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HISTÓRIA
DA
MÚSICA
III
—
15/12/2010


SÉCULO
XIX

Surgem
os
primeiros
tratados
dos
direitos
dos
homens.


 REVOLUÇÃO
INDUSTRIAL

Durante
 o
 século
 XIX
 surge
 uma
 nova
 noção
 de
 sensibilidade
 (o
 “cliché”

do
 artista).
 O
 compositor
 é
 tido
 como
 personificação
 do
 génio
 afastado
 da

sociedade,
 que
 encontra
 apenas
 redenção
 na
 Natureza.
 Cultiva‐se
 ainda
 a

imagem
de
sofrimento
como
forma
de
estar
natural.

O
músico/compositor/intérprete
ganha
protagonismo
enquanto
condição

profissional
 após
 o
 Período
 Clássico,
 onde
 se
 começou
 a
 dar
 mais
 valor
 aos

intérpretes
 (ex:
 Chopin
 e
 Liszt
 –
 primeiros
 compositores
 e
 intérpretes).
 Pela

primeira
vez
na
história
o
músico
ganha
autonomia,
que
lhe
confere
uma
maior

liberdade
 criativa,
 sendo
 que,
 até
 então,
 a
 composição
 era
 tida
 como
 uma

profissão,
 em
 que
 as
 obras
 eram
 encomendadas,
devendo
ser
 entregues
dentro

de
 prazos
 previamente
 estabelecidos
 e
 seguindo
 obrigações
 impostas
 pela

pessoa
que
as
encomendava,
não
havendo
muita
liberdade
artística.


Mais
 tarde,
 no
 decorrer
 da
 primeira
 Escola
 de
 Viena,
 no
 fim
 da
 vida
 de

Haydn,
foi‐lhe
dada
mais
liberdade
artística,
tendo
sido
o
período
onde
surgiram

muitas
 das
 suas
 melhores
 obras.
 Beethoven
 e
 Mozart
 eram
 diferentes,

distinguindo‐se
 pela
 relação
 privilegiada
 que
 partilhavam
 com
 membros
 da

nobreza,
que
lhes
concediam
mais
liberdade
criativa,
criando
obras
em
troca
de

sustento.


No
século
XIX,
pela
primeira
vez,
os
compositores
são
autónomos.
Davam

aulas
 de
 instrumentos,
 canto,
 e
 por
 isso
 tinham
 liberdade
 financeira
 para
 se

concentrarem
 exclusivamente
 na
 criação.
 Apareceram
 também
 os
 “direitos
 de

autor”,
 alguns
 vivendo
 apenas
 à
 custa
 dos
 mesmos
 (ex:
 Schubert).
 As
 editoras

condicionavam
 o
 que
 era
 escrito,
 sendo
 favorecidas
 as
 obras
 mais
 simples
 de

executar
 (mais
 pessoas
 à
 procura).
 Também
 a
 apresentação
 em
 público
 das

obras
em
recitais
era
fonte
de
rendimento
para
o
s
intérpretes/compositores.

SALAS
DE
CONCERTO


Apareceram
 e
 proliferaram
 as
 salas
 de
 concerto.
 Antes
 a
 música



instrumental
 era
 apenas
 ouvida
 nos
 saraus
 casas
 da
 burguesia,...
 A
 ideia
 de

sociedades
de
concerto
(organizavam
os
concertos
–
a
partir
do
séc.
XIX)
passam

às
salas
de
concerto
(um
palco,
um
piano,
p.e.).
As
salas
de
concerto
rivalizavam

com
 os
 teatros
 de
 ópera.
 O
 público
 pagava
 para
 assistir
 ao
 concerto,
 tal
 como,

antes
 destas,
 já
 acontecia
 com
 os
 mesmo
 teatros
 de
 ópera
 (segunda
 metade
 do

século
XVIII).


Os
concertos
eram
muito
grandes
e
os
intérpretes
iam
variando,
tal
como

o
que
era
interpretado:
ex:
um
pianista,
depois
um
solista,
depois
um
violinista
e



 1

um
 pianista,...(não
 havia
 conceito
 por
 detrás
 do
 concerto
 na
 escolha
 de

repertórii).

