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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA ____________ DA COMARCA DE


__________________ - ___

Intermediado por seu mandatário ao final firmado – instrumento


procuratório acostado – causídico inscrito na Ordem dos Advogados do
Brasil, Seção do Paraná, sob o nº 112233, com seu escritório profissional
consignado no timbre desta, onde, em atendimento à diretriz do art. 106,
inc. I, do Novo Código de Processo Civil, indica-o para as intimações
necessárias, comparece, com o devido respeito à presença de Vossa
Excelência, FARMÁCIA XISTA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ (MF) nº. 01.222.333/0001-44, estabelecida na Rua X, nº. 000 –
Centro – Curtiba (PR) – CEP xxxxxxxxxx, com endereço eletrônico
xista@xxxxxxxxxxx.com.br, para ajuizar, a presente

AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO “COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA


DE URGÊNCIA”

contra o BANCO XXXXX S/A, instituição financeira de direito privado,


inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000000000000, estabelecida (CC, art.
75, § 1º), na Rua C, nº. 000 – em São Paulo (SP) – CEP 11444-55, com
endereço eletrônico zeta@bancozeta.com.br, em decorrência das
justificativas de ordem fática e de direito abaixo delineadas.

I – INTROITO
( a ) Benefícios da justiça gratuita (CPC/2015, art. 98, caput)

Figura no polo ativo desta querela uma sociedade empresária, ou seja,


pessoa jurídica cujo CNPJ foi declinado em sua identificação, constando,
também, do pacto firmado entre os ora litigantes.

Em que pese esse aspecto, ou seja, ser a Autora uma pessoa jurídica de
direito privado, em nada obsta o deferimento dos benefícios da Justiça
Gratuita, na orientação ofertada pelo caput do art. 98 do Novo Código de
Processo Civil.

A Autora, verdadeiramente, não tem condições de arcar com as despesas


do processo, uma vez que são insuficientes seus recursos financeiros para
pagar todas as despesas processuais, inclusive o recolhimento das custas
iniciais.

Destarte, a Demandante ora formula pleito de gratuidade da justiça, o que


faz por declaração de seu patrono, sob a égide do art. 99, § 4º c/c 105, in
fine, ambos do CPC/2015, quando tal prerrogativa se encontra inserta no
instrumento procuratório acostado.

De outro contexto, corroborando a afirmação supra-aludida, com o


propósito de demonstrar sua total incapacidade financeira de arcar com
as despesas processuais, a Autora acosta pesquisa feita junto à Serasa, a
qual atesta contra esta pesam mais de 45 (quarenta e cinco) protestos e,
mais, 7 (sete) cheques sem provisões de fundos. (doc. 01) Outrossim, o
balancete do último também demonstra que houve um prejuízo de mais
de R$ xxxxx. (doc. 02) Ademais, os extratos bancários ora acostados,
também demonstram saldo negativo há mais de 6 (seis) meses. (doc.
03/07)
O acesso ao Judiciário é amplo, voltado também para as pessoas jurídicas.
A Autora demonstrou sua total carência econômica, de modo que se
encontra impedida de arcar com as custas e outras despesas processuais.

Nesse trilhar, é altamente ilustrativo mencionar os seguintes arestos:

Recurso especial. Assistência Judiciária Gratuita. Pessoa


jurídica. Comprovação de dificuldades financeiras.
Inteligência da Súmula nº 481/stj. Incidência das
Súmulas nºs 7 e 83 do STJ. Recurso Especial a que se
nega seguimento (art. 557, caput, do cpc). (STJ – Resp
1.418.147; Proc. 2013/0378861-8; PE; Segunda Turma;
Rel. Min. Mauro Campbell Marques; DJE 17/03/2014)

AGRAVO INTERNO. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA.

Uma vez indeferido ou impugnado o benefício, incumbe


a postulante provar, inequivocamente, a condição de
pobreza e/ou de necessidade firmada quando do
requerimento do benefício. Tal prova se dá ante o cotejo
entre a renda auferida e a comprovação dos gastos que
possui o requerente, bem como seus familiares, ou pela
comprovação da ausência de solidez econômica, em se
tratando de pessoa jurídica. No presente caso, a
agravante não juntou provas suficientes comprovando
fazer jus à benesse pleiteada. Negaram provimento ao
agravo interno. Unânime. (TJRS – AG xxxxxxxxxxxxxxxx;
Santa Maria; Décima Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Ergio
Roque Menine; Julg. 13/03/2014; DJERS 18/03/2014)

AGRAVO DE INSTRUMENTO EMBARGOS À EXECUÇÃO.


Assistência Judiciária Gratuita Pessoa jurídica
Comprovação de ausência de movimentação financeira
mediante juntada de Declaração Anual do Simples
Nacional, que permite concluir que a pessoa jurídica
encontra-se desativada Impossibilidade financeira
demonstrada Gratuidade deferida Decisão reformada.
Recurso provido. (TJSP – AI 2012405-49.2014.8.26.0000;
Ac. 7406119; Santos; Trigésima Sétima Câmara de
Direito Privado; Rel. Des. Sérgio Gomes; Julg.
11/03/2014; DJESP 17/03/2014)

Com efeito, à luz da prova de hipossuficiência financeira trazida à baila,


nada obsta que sejam deferidos os benefícios da justiça gratuita, tema
esse, aliás, anteriormente já tratado pela Súmula 481 do Egrégio Superior
Tribunal de Justiça:

STJ – Súmula 481: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a


pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar
sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.

( b ) Quanto à audiência de conciliação (CPC/2015, art. 319, inc. VII)

O Autor opta pela realização de audiência conciliatória (CPC/2015, art.


319, inc. VII), razão qual requer a citação da Promovida, por carta
(CPC/2015, art. 247, caput) para comparecer à audiência designada para
essa finalidade (CPC/2015, art. 334, caput c/c § 5º);

II – CONSIDERAÇÕES FÁTICAS

A Promovente celebrou com a Requerida, na data de 00 de novembro de


0000, um pacto de financiamento bancário denominado Contrato de
Abertura de Crédito Fixo Zeta Giro Rápido, de nº. xxxx. (doc. 08)
Na ocasião do pacto fora aberta uma linha de crédito que totalizava a
quantia de R$ xxxx).

Apesar dos inúmeros pagamentos ofertados, atualmente ainda há em


aberto na instituição um pretenso débito num importe de cerca de R$
xxxxxx), o que observa-se pelo “espelho de débito” fornecido pela
instituição financeira Ré. (doc. 09)

Por conta dos elevados (e ilegais) encargos contratuais, não acobertados


pela legislação, o Autor não conseguiu pagar mais os valores acertados
contratualmente. Veio, por consequência, a inserção do nome do mesmo
nos órgãos de restrições. (docs. 10/12)

A Promovente ainda tentou formalizar administrativamente composição


com a Ré – na angústia de ter seu nome preservado perante os órgãos de
restrições –, o que, entrementes, foi inviável, novamente pela imputação
mais gravosa de encargos (sobre os outros encargos ilegais).

