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Extensão Rural

Falar de Extensão Rural é falar de educação. E falar de educação é abordar


um aspecto importante da humanidade: a transformação. A Extensão Rural é uma
educação não formal, onde educador e educando, a partir do saber de cada um,
constroem novos saberes.

Um processo feito pelo agricultor, que ao longo da história se apropria de


conhecimentos, e pelo extensionista rural, que na academia e na ciência se prepara.
Juntos, ambos conseguem construir novas realidades.

A sala de aula é o campo, as plantações, o ambiente onde estão as criações


– nos brejos, planaltos, lavrados, lagos, rios e riachos. O extensionista rural é um
agente de desenvolvimento que vai aos mais longínquos grotões e recantos do País.

Trabalha com os ribeirinhos, com as famílias de pequenos agricultores, com


os pescadores artesanais, na agricultura urbana, com famílias excluídas, na periferia
das grandes metrópoles, nas vilas e pequenas cidades. Também capta dados e
informações importantes da realidade de cada comunidade, município, região e
estado. Há décadas, a Extensão Rural vem desempenhando papel destacado no
desenvolvimento da agricultura brasileira.

Em cada momento, adequando-se à realidade, ora na chegada de novas


tecnologias, na conquista do cerrado, ora no repensar do modelo de
desenvolvimento que o País precisava e precisa para ter uma produção sustentável
do ponto de vista ambiental, viável economicamente e socialmente justa.

O modelo produtivo agropecuário adotado no Brasil a partir da década de


1960 foi implantado graças a uma ação conjunta e organizada pelo tripé: ensino,
pesquisa e extensão. Isto é, universidades, órgãos de pesquisa e de extensão rural
foram os responsáveis pela introdução dos pacotes tecnológicos voltados para a
utilização intensiva de insumos e máquinas, com o objetivo do aumento da
produtividade.

A extensão rural no Brasil nasceu sob o comando do capital, com forte


influência norte-americana e visava superar o atraso na agricultura. Para tanto, havia
a necessidade de “educar” o povo rural, para que ele passasse a adquirir
equipamentos e insumos industrializados necessários à modernização de sua
atividade agropecuária, com isso ele passaria do atraso para a “modernidade”.

O modelo serviria para que o homem rural entrasse na dinâmica da sociedade


de mercado, produzindo mais, com melhor qualidade e maior rendimento. Um
modelo “tecnicista”, isto é, com estratégias de desenvolvimento e intervenção que
levam em conta apenas os aspectos técnicos da produção, sem observar as
questões culturais, sociais ou ambientais. Com raízes “difusionistas”, pois visa
apenas divulgar, impor ou estender um conceito, sem levar em conta as
experiências e os objetivos das pessoas atendidas.
Fases da extensão rural no Brasil

A primeira fase, chamada “humanismo assistencialista”, prevaleceu desde


1948 até o início da década de 1960, nela os objetivos do extensionista eram o de
aumentar a produtividade agrícola e, conseqüentemente, melhorar o bem estar das
famílias rurais com aumento da renda e diminuição da mão-de-obra necessária para
produzir.

Em geral, as equipes locais eram formadas por um extensionista da área


agrícola e um da área de Economia Doméstica. Apesar de levar em conta os
aspectos humanos, os métodos dos extensionistas nessa época também eram
marcados por ações paternalistas. Isto é, não “problematizavam” com os
agricultores, apenas procuravam induzir mudanças de comportamento por meio de
metodologias preestabelecidas, as quais não favoreciam o florescimento da
consciência crítica nos indivíduos, atendendo apenas as suas necessidades
imediatas.

A segunda fase, que orientou as ações dos extensionistas no período de


abundância de crédito agrícola subsidiado (1964 a 1980), era chamada de
“difusionismo produtivista”, baseando-se na aquisição por parte dos produtores, de
um pacote tecnológico modernizante, com uso intensivo de capital (máquinas e
insumos industrializados).

