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Sacramentos

01
Introdução

CULTO CRISTÃO

 Por meio dos sacramentos, “Cristo manifesta, torna presente e comunica a sua obra
de salvação pela liturgia da sua Igreja” (CCE 1076).

 “A liturgia é o memorial do mistério da salvação” (CCE 1099).

 “A liturgia cristã não se limita a recordar os acontecimentos que nos salvaram:


atualiza-os, torna-os presentes” (CCE 1104).

CONVENIÊNCIA Vida natural Vida sobrenatural

Nascer Batismo

Crescer e
robustecer-se Confirmação

Indivíduo alimentar-se Eucaristia

curar-se Penitência

Convalescer Unção dos Doentes

governar-se Ordem
Sociedade
perpetuar-se Matrimónio
Os Sacramentos podem classificar-se em três grupos

Sacramentos da iniciação cristã

Batismo Confirmação Eucaristia

Sacramentos de cura

Penitência Unção dos Doentes

Sacramentos ao serviço da comunidade

Ordem Matrimónio

“Os sacramentos são:

 sinais eficazes da graça,

 instituídos por Cristo e confiados à Igreja,

 pelos quais nos é dispensada a vida divina” (CCE 1131)

Sinal sacramental

 Não é puramente convencional (não é como os sinais da Escritura)

 Baseia-se numa certa aptidão para significar:


Exemplo: lavar o corpo - lavar a alma
ungir o corpo - alívio da alma

 Sinal sensível: razão pedagógica (ajuda-nos a compreender o espiritual)


= a realidade sobrenatural torna-se-nos acessível através dos sentidos.
OS SACRAMENTOS SÃO SINAIS SENSÍVEIS

 Estrutura do sinal sacramental (analogia):


- matéria (ação ou gesto material sensível)
- forma (palavras que acompanham e declaram o sentido especial da matéria).

 Matéria e forma devem estar unidas para que se dê o sinal sacramental.


O tipo de união necessária depende de cada sacramento.

INSTITUIÇÃO DOS SACRAMENTOS

1 Ninguém senão Deus pode dar a uns meros sinais a capacidade de conferir a graça
sobrenatural
 Autor principal: Cristo com a sua divindade
 Autor instrumental: Cristo com a sua humanidade

2 A Igreja não pode alterar o que se refere ao essencial do sinal sacramental.

3 Transformação substancial ou não na matéria conforme a estimativa comum dos


homens. Na forma conforme as palavras são ou não aptas para manifestar o sentido da
ação.

EFEITOS DOS SACRAMENTOS

A CCE 1127: “conferem a graça que significam. Eles são eficazes, porque neles é o próprio
Cristo que opera”.
 Comunicam a graça ex opere operato. Mas não automatismo.

B Efeitos principais:
Graça santificante
Graça sacramental
Caráter em alguns

C Outros efeitos:
 expressar e fortalecer a fé
 prestar culto a Deus
 realizar a santificação dos homens
 criar e manifestar a comunhão eclesiástica
EFEITOS DOS SACRAMENTOS
A GRAÇA SANTIFICANTE

Dom gratuito de Deus que produz uma participação sobrenatural na natureza


divina e nos torna filhos de Deus = adoção divina: muito para além da
humana.

 Os sacramentos comunicam-na ou aumentam-na:

- Sacramentos de mortos: por si próprios comunicam a primeira receção


da graça (graça primeira);
ocasionalmente comunicam o seu aumento
(graça segunda)

- Sacramentos de vivos: para produzir a graça, exigem o estado de graça.


Acidentalmente podem produzir a graça primeira
(se há boa fé: não adesão voluntária ao pecado),

EFEITOS DOS SACRAMENTOS


A GRAÇA SACRAMENTAL

= “a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento”


(CCE 1129).

 Pode-se entender como um direito de receber as graças actuais necessárias


para alcançar melhor o fim próprio do sacramento ou para cumprir as obrigações
que nascem dele.

EFEITOS DOS SACRAMENTOS


O CARÁCTER

= selo pelo qual o cristão participa do sacerdócio de Cristo e forma parte da Igreja
segundo estados e funções diversas.

 - Batismo, Confirmação, Ordem sacerdotal.


- indelével: esses sacramentos não podem ser reiterados.
- produzem uma parecença com Cristo segundo a sua função sacerdotal.
EFEITOS DOS SACRAMENTOS
ESQUEMA
Batismo Cristo dá-nos a vida nova de filhos de Deus na Igreja.

Confirmação O Espírito Santo fortalece-nos para que sejamos


testemunhas de Cristo.
Participamos do Sacrifício de Cristo e comungamos o Seu
Eucaristia Corpo e Sangue.

Cristo perdoa-nos os pecados e reconcilia-nos com Deus


Penitência e com a Igreja.

Cristo fortalece o Cristão perante a doença, a velhice ou a


Unção dos Doentes morte.

Ordem Cristo consagra sacerdotes para servir o seu povo.

Matrimónio Cristo santifica a união do homem e da mulher.

REVIVESCÊNCIA DOS SACRAMENTOS

1 Não produzem a graça se existir um obstáculo (falta das disposições necessárias:


fé, estado de graça para os de vivos).

2 Podem reviver os que só se podem receber uma só vez ou muito poucas vezes.
Não revivem a eucaristia nem a penitência.

3 Os que revivem fazem-no no momento em que se dá aquela boa disposição


que teria sido necessária quando se recebeu mal o sacramento.

MINISTRO DOS SACRAMENTOS

 Só o homem devidamente ordenado, ou o legitimamente eleito com esta finalidade


pela legítima autoridade, pode ser ministro. Cristo é sempre o ministro principal.

 O ministro deve ter a intenção de fazer o que a Igreja faz e de realizar devidamente
o sinal sacramental.

 Ministro ordinário: aquele a quem por ofício incumbe administrar um sacramento.


O extraordinário: necessidade ou delegação.

 Para a validade não se requer a fé nem o estado de graça no ministro.


Para a licitude sim, exceto em caso de grave necessidade.
INTENÇÃO DO MINISTRO

Uma intenção pode ser:

- atual (explicita-se aqui e agora);

- virtual (teve-se como atual, não se retratou, influi na ação);

- habitual (igual, mas não influi na ação).

 Para administrar um sacramento, o ministro deve ter intenção atual ou virtual.


Para o receber validamente, costuma ser suficiente a habitual.

ATENÇÃO DO MINISTRO

I. Atenção interna = aplicação da mente ao que se faz, ausência de distrações voluntárias.


Atenção externa = ausência de outra ação simultânea que torne impossível a
atenção interior.

II. Para a validade: basta a atenção externa.


Para a licitude: necessária a atenção interna.

OBRIGAÇÃO DE NEGAR OS SACRAMENTOS

I A Nunca é lícito administrar um sacramento a um sujeito incapaz de o receber.

B Não é lícito administrar um sacramento a um sujeito indigno, a não ser que haja
uma causa gravíssima. (indigno: excomungado, herege, pecador público,
sem estar em estado de graça para um sacramento de vivos, etc.)

Duas regras:
I Negar ao pecador público do qual não conste o arrependimento,
e ao pecador oculto que os peça privadamente;

II Não se devem negar os sacramentos ao pecador oculto que os peça publicamente.

Se se duvida da capacidade do sujeito: forma condicionada.


02
Batismo

ANÚNCIOS E FIGURAS DO BATISMO

 Os cristãos viram-nos:
- na salvação do dilúvio de oito pessoas na arca de Noé;
- na passagem do Mar Vermelho;
- na passagem do Jordão;
- no rito da circuncisão.

 “Todas as prefigurações da Antiga Aliança encontram a sua realização em Jesus


Cristo” (CCE1223).
(sangue e água do Seu lado trespassado na Cruz)

 É a “porta da vida espiritual e a porta que dá acesso aos outros sacramentos”


= “o sacramento da regeneração pela água com a Palavra” (CCE 1213).

 Rito essencial = ablução por água e palavras.

 Ablução = tripla imersão, efusão ou infusão de modo que a água corra


 em contacto com a pele.
 Palavras = “N., eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

 Caso de necessidade: o que segundo a apreciação comum continua a ser água.

OS PADRINHOS

 Um homem, uma mulher ou um homem e uma mulher.

 Têm de ser católicos, estar confirmados, ter recebido a primeira comunhão, viver uma
vida cristã e ter feito 16 anos.

