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Disciplina Filosofia

Ano lectivo 2019/2020


10º Ano Turma

Síntese dos conteúdos programáticos


Unidade I Unidade-Iniciação à Actividade Filosófica
1-Abordagem introdutória à Filosofia e ao Filosofar
1.1. O que é a Filosofia?-Uma resposta inicial.
1.2.Quais são as questões da Filosofia?-Alguns exemplos
1.3-A dimensão Discursiva do Trabalho Filosófico
Unidade II-A Acção humana e os valores
1. A Acção Humana - Análise e compreensão do agir
1.1. A rede conceptual da acção
1.2. Determinismo e liberdade na acção humana
Síntese dos conteúdos programáticos
Unidade I-Iniciação à Actividade Filosófica

1.1-O que é a Filosofia?- Uma resposta inicial.

Podemos inicialmente definir a filosofia como :

“ Uma actividade reflexiva humana, que aspirando à Verdade, exige a Totalidade do


Ser humano, (tanto a razão como o coração) na procura de respostas a questões
essênciais para o ser humano, que pela sua natureza e transcendência, não são
passíveis de serem explicadas pela ciência, são comuns à religião e estão além do
senso comum.”

Não existe uma definição única de filosofia,mas sim abordagens ou caminhos


diferentes- o que não significa que a propria definição da filosofia seja um “problema
filosófico” , pois tal facto constituiria um absurdo lógico.

a) A filosofia foi-se realizando ao longo da história.


b) Cada filósofo define a filosofia a partir da sua própria concepção de filosofia,
i.e, na questão(ões) que procura responder no método de resposta ou na linguagem
utiizada

c) Esta multiplicidade de definições radica, em parte, na “realidade,


infintamente variada, que a filosofia procura aprender”, isto é no seu objecto” As
diferentes áreas da Filosofia”

Platão filósofo do sec. VI A.C.

A partir da Alegoria da Caverna de Platão, podemos distinguir, vários níveis de


conhecimento na procura de explicação da Realidade. Assim podemos observar :

1) Que o Senso comum é uma forma de conhecimento que é :

Superficial-trata as questões colocadas de forma não sistemática e não profunda

Dogmático-Não permite que as suas crenças e convicções sejam postas em causa pela
racionalidade crítica e num pensamneto filosofico mais elaborado,/pensar profundo e
total.
Acrítico-Não exerce a capacidade de reflexão racional e do pensamento filosófico
profundo, para solucionar as questões que coloca
Subjectivo-Está basicamente centrada nas disposições psicológicas do Sujeito

2) Conhecimento cientifico -

È uma forma de conhecimento baseada numa metodologia ( método experimental- ver


nota 1) que tem as seguintes características:
1) Objectiva→→( Transubjectividade)-è uma forma de conhecimento cujas teorias
pretendem através de modelos matemáticos ser absolutamente fieis e representar de
forma fidedigna os fenómenos que pretendem descrever
2) Universal →→( Intersubjectivo)-As teorias cientificas pretendem ser válidas para
todos os Homens independentemente de quaisquer disposições físicas ou disposições
psicológicas ou subjectivas.
3) Experimental→→( Operativo) - O cientistta está sujeito á verificabilidade das suas
teorias pela plicação de um método que comporta quatro fases : a) observação b) Teoria
c) Experiência d) conclusão.
4) Racional →→ ( Intuitivo á priori)- Os cientistas aplicam as suas teorias e à
Orientação para a Verdade, a razão e a racionalidade
5) Revisivel→→ (Forma de conhecimento aberta)- Os cientistas devem possuir a
atitude deontológica e ética de humildade não dogmática e não preconceituosa que lhes
permite substituir uma teoria cientifica por outra que explique melhor os fenómenos
objecto da pesquisa científica.

