como questão central Os Tratados sobre o Governo Civil,
em que refuta de forma clara a ideia de Filmer que defendia que o poder dos reis
era absoluto e divino, por advir de Adão que é o pai da humanidade. Para ele, o
poder paternal que supostamente advinha de Adão não devia pois ser confundido
com o poder político, visto que o primeiro tem sempre um carácter temporário
ou transitório e é anterior a constituição da sociedade, pelo que não se submete a
lei positiva, mais sim a lei natural.
Para que um governo fosse verdadeiro no sentido por si defendido, deveria
basear-se na legitimidade, consentimento dos próprios cidadãos que adivinha de
um contracto social. Assim, a legitimidade era aspecto fundamental que
justificava o poder e diferenciava um príncipe legítimo e um usurpador. Por
conseguinte o consentimento expresso, a constituição e suas regras eram
aspectos que garantiam a própria legitimidade, e que por sua vez esta
pressupunha limites ao poder político.
O poder de Estado deveria necessariamente estar confiado em 3 mãos:
Legislativo em que a faculdade do poder consiste na capacidade de fazer leis,
Executivo que consiste na capacidade de aplicar as leis aos casos concretos quer
seja através da administração pública e tribunais, e Federativo que consiste na
condução do Estado nas suas relações com exterior. Neste sentido, o poder
absoluto era totalmente incompatível com a sociedade civil, visto que o soberano
acumula todos os poderes e impede o apelo ou arbitragem independente.
6. É um dos defensores do contracto social como elemento fundador da sociedade,
mais que contrariamente a Hobbes, diz que o homem no estado natureza era
virtuoso e a vida em sociedade é que criava estes vícios tais como: avareza,
honra e cupidez; daí que o progresso da sociedade levava a degeneração e
corrupção do homem, uma vez que realização destes vícios era feita a custa da
humilhação e dominação dos outros. A sociedade resulta de um contracto social
em que a partir de um Estado justo, se busca defender o indivíduo e seus bens,
através de normas e regras sociais bem claras.
7. facto social que pode ser definido objectivamente como sendo: toda maneira de
sentir ou agir, fixa ou não que seja susceptível de exercer sobre o indivíduo uma
coerção exterior que seja geral numa determinada sociedade, tendo uma
existência própria independentemente das manifestações individuais que possa
ter.
8. Os acontecimentos históricos que marcaram o surgimento da sociologia são:
Foram dois os acontecimentos que levaram surgimento da Sociologia
nomeadamente a Revolução Burguesa na Inglaterra no século XVII, e a Revolução
Francesa no final do século XVIII, em que dada a complexidade dos fenómenos sociais
surgidos, houve necessidade de perceber e explicar dentro da sociedade moderna, para
se fazerem as mudanças julgadas necessárias.
9. Emile Durkeim É considerado pela maioria dos autores e pensadores como
sendo o verdadeiro “Pai da Sociologia”pelo seu contributo na fundação da uma
nova ciência que é a chamada ciência dos factos sociais, através da criação de
um método e constituição de um corpo teórico próprio da Sociologia,
distanciando-se da “tutela” a Filosofia. Seu pensamento tenta estabelecer a
relação fundamental entre indivíduo e sociedade e a partir daqui olhar as
oposições binárias entre por exemplo a consciência colectiva e consciência
individual, etc. visto que este é simultaneamente um ser individual e um ser
social.
10. A teoria voluntarista da acção segundo Talcott Parson é caracterizada por
considerar que toda acção humana não se resume a uma resposta a um
determinado estímulo (tal como defendiam os behavioristas) mais pelo contrário
como uma acção dotada de sentido para o próprio indivíduo, e que este sentido
pode ser diferente daquele atribuído por quem observa. Assim, cada acto está
ligado a outros actos em forma de rede, pelo que dá-nos a noção de sistema
concebida como uma rede de relações. Os sistemas teriam duas propriedades
nomeadamente por um lado o facto de criarem relações sociais a partir de
expectativas que se impõem aos actores sociais nas relações mútuas que
estabelecem, e por outro o grupo em si, olhando a maneira como é instituída e
preservada a própria coesão do grupo. A sociedade era para este autor um
sistema que se estrutura a partir da diferenciação e interdependência
simultaneamente. Como sistema, a sociedade teria uma estrutura que seria a
parte estável, que permanece além das mudanças; e a função seria o aspecto
integrador e dinâmico do próprio sistema.
11. No que diz respeito a sobrevivência ou manutenção da sociedade como um todo
o funcionalismo admite por hipótese que os diferentes elementos da sociedade
encontram-se em relação uns com os outros e que cada um destes quer de modo
consciente ou não desempenha uma função para a sobrevivência da própria
sociedade, ou seja, cada elemento pode parcialmente ajudar a explicar os outros
e simultaneamente ser explicados por estes. Por conseguinte, seguindo este
argumento funcionalista percebemos que qualquer mudança num dos elementos
do sistema social, leva invariavelmente a alteração de toda sociedade, visto que
este elemento desempenha uma função que pode ser manifesta ou oculta e
contribui para subsistência da totalidade.
12. Falar das teorias de interacção social é falar de pensamentos ou ideias dadas por
alguns pensadores no que diz respeito às formas que devemos nos interagir na
sociedade onde estamos inseridos para uma melhor convivência.