MINISTRO DO BAPTISMO

 Solene (com todas as cerimónias prescritas): Bispo, sacerdote ou diácono. MAS reserva-
se ao pároco a sua administração (qualquer outro: precisa da sua autorização para a
licitude).

 Não solene (ex.: caso urgente com perigo de morte): qualquer pessoa que tenha a
intenção de fazer aquilo que a Igreja faz, mesmo que nem sequer seja cristão.
Neste caso: rito essencial.
SUJEITO

 Sujeito capaz de o receber: “todo e só o homem ainda não batizado” (CIC 864).

 Adultos: intenção pelo menos habitual de o receber.

Crianças e recém-nascidos: nenhuma condição especial.

SUJEITO ADULTO

 VALIDADE: intenção de o receber, que pode ser implícita.

LICITUDE:

 Conhecer as principais verdades da fé (existência de Deus, remunerador,


que encarnou, Trindade);

 Conhecer as principais obrigações cristãs;

 Ter dor dos seus pecados;

 Catecumenato.

 Caso dos batizados fora da Igreja católica:


- Não voltar a batizá-los;
- Se houver sérias dúvidas acerca da validade do seu batismo,
batizar condicionalmente.

SUJEITO CRIANÇA

 CIC 867: os pais católicos “têm obrigação de procurar que as crianças


sejam batizadas dentro das primeiras semanas”.

 Não o administrar aos filhos de pais que não deem o seu consentimento
ou se não houver esperança de educação na fé.

 Em perigo de morte, batizar, apesar da oposição dos seus pais.

 Fetos abortivos e não nascidos que se prevê que não vão nascer vivos:
devem ser batizados e, se houver dúvida de vida, fazê-lo condicionalmente.
EFEITOS

1 Regenera para a vida nova, pela qual o homem se torna filho de Deus: confere a
graça santificante, acompanhada das virtudes infusas e dos dons do Espírito Santo.

2 Perdoa todos os pecados: original e atuais (arrepender-se).


Permanece a inclinação para o pecado (concupiscência).

3 Perdoa toda a pena devida pelos pecados: também temporal.

4 Imprime o caráter, que nos assemelha a Cristo e dá a capacidade de receber


os outros sacramentos. Inapagável.

5 Dá a graça sacramental: direito a especiais ajudas para exercitar a fé,


viver uma vida cristã e receber bem os restantes sacramentos.

6 Incorpora à Igreja (Corpo de Cristo), constitui um vínculo sacramental


de unidade dos cristãos.

NECESSIDADE

 = Necessidade de meio, para a salvação eterna.

 Quanto à infusão da graça e ao perdão dos pecados (não quanto ao caráter),


o batismo de água pode ser suprido por:

- batismo de sangue (martírio)


- batismo de desejo (ato de amor de Deus unido ao desejo,
pelo menos implícito, do batismo).

NECESSIDADE

 “Quanto às crianças que morrem sem Batismo, a Igreja não pode senão confiá-las à
misericórdia de Deus, como o faz no rito do respetivo funeral. De facto, a grande
misericórdia de Deus, «que quer que todos os homens se salvem», e a ternura de Jesus
para com as crianças, que O levou a dizer: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as
estorveis», permitem-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que
morrem sem batismo. Por isso, é mais premente ainda o apelo da Igreja a que não se
impeçam as crianças de virem a Cristo, pelo dom do santo Batismo” (CCE 1261).
03
Confirmação

INSTITUIÇÃO

 “Como todos os sacramentos:


CRISTO.

Não se sabe quando: talvez na Última Ceia (consagração do crisma),


talvez depois da ressurreição.

 Não se administrou até depois do Pentecostes (plenitude do Espírito Santo).

TESTEMUNHOS ANTIGOS

 Atos dos Apóstolos: diácono Filipe = enviaram Pedro e João para que os que batizasse e
recebessem o Espírito Santo.

 Diversidade de nomes:

 imposição das mãos,


 sacramento do crisma,
 sacramento de plenitude.

 Primeiro a aplicar o nome de confirmação: Santo Ambrósio.

SINAL SACRAMENTAL

 O rito essencial: “é conferido mediante a unção do crisma na fronte, a qual se realiza


pela imposição das mãos” (CIC 880).

 Para a validade, a imposição da mão não é necessária.

 Crisma = azeite consagrado pelo bispo na missa crismal de quinta-feira Santa:


azeite de oliveira misturado com uma pequena quantidade de bálsamo.

 Forma no rito latino: N. “recebe por este sinal o dom do Espírito Santo”.
MINISTRO

 CCE 1312: “O ministro originário da confirmação é o bispo” (caso Filipe).

 Rito latino: ministro ordinário = bispo


ministro extraordinário = “o presbítero dotado de faculdade por direito
comum ou por concessão peculiar da autoridade competente” (CIC 882).

 Por direito: - os que se equiparam ao bispo diocesano;


- batismo ou receção na Igreja de um adulto;
- em perigo de morte.

 Oriente: o presbítero que batiza confere a confirmação.


Fá-lo com o crisma consagrado pelo bispo.

SUJEITO

 “Todo o batizado, ainda não confirmado, pode e deve receber o sacramento


da confirmação”.

 Batizado com uso da razão:

VALIDADE: intenção pelo menos habitual.


LICITUDE: instrução e estado de graça.

 IDADE: Igreja latina = “por volta da idade da razão” (CIC 891).


Mas a conferência episcopal pode determinar uma idade mais avançada.
Se houver perigo de morte ou outra razão justa:
pode-se antecipar a sua administração.

EFEITOS

1. Aumento da graça santificante e, especialmente, dos dons do Espírito Santo,


“enraíza-nos mais profundamente na filiação divina” (CCE 1303).

2. Graça sacramental: direito às ajudas necessárias para exercitar a fortaleza


no que se refere a professar publicamente a fé. Também para a luta espiritual.
= certa consagração para servir Cristo como soldado, para ser Miles Christi.

3. Caráter: selo do Espírito Santo que “marca a pertença total a Cristo, a entrega para
sempre ao seu serviço” (CCE 1296).
NECESSIDADE

 Não necessária com necessidade de meio. Mas muito conveniente para o


desenvolvimento da vida cristã: de outro modo não teria sido instituída por Cristo.

 CCE 1285: “é preciso explicar aos fiéis que a receção deste sacramento
é necessária para a plenitude da graça batismal”.

 “Os fiéis estão obrigados” a recebê-lo “no tempo oportuno” (CIC 890).

04
Eucaristia
 PÁSCOA: a festa mais importante do calendário judeu. Recordam como o sangue de
cordeiro com que tinham assinalado as suas casas os tinha livrado do castigo.

 Era o anúncio de outra Páscoa na qual o sangue do “cordeiro de Deus que tira o pecado
do mundo”, Jesus Cristo, nos libertaria da escravidão do demónio e do pecado.

CERIMÓNIA DA PÁSCOA NO TEMPO DE JESUS

1 Antes de comer o cordeiro dizia-se uma bênção e bebia-se um copo de vinho


misturado com água.

2 Trazia-se para a mesa as ervas, o pão e o cordeiro assado.

3 Explicava-se o significado do que se fazia, recitavam-se salmos,


tomava-se um segundo copo de vinho.

4 Abençoava-se, partia-se e comia-se o pão sem fermentar.

5 Depois de comer o cordeiro com as ervas, lavadas já as mãos,


benzia-se um terceiro copo de vinho e bebia-se.

6 Recitavam-se outros salmos.

7 Benzia-se e bebia-se um quarto copo de vinho.

8 Ação de graças final.

Em 4. Jesus disse: “isto é o Meu Corpo”. Em 5.: “este é o Meu Sangue”. Não se fez 7:
“recitado o hino, saíram...” (Mt 26, 30).
Ao dar o cálice, disse: “Fazei-o em Minha memória”.

 Dá ao mesmo tempo aos seus Apóstolos a capacidade de produzir a transubstanciação,


e o encargo de continuar a oferecer este sacrifício ao longo dos séculos.

 Na mesma ação instituiu a Eucaristia e o sacerdócio ministerial (= de serviço).

PRESENÇA REAL

 Na Eucaristia, Cristo está verdadeira, real, substancialmente presente.


 Fundamentado em 5 textos do Novo Testamento: Jo 6, Mt 26; Mc 14, Lc 22,
1 Cor 11, 23.
 Cristo presente todo, completo, em cada uma das espécies: posto que ressuscitou,
com o seu Corpo está o seu Sangue, a sua Alma e sua Divindade.
 Presença ad modum substantiae = completa em cada uma das partes das espécies.

