Você está na página 1de 41

INSTITUTO GETSÊMANI DE ENSINO SUPERIOR

CURSO BACHARELEM TEOLOGIA

ALUNO: ATAÍDE RAMOS DA SILVA

A IGREJA PRIMITIVA E OS DESAFIOS DA


MISSÃO DA IGREJA NOS DIAS ATUAIS

Serra Talhada-PE

2017
INSTITUTO GETSÊMANI DE ENSINO SUPERIOR
CURSO BACHARELEM TEOLOGIA

ALUNO: ATAÍDE RAMOS DA SILVA

Serra Talhada-PE

2017
ATAÍDE RAMOS DA SILVA

A IGREJA PRIMITIVA E OS DESAFIOS DA MISSÃO DA


IGREJA NOS DIAS ATUAIS

O estudo utilizará como subsídio o livro de Atos dos


Apóstolos, bem como a teologia da época, as influências
e as tendências que a igreja primitiva nos deixou, diante
da missão da igreja nos dias atuais.

Trabalho de Conclusão do Curso de Bacharel em


Teologia, como requisito para obtenção do grau de
Bacharel em Teologia pelo Instituto Getsêmani de
Ensino Superior – Serra Talhada-PE.

Serra Talhada-PE

2017
Monografia apresentada ao Instituto Getsêmani de
Ensino Superior, como requisito final para conclusão do
curso de Bacharel em Teologia.

Aprovado em ___/___/______

Serra Talhada-PE

2017
DEDICATÓRIA

Dedico o meu TCC a todos aqueles que fizeram do meu sonho uma realidade, me
proporcionando forças, perseverança oportunidade de vencer os obstáculos, que a vida
nos proporciona. Busquei sempre a direção de Deus na minha vida. Muitos foram as
ocasião e dificuldade impostas a mim durante esse período, mas graças a Deus e vocês
eu não fraquejei. Obrigado por tudo.

1. Licenciado em Teologia pelo Seminário Internacional de Teologia Gospel. Bacharel em Teologia pelo Universidade da
Bíblia. E-mail: Ataíde Ramos da Silva. E-mail: ataiderj@gmail.com
AGRADECIMENTO

Primeiramente, a Deus por proporcionar está oportunidade de realizar este Curso, pela
força espiritual, saúde, fé e pelo dom da vida, muito obrigado pai.
A minha esposa Julciene, pelas orações e apoio, compreensão nos momentos de
ausência quando tinha que está estudando para as provas, te amo. Você é o meu porto
seguro.
Aos meus filhos Stéphanie e Thales pelo apoio e também na compreensão das horas
de ausência quando tinha que está estudando. Amo vocês.
A minha mãe pelas suas orações e incentivo em seguir sempre em frente sem olhar os
obstáculos, obrigado pelo seu incentivo, te amo.
Aos Professores, amigos e companheiros e apoio das diversas pessoas que foram
cruciais no decorrer da minha caminhada, a minha gratidão.
RESUMO

Apresentar os eventos ocorridos no livro dos Atos dos Apóstolos quando do


cumprimento da promessa proferida por Jesus aos seus discípulos, da descida do Espírito
Santos, no dia de pentecostes, a primeira comunidade cristã, a igreja primitiva. A
missão da Igreja e a realidade da Igreja que estava nascendo e o Plano de Deus.
Assim, foram cumpridas as escrituras. Mostrar as dificuldades e também as maravilhas que
o cristianismo realizou no seio das primeiras comunidades cristãs.

Palavras-chaves: Pentecoste, Igreja Primitiva e Teologia.


SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................................4

1.2 OBJETIVOS......................................................................................................................................................4
1.3 METODOLOGIA ..............................................................................................................................................4
1.4 É UM LIVRO DIDÁTICO .................................................................................................................................4
1.5 É UM LIVRO TEOLÓGICO .............................................................................................................................5
1.6 É UM LIVRO APOLOGÉTICO........................................................................................................................7
1.7 TEOLOGIA EM ATOS ....................................................................................................................................8
1.8 RELACIONAMENTOS COM O JUDAÍSMO ..................................................................................................8
1.9 RUPTURA COM O JUDAÍSMO .....................................................................................................................8
1.10 O ESPÍRITO SANTO .....................................................................................................................................9

2. O PENTECOSTE ....................................................................................................................................................9

2.1 HISTÓRICO .........................................................................................................................................................10


2.2 OS PRIMEIROS CRISTÃOS ..................................................................................................................................10
2.3 A FUNDAÇÃO DA IGREJA ............................................................................................................................11
2.4 A IGREJA .........................................................................................................................................................11
2.5 EXPRESSÃO IGREJA ...................................................................................................................................11

3. A IGREJA PRIMITIVA ..........................................................................................................................................12

3.1 O CRISTIANISMO PRIMITIVO ......................................................................................................................13


3.2 CATECUMENATO ..........................................................................................................................................13
3.3 RELIGIÃO DAS CATACUMBAS ...................................................................................................................14

4. DEBATES E NOÇÕES TEOLÓGICAS ..............................................................................................................14

5. AS PRIMEIRAS PERSEGUIÇÕES DA IGREJA ...............................................................................................16

6. UMA BREVE HISTÓRIA DE ALGUNS PAIS DA IGREJA ..............................................................................18

6.1 PAIS APOSTÓLICOS .....................................................................................................................................18


6.2 PAIS APOLOGISTAS .....................................................................................................................................19
6.3 PAIS POLEMISTAS ........................................................................................................................................19

7. A MISSÃO DA IGREJA .......................................................................................................................................25

8. A IGREJA NOS DIAS ATUAIS ...........................................................................................................................26

9. OS DESAFIOS DA MISSÃO DA IGREJA NO SÉCULO XXI ..........................................................................30

10. CONCLUSÃO......................................................................................................................................................32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................................34


4

1. INTRODUÇÃO

Os estudos realizados iniciam a partir do livro de Atos dos Apóstolos, a ascensão de


Jesus Cristo, suas instruções e a formação da primeira comunidade cristã, a vida da igreja
primitiva, sua fé, suas características, conversões, a missão da Igreja nos dias atuais e a
teológica da época. Sabendo, que tudo isso foram elementos que contribuíram para a
formação de uma Igreja com princípios e características marcante do cristianismo de
Jesus. (Atos dos Apóstolos). Também, os acontecimentos históricos e relevantes, a
linguística e a cultura existentes nos escritos do NT. Tudo isso, vão nos possibilitar a
compreensão das transformações que o evangelho de amor revelado em Cristo Jesus
provocou. Pretendemos comentar os acontecimentos, buscando uma exegese teológica e
filosófica. Em suma, apresenta a origem da Igreja de primitiva, mostrando todas as
dificuldades e também as maravilhas que o cristianismo realizou no seio das primeiras
comunidades cristãs.

1.2 OBJETIVOS

Relatar a ascensão de Jesus cristo, um resumo da história da igreja primitiva, sua


importância, valorização dos métodos utilizados e suas características que vão influenciar
no crescimento da igreja. Os acontecimentos teológicos e filosóficos. E o que hoje
podemos apreender e tirar de proveito dos ensinos e exemplos, trazendo para a nossa
realidade concatenando as dificuldades dos tempos modernos com os nossos, no século
XXI.

1.3 METODOLOGIA

O presente estudo foi desenvolvido baseado no livro dos Atos dos Apóstolos, no
Novo Testamento, vídeos da história do cristianismo e da igreja primitiva e antigos de
revistas e outros materiais em sites voltados ao assunto.

1.4 É UM LIVRO DIDÁTICO


5

O Livro de Atos traça os primeiros anos da história do Cristianismo desde a


ascensão de Jesus, em Jerusalém, até a prisão de Paulo em Roma. Os Atos dos
Apóstolos (Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων;
transl.: tonpraxeisapostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo
Testamento. Geralmente conhecida apenas como Atos, ele descreve a história da Era
Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista. Atos é o
segundo volume de uma obra com intenções claramente didáticas (Lc1.1-4). No
evangelho Lucas narra o ensino e a obra de Jesus, o Messias; em Atos, ele narra às
obras do Cristo ressurreto por meio de seus apóstolos, no poder do Espírito. Tenta
edificar e fortalecer Teófilo em sua fé por meio de um relato ordenado. O livro de Atos dos
Apóstolos vai traçar os momentos do primeiro ano da história do Cristianismo desde a
ascensão de Jesus Cristo, em Jerusalém até a prisão do Apóstolo Paulo em Roma. Os
relatos vão mostrar a continuidade da história de Jesus através do testemunho e a missão
que foi atribuída aos seus discípulos. O escritor teve um trabalho minucioso e cuidadoso
na descrição dos fatos com extrema precisão e a confiabilidade. A ideia de Lucas era dar
conhecimento em detalhes ao Teófilo. Lucas, um médico gentio. O único escritor da Bíblia
que não era judeu. Paulo o chama-o de “médico amado”. Há vários indícios a respeito do
escritor, o livro é dedicado a Teófilo. (At 1.1; se comparamos com Lc 1.3, (1.1), o seu
estilo, o fato de o autor ter sido companheiro de Paulo, o que fica muito claro em certas
partes do livro, a escritas na primeira pessoa do plural(“nós”), e ter acompanhado Paulo à
Roma (At 27.1; também, comparamos com Cl 4.10-14; Fm 24; 2 Tm 4.11), chegaremos a
conclusão que o livro de Atos, realmente foi escrito por Lucas. A impressão que nós dá é
que ele teria usado o diário de viagem com fonte de material. Tinha cultura e erudição
científica, versado nos clássicos hebraicos. Atos dos Apóstolos é o elo entre a vida de
Cristo e a da Igreja, entre os Evangelhos e as epistolas. Foi escrito com o propósito de
fornecer um relato preciso do nascimento e crescimento da igreja cristã e a sua expansão.
Informativo e evangelístico. Destinado a Teófilo, um nobre cristão, e de modo geral a toda
a Igreja. Ele queria informar como o evangelho se propagou desde de Jerusalém a Roma.
Teófilo já havia recebido alguma informação a respeito da fé cristã, e foi para fornecer
uma explicação mais detalhe de sua fidedignidade. É Datado entre o ano 63 e 70 d.C.

