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PUC- SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Aluno: Eduardo Bezerra de Souza


RA: 00144600
20 de mar. 2014.
Disciplina: A Prática Profissional do Formador: Problematização e Intervenção
Profa. Dra. Laurizete Ferragut Passos
TAREFA: Articulação entre os textos:
“Outros tempos, outras Visões” Carlos Marcelo e “Para uma formação de professores construída
dentro da profissão” Antônio Nóvoa.

NÓVOA (2009) partindo de um contexto que aponta um regresso dos professores ao centro
das preocupações educativas, procura abordar neste ensaio a necessidade de uma formação de
professores construída dentro da profissão. Segundo ele, a formação de professores passa pela
pergunta: O que é um bom professor? O autor rompe com o conceito de competência que até os
anos 90 configurava ponto nevrálgico no campo de formação de professores. Sugere então,
disposições que caracterizam o trabalho do professor nas sociedades contemporâneas e que
articulam as dimensões pessoais e profissionais na produção da identidade docente. Para o autor
cinco facetas definem o bom professor: conhecimento, cultura profissional, tacto pedagógico,
trabalho em equipe e compromisso social.
MARCELO (2012) apresenta um estudo sobre as diferentes visões do desenvolvimento
profissional. Aborda diferentes perspectivas do problema, concluindo que a tradição do
desenvolvimento profissional docente ainda se mostra distante das necessidades dos próprios
professores, dos estudantes e da escola. Propõe que os programas de formação de professores
considerem o processo de como se aprende, valorizando aspectos sociais e psicológicos que
segundo ele, definem e caracterizam a prática docente. O autor ainda elenca alguns princípios que
deveriam orientar a prática do desenvolvimento profissional.
NÓVOA (2009) e MARCELO (2012, entendem que o desenvolvimento profissional deveria
centrar-se nas aprendizagens dos alunos e no estudo de casos concretos. Para MARCELO (2012) a
análise de aprendizagem dos alunos constitui um fator importante para definir aquilo que os
docentes precisam aprender, pois fundamentam as reais necessidades de aprendizagem dos próprios
professores. Os docentes devem identificar o que necessitam aprender a partir da análise da
aprendizagem dos alunos e da resolução de problemas referentes aos seus contextos particulares.
NÓVOA (2009) também valoriza uma formação docente organizada em torno de situações
concretas que mobilizam conhecimentos teóricos, porém vai além quando afirma que a formação de
professores deve fomentar a busca de um conhecimento que extrapole a teoria e a prática, que
reflete sobre o processo educativo em todas as suas dimensões, que considera a observação, a
análise sistemática e as diferentes possibilidades de um mesmo processo. Ambos consideram como
característica do desenvolvimento profissional docente uma prática reflexiva que tem seu lugar em
contextos concretos.
MARCELO (2012) atenta para a necessidade de uma formação docente que coloque o
professor como sujeito de conhecimento, que dê importância as relações pessoais acentuando o
papel social do docente. NÓVOA (2009) propõe uma formação de professores preocupada com
uma ética profissional construída no diálogo com o outro, marcada por um princípio de
responsabilidade que favoreça a comunicação e a participação do professor como interventor no
espaço público da educação. Segundo ele o trabalho docente não se resume à transmissão de
conteúdos mas a uma transformação de saberes com vistas a modificar aspectos pessoais, sociais e
culturais. Neste contexto o ensino se dá a partir de um articulação entre as dimensões profissionais e
as dimensões pessoais. Reforça a necessidade de uma formação que valorize a pessoa-professor e o
professor-pessoa. Uma teoria que considere as particularidades, as experiências pessoais, o
autoconhecimento como elementos característicos da profissão docente.
Os referidos autores valorizam o trabalho em equipe, o exercício coletivo da profissão. Para
MARCELO (2012) o desenvolvimento docente deve ser construído em torno do trabalho diário do
professor, a partir de formas colaborativas onde todos são participantes e autores do processo. Nesta
perspectiva a escola se coloca como espaço favorável ao desenvolvimento a medida que seu
contexto contribui para o desenvolvimento das competências docentes e para a reflexão sobre a
própria prática.
NÓVOA (2009) aponta a necessidade de uma cultura docente que viabilize um conjunto de
ações coletivas que regulem a prática educativa e que vão para além das fronteiras organizacionais.
Para ele a escola é entendida como o lugar de formação dos professores, é nela que ocorre a análise
partilhada das práticas educativas, o exercício da avaliação e a reflexão sobre o trabalho docente.
Sendo a reflexão coletiva que dá sentido ao desenvolvimento profissional docente, os novos
modelos de desenvolvimento profissional deveriam implicar uma dimensão coletiva e colaborativa
de trabalho em conjunto.

Referencias:
MARCELO GARCIA, Carlos. VAILLANT, Denise. Outros tempos, Outras Visões. In: -
______. O Desenvolvimento Profissional Docente. São Paulo: 2012. 170-181.

NÓVOA, Antônio. Para uma formação de professores construída dentro da profissão.


In: ______. Professores Imagem do Futuro Presente. Lisboa: Educa, 2009. P.25-45.