A extensão rural servia como instrumento para a introdução do homem do


campo na dinâmica da economia de mercado. A Assistência Técnica e Extensão
Rural (ATER) visava o aumento da produtividade e à mudança da mentalidade dos
produtores, do “tradicional” para o “moderno”.

A extensão era um empreendimento que visava persuadir os produtores, para


que esses adotassem as novas tecnologias. Seus conhecimentos empíricos não
interessavam, bem como suas reais necessidades não eram levadas em conta. A
extensão assumiu um caráter tutorial e paternalista.

Foi durante esse período que surgiu a Empresa Brasileira de Assistência


Técnica e Extensão Rural (EMBRATER) e houve grande expansão do serviço de
extensão rural no país. Para se ter uma idéia, em 1960 apenas 10% dos municípios
no Brasil contavam com esse serviço e em 1980 a extensão rural chegou a 77,7%.
Entretanto, como o papel dos extensionistas era condicionado pela existência do
crédito agrícola, os pequenos agricultores familiares que não tiveram acesso ao
crédito também ficaram à margem do serviço de extensão rural.

Do início dos anos 1980 até os dias atuais, devido principalmente ao término
do crédito agrícola subsidiado, iniciou-se no país uma nova proposta de extensão
rural, que preconizava a construção de uma “consciência crítica” nos extensionistas.

O “planejamento participativo” era um instrumento de ligação entre os


assessores e os produtores, com bases na pedagogia da libertação desenvolvida
por Paulo Freire. Essa fase foi chamada de “humanismo crítico”. Seus defensores
afirmam que as metodologias de intervenção rural devem pautar-se por princípios
participativos, que levem em conta os aspectos culturais do público alvo.

A grande diferença de orientação entre as metodologias de extensão na era


do “difusionismo produtivista” e da era do “humanismo crítico” é a questão da
participação ativa dos agricultores. Porém, apesar de haver uma orientação para
seguir princípios participativos, a maioria das empresas de ATER continua com a
mesma orientação básica: “incluir” o pequeno agricultor familiar na lógica do
mercado, torná-lo cada vez mais dependente dos insumos industrializados,
subordinando-o ao capital industrial.

O desafio dos órgãos de pesquisa, universidades e movimentos sociais é o de


criar estratégias para colocar em prática metodologias participativas de ATER, que
incluam os agricultores familiares desde a concepção até a aplicação das
tecnologias, transformando-os em agentes no processo, valorizando seus
conhecimentos e respeitando seus anseios.

A Embrapa Pantanal vem conduzindo atividades de pesquisa e transferência


de tecnologia utilizando metodologias dialógicas, que valorizam a experiência e
respeitam os objetivos do produtor rural, promovendo a soma de conhecimentos
pesquisador-agricultor, são estimulados o trabalho em grupo e o associativismo
para, dessa forma, potencializar o processo participativo.

Principais modelos orientadores da Extensão Rural no Brasil

Modelos clássicos; modelo difusionista-inovado

No modelo clássico da Extensão Rural proposto pelos norte-americanos e


usado no Brasil, constitui em um elo de ligação entre o povo rural e as estações
experimentais, onde a extensão rural leva os novos conhecimentos aos produtores
rurais que testam e a problematização volta para as estações experimentais para
serem melhor estudadas.

Segundo Bordenave (1988), citado por Prado & Cruz(2004), o modelo


clássico induz à convicção no pressuposto de que se os conhecimentos técnicos
forem via extensionistas, colocados à disposição dos agricultores, este certamente,
lograrão melhoras em seus níveis de conhecimento e habilidades e,
conseqüentemente, em suas lides no meio rural. Como resultado teriam assegurado
o aumento da produção e produtividade, a elevação da renda e, finalmente, o
desenvolvimento rural e global, pela elevação de seus padrões sociais e
educacionais e maior oferta de matérias-prima e alimentos a preços capazes de
tornarem efetivas mesmo demandas de classes de menor poder aquisitivo.

