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TRUNCAR PARA ENGENDRAR

Ana Magda Alencar Correia


UFPE – Universidade Federal de Pernambuco, Depto. de Expressã Gráfica.
anamagda@gmail.com

Bruno Ferreira leite


UFPE – Pós-Graduação de Educação Matemática e Tecnológica”
bruno_lf@hotmail.com

Resumo
O paulatino reducionismo do estudo da Geometria, especialmente a Proje-
tiva, tem propiciado a apresentação do conceito de dualidade entre os po-
liedros platônicos apenas como uma “curiosidade” ou, uma maneira mais
simples de aprender/decorar a quantidade de vértices e faces de cada um
deles. Se, por um lado isso ainda nos parece importante, também parece
não haver a “curiosidade” para se entender o fundamento por trás de tal
fato “curioso”. Entretanto, como princípio projetivo a dualidade nos permite
facilmente o engendramento entre pares duais. Enquanto transformação
geométrica, apenas nestes casos é possível obter um poliedro a partir de
outro. Para a obtenção dos vinte e cinco casos de transformação, pesqui-
samos as relações posicionais e métricas entre os eixos de simetria e as
esferas (insfera, meiaesfera e circunsfera), par a par, tendo em vista a
possibilidade de estabelecimento de uma lei de seção que permitisse o
engendramento entre eles, a partir de truncaduras, como sugerido por Sá
(1982) e Rangel (1982). Diante da impossibilidade de uma lei seção única,
apresentamos as particularizações necessárias para cada caso.
Palavras-chave: dualidade, engendramento, truncagem, poliedros.

Abstract
The gradual reductionism in the study of Geometry, especially the Projec-
tive, has provided the presentation of the concept of duality between Pla-
tonic polyhedra only as a "curiosity", or an easier way to memorize the
number of vertices and faces of each. If, on the one hand it still seems im-
portant, it also seems that there is not the "curiosity" to understand the rea-
son behind this also named "surprising" In fact, as the projective duality
principle easily allows us the engendering between dual pairs. As geomet-
ric transformation, only in these cases you can apply this principle. Obtain-
ing the twenty-five cases between the five Platonic polyhedra, required the
study of the relationship between the metric and positional symmetrical axis
and the spheres (Insphere, Midsphere and Circumsphere), pairwise, with a
view to the possibility of establishing a section law which allows the engen-
dering among them, from truncations, as suggested by Sá (1982) and Ran-
gel (1982). Given the impossibility of a single section law, we present the
re-sults and the necessary particularization of each case.
Key words: duality, engenedering, truncation, polyhedra.

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1 Considerações iniciais
“Os poliedros regulares engendram-se uns aos outros, seja secionando-se por planos,
seja interligando pontos definidos das arestas ou das faces, de modo que de cada um,
é sempre possível obter-se os demais” (SÁ, 1982, p. 61).
Neste sentido, engendrar, verbo transitivo, nos permite gerar, inventar, ou imaginar
possibilidades de se produzir formas a partir de outras.
Embora já conhecidos desde a antiguidade, especialmente pelas civilizações hi-
dráulicas, a exemplo dos egípcios, os poliedros regulares passaram a ser denomina-
dos como poliedros platônicos após, no século IV a.C. terem sido estudados pelo filó-
sofo grego Platão, fundador da academia de Atenas.
Sobre este tema nos interessa, sobretudo, o estudo da sua representação gráfica,
analógica ou digitalmente, através da sua fascinante propriedade de engendramento.
Como parte de um conceito maior, imprescindível para o entendimento da especial
propriedade de engendramento, presente entre os poliedros platônicos e arquimedia-
nos, inicialmente realizamos estudo sobre a transformação geométrica de simetria nos
poliedros platônicos, com o objetivo de estabelecer a quantidade e os tipos de eixos
de simetria presentes em cada um destes sólidos.

Quadro 1: Poliedros Platônicos: elementos característicos


Eixos de Simetria
Poliedro TF FV F V A
Binário Ternário Quaternário Quinário
Tetraedro 3 3 4 4 6 3 AA 4 VF - -
Hexaedro 4 3 6 8 12 6 AA 4 VV 3 FF -
Octaedro 3 4 8 6 12 6 AA 4 FF 3 VV -
Dodecaedro 5 3 12 20 30 15 AA 10 VV - 6 FF
Icosaedro 3 5 20 12 30 15 AA 10 FF - 6 VV
TF=Tipo de face regular (3=triângulo, 4=quadrado, 5=pentágono), FV=faces no vértice, F=número de
faces, V=número de vértices, A=número de arestas, Simetrias: AA= aresta-aresta, VF= vértice-face,
VV=vértice-vértice, FF= face-face.

A esse respeito, o quadro 1 apresenta elementos que descrevem, os cinco corpos


platônicos, assim como as principais características com relação aos seus eixos de
simetria, a que nos reportaremos neste texto (CORREIA e FERREIRA, 2007).
Cabe-nos agora refletir sobre o verbo engendrar. Mas, se engendrar significa, nes-te
contexto, também, secionar/truncar, o que se torna essencial é, então, estudar co-mo
e por que tal engendramento ocorre; ou seja, quais características e propriedades dos
poliedros regulares permitem a transformação de um, em cada um.

