Você está na página 1de 76

PSICOLOGIA GERAL

Psicologia Geral ii

ÍNDICE
INTRODUÇÃO.................................................................................................... 4
TEMA 1: A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA ................................................... 7
Ciência e Senso Comum ................................................................................... 7
A CIÊNCIA ...................................................................................................... 9
Características da Ciência ................................................................................. 9
Conceito de Psicologia.................................................................................... 10
Importância da Psicologia ............................................................................... 11
Objecto de Estudo da Psicologia .................................................................... 12
Estrutura e Tarefas da Psicologia.................................................................... 13
Métodos da Psicologia .................................................................................... 14
Relação da Psicologia com outras Ciências.................................................... 17
Evolução da Ciência Psicológica .................................................................... 18
1. Os Grandes Períodos de Evolução da Psicologia ................................. 18
2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século XVIII .............. 19
Os primórdios da Psicologia Científica .......................................................... 19
A Psicologia entre os Gregos ...................................................................... 19
A Psicologia no Império Romano ............................................................... 21
A Psicologia no Renascimento .................................................................... 22
A PSICOLOGIA CIENTÍFICA...................................................................... 25
As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia .......................................... 26
O Funcionalismo (Escola funcionalista) ..................................................... 26
O Estruturalismo (Escola estruturalista) ..................................................... 26
O Associacionismo ...................................................................................... 26
As Principais Teorias da Psicologia do Século XX ........................................ 27
O Behaviorismo ou Comportamentalismo .................................................. 27
Análise experimental do comportamento .................................................... 28
A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt .............................................. 29
A Psicanálise/Freud ..................................................................................... 30
A Psicanálise e os Mecanismos de Defesa da Personalidade ..................... 31
TEMA 2: O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA
HUMANA .......................................................................................................... 33
O Homem como Unidade bio-psico-social..................................................... 33
A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal) ...................... 34
Fundamentos Biológicos da Conduta ............................................................. 35
O Papel da Hereditariedade e do Meio na Conduta........................................ 35
Hereditariedade e Meio: o Princípio fundamental da Psicologia ................... 36
Psicofisiologia do Sistema Nervoso ............................................................... 37
Sistema Nervoso Central (SNC).................................................................. 37
Desenvolvimento Filogenético do Psíquico ................................................... 39
O Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana .............. 40
Teorias de Desenvolvimento do Psíquico....................................................... 41
Psicologia Geral iii

TEMA 3: A PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO


DESENVOLVIMENTO .................................................................................... 42
A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de PIAGET ................................... 45
A Teoria do Desenvolvimento Psicossexual segundo FREUD ...................... 48
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial segundo ERIKSON .................. 50
A Teoria do Desenvolvimento Moral segundo KOHLBERG ........................ 53
TEMA 4: INTRODUCAO AO ESTUDO DA PERSONALIDADE ................ 55
Génese e Formação da Personalidade............................................................. 55
Conceito de Personalidade .............................................................................. 56
Estrutura da Personalidade.............................................................................. 56
Teorias da Personalidade ................................................................................ 56
TEMA 5: PROCESSOS PSÍQUICOS/COGNITIVOS INTRODUCAO AO ... 68
Sensação ...................................................................................................... 68
Percepção ..................................................................................................... 68
Memória ...................................................................................................... 69
Pensamento .................................................................................................. 70
O Pensamento e Linguagem ........................................................................ 70
Imaginação .................................................................................................. 70
TEMA 6: ESFERA EMOCIONAL, SENTIMENTAL E VOLITIVA DA
PERSONALIDADE ........................................................................................... 71
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 75
INTRODUÇÃO
Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indirectamente, a
uma Academia de Ciências, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o
local próprio da busca incessante do saber científico1. Este trabalho não tem a
pretensão de abranger todas as questões envolvidas em Psicologia. Trata-se, tão-
somente, de uma contribuição para consulta por parte dos estudantes dos cursos
de Bacharelato em Regime Semi-presencial, a decorrer na UP-Nampula, através
das Extensões Universitárias distritais. Pode também servir de instrumento de
consulta a outros interessados em saber um pouco mais sobre Psicologia, esta
ciência que se ocupa do estudo do Comportamento humano. Os
aprofundamentos teóricos ou práticos poderão ser buscados nos materiais
sugeridos na bibliografia no final deste trabalho, assim como em outros
recursos.
Nossa intenção é apenas facilitar a busca dos estudantes no que diz respeito aos
trabalhos de pesquisa académica. A estrutura deste trabalho, por si só, serve de
modelo para um trabalho realizado em sala de aula. Além disso, procuramos
apresentar e explicar as regras para cada parte de um trabalho científico.
Dada a complexidade dos temas e fenómenos psicológicos, os temas
apresentados neste módulo são abordados de uma maneira sintética visando
facilitar a leitura e interpretação dos mesmos.
O módulo foi elaborado respeitando ao programa curricular de Psicologia, da
UP, orientando-se para o alcance dos seguintes objectivos:
• Conhecer a diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia
Científica: objecto, métodos, ramos da psicologia, assim como áreas de
aplicação dos conhecimentos psicológicos;
• Conhecer a evolução do pensamento psicológico (as três grandes fases da
evolução da Psicologia)
• Relacionar a psicologia com outras áreas de conhecimento.
• Saber os fundamentos biológicos, sociais, genéticos do comportamento;
surgimento da consciência, teorias do psiquismo;
• Definir o conceito de desenvolvimento, seus factores; desenvolvimento
psicossexual; psicossocial; cognitivo e moral;
• Compreender as teorias da personalidade e suas propriedades individuais
• Conhecer os processos psíquico-cognitivos;
• Dominar conhecimentos referentes à esfera emocional, sentimental da
personalidade.
• Caracterizar o grupo, o colectivo e as relações sociais e interpessoais
dentro do grupo social.

1
J.L. de Paiva Bello. Metodologia científica. 2004
Psicologia Geral 5

Segundo afirmamos, o módulo está organizado de forma que facilite a consulta,


obedecendo a lógica de agrupamento temático das matérias. O texto apresenta a
seguinte estruturação dos conteúdos programáticos:
Tema 1: A Psicologia como Ciência
 Psicologia do senso comum e Psicologia Científica
 O objecto e importância da Psicologia
 Estrutura e tarefas da psicologia e métodos da Psicologia
 Resenha histórica sobre a origem e desenvolvimento da Psicologia
 Algumas teorias da Psicologia
Tema 2: Desenvolvimento do Psíquico e da Consciência Humana
 O Homem como unidade bio-psico-social;
 Fundamentos biológicos da conduta;
 Psico-fisiologia do sistema nervoso;
 O papel da hereditariedade e do meio na conduta;
 Desenvolvimento filogenético do psíquico e suas teorias;
 Surgimento da consciência no processo da actividade humana
Tema 3: Psicologia Evolutiva/Desenvolvimento
 Conceito de Desenvolvimento;
 Factores do desenvolvimento e de crescimento;
 Desenvolvimento e a socialização;
 Desenvolvimentos (cognitivo, psicossocial, psicossexual moral)
 Teorias do desenvolvimento humano
Tema 4: Psicologia da Personalidade
 Conceitos da personalidade e sua estrutura;
 Génese e evolução da Personalidade
 Factores gerais que influenciam a Personalidade;
 Teorias da Personalidade;
Tema 5: Processos Psíquicos/Cognitivos
 Conceito de sensação, percepção, memória, pensamento, imaginação;
 Leis, características, propriedades ou particularidades dos processos
psíquicos;
 Teorias dos processos psíquicos;
 Perturbações dos processos psíquicos;
 Pensamentos e linguagem, suas relações, aquisição e desenvolvimento
Tema 6: Esfera Emocional, Sentimental e Volitiva da
Personalidade
 Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade
 Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade
Psicologia Geral 6

 Características das Emoções, dos Sentimentos e da Vontade


 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais
Psicologia Geral 7

TEMA 1:
A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

Ciência e Senso Comum


Antes de iniciarmos o estudo da Psicologia (nosso propósito neste trabalho),
mostra-se importante apresentarmos de forma breve uma visão básica sobre
ciência, para que possamos compreender a Psicologia como ramo científico.
Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou
fenómeno qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências
que acumulamos em nossa vida quotidiana, através de experiências, dos
relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e artigos diversos.
Entre todos os animais, nós, os seres humanos, somos os únicos capazes de criar
e transformar o conhecimento; somos os únicos capazes de aplicar o que
aprendemos, por diversos meios, numa situação de mudança do conhecimento;
somos os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem, e
com ele registar nossas próprias experiências e passar para outros seres
humanos. Essa característica é o que nos permite dizer que somos diferentes dos
gatos, dos cães, dos macacos, dos leões, e outros animais considerados
irracionais; precisamente porque não têm a capacidade pensante, que caracteriza
o homem.
Ao criarmos este sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana,
permitimo-nos também ao pensar e, por consequência, a ordenação e a previsão
dos fenómenos que nos cerca.
Existem diferentes tipos de conhecimentos:
O senso comum: conhecimento da realidade
Existe um modo de vida que pode ser entendido como a vida por excelência: é a
vida do quotidiano. É no quotidiano que tudo fluí, que as coisas acontecem, que
nos sentimos vivos, que sentimos a realidade.
Quando fazemos ciência baseamo-nos na realidade quotidiana e pensamos sobre
ela. O conhecimento do quotidiano (senso comum) e o conhecimento científico
aproximam-se e afastam-se contemporaneamente. Aproximam-se enquanto a
ciência se refere à realidade e afastam-se enquanto a ciência abstrai a realidade
para compreender melhor, isto é, transforma a realidade em objecto de
investigação permitindo a construção do conhecimento científico sobre o real.
Sem o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativa e erros, a nossa vida
quotidiana não teria o devido sentido, de vida.
A esta experiência acumulada no quotidiano chamamos de senso comum, ou
seja, é o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros que facilitam
a nossa vida no dia-a-dia. (imaginemos ter que pensar sempre que atirando algo
Psicologia Geral 8

da janela cai; que o carro em velocidade se aproxima, etc.). Esta experiência


torna-se hábito e passa de geração em geração e assim o senso comum vai
construindo suas «teorias» médicas, físicas, psicológicas (poder de persuasão
de um vendedor, um amigo que escuta bem, etc.).
O conhecimento intuitivo não é suficiente para as exigências do
desenvolvimento humano;
Os gregos, por volta do século 4 a.C. já dominavam complicados cálculos
matemáticos, ainda hoje difíceis, mas eles precisavam entender para resolver
problemas arquitectónicos, navais, agrícolas, etc. Com o tempo tais
conhecimentos especializaram-se, até atingirem um nível de satisfação que
permitiu ao Homem de atingir a lua. A este tipo de conhecimento, que
definiremos com mais cuidado logo adiante, chamamos de Ciência. Deste modo
foram-se constituindo várias áreas de conhecimento, entre as quais podemos
citar:
 Filosofia – Forma mais geral de perceber e compreender a natureza. A
especulação em torno deste tema forneceu um corpo de conhecimentos
denominados de filosofia. A Filosofia é fruto do raciocínio e da reflexão
humana. É o conhecimento especulativo sobre fenómenos, gerando
conceitos subjectivos. Busca dar sentido aos fenómenos gerais do
universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Leis mais gerais
sobre os componentes do conhecimento, por exemplo os gregos se
preocuparam com a origem e o significado da existência humana
 Religião – Formulação de um conjunto de conhecimentos sobre a origem
do Homem, seus mistérios, princípios morais. A fonte destas tradições e
crenças é a Bíblia (registo do conhecimento religioso judaico-cristão),
base da conduta para muitos, diferente da história. É um conhecimento
revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser
confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de cada
indivíduo.
 Ciência (Conhecimento Científico) – procura conhecer, além dos
fenómenos, suas causas e leis. É o conhecimento racional, sistemático,
exacto e verificável da realidade. Sua origem está nos procedimentos de
verificação baseados na metodologia científica.
 Arte – traduz a emoção, o belo e a sensibilidade, na pré-história
encontramos desenhos do corpo humano nas paredes das cavernas que
exprimiam tal sensibilidade e emoção.
 Ética (moral) – valores morais, normas de conduta.

Ciência, Arte, Ética, Religião, Filosofia, e Senso Comum são domínios do


conhecimento humano. Nosso objectivo é definir a Psicologia como ciência.
Psicologia Geral 9

Para tal constitui imperativo analisar o que é ciência?”, para que possamos
compreender a psicologia como ciência.

A CIÊNCIA
Como as explicações magicas, baseadas no senso comum, não bastavam para
compreender os fenómenos, os seres humanos evoluíram para a busca de
respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma,
nasceu a ciência, metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica.
O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta
característica permite que os seres humanos sejam capazes de reflectir sobre o
significado de suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas
descobertas e de transmiti-las a seus descendentes.
O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua
característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido
a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim
evolui a ciência.
Ciência: do latim «scire» que significa conhecimento, pode ser definida como o
conjunto de conhecimentos sobre factos ou aspectos da realidade (objecto de
estudo) expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses
conhecimentos devem ser obtidos de forma:

Características da Ciência
A Ciência é racional, sistemática, exacta e verificável da realidade. Sua origem
está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica.
Podemos então dizer que o Conhecimento Científico:
- É racional e objectivo.
- Atém-se aos fatos.
- Transcende aos fatos.
- É analítico.
- Requer exactidão e clareza.
- É comunicável.
- É verificável.
- Depende de investigação metódica.
- Busca e aplica leis.
- É explicativo.
- Pode fazer predições.
- É aberto.
- É útil (Galliano, 1979, apud Paiva Bello, 2004;s/p).
Psicologia Geral 10

A ciência é um processo; facto que um novo conhecimento é produzido sempre


a partir de algo anteriormente desenvolvido onde negam-se, reafirmam-se,
descobrem-se novos aspectos, e assim a ciência avança;
A Ciência deve verificar a objectividade; suas as conclusões devem ser
passíveis de verificação e isentas de emoções, para tornarem-se válidas para
todos.
A Ciência possui objecto específico, linguagem rigorosa/técnica; possui
métodos e técnicas específicas,
O processo cumulativo do conhecimento, a objectividade faz da ciência uma
forma de conhecimento que supera em muito o senso comum. Contudo, não
existe um divisor nítido entre o conhecimento empírico e científico, visto que a
pesquisa científica não se realiza no «vácuo intelectual», mas sempre está
mergulhada em um contexto – o conhecimento científico nasce, em ultima
instância, de problemas observados e acontecimentos encontrados na
experiência humana.
Objectivos/propósitos da Ciência
1. Oferecer uma explanação objectiva, factual e útil do universo. Neste
caso, ela procura uma explanação verificável dos fenómenos naturais e
sociais, diferentes, pois, da abordagem artística, religiosa, etc. (central)
2. Controlar – controle prático da natureza e vida social (ervas daninhas,
agricultura; inseminação artificial, clonagem, etc.
3. Descrever, compreender o mundo – curiosidade natural do Homem,
compreender o mundo, tornando-o inteligível é uma necessidade, é
possível compreender o mundo somente se conhecemos a relações e inter-
relações das variáveis dos fenómenos estudados – como controlar a
malária, por exemplo, se não forem descritas as suas características ou os
seus sintomas, se não for conhecida a causa e a evolução da doença?
4. Prever – a sistematização objectiva da ciência permite uma generalização
no espaço e no tempo e graças a este objectivo muitas vidas tem sido
salvas de terramotos, maremotos, vendavais, etc.

Conceito de Psicologia
Depois desta breve alusão geral à noção de Ciência, iniciemos agora o estudo da
Psicologia.
O termo Psicologia é de origem greco-latino, e etimologicamente pode traduzir-
se no seguinte: psiychè = alma; logia=logos=estudo ou ciência. Assim, a
palavra Psicologia significa estudo da alma ou ciência da alma, ciência que
estuda as ideias, sentimentos, e determinações cujo conjunto constitui o espírito
humano.
Psicologia Geral 11

Esta definição permaneceu até aos meados do séc. XIX devido ao seu
desenvolvimento `condicionado´ com a Filosofia.
Como uma ciência autónoma com um objecto de estudo e métodos próprios de
investigação, ela é definida como ciência que estuda o comportamento do
homem e dos outros animais.
A psicologia supõe-se a outras ciências sociais, especialmente a sociologia. Mas,
enquanto a sociologia concentra sua atenção nos grupos, processos grupais e
forças sociais os psicólogos sociais concentram-se nas influências que os grupos
e a sociedade exercem sobre os indivíduos. A ênfase da psicologia está no ser
humano a diferença dos fisiólogos (biologia) que se concentram no sistema
nervoso, cérebro, memória, atenção, movimento, fome, impacto das drogas, etc.
Actualmente a psicologia é definida como a ciência que se concentra no
comportamento e nos processos mentais – de todos os animais.
o Ciência: enquanto a ciência oferece procedimentos disciplinados e
racionais para a condução de investigações válidas e a construção de um
corpo de informações coerentes e coesas.
o Comportamento: abrange tudo o que pessoas e animais fazem: conduta,
emoção, formas de comunicação, processos de desenvolvimento.
Assim, o objecto de estudo da Psicologia é o comportamento dos seres vivos
especificamente homens e animais, isto é, a Psicologia estuda a resposta ou
conjunto de respostas observáveis de um individuo ou de um grupo, a uma
situação ou estímulo.
o Processos mentais – incluem formas de cognição ou formas de
conhecimento, de entre elas: perceber, participar, lembrar, raciocinar, ou
resolver problemas. Sonhar, fantasiar, desejar, ter esperança são também
processos mentais.

Importância da Psicologia
Por ser uma ciência multiperspectiva e se aplicar em todas as áreas da vida
humana, tais como no Ensino, na Saúde, na Família, no Comércio, no Desporto,
etc., a Psicologia possui uma vasta importância.
• No ensino permite ao professor conhecer as particularidades individuais
dos alunos para melhor planificar e administrar as aulas, identificar e
resolver os problemas de aprendizagem segundo o desenvolvimento dos
alunos e fazer uma avaliação do processo de ensino e aprendizagem.
• Na saúde permite ao profissional de saúde estabelecer uma melhor
comunicação com o paciente e vice-versa.
Psicologia Geral 12

• Para os governantes a Psicologia permite uma óptima comunicação com


as massas.
• Também permite ao Homem conhecer-se a si próprio e a natureza de
diferenciação dos outros Homens; ajuda o Homem a resolver os seus
problemas do dia-a-dia, conhecer a forma de agir de cada um, as
tendências compartimentais, as atitudes, as motivações dos outros
Homens.

Objecto de Estudo da Psicologia


O objecto ou assunto de estudo de uma determinada ciência é a realidade ou o
aspecto da realidade que ela se propõe a estudar, descrever ou explicar.
Para compreender o objecto de estudo da Psicologia é preciso compreender a
diversidade de objectos definidos por várias correntes psicológicas;

A diversidade dos objectos de estudo da psicologia


• Behaviorismo ou comportamentalismo: segundo estes teóricos o
objecto de estudo da Psicologia é o comportamento;
• Psicanálise: para esta escola o objecto de estudo da psicologia é o
inconsciente.
• Outros psicólogos: o objecto de estudo da psicologia é a consciência ou
ainda a personalidade humana.

Razões da dificuldade de definição do objecto


• Por ser uma área de conhecimento cientifico que se constituiu
recentemente (final do séc. XIX) não obstante a sua existência dentro do
da filosofia como preocupação humana;
• Outro motivo que dificulta a definição do objecto de estudo da Psicologia
é o facto do cientista – o pesquisador confundir-se com o objecto a ser
pesquisado – a concepção do Homem `contamina` inevitavelmente a sua
pesquisa;
• Em terceiro, dificuldades justificam-se pelo facto dos fenómenos
psicológicos serem tão diversos, que não podem ser acessíveis ao mesmo
nível de observação, não podem ser sujeitos aos memos padrões de
descrição, medida, controle e interpretação.
A Subjectividade como objecto de estudo da Psicologia
Considerando toda esta dificuldade na definição única do objecto da psicologia,
podemos considerar como objecto a subjectividade.
Psicologia Geral 13

A identidade da Psicologia é o que diferencia dos demais ramos das ciências


humanas, e pode ser obtida considerando que cada um desses ramos enfoca o
Homem de maneira particular (economia, política, história) trabalham essa
matéria-prima de maneira particular, construindo conhecimentos distintos e
específicos a respeito dela. A psicologia colabora com o estudo da
subjectividade: é essa a sua forma particular, específica de contribuição para a
compreensão da totalidade da vida humana.
A subjectividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai
construindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências
da vida social e cultural. É a síntese que nos identifica por ser única e nos iguala
à medida em que os conhecimentos que a constituem são experienciados no
campo comum da objectividade social. É o mundo de ideias, significados,
emoções, construído inteiramente pelo sujeito a partir das suas relações sociais,
suas vivências e sua constituição biológica. É a fonte das manifestações
afectivas. A subjectividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar,
e de fazer de cada um. É o nosso modo de ser.
Entretanto a subjectividade não é inata. Ela se constrói, apropriando-se do
material do mundo social e cultural.
A subjectividade em Psicologia é vista em dois níveis: subjectividade social e
individual. A subjectividade individual representa o espaço pessoal dos sentidos
que se atribui ao mundo real (valor, cultura, experiência, ideias) e a
subjectividade social é comparável com o sentido que a sociedade atribui ao
mundo real.