1.5 É UM LIVRO TEOLÓGICO


6

A ênfase teológica é o relacionamento da Igreja com o reino de Deus, ou seja, como a


mensagem do reino, soberanamente, deixou de ser um fenômeno predominantemente
judeu e se tornou um movimento predominantemente gentílico, com seu centro se
deslocando de Jerusalém para Roma. Ele demonstrou aos seus leitores, como Deus
tencionava incluir em o seu reino a um povo formado por judeus e gentios, durante esta
era. Assim como fizera no evangelho, Lucas reivindicou esta mudança na operação divina
em Atos narrando a oferta autorizada da mensagem cristã aos judeus, e sua rejeição por
Israel, de Jerusalém a Roma, escancarando assim a porta aos Gentios. Assim, as
palavras de Paulo e Barnabé aos judeus em Antioquia da Pisídia são significativos: “Era
necessário que a Palavra de Deus fosse proclamada primeiramente a vós; visto que a
repudiais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios” (At
13.46). Para os judeus incrédulos em Roma, Paulo citou Isaías(6.9-10), a passagem
clássica de endurecimento e condenação nos quatro evangelhos, e disse: “Fique sabido,
portanto, que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios: eles a ouvirão” (At 28.28).
Outra ênfase é o papel preponderante do Espírito Santo como o fator motivador no
progresso da mensagem do reino. Não foi o esforço humano, e sim o cumprimento da
promessa de Jesus que possibilitou o dramático avanço do cristianismo até os confins da
terra. Essa ênfase no Espírito Santo é vista ainda na continuidade dos ensinos proféticos
de Jesus no livro de Atos: A profecia do crescimento da Igreja, que seria vitoriosa contra
Satanás (Mt 16.18). Jesus afirmou aos líderes religiosos que apenas um sinal seria dado
a Israel, a Sua ressurreição (Mt 12.38-40; Jo 2.19). Lucas registrou o nascimento e o
crescimento da nova entidade chamada igreja e a conquista dos domínios das trevas e do
mal. A morte, ressurreição, e o ministério continuado de Jesus Cristo formam o contexto e
a base do livro de Atos, sendo o centro da pregação dos apóstolos. Jesus declarou que a
cidade de Jerusalém seria destruída, porque aquela geração de israelitas estava sobre
julgamento divino pelo pecado nacional de haver rejeitado o Messias (Lc 21.23-24). Jesus
declarou que o reino seria tirado de Israel (aquela geração) e dado a outro povo (os
gentios/Igreja), até o cumprimento futuro de suas alianças com Abraão e Davi (Mt 21.43).
Os apóstolos falaram com os judeus a que se arrependessem e se salvassem daquela
“geração perversa” (At 2.40). O reino permaneceu em foco (1.3, 6; 28.31), Jesus não
negou a restauração do reino a Israel (1.6-7); Jesus esboçou para os discípulos a sua
7

tarefa até a época fixada pela autoridade do Pai (1.8); O ministério dos apóstolos,
especialmente de Paulo, confirmou mais profunda e amplamente a rejeição do Messias
por Israel e demonstrou um deslocamento da obra divina dentre os judeus para entre os
gentios por meio da Igreja. Assim, a historiografia de Lucas é teologicamente baseada e
orientada. Enquanto registrava a disseminação do evangelho de Jerusalém para Judéia e
Samaria e até os confins da terra, Lucas ligou a história com o propósito divino para o
povo de Israel e para o mundo, que o acesso ao reino e o desfrute de suas bênçãos
espirituais fosse partilhado por judeus e gentios em pé de igualdade até o tempo da
restauração de Israel (cf. 1.6).

1.6 É UM LIVRO APOLOGÉTICO

A última, mas não menos importante, das intenções de Lucas era a apologética. Ele
tencionava defender o apostolado e a missão de Paulo, complementando assim, com
base histórica, as defesas que o próprio Paulo fizera nas cartas de Gálatas e 2 Coríntios.
Lucas retrata o poder e a autoridade de Paulo como plenamente comparável aos de
Pedro. A conversão de Paulo é narrada três vezes (2 Co 9, 22, 26), e em cada uma delas
se enfatiza sua condição de “caso escolhido”, o que dá a nítida impressão de que Lucas
considerava tal evento como crucial no desenvolvimento da mensagem do reino. Esta
defesa de Paulo, todavia, não pode ser o único ângulo da intenção apologética de Lucas,
pois muito material em Atos em nada contribui para ela (relatos sobre outros líderes como
Estevão e Filipe). Também, a possibilidade de que Lucas tenha escrito para demonstrar
que o cristianismo não era religião nociva à PAX Romana pode-se defender da afirmação
dos judeus romanos, sobre a fé cristã de que “em toda parte se fala contra ela” (2 Co
28.22). O cristianismo já havia sido difamado em Roma antes de Paulo ali chegar. Assim,
Lucas indica cuidadosamente que as perseguições em Atos eram de origem religiosa, não
política. Que haviam nascido da intolerância e incredulidade dos judeus, exceto em Éfeso
e Filipos, onde os motivos foram puramente econômicos, embora relacionados a práticas
religiosas. Se levarmos em conta os dois volumes escritos por Lucas, descobrimos a
declaração de inocência de Jesus por Pilatos foi registrada nada menos de três vezes (Lc
23.4, 14, 22). Em Pafos, o procônsul de Chipre, um homem de bom senso, abraçou a fé
cristã (At 13.6-12). Em Filipos os magistrados se desculparam diante de Paulo e Silas por
8

abuso de poder e violação de seus direitos de cidadania romana. Em Corinto, o procônsul


da Acaia, Gálio, julgou Paulo e Silas inocentes de qualquer ofensa contra a lei romana (At
18.12-17). Em Éfeso, alguns dos oficiais da província eram amigos de Paulo e o escrivão
da cidade o absolveu da acusação de sacrilégio (At 19.31, 35-41). Na Palestina os
governadores Félix e Festo consideraram Paulo inocente das acusações contra ele
levantadas, e o rei Agripa II, concordaram que Paulo “poderia ser libertado, se não
houvesse apelado a César” (At 24.1-26.32).

1.7 TEOLOGIA EM ATOS

Não é difícil de ser perceber uma continuidade na teologia central do Evangelho de


Lucas no Livro de Atos. Em Atos, Lucas mantém seu interesse no tema da Salvação
ainda que sua abordagem seja, obviamente, distinta da abordagem de seu primeiro livro.
Em Atos, Lucas procura demonstrar como a Igreja, constituída de Judeus e gentios, forma
uma comunidade com o Judaísmo, ao mesmo tempo em que é o propósito de Deus uma
entidade nova e distinta (mesma ideia de “novo mandamento vos dou“).

1.8 RELACIONAMENTOS COM O JUDAÍSMO

No começo de Atos Lucas pretende estabelecer uma relação bem estreita entre a
Igreja incipiente e o judaísmo ( At 2.46, 3.1). Por muito tempo a Igreja de Jerusalém teve a
posição de “Igreja Mãe” em relação às comunidades cristãs que foram estabelecidas no
início: Atos 8.14; 11.2-3, 22; 15.2, 6, 22-29.

1.9 RUPTURA COM O JUDAÍSMO

Não há relatos de uma ruptura definitiva entre Igreja e Judaísmo. No entanto,


verifica-se, principalmente na segunda metade do livro, um distanciamento gradativo entre
Igreja e Judaísmo. O concílio em Atos 15, já demonstra que Jerusalém fez concessões às
igrejas gentias (At 15.28). Esse foi o último acontecimento narrado em Atos, veja
justamente a rejeição da mensagem do evangelho por parte das autoridades Judaicas em
Roma (At 28.17, 28).
9

1.10 O ESPÍRITO SANTO

A direção do Espírito Santo se faz presente no desenrolar da história que Lucas


conta em At. 2.1-4; 6.3; 11. 28; 13.2; 15.28; 16.7; 21.11.

2. O Pentecoste

Jesus aparecendo aos seus discípulos, “Disse-lhes, pois Jesus outra vez: Paz seja
convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E havendo dito isto,
soprou sobre eles e disse-lhes: Recebeis o Espirito Santo.” (Jo 20. 21-22). Quando Jesus
aparece aos dozes e revelou a promessa do pai que eles seriam revestidos do poder que
viria do alto. E esse poder, eles deveriam dar testemunhas, proclamar o arrependimento e
a remissão dos pecados em todas as nações começando por Jerusalém (Lc 24.36-49). E
no Capítulo 2º de Atos dos Apostolo se cumpriria a promessa da descida do Espírito
Santo, o dia de pentecoste. Um vento tempestuoso que vinha do norte, uma grande
nuvem, com um fogo a revolver-se nela, uma visão celestial (Ez 1.4). O surgimento de
línguas de fogo distribuído entre os presentes. O fruto que esse derramento vai provocar
iria revestir a igreja e liberar poder e unções espirituais para a pregação, oração, a
profecia e o ministério. Isso vai gerar as primeiras conversões e dá início a que vamos
chamar de igreja primitiva, onde todos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na
comunhão, e no partir do pão, nas orações. No dia de pentecoste, um dia que foi
marcante na história do povo de Deus. Foi o dia que o Senhor derramou o poder do
Espírito Santo sobre o seu povo. Foi um dia que hoje nos traz saudades, pois neste dia
houve uma preparação, onde um povo que estava reunido em um só propósito, havia
unidade, oração e a condição essencial à fé. A bíblia nos relata que eles já estavam
reunidos a mais de quarentas dias, cumprindo o que o Senhor havia predito que do alto
desceria o poder. O poder do Espírito Santo, o derramento das virtudes que viria sobre
um povo que deveria testemunhar, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia, e
Somaria e até aos confins da terra (At 1.8). Antes das nove horas da manhã, o altíssimo
deu uma festa de aniversário ao mundo, completa e com velas, palavras essenciais da
igreja, de modo extraordinário, com fluidez, êxtase e clamores tão intenso que todas as
pessoas foram confundidas como bêbados e loucos. A igreja foi fundada por Cristo, e
10

edificada na pregação e na doutrina dos apóstolos e espalhada pelo mundo através do


esforço missionário e perseguição, o cristianismo alcançou quase todos os cantos do
mundo habitado. Os primeiros cristãos entenderam que Deus estava em Cristo
reconciliando o mundo e que eles eram embaixadores de Cristo. O livro de Atos dos
Apóstolos registra que foram cerca de três mil fiéis que se reuniram em torno de Pedro
após o Pentecostes. De acordo com Atos 2.43-47, todos os fiéis usufruíam de seus bens
em conjunto e haviam coletividade a posse das coisas. Em Jerusalém, as comunidades
se expandiram rapidamente. O termo "igreja", que queria dizer reunião, era
frequentemente empregado pelos primeiros cristãos. Atos nos fala da nomeação de uma
comissão de sete, provavelmente os primeiros correspondentes dos posteriores
presbíteros.