2 Revisão bibliográfica
O Dualismo, ou dualidade, entendida como uma doutrina, foi estabelecida por René
Descartes (1596-1650), na busca co-relação entre a mente e corpo, atribuindo ao "tá-
lamo", uma parte do cérebro que, por ser 'pequenino', se relacionava com algo imate-
rial e não físico. Posteriormente, Christian von Wolff (1679-1754) foi quem primeiro
utilizou o conceito em sua concepção moderna, segundo o qual "é o sistema filosófico
ou doutrina que admite, como explicação primeira do mundo e da vida, a existência de
dois princípios, de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis entre si, inconcili-
áveis, incapazes de síntese final ou de recíproca subordinação".
Entretanto, já entre fins do século XIII e meados do século XVII, período da histó-
ria da Europa denominado Renascimento, a Geometria Projetiva surgia, sendo a teoria
fundamental da perspectiva geométrica lançada por artistas, e expandindo-se através
de matemáticos franceses, motivados por Gerard Desargues (1591-1661).
De toda sorte, apenas através do trabalho de Poncelet (1788-1867), a Geometria
Projetiva ressurgiu e ganhou maior visibilidade do que a obtida no seu surgimento.
Nasce, com ele, o conceito de dualidade aplicado à Geometria, cujo termo, cremos,
relaciona-se com a busca de Descartes.

2.1 O princípio da dualidade


O primeiro estudo sistemático sobre a dualidade nos poliedros deve-se a E. C. Cata-
lan, que em um texto intitulado “Mémoire sur la théorie des polyèdres”, publicado em
1865, apresenta a lista dos duais dos poliedros arquimedianos Entretanto, é atribuída
a Isidoro de Mileto, ainda no século VI d.C, o estabelecimento da relação entre o nú-
mero de faces e o de vértices do seu dual entre os poliedros platônicos.
Certamente tais estudos nos têm levado a uma melhor compreensão dos seus
princípios de existência e facilidade para a representação, principalmente de poliedros
mais complexos. No entanto, cremos, que o paulatino reducionismo do estudo da Ge-
ometria, especialmente a Projetiva, tem propiciado a apresentação do conceito de
dualidade apenas como uma “curiosidade” ou, uma maneira mais simples de apren-
der/decorar a quantidade de vértices e faces de cada um deles.
Se, por um lado isso ainda nos parece importante, – pelo menos são trabalhados
os poliedros regulares convexos e a palavra dualidade é mencionada – parece não
haver a “curiosidade” para se entender o fundamento por trás de tal fato “curioso”.
O primeiro princípio da Geometria Projetiva é o da continuidade que, concebendo

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um elemento axiomático, – o ponto impróprio – não é passível de demonstração.
COSTA (1994) destaca, a este respeito, que a aceitação do princípio decorreu, das
vantagens que acarretou na uniformidade de várias propriedades geométricas. O autor
nos lembra que a reta euclidiana é aberta; tem dois limites completamente opostos
conforme seja percorrida nos dois sentidos opostos. Já a reta projetiva é “fechada”,
sem que a linha tenha qualquer curvatura; ou seja, os dois limites se confundem.
Admitindo-se o princípio da continuidade e, consequentemente, o ponto, a reta e o
plano impróprios, neste texto nos interessa, particularmente, a aceitação de um se-
gundo princípio, que complementa o da continuidade: o princípio da dualidade.
Segundo COSTA (1994, p. 35), de acordo com o princípio da dualidade é possível
admitir que qualquer propriedade demonstrada para uma forma (de espécie En), será
automaticamente verdadeira para qualquer outro En, das diversas seqüências, desde
que o enunciado seja adaptado ao respectivo Eo. Sob este enfoque podemos, então,
afirmar, que os teoremas demonstrados para uma figura são igualmente válidos para
figuras obtidas a partir da original mediante transformações contínuas.
O princípio da dualidade pode, então, ser entendido como um elemento de gene-
ralização. Para o autor, como enunciado, o principio é denominado como da multiplici-
dade, reservando-se o termo dualidade para as comparações entre duas formas espe-
cificas, a exemplo dos poliedros platônicos.

2.2 O princípio da dualidade e os poliedros platônicos


À luz da Geometria Projetiva, uma figura, se definida por seus vértices, gera um
poli-vértice, figura do espaço puntual. Entretanto, apenas pode ser considerado um
polie-dro, se definido como uma figura do espaço de planos (COSTA, 1994, p. 38).
De fato, via de regra, a primeira associação que fazemos com a palavra poliedro,
é que o termo tem sua origem no idioma grego: póly (vários) + hedra (faces). Assim,
poliedro refere-se aos sólidos geométricos de várias faces. Nos parece simples, deste
modo, entender um poliedro como uma figura do espaço de planos (faces) e, justa-
mente, denominar como polivértice, quando a figura for definida como da forma espa-
ço puntual, de acordo com as transformações descritas a seguir:
• O Tetraedro regular, definido por suas 4 faces triangulares, constitui-se em uma
figura do espaço de planos. Sua figura dual, no espaço pontual, será, então, defi-
nida por 4 vértices, um quadrivértice. Entretanto, estes 4 vértices, 3 a 3, apenas
determinam 4 planos. Logo, as faces do tetraedro são duais dos vértices de um
outro tetraedro e, o tetraedro é dito autodual.
• O Hexaedro regular, definido por suas 6 faces quadradas, constitui-se em uma
figura do espaço de planos. Sua figura dual, no espaço pontual, será definida por

