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Gnosiologia é o campo que estuda o conhecimento.

Também é chamado de teoria do


conhecimento, epistemologia ou crítica do conhecimento.

O que é "conhecimento"?

A apresentação verídica ou adequada de algo (o objeto) ao pensamento (o sujeito),


mesmo que de forma parcial.

Exemplo:

Alguém diz “navio” e aparece em minha mente algo que corresponde ao objeto navio,
eu tenho um conhecimento, mesmo que vago.

Ou seja, eu "sei" o que é um navio.

Há varias teorias do conhecimento. Em suas teses, os filósofos costumam se interessar


por:

· relação sujeito-objeto – como é a atividade do sujeito do conhecimento em


relação ao objeto conhecido;
· fontes primeiras – qual é a origem ou o ponto de partida do conhecimento;
· processo – como os dados se transformam em ideias, em juízos etc.;
· possibilidades – o que podemos conhecer de forma verdadeira.

Representacionismo
A definição de conhecimento dada anteriormente corresponde à interpretação
predominante no pensamento moderno, que entende o conhecimento como
representação.

Isso quer dizer que conhecer seria representar o que é exterior à mente. seria obter
uma
“imagem” ou “reprodução” do mundo externo, projetada na consciência.

Nesse entendimento, a mente constitui uma espécie de “espelho da natureza” assim,


para conhecer as coisas como elas realmente são bastaria “polir” metodicamente esse
“espelho”.

Relação sujeito-objeto
De acordo com a visão tradicional e representacionista do conhecimento, há
basicamente dois polos no processo de conhecer:

• o sujeito conhecedor (nossa consciência, nossa mente)


• o objeto conhecido (a realidade, o mundo, os inúmeros fenômenos).

Dependendo do papel que uma teoria do conhecimento atribui a cada um desses polos,
podemos classificá-la como realista ou idealista.
Realismo

De acordo com as teorias realistas do conhecimento, as percepções que temos dos


objetos são reais, ou seja, correspondem de fato às características presentes nesses
objetos, na realidade

Idealismo

Já nas teorias idealistas do conhecimento, é o sujeito que predomina em relação ao


objeto, isto é, a percepção da realidade é produzida pelas nossas ideias, pela nossa
consciência. Em outras palavras, os objetos seriam “construídos” de acordo com a
capacidade de percepção do sujeito.

Questões de análise de entendimento, página 194

Qual é a fonte, o ponto de partida dos conhecimentos?


De onde se originam as ideias, os conceitos, as representações?

De acordo com as respostas dadas a esse problema, destacam-se basicamente duas


correntes filosóficas: o racionalismo e o empirismo.

Racionalismo
Designa a doutrina que atribui exclusiva confiança à razão humana como instrumento
capaz de conhecer a verdade. A tradição começa com Platão, e como advertia um dos
principais filósofos racionalistas, René Descartes (1596-1650), não devemos nos
deixar persuadir senão pela evidência de nossa razão.

A experiência sensorial é uma fonte permanente de erros e confusões sobre a


complexa realidade do mundo. Assim, para eles, somente a razão humana, trabalhando
de acordo com os princípios lógicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro, capaz
de ser universalmente aceito.

Para o racionalismo, os princípios lógicos fundamentais seriam inatos, isto é, já


estariam na mente do ser humano desde o nascimento.

Exemplo: Matemática.

Empirismo
A palavra empirismo tem sua origem no grego empeiria, que significa “experiência”.
as teorias empiristas defendem a tese de que todas as nossas ideias são provenientes
da experiência e, em última instância, de nossas percepções sensoriais (visão,
audição, tato, paladar, olfato).

Não existem as ideias inatas. Como afirmava um dos principais teóricos dessa corrente,
o filósofo inglês John Locke (1632-1704), nada vem à mente sem ter passado
antes pelos sentidos. Isso quer dizer que ao nascermos nossa mente é como um
papel em branco (ou tábula rasa,expressão usada pelo pensador), desprovida de
qualquer ideia.
Locke, fundamenta o conhecimento por meio de duas operações:

sensação – que leva para a mente as várias e distintas percepções das coisas, sendo,
por isso, bastante dependente dos sentidos.

reflexão – que consiste nas operações internas da nossa mente, pelas quais se
desenvolvem as ideias primeiras fornecidas pelos sentidos.

Apriorismo Kantiano

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) buscou um meio-termo entre essas duas
visões.