MATÉRIA

 PÃO: - de trigo.

- licitude: rito latino: sem fermentar;


rito oriental: fermentado.
- feito recentemente: sem perigo de corrupção.

 VINHO: - da videira e não corrompido.


. obrigação grave de juntar-lhe um pouco de água, como fez Cristo:
. Recorda que saiu água do seu lado juntamente com o seu sangue
. Representa a união do povo fiel com a sua cabeça Jesus Cristo.

SACRIFÍCIO DA MISSA, 1

 De fé: a missa é um verdadeiro sacrifício.


 Instituído por Cristo na Última Ceia, mas não só nem principalmente uma renovação
desta cena, senão uma renovação mística e real da morte de Cristo na Cruz.

 De fé: é a renovação incruenta do sacrifício cruento do Calvário.


SACRIFÍCIO DA MISSA, 2

Identidade missa-cruz:

 - idêntica oferenda: Cristo (na missa realmente presente de modo sacramental);


- idêntico sacerdote principal: Cristo (na missa o ministro atua no nome
e na pessoa de Cristo).
 Só a maneira em que Cristo oferece o sacrifício da cruz e o da missa difere: na cruz
sacrifício com derramamento de sangue, na missa sacrifício incruento.

SACRIFÍCIO DA MISSA, 3

Diferenças acidentais entre a Cruz e a Missa:

Cruz Missa

Cristo oferece-se mortal e passivamente Cristo oferece-se imortal e impassivamente

Cristo oferece-se diretamente Cristo oferece-se por meio do sacerdote

Cristo redime-nos Perpetua-se e aplica-se-nos a Redenção

SACRIFÍCIO DA MISSA, 4

 A sua essência consiste na separação sacramental entre o Corpo e o Sangue do


Senhor pela dupla consagração do pão e do vinho, com o consequente significado
da sua morte, ainda que na realidade, sob ambas as espécies está Cristo completo.

 O momento essencial da missa é portanto a consagração.

 A comunhão do sacerdote não pertence à essência da missa, ainda que sim à integridade
do rito: por isso há de consumir ambas as espécies.
OBRIGAÇÃO DE CELEBRAR MISSA

 Os sacerdotes devem celebrar o sacrifício eucarístico “com frequência; mais,


recomenda-se encarecidamente a celebração diária, mesmo que não se possa
fazê-lo com assistência de fiéis” (CIC 904).

 Antiga disciplina: obrigação várias vezes cada ano; recomendava-se


pelo menos nos domingos e festas de preceito.

 Por razão do ofício eclesiástico, obrigação de dizê-la e oferecê-la pelo povo todos os
domingos e dias importantes assinalados em geral e para cada diocese.

FINS DA SANTA MISSA

 São quatro:
1) latrêutico (adoração)
2) eucarístico (ação de graças)
3) propiciatório (desagravo pelos pecados)
4) impetratório (petição)

 Correspondem aos fins do sacrifício do Calvário.

 1 e 2 produzem-se infalivelmente (referência direta a Deus). 3 e 4, não


(dependem dos homens: disposições, pedir o conveniente, etc.).

FRUTOS DA SANTA MISSA

 São quatro:

1) Geral (aproveita ao conjunto da Igreja militante e purgante)


2) Especial (aproveita aos assistentes)
3) Especialíssimo (aproveita ao sacerdote celebrante)
4) Ministerial (aproveita àqueles por quem se oferece a Missa).

 A aplicação do ministerial só a pode fazer o sacerdote celebrante:


pelos vivos ou pelos defuntos (a modo de sufrágio).
ESTRUTURA DA MISSA, 1

 Fundamentalmente, a Missa consiste em representar (“voltar a tornar presente”) o


sacrifício de Cristo na cruz, oferecido de uma vez para sempre a Deus Pai em remissão
dos pecados.

 O sacrifício da cruz é sempre atual: renova-se em cada Missa por meio dos sinais
sacramentais (tornam realmente presente o Corpo e o Sangue de Cristo e
misticamente os separam, como se separaram fisicamente na sua morte).

 No altar, o sacerdote ministro faz as vezes de Cristo, atua em seu nome e pessoa.

ESTRUTURA DA MISSA, 2

 Duas grandes partes que formam uma unidade indissolúvel:

1. Liturgia eucarística: núcleo central, atualização do sacrifício da cruz;


2 Liturgia da palavra: prévia reunião dos fiéis através da leitura e consideração da palavra
de Deus contida nas Escrituras.

 Constituem um só ato de culto

ORAÇÕES EUCARÍSTICAS, 1

Elementos que nunca faltam :


1. Uma ação de graças: prefácio;
2. Uma invocação ao Espírito Santo: epiclese;
3. Um relato da instituição da eucaristia, com as palavras de
Cristo sobre o pão e o vinho, ditas com sentido de presente,
e que os convertem no Corpo e Sangue de Cristo: consagração;
4. Uma recordação da paixão e ressurreição de Cristo: anamnese;
5. Uma oblação pela qual a Igreja oferece a Deus Pai o sacrifício do seu Filho;
6. Algumas intercessões a favor dos vivos e os defuntos;
7. Uma última ação de graças à Trindade: doxologia.
ORAÇÕES EUCARÍSTICAS, 2

 São quatro principais e outras mais de recente incorporação.

 O. E. 1:- formação até ao século IV;


- forma definitiva no século VI;
- em toda a Igreja do rito latino: pelos séculos IX a XI.
 O. E. 2: inspira-se na de Santo Hipólito: de dois ou três séculos anterior ao cânone
romano e é compartilhada com alguns ritos orientais.

ORAÇÕES EUCARÍSTICAS, 3

 O. E. 3: - com reminiscências de antigas liturgias;


- acentua o aspeto sacrificial da eucaristia;
- nela se destacam a universalidade, o ecumenismo e a escatologia, assim como
o sacerdócio comum dos fiéis.
 O. E. 4: - prefácio fixo: não se pode usar quando as rubricas exigem um diferente;
- antes do sanctus: contempla Deus em si mesmo, antes da criação;
- depois: longa ação de graças pelo conjunto da história da salvação.

RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 1

 Ao receber a Eucaristia se estabelece uma íntima união entre o homem


e Deus (Jo 6, 57). A isto alude o nome de comunhão que recebe este sacramento.

 Por esta união com Cristo, os cristãos que participam


na eucaristia unem-se além disso entre si.

RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 2

É o perfeito alimento da vida sobrenatural:


a. sustenta a vida espiritual como o fazem os alimentos materiais com a vida corporal.
Ao robustecê-la, afasta do perigo de cometer pecados;
b. ao aumentar a graça santificante, aumentam todas as virtudes,
especialmente a caridade;
c. perdoa as culpas veniais e reduz as penas temporais;
d. é dádiva de vida eterna, que incoa;
e. como resultado da união com o Senhor, constrói a Igreja, corpo místico de Cristo,
e é vínculo de unidade com os outros cristãos.
RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 3

 É capaz de receber com fruto a Eucaristia qualquer homem vivo e batizado


que não levante obstáculo à graça por pecado mortal.

 Rito latino: desde o século XII, não se dá a comunhão às crianças antes do uso de razão.
Também não aos dementes e aos que estão sem consciência.

 Se há consciência de pecado mortal, não basta para comungar fazer um ato de contrição
perfeito, a não ser no caso de necessidade grave, o que raramente sucede.

 Jejum eucarístico

RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 4

 Não é necessário, com necessidade de meio, recebê-la de facto.

 É necessário in voto, isto é, desejar recebê-la, para o cristão batizado com uso de razão.

 Com necessidade de preceito divino: algumas vezes na vida e ante a iminência da morte.

 Com necessidade de preceito eclesiástico: que todos os católicos que fizeram a primeira
comunhão a recebam ao menos uma vez ao ano, e precisamente no tempo pascal, se isto
é possível (desde a quarta-feira de Cinzas até ao domingo da Santíssima Trindade).

RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 5

 Primeira comunhão das crianças: quando tenham suficiente conhecimento


(preparação cuidadosa) de maneira que entendam o mistério de Cristo na medida da sua
capacidade, e possam receber o corpo do Senhor com fé e devoção (cfr. CIC 913).

 Perigo de morte: basta que sejam capazes de distinguir o Corpo de Cristo do alimento
comum e de receber a comunhão com reverência.

 Suficiente conhecimento = uso de razão (presume-se que seja pelos 7 anos).