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6 vértices, um hexavértice ou, um octaedro, se definido no espaço de planos, pe-
los 8 planos que contém os 6 vértices, 3 a 3. Logo, as faces do octaedro são duais
dos vértices do hexaedro.
• O Octaedro regular, definido por suas 8 faces triangulares, constitui-se em uma
figura do espaço de planos. Sua figura dual, no espaço pontual, será definida por
8 vértices, um octavértice, ou hexaedro, se definido no espaço de planos, pelos 6
planos que contém os oito vértices, 3 a 3. Logo, as faces do hexaedro são duais
dos vértices do octaedro.
• O Dodecaedro regular, definido por suas 12 faces pentagonais, constitui-se em
uma figura do espaço de planos. Sua figura dual, no espaço pontual, será definida
por 12 vértices, um dodecavértice ou, um icosaedro, se definido no espaço de pla-
nos, pelos 20 planos que contém os 12 vértices, 3 a 3. Logo, as faces do dodeca-
edro são duais dos vértices do icosaedro.
• O Icosaedro regular, definido por suas 20 faces triangulares, constitui-se em uma
figura do espaço de planos. Sua figura dual, no espaço pontual, será definida por
20 vértices, um icosavértice ou, um dodecaedro, se definido no espaço de planos,
pelos 12 planos que contém os 20 vértices, 3 a 3. Logo, as faces do icosaedro são
duais dos vértices do dodecaedro.
Observa-se o engendramento entre os cinco poliedros regulares e, enquanto
transformação geométrica, apenas a estes casos é possível aplicar o princípio da dua-
lidade para a obtenção de um poliedro a partir de outro (figura 1).

Figura 1: Dualidade entre os poliedros platônicos

Entretanto, de acordo com SÁ (1982, p. 61), todos os poliedros regulares, formas


cambiantes, engendram-se uns aos outros e apresenta ilustrações esquemáticas que
sugerem o engendramento entre as formas, algumas, decerto, intuitivas. É o caso dos
poliedros duais, já aqui engendrados pelo princípio da continuidade. RANGEL (1982)
demonstra algumas das posições dos planos de seção, para obter outro poliedro.
No entanto, o processo não é tão intuitivo. Por vezes pode nos levar a pensar na
sua impossibilidade, tal o grau de diferenças que aparentam ter, como, por exemplo, a
obtenção do icosaedro a partir do tetraedro. Nas seções seguintes apresentamos os
resultados do estudo realizado, truncando para engendrar os poliedros platônicos.

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3 A Truncadura
A Truncadura consiste na remoção de algumas das partes de um sólido, através da
operação de seção. A forma resultante é, então, denominada como tronco. A expres-
são tronco é comumente associada aos prismas, pirâmides, cilindros e cones e, deste
modo entendida como a porção destes corpos compreendida entre dois planos que
cortam todas as arestas ou geratrizes e se intercepta fora deles. É interessante lem-
brar que no caso do prisma e do cilindro os planos não podem ser paralelos uma vez
que, deste modo, teremos como resultado apenas novo segmento cilíndrico ou prismá-
tico. A mesma operação, quando associada a um sólido qualquer, costuma ser desig-
nada como seção, e entendida simultaneamente como processo e resultado. Lembra-
mos ainda que secionar, ou cortar, é a operação projetiva dual da operação projetar,
que transformam, projetivamente uma figura em outra.
Já para a expressão truncadura se estabelece uma relação direta com os polie-
dros, regulares e semi-regulares, uma vez que, em geral, preconiza a remoção de par-
tes de um sólido simetricamente. Além disso, a operação pode ser executada sobre os
vértices ou sobre as arestas do sólido.

3.1 Truncar para engendrar


Inicialmente buscamos encontrar similaridades e diferenças entre os poliedros platôni-
cos, pensando em assim compreender como o engendramento pode ocorrer. Para tal,
consideramos um poliedro como de origem e outro, a ser obtido, resultante das trun-
caduras, centrados em um mesmo ponto.

Figura 2: Insfera

Figura 3: Meiaesfera

Figura 4: Circunsfera
Com relação à posição observamos a coincidência dos eixos de simetria entre
eles, tendo em vista a definição da escala do segundo em relação ao primeiro. Pes-

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quisamos, a seguir, o que denominamos como esfera central (figuras 2, 3 e 4) –
insfera, meiasfera ou circunsfera- comum aos dois poliedros, de acordo com os seus
eixos coincidentes (FF, AA ou VV).

Figura 5: Esfera central: Hexaedro para Octaedro

Para a determinação da existência e tipo da esfera central (figura 5), os poliedros


foram posicionados buscando-se a coincidência entre eixos de simetria corresponden-
tes. A mudança da escala foi feita de modo que o sólido resultante ficasse inscrito no
de origem e, que a insfera, meiasfera ou circunsfera de um deles, coincidisse com a
insfera, meiasfera ou circunsfera do outro.
Ao definir os eixos de simetria e a esfera central como características determi-
nantes do processo, buscamos a definição de uma Lei de Seção para cada caso,
buscando a possibilidade de sua generalização. Nesta situação, consideramos:

Quadro 2: Características para a truncagem


Eixos de simetria Esfera central
Quais eixos de simetria do poliedro de Se a insfera, circunsfera, ou meiasfera do polie-
origem coincidem com os eixos de sime- dro de origem coincide com alguma insfera,
tria do poliedro resultante do truncamento circunsfera, ou meiaesfera do poliedro resultan-
te.
Lei de seção: Que elemento é cortado (V, A ou F) e qual a posição do plano de seção.

