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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

POR UMA ANÁLISE DE PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA: PROF. DR. PEDRO


DIAS (UNIVERSIDADE DE COIMBRA)

SARAH DUME / R.A: 229879


MESTRANDA EM HISTÓRIA DA ARTE
IFCH/UNICAMP
PROFº DRº PEDRO DIAS: TRAJETÓRIA ACADÊMICA E PROFISSIONAL

Antônio Pedro Machado Gonçalves1, mais conhecido por


Pedro Dias, é um historiador da arte português. Nasceu a 2 de
novembro de 1950 em Coimbra, onde estabeleceu-se durante
a maior parte de sua carreira acadêmica. Aposentou-se em
2011 como Professor Catedrático na área de História da Arte
da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em
Portugal, onde obteve seu doutorado em 1982 e lecionou
desde 1990. Esteve a frente na orientação e co-orientação de
trabalhos de estudiosos reconhecidos atualmente na História da Arte e do
Patrimônio em Portugal e no Brasil, como a tese de doutorado do Prof. Dr. Vitor
2
Serrão - atualmente, professor catedrático da Universidade de Lisboa - e também
o trabalho para a titulação de Jaelson Bitran Trindade (IPHAN-SP).3
Além do posto de professor catedrático da universidade coimbrense, Pedro
Dias esteve a frente de cargos em diversas e importantes instituições portuguesas
no âmbito cultural. Fora presidente da comissão científica do grupo de História da
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, diretor do Instituto de História da
Arte da Universidade de Coimbra, diretor do Museu Nacional de Machado de
Castro, delegado da Secretaria de Estado da Cultura para a Zona Centro, vogal do
conselho editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, diretor de programação do
pavilhão centro de Portugal da Câmara Municipal de Coimbra, vogal do conselho
consultivo do Instituto Português do Património Arquitetônico e Arqueológico, vogal
do grupo de trabalho de História da Arte da Comissão Nacional para as
Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, vogal do conselho científico da
Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses,
vogal do conselho cultural de "Coimbra Capital Nacional da Cultura 2003", vogal