2.1 Histórico

A Igreja Primitiva estava sendo perseguida e assolada pelos judeus e pelo Império
Romano, acusada de ser religião ilegal. Ao mesmo tempo, divisões e facções internas,
junto com a presença de falsos mestres ameaçavam a saúde da igreja. A Igreja ainda
estava em desenvolvimento, com menos de 30 anos, mas sua obra missionária era
“invejável“, ainda que tenha se iniciado com perseguição. O livro encoraja os crentes
pelos relatórios do pregresso inevitável do evangelho através da Obra do Espírito Santo.
Incentiva a continuação da obra missionária iniciada por Pedro, Paulo e outros.

2.2 Os primeiros Cristãos

Os primeiros cristãos, como descrito nos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos,
ou eram judeus ou eram gentios convertidos ao judaísmo, conhecidos pelos historiadores
como judeu-cristão-cristãos. Tradicionalmente, o Cornélio, o Centurião, é considerado o
primeiro gentio convertido. Paulo de Tarso, depois de sua conversão ao cristianismo,
reivindicou o título de Apóstolo dos Gentios. A influência de Paulo no pensamento cristão
se diz ser mais significativa do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Até ao final
do século I, o cristianismo começou a ser reconhecido interna e externamente como uma
religião separada do judaísmo rabínico. Como mostrado pelas numerosas citações nos
livros do Novo Testamento e outros escritos cristãos do século I.
11

2.3 A FUNDAÇÃO DA IGREJA

O apóstolo Pedro é um personagem interessante descrito nos evangelhos. Ele parece


ter sido uma pessoa apaixonada, talvez até impetuosa (considere João 13:6-10; Mateus
16:22-23). Na noite da traição, Pedro afirmou firmemente a sua lealdade para com Jesus,
porém poucas horas depois ele negou o seu Senhor três vezes, até usando linguagem
forte neste processo (Mateus 26.33-35, 69-75).

2.4 A IGREJA

Apesar de toda a sua concentração na Igreja, Lucas não tem por objetivo explicar
uma doutrina sobre a Igreja, como se já estivesse desenvolvida. Segundo Lucas, a igreja
começou seguindo o esquema da sinagoga Judaica (presbíteros: 14.23; epíscopos:
20.18). Contundo, é inegável que Lucas tenha selecionado eventos da Prática da Igreja
Primitiva que irrevogavelmente devem fazer parte da práxis eclesiológica de hoje.
Portanto, neste aspecto, muito se estima o Livro de Atos.

2.5 EXPRESSÃO IGREJA

A expressão "Igreja" (com I maiúsculo), se refere à Igreja como um todo, "igreja" (com i
minúsculo) se refere às comunidades de fé locais, essa distinção deve ser feita porque na
Igreja Primitiva existia total unidade entre os cristãos como uma única Igreja Católica (que
é Universal em grego), mas para se referir às comunidades cristãs locais se usa também
o termo "igreja", como por exemplos as igrejas de Jerusalém, Roma e etc. A unidade da
Igreja é comprovada já em Atos dos Apóstolos, no episódio do Concílio de Jerusalém,
pois a igreja de Antioquia, de Corinto, de Éfeso mesmo estando separadas
12

geograficamente, não é independente, tendo de acatar a decisão do concílio como uma


só Igreja.

3. A IGREJA PRIMITIVA

O termo Igreja Primitiva é utilizado para se referir a um período histórico do


cristianismo e da Igreja Católica entre 30 – 325. O termo Igreja Primitiva refere-se à
instituição e cristianismo primitivo às suas doutrinas. Neste período a Igreja estava
engajada em diversas discussões acerca dos conceitos cristãos. Inicialmente cinco
cidades surgiram como importantes centros da igreja: Roma, Jerusalém, Antioquia,
Alexandria e Constantinopla. Passou a se nomear Católica (que significa "Universal"),
ainda no século I, o termo foi utilizado pela primeira vez pelo Bispo Inácio de Antioquia,
discípulo do apóstolo João, que provavelmente foi ordenado pelo próprio Pedro, alguns
historiadores sugerem que os próprios apóstolos poderiam ter utilizado o termo para
descrever a Igreja. O termo Católico invoca o princípio de que desde o começo a Igreja
foi universal, aberta aos gentios, em 200 o termo já era comumente utilizado. O livro de
Atos vai nos contar a historia de como o cristianismo foi fundado, organizado, e como os
foram resolvidos. A comunidade dos crentes surgiu pela fé no Cristo ressuscitado e no
poder do Espírito Santo. O livro de Atos poderia ser chamado Atos do Espírito Santo,
pois não trata apenas do relato de algumas pessoas especiais. Mas, sim da história do
nosso Deus extraordinário e sua obra em certo tempo, com pessoas e por intermédios
dela. (bíblia de Estudo-Despertamento Espiritual). Nesse ponto a igreja já estava com
oito mil discípulos. Os primeiros cristãos tinham como regra de fé á prática e os
ensinamentos da Bíblia judaica (Antigo Testamento), e em geral eles liam ou a versão
grega (Septuaginta) ou a tradução aramaica (Targum), boa parte da qual está escrita em
forma narrativa onde "na história bíblica Deus é o protagonista, Satanás (pessoas ou
poderes malévolos) é o antagonista, e o povo de Deus são os agonistas". Foi nesse
período que o cânon do Novo Testamento foi desenvolvido, com as cartas de Paulo, os
quatro evangelhos, e várias outras obras dos seguidores de Jesus que também foram
reconhecidas como Escrituras Sagradas. Das cartas de Paulo, especialmente a de
Romanos, os cristãos criaram uma teologia baseada na obra expiatória de Cristo e na
justificação pela fé. Essa teologia objetivava explicar todo o significado e os objetivos da
13

Lei Mosaica. A relação de Paulo de Tarso e o Judaísmo é ainda hoje objeto de debates
entre os cristãos protestantes, principalmente no que se refere a alteração do dia de
descanso do sábado para o domingo. Os pais da igreja desenvolveram a teologia cristã e
as bases para a doutrina da Trindade. As primeiras características que podemos
perceber que são as doutrinas deixadas por Jesus Cristo e essas eram cumpridas por
todos os cristãos. Eles perseveravam na doutrina dos Apóstolos; A segunda era a
comunhão. Entre eles não havia divisão, tudo era partilhado em comum; A terceira era o
partir do pão. Estava sempre reunido para partilha o pão; A quarta era a oração. Com o
grande incêndio em Roma, em 64, o imperador romano, Nero culpou os cristãos por este
ato, e iniciou a perseguição da Igreja, martirizando assim diversos cristãos notáveis, tais
como o Apóstolo Pedro. A perseguição continuaria até 313 quando seria publicado o
Édito de Milão pelos dois Augustos, o imperador ocidental Constantino, e Lacínio, o
imperador oriental. Este édito de tolerância permitiu aos cristãos ter completa liberdade
para praticar sua religião sem ser molestado, iniciando-se a Paz na Igreja.

3.1 O CRISTIANISMO PRIMITIVO

Era dado a uma etapa da história do cristianismo de aproximadamente de três séculos


(I, II, III e parte do IV), que se iniciou após a Ressurreição de Jesus (30 d.C.) e terminaria
em 325 com a celebração do Primeiro Concílio de Niceia. Estão divididos em Era
Apostólica e o Período Ante-Niceno (desde a Era Apostólica até Niceia). A mensagem
inicial do Evangelho foi espalhada oralmente, provavelmente em aramaico. Os livros do
Novo Testamento, Atos dos Apóstolos e Epístola aos Gálatas registam que a primeira
comunidade da igreja cristã foi centrada em Jerusalém e tinha entre seus líderes Pedro,
Tiago, João, e os apóstolos.

3.2 CATECUMENATO

O Catecumenato era um termo usado no Império Romano por ocasião do surgimento


dos catecúmenos (em grego, ensinamento oral), que recebiam o conhecimento cristão
transmitido oralmente de geração em geração. Havia exigências para que um gentio
pudesse ser batizado, como o jejum e a oração. O catecumenato só era aberto àqueles
que não tinham profissões incompatíveis com a nova fé, como os comandantes militares,
14

prostitutas e adivinhos. Havia manuscritos para o ensinamento de catecúmenos, que se


baseavam em perguntas sobre a fé e orações. Era comum que o batismo fosse retardado.
Essa prática tinha por base, possivelmente, os ensinamentos de Paulo (Romanos 6:3).

Havia ainda, alguns grupos como judaísmo, que se denominava a nação de israel.
Os helinistas, judeus da diasporas que era a junção de uma cultura grega com oriental
(dispersão dos cristãos por todo o mundo). Também, os prosélitos, que foram à atraída e
que se converteu a uma religião, uma seita, uma doutrina ou um partido, um sistema, uma
ideia etc.; adepto, sectário, partidário. Gentio que simpatizava com judaismo. Entre os
antigos hebreus, indivíduo recém-convertido à religião judaica.

3.3 RELIGIÃO DAS CATACUMBAS

O termo "religião das catacumbas" foi utilizado para caracterizar a perseguição dos
cristãos durante os impérios de Nero, Tito, Domiciano.