3) O Conhecimento filosófico e por inerências as questões filosóficas tem


como características:

a) Aspiração à Verdade- A filosofia etimologicamente deriva de duas palavras


gregas (filos-Amor e Sophia(1) –Sabedoria ). Para se ser filósofo e tal como Neo
demonstrou no filme “A Matrix” é a preciso possuir amor pela Verdade. Sri Aurobindo
Ghose um filósofo moderno, afirma “ que, “a par Racionalidade a filosofia precisa de
temperar com outros ingredientes e um deles é a entusiasmo pela decoberta da Verdade”

b) Radicalidade –A filosofia é uma actividade que vai á raiz dos problemas;


procura resolver uma questão, levando-a aos seus limites; tem ausência de pressupostos
iniciais; exigência de justificações consistentes e exclui definições dogmáticas.
c) Autonomia- O filósofo pensa por si mesmo, i.e, é autónomo em relação a
outras formas de saber( Senso comum, ciência, Religião e Esterótipos sociais;
autonomia significa independência; a autonomia da Filosofia é a liberdade de pensar.
d) Historicidade- As questões da filosofia, vêm ou são resultado ou produto do
contexto histórico ou social onde o Homem se insere, as questões filosóficas, não
brotam do ar. Assim a actividade filosófica advem também a da facticidade dos
acontecimentos históricos onde o Homem épocalmente se situa.Assim o nascimento da
Filosofia não pode desvincular-se das restantes condicionantes históricas: A vida social,
a religião, a política, a ciência,a economia e as atrtes
e) Universalidade-A filosofia é uma actividade própria de todos os Homens,
pois qualquer Homem independentemente do nível da exigência da resposta ás
perguntas que formulou ( radicalidade) vai questionar-se acerca de temas como: “Deus
Existe”; qual é a Causa da Manifestação do Universo?” ; “Qual é a causa final de todas
as coisas?”; Qual é o critério de fundamentação do Bem?”, “ O que é o Homem?”.
Neste sentido a filosofia e a actividade filosófica é uma exigência Universal.Assim os
problemas da filosofia são Universais, i.e todo o homem se vai questionar acerca das
questões acima nomeadas
f) Racionalidade/Reflexão profunda- A exigência da validade Universal das
respostas ás questões que a Filosofia coloca, exigem que o Homem utilize uma
faculdade ou principio que seja válido universalmente e essa faculdade ou principio só
pode ser a razão. A Racionalidade é portanto a qualidade que advém do uso da correcto
da razão. A razão é a faculdade ou princípio de conhecimento que permite ao homem
orientar-se e conhecer a verdade e conhecer o mundo e Vida. Assim a razão é a
faculdade que o Homem possui que comporta os critérios de rigor e de exigência que a
filosofia requer.
g) Coerência ética- A Filosofia não poder ser reduzida a uma actividade
meralmente de cariz intelectual sem nenhuma aplicação prática mas a actividade
filosófofica tem de ser consistente como os seus principios, i.e, tem de se tornar uma
sageza uma Sabedoria de Vida. O filósofo tem de ser coerente em termos éticos com
as suas teorias intelectuais e tem de o demonstrar na sua vida prática.
i) Integralidade do Homem- A filosofia pela sua natureza global e radical
exige do Homem a total participação de todas as suas dimensões.Assim a Filosofia não
é uma mera actividade intelectual despida de valores éticos e espirituais, mas também
exige o concurso do seu Centro Ético, i e. do seu coração.A Filosofia torna-se então
uma via de acesso a uma Sabedoria universal- Teosofia, Sabedoria Antiga ou
Sabedoria Arcana.

A Filosofia como saber de exigência global tem no entanto as seguintes as


principais áreas da sua reflexão:

Metafísica-Filosofia primeira ou Àrea da Filosofia que trata dos problemas


relativos aos primeiros principios e causas primeiras, tais como: O que e o Ser? “
Qual a Natureza do Ser? “ , Ex. “O que é o Real”? Qual e a finalidade, sentido e
Existênca do Ser e do ser Humano?”

Ètica-Trata da fundamentação ou critério da Moralidade, ou justificação


racional arcerca do principio da Moralidade. Ex. Uma acção é boa quando tem uma
finalidade em si própria.

Filosofia da ciência e ou Epistemologia-Trata da Fundamentação, estatuto e


coerência( limites, condições de validade e possibilidade ) da ciência e da sua
evolução.

Filosofia do conhecimento ou Gnoseologia- Trata da resolução e


fundamentação dos problemas relativas à origem, possibildade e limites ou
possibilidade do conhecimento humano. Ex: “qual é a origem do conhecimeno
humano?”