O papel da agricultura dentro do Plano Diretor Qüinqüenal cria muitos atritos


dentro da prática extensionista defendida por muitos, pois é colocado que a
agricultura desempenha múltiplo papel no processo de desenvolvimento econômico,
onde seria uma área fornecedora de matéria-prima, mantedora de divisas, contudo o
mais intrigante estava na afirmação de que o êxodo rural deve acontecer de forma
natural e planejada para suprir a mão-de-obra das grandes indústrias. Requeria da
extensão rural agora um trabalho mais amplo que seria oferecer soluções para o
setor industrial, mesmo que tivesse que realizar sacrifícios.

O pequeno agricultor é colocado agora como mero produtor em um sistema


perverso e transitório, buscando a sua aniquilação, dentro da expansão do sistema
capitalista.

O sistema capitalista penetra perversamente no meio agrário, buscando


destruir pequenos agricultores que não o aceitasse em sua forma de imposição.

O modelo difusionista-inovador estruturava-se segundo a intenção primordial


de oferecer subsídios sobre como maximizar a adoção de tecnologia.

Neste modelo observa-se a preocupação em reduzir o tempo de aceitação de


uma nova tecnologia, realizando profundos estudos, melhorando o que podemos
chamar de poder de persuasão, diminuindo as possibilidades de o agricultor rejeitar
tal proposta.

Segundo Prado & Cruz (2004) enquanto a teoria dos sistemas sociais parece
tratar de fenômenos universais, a teoria difusionista foi edificada por sobre fortes
bases de preconceito e autoritarismo, presumindo a discriminação social, a
classificação hierárquica e conseqüentemente, a exploração entre povos, segundo o
estágio de produção material.

O papel da Extensão Rural no desenvolvimento da agricultura

O serviço de assistência técnica e extensão rural constitui um importante


instrumento de apoio ao desenvolvimento rural. No Brasil esta importância torna-se
maior se analisarmos a realidade do País e considerarmos o imenso problema social
com que hoje nos defrontamos, ou seja, o elevado número de brasileiros que não
tem acesso aos fatores básicos e indispensáveis da cidadania, alimentação,
educação, saúde, emprego, e sustentabilidade. Por muitos anos o serviço de
assistência técnica e extensão rural focalizou sua atenção na importância da adoção
de novas tecnologias agropecuárias pelo produtor, procedimento que era
considerado como única alternativa para o desenvolvimento do meio rural.
O conceito de desenvolvimento restringia-se à noção de crescimento
econômico. Os principais indicadores de avaliação dos efeitos do serviço de
assistência técnica e extensão rural eram o aumento da produção e da
produtividade, entendido como quantidade física produzida em relação a área física
trabalhada.

Nesse contexto, a tecnologia se destacava como único fator para o alcance


de bons indicadores de resultados, chegando a ser mais importante que o próprio
crédito rural, política pública responsável pela capitalização dos agricultores para a
cobertura dos custos das inovações tecnológicas.Embora a adoção de inovações
tecnológicas resultasse em aumento de produtividade, não necessariamente
provocava aumento de renda para o agricultor. Isto levou inúmeros agricultores a
criar resistência à adoção de inovações tecnológicas, gerando frustrações nos
técnicos do serviço de extensão rural.

A nova Extensão Rural no Brasil: Desafios e novos paradigmas

Atualmente os programas de extensão rural no Brasil vivenciam um momento


de transição. Isto porque o paradigma que fundamentou as ações extensionistas até
o presente momento já não se sustenta, seja pela insustentabilidade do conceito de
meio rural formulado ao longo dos anos 60, seja pelo esgotamento do modelo
tradicional de modernização do campo bem como pela marcante presença setores
que defendem uma revisão da extensão rural pública brasileira.