4 Casos de estudo
Uma vez que existem cinco, e apenas cinco, poliedros regulares convexos, a quanti-
dade de transformações possíveis entre eles é vinte e cinco.
Por atenderem a características específicas, as transformações realizadas foram
agrupadas entre poliedros duais e poliedros não duais. A seguir, serão demonstrados
cada caso, segundo as características dos seus eixos de simetria, esfera central e,
o estabelecimento da Lei de Seção.

4.1 Poliedros duais


Entre os poliedros duais ocorrem cinco dos 25 casos possíveis [(1), (2), (3), (4) e, (5)].
A figura 6 ilustra a posição do plano de truncagem no caso dos poliedros duais e o
quadro 2, descreve as características das transformações.

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Figura 6: Planos de truncarem nos poliedros duais

Quadro 3: Características para a truncagem (poliedros duais)


Eixos de simetria Esfera central
Todos os eixos de simetria do poliedro A insfera do poliedro original será a circunsfera do
de origem coincidem com os de mesma poliedro truncado, já que os centros das faces do
ordem do poliedro truncado. primeiro coincidem com os vértices do segundo.
Lei de seção: Cada plano de seção trunca o vértice e é determinado pelos centos das faces
que formam um ângulo sólido. O centro de cada face do poliedro de origem corresponde a um
vértice do poliedro truncado. O plano de seção sempre será perpendicular ao eixo de simetria
VV ou VF, no caso do tetraedro.

A tabela 1 apresenta as características para a truncagem entre os poliedros duais.


Tabela 1: Poliedros duais (Características da truncagem)
Eixos de Relação Plano de Truncagem
Engendramento Esferas
Simetria F/V/A Trunca Passa por Quant.
(1)Tetra-Tetra 4
(2)Hexa-Octa Centros das 8
Todos
(3)Octa-Hexa Ins≡Cir F⊂V V faces de um 6
(≡)
(4)Dodeca-Icosa ângulo sólido. 20
(5)Icosa-Dodeca 12

4.2 Poliedros não duais


São vinte os casos possíveis entre os poliedros não duais. Entretanto, observamos
neste grupo poliedros com características distintas em relação aos eixos de simetria.
Todos os poliedros regulares convexos possuem eixos de simetria binária e ternária. O
tetraedro possui apenas estes dois tipos, sendo AA (binário) e VF (ternário). Os de-
mais possuem ainda ou eixos quaternários ou quinários, que lhes conferirá a ordem,
de maior grau. Do exposto, estabelecemos quatro subgrupos, para melhor observar as
características do engendramento: (I) Poliedros com eixo de simetria de mesma or-
dem; (II) Poliedros com eixo de simetria de ordem quaternária e quinária; (III) O tetrae-
dro e os poliedros com eixo de simetria de ordem quaternária e, (IV) O tetraedro e os
poliedros com eixo de simetria de ordem quinária.

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4.2.1 Poliedros com eixo de simetria de mesma ordem

Figura 7: Planos de truncagem nos poliedros não duais, com eixo de simetria de mesma ordem

Entre os não-duais, os pares de poliedros que possuem mesma ordem de simetria


é formado por dois poliedros do mesmo tipo [(6) ,(7); (8), e, (9)]. Como a natureza do
poliedro truncado é a mesma do poliedro de origem, todas as suas propriedades serão
preservadas e, o número de faces, vértices e arestas será o mesmo. Os poliedros
mantêm relação de homotetia direta. O quadro 3 apresenta as características gerais
do grupo e a tabela 2, as especificidades das truncagens realizadas.
Quadro 4: Características: poliedros não duais (eixo de simetria de mesma ordem)
Eixos de simetria Esfera central
Todos os eixos de simetria do poliedro Todas as esferas centrais do sólido truncado terão
de origem coincidem com os do polie- escala menor que a esfera central correspondente do
dro resultante, por se tratar de sólidos poliedro de origem, podendo sua insfera coincidir com
de mesma natureza. a circunsfera ou meiasfera do sólido resultante.
Lei de seção: Como cada face do poliedro de origem corresponde a uma face semelhante do
poliedro truncado, cada plano de seção corta o sólido paralelamente às faces e, para cada caso,
são realizadas tantas seções quantas sejam as faces do poliedro.

Tabela2: Poliedros com eixo de simetria de mesma ordem (características da truncagem)

Eixos de Relação Plano de Truncagem


Simetria Esferas F/V/A Corta Passa Quant.
(6)Hexa-Hexa 6
(7)Octa-Octa Todos Não existem Paralelo a 8
(8)Dodeca- (≡) particularidades Homotéticos Face face 12
Dodeca
(9)Icosa-Icosa 20

4.2.2 Poliedros de eixo de simetria de ordem quaternária e quinária


Dois poliedros platônicos possuem eixos quaternários e dois possuem eixos quinários,
o que corresponde a oito transformações [(10), (11), (12), (13), (14), (15), (16) e, (17)].
O quadro 3 apresenta as características dos eixos de simetria e da esfera central
para este grupo, e a lei de seção será, a seguir, descrita para cada caso, uma vez que
o plano de seção não é, necessariamente, perpendicular a algum eixo de simetria e,
deste modo, cada caso requer uma lei de seção específica.
Quadro 5: Características: poliedros não duais
Eixos de simetria Esfera central