Restou-lhe, assim, buscar o Poder Judiciário, para declarar a cobrança


abusiva, ilegal e não contratada, afastando os efeitos da inadimplência,
onde pretender a revisão das cláusulas contratuais (e seus reflexos) que
importam na remuneração e nos encargos moratórios pela inadimplência:

Cláusula 9ª – Remuneração

Cláusula 22ª – Encargos moratórios e seus efeitos

HOC IPSUM EST.

III – NO MÉRITO

DELIMITAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS CONTROVERTIDAS


CPC/2015, art. 330, § 2º
Observa-se que a relação contratual entabulada entre as partes é de
empréstimo, razão qual o Autor, à luz da regra contida no art. 330, § 2º,
da Legislação Adjetiva Civil, cuida de balizar, com a exordial, as
obrigações contratuais alvo desta controvérsia judicial.

O Promovente almeja alcançar provimento judicial de sorte a afastar os


encargos contratuais tidos por ilegais. Nessa esteira de raciocínio, a
querela gravitará com a pretensão de fundo para:

( a ) afastar a cobrança de juros capitalizados diários;

( b ) reduzir os juros remuneratórios;

Fundamento: taxa que ultrapassa a média do mercado.

( c ) excluir os encargos moratórios;

Fundamento: o Autor não se encontra em mora, posto que foram


cobrados encargos contratuais ilegalmente durante o período de
normalidade.

Dessarte, tendo em conta as disparidades legais supra-anunciadas, o


Promovente acosta planilha com cálculos (doc. 13) que demonstra o valor
a ser pago:

( a ) Valor da obrigação ajustada no contrato R$ 0.000,00 (. X. X. X.);

( b ) valor controverso da parcela R$ 000,00 (x. X. X.);

( c ) valor incontroverso da parcela R$ 000,00 (x. X. X.).


Nesse compasso, com supedâneo na regra processual ora invocada, o
Autor requer que Vossa Excelência defira o depósito, em juízo, da parte
controversa. Por outro ângulo, pleiteia que a Promovida seja instada a
acatar o pagamento da quantia incontroversa, acima mencionada, a qual
será paga junto à Ag. 3344, no mesmo prazo contratual avençado.

A ratificar os fundamentos acima mencionados, urge evidenciar diversos


julgados acolhendo o pleito de depósito do valor incontroverso, esse
delimitado pelo Autor com a inaugural, verbis:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULA


CONTRATUAL. DEPÓSITO JUDICIAL DAS PARCELAS NO VALOR
INCONTROVERSO. POSSIBILIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA.
IMPOSSIBILIDADE. ART. 285-B DO CPC. RECURSO NÃO PROVIDO.Com a
entrada em vigor do artigo 285-B do CPC, nos litígios que tenham por
objeto obrigações decorrentes de empréstimo, financiamento ou
arrendamento mercantil, o autor-devedor deverá continuar pagando o
valor incontroverso. Assim, pode o devedor depositar judicialmente as
parcelas, no valor que entende devido, enquanto perdurar a ação
revisional das cláusulas contratuais. No entanto, esse depósito não elide
ou suspende a mora. (TJMG; AI 1.0702.14.088637-6/001; Rel. Des. Marcos
Lincoln; Julg. 25/03/2015; DJEMG 31/03/2015)

AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULA CONTRATUAL COM PEDIDO DE TUTELA


ANTECIPADA. PRETENSÃO DO AGRAVANTE À CONSIGNAÇÃO DAS
PARCELAS MENSAIS NO VALOR INCONTROVERSO. INDEFERIMENTO EM
PRIMEIRO GRAU. POSSIBILIDADE DOS DEPÓSITOS. INOVAÇÃO
INTRODUZIDA PELO ARTIGO 285-B DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Reflexos da conduta do recorrente, entretanto, que correrão por sua conta
e risco, inclusive no que toca aos efeitos da mora. Recurso parcialmente
provido. (TJSP; AI 2010316-19.2015.8.26.0000; Ac. 8240939; Itapetininga;
Vigésima Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Sérgio Rui; Julg.
26/02/2015; DJESP 05/03/2015)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO.
Decisão que indeferiu pedido de depósito dos valores incontroversos e
não determinou que a ré se abstenha de negativar o nome do autor ou
ajuizar ação de busca e apreensão. Inconformismo. Reconhecimento da
possibilidade de depósitos parciais. Inteligência do art. 285-B do Código
de Processo Civil. Consignação das parcelas a menor, porém, que não
impedirá a caracterização da mora, com os efeitos dela decorrentes.
Valores que se mantêm devidos na sua integralidade, ante a ausência, em
sede de cognição sumária, de verossimilhança na alegação de
abusividade das cobranças questionadas. Direito de ação, ademais, que é
garantido constitucionalmente. Decisão reformada em parte. Agravo
parcialmente provido. (TJSP; AI 2207874-33.2014.8.26.0000; Ac. 8161535;
Praia Grande; Vigésima Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des.
Hélio Nogueira; Julg. 29/01/2015; DJESP 04/02/2015)

DIREITO CONSTITUCIONAL E DO CONSUMIDOR. CONTRATO BANCÁRIO.


DEPÓSITO DE PARCELAS INCONTROVERSAS. CONCESSÃO DE TUTELA
ANTECIPADA. POSSIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.1 Na
hipótese, o fundado receio de dano irreparável decorre da possível
debilidade creditícia oriunda da inserção do nome do demandante nos
serviços de proteção ao crédito e a eventual busca e apreensão do bem
em litígio. 2 Além da propositura antecipada da ação revisional, o
agravante se utilizou de meio lícito e idôneo para afastar os efeitos da
mora, que no caso, consiste em pretender depositar em juízo os valores
incontroversos das parcelas vencidas e vincendas, o que basta para
comprovar a existência de verossimilhança no alegado. 3 É cediço que o
exame do débito financiado em ação revisional, intentada previamente à
ação de busca e apreensão, é apto a possibilitar o depósito mensal das
importâncias entendidas como devidas, conforme requerimento do
devedor para fins de purgação da mora, uma vez que não acarretará
nenhum prejuízo aos litigantes, em virtude da possibilidade de ser
executada em momento ulterior a diferença de valores porventura
existentes, o que impõe a manutenção da decisão ora adversada. 4
Recurso conhecido e desprovido. (TJCE; AG 0628400-
45.2014.8.06.0000/50000; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Clécio Aguiar
de Magalhães; DJCE 03/02/2015; Pág. 2)