4. DEBATES E NOÇÕES TEOLÓGICAS

A questão dos cristãos hebreus, e os cristãos helenistas, e os prosélitos. Com efeito,


uma questão que se coloca após a morte de Cristo, se o gentio poderia ser diretamente
convertido ao cristianismo ou se deveria antes se tornar judeu. Como sabemos pelos
livros de Atos e pelas cartas de Paulo, além das fontes romanas, o cristianismo estava se
difundindo rapidamente pelo território do Império Romano, o que significava que grandes
somas de não cristãos estavam sendo convertidos nessa época. Por essa razão, o tema
era de extrema importância para o proselitismo cristão. Ora, Pedro diz em Atos que Deus
lhe havia demonstrado que o profano poderia se tornar sagrado e afirmou que a verdade
poderia ser revelada aos romanos não judeus. Esse debate culminou com o Concílio de
Jerusalém, do qual participaram Paulo, Tiago, o Justo e Pedro, no qual se decidiu que os
gentios não deveriam ser convertidos ao judaísmo antes de se tornarem cristãos. No
entanto, nos escapa a verdadeira dimensão desse debate: a posição de Tiago, que
parecia ser pró-judaísmo, ia radicalmente contra a de Paulo, que defendia a conversão
direta do gentio. Paulo reserva grande parte de sua carta aos gálatas para discutir essa
questão. Relatos parecem demonstrar que Pedro sofreu influência de Tiago, adotando
15

mais tarde uma posição pró-judaísmo. Quanto a Paulo, seus textos constituem grande
parte do Novo Testamento, sendo a Carta aos Cristãos Romanos (à Igreja de Cristo em
Roma), uma espécie de Evangelho de Paulo. Paulo tinha formação teológica Judaica,
seus ensinamentos contêm forte influência dessa formação, porém fortemente
influenciado pelo Poder do Espírito Santo. Paulo tinha preocupações distintas dos demais
Apóstolos, porém não distante do que Cristo mesmo pregava. Paulo, enquanto
missionário fundador de comunidades cristãs em grande parte da Ásia Menor apregoava
um evangelho que podia ser compreendido por povos até então politeístas. É importante
ressaltar que alguns dos temas preconizados por Paulo não foram abordados nos
evangelhos, isso em virtude de temas mais específicos surgirem à medida que novos
convertidos se juntavam a igreja, com suas peculiaridades e culturas, uma vez que os
evangelhos contam a história de Cristo e seu tempo, e ainda no âmbito do povo judeu,
Paulo trata de temas pontuais, com povos estranhos à cultura judaica dos evangelhos,
não tendo, portanto, qualquer contrariedade entre os ensinos Paulinos e os apóstolos. As
cartas de Paulo, os escritos cristãos, cujas datas dão mostras de serem as mais antigas,
também, falam da necessidade de se demonstrar fé (Romanos 3.25-28) para receber a
graça de Deus (Romanos 9.10-24). Para explicar a Eclésia, Paulo se vale de uma alegoria
segundo a qual a igreja é o corpo de Cristo, cada comunidade compondo uma parte deste
corpo (Efésios 1.22-23; Colossenses 1.18). Paulo acreditava no julgamento final (II
Coríntios 5.10) e na sujeição de tudo ao Deus criador (I Co 15.20-28). Em relação à
natureza do Filho, Paulo associava Cristo à sabedoria e à inteligência divinas. Paulo
combateu os chamados Gnósticos, do primeiro Século, que se infiltravam nas
comunidades cristãs, disseminando suas doutrinas, falando de conhecimento, inteligência
e sabedoria. Por este motivo, Paulo ensinou aos primeiros Cristãos sobre o perigo destas
doutrinas, ensinando ainda que se alimentassem das verdades de Cristo, nesta noção,
sabedoria e inteligência de Deus. (I Coríntios 2.10-11). O universo era centrado nele, uma
vez que tudo havia sido criado por ele e por meio dele (Colossenses 1.16). O mundo
romano influenciou as ideias cristãs de várias maneiras. Em primeiro lugar, o
neoplatonismo, ideia de que os elementos do mundo material seriam hierarquicamente
inferiores aos do mundo espiritual, se integrou perfeitamente à filosofia cristã.
16

O estoicismo foi outra filosofia (muitas vezes funcionando como religião) que
influenciou o pensamento cristão. Os estoicos eram austeros, e acreditavam na virtude e
na moral como elementos essenciais na vida. Suas crenças se fundam na indiferença e
afastamento das coisas mundanas.

5. AS PRIMEIRAS PERSEGUIÇÕES DA IGREJA

Homens mentiram a respeito de Estevão e ele foi levado ao Sinédrio. Os Saduceus,


o partido dominante no conselho, aceitavam e estudava apenas os livros de Moisés, sob o
ponto de vista saduceu, blasfemar contra Moisés era um crime. Mas ao examinarmos o
discurso de Estevão At cap. 7, podemos perceber que esta acusação era falsa. Após ele
ao analisar a história, em Atos, mostrou que os judeus constantemente rejeitavam a
mensagem de Deus e seus profetas, e que o sinédrio havia rejeitado o Messias, o filho de
Deus. Ele foi o primeiro de uma série de mártires cristãos, morreu apedrejado, o que
provavelmente culminou com a primeira dispersão dos fiéis a partir da Palestina para
Damasco, Cesárea, Chipre e Antioquia. As perseguições dos cristãos levadas a cabo por
líderes Romanos foram essenciais para o estabelecimento do Cristianismo. Os cristãos
perseguidos, torturados e mortos pelos romanos por professar a fé em Cristo eram
respeitados como figuras sagradas. No século II, essa prática era extremamente popular.
Durante os primeiros anos do cristianismo se popularizaram as noções de santidade e as
relíquia dos mártires. Em outras palavras, os mártires eram tidos como santos, que de
acordo com o pai da igreja São Jerônimo "não calam quando mortos", mas "apenas
dormem", e das partes de seus corpos se faziam relíquias, às quais eram creditados
poderes mágicos. Os relatos das vidas e mortes de santos parecem ter começado nessa
época, conhecidos por hagiografias. Uma perseguição levada a cabo por Herodes Agripa
I (sucessor de Herodes, o Grande) por volta do ano 44 teve resultados semelhantes,
contando inclusive com a dispersão dos apóstolos. Tiago, também conhecido como
"Irmão do Senhor", se tornou líder da igreja em Jerusalém com a saída de Pedro, mas foi
apedrejado cerca de 20 anos depois sob as ordens de Anás II, conforme nos relata Flávio
Josefo. As Guerras Judaicas coroaram essa sucessão de dispersões dos cristãos pelo
Império. Antioquia, capital da Síria, logo se tornou o principal foco cristão do Império. Os
17

cristãos sofriam porque recusavam se a adorar os deuses romanos e homenagear o


imperador como um ser divino.

Paulo realizou diversas incursões em Roma, onde no ano 50 já existia uma


importante comunidade religiosa cristã. Em outras partes do Império Romano o
cristianismo se tornava cada vez mais popular. O cristianismo passou a se um diferenciar
marcadamente do judaísmo quando, por volta do ano de 90, surgiu o judaísmo rabínico
após a destruição do Segundo Templo. O termo "religião das catacumbas" foi utilizado
para caracterizar a perseguição dos cristãos durante os impérios de Nero, Tito,
Domiciano, etc. Desde a morte do apostolo João (100 d.C.) iniciou-se as perseguições
que durou até o ano 313 d.C., isso não quer dizer que antes não houvesse perseguições,
muito pelo contrário, no governo de Nero o imperador (54 a 68 d.C.) houve uma
perseguição muito grande, devido ele ter atribuído aos cristões a culpa do incêndio em
Roma, isso desencadeou uma verdadeira caçada a todo aquele que se dizia seguidor dos
ensinos de cristo, sob a sua ordem o apostolo Paulo foi executado. Após Nero, já sob o
governo de Vespasiano (69 a 79 d.C.) no lugar de seu pai. A invasão de Tito custou
muitas vidas e inclusive a destruição do templo de Jerusalém.

Domiciano (81 a 96 d.C.) foi o imperador que exilou o apostolo João mandando-o para a
ilha de Palmos onde teve as visões e revelações contida no livro de apocalipse, este
também perseguiu os cristãos de uma forma violenta. Todas estas são ainda na fase
apostólica a que veio a seguir ficou conhecida como “a fase das perseguições (100 a 313
d.C.). Neste período houve doze perseguições, mas a igreja cresceu e se expandiu
rapidamente entre 98 d.C. e 161 d.C. A partir de 162 d.C. a perseguição continuou, porém
com alguns períodos de tolerância, já não eram caçados, eram mortos apenas quando
denunciados. Em todo o período, a maior de todas se deu sob o governo do imperador
Diocleciano, este foi implacável e incansável em tentar destruir os cristãos, homem mal e
sem escrúpulos, aniquilou comunidades cristãs inteiras. Pedro e Paulo provavelmente
morreram durante as primeiras perseguições, mas pouco se sabe sobre isso. Durante
essa época, símbolos cristãos foram desenvolvidos para comunicar secretamente as
questões da fé. As conversões eram realizadas nas cidades, e o termo pagão, derivado
do latim paganus ("camponês") é provavelmente derivado do fato de que a maior parte
18

dos não convertidos durante o auge da difusão cristã eram os camponeses. Com o
crescimento das comunidades cristãs em Roma, cresce também o número de críticos. Um
filósofo chamado Celso escreveu um livro chamado "A doutrina verdadeira" no qual
criticava as práticas cristãs e Jesus Cristo. Os intelectuais cristãos no império, como
Clemente de Alexandria (150 - 215) e Justino Mártir, além de Orígenes (185 - 254),
rebateram as críticas pagãs e desenvolveram a teologia cristã. As piores perseguições
aos líderes cristãos ocorreram no século II e III (entre 303 e 305), sendo que as últimas
foram conduzidas por Diocleciano e Galério. No ano 321, o imperador Constantino
promulga uma lei ordenando que todos descansem no dia do sol domingo, dia da semana
que substituiu o sábado como dia santo apoiado na razão da ressurreição de Cristo. Esse
dia era guardado por todos os cristãos. A eucaristia era celebrada no domingo, e nas
quartas e sextas-feiras os cristãos deveriam jejuar. Leituras, orações e penitências eram
realizadas como parte das celebrações litúrgicas. Nessa época, os cristãos passaram a
utilizar códigos para expressar mensagens de fé, como o peixe (em grego ikhtos), a
pomba (Espírito Santo) e a fênix (ressurreição). No século IV, Constantino aliou-se
politicamente com o cristianismo e terminou com a perseguição aos cristãos promulgando
o Édito de Milão. O Primeiro Concílio de Niceia marca o fim desta era e o início do período
dos sete primeiros concílios ecumênicos (325 - 787). Em 366 d.C. o imperador
Valentiniano (governou de 364 a 375) declarou “ a supremacia da jurisdição eclesiástica
de Roma”, mas foi somente por volta de 379 d.C. que o imperador Flávio Teodósio
declarou o cristianismo como religião oficial do império Romano. Em 381 convocou o
concílio de Constantinopla. Foram três os historiadores que mais nos deixaram
informações sobre esse período: Lucas, Hegésipo e Eusébio.