Até
 ao
 século
 XIX
 fazia‐se
 sempre
 música
 contemporânea
 da
 altura.
 No

Período
Romântico,
porém,
com
Mendelsshon,
que
decide
organizar
um
concerto

onde
 foi
 tocada
 a
 “Paixão
 segundo
 S.
 Mateus”
 (Bach),
 passou‐se
 a
 promover
 a

redescoberta
 da
 música
 antiga.
 Estas
 músicas
 eram
 já
 estudadas
 pelos

intérpretes,
mas
nunca
apresentadas
em
público.


A
 partir
 de
 Mendelsshon
 passa‐se
 a
 fazer
 música
 clássica,
 barroca,
 etc.



Isto
 prolonga‐se
 apenas
 até
 ao
 século
 XX,
 onde
 os
 compositores
 deixam
 de
 se

preocupar
 com
 a
 opinião
 do
 público,
 continuou‐se
 a
 compor
 mas
 não
 se

apresentava
música
contemporânea.


É
 também
 nesta
 época
 em
 que
 a
 História
 da
 Música
 se
 manifesta

enquanto
 disciplina
 (eram
 estudadas
 as
 bases
 técnicas
 mas
 com
 um
 interesse

meramente
cultural.


ROMANTISMO
NO
SÉCULO
XIX

1) 1801‐1830

2) 1830‐1860

3) 1860‐1890


1) 1826
–
morre
Carl
Maria
Von
Weber;

1827
–
morre
Beethoven;

1829‐30
–
Rossini
para
de
escrever


2) 1859
 –
 Wagner
 regressa
 do
 exílio
 na
 Suíça,
 onde
 concebe
 o
 conceito
 de

Drama
 Musical.
 Também
 messe
 ano
 estreou
 a
 última
 ópera
 de
 Verdi
 no

circuito
comercial,
passando
este
a
escrever
de
forma
mais
autónoma.


3)
Até
à
década
de
‘90:
Bruckner/Brahms
(período
áureo).








A
partir
da
década
de
’90:
época
de
Schoenberg,
Mahler,...


ROMANTISMO
ENQUANTO
CORRENTE
ESTÉTICA

O
 Romantismo
 é
 um
 movimento
 literário
 que
 surge
 na
 Alemanha
 com

alguns
nomes
como:

Escritores:


‐ Tieck



 2

‐ Novalis

‐ Schlegel
(irmãos)

‐ Wakenroeder


Aparece
 pela
 primeira
 vez
 associado
 à
 música
 na
 Recensão
 de
 Hoffman

sobre
a
Sinfonia
Nº
5
de
Beethoven.

NOTA:
 Hanslick
 escreve
 “Do
 Belo
 Musical”,
 onde
 defende
 a
 estética
 do

formalismo
e
a
música
pura,
absoluta.
Identifica
Brahms
como
expoente
máximo

desta
vertente.


No
Romantismo
a
Música,
que
tinha
estado
antes
sempre
em
último
plano

em
 relação
 às
 outras
 artes,
 passa
 agora
 a
 ocupar
 o
 primeiro
 lugar,
 sobretudo
 a

música
instrumental
e
não
a
ópera,
pela
sua
capacidade
intrínseca
de
alcançar
o

“absoluto”,
 o
 infinito,
 sem
 recorrer
 a
 algo
 concreto,
 possuindo
 a
 capacidade
 de

exprimir
algo
através
apenas
da
música
em
si,
enquanto
que
a
ópera
se
serve
das

histórias,
imagens,
condicionando
a
percepção
do
ouvinte.