Ademais, é de toda conveniência revelar aresto no sentido da


possibilidade do valor incontroverso ser menor que aquele pactuado, a
saber:

REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. PRETENSÃO DO AGRAVANTE À


CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO DE PARCELAS MENSAIS EM VALOR
INFERIOR AO PACTUADO. POSSIBILIDADE. ARTIGO 285-B, PARÁGRAFO
ÚNICO, DO CPC. Discussão do contrato celebrado para efetuar depósito de
valor mensal menor que o pactuado, sem a inclusão de seu nome junto
aos órgãos de proteção ao crédito. Súmula nº 380 do STJ. Existindo a
mora, é direito do credor adotar as medidas cabíveis para evitar a
inconstitucional vedação de seu acesso à jurisdição. Inteligência dos
artigos 273 do CPC, 5º, inciso XXXV, da CF, 585, parágrafo 1º, do CPC e
43, parágrafos 1º e 4º, do CDC. Decisão mantida. Recurso improvido, com
ressalva. (TJSP; AI 2041259-53.2014.8.26.0000; Ac. 7497668; Jundiaí;
Vigésima Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Sérgio Rui; Julg.
10/04/2014; DJESP 22/04/2014)

De igual modo é desnecessário o pagamento de valores prévios ao


ajuizamento da ação revisional, o que se depreende do julgado abaixo:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO.


INDEFERIMENTO DA INICIAL. EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.
ARTIGO 285-B DO CPC. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS PARCELAS
ANTERIORES AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. PRESCINDIBILIDADE. QUESTÃO
QUE AFETA APENAS A AFERIÇÃO DA ELISÃO DA MORA PELA PARTE
AUTORA E NÃO AS CONDIÇÕES DA AÇÃO. ERROR IN PROCEDENDO.
SENTENÇA CASSADA. 1. O artigo 285-b, caput, do código de processo civil
dispõe que. Nos litígios que tenham por objeto obrigações decorrentes de
empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil, o autor deverá
discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas
que pretende controverter, quantificando o valor incontroverso. Seu
parágrafo 1º acrescenta que. O valor incontroverso deverá continuar
sendo pago no tempo e modo contratados. 2. O referido artigo visa tão
somente obrigar a parte a apontar clara e precisamente a causa de pedir
das ações revisionais, declarando qual a espécie e o alcance do abuso
contratual que fundamenta sua ação, bem como explicitar a inadmissão
do depósito judicial do valor incontroverso das obrigações contratuais. 3.
Tal artigo, não impõe a comprovação do pagamento das parcelas
anteriores ao ajuizamento da ação ou o mesmo o efetivo pagamento do
valor incontroverso como condição de procedibilidade da ação revisional.
Caso assim o fizesse, implicaria em nítida ofensa ao princípio
constitucional do livre acesso ao poder judiciário, previsto no artigo 5º,
inciso XXXV da Constituição Federal, pois impediria que o consumidor
inadimplente e sem condições de promover o pagamento das prestações
contratadas, de discutir em juízo a legitimidade dos valores que lhe estão
sendo exigidos, por vícios insertos no contrato em que a obrigação
inadimplida foi convencionada. 4. A não comprovação, do pagamento das
prestações anteriores ao ajuizamento da ação revisional de contrato
bancário, e a ausência de continuidade do pagamento dos valores
vincendos tidos como incontroversos, não sendo circunstância que possa
mitigar o direito constitucional de ação, resulta apenas na impossibilidade
de ser elidida a mora do consumidor, pelo simples ajuizamento da
pretensão revisional, não se tratando de circunstância que autorize a
extinção do processo sem o julgamento dos pedidos deduzidos em juízo,
volvidos a infirmar as disposições contidas no instrumento contratual. 5.
In casu, sendo desnecessária a comprovação do pagamento das parcelas
contratadas a fim de se constatar as condições de procedibilidade da ação
revisional de contrato bancário ajuizada pela autora, a extinção do
processo pelo indeferimento da petição inicial representa error in
procedendo, devendo ser cassada a sentença recorrida. 6. Apelação
conhecida e provida. Sentença cassada. (TJDF; Rec 2014.09.1.019627-6;
Ac. 846.624; Rel. Des. Alfeu Machado; DJDFTE 20/02/2015; Pág. 317)

( a ) DA IMPERTINÊNCIA DA COBRANÇA DE JUROS CAPITALIZADOS

É consabido que a cláusula de capitalização, por ser de importância


crucial ao desenvolvimento do contrato, ainda que ajuste eventualmente
existisse nesse pacto, deve ser redigida de maneira a demonstrar
exatamente ao contratante do que se trata e quais os reflexos gerarão ao
plano do direito material.

O pacto, à luz do princípio consumerista da transparência, que significa


informação clara, correta e precisa sobre o contrato a ser firmado, mesmo
na fase pré-contratual, teria que necessariamente conter:

1) redação clara e de fácil compreensão (art. 46);

2) informações completas acerca das condições pactuadas e seus reflexos


no plano do direito material;

3) redação com informações corretas, claras, precisas e ostensivas, sobre


as condições de pagamento, juros, encargos, garantia (art. 54, parágrafo
3º, c/c art. 17, I, do Dec. 2.181/87);

4) em destaque, a fim de permitir sua imediata e fácil compreensão, as


cláusulas que implicarem limitação de direito (art. 54, parágrafo 4º)

Nesse mesmo compasso é o magistério de Cláudia Lima Marques:

“ A grande maioria dos contratos hoje firmados no Brasil é redigida


unilateralmente pela economicamente mais forte, seja um contrato aqui
chamado de paritário ou um contrato de adesão. Segundo instituiu o CDC,
em seu art. 46, in fine, este fornecedor tem um dever especial quando da
elaboração desses contratos, podendo a vir ser punido se descumprir este
dever tentando tirar vantagem da vulnerabilidade do consumidor.

(... )

O importante na interpretação da norma é identificar como será apreciada


‘a dificuldade de compreensão’ do instrumento contratual. É notório que a
terminologia jurídica apresenta dificuldades específicas para os não
profissionais do ramo; de outro lado, a utilização de termos atécnicos
pode trazer ambiguidades e incertezas ao contrato. “ (MARQUES, Cláudia
Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das
relações contratuais. 6ª Ed. São Paulo: RT, 2011. Pág. 821-822)

Por esse norte, a situação em liça traduz uma a relação jurídica que, sem
dúvidas, é regulada pela legislação consumerista. Por isso, uma vez seja
constada a onerosidade excessiva e a hipossuficiência do consumidor,
resta autorizada a revisão das cláusulas contratuais, independentemente
do contrato ser “pré” ou “pós” fixado.