6. UMA BREVE HISTÓRIA DE ALGUNS PAIS DA IGREJA

Podemos dividir os Pais da Igreja em três grandes grupos, a saber: Pais apostólicos,
Apologistas e Polemistas.

Todavia devemos levar em conta que muitos deles pode se enquadrar em mais de
um desses grupos devido à vasta literatura que produziram para a edificação e defesa do
Cristianismo, e também de acordo com o que as circunstancias exigiam, como é o caso
19

de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim então temos:

6.1 PAIS APOSTÓLICOS

Foram aqueles que tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e
escreveram para a edificação da Igreja, geralmente entre o primeiro e segundo séculos.
Clemente de Roma, Inácio e Policarpo.

6.2 PAIS APOLOGISTAS

Foram aqueles que empregaram todas suas habilidades literárias em defesa do


Cristianismo perante a perseguição do Estado. Geralmente este grupo se situa no
segundo século e os mais proeminentes entre eles foram: Tertuliano, Justino – o mártir,
Teófilo e Aristides.

6.3 PAIS POLEMISTAS

Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas
doutrinas surgidas fora e dentro da Igreja. Geralmente estão situados no terceiro século.
Os mais destacados entre eles foram: Irineu, Tertuliano, Cipriano e Orígenes.

Os Pais da Igreja foram importantes para fundar as bases do pensamento teológico


cristão. Suas filosofias foram influenciadas pela filosofia e pelas religiões helenísticas.

No final do século I, morre em Éfeso o último dos apóstolos, João, após ter servido
ao seu mestre fielmente durante toda sua vida é agora recolhido ao seu lado no lar
celestial. Terminava assim a era apostólica. Mas Deus já havia preparado homens
capazes para cuidar do seu rebanho. Começa um período novo para a igreja, a obra que
os apóstolos receberam de seu Salvador e a desenvolveram tão arduamente acha-se
agora nas mãos de novos líderes que tinham a incumbência de desenvolver a vida
litúrgica da igreja como fizeram aqueles. O período que comumente é chamado de pós-
apostólico é de intenso desenvolvimento do pensamento cristão. Por isso é de suma
importância analisar a doutrina dos chamados “Pais da igreja”, pois eles foram os
responsáveis pelo povo de Deus daquela época e pela teologia que construíram, sendo
20

que até hoje e serve de base para a Igreja por transmitir os ensinamentos bíblicos, e
merece reconhecimento por sua fé, virtude e zelo que nutriam pelo corpo de Cristo na
terra. Do século II até o século IV. Mas, devemos nos lembrar que mesmo homens como
esses não ficaram isentos de erros e até mesmo foram considerados como heréticos por
seus resvalos teológicos.

Policarpo de Esmirna foi um bispo da igreja de Esmirna do século II. De acordo com
a obra "Martírio de Policarpo", ele foi apunhalado quando estava amarrado numa estaca
para ser queimado-vivo e as chamas milagrosamente não o tocavam. Ele é considerado
por isso um mártir e um santo por diversas denominações cristãs. Em sua juventude
acompanhou o apóstolo João e aprendeu a seus pés. Evidentemente, João mesmo o
ordenou como bispo da congregação em Esmirna. (Apocalipse 1.20 e 2.8.) Policarpo
viveu até uma idade de pelo menos 87 anos. Foi martirizado ao redor do ano 155 d.C.

Irineu foi um elo importante com os apóstolos, ele era um dos discípulos pessoais de
Policarpo. A igreja em todo mundo elogiava a Irineu como homem justo e piedoso. Como
discípulo de Policarpo, quem por sua vez era discípulo do apóstolo João. Foi martirizado
cerca do ano 200. Irineu foi um dos líderes eclesiásticos mais importantes no século II.
Irineu publicou uma obra chamada “Contra as Heresias”, na qual criticava o ebionismo, o
montanismo e o gnosticismo. Irineu acreditava que o homem carregava o pecado original
de Adão, mas que este havia sido perdoado na ressurreição de Cristo. De acordo com o
teólogo, Cristo havia restaurado a condição humana de semelhança em relação ao
criador. Desta forma, Maria havia restaurado a condição feminina ideal, uma vez que Eva
tinha caído em tentação. Assim como Paulo, Irineu acreditava no breve retorno de Cristo.
Até lá, o homem deveria manter a obediência e a moral cristã, uma vez que fora a
desobediência responsável por sua queda.

Justino foi Filósofo convertido em evangelista, durante a vida de Policarpo, um


filósofo jovem chamado Justino empreendeu uma viagem espiritual em busca da verdade.
O que costumava andar num campo solitário que olhava para o Mar Mediterrâneo para
meditar. Um dia enquanto andava ali viu que um ancião caminhava depois dele.
Desejando a solidão, Justino deu volta e olhou bruscamente ao ancião intruso. Mas o
ancião não se molestou. Mais começou a conversar com Justino. Ao aprender que Justino
21

era filósofo, o ancião lhe fez perguntas, perguntas estas que punham à luz e o esvaziar da
filosofia humana. Anos depois, Justino contou as recordações daquele encontro,
escrevendo: “Quando o ancião tinha terminado de falar estas coisas e muitas mais, foi-
me, exortando-me a que meditar no que tinha falado”. Desde então não o vi, mas de
imediato uma coisa me chamou e acendeu em minha alma. Inundou-me um grande amor
pelos profetas e os amigos de Cristo. Depois de reflexionar mais no que o ancião havia
dito, deu-se conta de que o cristianismo era a única filosofia verdadeira e valiosa. “Ainda
depois de converter-se ao cristianismo, Justino sempre punha sua túnica de filósofo para
dar a conhecer que ele tinha achado a única filosofia verdadeira”. Em verdade, ele se
converteu em evangelista para os filósofos pagãos. Dedicou sua vida a declarar o
significado do cristianismo aos romanos cultos. Suas defesas escritas aos romanos são
as apologias cristãs mais antigas que existem. Justino se demonstrou evangelista
capacitado. Converteu a muitos romanos à fé cristã, tanto culta como incultos. Ao fim, um
grupo de filósofos, tramando sua morte, mandou-lhe prender. Justino escolheu morrer
antes de negar a Cristo. Foi martirizado o ano 165. Depois de sua morte, foi conhecido
por muitos como Justino o mártir.

Clemente de Alexandria foi um instrutor de novos convertidos. Outro filósofo que


achou o cristianismo em sua busca da sua verdade. Vendo a vaidade da filosofia humana,
voltou-se a Cristo. Depois de converter-se em cristão, viajou por todo o império Romano,
aprendendo os preceitos da fé cristã pessoalmente dos mestres cristãos mais anciões e
estimados. Os escritos de Clemente, datados para o ano 190, refletem a soma da
sabedoria de seus mestres. Inspiraram a muitos cristãos através dos séculos, inclusive a
João Wesley. Com o tempo, Clemente se mudou a Alexandria, Egito. Foi ordenado ancião
naquela congregação e encarregado de instruir os novos convertidos. Chama-se
“Clemente de Alexandria para distingui-lo de outro Clemente, quem era bispo da igreja em
Roma, no fim do primeiro século”.

Orígenes foi uma mente aguda dedicada a Deus. Entre os alunos de Clemente em
Alexandria tinha um jovem hábil chamado Orígenes. Quando Orígenes tinha só 17 anos,
estourou uma perseguição severa em Alexandria. Os pais de Orígenes foram cristãs fiéis.
Orígenes lhe escreveu uma carta, animando-o a que permanecesse fiel e não
22

renunciasse a Cristo. Quando se anunciou a data para seu juízo, Orígenes decidiu
acompanhar a seu pai ao juízo para morrer com o pai. Mas durante a noite anterior,
enquanto dormia, sua mãe escondeu toda sua roupa para que não pudesse sair da casa.
Assim é que se lhe salvou a vida. Ainda que tivesse só 17 anos, Orígenes distinguiu na
igreja e Alexandria pelo cuidado amoroso que prestava a seus irmãos na fé durante a
perseguição. Mas as multidões enfurecidas também notaram o cuidado de Orígenes pelos
cristãos perseguidos, e em variadas ocasiones Orígenes mal escapou com a vida.
Orígenes tinha aprendido à gramática e a literatura grega de seu pai, e começou a dar
classes privadas para sustentar a seus irmãos menores. Era mestre e muitos pais pagãos
mandaram a seus filhos a receber instrução de Orígenes. Mas muitos destes jovens se
converteram em cristãos como resultados do depoimento de Orígenes. Enquanto,
Clemente, o mestre encarregado do doutrinamento dos novos convertidos, estava em
perigo. Os oficiais da cidade tramaram sua morte, e ele se viu obrigado a escapar para
outra cidade para continuar seu serviço cristão. Numa decisão extraordinária, os anciãos
cristãos de Alexandria lhe nomearam a Orígenes, de só 18 anos, para tomar o lugar de
Clemente como mestre principal na escola para os novos convertidos. Foi decisão sábia,
e Orígenes se dedicou de coração à obra Deixou sua profissão de poucos meses como
instrutor de gramática e literatura. Vendeu a prazo todos seus livros de obras gregas,
vivendo na pobreza do pouquinho que recebeu mensalmente da venda deles. Recusou
aceitar salário algum por seu trabalho como mestre cristão. E depois de suas classes de
cada dia, estudava as Escrituras até horas avançadas da noite. Cedo Orígenes chegou a
ser um dos mestres mais estimados de seu dia. Aos poucos anos, alguns de seus alunos
lhe pediram que desse uma série de discursos de exposição bíblica, comentando sobre
cada livro da Bíblia, passagem por passagem. Em todo o comentário, manteve um
espírito aprazível, pouco contencioso. Muitas vezes terminou seu discurso, dizendo: “Bem
que assim me parece a mim, mas pode ser que outro tenha mais entendimento do que
eu”. Orígenes tinha uma das mais brilhantes mentes de seu dia. Estava em
correspondência pessoal com um dos imperadores Romanos. Mas sua fama também
atraiu o atendimento dos inimigos dos primeiros cristãos. Várias vezes teve que se
transladar para outro lugar para escapar da perseguição. No entanto, chegou aos 70
anos. Mas, então seus perseguidores o prenderam e o torturaram. Por mais que o
23

torturassem, ele não negou a Jesus. E por fim deixaram de torturá-lo. Com tudo, Orígenes
nunca se recuperou da tortura e ao fim morreu.