ÓPERA
ITALIANA

O
teatro
da
época
tem
um
papel
muito
importante
na
vida
social
da
Itália

oitocentista.
 A
 própria
 ida
 à
 ópera
 actua
 como
 sinal
 de
 estatuto
 social.
 Isto

reflecte‐se
 inclusive
 na
 disposição
 (a
 plateia
 é
 composto
 pelos
 lugares
 mais

baratos
 e
 as
 frisas
 e
 camarotes
 
 pelos
 mais
 caros).
 Ainda
 não
 existia
 fosso
 de

orquestra,
ficando
esta
ao
nível
do
público.

A
Gerência
de
um
teatro
de
ópera
(grande
poder
financeiro)
organizava
o

ano
 em
 quatro
 temporadas
 de
 acordo
 com
 as
 quatro
 estações:
 No
 Inverno,
 a

temporada
 do
 Carnaval
 (a
 mais
 importante);
 a
 temporada
 de
 Outono;
 a

temporada
 da
 Primavera;
 a
 temporada
 de
 Verão.
 Nem
 sempre
 se
 realizavam

todas
as
temporadas
mas
a
do
Carnaval
era
sempre
feita.


Os
restantes
teatros
tinham
condições
mais
precárias
por
isso
não
se
fazia

ópera
mas
sim
as
chamadas
“farsas”
(poucos
cantores,
poucos
cenários,
etc.).
À

medida
que
iam
subindo
de
condições
(mais
dinheiro),
realizam
ópera
buffa
e
os

mais
conceituados,
como
o
Scala
em
Milão
ou
o
San
Carlo
em
Nápoles,
realizavam

ópera
séria
(com
virtuosos,
com
prima
donnas
mais
conceituadas).

Compositores
como
Rossini

ganhavam
muito
dinheiro
e
só
trabalhavam

para
os
teatros
mais
conceituados..

O
Empresário
de
Ópera
contratava
e
compositor,
o
libretista,
os
cantores,

etc.
 para
 determinada
 ópera
 para
 determinado
 teatro.
 
 Mais
 tarde
 começa‐se
 a

exportar
as
obras
e
criam.se
circuitos
não
só
dentro
de
Itália
mas
também
para

fora
(França,
Península
Ibérica,...),
que
permitiam
a
circulação
de
repertório.




 3

CARACTERÍSTICAS
DA
ÓPERA
ITALIANA

Escrevia‐se
 quase
 sempre
 seguindo
 um
 modelo
 formal
 comum
 a
 todo
 o

género
 operático.
 Este
 modelo
 era
 composto
 por
 dois
 actos.
 A
 apresentação
 de

uma
série
de
árias
que
eram
escritas
de
propósito
para
e
interpretadas
por
quase

todos
 os
 intervenientes
 como
 forma
 de
 apresentar
 todas
 as
 personagens
 (a

personagem
principal
era
desempenhada
pelo
cantor
mais
conceituado).
Todos

os
cantores
se
apresentavam
mas
uma
vez
que
isso
não
fazia
sentido
do
ponto
de

vista
dramático,
já
que
a
acção
para
nas
árias,
este
modelo
foi
descaindo
ao
longo

dos
 anos.
 Por
 exemplo,
 Rossini
 escrevia
 sobretudo
 os
 seus
 papéis
 de

protagonista
 para
 Isabella
 Colbran
 (cantora
 espanhola,
 prima
 donna
 do
 San

Carlo,
mais
tarde
casada
com
Rossini).

VOZES:
Barítono,
Tenor
e
Soprano
eram
as
vozes
com
mais
importância
e

mais
 repertorio.
 Não
 se
 escrevia
 tanto
 para
 baixo
 nem
 para
 contralto.
 O
 baixo

buffo
(sempre
presente
no
Período
Clássico),
desaparece
quase
por
completo
no

Período
Romântico,
até
nas
óperas
buffas
e
farsas.

NOTA:
A
ópera,
desde
o
seu
aparecimento
em
Itália
no
século
XVII
até
ao
início

do
século
XIX
não
sofre
grandes
modificações.