Estrutura e Tarefas da Psicologia


Psicologia industrial: estuda a estruturação do trabalho, a conduta dos
trabalhadores, a selecção dos trabalhadores, o incremento da produção e da
produtividade, a avaliação dos funcionários e as greves dos trabalhadores.
Psicologia pedagógica (escolar) ou de aprendizagem: estuda as leis
psicológicas de ensino e de educação do Homem. Estuda a formação do
raciocínio dos alunos, os problemas do governo do processo de assimilação dos
meios e dos hábitos da actividade intelectual, revela os factos psicológicos que
influenciam o processo de aprendizagem, as relações dentro da colectividade de
alunos, as diferenças psicológico individuais dos alunos, as particularidades
psicológicas da educação e do ensino das crianças com desenvolvimento
psiquismo anormal.
Em suma: estuda a problemática psicológica no quadro escolar. Tenta
compreender os problemas de adaptação, de relações e de aprendizagem.
Psicologia clínica: dedica-se a prevenção e terapia dos desajustamentos de
conduta qualquer que seja o seu grau de gravidade.
Psicologia Geral 14

Psicologia social: estuda a conduta humana na perspectiva de grupos de


colectividades. Investiga o processo de interacção entre membros do grupo e as
influências grupais sobre a dinâmica dos individuais.
Psicologia jurídica: analisa as questões psicológicas relacionadas com a
realização do sistema do direito
Psicologia militar: estuda a conduta do Homem no campo de combate, os
aspectos psicológicos das relações entre os chefes e os subalternos, os problemas
psicológicos de uso de materiais de guerra.
Psicologia experimental: estuda os princípios psicológicos básicos; (sensação,
percepção, atenção, motivação, memória, pensamento, pensamento e emoções)
em situação laboratorial visando a solução de problemas práticos de dia-a-dia da
humanidade.
Psicologia do desporto: analisa as particularidades psicológicas do indivíduo e
da actividade dos desportistas, as condições e os métodos da sua preparação
psicológica, os parâmetros psicológicos de preparação e da capacidade do
desportista e os factores psicológicos relacionados com a organização de
competições.

Métodos da Psicologia
O estudo da Psicologia como ciência pressupõe o uso de métodos, que possa
facilitar a análise do seu objecto de estudo, os fenómenos psíquicos (memória,
percepção, a sensação, o pensamento, assim como a imaginação) que numa só
linguagem são reduzidos em comportamentos.
Método: na perspectiva psicológica é o caminho ou via utilizado para esclarecer
as manifestações ou causas de um comportamento, de manifestações psíquicas.
Em psicologia, o conjunto dos métodos específicos engloba todos aqueles que
frequentemente são usados pelos psicólogos como:
a) Introspecção ou método introspectivo
Descrição cuidadosa dos fenómenos psíquicos que os estados da consciência
acusavam, mas feita pelo próprio indivíduo. Consiste na orientação da
consciência reflexiva para aquilo que se passa em nós, ou seja, concentração do
espírito sobre si mesmo para analisar os fenómenos que o indivíduo
experimenta.
É a observação e a descrição que o indivíduo faz dos seus estados psíquicos.
Supõe um desdobramento do sujeito que é ao mesmo tempo observador e
observado. O sujeito é o próprio objecto.
A introspecção pode ser pessoal ou laboratorial. A introspecção pessoal consiste
na auto-análise, isto é na observação interior e análise. Na introspecção
Psicologia Geral 15

laboratorial o experimentador (sujeito) estabelece as condições de experiência,


anota e interpreta os resultados.

b) Extrospecção ou método extrospectivo (de Expressão)


Consiste na observação, descrição e explicação dos comportamentos dos outros.
Portanto, as manifestações exteriores do sujeito, são devidamente anotadas por
um observador.

c) A observação (Método de observação)


A observação como método em psicologia consiste na percepção directa ou
indirecta, atenciosa, racional, planificada e sistemática, das manifestações do
comportamento nas suas condições naturais, com o objectivo de dar uma
explicação científica da sua natureza.

d) A experimentação (Método experimental)


Consiste na relação entre o objecto de investigação e a situação experimental
com o objectivo de descobrir a natureza dessa relação e as variáveis das quais
ela depende. Pressupõe a possibilidade de intromissão activa do pesquisador na
actividade da pessoa submetida a experiência.
Ë a actividade na qual o investigador provoca o fenómeno a estudar e controla
os possíveis factores e condições que podem incidir na sua produção e
desenvolvimento com o objectivo de conhecer a natureza interna do processo
psíquico e desta forma descobrir as leis objectivas que o explicam.
A experimentação como método em psicologia usa-se geralmente em estudo de
casos ao nível animal porque é difícil manipular o comportamento humano, por
razões morais, éticas até mesmo razões ligadas à saúde.

e) Método estatístico
Usa-se para fazer o estudo ao nível dos grupos maiores, isto é, para a
compreensão de fenómenos de massa.

f) Método de entrevista
É uma conversação entre investigador e o sujeito investigado através da qual o
investigador obtém informações sobre o psiquismo. Geralmente se utiliza para
enriquecer e aprofundar a informação obtida a partir da observação e
experimentação. Ela permite a obtenção directa dos dados. O investigador faz a
pergunta e o entrevistado apenas responde a pergunta.

g) Questionário
Consiste num conjunto de perguntas cujo conteúdo e extensão dependem dos
objectivos da investigação e se aplica como substituto da entrevista quando se
trabalha com amostras grandes.
Psicologia Geral 16

h) Método comparativo
Serve para fazer extrapolação de uma conclusão feita sobre o estudo de um
animal para relacionar ao Homem, permite a formação de um perfil
comportamental.

i) Método analítico ou psicanalítico


É um método interpretativo que busca o significado oculto, isto é, que
torna claro o significado daquilo que é manifestado por meio das palavras e
acções.

j) Testes psicológicos
Consistem num sistema de tarefas, perguntas, seleccionadas, que tem como
objectivo a avaliação e comparação de sujeitos quanto a qualidade da
personalidade, habilidades, nível de desenvolvimento intelectual, efectuando-se
esta comparação sobre a base de normas estabelecidas previamente.
Existem testes psicológicos para medir tanto aspectos cognitivos como aspectos
afectivos da personalidade.
Os testes psicológicos não consistem em obter dados novos que serão
necessários para o aprofundamento dos conhecimentos científicos, mas sim em
estabelecer as qualidades psicológicas da pessoa submetida à experiência para se
analisar se corresponde ou não as normas ou padrões revelados anteriormente
Este grupo de testes é utilizado para revelar a existência ou a ausência de certas
capacidades, aptidões, caracterizar com o máximo de precisão certas qualidades
do indivíduo para exercer certa profissão, etc. Podem ser: testes de inteligência,
de capacidades, de aptidões, de personalidade.

k) Métodos de estudo individual ou histórico do caso


Neste método são empregue muitos métodos e técnicas combinadas. Para se
estudar o comportamento de um indivíduo importa conhecer o maior número
possível de factos sobre o mesmo, a fim de que possam ser compreendidas as
principais forças e influências que orientam seu desenvolvimento.
O estudo do caso é frequentemente empregue pelo orientador educativo, visando
ajudar os alunos na solução de seus problemas.
Podemos citar também alguns métodos particularmente usados na Psicologia de
desenvolvimento, que é um ramo da Psicologia; através do qual se estuda o
desenvolvimento humano

l) Métodos longitudinais
É um processo de observação que se faz no sentido de duração. Os estudos
longitudinais têm fornecido informações excelentes e decisivas para a
Psicologia Geral 17

explicação e compreensão do desenvolvimento humano, quer relativamente ao


crescimento físico e desenvolvimento dos processos cognitivos, quer sobre a
evolução da personalidade e a aquisição da linguagem. Este método procura
seguir os sujeitos, em intervalos de tempo convenientemente escolhidos, para
determinar a curva ou lei de crescimento e desenvolvimento.
O Método longitudinal estuda, no tempo, em períodos mais ou menos
espaçados, o comportamento dos sujeitos ou amostragens de sujeitos.

m) Métodos de corte ou de selecção transversal


Trata-se de um tipo de observação que pode estudar um grande número de
sujeitos num espaço de tempo relativamente curto. Por exemplo, no mesmo
espaço de tempo, o investigador pode observar diferentes ou vários aspectos da
estrutura do sujeito em diferentes faixas etárias através de amostragens
significativas. Pode observar crianças dos 0 aos 2 anos, de 1 aos 3 anos, dos 2
aos 4 anos sob um determinado número de aspectos da sua personalidade e
estabelecer curvas de desenvolvimento através de processos estatísticos de cada
um desses aspectos e do seu conjunto como integrantes ou componentes de uma
mesma estrutura, a estrutura da personalidade.

n) Métodos mistos (perspectiva eclética)


Esta perspectiva de uso de métodos é baseada particularmente no recurso a
diversos e variados métodos de estudo. São aplicados simultaneamente um tipo
de método em conjugação com outros métodos. Os métodos são usados em
forma de complementaridade entre um e outros, permitindo o alcance de vários
resultados.

Relação da Psicologia com outras Ciências


A Filosofia, a Antropologia, a História, a Sociologia e a Biologia, estão entre as
ciências que contribuem para a compreensão do comportamento humano, em
particular. Vejamos a possível relação que se estabelece:
Filosofia: a correlação que existe entre o corpo e a alma na Filosofia vai
permitir de modo que a psicologia especule e forneça hipóteses empiricamente
testados. Neste sentido, pode-se afirmar que a Filosofia forneceu à psicologia os
primeiros quadros conceptuais.
Antropologia: interessa-se pelas formas culturais dos povos. Esses dados são
importantes porque dão ao psicólogo a consciência da relatividade cultural dos
valores, dos motivos, das aspirações dos indivíduos, o que obriga a ter presente a
influência da cultura no comportamento do indivíduo.
Psicologia Geral 18

História: permite-nos conhecer o desenvolvimento do Homem através dos


tempos e compreender a partir dessa evolução as características actuais das
vàrias realidades sociais que influenciam no comportamento do indivíduo.
Sociologia: estuda a sociedade, as instituições sociais, a estrutura dos grupos e o
seu funcionamento. Estuda, também, o comportamento humano na perspectiva
dos grupos.
Biologia: estuda o funcionamento e a estrutura do Sistema Nervoso, as
glândulas secretoras e o seu funcionamento. O sistema nervoso capta estímulos,
os organiza e emite respostas ou actos de conduta e, a secreção de hormonas
permite que Sistema Nervoso fique estimulado numa determinada direcção.
Um dos principais ramos da Biologia que se relaciona com a Psicologia é a
Genética. A Genética estuda os processos hereditários subjacentes ao
comportamento.
Esquematicamente:
FILOSOFIA
Estudo do Homem

BIOLOGIA
HISTÓRIA Estudo do S.N. e glândulas
Importância do factor
PSICOLOGIA
secretoras; Processos
tempo e espaço social Estudo do
hereditários no
comportamento comportamento

ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA
Influência da cultura no Influências sociais no
comportamento comportamento

Evolução da Ciência Psicológica

1. Os Grandes Períodos de Evolução da Psicologia


Pode-se considerar três grandes períodos/fases da evolução da psicologia.
Fase filosófica
É a fase relacionada com a Ética e a Filosofia. Compreendia o estudo da
natureza dos reflexos da mente e da alma. Era um saber especulativo, de carácter
racional. Os filósofos explicavam os fenómenos da natureza (formação de
cosmos e origem do próprio Homem) de forma mitológica. O saber psicológico
estava envolto à vasta área do conhecimento filosófico, portanto, classificado
como especulativo, por não poder provar suas conclusões.
Fase pré-científica (psicologia empírica)
Psicologia Geral 19

Dedicava-se ao estudo dos factos psíquicos que eram interpretados com base na
experiência do dia-a-dia, isto é, do quotidiano vivido. É nesta fase que se abre o
caminho para a cientificidade da psicologia. A interpretação e consequente
conhecimento dos fenómenos psíquicos era fundamentada, em parte pelo saber
filosófico, influenciado pela experiência quotidiana (social e reflexão
sistemática) dos cientistas.
Fase científica
Estuda os fenómenos e processos psíquicos, descreve-os, explica e estabelece as
relações causa-efeito. Nesta fase a psicologia torna-se ciência autónoma: define
o seu objecto de estudo, métodos e técnicas próprias, leis e princípios que regem
o estudo da psicologia, utiliza uma linguagem rigorosa e determina os seus
objectivos e finalidades.
Contribuiu de forma marcante para a cientificação da Psicologia a
institucionalização, pelo psicofisiologista alemão Wilhelm Wundt, em 1879, de
um laboratório de Psicologia, na cidade alemã de Leipzig. O laboratório
permitiu o desenvolvimento de métodos de estudo próprios, a reverificação do
objecto de estudo, e consequente afirmação de seu conceito como ciência que
estuda os fenómenos psíquicos, ou simplesmente, estudo do comportamento.

2. O Pensamento Psicológico Antes e Depois do Século XVIII


Os primórdios da Psicologia Científica
Por de trás de qualquer produção humana material ou espiritual (cadeira,
religião), existe sempre uma história
Cada um tem uma história pessoal, longa ou curta. A psicologia tem cerca de
dois mil anos de história.
Para compreender a psicologia é necessário compreender sua história, história
essa que está ligada a cada momento histórico, às exigências do conhecimento
da humanidade, as demais áreas de conhecimento humano e aos novos desafios
colocados pela realidade económica e social e pela insaciável necessidade do
Homem de compreender a si mesmo.

A Psicologia entre os Gregos


É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma
psicologia. De facto, os avanços permitem que os cidadãos se ocupem de coisas
do espírito, como a filosofia e a arte – homens como, Sócrates, Platão,
Hipócrates e Aristóteles dedicam-se a compreender esse espírito empreendedor
do conquistador grego, ou seja, a Filosofia começou a especular o Homem e a
sua interioridade. O próprio termo Psiché=alma e logos=logos (razão), portanto
etimologicamente Psicologia significa estudo da alma.
Psicologia Geral 20

Filósofos pré-socràticos – preocupam-se em definir a relação do Homem com o


mundo através da PERCEPÇAO = o mundo existe porque o Homem o vê ou o
Homem vê o mundo que já existe – oposição entre idealistas (a ideia forma o
mundo) e materialistas (a matéria que forma o mundo já dada para a percepção).

Sócrates (496-399 a.C.)


Com ele a Psicologia na antiguidade ganha consistência: segundo Sócrates o que
distingue o Homem do animal é a RAZÃO porque permite ao Homem de
sobrepor-se aos instintos, que seriam a base da irracionalidade – definindo a
razão como essência e peculiaridade do Homem, Sócrates abre um caminho que
será explorado pela Psicologia: fruto desta reflexão são por exemplo, as Teorias
da consciência que de certa forma são resultado desta sistematização na
Filosofia.

Platão (427-347 a.C.)


Discípulo de Sócrates, procura o «lugar» para a razão no nosso corpo (cabeça),
onde se encontra a ALMA do Homem. A medula será o elemento de ligação da
alma com o corpo – este elemento era necessário porque Platão concebia a alma
separa do corpo (dualismo). Quando alguém morria a matéria (corpo)
desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar outro corpo (reincarnação).

Hipócrates e a Teoria dos Humores (496-361 a.C.)


Uma análise mais acurada das diferenças individuais, estreitamente ligadas a
uma reflexão mais sistemática na relação mente-corpo, foi feita com Hipócrates
de Cosmes. Sendo médico, sua ciência era finalizada à medicina, mas, enquanto
filósofo, funda uma verdadeira e própria ciência do Homem onde confluía
observações sociológicas, psicológicas e fisiológicas. O contínuo esforço de
síntese e de sistematização de tais observações não tiveram precedentes na
história do pensamento humano e permanecerão em seguida apreciados por um
período de 20 séculos. Todavia, a medicina hipocrática passou na história como
aquela que se baseava na teoria dos quatro humores.
Hipócrates defende que existem 4 humores no corpo humano: o sangue, a
fleuma, a bílis amarela e a bílis preta. Segundo a prevalência de cada um destes
elementos sobre o outro a pessoa desenvolverá um certo temperamento que
poderá ser respectivamente: sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico e
também vários tipos de predisposições à doença. O Homem é «são» quando
estes humores estão «reciprocamente bem temperados por propriedade e
quantidade» e a mistura é completa. Contrariamente a isto o Homem é doente
quando existe excesso ou defeito destes elementos.
Mais importantes ainda são os seus estudos neurológicos. Numa das suas obras
afirma que o cérebro é o órgão mais potente do corpo e que os órgãos de sentido
actuam em base à sua capacidade de discernimento. Ainda nesta obra Hipócrates
Psicologia Geral 21

descreve os delírios e alucinações e afirma a dependência de anomalias das


faculdades intelectuais dos traumas cranianos.
Com estas afirmações, Hipócrates põe em relevo uma concepção que se está
afirmando no pensamento grego, isto é, que o Homem é parte da natureza e
pode ser estudado com os métodos da ciência natural. Esta concepção encontrou
a sua expressão mais forte em Aristóteles.

Aristóteles (384-322 a.C.)


Discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores da história da
filosofia – superou o dualismo da dissociação entre a alma e o corpo (inovação).
Para ele a psyché era o princípio activo da vida, isto é, tudo aquilo que cresce, se
reproduz e alimenta possui a sua psyché ou alma (vegetação, animais, Homem,
possuem alma:
 alma vegetativa – vegetais: função reprodutiva e alimentar
 alma sensitiva – animais: função de percepção e movimento
 vegetativa, sensitiva + racional – função pensante
Aristóteles estuda as diferenças entre a RAZÃO, PERCEPÇÃO E
SENSAÇÕES, estudo sistematizado no “Da Anima” o qual pode ser
considerado o primeiro tratado de Psicologia.
Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia Científica, os gregos já
haviam formulado duas “Teorias”: Platónica – que postulava a imortalidade da
alma e a concebia separada do corpo, e a Aristotélica – que afirmava a
mortalidade da alma e a sua relação de pertencimento ao corpo.

A Psicologia no Império Romano


O império romano nasce às véspera da era cristã, domina parte da Grécia,
Europa e do Oriente Médio
Característica deste período é o advento do cristianismo. Força religiosa que
passa à força política dominante que não obstante as invasões barbarias de 400
d.C., que levam à degradação territorial e económica, o cristianismo sobrevive e
até se fortalece, tornando-se a religião principal da Idade Média, período que
então se iniciara:
Falar da psicologia neste período é relacionada ao conhecimento religioso, o
qual dominando o poder económico e político monopolizava também o saber e,
consequentemente o estudo do psiquismo.

Santo Agostinho (354-430 d.C.)


Inspirado em Platão faz cisão entre corpo e alma, a diferença para ele é que a
alma, não é somente a sede da razão mas também a prova de uma manifestação
divina no Homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o Homem à
Psicologia Geral 22

Deus e sendo a alma também a sede do pensamento a Igreja passa a se preocupar


também com a sua compreensão. Santo Agostinho postula a famosa epístola:
”conhece-te, aceita-te, supera-te”.

