Você está na página 1de 50

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

DISCIPLINA: PONTES E VIADUTOS

Sistemas Estruturais:
Pontes pênseis e estaiadas
Prof.: Andrieli Caroline Lima
Aula 04
• Pontes Pênseis:
• Componentes Estruturais;
• Tacoma Narrows Bridge Collapse.
• Pontes Estaiadas:
• Compenentes Estruturais;
• Manutenção.
Pontes Pênseis
Pontes pênseis ou suspensas possuem o tabuleiro contínuo,
sustentando por vários CABOS METÁLICOS (pendurais)
atirantados ligados a dois cabos maiores (ou barras articuladas)
apoiados nas TORRES DE SUSTENTAÇÃO e ancorados nas
extremidades. Os cabos comprimem as torres de sustentação,
que transferem os esforços de compressão para as fundações.
Pontes Pênseis
Pontes pênseis ou suspensas, são aquelas que possibilitam os
maiores vãos sobre rios, lagos, etc. Por isso quando sujeita a
grandes CARGAS DE VENTO, apresenta movimentos do
tabuleiro que podem tornar o tráfego desconfortável e até
perigoso e, por esta razão exige-se que o tabuleiro seja
projetado com grande RIGIDEZ à torção para minimizar esse
efeito.
Pontes Pênseis: componentes estruturais

 Vigas treliçadas

 Cabos principais

 Torres principais

 Pendurais

 Ancoragens
Vigas Treliçadas
Elementos longitudinais contraventados transversalmente que
servem como suporte e distribuem as cargas provenientes de
veículos. Esse tipo de tabuleiro é muito aplicado em pontes
pênseis, por se caracterizarem como uma solução com RIGIDEZ
de flexão e torção adequadas para as pontes suspensas por
cabos. Além disso contribui no AERODINAMISMO dos
elementos, permitindo a passagem de ventos pela estrutura,
sem que este sofra OSCILAÇÕES que causem danos
estruturais graves ou mesmo o colapso.
Vigas Treliçadas
Cabos principais
Um grupo de fios paralelos que suportam as vigas treliçadas,
transferindo as suas cargas para as torres principais, servindo
também como elementos estabilizadores da estrutura;
Cabos principais
Torres
Elementos intermediários entre a superestrutura e a fundação.
Suportam os cabos e transferem os seus carregamentos para a
fundação.
Geralmente, a configuração das torres assume a forma de
portais.
Para que elas sejam econômicas, a sua dimensão em ALTURA
tem que ser reduzida, sendo definida pela MÍNIMA LARGURA
que mantenha a ESTABILIDADE DA ESTRUTURA. Por outro
lado, a altura também é influenciada pela DEFORMAÇÃO que o
cabo irá sofrer devido ao seu peso próprio, ou seja, a
configuração que o cabo irá assumir quando sujeito a toda a
carga permanente.
Torres
Torres
PONTE ALTURA (M)
GOLDEN GATE 213,96
MACKINAC 162,30
SAN FRANCISCO OAKLAND BAY 126, 03
FIRST TACOMA NARROWS 129,54
WALT WHITMAN 107,22
TAGUS – 25 DE ABRIL 103,00
Pendurais
Elementos intermediários entre a viga treliçada e o cabo.
Fazem a passagem entre a carga que é absorvida pelas vigas e
a carga que é absorvida pelo cabo;
Ancoragem
Blocos de concreto, que ancoram os cabos principais. Servindo
por isso com apoios finais da ponte
Tacoma Narrows
Tacoma Narrows
• Velocidade do vento: 65 km/h;
• Afrouxamento da ligação do cabo;
• Vibração torcional;
• Os pilares atingiram deflexões de 3,60 m no topo, cerca de 12
vezes os parâmetros de dimensionamento;
• Falta de rigidez transversal e desempenho aerodinâmico;
• Lado positivo: nenhum dano pessoal, foi tomada a
consciência para o problema da aerodinâmica das grandes
estruturas e a obrigatoriedade em fazer ensaios de túnel de
vento com modelos de pontes pênsil em projeto.
Pontes Estaiadas
Pontes Estaiadas: Definição
• Ponte estaiada ou ponte atirantada é um tipo de ponte
suspensa por cabos (estais), constituída de um ou mais
mastros, de onde partem cabos de sustentação para os
tabuleiros da ponte;
• Este esquema estrutural, que pode ser considerado igual ao de
uma viga atirantada em vários pontos, é empregado para vãos
muito grandes.
Pontes Estaiadas no Brasil
Pontes Estaiadas no Brasil
Pontes Estaiadas no Brasil
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
O sistema estrutural de uma ponte estaiada pode ser
classificado em função dos cabos sobre os aspectos importantes
(Cardoso, 2013):
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 1