Tal situação demonstra que o paradigma conhecido como difusionista, que


dominou os preceitos da agricultura brasileira até os dias de hoje já não é capaz de
oferecer ou propor soluções para resolver os problemas apresentados no campo. O
visível sinal de fracasso tornou-se prelúdio para a busca de novas alternativas. No
momento histórico em que a revolução Revolução Verde prepondera, comenta
Martins (2000), o objeto de atenção das instituições de pesquisa/extensão rural
centrava-se nas perturbações do agrícola sofridas pelo rural. Todavia, hoje, observa-
se que os elementos anteriormente apontados como entrave ao processo
modernizador – a família agricultora e a Natureza – hoje são elementos tomados
como centrais para a reorganização institucional da extensão rural pública. Desta
forma, no campo dos novos rumos a serem tomados, uma importante perspectiva de
intervenção se estabelece como elemento imprescindível: o Desenvolvimento Rural
Sustentável.
Tipos de Produtores Rurais

Pequenas e médias áreas

No Brasil os pequenos e médios produtores também são conhecidos como


minifundiários, aqueles que contam com áreas pequenas e poucos recursos
financeiros para incrementar o processo.Porém, existem empreendedores modernos
que, apesar de pouca área, conseguem maximizar a produção, através da
diversificação de culturas, a exemplo do que acontece em países com pouca
extensão territorial, como o Japão e integrantes da Europa, e conseguem auferir
bons lucros através da criação de aves, suínos e da piscicultura, bem como na
plantação de hortifrutigranjeiros, de fumo, arroz e outras culturas que dependem de
pouco espaço e muita mão-de-obra.

No Brasil, a agricultura familiar é a que predonima nos minifúndios.

Grandes áreas

Os proprietários ou arrendatários de grandes extensões de terra são também


conhecidos como latifundiários. Geralmente este tipo de produção é caracterizada
pela monocultura de produtos considerados commodities, que no Brasil são
principalmente a soja, o milho, o algodão e a pecuária leiteira e de corte.O lucro se
dá pelo ganho de escala e a redução dos custos de produção.

Identificação da liderança

Se você quer ser um líder eficaz você tem de olhar para o seu interior. Ser um
líder diz mais respeito ao caráter do que à competência.

Quais são as motivações e as intenções desse líder? Ele é um líder


preocupado em servir a si mesmo? Ele é um líder preocupado em servir aos outros
ou em servir a si mesmo? Ele acha que a posição que ocupa lhe foi emprestada pelo
seu pessoal ou ele pensa que como um líder ele é dono de sua posição e, portanto,
devem fazer qualquer coisa para proteger o seu poder e status?

O caráter e os valores do líder são seu diferencial. Se o líder for humilde e


motivado a servir, não importa qual seja o seu desempenho anterior, ele tem o
potencial para despertar o melhor nas pessoas. Liderança não se refere a fazer algo
às pessoas, mas fazer algo juntamente com elas.
Os líderes eficazes, hoje em dia, têm de focalizar a energia do seu pessoal
nas coisas certas e transformar suas organizações.

As organizações de alta performance de hoje têm as seguintes características:

1) São os fornecedores preferidos - eles convertem clientes em fãs incondicionais,


de modo que os clientes passam a fazer parte de sua força de vendas por estarem
tão impressionados pela maneira como são tratados;

2) São os empregadores preferidos: seus colaboradores são pessoas altamente


motivadas, que tanto estão satisfeitas com o seu trabalho quanto estão
comprometidas com um desempenho superior;

3) São os investimentos preferidos: a companhia apresenta resultados


extraordinários que impressionam qualquer analista financeiro.

Há dois papéis na liderança eficaz:

1) O primeiro é o papel do líder visionário - aquele que se certifica de que cada um


sabe o propósito do negocio e a visão do futuro. Sem essa visão, as pessoas não
sabem o porquê daquilo que estão fazendo. Uma vez estando a visão clara, os
objetivos operacionais tem de ser estabelecidos para assegurar que a organização
tenha alto desempenho.

2) O segundo papel da liderança é a implementação. Isto implica fazer tudo o que for
necessário para ajudar as pessoas a viverem de acordo com a visão e atingir os
objetivos estabelecidos. Na medida que passa para a implementação, a hierarquia
deve ser esquecida e as pessoas próximas ao cliente devem focar suas energias em
satisfazê-lo e assim atingir os objetivos da organização. Sem a integração entre as
áreas a organização corre o risco de ter as pessoas com a energia focada em
satisfazer a gerência mais do que os clientes.

