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TREINAMENTO FÍSICO

PARA GRUPOS ESPECIAIS

Autoria: Dr. Antonio José Müller


Dr. Clóvis Arlindo de Souza

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Ivan Tesck

Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz
Prof.ª Tathyane Lucas Simão
Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa
Prof. Ivan Tesck

Revisão de Conteúdo: Márcio Moisés Selhorst


Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2017
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

371.9
M958t Muller, Antônio José
Treinamento físico para grupos especiais / Antônio José
Muller; Clóvis Arlindo de Souza. Indaial : UNIASSELVI,
2017.

160 p. : il.

ISBN 978-85-69910-47-3

1. Educação Especial.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
Dr. Antonio José Müller

Professor de Pós-graduação do Mestrado


em Educação e na Graduação e de nas áreas
da Educação Física e Educação. Experiência
como jogador e treinador de voleibol no Brasil,
EUA e Arábia Saudita. Doutor em Educação pela
University of Texas at El Paso, Especialista em
Treinamento Desportivo - Voleibol pela UNIG
(Universidade de Nova Iguaçu - RJ) e graduado
em Educação Física pela FURB (Universidade
Regional de Blumenau).

Dr. Clóvis Arlindo de Souza

Possui Mestrado e Doutorado em Saúde


Pública, área de concentração em Epidemiologia,
pela Faculdade de Saúde Pública da USP,
Residência Multiprofissional em Saúde da Família pela
Universidade Regional de Blumenau (FURB) e Graduação
em Educação Física pela FURB. Atualmente é Professor
do departamento de Educação Física e de Medicina da
Universidade de Blumenau (FURB), do Programa de Pós-
Graduação Stricto Sensu em Saúde Coletiva da FURB, e
Professor convidado dos Cursos de Pós-Graduação da
Universidade Estácio e das Faculdades Metropolitanas
Unidas (FMU) de São Paulo. Já ministrou mais de 200
disciplinas em cursos de Pós-Graduação em nível de
Especialização em diversas cidades do Brasil. Tem
experiência na área de Saúde Coletiva com ênfase em
Epidemiologia, Educação Física e Atividade Física e
Saúde. Atuando principalmente nos seguintes temas:
Epidemiologia da Atividade Física; Exercício Físico
para Grupos Especiais; e Doenças Respiratórias
Crônicas, Asma, DPOC.
Link para acessar o Currículo Lattes: http://
lattes.cnpq.br/0770773072266705
Sumário

APRESENTAÇÃO.......................................................................5

CAPÍTULO 1
Adaptações Agudas e Crônicas ao Exercício......................9

CAPÍTULO 2
Adaptações da Criança e do Adolescente
ao Exercício Físico.................................................................45

CAPÍTULO 3
Treinamento e Atividades para Adultos
em Condições de Risco..........................................................85

CAPÍTULO 4
Prescrição de Exercício para Pessoas com
Doenças Cardiovasculares, Respiratórias
e Metabólicas........................................................................ 111
APRESENTAÇÃO
Neste caderno de Treinamento Físico para Grupos Especiais, você encontrará
o que existe de mais atual para prescrição e acompanhamento de um programa de
exercícios para pessoas em situações especiais, tais como crianças e adolescentes,
idosos, grávidas, doentes cardiovasculares, respiratórios e metabólicos.

Ao final, você estará apto a prescrever programas de exercícios físicos e


acompanhar estas pessoas, pois conhecerá as principais doenças ou condições, sua
fisiopatologia, os fatores de risco, os benefícios e os potenciais malefícios da prática
do treinamento físico mal realizado.

O primeiro capítulo apresenta definições sobre a importância do exercício e a


sua relação com a saúde e qualidade de vida. Também define grupos especiais, suas
particularidades e características. Descreve ainda, aspectos fisiológicos do exercício
aeróbico, anaeróbico e resistido e as suas relações com as adaptações agudas e
crônicas do organismo. Definições essenciais para o conhecimento de todos que
desejam trabalhar com populações especiais.

No Capítulo 2, você estudará as adaptações da criança e do adolescente


em relação ao exercício físico. Com as principais modificações no processo de
crescimento, desenvolvimento e maturação e seus impactos sobre componentes de
desempenho e saúde. Aqui você conhecerá também as características e cuidados
em relação aos exercícios para crianças e adolescentes e os tipos e princípios dos
exercícios e atividades físicas neste grupo.

O Capítulo 3 apresenta as características típicas dos adultos idosos e das


grávidas. Para cada um destes grupos, contextualizaremos as principais caraterísticas
fisiológicas e as considerações especiais que interferem no exercício e ainda as
sugestões de prescrição ideal para cada um dos grupos.

Para encerrar, o Capítulo 4 descreve a prescrição de exercício para pessoas com


doenças cardiovasculares, respiratórias e metabólicas. Definindo e caracterizando
essas doenças, seus fatores de risco, e ainda, como avaliar e prescrever programas
de exercícios físicos para pessoas nestas condições.

Esperamos que com este caderno de estudos você esteja apto a desenvolver as
principais condutas profissionais para melhor acompanhamento da prática regular de
exercícios físicos em populações especiais.

Bons estudos!
C APÍTULO 1
Adaptações Agudas e Crônicas
ao Exercício

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Esclarecer sobre os princípios fisiológicos das adaptações agudas e crônicas


relacionadas com o exercício físico.

 Interpretar os princípios das adaptações agudas e crônicas, relacionadas ao


exercício para grupos especiais.
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

ContextualiZação
O exercício regular é necessário para o crescimento e desenvolvimento das
crianças e dos adolescentes e é importante para a diminuição dos riscos de várias
doenças crônicas na vida adulta. Assim, é imprescindível que nós, da educação
física, sejamos capazes de prescrever exercícios tanto para a manutenção da
saúde como na prevenção e recuperação de doenças específicas para grupos de
pessoas consideradas especiais, como idosos ou doentes cardíacos.

Este capítulo discute alguns termos relacionados ao exercício, atividade


física e saúde. Além da importância do exercício e qualidade de vida para todas
as pessoas, descreve aspectos fisiológicos do exercício aeróbico, anaeróbico e
resistido e as suas relações com as adaptações agudas e crônicas do organismo.
Também define grupos especiais, suas particularidades e características.

SaÚde e Qualidade de Vida


A Organização Mundial da Saúde (OMS) é o órgão universal que se
preocupa com a saúde da população mundial. A principal intenção da OMS é criar
estratégias de atenção primária às pessoas em relação à saúde para promover
não apenas a saúde, mas também a dignidade humana e melhoria da qualidade
de vida.

A própria OMS (2000, s.p.) descreve que qualidade de vida é “a percepção


que um indivíduo tem sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos
sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus
objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Em relação à definição de
saúde, tradicionalmente a OMS descreve que saúde não apenas é a ausência
de doenças ou enfermidades, mas principalmente, como um estado de completo
bem-estar físico, social e psicológico (2000).

As definições da OMS não apresentam o assunto que estamos estudando


neste caderno, o exercício. Porém, saúde e qualidade de vida podem ser
melhoradas com a inclusão de exercícios regulares para praticamente todas
as pessoas de qualquer credo, raça, idade, sexo, cultura, ou padrão social ou
econômico.

Além do exercício, devemos entender que a condição física das pessoas


se confundem com os termos utilizados para o desempenho esportivo em alto
rendimento e que fazem parte da construção histórica e cultural da humanidade.

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

A atividade física, exercício, esporte e desempenho atlético são partes integrantes


das tantas sociedades e culturas ao redor do mundo.
Para o nosso propósito tanto acadêmico quanto profissional para a atuação
na educação física, devemos investigar e conhecer o papel e a importância do
exercício para que as pessoas se tornem fisicamente ativas e participem do
exercício regular para promover a boa saúde, diminuindo o risco de morbidade
e mortalidade, uma vez que as taxas de morbidade e mortalidade por doenças
relacionadas com o estilo de vida estão em um ponto mais alto em vários países.

Sedentarismo
Cerca de 60 a 85% da população mundial não realiza atividade física
suficiente. Este fator está relacionado ao sedentarismo e que é considerado
o quarto maior fator de mortalidade no mundo, sendo que 6% das mortes são
atribuídas ao sedentarismo. As principais causas são hipertensão (15%),
tabagismo (9%) e diabetes (6%). Além disso, o sedentarismo é a principal causa
de até 25% dos casos de câncer de mama e cólon, 27% de diabetes e 30% dos
problemas no coração segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010).

Quadro 1 – Riscos do Sedentarismo


Riscos do Sedentarismo
• Redução da capacidade funcional
• Osteoporose
• Doenças cardiovasculares
• Hipertensão
• Diabetes Tipo II mellitus
• Obesidade
• Câncer de mama
• Câncer de colón
• Ansiedade e depressão
• Acidente vascular cerebral
Fonte: OMS (2010).

O termo “sedentário” é determinado para o indivíduo que não recebe


quantidades regulares de atividade física. Sedentário é considerado o indivíduo
que não participa de um mínimo de 150 minutos de exercício moderado,
ou 75 minutos de um regime mais vigoroso, por semana (OMS, 2010). Esta
recomendação torna a atividade física uma oportunidade e não um inconveniente
e facilita os indivíduos a tornarem-se ativos todos os dias, de todas as maneiras
possíveis. A OMS também determina que andar 10.000 passos por dia (cerca de
5 Km) seria uma meta ideal para melhorar a saúde e reduzir os riscos causados
pela inatividade.
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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

A OMS (2010) traz várias recomendações às pessoas sobre os benefícios da


atividade física regular, entre as principais, estão:

• Quem pratica exercícios regulares controla o peso corporal e assim


tem menores chances de desenvolver doenças coronárias, hipertensão, infarto,
câncer de colón e de mama e depressão. Pessoas ativas também têm menos
chance de fratura, em casos de queda.
• Adultos e idosos devem fazer exercícios três vezes por semana para
melhorar a força e o equilíbrio, evitando quedas em idosos. Os idosos devem
procurar atividades físicas adaptadas às suas limitações.
• Todos os adultos saudáveis devem praticar atividades físicas, caso não
haja recomendação médica contrária. As dicas são para todos os indivíduos,
incluindo as grávidas e quem têm doenças crônicas como hipertensão ou diabetes.
• As crianças devem realizar atividade física diária em torno de 60 minutos
e a Educação Física deve ser utilizada para a promoção de uma infância mais
ativa, elevando os níveis de condicionamento físico das crianças e adolescentes e
ainda estimular a prática de exercícios e esportes para o longo da vida.

As causas da inatividade e sedentarismo podem ser percebidas na figura


a seguir, que relaciona a inatividade com problemas de doenças, transtornos e
distúrbios.

Figura 1 – Inatividade física e o sedentarismo e suas causas

Fonte: Heyward (2013).

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

A OMS recomenda um mínimo de 150 minutos de exercício


moderado por semana. Você acredita que a maioria das pessoas
segue esta recomendação? Se a sua resposta é negativa, qual seria
a sua sugestão para que as pessoas saiam do sedentarismo?

Agora que apresentamos os problemas relacionados com o sedentarismo,


vamos ao que nos mais interessa, ou seja, o exercício e os seus benefícios para a
saúde de todos, começando com as definições sobre os grupos especiais.

O Que são Grupos Especiais?


Em termos de atividade física e exercícios, pessoas ou grupos especiais
podem ser definidos como um grupo da população com condições médicas
especiais que requer conhecimento técnico e supervisão para uma melhora da
situação anterior. O exercício, desde que apropriado, se torna extremamente útil
às populações especiais.

Outro conceito de grupos especiais pode ser determinado como um grupo


específico que necessite melhorar o seu nível de proficiência e conhecimento.
Assim como o condicionamento do nível de interação social através de uma
participação em uma atividade física regular.

Contudo, para podermos promover os benefícios às populações especiais, é


necessário um profundo conhecimento por parte dos fisiologistas, preparadores,
personal trainers, entre outros, uma vez que existem inúmeras restrições e
cuidados que devemos perceber em relação ao exercício para esta população e
para cada uma das especificidades.

Para delimitarmos o nosso estudo dentro deste caderno, iremos apresentar


os princípios e sugestões de treinamento para grupos especiais, dos quais:

• adaptações da criança e do adolescente ao exercício;


• treinamento e atividades para adultos em condições de risco, como idosos,
grávidas e outros;
• prescrição de exercício para portadores de doenças cardiorrespiratórias (ex.:
hipertensos), endócrinas (ex.: diabéticos) e imunológicas (ex.: AIDS), entre
outras patologias.
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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Os grupos relacionados terão especial atenção na sequência do


caderno em capítulos à parte com aprofundamento e sugestões de treinamentos
específicos.

Apesar de não tratarmos das pessoas com necessidades


especiais neste caderno, como surdos, cegos ou cadeirantes,
por entendermos que são pessoas que não possuem diferenças
fisiológicas e sim cuidados específicos, a nossa sociedade
discrimina essas pessoas e muitos de nós não têm interesse em
atuar com elas, portanto, devemos rever os nossos conceitos.

Exercício Para a SaÚde


A OMS e a Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS, 1995)
destacam que metade da população mundial é insuficientemente ativa. Ambas
instituições criaram um comitê de estudos para apresentar os benefícios do
exercício regular à população mundial. Após vários estudos, foi apresentado pelo
comitê um posicionamento sobre os benefícios do exercício para a saúde, sendo:

A atividade física adequada é necessária em todas as idades


para manter a "aptidão" fisiológica, isto é, a capacidade de
realizar os esforços e os movimentos do cotidiano sem fadiga
ou desconforto desproporcionais; para a regulação do peso
corporal e evitar aumentos de peso e obesidade; e para o melhor
funcionamento de uma série de processos fisiológicos, como
o metabolismo das gorduras e dos carboidratos e as defesas
do organismo contra infecções. As pessoas "funcionam" e
sentem-se melhor e têm aparência mais saudável quando
têm vida ativa e seus níveis de ansiedade e depressão são
menores. Entre os idosos, é muito comum haver mobilidade
limitada e perda da independência; há muitas evidências que
mostram o valor da atividade física na prevenção e na redução
dessas incapacidades (FIMS, 1995, p. 120).

Portanto, essas entidades convocam os governos a promover e melhorar os


programas de aptidão e atividade física como parte de uma política social e de
saúde pública, com base nas seguintes afirmações (FIMS, 1995):

• A atividade física diária deve ser vista como um marco fundamental de


um estilo de vida ativo. A atividade física deve ser reintegrada à rotina da vida

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

cotidiana. Um primeiro passo óbvio seria o uso de escadas em vez de elevadores,


e caminhar ou pedalar para cumprir curtos percursos.
• Deve-se proporcionar a crianças e adolescentes instalações e
oportunidades para participar de agradáveis programas diários de exercício, de
forma que a atividade física se torne um hábito para toda a vida.
• Os adultos devem ser estimulados a aumentar sua atividade física
habitual gradualmente, objetivando realizar pelo menos 30 minutos diários de
atividade física de intensidade moderada como, por exemplo, caminhada e subida
de escadas. Atividades mais intensas como o jogging, andar de bicicleta, jogos de
campo ou quadra (futebol, tênis etc.) e natação podem proporcionar benefícios
adicionais.
• Deve-se oferecer às mulheres uma variedade de oportunidades e mais
estímulo para realizar exercícios saudáveis.
• Os cidadãos da terceira idade, incluindo os mais idosos, cujo número
aumenta em todo o mundo, devem ser estimulados a ter vida fisicamente ativa de
modo a manter sua independência de movimentação e sua autonomia pessoal, a
reduzir os riscos de lesões e a promover nutrição ideal. Os papéis e as relações
sociais serão assim também facilitados.
• Pessoas portadoras de deficiências ou doenças crônicas devem contar
com instalações e orientações adequadas a suas necessidades.
• O fato de que há benefícios ao iniciar atividade física a qualquer idade
deve ser amplamente divulgado pelos meios de comunicação.

Partindo destes princípios, a imagem a seguir descreve quais os principais


benefícios do exercício regular em todo o corpo humano, levando-se em
consideração não apenas os benefícios e alterações fisiológicas, mas também
as melhorias dos sistemas imunológicos e a melhor prevenção de doenças. Mais
ainda, o exercício que apresenta alterações psíquicas e que beneficia o praticante
em termos comportamentais e sociais.

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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Figura 2 – Efeitos conhecidos da atividade física nos


diversos sistemas do organismo humano

Fonte: Lambertucci, Puggina e Pithon-Curi (2006).

Apesar dos conhecidos benefícios derivados do exercício, de forma geral,


pode-se afirmar que grande número de pessoas está abaixo, e frequentemente
muito abaixo, de seu potencial biológico para boa saúde devido à falta de atividade
física. Em comparação com os ganhos de saúde, os riscos de atividade física
adequada são mínimos.

De acordo com a OMS (2000), a inatividade física é considerada como o


quarto principal fator de risco para a mortalidade global. Ainda os níveis de
inatividade física estão aumentando em muitos países com grandes implicações
para a prevalência de doenças não transmissíveis (DNT) e da saúde geral da
população mundial. Ao contrário da inatividade, o American College of Sports
Medicine (Colégio Americano de Medicina Esportiva) (ACSM, 2011) apresenta
uma discussão importante sobre os benefícios da atividade, onde considera que
existe um componente de estilo de vida relacionado com a participação regular na
atividade física e exercício físico e que pode diminuir significativamente os riscos
destas doenças.
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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Normalmente quando pensamos em saúde, relacionamos essencialmente


com atividade física ou doenças. Contudo, todos nós sofremos uma complexa
interação entre três dimensões da saúde: mental, física e social, e cada uma
delas interfere e são dependentes entre si (NIEMAN, 2011).

Figura 3 – As três dimensões da saúde

Fonte: Nieman (2011).

Todas as dimensões são importantes para uma obtenção da qualidade


de vida e todas devem receber a mesma atenção para um equilíbrio ideal e de
forma contínua para toda a vida. Hábitos positivos e continuados, promovem a
condição de saúde nas três dimensões. A falta desta continuidade é normalmente
associada com doenças e morte, pois a maioria das doenças é precedida por um
período prolongado de hábitos negativos de estilo de vida (NIEMAN, 2011), como
se percebe no continuum da saúde (vida sem doenças) a seguir.

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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Figura 4 – Continuum da saúde

Fonte: Nieman (2011).

Portanto, a atividade física melhora os níveis de saúde mental, física e social


e os benefícios diretos do exercício para a saúde. O quadro a seguir descreve de
forma direta e indireta quais são os reais benefícios da atividade física relacionada
à saúde levando em conta a sua aplicação na redução de doenças ou na melhoria
das capacidades relacionadas à qualidade de vida dos indivíduos:

Quadro 2 – Benefícios da atividade física para a saúde


Reduz o risco de Reduz a Auxilia a
Morte prematura.
Doença arterial coronariana. Perder e manter o peso e prevenir
Câncer de colón, mama, pulmão e o ganho de peso.
endométrio. Prevenir quedas e melhorar a
Diabetes mellitus e síndrome Obesidade abdominal. saúde funcional de idosos.
metabólica. Depressão e ansiedade. Melhorar a função cognitiva dos
Hipertensão arterial. idosos.
Fratura nos quadris. Aumentar a densidade óssea.
Perfil lipídico sanguíneo adverso. Melhorar a qualidade de sono.
AVCs.
Fonte: Heyward (2013).

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Atividade de Estudos:

Depois de esclarecidos os benefícios para a saúde que o


exercício pode promover, responda às questões a seguir:

1) Como o exercício pode reduzir os riscos de morte prematura?


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2) Como o exercício pode melhorar a função cognitiva dos


idosos?
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O Que É Condicionamento Físico


Historicamente, o termo condicionamento físico permanecia associado ao
desempenho esportivo de atletas, em especial, aos atletas de alto rendimento.
Porém, esta definição não se aplica apenas aos atletas e sim para todas as
pessoas em qualquer condição, uma vez que 1) todas as pessoas possuem um
nível de condicionamento; 2) todas as pessoas necessitam de condicionamento
físico para exercer suas funções diárias, suas atividades físicas específicas ou
ainda para o exercício; e 3) todas as pessoas devem usufruir dos benefícios
causados pelos exercícios, buscando uma melhora da sua condição física e
qualidade de vida. Assim, atualmente, condicionamento físico está associado à
boa condição de saúde das pessoas.

Para discutirmos condicionamento físico, devemos definir e diferenciar


atividade física e exercício, uma vez que os níveis de condicionamento são
apresentados de acordo com as necessidades das pessoas, assim como o seu
treinamento.
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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

a) Atividade física

Atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido


pelos músculos esqueléticos que resulte em gasto de energia (NIEMAN, 2011).
Atividades físicas variam consideravelmente de acordo com cada indivíduo, de
acordo com o estilo de vida de cada pessoa além de outros fatores. Atividades
diárias, domésticas ou ocupacionais, como caminhar, correr, subir escadas, um
trabalho manual, martelar, lavar o carro, são exemplos de atividades físicas. Como
se percebe, as atividades físicas são de difícil mensuração, mas têm em comum a
utilização da energia corporal, ou seja, demandam consumo calórico.

b) Exercício

Diferente da atividade física, exercício físico é definido como uma atividade


corporal planejada, estruturada, repetida e com o propósito de manter ou melhorar
o condicionamento físico (NIEMAN, 2011). Portanto, o treinamento regular com
atividades esportivas ou de condicionamento, estão dentro das atividades de
melhora da condição física, para o desempenho esportivo, para a manutenção da
condição geral, para fins estéticos, ou para a saúde.

A preocupação atual para a maioria dos governos, médicos, professores de


educação física e outras pessoas e órgãos relacionados à saúde, está na relação
do desenvolvimento dos elementos de condicionamento físico relacionado à
saúde e a sua aplicação em escolas, empresas, programas comunitários, entre
outros (NIEMAN, 2011).

Quadro 3 – Comparativo entre atividade física e exercício


Atividade Física Exercício
Atividades do dia a dia, domésticas ou
Atividade regular, planejada e estruturada.
ocupacionais.
Difíceis de mensurar. Mensuráveis.
Relacionadas à atividade de cada indivíduo
Relacionados a desempenho ou condição física.
(profissional ou de lazer).
Consumo calórico. Consumo calórico
Andar, varrer, martelar etc. Corrida orientada, musculação etc.
Fonte: Adaptado de Nieman (2011).

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Atividade de Estudos:

1) Apresente as principais diferenças entre exercício e atividade


física.
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c) Elementos do condicionamento físico relacionados à saúde

Para melhor entendimento e aplicação dos princípios de treinamento, os


componentes do condicionamento físico devem ser treináveis e mensuráveis.
Estes componentes se completam em uma abordagem de igual importância em
relação à saúde, onde o condicionamento físico depende essencialmente do/da:

• condicionamento cardiorrespiratório;
• composição corporal;
• condicionamento neuromuscular.

Figura 5 – Elementos do condicionamento físico

Fonte: Nieman (2011).


22
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Em outras palavras, o bom condicionamento depende das variáveis


relacionadas à condição geral (neuromuscular e cardiovascular), além do
percentual de gordura e outros elementos de composição corpórea, em
proporções de igual importância.

- Condição cardiorrespiratória

A resistência cardiorrespiratória é a condição dos órgãos relacionados ao


funcionamento geral do coração, sistema circulatório e pulmões e a sua eficiência
de suprimentos de oxigênio e nutrientes para que os músculos realizarem as suas
funções mecânicas e funcionais. Uma das capacidades funcionais do indivíduo e
a sua condição cardiorrespiratória está diretamente relacionada com o consumo
de oxigênio ou o Volume de Oxigênio Máximo (VO2max). O VO2max representa a
máxima quantidade de oxigênio que pode ser consumida, transportada e utilizada
pelo organismo para a produção energética. Porém, existem fatores que limitam
o rendimento do VO2max. Esses fatores são os internos (fisiológicos) e externos
(de ação mecânica ou do ambiente), como se percebe no quadro a seguir:

Quadro 4 – Fatores que limitam o rendimento durante o VO2max

Fonte: Astrand e Rodahl (1986).

Portanto, estar em boa forma cardiorrespiratória representa a condição


de correr, caminhar, andar de bicicleta ou nadar por um período prolongado de
tempo. Ao contrário seria o indivíduo subir um lance de escadas e sentir fadiga,
aumento exagerado da frequência cardíaca ou a respiração ofegante.
23
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

- Composição corporal

A composição corporal é componente fundamental na aptidão física e


na prescrição de exercícios relacionados à saúde, pois existe uma relação entre
quantidade e a distribuição da composição corporal (gordura, massa magra, peso
corporal) com alterações no nível de aptidão física e no estado de saúde das
pessoas (ACSM, 2007). Esta relação está diretamente ligada com a obesidade e
as patologias associadas.

O percentual de gordura corporal é o índice mais utilizado para avaliar


a composição corporal das pessoas. O índice é determinado por uma avaliação
da composição física através das medidas das dobras cutâneas, com a utilização
do adipômetro dentro de protocolos específicos.

Figura 6 – Avaliação de dobras cutâneas

Fonte: Disponível em: <http://www.fitnessmgt.com/images/


body-fat-test.jpg>. Acesso em: 9 fev. 2017.

Outro índice importante e utilizado de modo clássico é o Índice de Massa


Corporal (IMC), onde o índice é mensurado a partir do cálculo utilizando a fórmula
simples a partir das medidas de peso e de altura:

IMC = Peso (kg) / (Estatura)²(m)

Utilizando a fórmula, teremos o resultado onde podemos associar se a


pessoa está dentro dos níveis normais ou não, conforme o quadro a seguir:

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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Quadro 5 – Tabela de índice de massa corporal

Fonte: OMS (1995).

Os homens possuem níveis ideais de gordura corporal em torno de 15% e


são considerados obesos acima de 25%. Já nas mulheres, o índice ideal seria
em torno de 23% e são consideradas obesas quando este índice ultrapassa 33%
(NIEMAN, 2011). Fora destes índices, as pessoas correm riscos de doenças
associadas à obesidade, conforme o quadro a seguir e que veremos mais adiante
neste caderno.

Determinar o índice de massa corporal é também importante para relacionar


os riscos associados de doenças. O quadro a seguir apresenta os riscos
associados às pessoas tanto para quem sofre com a desnutrição, quanto os que
sofrem com a obesidade.

Quadro 6 – Percentual de gordura e a associação com doenças e desordens

Fonte: Lohman (1992).

Atividade de Estudos:

1) Fazendo uso da fórmula para calcular o IMC e dos quadros 5


e 6, calcule a seu IMC e classifique o seu percentual de gordura
e assim, a sua associação com os fatores de risco ou não.
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________

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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

- Condicionamento neuromuscular (Condicionamento muscular)

Outro elemento do condicionamento físico relacionado à saúde é o


condicionamento neuromuscular. Assim, podemos associar que a condição
neuromuscular interfere na mecânica dos músculos em suas funções de força ou
resistência muscular, além do aspecto neurológico que agem na flexibilidade.

Para Nieman (2011):

a) Flexibilidade é a capacidade funcional das articulações de se


movimentarem por uma amplitude máxima de movimento e determina a medida e
a quantidade de movimento possível em cada articulação.
b) Força muscular está relacionada com a capacidade dos músculos em
exercer tensões contra uma resistência.
c) Resistencia muscular está relacionada à habilidade do músculo em
continuar a executar movimentos de forma repetida sem fadiga.

Alterações Fisiológicas ao
Exercício
Quando pensamos em exercício físico, pensamos no processo de alteração
ou adaptação de nossas funções fisiológicas que acontecem com o nosso
organismo, tanto durante o exercício (catabolismo), quanto depois do exercício
(anabolismo). A imagem a seguir, descreve o caminho percorrido pelos sistemas
e suas devidas alterações fisiológicas, para a obtenção da qualidade de vida
através do exercício regular.

Figura 7 – O exercício, alterações e benefícios para a saúde e qualidade de vida

Fonte: Bittencourt Júnior (2009).


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Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

Nossas necessidades de energia aumentam durante o exercício, de


modo a atender à maior demanda de potência para as contrações musculares,
imprescindíveis para a execução dos movimentos. Neste momento, o nosso
corpo sofre alterações fisiológicas para completar a exigência do movimento
ou estímulo. Esta exigência é atendida por nossos sistemas energéticos, que
aumentam a entrega de oxigênio e outras fontes de combustível para o trabalho
mecânico dos músculos através da ressíntese de ATP. Assim, o músculo que está
sendo exercitado deverá possuir uma grande capacidade de aumentar a taxa
metabólica a fim de produzir ATP em quantidade suficiente, para a continuidade
do exercício (ACSM, 2011).

O ATP pode ser gerado através de processos, tanto anaeróbico (oxigênio


independente) quanto aeróbico (dependente de oxigênio). Assim, as mudanças
fisiológicas que ocorrem no início, durante ou após o exercício, irão acontecer
de acordo com os efeitos do sistema de energia predominante na demanda
por oxigênio e outras fontes de energia, bem como o acúmulo de subprodutos
metabólicos.

As alterações fisiológicas demandam fontes energéticas específicas de


acordo com a duração e a intensidade do exercício. O quadro a seguir representa
os sistemas energéticos utilizados, sua respectiva duração aproximada e ainda os
efeitos fisiológicos causados.

Quadro 7 – Duração das cargas de trabalho e características


fisiológicas em um esforço máximo

Fonte: Sandoval (2005).

a) Alterações Aeróbicas

A principal alteração aeróbica percebida com o incremento do exercício está


relacionada com o aumento de cerca de 80% nos níveis de mioglobina das fibras
(proteína responsável pelo transporte e armazenamento de oxigênio nos tecidos
musculares). Esta alteração interfere no aumento do número, tamanho e área da

27
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

superfície da membrana da mitocôndria dos músculos esqueléticos. Além disso,


aumenta o nível de atividade e concentração das enzimas que atuam no ciclo de
Krebs e no transporte de elétrons. Sendo a gordura a principal fonte energética do
sistema aeróbico, o glicogênio é preservado e assim, um menor acúmulo de ácido
lático, ocasionando menor fadiga muscular em indivíduos treinados para o mesmo
tipo de esforço (DANTAS, 2014).

b) Alterações anaeróbicas

Fisiologicamente o treinamento anaeróbico proporciona o aumento das


concentrações de ATP, CP, creatina e glicogênio, assim como o aumento das
enzimas-chaves, portanto, acrescendo a capacidade de ressíntese de ácido lático
e aumentando os níveis de tolerância e a fadiga causados pelo acúmulo de ácido
lático (DANTAS, 2014).