São Tomás de Aquino (1225-1274)


Vive numa período que preanuncia a ruptura da Igreja católica, o advento do
protestantismo – época que prepara a transição para o capitalismo, com a
revolução francesa e a revolução industrial na Inglaterra. Perante esta crise
social e económica a Igreja devia encontrar novas justificações em relação ao
conhecimento como a relação com Deus e o Homem. São Tomas de Aquino foi
buscar em Aristóteles a distinção entre essência e existência – como Aristóteles,
ele considera que o Homem, na sua essência, busca a perfeição através da sua
existência mas introduzindo o ponto de vista religioso, ao contrario de
Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essência e a
existência, em termos de igualdade. Portanto, a busca da perfeição do Homem
seria a busca de Deus.
S. Tomás encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da Igreja e
continua garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.

A Psicologia no Renascimento
+ 1200 depois da morte de S. Tomás de Aquino, inicia uma época de
transformações radicais no mundo europeu: RENASCIMENTO ou
RENASCENCA – o mercantilismo, e a descoberta de novas terras (América,
Índia, Rota pacífica) propicia a acumulação das riquezas para a Franca, Itália,
Inglaterra, Franca, Espanha. Na transição para o capitalismo emerge nova forma
de organização social e económica, dá-se também um processo de valorização
do Homem.
Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre os séculos XV e XVI
(anos 1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos
retomaram o prazer de pensar e produzir o conhecimento através das ideias.
Neste período as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo.
Neste período Michelangelo Buonarrote esculpiu a estátua de David e pintou o
tecto da Capela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é
um termo que deriva do grego onde u =não + topos = lugar e quer dizer em
nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis
Bacon escreveu A Nova Atlântica; Voltaire escreve Micrômegas, Nicholas
Maquiavel escreve O Príncipe, caracterizando um pensamento não descritivo
da realidade, mas criador de uma realidade ideal, do dever ser.

Já no fim do período do Renascimento, René Descartes (1596-1659), um dos


filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência postula a separação entre
a mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o Homem possui uma
Psicologia Geral 23

substância material e uma substância pensante e que o corpo, desprovido do


espírito era somente uma máquina – dualismo corpo e mente que torna possível
o estudo do corpo humano morto, o que era impensável nos séculos anteriores (o
corpo era considerado sagrado pela Igreja, por ser a sede da alma) e dessa forma
possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia que inicia a contribuir muito
para o progresso da Psicologia.
No século XIX, o papel da ciência torna-se necessário devido ao crescimento na
ordem económica – CAPITALISMO que traz a industrialização. A ciência deve
dar novas respostas e soluções práticas no campo da técnica. Alguns dos
períodos marcantes são o advento do FEUDALISMO, que se caracterizava
basicamente por produção em massa para subsistência; pela relação senhor
feudal–servo; sociedade estável; hierarquia–base de verdade; centralização do
poder. Segue-se o período do CAPITALISMO, que põe o mundo em
movimento com a necessidade de abastecer os mercados e produzir mais: criou
novas necessidades; questiona as hierarquias para derrubar a nobreza e o clero
dos seus lugares há séculos estabelecidos; superou-se o antropocentrismo (o
Homem – centro do universo), passando a ser visto um ser livre, capaz de
construir o futuro; o servo, liberto do seu vínculo com a terra pode escolher seu
trabalho e seu lugar social; o capitalismo torna todos os Homens consumidores,
em potências das mercadorias produzidas; acima de tudo, o conhecimento
tornou-se livre, independente da fé, os dogmas da Igreja foram questionados e a
racionalidade do Homem apareceu como a grande possibilidade de construção
do conhecimento. O Capitalismo traz como consequência a formação de uma
nova classe, a BURGUESIA. No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a
burguesia assumiu uma característica própria de pensamento, tendendo para um
processo que tivesse imediata utilização prática; disputa-se o poder e surge
como nova classe social e económica, defende a emancipação do Homem; com
tal, era preciso quebrar a ideia do universo estável, para poder transformá-lo, era
preciso questionar a NATUREZA para viabilizar a sua exploração em busca de
matérias-primas – condições materiais para o desenvolvimento da ciência
moderna: CONHECIMENTO COMO FRUTO DA RAZÃO. Em resultado
disso, abre-se a possibilidade de se desvendar a natureza e leis de observação
rigorosa e objectiva – não mais submetidos a leis ou dogmas religiosos ou pela
actividade eclesial e portanto sentiu-se a necessidade da ciência:
A possibilidade de realizar trabalhos de pesquisa mais aprofundados, que
exigiam algum tipo de suporte financeiro (só possível com a classe dos
burgueses) fez com que surgissem novos contornos nas diversas áreas do saber.
São exemplos disso:
Na Sociologia Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade,
criando o Positivismo, vindo logo após outros pensadores;
Psicologia Geral 24

Na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações sociais através das


questões económicas, resultando no Materialismo-Dialético;
Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados
pela religião, com a Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da
Evolução (selecção natural).
A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das
explicações dos fenómenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e
naturais.
Consequências para a Psicologia
Na metade do século XIX temas e problemas até então estudados pelos filósofos
passam a ser estudados pela fisiologia, neurofisiologia em particular –
formulação de teorias dobre o SNC, demonstrando que o pensamento, as
percepções e os sentimentos humanos eram produtos deste sistema.
O capitalismo trouxe uma “maquina” – criação fantástica que determinou a
forma de ver o mundo (o mundo visto como uma máquina), o mundo como um
relógio, todo o universo como se fosse uma máquina, isto é, que podemos
conhecer o seu funcionamento, a sua regularidade, as suas leis, uma forma de
pensar que atingiu as ciências humanas, facto que, para se conhecer o psiquismo
humano passa a ser necessário compreender o mecanismo e o funcionamento da
máquina de pensar do Homem: o CÉREBRO!
Assim a psicologia começa a trilhar os caminhos da fisiologia, da
neuroanatomia e da neurofisiologia.
Resultado disso, em 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto
da acção directa ou indirecta de diversos factores sobre as células cerebrais;
Neuroanatomia descobre que a actividade motora nem sempre está ligada à
consciência para não estar necessariamente na dependência dos centros cerebrais
superiores, p.ex. quando alguém queima a mão na chapa quente, primeiro tira a
mão para depois perceber o que aconteceu, fenómeno denominado REFLEXO,
e o estímulo que chega a medula espinal, antes de chegar aos centros cerebrais
superiores, recebe uma ordem para a resposta, que é tirar a mão; caminho natural
dos fisiologistas, estudo da fisiologia do olho e a percepção das cores –
fenómenos psicológicos. Foram importantes os estudos do psicofisiologista
russo Ivan PAVLOV sobre o reflexo condicionado.
Em 1860 é formulada uma lei no campo da psicofísica, a lei de Fechner–
Weber que estabelece a relação ESTÍMULO – SENSAÇÃO, permitindo a sua
mensuração – aumento da intensidade de uma luz e o seu efeito – com esta lei os
fenómenos psicológicos vão adquirindo status científicos, porque, para a
concepção da ciência da época o que não era mensuràvel, não era possível de
estudo científico
Psicologia Geral 25

Wilhelm Wundt (1832-1926), da Universidade de Leipzig, na Alemanha, cria


um laboratório para realizar experimentações na área da psicofísiologia – por
este facto e da extensa produção teórica na área é considerado o Pai da
Psicologia Moderna, Psicologia científica.
Em resultados de seus estudos Wundt desenvolve a concepção de:
 Paralelismo psicofísico: aos fenómenos mentais correspondem
fenómenos orgânicos, por exemplo, estimulação física: picada de
agulha na pele teria uma correspondência na mente deste indivíduo.
 Método: para explorar a mente ou a consciência do indivíduo, Wundt,
cria um método que denomina introspeccionismo – o experimentador
pergunta ao sujeito, especialmente treinado para a auto-observação,
os caminhos percorridos no seu interior por uma sensorial (a picada
de agulha por exemplo).

A PSICOLOGIA CIENTÍFICA
O berço da Psicologia moderna foi a Alemanha de final do século 19. Wundt,
Weber e Fechner trabalharam juntos na Universidade de Leipzig – seguiram
para aquele País muitos estudiosos dessa nova ciência; como o inglês Edward B.
Titchner e o americano William James.
Seus status de ciência é obtido a medida que se “liberta” da filosofia, que
marcou a sua história até aqui e atrai novos estudiosos e pesquisadores, que sob
novos padrões de produção de conhecimento, passam a:
• Definir seu objecto de estudo (comportamento, a vida psíquica, a
consciência)
• Delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de
conhecimento como a Filosofia, Fisiologia
• Formular métodos de estudo deste objecto
• Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimento na
área
A Psicologia científica nasce na Alemanha mas se desenvolve, cresce
rapidamente nos Estados Unidos como resultado de grande avanço económico
colocado na vanguarda do sistema capitalista. É ali que surgem as primeiras
abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem inúmeras teorias
que existem actualmente. Essas abordagens são O Funcionalismo (por William
James, 1842-1910); O Estruturalismo (por Edward Titchner, 1867-1927), O
Associacionismo (por Edward Thorndike, 1874-1949).
Psicologia Geral 26

As Primeiras Abordagens Teóricas da Psicologia


As primeiras abordagens ou escolas em psicologia, as quais deram origem às
enumeras teorias que existem actualmente são consideradas como tendo sido as
seguintes:

O Funcionalismo (Escola funcionalista)


Primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em
Psicologia – numa sociedade que exigia o pragmatismo para o seu
desenvolvimento económico acaba por exigir dos cientistas americanos o
mesmo espírito. Portanto, para a escola funcionalista de William James (1842-
1910), importa responder “o que fazem os homens e “por que o fazem”. Para
responder a isto, James elege a consciência como o centro de suas preocupações
e bisca a compreensão do seu funcionamento, na medida em que o Homem usa
para adaptar-se à realidade.

O Estruturalismo (Escola estruturalista)


Embora Inaugurada por Wundt, somente o seu seguidor Edward Titchner (1867-
1927) usa o termo estruturalismo pela primeira vez para diferencià-lo do
funcionalismo. O estruturalismo define como objecto de estudo da psicologia
“os estados elementares da consciência, mas vistos como estruturas do SNC. O
método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o
introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são
eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.

O Associacionismo
Edward Thorndike (1874-1949), é considerado o primeiro fundador de uma
teoria de aprendizagem na Psicologia de aprendizagem, na preocupação da
aplicação pràtica da psicologia e não só especulação filosófica.
O Associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por
processo de associação das ideias mais simples às mais complexas. Assim para
aprender algo complexo precisamos de aprender as ideias simples associadas
aquele conteúdo. Thorndike formula a “lei de efeito” que seria de grande
importância na psicologia comportamentalista. De acordo com essa lei “todo o
comportamento de um organismo vivente tende a se repetir, se nós o
recompensarmos (efeito) o organismo assim que repetir/emitir o
comportamento. Por outro lado o comportamento tenderá a não acontecer, se o
organismo for castigado (efeito) após a sua ocorrência. (ex. se apertarmos o
botão da rádio formos premiados pela música, em outras oportunidades
apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem
para outros aparelhos, como leitores de discos, gravadores, etc.
Psicologia Geral 27

As Principais Teorias da Psicologia do Século XX


A psicologia enquanto ramo da Filosofia estuda a alma, a psicologia científica
que Wundt preconiza, a “psicologia sem alma”, o conhecimento científico
produzido no laboratório com uso de instrumentos de medição/mensuração. Da
subordinação à Filosofia a Psicologia se liga à medicina, usando o método de
investigação das ciências naturais como critério rigoroso da construção dos
conhecimentos.
A psicologia científica, que se constituiu de 3 escolas (Associacionismo,
Estruturalismo e Funcionalismo) foi substituída neste século XX, por novas
Teorias.
As três mais importantes tendências teóricas da psicologia neste séc.
consideradas por inúmeros autores são: Behaviorismo, Gestaltismo e a
Psicanálise.

O Behaviorismo ou Comportamentalismo
O Comportamentalismo, ou Teoria S-R (do latim Stimulus – Responsio), nasce
com o americano John Watson (1878-1958), e se desenvolve na América em
função das aplicações práticas, tornou-se importante por ter definido o facto
psicológico de modo concreto a partir da noção de comportamento (behavior).
Em 1913, o americano John Watson num artigo de revista intitulado “A
Psicologia tal como o behaviorista a vê”, inaugura o termo behaviorismo.
Neste contexto, Watson lança bases para a postulação do behavior,
comportamento como objecto da Psicologia, dá à psicologia a consistência
procurada por séculos: objecto observável, mensurável cujos experimentos
poderiam ser reproduzidos em diferentes condições e sujeitos.
O carácter observável do objecto contribui para o alcance de status da ciência da
psicologia, ou seja para a ruptura “definitiva” com a filosofia. Watson defende
uma perspectiva funcionalista para a psicologia, isto é, o comportamento deveria
ser estudado como função de certas variáveis do meio.
Watson busca uma psicologia sem alma e sem mente, livre de conceitos
mentalistas e métodos subjectivos e que tenha a capacidade de prever e
controlar.
R – S + para referir-se ao que o organismo faz e as variáveis ambientais
que interagem com o sujeito
Comportamento – unidade básica de descrição = ponto de partida para o
desenvolvimento da ciência do comportamento
O comportamentalismo nega o estudo da consciência: o comportamentalismo
representa uma reviravolta radical no que se refere ao objecto de estudo da
psicologia, do momento em que se limita ao estudo do comportamento
Psicologia Geral 28

observável e nega o estudo da consciência. Watson afirmou que a psicologia


deve considerar-se a ciência do comportamento, pois a “consciência” e a alma
são objectos de pesquisa inconsistentes para uma ciência empírica. Segundo
Watson, a tarefa da psicologia consistia no estudar as relações cientificamente
determinadas entre as situações estimulantes (S) e a reacção provocada (R):
• Paradigma comportamentalista: Estímulo (S) Resposta (R)
Estudadas as conexões, os seus mecanismos, e identificadas as leis , pode-se
explicar cada uma das reacções como resultado de um determinado estímulo e
poder prever qual reacção pode seguir uma determinada situação estimulante.
Os comportamentalistas admitem entre o estímulo e a resposta esteja presente a
actividade do cérebro e do SNC, mas afirma que tal actividade está fora do
alcance e que a psicologia não deve interessar-se daquilo que acontece dentro do
organismo (processos neurofisiológicos, processos incónscios, etc.). Concepção
esta dita “black box” sustenta que a psicologia deve interessar-se daquilo que
entra (input) na “caixa preta” e daquilo que sai (output) sem ter
que se ocupar necessariamente da complexa actividade
desenvolvida pelo cérebro no seu interior. Deste modo os
comportamentalistas reduzem o âmbito da psicologia somente
ao estudo do comportamento observável mediante o uso dos métodos objectivos
de verificação, estudando a regularidade do comportamento independente dos
correlatados neurofisiológicos.
“black box”
Estimulo(R) Resposta(R)

Processos neurofisiológicos
Processos inconscientes
O quadro negro representa a “black box” ou seja, simboliza tudo aquilo que não
é do interesse para o estudo do psicólogo comportamentalista.

Análise experimental do comportamento


Frederik Skinner (1904-1990), americano, é considerado o mais importante
sucessor de Watson. A sua teoria tem até hoje uma influência. Inaugura o
behaviorismo radical, termo cunhado pelo próprio Skinner em 1945, para
designar uma filosofia da ciência do comportamento (que ele se propôs
defender) por meio da anàlise experimental do comportamento. Algumas noções
importantes no behaviorismo de Skinner são:
Psicologia Geral 29

COMPORTAMENTO OPERANTE: base da corrente formulada por Skinner,


entendendo este conceito é necessário retroceder aos conceitos de
comportamento reflexo ou respondente.
1) comportamento respondente: usualmente chamada de “não voluntàrio”e
inclui as respostas que são “produzidas” por estímulos antecedentes do
ambiente: interacção estímulo–resposta (ambiente–sujeito)
incondicionadas (não dependem da aprendizagem (limão -salivação; ou
as famosas “lágrimas de cebola”, etc.
Reflexos condicionados – estímulos acompanhados/pareados com outros que
produzem resposta.
2) comportamento operante (tem efeito sobre o mundo: ex: tocar um
instrumento musical)
Nos anos de 1930, na Universidade de Haward (EUA), Skinner desenvolvendo o
seu trabalho de estudo do comportamento respondente, teoriza sobre um outro
tipo de relação indivíduo-ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise
da ciência: comportamento operante, o qual teria a maioria das nossas
interacções com o ambiente – comportamento operante opera sobre o mundo,
por assim dizer, quer directa quer indirectamente e abrange um leque amplo de
actividade humana, da actividade do recém-nascido (balbuciar, acatar-se a um
objecto, etc.) aos mais sofisticados apresentados pelo adulto.
O comportamento operante inclui todos os movimentos de um organismo dos
quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre ou fazem algo ao
mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim
dizer, quer directa, quer indirectamente”.

A Psicologia da Forma: A Escola da Gestalt


A Gestalt surge em reacção ao associacionismo. Gestalt é um termo alemão que
se pode traduzir como «forma»; «figura»; «configuração»; entendendo também
um aspecto de organização da que se entende melhor quando se fala da
percepção visual. As principais figuras da Gestal são os alemães: Max
Wertmeir, Wolfgang Kohler (1887-1967) e Kurt Kofka.
A Gestalt nega decompor a consciência nos seus elementos mais elementares,
nega a concepção e métodos que descendem deste estudo e que tendem a uma
teoria elementista
Os psicólogos da gestalt estudam em particular os processos cognitivos em
particular a percepção visual e o pensamento
Conceito fundamental da psicologia da forma é o aforisma: «o todo é mais
da soma das partes» atravessa todos os escritos da Gestalt
Psicologia Geral 30

A B

As leis da percepção visual: são leis sobre a constituição das totalidades


perceptivas que eram chamadas Gestalten ou factores estruturantes. Essas leis
afirmam que as partes de um campo perceptivo tendem a construir outras
gestalts (formas unitárias) que são de tal forma coerentes e unidas, quanto mais
os elementos são
1. vizinhos (lei da aproximação)
2. semelhantes (lei da semelhança)
3. tendem a forma formas fechadas (lei do fechamento)
4. dispostos ao longo duma mesma linha (lei da continuação)

A Psicanálise/Freud
Sigmund FREUD (1856-1939), médico vienense (Áustria), alterou,
radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Freud ousou colocar os
“processos misteriosos” do psiquismo”, suas “regiões obscuras”, isto é as
fantasias, os sonhos, os esquecimentos, a interioridade do homem, como
problemas científicos. A investigação sistemática destes problemas levou Freud
à criação da Psicanálise.
Freud emprega o termine Psicanálise pela primeira vez em 1896. A
Psicanálise constituiu-se como método e como teoria, e ainda como terapia.
Como método consiste na interpretação e busca do significado do oculto daquilo
que é manifesto por meio de palavras ou acções e como teoria pode ser definida
como um conjunto de conhecimentos, sistematizados sobre o funcionamento da
vida psíquica.
Freud, como hebreu, herdou uma rica tradição do pensamento hebraico, e por
outro lado, de formação clássica (filosofia antiga) e perito linguista, ele veio a
contacto com a literatura antiga e moderna. Sobre esta base assentaram-se os
seus estudos de medicina e ciências naturais, no campo da fisiologia,
neuropsicológica e farmacologia. Teve o mérito de ter descoberto a sexualidade
(base fundamental de seus estudos), embora este fosse um tema debatido antes
da publicação do sua obra intitulada ”os três ensaios sobre a teoria sexual”.
Freud elaborou numa primeira instância uma teoria sobre personalidade,
denominada 1ª tópica, na qual estruturava a personalidade como sendo
constituída pelas seguintes instâncias: consciente, inconsciente e pré-
consciente; Freud postula o inconsciente como objecto de estudo da Psicologia,
da mesma forma que quebra a tradição da psicologia como uma ciência da
consciência e da razão.
Psicologia Geral 31

Pela necessidade de melhorar a 1ª tópica, elabora a 2ª tópica, em que considera a


personalidade constituída de três grandes sistemas/estruturas cada um com
sistemas próprios mas integrados: Id, Ego e Superego (ver no capítulo sobre
teorias da personalidade)