Não há um perfil único do líder do futuro:

Líderes eficazes são líderes situacionais. Eles estão dispostos e são capazes
de mudar o seu estilo de liderança, de acordo com o nível de desenvolvimento do
seu pessoal e as exigências da situação.
À medida que a competência e o empenho das pessoas com as quais eles
trabalham mudam, ou crescem ao longo do tempo, eles estão dispostos a mudar de
uma abordagem de direção, na qual os líderes tomam todas as decisões, para uma
abordagem de orientação na qual eles envolvem as pessoas no processo decisório.
Neste estilo o líder tem o papel de apoio participando com o seu pessoal na tomada
de decisão.

A equipe assume o papel de liderança com a orientação do líder, até que,


finalmente, vem a delegação, que ocorre quando as pessoas estão energizadas
para tocar a bola e atingir os objetivos com seus próprios recursos. A chave está em
o líder acreditar que está ali para servir, isto é, fornecer às pessoas aquilo que elas
necessitam para atingirem os objetivos organizacionais.

Líderes eficazes têm de ter um propósito firme e, ao mesmo tempo,


humildade. Eles estão determinados a atingir objetivos, mas não acham que são o
centro do universo. Liderança tem tudo a ver com ajudar o seu pessoal a se tornar o
melhor possível.

Estrutura agrária do Brasil e do Paraná

Podemos definir reforma agrária como um sistema em que ocorre a divisão de


terras, ou seja, propriedades particulares (latifúndios improdutivos) são compradas
pelo governo a fim de lotear e distribuir para famílias que não possuem terras para
plantar. Dentro deste sistema, as famílias que recebem os lotes, ganham também
condições para desenvolver o cultivo: sementes, implantação de irrigação e
eletrificação, financiamentos, infra-estrutura, assistência social e consultoria.

Tudo isso oferecido pelo governo. A reforma agrária se faz necessária no


Brasil, pois a estrutura fundiária em nosso país é muito injusta. Durante os dois
primeiros séculos da colonização portuguesa, a metrópole dividiu e distribui as terras
da colônia de forma injusta.

No sistema de Capitanias Hereditárias, poucos donatários receberam faixas


enormes de terra (pedaços comparados a alguns estados atuais) para explorar e
colonizar. Desde então, o acesso a terra foi dificultado para grande parte dos
brasileiros. O latifúndio (grande propriedade rural improdutivo) tornou-se padrão,
gerando um sistema injusto de distribuição da terra. Para termos uma idéia desta
desigualdade, basta observarmos o seguinte dado: quase metade das terras
brasileiras está nas mãos de 1% da população.

Para corrigir esta distorção, nas últimas décadas vem sendo desenvolvido em
nosso país o sistema de reforma agrária. Embora lento, já tem demonstrado bons
resultados. Os trabalhadores rurais organizaram o MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra) que pressiona o governo, através de
manifestações e ocupações, para conseguir acelerar a reforma agrária e garantir o
acesso à terra para milhares de trabalhadores rurais.

O Estado do Paraná é caracterizado, historicamente, por um povoamento que


teve orientação nas diversas fases econômicas pelas quais percorreu (tropeirismo,
madeira, mate, café e soja).Essas fases resultaram num processo de povoamento
irregular,no qual parcelas do território foram sendo ocupadas segundo as
motivações de exploração econômica do momento.

O início do povoamento, ainda no período colonial, envolve as disputas


territoriais entre Portugal e Espanha. Como a maior parte do atual território
paranaense pertencia à Espanha, o problema de demarcação do território que seria
o Paraná entre os séculos XVI e XVIII dificulta um esboço mais claro de sua
ocupação nessa época.Esse período de dominação espanhola na parte ocidental do
Paraná foi caracterizado pela instalação de vários povoados e reduções jesuíticas.

