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ANOTAÇÕES EM AULA

Características dos movimentos sociais


• Movimentos sociais são ações coletivas, relativamente permanentes, que se constituem como um im-
portante instrumento de transformação social e de efetivação da cidadania, pois reivindicam direitos
até então não reconhecidos ou não garantidos plenamente pelo Estado.

• Esses movimentos podem ser classificados pelo caráter de suas ações, ou seja, se são voltadas para a
transformação da sociedade ou para a conservação de determinadas conquistas.

• Em geral, envolvem confronto político e podem ter relação de oposição ou de parceria com o Estado.

• A ação dos movimentos orienta-se por um repertório, isto é, os meios através dos quais chamam a
atenção para sua causa ou os que usam na luta para transformá-la em realidade. Greves, passeatas e
panfletagens estão entre as práticas mais comuns aos repertórios de diferentes movimentos sociais.

• Os movimentos lutam por causas que vão além dos interesses particulares. Seus objetivos, quando al-
cançados, transformam a vida de muitas pessoas, além daquelas envolvidas diretamente nas ações. Isso
ocorre devido à universalização das conquistas, que acabam por afetar muitas pessoas em um mesmo
espaço político (um país, por exemplo), e pela sua sedimentação na forma de leis e políticas de Estado,
estendendo seus efeitos para futuros cidadãos que no momento da conquista ainda não eram nascidos.
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Relação com o Estado


• Os movimentos sociais são uma poderosa força de mudança social. Tal força pode ser exercida “de bai-
xo”, a partir das atividades empreendidas por indivíduos associados de diversas formas e em diferentes
graus, ou pode vir “de cima”, por iniciativa de membros da elite (legisladores, governantes, dirigentes,
juristas, administradores etc.).

• Quando o Estado é mais aberto às demandas da sociedade civil, ampliam-se as possibilidades de a relação
entre esses atores políticos não ser apenas de confronto. Muitas vezes, o que os movimentos buscam é,
justamente, que suas demandas sejam consideradas pelo Estado e transformadas em leis ou em políticas
públicas. Da mesma maneira, o Estado pode procurar os movimentos sociais por várias razões: desde dialogar
e atender melhor às necessidades da população a simplesmente legitimar sua autoridade diante dela.
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Movimentos sociais: tradicionais e novos


• É possível recortar a história dos movimentos sociais a partir de duas categorias gerais distintas, le-
vando em conta aspectos como formas de organização e articulação, relações com o Estado, tendências
ideológicas, bandeiras políticas e estruturas que desejam ver transformadas, entre outros.

• Na primeira categoria se encontram os chamados movimentos sociais tradicionais, constituídos princi-


palmente em torno das lutas dos trabalhadores desde a consolidação do capitalismo — reivindicações por
melhores salários e condições de trabalho, redução da jornada e estabilidade de emprego —, dos grupos na
luta por moradia, infraestrutura de saneamento, transporte público ou educação, bem como dos grupos
que combatem formas de governo autoritárias e os sistemas econômicos e políticos que as sustentavam.
Tais movimentos travam fortes embates políticos com o Estado, pois, em grande parte, consideram
fundamental transformar a estrutura estatal para superar as condições de opressão da classe trabalha-
dora, tanto no campo quanto na cidade.

• Na segunda categoria estariam os novos movimentos sociais que, em sua maioria, voltam-se para garantir a
consolidação de direitos aos grupos tidos como minoritários. Suas formas de atuação não privilegiam políticas
de cooperação com agências estatais ou mesmo com sindicatos, mas ações diretas que visam ampliar seu
público e, assim, mudar valores que reproduzem preconceitos e práticas discriminatórias — manifestações
de uma estrutura social que nega direitos básicos para significativos contingentes da população. Entre os
novos movimentos sociais podem ser citados os movimentos negro, feminista e LGBT.
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Origem do termo
• O trabalho é o conjunto de atividades por meio das quais o ser humano cria as condições para sua
sobrevivência. Por esta característica, sempre foi indispensável na vida dos indivíduos.

• O conceito de trabalho assumiu diferentes significados em contextos históricos distintos. Na Grécia


Antiga, o trabalho braçal era associado à escravidão. Os romanos, por sua vez, associavam os escravos
a objetos de trabalho.

• A origem latina da palavra trabalho (tripalium, antigo instrumento de tortura) confirma o valor negativo
atribuído às atividades laborais.

• Na Europa medieval, a visão negativa do trabalho foi sustentada pela igreja católica. O trabalho braçal
seria o oposto do ato de contemplação e de elevação espiritual, pois as tarefas a ele relacionadas não
exigiriam atribuições intelectuais para serem executadas.
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Trabalho nas sociedades capitalistas


• Na Idade Moderna, o surgimento do capitalismo promoveu transformações profundas na visão negativa
do trabalho, que passou de algo repugnante a atividade que dignifica o ser humano.