VÃOS SIMÉTRICOS E POUCOS CABOS AO LONGO DO VÃO, CONFERINDO-LHES


UM ESPAÇAMENTO GRANDE ENTRE OS CABOS
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 1

O ESPAÇAMENTO ENTRE OS CABOS REQUER MAIOR RIGIDEZ À FLEXÃO DO TABULEIRO E


AUMENTA O ESFORÇO EM CADA CABO. ESSE SISTEMA PODE SER UTILIZADO PARA VÃOS
PEQUENOS OU PARA SISTEMAS COM MÚLTIPLOS TABULEIROS ESTAIADOS
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 2

MAIOR NÚMERO DE ESTAIS DISTRIBUÍDOS AO LONGO DO VÃO O QUE PERMITE A


CONSTRUÇÃO DE UM TABULEIRO MAIS ESBELTO JÁ QUE AS PROXIMIDADES DOS PONTOS
DE SUSPENSÃO DA CARGA DIMINUEM OS ESFORÇOS DE FLEXÃO NO TABULEIRO
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 2

A MAIORIA DAS PONTES ESTAIADAS MAIS RECENTES SE ENCAIXAM NESSA CATEGORIA


Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 3

PONTES COM DISTRIBUIÇÃO ASSIMÉTRICA DOS CABOS. EM MUITAS DELAS AS CARGAS


NÃO SÃO TOTALMENTE EQUILIBRADAS PELO MASTRO SENDO NECESSÁRIA A UTILIZAÇÃO
POR DISPOSITIVOS DE ANCORAGENS EXTERNOS.
Pontes Estaiadas: Sistema estrutural
• Espaçamento longitudinal: Ponte estaiada tipo 3
ESTE TIPO DE SOLUÇÃO
É MUITO ÚTIL QUANDO
NÃO HÁ POSSIBILIDADE
DA EXECUÇÃO DE
PILARES NO CENTRO DO
VÃO, SEJA POR
INTERFERÊNCIA EM
ALGUMA ESTRUTURA JÁ
EXISTENTE OU DEVIDO A
UM FATOR
TOPOGRÁFICO
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Nas primeiras pontes estaiadas os espaçamentos dos pontos
de fixação dos estais no tabuleiro eram, em geral, maiores do
que os usados atualmente. Com isso, o tabuleiro precisava ser
suficientemente RÍGIDO para resistir aos esforços de flexão.
Devido a esse fator, predominaram na época os tabuleiros em
ESTRUTURA METÁLICA, pois se conseguia assim atingir a
rigidez necessária sem a necessidade de ter um tabuleiro muito
espesso e pesado, como acontecia com os tabuleiros de
CONCRETO.
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro de concreto: as primeiras pontes estaiadas com
seção de concreto se apresentaram como estruturas PESADAS,
de GEOMETRIA ROBUSTA e com custo de execução elevado.
Mas, com o tempo, a experiência e a tecnologia se
desenvolveram de maneira a possibilitar um dimensionamento
visando a uma estrutura de geometria otimizada, que seja
resistente, aerodinâmica e leve ao mesmo tempo.
Outro fator que permitiu que as seções se tornassem mais
esbeltas foi o CONCRETO PROTENDIDO, que possibilitou a
adoção de ESTRUTURAS VAZADAS (economia de material e
alívio no peso da estrutura)
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro de concreto:
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro de concreto:
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro de concreto:
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro metálico: muito utilizados nas primeiras pontes
estaiadas. Em geral são até 80% MAIS LEVES que os tabuleiros
de concreto, entretanto se apresentam MAIS CAROS de serem
executados. Além da redução do peso total da estrutura, os
tabuleiros metálicos possibilitam uma REDUÇÃO nas dimensões
dos estais, pilares e fundações. Normalmente são mais
interessantes em estruturas de GRANDES VÃOS (em estruturas
menores o alívio de peso não é tão perceptível). Além da
consideração da FADIGA do material a ação do VENTO é um
importante fator a ser verificado, pois como a estrutura é mais
leve, sua susceptibilidade a OSCILAÇÕES também é maior.
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro metálico:
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro misto:
• Redução no peso da seção devido à utilização de perfis metálicos;
• Facilidade no transporte e instalação dos perfis metálicos;
• Durabilidade da laje de concreto;
• Rapidez na execução.
Pontes Estaiadas: Tabuleiro
Tabuleiro misto:
Pontes Estaiadas: Mastro
Mastro: é a torre existente sobre o tabuleiro, destinada a receber os
carregamentos atuantes na superestrutura, que são transferidos
através dos ESTAIS. A natureza das solicitações faz com que estes
elementos sejam construídos geralmente em CONCRETO. Há
diversas possibilidades de concepções geométricas para esta
estrutura, os tipos mais comuns são simples, duplos e pórticos.
Pontes Estaiadas: Mastro