A quantidade de ATP disponível diretamente no músculo é reduzida


e deve ser ressintetizada continuamente se o exercício durar por mais de uns
poucos segundos. O ATP é produzido em três vias (ACSM, 2011):

• Fosfato de creatina – quantidade finita e produção limitada sem oxigênio;


• Glicólise rápida – via anaeróbica, mas também considerada a primeira etapa
da degradação aeróbica do carboidrato;
• Oxidação aeróbica – utiliza oxigênio na produção de ATP suficiente para
longos períodos de tempo.

c) Alterações no sistema cardiovascular

Várias alterações sistêmicas são percebidas no sistema cardiovascular


provocadas pelo exercício, em especial o exercício aeróbico. Entre elas o aumento
de ejeção sanguínea, ou volume sistólico, permitindo a redução da frequência
cardíaca em repouso. Em outras palavras, o coração irá fazer menos esforço para
bombear a mesma quantidade de sangue. Se percebe ainda o aumento do volume
sanguíneo, da hemoglobina total, do número de eritrócitos, e uma redução da
tensão sistólica e diastólica, além do aumento da densidade capilar dos músculos
esqueléticos (DANTAS, 2014). Também associado com o exercício regular está
a redução dos níveis de triglicerídeos e colesterol, o que causa uma queda nos
riscos de doenças coronarianas.

d) Alterações no sangue

Lembrando que um homem adulto possui cerca de 5 litros de sangue.


O exercício regular proporciona o aumento do volume sanguíneo de um a dois
litros. Além disso, o exercício diminui a viscosidade sanguínea (o sangue com

28
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

menos viscosidade diminui a pressão circulatória e facilita o fluxo sanguíneo).


O treinamento aeróbico também provoca um aumento do número de linfócitos
(responsáveis pela defesa do organismo e imunidade celular) e o exercício
anaeróbico desenvolve a anabolização dos granulócitos (que têm a função de agir
nas reações alérgicas ou imunológicas e importantes no tratamento de alguns
cânceres) (DANTAS, 2014).

e) Alterações no sistema respiratório

Através do exercício sistemático, percebe-se um aumento da ventilação/


minuto máxima, do volume de oxigênio máximo (VO2), do equivalente respiratório
de oxigênio e sua eficiência respiratória. Percebe-se também, uma melhora na
capacidade de difusão e volumes pulmonares, em repouso (DANTAS, 2014).

f) Alterações na composição corporal

As principais alterações na composição corporal estão relacionadas ao


exercício aeróbico, onde observa-se uma redução do percentual de gordura e do
peso total e um aumento da massa corporal magra (DANTAS, 2014), melhorando
o metabolismo e a condição geral.

Em relação ao exercício anaeróbico, o treinamento provoca um aumento


da atividade enzimática óssea e a hipertrofia óssea, aumento da espessura de
articulações e cartilagens, melhorando a capacidade articular dos movimentos,
diminuindo os riscos de lesões como rompimentos e fraturas (DANTAS, 2014).

As alterações imediatas, que são observadas nos sistemas Respostas agudas


respiratório, cardiovascular ou neuromuscular são uma resposta ao exercício,
coordenada para atender ao aumento da demanda de energia para o respostas crônicas
trabalho físico. Estas rápidas alterações de intensidade e duração do ao exercício.
exercício são conhecidas como as respostas agudas ao exercício.
Enquanto que as respostas crônicas ao exercício acontecem em longo prazo, ou
seja, ao longo de um período prolongado de tempo, com vários estímulos em
treinamento contínuo.

29
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Se você quiser conhecer mais sobre a fisiologia do exercício,


existem bons livros sobre este assunto.

McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do


exercício – energia, nutrição e desempenho humano. 3. ed. Rio de
Janeiro: Interamericana, 2003.

ROBERGS, Robert A.; ROBERTS, Scott O. Princípios


fundamentais de fisiologia do exercício para aptidão,
desempenho e saúde. São Paulo: Phorte Editora, 2002.

Respostas Agudas ao Exercício


Cardiovascular
As respostas agudas normais ao exercício correspondem diretamente a uma
sequência de demandas aeróbicas da atividade física. Portanto, as mudanças de
âmbito global, como a frequência cardíaca, o volume sistólico, o débito cardíaco,
o fluxo sanguíneo, a pressão arterial, a diferença de oxigênio arteriovenoso, a
ventilação pulmonar e o consumo máximo de oxigênio, consistem em oxigenar o
sangue que é fornecido aos tecidos ativos (ACSM, 2011). Nieman (2011) lembra
que os indivíduos mais bem condicionados apresentam respostas agudas mais
baixas àqueles indivíduos não condicionados. Portanto, as mudanças nos níveis
de respostas fisiológicas serão mais agudas aos indivíduos pouco condicionados
do que aos que estão em melhor condição física.

a) Frequência cardíaca

Controle da frequência cardíaca (FC) é essencial para averiguar os níveis


de esforço e de controle tanto no exercício, na recuperação ou ainda no repouso.
Existe uma forte relação entre intensidade do exercício, níveis de recuperação
e a frequência cardíaca e esta relação deve ser presente quando da prescrição
do exercício, acompanhamento e modificação do treino. A frequência cardíaca
é efetiva para controle dos níveis de treino, mas também sofre alterações por
influência de variáveis como: níveis de cansaço, temperatura ambiente, altitude,
níveis de hidratação, entre outros.

Quando se inicia o exercício, a FC aumenta, assim como o consumo de


oxigênio, na proporção do aumento da intensidade do mesmo. A FC aumenta
30
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

diretamente com o aumento da intensidade do esforço, até que o indivíduo esteja


próximo dos limites da exaustão. À medida que estes limites se aproximam, a FC
tende a estabilizar, indicando que a FC máxima está sendo alcançada (McARDLE;
KATCH; KATCH, 2003).

A frequência cardíaca em repouso para pessoas oscila entre 60 a 80 bpm


(batidas por minuto), sendo que quanto menor a frequência cardíaca, mais bem
preparado está o indivíduo. O coração trabalha em menor nível de esforço, tanto
que alguns atletas bem condicionados, tem uma frequência de 24 a 40 bpm. A FC
máxima (FC Máx) é considerada a maior frequência cardíaca atingida durante a
realização de um esforço máximo até a exaustão (McARDLE; KATCH; KATCH,
2003).

Em termos de acompanhamento e prescrição do exercício, a FC máx


é calculada diminuindo a idade do indivíduo por 220. Assim, o exercício deve
respeitar padrões de intensidade de acordo com a idade, uma vez que ao usarmos
a fórmula, teremos a FC máxima em 200 bpm para um indivíduo com 20 anos
de idade e a 180 bpm para um indivíduo com 40 anos de idade. Desta forma,
podemos controlar e prescrever os exercícios aos indivíduos mais idosos, com
uma margem de segurança adequada à idade.

De acordo com Nieman (2011), a frequência cardíaca sofre alterações,


assim:

- As FCs no pré-exercício podem se elevar em razão da resposta


antecipatória. Esta resposta é mediada pelo neurotransmissor noradrenalina
liberado pelo sistema nervoso simpático e pela adrenalina liberada pelas
glândulas suprarrenais. Há também uma diminuição no tônus parassimpático
(WILMORE; COSTILL, 2001).
- Durante o esforço progressivo, a FC irá aumentar na proporção direta da
intensidade do exercício.
- Na exaustão, o aumento da FC se horizontaliza, é neste momento que se
atinge o máximo, denominada como FC máxima.
- Em níveis submáximos de exercício, quando a intensidade do trabalho se
mantém estável, a FC aumentará de 1 a 3 minutos, para então se estabilizar.

b) Volume sistólico

Volume Sistólico (VS) é a quantidade de sangue bombeada pelo coração


a cada batimento cardíaco. Assim como ocorre com a FC, o volume de ejeção
também se modifica durante o exercício, de modo a permitir que o coração trabalhe
de forma mais eficiente. Durante o exercício, o VS aumenta de forma curvilínea
de acordo com o ritmo de trabalho até atingir um nível máximo equivalente a 50%
da capacidade aeróbica e aumentando ligeiramente a partir deste ponto (ACSM,
2011).
31
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

O volume de ejeção é determinado por quatro fatores: o volume


de sangue venoso que retorna ao coração, a distensibilidade ventricular, a
contratilidade ventricular e a pressão nas artérias aorta ou pulmonar (WILMORE;
COSTILL, 2001). Podemos considerar que os dois primeiros fatores determinam
a capacidade de enchimento do ventrículo, e os dois últimos fatores influenciam
a capacidade de esvaziamento do ventrículo, determinando a força com a qual o
sangue é ejetado e a pressão contra a qual este deve fluir nas artérias (BERNE;
LEVY, 1992). Estes quatro fatores controlam diretamente a resposta do volume de
ejeção à intensidade de esforço durante o exercício.

Nieman (2011) descreve que os valores de VS para pessoas sedentárias


em repouso, estão entre 60 a 70 mL de sangue por batimento cardíaco, sendo que
pessoas treinadas este VS em repouso pode chegar até a 200 mL. A alteração
do VS durante o esforço progressivo não segue o mesmo padrão de alteração
percebido em relação à FC. Indivíduos treinados são capazes de aumentar o VS
em níveis maiores dos indivíduos não treinados, especialmente após ultrapassar
40 a 60% do VO2max.

Tabela 1 – Volume sistólico típico para diferentes níveis de condicionamento

Fonte: Sandoval (2005).

A tabela anterior apresenta com clareza as diferenças de volume sistólico


para sedentários e atletas. Percebemos que a diferença no VS tanto em repouso
quanto em níveis de esforço máximo, representa o dobro em indivíduos treinados
em relação aos sedentários.

c) Débito cardíaco

O débito cardíaco corresponde ao volume sistólico multiplicado pela


frequência cardíaca. Portanto, o débito cardíaco representa a quantidade de
sangue bombeada pelo coração por minuto (NIEMAN, 2011). Em indivíduos
adultos sadios, o débito cardíaco aumenta de forma linear com o aumento do
ritmo de trabalho (ACSM, 2011) e estabiliza brevemente na exaustão durante

32
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

o exercício (NIEMAN, 2011). Porém, os valores máximos do DC dependem de


vários fatores, entre eles, a idade, a postura, o tamanho corporal, a presença de
doenças cardiovasculares e o nível de condicionamento físico (ACSM, 2011).

De acordo com Nieman (2011), quando em repouso, a média do débito


cardíaco é de cerca de 5 litros por minuto (L/min), e durante o exercício com
intensidade máxima, esta média pode subir para 20 a 40 L/min, de acordo com
a condição física e estrutura corporal do indivíduo. Nieman (2011), considera
ainda que nos estágios iniciais do exercício, o débito cardíaco aumenta devido ao
aumento da frequência cardíaca e do volume sistólico.

d) Diferença de oxigênio arteriovenosa

A diferença de oxigênio arteriovenosa corresponde a quantidade de


oxigênio transportada no sangue arterial e a quantidade de sangue venoso
misturado (NIEMAN, 2011). Para o ACSM (2011), a extração de oxigênio pelos
tecidos reflete a diferença entre o conteúdo em oxigênio do sangue arterial
e o conteúdo em oxigênio de sangue venoso (CaO2 – CvO2), o que produz
uma diferença de oxigênio arteriovenosa típica em repouso de cerca de 25%
do coeficiente de utilização. Durante o exercício até a exaustão, o conteúdo
de oxigênio venoso misto diminui, ampliando assim, a diferença de oxigênio
arteriovenosa de 5 para 15 ml/dl de sangue, o que corresponde a um coeficiente
de 75% de utilização de oxigênio.

Com o aumento da intensidade do exercício, o consumo de oxigênio


aumenta até o último estágio do exercício. Neste estágio, o VO2 se estabiliza e é
denominado VO2max. (NIEMAN, 2011).

e) Fluxo sanguíneo

Em repouso, cerca de 80% do débito cardíaco é distribuído para os


órgãos viscerais, o cérebro e o coração e apenas 15 a 20% vão para os músculos
esqueléticos. Contudo, durante o exercício, até 90% do débito cardíaco são
fornecidos seletivamente aos músculos ativos e são afastados da pele e dos
leitos vasculares esplâncnico, hepático e renal. O fluxo sanguíneo miocárdico
pode aumentar de quatro a cinco vezes com o exercício, enquanto que para o
cérebro o suprimento sanguíneo é mantido nos níveis de repouso (ACSM, 2011).
Em outras palavras, o sangue é direcionado das áreas onde é menos necessário,
como alguns órgãos, para as áreas onde ele é extremamente necessário, como
os músculos (NIEMAN, 2011).

Quando o corpo aquece, uma quantidade maior de sangue é direcionada


para a pele a fim de conduzir o calor para longe do centro do corpo. Este processo

33
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

de perda de calor estabiliza a temperatura corporal através do suor produzido


pelas glândulas sudoríparas. Sendo que caso a taxa de suor for muito alta, o
volume sanguíneo diminuirá, podendo provocar uma hipertermia (NIEMAN, 2011).

f) Pressão arterial

De acordo com o ACSM (2011), a pressão arterial sistólica (PAS) sofre


um aumento linear com os maiores níveis de exercício e alcançam normalmente
os valores máximos de 190-220 mm Hg, contudo, a PAS máxima não deve ser
superior a 260 mm Hg. Já a pressão diastólica (PAD) pode diminuir levemente
ou permanecer inalterada, durante o exercício aeróbico. Para Nieman (2011),
o aumento da PAS durante o exercício está relacionado ao aumento do débito
cardíaco. Esta pressão aumentaria enormemente caso não houvesse a dilatação
dos vasos arteriais nos músculos ativos.

Nieman (2011) ainda descreve que as contrações isométricas e o


levantamento de grandes cargas causam grandes aumentos tanto na PAS
quanto na PAD. Este fato deve ser considerado na prescrição de exercícios para
cardiopatas.

g) Ventilação pulmonar

Ventilação pulmonar (VE) é o volume de ar inspirado por minuto. A VE


equivale ao volume corrente multiplicado pelo número de respirações por minuto
(NIEMAN, 2011). Este volume é de aproximadamente 6 L/min em repouso para
um homem adulto sedentário. Com o exercício máximo este VE aumenta em
cerca de 15 a 25 vezes em relação aos valores em repouso. A VE não é um
fator de limitação para a capacidade aeróbica (ACSM, 2011). Para Nieman (2011),
durante o esforço progressivo a ventilação aumenta em padrões curvilíneos de
6 L/mim até 60 a 120 L/min nas mulheres e em homens de 100 a 200 L/min de
acordo cm a condição física e estrutura. A VE aumenta linearmente de acordo
com o aumento da carga de trabalho e em intensidades mais altas este aumento
se torna curvilíneo.

h) Consumo máximo de oxigênio

Fisiologicamente o conhecido VO2max (capacidade aeróbica) determina


a capacidade máxima de transporte e utilização do oxigênio durante o exercício
máximo ou de exaustão, em especial quando executa um exercício que utilize
uma grande massa muscular (ACSM, 2005). Os mecanismos reguladores centrais
(débito cardíaco), quanto os periféricos (diferença de oxigênio intravenoso),
afetam a intensidade de consumo de oxigênio (ACSM, 2011).

34
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

O VO2max é expresso em mililitros de oxigênio consumido por


quilograma de peso corporal por minuto, portanto, deve-se considerar o peso,
sexo, hereditariedade e estrutura do indivíduo, entre outros.

Para gerar energia e manter o corpo em esforço, o tecido muscular utiliza


grandes quantidades de oxigênio para queimar carboidratos e gorduras e para
cada litro de oxigênio consumido em exercício, cerca de 5 quilocalorias de energia
são produzidas.

Tabela 2 – Equivalência calórica do quociente respiratório (QR)


e o percentual calórico (% kcal) a partir dos carboidratos e das gorduras

Fonte: Sandoval (2005).

A tabela acima descreve com clareza a relação entre o consumo de oxigênio


com o consumo calórico. Percebe-se que quanto maior o gasto calórico, maior
o consumo de carboidratos, enquanto que quanto menor o gasto calórico, maior
o consumo de gordura. Em outras palavras, o exercício de alta intensidade e
curta duração, irá exigir uma subtração maior dos carboidratos, enquanto que os
exercícios de intensidade leve ou moderada e de longa duração irão exigir uma
maior subtração de gorduras na produção energética.

Para melhor entender esta condição de consumo de oxigênio e as


adaptações cardiovasculares agudas que ocorrem durante o exercício, Robergs
e Roberts (2002) apresentam um fluxograma relacionando estas adaptações e
processos fisiológicos, a seguir:

35
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 8 – Adaptações cardiovasculares agudas combinadas para


o aumento do consumo de oxigênio durante o exercício

Fonte: Robergs e Roberts (2002).

Além dos exercícios aeróbicos e anaeróbicos, devemos entender as


alterações sofridas pelo organismo (músculos esqueléticos) em relação aos
exercícios com pesos, ou exercícios de força. Assim, vamos aprofundar tanto as
respostas agudas quanto crônicas relacionadas ao treinamento resistido.

Respostas Agudas ao Treinamento


Resistido
a) Frequência cardíaca e pressão arterial

Os exercícios que usam carga, como pesos ou máquinas, proporcionam


um aumento na FC e na PA. Para o ACSM (2011) o pico de PA é mais alto durante
o treinamento com pesos de forma dinâmica (contração concêntrica e excêntrica)
do que de forma isométrica. Os picos de FC e PA ocorrem normalmente durante
as últimas repetições de uma série e vão até a falência concêntrica voluntária.
Ainda a PA sobe durante a fase concêntrica em comparação à fase excêntrica do
movimento com pesos.

36
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

b) Volume sistólico e débito cardíaco

O volume sistólico não sofre uma elevação expressiva acima do nível de


repouso durante a fase excêntrica do exercício resistido, com ou sem a manobra
de Valsalva (tentativa de exalar o ar com as narinas e bocas fechados e que deve
ser evitada devido ao aumento da PA e FC a níveis extremamente perigosos),
sendo significativamente maior durante a fase concêntrica de uma repetição
(ACSM, 2011).

O débito cardíaco pode aumentar em ambas as fases do movimento


resistido, contudo o debito cardíaco aumenta na fase excêntrica, devido ao
aumento do volume sistólico o ACSM (2011).

Adaptações Crônicas Associadas ao


Exercício Cardiovascular Regular
Lembrando o que foi visto anteriormente, as adaptações crônicas ao
exercício, ao longo de um período prolongado de tempo, com vários estímulos em
treinamento contínuo. Para Sandoval (2005), quando se realizam seis meses ou
mais de treinamento de forma individualizada, sistemática e progressiva, ocorrem
modificações crônicas importantes no organismo, presentes nos sistemas
cardiorrespiratório, endócrino-metabólico, imunológico e musculoesquelético.

Como foi discutido anteriormente, existe uma relação (boa) entre o exercício
físico e a diminuição da mortalidade e de doenças cardíacas. Assim como uma
relação entre a frequência cardíaca baixa, redução da PAS e aumento do VO2max
em repouso, em cidadãos com menor probabilidade de doenças e dificuldades
relacionadas às capacidades vitais e funcionais. Ainda, a produção reduzida de
ácido lático e o menor fluxo sanguíneo muscular, o que promove uma vantagem
hemodinâmica distinta (ACSM, 2011).

Mas, como e por quanto tempo devo treinar para que estas adaptações
aconteçam de forma pertinente? Para Nieman (2011), várias das respostas
metabólicas e cardiorrespiratórias se adaptam muito rapidamente ao treinamento
regular. Estas adaptações são percebidas de forma rápida em relação ao
VO2max, a frequência cardíaca, nas respostas de lactato e ventilação. Contudo,
outras adaptações são mais lentas, como o aumento no número de capilares por
fibra muscular.

A proporção das adaptações do treinamento de exercícios regulares depende

37
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

da frequência, da intensidade e da duração do treinamento, do tipo de atividade e


do estado inicial de condicionamento do praticante (NIEMAN, 2011) e, segundo o
autor, é interessante perceber que as mudanças observadas com o exercício são
perdidas tão rapidamente quanto são adquiridas.

a) Alterações respiratórias

O ACSM (2011) sugere que inúmeras alterações respiratórias acontecem


relacionadas ao condicionamento físico. Entre elas estão: 1) limite máximo de
ventilação para o VO2max, isso significa um maior consumo de oxigênio durante
exercícios máximos (NIEMAN, 2011); 2) ventilação aumentada linearmente com
o VO2max até aproximadamente 50% do VO2max; 3) aumento subsequente
proporcionalmente maior que o aumento no ritmo de trabalho ou no VO2max; 4)
pessoas treinadas apresentam volumes pulmonares e capacidades de difusão em
repouso e durante o exercício maiores do que sedentários.

Outras características do funcionamento pulmonar, como a capacidade


pulmonar total, a capacidade vital forçada e o volume residual, não são alteradas
durante o repouso, causadas pelo treinamento (NIEMAN, 2011).

Atletas treinados possuem uma maior ventilação máxima, assim, são


capazes de ventilar uma capacidade maior de ar durante o exercício máximo,
assim como a sua frequência e o seu volume mais altos. A capacidade de difusão
pulmonar também melhora com o treinamento, o que significa uma propagação
mais rápida do oxigênio dos alvéolos para o sangue (NIEMAN, 2011).

b) Alterações cardiovasculares

• Frequência cardíaca

Os efeitos crônicos do treinamento cardiovascular estão associados com


a diminuição da FC em aproximadamente 10-15 bpm (ACSM, 2011). De acordo
com Nieman (2011), a FC em repouso diminui em torno de um batimento cardíaco
por minuto a cada uma ou duas semanas de treinamento aeróbico durante cerca
de 10 a 20 semanas. Esta alteração beneficia o praticante, pois o coração trabalha
de forma eficiente e com menor esforço, o que a longo prazo evita doenças
relacionadas como a hipertensão.

• Volume sistólico

O VS aumentará, com mais sangue bombeado a cada batimento, e uma


subsequente redução da FC (NIEMAN, 2011), tanto em repouso quanto durante
o exercício até determinado ponto, como efeito do treinamento cardiovascular a
longo prazo (ACSM, 2006).
38
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

• Débito cardíaco

O DC aumentará durante o exercício, porém não sofrerá modificações


de modo significativo em repouso em indivíduos que receberam treinamento
cardiovascular (ACSM, 2011). Este aumento pode ser atribuído principalmente a
uma maior extração de oxigênio pelas células musculares (NIEMAN, 2011).

• Diferença de oxigênio arteriovenoso

A diferença de oxigênio arteriovenoso aumenta com o treinamento


cardiovascular a longo prazo, em especial durante o período de esforço máximo
(ACSM, 2011).

• Pressões arteriais sistólicas e diastólicas

Tanto a PAS quanto a PAD em repouso podem diminuir com o treinamento


cardiovascular crônico (ACSM, 2011).

• Lactato sanguíneo

Como resultado do treinamento cardiovascular apropriado, a produção de


lactato será diminuída com cargas de trabalho submáximas durante o exercício
(ACSM, 2011), assim como o aumento da capacidade de tolerância de níveis mais
altos de ácido lático ao máximo (NIEMAN, 2011).

Alterações provocadas pelo ácido lático

A passagem do ácido lático da fibra muscular para a corrente


sanguínea vai provocar alterações no equilíbrio ácido-base,
inicialmente compensadas por mecanismos tampão fisiológicos,
mas que com a sua acumulação acabam por ser suplantados,
acidificando o sangue para valores fora do normal. Esta acidose
vai provocar um conjunto de sinais e de sintomas, como por
exemplo, queda da pressão arterial, tonturas, náuseas e, inclusive,
vômitos e incontinência de esfíncteres com perdas involuntárias
de urina ou fezes. Parte do treino dos atletas de alta competição
de modalidades com elevada produção de ácido lático passa pelo
aumento da tolerância física e psíquica aos efeitos nocivos do
ácido lático.

39
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Eliminação do ácido lático do organismo

Quando o esforço intenso termina, cessa a produção de ácido


lático, cujos valores demoram cerca de 20 a 30 minutos a reduzir
para metade, e assim sucessivamente, tornando o processo passivo
de eliminação demasiado lento. No entanto, existe um tipo de fibras
musculares que reutiliza o ácido lático para o reconverter em ácido
pirúvico e assim disponibilizar substrato para a produção de energia,
desde que a intensidade do esforço seja relativamente baixa (30 a
35% no máximo). Este é um processo ativo mais eficiente e eficaz
de eliminação do ácido lático após a realização e esforços intensos.

Fonte: Banco da Saúde (2016)

Adaptações Crônicas Associadas ao


Exercício Resistido
Quando se fala em treinamento resistido, devemos considerar as
inúmeras possibilidades de realização deste tipo de treino e as adaptações
decorrentes para cada método ou treinamento realizado. Assim, o ACSM (2011)
sugere que se levando em conta que os protocolos de exercícios resistidos
podem ser prescritos diferentemente para apresentarem uma ampla variedade de
demandas, as adaptações ao treinamento parecem ser específicas para o tipo de
protocolo utilizado. O processo adaptativo se inicia na primeira sessão de treino
resistido e adota uma evolução temporal específica para cada indivíduo e o tipo
de protocolo utilizado.

As principais adaptações crônicas observadas ao exercício com carga,


são percebidas com a hipertrofia, a hiperplasia, a transformação das fibras
musculares, do tecido conjuntivo, dos substratos energéticos, também as
adaptações neurais e cardiovasculares, além da composição corporal.

A hipertrofia é o aumento do tamanho do músculo, ocasionado pelo


aumento do tamanho das células musculares, das fibras de contração rápida, e
também do diâmetro das fibras de músculos não treinados. Este aumento das
fibras musculares é causado pelo aumento da proteína e do número e do tamanho
das miofibrilas por célula muscular e ainda pelo aumento da quantidade e da
força dos tecidos ligamentares, tendíneos e conjuntivos. O crescimento capilar
é acentuado quando o treinamento é feito com cargas relativamente altas e alto
número de repetições (NIEMAN, 2011). Para a ACSM (2011), o exercício resistido
40
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

rompe ou lesiona certas fibras musculares que em seguida, sofrem reparos e


remodelam.

Nieman (2011) considera que existe uma maior hipertrofia em indivíduos


nascidos com alto percentual de fibras de contração rápida (brancas) e assim,
conseguem ganhar massa muscular com maior facilidade do que os indivíduos
com fibras predominantemente de contração lenta (vermelhas).

É comum acontecer, no treinamento com pesos, a transformação do


tipo de fibra para outro subtipo (tipo IIB para IIA, por exemplo). Esta mudança
se inverte durante o destreinamento. No exercício, o tecido conjuntivo aumenta
o tamanho e a tensão de ligamentos, tendões e ossos. No treinamento de força,
os substratos energéticos, como a fosfocreatina e o ATP, aumentam as suas
concentrações intramusculares em repouso (ACSM, 2011).

Os fatores neurais influenciam profundamente a produção de forma


muscular. De acordo com o ACSM (2011), estes fatores neurais interferem nos
seguintes processos:

• maior impulso neural para os músculos;


• maior sincronização das unidades motoras;
• maior ativação do aparelho contrátil;
• inibição dos mecanismos protetores dos músculos (órgãos tendinosos de
Golgi).

Os atletas que realizam treinamento de força exibem frequências


cardíacas de repouso médias ou abaixo da média. Também se observa uma
diminuição na pressão arterial, devido provavelmente à redução da gordura
corporal, diminuição do sal corporal e alterações no impulso simpático para o
coração (ACSM, 2011). Normalmente, os atletas de treinamento resistido, têm o
volume sistólico normal ou acima do nível absoluto normal.

O treinamento com pesos pode induzir pequenos aumentos no pico de


consumo de oxigênio, mas bem inferiores em relação aos aumentos observados
com o treinamento aeróbico (ACSM, 2011).

As mudanças na composição corporal do atleta praticante do treinamento


resistido acontecem, em geral, a curto prazo (de 6 a 24 semanas). Este tipo de
treinamento reduz a gordura corporal e aumenta a massa corporal e a massa
isenta de gordura (ACSM, 2011). Programas de treinamento com pesos com
duração de 7 a 24 semanas geralmente aumentam a massa corporal entre 0,5 e
3% (NIEMAN, 2011).

41
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

O quadro seguinte, compara as alterações percebidas para o exercício


aeróbico e o exercício resistido, em diversas variáveis e que interferem no
condicionamento físico das pessoas.

Quadro 8 – Efeito do exercício aeróbico e resistido sobre as


variáveis que interferem no condicionamento físico

Fonte: Eriksson, Taimela e Koivisto (1997 apud CIOLAC; GUIMARÃES, 2004).

Como percebemos no quadro, as alterações estão presentes de acordo


com o tipo de exercício selecionado, seja na forma aeróbica ou no treinamento
resistido. Então para cada objetivo devemos prescrever o exercício específico.
Exemplo: para um indivíduo que deve diminuir o percentual de gordura, o exercício
aeróbico tem mais efeito e para um indivíduo que quer aumentar os níveis de
massa magra, o exercício resistido é mais eficiente.

Algumas Considerações
Vimos neste capítulo as definições de sedentarismo, as características
dos grupos especiais e as diferenças entre atividade física e exercício. Também
discutimos sobre a importância do exercício para a saúde das pessoas e na

42
Capítulo 1 ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS AO EXERCÍCIO

ausência de doenças. Apresentamos as alterações fisiológicas ao exercício e


suas especificidades para o exercício aeróbico, anaeróbico e resistido e suas
implicações agudas e crônicas. Devemos entender que estas definições são
fundamentais e aplicadas na relação e na prescrição do exercício para qualquer
pessoa, no nosso caso, para percebermos os cuidados a serem tomados para
a fisiologia do exercício a ser prescrito para os grupos especiais. Nos próximos
capítulos teremos a união destes conceitos na aplicação de cada grupo
selecionado como intenção deste caderno.

ReFerÊncias
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Manual do ACSM
para avaliação da aptidão física relacionada à saúde. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2006.

______. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 7.


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43
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

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em: 9 fev. 2017.

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NIEMAN, David C. Exercício e saúde: teste e prescrição de exercícios.


Tradução Rogério Ferraz e Fernando Gomes do Nascimento. Barueri, SP:
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2002.

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WILMORE, J. H.; COSTILL, D. L. Physiology of sport and exercise.


Human Kinetics, Champaign, 2001.