Estética- Trata de resolução e fundamentação de questões relativas ao domínio


da Arte e ao Belo- Ex. “ O que é o belo?” “ O Que é a Arte” todas as produções
plásticas. Podem ser consideradas, formas de arte? ’”

Axiologia ou filosofia do valores-É uma Area da filosofia que muitas vezes se


confunde com a ética ou fundamentação da a moral. Tem como finalidades:
a) Definir o que são valores,
b) Fundamentar critérios de hierarquização de valores
c) Fundamentar o sentido da Existência humana em valores

Filosofia da linguagem;Filosofia Política;Filosofia do direito; Filosofia da


religião-São áreas menos conhecidas da filosofia que tratam de questões abrangentes,
que pela sua natureza saem do campo da facticidade i.e que entram nos domínios da
reflexão filosófica, relativamente aos domínios da linguagem, da política, do direito,
da religião etç

1.3- A filosofia tem uma dimensão discursiva que comprende os


instrumentos lógicos que necessita para efectuar o seu trabalho.Assim temos :
O conceito-A representação intelectual de um conjunto de seres. Ex. “gato”-ser
Animal com quatro patas, pelo, bigodes e que mia
O Juízo- A ligação lógica que se estabelece entre dois conceitos. ( S é P), no
qual o primeiro conceito desempenha o papel de sujeito ( aquele do qual se predica) e o
outro o predicado.
O raciocínio- O encadeamento lógico que se estabelece entre dois ou mais
juizos, no qual o primeiro juízo é a premissa ou antecedente, o segundo é o
consequente. A conclusão é o juízo que necessáriamente deriva das premissas.

Unidade II- A Acção Humana e os valores


A acção humana e os valores.
Sub-temas: * A acção humana - análise e compreensãodo agir
1- A rede conceptual da acção
* Análise da especificidade humana do agir:
*1.1 A distinção entre fazer e agir
*A distinção entre o que fazemos e o que (nos)
acontece (actos do Homem e actos Humanos segundo S.Tomás de Aquino )
* Determinismo e liberdade na acção humana-Teorias filosóficas acerca da Liberdade e
Determinismo na acção Humana.

1- A rede conceptual da acção-Uma acção é uma interferência consciente e voluntária


de um ser humano ( o agente) no normal decurso das coisas, que sem a sua interferência
seguiria um caminho distinto. A acção humana supõe a existência dos seguintes
elementos:
agente ( aquele/a que é a causa da acção); Intenção- ( a finalidade a curto prazo da
acção); A motivação ( A finalidade longinqua da acção);; a deliberaçao ( o período
de tempo no qual o agente vai ponderar acerca dos “prós” e dos “contras” da acção;
uma vontade que decide concretizar a acção.
1.1-A Distinção entre entre Agir e Fazer-
Os filósofos pensaram acerca destes temas e dividiram as acções humanas em três
grupos em especial os filósofos Platão e Aristóteles). Assim temos :
1) O fazer (Poiein) : que é uma actividade voltada para a produção técnica,
centrada no objecto. Previligia o aspecto económico, a produção em massa, a
mecanização, o domímio através da tecnologia das forças da natureza. Reflexos deste
tipo de acção são: a industrialização a tecnologia. A mecanização que levam á
competição e á substituição do Homem nas forças e meios de produção.
2) O agir ( Prassein): È uma actividade centrada no sujeito. Basicamente é uma
actividade de auto-conhecimento baseada no agir da consciência sobre a acção
ética e moral
3) O contemplar/filosofar ( Theorein)- É a Actividade mais elevada do ser humano. È
a actividade intelectual/espiritual do Homem que consiste em investigar as últimas
causa e primeiros príncipios de todas as coisas ( Metafísica)

S. Tomás de Aquino foi um dos principais filósofos que deu os fundamentos


filósoficos para o Cristianismo efectuando uma síntese ente os fundamentos dogmáticos
da fé cristã e o Aristotelismo. A sua reflexão acerca da acção human comporta a
distinção entre actos do Homem e actos humanos.
Actos do Homem ( actus hominis)- Tudo aquilo que o Homem faz enquanto ser
natural, i.e actos que são comuns ao Homem e ao Animal e que não são o produto de
uma decisão consciente e voluntária. Ex. Respirar, digerir, dormir
Actos humanos: São aqueles que são protagonizados pelo homem enquanto ser
racional, Éticamente orientado e sujeito da acção. Têm as seguintes características:
conscientes, racionais, voluntárias, livres, intencionais, èticamente orientados e
responsáveis possuidores, portanto de um carácter espiritual.

