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AGITAÇÃO E MISTURA

Prof. Carla Fabiana S. Rombaldo


AGITAÇÃO & MISTURA

 Agitação: refere-se ao movimento induzido em um fluido


por meio mecânico, em um recipiente. O fluido pode
apresentar um padrão de fluxo ou simplesmente circular
no recipiente. Pode-se agitar uma só substância
homogênea.

 Mistura: relacionada a duas ou mais fases inicialmente


separadas que são aleatoriamente distribuídas dentro ou
através de uma fase para outra.

A agitação dos fluidos não implica necessariamente numa


distribuição homogênea do fluido ou partícula, isto é, com a
agitação a mistura pode não ser atingida.
AGITAÇÃO E MISTURA

 Objetivos:
 Misturar líquidos miscíveis;
 Dispersão de líquidos imiscíveis;
 Dispersar um gás num líquido - aeração;
 Promover transferência de calor/massa;
 Redução de aglomerado de partículas;
 Acelerar reações químicas;
 Obter materiais com propriedades diferentes daquelas
do material originário;
 Aquecimento e resfriamento de soluções;
 Diminuir a heterogeneidade entre fases.
EQUIPAMENTO

 Características:
- Tanques cilíndricos: abertos ou fechados;
- Base do tanque arredondada, para evitar
regiões mortas;
- Agitador na parte superior;
- Caixa de engrenagem para redução de
velocidade (nem sempre necessária).

• Acessórios:
- Local para termômetro;
- Entrada/saída;
- Serpentina ou camisa de aquecimento ou resfriamento;
- Agitadores/Empelidores/Impulsore fazem o movimento;
- Chicanas são usadas para reduzir o movimento
tangencial.
TIPO FLUXO
 São dividido em duas classes:
 Fluxo axial: correntes paralelas ao eixo do agitador;
 Fluxo radial: correntes tangenciais ou na direção
perpendicular ao eixo do agitador.

 A velocidade do fluido tem três componentes:


 radial (correntes perpendiculares ao eixo do agitador),
 axial ou longitudinal (correntes paralelas ao eixo do
agitador)
 tangencial ou rotacional (correntes tangentes ao eixo do
agitador;
 responsável pela formação do vórtice.
TIPO FLUXO
A maneira como um líquido se move dentro de um vaso depende:
 Tipo de lâmina, agitador;
 Características do fluido;
 Tamanho e proporções do tanque, placas defletoras (chicanas) e
agitadores.

Quando o agitador está disposto no centro a componente


tangencial é prejudicial à mistura – vórtices:
• Substâncias sem se misturar;
• Se houver a presença de sólidos, estes poderão ser
lançados à parede e descerem, acumulando-se embaixo
do agitador;
• Ao invés de se obter mistura haverá concentração de
sólidos;
• Em altas velocidades o vórtice pode ser tão grande que
o agitador fica descoberto, introduzindo ar (bolhas) no
líquido;
• Oscilação de massa flutuante.
VÓRTICE

Em tanques pequenos, o agitador pode ficar


descentralizado e/ou inclinado

Em tanques largos, o agitador pode ser


colocado na lateral
horizontalmente.

Colocar defletores (chicanas) que impede o


escoamento rotacional, sem prejudicar o
escoamento radial ou
longitudinal.
1 a 3 defletores – tanques pequenos;
4 defletores – tanques grandes
AGITADORES

Principais tipos de agitadores para líquidos de viscosidade


baixa a moderada:

(a) Propulsor marinho de três pás, (b) turbina de pá fina aberta, (c) turbina de
disco, (d) turbina vertical de pás curvas (McCabe, 1985)
HÉLICE

 Para fluidos de baixa viscosidade (μ < 2 Pa.s).


 Padrão de circulação axial.
 Suspensão de sólidos, mistura de fluidos miscíveis e
transferência de calor.
 Possui uma ampla faixa de rotações;
 Da = 1/10 DT
TURBINA DE PÁS RETAS

 Grande intervalo de viscosidade: 10-3 <μ< 50 Pa.s;


 Os impulsores de pás verticais fornecem um fluxo radial
adequado para agitação de fluidos viscosos;
 Os de pás inclinadas apresentam escoamento axial que
é útil para suspensão de sólidos.
TURBINA RUSHTON

São adequadas para:


 Agitação de fluidos poucos viscosos e alta velocidade;

 Usada na dispersão de gases em líquidos, na dispersão de


sólidos, na mistura de fluidos imiscíveis, e na
transferência de calor.
 Distribuem a energia de maneira uniforme.

 O padrão de escoamento é misto.

 Da = 1/3 DT
ANCORA

 Utilizados para mistura de fluidos muito consistentes.