Tertuliano foi um apologista aos Romanos aos primeiros cristãos do ocidente,


Tertuliano é quiçá o mais conhecido de todos os escritores cristãos dos primeiros séculos.
Chegou a ser ancião na igreja de Cartago na África do norte. Tertuliano era um dos
apologistas mais hábeis da igreja primitiva. O escreveu em latim, não em grego como a
maioria dos primeiros cristãos. Vários ditos são famosos, por exemplo: “O sangue dos
mártires é a semente da igreja”. Tertuliano escreveu entre os anos 190 e 210 d.C. Além
de suas obras apologéticas, Tertuliano escreveu várias outras obras curtas, tanto cartas
como tratados, para animar aos cristãos apresados ou para exortar aos crentes que
mantivessem sua separação como mundo. Tertuliano foi estudante de Direito e
conhecedor de filosofia, letras e história. Ele afirmava o cristianismo como uma nova lei,
sob a qual se colocava o fiel após o batismo. O batismo, segundo ele, redimia os pecados
anteriores do cristão. Na visão de Tertuliano, a Igreja é a única responsável por interpretar
as Escrituras, conduzir a comunidade e decidir sobre assuntos de fé (teológicos).
Tertuliano também acreditava que o homem deveria punir a si mesmo se quisesse buscar
sua salvação pela graça. Em relação à natureza do Filho, Tertuliano assumiu uma
concepção que se tornaria a oficial, segundo a qual "Todos [Pai, Filho e Espírito Santo]
são um, por unidade de substância, embora ainda esteja oculto o mistério da dispensação
que distribui a unidade numa Trindade, colocando em sua ordem os três, Pai, Filho e
Espírito Santo; três, contudo, não em substância, mas em forma, não em poder, mas em
aparência, pois eles são de uma só substância e de uma só essência e de um só poder,
já que é de um só Deus que esses graus e formas e aspectos são reconhecidos com o
nome de Pai, Filho e Espírito Santo" (Contra Práxeas). Desta forma, Jesus era
caracterizado como tendo uma dupla natureza, humana e divina, e o Filho, assim como o
Espírito Santo, como emanações da divindade maior, o Deus Pai. Ao final de sua vida,
Tertuliano se uniu à seita montanista

Cipriano foi um rico que tudo entregou a Cristo. Um dos alunos espirituais de
Tertuliano se chamava Cipriano. Tinha sido romano rico, mas se converteu em cristão à
idade de 40 anos. Ainda que aluno de Tertuliano, não se uniu aos montanistas. Sempre
24

se opôs aos hereges e às tendências sectárias. Como cristão recém-convertido Cipriano


estava tão agradecido por sua vida nova em Cristo que vendeu tudo o que tinha e o
repartiu aos pobres. Gozou-se de estar livre do peso das responsabilidades de suas
posses materiais. Seus escritos contêm umas das palavras mais comovedoras que jamais
se escreveram a respeito do novo nascimento do cristão. Sua entrega total a Cristo cedo
ganhou o respeito da igreja em Cartago. Depois de uns poucos anos, numa decisão sem
precedente, chamaram-lhe a ser bispo da igreja ali. Os escritos de Cipriano têm um valor
especial. Em suas cartas vemos os interesses e os problemas diários das congregações
cristãs daquela época, então Cipriano se viu obrigado a trabalhar como pastor
clandestinamente, já que durante a maior parte de seu ministério rugia a perseguição
contra a igreja primitiva. Como pastor, trabalhava incansavelmente, dando seu tempo e
sua vida pelo rebanho de Cristo que lhe tinha sido encomendado. Ao fim, foi preso pelos
Romanos e decapitado no ano 258. A retórica de Cipriano de Cartago foi essencial para a
organização da Igreja antiga. Ele acreditava na unidade da Igreja, assim como Deus era
uno. Essa ideia seria transferida à Idade Média, cujos teólogos e pensadores políticos
defenderiam a unidade de um poder temporal (Império Universal) e a unidade de um
poder espiritual (Igreja Universal ou, como se dizia em grego, Católica), sempre em
analogia à unidade de Deus. Cipriano admite que os bispos façam a unidade da igreja, e
que são responsáveis por conduzi-la. Dizia que Roma era a igreja principal, vinculada às
missões de Pedro, que era tido como o modelo de bispo. Embora apontasse o aspecto
principal da fé Romana, Cipriano não chegou a desenvolver uma teoria sobre a
autoridade de Roma sobre as outras sedes apostólicas, que só se consolidaria séculos
depois.

Lactâncio foi mestre do filho do imperador, é pouco conhecido aos cristãos de hoje
em dia. Em com isso nós perdemos, porque Lactâncio escrevia com clareza e eloquência
extraordinária. Antes de converter-se ao cristianismo, foi instrutor célebre da retórica.
Ainda, o imperador Diocleciano lhe louvou depois de sua conversão, dedicou suas
habilidades literárias causa de Cristo. Sobreviveu a última grande perseguição dos
Romanos contra a igreja primitiva ao princípio do quarto século. Com o tempo, fez seu lar
na França. Ainda que Lactâncio fosse muito ancião quando Constantino se fez imperador,
este lhe pediu que voltasse a Roma para ser o professor particular de seu filho maior. Os
25

escritos de Lactâncio têm grande importância para nós porque se escreveram ao final da
época pré-Constantina da igreja primitiva. Demonstram amplamente que a grande maioria
das crenças cristãs tinha mudado muito pouco durante os 220 anos entre da morte do
apóstolo João e o princípio do reinado de Constantino

Inácio de Antioquia foi o primeiro a se valer da glossolalia. Em oposição aos


docetistas, ele desenvolveu a ideia de que Cristo teria tido uma dimensão humana e outra
divina. O Novo Testamento nunca explicitou qual seria a substância de Cristo, e parece
que os primeiros cristãos preferiram se afastar desse tema, embora tenham sugerido
inúmeras vezes à ligação íntima entre o messias e Deus. Inácio estava convencido,
contudo, que Cristo partilhava da substância divina, ideia que posteriormente ajudaria a
construir a noção de Trindade. Como escreveu Inácio, Cristo seria "Deus e Homem, em
uma só essência".

7. A MISSÃO DA IGREJA

Jesus Cristo apareceu aos seus discípulos e soprou sobre eles e disse-lhes:
Recebei o Espírito Santo (Jo 20.22). Ele pessoalmente falou com os seus discípulos que
de deveriam pregarem o evangelho as todas as nações e batizar no nome do Pai, do filho
e do Espírito Santo. Foi em Mt 28.19-20, que foi dado essa missão aos discípulos. Essa
missão da Igreja, foi instituída pelo próprio Jesus a qual seria a obra missionária cristã
como tarefa Santa e obrigatória da igreja. Também, Lc 24.47-49. A missão dado por
Jesus foi cumprida em At 1.8. Quando recebemos e nos revestimos desse poder
reconhecemos a nossa total dependência do poder que emana direto do próprio Deus.
Bem como a nossa obediência. Nós nos sujeitamos a essa dependências pura do seu
espírito, deixamos o nosso ser se transformado pelo seu caráter, gerando mudança,
conforme em Rm 12.1-2, devemos ser renovados pela palavra redentora de Deus e
causar mudança a onde nós estivermos. Quando pregamos a verdadeira palavra de
Deus que cura, que liberta e que salva. Jesus morreu pelos nossos pecados. E hoje
temos a oportunidade de testemunhar essa maravilhosa graça. Mas precisamos
primeiramente ter uma mudança evidente, transformadora. Para que assim sejamos suas
testemunhas, pregando o evangelho. Quando lemos em Gl 5.22 e tomamos
26

conhecimentos dos frutos do Espírito Santo. Entendermos o que apóstolo Paulo nos fala
que o principal é o amor. E Deus é amor. O amor de Deus para conosco foi revelado
através dele, quando ele dá o seu próprio filho, em Jo 3.16. Deus estabeleceu um plano
de salvação, para nós desde a criação. Mas, hoje fazemos como os samaritanos Lc 9.51-
56. Deixamos de receber Jesus, porque não estamos sensíveis ao Espírito Santo. Os
nossos afazeres, as nossas preocupações é a nossa própria acepção de pessoas. Hoje
julgamos mais e agirmos menos. Deixamos de fazer, porque julgamos primeiro, antes de
ajudar. Os sentimentos são afetados, nossas emoções, e assim nos colocamos como
juízes. Deus não instituiu nenhum de nós como juízes. Quando julgamos erramos. E
atrapalhamos o projeto de Deus para as nossas vidas. Um bom exemplo é a parábola do
bom samaritano. Lc 10.25-37 - quem é o nosso próximo. (O meu irmão ao meu lado). O
quem usou de misericórdia para com ele. Deus deseja que a sua Igreja cumpra a sua
missão. Uma ação missionária cristã a serviço do povo. O próprio Jesus institui essa obra
missionária, como tarefa. É um tema prioritário. A promessa do meu Pai. Este princípio
ultrapassa todas as épocas e culturas, pois é um princípio eterno de Deus. Em resumo,
pregar o evangelho a tempo e a fora de tempo, declarando o seu amor, cuidando de
pessoas, fazendo elas mais felizes, atendendo socialmente, cada necessidade,
promovendo o Reino de Deus, aqui na terra. E aos poucos elas iriam começar a imitar e
procurar ser parecido com Deus. O amor incondicional de Deus, ele jamais desiste dos
seus filhos mesmo que eles não mereçam. O Seu amor é fiel, nada pode nos separar do
amor dele.

Uma da Característica que contribuíram para a expansão da igreja foi a região da


palestina, onde havia um grande comércio e rota de viajantes. É interessante observar
também que a missão da igreja foi essencialmente urbana (Jerusalém, Éfeso, Antioquia,
Roma).