13. Falar sobre a interacção social é no fundo definir aquilo que é a vida em
sociedade, que se resume a um processo eminentemente social, na medida para
podermos conviver com os nossos semelhantes temos que estabelecer normas de
conduta para cada um dos membros. Isto implica dizer que cada um de nós deve
ser capaz de atribuir sentido tanto as suas acções e bem como as dos demais, por
forma que se possa comunicar. Algumas teorias que sustentam a interacção
social são:
 Teoria Interacionismo Simbólico De George Mead – esta teoria opõe-se ao
behaviorismo e para tal faz uma clara distinção entre formas de comportamento
dos infra-humanos (que se refere aos animais irracionais e crianças) e formas de
comportamento humanos. O elemento fundamental e determinante para esta
distinção está na linguagem, que é vista como expressão da capacidade reflexiva
dos indivíduos.
 Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman – busca ver como é
que se organiza a experiência do quotidiano, ou seja, o modo como um actor
social pode colocar na sua mente em termos de experiência e não da organização
da sociedade. Isto não implica dizer de modo algum que Goffman ignore as
dimensões macroestruturas da sociedade, mais pelo contrário, que seu objectivo
era pura e simplesmente analisar a estrutura de relação entre dois ou mais
indivíduos numa situação de co-presença física. Goffman considera que a
interacção social não é necessariamente uma simples actividade cooperativa
entre os indivíduos, que garante a adaptação do indivíduo a sociedade, mais pelo
contrário é a representação pela qual o eu (o indivíduo singular) se transforma
em vários eu (outros indivíduos). Segundo ele, a vida em sociedade era
equiparada ao teatro em que os indivíduos quando actuam desempenham
determinados papéis de várias personagens; pelo que estes usariam diferentes
estratégias e técnicas de actuação.

14. Podemos referir que nas nossas sociedades nem todos os recursos, vantagens,
assim como oportunidades não estão distribuídas de forma igual para todos os
integrantes na sociedade, vistos que existem alguns intervenientes da mesma
sociedade com vantagens e como oportunidades elevadas, diferindo assim com
os outros intervenientes da mesma sociedade.
15. As desigualdades sócio profissionais consistem em ver o tipo de profissão que
os sujeitos desempenham, posição destes perante a propriedade (ser dono ou
trabalhador), poder de decisão na empresa, diferença de nível de escolaridade e
qualificação profissional.
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17. Estratificação social é um conjunto de recompensas diferenciais. São os
diferentes recursos, materiais ou simbólicos que as sociedades atribuem aos
indivíduos em função da posição que ocupam, que os vai situar na escala de
estratificação e configurar o mecanismo de desigualdades. A teoria
fundamentalista da estratificação social tem como seu pressuposto básico que a
desigualdade social é algo que se encontra enraizado na sociedade, de tal modo
que não existe uma sociedade que possa sobreviver em perfeitas condições de
igualdade entre os seus membros.
18. As desigualdade social acaba sendo útil e necessária na sociedade sim visto que
isto garante que outros trabalhem para certas pessoas, porque visto que se os
recursos fossem distribuídos de forma igual haveriam algumas rupturas no modo
de interacção dos integrantes de uma sociedade.
19. A mobilidade social pode ser vista como sendo a passagem de um indivíduo ou
grupo de uma posição social para outra, dentro de uma constelação de grupos e
estratos sociais, e que tanto pode ser ascendente ou descendente na sociedade. A
diferença existente entre a mobilidade vertical da horizontal mobilidade vertical
é a seguinte: mobilidade vertical pressupõe uma mudança na classe ou estrato
que seja vista como subida ou descida/ascendente ou descendente dentro da
escala social. Enquanto que a Mobilidade Horizontal é a mudança de localização
que não implica qualquer tipo de alteração social, tal como uma mudança de
profissão ou de região/habitação.
20. Nas sociedades contemporâneas encontramos 6 eixos de diferenciação de classes
nomeadamente: nível de inserção socioeconómica, autoridade na profissão,
qualificação ou educação dos indivíduos, nível das empresas ou organizações,
protecção ou vulnerabilidade em relação ao mercado, e nível de género e raça.
 Nível de Inserção Socioeconómica
É importante darmos atenção a questão económica ou a posição dos indivíduos
nas relações de produção. Neste sentido, deve-se ter em conta a profissão que
indivíduo desempenha e bem como o nível salarial por forma a se ter noção da
classe em que enquadrar.
 Nível de Autoridade na Profissão
Deve-se ter em atenção o nível de autoridade incorporado na situação
socioprofissional dos indivíduos, em que o indivíduo dirige, faz o controlo de
uma organização ou não. É comum vermos pessoas que dirigem mesmo não
sendo proprietário das empresas.
 Nível Educacional ou Qualificação dos Indivíduos
Este elemento é fundamental para que os indivíduos possam em certo momento
aceder a um nível de autoridade na profissão e inserções em vários meios e bem
como acesso a formas de propriedade. Os diplomas académicos são elementos
importantes nas sociedades contemporâneas na medida abrem espaço para várias
chances aos indivíduos.
 Nível das Empresas e Organizações
Neste ponto é necessário saber a dimensão da própria instituição, sabendo se
tratasse de uma empresa de pequena, média ou grande dimensão a partir do
número de empregados nível de envolvimento do proprietário, rendimentos.
 Nível de Protecção ou Vulnerabilidade em Relação ao Mercado
O elemento fundamental neste nível tem a ver com o tipo de vínculo existente
entre o proprietário e trabalhador, ou seja, existência de contracto ou não,
durabilidade dos contractos, categorias salariais.
 Nível de Género, Raça, e Idade
A desigualdade não é estruturada tal como as demais em aspectos mensuráveis
tais como o económico mais pelo contrário a partir de outros altamente
subjectivos tais como a raça, etnia, região, idade e género (sexo) dos indivíduos,
e nacionalidade. Contudo, é importante ter em conta que apesar de estar fora da
esfera económica estes aspectos normalmente acabam por estar ligado ao meio
económico, contribuindo deste modo para que os indivíduos possam ou não
pertencer a certas classes.