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Dr. Osmar.

A alteração do art. 22 da LC 64/90 somente explicitou na legislação o que a


jurisprudência do TSE já reconhecia, que o prazo decadencial para a
propositura de AIJE é a data da diplomação:

O rito previsto no art. 22 da Lei Complementar nº 64/90 não estabelece prazo


decadencial para o ajuizamento da ação de investigação judicial eleitoral. Por
construção jurisprudencial, no âmbito desta c. Corte Superior, entende-se que as
ações de investigação judicial eleitoral que tratam de abuso de poder econômico e
político podem ser propostas até a data da diplomação porque, após esta data,
restaria, ainda, o ajuizamento da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) e
do Recurso Contra Expedição do Diploma (RCED). (REspe nº 12.531/SP, Rel. Min.
Ilmar Galvão, DJ de 1º.9.1995 RO nº 401/ES, Rel. Min. Fernando Neves, DJ de 1º.9.2000,
RP nº 628/DF, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo, DJ de 17.12.2002). O mesmo argumento é
utilizado nas ações de investigação fundadas no art. 41-A da Lei 9.504/97, em que
também assentou-se que o interesse de agir persiste até a data da diplomação (REspe
25.269/SP, Rel. Min. Caputo Bastos, DJ de 20.11.2006). Já no que diz respeito às condutas
vedadas (art. 73 da Lei nº 9.504/97), para se evitar o denominado "armazenamento tático
de indícios", estabeleceu-se que o interesse de agir persiste até a data das eleições,
contando-se o prazo de ajuizamento da ciência inequívoca da prática da conduta. (QO
no RO 748/PA, Rel. Min. Carlos Madeira, DJ de 26.8.2005; REspe 25.935/SC, Rel. Min.
José Delgado, Rel. Designado Min. Cezar Peluso, DJ de 20.6.2006).

Esta explicitação ocorreu porque na redação anterior, o art. 22 da LC 64/90 dizia


que somente haveria cassação do registro e declaração de inelegibilidade.
Agora, com a Lei da Ficha Limpa, a nova redação contempla cassação do
registro e do diploma. Por isto ficou explicito o entendimento dos Tribunais:

Redação antiga

XIV - julgada procedente a representação, o Tribunal declarará a inelegibilidade do


representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes
sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 3 (três) anos subseqüentes
à eleição em que se verificou, além da cassação do registro do candidato diretamente
beneficiado pela interferência do poder econômico e pelo desvio ou abuso do poder
de autoridade, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para
instauração de processo disciplinar, se for o caso, e processo-crime, ordenando
quaisquer outras providências que a espécie comportar;

Redação nova:

        XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos
eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam
contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as
eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se verificou,
além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela
interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou
dos meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público
Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal,
ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar; (Redação dada pela
Lei Complementar nº 135, de 2010)

Ainda não houve um julgamento com base na nova redação da LC 64/90, mas
lendo-se os fundamentos dos acórdãos do TSE, TRE-SP, TRE-RS relacionados a
eleição de 2008 observa-se que a justificativa antiga se amolda à nova redação
da LC 64/90, mantendo o prazo decadencial até a data da diplomação.

Agora, se o abuso do poder econômico se referir a algum ponto da prestação de


contas ou dos gastos com a campanha eleitoral, a nova redação do art. 30-A da
Lei n. 9.504 estabeleceu que o prazo para a AIJE nesta hipótese é de até 15 dias
da diplomação.

Outra opção para a apuração do abuso do poder econômico seria a AIME, a


qual poderá ser proposta em até 15 dias da diplomação, e não estaria restrita à
prestação de contas. Podendo ser abordado qualquer tema sobre corrupção,
fraude eleitoral ou abuso do poder econômico.

No entanto, a melhor ação é a AIJE da LC 64/90, art. 22, porque com a nova
alteração da Lei da Ficha Limpa, não é mais necessário demonstrar a
potencialidade lesiva do ilícito, o que ainda é exigido nas outras ações
eleitorais.