• Segundo Max Weber, o protestantismo desempenhou papel fundamental no convencimento dos traba-
lhadores — agora livres da servidão — a aceitarem a nova situação de opressão a que eram submetidos,
pois pregava a vida regrada e a inclinação para o trabalho como caminho para a salvação.

• Além disso, a ideologia capitalista instituiu a orientação para o trabalho como algo fundamental para
a realização individual e social.

• No entanto, a degradação, a exploração e as péssimas condições de trabalho contradizem esse modelo.


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Karl Marx e a história da exploração do homem


• Para Marx, a divisão da sociedade em classes é definida pela posição ocupada pelos indivíduos no pro-
cesso produtivo.

• No capitalismo industrial, as duas principais classes são a burguesia, formada pelos proprietários dos
meios de produção (máquinas, ferramentas, matérias-primas), e o proletariado, que detém apenas sua
força de trabalho e se vê obrigado a vendê-la aos burgueses.

• A exploração do trabalho começa com a expropriação dos meios de produção do trabalhador. Com a
ascensão do capitalismo, restou ao trabalhador somente a força de trabalho, que é, então, vendida.

• Nas sociedades capitalistas o trabalho é empregado para produzir um objeto com valor de troca, desti-
nado à venda — uma mercadoria. Como a mercadoria é propriedade do burguês, o excedente econômico
(lucro obtido com a troca ou venda do produto) também fica com ele.

• Como consequência dessa divisão social do trabalho na sociedade capitalista, o trabalhador é subme-
tido a um processo de alienação, em que ele não reconhece como seus os resultados do trabalho que
desempenha.
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A mais-valia
• O principal mecanismo utilizado pelos donos dos meios de produção para obter o lucro foi denominado
por Marx mais-valia: excedente de valor obtido pela exploração do trabalho.

• A força de trabalho também é pensada como uma mercadoria que pode ser vendida e comprada, com
a característica marcante de que agrega valor aos produtos. Esse valor, no entanto, não é repassado ao
trabalhador, mas apropriado pelo dono dos meios de produção.

• Mais-valia é a diferença entre o valor da quantidade de trabalho utilizado para produzir uma mercadoria
e o que o trabalhador efetivamente recebe como salário para produzi-la, que é sempre menor.

• Há duas formas de produzir mais-valia: a absoluta, relacionada ao aumento de horas trabalhadas pelo
proletário, e a relativa, que deriva da incorporação de tecnologia ou de alguma forma de organização
do trabalho que aumenta a produtividade do trabalho, o que entretanto não aumenta seus ganhos.

• O caráter contraditório das relações de produção no capitalismo está no fato de que o aumento de
produtividade não melhora a vida dos trabalhadores — que, ao contrário, sofrem um processo de pau-
perização.
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Max Weber e a ética do trabalho


• Max Weber partiu de pontos de vista diferentes dos de Marx, propondo uma compreensão do capitalismo
que parte do âmbito cultural em vez do econômico.

• Weber identificou que havia presença muito significativa de protestantes entre os empresários e os tra-
balhadores qualificados nos países capitalistas mais industrializados. Sendo assim, imaginou que deveria
existir uma relação entre certos valores desta vertente religiosa e a origem do capitalismo moderno.

• Seu argumento é que a mudança ocorrida nos valores e atitudes graças ao surgimento do protestantismo
criou a predisposição ao trabalho como forma de salvação da alma.

• Os seguidores do protestantismo deveriam desenvolver, além da “vocação” para o trabalho, um compor-


tamento social comedido, em que ócio, luxo e preguiça eram condenados.

• A ética protestante do trabalho voltado para a acumulação — e não para o consumo e gasto supérfluos
— foi um fator cultural determinante para o desenvolvimento do capitalismo.
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Émile Durkheim e a divisão do trabalho


• Ao contrário da visão crítica estabelecida por Marx, Durkheim argumenta que a intensa divisão social
do trabalho possibilita a existência de coesão e solidariedade social.

• Durkheim não usa o conceito de solidariedade como sinônimo para ações altruístas, mas como todo
tipo de elemento ou característica que explica a harmonia entre os indivíduos de uma sociedade.

• Segundo ele, o grau de especialização da divisão do trabalho pode gerar dois modelos de solidariedade
social: a solidariedade mecânica e a orgânica.

• A solidariedade mecânica é típica de sociedades pré-capitalistas, marcadas por baixa divisão social do
trabalho. É construída a partir de uma forte identificação dos indivíduos com os costumes da comunidade,
num contexto em que a consciência coletiva exerce intenso poder de coerção nas ações individuais.