Nesse trilhar, o princípio da força obrigatória contratual (pacta sunt


servanda) deve ceder e se coadunar com a sistemática do Código de
Defesa do Consumidor.

Além disso, a relação contratual também deve atender à função social dos
contratos, agora expressamente prevista no artigo 421 do Código Civil, “a
liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato“.

De outra banda, é certo que o Superior Tribunal de Justiça já consagrou


entendimento de que “a previsão no contrato bancário de taxa de juros
anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a
cobrança da taxa efetiva anual contratada.”
No entanto, na hipótese fere a boa-fé objetiva prevista no Código de
Defesa do Consumido. De regra, nessas situações, há uma relação de
consumo firmada entre banco e mutuário. Destarte, resta comprometido o
dever de informação ao consumidor no âmbito contratual, maiormente à
luz dos ditames dos artigos 4º, 6º, 31, 46 e 54 do CDC.

Ademais, a forma de cobrança dos juros, sobretudo nos contratos


bancários, é incompreensível à quase totalidade dos consumidores. É
dizer, o CDC reclama, por meio de cláusulas, a prestação de informações
detalhadas, precisas, corretas e ostensivas.

Todavia, no pacto em debate houvera sim cobrança indevida da


capitalização de juros, porém fora adotada outra forma de exigência
irregular; uma “outra roupagem”.

Observe-se que a legislação que trata da Cédula de Crédito Bancário


admite a cobrança de juros capitalizados mensalmente, mas desde que
expressamente pactuados no contrato:

Lei nº. 10.931/04

Art. 28 – A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial e


representa dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma
nela indicada, seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de
cálculo, ou nos extratos da conta corrente, elaborados conforme previsto
no § 2º.

§ 1º – Na Cédula de Crédito Bancário poderão ser pactuados:

I – os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios de sua


incidência e, se for o caso, a periodicidade de sua capitalização, bem
como as despesas e os demais encargos decorrentes da obrigação. “
( os destaques são nossos )

Entrementes, o ajuste da periodicidade da capitalização dos juros fora na


forma diária, pois sua cláusula 7ª assim reza:

Cláusula 7ª – O Cliente pagará ao Credor o valor total


financiado/emprestado indicado nas Condições Especificadas, acrescidos
de juros remuneratórios capitalizados diariamente à taxa efetiva mensal e
correspondente taxa efetiva anual estipuladas nas... “

(destaques nossos)

É cediço que essa espécie de periodicidade de capitalização (diária)


importa emonerosidade excessiva ao consumidor.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. CÉDULA


DE CRÉDITO BANCÁRIO-CAPITAL DE GIRO. CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 297 DO STJ. POSSIBILIDADE DE
REVISÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA QUE NÃO SE SUJEITA A LEI DE USURA. SÚMULA
Nº 596 DO STF. ART. 192, § 3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL REVOGADO.
LIMITAÇÃO SUJEITA AO ÍNDICE DIVULGADO PELA TAXA MÉDIA DE
MERCADO ANUNCIADA PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL. ENUNCIADOS I
E IV DO GRUPO DE CÂMARAS DE DIREITO COMERCIAL DESTA CORTE.
Convém contemplar na presente decisão a inaplicabilidade dos termos
legais constantes do Decreto nº 22.626/33 frente as instituições
financeiras de acordo com a Súmula n. 596 do Superior Tribunal Federal,
in verbis:”As disposições do Decreto nº 22.626 de 1933 não se aplicam às
taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas
por instituições públicas ou privadas, que integram o Sistema Financeiro
Nacional”. Embora o índice dos juros remuneratórios não esteja vinculado
a limitação disposta no revogado artigo 192, § 3º, da Constituição Federal,
a jurisprudência pátria e até mesmo o Enunciado I e IV do Grupo de
Câmaras de Direito Comercial anota que é possível estabelecer
limitação/redução quando superior àquele praticado pelo mercado
financeiro, elencada pela tabela emitida pelo Banco Central do Brasil.
CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS. CONTRATO FIRMADO APÓS A EDIÇÃO
DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.963/2000. PACTUAÇÃO EM PERIODICIDADE
DIÁRIA. VEDAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR MENSAL.
INVIABILIDADE DA CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. “Por certo que permitir a
capitalização diária dos juros incidentes na dívida configuraria
onerosidade excessiva para qualquer devedor. Aliás, essa prática está em
profunda discrepância com a atualidade econômica brasileira, e deve ser
rechaçada do sistema. [...]” (TJSC, Apelação Cível n. 2011.006278-1, de
Indaial. Relator: Des. Volnei Celso Tomazini. Julgada em 08/03/2012).
Assim, impossibilitado o anatocismo diário, não pode ser deferido o pleito
de capitalização mensal, porque esta não foi convencionada, não se
podendo dar interpretação extensiva ao contrato para tanto. ” (STJ.
Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n. 966.398/AL, Rel. Ministro
Aldir Passarinho Júnior, j. 26.8.2008). ÔNUS SUCUMBENCIAL. FIXAÇÃO DE
FORMA PROPORCIONAL AO RESULTADO QUE AS PARTES OBTIVERAM NA
DEMANDA. Recurso do autor conhecido e parcialmente provido. Recurso
do réu conhecido e improvido. (TJSC; AC 2014.022245-8; Trombudo
Central; Quinta Câmara de Direito Comercial; Rel. Des. Cláudio Barreto
Dutra; Julg. 19/03/2015; DJSC 30/03/2015; Pág. 234)

AGRAVO REGIMENTAL NA APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL C/C


CONSIGNATÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. AUSÊNCIA
DE FATO NOVO. 1. Legítimo o reconhecimento, em sentença, da
abusividade na fixação dos juros moratórios com capitalização diária, vez
que causa excessiva onerosidade ao consumidor. 2. Se a parte agravante
não traz nenhum argumento hábil a viabilizar a alteração do
entendimento adotado na decisão monocrática, limitando-se a rediscutir a
matéria decidida, impõe-se o desprovimento do agravo regimental,
porquanto interposto à míngua de elemento novo a sustentar a
pretendida modificação. 3. Agravo regimental conhecido e desprovido.
(TJGO; AC 0212220-13.2013.8.09.0148; Quinta Câmara Cível; Rel. Des.
Geraldo Gonçalves da Costa; DJGO 20/03/2015; Pág. 249)