Kant afirmava que todo conhecimento começa com a experiência, mas que a
experiência sozinha não nos dá o conhecimento. ou seja, é preciso um trabalho do
sujeito para organizar os dados da experiência.

Assim, o filósofo buscou saber como é o sujeito a priori, isto é, antes de qualquer
experiência. Concluiu que o ser humano possui certas faculdades ou estruturas (as
quais ele denomina formas da sensibilidade e do entendimento) que não apenas
possibilitam a experiência, mas também determinam o conhecimento.

A experiência fornece a matéria do conhecimento enquanto a razão organiza essa


matéria de acordo com suas formas próprias, as estruturas existentes a priori no
pensamento.

Questões de análise de entendimento, pag. 196

Somos capazes de conhecer a verdade?


É possível ao sujeito apreender o objeto?
Afinal, quais são as possibilidades do conhecimento humano?

As respostas dadas a essas questões levaram ao surgimento de duas correntes básicas


e antagônicas na história da filosofia. Uma é o ceticismo, que diagnostica a
impossibilidade de conhecermos a verdade. A outra é o dogmatismo, que defende a
possibilidade de conhecermos a verdade.

Dogmatismo

Uma doutrina é dogmática quando, como dissemos, defende a possibilidade de


atingirmos a verdade. Essa interpretação pode seguir duas variantes:

Dogmatismo ingênuo – tendência que confia plenamente nas possibilidades do nosso


conhecimento (predominante no senso comum). Não vê problema na relação sujeito
conhecedor e objeto conhecido.

Dogmatismo crítico – tendência que defende nossa capacidade de conhecer a


verdade mediante um esforço conjugado de nossos sentidos e de nossa inteligência.
Assim, confia que, por meio de um trabalho metódico, racional e científico,
o ser humano torna-se capaz de conhecer a realidade do mundo.
Ceticismo
Uma doutrina é cética quando duvida da possibilidade de conhecermos a verdade ou
nega essa possibilidade.

Ceticismo absoluto

Ceticismo Absoluto: Muitos consideram o filósofo grego Górgias (c. 485-380 a.c.) o pai
do ceticismo absoluto.

Outros estudiosos apontam o filósofo grego Pirro (365-275 a.c.) como o fundador do
ceticismo absoluto. Ele afirmava ser impossível ao ser humano conhecer a verdade
devido a duas fontes principais de erro:

Os sentidos – o filósofo dizia que nossos conhecimentos são provenientes dos sentidos
(visão, audição, olfato, tato, paladar), mas estes não são dignos de confiança, pois
podem nos induzir ao erro;

A razão – Pirro explicava que as diferentes e contraditórias opiniões manifestadas pelas


pessoas sobre os mesmos assuntos revelam os limites de nossa inteligência, razão pela
qual jamais alcançaremos a certeza de qualquer coisa.

Ceticismo relativo

O subjetivismo – doutrina que considera o conhecimento uma relação puramente


subjetiva e pessoal entre o sujeito e a realidade percebida. O conhecimento limita-se
às ideias e representações elaboradas pelo sujeito pensante, sendo impossível
alcançar a objetividade.

O subjetivismo nasce com o pensamento do grego Protágoras, sofista do século V a.c.,


que dizia que “o homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, a verdade é uma
construção humana, ela não está nas coisas.

O relativismo – doutrina que considera não existirem verdades absolutas, mas apenas
verdades relativas a certo tempo, a determinado espaço social, enfim, a um contexto
histórico.

O probabilismo – doutrina que propõe que nosso conhecimento é incapaz de atingir a


certeza plena; tudo o que podemos alcançar é uma verdade provável. Essa
probabilidade pode ser digna de maior ou menor credibilidade, mas nunca chegará ao
nível da certeza completa, da verdade absoluta.

O pragmatismo – doutrina que concebe os humanos como seres práticos, ativos, não
apenas como seres pensantes. Por isso, para nós, verdadeiro é aquilo que é útil, eficaz,
que dá certo, que serve aos interesses das pessoas em sua vida prática.

Criticismo
Teoria filosófica desenvolvida por Kant, constitui uma tentativa de superação do
impasse criado entre o ceticismo e o dogmatismo.

O resultado dessa postura leva a uma distinção entre o que o nosso entendimento pode
conhecer e o que não pode. Ou seja, o criticismo admite a possibilidade de conhecer,
mas esse conhecimento é limitado e ocorre sob condições específicas.

(Citar Wittgenstein)

Questões de análise de entendimento, pag. 199