8. A IGREJA NOS DIAS ATUAIS

Já vimos que a Igreja não tem a ver apenas com indivíduos e com aspectos
espirituais. Há uma íntima relação entre indivíduos e sistema social. Pois enquanto as
pessoas criam sistemas sociais como instituições econômicas, políticas religiosas e
culturais, ao mesmo tempo estas, mesmas instituições modelam as pessoas. Portanto, o
27

impacto do Evangelho do Reino deve se fazer sentir sobre ambos. A missão cristã
trabalha em favor da redenção de todas as pessoas, sistemas sociais e meio ambientes,
apresentando um Evangelho completo que tem a ver com toda a vida. Wesley e o
metodismo, também com ajuda de outras pessoas enfrentaram algumas questões sociais,
que foram muito importantes naquele tempo. O sucesso deles em algumas empreitadas
como na questão da abolição da escravidão, nos inspira e nos dá confiança para
enfrentarmos os grandes desafios sociais dos nossos tempos. Poderíamos falar sobre
injustiça social, globalização, guerras, violência urbana, desestruturação familiar, crise de
autoridade, relativismo, vícios, pornografia, comportamento sexual, hedonismo,
individualismo, consumismo, materialismo, aborto, eutanásia, corrupção, questões do
meio-ambiente, e tantas outras sérias questões que afetam a humanidade. Mas, iremos
abordar algumas questões buscando traçar algumas linhas de ação para a Igreja diante
de alguns desafios que se apresentam. Um dos principais problemas que ainda desafia a
consciência cristã na atualidade é a questão da justiça social. Gerada pelo individualismo
materialista e hedonista da nossa sociedade que tem sido caracterizada pelo
consumismo. Não “podemos ignorar a realidade do materialismo, a absolutização da era
presente no que ela oferece”. O cristianismo secular está obcecado com a vida deste
mundo, onde a esperança cristã acaba se confundindo com a esperança intramundana do
marxismo, expressa na teologia da libertação, e do capitalismo, expressa na teologia da
prosperidade, e, no extremo oposto, temos a escatologia futurista que faz da religião um
meio de escape da realidade presente, postura esta que acaba por justificar à critica
marxista de que a religião é o ópio do povo, pois serve como instrumento para
manutenção do status quo, tanto por uma atitude de fuga no caso dos
dispensacionalistas, como numa atitude de acomodação ao espírito da época na
edificação de um cristianismo-cultural como acontece no caso da teologia da
prosperidade, na apresentação de um “evangelho” adequado ao “cliente”, que são os
“livre consumidores”. Precisamos, continuamente, estarmos nos julgando a nós mesmos e
as nossas ações a luz da palavra de Deus. Cumprir nossa missão na terra como agentes
do Reino de Deus, agindo como sal da terra e luz do mundo. Hoje, vivemos numa
sociedade de consumo, diante dela o que tínhamos era uma sociedade de produção,
onde se exigia muita abnegação e renúncia em prol da produção e também da construção
28

da própria felicidade, realização e prazer que eram adiados para um tempo futuro ou de
aposentadoria. As propagandas, que são o pulmão deste sistema, criam novas
"necessidades" e nos falam de uma vida plena de satisfação imediata, tipo êxtase
proporcionado pelas drogas. Só que isto é utópico para a maioria das pessoas que estão
excluídas dos bens de consumo. Tal frustração, incrementada pelo grande contraste entre
a realidade e o sonho, só faz é escancarar ainda mais a porta para o alcoolismo e para o
mundo das drogas. As drogas parecem, em algum sentido, ainda que por pouco tempo,
proporcionar a sensação de prazer tão valorizada por esta sociedade de consumo. O
incremento da violência também é outra decorrência. A teologia da prosperidade é
produto desta sociedade de consumo, prometendo conceder através da fé tudo àquilo que
as propagandas dizem que uma pessoa precisa ter para ser feliz. Nada de novo nisto,
pois Miquéias 7.2-4 mostra que a injustiça estava institucionalizada e permeava toda a
sociedade incluindo os falsos sacerdotes e profetas que, já em sua época, visavam
buscar riqueza para si mesma. Hoje a teologia da prosperidade, com a promessa de
prosperidade e saúde sempre em nome da fé, entra numa competição desenfreada em
busca de adeptos ou “consumidores”, chegando a apelar para novidades e “promoções” a
fim de atrair o povo. Diante da grande mentira de que o prazer, o sucesso e o bem-estar
físico, econômico e social são o grande alvo da vida e que tudo isto está acessível a
todos, iludido, o povo na busca do consumo, a realização imediata deste ideal, mas,
quase sempre, tem que lidar com a realidade de uma vida de privações, injustiça, lutas e
muitos sofrimentos. Frustrado, desamparado, sentindo-se fracassado e oprimido pela
ditadura do ter. Agora, nem na Igreja encontra respostas para a sua dor, mas apenas
ainda mais culpa por não ter tido fé suficiente para ter sido bem sucedido na vida
profissional ou para ter sido curado de algum mal. A espiritualidade cristã não pode ser
confundida com prosperidade financeira, nem com sucesso e nem com saúde. Se fosse
este o caso, não poderíamos considerar nem a Jesus e nem os apóstolos como homens
espirituais, visto que eram pobres, ficavam doentes, passaram muitas necessidades,
sofreram perseguições, foram presos, desprezados pelo mundo e foram martirizados.
Jesus mesmo disse que não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20) e não tinha dinheiro
sequer para pagar o imposto, tendo que solicitar a Pedro que pescasse um peixe que
teria uma moeda dentro de si que serviria para pagar esta divida (Mt 17.24-27). Pedro e
29

João disseram claramente que não possuíam ouro nem prata (At 3.6). Paulo
experimentou período de pobreza (Fp 4.11, II Co 6.10, Tg 2.5). Comunidades inteiras de
cristãos do Novo Testamento eram muito pobres (II Co 8.2, Rm 15.26, Ap 2.9). A própria
Maria, entre todas as mulheres a mais agraciada, não teve um lugar descente para dar a
luz ao seu Filho bendito. Há alguns desafios que nessa missão, como por exemplo:
admoestar seus líderes ou constrangê-los a ter uma vida mais simples. Isso parece ser
uma missão impossível, a função pastoral e de liderança sempre foi um status, porém tem
sido cultivada ainda mais ostentação ligada a quem ocupa esses cargos. A vida simples
de Jesus, o mestre parece não ser parâmetro para a maioria dos líderes contemporâneos.
Outro grave problema é a mistura do sagrado com o profano, a velha aliança da igreja e
do estado, tem sido cada vez mais com umas alianças partidárias e os apadrinhamentos
dentro da igreja, acredito que Deus não vê com bons olhos o mar de lama dos políticos e
os que o seguem. Mas ainda há esperança, seria esse o desafio mais complicado da
igreja atual, recuperar completamente a figura de Cristo como centro de tudo, dentro da
igreja e na vida de todos que se aproximam dele. Para isso seria necessário um
recomeço. E ainda, aparece nos dias atuais, o Relativismo Cultural é uma perspectiva da
antropologia que vê diferentes culturas de forma livre de etnocentrismo, o que quer dizer
sem julgar o outro a partir de sua própria visão e experiência. Relativismo cultural e
etnocentrismo o são a visão de que crenças, costumes e ética são relativos ao indivíduo
no seu próprio contexto sócio – cultural. O “Certo" e "Errado" dependem de cada cultura,
o que é considerado moral em uma sociedade pode ser considerado imoral em outra. Não
existe um padrão universal de cultura, ninguém tem o direito de julgar os costumes de
uma outra sociedade. Cultura: conflito e diversidade: Na Mesopotâmia os conquistadores
assimilaram a cultura sumeriana: escrita, leis, técnicas de drenagem, astrologia, etc. Os
hebreus resistiram aos conflitos e legaram à humanidade os elementos do judaísmo: O
monoteísmo, o velho testamento, o decálogo. Antiguidade clássica (gregos e romanos).
Os gregos nos legaram a mitologia, a política, a democracia, o humanismo e a filosofia.
Alexandre, os macedônicos e o helenismo representaram a mistura de culturas. Os
romanos nos legaram o direito, a república, o senado e o latim. Muçulmanos e cristãos
foram símbolos de intolerância religiosa na Idade Média. O combate às heresias, a guerra
santa e as cruzadas representaram incompreensão em relação às crenças do outro.
30

Idade Moderna: A expansão marítima levou Portugal e Espanha a formarem seus


impérios coloniais. o Euro centrismo e etnocentrismo: desprezo às culturas nativas e a
imposição da fé católica. o A Europa também assimilou elementos culturais americanos:
milho, batata, cacau, mandioca, ervas medicinais e tabaco. “As interações culturais
expressam criação, assimilação, valores, visões de mundo, de forma material e imaterial,
construídos nos contatos, nas trocas, nas experiências coletivas”. A missão (ação) do
povo não é barganha, ela é fruto de uma aliança construída em amor visando o
relacionamento entre Deus e a humanidade. É ele (Deus) que detém a ação primária que,
em sua dimensão divina, constrange-nos e, ao mesmo tempo, impulsiona-nos a se
expressar e agir como povo de Deus. Jesus Cristo dá esta dica quando convoca os seus
discípulos a ser sal e luz. Salgar a sociedade para que ela não sofra com a podridão e a
corrupção. Iluminar para que as trevas sejam dissipadas e os círculos de morte possam
ser vencidos. Desta forma, cada cristão é uma ferramenta na mão do Senhor.

9. OS DESAFIOS DA MISSÃO DA IGREJA NO SÉCULO XXI

A missão da Igreja é fazer conhecido o Evangelho no mundo, cumprindo a ordem de


Jesus inicialmente aos seus discípulos, “ide e pregai o Evangelho a toda a criatura”, (Mc
16.15). A mola mestra da Igreja neste século, desde o dia de Pentecostes é a presença
do Espírito Santo, que dá poder e forças para pregar com autoridade o Evangelho de
Jesus Cristo. De acordo como, Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, as questões
internas da Igreja na atualidade são aspectos a discutir na Igreja nestes dois mil anos?
Como resistir, com fidelidade e criatividade, às ondas de novidades, particularmente as de
origem estrangeira? É necessário discutir estas e outras questões, como o personalismo
de estrelas, caciques e “apóstolos”; o escandaloso e frequente divisionismo de
denominações e “ministérios”; a domesticação aos sistemas seculares de poder; a
“prosperidade” e a “batalha espiritual” como negação da Reforma Protestante; a Igreja
como comunidade terapêutica ou como comunidade patogênica (sectarismo,
individualismo, legalismo). Muitos são os desafios, e ainda temos as questões externas da
Igreja, que também são: a) o secularismo hedonista, com o seu consumismo e a busca
frenética de bens materiais e status;
31

b) a “religião civil”: reduzida aos ritos de passagem (batismo, casamento, enterro,