 Primeira confissão antes de receber a primeira comunhão (cfr. CIC 914).

RECEÇÃO DA EUCARISTIA, 5

 Ordinário: não comungar mais de uma vez num mesmo dia.


 Quem já comungou pode voltar a fazê-lo no mesmo dia sempre que seja
dentro de uma missa a que assista.

 (Ex.: matrimónio, funeral; na manhã depois da missa da meia-noite (Natal, Páscoa);


incêndio; profanação; perigo de morte.
RESERVA DA EUCARISTIA

CIC 934-944)

Só num lugar digno e seguro;


Num tabernáculo, dentro de uma píxide sobre um corporal;
Com lâmpada continuamente ardendo diante dele;
Renovar as formas consagradas com frequência, pelo menos cada quinze dias.

05
Penitência

PRIMEIRA E SEGUNDA CONVERSÃO

 CCE 1427: “Jesus chama à conversão (...). O batismo é o momento principal da


primeira e fundamental conversão. É pela fé na boa-nova e pelo batismo que se
renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos os pecados
e o dom da vida nova”.

 Lumen gentium 8: “A chamada de Cristo à conversão continua a ressoar na vida dos


cristãos. Esta segunda conversão é tarefa ininterrupta para toda a Igreja que recebe
em seu próprio seio os pecadores e que sendo santa ao mesmo tempo que necessitada
de purificação constante, busca sem cessar a penitência e a renovação”.

NATUREZA DESTE SACRAMENTO

1 É um sacramento instituído por Cristo,

2 a modo de juízo,

3 para perdoar, por meio da absolvição sacramental,

4 os pecados cometidos depois do batismo, ao homem devidamente arrependido.

5 e que os confessou.
INSTITUIÇÃO

I. Depois da ressurreição: Jo 20, 21-23: “Àqueles a quem perdoardes os pecados,


ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

 Instituído a modo de juízo: poder de atar ou desatar: faculdade de julgar


e de perdoar ou não perdoar.

 Por isso, o ministro há de conhecer a causa que julga: o penitente deve dar-lhe
a conhecer os seus pecados e as suas disposições mediante a sua confissão.

ESTRUTURA DESTE SACRAMENTO, 1

 Compreende dois elementos igualmente essenciais:

1 os atos do penitente: contrição, confissão dos pecados e satisfação.

Þ Se não há verdadeiro arrependimento tão pouco existe o sacramento.


Þ Objeto sobre o que versam os atos do penitente
= os pecados cometidos depois do batismo enquanto se detestam
ou se querem destruir.

2 a ação de Deus por ministério da Igreja.

ESTRUTURA DESTE SACRAMENTO, 2

 Confissão dos pecados:

 É necessário confessar todos os pecados mortais cometidos depois


do batismo e ainda não manifestados na confissão nem perdoados pela
absolvição.

 Podem confessar-se os pecados veniais cometidos depois do batismo;


e todos os pecados, quer veniais quer mortais, posteriores ao batismo e
já absolvidos.
ESTRUTURA DESTE SACRAMENTO, 3

 Quanto ao confessor:

Núcleo fundamental da absolvição: “Eu te absolvo dos teus pecados,


em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

A absolvição deve:
1 ser oral;
2 dar-se ao penitente estando ele presente;
3 ser condicionada só se houver razões graves
(dúvida de se o penitente está vivo ou morto,
de se tem suficiente uso de razão, ...).

NECESSIDADE, 1

 Recebê-lo, ou ter ao menos a intenção eficaz de recebê-lo, é tão necessário


para todos os que cometeram um pecado mortal depois do batismo como o
mesmo batismo para os não batizados.

Por preceito divino, este sacramento obriga, por si mesmo, ao pecador em


perigo iminente de morte, e algumas vezes na vida. Ocasionalmente obriga
para receber um sacramento de vivos.

Por preceito eclesiástico, “todo o fiel que tenha atingido a idade


da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves,
ao menos uma vez ao ano” (CIC 989; CCE 1457).

Em sentido estrito, obriga se há pecado mortal. Mas...

NECESSIDADE, 2

 “Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber a
sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente
recebido a absolvição sacramental; a não ser que tenha um motivo grave e não lhe seja
possível encontrar-se com um confessor” (CCE 1457). E, neste caso, tenha presente que
está obrigado a fazer um ato de contrição perfeito, que inclui o propósito de se
confessar quanto antes.
EFEITOS

1 Pode perdoar todos os pecados, tanto mortais como veniais.


 Os veniais podem perdoar-se também com atos de arrependimento
fora do sacramento, mas não se perdoam nem sequer com o sacramento
aqueles dos quais não se está arrependido.

2 Infunde-se a graça santificante, se se tivesse perdido.

 Por isso os pecados mortais se perdoam todos ou nenhum.

 Perdoa-se a pena eterna, mas não necessariamente toda a temporal.


Também revivem os méritos se se tivessem perdido.

3 Graça sacramental: ajuda para se enfrentar com êxito as tentações


que versem sobre pecados análogos aos confessados.

ACTOS DO PENITENTE, 1

 Sujeito deste sacramento = o batizado que depois do batismo tenha


cometido algum pecado e que é capaz de se arrepender.

 Os atos do penitente são parte constituinte do sacramento.

 São três:

1 arrependimento,
2 confissão,
3 satisfação.

ATOS DO PENITENTE, 2
ARREPENDIMENTO, 1

 = Dor de alma e detestação do pecado cometido, juntamente


com o propósito de não mais pecar.

 Contrição (perfeita): nasce da caridade. Perdoa os pecados veniais, e também


os mortais se unida ao desejo eficaz de se confessar.

 Atrição (contrição imperfeita): nasce da consideração da fealdade do pecado


ou do medo ao castigo. É suficiente para perdoar os pecados mortais só se unida
à confissão e absolvição.
ACTOS DO PENITENTE, 3
ARREPENDIMENTO, 2

 O arrependimento (tanto de contrição como de atrição) há de

 ser interno,

 estar baseado em motivos sobrenaturais,

 estender-se a todos os pecados mortais ainda não perdoados,

 ser “máximo” (julgar o pecado como o pior mal e estar disposto a


sofrer o que for preciso antes de voltar a cometê-lo).

ACTOS DO PENITENTE, 4
ARREPENDIMENTO, 3

 Para a validade, requer-se o propósito, ao menos implícito, de não mais pecar.

 O propósito de não pecar há de ser:

 firme: não significa que jamais se cometerá nenhum pecado.


Basta que no momento da confissão se tenha uma decidida
vontade de lutar para não o cometer.

 eficaz: estar disposto a pôr os meios necessários para não pecar,


evitar as ocasiões, querer reparar o dano possível causado a outros.

 universal: querer evitar todo o pecado mortal. Se se confessam só pecados


mortais já absolvidos ou veniais ainda não perdoados, se estende aos
confessados (todo mortal ou um venial ou tipos de veniais).

ACTOS DO PENITENTE, 5
CONFISSÃO, 1

= acusação de pecados próprios cometidos depois do batismo,


feita ao confessor para que os perdoe.

 Necessária por preceito divino: sacramento instituído por Cristo à maneira de juízo,
e não se pode julgar o que se desconhece.

 Necessária por preceito eclesiástico: já no concilio IV de Latrão (1215).


ACTOS DO PENITENTE, 6
CONFISSÃO, 2

 A confissão deve ser:

 simples (sem explicações inúteis) e humilde (para pedir perdão),

 feita com intenção reta (e não para impressionar...),

 feita para se acusar (não para informar),

 veraz (número, espécie e circunstâncias que mudam a espécie dos pecados),

 feita com discrição e delicadeza (sem usar palavras escandalosas


ou revelando os pecados de outros),

 feita oralmente (não por gestos ou por escrito,


a não ser em caso de necessidade),

 secreta

ACTOS DO PENITENTE, 7
CONFISSÃO, 3

 A confissão há de ser íntegra = na medida em que lhe seja possível,


o penitente há de confessar todos os pecados mortais cometidos depois
do batismo e ainda não confessados.

 Integridade material = de facto, todos estes pecados. Não é sempre


necessária.

Integridade formal = todos os pecados mortais que, vistas as circunstâncias,


o penitente deve confessar aqui e agora. É sempre necessária.

ACTOS DO PENITENTE, 8
CONFISSÃO, 4

1 Impossibilidade física: Ex.: moribundo sem falar; pessoa muda ou que ignora
a língua; falta de tempo em perigo de morte; ignorância ou esquecimento
invencíveis.