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. EXECUÇÃO DE


TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EMBARGOS. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO.
EMPRÉSTIMO. CHEQUE ESPECIAL/CRÉDITO ESPECIAL. PESSOA FÍSICA.
INÉPCIA DOS EMBARGOS, AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DO VALOR QUE
ENTENDE COMO DEVIDO. DISPENSA. CASO CONCRETO. DISCUSSÃO
ACERCA DE JUROS REMUNERATÓRIOS E CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS.
AUSÊNCIA DE CÓPIA DO TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL EXEQUENDO.
DESNECESSIDADE. EMBARGOS EM APENSO À EXECUÇÃO. CAPITALIZAÇÃO
DIÁRIA DE JUROS. AFASTADA. PERMITIDA A CAPITALIZAÇÃO MENSAL.
INÉPCIA DA INICIAL DOS EMBARGOS. AFASTADA. NO QUE TANGE À
AUSÊNCIA DE CÁLCULO, NO QUAL CONSTASSE O VALOR QUE A
EXECUTADA ENTENDIA COMO DEVIDO, EM NADA AFETA A
PROCEDIBILIDADE DO PEDIDO INICIAL E A FORMAÇÃO DA RELAÇÃO
JURÍDICA PROCESSUAL, POIS HÁ PERFEITAS CONDIÇÕES PARA QUE A
PARTE ADVERSA EXERÇA O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, UMA VEZ
QUE AS QUESTÕES DEBATIDAS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO ERAM TÃO
SOMENTE QUANTO AOS JUROS REMUNERATÓRIOS E ACERCA DA
CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS. ADEMAIS, EM QUE PESE NÃO TENHA
SIDO JUNTADO AOS AUTOS DESTES EMBARGOS O DOCUMENTO
APONTADO PELO APELANTE/EMBARGADO, TAL PODE SER ENCONTRADO
NOS APENSOS AUTOS DE EXECUÇÃO, MOTIVO PELO QUAL SOMENTE COM
O DESAPENSAMENTO DO PROCESSO ORIGINÁRIO É QUE A FALTA DA
CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO PODERIA COMPROMETER O
DESENVOLVIMENTO DESTES EMBARGOS. CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE
JUROS. AFASTADA. ONEROSIDADE EXCESSIVA. 1. No que tange à
capitalização de juros, a periodicidade diária, no caso contratualmente
prevista, revela-se abusiva, por implicar ônus excessivo para a
contratante em flagrante desequilíbrio contratual. 2. No caso, observa-se
que a taxa anual (179,11%) supera o duodécuplo da taxa mensal (8,93%),
o que demonstra a efetiva previsão de capitalização mensal de juros.
Admitida, pois, a capitalização mensal. Rejeitaram a preliminar e
proveram, em parte, o recurso de apelação. (TJRS; AC 0421342-
07.2014.8.21.7000; Santana do Livramento; Décima Quinta Câmara Cível;
Relª Desª Adriana da Silva Ribeiro; Julg. 17/12/2014; DJERS 22/01/2015)

REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS.


COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. 1. A capitalização de juros em contrato
bancário firmado após edição da MP 1.963-17/2000 (reeditada sob nº
2.170-36/2001), desde que prevista expressamente, é válida. Nova
orientação, baseada no julgamento do RESP 973.827/RS (2007/0179072-
3), processado nos termos do art. 543-C do CPC. 2. Porém, acarreta
onerosidade excessiva a previsão de capitalização diária, causando
desequilíbrio na relação jurídica. E não cabendo substituir a capitalização
diária pela mensal, de se determinar sua incidência anual, legalmente
prevista (art. 591, CC). 3. A validade da cláusula que estipula comissão de
permanência, dependia de sua não cumulação com outros encargos de
mora, consoante entendimento consolidado pelo STJ, com repercussão
geral da matéria (RESP 1.063.343/RS). Invalidade verificada. 4. Recurso
do autor provido, desprovido o do réu. (TJSP; APL 0155060-
40.2012.8.26.0100; Ac. 7161828; São Paulo; Décima Quarta Câmara de
Direito Privado; Rel. Des. Melo Colombi; Julg. 06/11/2013; DJESP
18/02/2015)

Não bastasse a clareza dos dados contidos no contrato em ensejo, o


próprio laudo particular financeiro, acostado com esta inaugural, já
adverte e demonstra a referida cobrança diária dos juros capitalizados.
(doc. 02)

Obviamente que uma vez identificada e reconhecida a ilegalidade da


cláusula que prevê a capitalização diária dos juros, esses não poderão ser
cobrados em qualquer outra periodicidade (mensal, bimestral, semestral,
anual). É que, lógico, inexiste previsão contratual nesse sentido; do
contrário, haveria nítida interpretação extensiva ao acerto entabulado
contratualmente.

Com efeito, a corroborar as motivações retro, convém ressaltar os ditames


estabelecidos na Legislação Substantiva Civil:

CÓDIGO CIVIL
Art. 843. A transação interpreta-se restritivamente, e por ela não se
transmitem, apenas se declaram ou reconhecem direitos.

Nesse passo, é altamente ilustrativo transcrever o seguinte aresto:

Agravo de instrumento Ação de execução por título judicial Incidente de


execução Decisão proclamando o valor atualizado do débito Irresignação
parcialmente procedente Antecedente título executivo extrajudicial
substituído por transação Incabível, assim, o cômputo da multa moratória
prevista no primitivo título Aplicação do art. 843 do CC, a dispor que a
transação não comporta interpretação extensiva Juros previstos no
instrumento da transação, de 1,5% a. M., incidindo até o efetivo
cumprimento da obrigação Evidente a má-fé processual na conduta da
credora, por ter computado os juros de modo mensalmente capitalizado,
em total infração ao ordenamento jurídico da época e sem que o
instrumento da transação isso autorizasse Quadro ensejando a aplicação
da multa do art. 18 do CPC, de 1% sobre o valor atualizado da execução.
Agravo a que se dá parcial provimento. (TJSP; AI 2187868-
05.2014.8.26.0000; Ac. 8269858; São Paulo; Décima Nona Câmara de
Direito Privado; Rel. Des. Ricardo Pessoa de Mello Belli; Julg. 23/02/2015;
DJESP 13/03/2015)

Diante disso, conclui-se que declarada nula a cláusula que estipula a


capitalização diária, resta vedada a capitalização em qualquer outra
modalidade.
(b) – JUROS REMUNERATÓRIOS ACIMA DA MÉDIA DO MERCADO

Não fosse bastante isso, Excelência, concluímos que a Ré cobrara do


Autor, ao longo de todo trato contratual, taxas remuneratórias bem acima
da média do mercado.

Tais argumentos podem ser facilmente constatados com uma simples


análise junto ao site do Banco Central do Brasil. Há de existir, nesse
tocante, uma redução à taxa de XX % a. M., posto que foi a média
aplicada no mercado no período da contratação. Não sendo esse o
entendimento, aguarda-se sejam apurados tais valores em sede de prova
pericial, o que de logo requer.