44
C APÍTULO 2
Adaptações da Criança e do
Adolescente ao Exercício Físico

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Descrever as modificações no processo de crescimento, desenvolvimento e


maturação e seus impactos sobre componentes de desempenho e saúde.

 Analisar as características e cuidados em relação aos exercícios para crianças


e adolescentes.

 Distinguir os tipos e princípios dos exercícios para prescrição de atividades


físicas e esportivas para crianças e adolescentes.
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

46
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

ContextualiZação
Vamos iniciar um tema importante. Continuando o estudo sobre treinamento
físico para grupos especiais, a fase da infância e adolescência é uma etapa
fundamental para criação de hábitos e de estilo de vida para todo o ciclo vital.
Depois de você estudar as adaptações agudas e crônicas ao exercício físico em
geral, aqui você verá as adaptações da criança e do adolescente ao exercício.
Será que é diferente de adultos ou idosos saudáveis? Diferente de crianças e
adolescentes com patologias? Veremos.

Naturalmente um estilo de vida ativo em adultos está associado a uma


redução da incidência de várias doenças crônico-degenerativas, bem como a uma
redução da mortalidade cardiovascular e geral. Sim, mortalidade geral! Pessoas
com pior aptidão física têm maior risco de morrer por qualquer causa quando
comparadas com pessoas com melhor aptidão física.

Em crianças e adolescentes, um maior nível de atividade física contribui


para melhorar o perfil lipídico e metabólico e reduzir a incidência e a prevalência
de obesidade e outras patologias. Ainda é mais provável que uma criança
fisicamente ativa se torne um adulto também ativo. E isso é bem importante, pois
envolve a formação e incorporação de estilo de vida para toda a vida. Pessoas
com experiências passadas positivas em atividades físicas e esportes são
aquelas mais ativas. Neste sentido, promover um estilo ativo de vida na infância e
adolescência é um aspecto fundamental para saúde e vida das pessoas.

Nesta primeira parte do caderno de estudos, você verá algumas definições


da terminologia relacionada ao treinamento físico para desempenho e saúde de
crianças e adolescentes. Conceitos que devem ser aprendidos ou relembrados
para então seguirmos para o processo posterior, em que estes conceitos serão
aplicados à prescrição de exercício.

Características da inFÂncia e
adolescÊncia
Do ponto de vista de saúde pública, promover a atividade física na infância
e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução da
prevalência do sedentarismo na idade adulta. Ressalta-se que a atividade física
é qualquer movimento como resultado de contração muscular esquelética que
aumente o gasto energético acima do repouso e não necessariamente a prática
esportiva.

47
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

O que é criança? Ser humano no início de seu desenvolvimento:

- Recém-nascido: do nascimento até um mês de idade.


- Bebê: entre o 2° e o 18° mês.
- Criança: maior de 18 meses até 10-12 anos de idade.

O que é infância? Período da vida humana desde que se nasce até a


puberdade/adolescência, com os seguintes estágios:

- 0-18 meses.
- 18 meses-3 anos.
- 3-4 anos.
- 5-9 anos.
- 10-pré-adolescência.

O que é adolescência? Fase que marca a transição entre a infância e a


idade adulta.

Durante as duas primeiras décadas de vida, as principais


Esses dois
fenômenos ocorrem atividades do corpo humano consistem em crescer e se desenvolver.
simultaneamente Esses dois fenômenos ocorrem simultaneamente nesse período, sua
nesse período,
sua maior ou maior ou menor velocidade depende do nível maturacional e, em
menor velocidade alguns momentos, das experiências vivenciadas pela criança ou pelo
depende do nível adolescente (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
maturacional e, em
alguns momentos,
das experiências Estudos com crianças e adolescentes têm demonstrado benefícios
vivenciadas pela
criança ou pelo da atividade física no estímulo ao crescimento e desenvolvimento,
adolescente prevenção de doenças crônicas, incremento da massa óssea, aumento
(PAPALIA; da sensibilidade à insulina, melhora do perfil lipídico, diminuição da
FELDMAN, 2013).
pressão arterial, desenvolvimento da socialização e da capacidade
de trabalhar em equipe. Também se conhece que a atividade física realizada de
forma imprópria, em desacordo com a idade, com as etapas do desenvolvimento
motor e com o estado de saúde, apresenta riscos de lesões, como por exemplo,
traumas, osteocondrose, fratura e disfunção menstrual (STAFFORD, 2005;
BRODERICK et al., 2006; AZEVEDO et al., 2007; ALVES; LIMA, 2008).

Etapas do crescimento

- 1ª - Intrauterina: embrionária, fetal, precoce e fetal-tardia.


- 2ª - Primeira infância: do nascimento aos 2 anos. Crescimento é rápido,
mas desacelerado.
- 3ª - Segunda infância: 2 aos 10 anos, crescimento é constante e lento.
- 4ª - Adolescência: 10 aos 20 anos, crescimento acelerado até os 15 anos,
declinando até os 20 anos.
48
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Período de crescimento

- Período neonatal: de 0 a 28 dias.


- Período da infância: 29 dias a 10-12 anos (pré-escolar = 2 a 6 anos e
escolar = 7 a 10-12 anos).
- Período da adolescência:
- Pré-puberal = 10 a 12-14 anos.
- Puberal = 12-14 a 14-16 anos.
- Pós-puberal = 14-16 a 18-20 anos.

Tipos de crescimento

• Tipo geral ou somático: curva em S deitado.


• Tipo neural (cabeça e cérebro): crescimento rápido do sistema nervoso,
nos dois primeiros anos de vida.
• Tipo genital (reprodutivo): latência até o início da puberdade, depois
ocorre um crescimento rápido.
• Tipo linfoide: desenvolvimento máximo até 8 a 10 anos, depois ocorre
involução. Tecido linfoide contém linfócitos de proteção contra vírus e bactérias.

Modificações na forma e no tamanho do corpo são provocadas As mudanças


pelo crescimento temporalmente diferenciado dos diferentes segmentos nas proporções
corporais. As mudanças nas proporções corporais exercem influência na corporais exercem
forma como as crianças e os adolescentes realizam as tarefas motoras. influência na forma
Por exemplo, mudanças no tamanho relativo da cabeça, na infância, como as crianças
e os adolescentes
afetam o equilíbrio do corpo durante o movimento. O tamanho reduzido
realizam as tarefas
das pernas, nos mais jovens, limita a habilidade para a corrida. No início motoras.
da puberdade, os braços e pernas são proporcionalmente mais longos,
assim, estão mais habilitados para a corrida, entretanto, o rápido crescimento
pode fazê-los parecer desajeitados e oferecer dificuldades de coordenação.

49
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 9 – Curvas de crescimento de diferentes partes e tecido do corpo humano

Fonte: Tanner (1962).

Profissionais da saúde são frequentemente questionados em relação


aos efeitos positivos do exercício físico sobre o crescimento das crianças e
adolescentes. Embora muito se especule a esse respeito, existem poucos
trabalhos que sustentem tal afirmação.

Isso se deve principalmente aos diversos fatores que tornam difíceis os


estudos comparativos como, por exemplo: dificuldade de interpretar o impacto
dos esportes na adolescência em virtude dos diferentes estágios puberais;
grau de restrição dietética utilizada em alguns treinamentos; e grande número
de atividades físico-desportivas potenciais e suas variadas formas de prática,
tais como, intensidade, frequência, duração (SILVA et al., 2004; HAYWOOD;
GETCHELL, 2016).

O que você acha sobre o possível efeito de alguns esportes


sobre o crescimento de crianças e adolescentes? O basquetebol
e o voleibol podem aumentar o crescimento enquanto a ginástica
artística e a musculação podem diminuir a estatura final?

50
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Crescimento, Desenvolvimento e
Maturação
O processo de crescimento, maturação e desenvolvimento humano interfere
diretamente nas relações sociais, afetivas e motoras na infância e adolescência. É
necessário adequar os estímulos ambientais em função desses fatores.

Crescimento inclui aspectos biológicos quantitativos (dimensionais),


relacionados com a hipertrofia e a hiperplasia celular, enquanto a maturação
pode ser definida como um fenômeno biológico qualitativo, relacionando-se
com o amadurecimento das funções de diferentes órgãos e sistemas (MALINA;
BOUCHARD, 2002; RÉ, 2011).

Crescimento se refere a um aumento no tamanho do corpo causado Crescimento se


pela multiplicação ou pelo aumento de células. Alterações do corpo refere a um aumento
como um todo ou de partes específicas, em relação ao tempo. Pode ser no tamanho do
mensurado pela realização de medidas antropométricas de estatura, de corpo causado pela
massa corporal, de dobras cutâneas, de circunferências e de diâmetros multiplicação ou
pelo aumento de
(PAPALIA; FELDMAN, 2013).
células.

As acelerações bruscas do crescimento são chamadas de saltos de


crescimento ou estirão. O salto de crescimento mais importante e mais conhecido
acontece na puberdade. Nessa fase, ocorre um rápido aumento, tanto da massa
corporal como da estatura das pessoas. O auge ocorre por volta dos 12 anos de
idade, nas meninas, e aos 14 anos nos meninos. Antes disso, não se verificam
diferenças significativas entre meninos e meninas no que diz respeito à massa
corporal e à estatura. Durante o estirão de crescimento, grande parte da energia
é utilizada para o crescimento. Com isso, a criança/adolescente se cansa mais
facilmente e, consequentemente, não aguentam o volume e a intensidade dos
treinamentos normais utilizados com adultos (RÉ, 2011; HAYWOOD; GETCHELL,
2016).

Desenvolvimento envolve alterações em nível de funcionamento de Desenvolvimento


um indivíduo ao longo do tempo. Alteração adaptativa em direção a uma envolve alterações
em nível de
habilidade. É entendido como uma interação entre as características
funcionamento de
biológicas individuais (crescimento e maturação) com o meio ambiente um indivíduo ao
ao qual a pessoa é exposta durante a vida (GALLAHUE; OZMUN, 2006; longo do tempo.
PAPALIA; FELDMAN, 2013). Alteração adaptativa
em direção a uma
A figura a seguir apresenta um conjunto de fatores que podem habilidade.
influenciar o crescimento, o desenvolvimento e a maturação: fatores internos

51
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

como a carga genética herdada dos pais, a raça/cor da pele e o sexo; e fatores
externos, como os aspectos nutricionais e alimentares e questões ambientais,
como clima, altitude, espaços para atividades físicas etc. Os fatores endócrinos
em relação aos hormônios evolvidos com o crescimento, como o hormônio do
crescimento e hormônios da tireoide, testosterona e estrogênio.

Figura 10 – Fatores que podem influenciar no


crescimento, desenvolvimento e maturação

Fonte: Adaptado de Gallahue e Ozmun (2001) eFundação Vale (2013).

O desenvolvimento humano é um processo de crescimento e de mudança


nos campos físico, comportamental, cognitivo e emocional, ao longo da vida das
pessoas.

Maturação são alterações qualitativas que capacitam o indivíduo


Maturação são
alterações qualitativasa progredir para níveis mais altos de funcionamento. Crescimento,
que capacitam o maturação e desenvolvimento humano são processos altamente
indivíduo a progredir
para níveis mais altos relacionados que ocorrem continuamente durante todo o ciclo de
de funcionamento. vida. Aquisições motoras de crianças e adolescentes não podem ser
compreendidas de forma exclusivamente biológica ou ambiental.
A abordagem biocultural é essencial, reconhecendo a interação entre fatores
biológicos e socioculturais presentes na vida do ser humano (HAYWOOD;
GETCHELL, 2016).

A figura a seguir ilustra os componentes interrelacionados do desenvolvimento


humano. Apresenta a relação de interdependência do nível de desenvolvimento
do indivíduo com os processos de crescimento, maturação, adaptação e
52
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

experiências anteriores, reforçando os conceitos anteriormente apresentados.


Para Gallahue e Ozmun (2001), o desenvolvimento humano sobre os aspectos
motores, cognitivos e afetivos é uma contínua alteração do comportamento ao
longo do ciclo vital, realizado pela interação entre as necessidades da tarefa, as
necessidades biológicas do indivíduo e as condições do ambiente.

Figura 11 – Componentes interrelacionados do desenvolvimento humano

Fonte: Adaptado de Gallahue e Ozmun (2001).

A teoria desenvolvimentista descreve como o indivíduo é em cada faixa etária


e explica o que faz com que estas características ocorram. Podemos observar
que as diferenças no comportamento motor são provocadas por fatores biológicos
(internos), ambientais (experiência) e pela tarefa (atividade).

Para você estudar mais sobre as características da infância e


adolescência, crescimento e desenvolvimento e suas relações com
o esporte, acesse o artigo científico do prof. Alessandro Nicolai Ré,
da USP, intitulado “Crescimento, maturação e desenvolvimento na
infância e adolescência: implicações para o esporte”, disponível
em:<www.revistamotricidade.com/arquivo/2011_vol7_n3/v7n3a08.
pdf>.

53
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Atividade de Estudos:

1) Descreva os fatores que podem influenciar no crescimento,


desenvolvimento e maturação.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Fatores Determinantes da
Inatividade Física na InFÂncia e
AdolescÊncia
Algumas crianças participam de atividades físicas em quantidades adequadas,
mas tendem a diminuir o nível de atividade física a partir da adolescência. Fatores
determinantes da inatividade física em crianças e adolescentes envolvem:

- Biológicos: sexo feminino, adolescentes, desnutridos, sobrepeso e obesos,


pior aptidão física.

- Socioeconômicos: nível socioeconômico mais baixo, menor escolaridade


da mãe, mãe que trabalha fora do domicílio.

- Ambientais: pior infraestrutura comunitária, serviços públicos ausentes


ou irregulares, que não brincam fora de casa/ao ar livre, que não tem acesso/
conhecimento de programas de promoção de saúde.

- Psicológicos: pior autoestima, menor apoio dos pais e amigos, menor nível
de atividade física dos pais e menor capital social comunitário.

54
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Figura 4 – Fatores determinantes para as crianças e


adolescentes mais ativos e menos ativos

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (2008).

Atividade Física e SaÚde


A atividade física é comportamento que, juntamente com a genética,
nutrição e o ambiente, contribuem para que a criança e o adolescente atinjam
seu potencial de crescimento, desenvolvam plenamente a aptidão física e tenham
como resultante um bom nível de saúde (SOUSA; NUNES, 2015).

A relação entre aptidão física, atividade física e saúde é próxima e recíproca.


A prática de atividade física resulta em índices de aptidão física que interferem
na prática da atividade física. Os índices de saúde também influenciam os níveis
de aptidão física e podemos exemplificar essa afirmativa quando vemos atletas
terem seu desempenho prejudicado por se adoentarem. Além disso, podemos
verificar que as pessoas fisicamente ativas melhoram sua imunidade e possuem
menores frequências de infecções ou outras doenças (ARAÚJO; ARAÚJO,
2000). Indivíduos saudáveis, após três a quatro semanas de repouso absoluto,
apresentam uma redução importante no consumo máximo de oxigênio, que só
retornam aos níveis iniciais após dois meses de treinamento físico.

55
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 13 – Modelo conceitual da atividade física e saúde

Fonte: Bouchard, Shephard e Stephens (1994) e Sociedade Brasileira de Pediatria (2008).

A atividade física habitual pode influenciar a aptidão física e é


Esse modelo
conceitual de correlacionada com o nível habitual de atividade física. A aptidão física
atividade física e é influenciada reciprocamente pela saúde e a saúde influencia tanto o
saúde demonstra
que outros fatores nível de atividade física habitual quanto o nível de aptidão física. Esse
influenciam essa modelo conceitual de atividade física e saúde demonstra que outros
relação como os fatores influenciam essa relação como os componentes do estilo de
componentes do
estilo de vida: vida: as condições ambientais, as características pessoais e genéticas/
as condições hereditariedade, resultando, portanto, na conclusão de que o nível da
ambientais, as
características aptidão física não determina inteiramente o nível de atividade física
pessoais e genéticas/ individual e vice-versa (BOUCHARD; SHEPHARD; STEPHENS, 1994).
hereditariedade,
resultando, portanto,
na conclusão de que Nesse contexto, hereditariedade pode ser compreendida como um
o nível da aptidão conceito que inclui os efeitos do genoma determinando as respostas
física não determina
inteiramente o nível para certo estilo de vida e para os fatores ambientais que são
de atividade física considerados por ele como os fatores físicos (temperatura, umidade,
individual e vice- altitude, qualidade do ar) e os de natureza social (locais de residência
versa (BOUCHARD;
SHEPHARD; e de trabalho etc.). As características pessoais incluem ainda a idade,
STEPHENS, 1994). o sexo, a condição socioeconômica, a personalidade e a motivação
(SOUSA; NUNES, 2015).

Atividade de Estudos:

1) Relacione as definições a seguir conforme a letra correta:

Multiplicidade de aspectos do comportamento


( ) humano. Condição humana com dimensões física,
(A) Atividade física
social e psicológica, caracterizada por polos positivo
e negativo.
Não é um comportamento, mas uma característica
( ) que o indivíduo possui ou atinge (potência aeróbica,
(B) Exercício físico
endurance muscular, força, composição corporal e
flexibilidade).
56
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Qualquer movimento corporal voluntário que resulte


(C) Aptidão física ( )
em gasto energético acima dos níveis de repouso.
Subcategoria da atividade física que é planejada, es-
(D) Estilo de vida ( )
truturada e repetitiva.
Jeito de viver. Conjunto de atividades cotidianas, ha-
(E) Saúde ( ) bituais, que são incorporadas em função dos valores,
atitudes e oportunidades nas vidas das pessoas.

2) Quais são os fatores determinantes da inatividade física na


infância e adolescência?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

ModiFicações no Processo de
Crescimento e Maturação
As alterações hormonais na puberdade refletem a transição entre o estado
sexual imaturo (pré-púbere) e a fertilidade completa (pós-púbere). Alterando
algumas respostas fisiológicas que podem variar conforme o sexo.

Ocorre aumento
da estatura, da
Ocorre aumento da estatura, da composição corporal, da aptidão
composição
física, dos níveis de testosterona e estrogênio e do hormônio do corporal, da aptidão
crescimento. Nas meninas, quadris mais largos causam uma maior física, dos níveis
angulação das coxas para dentro, o que pode modificar a técnica da de testosterona
corrida. Pode ser frustrante para elas perceber o quão difícil se torna e estrogênio e
realizar movimentos antes desempenhados com grande facilidade. do hormônio do
crescimento.
Neste sentido, os profissionais de educação física e outros profissionais

57
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

da saúde ou da educação devem ficar atentos e preparar as crianças e


adolescentes para as transformações corporais que acontecem na puberdade.

Pode haver um período em que se verifica pouco ou nenhum progresso


no desempenho e nos resultados, mas, uma vez adaptada a técnica às novas
proporções corporais, novos progressos serão obtidos. Muitas vezes, esse
período de reajuste pode durar até dois anos, o que torna fundamental o papel do
professor, pois ele deve ser ao mesmo tempo um encorajador e um motivador de
seus alunos.

ModiFicações Estruturais e
Fisiológicas
Aqui vamos discutir as modificações estruturais e fisiológicas da criança e do
adolescente relacionadas ao tamanho corporal, tecido muscular, ósseo e tecido
adiposo.

Tamanho e proporções corporais

O tamanho e proporções corporais ocorrem de forma diferente ao longo da


idade da criança e do adolescente. Por exemplo, com relação à cabeça, tronco e
extremidades, primeiro crescem os membros inferiores, depois os superiores e
tronco. Primeiro a porção distal das pernas e dos braços, depois a proximal das
pernas e dos braços.

O tamanho e Neste sentido, a aptidão física tem relação com composição


proporções corporais corporal. Em linhas gerais, existe relação inversa entre massa corporal
influenciam a e gordura corporal com o VO2máx. O tamanho e proporções corporais
biomecânica,
potência e a influenciam a biomecânica, potência e a coordenação de movimentos.
coordenação de
movimentos.
Normalmente, o período da puberdade inicia-se e termina mais
cedo nas meninas do que nos meninos. Assim, as diferentes características que
existem entre os sexos aparecem na puberdade, como resultado das mudanças

58
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

hormonais produzidas no corpo. Tipicamente, isso resulta em um alargamento dos


quadris e dos ombros, tanto nas meninas como nos meninos, mas em proporções
diferentes. Essas transformações alteram a forma como os adolescentes se
movimentam e como respondem aos estímulos motores a que são submetidos
(MEYER; SEHL, 2013).

Tecido muscular esquelético

Na fase pós-púbere o tecido muscular é 1,5 vezes maior nos meninos que
nas meninas e o nível de testosterona é 10 vezes maior nos meninos em relação
às meninas.

Tecido ósseo

O tecido ósseo cresce e se renova intensamente antes da maturidade. Ocorre


crescimento da espessura e diâmetro do osso. Durante a puberdade acelera
a fusão das placas epifisárias (placas de crescimento). Muito disso estimulado
pelos hormônios andrógenos (testosterona e estrógeno) que promove maturação
esquelética. No sexo feminino, o crescimento do tecido ósseo é considerado
similar ao sexo masculino até cerca de 10-12 anos.

Tecido adiposo

O tecido adiposo possui funções como reserva energética, transporte de


vitaminas lipossolúveis e síntese de alguns hormônios. Em meninas, estimulação
da ovulação, maturação do sistema reprodutivo e características sexuais (mamas,
pelos pubianos). Níveis de estrogênio afetam a quantidade e localização do
depósito de gordura. O tecido adiposo aumenta de forma semelhante entre sexos
até 10-12 anos de idade, no entanto, depois, o aumento do tecido adiposo nas
meninas é maior quando comparado aos meninos.

59
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Impacto Sobre os Componentes da


Aptidão Física
O processo de modificação da infância para a adolescência (pré-púbere
para pós-púbere) envolve mudanças que afetam as componentes de aptidão
física relacionada à saúde (capacidade aeróbia, força e resistência muscular,
flexibilidade e composição corporal) e relacionada ao desempenho (equilíbrio,
velocidade, potência anaeróbia, economia de movimento, agilidade, entre outros)
(MEYER; SEHL, 2013).

Capacidade aeróbia

Ocorre aumento do VO2máx da fase pré-púbere ao adulto jovem:

- Maior nos meninos.


- Relacionado ao aumento de massa muscular.
- Antes da puberdade pouca diferença entre sexos.

A capacidade aeróbia aumenta com o treinamento adequado:

- Não necessariamente ocorre aumento do VO2máx.


- O volume de treinamento aeróbio pode ser insuficiente para afetar
VO2máx da criança previamente ativa.
- “Utiliza” o treinamento para melhorar a biomecânica e a economia de
movimento.

O consumo de oxigênio pode ser observado em formas absolutas (L.min-1)


ou relativas (ml.kg.ml-1). No consumo de O2 absoluto há um ganho de massa
essencialmente muscular, o que faz com que o consumo máximo de O2 aumente
proporcionalmente mais nos meninos do que nas meninas. No consumo de O2
relativo, durante a puberdade a menina ganha mais tecido adiposo, por isso a
queda no consumo máximo de O2. Porque a divisão nesse caso é pela massa
corporal total e não apenas pela massa muscular (Figura 14). O consumo de
oxigênio de uma criança com uma carga regular tem características distintas em
relação a um adulto.

60
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Figura 14 – O consumo de oxigênio nos meninos e nas meninas

Fonte: Meyer e Sehl (2013).

Potência anaeróbia

- Pré-púbere: similar entre sexos.


- Puberdade: aumenta mais nos meninos do que nas meninas.
- Correlação com aumento da massa muscular.
- Metabolismo energético glicolítico é inferior na criança.
- Lactato sanguíneo é mais baixo nas crianças do que adolescentes e adultos
após exercício máximo.
A atividade glicolítica
- Menor porcentagem de massa muscular e menor atividade glicolítica anaeróbia é menor
anaeróbia. na criança, então
- Sistema anaeróbio ainda é deficitário e pode começar a gerar lesões e quando ela realizar
microlesões. uma atividade com
carga de trabalho
aeróbia, ela tem
A atividade glicolítica anaeróbia é menor na criança, então quando
menos capacidade
ela realizar uma atividade com carga de trabalho aeróbia, ela tem glicolítica para
menos capacidade glicolítica para segurar o aumento de carga, e para segurar o aumento
isso ela vai acelerar o processo oxidativo. Consequentemente, a criança de carga, e para isso
compensa a incompetência anaeróbia por uma competência aeróbia. ela vai acelerar o
Comparando um exercício de alta intensidade, 15 segundos, entre uma processo oxidativo.
criança e um adulto a concentração de lactato muscular da criança vai
ser baixa, o que obriga a compensar com o sistema aeróbio. Quanto O anaeróbio ainda
maior a idade, maior a concentração de lactato (Figura 7). é deficitário. Poderá
dar início a lesões
Por isso, treinar crianças para alto desempenho, com cerca de e microlesões por
10/11 anos de idade para serem campeãs mundiais trará adaptações causa do desgaste
ósteoarticular
antecipadas em relação ao sistema aeróbio, pois o anaeróbio ainda
provocado pelo
é deficitário. Poderá dar início a lesões e microlesões por causa do exercício excessivo
desgaste ósteoarticular provocado pelo exercício excessivo ou mal ou mal realizado.
realizado, em uma fase em que as estruturas ósseas na criança ainda

61
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

estão em formação. Pode ocorrer o que se chama de queima antecipada ou


precoce do talento.
No decorrer da puberdade, com o aumento de massa muscular, a estrutura
óssea pode não aguentar essa evolução muscular, fazendo com que o jovem
sofra lesões. A consequência de todos esses fatores é que essa criança que foi
treinada desde muito cedo, começa a perder potência na adolescência, ao passo
que aquela criança que não treinava tanto, brincava em um ritmo mais moderado,
começa a ganhar massa muscular e melhorar a sua potência na realização dos
exercícios.

Portanto, pensando em saúde e qualidade de vida, não se treina criança


em alta intensidade, ela pode realizar atividades lúdicas em níveis de baixa ou
moderada intensidade com aqueles exercícios que se almeja ter o esportista.
Uma exceção pode ser que períodos bem curtos de alta intensidade podem ser
bem tolerados pelas crianças.

Figura 15 – Quanto menor a idade, menor a concentração de


lactato após exercício de alta intensidade

Fonte: Oliveira (2013); Meyer e Sehl (2013).

Força muscular

A força muscular aumenta com a idade, principalmente a partir da puberdade:

- Meninos: aumenta linearmente e ocorre aceleração durante o pico de


crescimento.
- Meninas: aumenta linearmente.
- Após 16-17 anos, poucas meninas têm média de força maior do que
62
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

meninos.
Pré-púberes podem aumentar força muscular com treinamento resistido
adequado para a idade, devido, principalmente:

- Aumento do recrutamento de unidades motoras e sincronismo.


- Coordenação dos movimentos.
- Durante a puberdade ocorre também aumento de massa muscular.

Figura 16 – Modelo teórico para adaptações relacionadas à capacidade de força:


potência anaeróbia / força motora

Fonte: Adaptado e traduzido de Wilmore; Fundação Vale (2013)

Durante o processo de crescimento, existe melhora da coordenação


Durante o processo
e do controle motor, em virtude do aumento das ramificações dos
de crescimento,
neurônios, aumento da mielinização e maior densidade de contatos existe melhora da
entre os neurônios no estímulo do aprendizado motor durante as coordenação e do
tarefas. O que favorece a transmissão das informações e a economia controle motor
de movimento com aumento da idade da infância para a adolescência
(MEYER; SEHL, 2013).

Atividades de Estudos:

1) Quais são as aptidões físicas relacionadas à saúde?


_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________

63
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

2) O que acontece com a força muscular na infância e na


adolescência? E em relação ao sexo? Diferencie.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Períodos Sensíveis para o


Desenvolvimento
Fases sensíveis Fases sensíveis podem ser períodos da vida nos quais se adquirem
podem ser períodos rapidamente modelos específicos de comportamento relacionados ao
da vida nos quais
se adquirem ambiente e nos quais se evidencia elevada sensibilidade do organismo
rapidamente modelos para realizar determinadas experiências. Uma fase em que existe uma
específicos de sensibilidade particular direcionada a determinados estímulos externos
comportamento
relacionados ao (BARBANTI, 2011). As hipóteses sobre a existência das chamadas
ambiente e nos fases sensíveis no desenvolvimento das capacidades motoras têm
quais se evidencia
elevada sensibilidade suscitado grande interesse na área de atividade física e do esporte. A
do organismo para evolução motora não é biologicamente linear, mas sim irregular. Nesse
realizar determinadas processo alternam-se períodos de desenvolvimento e de evolução
experiências.
lenta (relacionados com a idade, com as condições de vida e com as
particularidades individuais) e outros de maturação rápida, no nível morfofuncional.
Ao final desses períodos, observamos condições especialmente favoráveis para
o desenvolvimento das capacidades motoras. Esses períodos correspondem às
chamadas fases sensíveis.

Flexibilidade

A flexibilidade refere- A flexibilidade refere-se à amplitude de movimento de uma


se à amplitude de articulação. É umas das aptidões físicas relacionadas à saúde
movimento de uma e ao desempenho dos esportes. Melhorá-la é um dos objetivos
articulação.
fundamentais de um programa de atividade física. Com relação à
faixa etária, pode-se afirmar que a flexibilidade é a capacidade física que tem
seu pico de desenvolvimento na passagem da infância para a adolescência,
pois, a partir desse momento, essa capacidade tende a diminuir gradualmente
com a progressão da idade. Podemos verificar na figura a seguir os períodos
de maior sensibilidade (momentos de maior propensão) ao desenvolvimento da
flexibilidade, diferenciados por faixas etárias e sexo.

64
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Figura 17 – Períodos sensíveis para o desenvolvimento da flexibilidade

Fonte: Fundação Vale (2013, p. 37).

As crianças são flexíveis, mas é comum que a flexibilidade diminua


com a idade após a puberdade, sobretudo nos meninos, supostamente em
consequência dos ganhos no tamanho dos membros superiores e inferiores e na
força muscular. A flexibilidade, portanto, requer treinamento durante os estágios
de desenvolvimento do jovem atleta (WEINECK, 2012).