A Província del Guayrá, a qual pertencia boa parte do atual território


paranaense, tinha a população indígena, de milhares de pessoas, desenvolvendo
atividades como o plantio de milho, mandioca, criação de gado e extração de erva
mate, além de outras ocupações (SANTOS, 2001, p. 19-20).

No século XVI, todas as reduções acabaram destruídas pelos bandeirantes


paulistas. Mesmo após os tratados (como de Santo Ildefonso em 1777)e conflitos já
no período imperial, como a Guerra do Paraguai, persistiram as dificuldades de
fixação do território desmembrado da Província de São Paulo em 1853 (PADIS,
1980, p. 9-10).

As disputas com Paraguai e Argentina e, posteriormente, com Santa Catarina


(na questão do Contestado) avançaram até o início do século XX. Com isso, o
Paraná viveu quase quatro séculos de estagnação econômica (NICHOLLS, 1971, p.
28).

A agricultura brasileira

Em 1996, 24% da PEA (população economicamente ativa) brasileira trabalha


no setor primário, mas a agropecuária é responsável por apenas 8% do nosso
produto interno bruto (PIB). Apesar da modernização verificada nas técnicas
agrícolas em regiões onde a agroindústria se fortaleceu, ainda persistem o
subemprego, a baixa produtividade e a pobreza no campo.

Quando analisamos apenas a modernização das técnicas e esquecemos de


observar quais são as conseqüências da modernização nas relações sociais de
produção e na qualidade de vida da população. Cerca de 65% da força de trabalho
agrícola é encontrada em pequenas e medias propriedades, que utilizam mão-de-
obra familiar.
O que se verifica, na pratica, são realidades de vida muito diferente. Uma
família que tenha uma propriedade rural próxima a um grande centro urbano e
produza alimentos de forma intensiva para serem vendidos nas cidades ou forneça
matéria-prima para as industrias.

Terá uma rentabilidade muito maior do que uma família que tenha a
propriedade em uma área de dificil acesso e pratique agricultura extensiva. No
Brasil, verificou-se, até fins dos anos 80, um enorme crescimento da área cultivadas
com produtos agroindustriais de exportação em detrimento de cultivos voltados ao
abastecimento interno.

Atualmente, produtos do mercado interno apresentam grande aumento de


produção. Isso se explica pela pratica da associação de culturas em grandes
propriedades. Em algumas áreas do país, sobretudo no interior do estado de São
Paulo e na região Sul, houve um grande fortalecimento da produção agroindustrial e
da organização sindical que, de forma geral, melhorou a vida da população, tanto
rural quanto urbana.

Norte e Nordeste não acompanham o ritmo de modernização e organização


sindical do Centro-Sul por razões históricas, como o amplo predomínio de latifúndios
e a falta de investimentos estatais em obras de infra-estrutura.

A outra faceta da modernização das técnicas é a valorização e conseqüente


concentração de terras, a plena subordinação da agropecuária ao capital industrial,
além da intensificação do êxodo rural em condições precárias. Os pequenos
agricultores se vêem obrigados a recorrer a empréstimos bancários para se
capitalizar e ter condições de cultivar a terra dentro dos padrões exigidos.

É comum, depois de acumular dividas por alguns anos seguidos, serem


obrigados a vender seu pedaço de terra, que ficou penhorado no banco quando
contraiu o empréstimo, para evitar a quitação da divida através de leilão.

As relações de trabalho na zona rural

Trabalho familiar: Na agricultura brasileira, predomina a utilização de mão-de-


obra familiar em pequenas e médias propriedades de agriculturas de subsistência ou
jardinagem, espalhadas pelo país.

Quando a agricultura praticada pela família é extensiva, todos os membros se


vêem obrigados a complementar a renda como trabalhadores temporários ou bóias-
frias em épocas de corte, colheita ou plantio nas grandes propriedades
agroindustriais. Ás vezes, buscam subemprego até mesmo nas cidades, retornando
ao campo apenas em épocas necessárias ou propícia ao trabalho na propriedade
familiar.
Trabalho temporário: são trabalhadores diaristas, temporários e sem vinculo
empregatício. Em outras palavras, recebem por dia segundo a sua produtividade.
Eles têm serviço somente em determinadas épocas do ano e não possuem carteira
de trabalho registrada.