 Viscosidades entre 5 e 50 Pa.s.
 Os mais comuns os são o tipo ancora e o helicoidal.
 O modelo de ancora fornece um escoamento misto e o
modelo helicoidal um fluxo axial
 Da ≈ DT
ESCOLHA DO AGITADOR
ESCOLHA DO AGITADOR
CONSUMO DE POTÊNCIA
 Para estimar consumo de potência utiliza-se correlações empíricas de
potência com outras variáveis do sistema. Para um tanque padronizado, os
fatores de forma são temporariamente ignorados e o líquido é considerado
newtoniano, a potência é função das seguintes variáveis:

𝑃 = 𝑓(𝑛, 𝐷𝑎, 𝜇, 𝜌, 𝑔, 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜𝑢𝑡𝑟𝑜𝑠)

𝑃 𝜌𝑁𝐷2 𝑁2 𝐷 𝐷𝑇 𝑊 𝐻
 Aplicando análise dimensional: =𝑓 , , , , ,….
𝜌𝑁3 𝐷5 𝜇 𝑔 𝐷 𝐷 𝐷
1 2 3

1  NP: Número de Potencia: proporcional a razão da força de arraste agindo


sobre unidade de área do impulsor e a tensão tangencial (forças de
arraste/forças de inercia);

2  Re: Número de Reynolds: para caracterizar o tipo de fluxo; (Re>104: fluxo


turbulento, Re<10: fluxo laminar); (forças de inércia/forças viscosas);

3  Fr: Número de Froude: medida da razão da força inercial pela força


gravitacional por unidade de área agindo no fluido; (força de inércia/ força
gravitacional).
TANQUE PADRÃO
Segundo McCabe (1985), baseado em um agitador de turbina
J – largura do defletor;
n – velocidade de rotação;
Dt – diâmetro do tanque;
Da – diâmetro do agitador;
H – nível do líquido;
L – comprimento da lâmina;
W – altura da lâmina;
E – distância da lâmina ao fundo.
CORRELAÇÃO DE POTÊNCIA

Fig 9. Número de potência (NP) vs NRe para turbinas de 6 pás. Na porção


em vermelho da curva D, o valor de NP lido na figura deve ser
𝑚
multiplicado por 𝑁𝐹𝑟 Curvas (Lâminas): A (Verticais); B (Verticais); C
(Inclinadas 45º); D (Verticais – sem chicanas) (McCabe, 1985).
CORRELAÇÃO DE POTÊNCIA

Fig. 10. Número de Potência (NP) vs NRe para propulsores de 3 lâminas.


Com a porção pontilhada das curvas B, C e D, o valor de NP lido na figura
𝑚
deve ser multiplicado por 𝑁𝐹𝑟 (McCabe, 1985).
CORRELAÇÃO DE POTÊNCIA
NÍVEIS DE AGITAÇÃO

 Nível de agitação, NA, relação entre potência por volume


de agitação (volume a ser agitado): 𝑁𝐴 = 𝑊/𝑉𝑙

𝑁𝑃𝑜
𝑁𝐴 ∝ 𝜌 𝑁 3 𝐷𝑎2
𝐹𝑇𝑀 𝑁𝑞
NÍVEIS DE AGITAÇÃO

 𝑉𝑙 ∝ 𝐹𝑇𝑀 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑖𝑠𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑄𝑝 𝑣𝑎𝑧𝑎ã𝑜 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎


𝑄𝑝 ∝ 𝑢 𝐴𝑖 á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑖𝑚𝑝𝑒𝑙𝑖𝑑𝑜𝑟 𝐴𝑖 ∝ 𝐷𝑎2 𝑢 ∝ 𝑁𝐷𝑎
𝑄𝑝 ∝ 𝑁𝐷𝑎3 𝑄𝑝 = 𝑁𝑞 𝑁𝐷𝑎3
FATORES DE CORREÇÃO
 Mais de um impelidor no eixo, 𝐷𝑇 ≅ ℎ (distância entre
impelidores: 𝑊𝑇 = 𝑛𝑊𝑢 (número de impelidor no eixo);

 Tanque e impelidor têm medidas diferentes da “padrão”:


1/2
𝐷𝑇 𝐻
𝐷𝑎 𝑛𝑜𝑣𝑎 𝐷𝑎 𝑛𝑜𝑣𝑎
𝑊𝑛𝑜𝑣𝑎 = 𝜑𝑊𝑢 𝜑= 𝐷𝑇 𝐻
𝐷𝑎 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝐷𝑎 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜


 Sistema gaseificado: = 0,6;
𝐷𝑇
𝐻 𝐽 1
= 1,2; = , mantendo-se as
𝐷𝑇 𝐷𝑇 12
demais proporções.
AGITADORES PARA FLUIDO DE ALTA
VISCOSIDADE – CORRELAÇÕES EMPÍRICAS
CORRELAÇÃO DE POTÊNCIA
 Para Re<300 ou agitador descentralizado ou tanque com
chicanas, o número de potencia das curvas para tanques com
e sem chicanas são idênticos ;