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Os três eixos de simetria de ordem quaterná- Nas transformações entre poliedros com ei-
ria do hexaedro, assim como os do octaedro, xos de simetria de menor ordem para os de
são perpendiculares entre si. Dentre os eixos maior ordem, as insferas do poliedro de ori-
de simetria dos poliedros de ordem quinária gem coincidem no poliedro resultante: com a
(binários, ternários e quinários), apenas a insfera, se os eixos coincidentes forem do
simetria binária apresenta tríades com a tipo FF; circunsfera, se forem do tipo VV e,
mesma característica. Inscrevendo um polie- meiaesfera,se for do tipo AA.
dro de ordem quaternária em um de ordem Nas transformações entre poliedros de sime-
quinária, de modo que os eixos quaternários tria de maior para os de menor ordem, as
do primeiro coincidam com uma das tríades circunsferas dos poliedros resultantes coinci-
de eixos binários do segundo, os quatro eixos dirão nos poliedros de origem com: a circuns-
ternários do primeiro coincidem com quatro fera, se os eixos coincidentes forem do tipo
dos dez eixos ternários do segundo. VV; insfera, se forem do tipo FF; e meiasfera,
se forem do tipo AA.

• Leis de seção
• Hexaedro para Dodecaedro (10):
O número de arestas do hexaedro é o mesmo que o de faces do dodecaedro e, cada
aresta truncada no hexaedro produz uma face do dodecaedro. O eixo binário do dode-
caedro é do tipo AA e o eixo quaternário do hexaedro do tipo FF; assim, seis arestas
do dodecaedro pertencem às seis faces do hexaedro. Os pontos médios das arestas
coincidem com os centros das faces, uma vez que a meiaesfera do dodecaedro coin-
cide com a insfera do hexaedro (figura 8). Os 12 planos de truncagem, paralelos às
arestas do hexaedro, são definidos na seção de cada ângulo diédrico do hexaedro, por
duas retas. A primeira passa pelo centro de uma das faces, paralela à aresta e, a se-
gunda, forma com a outra face, um ângulo medindo o complemento da metade do
ângulo diédrico do dodecaedro (fig. 8).

Figura 8: Hexaedro para dodecaedro

• Hexaedro para Icosaedro (11):


A soma do número de arestas com o número de vértices do hexaedro é igual ao nú-
mero de faces do icosaedro; logo, na truncagem, cada vértice e aresta do hexaedro
produzem uma face do icosaedro. São necessários dois tipos de seção. No primeiro, o
plano é o mesmo da transformação do hexaedro para dodecaedro, mudando apenas a
medida do complemento da metade do ângulo diédrico do dodecaedro para a do ico-
saedro. Como resultado desta truncagem obtemos um dodecaedro irregular.

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Figura 9: Hexaedro para Icosaedro

No segundo tipo, o plano trunca o vértice do dodecaedro irregular, perpendicular-


mente ao eixo ternário do hexaedro, e passa por três vértices pertencentes às arestas
que determinam o ângulo sólido do dodecaedro. São necessários 20 planos de seção,
sendo 12 do primeiro tipo (arestas) e 8 do segundo tipo (vértices) (figura 9).

• Octaedro para Dodecaedro (12):

Figura 10: Octaedro para Dodecaedro

A exemplo do hexaedro, o octaedro possui número de arestas igual ao número de


faces do dodecaedro. Cada aresta produz uma face do dodecaedro. O centro de cada
face do octaedro define 8 vértices do dodecaedro, já que a insfera do octaedro coinci-
de com a circunsfera do dodecaedro. Cada um dos 12 planos de seção trunca a aresta
do octaedro passando pelos centros de duas faces adjacentes e formando com seu
eixo quaternário, a metade da medida do ângulo diédrico do dodecaedro (figura 10).
• Octaedro para Icosaedro (13):
Os eixos ternários do octaedro e do icosaedro são do tipo FF. Na transformação, 8
faces do icosaedro pertencem às faces do octaedro, tendo seus centros coincidentes.
Como o número de arestas do octaedro é igual ao número de vértices do icosaedro,
cada vértice pertencerá a uma aresta do primeiro. Dois planos de seção truncam cada
vértice, paralelos a um eixo quaternário do octaedro que não seja o vértice truncado,
formando um ângulo, cuja medida é igual ao ângulo diédrico do icosaedro (figura 11),
sendo 12 a quantidade de seções necessárias. Entretanto, tais características do pla-
no são insuficientes para determinar a lei de seção, visto não termos, ainda, identifica-
do um dado métrico que restrinja a posição do plano. Para a obtenção do engendra-
mento, como na figura 12, escalamos o icosaedro em relação ao octaedro, de modo
que, os centros das 8 faces do icosaedro, que definem os três eixos ternários coinci-

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dentes nos dois poliedros, incidissem nos centros das faces do octaedro.

Figura 11: Octaedro para Icosaedro

• Dodecaedro para Hexaedro (14):


Na truncagem, cinco arestas do dodecaedro devem corresponder a uma face do he-
xaedro. Este fato é reforçado pela justaposição dos eixos quaternários do hexaedro
aos três eixos binários do dodecaedro. Cada um dos 6 planos de seção trunca uma
aresta perpendicularmente a um eixo binário do dodecaedro e contém a diagonal do
pentágono paralela à esta aresta (figura 12).