A
 existência
 dos
 circuitos,
 teatros,
 compositores,
 negócio
 na
 Ópera,

permitiu
 que
 houvesse
 muito
 trabalho.
 De
 facto,
 durante
 a
 última
 década
 do

século
XVIII
(últimas
manifestações
da
escola
napolitana)
e
na
primeira
década

do
século
XIX,
não
há
nenhum
compositor
marcante
que
faça
uma
transição
clara.



ROSSINI

Rossini
 foi
 a
 primeira
 grande
 figura
 do
 panorama
 operático
 napolitano.

Ganhou
protagonismo
em
1810
e
deixa
de
escrever
vinte
intensos
anos
depois,

em
1830.
Depois
dele
segue‐se
Bellini
e
Donizetti
e,
mais
tarde,
Verdi.



 INFLUÊNCIAS

1) MOZART

Através
 de
 óperas
 como
 “La
 Clemenza
 di
 Tito”
 e
 “Don
 Giovanni”,
 Mozart,
 o

compositor
 mais
 marcante
 do
 Período
 Clássico,
 lançou
 uma
 influência
 que

perdurou
até
ao
início
do
século
XIX
–
a
sua
forma
de
escrever
leve,
a
afirmação

das
suas
óperas
que
ainda
não
tinha
terminado,
a
sonoridade
presente
nas
suas

obras.
Escrevia
ópera
em
italiano
mas
com
características
da
escola
de
Viena.

2) CIMAROSA
E
PAISELLO


Ao
 mesmo
 tempo,
 mas
 eclipsados
 por
 Mozart,
 os
 compositores
 da
 escola

napolitana
do
século
XVIII,
Cimarosa
e
Paisello,
seus
expoentes.

3) OPÉRA
COMIQUE
FRANCESA



 4

As
invasões
francesas
chegam
a
Itália
por
esta
altura
e
os
franceses
dominam

durante
 a
 primeira
 década
 do
 século
 XIX.
 Isto
 explica
 que
 se
 tenha
 feito
 muita

Opéra
 Comique
 francesa
 e
 que
 muita
 dela
 também
 tenha
 sido
 traduzida
 para

italiano.
Isto
manifestou‐se
sobretudo
no
tratamento
do
texto
–
libreto,
no
qual

os
franceses
tinham
um
maior
respeito
pela
linguagem,
que
não
era
tão
presente

na
 Ópera
 italiana,
 que
 se
 centrava
 mais
 no
 virtuosismo,
 no
 belcanto,
 na

coloratura,
etc.

4) COMPOSITORES
ESTRANGEIROS
EM
ITÁLIA

A
 fixação
 de
 alguns
 compositores
 estrangeiros
 (sobretudo
 germânicos)
 em

Itália
 como
 por
 exemplo,
 Ferdinando
 Paër
 e
 Johann
 Simon
 Mayr,
 teve
 uma

função
 pedagógica
 importante.
 Por
 exemplo,
 Mayr
 foi
 professor
 de
 Donizetti.

Promoveu
e
difundiu
o
gosto
pela
música
instrumental,
sinfónica
e
de
câmara,
o

que
se
manifestou
na
ópera
(mais
audácia
na
orquestração,
etc.)


 Compositores
Franceses
—
harmonia
—
texto


 Compositores
Germânicos
—
melodia
—
orquestração



Rossini
pega
nos
padrões
estéticos
da
escola
napolitana
mas
não
introduz

grandes
novidades
(isso
só
acontece
com
Bellini
e
Donizetti).
Afirma‐se
a
partir

da
 segunda
 década
 do
 século
 XIX
 e
 escreve,
 ao
 longo
 dos
 vinte
 anos
 seguintes,

cerca
de
quarenta
óperas,
retirando‐se
em
1830.