A Psicanálise e os Mecanismos de Defesa da Personalidade


Os mecanismos de defesa: são formas que o indivíduo usa para deformação da
realidade, ou melhor, são processos realizados pelo ego e são inconscientes, isto
é, ocorrem independentemente da vontade do indivíduo. Os mais comuns são:
Recalcamento; Formação reactiva; Regressão; Projecção; Racionalização;
Sublimação; Negação.
Recalcamento
A medida defensiva fundamental do ego é o recalque. Freud considerou o
recalque como a reacção normal do ego infantil. O recalque consiste na exclusão
dos impulsos e suas representações ideacionais do consciente. Ocorre sempre
que um desejo, um pulso, ou ideia, ao se tornar consciente, provoca um conflito
insuportável, resultando em ansiedade. O recalque de um desejo, em contraste
com sua rejeição consciente, é uma inibição num nível mais profundo da
personalidade. O fato de ser inconsciente poupa a personalidade consciente um
conflito penoso.
A totalidade do acto transcorre fora do consciente. A rejeição é automática; se
assim não fosse, o conteúdo mental inaceitável não poderia permanecer
inconsciente. É uma inibição reflexiva que segue os princípios dos reflexos
condicionados.
O estudo psicanalítico das neuroses e psicoses mostrou que as forças
psicológicas recalcadas não deixam de existir. O ego deve tomar medidas
defensivas contra elas, medidas que lhe esgotam os recursos dinâmicos e
tornam-no menos capaz de exercer sua função adaptadora de perceber a
realidade externa. No recalque ocorre uma supressão de parte da realidade, ou
seja, o indivíduo “não vê” ou “não ouve”o que está acontecendo.
Repressão
A repressão é o esquecimento ou a negação inconsciente de detalhes
significativos do comportamento, detalhe que são incompatíveis com o auto-
retrato que estamos tentando manter. Na repressão há um bloqueio na
consciência dos conflitos geradores de ansiedade ou de distúrbios na motivação.
Eles são submersos no inconsciente.
Negação
Provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e directo, pois
alguém simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa
Psicologia Geral 32

demais para ser tolerada. Ex: Um gerente ser despromovido de um cargo que era
obrigado a estar presente mais cedo e continuar chegando no mesmo horário.
Sublimação
É o mecanismo de defesa mais aprovado pela sociedade. Quando temos um
impulso que não podemos expressar directamente, reprimimos a sua forma
original, e deixamo-lo emergir sob uma feição que não perturbe a outrem ou a
nós próprios. Geralmente usamos a sublimação para expressar motivos
indesejáveis sendo que, como a maioria dos outros mecanismos de defesa, ela
opera inconscientemente mantendo-nos desconhecedores das motivos
indesejáveis.
Quando um impulso primitivo é inaceitável para o ego, é modificado de forma a
se tornar socialmente aceitável, isso é sublimação.
Racionalização
A racionalização é utilizada nas mais diferentes situações, quer envolvendo
frustração, quer envolvendo culpa. Ocorre pelo uso da razão na explicação de
estados “deformados” da consciência.
O racional é usado para explicar o irracional, tomadas de posições sem sentido.
Quando as pessoas fazem coisas que não deviam, é comum sentirem culpa, e ao
invés de admitirem a razão real de seu comportamento, preferem com frequência
racionalizar inventando razões plausíveis para o seu ato. Ex: Um funcionário
que tira dinheiro do caixa e fala que estava precisando muito e que logo no
próximo mês devolveria ao caixa o que tinha tirado.
Projecção
Às vezes as pessoas se recriminam ou se sentem mal por terem certo
pensamento ou impulsos. Podem atribui-los então a alguém, projectando nessa
pessoa os seus próprios sentimentos. Isso fica muito claro com relação a
impulsos poderosos, como o sexo e a agressão. Ex: Um gerente que sempre
chega atrasado no trabalho reclama ao superintendente geral que seu funcionário
nunca chega pontualmente.
Deslocamento
Este mecanismo está relacionado à sublimação e consiste em desviar o impulso
de sua expressão directa. Nesse caso, o impulso não muda de forma, mas é
deslocado de seu alvo original para outro. Ex: Ao ser despedido de uma
empresa, um funcionário leal sente raiva e hostilidade pela forma como foi
tratado, mas usualmente tem dificuldade de expressar seus sentimentos de forma
directa.
Formação Reactiva
Às vezes, quando as pessoas sentem-se ameaçadas por um impulso opressor,
podem combatê-lo indo para o extremo oposto, e denunciando-o vigorosamente
Psicologia Geral 33

em outras pessoas. Assim, funcionários que trabalham sem motivação e de


forma relapsa, pode ridicularizar seu companheiro de trabalho que cometeu
algum deslize ou que também é relapso.

TEMA 2:
O DESENVOLVIMENTO PSIQUICO E DA CONSCIÊNCIA HUMANA

(Evolução psíquica dos indivíduos)


A evolução psíquica dos indivíduos depende da maturação e do
desenvolvimento genético; dos estímulos sociais e afectivos.

O Homem como Unidade bio-psico-social


Todo ser humano à nascença já constitui-se como indivíduo, com qualidades de
integridade próprias, particularidades que o distinguem dos outros. O mesmo
não se pode dizer em relação à Personalidade. O ser humano forma sua
personalidade em resultado da sua constituição biológica (características
herdadas), das influências do meio social e cultural do contexto em que se
encontra (aquisições do meio), assim como das experiências de vida
(desenvolvimento), e sempre considerando seu desenvolvimento psicológico
(estabilidade emocional, de sentimentos). Por tal se diz ser uma unidade bio-
psico-social.
Alguns termos importantes para compreender o desenvolvimento
humano:
Desenvolvimento: é o conjunto de fases pelas quais o indivíduo passa ao
longo do seu ciclo de vida. É um processo multidimensional que engloba os
aspectos físicos (crescimento); fisiológicos (maturação), psicológicos
(cognitivos e afectivos), sociais (socialização), e culturais (aquisição de valores,
normas).
Maturação: é a dimensão fisiológica do desenvolvimento. Refere-se ao
grau de prontidão funcional dos diversos sistemas do organismo, nomeadamente
do sistema nervoso. É que torna possível determinado padrão de
comportamento. (por exemplo, a alfabetização das crianças depende da
maturação neurofisiológica para manejar o lápis, e segurá-lo com as mãos é
necessário um desenvolvimento neurológico o que a criança de 1 ou 2 anos não
possui ainda.
Maturidade: é o estádio de desenvolvimento do indivíduo indispensável
para a execução de determinada tarefa, actividade ou função.
Estado etário: fase de maturação e estruturação (anatómica, fisiológica,
psíquica) correspondente a idade ou nível de desenvolvimento do indivíduo.
Psicologia Geral 34

A Vida Antes do Nascimento (o Desenvolvimento Pré-Natal)


O desenvolvimento pré-natal (gestação) é o período compreendido entre a
fecundação e o parto. Este pode ser dividido em três períodos:
O zigoto
O zigoto forma-se após a fecundação e flutua livremente no fluido do útero. Ao
fim de cerca de duas semanas, o zigoto (ovo) fixa-se na parede do útero
recebendo oxigénio e alimentação do corpo da me. Dois ou três dias da sua
implantação no útero o novo ser passa a chamar-se embrião.
Embrião
O segundo estádio do desenvolvimento pré-natal é o estádio embrionário. Este
estádio começa cerca de duas semanas depois da fecundação, na altura em que o
zigoto (ovo) se fixa à parede uterina.
O estádio embrionário dura cerca de oito semanas depois da concepção. As
primeiras fases de vida do embrião humano apresentam características
semelhantes com os outros mamíferos. A cabeça do embrião é grande em
relação ao resto do corpo e membros não são diferenciados. No final deste
período o organismo é claramente identificável como humano (tem face, olhos)
e passa a se designar feto.
Feto
A partir da oitava semana até ao nascimento o novo ser passa a chamar-se feto.
O feto é capaz de ouvir, movimentar os dedos (dar pontapés, fazer punho, levar
o polegar a boca, escolher a posição de dormir, etc.) sentir sabor, etc. O
desenvolvimento do feto culmina com o nascimento.
Nascimento
O nascimento é conjunto de fenómenos físicos que tem como finalidade
expulsar o feto para o exterior. Quando a criança nasce pesa normalmente 2500
gramas e a placenta para de introduzir alimentos. Crianças com um período de
gestação reduzido e peso inferior a 25000 gramas são consideradas pré-maturas.
A primeira respiração imediatamente após o parto é difícil devido o oxigénio do
ambiente que a criança recebe, pois tem inicio a respiração pulmonar. Se o
pequeno cérebro não recebe oxigénio dentro de 8 (oito) minutos pode contrair
lesões. Por regra, a primeira respiração é acompanhada por grito. O grito
converte-se em breve numa forma de manifestação de dissabores ou transtornos
(indisposição, desconforto, mal estar, alerta à mãe para acções de cuidado, isto é,
um estímulo chave da mãe.
Em cada dor do parto, a criança está exposta a uma pressão com cerca de 25kg.
Por isso, partos muito prolongados ou complicados colocaram a criança
provavelmente numa situação de indisposição intensiva. O acto do nascimento
Psicologia Geral 35

por si só é uma lesão psíquica, o que serve de base para o medo original do
homem, segundo a psicanálise.

Fundamentos Biológicos da Conduta

Hereditariedade e comportamento: mecanismos básicos


Em última instância, as diferenças entre as espécies dependem da
hereditariedade, ou herança física. A hereditariedade compartilhada por todas
as pessoas permite uma série de actividades humanas distintas. Por termos
herdados polegares opostos e dedos móveis, aprendemos facilmente a manipular
ferramentas. A herança de imensos córtices cerebrais permite-nos processar
vasta quantidade de informação.
Além das estruturas influenciadoras e dos comportamentos comuns a todas as
pessoas, a hereditariedade modela o que é exclusivo a cada pessoa. Seus genes
têm algo a dizer sobre uma capacidade de aprendizagem e se somos ou não
propensos à depressão.
Genética do comportamento
A genética do comportamento, um ramo da psicologia e também da genética,
estuda as bases herdadas da conduta e da cognição. Abrange diferenças
individuais e de espécie (evolutivas).
Os geneticistas do comportamento pressupõem que tudo o que as pessoas fazem
depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes. Sua tarefa é definir
exactamente quanto de um determinado acto é modelado pela hereditariedade e
quanto o é pelo ambiente. Eles pesquisam também os mecanismos biológicos
pelos quais os genes afectam o comportamento e a cognição.

O Papel da Hereditariedade e do Meio na Conduta

Hereditariedade e do ambiente: uma parceria permanente


Estará tudo nos genes?
De acordo com Robert Plomin (1993), talvez o principal sobre a genética do
comportamento na última década, o que os cientistas verificaram a repetidas
vezes foi que hereditariedade e experiência influenciam conjuntamente muitos
aspectos do comportamento. Além disto seus efeitos são interactivos – elas
jogam uma com a outra. Por exemplo, em relação a esquizofrenia, embora a
evidencia indique que factores genéticos influenciam o desenvolvimento da
esquizofrenia, do outro lado não parece que alguém herde directamente o
distúrbio mas um certo grau de vulnerabilidade a ela. Portanto, se a
vulnerabilidade vai ou não se transformar num distúrbio real, isso dependerá das
experiências de cada pessoa na vida.
Psicologia Geral 36

O herdado e o meio: qual interacção?


O organismo e o ambiente fazem parte de um todo no qual são inter-
relacionados e em constante interacção. O meio mobiliza ou favorece
disposições hereditárias, mas por sua vez a acção do meio não é independente
dessas disposições.
Por um lado, qualquer factor hereditário opera de modo diferente quando as
condições do meio ambiente variam. Por outro lado, as condições do meio
ambiente exercem diferentes influências sobre as características hereditárias.
As disposições hereditárias traçam o marco do desenvolvimento e oferecem-nos
um plano de construção do organismo. Os genes exercem um papel ou acção
directiva nos fenómenos do desenvolvimento embrionário e, especialmente, dos
primeiros anos de vida, isto é, não se transmitem qualidades já desenvolvidas,
mas apenas disposições ou possibilidades para configurar essas qualidades. Por
exemplo, a estatura de um indivíduo depende de toda a carga genética, mas além
disso, variará, entre outros factores de acordo com a alimentação recebida nos
primeiros anos de vida e com as vicissitudes do desenvolvimento glandular
posterior.
• Herança e meio são factores que contribuem para a formação do novo
ser e se misturam de tal modo que é difícil distinguir o que corresponde
a um e ao outro;
• Não podem ser considerados opostos ou antagónicos mas
complementares;
• Era comum considerar a herança é rígida, fixa, imutável, irreversível
algo como código ou lista de instruções e procedimentos que não
admite modificações e na qual cada “instrução” age de modo
independente das demais mas hoje tal posição não se sustenta por que
também os genes podem sofrer uma mutação, brusca ou não.
Portanto, Dizer que um os “genes influenciam x ou y” não quer dizer que os
“genes determinam x ous e y”. Tão pouco quer dizer que o ambiente tenha
pouca influência sobre a qualidade em questão. Do início até ao fim da vida, os
organismos estão sendo constantemente moldados tanto pela hereditariedade
como pelo ambiente. A natureza e a extensão de uma influência sempre depende
da contribuição da outra.

Hereditariedade e Meio: o Princípio fundamental da Psicologia


O princípio fundamental e o seu axioma principal é o de que o organismo é
produto da hereditariedade, em interacção com o meio social e com o
tempo, (história pessoal e colectiva) isto é, o comportamento não é resultado de
uma única causa, mas sim de causas múltiplas (biológicas, sociais, culturais,...).
É o resultado da hereditariedade a interagir com o meio e com o tempo.
Psicologia Geral 37

O nosso potencial hereditário pode ser enriquecido ou empobrecido dependendo


do tipo, quantidade e qualidade dos nossos encontros com o meio e depende do
momento em que estes encontros ocorrem. É pela interacção entre determinantes
da hereditariedade e a influência do meio que o indivíduo se forma, desenvolve
e realiza.
Não se pode limitar aos aspectos educativos e os sócio-culturais pós-natais, os
aspectos físicos, biológicos (alimentares, etc.), e psico-afecivos (emocionais)
dos primeiros tempos da vida, nomeadamente pré-natais e perinatais são
fundamentais na formação de todas as características do indivíduo.

Psicofisiologia do Sistema Nervoso


A comunicação no sistema nervoso é central para o comportamento. Em breves
anotações examinaremos a organização do sistema nervoso.
Especialistas acreditam que há de 85 a 180 biliões de neurónios no cérebro
humano. Obviamente isto é apenas uma estimativa. Se os contássemos sem
parar a proporção de um por segundo, estaríamos contando por cerca de 6 mil
anos! Multidões de neurónios no sistema nervoso têm de trabalhar junto para
manter a informação fluindo eficientemente. Para fazer isso, eles estão
organizados em equipas, várias das quais têm funções e deveres especializados
que dependem, antes de tudo, de sua localização.

Sistema Nervoso Central (SNC)


O sistema nervoso central (SNC) é a porção do sistema nervoso que fica dentro
do crânio e da coluna espinal. Assim, o SNC compreende o cérebro e a
medula e a medula espinal. O SNC é banhado na sua “sopa” nutritiva especial
chamada fluido cérebro-espinal (FCE). Este fluido alimenta o cérebro e
fornece-lhe uma protecção. Embora derivado do sangue, o FC é cuidadosamente
filtrado.
Para entrar no FCE, as substâncias do sangue têm de passar pela barreira
cérebro-sanguínea, um mecanismo membranoso semipermeável que impede a
passagem de certas substâncias químicas entre a corrente sanguínea e o cérebro.
Esta barreira evita que algumas drogas entrem no FCE e afectem o cérebro.
A medula espinal
A medula espinal liga o cérebro ao resto do corpo através do sistema nervoso
periférico. Embora se pareça com um cabo do qual os nervos somáticos saem,
ela é parte do sistema nervoso central e vai desde a base do cérebro até um nível
abaixo da cintura, abrigando aglomerados axónios que carregam os comandos
do cérebro aos nervos periféricos e conduzem sensações de periferia do corpo
cérebro. Muitas formas de paralisia resultam de danos na medula espinal, facto
Psicologia Geral 38

que ressalta o papel crítico que ela representa na transmissão de sinais do


cérebro aos neurónios que movem os músculos do corpo.
O cérebro
Evidentemente, a glória suprema do sistema nervoso central é o cérebro, que,
anatomicamente, é a parte do sistema nervoso central que preenche a porção
superior do crânio. Embora pese apenas cerca de 2 quilos e possa ser carregado
em uma das mãos, ele contém biliões de células que interagem, integram
informação de dentro, coordenam as acções do corpo e nos capacitam a falar,
pensar, recordar, planear, criar e sonhar.
O Sistema Nervoso Periférico
O primeiro e mais importante corte que separa o sistema nervoso central
(cérebro e medula espinal) do sistema nervoso periférico. O sistema nervoso
periférico é formado por todos os nervos que ficam fora do cérebro e da
medula espinal. Nervos são aglomerados de fibras de neurónios (axónios) que
estão no sistema nervoso periférico. Essa porção do sistema nervoso é
exactamente o que parece, a parte que se estende para a periferia (parte de fora)
do corpo. O sistema nervoso periférico pode ser subdividido em dois: somático e
autónomo.
O Sistema Nervoso Somático é formado por nervos que se conectam aos
músculos esqueléticos voluntários e aos receptores sensoriais. Estes nervos
são os cabos que carregam informação dos receptores na pele, músculos e juntas
ao sistema nervoso central e também ordens do sistema nervoso central aos
músculos. Estas funções requerem dois tipos de fibras nervosas: aferentes, que
são axónios que carregam informação para dentro do sistema nervoso central da
periferia do corpo; Os eferentes, que são axónios que carregam informações
para fora do sistema nervoso central para a periferia do corpo. O sistema
nervoso somático permite que nos sintamos e movamos no mundo.
O Sistema Nervoso Autónomo é formado de nervos que se ligam ao coração,
aos vasos sanguíneos, aos músculos lisos, e às glândulas.
Como o próprio nome indica, é um sistema separado (autónomo), embora seja
principalmente controlado pelo sistema nervoso central. O sistema nervoso
autónomo controla funções automáticas, involuntárias, em que normalmente as
pessoas não pensam, como a batida cardíaca, a digestão e a transpiração. Ele
intermédia muito do despertar fisiológico, que ocorre quando as pessoas
experimentam emoções. Imagine-se, por exemplo, caminhando para casa
sozinho a noite, quando uma pessoa, de aparência pobre aparece atrás de nós e
começa a seguir-nos. Caso sintamo-nos ameaçados, a nossa batida cardíaca e
respiração intensificar-se. A nossa pressão sanguínea poderá subir,
possivelmente sentiremos arrepios, e as palmas das mãos poderão começar a
Psicologia Geral 39

transpirar. Estas reacções difíceis de controlar são aspectos do despertar


autónomo.
O sistema nervoso autónomo pode ser dividido em dois ramos: simpático e
parassimpático. O Sistema nervoso simpático é o ramo do sistema nervoso
autónomo que mobiliza os recursos do corpo para a emergência. Ela cria a
reacção de luta ou fuga. A activação deste sistema desacelera processos
digestivos e drena o sangue da periferia, diminuindo o sangramento em caso de
ferimento. Os nervos simpáticos principais enviam sinais às glândulas supra-
renais, liberando as hormonas que preparam o corpo para o esforço. O Sistema
nervoso parassimpático é o ramo do sistema nervoso autónomo que geralmente
conserva os recursos corporais. Ela activa processos que permitem ao corpo
economizar e armazenar energia. Por exemplo, acções dos nervos
parassimpáticos diminuem o ritmo cardíaco, reduzem a pressão sanguínea e
promovem a digestão.