2 Impossibilidade moral: Ex.: escrupulosos; se se pode - sem seguir graves


inconvenientes para o penitente, o confessor ou um terceiro; se se pusesse em
perigo a fama do penitente ante outras pessoas por causas extrínsecas à mera
confissão (suspeitas, não podendo evitar que outros oiçam, chamando
excessivamente a atenção); se pudesse perigar o sigilo sacramental.
ACTOS DO PENITENTE, 9
CONFISSÃO, 5
PECADOS DUVIDOSOS

1 Se o penitente duvida se fez ou não a ação que é pecado: não há obrigação


de confessá-la. É aconselhável que o faça, dizendo que não está seguro
(conselhos para o futuro).

2 Se está seguro que há pecado, mas não sabe se é grave ou não:


deve confessá-lo para sair da dúvida.

3 Se duvida sobre o consentimento ou a advertência: se é frequente e não costuma


dar importância ao assunto, deve confessá-lo; senão, não é necessário confessá-lo.

4 Se está seguro que é pecado mortal, mas duvida se já o confessou ou não: deve
confessá-lo, a não ser que o motivo da dúvida fosse muito débil.

ACTOS DO PENITENTE, 10
SATISFAÇÃO

 CCE 1459: “O pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações
com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as
desordens causadas pelo pecado. Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a
perfeita saúde espiritual.
Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados:
«satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação
também se chama «penitência»”.

 O confessor tem que impor a penitência: proporcionada ao número e gravidade


dos pecados confessados e à capacidade do penitente.

 Para a validade: o penitente deve aceitar a penitência e desejar cumpri-la.


Se de facto não a cumpre: o sacramento é válido, mas comete-se pecado.

MINISTRO, 1

Para administrar validamente, requer-se por direito divino a potestade da


ordem sacerdotal e a jurisdição sobre o penitente.

A jurisdição é necessária devido à índole judicial do Sacramento da Penitência,


pois o juiz só pode julgar aqueles que estão sob a sua jurisdição.
MINISTRO, 2

A É o Bispo quem faculta ou concede as licenças para ouvir confissões.


Nalguns casos, fá-lo implicitamente (penitenciário, pároco) porque
estas licenças vão anexas ao ofício.

B Quem tiver licença para uma circunscrição eclesiástica tem-na automaticamente


para todo o mundo. Mas o ordinário do lugar pode limitá-la para os Bispos de
outras dioceses (quanto à licitude) e para os presbíteros (quanto à validade).

C Em perigo de morte do penitente: todo o presbítero, mesmo sem licenças e


mesmo que esteja presente outro sacerdote que as tenha.

MINISTRO, 2

1 Não há “pecados reservados”, mas sim “penas eclesiásticas”. Podem ser um


castigo para reparar a ordem lesada e produzir um horror saudável àquele
delito (privação de privilégios ou um cargo, etc.) e levantam-se por dispensa.
Ou podem ser medicinais, para a correção daquele que incorreu nelas
(censuras: excomunhão, interdição e suspensão) e levantam-se por absolvição.

2 Absolvição de excomunhões reservada ao Sumo Pontífice:


a) profanação da Eucaristia,
b) violência física contra o Papa,
c) ordenação de um bispo sem mandato pontifício,
d) violação do sigilo sacramental,
e) absolver um cúmplice.

3 Perigo de morte: qualquer sacerdote pode absolver


de todas as censuras e pecados.

RITO DESTE SACRAMENTO

 Atualmente, há três ritos:

1 Rito para a reconciliação de um só penitente:


modo habitual de receber o Sacramento.

2 Rito para a reconciliação de diversos penitentes, com confissão e absolvição


individual: junto com 1 constitui o único meio ordinário de reconciliação com
Deus e com a Igreja.

3 Rito para a reconciliação de muitos penitentes, com confissão e absolvição


geral (impõe-se uma penitência com carácter geral).

Está feito para casos muito excecionais. Os fiéis que tenham recebido uma
absolvição geral estão obrigados a confessar individualmente, quanto antes,
os pecados que lhes foram absolvidos. Não se cumpre, deste modo, o preceito
de confessar os pecados graves ao menos uma vez por ano.

06
Unção dos enfermos

NATUREZA E INSTITUIÇÃO

 CCE 1511: “A Igreja crê e confessa que, entre os sete sacramentos, há um, especialmente
destinado a reconfortar os que se encontram sob a provação da doença: a Unção dos
enfermos”.

 Novo Testamento:
 insinuado por S. Marcos (6, 7-13);
 recomendado e promulgado por Tiago (5, 14-15).

RITO ESSENCIAL

 Administra-se:
a. Aos gravemente doentes,
b. Ungindo-os na fronte e nas mãos com azeite de oliveira
devidamente benzido,
c. Pronunciando uma só vez a fórmula.

 Conforme as circunstâncias, pode ser outro azeite vegetal.

 O azeite é o que bendiz o bispo na Missa crismal de Quinta-Feira Santa.


Em caso de necessidade, o sacerdote pode benzer azeite corrente durante a
celebração do sacramento.
SUJEITO

 = “O fiel que, tendo atingido o uso da razão, por motivo de doença ou velhice,
começa a encontrar-se em perigo de vida” (CIC 1004).

“começa”:

 CCE 1514: “não é um sacramento só dos que estão prestes a morrer”.

 pode repetir-se quando outra doença grave ou dentro da mesma


aumenta o perigo.

 apropriado “antes de uma operação cirúrgica importante” (CCE 1515)

 ou mais de uma vez para os anciãos.

MINISTRO E CELEBRAÇÃO

 = Qualquer sacerdote, e só ele, a administra validamente.



Várias formas de administrá-la: a mais usual = confissão, unção e viático.

 Não se administra este sacramento condicionalmente, mesmo que se


duvide que o doente esteja ainda vivo.

EFEITOS

 enche de paz, excita a uma grande confiança na misericórdia divina;

 dá mais força para afastar as tentações do demónio (costuma redobrar os esforços);

 causa o desaparecimento das relíquias de pecado e o perdão dos pecados veniais


(e indiretamente os mortais);

 causa a saúde do corpo, se é conveniente para a saúde da alma.


07
Ordem

O SACERDÓCIO CRISTÃO, 1

 Jesus Cristo é o “único mediador entre Deus e os homens” (1 Tim 2, 5).= único
sacerdote da Nova Lei, que nos redimiu mediante o seu sacrifício.

 O sacrifício da cruz torna-se presente no sacrifício eucarístico: o único sacerdócio faz-


se presente pelo sacerdócio ministerial = só Cristo é o verdadeiro sacerdote; os demais
são seus ministros.

O SACERDÓCIO CRISTÃO, 2

 Dois modos de participar no único sacerdócio de Cristo:

- sacerdócio comum a todos os fiéis;


- sacerdócio específico dos ministros ordenados.

 O comum realiza-se no desenvolvimento da graça batismal.


O ministerial é transmitido mediante um sacramento próprio,
o sacramento da ordem.

 Lumen gentium 10: “Ainda que a sua diferença é essencial e não só em grau,
estão ordenados um para o outro”.

O SACERDÓCIO CRISTÃO, 3

 Igualdade fundamental de todos os fiéis cristãos: todos estão radicalmente


capacitados para colaborar na santificação dos membros da Igreja, que é a
sua missão. = recebem esta capacitação por meio do batismo.

 MAS, há funções sacerdotais que requerem ulterior capacitação radical,


diferente das dos outros fiéis não já em grau mas em essência e outorgada
pelo caráter próprio que confere o sacramento da ordem.
Estas funções estão dirigidas primariamente à Eucaristia e, em relação
com ela, ao perdão dos pecados e aos outros sacramentos.
Estas funções compreendem também pregar com autoridade a palavra de Deus
e dirigir os fiéis nas coisas que se referem ao reino dos céus.
O SACERDÓCIO MINISTERIAL

 Através do ministro ordenado, Cristo torna-se presente na sua Igreja como


cabeça do seu corpo, pastor do seu rebanho, sumo sacerdote do sacrifício
redentor, mestre da verdade.

 “É o que a Igreja exprime quando diz que o padre, em virtude do sacramento


da ordem, age ‘in persona Christi Capitis’- na pessoa de Cristo Cabeça”
(CCE 1548).

NATUREZA DESTE SACRAMENTO

CCE 1536: “A ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo
aos apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos”.