ÓPERA
DE
ROSSINI


Rossini
é
um
compositor
que
se
caracteriza
pela
ópera
mais
buffa
do
que

séria.
Compôs
sinfonias,
cantatas
e
oratórias,
para
além
de
ópera,
mas
sem
tanta

relevância.
As
suas
óperas
mais
conhecidas
são:

— “Tancredi”,
1813
–
deu‐lhe
alguma
visibilidade;

— “L’Italiana
in
Algeri”,
1813
–
a
sua
primeira
ópera
buffa
(antes
escrevia

farsas)
feita
para
teatros
de
pouca
relevância;

— “Barbeiro
de
Sevilha”,
1816
–
ópera
buffa
de
grande
sucesso;

— “Otello”,
1816
–
ópera
séria;

— “Guilherme
 Tell”,
 1829
 –
 Grand
 Opéra
 (género
 francês
 com

características
próprias
–
mais
grandioso).


O
 percurso
 de
 Rossini
 foi
 o
 típico
 percurso
 de
 músico
 do
 século
 XIX:

nasceu
no
seio
de
uma
família
de
músicos
em
1792
e
aprendeu
música
enquanto

um
ofício.
Atinge
o
sucesso
muito
rapidamente
(1810
–
com
18
anos).
Em
1823,

com
cerca
de
trinta
anos,
já
está
em
Paris,
tendo
tido
já
a
experiência
de
Nápoles

(foi
director
artístico
do
San
Carlo
em
1815),
a
dirigir
o
Teatro
Italiano
em
Paris,

retirando‐se
uns
anos
depois,
em
1830.



 5


ESTILO
MUSICAL
DE
ROSSINI

— VIRTUOSISMO

Esta
característica
de
Rossini,
presente
tanto
a
nível
vocal
como
a
nível
da

orquestração,
 tem
 uma
 grande
 importância
 na
 linha
 melódica
 das
 suas

composições
 (belcanto,
 coloratura,
 etc.),
 quer
 no
 género
 buffo
 que
 no
 género

sério.
 Fomentava
 o
 virtuosismo
 mas
 não
 admitia
 a
 livre
 ornamentação
 do

intérprete,
preferindo
escrevê‐la
ele
próprio.


— COMPONENTE
RÍTMICA

Atribuía
 uma
 grande
 importância
 à
 componente
 rítmica
 nas
 suas
 obras,

através
 da
 repetição
 de
 motivos
 rítmicos,
 contrastes
 entre
 linhas
 melódicas
 e

secções
rítmicas
muito
rigorosas.




BELLINI
(1801‐1835)
E
DONIZETTI
(1797‐1848)


Por
 esta
 altura,
 Rossini
 já
 se
 tinha
 retirado
 da
 cena
 musical
 (estava
 em

França).
 Os
 compositores
 que
 ficaram
 em
 Itália
 procuravam,
 de
 certo
 modo,

“imitar”
o
modelo
operático
de
Rossini,
devido
ao
grande
sucesso
que
este
havia

alcançado
 e
 prolongando,
 assim,
 o
 seu
 estilo.
 Também
 Pacini
 e
 Mercadante

foram
outros
dos
compositores
com
algum
sucesso
mas
sempre
pfuscados
pelo

sucesso
 de
 Rossini,
 na
 primeira
 fase
 da
 sua
 carreira
 e,
 mais
 tarde,
 por
 Bellini
 e

Donizetti.


Durante
 a
 década
 de
 ’20
 há
 uma
 certa
 ausência
 de
 compositores
 de

renome
que
tenham
ficado
para
a
história.
Bellini
estreia
a
sua
primeira
ópera
já

nos
 finais
 desta
 década,
 em
 1827,
 “Il
 Pirata”,
 servindo‐se,
 tal
 como
 Rossini,
 dos

antigos
 padrões
 napolitanos
 mas,
 ao
 contrário
 do
 outro
 (que
 apenas
 lhes
 havia

acrescentado
pequenas
modificações),
acrescentando‐lhes
novas
características.


MELODRAMA

Surge
 também
 por
 esta
 altura
 um
 novo
 género
 operático,
 o
 Melodrama.

Este
 vai
 desempenhar
 um
 papel
 equivalente
 ao
 da
 ópera
 séria
 do
 século
 XVIII,

nos
finais
dos
anos
’20
e
início
dos
anos
’30.