Embora completamente ilegal essa relação de trabalho continua existindo, em


função da presença do “gato”, um empreiteiro que faz a intermediação entre
fazendeiro e os trabalhadores. Por não ser empresário, o “gato” não tem obrigações
trabalhistas, não precisa registrar os funcionários.

Em algumas regiões do Centro-Sul do país, sindicatos fortes e organizados


passaram a fazer essa intermediação. Os bóias-frias agora recebem sua refeição no
local de trabalho, tem acesso a serviços de assistência médica e recebem salários
maiores que os bóias-frias de região onde o movimento sindical é desarticulado.

Trabalho assalariado: representa apenas 10% da mão-de-obra agrícola. São


trabalhadores que possuem registro em carteira, recebendo, portanto, pelo menos
um salário mínimo por mês.

Parceria e arrendamento: parceiros e arrendatários “alugam” a terra de


alguém para cultivar alimentos ou criar gado. Se o aluguel for pago em dinheiro, a
situação á de arrendamento. Se o aluguel for pago com parte da produção,
combinada entre as partes, a situação é de parceria.

Escravidão por divida: trata-se do aliciamento de mão-de-obra através de


promessas mentirosa. Ao entrar na fazenda, o trabalhador é informado de que está
endividado e, como seu salário nunca é suficiente para quitar a divida, fica
aprisionado.

Agricultura familiar

No setor primário da economia de um país; a agricultura exerce grande


importância como fonte geradora de alimentos, emprego e renda. A agricultura
familiar é um setor bastante antigo, que com o passar do tempo foi se rompendo os
preconceitos e se modificado. Hoje em dia possui um novo conceito e se traça um
perfil representando significativamente o desenvolvimento agrícola da nação, porém
como em qualquer seguimento existem alguns pontos fracos que merece a atenção
governamental para um apoio técnico e financeiro.

O conceito de agricultura familiar é relativamente recente no Brasil antes,


falava-se em pequena produção, pequeno agricultor, agricultura de baixa renda ou
de subsistência e ate mesmo o termo camponês.

Porém estes conceitos envolvem um julgamento prévio sobre o desempenho


econômico destas unidades, o que se pensa tipicamente como pequeno produtor é
alguém que vive em condições muito precárias, que tem um acesso nulo ou muito
limitado ao sistema de crédito, que conta com técnicas tradicionais e que não
consegue se integrar aos mercados mais dinâmicos e competitivos. Milhões de
unidades chamadas pelo Censo Agropecuário de "estabelecimentos" estão nesta
condição.

Entretanto dizer que estas são as características essenciais da agricultura


familiar é desconhecer os traços mais importantes do desenvolvimento agrícola
tanto no Brasil como em países capitalistas avançados nos últimos anos.

Os empreendimentos familiares têm como característica principal a


administração pela própria família; e neles a família trabalha diretamente, com ou
sem o auxílio de terceiros. Podemos dizer, também, que um estabelecimento familiar
é, ao mesmo tempo, uma unidade de produção e de consumo.

O presente estudo teve como meta conhecer e traçar um perfil para a


agricultura familiar brasileira baseando em pesquisas de desenvolvimento rural nos
últimos anos.

Os agricultores familiares já receberam diferentes nomes. O homem rural é


conhecido como roceiro e caipira pessoa rústica, atrasada e ingênua. São palavras
depreciativas, ofensivas, muitas vezes relacionadas à preguiça, a pouca disposição
para o trabalho.

Vale a pena ressaltar que cinco "grupos" que estão na origem da nossa
agricultura familiar: os índios; os escravos africanos, os mestiços; os brancos não
herdeiros; e os imigrantes europeus.