 Compreende três graus: episcopado, presbiterado e diaconado. A ordenação


não é uma delegação, ou eleição ou designação pela comunidade.= “confere
um poder sagrado que só pode vir do próprio Cristo, pela sua Igreja”
(CCE 1538).

OS BISPOS

 Lumen gentium 20: “através de uma sucessão que remonta ao princípio,


são os transmissores da semente apostólica”.

 A sua potestade não excede a dos presbíteros no referente à consagração da Eucaristia,


mas sim para outros sacramentos, ensinar e governar os fiéis:
Pertence-lhes:
1) conferir a ordem,
2) ordinariamente administrar a confirmação e benzer os óleos,
3) governar as suas dioceses com potestade ordinária,
sob a autoridade do Papa,
4) conferir aos presbíteros qualquer potestade de governar,
5) ter “colegialmente com todos os seus irmãos no episcopado
a solicitude de todas as Igrejas” (CCE 1560).
OS PRESBÍTEROS

 São os colaboradores da ordem episcopal. “Em virtude do sacramento da ordem, ficam


consagrados como verdadeiros sacerdotes da Nova Aliança” (Lumen gentium 28).

 Só podem exercer o seu ministério na dependência do bispo e em comunhão


com ele. “Formam um único presbitério especialmente na diocese a cujo
serviço se dedicam sob a direção do seu bispo” (Presbyterorum ordinis 8).

A sua potestade estende-se a:


1) consagrar o Corpo e o Sangue do Senhor,
2) perdoar os pecados,
3) apascentar os seus súbditos com as obras e com a doutrina,
4) administrar os sacramentos que não requeiram a ordem episcopal.

OS DIÁCONOS

 “No grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais se lhes impõe as mãos para
realizar um serviço e não para exercer um sacerdócio” (Lumen gentium 29).

 A sua potestade consiste em:


1) assistir o bispo e o presbítero nas funções litúrgicas, sobretudo
na celebração da Eucaristia,
2) administrar o Batismo solene,
3) assistir ao Matrimónio quando lhes seja devidamente delegado,
4) proclamar o Evangelho e pregar,
5) presidir às exéquias, etc.

CELEBRAÇÃO DESTE SACRAMENTO

 Ordenação = consagração (participação no sacerdócio sacro de Cristo


como cabeça do seu corpo, que é a Igreja).

 Sinal visível desta consagração:


a imposição de mãos do bispo, com
a oração consecratória = o essencial.

 1. O bispo e o presbítero: unção com o santo crisma.

2. Entrega dos instrumentos:


- bispo = evangelhos, anel, mitra e báculo;
- presbítero = patena e cálix;
- diácono = evangelhos.
MINISTRO

 Só o bispo pode ordenar validamente.

 Ordena diácono a um leigo, e há de incardiná-lo na sua diocese


ou há de receber demissórias do ordinário que o vai incardinar.

 Ordena sacerdote a um diácono, e há de ter jurisdição sobre ele ou receber autorização


para que o ordene, do respetivo ordinário.

 Ordena bispo a um sacerdote, deve associar ao rito pelo menos outros


dois bispos e tem que constar o mandato pontifício de o fazer.

SUJEITO, 1

 Ninguém tem direito a receber o sacramento da ordem: é uma chamada de


Deus. Quem crê ter esta chamada deve submeter o seu desejo à autoridade
da Igreja.

 Para a validade: ter intenção de recebê-lo. Para a licitude: estar confirmado


e em graça de Deus.

SUJEITO, 2

 Por vontade divina, só o varão batizado recebe validamente


a sagrada ordenação.

 Cristo só elegeu os apóstolos entre os seus discípulos varões.

 De facto, nunca, nem os apóstolos, nem os seus sucessores,


administraram a ordem sagrada a mulheres.

 Cabe pensar que com esta decisão Cristo quis realçar que o sacerdote celebra
a Missa in persona Christi e que, pelo simbolismo sacramental, convém que
haja uma semelhança natural entre ele e Cristo, que foi e permanece varão.
SUJEITO, 3

 CCE 1579: “Todos os ministros ordenados da Igreja latina, à exceção dos


diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre homens crentes
que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato por amor do
Reino dos céus”.

 A Igreja reserva o sacerdócio aos que receberam o dom do celibato,


gratuitamente concedido por Deus e livremente exercido pelo que o recebe.

 Implica:
1) maior entrega a Cristo,
2) maior entrega à Igreja e a todas as almas,
3) testemunho escatológico.

EFEITOS

A O carácter: consiste numa especial configuração do ordenado com Cristo


enquanto cabeça do Corpo Místico e o faculta para participar de modo
especial no Seu sacerdócio.

 Pelo carácter, o sacerdote converte-se em:


- ministro autorizado da palavra de Deus (função de ensinar);
- ministro dos sacramentos e, em especial, da eucaristia (função de santificar);
- ministro do povo de Deus: entra a formar parte da hierarquia
(função de governar).

B A graça: aumentada para que o ordenado possa ser um ministro idóneo de


Cristo: graça do Espírito Santo “consiste numa configuração com Cristo,
Sacerdote, Mestre e Pastor” (CCE 1585).

OBRIGAÇÕES DOS CLÉRIGOS

A Especial obediência ao papa e ao próprio bispo;

B Disponibilidade para desempenhar os cargos que se lhes confiam;

C Santidade de vida (inclui o ofício divino);

D Continuação dos seus estudos;

E Uso do traje eclesiástico (CIC 284);

F Abster-se de alguns tipos de trabalho e ocupações que lhes estão proibidas


(CIC 285-286).
08
Matrimónio

 CCE 1601; CIC 1055: “O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem
entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos
cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados, foi elevado por Cristo
Senhor à dignidade de sacramento”.

 Tanto o estado matrimonial como a maneira de entrar neste estado são essencialmente
iguais para o cristão e para o que não o é. Outros efeitos.

 Para os cristãos a maneira de entrar no estado matrimonial, que é essencialmente igual à


dos restantes homens, constitui um sacramento. Portanto:

A. É a Igreja que tem de regular a forma concreta dos cristãos contrair


matrimónio e só a ela compete a determinação dos obstáculos para o
contrair ou a maneira de removê-los, etc.

B. As declarações da Igreja sobre o que é de direito natural no matrimónio


não só afetam o matrimónio dos cristãos, não é a eles a que se dirigem
diretamente: têm valor universal; afetam igualmente a qualquer
matrimónio, de cristãos ou não.
1. Essência do matrimónio in fieri (sacramento se cristãos) = mútuo com
sentimento das partes legitimamente manifestado entre pessoas
juridicamente capazes, consentimento que nenhum poder humano
pode suprir.

► É essencialmente um contrato cujo objeto é o modo de vida marital


=> cada cônjuge deve pretender, pelo menos não excluir, o direito
mútuo, exclusivo e perpétuo sobre o corpo do outro em ordem à geração.
Se se excluísse, o matrimónio seria nulo. MAS para a validade não
importa o ulterior exercício deste direito mútuo.

2. Essência do matrimónio in facto esse = vínculo, de por si permanente,


que nasce do legítimo contrato matrimonial.

INSTITUIÇÃO

 O matrimónio natural não é uma invenção humana, mas foi instituído por Deus.

 No relato do Génesis, esta instituição aparece relacionada estreitamente com a própria


criação do homem. CCE 1605: “o homem e a mulher foram criados um para o outro”.
PROPRIEDADES, 1
UNIDADE

 CCE 1644: “Pela sua própria natureza o amor dos esposos exige a unidade e a
indissolubilidade da sua comunidade de pessoas, a qual engloba toda a sua vida... Esta
comunhão humana é confirmada, purificada e aperfeiçoada pela comunhão em Jesus
Cristo, conferida pelo sacramento do Matrimónio.”

 Portanto, a unidade e a indissolubilidade são propriedades naturais do matrimónio:


comuns a todo matrimónio. O que acrescenta o sacramento é uma ajuda específica
para que os cônjuges saibam manter-se fiéis completamente um ao outro.

PROPRIEDADES, 2
UNIDADE

 O vínculo matrimonial é exclusivo: a poligamia simultânea é ilícita por direito divino


natural e por direito divino positivo. Igual dignidade homem – mulher, e amor
exclusivo

 O matrimónio não é válido mais que com a primeira mulher ou com o primeiro marido.

 A poligamia dos patriarcas explica-se como dispensa divina (provavelmente depois do


dilúvio) para favorecer o crescimento do povo de Deus.