As
 suas
 principais
 diferenças
 residem
 sobretudo
 nas
 temáticas
 tratadas,

procurando‐se,
 em
 vez
 da
 realidade
 idealizada,
 uma
 realidade
 pura
 e
 fiável,
 tal

como
ela
é.
Isto
prova‐se
influência
da
literatura,
através
de
nomes
como:
Victor

Hugo,
 Lord
 Byron,
 Walter
 Scott
 e
 Schiller
 (escreve
 o
 texto
 da
 “Ode
 à
 Alegria”,

presente
na
Sinfonia
Nº
9
de
Beethoven).



 6

TIPOLOGIAS
VOCAIS
COM
MAIS
PROTAGONISMO


 ANTES:
Soprano
+
Contralto,
Tenor
e
Baixo



 
 
 





(“casal”)


 

(“vilão”)
(baixo
buffo)


 DEPOIS:
Soprano
+
Tenor,
Barítono





 
 
 (“casal”)




(“vilão”)



BELLINI
E
DONIZETTI
(cont.)


1) BELLINI
–
associado
ao
aparecimento
do
Melodrama

Nasceu
 em
 Nápoles,
 onde
 também
 estudou.
 O
 grande
 sucesso
 do
 Teatro

Scala
 em
 Milão
 originou
 uma
 perda
 de
 importância
 de
 Nápoles
 
 enquanto

centro
 operático
 para
 Milão.
 Em
 Nápoles
 haviam
 quatro
 conservatórios
 a

funcionar,
tal
era
a
sua
tradição
musical.
Milão,
apesar
de
não
possuir
tanta

tradição,
começa
a
ter
importância
por
diversas
razões,
entre
elas
algumas
de

carácter
financeiro.

Em
1827,
Bellini
escreve
“Il
Pirata”,
partindo,
em
1833,
para
Paris,
onde

morreu
 uns
 anos
 depois.
 Duas
 das
 suas
 obras
 mais
 conhecidas
 são,
 por

exemplo,
“Norma”
e
“Sonambula”,
ambas
escritas
em
1831.

2) DONIZETTI
 –
 associado
 à
 ópera
 buffa
 (último
 compositor
 a
 dedicar‐se
 à

sua
escrita)e
à
opéra
comique

Começa
 por
 fazer
 carreira
 em
 Milão
 e
 é
 lá
 que
 tem
 os
 seus
 primeiros

sucessos.
 Estabelece‐se
 como
 director
 do
 San
 Carlo
 em
 Nápoles,
 em
 1838.

Nesse
 mesmo
 ano
 vai
 para
 Paris,
 onde
 fica
 quatro
 anos,
 até
 1842.
 É
 lá
 que

escreve
 repertório
 francês.
 No
 ano
 de
 1842
 deixa
 Paris
 por
 Viena,
 onde

enlouquece
 e
 morre
 em
 1848.
 Algumas
 das
 suas
 obras
 mais
 conhecidas

incluem
 “Lucia
 di
 Lammermoor”
 (drama
 trágico),
 “Don
 Pascoale”
 (ópera

buffa)
e
“La
Fille
du
Régiment”
(opéra
comique).





 7

VERDI
(1813‐1901)

Nasceu
numa
pequena
aldeia,
Busseto,
perto
de
Milão.
A
partir
da
década

de
 ’40
 já
 tem
 algum
 sucesso,
 que
 se
 veio
 a
 prolongar
 até
 aos
 anos
 ’90
 (50

anos
de
sucesso).

A
 sua
 primeira
 ópera,
 “Oberto”
 data
 de
 1839,
 com
 a
 qual
 alcança
 logo
 um

grande
protagonismo
no
mundo
musical,
protagonismo
esse
que
se
prolonga

até
 1893,
 data
 da
 sua
 última
 ópera,
 “Falstaff”.
 O
 seu
 percurso
 profissional

pode
ser
dividido
em
três
fases:

— 1ª
Fase:
anos
‘40

— 2ª
Fase:
anos
’50
e
‘60

— 3ª
Fase:
a
partir
dos
anos
‘70

Verdi
nunca
se
aproxima
do
género
buffo,
escrevendo
apenas
ópera
séria.