Resistência: capacidade aeróbia e anaeróbia

Resistência é a capacidade de se resistir à fadiga nos esforços


Resistência é a
de longa duração e de intensidade moderada ou vigorosa (BARBANTI,
capacidade de se
2011). resistir à fadiga
nos esforços de
Para resistência ou capacidade anaeróbia, que incluem as longa duração e
atividades de maior intensidade e de curta ou média duração, estudos de intensidade
demonstram que crianças e adolescentes submetidos a esse tipo de moderada
ou vigorosa
trabalho frequentemente têm o seu desempenho prejudicado ou, ainda,
(BARBANTI, 2011).
sofrem lesões físicas e psicológicas, uma vez que podem não conseguir
suportar tais cargas de trabalho.

Os períodos de melhor predisposição para o desenvolvimento da resistência


de acordo com a faixa etária e o sexo estão apresentados na figura a seguir.

65
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 18 – Períodos sensíveis para o desenvolvimento da resistência:


capacidade aeróbia e anaeróbia

Fonte: Fundação Vale (2013, p. 33).

Crianças e jovens apresentam, sob o ponto de vista metabólico e


cardiopulmonar, boa capacidade de responder a estímulos de resistência com
mobilização aeróbia de energia. Em contrapartida, a capacidade anaeróbia de
crianças apresenta uma melhora em função da idade e do crescimento. A faixa
etária ideal para esse treinamento anaeróbio ocorre a partir dos 14 anos, em
média (WEINECK, 2012).

Força: potência anaeróbia / força motora

A força é a capacidade de se aplicar esforço contra uma


A força é a
capacidade de se determinada resistência. Outra aptidão física relacionada à saúde
aplicar esforço contraimportante. Não importa saber apenas em que idade pode-se
uma determinada
resistência. iniciar o treinamento resistido, é muito mais importante conhecer as
correspondências das cargas utilizadas com as possibilidades da idade
(WEINECK, 2012). Dessa forma, não se devem aplicar exercícios em termos
máximos, quer na carga ou na intensidade, antes da formação plena do sistema
ósseo, o que ocorre por volta dos 17 anos de idade.

As crianças adaptam-se bem à força muscular e apresentam melhora nos


padrões de recrutamento neural das unidades motoras. Desde que não seja um
treinamento em doses inadequadas ou exageradas, visando aumentar a força na
infância para melhorar o desempenho e o rendimento nos esportes competitivos.

Para o desenvolvimento oportuno e específico da capacidade física da força


nas diferentes faixas etárias, é decisivo, para a evolução posterior do desempenho,
tomar cuidado com as particularidades do organismo em crescimento. Isso se
deve ao fato de que o sistema ósseo da criança e do adolescente é mais elástico
devido a menores inclusões calcárias. É possível observar na figura a seguir os
períodos de maior sensibilidade ao desenvolvimento da força, diferenciados por
faixas etárias e sexo.
66
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Figura 19 – Períodos sensíveis para o desenvolvimento da força:


potência anaeróbia / força motora

Fonte: Fundação Vale (2013, p. 36).

Com a puberdade, a síntese de testosterona aumenta significativamente,


e, com ela, aumenta também o potencial de desenvolvimento da força. A
testosterona é um hormônio que está presente em homens e mulheres, mas
apresenta concentrações bem maiores nos homens. A contribuição para o ganho
de força é a partir da puberdade, período em que sua produção e secreção
aumentam por consequência de mudanças maturacionais. A força muscular tem
seu potencial máximo na idade adulta, fase na qual o ganho de força é superior ao
da puberdade.

Ao longo da puberdade há também um aumento da massa muscular, que


pode ser relacionado ou mesmo decorrente do aumento da testosterona, uma
vez que esse hormônio também é um fator responsável pela hipertrofia muscular.
A diferenciação entre os tipos de fibras musculares também interfere na força
muscular. Maiores quantidades de fibras dos tipos IIa e IIb são capazes de
gerar mais força do que as do tipo I. No entanto, todas essas fibras musculares
sofrem influência direta do tipo de treinamento. Outro fator importante para o
desenvolvimento da força muscular são as adaptações que o sistema nervoso
central promove, de acordo com a idade e com o treinamento da força, como maior
sensibilização dos comandos neurais e dos proprioceptores, maior mielinização
dos axônios e maior rapidez do transporte de mensagens (FUNDAÇÃO VALE,
2013).
A coordenação é a
habilidade de utilizar
Coordenação
de forma produtiva
os grandes grupos
Durante o processo de crescimento, existe melhora da coordenação musculares, o
e do controle motor. A coordenação é a habilidade de utilizar de forma que resulta em
produtiva os grandes grupos musculares, o que resulta em uma ação uma ação global
global mais eficiente e econômica. A coordenação permite à criança mais eficiente e
econômica.
dominar seu corpo no espaço, pelo controle de seus movimentos e
67
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

pelo aperfeiçoamento dos gestos de forma mais eficaz e menos dispendiosa


energeticamente. Capacidades coordenativas deficientes normalmente são
originárias de uma insuficiente estimulação nos primeiros anos de vida e não
estão relacionadas diretamente à falta de pré-disposição, mas sim à falta de
estímulos corretos. A figura a seguir apresenta os períodos de maior sensibilidade
ao desenvolvimento da coordenação, considerando-se diferentes faixas etárias e
sexo.

Figura 20 – Períodos sensíveis para o desenvolvimento da coordenação

Fonte: Fundação Vale (2013, p. 37).

EFEITOS DA ATIVIDADE FÍSICA E TREINAMENTO


EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Do ponto de vista fisiológico, a criança apresenta diferenças


significativas durante o processo de crescimento e desenvolvimento
em relação ao organismo adulto. A criança e o adolescente
Do ponto de vista apresentam menor consumo máximo de oxigênio, menores
fisiológico, a criança
apresenta diferenças estoques de glicogênio e de gordura corporal, maior intolerância
significativas à hipertermia e menor período de recuperação entre uma
durante o processo
de crescimento e atividade física e outra quando comparadas com adultos.
desenvolvimento em
relação ao organismo Essas diferenças serão determinantes no perfil de aptidão
adulto.
física encontrado em cada faixa etária, por serem limitantes
do desempenho em atividades de exercício e/ou esportivas,
Menor consumo contínuas e de longa duração, conferindo um perfil de atividades
máximo de oxigênio,
menores estoques intermitentes que permite realizar várias atividades diárias, tendo
de glicogênio e de como vantagem em relação aos adultos, melhor capacidade de
gordura corporal,
maior intolerância recuperação entre uma atividade e outra.
à hipertermia e
menor período de A participação da criança em atividades esportivas é parte
recuperação entre
uma atividade física do processo de socialização, pois além dos benefícios para a
e outra saúde, oferece oportunidades de lazer e desenvolvimento de
melhor aptidão física que leva à melhoria da autoestima.
68
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Na maioria das vezes, os profissionais de saúde devem estar


atentos a problemas que podem surgir envolvendo o sistema
músculo esquelético. As lesões habitualmente resultam de atividades
intensas e repetitivas, praticadas por crianças que participam de
treinamentos e competições de alto nível esportivo. As tendinites,
lesões nas epífises de crescimento e macrotraumas como fraturas,
torções e distensões, são as mais frequentes.

A hipertermia é condição a que a criança está mais sujeita por


uma superfície corporal proporcionalmente maior que a do adulto,
maior produção de calor e menor transpiração. As consequências
da hipertermia podem ser graves, portanto, crianças não devem
ser expostas a situações de risco. A Academia Americana de
Pediatria recomenda um período de adaptação e a mensuração da
temperatura ambiente, radiação solar e umidade relativa do ar em
competições entre crianças e adolescentes realizadas em locais
quentes. A hidratação é recomendada antes, durante e após as
práticas esportivas.

Quando a prática de atividade física e de treinamento é


Quando a prática
inadequada, além das lesões físicas, podem ocorrer estresse,
de atividade física
distúrbios alimentares e psicológicos. A utilização indevida de e de treinamento é
suplementos alimentares e substâncias farmacológicas entre inadequada, além
jovens que anseiam obter melhor rendimento, mais músculos e das lesões físicas,
reduzir a gordura corporal, propiciam riscos nutricionais que não podem ocorrer
podem ser ignorados. Profissionais de saúde e educadores devem estresse, distúrbios
alimentares e
desestimular a especialização precoce em uma única atividade e
psicológicos.
a superação de limites que podem prejudicar o desenvolvimento
normal do organismo em crescimento. As atividades esportivas
podem ser utilizadas para incrementar a atividade física em O esporte será
benéfico se respeitar
crianças e adolescentes, desde que não seja maximizado o
os limites fisiológicos
componente competitivo inerente a elas, nem seja estimulada de cada faixa etária
a especialização precoce. O esporte será benéfico se respeitar sempre priorizando
os limites fisiológicos de cada faixa etária sempre priorizando o o componente
componente lúdico. lúdico.

Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria (2008, p. 9-10).

69
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Prescrição de Exercício Físico na


InFÂncia e na AdolescÊncia
Do ponto de vista de saúde pública, as crianças e adolescentes
aparentemente saudáveis podem participar de atividades de baixa e moderada
intensidade, lúdicas e de lazer, sem a obrigatoriedade de uma avaliação pré-
participação. Algumas condições básicas de saúde (nutrição adequada) devem
ser atendidas para que a atividade física seja implementada. Quando o objetivo
é a participação competitiva ou atividades de alta intensidade, uma avaliação
médica mais ampla deve ser realizada. Deve-se realizar também uma avaliação
da composição corporal, avaliação postural, testes de capacidade aeróbia e
anaeróbia, de flexibilidade, entre outros (LAZZOLI et al., 1998; SOCIEDADE
BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2008; RASO; GREVE; POLITO, 2013).

Avaliação pré-participação para atividade física regular:

- Avaliação médica, avaliação física inicial e anamnese.


- Verificação dos riscos e contraindicações.
- Apresentação e verificação dos benefícios.

A avaliação pré-participação tem como objetivo verificar contraindicações


e assegurar uma relação benefício/risco favorável e deve considerar objetivos,
disponibilidade de infraestrutura e de pessoal qualificado. O risco de eventos e
complicações cardiovasculares na criança é considerado baixo, exceto quando
existem cardiopatias congênitas ou doenças agudas. A presença de algumas
condições clínicas exige a adoção de recomendações especiais e devem
ser identificadas e quantificadas, tais como a asma, a obesidade e o diabetes
(LAZZOLI et al., 1998; RASO; GREVE; POLITO, 2013).

Do ponto de vista do aparelho locomotor, considerando que os ossos das


crianças e adolescentes ainda estão em formação, as placas de crescimento são
vulneráveis e lesões por traumatismos agudos ou crônicos podem ocorrer. Dessa
forma, devem ser identificadas características anatômicas, biomecânicas e de
aptidão física que possam facilitar a ocorrência dessas lesões (LAZZOLI et al.,
1998; SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2008).

A prevenção de lesões deve ser realizada por meio de diagnóstico precoce


de alterações posturais. O profissional da atividade física deve realizar um
planejamento adequado de métodos de treinamento, evitando sobrecargas
que predisponham a lesões agudas e crônicas do sistema musculoesquelético.
Devemos também estimular o uso de equipamentos de segurança e realizar o

70
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

monitoramento de condições ambientais. A avaliação clínica pré-temporada


de esportes e de treinamentos físicos deve ser conduzida por uma equipe
multiprofissional atenta a esses aspectos. Técnicos, preparadores físicos,
profissionais de educação física, pais, árbitros e outros profissionais da saúde
devem estar cientes dos potenciais riscos que as crianças e adolescentes podem
passar. Isto pode ser decorrente de sobrecarga física e tensão emocional em
fases precoces da vida, com prejuízos que podem variar desde poucos dias de
falta na escola até incapacidades permanentes (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
PEDIATRIA, 2008).

Contraindicações à prática de atividades físicas

Não há contraindicação para a atividade física/exercícios/esportes,


mesmo na criança doente ou com problemas físicos. Basta adaptar à etapa
do desenvolvimento e às condições de cada criança (SOCIEDADE BRASILEIRA
DE PEDIATRIA, 2008; PESCATELLO, 2014).

• Do ponto de vista fisiológico, existem diferenças significativas da


criança/adolescente em relação ao organismo adulto:

− Menor consumo máximo de oxigênio.


− Menores estoques de glicogênio e de gordura corporal.
− Maior intolerância à hipertermia.
− Maior flexibilidade.
− Menor período de recuperação entre sessões de exercício.

Essas diferenças são decisivas nos níveis de aptidão física em cada faixa
etária, por serem limitantes do desempenho em atividades de exercício e/
ou esportivas, contínuas e de longa duração, atribuindo um perfil de atividades
intermitentes que permite as crianças realizarem várias atividades diárias, tendo
como vantagem em relação aos adultos, melhor capacidade de recuperação entre
uma atividade e outra.

A participação da criança e do adolescente em atividades físicas e esportivas


é parte do processo de socialização. Além dos benefícios à saúde, oferece
oportunidades de lazer e desenvolvimento da aptidão física que leva à melhoria da
autoestima. As lesões habitualmente resultam de atividades intensas e repetitivas,
praticadas por crianças que participam de treinamentos e competições de alto
nível esportivo (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2008).

Quando a prática de atividades físicas e esportivas é inadequada,


além das lesões musculoesqueléticas, pode ocorrer estresse, distúrbios
alimentares e psicológicos. A utilização imprópria de suplementos alimentares

71
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

e de substâncias farmacológicas entre jovens para obter melhor


Profissionais de
saúde e educadores rendimento, mais músculos e menos gordura corporal, propiciam riscos
devem desestimular à saúde. Profissionais de saúde e educadores devem desestimular
a especialização a especialização precoce em uma única atividade esportiva voltada
precoce em uma
única atividade ao desempenho antes dos 12 anos de idade, pois a superação de
esportiva voltada ao limites físicos e mentais pode prejudicar o desenvolvimento normal
desempenho antes
dos 12 anos de idade. do organismo em crescimento. Do ponto de vista da atividade física
e saúde, as atividades esportivas podem ser utilizadas para aumentar
o nível de atividade física em crianças e adolescentes, desde que não seja
maximizado o componente competitivo, nem seja estimulada a especialização
precoce. O esporte será benéfico se forem respeitados os limites fisiológicos de
cada criança/adolescente e se for priorizado o componente lúdico (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2008).

Benefícios da prática de atividades físicas na infância e adolescência:

- Melhora da aptidão cardiovascular.


- Aumento da força e resistência muscular.
- Melhora da saúde esquelética (densidade mineral óssea).
- Redução da gordura corporal (visceral e periférica).
- Redução dos níveis de triglicerídeos.
- Redução dos sintomas de depressão.
- Associação com nível de atividade física na vida adulta.
- Estímulo ao bem-estar e hábitos de vida saudáveis.
- Formação de hábitos de vida saudáveis no futuro.
- Contribui na saúde e controle de peso.
- Redução do risco para doenças crônicas: doenças cardiovasculares, cânceres,
diabetes e hipertensão arterial sistêmica.
- Promoção da convivência saudável em comunidade.
- Estímulo ao amadurecimento das habilidades cognitivas e motoras. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2008).

Para a área de atividade física e saúde, os exercícios e as atividades físicas


e esportivas podem ser propostos da seguinte forma, considerando os estágios
de desenvolvimento:

- Até 7 anos: recomenda-se desenvolver, de forma lúdica, movimentos


naturais: andar, correr, saltar, arremessar, pular, subir e nadar (jogos de quadra e
campo, natação, capoeira, dança, ginástica artística etc.).

- 8 aos 11 anos: pode-se incrementar as atividades anteriores com maiores


exigências de velocidade e coordenação (tornam-se mais fortes, mais rápidas e
melhor coordenadas).

72
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

- 12 e mais: pode-se escolher uma única atividade a ser praticada com


maiores exigências técnicas (modalidades de competição, iniciando
treinamento visando resultados). 60 minutos ou mais
de atividades físicas
Recomendações atuais – atividades físicas na infância e de intensidade
moderada
adolescência
e vigorosa,
diariamente,
As recomendações gerais atuais para prescrição de atividades apropriadas
físicas em crianças e adolescentes envolvem (WHO, 2016): ao estágio de
desenvolvimento
− 60 minutos ou mais de atividades físicas de intensidade moderada e que propiciem
prazer.
e vigorosa, diariamente, apropriadas ao estágio de desenvolvimento e
que propiciem prazer.

Figura 13 – Nível suficiente de atividade física para crianças e adolescentes

Fonte: Disponível em: <http://lepafsdef.yolasite.com/campanha-


para-escolares.php>. Acesso em: 10 fev. 2017.

Quantidades de atividade física superiores a 60 minutos proveem benefícios


adicionais. A maior parte pode ser aeróbia. Atividades de intensidade
A maioria dos
vigorosa devem ser incorporadas, incluindo as que fortalecem músculos 60 minutos ou
e ossos, no mínimo três vezes por semana. mais por dia deve
ser de atividade
Aeróbio: física aeróbia
de intensidade
moderada ou
- A maioria dos 60 minutos ou mais por dia deve ser de atividade
vigorosa.
física aeróbia de intensidade moderada ou vigorosa. Atividades aeróbias
73
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

são as que se movem ritmicamente grandes grupos musculares: correr, pular,


saltar, pular corda, natação, dança, ciclismo.
- Com relação à intensidade, são necessários >80% FCmáx para estimular
adaptações significativas no VO2máx e proporcionar benefícios fisiológicos (jogos
intermitentes/HIIT).

Fortalecimento muscular/atividades resistidas:

- Como parte de seus 60 minutos ou mais por dia deve-se incluir


Como parte de seus
60 minutos ou mais atividade física de fortalecimento muscular (exercícios resistidos,
por dia deve-se de resistência) em pelo menos 3 dias da semana. São atividades
incluir atividade física
de fortalecimento que fazem os músculos trabalharem mais do que o habitual, com
muscular (exercícios sobrecarga:
resistidos, de - Não estruturadas: jogos, equipamentos de playground, subir em
resistência) em pelo
menos 3 dias da árvores e cabo de guerra, puxar, empurrar, levantar etc.
semana. - Estruturadas: levantar cargas/pesos ou trabalhar com bandas
elásticas.

Fortalecimento ósseo:

- Como parte de seus 60 min ou mais por dia deve-se incluir


Como parte de seus
60 min ou mais atividades de fortalecimento ósseo por pelo menos 3 dias da semana.
por dia deve-se São atividades que produzem força sobre os ossos. Esta força é
incluir atividades de geralmente produzida por impacto com o solo: correr, pular corda,
fortalecimento ósseo
por pelo menos 3 dias basquete, tênis, amarelinha etc.
da semana. - Também pode ser trabalhado o fortalecimento ósseo com
atividades aeróbias e de fortalecimento muscular descritas acima.

Importante:

- Atividades intermitentes são mais toleradas.


- Exercícios resistidos podem ser feitos em intensidade moderada.
- Privilegiar a variedade de atividades (jogos, dança, esportes e
atividades para fortalecimento muscular e ósseo).

Crianças com menos de um ano de idade devem ser encorajadas


Crianças com
menos de um ano a realizar atividades físicas desde o nascimento! Brincadeiras
de idade devem ser realizadas no chão (com ambiente limpo e seguro), sob a supervisão de
encorajadas a realizar
atividades físicas responsáveis. Antes de engatinhar, inclusive, a criança deve alcançar,
desde o nascimento! pegar, puxar e empurrar objetos, além de mover sua cabeça, tronco e
membros.

74
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Crianças que já podem andar sozinhas devem ser fisicamente


Crianças que já
ativas todos os dias por pelo menos 180 minutos. Estas três horas podem andar
diárias podem ser acumuladas ao longo do dia, incluindo atividades sozinhas devem ser
de intensidade leve como levantar-se, rolar, brincar e caminhar fisicamente ativas
vagarosamente, bem como atividades mais energéticas como correr, todos os dias por
pular, pedalar, dançar e participar de brincadeiras ativas como esconde- pelo menos 180
minutos.
esconde, pega-pega, entre outras atividades com movimentos físicos e
criativos.

A pirâmide da atividade a seguir, mostra as recomendações abordadas até


aqui.

Figura 22 – Pirâmide da atividade física de crianças e adolescentes

Fonte: Elaborado por Prof. Dr. Clóvis Arlindo de Sousa. Adaptado


de CDC (2009), ACSM’s (2014) e WHO (2016)
75
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2016), existem


evidências científicas disponíveis de que a atividade física regular oferece
benefícios fundamentais para crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos. Por
exemplo:

- Saúde dos tecidos musculoesqueléticos (ossos, músculos e articulações).


- Saúde do sistema cardiovascular (coração, pulmões e vasos sanguíneos).
- Consciência neuromuscular (coordenação motora e controle do movimento).
- Manutenção de um peso corporal saudável.
- Saúde psicológica (controle sobre sintomas de ansiedade e depressão).
- Desenvolvimento social ao prover oportunidades para autoexpressão e
construção da autoconfiança, interação e integração social.

Para crianças e adolescentes, atividades físicas incluem jogos, esportes,


transporte/deslocamento, tarefas, recreação, educação física ou exercício
planejado, realizadas diariamente no contexto familiar ou comunitário.

Considerações Especiais
- Sobrepesos e obesos ou fisicamente inativos podem não ser capazes
de atingir 60 minutos de atividade física. Aumentar gradualmente a frequência e o
tempo do exercício físico.
- Crianças e adolescentes com doenças ou deficiências (asma, diabetes,
obesidade, paralisia cerebral etc.) devem ter as suas prescrições, indicações e
contraindicações para exercícios físicos na medida para sua condição, sintomas e
capacidade funcional.
- Asmáticos devem receber orientações e acompanhamento adequados
para evitar o broncoespasmo induzido pelo exercício.
- Diabéticos tipo 1 devem evitar as alterações inadequadas de glicemia em
virtude de atividades físicas.

- Musculação pode? Sim, desde que recebam instrução e supervisão


adequadas.
- Para o treinamento resistido (musculação) geralmente são propostas as
mesmas orientações para adultos, com menor sobrecarga e no ponto de fadiga
moderada.
- Duração: 20-60 minutos.
- Frequência: 2-3x por semana.
- Séries e repetições: 2-3 séries, 8-15 repetições.
- Entre 8 e 10 exercícios para os grandes grupos musculares.

76
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Figura 23 – Orientações para progressão de exercícios resistidos


(inclui musculação) para crianças e adolescentes

Fonte: Perfeito, Souza e Alves (2013); Fleck e Kraemer (2006).

Treinamento resistido/de força x possíveis lesões

• Lesões agudas
- Distensão muscular
- Danos à cartilagem do crescimento
- Fraturas
- Lesões lombares e lombalgia
• Lesões crônicas
- Cartilagem de crescimento
- Lesões na região posterior de tronco

Para você estudar mais sobre as possíveis lesões em relação


ao treinamento resistido para crianças e adolescentes, acesse o
artigo científico intitulado “Treinamento de força muscular para
crianças e adolescentes: benefícios ou malefícios?” Disponível
em: <http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.
asp?id=370#>.

77
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Orientações e recomendações importantes sobre exercícios resistidos/


musculação para crianças e adolescentes:

- Fornecer instruções qualificadas e supervisão.


- Certificar-se de que o local do treinamento é seguro.
- Realizar aquecimento e volta à calma.
- Não envolver cargas máximas ou próximas das máximas.
- Evitar movimentos que expõem a coluna vertebral a sobrecargas elevadas.
- Evitar cargas unilaterais.
- Impedir cargas estáticas e/ou longas.
- A carga/peso e os movimentos devem ser sempre supervisionados.
- Não utilizar teste de peso máximo preferindo teste de peso por repetição.
- A respiração é livre, não havendo bloqueios.
- Os movimentos devem ser realizados com amplitude, evitando movimentos
parciais e acelerações e desacelerações violentas.
- O programa de treinamento deve ser geral, para todos os grupos
musculares.
- Deve-se estimular a participação de outras atividades associadas.
- Estimular adoção de um estilo de vida saudável (alimentação, sono, hábitos
saudáveis).

PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA


CRIANÇA E NO ADOLESCENTE

1 - Estimular pais e professores a incentivar brincadeiras que


envolvam atividades físicas nos momentos de lazer.

2 - Estimular a redução do tempo gasto com televisão,


computador e videogames nos horários de lazer.

3 - Não colocar televisão e computador no quarto das crianças.

4 - Estimular crianças a realizar atividades esportivas onde a


competição priorize aspectos lúdicos e não de busca por resultados.

5 - Estimular a participação, em grupos, de crianças e


adolescentes com limitações de aptidão física e não aceitar qualquer
tipo de exclusão, inclusive de pessoas com deficiência.
6 - Estimular a prática de caminhadas e o uso de bicicletas como
forma de transporte e lazer em locais adequados e com baixo risco
de acidentes.
78
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

7 - Incentivar a participação da criança na atividade física


curricular.

8 - Incentivar a criação e utilização de locais adequados e de


livre acesso para a prática da atividade física de lazer e transporte
nas comunidades.

9 - Apoiar, incentivar e participar de programas de intervenção


para promoção de estilo de vida ativo, em escolas e comunidades.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (2008, p. 11).

Conforme mencionado, as atividades intermitentes são mais toleradas e


se deve privilegiar a variedade de atividades, tais como jogos, dança, esportes
e atividades para fortalecimento muscular e ósseo. Geralmente quando se fala
em atividade física logo se imagina esportes, pessoas pedalando, correndo
ou treinando em uma academia de ginástica. Este conceito está fortemente
sedimentado em nossa memória como atividade física na sociedade moderna.

Conceitualmente, atividade física é definida como qualquer movimento


corporal com gasto energético acima dos níveis de repouso. Um gasto de energia
maior do que ocorre quando se está deitado ou sentado. Neste sentido, existe
diferença entre atividade física e exercício físico. O exercício físico (um dos
principais componentes da atividade física) é uma atividade física planejada,
estruturada e repetitiva que tem como objetivo final ou intermediário melhorar ou
manter a saúde/aptidão física.

A atividade física, um comportamento humano, é considerada complexa


de ser entendida e de ser medida com precisão. Duas características podem
influenciar os níveis de atividade física: individuais (motivações, autoeficácia,
habilidades motoras e outros comportamentos de saúde) e ambientais (acesso
ao trabalho ou espaços de lazer, custos, barreiras de disponibilidade de tempo e
suporte sociocultural) (NAHAS, 2013).

79
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

A atividade física envolve quatro contextos ou domínios:


A atividade física
envolve quatro
contextos ou 1) Trabalho (atividades durante o período de trabalho).
domínios:
2) Atividades domésticas (varrer, limpar, organizar etc.).
1 Trabalho (atividades 3) Deslocamento (ir caminhando ou pedalando para a escola ou
durante o período de trabalho).
trabalho).
4) Tempo livre/lazer (qualquer atividade realizada com prazer no tempo
2) Atividades livre).
domésticas (varrer,
limpar, organizar
etc.). Uma pessoa pode ser considerada ativa ou inativa, em um ou
mais desses domínios, quando atende ou não a uma recomendação.
3) Deslocamento
(ir caminhando ou Considera-se como inativa em termos globais a pessoa classificada
pedalando para a como inativa nos quatro domínios de atividade física (NAHAS; GARCIA,
escola ou trabalho).
2010; SOUSA; NUNES, 2015).
4) Tempo livre/lazer
(qualquer atividade O tempo livre ou lazer está relacionado ao tempo que se tem
realizada com prazer
no tempo livre). para fazer o que dá prazer. Pode ser inativo ou ativo. Ler, assistir TV,
conversar com amigos ou caminhar no parque podem ser considerados
lazer. No entanto, há aspectos culturais e educacionais importantes que devem ser
potencializados na prática do lazer. O lazer é praticado, vivido, e sofre influência
das condições de vida e do estilo de vida das pessoas, as quais determinam, ou
não, sua manifestação no cotidiano (SOUSA; NUNES, 2015).

Esforços devem ser feitos para diminuir atividades sedentárias e aumentar


atividades que promovam a prática de atividades físicas regulares, em qualquer
contexto de atividade física, principalmente no lazer.

Atividades de Estudos:

1) Quais as contraindicações do exercício físico para crianças e


adolescentes?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

80
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

2) Quais são as recomendações gerais do exercício físico para


crianças e adolescentes?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

3) Um pai leu que, para obter ganhos de força importantes,


o praticante deve usar uma carga com a qual possa fazer 3 a
6 repetições. Por saber que a força é importante para alguns
esportes que seu filho de 9 anos quer praticar, ele lhe pede
orientações. O que você diria?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

4) Um grupo de pais quer que sejam implantadas horas extras de


leitura e matemática nas escolas, reduzindo o tempo reservado
à educação física e ao intervalo. O conselho escolar quer sua
opinião. O que você diria?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Algumas Considerações
Neste capítulo procuramos caracterizar o crescimento, desenvolvimento
e maturação e seus impactos sobre componentes de desempenho e saúde.
Além disso, apresentamos algumas características e cuidados em relação
aos exercícios para crianças e adolescentes para que possamos prescrever
programas de atividades físicas e esportivas nesta fase da vida.

81
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Práticas corporais são expressões coletivas ou individuais de movimento


do corpo, consequente do conhecimento e da experiência em torno do esporte,
jogo, dança, luta, ginástica, acrobacias, do lúdico, estabelecidas na escola ou no
tempo livre, no lazer. Além do movimento do corpo, possuem elementos culturais
que traduzem a identidade de povos ou de população de determinada região
(LAZZAROTTI FILHO, 2010).

As práticas corporais/atividades físicas desempenhadas na escola e no lazer


são fundamentais para a saúde da criança e do adolescente e para a manutenção
deste comportamento saudável na idade adulta.

Esforços devem ser feitos para diminuir atividades sedentárias (televisão,


internet e jogos de vídeo) e aumentar atividades que promovam a prática de
atividades físicas regulares (lazer ativo).

No próximo capítulo abordaremos as atividades físicas para adultos em


condições de risco, como idosos e grávidas. Serão trabalhados os tipos de
treinamento direcionado para adultos e suas aplicações.

ReFerÊncias
ALVES, C.; LIMA, R. V. B. Impacto da atividade física e esportes sobre o
crescimento e puberdade de crianças e adolescentes. Revista Paulista de
Pediatria, v. 26, n. 4, p. 383-91, 2008.

ARAÚJO, D. S. M. S. de; ARAÚJO, C. G. S. de. Aptidão física, saúde e qualidade


de vida relacionada à saúde em adultos. Revista Brasileira de Medicina do
Esporte, v. 6, n. 5, p. 194-203, 2000.

AZEVEDO, M. R. et al. Tracking of physical activity from adolescence to


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BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e do esporte. São Paulo: Manole,


2011.