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E


APREENSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS
LIMITADOS À TAXA MÉDIA DE MERCADO. 1. – Mantém-se a limitação dos
juros remuneratórios à taxa média de mercado quando comprovada, no
caso concreto, a significativa discrepância entre a taxa pactuada e a taxa
de mercado para operações da espécie. 2. – agravo regimental improvido.
(STJ – AgRg-Resp 1.423.475; Proc. 2013/0401171-1; SC; Terceira Turma;
Rel. Min. Sidnei Beneti; DJE 13/03/2014)

AGRAVO REGIMENTAL EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL C/C


CONSIGNATÓRIA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS.
TAXA MÉDIA DE MERCADO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. AUSÊNCIA DE
FATO NOVO. 1. Tendo em vista a natureza bancária do contrato realizado
entre as partes, são plenamente cabíveis as regras do Código de Defesa
do Consumidor, conforme evidenciado por seu art. 3º, § 2º, e inciso V, do
art. 6º, bem como pela Súmula nº 297 do STJ; 2. É pacífico o
entendimento do Superior Tribunal de justiça no sentido de que os juros
remuneratórios devem ser fixados na taxa média do mercado, inclusive
nos contratos de cartão de crédito, quando não for possível aferir a taxa
acordada, pela falta de pactuação expressa; 3. Ao interpor agravo
regimental devem as partes agravantes sustentarem as razões de sua
insurgência em elementos novos que justifiquem o pedido de
reconsideração, e não reiterar os fundamentos formulados na petição do
recurso originário, os quais já foram devidamente apreciados. Agravo
regimental conhecido e desprovido. Decisão mantida. (TJGO – AC
0420538-11.2007.8.09.0051; Goiânia; Quinta Câmara Cível; Rel. Des.
Itamar de Lima; DJGO 13/03/2014; Pág. 275)

( c ) – DA AUSÊNCIA DE MORA

De outro bordo, não há que se falar em mora do Autor.

A mora reflete uma inexecução de obrigação diferenciada, maiormente


quando representa o injusto retardamento ou o descumprimento culposo
da obrigação. Assim, na espécie incide a regra estabelecida no artigo 394
do Código Civil, com a complementação disposta no artigo 396 desse
mesmo Diploma Legal.

CÓDIGO CIVIL
Art. Art. 394 – Considera-se em mora o devedor que não efetuar o
pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma
que a lei ou a convenção estabelecer.

Art. 396 – Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não


incorre este em mora

Do mesmo teor a posição do Superior Tribunal de Justiça:

BANCÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REVISÃO


CONTRATUAL. DISPOSIÇÕES DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. JUROS
REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO. TAXA MÉDIA DE MERCADO.
CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA.
DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
POSSIBILIDADE. CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. INSCRIÇÃO.
REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS.
INADMISSIBILIDADE. 1. É vedado aos juízes de primeiro e segundo graus
de jurisdição julgar, com fundamento no art. 51 do CDC, sem pedido
expresso, a abusividade de cláusulas nos contratos bancários. 2. A
estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só,
não indica abusividade. 3. Os juros remuneratórios incidem à taxa média
de mercado em operações da espécie, apurados pelo Banco Central do
Brasil, quando verificada pelo tribunal de origem a abusividade do
percentual contratado ou a ausência de contratação expressa. 4. Admite-
se a capitalização mensal dos juros nos contratos bancários celebrados a
partir da publicação da MP 1.963-17 (31.3.00), desde que seja pactuada.
5. É admitida a incidência da comissão de permanência desde que
pactuada e não cumulada com juros remuneratórios, juros moratórios,
correção monetária e/ou multa contratual. 6. Reconhecida a abusividade
dos encargos exigidos no período de normalidade contratual,
descarateriza-se a mora. 7. A repetição simples e/ou compensação dos
valores pagos a maior, nos contratos bancários, independe da prova de
que o devedor tenha realizado o pagamento por erro. 8. A abstenção da
inscrição/manutenção em cadastro de inadimplentes, requerida em
antecipação de tutela e/ou medida cautelar, somente será deferida se,
cumulativamente: a) a ação for fundada em questionamento integral ou
parcial do débito; b) houver demonstração de que a cobrança indevida se
funda na aparência do bom direito e em jurisprudência consolidada do STF
ou STJ; c) houver depósito da parcela incontroversa ou for prestada a
caução fixada conforme o prudente arbítrio do juiz. 9. O reexame de fatos
e a interpretação de cláusulas contratuais em Recurso Especial são
inadmissíveis. 10. Recurso Especial parcialmente conhecido e provido. (STJ
– Resp 1.430.348; Proc. 2014/0008686-5; RS; Relª Minª Nancy Andrighi;
DJE 14/02/2014)

Nesse sentido é a doutrina de Washington de Barros Monteiro:


“ A mora do primeiro apresenta, assim, um lado objetivo e um lado
subjetivo. O lado objetivo decorre da não realização do pagamento no
tempo, lugar e forma convencionados; o lado subjetivo descansa na culpa
do devedor. Este é o elemento essencial ou conceitual da mora solvendi.
Inexistindo fato ou omissão imputável ao devedor, não incide este em
mora. Assim se expressa o art. 396 do Código Civil de 2002. “ (MONTEIRO,
Washington de Barros. Curso de Direito Civil. 35ª Ed. São Paulo: Saraiva,
2010, vol. 4. Pág. 368)

Como bem advertem Cristiano Chaves de Farias e Nélson Rosenvald:

“Reconhecido o abuso do direito na cobrança do crédito, resta


completamente descaracterizada a mora solvendi. Muito pelo contrário, a
mora será do credor, pois a cobrança de valores indevidos gera no
devedor razoável perplexidade, pois não sabe se postula a purga da mora
ou se contesta a ação. “ (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD,
Nelson. Direito das Obrigações. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.
Pág. 471)

Na mesma linha de raciocínio, Silvio Rodrigues averba:

“Da conjunção dos arts. 394 e 396 do Código Civil se deduz que sem
culpa do devedor não há mora. Se houve atraso, mas o mesmo não
resultar de dolo, negligência ou imprudência do devedor, não se pode
falar em mora. “ ( In, Direito civil: parte geral das obrigações. 32ª Ed. São
Paulo: Saraiva, 2002. P. 245).