A
única
excepção
verifica‐se
com
a
sua
última
ópera,
“Falstaff”,
a
que
chama
de

“comédia
 lírica”,
 não
 exactamente
 ópera
 buffa.
 Parte
 sempre
 da
 narrativa,

interessando‐se
nos
libretos
cujas
personagens
tenham
um
lado
humano
muito

evidente,
permitindo
recolher
as
várias
perspectivas
de
uma
história,
o
elemento

dramático,
 trabalhando,
 por
 isso,
 sempre
 de
 forma
 muito
 directa
 com
 os
 seus

libretistas.
 Também
 não
 se
 afasta
 do
 elemento
 do
 belcanto
 (coloratura,

virtuosismo,
ornamentação),
cultivando‐o,
o
que
pode
parecer
um
paradoxo
com

a
sua
preferência
pelo
conteúdo
dos
personagens.


— 1ª
Fase:
anos
’40
(muito
sucesso)

Inicia‐se
com
a
ópera
“Oberto”,
escrita
em
1839
para
Milão,
cidade
onde

fez
 a
 sua
 formação
 musical.
 Mais
 tarde
 volta
 para
 Busseto,
 onde
 é
 professor

durante
uns
tempos.
Algumas
das
suas
obras
mais
importantes
são:


— “Oberto”,
1839

— “Nabuco”,
1842

— “Lombardi”,
1843

— “Hernani”,
1844

— “Macbeth”,
1847


— 2ª
Fase
:
anos
’50
e
’60
(efeitos
do
sucesso)


Nesta
 fase
 da
 sua
 carreira
 compõe
 muitas
 obras
 que
 ficaram
 muito

famosas,
tal
como
coros
que
foram
utilizados
com
finalidades
políticas
na
época

do
Ressurgimento
(unificação
de
Itália).
Algumas
das
obras
desta
fase
são:


— “Rigoletto”,
1851

— “La
Traviata”,
1853

— “Vésperas
Sicilianas”,
1855
(a
primeira
que
escreve
para
Paris)

— “Baile
 de
 Máscaras”,
 1859
 (a
 última
 que
 escreve
 para
 o
 circuito

empresarial
–
comercial)

— 
“A
Força
do
Destino”,
1861



 8

— 3ª
 Fase:
 anos
 ’70
 (corolário
 natural
 do
 seu
 percurso
 de
 sucesso
 –

reconhecimento
máximo
do
seu
valor)

As
principais
obras
que
caracterizam
esta
última
fase
da
carreira
de
Verdi
são:

— “Aida”,
1871
(estreada
no
Cairo)

— “Otello”,
1887

— “Falstaff”,
1893
(a
sua
última
ópera)



CARACTERÍSTICAS
DE
VERDI
(transversais
às
três
fases
da
sua
carreira)

A
 grande
 importância
 atribuída
 à
 orquestra,
 em
 comparação
 a
 Bellini
 e

Donizetti.
 Esta
 não
 faz
 apenas
 o
 acompanhamento,
 dando
 antes
 ênfase
 ao

desenvolvimento
da
acção,
possuindo
um
grande
protagonismo
muito
evidente
e

marcado.

Formalmente,
 Verdi
 promove
 uma
 certa
 extrapolação
 às
 regras
 formais,

quebrando
 certas
 regras
 como
 a
 apresentação
 de
 determinado
 personagem

através
 de
 uma
 ária
 escrita
 exclusivamente
 para
 esse
 personagem
 (o

personagem
principal
cantava
a
última
ária
do
primeiro
acto),
prática
essa,
que

por
deixar
de
ser
regra
no
início
do
século
XIX,
é
também
abandonado
por
Verdi.

Verdi
foi
fortemente
influenciado
pelo
Grand
Opéra,
um
género
de
origem

francesa
 que
 se
 caracteriza
 pela
 grande
 imponência
 dos
 cenários,
 orquestras,
 e

coros.



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