Desenvolvimento Filogenético do Psíquico


Dependência da psique ao meio
A extraordinária variedade que o meio ambiente tem (clima, condições de
vida) suscitou a diferenciação dos organismos (na terra vivem milhões de
espécies de animais). Entre toda a multiplicidade de fenómenos terrestres,
existem suas mudanças cíclicas anuais, a mudança do dia e da noite, as
mudanças de temperatura etc., e todo o organismo vivente adapta-se as
condições existentes.
Uma modificação brusca do ambiente provoca no animal ou o seu
desaparecimento. O meio e a condição de existência do organismo vivo, e o
factor mais importante para determinar a vida dos seres viventes, ou seja, dito
em outras palavras, a existência dos organismos viventes esta condicionada
causalmente pelo meio ambiente. Quanto mais alta e a capacidade do reflexo
dentro de um determinado meio, mais livre e a espécie do influxo do meio.
A psique e a evolução do sistema nervoso
Para que haja um reflexo adequado e necessário antes de mais uma estrutura
dos órgãos de sentido e do sistema nervoso. O grau de desenvolvimento dos
órgãos de sentido e do sistema nervoso determina constantemente o grau e a
forma do reflexo psíquico.
Em corresponderia com o desenvolvimento do sistema nervoso se tem mais
completas as formas do reflexo psíquico ou seja quanto mais completo e o
sistema nervoso tanto mais perfeita e a psique.
A evolução da psique não é linear, ate que se aperfeiçoe em diferentes
direcções. Num mesmo meio habitam animais com os mais variados níveis de
Psicologia Geral 40

reflexo e ao contrário, em meios diferentes podem-se encontrar diferentes tipos


de animais com níveis de reflexo semelhantes.
O meio, como a matéria, não e invariável, ele evolui. A este meio em evolução
adapta-se a espécie animal que nele habita. Pode acontecer, sem dúvidas, que o
meio radicalmente se modifique para alguns animais e isto influencia no
desenvolvimento das funções psíquicas, ao mesmo tempo, a mudança ocorrida
não exerce uma influência determinante no desenvolvimento das funções dos
outros animais.

O Surgimento da Consciência no Processo da Actividade Humana


Consciência
A psique como conjunto de reflexos da realidade no cérebro dos homens
caracteriza-se por possuir diferentes níveis.
O mais alto nível da psique, que é próprio do Homem, forma a consciência. A
consciência e a forma superior integrante da psique do Homem que se forma
como resultado das condições histórico-sociais na actividade laboral e na
permanente comunicação oral com as demais pessoas. Neste sentido, pode-se
dizer que a consciência e em ultima instancia (como dizem os clássicos
marxistas) um produto social, a consciência e a existência consciente.
Diferença entre psique humana e psique animal
Sem dúvidas existe uma imensa diferença qualitativa entre a psique humana
mais altamente organizada e a psique animal. Assim não e possível fazer uma
comparação entre “linguagem” dos animais e a linguagem humana, pois
enquanto o animal com a sua linguagem pode somente emitir sinais a seus
congéneres, em relação a fenómenos limitados por uma situação imediata,
directa, pelo contrario o Homem pode informar a outras pessoas com ajuda da
linguagem, sobre o passado, o presente, o futuro e transmitir aos outros a
experiência social.
Mediante muitas pesquisas os investigadores mostraram que o pensamento
pratico e somente próprio aos animais superiores. Nenhum investigador
observou a forma abstracta do pensamento no estudo da psique dos animais. O
animal pode somente actuar dentro das marcas duma situação visivelmente
percebida, da qual não pode abstrair e da qual não pode assimilar os princípios
abstractos. O animal e escravo da situação percebida de forma imediata. A
conduta do Homem caracteriza-se pela sua capacidade de abstrair-se ou
afastar-se duma situação concreta dada e prever as consequências que podem
surgir em relação a dita situação.
Desta forma, o pensamento concreto ou pratico dos animais e somente a sua
impressão directa sobre a situação dada, enquanto que a capacidade do Homem
de pensar abstractamente supera a dependência directa da situação dada.
Psicologia Geral 41

Algumas características que diferenciam a psique humana da ‘psíque


animal’:
 O Homem é capaz de enfrentar não somente as influências directas
do meio, mas também pode prever aquelas que podem suceder. O
Homem tem a capacidade de abstrair em correspondência com a
necessidade conhecida, ou seja conscientemente. Esta é a primeira
distinção entre a psique humana e a psique animal;
 A outra diferença e que o Homem tem a capacidade de criar e
conservar ferramentas. O animal cria instrumentos ou ferramentas numa
situação concreta. Fora desta dada situação concreta o animal nunca
identifica os instrumentos, nem se aproveita deles, uma vez que o
instrumento joga um papel naquela dada situação, que mediatamente
deixa de existir para as outras situações;
 Os homens criam instrumentos de acordo com um plano previsto
anteriormente, utiliza estes instrumentos segundo o fim a que estão
destinados, e os conserva; e todo o homem adquire experiência com os
outros homens no uso destes instrumentos;
 A transmissão das experiências sociais, caracteriza o homem o qual
dispõe duma experiência acumulada pelas gerações anteriores. As
experiências sociais transmitidas ao homem desenvolvem-se em grande
parte na psique. Desde a mais tenra idade a criança aprende a dominar as
formas de utilização dos instrumentos e as formas de trata-los. As funções
psíquicas do homem mudam qualitativamente graças ao domínio de
cada sujeito em particular sobre os instrumentos do desenvolvimento
cultural da humanidade. E no homem se desenvolvem as funções
superiores propriamente humanas (linguagem, memória, pensamento
atenção).
 A quinta distinção entre a psique humana e animal são os sentimentos:
para o homem e animais superiores o sentimento e mais daquilo que
ocorre em seu redor, os objectos e os acontecimentos podem suscitar nos
animais e homens determinados tipos de reacções dependendo daquilo
que os influencia, ou emoções positivas e negativas. Sem duvidas
somente no homem pode existir a capacidade de sentir pena ou alegria
sobre o outro Homem, somente o homem pode experimentar
determinados sentimentos ao tomar consciência de algum aspecto
vital nisto.

Teorias de Desenvolvimento do Psíquico


Teoria é a forma de explicação dos factos, de forma unitária, coerente, livre de
contradições internas e que conduza a descoberta de novos factos.
Psicologia Geral 42

A questão da abordagem do desenvolvimento do psíquico, é ainda polémica pela


existência de várias teorias explicativas, que estão divididas em grupo.

Teorias endogénicas
O desenvolvimento psíquico é feito dependentemente de factores biológicos: a
hereditariedade e as predisposições inatas tornam lugar de relevo. O
desenvolvimento do Homem está programado e reformado pelas disposições.
Segundo esta teoria, os factores do meio ambiente são apenas um atributo
subordinado, as aptidões e qualidades psicológicas da personalidade são
reduzidas aos instintos inatos de acordo com Mendel, Weisman e Morgan.

Teorias exogénicas
O Homem seria no momento do nascimento uma tábua rasa, pelo adestramento
e hábito poder-se-ia fazer-se tudo quando são aplicados os métodos respectivos.
Este grupo de teorias acentua o meio ambiente em que decorre o
desenvolvimento comparativamente aos outros factores como força
determinante de desenvolvimento psíquico.
O desenvolvimento é mais ou menos directamente reduzido à educação e
formação. Contudo a criança e o jovem são considerados como objectos
positivos das influências externas e deste modo expostos a métodos mecânicos
de educação, segundo Watson.

Teorias de convergências
O desenvolvimento do psíquico é resultado de uma convergência de factores
hereditários e factores ambientais. Logo, o desenvolvimento do psíquico da
criança e do jovem é resultado de forças desiguais da hereditariedade e do meio
ambiente. Significa que, o desenvolvimento do psíquico é determinado pela
cooperação de dois factores principais: hereditariedade e meio ambiente (Stern).
Estas teorias defendem que, no desenvolvimento do psíquico deve-se distinguir
os processos de maturidade e os processos de aprendizagem. Os processos de
maturidade são biologicamente condicionados. Enquanto que os factores de
aprendizagem estão sujeitos a regularidades sociais. Portanto, o
desenvolvimento psíquico seria condicionado pelos factores biológicos e de
assimilação.

TEMA 3:
A PSICOLOGIA EVOLUTIVA OU ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao
crescimento orgânico. O desenvolvimento mental e uma construção continua,
que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Algumas
dessas estruturas permanecem ao longo de toda a vida (...)
Psicologia Geral 43

Conceito de desenvolvimento
Tradicionalmente, na literatura psicológica encontramos definidos:
1. Desenvolvimento como o processo de crescimento e diferenciação
continuada no tempo, resultado da maturação biológica e da interacção
com o ambiente e
2. 2. Psicologia de Desenvolvimento, em consequência, como aquele
ramo da psicologia que estuda o processo e organização/estruturação
do indivíduo desde o nascimento ate a idade adulta (desenvolvimento).
Durante o arco da vida a personalidade vai adquirindo, através de processos
evolutivos seja biológicos que psicológicos, uma maior e mais eficiente
harmonização das energias que se dispõem, com uma crescente possibilidade
seja de autonomia e de novos de compreensão seja de participação afectiva e de
socialização com o mundo.
Uma das consequências desta afirmação e que os seres humanos tornam-se
sempre mais complexos na medida em que se desenvolvem. Não só, mas se o
Homem e uma criatura admiravelmente complexa, não menos surpreendente o e
também a pequena criatura, que e o recém-nascido, desde os primeiros instantes
em que vê a luz.

Factores que influenciam o desenvolvimento humano


Vários factores indissociáveis e em permanente interacção afectam todos os
aspectos do desenvolvimento. São eles:
 Hereditariedade
A carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não
desenvolver-se. Existem pesquisas que comprovam os aspectos genéticos da
inteligência. No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém ou alem do
seu potencial, dependendo das condições do meio que encontra.
 Crescimento orgânico
Refere-se ao aspecto fisco. O amadurecimento de altura e a estabilização
do esqueleto permite ao indivíduo comportamentos e um domínio do mundo que
antes não existiam. Pense nas possibilidades de descobertas de uma criança,
quando comera a engatinhar e depois de andar, em relação a quando uma criança
estava no berço com alguns dias de vida.
 Maturação neurofisiológica
É o que torna possível determinado padrão de comportamento. A alfabetização
das crianças, por exemplo, depende dessa maturação. Para segurar o lápis e
maneja-lo como nos, e necessário um desenvolvimento neurológico que a
criança de 2, 3 ano não tem. Observe como ela segura o lápis.
Psicologia Geral 44

 Meio
O conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de
comportamento do indivíduo. Por exemplo, se a estimulação verbal for muito
intensa, uma criança de 3 anos pode ter um repertório verbal muito maior do que
a média das crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode não subir e
descer com uma facilidade uma escada, porque esta situação pode não ter feito
parte de uma experiência de vida.
Aspectos do desenvolvimento humano
O desenvolvimento humano deve ser entendido com uma globalidade, mas, para
efeito de estudo, tem sido abordado a partir de 4 aspectos básicos.
• Aspecto fisico-motor
Refere-se ao crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica, a capacidade
de manipulação de objectos e de exercício do próprio corpo. (ex: a criança aos 7
meses consegue levar a chupeta a boca porque já tem uma certa concordância no
movimento das mãos).
• Aspecto intelectual
É a capacidade de pensamento, raciocínio. Por exemplo, a criança de 2 anos, que
usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que esta debaixo de um
móvel ou o jovem que planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
• Aspecto afectivo-emocional
É o modo particular de o indivíduo integrar as suas experiências. E’ o sentir. A
sexualidade faz parte deste aspecto. Exemplos: a vergonha que sentimos em
algumas situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido, etc.
• Aspecto social
É a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras
pessoas. Por exemplo, em um grupo de crianças, no parque, e possível observar
que algumas espontaneamente buscam outras para brincar, e algumas que
permanecem sozinhas.

Analisando cada um destes aspectos descobrimos que todos os aspectos estão


presentes em cada um dos casos. Não e possível encontrar um exemplo “puro”,
porque todos estes aspectos relacionam -se permanentemente. Por exemplo, uma
criança tem dificuldade de aprendizagem, repete o ano, vai-se tornando cada vez
mais “tímida” ou “agressiva”, com poucos amigos e, um dia, descobre-se que as
dificuldades tinham origem em uma deficiência auditiva. Quando isso e
corrigido todo o quadro reverte-se. A história pode também não ter um final
feliz, se os danos forem graves.
Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que
estes quatro aspectos são indissociáveis, mas elas podem enfatizar aspectos
Psicologia Geral 45

diferentes, isto e, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos


aspectos. A Psicanálise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do
aspecto afectivo-emocional, isto e, do desenvolvimento da sexualidade. Jean
Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.

A Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de PIAGET


A influência de Jean Piaget (1896-1980) não tem andado longe da de Freud.
Nascido na Suécia, Piaget passou a maior a parte da sua vida dirigindo um
instituto de desenvolvimento infantil em Genebra. Publicou um número
extraordinário de obras e trabalhos científicos, não apenas sobre o
desenvolvimento da criança, mas também sobre educação, história do
pensamento, filosofia e lógica, e manteve a sua prodigiosa produção ate a data
da sua morte em 1980.
Embora Freud tenha dado tanta importância, nunca estudou directamente a
criança. A sua teoria foi desenvolvida a partir de observações feitas no decurso
de tratamento de pacientes adultos em sessões de psicoterapia. Piaget, pelo,
contrario, passou, passou a maior parte da sua vida observando o
comportamento de bebes, crianças e adolescentes. Baseou-se muito do seu
trabalho em observações minuciosas de um número limitado de indivíduos, mais
do que no estudo de grandes amostras. Não obstante, defendia que a maioria das
suas das suas principais descobertas eram validas para o desenvolvimento das
crianças de todas as culturas.
O desenvolvimento cognitivo (desenvolvimento do pensamento)
De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é produto do equilíbrio
entre o organismo e o meio, porque a aquisição ou assimilação de
conhecimentos e um processo evolutivo de construção, na teoria epistemológica
de conhecimento ou epistemologia genética.
No desenvolvimento cognitivo colocam-se as questões como: “como é possível
o conhecimento”? como é que os conhecimentos aumentam, (compreensão?
extensão)? quer dizer em quantidade como em qualidade.
Um conhecimento e construído com base nos conhecimentos anteriores
organizando-se em processos cognitivos segundo a adaptação do organismo ao
meio. A ideia piagetiana é estrutural ou construcionista quando evidencia a
construção ou organização de estruturas mentais ou processos cognitivos. Por
outro lado, é funcional ou psicobiologica devido a adaptação orgânica e
intelectual ao meio como condições funcionais no sentido de surgir uma
organização das estruturas cognitivas. Assim, o desenvolvimento cognitivo
surge das funções de organização e de adaptação.
O desenvolvimento leva as mudanças progressivas e sequenciais na estrutura da
organização dos processos cognitivos por causa da dialéctica ou interacção a
Psicologia Geral 46

organização e adaptação. A progressiva adaptação orgânica e intelectual ao meio


conduz ou leva a uma progressiva mudança na sequência das estruturas
cognitivas, tendo um estado mutável e não rígido.
Assim, o processo de adaptação realiza-se por meio de equilíbrio entre
assimilação e acomodação. O equilíbrio leva a aquisição de estruturas
cognitivas (o desenvolvimento cognitivo). As estruturas cognitivas se resumem
em dois tipos: esquemas e conceitos.
Um esquema e um conjunto de regras que define um género especifico de
comportamento (actividades de chuchar, apalpar, olhar, etc.) como parte da
estrutura cognitiva da criança. Quando mais cresce, vai conhecendo o seu meio,
também vai desenvolvendo estruturas mentais (conceitos segundo Piaget),
referindo aquelas normas que descrevem acontecimentos ambientais, relações
entre conceitos, seus efeitos. Pois, a adaptação ao meio ambiente faz-se através
do processo de assimilação e acomodação.
Assimilação como processo espontâneo da criança consiste em integrar ou
interiorizar a experiência do meio ambiente onde esta inserido (processo).
Consiste em acrescentar novos elementos a um conceito ou a um esquema.
Enquanto, a acomodação refere o ajustamento desses elementos a nova situação.
O ajustamento que o indivíduo faz ao incorporar a realidade externa. Se a
assimilação consiste na capacidade do sujeito interiorizar e conceptualizar as
suas experiências do meio, a acomodação e a resposta do sujeito as exigências
imediatas e constrangedoras do meio, e o grau de adaptação aos estímulos
externos, mediante a reorganização cognitiva, em vez de respostas mecânicas.
Os estádios do desenvolvimento cognitivo em PIAGET
Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o
aparecimento de novas qualidades do pensamento, o que, por sua vez, interfere
no desenvolvimento global.
Piaget acentua bastante a capacidade da para entender activamente o mundo. As
crianças não observam de uma forma passiva a informação, mas seleccionam e
interpretam o que vêem, ouvem e sentem acerca do mundo que as rodeia. A
partir dos estudos e de numerosas experiências que efectuou sobre as formas de
pensar da criança, chegou a conclusão de que os seres humanos atravessam
vários estádios distintos de desenvolvimento cognitivo – ou seja, vão
aprendendo a pensar sobre eles próprios e mundo a sua volta. Cada estádio
implica a aquisição de novas capacidades e esta dependente de uma de uma
conclusão bem sucedida da fase anterior.
1. Estádio sensório-motor (0 a 2 anos de idade)
Ate uma idade máxima de quatro meses, um bebé não consegue diferenciar-se
do que o rodeia. O desaparecimento do objecto no campo visual da criança
perde todo interesse por ele (não existe/nunca existiu); por exemplo a criança
Psicologia Geral 47

não entende que são os próprios movimentos que provocam o ranger do berço e
não diferencia entre objectos e pessoas. A actividade cognitiva é
comportamental. Pensar é agir.
O bebé não tem noção de que existe algo fora do seu campo de visão.
(Irreversibilidade). Como demonstram alguns estudos, os bebés aprendem de
forma gradual a, a distinguir as pessoas dos objectos, começando a perceber que
ambos têm uma existência independente das suas percepções mais imediatas.
Aos 6 meses de idade, a criança investida as características do objecto. Procura
o objecto escondido, continua a existir.
Piaget chama a este primeiro estádio sensório-motor, pois as crianças aprendem
usando os seus diferentes sentidos, sobretudo tocando objectos, manipulando-os
e explorando fisicamente o meio ambiente. De 1 ano e meio o pensamento da
criança esta ligado a linguagem, esquemas motores e a conceitos de objectos e
das suas características. A principal conquista neste estádio é que, a criança já
entende que o meio ambiente tem propriedades próprias e imutáveis.

2. Estádio pré-operatório (2-7 anos de idade)


Foi aquele que Piaget dedicou grande parte da sua investigação. Nesta fase
desenvolvem-se outras estruturas cognitivas: a criança e capaz de distinguir o
“eu” do objecto; adquire noção de tempo e espaço. Tem início a reversibilidade.
A criança já domina a linguagem e se torna capaz de usar palavras para, de uma
forma simbólica, representar objectos e imagens. Uma criança de quatro anos,
por exemplo, pode usar a mão em movimento para representar o conceito de
“avião”. Início da aquisição de noção de conservação da massa e volume
(quantidade)
Piaget apelida este estádio de pré-operacional, pois as crianças ainda não são
capazes de usar, de uma forma sistemática, as suas capacidades mentais em
desenvolvimento. Na maneira de ver o mundo, é característica destas crianças o
egocentrismo, ela acredita que as pessoas vêem o mundo exactamente como ela
vê, p. Ex: ao contar um facto, omite pormenores importantes “julgando” que os
outros têm a mesma visão do facto. Este conceito não se refere a egoísmo mas a
tendência da criança interpretar o mundo exclusivamente em função da sua
própria posição. (ex. pedir explicação de uma ilustração enquanto o livro esta
virado para si.
A criança não entende que o outro não vê); as crianças falam ao mesmo tempo
mas não com a outra, como os adultos fazem; não tem categorias de pensamento
que os adultos tem, as crianças não tem conceitos de causalidade, velocidade,
peso ou numero (mesmo se a criança observar alguém a deitar agua num
recipiente alto e estreito para o outro mais baixo e largo, não entende que o
Psicologia Geral 48

volume continua o mesmo – mas conclui que há mais agua no segundo


recipiente, porque o nível da agua esta mais abaixo.
3. Estádio de operações concretas (7-12 anos de idade)
Existe um equilíbrio estável entre assimilação e acomodação. Durante esta fase
as crianças dominam noções lógicas e abstractas. São capazes de, sem grandes
dificuldades, lidar com ideias como a de causalidade. Uma criança nesta fase de
desenvolvimento e capaz de reconhecer o raciocínio falso implícito na ideia de
que o recipiente mais largo continha menos água do que o mais estreito, mesmo
que os níveis da água sejam diferentes. Torna-se capaz de efectuar operações
matemáticas, como a multiplicação, a subtracção ou divisão. As crianças neste
período são muito menos egocêntricas. Se perguntar a criança quantas irmãs tem
ela dirà uma, mas se perguntar quantas irmãs tem a tua irmã ela provavelmente
dirá “nenhuma” porque não e capaz de se colocar na posição da irmã, não e
capaz de raciocinar em termos hipotéticos.
4. Estádio das operações formais (12-18 anos de idade)
Desenvolvimento das capacidades lógicas, de representação simbólica. Criação
de hipóteses e sua verificação. Pensamento abstracto, dedutivo (processo de
transição do geral ao particular) e indutivo. Raciocínio formal segundo a cultura.
Quando deparam com um problema, as crianças nesta fase são capazes de rever
todas as formas possíveis de resolver, examinando-o teoricamente de maneira a
chegar a uma solução.
De acordo com Piaget os primeiros três estádios de desenvolvimento são
universais; mas nem todos os adultos alcançam o estádio operacional formal. O
desenvolvimento deste tipo de pensamento esta dependente, em parte, dos
processos de escolaridade. Os adultos com uma educação limitada tendem a
continuar a pensar em termos mais concretos e reter largos traços de
egocentrismo.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossexual segundo FREUD


Freud dividiu a vida psíquica em dois níveis: o inconsciente e o consciente. O
inconsciente considerou-o mais importante, é a camada mais profunda e
responsável por grande parte de nossas manifestações. A vida psíquica se centra
na libido (pulsões sexuais), responsável pela agressividade como de origem
sexual. Segundo a concepção libidinal, dividiu a personalidade em três
instâncias: Id; Ego; Super-ego (ver o capitulo anterior).
A psicanálise descreveu seja a estrutura da mente (ID, EU, Super-EU), seja o
desenvolvimento dos processos psíquicos dos primeiros anos de vidas. Este
desenvolvimento e decisivo porque nele se deitam os fundamentos da vida
psíquica do futuro indivíduo adulto e os traços persistentes da personalidade. O
aspecto mais evidente da teoria freudiana é o das fases do desenvolvimento
Psicologia Geral 49

psicossexual. Segundo Freud, a área do prazer sexual desloca-se duma zona


erótica/erógena do corpo a outra, segundo uma sequência determinada
biologicamente na medida em que a criança cresce. De consequência os
distúrbios psíquicos do indivíduo adulto dependeriam dum desenvolvimento não
regular das várias fases da sexualidade infantil. Freud preconiza cinco estádios
do desenvolvimento psicossexual.

As fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud


1. Fase oral (0-2 anos)
Nos primeiros meses da vida ate cerca de 2 anos de vida, a libido esta
concentrada na zona oral (boca): o bebe tira prazer através da zona erótica da
boca, dos lábios e da língua, e nos actos de sucção, mordedura e mastigação. No
adulto, a fixação formas da sexualidade oral pode exprimir-se em
comportamentos com a sucção do próprio dedo, comer-se as unhas, comer
excessivamente, etc.
2. Fase anal (2-3anos)
Nesta fase o ponto focal da libido desloca-se e as principais fontes de prazer
sexual tornam as actividades esfintéricas. Esta presente seja a exigência de
satisfação da necessidade (defecar) seja de aprender o controlo fisiológico em
relação as regras ditadas pelos pais e as convenções sociais. Conter as fezes
significa, duma parte, bloquear a satisfação de uma necessidade e da outra parte,
significa realizar ou cumprir as regras dos pais, que a sua volta são fonte de
gratificação quando a norma vem respeitada pela criança. A co-presença de
exigências contrastantes, o conflito, relacionado a fase anal poderá manifestar-se
no adulto em comportamentos de excessiva limpeza, pontualidade, obstinação,
etc.
3. Fase fálica (3-5 anos)
Entre 3 a 5 anos a libido desloca-se para as zonas genitais a procura do prazer. O
rapaz e a menina tocam os próprios órgãos genitais, tornam-se curiosas em
relação às diferenças entre os dois sexos. Os pais muitas vezes proíbem o
comportamento sexual das crianças desta idade pensando ou considerando que
são formas adultas da actividade sexual, enquanto normalmente exprimem a
exigência das crianças de conhecer o próprio e o outro aparato sexual. Nesta fase
manifesta-se o assim chamado complexo de Édipo2, ou Electra para casos de
preferência na denominação do complexo para o feminino. O menino chegando
nesta fase do desenvolvimento psicossexual, experimenta um desejo de
hostilidade para o pai e um desejo de amor para com a mãe. Estes dois desejos
co-presentes, numa forma geralmente inconsciente, são vividos como um
2
Do nome da personagem da tragédia grega Édipo, rei de Sofocle. Na tragédia grega, Édipo mata o
pai sem conhecer a identidade e casa-se com a mãe.
Psicologia Geral 50

conflito. Por outro lado, o pai representa para o menino a fonte da punição
(vivida como castração dos próprios órgãos) por causa do amor dirigido a mãe.
O menino pode superar este conflito através de um processo de identificação
com o pai, mediante o qual ele assimila e faz seu o comportamento paterno.
Durante o processo de identificação, os meninos introjectam no Super-ego
grande parte das regras sociais e dos valores partilhados e derivados da figura
dos pais. Na menina verifica-se um processo em parte análogo, primeiro de
hostilidade para com a mãe e amor para com o pai e, portanto, em seguida, de
identificação com a figura materna.
4. Fase da latência (6-inicio da adolescência)
Durante esta fase a actividade da libido perde intensidade, consentindo ao “Eu”
uma trégua para consolidar o desenvolvimento anterior enquanto a criança
orienta ou dirige os próprios interesses no ambiente.
5. Fase genital (fim da adolescência)
O culminar do desenvolvimento psicossexual verifica-se no fim da adolescência,
na fase genital. O rapaz e a rapariga completam o desenvolvimento psicossexual
e orientam o próprio comportamento sexual aos parentes. Elemento
característico desta fase e o surgimento de um interesse de relação
reciprocamente gratificante com os outros. O indivíduo que se encontra nesta
fase genital, esta em grau de manifestar o interesse para com os outros, desejo de
partilhar as experiências significativas e solicitude para o seu bem-estar: este
empenho a reciprocidade não e alcançado por todos.

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial segundo ERIKSON


O desenvolvimento psicológico, seja na dimensão cognitiva como na emotiva,
não termina com a idade adulta. Os primeiros anos de vida e o período da
adolescência são etapas fundamentais para a construção do mundo psíquico do
adulto, mas a obra da reelaboração e da reorganização da própria vida psíquica
continua incessantemente por toda a existência humana.
A ideia de que o desenvolvimento psíquico dura toda a vida e que seja
estreitamente legada as relações sociais foi elaborada por Erik Erickson
(1902-1994). Erikson, psicanalista, nasceu em Frankfurt, Alemanha.
Enquanto Freud atribuía mais importância ao inconsciente, Erickson focalizava
a sua atenção no papel desenvolvido pelo “Eu” quando se devem enfrentar
problemas nos diferentes períodos da vida.
A teoria de Erikson (1950, 1968) afirma que o desenvolvimento psicossocial
atravessa oito estádios, em cada um do qual o indivíduo deve enfrentar uma
série de problemas, ou a assim chamada crise do estádio, para poder passar ao
estádio sucessivo. Segundo Erikson, na medida em que uma criança resolve
Psicologia Geral 51

positivamente os problemas de cada estádio, determina-se a sua possibilidade de


tornar-se uma pessoas adulta dotada de capacidade de adaptação.

Os estádios do desenvolvimento psicossocial de Erickson

1. Estádio sensório-oral (0-1)


Crise entre a confiança e desconfiança. A criança põe-se o problema de ter
confiança o não ter confiança na pessoa que toma cuidado ou se ocupa dela
(geralmente a mãe), se recebe ou não nutrição e afecto. Da confiança para com a
figura materna desenvolvera a confiança para com o ambiente externo e outras
pessoas. Se a criança não contar com o afecto e os cuidados maternos, perdera a
confiança para com as outras pessoas e pensará que o ambiente externo não lhe
pode dar confiança.
2. Estádio muscular-anal (1-2 anos)
Crise entre autonomia-dúvida/vergonha, a criança começa a explorar o mundo
e a entrar em relação com outras pessoas. Na medida em que conquista
autonomamente as habilidades principais, por exemplo aprender a caminhar,
deve também não duvidar de si quando não consegue padronizar esta tal
capacidade imediatamente. A criança deve escolher se ser autónoma em tal
situação e continuar de modo independente, ou então enfrentar o futuro com
dúvidas.
Características: afirmação da vontade: a criança desenvolve a capacidade de
escolha, a possibilidade de auto-domínio; sentimentos de autonomia e de amor –
próprio. Pode desenvolver-se sentimentos de perca de auto-domínio, a vergonha
e duvidas quanto ao exercício da vontade.
3. Estádio locomotorio-genital (3-5 anos)
Crise de iniciativa/sentimento de culpa. Desenvolvem-se as estruturas
anteriores e a criança encontra-se a ter que resolver o conflito existente entre o
tomar iniciativa em actividades e apreciar os resultados ou sentir-se culpado por
ter ultrapassado os limites, neste caso surge o medo de punições ou de castigo,
criticas e de consequência o sentimento inibitório (a criança pode perder a
capacidade de tomar novas iniciativas e sente-se em culpa pelos seus
falimentos).
4. Estádio de latência (de 6 anos – a puberdade)
Crise da diligencia e complexo de inferioridade. Nesta fase adquirem as regras
fundamentais sobre o mundo externo e as primeiras regras de comportamento
social graças ao facto de frequentar a escola e o grupo dos pares. As próprias
competências podem ser desenvolvidas e reforçadas, ou então podem ser
bloqueadas. O insucesso na escola ou nas relações sociais em geral podem gerar
um sentido de inferioridade que bloca ulteriormente o desenvolvimento
cognitivo e emotivo.
Psicologia Geral 52

5. Estádio da Adolescência
A crise por superar é entre a identidade e confusão a cerca do papel a
desempenhar (confusão de identidade). O adolescente deve desenvolver o
sentido de identidade de si mesmo, tornar-se um indivíduo com a sua própria
personalidade distinta daquela dos parceiros e dos adultos, com próprias normas
sociais e próprios valores morais. O falimento na construção da identidade
manifesta-se na “confusão de papeis”, facto pelo qual o adolescente não
consegue encontrar um papel adequado para a sua personalidade no contexto
social.
6. Primeira idade adulta (20-30 anos)
Nesta fase a crise é entre intimidade ou amor/isolamento a pessoa enfrenta a
escolha entre uma vida caracterizada de relações de intimidade (capacidade de
amizade e amor), encontrar-se em companhia, amar alguém e a ausência de
relações afectivas, e transformar-se num isolado, evitando compromisso de amor
ou amizade. É o estádio da vida em que se põe também a problema da escolha
profissional que permite a inserção na sociedade. As duas escolhas cruzam-se,
originando as vezes conflitos, sobretudo na mulher pela qual a profissão pode
contrastar com o papel de mulher e de mãe.
7. Meia-idade (40-60 anos)
A crise situa-se entre a criatividade ou interesse/estagnação ou auto-absorção.
Regista-se a consolidação do amor e da amizade: aumento do interesse
profissional, aumento da atenção para com os filhos mas pode viver em
debilidade no relacionamento, em depressão, sem interesse. Para essa fase
contribui muito a tipo de escolha profissional feito, em particular em relação a
constatação feita no que diz respeito aos objectivos ou propósitos alcançados ou
não segundo a plano traçado na juventude. O sentido do insucesso pode muitas
vezes estimular a novos interesses e opções ou a uma nova ou mais lúcida
consciência das próprias capacidades.
8. Velhice (dos 60 anos em diante)
A crise observa-se entre o sentimento de integração e calma/ desespero. Nesta
fase emerge uma outra situação de conflito, aquela concernente a aquisição de
um sentido de integridade, que se experimenta quando se considera que a
própria vida foi completada, dando-lhe um sentido, ao qual se contrapões o
desespero, se se pensa de não ter alcançado os objectivos que anteriormente se
tinham proposto ou de não ter integrado as próprias experiências.
A pessoa pode tornar-se sabia: não se preocupa ansiosamente pela vida porque
descobriu o seu sentido e o da dignidade da sua vida; há aceitação da morte. Mas
pode não alcançar a sabedoria, ao fazer o balanço da sua vida ou avaliação do
seu passado e verifica que não fez nada que valesse a pena, logo surge um
sentimento de desgosto pela vida e de desespero perante a morte.
Psicologia Geral 53

Cada vez mais está a crescer o numero de anciãos que fica inactivo depois da
reforma e marginalizados em relação as decisões da colectividade. A psicologia
deve ser em grau de afrontar esta nova problemática para a integração dos
anciãos na sociedade.

A Teoria do Desenvolvimento Moral segundo KOHLBERG


No desenvolvimento da personalidade joga um papel fundamental a aquisição de
regras de comportamento que reflectem os valores da cultura e da sociedade em
que o indivíduo vive. Lawrence Kohlberg, fortemente influenciado pela teoria
de Piaget, apresentou a hipótese de o aspecto moral desenvolve-se gradualmente
por estádios.
Kohlberg introduz uma perspectiva desenvolvimentista, isto significa que
revolucionou a compreensão sobre o desenvolvimento moral, descobriu que as
pessoas não podem ser agrupadas em compartimentos definidos com rótulos
simplicistas:
o Este grupo é honesto
o Este grupo é aldrabão
o Este grupo é reverente
Segundo Kohlberg, o carácter moral das pessoas se desenvolve. Significa que o
crescimento moral se faz de acordo com uma sequência do desenvolvimento.
Para o desenvolvimento do carácter, “dizer as crianças e adolescentes para
adoptarem determinadas virtudes ou manipulá-las até que digam palavras certas
não produz um desenvolvimento pessoal ou cognitivo significativo). (Sprinthal
& Sprinthal, 1993:170).
O desenvolvimento ocorre de acordo com uma sequência específica de estádios,
independentemente da cultura, sub-cultura, continente ou país, raça.
Moral refere-se as normas e regras da conduta social que caracterizam as
concepções a respeito da justiça e injustiça, do bem e do mal. São mantidas ou
cultivadas pela força da opinião pública, hábitos, costumes e educação.
Kohlberg identificou seis estádios fundamentais do desenvolvimento moral (ver
quadro a seguir).
Psicologia Geral 54

Os seis estádios do desenvolvimento moral de Kohlberg (1964)

Níveis Estádios Características


A obediência e as decisões morais são baseadas
em formas de poder muito simplicistas, de tipo
I físico e material Aqui o comportamento baseia-se
na recompensa e no desejo de evitar a punição
física severa por parte de um poder superior,
“poder da razão”, “a sobrevivência dos mais
fortes”. P. Ex. as acções são julgadas em termos
das suas consequências físicas. O medo da punição
Moralidade pré- domina os motivos da criança.
convencional ou As acções baseiam-se amplamente na satisfação
pré-moral das necessidades pessoais do indivíduo. O motivo
básico das pessoas é satisfazer as próprias
(0 –7/8) necessidades. Não consideram as necessidades das
outras pessoas. Envolve a percepção do poder do
II negócio/trocas de favor. “Coça-me as costas e eu
coço as tuas”...mas obtendo pequena vantagem em
cada negócio. há uma orientação materialista, na
qual as discussões morais se expressam em termos
instrumentais e físicos. Este nível aceita o uso de
influências para resolver qualquer delito. Ex: se a
personalidade é encontrada a roubar um carro a
punição está determinada pelo custo do carro.
Admite falsificar assinaturas, subornos, aldrabar o
patrão ou cometer outros delitos semelhantes,
desde que a pessoa escape impune.
Filosoficamente, esta categoria de pensamento
moral é designada de hedonismo instrumental:
falta de respeito humano pelas outras pessoas.
O conformismo social: fazer o apropriado e o que
agrada os outros, rejeita as decisões do ego. Há um
relacionamento duplo. O motivo da criança é ser
bom rapaz para ser aceite.
Cumprem-se somente as acções que são aceites
Moralidade III pelos parceiros, professores e pais. O “justo” e o
convencional ou “injusto” não vem avaliado em base as punições
de físicas ou recompensas (doces, brinquedos) mas
conformidade em relação a avaliação que os outros fazem do
próprio comportamento e às exigências de oferecer
(7/8– uma boa imagem de si mesmo. Obedece-se as
adolescência) regras para evitar o sentido de culpa derivante da
Psicologia Geral 55

censura da autoridade.

Tomada de decisões de acordo com os códigos


IV legais existentes, em todas situações dilemáticas
(preservação da sociedade). A tendência é de ser
melhor e não apenas o cumprimento das normas.
Agir de acordo com o contrato social: Da
Moralidade V adolescência em diante, a pessoa interiorizou
Pós- regras abstractas de comportamento social que são
convencional ou muitas vezes em contraste com as próprias
dos princípios convicções.
Os adultos que atingem esta fase, estão em grau de
(da adolescência reflectir sobre os princípios éticos e universais, tais
em diante) VI como a justiça, a igualdade, dignidade de todas as
pessoas, o bem comum, a sacralidade da vida, o
altruísmo, etc. Esta fase é caracterizada duma
moralidade da consciência, facto pelo qual as
pessoas tendem a ver o comportamento ético como
um equilíbrio entre o bem-estar do indivíduo e
aquele da sociedade e a creditar na aplicação das
regras sociais em virtude dos seus princípios, mas
não em prejuízo dos direitos individuais. O
indivíduo, portanto, obedece as regras em base a
convicções amadurecidas e considerações
objectivas

TEMA 4:
INTRODUCAO AO ESTUDO DA PERSONALIDADE

Génese e Formação da Personalidade


Nenhum Homem nasce como personalidade. Entretanto, cada um de nós nasce
como um projecto (esboço) da personalidade, quer dizer, cada indivíduo ao
nascer é um centro de iniciativas, de buscas e de construções de boas qualidades.
Isto significa que cada indivíduo permanentemente deve trabalhar para a
formação da sua personalidade.
Psicologia Geral 56

A personalidade do Homem constrói-se pelos sinais complexos e estáveis:


temperamento, conduta, moral, interesse bem como as necessidades que
definem as propriedades dos sentidos e do comportamento do mesmo Homem.
A personalidade capacita-se às diversas situações da vida, aí se define a sua
totalidade pelas influências sócio-genéticas e sócio -culturais.
Conceito de Personalidade
A personalidade exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos outros e a
si próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua continuidade. É o modo
relativamente constante e peculiar de perceber, pensar, sentir, e de agir do
indivíduo. Inclui as atitudes, habilidades, crenças, emoções, desejos, o modo
de se comportar e, inclusive os aspectos físicos do indivíduo.
Em suma, a personalidade é o nosso ser global, inclui o consciente e o
inconsciente na sua relação com o mundo exterior.
Estrutura da Personalidade
Fazem parte da estrutura da personalidade as particularidades relativamente
constantes e viáveis da própria personalidade (do sujeito).
As componentes principais da personalidade são a estrutura endopsíquica e a
exopsíquica.
Exopsiquica: determina a atitude do homem em relação ao meio externo. O
exopsiquismo contempla a experiência social (conhecimentos, hábitos,
habilidades) e a orientabilidade do indivíduo (inclinações, interesses, motivos,
ideias, convicções, sentimentos, etc.). A exopsíquica está condicionada
socialmente, é adquirida das forças do meio, não é biologicamente determinada.
Endopsíquica: manifesta a dependência interna mútua dos elementos e das
funções psíquicas. É identificada com a actividade psico-nervosa do homem.
Relaciona-se com os traços da personalidade como a receptividade,
peculiaridade da memória, percepção, vontade, pensamento, imaginação, etc. A
endopsíquica está condicionada biologicamente, é inata, não depende das forças
do meio.

Teorias da Personalidade
A conduta humana é reconhecida como complexa. Assim, o comportamento não
é determinado por um único factor, mas sim por muitos factores, de natureza
diversa. Diante de tão complexo campo de investigação, diferentes grupos de
estudiosos enfatizam diferentes grupos de aspectos de comportamento. Alguns
concentram-se em hereditariedade e outros em influências ambientais. Outros
ainda, favorecem a formação de um conjunto de leis gerais, entendendo o
Homem como ser social e ao mesmo tempo biológico. As teorias da
Personalidade que merecem distinção especial são: o Behaviorismo, o
Psicologia Geral 57

Gestaltismo, a Psicanálise, a Disposicional, A humanista, A Fenomenologia,


a cognitiva, a Biológica, a Evolucionista, etc.