PROPRIEDADES, 3
INDISSOLUBILIDADE

1 Por instituição do Criador, o vínculo matrimonial é perpétuo e indissolúvel.

► não pode ser desatado por lei humana alguma.

2 “Pelo sacramento, a indissolubilidade do matrimónio adquire um sentido novo


e mais profundo” (CCE 1647): os esposos são capacitados para representar
e testemunhar a fidelidade de Deus à sua aliança, de Cristo à sua Igreja.

► O matrimónio rato e consumado é indissolúvel por lei de Deus. A Igreja


não tem poder para pronunciar-se contra esta disposição divina. “O amor
quer ser definitivo. Não pode ser «até nova ordem» ”. (CCE 1646).
PROPRIEDADES, 4
ABERTURA À FECUNDIDADE

 Gaudium et spes 48: “por sua própria natureza, a instituição mesma do matrimónio
e o amor conjugal estão ordenados à procriação e educação da prole e com elas são
coroados como a sua culminação”.

 Ritual do matrimónio 3: “os filhos são em realidade o dom mais excelente do


matrimónio e contribuem sobremaneira para o bem dos próprios pais”.

AJUDA DA GRAÇA

 CCE 1608: “Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher necessitam da


ajuda da graça... Sem esta ajuda, o homem e a mulher não podem chegar a realizar a
união das suas vidas em ordem para a qual Deus os criou «no princípio» ”.

 As próprias núpcias são sinal sagrado que produz graça.

 “O pacto matrimonial…foi elevado por Cristo Nosso Senhor à dignidade de


sacramento entre batizados. Pelo que, entre batizados, não pode haver contrato
matrimonial válido que não seja, pelo mesmo facto, Sacramento” (CIC 1055).

 O Matrimónio entre cristãos é sinal da união de Cristo com a sua Igreja


= “grande mistério” (Ef 5, 32) (no Matrimónio natural não há nada de
especialmente misterioso).

 Cristo instituiu o sacramento que santifica o matrimónio natural


estabelecido já por Deus no Paraíso. Jesus infunde uma graça sacramental
específica na alma dos que se casam e convida-os a segui-Lo
transformando a sua vida conjugal num andar divino na terra.

 S. Josemaria Escrivá: o Matrimónio é uma autêntica vocação divina


e caminho de santidade.

 Sujeito capaz do matrimónio = qualquer batizado que não tenha


nenhum impedimento.

 Há-de receber-se em estado de graça. Se não é o caso, o contrato é válido,


mas, além de cometer outro pecado mortal, os efeitos sobrenaturais do
sacramento ficam impedidos. Revivem quando o sujeito recupera
a graça de Deus.

 Efeitos sobrenaturais do matrimónio = aumento da graça santificante e


graça sacramental.

 CCE 1641: “Esta graça própria do sacramento do Matrimónio destina-se


a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortalecer a sua unidade
indissolúvel. Por meio desta graça «eles auxiliam-se mutuamente para
chegarem à santidade pela vida conjugal e pela procriação e educação
dos filhos»”.

 O sacramento concede aos esposos direito ao auxílio atual da graça quantas


vezes o necessitem para cumprir as obrigações do seu estado.

MINISTRO

 “Segundo a tradição latina, são os esposos quem, como ministros da


graça de Cristo, se conferem mutuamente o sacramento do Matrimónio,
ao exprimirem, perante a Igreja, o seu consentimento” (CCE 1623).

 Não assim nas liturgias orientais

 Igreja latina: o ordinário ou o sacerdote é uma testemunha qualificada e


ativa que solicita e recebe a manifestação externa do consentimento
matrimonial dos contraentes (exigido para a validade).

CELEBRAÇÃO, 1

 Normalmente celebra-se dentro da Missa (Ritual):

1. “em virtude do vínculo que têm todos os sacramentos com o mistério


pascal de Cristo”,

2. porque matrimónio é sinal sagrado do amor de Cristo à sua Igreja e


precisamente na Eucaristia “realiza-se o memorial da Nova Aliança,
pela qual Cristo se uniu para sempre à Igreja, sua esposa bem-amada
pela qual se entregou” (CCE 1621).

CELEBRAÇÃO, 2

 Pode celebrar-se também sem Missa, por necessidade ou porque se estima


oportuno: o Ritual prevê com detalhe as diferentes maneiras de o fazer.

 Quando não se pode observar a forma eclesiástica ordinária, nem se pode recorrer
sem incomodidade grave a algum ordinário ou pároco ou seus delegados, é válida e
lícita a forma extraordinária de celebração do matrimónio, meramente ante duas
testemunhas.

Isto pode acontecer em caso de perigo de morte, em tempo de perseguição em
lugares com muito poucos sacerdotes onde houvesse que esperar mais de um mês,
etc.
CONSENTIMENTO MATRIMONIAL

1. É o ato da vontade pelo qual “o homem e a mulher, por pacto


irrevogável, se entregam e recebem mutuamente, a fim de
constituírem o matrimónio” (CIC 1057).

 Tal consentimento causa o matrimónio.


= nenhuma autoridade humana pode suprir
este consentimento.

2. Este consentimento há-de ser:


- verdadeiro, livre e deliberado,
- de presente (de casar-se aqui e agora),
- mútuo e simultâneo,
- manifestado externamente e legitimamente (de acordo com os requisitos
que exige o direito eclesiástico),
- sem condições.

JURISDIÇÃO, 1

 Só à Igreja corresponde julgar e determinar tudo aquilo que se refira


à essência do matrimónio cristão: negaram-no os protestantes
ao negar que o matrimónio fosse um sacramento.

 A razão = quando há contrato matrimonial verdadeiro, há sacramento,


e só a Igreja tem poder sobre os sacramentos.

 O poder civil só tem competência sobre os efeitos meramente civis do


matrimónio canónico dos cristãos, e só quanto a esses efeitos civis.

JURISDIÇÃO, 2

 Caso de um batizado que contrai matrimónio com um que não o está:


recebe o sacramento:
1- o batismo é a porta dos outros sacramentos => o não batizado é incapaz
de receber o sacramento do matrimónio;
2- uma característica geral do matrimónio, é que não pode ter efeitos
diferentes para uma e outra das partes contraentes => o batizado tão pouco o recebe.

 = esta é a opinião mais comum e concorda com a praxe da cúria romana (mas há autores
que pensam que a parte batizada recebe um verdadeiro sacramento).
 A potestade da Igreja estende-se indiretamente ao não batizado
(os mesmos efeitos do contrato para os dois).

IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS, 1

 = certas circunstâncias que por afetar as pessoas dos contraentes, as fazem juridicamente
incapazes para contrair validamente o matrimónio (=“dirimentes”).

 Alguns são de direito natural e outros de direito divino ou eclesiástico.


A sua finalidade é proteger a santidade do matrimónio.

IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS, 2 a

1 Para proteger a deliberação ou a liberdade de consentimento:


falta de idade (varão: 16 anos, Mulher: 14 anos); rapto.

2 Para assegurar o cumprimento do objeto do contrato matrimonial:


impotência (anterior ao matrimónio e perpétua); estar já casado;
ter recebido ordens sagradas; voto público e perpétuo de castidade
num instituto religioso.

IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS, 2 b

3 Para proteger as relações de intimidade no seio da família


(“de parentesco”): consanguinidade (linha reta e colateral até ao 4º
grau incluído: primos irmãos); afinidade (linha reta); pública
honestidade (“quase afinidade” entre uma das duas partes de
matrimónio inválido ou de concubinato público ou notório
e os consanguíneos da outra parte em linha reta e em 1º grau);
adoção (linha reta ou colateral 2º grau).

IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS, 2 c

4 Para proteger a fé do cônjuge católico e a educação católica dos filhos:


com uma pessoa não batizada (mas o caso de um batizado fora da
Igreja católica: não invalida, mas tem necessidade de licença).

5 Para proteger a fidelidade conjugal: crime (adultério com morte do


cônjuge, causada por um ou outro adúltero, ou morte do cônjuge,
causada de comum acordo mesmo que não tenha havido adultério).

DISPENSAS

 Alguns impedimentos podem cessar naturalmente (ex.: idade).


Outros por legítima dispensa. Outros não podem cessar.

 As dispensas podem ser concedidas pelo Bispo diocesano,


com exceção das reservadas ao Papa, a saber:
- ordens sagradas;
- voto público de castidade num instituto religioso;
- crime;

 Em perigo de morte e circunstâncias urgentes, podem concedê-la


o pároco ou o confessor (cfr. CIC 1079-1080).