Por fim, colhe-se lição de Cláudia Lima Marques:

“Superadas as dúvidas interpretativas iniciais, a doutrina majoritária


conclui que a nulidade dos arts. 51 e 53 é uma nulidade cominada de
absoluta (art. 145, V, do CC/1916 e art. 166, VI e VII, do CC/2002, como
indica o art. 1º do CDC e reforça o art. 7º, caput, deste Código.
(... )

Quanto à eventual abusividade de cláusulas de remuneração e das


cláusulas acessórias de remuneração, quatro categorias ou tipos de
problemas foram identificados pela jurisprudência brasileira nestes anos
de vigência do CDC: 1) as cláusulas de remuneração variável conforme a
vontade do fornecedor, seja através da indicação de vários índices ou
indexadores econômicos, seja através da imposição de ‘regimes especiais’
não previamente informados; 2) as cláusulas que permitem o somatório
ou a repetição de remunerações, de juros sobre juros, de duplo
pagamento pelo mesmo ato, cláusulas que estabelecem um verdadeiro
bis in idem remuneratório; 3) cláusulas de imposição de índices unilaterais
para o reajuste ou de correção monetária desequilibradora do sinalagma
inicial; cláusulas de juros irrazoáveis. “(MARQUES, Cláudio Lima. Contratos
no Código de Defesa do Consumidor. 6ª Ed. São Paulo: RT, 2011. Págs.
942-1139)

Em face dessas considerações, conclui-se que a mora cristaliza o


retardamento por um fato, quando imputável ao devedor. É dizer, quando
o credor exige o pagamento do débito, agregado com encargos
excessivos, retira-se do devedor a possibilidade de arcar com a obrigação
assumida. Por conseguinte, não pode lhes ser imputados os efeitos da
mora.

Entende-se, uma vez constatado a cobrança de encargos abusivos


durante o “período da normalidade” contratual, restará afastada eventual
condição de mora do Promovente.

O Superior Tribunal de Justiça, ao concluir o julgamento de recurso


repetitivo sobre revisão de contrato bancário (Resp nº. 1.061.530/RS),
quanto ao tema de “configuração da mora” destacou que:
“ORIENTAÇÃO 2 – CONFIGURAÇÃO DA MORA

a) O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da


normalidade contratual(juros remuneratórios e capitalização)
descaracteriza a mora;

b) Não descaracteriza a mora o ajuizamento isolado de ação revisional,


nem mesmo quando o reconhecimento de abusividade incidir sobre os
encargos inerentes ao período de inadimplência contratual. “

( os destaques são nossos )

E do preciso acórdão em liça ainda podemos destacar que:

“Os encargos abusivos que possuem potencial para descaracterizar a


mora são, portanto, aqueles relativos ao chamado ‘período da
normalidade’, ou seja, aqueles encargos que naturalmente incidem antes
mesmo de configurada a mora. “ ( destacamos )

Por todo o exposto, de rigor o afastamento dos encargos moratórios, ou


seja, comissão de permanência, multa contratual e juros moratórios.

( d ) – DA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA E OUTROS ENCARGOS

Entende o Autor, inclusive fartamente alicerçado nos fundamentos antes


citados, que o mesmo não se encontra em mora.

Caso este juízo entenda pela impertinência desses argumentos, o que se


diz apenas por argumentar, devemos também destacar que é abusiva a
cobrança da comissão de permanência cumulada com outros encargos
moratórios/remuneratórios, ainda que expressamente pactuada. É pacífico
o entendimento do Colendo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que
em caso de previsão contratual para a cobrança de comissão de
permanência, cumulada com correção monetária, juros remuneratórios,
juros de mora e multa contratual, impõe-se a exclusão da incidência
desses últimos encargos. Em verdade, a comissão de permanência já
possui a dupla finalidade de corrigir monetariamente o valor do débito e
de remunerar o banco pelo período de mora contratual.

Perceba que no pacto há estipulação contratual pela cobrança de


comissão de permanência com outros encargos moratórios. Desse modo,
os mesmos devem ser afastados pela via judicial.

CIVIL E BANCÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL.


AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. REEXAME DE FATOS E
PROVAS. INADMISSIBILIDADE. DANOS MORAIS. VALOR IRRISÓRIO. NÃO
CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Admite-se a
capitalização mensal dos juros nos contratos bancários celebrados a partir
da publicação da MP 1.963-17 (31.3.00), desde que seja pactuada. 2. É
admitida a incidência da comissão de permanência desde que pactuada e
não cumulada com juros remuneratórios, juros moratórios, correção
monetária e/ou multa contratual. 3. Afastada a abusividade dos encargos
exigidos no período de normalidade contratual, caracteriza-se a mora. 4.
Reconhecida a mora, a posse do bem dado em garantia deve ser atribuída
ao credor. 5. O reexame de fatos e provas em Recurso Especial é
inadmissível. 6. A alteração do valor fixado a título de compensação por
danos morais somente é possível, em Recurso Especial, nas hipóteses em
que a quantia estipulada pelo tribunal de origem revela-se irrisória ou
exagerada. 7. Agravo conhecido. Recurso Especial parcialmente provido.
(STJ – Ag-Resp 437.833; Proc. 2013/0389376-0; GO; Terceira Turma; Relª
Min. Nancy Andrighi; DJE 13/03/2014)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. DECISÃO EM RECURSO


ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO COM
GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA.
IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM DEMAIS ENCARGOS. FALTA DE
INTERESSE PROCESSUAL. COMPENSAÇÃO/REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
ENUNCIADOS NºS 30 E 322 DA SÚMULA DO STJ. 1. Segundo o
entendimento pacificado na 2ª seção (agrg no RESP n. 706.368/rs, Rel.
Ministra nancy andrighi, unânime, DJU de 8.8.2005), a comissão de
permanência não pode ser cumulada com quaisquer outros encargos
remuneratórios ou moratórios, nem com correção monetária, o que retira
o interesse na reforma da decisão agravada. 2. A jurisprudência
consolidada por intermédio do Enunciado nº 322 da Súmula do STJ admite
a compensação/repetição simples quando verificada a cobrança de
encargos ilegais, tendo em vista o princípio que veda o enriquecimento
sem causa do credor, independentemente da comprovação do equívoco
no pagamento. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ –
AgRg-Resp 1.411.822; Proc. 2013/0350266-7; RS; Quarta Turma; Relª Minª
Isabel Gallotti; DJE 28/02/2014)

( e ) – DO PLEITO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Ficou destacado claramente nesta peça processual, em tópico próprio,


que a Ré cobrou juros capitalizados indevidamente, encargo esse, pois,
arrecadado do Promovente durante o “período de normalidade”
contratual. E isso, segundo que fora debatido também no referido tópico,
ajoujado às orientações advindas do c. Superior Tribunal de Justiça, afasta
a mora do devedor.

Nesse ponto, deve ser excluído o nome do Autor dos órgãos de restrições,
independentemente do depósito de qualquer valor, pois não se encontra
em mora contratual.