Behaviorismo
O termo “Behaviorismo” que em Inglês “behavior” significa comportamento, foi
inaugurado pelo americano John Watson. Watson postulava o comportamento
como objecto de estudo da psicologia e defendia que este (comportamento)
devia ser estudado em função de certas variáveis do meio.
Para entender a personalidade (comportamento) deve-se analisar as relações
funcionais entre acções visíveis e suas consequências também visíveis.
A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do par Estimulo-Resposta.
Todo o comportamento pode ser modificado pelo meio ambiente, de tal forma
que o controle das condutas é possível e os fenómenos psíquicos são previsíveis.
A influência do meio ambiente predetermina o comportamento. Não se interessa
pelos fenómenos como a consciência, a hereditariedade, o prazer e a dor.
O homem é considerado vítima passiva do meio ambiente. O ensino e a
experiência são blocos de construção da personalidade.

O Gestaltismo
Os fundadores da escola da Gestalt foram WERTHEIMER (1880-1943), KURT
KOFFKA (1886-1941) e WOLFGANG KOHLER (1887-1967). Todos eles
negam a fragmentação entre acções e processos humanos, defendendo o
principio de determinação relacional, isto é, que as propriedades das partes
dependem do lugar, papel e função que têm no todo. Sustentam ainda que a
maior parte das configurações, o todo não é igual à soma das partes
demonstrando-se que o estímulo deve ser considerado como uma totalidade. A
Gestalt Orienta-se pelos seguintes princípios:
• O todo é percebido antes das partes que o compõe;
• O todo é definido pelas interacções e interdependências das partes;
• As partes de uma configuração não mantêm sua identidade quando
estão separadas da sua função e lugar no todo

A Teoria da Personalidade segundo Freud/Psicanálise


Segundo Freud, a personalidade se estrutura em instâncias, nomeadamente Id,
Ego e Superego.
O Id
O ID ou inconsciente (infra-eu) é o núcleo primitivo da personalidade. Não
sofre as influências das forças sociais e conscientes que forma o indivíduo. A
sua preocupação é satisfazer as necessidades instintivas de acordo com o
Psicologia Geral 58

princípio de prazer. O id é a estrutura original básica e mais central. As leis


lógicas do pensamento não se aplicam ao id. O id é a sede das pulsões e dos
desejos recalcados e representações recalcadas (recalcamento = processo mental
pelo qual pensamentos insuportáveis ao eu consciente são reprimidos)
(agressivas e sexuais). Não conhece juízos de valor, nem o bem do mal,
nenhuma moralidade. Os conteúdos do id são quase todos inconscientes, assim
como o material que foi considerado inaceitável pela consciência. O id não
suporta energia de muita tensão e o seu objectivo é reduzir a tensão dolorosa aos
baixos níveis possíveis. O Id é baseado no princípio do Prazer.
O Ego (Eu)
O Ego é a consciência propriamente dita. É a personalidade enquanto actua no
momento presente. Caracteriza-se pela actividade consciente (percepções
exteriores e elaboração de processos intelectuais) e a capacidade para estar em
contacto com a realidade exterior. O Ego é dominado pelo princípio da realidade
(pensamentos objectivos, actos socializados, actividade racional e verbal).
Também caracteriza-se pelo estabelecimento de mecanismos de defesa contra as
invasões da pulsão. As funções básicas do ego são: percepção, memória,
sentimento, pensamento. Em suma, o ego tem a função de ajustar o homem ao
meio da realidade física e social em que vive. É um instrumento de adaptação do
indivíduo ao meio. O Ego é baseado no princípio do Realidade.
O Ego, orientado à realidade do mundo que o circunda, é a chave da adaptação
que procura de mediar as pressões ditadas pelo princípio de prazer, a busca do
prazer e da gratificação imediata, com as exigências impostas pelo princípio da
realidade, provenientes do mundo externo. O ego utiliza a angústia como sinal
de alarme diante dos perigos do mundo interno (pulsional), por outro lado,
organiza mecanismos de defesa que consentem de moderar as exigências do Id
com aquelas do mundo externo.

O Super-Ego (super-eu)
O super-ego é o resultado da interiorização de censuras que a criança faz suas
(identificação) e que lhe vêm dos pais ou do meio ambiente. O conteúdo do
super-ego refere-se a exigências sociais e culturais. Representa o ideal do que é
real. É defensor dos impulsos rumo a perfeição. Origina-se com o complexo de
Édipo, a partir da interiorização das proibições, dos limites e da autoridade. O
super-ego é o depósito das normas morais e modelos de conduta. As suas
funções são a consciência, a auto-observação e a formação das ideias. Podemos
afirmar que o Super-Ego é baseado no princípio da Moralidade/sociabilidade.
A combinação das três camadas, segundo Freud constitui factor importante para
a formação e estruturação da Personalidade.
Psicologia Geral 59

As investigações sobre os conteúdos do Id, conduziram Freud à formulação


duma doutrina geral das pulsões nas quais a libido exprime-se percorrendo as
zonas eróticas, cada uma das quais representa uma determinada fase de
evolução (os estádios do desenvolvimento psicossexual). O desenvolvimento da
libido pode acontecer naturalmente ou enfrentar bloqueios por interferência da
fixação ou da regressão que bloqueiam o desenvolvimento psíquico e o
reconduzem a fases precedentes, com consequências na formação de sintomas
nevróticos. Esta postulação chamou-se de teoria das pulsões.

O princípio do Prazer e o principio da Realidade


Contudo, segundo Freud, o bebé no nascimento é dominado duma única
estrutura de personalidade, o Id, fonte originária de todas as motivações e
energias. Ele procura de realizar esta descarga de energia sem preocupar-se
daquilo que é realizável o socialmente aprovável. O seu modo de funcionamento
e regulado pelo principio de prazer, que procura a gratificação imediata e
completa das pulsões. Mas desde o início dos primeiros meses de vida estas
tentativas de obter uma gratificação imediata são frustradas ou punidas. Estas
experiências contribuem para a formação do ego (eu), o qual é governado pelo
princípio de realidade.

A Psicologia Analítica de CARL JUNG


• Breves linhas biográficas
Carl Jung (1875-1961), nascido na Suíça, formou-se como medico, psiquiatra,
docente. Trabalhou 6 anos com Freud deste modo nasceu o interesse para o
comportamento humano e separa-se de Freud em 1913 e elabora a sua teoria
denominada Psicologia Analítica ou dos complexos. Analítica porque e uma
psicologia que não procura de isolar funções singulares mas de ocupar-se dos
fenómenos que caracterizam a personalidade na sua totalidade.
Construtor da psicologia analítica, é optimista em relação ao Homem. Significa
que o Homem pode ser orientado no sentido de desenvolver as suas potências
realizando-se como eu.
• Pontos de divergência com Freud
1) Aceita a concepção da libido mas como energia psíquica neutra sem
conotação sexual; nega o papel fundamental da libido na origem da
sexualidade.
2) Do ponto de vista metodológico, Jung e mais ou menos ecléctico, ou seja,
usa elementos psicológicos, mitológicos, que segundo o autor, esses
Psicologia Geral 60

devem ser considerados porque encontram representações a nível


psíquico.
3) Separa-se ainda de Freud porque segundo Jung, não e necessário
considerar somente a nível psíquico um dinamismo causal mas também
finalístico, ou seja, é necessário considerar que no comportamento existe
uma meta a alcançar.

• Objecto de estudo da Psicologia Analítica


O conjunto de todos os processos psíquicos: conscientes e inconscientes. Ideia
fundamental: no que diz respeito a realidade psíquica ele sublinha a autonomia
da realidade psíquica em relação ao fenómeno fisiológico mesmo se não
possível uma separação nítida entre as duas esferas. Ele fala também da
realidade fisiológica como sendo subjectiva enquanto incide somente para um
enquanto a realidade psíquica é objectiva no sentido de que algumas ideias são
partilhadas, por exemplo: simbolismo, arquétipos, etc.
Jung acreditava que somos moldados por nossas metas, esperanças, aspirações
em relação ao futuro bem como do nosso passado. A personalidade integral
(psique), segundo Jung, compõe-se de três sistemas: consciência, Inconsciente
pessoal e inconsciente colectivo.
1) Consciência: é a actividade que mantém relação entre os conteúdos
psíquicos (conscientes). Na consciência Jung focaliza o eu porque este é o
sujeito da consciência. Ele entende o eu como um conjunto de
representações que constituem o centro do campo da consciência.
Funções do eu: pensamento, sentimento; sensação e intuição
2) O inconsciente pessoal: localiza-se abaixo da consciência, pertence ao
indivíduo. Consiste em todas as lembranças, desejos e outras experiências
da vida da pessoa que foram reprimidos ou esquecidas.
3) Inconsciente colectivo: localiza-se abaixo do inconsciente pessoal. O
inconsciente colectivo compreende conteúdos que segundo Jung
constituem o depósito de modos reagir típicos da humanidade, por
exemplo, medo do mal, relação entre os sexos, entre pais e filhos,
situações típicas que o indivíduo enfrenta ao longo da sua existência.
Segundo Jung, em base as modalidades como se enfrentam estes problemas
constitui-se um depósito colectivo de predisposição ou reacção diferente, estas
situações são independentes da cultura. Jung afirma que o inconsciente pode-se
alcançar directamente mas através de manifestações: Símbolos ou Arquétipos.
Arquétipos
São determinantes inatos da vida mental que dispõe a pessoa a se comportar de
modo semelhante ao dos ancestrais que se viram diante da situação análoga.
Psicologia Geral 61

Referem-se a símbolos que tem características semelhantes independentemente


das diferenças culturais: mãe terra, herói, luta contra o bem e o mal. São formas
universais de pensamento dotadas de conteúdo afectivo que cria determinada
imagem de cada indivíduo.
Persona
É a máscara da personalidade que usamos no contacto com os outros,
representando-nos tal com o queremos aparecer na realidade. A persona pode
não corresponder a verdadeira personalidade. Inclui nossos papéis pessoais, o
tipo de roupa que usamos, o nosso estilo de expressão pessoal, etc.
Sombra
É a parte mais primitiva e animalesca da pessoa. É o núcleo do material
reprimido na consciência. Ou seja, é a parte da personalidade que se ignora,
geralmente contém material desagradável, ela contem todos os desejos e
actividades imorais e inaceitáveis. A sombra nos impele a emitir
comportamentos que normalmente não nos permitiríamos.
Anima/animus
Reflectem a ideia de que cada pessoa de um sexo exibe algumas características
do outro. Anima se refere as características femininas presentes no homem e
animus as características masculinas presentes na mulher. Estas características
estão ligadas à imagem ideal do homem ou mulher que cada um de nós tem em
si.
Self
É o arquétipo responsável pela integridade ou estabilidade da personalidade. O
Self é o processo central, um impulso para a individuação (realização de si
mesmo) ou aspiração a auto-realização.
Individuação/integração
Antes de tudo temos que considerar que segundo Jung todo o indivíduo possui a
libido, ou seja esta energia fundamentalmente biológica, mas é neutra, ela tende
à integração dos elementos conscientes e inconscientes. Neste caso emerge a
aqui a concepção finalística da libido em vez da função causal.
Auto-realização
Integrando as componentes conscientes e inconscientes, segundo Jung a vida
psíquica é racional que irracional. A energia libidica dà aquele estimulo para
procurar sintetizar os elementos que são em contradição. Segundo Jung, a libido
tem uma direcção que tende a realizar o indivíduo mas quando a libido encontra
um obstáculo que bloqueia o seu fluir a pessoa percebe um certo tipo de mal
estar psíquico, ou seja, desequilíbrio, mesmo se este bloqueio pode ser positivo
no sentido de que ajuda a pessoa a enfrentar o momento e sintetizar a sua vida.
Psicologia Geral 62

Por outro lado, a actualização de si realiza-se através deste processo de


individuação (tornar-se a pessoa própria, o actuar-se como pessoa, mesmo como
dever moral de cada pessoa). A meta ideal para tornar-se “humano” é alcançar a
conciliação entre o consciente e o inconsciente mesmo se, obviamente, um
desequilíbrio pode criar dinamismo no próprio crescimento.
Jung desenvolveu um trabalho sobre atitudes que constituem o modo como a
pessoa reage aos estímulos que chegam, são modalidades de acção e existem
dois modos fundamentais: introversão e extroversão. Na primeira atitude o
sujeito dirige a sua energia para seu o próprio interior, tende a ser introspectivo,
é guiado por referências de tipo interior enquanto que o extrovertido dirige a sua
energia para o fora do eu, para eventos e pessoas do mundo exterior.

A Psicologia Individual de ALFRED ADLER

• Breves considerações biográficas


Alfred Adler (1870-1937), nascido em Viena, em família hebreia. Segundo entre
6 filhos, relativamente gracioso e sofria de uma forma de raquitismo e de criança
desenvolveu uma forma de competição com o primeiro irmão que era génio e
sofria também pela limitação física, por isso desenvolveu uma certa
sensibilidade para com os mais necessitados.
De formação era médico, neurólogo, psiquiatra, sociólogo. A sua atitude diante
dos doentes era especial, e rejeitava o facto de mandar os doentes ao neurólogo
enquanto este não tinha nenhuma lesão e neste caso o neurólogo não tinha
instrumentos necessários para resolver o problema.
A obra fundamental escrita por Adler foi intitulada de “o temperamento
nervoso”. Nesta obra evidencia a mal estar ou distúrbio psíquico como sendo
consequência de uma atitude errada que o indivíduo adopta diante da lógica no
enfrentar a vivência social. Segundo o autor, existe oposição entre o indivíduo e
a sociedade.

Pontos de divergência com Freud


Adler entrou também em contacto com Freud em 1911, mas diverge com o
Freud porque não concorda que com a ideia de que a libido seja a única fonte do
distúrbio psíquico da própria personalidade mas diz que a distúrbio psíquico é
resultado da afirmação exagerada de si.
Método
Estudo de historias de indivíduos que vem reconstruídas gradualmente através
da recordação da própria infância, o conhecimento da situação social do
indivíduo. Assume particular atenção o conhecimento com a posição em que o
Psicologia Geral 63

indivíduo ocupa em termos de nascimento. Este método tendia a ajudar o


indivíduo a compreender porque reage num certo modo, as causas da sua
inferioridade e depois a procurar um equilíbrio a nível emotivo, por exemplo
através do amadurecimento duma coragem, confiança que até pode conduzir o
indivíduo a inserir-se na sociedade.

Aspectos fundamentais da psicologia individual


• Adler é autor da psicologia individual (porque quer sublinhar que o
indivíduo é único, irrepetível e que não é possível isolar um acto, ou
acção da totalidade da personalidade) ou Teoria da unidade do
indivíduo indivisível e livre, consciente dos seus próprios objectivos,
responsàvel nas suas acções.
• Adler acredita que o comportamento humano é determinado por forças
sociais e não biológicas e sugeria que só podemos compreender a
personalidade investigando os relacionamentos sociais e as atitudes
que a pessoa tem com os outros.
• Adler considerava a motivação humana um esforço para atingir a sua
superioridade, o poder. Assim, um sentimento generalizado de
inferioridade é a força determinante do comportamento. Somos mais
influenciados por aquilo que o futuro nos reserva.
• Adler também se concentrava na família como factor de
desenvolvimento da personalidade. Crianças com deficiências podem
se considerar um fracasso , mas, por meio da compesansão e com, a
ajuda de pais compreensivos, podem transformar inferioridade em
forças.
• segundo Adler, o ser humano tende a realizar a própria personalidade,
a própria unidade e tudo aquilo que o estimula a realizar como unidade
é uma necessidade de conservação (biológica e psicológica) e de
realização de si.
• A autorealização é a necessidade fundamental e é vivida na criança
como complexo de inferioridade, neste caso a criança recolhe a sua
energia para poder afirmar-se;
• o ambiente é um factor que condiciona a inserção adequada na
sociedade, as circunstâncias concretas onde o indivíduo actua o seu
plano, o estilo de vida ou o projecto existencial.
• - Para entender a pessoa, segundo Adler, é necessário entender o fim a
que as próprias actividades tendem. Para entender o fenómeno
psíquico precisa entender o fim concreto que a pessoa está a perseguir.
Psicologia Geral 64

As Teorias Disposicionais de ALLPORT, CATTELL e EYSENICK


A orientação disposicional na teoria da personalidade está ligada a psicólogos
anglo-americanos:
A sua base de orientação é que o homem possui conjunto de pré-disposições
para reagir de modo determinado nas diferentes situações, isto é, a personalidade
tem um grupo de traços estáveis. Significa que o homem demonstra estabilidade
determinada nos seus procedimentos, pensamentos, emoções independentemente
do tempo e da experiência.

A Psicologia Humanista de MASLOW e CARL ROGERS


Liderados por Abraham Maslow e Carl Rogers, os psicológos humanistas
enfatizam o potencial de crescimento de pessoas saudáveis.
Nesta corrente confluem várias expressões da psicologia que partilham a
insatisfação dos pressupostos deterministas e reducionistas da Psicanálise e do
comportamentalismo. A psicologia humanista constitui-se como terceira força
(como foi chamada por Maslow) em oposição às duas correntes (acima citadas)
que então dominavam. Da psicanálise foi rejeitado o determinismo biológico, na
dinamicidade das pulsões que supera a espontaneidade e a livre conduta
individual enquanto o comportamentalismo foi rejeitado o elementarismo e pelo
objectivismo, que anula aquilo que na esfera da pesquisa psicológica concerne a
totalidade e a subjectividade.
O humanismo é uma orientação teórica que enfatiza as qualidades únicas dos
seres humanos, especialmente sua liberdade e potencial de crescimento pessoal.

Pressupostos teóricos da psicologia humanista


• A teoria humanista, é uma abordagem centrada no estudo de pessoas
saudàveis e criativas destacando o caracter único da personalidade
humana, a busca de valores e sentido de existência alem da liberdade
de que demonstra a autodirecção e auto-aperfeiçoamento. O
comportamento depende do meio social na interacção com os
factores internos
• Acentua o caràcter da irruducional e unitàrio do Homem, onde as
motivações da acção não são as pulsões, mas são promovindas por
tendências não quantificàveis como a necessidade da exploração, a
criatividade, a visão do mundo em que se exprime a própria
identidade, a qualidade das relações com os outros e sobretudo a
autorealização.
• Pela sua natureza o Homem tem capacidade para auto-
aperfeiçoamento ou auto-actualização (uso e explorarão plenos de
talentos, capacidades, potencialidades).
Psicologia Geral 65

Os Psicólogos humanista:
• Consideram os seres humanos fundamentalmente bons e as
psicopatologias subentram quando ao Homem é impedido de seguir as
inclinações naturais;
• Negam a teoria freudiana segundo a qual o comportamento adulto é
inevitavelmente o produto das experiências passadas.
• Defendem que a personalidade pode modificar-se também, na idade
adulta;
• Afirmam que as pessoas possuem a liberdade e a capacidade de
modelar o próprio futuro, sobretudo se aceitam as experiências do aqui
e agora.