BOUCHARD, C.; SHEPHARD, R.J.; STEPHENS, T. Physical activity, fitness,


and health: international proceedings and consensus statement. Champaign, IL:
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82
ADAPTAÇÕES DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Capítulo 2 AO EXERCÍCIO FÍSICO

Australia, v. 184, n. 6, p. 297, 2006.

FLECK, S; KRAEMER, W. Fundamentos do treinamento de força


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Fundação Vale, UNESCO, 2013.

GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Desenvolvimento motor. São Paulo: Phorte,


2001.

GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Understanding motor development:


infants, children, adolescents, adults. 6. ed. Boston: McGraw Hill, 2006.

HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida.


6. ed. Artmed Editora, 2016.

LAZZOLI, J. K. et al. Atividade física e saúde na infância e adolescência. Revista


Brasileira de Medicina do Esporte, v. 4, n. 4, p. 107-109, 1998.

LAZZAROTTI FILHO, A. et al. O termo práticas corporais na literatura científica


brasileira e sua repercussão no campo da Educação Física. Revista Movimento.
Porto Alegre, v. 16, n. 1, p. 11-29, janeiro/março de 2010.

PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. Artmed Editora,


2013.

PERFEITO, R. S.; SOUZA, W. M. M. de; ALVES, D. G. de S. Treinamento


de força muscular para crianças e adolescentes: benefícios ou
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PESCATELLO, L. S. ACSM´s guidelines for exercise testing and prescription.


9th ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 2014.

MALINA, R. M.; BOUCHARD, C. Atividade física do atleta jovem: do


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MEYER, F.; SEHL, P. L. Fundamentos em criança e adolescente. In.: RASO, W.;


GREVE, J. M. D’A.; POLITO, M. D. Pollock: fisiologia clínica do exercício físico.
Barueri, SP: Manole, 2013.

NAHAS, M. V.; GARCIA, L. M. T. Um pouco de história, desenvolvimentos


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Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Rev. Bras. Educ. Fís. Esp., v. 24, p. 135-48, 2010.

NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e


sugestões para um estilo de vida ativo. 6. ed. Londrina: Midiograf, 2013.

RASO, W.; GREVE, J. M. D’A.; POLITO, M. D. Pollock: fisiologia clínica do


exercício físico. Barueri, SP: Manole, 2013.

RÉ, A. H. N. Crescimento, maturação e desenvolvimento na infância e


adolescência: implicações para o esporte. Motricidade, v. 7, n. 3, p. 55-67, 2011.

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Medicina do Esporte, v. 10, n. 6, p. 520-524, 2004.

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Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento científico: Nutrologia,
2008.

SOUSA, C. A. de; BARRETO, S. de J. A influência da musculação no


crescimento, tônus, força e obesidade de meninos entre 10 a 13 anos da escola
Barão do Rio Branco de Blumenau/SC. Kinesis, n. 28, 2003.

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TANNER, J. M. Growth at adolescence. Oxford: Blackwell Scientific


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WEINECK, J. Treinamento ideal: instruções técnicas sobre desempenho


fisiológico, incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil.
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WHO/OMS. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global recommendations on


physical activity for health 5-17 years old. 2016. Disponível em: <http://www.
who.int/dietphysicalactivity/publications/physical-activity-recommendations-5-
17years.pdf?ua=1>. Acesso em: 27 jul. 2016.

84
C APÍTULO 3
Treinamento e Atividades Para
Adultos em Condições de Risco

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Classificar as particularidades fisiológicas relacionadas ao exercício direcionado


para adultos Idosos e Mulheres Grávidas.

 Nomear os treinamentos e as suas aplicações para adultos Idosos e Mulheres


Grávidas.
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

86
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

ContextualiZação
Como foi visto no primeiro capítulo deste caderno, em termos de atividade
física e exercícios, pessoas ou grupos especiais podem ser definidos como um
grupo da população com condições médicas especiais, que requer conhecimento
técnico e supervisão para uma melhora da situação anterior. O exercício, desde
que apropriado, se torna extremamente útil às populações especiais. Neste
capítulo iremos apresentar as características peculiares dos adultos idosos e
das grávidas. Para cada um destes grupos, iremos contextualizar as principais
caraterísticas fisiológicas e as considerações especiais que interferem no
exercício e, ainda, as sugestões de prescrição ideal.

EnvelHecimento
O Brasil, antes considerado uma “nação jovem”, está A população do
envelhecendo. De acordo com o Relatório Mundial de Saúde e país é constituída
Envelhecimento da OMS (2015), o número de pessoas com mais de atualmente com
12,5% de idosos, e
60 anos no país deverá crescer muito mais rápido do que a média
deve alcançar cerca
internacional. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo de 30% até 2050.
até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil, o que nos dará a
colocação de 6º país com maior população idosa. A população do país é constituída
atualmente com 12,5% de idosos, e deve alcançar cerca de 30% até 2050. Neste
patamar, seremos considerados uma “nação envelhecida”, classificação dada
aos países com mais de 14% da população constituída de idosos, como são
classificados a França ou o Canadá (LONGEVIDADE ADUNICAMP, 2015).

Esta situação acontece uma vez que, enquanto a expectativa de vida


aumenta, a taxa de natalidade diminui. No período citado acima, a expectativa
média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.
No Brasil, nascem menos crianças por casal, enquanto que as pessoas estão
vivendo por mais tempo. O resultado é um crescimento muito rápido na proporção
de idosos no país.

A figura abaixo mostra as mudanças etárias da população brasileira


por idade, de 1980, de 2010 e a previsão para 2050. Como se percebe, onde
havia uma base de pessoas mais jovens, teremos a pirâmide invertida, com a
predominância maior de pessoas com mais de 60 anos.

87
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 24 – Evolução e previsão etária da população

Fonte: Adaptado de IBGE (2008).

Idosos
O termo idoso aplica-se aos 65 anos em países desenvolvidos e aos 60
anos nos países em desenvolvimento (PAPALÉO NETTO; PONTE, 1996). Usa-se
ainda o termo “adulto mais velho” às pessoas de 50 a 64 anos (com condições
clinicamente significativas ou limitações físicas que afetam o movimento, aptidão
física ou atividade física, representando um espectro diversificado de idades e
capacidades fisiológicas) (ACSM, 2014).

O envelhecimento fisiológico não ocorre uniformemente em toda a


população, os indivíduos de idade cronológica semelhantes podem ser
dramaticamente diferentes em sua resposta ao exercício. Além disso, é difícil
distinguir as implicações do envelhecimento sobre a função fisiológica dos
efeitos de falta de condicionamento ou doença. O estado de saúde é, muitas
vezes, um melhor indicador da capacidade de envolvimento na atividade física
do que a idade cronológica (ACSM, 2014). Exatamente por isso que pessoas

88
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

com recomendações especiais devem receber uma prescrição de exercícios que


respeite a individualidade biológica.

De acordo com Souza (1998), o envelhecimento se caracteriza por algumas


perdas das capacidades fisiológicas dos órgãos, dos sistemas e de adaptação
a certas situações de estresse. Tal fenômeno é universal, progressivo, na
maioria das vezes irreversível e resultará num aumento exponencial da
mortalidade com a idade, bem como mais probabilidade de doenças.
No entanto, a ocorrência de uma alimentação balanceada, a prática
Para Papalia (2010),
regular de exercícios físicos, o viver em um ambiente saudável, além o envelhecimento
dos progressos da medicina, têm levado a subverter este conceito e primário é um
aumentar a longevidade. Muitos dos problemas que eram considerados processo gradual
elementos inevitáveis da idade avançada agora são vistos como parte do e inevitável de
processo de envelhecer, resultantes do estilo de vida ou de patologias. deterioração física
que começa cedo
na vida e continua
Para Papalia (2010), o envelhecimento primário é um processo ao longo dos anos,
gradual e inevitável de deterioração física que começa cedo na vida e não importa o que
continua ao longo dos anos, não importa o que as pessoas façam para as pessoas façam
evitá-lo. Ocorre de forma semelhante nos indivíduos da mesma espécie, para evitá-lo.
de forma gradual e previsível. O sujeito está dependente da influência
de vários fatores determinantes para o envelhecimento, como estilo de vida,
alimentação, educação e posição social, embora as suas causas sejam distintas.

Com o passar dos anos, os adultos vão perdendo as suas capacidades físicas
e muitas transformações acontecem. Com a criança acontece o desenvolvimento,
com os idosos acontece a involução em termos fisiológicos. Esta involução está
particularmente relacionada com a função muscular deteriorada, uma vez que,
com a idade, trocamos massa muscular pela gordura. Guccione (2002) mencionou
que a força atinge seu máximo com cerca de 30 anos e permanece constante até
cerca de 50 anos, começando, então, a mostrar uma perda crescente que faz
algum paralelo com o declínio do tecido corporal magro.
O decréscimo da
O decréscimo da massa muscular e, por consequência, da força massa muscular e,
muscular, é o principal fator a se levar em conta para notar a deterioração por consequência,
da mobilidade e da capacidade funcional do ser humano no processo de da força muscular, é
envelhecimento (MATSUDO, 2001). Ainda, a perda de massa muscular o principal fator a se
é responsável pela diminuição do nível metabólico basal, da força levar em conta para
notar a deterioração
muscular e dos níveis de atividade, que são a causa das necessidades
da mobilidade e
reduzidas de energia do idoso (GUCCIONE, 2002). Com menor massa da capacidade
muscular, os idosos têm dificuldades na marcha, no equilíbrio e, assim, funcional do
movimentos simples, como sentar e levantar, são realizados com maior ser humano no
dificuldade e de modo lento. processo de
envelhecimento.

89
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 25 – O idoso sofre a deterioração da mobilidade e da capacidade funcional

Fonte: Disponível em: <http://www.clipartkid.com/clip-art-of-


elderly-adults-cliparts/>. Acesso em: 22 out. 2016.

Outro fator que interfere na menor composição muscular está na postura,


sendo que a partir dos 40 anos a estatura começa a se reduzir em torno de um
centímetro por década – isso se deve à redução dos arcos plantares, ao aumento
da curvatura da coluna vertebral e à redução do volume dos discos intervertebrais,
o que, por sua vez, ocorre porque o volume de água do corpo diminui através de
perda intracelular (CARVALHO FILHO; PAPALÉO NETTO, 2000).

A perda de massa óssea é mais acentuada em mulheres. Esta perda começa


no homem entre 50 – 60 anos de idade, com taxa de 0,3% ao ano, e na mulher a
uma taxa de 1% dos 45 aos 75 anos. Uma mulher com 70 anos tem diminuição
de cerca de 20% e no homem essa diminuição é de aproximadamente 3% da
densidade mineral óssea. Essa perda está relacionada, além do envelhecimento,
à genética, estado hormonal, nutricional e nível da atividade física do indivíduo
(MATSUDO, 2000).

As mudanças decorrentes do avanço da idade manifestam-se principalmente


no plano sagital e incluem algumas características, como o aumento da curvatura
cifótica da coluna torácica, a diminuição da lordose lombar, o aumento do ângulo
de flexão do joelho, o deslocamento da articulação coxofemoral para trás e
a inclinação do tronco para diante, acima dos quadris (KENDALL et al., 1995).
Constatam-se também reduções do número de células nos órgãos, o que leva à
perda de massa, principalmente em fígado e rins (CARVALHO FILHO; PAPALÉO
NETTO, 2000).

90
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

TAYLOR, Albert W.; JOHNSON, Michel J. Fisiologia do


Exercício na Terceira Idade. São Paulo: Manole, 2015.

Estas mudanças são percebidas e relacionadas com a mudança ocorrida,


conforme o quadro abaixo:

Quadro 9 – Efeitos do envelhecimento e variáveis


fisiológicas relacionadas com a saúde
VARIÁVEL MUDANÇA
FC Repouso Inalterada
FC Máxima Diminui
Débito Cardíaco Máximo Diminui
Pressão arterial em repouso e em exercício Aumenta
Reserva de VO2 Diminui
Volume residual Aumenta
Capacidade vital Mais lenta
Tempo de reação Diminui
Força muscular Diminui
Flexibilidade Diminui
Massa óssea Diminui
Massa corporal livre de gordura Diminui
Percentual de gordura Aumenta
Tolerância à glicose Diminui
Tempo de recuperação Mais longo
Fonte: Adaptado de ACSM (2014).

Atividade de Estudos:

1) A partir do que foi visto no quadro acima, preencha a primeira


coluna com as mudanças e suas variáveis que são causadas
pelo envelhecimento. Utilize setas ou sinais, conforme o
exemplo da FCMax, na primeira linha.

Frequência cardíaca máxima


Força muscular
Massa muscular
Coordenação motora

91
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Flexibilidade
Propriocepção
Ventilação
VO2 Máx
Tolerância à glicose
Metabolismo basal
Gordura corporal

BeneFícios do Exercício Para os


Idosos
Como foi visto anteriormente, com o avanço da idade aumentam os riscos
de doenças e de morte. Para minimizar os riscos e melhorar a saúde, devemos
prescrever exercícios direcionados aos idosos, seja pela condição de doença
específica, ou ainda para melhorar a condição geral.

De acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM, 2009),


a atividade física regular, incluindo os exercícios cardiovasculares e exercícios
de resistência, é essencial para o envelhecimento saudável. Os benefícios do
exercício em idosos buscam a melhora na capacidade funcional, na qualidade
de vida e redução do risco de doenças crônicas. Segundo o ACSM (2009),
é importante reconhecer que homens e mulheres idosos sedentários, porém
saudáveis, têm melhoras fisiológicas qualitativamente semelhantes aos
encontrados em jovens ou adultos, a partir de exercícios regulares. Embora as
melhorias absolutas tendam a ser menores em idosos, os ganhos de condição
geral, relacionados ao treinamento aeróbico e de resistência, são semelhantes
aos observados em adultos, porém levando mais tempo para alcançar em idosos.

Figura 26 – Idoso ativo tem menos chances de patologias

Fonte: Disponível em: <http://www.clipartkid.com/clip-art-of-


elderly-adults-cliparts/>. Acesso em 22 out. 2016.
92
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Em um exemplo destas melhoras, Fiatarone et al. (1990) realizaram um


estudo onde observaram melhoras significativas da força em idosos com idades
entre 86 e 90 anos, submetidos a oito semanas de treinamento de força, onde
foram constatados aumentos médios de 177% na força do músculo quadríceps.
A partir deste rendimento, foi percebido um aumento de 50% na velocidade da
marcha, sendo que 20% dos indivíduos conseguiram abdicar de suas bengalas
para caminhar.

Características dos Exercícios Para


Idosos
Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS (2011) –, para os idosos
a atividade física inclui atividade recreativa ou de lazer, ou ainda de cunho físico,
como: de locomoção (a pé ou de bicicleta), profissionais (se a pessoa ainda está
envolvida no trabalho), as tarefas domésticas, jogos e brincadeiras, esportes
ou exercício planejado, no contexto das atividades diárias, familiares e na
comunidade onde estão inseridos.

Para os idosos, os exercícios devem ser prescritos com cuidados especiais.


Os princípios de testagem e de prescrição são os mesmos aos aplicados a
qualquer adulto. A principal recomendação é que, inicialmente, as pessoas
mais velhas e sedentárias façam exercícios regulares de baixa intensidade. A
prescrição dos exercícios para idosos deve considerar ainda a temperatura e o
clima, pois os idosos são mais suscetíveis ao estresse causado pela umidade,
calor e frio (ACSM, 2009).

Recomendações do ACMS Para


Treinamento com Idosos
A prescrição do exercício para os adultos mais velhos deve incluir o exercício
cardiovascular, treinamento de resistência, exercícios de flexibilidade e exercícios
para melhorar o equilíbrio, fundamentais naqueles com risco de queda ou
naqueles que têm mobilidade diminuída (ACSM, 2009). As recomendações dadas
para o exercício em idosos são as seguintes:

a) Exercícios aeróbicos: os exercícios cardiovasculares são fundamentais


na manutenção da saúde dos idosos. Para idosos em condições crônicas,
a recomendação é que estes se mantenham ativos fisicamente, dentro das
condições específicas e individuais.

93
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Quadro 10 – Recomendações para exercícios aeróbicos em idosos


Frequência Intensidade Duração Tipo
30 a 60 min por
sessão com um total
Em uma escala de
de 150 a 300 min. Exercícios sem
0-10, o idoso teria
por semana; ou muito estresse,
5x Semana – pouca níveis:
20 a 30 min por ses- ortopédicos, como
intensidade; 5-6 de intensidade
Exercícios são com intensidade caminhar. Em ca-
3x Semana – grande para atividade
Aeróbicos maior em um total sos de limitações:
intensidade moderada; e
de 75 a 100 min. por exercícios aquá-
7-8 para atividade
semana; ou ticos e a bicicleta
com intensidade
combinação de ergométrica.
mais alta.
exercícios leves e
moderados.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

Atividades de Estudos:

1) Qual a duração semanal ideal, em minutos, para exercícios


com pouca intensidade com idosos?
____________________________________________________
____________________________________________________
___________________________________________________

2) Qual a frequência semanal do exercício para intensidade mais


alta?
____________________________________________________
____________________________________________________
___________________________________________________

b) Exercícios com pesos: os exercícios resistidos estimulam a força,


potência, resistência, flexibilidade e coordenação do idoso. A resistência
é aumentada devido ao prolongamento de esforços musculares intensos,
a flexibilidade também aumenta porque os limites dos movimentos são
solicitados nas amplitudes articulares disponíveis e a coordenação é melhorada
pelos exercícios serem amplos e lentos, estimulando terminações nervosas
proprioceptoras, responsáveis pelo incremento no equilíbrio, precisão de
movimentos e consciência corporal (SANTARÉM, 2004), capacidades essenciais
à condição de qualidade de vida em idosos.

94
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Quadro 11 – Recomendações para exercícios resistidos em idosos


Frequência Intensidade Duração Tipo
Exercícios com Mínimo 2x por • Intensidade • 8 a 10 exercícios
Pesos semana. moderada – 60% a calistênicos para gran-
(Fortalecimento ou 70% de 1RM; des grupos muscula-
Resistência Mus- • leve intensidade res;
cular). – 40% a 50% de • 10 a 15 repetições
1RM, para inician- cada exercício;
tes. • 2 a 3 séries.

Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

c) Flexibilidade: exercícios recomendados para tratar do declínio usual na


gama de movimento das articulações associadas com o envelhecimento.

Quadro 12 – Recomendações para exercícios de flexibilidade em idosos

Flexibilidade Frequência Intensidade Duração Tipo


Mínimo 2x por Flexionamento até o Segurando de 30 Exercícios para
semana. ponto de sentir ardor a 40 segundos por manter ou melhorar a
ou ligeiro descon- repetição. flexibilidade, susten-
forto. tando o movimento
de forma estática e
não balística.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

d) Equilíbrio: não há recomendações específicas para exercícios que


incorporam treinamento de equilíbrio para idosos. Entretanto, o treinamento
neuromuscular, que combine equilíbrio, agilidade e treinamento proprioceptivo, é
eficaz na redução e prevenção de quedas, comuns em idosos. De modo geral,
os exercícios de equilíbrio devem ter a segurança do responsável e devem iniciar
com posturas simples e progressivamente difíceis e que reduzem gradualmente a
base de apoio. Exemplos:

• da posição em pé com os dois pés, permanecer com apenas um pé apoiado;


• caminhar em fila como se fosse andar de bicicleta dupla;
• movimentos dinâmicos que alteram o centro de gravidade (por exemplo,
caminhada em círculo, giros, mudanças de direção);
• salientando grupos musculares posturais (por exemplo, caminhar com o
calcanhar ou com a ponta do pé, escorregando ou saltitando);
• redução de estímulos sensoriais (por exemplo, caminhar ou sentar e levantar
com os olhos fechados);
• Tai Chi Chuan, Dança e Yoga.

95
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Quadro 13 - Recomendações para exercícios de equilíbrio em idosos


Equilíbrio Frequência Intensidade Duração Tipo
2 a 3x por semana. Leve 10 a 30 minutos. Exercícios de
equilíbrio com um pé
só, com giros, com
mudanças de posição
do corpo, com os
olhos fechados.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

Em termos gerais, os benefícios da implementação das recomendações


acima superam os malefícios. No nível recomendado de 150 minutos por
semana de atividade de intensidade moderada, a probabilidade de lesões
musculoesqueléticas parece ser insólita. Em uma abordagem de base
populacional, a fim de diminuir os riscos de lesões musculoesqueléticas, seria
apropriado incentivar um começo moderado, com a progressão gradual aos níveis
de atividade física (OMS, 2011).

Atividade de Estudos:

1) Dentro do que foi visto, qual seria o melhor exercício para os


idosos?
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

MulHeres e Suas Particularidades


Estas diferenças
fisiológicas ou Antes de destacarmos as mulheres grávidas, devemos
antropométricas considerar algumas diferenças das mulheres adultas em relação aos
são determinantes
e devem ser homens adultos. Estas diferenças fisiológicas ou antropométricas
consideradas para são determinantes e devem ser consideradas para a elaboração de
a elaboração de programas de exercícios para as mulheres. A constituição anatômica
programas de
exercícios para as da mulher favorece a condição de gestação, e esta condição é que
mulheres.
essencialmente descreve as diferenças maiores entre os dois gêneros. O
96
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

que precisamos entender é que as mulheres adultas não pertencem a Grupos


Especiais, apenas as grávidas. Da mesma maneira, gravidez não é considerada
doença, mas exige atenção na prescrição de exercícios.

Figura 27 – Os gêneros se diferem entre si, assim como o tipo de treinamento

Fonte: Disponível em: <http://www.bodybuilding.com/fun/exercise_


dependence_study.htm>. Acesso em 21 out. 2016.

Dito isso, as principais diferenças relevantes entre homens e mulheres


adultas e que interferem no desempenho humano são (BARROS, 2012):

• A mulher possui menos glóbulos vermelhos no sangue, que são as células


que transportam oxigênio para os músculos e demais tecidos do corpo. Isso dará
uma vantagem aos homens nos chamados exercícios aeróbicos ou de longa
duração, como corrida, natação, ciclismo etc. Assim, mesmo que o desempenho
esportivo das mulheres venha melhorando nestas provas, o desempenho
masculino sempre será superior.
• O homem possui o hormônio testosterona secretado pelos testículos, que
é o chamado hormônio anabolizante, promovendo maior síntese de proteínas nos
músculos, aumentando a massa muscular. A influência da testosterona sempre
dará ao homem maior massa muscular, o que repercute em maior força, potência
e velocidade, justificando a predominância masculina nos esportes em que
prevalecem estas qualidades, como corridas de velocidade, provas de arremesso,
impulsão, esportes de força etc.
• A mulher tem um percentual de gordura corporal maior que o homem, em
média cerca de 10% a mais. O fato de a mulher ter maior percentual de gordura
também representa um fator com influência no desempenho, na medida em que a
sobrecarga de massa corporal é maior relativa ao tecido muscular, que é o efetor
do movimento.
97
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

• A mulher tem mais flexibilidade que o homem, o que reflete na capacidade


em desenvolver maior amplitude articular.
• Mulheres são mais baixas e mais leves que os homens e têm pélvis mais
larga e os ombros mais estreitos.
• Os benefícios da musculação são semelhantes para ambos, sendo que
o ganho de massa muscular pelas mulheres é semelhante ao dos homens nos
membros inferiores.
• As mulheres possuem 2/3 da força do homem, sendo 30% a 50% da força
masculina nos membros superiores.
• As mulheres, por possuírem uma sensibilidade ao esforço diferente dos
homens, irão necessitar de um maior número de tentativas no teste de 1RM para
encontrar a carga máxima.
• As mulheres têm um aumento da produção hormonal na menstruação
e gravidez, e isso interfere nas capacidades de força e resistência muscular e
aeróbica.

De acordo com Barros (2012), existem as modalidades que são prerrogativas


femininas por terem seu desempenho potencializado por requisitos, como
flexibilidade, coordenação motora, e principalmente delicadeza e graça na
execução, como fundamentalmente algumas provas da ginástica artística.

O exercício físico bem orientado se mostra benéfico na melhora na condição


de saúde e estética para mulheres, uma vez que promove a:

• redução da gordura;
• aumento da força e resistência muscular;
• diminui os riscos de osteoporose;
• melhora da capacidade atlética;
• redução nos riscos de lesões, dores nas costas e artrite;
• redução nos riscos de diabetes e doenças cardíacas;
• benefícios psicossociais (depressão, vida sexual).

Assim, o exercício
para as grávidas,
excluindo aquelas
cuja gravidez seja
MulHeres Grávidas
considerada de
alto risco, deve ser Existem grandes contradições em relação ao exercício durante
sim recomendado a gravidez. Estas contradições se justificam, uma vez que a mulher
pelos especialistas
e também para na condição de grávida sofre alterações fisiológicas importantes e o
as mulheres que exercício mal elaborado pode causar danos à mãe e, em especial, ao
têm intenção de
engravidar, quanto bebê. Por este motivo, ginecologistas e obstetras têm opiniões variadas
para a recuperação sobre o tipo ideal de exercício durante a gravidez. Alguns especialistas,
pós-parto (ACSM, por excesso de cautela, chegam a proibir exercícios neste período.
2009).

98
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Contudo, o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG) e o ACSM


consideram o exercício como muito importante na gravidez. Assim, o exercício
para as grávidas, excluindo aquelas cuja gravidez seja considerada de alto risco,
deve ser sim recomendado pelos especialistas e também para as mulheres que
têm intenção de engravidar, quanto para a recuperação pós-parto (ACSM, 2009).

Gravidez é associada por profundas mudanças fisiológicas e anatômicas, e


que devem ser percebidas por quem irá prescrever uma série de exercícios.

Figura 28 – Alterações corporais durante a gravidez

Fonte: Disponível em: <https://www.shutterstock.com/search/


pregnant+girl?image_type=vector>. Acesso em: 19 out. 2016.

Estas alterações são, principalmente, o resultado da interação de quatro


fatores: 1) as mudanças mediadas por hormônios na produção de colágeno
e no músculo involuntário; 2) o aumento do volume total de sangue com fluxo
aumentado de sangue para o útero e rins; 3) o crescimento do feto que leva à
ampliação e deslocamento do útero; e 4) por último, o aumento do peso corporal
e mudanças adaptáveis no centro de gravidade e postura (SILVA, 2010 apud
SANTOS, 2014).

Para o ACSM (2009), as mudanças de maior impacto são:

• aumento do volume sanguíneo e da frequência cardíaca, sendo que o volume


de captação de sangue aumenta de 40-50%, aumentando a temperatura
corporal em meio grau (0.5º);
• oxigênio e frequência cardíaca são maiores em repouso e durante exercício;
• aumento ou manutenção do VO2 (máximo na semana 32);
• débito cardíaco é maior em repouso e durante o exercício nos dois primeiros
trimestres;
• aumento no consumo calórico de 300 calorias por dia;
• dores lombares;
• inflamações nos tendões e ligamentos.
99
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Da mesma forma, a gravidez causa uma série de alterações fisiológicas no


corpo em resposta ao exercício. Embora seja importante apreciar estas mudanças,
especialistas não devem proibir a maioria das mulheres de participarem de um
programa de exercícios durante a gravidez. No que diz respeito aos efeitos sobre o
exercício, uma das mais significativas mudanças é o aumento do gasto energético
em repouso, resultando em um aumento de esforço necessário para exercitar.
Este consumo energético deve ser equilibrado com o aumento das calorias
diárias. Basta um aumento de 200 a 300 kcal por dia na dieta para que a gestante
consiga atingir a meta de 0,5 kg por semana (PINHEIRO, 2016) e se mantenha
pronta ao exercício. Este aumento de consumo energético está relacionado com
uma maior utilização de VO2 (consumo de oxigênio), débito cardíaco e volume
sistólico, no entanto, a frequência cardíaca máxima parece permanecer inalterada.
Os aumentos nos gastos energéticos também resultam em uma maior dificuldade
em remover o calor corporal (ACSM, 2009).

De acordo com o ACSM (2007), as preocupações referentes aos possíveis


efeitos negativos da participação nos exercícios para grávidas estão relacionadas
a:

a) Disponibilidade inadequada de oxigênio ou substratos para mãe e/ou feto;


b) Angústia fetal induzida por hipotermia ou as anormalidades do parto; e/ou
c) Maior número de contrações uterinas.

Apesar das contradições, atualmente existe uma conformidade de que a


atividade física consistente e de intensidade moderada traz grandes benefícios
para a saúde da grávida e do bebê. Mulheres que fazem atividades regulares antes
de engravidarem podem continuar com o mesmo tipo de exercício, porém deve-
se evitar o início de uma atividade diferente após se depararem com a gravidez.
O que deve ser evitada é atividade vigorosa no terceiro trimestre, atividades com
amplo contato ou as atividades de alto risco de sofrer quedas.

BeneFícios do Exercício na GravideZ


A resposta ao exercício de uma mulher grávida é diferente da resposta de uma
não grávida, no entanto, o exercício é considerado benéfico tanto em mulheres
sem complicações médicas ou obstétricas quanto com complicações, desde que
primariamente seja realizada uma avaliação médica e o médico autorize a prática
de exercício físico (ARTAL; O’TOOLE, 2003 apud SANTOS, 2014).

O sedentarismo na gravidez pode acarretar a perda de massa muscular,


aumento excessivo de peso durante a gravidez, aumento do risco de desenvolver
diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão induzida pela gravidez e que

100
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

pode causar a eclâmpsia – convulsões), desenvolvimento de varizes, aumento das


queixas físicas como dispneia (dificuldade respiratória) e lombalgia, resultantes
das mudanças físicas que ocorrem durante a gravidez e uma menor adaptação
psicológica (BELL; DOOLEY, 2006 apud SANTOS, 2014).

Por outro lado, os benefícios do exercício nesta fase da vida da mulher têm
importância dupla, uma vez que pode favorecer e atender tanto as mães quanto
os bebês. Os principais benefícios do exercício na gravidez são (ACSM, 2009):

• prevenção de intolerância à glicose gestacional, reduzindo o risco da diabete


gestacional (4%) e pré-eclâmpsia (10% grávidas);
• promoção da boa postura e reduzindo os riscos de dores lombares;
• previne a perda excessiva da capacidade muscular e cardiorrespiratória;
• manutenção dos níveis de condicionamento físico aeróbico e
musculoesquelético pré-natal;
• a facilitação do trabalho de parto (expulsão do bebê 1/3 mais rápida) e
recuperação mais rápida pós-parto;
• melhoria da adaptação psicológica às mudanças da gravidez;
• controle do ganho excessivo de peso e a volta ao peso anterior à gravidez e
à estamina (boa condição física geral).