De outro norte, o Código de Processo Civil autoriza o Juiz conceder a tutela


de urgência quando “probabilidade do direito” e o “perigo de dano ou o
risco ao resultado útil do processo”:
Art. Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano
ou o risco ao resultado útil do processo.

Há nos autos “prova inequívoca” da ilicitude cometida pela Ré, fartamente


comprovada por documentos imersos nesta querela, maiormente pela
perícia particular apresentada com a presente peça vestibular. (doc. 02)

Desse modo, à guisa de sumariedade de cognição, os elementos


indicativos de ilegalidades contido na prova ora imersa e até mesmo da
análise das cláusulas contratuais antes mencionadas, traz à tona
circunstâncias de que o direito muito provavelmente existe.

Acerca do tema do tema em espécie, é do magistério de José Miguel


Garcia Medina as seguintes linhas:

“... Sob outro ponto de vista, contudo, essa probabilidade é vista como
requisito, no sentido de que a parte deve demonstrar, no mínimo, que o
direito afirmado é provável (e mais se exigirá, no sentido de se
demonstrar que tal direito muito provavelmente existe, quanto menor for
o grau de periculum. “ (MEDINA, José Miguel Garcia. Novo código de
processo civil comentado … – São Paulo: RT, 2015, p. 472)

(itálicos do texto original)

Com esse mesmo enfoque, sustenta Nélson Nery Júnior, delimitando


comparações acerca da “probabilidade de direito” e o “fumus boni iuris”,
esse professa, in verbis:

“4. Requisitos para a concessão da tutela de urgência: fumus boni iuris:


Também é preciso que a parte comprove a existência da plausibilidade do
direito por ela afirmado (fumus boni iuris). Assim, a tutela de urgência visa
assegurar a eficácia do processo de conhecimento ou do processo de
execução…” (NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao código de processo
civil. – São Paulo: RT, 2015, p. 857-858)

(destaques do autor)

Diante dessas circunstâncias jurídicas, faz-se necessária a concessão da


tutela de urgência antecipatória, o que também sustentamos à luz dos
ensinamentos de Tereza Arruda Alvim Wambier:

“O juízo de plausibilidade ou de probabilidade – que envolvem dose


significativa de subjetividade – ficam, ao nosso ver, num segundo plano,
dependendo do periculum evidenciado. Mesmo em situações que o
magistrado não vislumbre uma maior probabilidade do direito invocado,
dependendo do bem em jogo e da urgência demonstrada (princípio da
proporcionalidade), deverá ser deferida a tutela de urgência, mesmo que
satisfativa. “ (Wambier, Teresa Arruda Alvim … [et tal]. – São Paulo: RT,
2015, p. 499)

No tocante ao periculum na demora da providência judicial, urge


demonstrar que o veículo, concedido como garantia do empréstimo em
espécie, é o único que a empresa se utilizada para fazer suas entregas.
(doc. 19) Não qualquer outro em nome da mesma, consoante certidão do
Detran. (doc. 20)

Com efeito, a retomada do bem seguramente trará maiores danos


patrimoniais, nada beneficiando ambas as partes, uma vez que o mesmo
não é capaz de cobrir todo o montante do débito discutido.

Diante disso, o Autor vem pleitear, sem a oitiva prévia da parte contrária
(CPC/2015, art. 300, § 2º), independente de caução (CPC/2015, art. 300, §
1º), tutela de urgência antecipatória no sentido de:
a) determinar que a Ré exclua, no prazo de cinco (5) dias, o nome do
Promovente dos órgãos de restrições, referente ao pacto ora debatido;

b) pleiteia, mais, seja concedida medida judicial no sentido da


manutenção do veículo, ofertado em garantia, na posse da Autora, até
ulterior deliberação deste juízo.

III – PEDIDOS E REQUERIMENTOS

POSTO ISSO,

como últimos requerimentos desta Ação Revisional, o Autor expressa o


desejo que Vossa Excelência se digne de tomar as seguintes providências:

3.1. Requerimentos

( i ) O Autor opta pela realização de audiência conciliatória (CPC/2015, art.


319, inc. VII), razão qual requer a citação da Promovida, por carta
(CPC/2015, art. 247, caput) para comparecer à audiência designada para
essa finalidade (CPC/2015, art. 334, caput c/c § 5º);

( ii ) requer a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita.

3.2. Pedidos

( i ) pede, mais, que sejam JULGADOS PROCEDENTES OS PEDIDOS


FORMULADOS PELO AUTOR, para, via de consequência:

( a ) excluir do encargo mensal e/ou diários os juros capitalizados;

( b ) reduzir os juros remuneratórios à taxa média do mercado, apurado no


período do pagamento das parcelas;
( c ) sejam afastados todo e qualquer encargo contratual moratório, visto
que o Autor não se encontra em mora, ou, como pedido sucessivo, a
exclusão do débito de juros moratórios, juros remuneratórios, correção
monetária e multa contratual, em face da ausência de inadimplência,
possibilitando, somente, a cobrança de comissão de permanência,
limitada à taxa contratual;

( d ) que a Ré seja condenada, por definitivo, a não inserir o nome do


Autor junto aos órgãos de restrições, bem como a não promover
informações à Central de Risco do BACEN e seja o mesmo manutenido na
posse do veículo em destaque nesta querela, sob pena de pagamento de
multa;

( e ) pede, caso seja encontrado valores cobrados a maior durante a


relação contratual, sejam os mesmos devolvidos ao Promovente em dobro
(repetição de indébito), ou sucessivamente, sejam compensados os
valores encontrados (devolução dobrada) com eventual valor ainda existe
como saldo devedor;

( ii ) protesta provar o alegado por toda espécie de prova admitida (CF,


art. 5º, inciso LV), nomeadamente pelo depoimento do representante legal
da Ré (CPC/2015, art. 75, inciso VIII), oitiva de testemunhas a serem
arroladas opportuno tempore, juntada posterior de documentos como
contraprova, perícia contábil (com ônus invertido), exibição de
documentos, tudo de logo requerido;

( iii ) seja a Ré condenada a pagar o todos os ônus pertinentes à


sucumbência, nomeadamente honorários advocatícios, esses de já
pleiteados no patamar máximo de 20%(vinte por cento) sobre o proveito
econômico obtido pelo Autor ou, não sendo possível mensurá-los, sobre o
valor atualizado da causa (CPC/2015, art. 85, § 2º).
Atribui-se à causa o valor do contrato (CPC/2015, art. 292, inc. II),
resultando na quantia de R$ xxxx).

Nestes termos,

Pede deferimento.

[Local] [data]

__________________________________

[Nome Advogado] - [OAB] [UF].