Figura 12: Dodecaedro para Hexaedro

• Icosaedro para Hexaedro (15):


Considerando a dualidade entre vértice e face, mantém-se as observações da truca-
gem anterior. Assim, os vértices do hexaedro coincidem com os centros das oito faces
por onde passam as tríades de eixos ternários. Cada um dos 6 planos de seção trunca
uma aresta perpendicularmente a um eixo binário do icosaedro e passa pelos centros
das faces que correspondem aos eixos de simetria ternária coincidentes.

Figura 13: Icosaedro para Hexaedro

• Dodecaedro para Octaedro (16):

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Figura 14: Dodecaedro para Octaedro

Na transformação, os vértices do octaedro coincidem com os pontos médios das ares-


tas do dodecaedro por onde passam os eixos justapostos. Cada um dos 8 planos de
seção trunca um vértice perpendicularmente a um dos eixos ternários coincidentes do
dodecaedro, e contém o ponto médio de uma das arestas por onde passa um dos ei-
xos das tríades binárias (figura 14).
• Icosaedro para Octaedro (17):
Apenas observando o princípio da dualidade, o mesmo tipo de transformação ocorre
neste caso, tendo, como elemento truncado, a face ao invés do vértice. Cada um dos
oito planos de seção trunca uma face perpendicularmente a um dos eixos ternários
coincidentes, do icosaedro, e contém o ponto médio de uma das arestas por onde
passa um dos eixos das tríades binárias (figura 15).

Figura 15: Icosaedro para Octaedro

A tabela 3 apresenta o resumo com todas as características no engendramento


entre os poliedros de ordem quaternária e quinária.
Tabela 3: Poliedros de ordem quaternária e quinária (características da truncagem)

Eixos de Relação Plano de Truncagem


Engendramento Esferas
Simetria F/V/A Corta Passa por Quant.
(10)Hexa-Dodeca A Centro de face 12
F ⊂ 6A (1)Centro de face
Ins≡Meia 1°- A
(11)Hexa-Icosa (2)Vértices do 20
Qua≡Bi 2°- V
Dodeca irregular.
Ter≡4Ter
(12)Octa-Dodeca Ins≡Cir F ⊂ 8V A Centros de faces 12
F ⊂ 8F Paralelo a eixo 12
(13)Octa-Icosa Ins≡Ins 2x V
A⊂V quaternário
8V≡V 6
(14)Dodeca-Hexa Cir≡Cir Vértices
F⊂A A
(15)Icosa-Hexa Bi≡Qua 8F ⊂ V Centros de faces 6
Ins≡Cir
4Ter≡Ter
(16)Dodeca-Octa V Pontos médios de 8
Meia≡Cir 6A ⊂ V
(17)Icosa-Octa F arestas 8

136
4.3 O tetraedro e os poliedros de eixo quaternário
Quatro transformações são possíveis, uma vez que são apenas dois os poliedros pla-
tônicos de eixo quaternário [(18), (19), (20) e, (21)]. O quadro 4 apresenta as caracte-
rísticas dos eixos de simetria e da esfera central para este grupo.
Quadro 6: Características: o tetraedro e os poliedros de eixo quaternário
Eixos de simetria Esfera central
Os eixos binários do tetraedro O número de faces do tetraedro é igual ao número de vérti-
coincidem com os quaternários ces ou de faces do poliedro de ordem quatro. A insfera do
do hexaedro e do octaedro; tam- tetraedro será a circunsfera do truncado quando o número
bém são coincidentes os eixos de faces for igual ao número de vértices, meiaesfera igual
ternários de ambos coincidem. ao número de arestas, e insfera, igual ao número de vérti-
ces.

• Leis de seção
• Hexaedro para Tetraedro (18):
Os eixos quaternários do hexaedro são do tipo FF; os binários do tetraedro são do tipo
AA e os eixos ternários dos dois são do tipo VV. As arestas do tetraedro devem coin-
cidir com as diagonais das faces do hexaedro, na transformação. Como o hexaedro
possui o dobro de vértices do tetraedro, 4 dos seus vértices coincidem com os vértices
do tetraedro. Neste caso, 4 planos truncam 4 vértices não adjacentes do hexaedro,
perpendicularmente ao seu eixo ternário, passando pelos centros das faces que de-
terminam o ângulo sólido (figura 16).

Figura 16: Hexaedro para Tetraedro

• Octaedro para tetraedro (19):


O número de faces do octaedro é o dobro do número de faces e de vértices do tetrae-
dro e seus eixos ternários são coincidentes. Na transformação, cada vértice do tetrae-
dro pertence a uma face do octaedro, no seu centro, definindo, 3 a 3, 4 planos de se-
ção, paralelos a quatro faces distintas do octaedro (figura 17).