BeneFícios do Exercício no
Pós-Parto
Os benefícios do exercício no pós-parto compreendem a melhoria da
condição cardiovascular, facilidade na perda de peso, bem-estar psicológico,
redução da ansiedade e da depressão e um aumento da energia. As mulheres
no período pós-parto são capazes de participar de atividades com intensidade
moderada sem que isso comprometa o aleitamento materno. Ainda, fortalecendo
os músculos do pavimento pélvico, há uma redução do risco de desenvolver
incontinência urinária de esforço. Recomendações atuais sugerem que, se a
gravidez e o parto decorreram sem complicações, um programa de intensidade
moderada consistindo de uma caminhada, fortalecimento do pavimento pélvico
e alongamentos deve ser iniciado imediatamente. No entanto, se o parto foi
complicado ou se foi um parto por cesariana, o médico obstetra deve ser
consultado antes da retomada do exercício físico. As mulheres devem retomar
de forma gradual a sua atividade física pré-gravidez (BELL; DOOLEY, 2006 apud
SANTOS, 2014).

De acordo com o ACSM (2007), a lactação é um processo que requer energia,


contudo o exercício não prejudica a lactação em termos de composição do leite,

101
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

volume do leite ou da saúde da mãe. As alterações fisiológicas relacionadas


com gravidez prosseguem por quatro a seis semanas após o parto. O retorno
ao exercício após o parto vai depender do tipo de parto realizado e se houve
complicações. Portanto, o retorno deve ser feito de forma gradual, levando
em conta a condição de cada indivíduo em relação à gravidez (com ou sem
complicações) e ao parto (normal ou cesariana).

LOPES, Marco Antonio Borges; ZUGAIB, Marcelo. Atividade


Física na Gravidez e no Pós-parto. São Paulo: Roca, 2009.

Contraindicações ao Exercício
Durante a GravideZ
O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG, 2002 apud
SANTOS, 2014) determina as contraindicações relativas e absolutas para as
grávidas e o exercício. Mesmo assim, o exercício não é considerado proibido e
deve ser indicado a todas as grávidas, desde que a prescrição siga as diretrizes
para um benefício e que dê segurança à praticante grávida em um grupo de maior
risco. Como foi comentado anteriormente, as mulheres que já faziam exercício
antes da gravidez podem manter-se no mesmo tipo de exercício, apenas com
algumas modificações. Contudo, muitas mulheres sentem dificuldade de
manterem-se no mesmo nível de exercício ou atividade, pois sentem desconfortos
causados pela frouxidão articular ou aumento da massa corporal (ACSM, 2007).

Em geral, as mulheres que têm gravidez de alto risco devem evitar


exercício. As mulheres com problemas cardiovasculares, pulmonares ou
doenças metabólicas devem ser submetidas a mais testes médicos e devem ser
monitoradas por um médico, que determina quais as atividades que as grávidas
são capazes de exercer durante a gravidez (ACSM, 2009).

Os cuidados relativos (podem fazer exercício com diretrizes e cuidados


especiais) e absolutos (não devem fazer exercício) em relação à prática ou à
não prática do exercício para grávidas, observados pelo ACOG, estão no quadro
abaixo:

102
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Quadro 14 – Contraindicações ao exercício durante a gravidez


RELATIVAS:
• Anemia severa.
• Disritmia cardíaca materna não avaliada.
• Bronquite crônica.
• Diabete tipo 1 precariamente controlada.
• Obesidade mórbida extrema.
• Peso corporal abaixo do IMC ≥ 12.
• Estilo de vida extremamente sedentário.
• Restrição do crescimento intrauterino na atual gestação.
• Hipertensão precariamente controlada.
• Limitações ortopédicas.
• Distúrbio convulsivo precariamente controlado.
• Hipertireoidismo precariamente controlado.
• Fumante inveterado.

ABSOLUTAS:
• História de três ou mais abortos espontâneos.
• Doença cardíaca hemodinamicamente significativa.
• Doença pulmonar restritiva.
• Colo uterino/cerclagem (tratamento para incompetência istmo-cervical) incompetente.
• Gestação múltipla com risco de trabalho de parto prematuro.
• Sangramento persistente no segundo ou terceiro trimestre.
• Placenta prévia após 26 semanas de gestação.
• Trabalho de parto prematuro durante a gestação.
• Ruptura das membranas.
• Hipertensão arterial por pré-eclâmpsia/gravidez.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

Características dos Exercícios Para


Grávidas
O ACOG recomenda que as mulheres grávidas devam exercer atividades
semelhantes às não grávidas, desde que não haja complicações médicas ou
obstétricas durante a gravidez. No início da gravidez, as mulheres anteriormente
ativas podem continuar a treinar dentro dos mesmos parâmetros pré-gestacional
(frequência, tempo/duração, intensidade e tipo de atividade). Conforme a gravidez
avança, esses parâmetros devem ser modificados e diminuir naturalmente. De
modo geral, as mulheres sedentárias antes da gravidez e com uma gravidez não
considerada de alto risco podem e devem começar um programa de exercícios de
intensidade baixa ou moderada.

103
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Quadro 15 – Dicas de exercícios para grávidas


• Alterações no peso e na forma do corpo irão afetar o equilíbrio. Evitar posições instáveis,
tomando cuidado extra para não cair.
• Beber bastante fluidos antes, durante e após o exercício.
• Evitar o sobreaquecimento durante o exercício:
ο roupas confortáveis que permitam a evaporação do suor;
ο respiração controlada (evitar a apneia/mergulho);
ο exercício em lugares mais frescos ou bem ventilados (ou horas do dia);
ο evitar nadar em água morna ou quente e evitar a imersão em banheiras de hidromassa-
gem;
ο estar ciente dos primeiros sintomas de doenças provocadas pelo calor: náuseas, tonturas,
dores de cabeça, falta de coordenação e apatia.
• Estabelecer metas realistas de exercício, tendo em conta o fato de que o exercício se tornará
mais difícil conforme a gravidez avança.
• Evitar exercício em decúbito ventral no segundo e terceiro trimestres, porque o peso do feto
na veia cava restringe o retorno venoso e o débito cardíaco.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

Prescrição do Exercício Para


Grávidas
No início da gravidez, a maioria das mulheres que eram ativas antes de
engravidarem pode e deve continuar o exercício regularmente, respeitando os
seus parâmetros pré-gestacional (frequência, tempo/duração, intensidade e tipo
de exercício). Esses parâmetros devem naturalmente ser modificados, conforme
a gravidez avança. Em geral, as mulheres que eram sedentárias antes da sua
gravidez e cuja gravidez não seja considerada de alto risco podem iniciar um
programa de intensidade moderada ou baixa.

Figura 29 – Exercícios aeróbicos são os mais indicados para grávidas

Fonte: Disponível em: <https://www.shutterstock.com/search/


pregnant+girl?image_type=vector>. Acesso em 19 out. 2016.
104
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Caminhar é a escolha mais popular entre as mulheres grávidas e não


grávidas, no entanto, a energia gasta durante os exercícios suportando o peso
do corpo (como a caminhada) aumenta durante a gravidez. Este aumento do
gasto de energia é devido principalmente ao aumento do peso corporal. Assim,
exercícios com menor sobrecarga de peso (por exemplo, ciclismo ou natação)
podem ser preferíveis para as mulheres grávidas. Atividades aquáticas (tais
como hidroginástica ou natação) proporcionam um ambiente ideal para mulheres
grávidas (desde que a água não seja muito quente e que o ambiente seja
bem ventilado). As atividades aquáticas são indicadas, pois proporcionam a
flutuabilidade, amenizando o peso adicional do feto em crescimento. O exercício
na água pode facilitar o retorno venoso, como resultado da pressão hidrostática
externa da água (ACSM, 2009).

As modificações do programa de exercícios aeróbicos para as mulheres


grávidas devem levar em conta:

a) Tipo de exercício:

• Caminhadas e ciclismo podem ser mais fáceis para monitorar a intensidade


do exercício.
• Evitar atividades que aumentam o risco de quedas (por exemplo, esqui e
patinação), trauma abdominal (por exemplo, basquete e softball) e estresse
articular excessivo (por exemplo, tênis). Estes exercícios, geralmente, não
são recomendados.
• Atividades em altitudes > 6000 pés e mergulho são contraindicadas.

b) A intensidade do exercício:

• A frequência cardíaca alvo (por exemplo,% FCMáx ou% FCR) não deve ser
utilizada como um método de monitorar a intensidade do exercício, devido
à variabilidade em repouso materna e frequência cardíaca máxima durante
toda a gravidez.
• Da mesma forma, direcionar VO2 (por exemplo,% VO2R) não é uma
ferramenta válida para monitorar a intensidade, devido à diminuição
progressiva da aptidão cardiorrespiratória durante o curso da gravidez.
• Valores de níveis de esforço 12-14 na escala de 6-20 podem ser usados para
monitorar com precisão e segurança a intensidade do exercício.
• O teste da conversa também pode ser usado para monitorar a intensidade
do exercício apropriado. As mulheres grávidas devem exercitar-se em uma
intensidade que permite a conversa. A intensidade deve ser diminuída
quando a conversa não é possível.

105
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

c) Duração da sessão de exercício:

• Acumulando 30 min de exercício. Exercícios com variações intermitentes de


intensidade maior e com duração de 10 a 15 min podem atenuar o balanço
energético e causam preocupações de termorregulação.

e) Frequência de exercícios:

• Exercício de intensidade moderada deve ser regular, em vez de esporádico


na natureza. O exercício deve ser realizado pelo menos três vezes na
semana, e de preferência, de cinco a sete dias na semana.

Com base nessas recomendações, o ACSM sugere a seguinte prescrição do


exercício para mulheres grávidas sem complicações médicas ou obstétricas:

Quadro 16 – Recomendações para exercícios aeróbicos para grávidas

Exercícios
Frequência Intensidade Duração Tipo
Aeróbicos
- 5x semana–pouca - Mulheres antes se- - 30 a 40 min por - Exercício de
intensidade; dentárias, intensidade sessão, 20 a 30 escolha pessoal;
- 3x semana–maior baixa a moderada (20 min por sessão - natação ou
intensidade. a 40% FCR); com intensidade caminhadas;
- Mulheres antes maior; - esportes de
ativas, mesma inten- - combinação de contato, mergulho,
sidade; exercícios leves e ou atividades que
- intensidade diminui moderados. poderão causar
com o avanço da desconforto abdo-
gravidez. minal, devem ser
evitados.
Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

A grávida tem o peso médio aumentado de 11 a 14,5kg até o final da


gestação. Quando a mulher engravida, os seguintes fatores colaboram para o
aumento do peso (PINHEIRO, 2016):

• Peso médio do feto: 3,2 a 3,6 kg.


• Aumento das reservas de gordura do corpo: 2,7 a 3,6 kg.
• Aumento do volume de sangue circulante no organismo: 1,4 a 1,8 kg.
• Retenção de líquidos: 0,9 a 1,4 kg.
• Peso do líquido amniótico: 0,9 kg.
• Aumento de peso das mamas: 0,45 a 1,4 kg.
• Aumento de peso do útero: 0,9 kg.
• Peso da placenta: 0,7 kg.
106
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

Naturalmente, o corpo da mulher está preparado para a gravidez. As


mudanças são esperadas e é dever do médico e do profissional da preparação
física preparar a mulher para estas mudanças, para que ela possa suportar a
gravidez da melhor maneira possível. As mudanças fisiológicas e de peso serão
mais bem encaradas quando a mulher estiver também preparada fisicamente
a suportar tais mudanças. Este aumento no peso corporal sobrecarrega as
articulações, causando dores nos joelhos, pernas, quadris e lombares. Assim, as
grávidas devem considerar os exercícios que aprimorem a capacidade
de suportar este peso extra, por vários meses, com especial atenção Os especialistas
para os membros inferiores e as regiões abdominal e lombar. consideram que
Este fortalecimento é conseguido com maior facilidade através da a musculação
musculação. não deve ser
sugerida para
todas as grávidas,
Entretanto, os especialistas consideram que a musculação não
apenas para as
deve ser sugerida para todas as grávidas, apenas para as mulheres que mulheres que já
já faziam musculação anterior à gravidez e que não têm contraindicações faziam musculação
ao exercício. As contraindicações ao exercício durante a gravidez anterior à gravidez
absolutas e relativas, apresentadas no quadro acima, determinam que e que não têm
as mulheres com alguma destas contraindicações não devem fazer contraindicações ao
exercício.
exercícios resistidos com peso.

Figura 30 – Exercícios de pernas e core são indicados para suportar o


peso adicional e preparar para o parto

Fonte: Disponível em: <https://www.shutterstock.com/search/


pregnant+girl?image_type=vector>. Acesso em 19 out. 2016.

O ACSM e o ACOG recomendam o seguinte em relação aos exercícios com


pesos e à grávida:

• exercícios para os membros superiores não interferem nas contrações


uterinas;

107
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

• exercícios com carga intensa afetam no peso do bebê (menos 300 a 350
gramas);
• carga leve, aumentando primeiramente o número de repetições para depois
a carga, e após 12 semanas, diminuição da carga;
• sem apneia para que o fornecimento de oxigênio à placenta não seja
reduzido;
• uso de máquinas ao invés de pesos, pois exigem menos perícia e podem ser
controladas com maior facilidade;
• caso algum exercício cause dor ou desconforto, este deve ser alterado;
• treinamento de resistência isométrica ou pesada podem provocar uma
resposta pressora (súbito aumento da frequência cardíaca e pressão arterial)
e não é recomendado;
• amplitude de movimento articular será reforçada durante a gravidez
devido ao aumento dos níveis circulantes de relaxina e, portanto, existe a
possibilidade de danos nos ligamentos e cápsula articular com um programa
de flexibilidade ou de exercícios balísticos excessivamente agressivo.

Seguindo estas recomendações, os exercícios com pesos têm esta sugestão


de prescrição para grávidas sem contraindicações:

Quadro 17 – Recomendações para exercícios resistidos para grávidas


Exercícios com
Frequência Intensidade Tipo
Pesos
Fortalecimento ou Mínimo 2x por semana. Leve intensidade – - 8 a 10 exercícios
Resistência muscular. 20% a 40% de 1RM, e calistênicos para
aumentando. grandes grupos
musculares (pernas e
core);
- 12 a 15 repetições
cada exercício;
- 1 a 3 séries.

Fonte: Adaptado de ACSM (2009).

Os exercícios resistidos podem ser realizados pelas grávidas e devem


considerar o fortalecimento dos membros inferiores e dos músculos abdominais
e dorsais. Também devem considerar o pós-parto, onde a mãe deverá estar
preparada para carregar o bebê em seus braços. Assim, a “montagem” do
programa de exercícios com pesos deve atender às necessidades através de

108
TREINAMENTO E ATIVIDADES PARA ADULTOS
Capítulo 3 EM CONDIÇÕES DE RISCO

movimentos mais completos, envolvendo grandes grupos, os seja, os exercícios


funcionais para a gravidez e pós-parto.

Algumas Considerações
Idosos e mulheres grávidas sofrem alterações fisiológicas profundas e os
benefícios apresentados pelos exercícios são enormes em ambos os casos. O
idoso tende a perder massa muscular e isso interfere tanto no movimento diário
quanto na probabilidade aumentada em adquirir doenças graves. As mulheres
grávidas devem perceber que o exercício pode ser utilizado tanto antes, durante,
quanto depois da gravidez, e que os benefícios estão presentes em todas as
três fases, proporcionando inicialmente à mãe uma gravidez de qualidade, e ao
bebê um nascimento conveniente e com maiores chances de ter uma vida mais
saudável.

ReFerÊncias BibliográFicas
ACSM. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Diretrizes do ACSM
para os Testes de Esforço e sua Prescrição. 7. ed. Traduzido por Giuseppe
Taranto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

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110
C APÍTULO 4
Prescrição de Exercício
Para Pessoas com Doenças
Cardiovasculares, Respiratórias e
Metabólicas

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Definir doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas.

 Identificar as características das doenças cardiovasculares, pulmonares e


metabólicas e descrever seus fatores de risco.

 Prescrever programas de exercícios físicos para pessoas com doenças


cardiovasculares, pulmonares e metabólicas.
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

112
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

ContextualiZação
Continuando o estudo sobre treinamento físico para grupos especiais,
vamos finalizar este caderno de estudos com relação ao treinamento físico para
pessoas com doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas. As transições
demográficas, epidemiológicas, nutricionais e tecnológicas, observadas nas
últimas décadas, provocaram alterações significativas na vida das pessoas.

O que aconteceu com a expectativa de vida da população mundial neste


período? Envelhecimento populacional. Se as pessoas estão vivendo mais
tempo, vivem mais tempo com doenças crônicas. O que aconteceu com os
tipos de doenças mais frequentes na população? Mudança de alta morbidade e
mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias para doenças crônicas não
transmissíveis. Quais os principais fatores de risco para doenças crônicas? É
possível prevenir? Depois que uma dessas doenças apareceu, podemos tratar
por meio do exercício físico? Como? Vamos discutir essas questões.

Entre os profissionais da saúde é consensual a associação entre estilo de


vida ativo e melhores condições de vida e saúde, assim como atividade física e
prevenção de doenças e exercício físico e tratamento coadjuvante de doenças
crônicas. Neste sentido, a disseminação da prática habitual de atividades físicas
orientadas por profissionais qualificados e habilitados contribui decisivamente
para a saúde pública, levando a uma série de benefícios, como por exemplo,
redução de gastos com tratamentos médicos e de internações hospitalares.

Nesta primeira parte, você verá algumas definições e conceitos sobre as


doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas. Vamos discutir os fatores
associados e sua fisiopatologia. Conceitos importantes para o processo posterior
aplicado à prescrição de exercício.

Doenças Crônicas
Existe evidência científica entre baixa aptidão física e mortalidade por
qualquer causa. Há ainda forte associação entre inatividade física e diversas
doenças crônicas, sobretudo aquelas que mais matam a população brasileira:
cardiovasculares, neoplasias (cânceres), respiratórias crônicas e diabetes. A
obesidade está associada à maioria dessas doenças e é um dos principais fatores
de risco.

Doenças crônicas são aquelas de desenvolvimento lento e de longa duração.


Levam mais tempo para serem curadas e em alguns casos não têm cura. As

113
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

doenças crônicas são a principal causa de morbimortalidade no mundo. No Brasil,


em torno de 75% das pessoas com mais de 60 anos têm alguma doença crônica,
sendo considerada a principal causa de óbito e incapacidade prematura no país.

A maioria das doenças crônicas pode ser prevenida ou controlada


Deve-se promover
a atividade física e está associada principalmente ao avanço da idade e ao estilo de vida.
regular para uma O tratamento, seja medicamentoso ou não medicamentoso, em geral,
pessoa com a é contínuo, frequente e ao longo dos anos. O primeiro passo para o
doença e não para
uma doença, de profissional de saúde atuar nesta área é compreender a doença em
forma biológica, uma concepção sistêmica, entendendo o contexto de vida da pessoa
esquecendo os
determinantes e doente. Ou seja, deve-se promover a atividade física regular para uma
condicionantes de pessoa com a doença e não para uma doença, de forma biológica,
saúde. esquecendo os determinantes e condicionantes de saúde.

Com a transição demográfica e epidemiológica a população


está envelhecendo e vivendo mais tempo com doenças crônicas.
Se as doenças crônicas estão aumentando na população, porque
as pessoas estão vivendo mais? Será que a qualidade de vida está
melhor?

A seguir, vamos estudar as características, a fisiopatologia e os fatores de


risco para as doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas.

Doenças Cardiovasculares
O sistema circulatório consiste em coração, pulmões, artérias e veias.

Cardio = coração; Vascular = vasos sanguíneos.

Doenças cardiovasculares (DCV) compreendem doenças do coração e de


seus vasos sanguíneos. Não é uma doença sozinha, mas um nome geral para
mais de 20 doenças: doença arterial coronariana; acidente vascular cerebral;
acidente vascular periférico; infarto do miocárdio; insuficiência cardíaca; angina
do peito; aterosclerose; arteriosclerose; arritmias cardíacas; cardiomiopatia
hipertrófica; doenças de válvulas cardíacas; doença cardíaca congênita.

Aqui vamos discutir melhor sobre a hipertensão arterial sistêmica, a


doença arterial coronariana e a insuficiência cardíaca.
114
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Hipertensão Arterial SistÊmica


(HAS)
É uma doença crônico-degenerativa multifatorial caracterizada por
Doença crônico-
níveis elevados e sustentados de pressão arterial. degenerativa
multifatorial
Existem dois tipos: caracterizada por
níveis elevados
1. Hipertensão primária sistêmica (essencial / 90-95% dos e sustentados de
pressão arterial.
casos): não tem causa aparente, sendo resultado da combinação
de vários fatores: sobrepeso e obesidade, má alimentação, estresse, consumo
excessivo de álcool, sedentarismo, fatores genéticos, e alguns medicamentos.

2. Hipertensão secundária sistêmica (causa conhecida / 5-10%): doenças


renais, tumores e doenças endocrinológicas.

Pressão arterial sistêmica é uma função básica da circulação para:

• manter o fluxo sanguíneo adequado às necessidades do organismo;


• manter a pressão de perfusão adequada;
• atender a demanda metabólica.

Pressão Arterial

• Para o sangue circular pelo corpo, é necessário que o coração realize uma
força (pressão) para empurrar o sangue no interior das artérias.

Ao passar dentro das artérias, o sangue encontra uma determinada


resistência (pressão).

Figura 31 – Passagem do sangue pelas artérias

Quanto mais estreita é a artéria, maior é a resistência à passagem do sangue.

Fonte: Os autores.

115
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

A pressão arterial se altera de acordo com o débito cardíaco e com a


resistência periférica dos vasos sanguíneos (Figura 31).

Fisiopatologia da HAS
O desenvolvimento da HAS é lento e gradual, podendo iniciar pela elevação
do débito cardíaco ou da resistência vascular periférica (Figura 32). Com o tempo,
o aumento da resistência vascular periférica torna-se o principal fator para a
manutenção da PA elevada (CARDOSO JÚNIOR et al., 2013).

Figura 32 – Fatores relacionados às alterações da pressão arterial

Fonte: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/


commons/thumb/9/9e/Press%C3%A3o_arterial.png/700px-
Press%C3%A3o_arterial.png>. Acesso em: 14 fev. 2017.

A regulação da PA é uma das funções fisiológicas mais complexas do


organismo, dependendo das ações integradas dos sistemas cardiovasculares,
renal, neural e endócrino.

Para você estudar mais sobre os mecanismos fisiopatológicos


da hipertensão arterial sistêmica, acesse o artigo científico do Prof.
Dr. Francisco Luciano Pontes Júnior, da USP: PONTES JUNIOR,
Francisco Luciano et al. Influência do treinamento aeróbio nos
mecanismos fisiopatológicos da hipertensão arterial sistêmica. Rev.
Bras. Ciênc. Esporte, Porto Alegre, v. 32, n. 2-4, p. 229-244, dez.
2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbce/v32n2-4/16.pdf>.
Acesso em: 13 fev. 2017.

116
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Para uma base mais teórico-conceitual, leia o artigo do Prof.


Antonio Felipe Sanjuliani, da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro: SANJULIANI, Antonio Felipe. Fisiopatologia da hipertensão
arterial: conceitos teóricos úteis para a prática clínica. Revista da
SOCERJ, v. 15, n. 4, 2002. Disponível em: <http://sociedades.cardiol.
br/socerj/revista/2002_04/a2002_v15_n04_art02.pdf>. Acesso em:
13 fev. 2017.

A HAS é diagnosticada pela detecção de níveis elevados e sustentados de


pressão arterial (PA) pela medida casual. A medida da PA deve ser realizada em
toda avaliação por qualquer profissional da saúde capacitado. Os procedimentos
de medida da PA são simples e de fácil realização, mas nem sempre são feitos de
forma adequada. Os maiores erros envolvem o preparo apropriado do avaliado,
não uso de técnica padronizada e equipamento não calibrado (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).

Os procedimentos que devem ser seguidos para a medida correta da pressão


arterial devem ser observados nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.

Figura 33- Classificação da pressão arterial de acordo com


a medida casual em maiores de 18 anos de idade

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010, p. 8).

117
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Fatores de Risco Para HAS


• Idade: há relação direta e linear da PA com o aumento da idade. A prevalência
de HAS é superior a 60% na faixa etária acima de 65 anos.
• Sexo: a prevalência de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora
seja mais elevada nos homens até os 50-60 anos, e após os 50-60 anos de
idade a HAS é mais elevada nas mulheres.
• Cor da pele: duas vezes mais prevalente em indivíduos de cor não branca.
• Fatores socioeconômicos: no Brasil a HAS foi mais prevalente entre
indivíduos com menor escolaridade, mas a influência do nível socioeconômico
na ocorrência da HAS é complexa e difícil de ser estabelecida.
• Ingestão de sal: ingestão excessiva de sódio tem sido correlacionada com
elevação da PA.
• Consumo de álcool: ingestão excessiva de álcool por períodos prolongados
de tempo pode aumentar a PA e a mortalidade cardiovascular.
• Excesso de peso e obesidade: se associa com maior prevalência de HAS
desde idades jovens.
• Sedentarismo: atividade física reduz a incidência de HAS, mesmo em
indivíduos pré-hipertensos, bem como a mortalidade e risco de DCV.
• Genética: hereditariedade para a gênese da HAS está bem estabelecida.
Porém, não existem até o momento, variantes genéticas que possam ser
utilizadas para predizer o risco individual de desenvolver HAS.

É a principal
forma de doenças
cardiovasculares
em que ocorre
Doença Arterial Coronariana
estreitamento dos
vasos que suprem (DAC)
o coração em
decorrência do
espessamento da É a principal forma de doenças cardiovasculares em que ocorre
camada interna da estreitamento dos vasos que suprem o coração em decorrência do
artéria devido ao espessamento da camada interna da artéria devido ao acúmulo de
acúmulo de placas.
placas.

É a estenose aterosclerótica das artérias coronárias, podendo


Infarto do Miocárdio?
É a lesão (morte) causar angina de peito ou infarto do miocárdio. Pode ocorrer formação
de uma área do de um coágulo sanguíneo e bloquear o fluxo de sangue para a área
músculo cardíaco por
bloqueio da irrigação (infarto do miocárdio) (Figura 3). Infarto do Miocárdio? É a lesão
sanguínea desta (morte) de uma área do músculo cardíaco por bloqueio da irrigação
área. sanguínea desta área.

• A principal causa da DAC é a aterosclerose

118
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Sinais de aviso para DAC: pressão desconfortável; aperto ou dor no peito


que dura mais do que poucos minutos ou que desaparece e retorna;
dor que se propaga para os ombros, pescoço ou braços; desconforto
As lesões que
torácico com suores, falta de ar, náuseas e desmaio. ocorrem resultam
em proliferação
de células

Fisiopatologia da DAC inflamatórias e


acúmulo de lipídios
e de colesterol
Ocorrem mudanças estruturais e de composição na camada íntima (placa) para o
das artérias. As lesões que ocorrem resultam em proliferação de células interior da artéria
inflamatórias e acúmulo de lipídios e de colesterol (placa) para o interior
da artéria (Figura 34).

Figura 34 - Estenose progressiva da artéria do coração com aterosclerose (placa)


até o bloqueio e ataque cardíaco (infarto do miocárdio)

Fonte: Adaptado de Nieman (2011).

Aterosclerose se refere a uma resposta inflamatória e proliferativa e é a


principal causa de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e acidente vascular
periférico. As artérias mais atingidas são as coronárias (do coração), a cerebral e
a aorta abdominal. O efeito primário da DAC é a diminuição ou perda de oxigênio
e nutrientes para o miocárdio ou outras artérias em virtude da diminuição do fluxo
sanguíneo (NIEMAN, 2011).

119
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Fatores de Risco Para DAC


À medida que a pessoa envelhece, ocorre algum endurecimento das artérias.
Entretanto, certos fatores de risco podem acelerar o processo:

• idade (acima de 45 para homens, e acima de 55 para mulheres);


• sexo masculino;
• histórico familiar de doença cardíaca;
• tabagismo;
• pressão arterial alta;
• alto colesterol LDL e baixo colesterol HDL;
• excesso de peso ou obesidade e diabetes;
• sedentarismo;
• estresse crônico.

InsuFiciÊncia Cardíaca (IC)


Condição crônica Condição crônica em que o coração não bombeia o sangue da
em que o coração forma adequada. Pode ocorrer se o coração não for capaz de bater
não bombeia o (sistólica) ou ser preenchido (diastólica) corretamente.
sangue da forma
adequada. Pode
ocorrer se o coração • Requer um diagnóstico médico, frequentemente com exames
não for capaz de
bater (sistólica) laboratoriais ou de imagem.
ou ser preenchido • Não tem cura, mas o tratamento pode ajudar.
(diastólica) • É crônica: pode durar anos ou a vida inteira.
corretamente.

A principal causa de IC é a isquemia cardíaca ou o infarto do


A principal causa
de IC é a isquemia miocárdio. Outra causa comum de IC é a hipertensão não tratada.
cardíaca ou o infarto Geralmente se desenvolve gradativamente após uma lesão no coração.
do miocárdio. Outra
causa comum de IC
é a hipertensão não
tratada. Geralmente Fisiopatologia da IC
se desenvolve
gradativamente
após uma lesão no Inicialmente, a IC resulta em lesão do coração que pode provocar
coração. alterações na sua forma e eficiência mecânica. Essas mudanças levam
a disfunção ventricular associada à hipertrofia cardíaca patológica,
seguida de necrose e apoptose das fibras musculares cardíacas e sua fibrose,
provocando remodelamento do coração (BECHARA et al., 2013).

A figura 34 mostra que o coração hipertrofiado pela hipertensão apresenta as


paredes mais grossas, e consequentemente menos espaço para o ventrículo se
encher de sangue. O coração se enche menos e por isso bombeia menos sangue
a cada batida (sístole) ou recebe menos sangue na diástole.
120
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Figura 34 – Insuficiência Cardíaca

Fonte: Disponível em: <http://www.mdsaude.com>. Acesso em: 10 fev. 2017.