 Para Re mais altos, as curvas divergem. Neste caso, para


tanques sem chicanas, ocorre a formação do vórtice e o
número de Froude tem efeito e deve ser utilizado como:
𝑁𝑃
𝑚 = 𝑓(𝑅𝑒, 𝑆1, 𝑆2, 𝑆3 … . )
𝑁𝐹𝑅
𝑎−𝑙𝑜𝑔𝑅𝑒
Sendo: 𝑚 =
𝑏
FLUIDO NÃO NEWTONIANO
 O padrão de escoamento é complexo, perto das pás, o gradiente
de velocidade é grande e a viscosidade aparente e baixa. A
medida que o liquido se afasta das pás, a velocidade decresce e
a viscosidade aparente aumenta.
 Na prática se assume que a agitação é homogênea e que há
uma taxa de deformação média para o sistema e que ela é
função de:
𝛾: 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜
𝛾 = 𝑓 𝑛, 𝑡𝑖𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑔𝑖𝑡𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑒 𝑔𝑒𝑜𝑚𝑒𝑡𝑟𝑖𝑎 𝑡𝑎𝑛𝑞𝑢𝑒 = 𝛽𝑛
FLUIDO NÃO NEWTONIANO

 O número de Potência é definido do mesmo modo para


fluido newtonianos e não-newtonianos.

 O que não é tão facilmente definido é o número de


Reynolds, uma vez que a viscosidade aparente do fluido
varia com o gradiente de velocidade e este muda de ponto
a ponto no tanque.
𝜌𝑁𝐷2
𝑅𝑒 =
𝜇𝑎
𝑑𝑢 𝑛′ −1
Sendo 𝜇𝑎 : 𝑣𝑖𝑠𝑐𝑜𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝐾′
𝑑𝑦
FLUIDO NÃO NEWTONIANO – LEI DE POTÊNCIA

 Para muitos líquidos pseudoplásticos, onde K’ é o índice de


consistência e a relação du/dy a taxa de deformação que
𝑑𝑢
pode ser escrita como: = 11𝑛
𝑑𝑦
𝜌𝑁 2−𝑛′ 𝐷2
𝑅𝑒 = ′ −1
11𝑛 . 𝐾′

 Fluidos pseudoplásticos (ou não-newtonianos) consomem


menos potência que os Newtonianos (10<Re<100).

 Para turbinas com seis lâminas tem-se a Figura 11 que


apresenta as curvas para fluidos não-Newtonianos.
Fig 11. Correlação de potência para uma turbina de 6
lâminas em líquidos não- Newtonianos. (McCabe, 1985)
EXERCÍCIO

Deseja-se agitar um líquido newtoniano de propriedades


físicas conhecidas ( 200 cP, e 946 kg/m3), por meio de:
 um impulsor de turbina de 6 palhetas standard, em

 um tanque com medidas padrão e 4 defletores.

 diâmetro de impulsor é 0,508 m

 taxa de rotação é 100 RPM

 rendimento do motor de 70%

Qual será a potência do motor adequado


AMPLIAÇÃO DE ESCALA
AMPLIAÇÃO DE ESCALA

Pode ser:
 1. Semelhança geométrica (dos casos: regime
laminar e turbulento);
 2. Igual potência por unidade de volume;

 3. Igualdade na velocidade periférica;

 4. Outros
SEMELHANÇA GEOMÉTRICA ENTRE O MODELO (1)
E O PROTÓTIPO (2).
SEMELHANÇA GEOMÉTRICA E DINÂMICA

Regime laminar
 NPo= f(Re); Re < 300

 Neste caso: Re1= Re2 e NPo1= NPo2

Regime turbulento
 NPo ≈ cte, independe de Re
(POTÊNCIA / VOLUME) = CONSTANTE

Usos: Extração líquido-líquido; transferência de massa ;


dispersões gás-líquido; dissolução de sólido em líquidos;
transferência de calor; mistura de líquidos, etc

P1 P
 2
Vol1 Vol 2
D12 D1
P1  P2 2 .
D2 D2
Admitindo semelhança geométrica padrão e considerando NP1 = NP2:
n23 D1
P1  P2 3 .
n1 D2
IGUALDADE NA VELOCIDADE PERIFÉRICA DO
AGITADOR

Quando interessa manter a tensão de cisalhamento:


no protótipo e no modelo de escala maior.

V1  V2   .D1 .n1   .D2 .n2

Admitindo NP1=NP2
P2 .D12
P1 
D22
EXERCÍCIO

Um concentrado de vitaminas é misturado em um tanque


com 0,67 m de diâmetro e 0,75 m de altura com um
impulsor tipo turbina com 0,33 m de diâmetro girando a
450 rpm. Se para uma ampliação de escala, um tanque de
2m de diâmetro, determine os valores adequados para
altura do liquido no tanque, diâmetro do impulsor e
velocidade de rotação. Considere que deve ser mantida as
mesmas condições de mistura. Massa específica da
vitamina 1520 kg/m3 viscosidade de 6,6 kg/m.s.