Figura 17: Octaedro para Tetraedro

137
• Tetraedro para Octaedro (20):

Figura 18: Tetraedro para Octaedro

Cada vértice do octaedro coincide com os pontos médios das arestas do tetraedro e,
cada face do octaedro corresponde a uma face ou a um vértice do tetraedro. Deste
modo, cada um dos 4 planos de seção trunca um vértice do tetraedro passando pelos
pontos médios das arestas do ângulo sólido (figura 18).
• Tetraedro para hexaedro (21):
Essa transformação terá as mesmas características da anterior, mantendo-se o princí-
pio da dualidade no espaço. Como os eixos binários do tetraedro (AA) coincidem com
os quaternários do hexaedro (FF), teremos que de cada aresta obter uma face. Logo,
cada um dos 6 planos de seção trunca uma aresta do tetraedro perpendicularmente ao
seu eixo binário, passando pelos centros das faces adjacentes à aresta (figura 19).
A tabela 4 apresenta o resumo das características no engendramento entre o tetraedro
e os poliedros de ordem quaternária.

Figura 19: Tetraedro para Hexaedro

Tabela 1: O tetraedro e os poliedros de eixo quaternário (características da truncagem)

Eixos de Relação Plano de Truncagem


Engendramento Esferas
Simetria F/V/A Corta Passa por Quant.
Ins ≡ Ins F⊂A 4
(18)Hexa-Tetra Ter ≡ Ter V 3 V do Hexa
Cir ≡ Cir V≡V
Qua ≡ Bi
(19)Octa-Tetra Ins ≡ Cir 4F ⊂ V F Centro de faces 4
Ins ≡ Ins F ⊂ 4F Pontos médios de 4
(20)Tetra-Octa Ter ≡ Ter V
Meia ≡ Cir A⊂V arestas
Bi ≡ Qua
(21)Tetra-Hexa Ins ≡ Cir F ⊂ 4F A //A, centro de faces 6

4.4 O tetraedro e os poliedros de eixo quinário


Também neste caso, são quatro as possíveis transformações, uma vez que apenas
dois dos poliedros platônicos possuem simetria quinária [(22), (23), (24) e, (25)].

138
Quadro 7: Características: o tetraedro e os poliedros de eixo quaternário
Eixos de simetria Esfera central
O número de arestas do tetraedro é múltiplo Na transformação do tetraedro para poliedros
do número de arestas dos poliedros de or- de ordem quinária, as insferas coincidem com
dem quinária, os eixos binários do tetraedro insferas ou circunsferas, uma vez que os
coincidem com 3 dos 15 eixos binários dos eixos ternários do tetraedro são VF, e FF ou
de ordem quinária. Como o número de faces VV, nos poliedros de ordem quinária. Nas
e vértice do tetraedro é múltiplo do número inversas, a circunsfera do poliedro obtido
de vértices do dodecaedro e número de faces coincide com a insfera ou circunsfera do poli-
do icosaedro, os eixos ternários do tetraedro edro original, uma vez que os eixos ternários
coincidem com 4 dos 10 eixos ternários dos do tetraedro são VF, e nos de ordem quinária
de ordem quinária. são FF ou VV.

• Leis de seção
• Tetraedro para Dodecaedro (22):
Como o eixo ternário do tetraedro é do tipo VF e o do dodecaedro do tipo VV (eixos
coincidentes), quatro dos vértices do dodecaedro coincidem com os centros das faces
do tetraedro e, outros quatro pertencem aos eixos ternários coincidentes. Cada vértice
do tetraedro é truncado simultaneamente por três planos que passam, cada um, pelo
centro de uma face do tetraedro e formam um ângulo triédrico igual ao ângulo sólido
do dodecaedro (figura 20). Doze planos são necessários nesta truncagem.

Figura 20: Tetraedro para Dodecaedro

• Tetraedro para Icosaedro (23):


Essa transformação terá as mesmas características da anterior, mantendo-se o princí-
pio da dualidade no espaço. O eixo ternário do tetraedro é do tipo VF e o do icosaedro
do tipo FF, quatro das faces do icosaedro pertencem às faces do tetraedro, com cen-
tros coincidentes. Os centros de outras quatro faces pertencem aos eixos ternários
coincidentes. Cada vértice do tetraedro é truncado simultaneamente por três planos
que passam, cada um, pelo centro de uma face do tetraedro e formam com o seu eixo
ternário, um ângulo cuja medida é igual ao ângulo diédrico do dodecaedro, menos 90o.
Neste processo, obtemos um hexadecaedro irregular. Para engendrar o icosaedro
regular truncamos os vértices do hexadecaedro por onde passam os eixos ternários do
tetraedro, por planos perpendiculares a eles, e que passam por três vértices perten-
centes às arestas que determinam o ângulo sólido do hexadecaedro. Dezesseis pla-
nos de seção são necessários nesta truncagem (figura 21).

139
Figura 21: Tetraedro para Icosaedro

• Dodecaedro para tetraedro (24)


Como os dois poliedros possuem eixos ternários coincidentes, os vértices do tetraedro
coincidem com vértices do dodecaedro e cada um dos 4 planos de seção trunca um
vértice do dodecaedro, passando por três vértices que pertencem a uma tríade de ei-
xos ternários (figura 22).

Figura 22: Dodecaedro para Tetraedro

• Icosaedro para Tetraedro (25):

Figura 23: Icosaedro para Tetraedro

Essa transformação terá as mesmas características da anterior, mantendo-se o princí-


pio da dualidade no espaço. Deste modo, cada um dos 4 planos de seção trunca uma
face, ao invés de um vértice, e é definido pelos centros das faces por onde passam os
eixos ternários coincidentes do icosaedro (figura 23).
A tabela 5 apresenta o resumo com todas as características no engendramento
entre o tetraedro e os poliedros de ordem quinária.