Como todo músculo quando exposto a um estresse, a parede dos ventrículos


começa a crescer. É a hipertrofia cardíaca. A IC pode ocorrer no lado esquerdo,
direito ou de ambos os lados do coração.

Fatores de Risco Para IC


Os fatores de risco da IC incluem:

• doença arterial coronariana;


• enfarte do miocárdio;
• pressão arterial alta;
• doença de válvula cardíaca;
• doença cardíaca congênita;
• cardiomiopatia (coração aumentado);
• miocardite (infecção do coração);
• endocardite;
• histórico familiar de doença cardíaca;
• diabetes.

Para você estudar mais sobre as características das doenças


cardiovasculares, veja o livro do Prof. Dr. David C. Nieman,
intitulado “Exercício e saúde: teste e prescrição de exercícios”,
publicado em 2011.

121
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Você pode acessar o artigo do Prof. Dr. Iseu Gus, do Instituto


de Cardiologia do Rio Grande do Sul, intitulado “Variações na
Prevalência dos Fatores de Risco para Doença Arterial Coronariana
no Rio Grande do Sul: Uma Análise Comparativa entre 2002-2014”.
Disponível em: <http://www.arquivosonline.com.br/2015/10506/
pdf/10506005.pdf>.

Sobre IC, você pode acessar o artigo Atualização da diretriz


brasileira de insuficiência cardíaca crônica. Arq. Bras. Cardiol.,
São Paulo, v. 98, n. 1, supl. 1, p. 1-33, 2012”. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-
782X2012000700001>.

Doenças Pulmonares
Doença pulmonar se refere a qualquer distúrbio que ocorra nos pulmões ou
que os levem a não funcionarem adequadamente (SOUSA, 2015).

Existem três tipos principais:

1. Doenças das vias respiratórias: afetam as vias aéreas que transportam


oxigênio e outros gases para os alvéolos. Exemplo: asma e doença pulmonar
obstrutiva crônica.

2. Doenças do tecido pulmonar: afetam toda estrutura do tecido pulmonar


por provocarem destruição ou inflamação. Provoca restrição e incapacita os
pulmões de se expandirem totalmente. Faz com que seja difícil absorver oxigênio
e liberar dióxido de carbono. Exemplo: fibrose e sarcoidose.

3. Doenças da circulação pulmonar: afetam os vasos sanguíneos dos


pulmões e são provocadas por coagulação, destruição ou inflamação dos vasos
sanguíneos. Elas afetam a capacidade dos pulmões de absorverem oxigênio
e liberarem dióxido de carbono e também podem afetar o funcionamento do
coração. Exemplo: hipertensão arterial pulmonar e cor pulmonale.

Veremos a seguir sobre asma e doença pulmonar obstrutiva crônica


(DPOC), doenças pulmonares mais frequentes na população infantil e idosa,
respectivamente.

122
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Asma
Doença respiratória caracterizada por episódios de obstrução
Doença respiratória
variável do fluxo aéreo que são reversíveis espontaneamente ou com caracterizada
resultado de tratamento (SOUSA, 2015). por episódios de
obstrução variável
Asma é uma doença genética, atualmente sem cura, mas seus do fluxo aéreo que
sintomas são tratáveis. Essa doença afeta principalmente os bronquíolos são reversíveis
espontaneamente
pulmonares (vias aéreas inferiores). Manifesta-se por episódios
ou com resultado
recorrentes de chiado, dispneia, aperto no peito e tosse, particularmente de tratamento
à noite e pela manhã ao acordar (GINA, 2014; SOUSA, 2015).

A asma é uma das condições crônicas mais comuns que afeta tanto crianças
quanto adultos, sendo um problema mundial de saúde.

Figura 35 - Via aérea de pessoas sem asma (“normal”) e asmáticas, ocorre


estreitamento da passagem de ar e redução de seu fluxo aos alvéolos

Fonte: Disponível em: <http://espacodasaude.blogs.sapo.


pt/tag/alergias>. Acesso em: 10 fev. 2017.

123
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Fisiopatologia da Asma
A primeira etapa para o desenvolvimento da asma refere-se
A primeira etapa para
o desenvolvimento ao processo de sensibilização ao alérgeno. Os alérgenos inalados
da asma refere-se entram em contato com a mucosa brônquica e são capturados por
ao processo de
sensibilização ao células dendríticas presentes no epitélio brônquico. Ocorre desordem
alérgeno. inflamatória das vias aéreas e liberação de múltiplos mediadores que
resultam em alterações fisiopatológicas características.

A asma possui principalmente três características:

1. Inflamação crônica das vias aéreas, na qual células como mastócitos,


eosinófilos e linfócitos T desempenham importante papel.
2. Hiper-responsividade brônquica, caracterizada por resposta
broncoconstritora exagerada da musculatura lisa das vias aéreas a um estímulo
broncoconstritor.
3. Remodelamento das vias aéreas, processo envolvendo fatores da
inflamação brônquica resultando em alterações estruturais (espessamento da
parede brônquica, descamação epitelial) ou funcionais (obstrução irreversível ao
fluxo aéreo).

As três características descritas podem gerar um ciclo vicioso se a


inflamação não for tratada, pois quanto mais inflamação, mais hiper-responsiva
será a via aérea do asmático, e em consequência, a inflamação crônica poderá
levar ao remodelamento brônquico: quanto mais asma, mais asma; e maior a sua
gravidade (SOUSA et al., 2015).

Fatores de Risco Para Asma


Além do componente genético, a etiologia da asma nas etapas iniciais da
vida pode estar associada a mais quatro fatores:

1. Hipótese da higiene: uma exposição reduzida a agentes microbianos nos


primeiros anos de vida pode promover polarização de células T específicas da
resposta alérgica, o que pode resultar no aparecimento da asma. A concepção
dessa teoria refere-se à conexão entre sensibilização alérgica e estilo de vida,
com aumento de higiene, uso difundido de antibióticos, água potável purificada
e imunizações por vacinas. Sendo que essas doenças atópicas são mais
prevalentes em países industrializados e ocidentais (SCHAUB et al., 2006).

2. Hipótese dietética: aumento das alergias respiratórias a mudanças


no consumo de alimentos nas últimas três décadas, especialmente bebidas e
124
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

alimentos industrializados processados com aditivos químicos. Análogo a isso,


ocorreu diminuição do consumo de alimentos naturais e frescos. Segundo esta
teoria, o aumento do risco para asma e atopia está relacionado aos baixos níveis
de ácidos graxos poli-insaturados e antioxidantes (vitaminas A, C e E), zinco,
magnésio e manganês. Estes alimentos possuem propriedades para redução do
dano oxidativo pulmonar (PATEL et al., 2006).

3. Hipótese ambiental: condições do ar intradomiciliar e extradomiciliar


(ar atmosférico) para desenvolvimento da alergia e da asma. A atuação do meio
ambiente sobre o trato respiratório dos indivíduos, como um potencial fator de
risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias, tem sido objeto de estudo
nos últimos anos (STIRBULOV; BERND; SOLE, 2006; SOUSA, 2015).

4. Hipótese da obesidade: obesos têm maior risco para o desenvolvimento


de asma e este fato pode estar relacionado ao efeito mecânico respiratório,
genético e a mediadores inflamatórios (TANTISIRA; WEISS, 2001).

Em conjunto, esses cinco fatores podem explicar o risco para asma, cada um
com sua intensidade de importância, além de estarem relacionadas à gravidade
da doença (SOUSA et al., 2015).

a) limitação

Doença Pulmonar Obstrutiva do fluxo aéreo


não totalmente

Crônica (DPOC) reversível;

b) progressiva; e
Atualmente, definida como uma doença respiratória passível de
prevenção e de tratamento. Caracteriza-se por: c) associada a
uma resposta
inflamatória
a) limitação do fluxo aéreo não totalmente reversível;
anormal dos
b) progressiva; e pulmões à inalação
c) associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à de partículas ou
inalação de partículas ou gases nocivos. gases nocivos.

125
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Figura 36 – Imagem característica de uma pessoa com DPOC

Fonte: Mcardle et al. (2011)

Conforme mostra a figura acima, à medida que a doença avança o ar vai se


aprisionando nos pulmões, tornando difícil a expiração. Com o passar do tempo,
ocorrem alterações típicas como tórax em tonel e hipercifose.

O processo inflamatório crônico pode produzir modificações dos brônquios


(bronquite crônica) e causar destruição dos alvéolos (enfisema), com
consequente redução da elasticidade pulmonar.

Fisiopatologia da DPOC
A figura 37 apresenta as quatro características fisiopatológicas da DPOC
(GOLD, 2011):

1. Inflamação das vias aéreas, sendo que as principais células inflamatórias


são os neutrófilos e macrófagos. Os mediadores inflamatórios mais presentes
neste processo são leucotrieno B4 (LTB4) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α).
Os mediadores inflamatórios lesam as estruturas pulmonares e sustentam
inflamação, gerando mais células inflamatórias.

2. Obstrução das vias aéreas é observada em virtude da contração da


musculatura lisa brônquica, espessamento da parede brônquica, hiper-reatividade,
perda de retração elástica pulmonar e da hipersecreção de muco.
126
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

3. Disfunção mucociliar é a consequência do excesso de muco, que por


sua vez acarreta no aumento de sua viscosidade. Com aumento da viscosidade
do muco ocorre diminuição de seu transporte, em virtude da lesão da mucosa
brônquica e perda dos cílios.

4. Alterações estruturais das vias aéreas caracterizada pela


destruição alveolar, fibrose das vias aéreas, hiperplasia e hipertrofia
epitelial e o espessamento da parede brônquica levam ao remodelamento
das vias aéreas na DPOC.

Figura 37 - Fisiopatologia da DPOC

Fonte: Gold (2011).

Fatores de Risco Para DPOC


Os principais fatores de risco são (II CONSENSO BRASILEIRO SOBRE
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA, 2004; SOUSA, 2015):

• fumaça do cigarro;
• poeiras e produtos ocupacionais;
• irritantes químicos;
• poluição ambiental;
• baixa condição socioeconômica;
• infecções respiratórias graves na infância.

127
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Para você estudar mais sobre doenças pulmonares, veja o livro


do Prof. Dr. Clóvis Sousa, intitulado “Exercício físico para pessoas
com doenças pulmonares”, publicado em 2015. Você pode acessar o
artigo do “II Consenso Brasileiro sobre Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica - 2004”, disponível em: <http://www.jornaldepneumologia.
com.br/PDF/Suple_124_40_DPOC_COMPLETO_FINALimpresso.
pdf>.

Sobre Asma, você pode acessar o artigo das “Diretrizes da


Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da
Asma – 2012”, disponível em: <http://www.jornaldepneumologia.com.
br/pdf/suple_200_70_38_completo_versao_corrigida_04-09-12.pdf>.

Doenças Metabólicas
Doenças metabólicas são doenças que provocam alterações no
funcionamento geral do organismo. As pessoas podem apresentar muitas
ou poucas substâncias no corpo, tais como proteínas, carboidratos ou
gorduras. Interfere nos processos químicos envolvidos na manutenção corporal,
crescimento de tecidos saudáveis, eliminação de resíduos e na produção de
energia para as funções do corpo.

Vamos discutir sobre obesidade e diabetes.

Obesidade
Doença caracterizada pelo aumento excessivo de gordura corporal depositada
em vários compartimentos corporais, aumentando o risco de problemas de saúde
(ABESO, 2009).

A obesidade é fator de risco para várias doenças. O obeso tem mais propensão
a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes
tipo 2, entre outras.

No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Alguns levantamentos


apontam que mais de 50% da população está com sobrepeso e obesidade. Entre
crianças, estaria em torno de 15% (ABESO, 2016).

128
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Consequências da obesidade para a saúde:

• Aparelho cardiovascular: hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência


cardíaca congestiva e angina.
• Metabólicas: hiperlipidemia, intolerância à glicose, diabetes tipo 2, gota.
• Sistema respiratório: dispneia, fadiga, síndrome de insuficiência respira-
tória do obeso, apneia do sono, embolia pulmonar.
• Aparelho gastrintestinal: esteatose hepática (gordura no fígado), refluxo
gastroesofágico, carcinoma do cólon.
• Aparelho gênito-urinário e reprodutor: infertilidade, amenorreia, inconti-
nência urinária.
• Outras alterações: osteoartroses, insuficiência venosa crônica, hérnias,
risco de quedas.
• Alterações socioeconômicas e psicossociais: discriminação, isolamento
social, depressão e perda de autoestima.

Fatores de Risco Para Obesidade


De acordo com a figura a seguir, a etiologia da obesidade envolve fatores
genéticos e ambientais. É multifatorial e os fatores mais relacionados ao
aparecimento da obesidade envolvem o estilo de vida ruim (ABESO, 2016).

Figura 38 – Fatores de risco para obesidade

Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Diabetes (2016).

Diabetes Mellitus
Doença de etiologia múltipla decorrente da falta de insulina e/ou da
incapacidade da insulina de exercer adequadamente sua função. Caracteriza-se
por hiperglicemia crônica com distúrbios do metabolismo dos carboidratos, lipídios
e proteínas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2016).
129
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Possui alta prevalência mundial. Nas últimas décadas, ela vem aumentando
progressivamente em decorrência de mudanças no perfil das condições de vida e
saúde da população. Fatores como o envelhecimento populacional, a urbanização,
o aumento dos casos de obesidade, o sedentarismo e a má alimentação, têm
contribuído para o aumento do número de pessoas com DM no mundo. O DM
é considerado uma epidemia global pela Organização Mundial de Saúde (WHO,
2002; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2016).

A classificação proposta pela American Diabetes Association (2013) e pela


Sociedade Brasileira de Diabetes (2016) inclui 4 categorias:

1. Diabetes Mellitus tipo 1;


2. Diabetes Mellitus tipo 2;
3. Diabetes Mellitus gestacional;
4. Outros tipos específicos de DM.

O tipo mais frequente de diabetes é o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e que


será o foco neste momento.

Fisiopatologia da Diabetes Mellitus


Insulina é o hormônio pancreático responsável pelo transporte das moléculas
de glicose da corrente sanguínea para o interior das células. A ausência total ou
parcial desse hormônio interfere não só no equilíbrio da glicose sanguínea como
na sua transformação em outras substâncias, tais como proteínas e gordura
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2016).

Figura 39 - Tipos de DM e suas características fisiopatológicas

Fonte: Adaptado de International Diabetes Federation (2013).


130
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Ocorre uma alteração do metabolismo da insulina e os tecidos do corpo e as


células não utilizam a glicose no sangue, levando ao aumento da glicemia. Esta
condição é agravada pela conversão de glicogênio armazenado em glicose. Em
um período de tempo, o açúcar elevado no sangue pode conduzir a complicações
graves nos olhos, doenças cardiovasculares, lesões nos rins e na circulação
periférica.

Os sintomas envolvem:

• aumento da sede (polidipsia);


• aumento da frequência urinária (poliúria);
• aumento do apetite (polifagia);
• fadiga excessiva;
• presença de açúcar na urina (glicosúria);
• dores no corpo ou formigamentos;
• perda de peso inexplicada e desidratação.

Fatores de Risco Para Diabetes


Mellitus
Os fatores de risco considerados mais importantes para DM2 são:

• fatores genéticos e história familiar;


• excesso de peso;
• alimentação inadequada;
• sedentarismo.

Existem outros fatores que podem ser considerados de risco para o


desenvolvimento do DM2, como por exemplo, a idade (> 45 anos), hipertensão
arterial sistêmica, dislipidemia, síndrome dos ovários policísticos, uso
excessivo de corticoides, uso de tabaco e gestação (INTERNATIONAL
DIABETES FEDERATION, 2013; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES,
2016).

Para você estudar mais sobre obesidade, acesse “Diretrizes


Brasileiras de Obesidade”, disponível em: <http://www.abeso.org.
br/pdf/diretrizes_brasileiras_obesidade_2009_2010_1.pdf>.

131
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Sobre diabetes, você pode acessar as “Diretrizes da Sociedade


Brasileira de Diabetes”, disponível em: <http://www.diabetes.org.br/
sbdonline/images/docs/DIRETRIZES-SBD-2015-2016.pdf>.

Atividades de Estudos:

1) Cite as doenças que mais matam a população brasileira (DAC).


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Relacione as definições abaixo conforme a letra correta:

Condição crônica em que o coração não bombeia o


Doença Arterial ( ) sangue da forma adequada. Pode ocorrer se o coração
(A)
Coronariana não for capaz de bater (sistólica) ou ser preenchido
(diastólica) corretamente.
Doença de etiologia múltipla decorrente da falta de
Hipertensão ar- ( )
(B) insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer
terial sistêmica
adequadamente sua função.
Estenose aterosclerótica das artérias coronárias, po-
dendo causar angina de peito ou infarto do miocárdio. É
Diabetes ( ) a principal forma de doenças cardiovasculares em que
(C)
Mellitus ocorre estreitamento dos vasos que suprem o coração
em decorrência do espessamento da camada interna da
artéria devido ao acúmulo de placas.
É uma doença crônico-degenerativa multifatorial carac-
( )
(D) Asma terizada por níveis elevados e sustentados de pressão
arterial.
Doença respiratória caracterizada por episódios de
Insuficiência ( )
(E) obstrução variável do fluxo aéreo que são reversíveis
cardíaca
espontaneamente ou com resultado de tratamento.

3) Descreva os principais fatores de risco para o desenvolvimento


da obesidade.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

132
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

4) Cite as quatro características fisiopatológicas da DPOC.


_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________

DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são doenças


multifatoriais que se desenvolvem no decorrer da vida e são de longa
duração. Consideradas um sério problema de saúde pública, e já
eram responsáveis por 63% das mortes no mundo em 2008.
As Doenças
Crônicas Não
No Brasil, em 2013, as DCNT foram a causa de Transmissíveis
aproximadamente 72,6% das mortes. Isso configura uma (DCNT) são
mudança nas cargas de doenças, e se apresenta como um novo doenças
desafio para a população. Ainda mais pelo forte impacto das multifatoriais que
DCNT na morbimortalidade e na qualidade de vida dos indivíduos se desenvolvem
no decorrer da vida
afetados, a maior possibilidade de morte prematura e os efeitos
e são de longa
econômicos adversos para as famílias e sociedade em geral. duração.

As quatro DCNT de maior impacto mundial são: doenças


cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias As quatro
DCNT de maior
crônicas. As DCNT são resultado de diversos fatores,
impacto mundial
determinantes sociais e condicionantes, além de quatro fatores são: doenças
de risco individuais: tabagismo, consumo nocivo de álcool, cardiovasculares,
alimentação não saudável e inatividade física. diabetes, câncer
e doenças
respiratórias
crônicas.

Quatro fatores de
risco individuais:
tabagismo,
consumo nocivo de
álcool, alimentação
não saudável e
inatividade física.

133
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma


reunião sobre DCNT, com a presença dos Chefes de Estado sobre
o tema. A reunião resultou em uma declaração na qual os países-
membros comprometeram-se a trabalhar para deter o crescimento
desse grupo de doenças, e a OMS a elaborar um conjunto de metas
e indicadores para monitorar o alcance desses objetivos.

O quadro de monitoramento global foi pactuado em 2012,


contendo 25 indicadores e nove metas globais voluntárias para a
prevenção e o controle das DCNT. Os 25 indicadores foram inseridos
em três blocos: a) mortalidade e morbidade; b) fatores de risco; e c)
respostas dos sistemas nacionais. Para nove deles, foram definidas
metas a serem atingidas em relação à linha de base. Metas essas,
que foram alinhadas às do Plano de Ações Estratégicas para o
Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no
Brasil, 2011-2022, elaborado com protagonismo do Ministério da
Saúde do Brasil e participação de diversas outras instituições.

Lançado em 2011, o Plano tem o objetivo de promover o


desenvolvimento e a implantação de políticas públicas efetivas,
integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a
prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco, incluindo
o fortalecimento dos serviços de saúde. As estratégias e ações
evolvem três eixos:

• vigilância, informação, avaliação e monitoramento;


• promoção da saúde;
• cuidado integral.

O Ministério da Saúde no Brasil vem implementando


O Ministério da
Saúde no Brasil políticas para combater as DCNT. Um exemplo consiste na
vem implementando Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), priorizando
políticas para
combater as DCNT. ações de alimentação saudável, atividade física, prevenção
Um exemplo consiste ao uso de tabaco e álcool. Outros exemplos consistem na
na Política Nacional implementação do Programa Academia da Saúde e na
de Promoção da
Saúde (PNPS), expansão da Atenção Básica, com equipes atuando em
priorizando ações território definido, realizando ações de promoção, prevenção,
de alimentação
saudável, atividade vigilância em saúde e assistência.
física, prevenção
ao uso de tabaco e As pesquisas e inquéritos realizados em âmbito nacional,
álcool.
como a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), o Inquérito
Telefônico de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para

134
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Doenças Crônicas (Vigitel) e a Pesquisa Nacional de Saúde do


Escolar (PeNSE) são utilizados para monitorar os fatores de risco e
proteção para DCNT no Brasil.

Fonte: Adaptado de BRASIL. Portal da Saúde. Ministério da Saúde.


Vigilância das doenças crônicas não transmissíveis. 2014. Disponível
em: <https://goo.gl/KQvirj>. Acesso em: 16 out. 2016.

Para o estudo e entendimento da dinâmica das doenças


crônicas no Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza um portal para
o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
no Brasil. Acesse: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-
ministerio/principal/portal-dcnt>.

Avaliação e Prescrição de Exercício


Físico Para Pessoas com Doenças
Cardiovasculares, Pulmonares e
Metabólicas
Vamos estudar agora itens essenciais para prescrição de exercícios para
grupos especiais. Mas antes, estudaremos as etapas da avaliação para pessoas
com doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas. Procedimento
importante que propicia maior segurança, conhecimento e conscientização dos
praticantes para prática de exercício físico.
Antes de iniciar
o programa de
Avaliação exercícios físicos
é necessário
realizar uma ampla
Antes de iniciar o programa de exercícios físicos é necessário avaliação, iniciada
realizar uma ampla avaliação, iniciada com a anamnese completa e com a anamnese
coleta de informações referentes aos testes realizados. completa e coleta
de informações
O Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) propõe uma referentes aos
testes realizados.
referência de anamnese com informações e perguntas para prescrição
de exercício (Quadro 18).
135
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

O CONFEF descreve ainda, que para realização de programas públicos e/


ou privados com mais participantes é indispensável realizar a triagem inicial dos
praticantes para identificar indivíduos que necessitam de acompanhamento médico
(SILVA, 2010). Esse procedimento, além de propiciar maior segurança a todos os
segmentos envolvidos com o programa, é importante para a conscientização dos
praticantes sobre a necessidade de realizarem exames periódicos, principalmente
dos indivíduos que apresentarem sintomas ou fatores de risco.

Quadro 18 – Modelo de anamnese para avaliação de grupos


especiais para prescrição de um programa de exercícios físicos

Informações Descrição/Pergunta Especificação

Dados pessoais Nome, data nascimento, sexo.

Dados cadastrais Endereço, telefones, e-mail.

Dados trabalho Profissão, horas de trabalho. Hora início fim, turno.

Realizou consulta médica recen-


temente (últimos 6 meses) para a
prática de atividade física?
Sente dor no peito, tontura ou falta
de ar durante o esforço?
Faz uso de medicamento(s)? Tipo, dosagem diária.
Sexo, idade, hereditariedade, coleste-
Presença de fatores de risco para
rol, hipertensão, obesidade, diabetes,
desenvolvimento de doença cardio-
fumo, sedentarismo, dislipidemia,
vascular.
Dados de saúde hipertensão arterial sistêmica.
Presença de doença(s). Qual, tempo, tratamento.
Realizou ou irá realizar alguma
Cirurgia prévia.
cirurgia?
Limitações ósteo-articulares? Lesões prévias? Fratura prévia?
Limitações músculo-articulares? Lesões prévias?
Está grávida? Tempo da última gravi-
Gravidez.
dez; nº de gestações.
Qualidade do sono, horas de sono
Sono.
por noite.
Praticou atividade física regular?
Experiência anterior.
Tipo, esportes.
Prática regular de Sedentário, praticante de atividade
exercício físico física regular ou atleta, tipo de exer-
Experiência atual.
cício? Frequência semanal? Duração
da sessão?

136
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Qual o objetivo com a prática


Objetivos
regular do exercício físico?

Tipo de exercício que mais gosta,


Preferências
tipo que não gosta.

Tempo disponível Dias da semana, turno, horas.

Observações:

Fonte: Adaptado de Silva (2010).

Durante a anamnese, recomenda-se a utilização do Questionário de


Prontidão para Atividade Física (Q-PAF ou PAR-Q, do inglês), como padrão
mínimo para inclusão em um programa com exercícios de intensidade moderada
(Quadro 19).

O Q-PAF foi desenvolvido para utilização em pessoas entre 15 e 69 anos


de idade, com objetivo de identificar aqueles que precisam ser submetidos
à avaliação médica antes de iniciar o programa de exercícios ou de aumentar
significativamente sua atividade física (SILVA, 2010; ACSM, 2014).

Quadro 19 – Questionário de prontidão para atividade física (Q-PAF)

Nº Questão Resposta

Seu médico já mencionou alguma vez que você possui um problema do


1 coração e lhe recomendou que só fizesse atividade física sob supervisão SIM NÃO
médica?

2 Você sente dor no tórax quando realiza atividade física? SIM NÃO

Você sentiu dor no tórax quando estava realizando atividade física no


3 SIM NÃO
último mês?

Você já perdeu o equilíbrio por causa de tontura ou alguma vez perdeu a


4 SIM NÃO
consciência?

Você tem algum problema ósseo ou articular que poderia ser agravado
5 SIM NÃO
com a prática de atividade física?

137
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

NÃO
Seu médico está prescrevendo uso de medicamentos para a sua pressão
6 SIM
arterial ou coração?

Você conhece alguma outra razão pela qual você não deveria praticar
7 SIM NÃO
atividade física?

OBSERVAÇÃO: Se você respondeu SIM para uma ou mais questões acima é recomendável
uma avaliação médica antes de iniciar a prática de exercícios físicos.

Fonte: Silva (2010); ACSM (2014).

O CONFEF (SILVA, 2010) e a American College of Sports Medicine (ACSM,


2014) recomendam também a avaliação dos fatores de risco para desenvolvimento
de doença cardiovascular que englobam um conjunto de fatores, modificáveis ou
não. Estes fatores de risco são:

1. Idade e sexo: homem acima de 45 ou mulher acima de 55 anos de idade.

2. Histórico familiar de enfarte do miocárdio, revascularização


coronariana, ou morte súbita: do pai, irmão ou filho antes dos 55 anos de idade
e/ou mãe, irmã ou filha antes dos 65 anos de idade.

3. Sedentarismo: não praticar exercício físico regular ou não realizar pelo


menos 30 minutos de atividade física moderada na maioria dos dias da semana.

4. Hábitos alimentares inadequados em proporção e composição:


que não seguem a proporção de 55-65% de carboidratos; 10-15% de proteínas
e 20-30%de lipídios, e cuja composição não assegura a presença equilibrada
dos oito grupos de alimentos que compõem a pirâmide alimentar (pães, cereais
e tubérculos; hortaliças; frutas; carnes; leite e derivados; leguminosas; óleos e
gorduras; açúcares e doces).

5. Obesidade: índice de massa corporal (IMC) ≥30 Kg/m².

6. Distribuição anatômica da gordura: circunferência da cintura >102 cm


para homens e >88 cm para mulheres ou razão cintura/quadril ≥0,95 para homens
e ≥0,86 para mulheres.

7. Fumante habitual de cigarros ou aqueles que deixaram de fumar nos


últimos 6 meses.

138
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

8. Hipertensão arterial sistêmica: quando a pressão arterial sistólica for


≥140mmHg e/ou diastólica ≥90 mmHg, confirmadas por mensurações realizadas
pelo menos em 2 ocasiões diferentes, além de pessoas com quadro de hipertensão
confirmada e que fazem uso de medicação anti-hipertensiva.

9. Dislipidemia: lipoproteína de baixa densidade (LDL colesterol) ≥130 mg/


dL ou lipoproteína de alta densidade (HDL colesterol) <40 mg/dL, incluindo-se,
também, aquelas pessoas que fazem uso regular de medicação para
reduzir o nível de colesterol. Em casos em que se dispõe apenas dos Além da
anamnese, do
níveis de colesterol total, considerar valores ≥200 mg/dL.
PAR-Q e da
avaliação dos
10. Glicose sanguínea em jejum alterada: ≥100 mg/dL confirmada fatores de risco
em pelo menos duas ocasiões diferentes. cardiovasculares,
deve-se realizar
Além da anamnese, do PAR-Q e da avaliação dos fatores de alguns testes
e medidas
risco cardiovasculares, deve-se realizar alguns testes e medidas
antropométricas,
antropométricas, conforme sugestão geral descrita a seguir (Quadro 20):

Quadro 20 - Variáveis obtidas a partir de testes e medidas

Testes/Medidas Variáveis

Massa corporal, altura, índice massa corporal, circunferên-


Antropométrico cia da cintura e outros perímetros corporais, percentual de
gordura.
Respostas cardiovasculares Pressão arterial, frequência cardíaca, frequência cardíaca
de repouso máxima predita para a idade.
Frequência cardíaca máxima, frequência cardíaca nos
limiares ventilatórios, consumo máximo de oxigênio, consumo
Respostas cardiorrespiratórias
de oxigênio nos limiares ventilatórios, tolerância ao esforço
ao teste de esforço (tempo de teste). Comportamento da PA e da FC. Indicação
de isquemia do miocárdio (Segmento ST).
Fonte: Adaptado de Silva (2010).

O American College of Sports Medicine (ACSM, 2014) estabeleceu o grau


de risco para exercício físico, considerado estratificação de risco para prática de
atividade física e esporte. Recomendações apropriadas para exame médico para
a prática de atividade física regular/exercício físico e para o teste ergométrico são
feitas com base em um processo de estratificação de risco, que atribui às pessoas
uma das três categorias de risco: baixo, moderado, ou alto risco (Quadro 21).

O processo pelo qual as pessoas são atribuídas a uma destas categorias de


risco é chamado de estratificação de risco, e é baseado na:

139
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

• presença ou ausência de fatores de risco para doenças cardiovasculares;


• presença ou ausência de doença cardiovascular, pulmonar, e/ou metabólica
conhecida;
• presença ou ausência de sinais ou sintomas sugestivos de doença
cardiovascular, pulmonar, e/ou doença metabólica.