Mastro simples: utilizado para suportar um ÚNICO PLANO


transversal de estais. Este tipo de mastro tem sua ESTABILIDADE
obtida através de ancoragem dos estais ao longo de sua altura.
Caso haja algum deslocamento transversal do mastro devido a
ação do VENTO, os estais exercem uma força contrária ao
deslocamento evitando assim uma maior deslocabilidade.
Mastro duplo (mastros gêmeos): são caracterizados pela
presença de dois planos transversais de estais. Suas
características são semelhantes ao mastro simples, apenas
mudando a quantidade (estabilidade).
Mastro em pórtico: é caracterizado por uma estrutura composta de
duas torres que possuem CONTRAVENTAMENTO entre si. Este tipo
de estrutura é comumente utilizada quando se deseja vencer
GRANDES VÃOS (mastros de grande altura).
Pontes Estaiadas: Estais
São os componentes mais importantes das pontes estaiadas, e
por este motivo suas PROPRIEDADES MECÂNICAS e de
DURABILIDADE devem ser muito bem verificadas
(confiabilidade e economia);
Geralmente são compostos de fios ou barras de aço,
organizados de diferentes maneiras: em FEIXE DE FIOS
PARALELO ou em CORDOALHAS similares às que são
utilizadas em concreto protendido. As cordoalhas mais comuns
são compostas por sete fios (um central e seis periféricos, que
são mantidos unidos através de um processo de torção).
Pontes Estaiadas: Estais
Cordoalhas múltiplas de sete fios: são as mais usuais para
pontes estaiadas devido, principalmente, a sua facilidade no
MANUSEIO e aplicação. Para conferir maior DURABILIDADE
em relação às cordoalhas usuais de concreto protendido, as
cordoalhas aplicadas em estais recebem tratamento de
galvanização e são revestidas com cera de petróleo e por um
tubo preto de polietileno de alta densidade, para garantir
resistência aos raios ultravioleta.
O número de cordoalhas por cabo normalmente adotado está na
faixa de 19 a 161 cordoalhas
Pontes Estaiadas: Ancoragem
A ancoragem é responsável por transferir as cargas dos cabos aos
apoios, seja o tabuleiro ou a torre. Podem ser ATIVAS (reguláveis),
quando se realiza a atividade de tensionamento, ou PASSIVAS
(fixas), quando a ancoragem sofre a atividade de tensionamento.
Normalmente, as ancoragens ativas são executadas no tabuleiro e as
passivas, nas torres.
• ANCORAGEM REGULÁVEL: as cordoalhas são tensionadas
individualmente e sua ancoragem também é individual. Após a
ancoragem, ajustes na tensão pode ser feito de forma simultânea.
• ANCORAGEM FIXA: chumbamento das cordoalhas ao mastro,
que sofre o esforço da carga exigida pelo tabuleiro;
Pontes Estaiadas: Ancoragem
Pontes Pênseis e Estaiadas: Manutenção
• Nas pontes pênseis são necessárias inspeções periódicas para
verificação de anomalias. As mais comuns são causadas por
CORROSÃO dos elementos metálicos que podem
comprometer a segurança estrutural.
• Nas pontes estaiadas além dos cuidados adotados nas pontes
pênseis, deve ser feita a monitoração constante dos estais para
verificar ocorrências da PERDA DE TENSIONAMENTO e
necessidade de reparos.
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL
DISCIPLINA: PONTES E VIADUTOS

Sistemas Estruturais:
Pontes pênseis e estaiadas
E-mail: andrieli@univag.edu.br

Você também pode gostar