Tabela 5: O tetraedro e os poliedros de ordem quinária (características da truncagem)

Eixos de Relação Plano de Truncagem


Engendramento Esferas
Simetria F/V/A Corta Passa por Quant.
(22)Tetra-Dodeca Ter≡4Ter Ins≡Cir F ⊂ 4V V Centros de faces 12

140
Bi≡3Bi (1) A (1) V ; (2) V do 16
(23)Tetra-Icosa Ins≡Ins F ⊂ 4F
(2) V hexadecadero
(24)Dodeca-Tetra 4Ter≡Ter Cir≡Cir V≡V V Vértices 4
(25)Icosa-Tetra 3Bi≡Bi Ins≡Cir 4F ⊂ V F // F; centro de face 4

5. Considerações finais
O estudo realizado nos permitiu analisar as características de cada transformação
entre pares de poliedros platônicos, tendo em vista a possibilidade de estabelecimento
de uma lei de seção. Na sua impossibilidade, apresentamos os resultados obtidos e as
particularizações necessárias para cada caso com relação às características que defi-
nimos para balizar a pesquisa: eixos de simetria e esfera central.
Com relação aos eixos de simetria:
a. Nas transformações entre poliedros duais e poliedros com eixo de simetria de
mesma ordem, todos os eixos de mesma simetria são coincidentes;
b. Em qualquer transformação 4 eixos ternários de um poliedro são coincidentes com
os mesmos eixos no outro poliedros;
c. Nas transformações entre poliedros de simetria quaternária e qualquer dos outros
poliedros regulares convexos, os eixos quaternários são coincidentes com uma trí-
ade de eixos binários, perpendiculares entre si, do outro poliedro;
d. Em nenhuma das transformações os eixos de simetria quinária são coincidentes
com outros eixos de simetria.
Com relação à esfera central, todas as considerações que seguem não são válidas
para as truncagens entre sólidos de mesma natureza:
a. Nas transformações em que o sólido de origem é o tetraedro, hexaedro ou octae-
dro, será a insfera a coincidir com a esfera central do sólido resultante;
b. Nas transformações entre poliedros de simetria quinária para qualquer outro poli-
edro a esfera central do poliedro resultante será a circunsfera;
c. Nas transformações entre o tetraedro e os poliedros de simetria quaternária para
outro poliedro regular convexo, será a insfera a coincidir com a esfera central do
poliedro resultante;
d. Nas transformações entre poliedros regulares convexos para o tetraedro ou hexa-
edro, a esfera central do poliedro resultante será a circunsfera;
e. A meiasfera só aparece nas transformações entre poliedros de simetria quinária
para octaedro e entre o hexaedro para o tetraedro e poliedros de simetria quinária
Para a definição das leis de seção percebemos, nas transformações, diferentes tipos
de truncagens, que classificamos quanto ao elemento truncado; quais sejam:
I. Truncagem de Vértice: o plano de seção remove o vértice de um ângulo sólido,
cortando suas arestas, perpendicular (a) ou obliquamente (b), em relação ao eixo
de simetria VV.

141
a) Ocorre nos casos (1), (2), (3), (4), (5), (11), (18), (20), (22), (23) e (24).
b) Ocorre nos casos (13) e (23).
II. Truncagem de Face: o plano de seção remove uma face do poliedro, cortando a-
restas dos ângulos poliédricos que possuem vértices nesta face. Nos casos estu-
dados encontramos apenas seções perpendiculares(a) ao eixo de simetria.
a) Ocorre nos casos (1), (6), (7), (8), (9), (17), (19) e (25).
III. Truncagem de Aresta: o plano de seção remove uma aresta do poliedro, cortando
arestas de dois ângulos poliédricos que possuem vértices nesta aresta, perpendi-
cular (a) ou obliquamente em relação ao eixo de simetria que passa no seu ponto
médio. Sendo obliquo em relação ao eixo, o plano pode ser paralelo (b) ou obliquo
(c) à aresta truncada:
a) Ocorre nos casos(21), (14), (15);
b) Ocorre no caso (12);
c) Ocorre nos casos (10) e (11).
Finalmente, consideramos que o engendramento entre os poliedros platônicos, a-
través de truncaduras possibilita, através da propriedade de simetria, maior facilidade
de sua representação e, conseqüentemente, melhor utilização nas suas aplicações.
Além disso, acreditamos que as características apontadas podem levar a outros estu-
dos sobre o tema, inclusive buscando a simplificação do processo e sua utilização
para o engendramento dos poliedros semi-regulares.

Referências
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lidade Simétrica. In: Graphica, 2007, Curitiba: Departamento de Desenho - UFPR,
2007. v. 1.

COSTA, Mario Duarte, COSTA, Alcy P. de A. V. Geometria gráfica tridimensional.


v3. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 1996.

História da geometria. Disponível em: <http://www.apm.pt/apm/amm/paginas/


231_249.pdf>. Acessado em: 20 fevereiro 2006.

MARMOL, L. Sanchez; BEATO, M. Perez. Geometría métrica proyectiva y sistemas


de representación. 2 ed. Tomo 2. Madrid: SAETA, 1947.1413 p.

RANGEL, Alcyr Pinheiro. Poliedros. Rio de Janeiro: LTC, 1982. 71 p.

SÁ, Ricardo. Edros. São Paulo: Projeto Editores Associados, 1982. 121 p.

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