Hoje em dia, no entanto é composta principalmente pelas famílias assentadas


por programas de reforma agrária, família de seringueiros, ribeirinhos, extrativistas,
famílias atingidas por barragens, famílias indígenas e de quilombolas.

Como o próprio nome diz na agricultura familiar o trabalho e a gestão, ou seja,


a administração é predominantemente familiar. Não é contrariamente ao que dela se
diz com freqüência, um simples reservatório de mão-de-obra pelo contrario alem de
fixar o homem no campo contribui para o desenvolvimento do setor. Temos que
romper com a identificação automática entre agricultura familiar e pobreza ela não
pode ser tomada como sinônimo de pequena produção.

É em torno da agricultura familiar que, nos países capitalistas centrais,


organizou-se o desenvolvimento agrícola, Mesmo num país marcado pela força do
latifúndio e pelo peso social de milhões de estabelecimentos que, de fato, são
pequenos sob o ângulo de sua participação na oferta agrícola, há um segmento
importante de agricultores familiares cuja expressão econômica é muito significativa
e em alguns casos até majoritária.
No entanto no que se diz respeito a desempenho, vários são os aspectos que
interferem ou poderão interferir ao longo da vivencia da agricultura familiar que
podem ser definidos de dois ângulos:

Do ponto de vista externo como a inadequação das políticas públicas; terra


insuficiente, de má qualidade em áreas marginais para a produção e em muitos
casos não detém o título de domínio, crédito rural insuficiente, inadequado e
burocratizado; tecnologia gerada não atende às suas necessidades; instituições de
assistência técnica e extensão rural que não atende a sua demanda; dificuldades de
comercialização; restrições aos subsídios; falta de um mercado organizado a nível
municipal.

Do ponto de vista interno dificuldades de organização; dificuldade de


compreensão ampla de seus problemas; falta de capacitação gerencial e tecnológica
para administrar sua atividade no contexto das recentes mudanças.

Existem programas de incentivos financeiros aos agricultores como, por


exemplo, o programa nacional de fortalecimento da Agricultura Familiar. O PRONAF
é um programa de fortalecimento da agricultura familiar, mediante apoio técnico e
financeiro, criado pelo governo federal através do Decreto N.o 1946, visando
propiciar condições para o aumento da capacidade produtiva, a geração de
empregos e a elevação da renda dos agricultores familiares.

O desenvolvimento rural sustentável Crédito Rural - Atividades e Itens Financiados:

1. Bovinos, Ovinos, Caprinos, Suínos, Aves e Animais para serviço.

2. Pescadores, Apicultores, Criação de Peixes e Mariscos.

3. Equipamentos e Infra-estrutura produtiva.

4. Agroindústrias de Farinhas, Conservas, Doces, Laticínios, Polpas, Castanhos e


Mel.

5. Frutas, Hortaliças, Culturas irrigadas.

6. Artesanato, Comércio, Indústrias e Prestação de serviços.

7. Extrativismo, Mineração e Florestas.

O fortalecimento da agricultura familiar se espera através de programas de


incentivo que não seja uma ação governamental que pretenda "compensar" ações
setoriais excludentes, mas que possibilite atender às demandas dos agricultores
familiares, ou seja, as necessidades reais, transformando numa política nacional de
caráter permanente.
Apesar da importância que se reveste só agora começa a perceber a
necessidade de definir estratégias de desenvolvimento rural que priorize a
expansão, o fortalecimento e o respeito desta categoria.

O trabalho e a administração do processo produtivo são assegurados


diretamente pelos proprietários, à diversificação os produtos cultivados garantem
diluir custos, aumentar a renda e aproveitar a disponibilidade de mão-de-obra.

O desafio maior é organizar seu sistema de produção a partir das tecnologias


disponíveis com o objetivo de ganhar escala e buscar nichos de mercado, agregar
valor à produção e encontrar novas alternativas para o uso da terra como, por
exemplo, o turismo rural, garantindo também durabilidade dos recursos naturais e na
qualidade de vida da família e o fortalecimento da agricultura.