Quadro 21 – Categorias da estratificação de risco


para prática de atividade física e esporte
• Homens <45 anos;
• Mulheres <55 anos;
Baixo risco
• Assintomáticos e que apresentem no máximo um fator de risco para
desenvolvimento de doença cardiovascular.
• Homens ≥45 anos;
• Mulheres ≥55 anos;
Risco moderado
• ou aqueles que apresentem dois ou mais fatores de risco para desenvol-
vimento de doença cardiovascular.
Indivíduos com um ou mais sinais ou sintomas sugestivos de doença
Alto risco cardiovascular e pulmonar ou com doença cardiovascular, pulmonar ou
metabólica conhecida.
Fonte: Adaptado de Silva (2010) e ACSM (2014).

Profissionais de saúde são incentivados a adotar uma abordagem


conservadora na identificação de fatores de risco para doenças cardiovasculares
para fins de estratificação de risco, especialmente quando faltam informações
sobre as doenças e/ou fatores de risco.

Neste sentido, quando não há informação sobre a presença ou não do fator


de risco a ser avaliado, este deve ser considerado como presente, com exceção
do pré-diabetes (glicose sanguínea em jejum alterada). A glicemia de jejum
alterada deve ser considerada como fator de risco presente nas pessoas com
idade ≥45 anos, particularmente para aquelas com IMC ≥25kg/m2 (ACSM, 2014).

Na avaliação de doenças prevalentes, a ACSM (2014) recomenda considerá-


las a partir do diagnóstico médico de pelo menos uma das seguintes condições:

• Doenças cardiovasculares: cardíacas, doença arterial coronariana, doença


arterial periférica ou doença cerebrovascular.
• Doenças pulmonares: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma,
doença pulmonar intersticial ou fibrose cística.
• Doenças metabólicas: diabetes mellitus (tipo 1 ou tipo 2), obesidade,
distúrbios da tireoide e doença renal ou hepática.

140
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Finalmente, se a pessoa respondeu sim para uma ou mais questões do


PAR-Q e possuir dois ou mais fatores de risco para doença cardiovascular,
recomenda-se encaminhá-la para avaliação médica antes de iniciar o programa
de exercícios físicos. A figura a seguir descreve um modelo de carta para
encaminhamento médico.

Figura 40 – Modelo de carta para encaminhamento médico após anamnese,


PAR-Q e avaliação de riscos para desenvolvimento de doenças cardiovasculares

Data:________________________

Caro
Dr(a).:_______________________________________________________

Seu/sua paciente __________________________________ deseja participar


de um programa de exercícios físicos envolvendo treinamento aeróbio,
resistência muscular e alongamento/flexibilidade, que com o tempo terão
progressão em intensidade, frequência e duração. Após completar nossa
anamnese e avaliação, constatamos que ele(a) respondeu “SIM” para alguma
das questões do PAR-Q e possui 2 (dois) ou mais fatores de risco para doenças
cardiovasculares. Assim, decidimos discutir seu estado de saúde e solicitar
exames clínicos para estudar mais profundamente suas possíveis limitações
antes de praticar atividade física.

Atenciosamente,

Profissional de Educação Física:_______________________________________

Assinatura:____________________ Tel.:_______________ CREF nº.: ________

_________________________________________________________________

Pedimos atenção a qualquer recomendação ou restrição à atividade física.


Favor retornar esta carta ao profissional de Educação Física.

( ) Não há contraindicações para participação do paciente nas práticas de


atividades físicas citadas.
( ) Para este paciente é restrito atividades do tipo:________________________
________________________________________________________________
( ) Recomendo ao paciente não participar das atividades citadas.

Nome do médico:___________________________________________________

141
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Assinatura e carimbo:________________________ CRM nº.:________________

Telefones.:________________________________ Data.:___________________

Fonte: Os autores.

As pessoas com doenças crônicas precisam ser questionadas


As pessoas com
doenças crônicas sobre quaisquer sinais ou sintomas de doenças cardiovasculares, como:
precisam ser falta de ar em repouso, durante o sono ou com exercício leve, dores
questionadas sobre
quaisquer sinais ou no peito no repouso ou durante esforço moderado, dor ou desconforto
sintomas de doenças no tórax, pescoço, queixo, braços, tonturas, vertigem ou desmaio,
cardiovasculares. inchaço nos tornozelos e dores nas panturrilhas não associadas, dores
musculares e fadiga incomum.

A detecção de algum destes sinais ou sintomas implicará na modificação da


carga do exercício em uma ou mais sessões do treinamento físico, ou mesmo na
interrupção imediata do exercício e na procura por assistência médica de urgência,
dependendo de cada caso. Investigações adicionais devem ser solicitadas ao
profissional especialista e realizadas antes que seja iniciada a rotina de exercícios
(ZINMAN et al., 2004; ACSM, 2014).

Ao profissional de Educação Física caberá, além de realizar uma prescrição


de exercício físico coerente com as necessidades, capacidades e objetivos da
pessoa, conhecer os procedimentos e variáveis fornecidos em testes, conforme o
CONFEF (SILVA, 2010) sugere a seguir:

Figura 41 – Procedimentos e equipamentos para testes

Fonte: Silva (2010).


142
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

No atendimento a pessoas com características especiais e diferentes


necessidades, o profissional de Educação Física precisará utilizar métodos
e técnicas específicas que se concretizem em sessões de atividades físicas
capazes de atingir os objetivos propostos, devidamente respaldados por diretrizes
especializadas e por sistemáticos processos de avaliação e diagnóstico (SILVA,
2010; ACSM, 2014).

Atividade de Estudos:

1) Descreva os passos para realizar avaliação de grupos


especiais.
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________

Prescrição de Exercícios
Toda prescrição de exercícios físicos, para qualquer pessoa, envolve seis
componentes essenciais:

1. Tipo
2. Duração
3. Frequência
4. Intensidade
5. Recuperação
6. Progressão

O tipo de exercício físico, a frequência, a duração e a intensidade da sessão


devem ser adaptados ao indivíduo ou ao grupo, considerando não somente o
estado de saúde e o nível de risco ou doença, mas também a capacidade física,
as limitações individuais, os objetivos pessoais e as preferências, visando otimizar
os benefícios e obter uma adesão duradoura das pessoas ao programa de
exercícios físicos.

143
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Aliado aos dois


principais tipos, A seguir, você verá os resumos dos quadros para melhor prescrição
aeróbio e resistido,
você poderá de exercícios físicos para pessoas com doenças cardiovasculares,
incluir atividades pulmonares e metabólicas. Esse resumo foi obtido do que tem de mais
de alongamento/
flexibilidade, de atual para prescrição de exercícios para grupos especiais.
equilíbrio, esportes,
atividades lúdicas, Para melhorar a saúde e a qualidade de vida, aliado aos dois
dança e práticas
corporais orientais, principais tipos, aeróbio e resistido, você poderá incluir atividades de
como Tai Chi Chuan, alongamento/flexibilidade, de equilíbrio, esportes, atividades lúdicas,
artes marciais,
Liang Going, Yoga dança e práticas corporais orientais, como Tai Chi Chuan, artes
e Autopercussão marciais, Liang Going, Yoga e Autopercussão corporal para vitalidade.
corporal para
vitalidade.

Quadro 22 – Exercícios Aeróbios para Hipertensão Arterial Sistêmica

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS

Intensidade*
Duração Frequência 50-75% FCmáx. Recuperação
40-70% Fcres (treino)

Moderada
30-60 min 3-5 ou 4-7x semana 24h
(Borg entre 3-5).

*Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e dos
fatores de risco. FCmáx = 206,9 - (0,67 × idade).
Fonte: Os autores.

Aquecimento e volta calma de 5-10 min (própria atividade, intensidade mais


reduzida).

Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.

Quadro 23 - Exercícios Resistidos para Hipertensão Arterial Sistêmica

EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS


Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
8-12 repetições
1-3 min. entre as
séries
1-3 séries
2-3 x sem. 60-80% de 1 RM
48h por sessão/
8-10 exercícios grandes grupos
grupo muscular
musculares
*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais
simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.
144
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Quadro 24 – Exercícios Aeróbios para doenças cardiovasculares


– doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS


Duração Frequência Intensidade* Recuperação
50-85% FCmáx.
40-80% FCres (treino)

Moderada a forte
(Borg entre 3-6)
20-60 min 3-5 ou 4-7 x sem. 24h
10% abaixo da FC do Ponto de Com-
pensação Respiratória

Aumentar primeiro volume e frequên-


cia, depois intensidade
*Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e dos
fatores de risco. FCmáx = 206,9 - (0,67 × idade).
Fonte: Os autores.

Aquecimento e volta calma de 5-10 min (própria atividade, intensidade mais


reduzida).

Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.

Quadro 25 – Exercícios Resistidos para doenças cardiovasculares


– doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca
EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS
Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
12-15 repetições (inicial)
30-60% de 1 RM Até 1 min entre as
8-12 repetições (baixo risco)
(inicial) séries
2-3 x sem.
2-3 séries
60-80% de 1 RM 48h por sessão/
(baixo risco) grupo muscular
8-10 exercícios grandes grupos
musculares

*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais


simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.

145
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Quadro 26 – Exercícios Aeróbios para doença


pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS

Intensidade*
Duração Frequência 50-90% FCmáx. Recuperação
40-80% FCres (treino)

Moderada a forte
(Borg entre 3-6)
20-45 min 3-5 x sem. 24h
Aumentar primeiro volume e
frequência, depois intensidade
*Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e
dos fatores de risco. Uma alternativa para elevar a intensidade seria utilizar exercícios
intervalados. FCmáx = 206,9 - (0,67 × idade).
Fonte: Os autores.

Aquecimento e volta calma de 5-10 min (própria atividade, intensidade mais


reduzida).

Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.

Quadro 27 – Exercícios Resistidos para doença


pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS


Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
20-45 min por sessão
8-12 repetições 50-85% de 1 RM 2-3 min entre as
séries
1-3 séries 2-3 x sem. Ajuste da intensidade
a cada 3 ou 4 semanas
24-48 horas por ses-
8-10 exercícios gran- são/grupo muscular
des grupos musculares
*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais
simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.

146
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Quadro 28 – Exercícios aeróbios para asma

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS


Duração* Frequência Intensidade** Recuperação
50-85% FCmáx.
40-80% FCres (treino)

Moderada a forte
20-30/90 min 3-5 x sem. (Borg entre 3-6) 24h

Aumentar primeiro
volume e frequência,
depois intensidade
*Soma das atividades da sessão: Aquecimento/alongamentos iniciais, seguidos de
exercícios respiratórios, trabalho aeróbio e resistido. Exemplo:
1. Iniciar com aquecimento (10-15 min; 50% FCmáx.).
2. Aeróbio (água ou terra) intercalar exercícios respiratórios com os posturais e de
desbloqueio torácico (aprox. 45 min).
3. Natação/atividades aquáticas ou exercício resistido (aprox. 45 min).
4. Finalizar com atividade de volta calma.
**Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e dos
fatores de risco. Trabalhar treinamento intervalado com maior intensidade até 4 min. FCmáx
= 209 - (0,74 x idade). Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.
Fonte: Os autores.

Quadro 29 – Exercícios resistidos para asma


EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS
Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
20-45 min por sessão
8-12 repetições 50-85% de 1 RM 2-3 min entre as
séries
1-3 séries 2-3 x sem. Ajuste da intensidade
a cada 3 ou 4 semanas 24-48 horas por ses-
8-10 exercícios gran- são/grupo muscular
des grupos musculares
*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais
simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.

147
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Quadro 30 – Exercícios aeróbios para obesidade

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS


Duração Frequência Intensidade* Recuperação
50-85% FCmáx.
40-80% Fcres (treino)
30-60 min 5-7 x sem. 24h
Moderada
(Borg entre 3-6)
*Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e dos
fatores de risco. Inicialmente, submeter ao limite inferior, e gradualmente, quando tolerado,
a intensidade pode ser incrementada ao limite superior. FCmáx = 206,9 - (0,67 × idade).
Fonte: Os autores.

Aquecimento e volta calma de 5-10 min (própria atividade, intensidade mais


reduzida).

Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.

Quadro 31 – Exercícios resistidos para obesidade

EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS


Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
8-12/15 repetições
1-3 min entre as séries
1-3 séries
2-3 x sem. 60-80% de 1 RM
48h por sessão/grupo
8-10 exercícios gran- muscular
des grupos musculares
*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais
simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.

148
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

Quadro 32 – Exercícios aeróbios para diabetes

EXERCÍCIOS FÍSICOS AERÓBIOS


Duração Frequência Intensidade* Recuperação
50-80% FCmáx.
40-75% Fcres (treino)
20-60 min. 3-7 x sem. 24h
Moderada
(Borg entre 3-6)
*Vai depender do estado de aptidão, dos resultados dos testes de avaliação física e dos
fatores de risco. Inicialmente submeter ao limite inferior, e gradualmente, quando tolerado,
a intensidade pode ser incrementada ao limite superior. FCmáx = 206,9 - (0,67 × idade).
Fonte: Os autores.

Aquecimento e volta calma de 5-10 min (própria atividade, intensidade mais


reduzida).

Tipos: caminhadas, cicloergômetros, eliptical, alguns esportes etc.

Quadro 33 – Exercícios resistidos para diabetes

EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS


Séries e Repetições Frequência Intensidade* Recuperação
8-12/15 repetições
1-3 min entre as séries
1-3 séries
2-3 x sem. 60-80% de 1 RM
48h por sessão/grupo
8-10 exercícios grandes muscular
grupos musculares
*Pode-se estimar a intensidade (carga) pelo número de repetições, considerado mais
simples e seguro. Exemplo: de 15 a 20 repetições conseguidas, e nenhuma mais, refere-se
a faixa de treinamento de 50 a 60% de 1 RM; 10 repetições equivale a 75% de 1 RM; e 8
repetições equivale a 80% de 1 RM.
Fonte: Os autores.

Para você estudar mais sobre avaliação e prescrição de


exercícios para populações especiais, leia o livro “Pollock: fisiologia
clínica do exercício”, organizado pelos professores Vagner Raso,
Julia Maria Greve e Marcos Polito e publicado em 2013 pela editora
Manole.

149
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

FUNDAMENTOS EM PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS FÍSICOS

Para que o treinamento físico atinja seu objetivo, o profissional


deve conhecer os princípios mais relevantes para prescrição
de exercícios físicos. As rotinas de exercícios deverão ser
organizadas com base nos seguintes princípios: 1) princípio da
individualidade biológica; 2) princípio da adaptação; 3) princípio
da sobrecarga progressiva; 4) princípio da especificidade; e 5)
princípio da reversibilidade.

Naturalmente, a conduta para prescrição de exercícios é ampla


e deve considerar aspectos, tais como: características individuais
(dados antropométricos, saúde, riscos, alimentação, sono e repouso,
disponibilidade de tempo), recursos disponíveis (infraestrutura e
equipamentos) e objetivos.

Para que as rotinas de exercícios físicos possam produzir as


adaptações efetivas, torna-se necessário estabelecer combinação
entre alguns fatores: tipo de exercício, duração, frequência,
intensidade, recuperação, séries e repetições (para treinamento
resistido) e progressão.

De forma geral, a construção de programas de exercício físico


para grupos especiais é realizada para aprimorar o condicionamento
físico e a saúde por meio de adaptações fisiológicas que resultem em
aumento da capacidade aeróbia, da força e resistência muscular, da
flexibilidade e melhora da composição corporal, além da melhora do
controle neuromuscular e do equilíbrio.

Neste sentido, para grupos especiais e reabilitação para saúde,


deve-se priorizar os componentes da aptidão física relacionada à
saúde:

• resistência aeróbia;
• força e resistência muscular;
• flexibilidade; e
• composição corporal.

Você precisará pensar nos exercícios físicos escolhidos e


se perguntar:
• Qual o principal componente da aptidão física que está
sendo trabalhado?
150
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

• Que adaptações ou que outras atividades/exercícios


precisarei acrescentar para trabalhar os demais componentes
da aptidão física para o trabalho completo?

Fonte: Adaptado de POLITO, M. D.; CASONATTO, J. Fundamentos em prescrição


de exercícios físicos. In: VAGNER, R. et al. POLLOCK: fisiologia clínica do
exercício. Barueri: Manole, 2013, p. 1-10. Adaptado de ACSM: American College
of Sports Medicine. ACSM´s guidelines for exercise testing and prescription.
Linda S. Pescatello ... [et al.]. 9. ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 2014.

Para encerrar este capítulo do caderno, o quadro 34, a seguir, resume os


principais procedimentos e condutas profissionais para melhor acompanhamento
da prática regular do exercício físico em pessoas com fatores de risco e com
doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas.

Quadro 34 – Principais condutas profissionais para melhor acompanhamento


da prática regular do exercício físico em pessoas com fatores de risco para
desenvolvimento de doenças cardiovasculares ou com doenças crônicas

Doença Condutas e procedimentos

• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a


possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• Reconhecer que alguns medicamentos para redução ponderal podem acelerar o
metabolismo e a frequência cardíaca.
• Evitar a prática de exercícios que promovam impacto articular como a corrida e
optar por exercícios em piscina e bicicleta.
• Propor modificações na frequência, duração ou intensidade da prescrição para
encorajar maior gasto energético total. Nesse último caso, o treinamento intervalado
poderá ser utilizado, de forma progressiva, paralelamente ao treinamento contínuo.
• No caso de obesidade grau II (IMC entre 35 e 39,9 kg/m2), a preferência deve
ser por exercícios em piscina e bicicleta. Caso não haja a disponibilidade de piscina
ou bicicleta, a caminhada deve ser incentivada e poderá ser realizada em séries de
Obesidade
10 minutos, sempre visando aumentar o número de séries e, posteriormente, o tem-
po de realização contínua do exercício aeróbio, ou seja, 15 minutos, 20 minutos, 30
minutos.
• O treinamento intervalado poderá ser utilizado, de forma progressiva, em dias
não consecutivos.
• A progressão inicialmente deve ser em volume e frequência, posteriormente, em
intensidade.
• Incentivar o acompanhamento nutricional para iniciar reeducação alimentar com
o objetivo de redução ponderal.
• Na presença de doença secundária (comorbidades), verificar as condições da
pessoa antes do início da sessão (exemplos: glicemia=diabetes; pressão arte-
rial=hipertensão arterial sistêmica; função pulmonar=asma; saturação periférica de
oxigênio=DPOC).
151
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

• Após o início da prática regular de exercício físico, o nível de glicemia poderá


se alterar, e assim, o médico deverá ser comunicado para ajustes de medicação,
principalmente nas pessoas com diabetes mellitus tipo 1.
• Nas pessoas com diabetes tipo 1 deve-se monitorar o nível de glicemia antes,
durante (>30minutos) e após a sessão de exercício físico.
• Nas pessoas com diabetes tipo 2 a variação glicêmica é menos comum. Desta
forma, o monitoramento glicêmico antes do exercício é recomendável.
• Adiar a sessão de exercícios se a glicemia estiver <100 mg/dL ou >250 mg/dL
com cetose ou >300 mg/dL sem cetose.
• Dependendo do caso, não há necessidade de retardar o exercício pela hipergli-
cemia, mesmo se >300 mg/dL sem cetose. Apesar da primeira reação do organis-
mo poder ser a elevação da taxa de glicose sanguínea decorrente da liberação de
hormônios, o exercício físico leve a moderado pode reduzir a glicemia.
• Ajustar a ingestão de carboidrato ou injeções de insulina antes do início do
Diabetes exercício, de acordo com o nível glicêmico e intensidade de exercício, para prevenir
Mellitus hipoglicemia.
• Ingerir de 20 a 30g de carboidrato antes de começar o exercício se a glicemia
estiver <100 mg/dL.
• Evitar aplicar insulina em membros exercitados. Preferir a região abdominal.
• Evitar exercícios aeróbios e resistidos de alta intensidade para aqueles não
adaptados ao treinamento.
• Estar atento aos principais sintomas, tanto da hiperglicemia (>300 mg/dL
-fraqueza, sede, boca seca, náusea, vômito, respiração cetônica, edema nas
pálpebras, diurese frequentemente, quanto da hipoglicemia <80 mg/dL - sonolência,
desmaio, tonturas, tremores nas mãos, suor, fome excessiva, fadiga, irritabilidade,
apatia, visão turva, dor de cabeça, dificuldade de concentração).
• Ter atenção à possibilidade de hipoglicemia noturna.
• Reconhecer a necessidade de cuidados específicos para aqueles com maiores
complicações decorrentes do diabetes mellitus (retinopatia, nefropatia e/ou neuro-
patia periférica).
• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a
possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• Aqueles que utilizam medicamentos que interferem na FC ou na pressão arterial
(PA) de exercício devem estar usando esses medicamentos tanto nas avaliações
pré-participação quanto nas sessões de treinamento.
• Monitorar a FC e a PA durante a sessão de exercício.
• Adiar a sessão de exercícios quando a PA estiver maior de 160/100 mmHg.
Hipertensão
• Prescrever, preferencialmente, exercícios de intensidade moderada e controlada
arterial
por meio da FC e da escala de percepção subjetiva do esforço (borg).
sistêmica
• Evitar exercícios aeróbios e resistidos de alta intensidade, bem como exercícios
isométricos.
• Evitar manobra de Valsalva, apneia e fadiga concêntrica durante a realização
dos exercícios resistidos.
• Aferir a PA antes, durante e no final da sessão de exercício.
• Optar por exercícios que viabilizem a medida da PA durante a sessão.
• Evitar exercício em ambiente quente e úmido, bem como em elevada altitude.

152
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a


possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• Caso a pessoa tenha isquemia ou angina, conversar com o médico para identi-
ficar a intensidade de esforço na qual este fato ocorreu. A intensidade de exercício
deve ser prescrita 10 bpm abaixo do limiar de isquemia/angina.
• Utilizar a escala de percepção subjetiva de esforço (borg).
• Monitorar a FC e a PA durante a sessão de exercício.
• Interromper o exercício caso a PA sistólica diminua mais que 10 mmHg.
• Adiar a sessão de exercícios quando a PA de repouso estiver maior de 180/105
mmHg.
• Durante o exercício, não exceder a PAS >200 mmHg e/ou a PAD>110 mmHg. Al-
gumas referências prescrevem não exceder a PAS>220 mmHg. Se ocorrer, diminuir
a carga até atingir níveis adequados.
• Evitar manobra de Valsalva e exercícios de alta intensidade.
• Em idosos ou iniciantes, iniciar com intensidade e duração mais baixas, podendo
dividir a sessão em dois momentos.
Doença
• Estar atento aos sinais e sintomas de intolerância ao exercício, como angina,
arterial
dispneia intensa e alterações eletrocardiográficas sugestivas de isquemia ou arrit-
coronariana
mias (pessoa na fase II da reabilitação cardíaca).
• Informar à pessoa as características da angina clássica, para que ela possa
reconhecer os sintomas durante a prática do exercício físico.
• Caso os sintomas de angina não cessem após a interrupção do exercício físico
ou após a administração de trinitrina (nitroglicerina) sublingual, a pessoa deverá ser
socorrida imediatamente.
• Em condição de arritmia, interromper o exercício e encaminhar a pessoa para
realizar avaliação eletrocardiográfica de repouso, e se necessário, durante o esfor-
ço.
• Evitar o treinamento em ambiente quente e úmido e com vestimenta inadequa-
da.
• Nas pessoas submetidas à cirurgia cardíaca, deve-se introduzir exercícios resis-
tidos com movimento de tórax somente após 3 meses da cirurgia.
• Qualquer mudança ou aumento nos sintomas de angina deve ser comunicado
ao médico, pois pode significar mudança no estado das coronárias.
• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a
possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• A pessoa só poderá realizar exercício físico se estiver estável com terapia medi-
camentosa adequada e com indicação médica. Ela deverá ter capacidade funcional
maior que 3 METS (se possível com medida direta de oxigênio).
• Caso a pessoa tenha isquemia ou angina, conversar com o médico para identi-
ficar a intensidade de esforço na qual este fato ocorreu. A intensidade de exercício
deve ser prescrita 10 bpm abaixo do limiar de isquemia/angina.
Insuficiência • Monitorar a FC e a PA durante a sessão de exercício.
cardíaca • Adiar a sessão de exercícios quando a PA de repouso estiver maior de 180/105
mmHg.
• Durante o exercício, não exceder a PAS >200 mmHg e/ou a PAD>110 mmHg. Al-
gumas referências prescrevem não exceder a PAS>220 mmHg. Se ocorrer, diminuir
a carga até atingir níveis adequados.
• Utilizar a escala de percepção subjetiva de esforço (borg).
• Evitar exercícios isométricos, manobra de Valsalva, apneia e fadiga concêntrica
durante a realização dos exercícios resistidos.

153
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

• Estar atento aos sintomas de descompensação, como a dispneia aos pequenos


esforços ou arritmias.
• Possível risco de hipocalemia (potássio sérico <3,5 mmol/L), por uso de diuréti-
cos.
• Quando a pessoa com IC estiver descompensada, não realizar a sessão de
exercício.
• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a
possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• A pessoa só poderá realizar exercício físico se estiver estável, sem exacerbação
dos sintomas, com terapia medicamentosa adequada e com indicação médica.
• Monitorar a função pulmonar, a FC e a PA durante a sessão de exercício.
• Adiar a sessão de exercício quando a saturação periférica de oxigênio estiver
abaixo de 88%, aferida pelo oxímetro de pulso.
• Utilizar a escala de percepção subjetiva de esforço (borg).
DPOC • Evitar exercícios isométricos, manobra de Valsalva, apneia e fadiga concêntrica
durante a realização dos exercícios resistidos.
• Não realizar atividades em ambientes poluídos, presença de alérgenos, baixa
umidade (seco) e baixa temperatura (frio).
• Além dos exercícios aeróbios e resistidos, incluir treinamento respiratório com
desbloqueio torácico.
• Reconhecer a possibilidade de comorbidades associadas, tais como insuficiên-
cia cardíaca, por exemplo, e realizar as condutas e procedimentos necessários.
• Certificar-se de que a pessoa tomou as medicações diárias. Estar atento a
possíveis alterações na dosagem ou tipo de medicamento.
• A pessoa só poderá realizar exercício físico se estiver estável, sem crise e com
terapia medicamentosa adequada.
• Monitorar a função pulmonar e a FC durante a sessão de exercício.
• Monitorar diariamente a função pulmonar pelo monitor de pico de fluxo expirató-
rio.
• Adiar a sessão de exercícios quando a função pulmonar estiver abaixo de 80%
do melhor valor da pessoa, aferida pelo monitor de pico de fluxo expiratório.
• Durante a sessão de exercício, interrompê-la quando a função pulmonar estiver
abaixo de 80% do melhor valor da pessoa.
• Além dos exercícios aeróbios e resistidos, incluir treinamento respiratório com
desbloqueio torácico.
Asma • Realizar atividades de aquecimento adequado de 10 a 15 minutos a aproxima-
damente 50% da FCM.
• Orientar o uso da respiração nasal, sempre que possível.
• Não realizar atividades em ambientes agressivos, tais como poluição, presença
de alérgenos, baixa umidade (seco) e baixa temperatura (frio).
• Para os iniciantes ou com baixa capacidade física, evitar atividades mais “asma-
gênicas” tais como corrida, por exemplo; ou realizar sessões de curta duração de
até 4 minutos.
• Se durante a sessão de exercícios a pessoa entrar em broncoespasmo: diminuir
o ritmo; estimular a respiração diafragmática com freno labial (inspiração nasal
profunda com expiração oral e lábios semicerrados; manter o asmático sentado e
reclinado para frente ou recostado para trás; se necessário, utilizar a respiração
auxiliada, técnica de auxílio na expiração com o objetivo de mantê-la ventilada.

154
PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PESSOAS COM DOENÇAS
Capítulo 4 CARDIOVASCULARES, RESPIRATÓRIAS E METABÓLICAS

• Utilizar a medicação broncodilatadora conforme plano de ação prescrito pelo


médico.
• Caso a função pulmonar avaliada pelo pico de fluxo expiratório esteja ≤50% do
melhor valor, sem melhora após realizar as ações acima descritas, encaminhar a
pessoa ao médico ou serviço de emergência.
Fonte: Adaptado de Silva (2010), Raso et al. (2013) e ACSM (2014).

Atividades de Estudos:

1) Quais são as recomendações para prescrição de exercício


para pessoas com doenças cardiovasculares?
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____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Cite pelo menos quatro condutas profissionais que você achou __


importante para melhor acompanhamento da prática regular do
exercício físico em pessoas com hipertensão arterial sistêmica.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

3) Cite pelo menos quatro condutas profissionais que você achou


importante para melhor acompanhamento da prática regular do
exercício físico em pessoas com diabetes mellitus.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

155
Treinamento Físico Para Grupos Especiais

Algumas Considerações
Neste capítulo, procuramos caracterizar as doenças cardiovasculares,
pulmonares e metabólicas mais frequentes na população para entender como é
uma pessoa com uma dessas doenças. Além disso, procuramos identificar sua
fisiopatologia e seus principais fatores de risco.

Somente após entender e conhecer bem a pessoa com a doença, realizando


uma avaliação completa, identificando as características individuais, os recursos
disponíveis e os objetivos, é que poderemos prescrever programas de exercícios
físicos.

Lembrando que a prescrição de exercício para grupos especiais deve ser


organizada com base nos princípios da individualidade biológica, da adaptação,
da sobrecarga progressiva, da especificidade e da reversibilidade.

Para que o profissional possa trabalhar nessa área de exercícios


para grupos especiais, é importante que ele faça parcerias e trabalhe em
equipe interprofissional. Encaminhando e recebendo pessoas aos médicos,
fisioterapeutas, psicólogos etc.

Encerramos o caderno de estudos com a certeza de que você tenha


adquirido conhecimento necessário para entender as pessoas com algumas
doenças crônicas e compreender as preocupações envolvidas com a prescrição
de exercícios físicos. Em resumo, envolve conhecimento sobre a doença e o
doente, avaliação e prescrição de exercício, sendo que a prescrição de exercício
envolve princípios básicos. Além disso, o profissional deverá atuar com atividade
física e saúde baseada em evidência, certeza e recomendação do que tem de
mais atual na literatura especializada científica.

Agora, aplique esse conhecimento adquirido e tenha um excelente trabalho!

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