inaugurações, colações de grau) e a “moral social”, descarnada de transcendência e de
discipulado;
c) o fanatismo dos fundamentalismos e dos misticismos, expressões doentias e perigosas
da experiência religiosa.
Diante de tantos desafios e posições apresentadas, a Igreja precisa manter seu propósito
de proclamar as Boas Novas do evangelho. A Igreja precisa buscar ferramentas para
identificar as principais necessidades de onde está inserido, conhecer sua própria
realidade para assim, através da pregação da palavra provocar transformação. Hoje
falamos muito em discipulado, mas como inserir isso numa sociedade que necessita de
educação, assistência social, os direitos sociais, a discriminação racial, enfim, a muitos
fatores para levarmos essa sociedade a ser transformada. Ainda, existem os problemas
da realidade de muitos que estão à margem da sociedade. Também, outra grande tarefa
da Igreja é denunciar injustiças. A Igreja deve posicionar-se profeticamente no mundo,
denunciando todo sistema discriminatório e desumanizante. Devemos defender os
enfraquecidos da sociedade, atuar pela libertação dos cativos das dependências diversas
que aprisionam homens e mulheres nos dias de hoje, como: drogas, sexo, consumismo,
abuso. A Igreja deve ser um referencial de transformação social, defendendo aqueles que
sofrem em defesa de uma vida digna e justa. É preciso que a Igreja também levante a
bandeira da justiça e se envolva com esses movimentos de apoio, entendendo que Deus
não admite que seres humanos, criados a sua imagem e semelhança sofram abusos por
entender a dinâmica da vida social de uma maneira diferente dos poderosos. Estes
deverão sair a procura do ser humano carente, aquele que possui toda sorte de
necessidade, colaborando para que muitos que têm tão pouco descubram a bênção da
graça de Deus presente na comida, na vestimenta, nos relacionamentos, nos esporte e
lazer. Esses excluídos precisam sonhar com uma vida diferente. Precisamos tomar a
história em nossas próprias mãos e participar um dia do bem comum, propriedade hoje,
dos poucos que têm muito. A Igreja sem dúvida nenhuma é um ninho acolhedor dessas
pessoas sem esperança na cidade. Precisa-se redescobrir a missão da igreja e agir no
seio de nossas cidades com olhar, sensibilidade e acima de tudo, ação. Cada cristão é
chamado a ser um agente de transformação. Para isso, é necessário estar presentes e
32

lutando naqueles locais e horas em que a vida está sendo ameaçada pela morte. Há que
observar que a situação oportuna para anunciar a mensagem de Deus não é quando se
pergunta a alguém: Você está salvo? Mas quando alguém pergunta aos cristãos: O que
vocês estão fazendo aqui? O apóstolo Paulo em Romano capítulo 12.1-2, ele nós fala, é
por uma vida a serviço da vida. Só assim pode-se transformar a “vida”; só assim faz
sentido a metáfora de ser sal e luz para o mundo; só assim a luz de cada cristão brilhará
diante dos homens; só assim pode-se dizer como o Rev. Martim Luther King: “Não somos
o queríamos ser; não somos o que deveríamos ser; Não somos o que iremos ser; mas
graças a Deus, não somos o que éramos!”.

10. Conclusão

Bem, chegamos ao final do nosso estudo e, portanto, vários foram os assuntos


relatados, a historia do cristianismo, a igreja primitiva, as primeiras comunidades cristãs,
num contexto geral, o livro de Atos dos Apóstolos nos deu um conceito a respeito da
ressureição, ascensão de Jesus, a criação da primeira comunidade cristã, a expansão do
evangelho que tiveram como motivação um fator preponderante que foi as diversas
33

perseguições, culminando com a disporá, havia cristãos por toda a Palestina. Varias
foram as dificuldades encontradas para eles conseguiram sucesso na sua missão. Em
Atos dos Apóstolos ocorreu relacionamento, teve de fraternidade, ajuda mútua e onde se
deu o reconhecimento do homem pelo homem. A palavra de Deus ocupava o centro da
vida eclesial. A abertura de caridade e justiça em todas as direções, hoje, não cessou as
dificuldades, até acho que aumentaram. As dificuldades foram aperfeiçoadas e mudaram
a maneira de como a igreja vai superado essas barreiras. Uma questão que hoje tem
acarretado muita falta de ética por parte de nós são as imoralidades dentro e fora do
cristianismo as igrejas não estão denunciando o pecado como deveria ser anunciado. São
as injustiças sociais que mais têm afligido a igreja e tem provocado muitas feridas. O
evento, que marcou a morte de Ananias e Safira, vem corroborar na expansão do
evangelho. Essa pequena subtração, abre um caminho para uma multiplicação. O temor
Santo foi adicionando a igreja, diariamente. As sepulturas de Ananias e Safira serviram
como ponte da fundação cheia de temor da igreja primitiva. Todas estavam juntas e
persevera dia a dias no templo e nas casas (At 2-5). Quando todos estão em comunhão,
os frutos começam a gerar vida na igreja primitiva, porque ela conhecia o verdadeiro amor
e os ensinos de Jesus. Quando entendemos que ao compartilhar e perseverar em oração
em prol do bem comum ela gera vida e vida em abundância. Hoje devemos resgatar os
conceitos dos ensinos das primeiras comunidades que a muito perdermos, é necessário
que haja humildade para aprender com o Espírito Santo. O cristianismo se propagou e
saiu da esfera de Jerusalém. Graças aos helenistas. Atos dos Apóstolos nos mostra
exatamente isso: como a mensagem de Cristo sai da Palestina e chega até os confins da
terra, que naquela época era Roma. Os aspectos citados da característica da igreja
primitiva não podem ser separados, evidencia o caráter de uma comunidade cheia do
Espírito Santo. Para que essas características permaneçam nas comunidades ditas
cristãs foi importância das instruções apostólica de forma séria e contundente, além da
predisposição pela obediência ao seu ensino. A importância do amor como vínculo, a
partir da perseverança na comunhão, no amparo mútuo e no socorro aos pobres e
necessitados. Só assim, a igreja de Cristo, será de fato, de Cristo e não do ser humano. O
mundo, hoje prega um individualismo e isso tem contaminado as nossas igrejas. A
sociedade não tem visto mudança em nós ou diferença necessária, muitos dizem que é
34

melhor ficar no mundo do que está na igreja de uma forma mundana. Temos que fazer
uma pergunta, o que a Igreja hoje tem pregado? Onde há uma igreja que pregar o
verdadeiro evangelho, ela tem que causar impacto. Pois a palavra de Deus traz
transformações. A Igreja de Jesus Cristo deve ser inserida numa comunidade e tem que
fazer diferença, onde os desafios deverão ser solucionados. Além da pregação do
Evangelho, precisamos enxergar as necessidades, e apresentar as soluções. Viver o
verdadeiro evangelho, servir a sociedade prosseguir com a nossa missão. Neste período
de tantas incertezas e aparecimento de novas tendências religiosas, a Igreja tem que
fazer e provocar mudanças. Devemos fazer uma avaliação sobre a eficácia da presença
da Igreja, nessa geração atual. O que estamos fazendo para mudar todo este contexto
abordado? Portanto, como falado, devemos buscar soluções sociais e através da palavra
de Deus transformar. Isto constitui um grande desafio que deve nos impulsionar a uma
busca incessante de acertar e retomar a direção do Espírito Santo da época inicial da
Igreja. Devemos nos espelhar, no que foi no começo do século XVIII, quando um grupo de
estudantes da Universidade de Oxford, sob a liderança dos irmãos e professores John e
Carlos Wesley iniciarão. Portanto, eles não se cansaram em dedicaram e buscaram suprir
as necessidades, tanto religiosas como pessoais, mas uma vez , maiores eram seus
problemas econômicos, mas eles não só apresentou esperança e felicidade, mas
também roupas, alimentos, saúde. Esse foi o movimento metodista, principiado por John
Wesley, teve como propósito a evangelização de grupos sociais que não recebiam
atenção das igrejas reformadas. "O evangelho de Cristo não conhece religião, que não
seja religião social; Não conhece santidade, que não seja santidade social". (John
Wesley)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia de Estudo - Aplicação Pessoal. Versão Almeida revista e corrigida edição 1995.
Bíblia de Estudo - Batalha Espiritual.
Battista Mondin - Os Grandes Teólogos do Século Vinte.
CALDAS, Carlos. Fundamentos da teologia da Igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
35

CAVALCANTI, Robinson. Missão Integral da Igreja: Desafios para uma nova geração.
http://formacaoredefale.pbworks.com/w/page/11964998/Miss%C3%A3o%20e%20Transfor
ma%C3%A7%C3%A3o. Acessado em 16/08/2017.
Metodismo brasileiro e wesleyano: Reflexões históricas sobre a autonomia. S. Bernardo
Campo: Metodista, 1981.
Momentos Decisivos do Metodismo, São Bernardo do Campo, Imprensa Metodista, 1991.
Padilla, C. R. Missão Integral, São Paulo, FTL-B/Temática, 1992. Acessado em
16/08/2017.
REILY, Duncan Alexander. A influência do metodismo na reforma social na Inglaterra no
século XVIII. s.l.: Junta Geral de Ação Social da Ig. Metod., 1953.
Fundamentos doutrinários do metodismo brasileiro. São Paulo: Exodus, 1997.
Igreja metodista em 3 tempos. s.l.: COGEIME, s.d.
SANCHES, Regina Fernandes. ATLA, a Teologia da Igreja e seu crescimento integral. In:
Leitura Complementar. Joinville: Faculdade Refidim.
http://www.abiblia.org/ver.php?id=7137. Acessado em 27/07/2017.
http://www.cacp.org.br/quem-foram-os-pais-da-igreja/. Acessado: em 22/08/2017.
http://googleweblight.com/?lite_url=http://pastorcleber.blogspot.com/2009/03/o-desafio-de-
ser-lider-cristao-nos-dias.html&ei=Yf6TziYt&lc=pt-
BR&s=1&m=528&host=www.google.com.br&ts=1500458873&sig=ALNZjWnyNAdZyTLvPAi
BPJrX9fSbxQA9IA. Acessado em 19/07/17.
https://marceloberti.wordpress.com/2009/02/10/analise-de-atos-dos-apostolos/. Acessado
em 07/08/2017.
http://www.marciobatista.com.br/2015/08/missao-da-igreja.html?m=1. Acessado em
15/08/2017.
http://portal.metodista.br/pastoral/reflexoes-da-pastoral/john-wesley-e-o-movimento-
metodista. Acessado: em 19/08/2017.
http://www.sepoangol.org/biogra-p.htm. Acessado: em 22/08/2017.