Condicionantes da acção- São todos os constrangimentos que se opõe á acçao humana


e que nos impedem de realizar aquilo que poderiamos fazer. São exemplos de
condicionantes da acção humana:
a) Fisico-biológicos
b) Psicológicos
c) Sociais
d) Histórico-culturais
Os primeiros derivam da nosso património genético e constituem a nossa estrutura
fisico biológica- o nosso corpo. Podem constituir um obstáculo á acção humana na
medida que não a permitam realizar. Ex : Um homem de fraca estatura terá muita
dificuldade em poder ser um bom saltador em Altura, ou alguém que possua uma
doença degenerativa do sistema nervoso ( Alzheimer) terá dificuldade em concentrar-se
e deste modo efectuar estudos de longa duração.
Por condicionantes psicológicas entendemos o tipo de obstáculos á acção humana
que podem resultar do perfil pscológico de cada homem.Esse tipo de obstáculos
também podem fazer com que a acção do homem seja involuntária e desse modo não
sejam totalmente conscientes e racionais. ExUm homem de tipo introvertido e com
temperamento com muitas inibições, dificilmente poderá ser um bom palestrante.
Assim alguém que tenho uma doença do foro psicológico do tipo obssessivo-
compulsivo pode roubar coisas compulsivamente (cleptomania) sem que isso seja da
sua vontade consciente e racional. Deste modo este tipo de obstáculos pode levar a
que nem todas as acções humanas sejam voluntárias e que sejam realizadas de
modo involuntário.
As condicionantes á acção de tipo social, são constituídas por todos os estereótipos
vigentes numa determinada sociedade. Ex: s numa sociedade de cariz pragmatista ou de
sucesso imediato, alguém que queira ser pintor, poeta ou artista plástico, verá a sua
acção muito dificultadade.As condicionantes de tipo histórico-cultural são aquelas
que ao longo de um deteminado época histórica numa determinada sociedade, podem
constituir obstáculos à acção humana. Ex: Durante a época da Rainha Vitória em
Inglaterra ( séc XIX) era proíbido e era contra a moral vigente, demonstrar o afecto em
público numa relação heterossexual; Nos países Islâmicos devido ás fortes restrições
religiosas o exercício do livre-pensamento e a actividade filosófia tem pouco ou
nenhum poder de expressão; Em paises europeus e Americanos, pensar e ter ideias e
valores éticos e ou espirituais, tais caridade, compaixão solidariedade, Fraternidade, a
Inutilidade, pode ter grande obstáculos devido aos preconceitos do Senso Comum.
Teorias Filosófica acerca da Liberdade e Determinismo na acção Humana.
Basicamente
são três as teorias acerca da liberdade humana na acção:
1) Determinismo ( ou Determinismo Radical) )- Teoria filosófica acerca da acção
humana que afirma que o Homem está totalmente determinado, i.e constrangido na sua
acção e liberdade pelas condicionantes da acção humana e todas as suas acções estão
causalmente determinadas.Assim esta teoria afirma que todos os acontecimentos,
inclusivé as acções humanas são causados por acontecimentos anteriores.
2) Indeterminismo ( Ou Libertarismo) - Teoria filosófica acerca da acção humana que
afirma que o Homem é totalmente livre, não estando constrangido port nenhum
obstáculo á acção e liberdade humanas e que as nossas acções não estão causalmente
determinadas.
3) Determinismo mitigado- Teoria filosófica acerca da Liberdade e acção humana que
afirma que a acção e a liberdade humanas é relativa; i.e o Homem é um ser
relativamente livre no âmbito das suas condicionante.

O professor, Pedro Gomes


ESCOLA SECUNDÁRIA IBN
MUCAMA
ANO LECTIVO DE 2018/2019

SÍNTESE DE APONTAMENTOS
PARA A DISCIPLINA DE
FILOSOFIA

Professor Pedro Gomes

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