 Quando se verifica que um matrimónio foi contraído invalidamente, pode haver quatro
soluções:

 Deixar os cônjuges em boa-fé, se se prevê que continuarão nela e que, ao


conhecer a sua situação real, não quereriam alterá-la;

 Que convivam como irmão e irmã, se a nulidade é oculta e existe fundada


esperança de que saberão fazê-lo;

 A separação dos cônjuges: única solução se há impedimento não dispensável e


não são capazes de viver como irmão e irmã;

 A revalidação de matrimónio inválido, que consiste em que se faça o que se


devia ter feito no momento de contrair matrimónio e não se fez.

SUBSANAÇÃO NA RAIZ

 Quando se verifica que um matrimónio é nulo, se tiver havido consentimento, ou surja


depois, e este consentimento se mantiver, a autoridade eclesiástica pode decidir recebê-lo
como válido mediante a “sanatio in radice”.

 Consiste numa reavaliação do matrimónio concedida pelo Papa e, nalguns


casos, pelo Bispo diocesano.
Inclui: dispensa ou cessação do impedimento, dispensa da lei que impõe
a renovação do consentimento, e retroação dos efeitos canónicos, ao
tempo do primeiro consentimento.

 Pode conceder-se tanto se as partes sabem que foi inválido


como se o ignoram.

CASOS DE DISSOLUÇÃO DO VÍNCULO MATRIMONIAL

 O Papa possui poder ministerial de dispensar, quando há uma causa justa,


de obrigações de direito divino que têm sua origem num ato humano livre.
Ex.: votos formais, juramento de fazer ou omitir algo. => aplicação = pode
dispensar do matrimónio rato mas não consumado.

 Outros dois casos:

1. privilégio paulino (cfr. 1 Cor 7, 12-15);

2. privilégio petrino.

SEPARAÇÃO DOS CÔNJUGES

 Por causas proporcionadas pode fazer-se legitimamente a separação física dos


cônjuges, relativamente ao leito e à casa: os esposos NÃO CESSAM de ser marido
e mulher diante de Deus, nem são livres para contrair nova união.

 Por mútuo consentimento pode fazer-se a separação tanto temporal como


perpétua relativa ao leito; mas quanto à casa, só temporal, e não é
aconselhável com duração longa.

 Outros casos, legítima só para as causas previstas na legislação canónica


e depois da sentença do ordinário, ainda que por vezes seja possível
por autoridade própria.

MAS: O divórcio é um ato de per si nulo perante Deus.

Bibliografia
 Estes Guiões são baseados nos manuais da Biblioteca de Iniciação Teológica da Editorial
Rialp (editados em português pela editora Diel)

 Slides
Original em português europeu - disponível em inicteol.googlepages.com
09
Ortodoxos

1. Doutrina sacramentária geralmente igual à católica.


Diferenças mais propriamente disciplinares.
A definição de sacramento coincide.

2. Alguns modernos sustentam não se poder assegurar com certeza que


haja sete sacramentos (este número não consta nem na Escritura nem
nos Santos Padres e não veem nenhuma razão para aceitar o decreto tridentino).

3. Outros querem incluir como sacramento o Santo Hábito, a virgindade,


a profissão monástica, a consagração e a dedicação das igrejas, etc.

BAPTISMO

 Reconhecem apenas a tripla imersão. Nos nossos dias chegam a admitir a


validade do Batismo por ablução ou por aspersão mas não a sua licitude.

 Negam a validade do Batismo administrado por hereges, e mesmo por católicos


(em algumas comunidades chegam a rebatizar os próprios orientais católicos
quando algum passa para a ortodoxia).

CONFIRMAÇÃO

 Negam o carácter definitivo da Confirmação. Mas, por a considerarem como


complemento do Batismo, entre eles não é preciso repeti-la. Pelo contrário, sim
que a repetem com os convertidos Igreja ortodoxa, ou com os apóstatas.

EUCARISTIA

 Consideram ilícito o uso do pão ázimo (alguns defenderam mesmo a sua invalidez).

 Sustentam que a transubstanciação se realiza definitivamente não pelas próprias


palavras da Consagração, mas pela epiclese que se lhes segue (epiclese = invocação
para pedir a Deus Pai que se digne enviar o Espírito Santo sobre o pão e o vinho
a fim de os transformar no Corpo e Sangue de Cristo).

 Comunhão sob ambas as espécies: ilegitimidade do que prevaleceu na Igreja latina.


Necessário em ordem à salvação eterna.

PENITÊNCIA

 O mesmo núcleo que na Igreja católica, mas nota-se certa influência


protestante: quem absolve invisivelmente os pecados é o próprio Cristo,
e o sacerdote só se limita a anunciar o perdão.

 As penitências que o confessor impõe não têm valor satisfatório,


mas apenas pedagógico ou medicinal.

UNÇÃO DOS DOENTES

1. Para eles, efeito principal = a saúde corporal

2. Rejeitam como efeito a consolação da alma nas lutas da agonia. Não fazem
menção da supressão das relíquias do pecado e da remissão da pena temporal.
Não negam os efeitos sobrenaturais de perdoar os pecados,
mas não como efeito primário.

3. Como consequência, administra-se não só aos doentes graves,


mas a todo o tipo de doentes.
Às vezes mesmo aos sãos como remédio preventivo da própria doença.

ORDEM

 Sem diferenças exceto no século XIX, em que se questionou o carácter


indelével. Voltam a admiti-lo novamente.

 Aspeto disciplinar: o celibato é opcional. Se quiserem, os candidatos


podem contrair matrimónio antes de receber o diaconado, mas não depois.

MATRIMÓNIO

1. Ministro: passado algum tempo, apareceu a doutrina de que o ministro


é o sacerdote.

2. Principal divergência: o alcance que dão à indissolubilidade. Admitem


o divórcio por razões de adultério, de doença incurável ou contagiosa
e de outras causas.
3. Mais rigidez em relação a ulteriores ligações após o falecimento
de um dos cônjuges: autorizam o terceiro com restrições
e equiparam o quarto à poligamia.

 Bibliografia
Estes Guiões são baseados nos manuais da
Biblioteca de Iniciação Teológica da Editorial Rialp
(editados em português pela editora Diel)

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Communicatio in sacris

CIC 844

Norma geral (p. 1): “Os ministros católicos administram os sacramentos


licitamente só aos fiéis católicos, os quais, por sua vez, só os recebem licitamente
dos ministros católicos, salvo o que está estabelecido nos § 2, 3 e 4 deste cânone,
e no cânone 861, § 2” (c. 861, § 2 = batismo em caso de necessidade).

 Exceção: para os sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Unção dos


doentes (§ 2, 3 e 4) ter em conta o que se segue.

 Antes de dar normas gerais, o Bispo ou a Conferência Episcopal devem consultar as


autoridades, pelo menos a local, destas outras confissões cristãs: para evitar ferir a
sensibilidade de alguém, por dar a impressão de um proselitismo desviado ou de que se
desprezam os usos e a disciplina próprios das Igrejas sobre os sacramentos (§ 5).

CIC 844, § 2

Casos em que um católico recebe licitamente esses sacramentos


de um ministro acatólico:

1. Que lhe seja impossível física ou moralmente recorrer a um ministro


católico (impossibilidade moral = grave dificuldade: distância, perigo, ...).

2. Que lhe seja necessário ou, pelo menos, verdadeiramente útil


para a sua alma receber o sacramento.

3. Que se evite o perigo de erro ou indiferentismo.


4. Que estes sacramentos “existam validamente” na Igreja do ministro de quem se
recebem: não basta que sejam considerados válidos nessa Igreja, mas devem sê-lo
realmente. Sem esta certeza não seria lícito recebê-los.

CIC 844, § 3 - 4

Casos em que um ministro católico administra licitamente esses


sacramentos a cristãos não católicos: distinguir entre os cristãos orientais
e os restantes cristãos separados:

1. Aos cristãos orientais e equiparados a eles, em matéria sacramental a juízo


da Santa Sé (ex.: os velhos católicos):

a) Que os peçam espontaneamente.

b) Que estejam devidamente preparados (fé, condições pessoais...).

2. Para os restantes cristãos separados (além das anteriores, condições mais severas):

a) Que se encontrem em perigo de morte ou que, a juízo do bispo


diocesano ou da Conferência Episcopal, haja outra necessidade grave.

b) Que não possam recorrer a um ministro próprio

c) Que professem a fé católica em relação a esses sacramentos.

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