• A solidariedade orgânica ocorre nas sociedades capitalistas, marcadas por alto grau de divisão social
do trabalho e de heterogeneidade cultural. A diversidade de ocupações nessas sociedades faz com que se
fortaleça a interdependência entre seus integrantes, e a coesão social depende de que as necessidades
individuais sejam supridas pelo que é produzido pelos outros membros do grupo.

• Se a divisão do trabalho não produz coesão social, há um problema moral: as relações entre os diversos
setores da sociedade não estariam prontamente regulamentadas pelas instituições sociais existentes,
gerando um estado de anomia.
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As experiências de racionalização do trabalho


• A partir da segunda metade do século XIX, desenvolveu-se uma área do conhecimento científico fun-
damentada em um conjunto de normas e funções que visavam organizar o espaço produtivo.

• Entre as diversas teorias que surgiram, ganhou destaque a do engenheiro norte-americano Frederick
W. Taylor, que propunha estratégias de gerência da produção baseadas em rigoroso controle de tempo,
especialização das atividades, separação entre o planejamento e a execução das atividades e remune-
ração por desempenho.

• O objetivo desse sistema organizacional, chamado de taylorismo, era o aumento da produtividade por
meio de mecanismos que, ao intensificarem o ritmo de produção, aumentavam o lucro dos capitalistas.

• Uma apropriação prática do taylorismo foi o fordismo. Seu precursor, Henry Ford, proprietário da Ford
Motor Company, nos EUA, inovou o cenário industrial a partir de 1914, ao produzir modelos padronizados
e em grandes quantidades – o que barateava os custos de produção – visando o consumo em massa.

• Para isso, foi criada a linha de montagem em série, na qual os trabalhadores se fixavam em seus pos-
tos, e os objetos de trabalho se deslocavam em esteiras.

• Cada trabalhador deveria ser especializado em uma única tarefa, com o ritmo ditado pela velocidade
da linha de produção. Ao repetir movimentos iguais, o operário atuava como uma peça da máquina,
alienado do conjunto do processo.
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Sistemas flexíveis de produção


• No contexto atual, a organização do trabalho experimenta uma nova estrutura, apoiada na flexibili-
zação das relações de trabalho e dos processos produtivos, além da intensa utilização de tecnologias
de informação. Esse novo modelo representa um afastamento dos princípios fordistas, sendo por isso
caracterizado como pós-fordismo.

• Um sistema pós-fordista de organização do trabalho muito disseminado foi desenvolvido pelo enge-
nheiro Taiichi Ohno, da Toyota Motor Company. Conhecido como toyotismo, tinha como caracterís-
ticas básicas: a flexibilidade na produção, com capacidade de rápida alteração dos modelos a serem
produzidos; produção e entrega mais rápidas, sem necessidade de estocagem; baixos preços devido à
lógica de empresa “enxuta”; número reduzido de trabalhadores.

• Enquanto no sistema taylorista-fordista o trabalhador se tornava especialista em uma única, simples e


rotineira função, o toyotismo desenvolveu a figura do trabalhador “polivalente” ou “multifuncional”,
responsável por várias funções.

• Outro fenômeno que surge com o toyotismo é o sindicalismo de empresa. Nele, o sindicato estabelece
uma relação que favorece a aplicação de uma política sindical que tende a alinhar-se com a política de
negócios da empresa. Esse modelo passou a rivalizar com o sindicalismo combativo – de confronto, de
classe e de luta – típico do sistema taylorista-fordista.
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Cenário atual do mundo do trabalho


• Processos implantados a partir do último quarto do século XX resultaram no aumento do desemprego
em diversas nações industrializadas do mundo.

• Entre eles estão:


- a liberalização econômica, que possibilitou maior participação do capital, em especial o estrangeiro,
em setores antes regulados pelo Estado.
- o incremento tecnológico nas áreas da automação e da comunicação.
- mudanças nas relações de trabalho (terceirização, trabalho temporário etc.).

• A liberalização econômica e o incremento tecnológico ocasionaram o fenômeno conhecido como de-


semprego estrutural, resultado de transformações na estrutura do mercado laboral que o impedem
de absorver por períodos longos a mão de obra disponível.

• Nesse sentido, o crescimento do trabalho subcontratado, temporário e vinculado à economia informal,


mesmo nos países industrializados ricos, parece confirmar a tese de que há precarização de grande
parte das ocupações atuais.

• Há também um deslocamento setorial de mão de obra: se por um lado a automação em espaços de


trabalho como bancos e escritórios eliminou empregos para trabalhadores qualificados, por outro gerou
novas vagas em setores em crescimento, como o de tecnologia da informação.

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