Maslow e a Teoria da Auto-Realização


Abraham MASLOW (1908-1970), em 1962, em Broohklin Colleg nos Estados
Unidos deu início oficialmente a psicologia humanista.
Maslow descreveu a autorealização como a necessidade de tornar-se sempre
mais aquilo que cada um é, de tornar-se tudo aquilo que se é capaz de ser.
Como fundador da psicologia humanista põe uma incondicionada confiança nas
potencialidades da natureza humana que é boa, onde a doença, a maldade ou as
forças destrutivas são resultado da sua frustração e da perversão da natureza
humana (insatisfação de necessidades importantes), não hà traços negativos
inatos.
Segundo Maslow a pessoa é portadora de necessidades e desejos. Para
compreender a sua personalidade e o seu comportamento devem ser analisadas
as necessidades que orientam a relação da pessoa no seu ambiente. Nisto,
Maslow realizou uma organização hieràrquica de cinco necessidades (a
pirâmide das necessidades segundo Maslow) que progressivamente têm sido
satisfeitas para favorecer o crescimento e a maturação da pessoa, começando
pela satisfação das necessidades fisiológicas ligadas à sobrevivência chegando a
auto-realização e são estas necessidades que constituem a base da motivação
do Homem.
1) necessidades fisiológicas: ligadas a sobrevivência, e tem um nível alto
de intensidade no nascimento: respirar, beber, comer, o sono, a
higiene, etc.;
2) necessidade de segurança: emergem depois da satisfação das
necessidades fisiológicas, e compreendem a necessidade da
estabilidade, da dependência, da protecção, da liberdade do medo, da
ânsia e do caos, a necessidade de ordem e de lei, etc. Necessidade de
Psicologia Geral 66

sentir que o mundo é organizado e previsível; necessidade de se sentir


a salvo, seguro e estável.
3) necessidade de pertença e afecto (afiliação e de amor): Necessidade
de amar e ser amado, de pertencer e ser aceite; necessidade de evitar a
solidão e a alienação. A pessoa deseja relações de afecto com as
pessoas em geral, deseja um lugar no seu grupo ou na sua família e
procura realizar este objectivo;
4) necessidade de autoestima e estima: depois da satisfação da
necessidade de afecto, nasce o desejo de estima de si mesmo
(autoestima) e da parte dos outros (desejo de prestigio, de fama, de
gloria);
5) necessidade de autorealização: reflectem a tendência a realizar aquilo
que se ‘e, tornar-se aquilo que se ‘e capaz de ser, trata-se da tendência
a realizar a própria personalidade na totalidade.
Necessidade de corresponder o seu potencial pleno e singular. Neste
nível o homem orienta-se a aqueles valores que Maslow chamou de valores do
ser (being) e que incluem a beleza, a justiça, a lealdade. A satisfação destas
necessidades dà saúde, enquanto a privação orienta a patologia.

Carl Rogers e a Perspectiva Centrada Na Pessoa


O psicológo humanista Carl Rogers concordava com muito do que Maslow
pensava. Rogers considerava que as pessoas são basicamente boas dotadas de
tendências para a auto-realização. Cada um de nós é como uma semente, pronta
para o crescimento e a realização, a menos que seja frustrado por um ambiente
que inibe o desenvolvimento.
A contribuição teórica de Rogers, tem sido denominada de fenomenologica.
Este estudioso parte da descrição do Homem considerando o quadro de
referencia do indivíduo; descreve o indivíduo partindo deste seu mundo
fenomenico, daquilo que o indivíduo percebe
A teoria fenomenológica orienta-se com base nos seguintes princípios
O comportamento duma pessoa pode ser visto:
• Do ponto de vista do observador, daquela pessoa que vê do externo o
comportamento de um determinado indivíduo;
• Do ponto de vista do sujeito que actua num determinado
comportamento, sublinhado deste modo o aspecto subjectivo (reacção
do sujeito ‘a percepção duma determinada situação assim como ele a
percebe).
O campo fenoménico ou de percepção é constituído não tanto pela realidade
objectiva, mas do mundo (seja interno que externo) como é percebido pelo
Psicologia Geral 67

sujeito. Este campo fenoménico dependendo dos autores, é exclusivamente


consciente ou compreende elementos conscientes e subconscientes; para todos
é todavia muito importante e é a verdadeira realidade do sujeito.
Rogers, (1902-1987), na base das suas observações clínicas (1961) refutou a
concepção psiconalitica do conflito de natureza sexual a favor duma concepção
positiva do indivíduo.
O indivíduo, denominado de organismo por Rogers, tende em maneira natural à
sua própria realização, de que o organismo é portador, representa o caràcter
motivacional mais importante da teoria rogersiana, seja no que diz respeito ao
desenvolvimento da personalidade, seja pela importância no processo
terapêutico.
O homem é visto como um ser constituído por varias partes integradas e, por
isso, relacionadas entre si. Rogers parte do conceito de eu (self) para explicar a
personalidade humana;
O conceito do “eu” exprime” um modelo interno que se vai formando a partir
das interacções que as pessoas tem com os vàrios contextos onde se movem. E’
um padrão organizado de percepções, sentimentos, atitudes que o indivíduo
acredita ser exclusivamente seu.
O “eu” como objecto de consciência: inclui o conceito de si, o conceito do
próprio esquema corpóreo, o conceito das próprias qualidades, tudo aquilo que
o indivíduo sente como seu.
O “eu” como centro da motivação: a estrutura perceptiva do eu em
determinados momentos vem estimulada; o sujeito sente, por exemplo, que a
execução daquela determinada tarefa é muito importante para si, e portanto,
neste caso quando o eu é percebido como o centro de motivação este eu é muito
co-ligado ao sentido do valor pessoal porque quando existe este aspecto da
motivação o alcance duma determinada finalidade importante para o sujeito darà
um sentido de valor pessoal, de satisfação, de sucesso.
Para alem do eu, o sujeito organiza uma estrutura: o eu ideal (conjunto de
características que a pessoa gostaria de ser);
Rogers acredita que os seres humanos tem uma tendência natural para a
“realização”, esforço no sentido de congruência entre “eu” e experiência.
As interacções entre as pessoas são as que proporcionam o crescimento e o
desenvolvimento do Homem; a auto- realização ‘e é a principal forca
motivadora.
Para Maslow – e mais ainda para Rogers-, um aspecto central da personalidade é
o auto-conceito, todos os pensamentos e sentimentos que temos em resposta aà
indagação “ Quem sou eu?” Se nosso autoconceito é positivo, tendemos a agir e
Psicologia Geral 68

perceber o mundo de maneira positiva. Se é negativo – se a nossos próprios


olhos ficamos aquém do “eu ideal” sentimo-nos insatisfeitos e infelizes.

TEMA 5:
PROCESSOS PSÍQUICOS/COGNITIVOS
Processos Cognitivos são processos que tem como característica mais saliente
representar o sujeito, um objecto ou fenómeno, em geral, exterior ao próprio
sujeito. O seu conjunto constitui a vida cognitiva ou intelectual. Os processos
cognitivos possibilitam o Homem realizar a actividade mental como a
inteligência, capacidades, habilidades, etc. O seu mau funcionamento
compromete a actividade mental.
Alguns processos cognitivos:
Sensação
Fenómeno elementar da consciência resultante da excitação de um órgão dos
sentidos provocados por um estimulo interno ou externo. Consiste em reflectir
as características (propriedades) isoladas dos objectos.
Importância: Tomamos conhecimento do mundo em redor (sons, cores, cheiro,
tamanho), graças aos órgãos dos sentidos. São os primeiros elementos que nos
põem em contacto com a realidade e facilitam a apreensão da mesma. Os órgãos
dos sentidos recebem, seleccionam e acumulam a informação e, transmitem ao
cérebro, surgindo o reflexo adequado do mundo circundante e ao próprio
organismo.

Percepção
Acto de organização de dados sensoriais pelo qual conhecemos “a presença
actual de um objecto exterior”: temos consciência da existência do objecto e
suas qualidades.
Importância: A percepção no PEA está relacionada com a compreensão e
interpretação, análise intelectual do aprendido. A percepção ajuda a
compreensão, análise aprofundada do fenómeno e a chegar a conclusão sobre o
mesmo.
A percepção está ligada a atenção. A atenção constitui a fase inicial da
percepção e a principal forma de organização da actividade cognitiva. A atenção
é indispensável à percepção, interpretação, compreensão, imaginação,
assimilação, recordação e reprodução. Durante a aula, a atenção ajuda a
compreensão da essência das tarefas, ajuda a sua resolução e verificação.
Psicologia Geral 69

Memória
Capacidade de lembrar o que foi de algum modo vivido. Ela corresponde as
seguintes operações ou processos: a aquisição, a fixação, a evocação, o
reconhecimento e a localização das informações resultantes de percepções e
aprendizagem. A memória facilita a organização, fixação e retenção do
aprendido, assim como a sua evocação., quando essa informação for necessària.
Não haveria evolução dos nossos conhecimentos se na medida que os
adquirissemos, os perdessemos. A memória conserva o passado e permite
incorporà-lo na estrutura cognitiva do sujeito.
Processos da Memória
Aquisição: consiste no contaco com a informação.
Fixação: para a fixação exige além da edequada aquisição, a repetição.
Evocação ou reprodução: consiste na lembrança do material fixado. É a
reaparição na consciência de um fenómeno passado. As informações
armazenadas tentam a ser evocadas junto das informações falsas.
Reconhecimento: identificação e uso de informações correctas, e as que
vierem unidas são rejeitadas. Consiste em referir ao passado as nossas
lembranças, enquadrando-as num contexto de factos da nossa experiência
pessoal.
Localização: consiste em situar as recordações no trama da nossa história
interior, em dispô-las umas às outros, de forma a marcar-lhes o local próprio no
tempo e no espaço, para estabelecer a sua cronologia íntima e pessoal.
A fixação e a evocação serão tanto maiores quanto maior for o significado do
material. Diferentes partes da matéria devem ser relacionadas, matérias
diferentes devem ser articuladas.
A memória é condição do progresso intelectual: não haveria evolução dos
nossos conhecimentos se à medida que os adquiríssemos, os perdêssemos;
A linguagem seria impossível sem a memória, porque para falar é necessário
reter as palavras e o seu sentido;
Permite aperfeiçoar os nossos actos;
A personalidade não existiria sem memória, pois é ela que conserva o nosso
passado e permite incorporar no “eu” o que se vai leccionando, para organização
da personalidade.
Quando o aluno não armazena o material aparece o esquecimento. O
esquecimento é o fracasso do esforço evocativo ou impossibilidade de
reproduzir o passado.
Factores do esquecimento:
 Vastidão da matéria
Psicologia Geral 70

 Irrelevância do conteúdo
 Falta de interesse
 Doenças da memória
 O tempo (as repetições devem ser curtas): a 1ªrepetição deve ser na
aula.
 Cansaço

Pensamento
Processo cognitivo que permite a resolução de tarefas (processo de análise e
síntese). Permite reflectir de forma generalizada a realidade objectiva sob a
forma de conceitos, leis, teorias e suas relações.
Importância:
• Ajuda o indivíduo a superar as suas dificuldades desde as mais triviais
até as mais complexas;
• Planificação e organização lógica dos procedimentos a ter em conta na
aula;
• Reflexão sobre uma tarefa para encontrar as mais adequadas soluções;
• Mudança de métodos habituais de resolução de tarefas colocadas;
• Avaliação de diversas variantes de resolução para encontrar um
resolução mais racional;
• É um factor de ligação entre o concreto e o abstracto.

O Pensamento e Linguagem
O pensamento está socialmente condicionado e ligado indissoluvelmente com a
linguagem, a fala. O pensamento humano é impossível sem a língua. Qualquer
pensamento surge e se desenvolve em ligação indissolúvel com a linguagem.
Quando mais profundo e bem ponderado é um certo pensamento, tanto mais
clara e precisa é a sua expressão em palavras. O homem quando resolve um
problema pensa de si para si como se estivesse a conversar consigo mesmo.

Imaginação
É o processo psíquico cognitivo, exclusivo ao homem, mediante o qualse criam
(elaboram) imagens e noções que não existiam na experiência anterior, ou seja, a
habilidade que os indivíduos possuem de formar representações, costruir
imagens mentais a cerca do mundo real ou mesmo de situações não directamente
vivenciadas.
A base da imaginação são noções da memória que se completam por novas
percepções, transformando-se em novas percepções e noções.
Importância:
Psicologia Geral 71

a. Permite conceber o resultado do trabalho antes do início;


b. Alarga os horizontes da memória e percepção;
c. Permite antecipar e construir o futuro e o nível de desenvolvimento da
capacidade inventiva. É parte do processo técnico-científico, literário.
d. Permite ao aluno estudar processos, fenómenos inacessíveis para a
observação directa, sua interpretação no quadro de diversas ligações e
relações;
e) Desenvolve nos alunos a atitude criadora através e da análise e
compreensão do actual estado da ciência

MATÉRIA DE TRABALHO INDIVIDUAL


(Respeitando a Calendarização em quadro anexo)

TEMA 6:
ESFERA EMOCIONAL, SENTIMENTAL E VOLITIVA DA
PERSONALIDADE

 Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade


 Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade
 Características das Emoções, dos Sentimentos e da
Vontade
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da Vontade
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais
CALENDARIZAÇÃO DAS ACTIVIDADES LECTIVAS PARA PSICOLOGIA GERAL

TEMAS CONTEÚDOS CALENDARIZA BIBLIOGRAFIA


ÇÃO (recomendada para consulta)
(estudo
individual)
1.  Psicologia do senso comum e Psicologia 1. BOCK, A. M. Bahia et ali.
Científica 1ª e 2ª Psicologias.
A Psicologia  O objecto e importância da Psicologia semanas de 2. ADELINO, Cardoso et ali Rumos da
como Ciência  Estrutura e tarefas da psicologia e métodos da Maio 2007 psicologia 1993.
Psicologia (2 semanas) 3. DAVIDOFF, L. Introdução a
 Resenha histórica sobre a origem e Psicologia, 1997.
desenvolvimento da Psicologia 4. ROCHA, A., F. Z. Psicologia.
5. WEITEN, W - Introdução à
Psicologia. 1981.
 O Homem como unidade bio-psico-sócio-cultural; o DAVIDOFF, L. Introdução a
2.  Fundamentos biológicos da conduta; Psicologia., 1997.
 Psico-fisiologia do sistema nervoso; 3ª e 4ª o GRIFA, Maria C. e MORENO, José
Desenvolviment  O papel da hereditariedade e do meio na conduta; semanas de E. Chaves para a psicologia de
o do Psíquico e  Desenvolvimento filogenéntico do psíquico; Maio 2007 desenvolvimento.
da Consciência  Surgimento da consciência no processo da (2 semanas) o WEITEN, W. Introdução à
Humana actividade humana Psicologia. 1981
o LEONTIEV, A. O Desenvolvimento
do Psiquismo, 1978.
o LEZINE, I. Psicologia da primeira
infância, 1982.
Psicologia Geral 73

3.  Conceito de Desenvolvimento; 1. BOCK, A. M. Bahia et ali.


 Factores do desenvolvimento e de crescimento; 1ª a 4ª Psicologias.
Psicologia  Desenvolvimento (cognitivo, psicossocial, semanas de 2. CAMPOS, Paiva Bartolo.
Evolutiva/ psicosexual moral) Junho 2007 Psicologia do desenvolvimento e
Desenvolviment  Teorias de desenvolvimento humano (4 semanas) Educação dos jovens
o 3. DAVIDOFF, L. Introdução a
Psicologia., 1997.
4. SPRINTHALL, N. A. e
SPRINTHALL, R. C. Psicologia
Educacional, 1993.
4.  Conceitos da personalidade e sua estrutura; 1ª a 4ª 5.
 Génese e evolução da Personalidade semanas de RAGHIROLLI, Elaine M et ali.
Psicologia da  Factores gerais que influenciam a Personalidade; Julho 2007 Psicologia geral. Portugal: Editora
Personalidade  Teorias da Personalidade (4 semanas) Vozes, 1990
6.
OCK, A. M. Bahia et ali.
Psicologias.
7.
PRINTHALL, N. A. e
SPRINTHALL, R. C. Psicologia
Educacional, 1993.
5.  Processos cognitivos: conceito de sensação, 1. BRAGHIROLLI, Elaine M et ali.
percepção, memória, pensamento, imaginação; 1ª a 4ª semanas de Psicologia geral. 1990
Processos linguagem... Agosto e 2. DAVIDOFF, L. Introdução a
Psíquicos/  Leis, características, propriedades ou 1ª e 2ª semanas de Psicologia, 1997
Cognitivos particularidades dos processos psíquicos; Setembro 2007 3. LEONTIEV, A. O Desenvolvimento
 Teorias dos processos psíquicos; (6 semanas) do Psiquismo, 1978.
 Perturbações dos processos psíquicos; 4. SPRINTHALL, N. A. e
Psicologia Geral 74

Pensamento e linguagem, suas relações, aquisição e SPRINTHALL, R. C. Psicologia


desenvolvimento Educacional, 1993.
5. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento·e
linguagem 2001
6.  Conceitos de Sentimento, Emoção e Vontade 1. BRAGHIROLLI, Elaine M et ali.
Esfera  Bases fisiológicas dos Sentimentos, Emoções e Psicologia geral. 1990
Emocional, Vontade 3ª e 4ª semanas de 2. DAVIDOFF, L. Introdução a
Sentimental e  Funções dos Sentimentos, Emoções e Vontade e Setembro e Psicologia, 1997
Volitiva da  Características das Emoções, dos Sentimentos e 1ª a 4ª semanas de 3. LEONTIEV, A. O Desenvolvimento
Personalidade da Vontade Outubro 2007 do Psiquismo, 1978.
 Teorias e tipos de Emoções, Sentimentos e da (6 semanas) 4. SPRINTHALL, N. A. e
Vontade SPRINTHALL, R. C. Psicologia
 Diferenças entre Emoções humanas dos animais Educacional, 1993.
5. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento·e
linguagem 2001
BIBLIOGRAFIA

ADELINO, Cardoso e outros - Rumos da Psicologia, Lisboa – Portugal, Editora


Rumos, 1993.
BIGGE, Morris L. Teorias da aprendizagem para professores. São Paulo:
Editora Pedagógiga e Universitária Ltda, 1977.
BRUNNER, Richard; ZELTNER. Dicionário de Psicopedagogia e psicologia
educacional. Petopólis: Editora vozes,1994.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair & TEIXEIRA, Maria de Lourdes
Trassi. Psicologias: Uma introdução ao estudo da Psicologia. São Paulo:
Editora Saraiva.
CAMPOS, Paiva Bartolo - Psicologia do Desenvolvimento e Educação dos
jovens
COHEN-SOLAL, Julini; GOLSE, Bernard.No início da vida psíquica: o
desenvolvimento da primeira infância. Lisboa: Instituto de Piaget, 2002.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo: Markron Books
Ltda, 2001
FERREIRA, Roberto Martins. Sociologia da Educação. São Paulo: Editora
Moderna
Ltda, 2001
FERREIRA, Iréne. Psicologia da primeira infância. Lisboa: Publicações Dom
Quixote, 1982.
FLAVEL, John H.; MILLER, Patrício H; MILLER, Scott A. Desenvolvimento
cognitivo: Porto Alegre: Editora ARTMED, 1999.
GAUQUELIM, Michel e Françoise et all. Dicionário de psicologia. São Paulo:
Verbo, 1987.
JACQUES-PHILIPE, Leyns. Teorias da Personalidade. Lisboa: Editora Verbo,
1985.
LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Editora Progresso,
1978.
LEYENS, Jacques-Philipe. Psicologia Social. Lisboa: edições 70,1978.
LEZINE, Iréne. Psicologiada primeira infância. Lisboa: Publicações Dom
Quixote, 1982.
MATTA, Isabel. Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Lisboa:
Universidade Aberta, 2001.
Psicologia Geral 76

MONTEIRO, Manuela dos Santos Ribeiro. Psicologia. Porto: Editora Muller,


1999.
NETO, Felix. Psicologia Social-vol II. Lisboa: Universidade Aberta, 2000.
NOVELLO, Fernando Parolari. Psicologia infantil. São Paulo:Edições Paulistas,
1987.
MUELLER, F.L. História da psicologia II: Psicologia Contemporânea.
Genebra: Publicações Europa-América.
PETROVSKI, A (1976). Psicologia geral. URRS: Editorial Progresso, 1980.
PIAGET, Jean. Linguagem e Pensamento da criança. Portugal-Brasil-Paris:
MORAES Editora, 1980.
PIAGET, Jean. Seis estudos da Psicologia. Lisboa: Editora Dom Quixote, 1977.
RICHARD, Michel. As correntes da psicologia. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.
ROCHA, A; FIDALGO, Z. Psicologia. Lisboa: Editora Texto Lda.
SARAIVA, Augusto. Psicologia. Porto: Educação Nacional, 1973.
SPRINTALL, Norman A. SPRINTALL, Richard C. Psicologia educacional.
Portugal, 1993.
SUTHERLAND, Peter. O Desenvolvimento cognitivo actual. Lisboa: Institito
Piaget, 1996.
SUZZARINE, F. A Memória. São Paulo: Editora Verbo, 1980.
VIGOTSKI, L.S. O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.
WALLON, H. Objectivos e métodos de Psicologia. Lisboa, 1980.
WEITEN, Wayne. Introdução à psicologia. São Paulo: Pioneira-Thomsom
Learning, 2002.
WERTHEIMER, Michael. Pequena história da psicologia. São Paulo:
Companhia Editora Nacional.