1
O currículo completo do Prof. Pedro Dias encontra-se disponível na Plataforma Lattes. Disponível
em: http://lattes.cnpq.br/1861277188018565.
2
Vitor Serrão. A pintura proto-barroca em Portugal, 1612-1657. 1992. Tese (Doutorado em História
da Arte) - Universidade de Coimbra, . Orientador: António Pedro Machado Gonçalves Dias.
3
Jaelson Bitran Trindade.. A produção de arquitetura em Minas Gerais na Província do Brasil. 2002.
Tese (Doutorado em Comunicação e Arte) - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Coorientador:
António Pedro Machado Gonçalves Dias.
efetivo da Academia Nacional de Belas Artes, vogal correspondente da Academia
da Marinha, vogal correspondente da Real Academia de Bellas Artes de San
Fernando de Madrid, vogal correspondente da Real Academia de Bellas Artes de la
Puríssima Concepción de Valladolid, vogal correspondente da Real Academia de
Extremadura de Letras y Artes, vogal efetivo do CIHA - Comitê Internacional de
História da Arte e presidente da respectiva Seção Portuguesa. Junto a UNESCO,
dedicou-se aos estudos acerca das relações do mundo árabe com a América por
meio do Projeto Quiroga, com patrocínio da Comissão Europeia, voltando-se a
intervenção no restauro de cidades históricas ibero-americanas. Fizera parte
também do Projeto de Inventário do Patrimônio Artístico Móvel das Universidades
Europeias. Desenvolveu trabalhos de investigação em diversos países, como
Espanha, Itália, Holanda, Alemanha, França, Brasil e Índia, com o apoio de
instituições nacionais e internacionais, principalmente por meio do Instituto Nacional
de Investigação Científica da Fundação Calouste Gulbenkian.
Esteve à frente das comissões gerais e científicas de diversas exposições
em Portugal, como O Tempo das Feitorias, Museu Real de Antuérpia, 1991; A Arte
da Época dos Descobrimentos, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 1992; Grão
Vasco e a Pintura Europeia do Renascimento, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa,
1992; Álvaro Pires de Évora, um pintor português no Quattrocento Italiano, Torre do
Tombo, Lisboa, 1994; Reflexos: Símbolos e Imagens do Cristianismo na Porcelana
Chinesa, Museu de São Roque, Lisboa, 1997; O brilho do Norte: escultura e
escultores do Norte da Europa em Portugal, época Manuelina, Lisboa, Palácio
Nacional da Ajuda, 1997; Tesouros do Norte de Portugal, Centro Cultural de Macau,
1999; A Escultura de Coimbra do Gótico ao Maneirismo, Mosteiro de Santa Cruz,
Coimbra, 2003; Vicente Gil e Manuel Vicente, Pintores da Coimbra Manuelina,
Coimbra, 2003; Memórias de Santa Cruz, Coimbra, 2003. Exposição de Arte,
Ciência e Cultura do Conselho da Europa, realizada em Lisboa, em 1983; a
exposição do Pavilhão de Portugal, e a exposição intitulada El Arte en Torno a 1492,
no âmbito da Expo 92, que tiveram lugar em Sevilha; Uma aventura de séculos para
inventar o Futuro, em Génova, em 1992; e a Circa 92, na National Gallery de
Washington, em 1992, e Encompassing the Globe. Portugal and the World in the
16th and 17th Centuries, na Smithsonian Institution de Washington, em 2007.
Compôs parte de grupos de restauro em diversas ocasiões e em diversos
monumentos portugueses e estrangeiros: do Mosteiro de Folques, do Mosteiro de
Santa Cruz de Coimbra, do Palácio da Vila de Sintra, do Mosteiro dos Jerónimos, do
Colégio de São Jerónimo de Coimbra, do Mosteiro de Semide e do Paço das
Escolas da Universidade de Coimbra. Também fora consultor do Projeto de Resgate
das Fortalezas de Santa Catarina no Brasil. Fora condecorado em 2005 pelo
Presidente da República de Portugal no grau de Comendador da Ordem do Infante
D. Henrique.4

4
As informações referentes a biografia do autor também compostas pelo currículo do historiador da
arte disponibilizados pelo Diário da República de Portugal.
Presidência do Conselho de Ministros e Ministério da Cultura. Diário da República Eletrônico.
Nº35/2004, Série II, 02 de novembro de 2011. Lisboa, Portugal. Disponível em:
https://dre.pt/application/file/a/3481940.
OBRA DE DESTAQUE

“A VIAGEM DAS FORMAS” (1995)


“Da utilização de modelos renascentistas e
barrocos italianos, em construções portuguesas,
à edificação de fortalezas, na costa oriental da
África, e de igrejas e talhas rococó no Brasil de
tudo isso trata um pouco este livro”. Pedro Dias,
quarta capa do livro “A Viagem das Formas”.

Entre as obras de Pedro Dias que evidenciam o vasto leque de temáticas


estudadas pelo historiador, está o livro publicado pela Editora Estampa em 1995, “A
Viagem das Formas”. O trabalho constitui-se de artigos, comunicações e atas de
revistas científicas realizadas pelo autor ao longo dos sete anos anteriores a
publicação do livro, os quais curvam-se a temática do estudo das transferências e
influências resultados da mobilidade artística – fossem de tratados, artistas e obras
– do final da Idade Média até o início do século XX -, principalmente no que se
refere a arte portuguesa. Tem-se, a partir deste livro, um panorama inicial do que a
obra de Pedro Dias representa para a História da Arte. Em “A Viagem das Formas”
o autor concentra uma parte da trajetória de sua produção e demonstra o amplo
leque de temáticas que envolvem seu contributo para a área, elucidando
questionamentos que ainda são gerados para os estudiosos que se dedicam
principalmente à compreensão da arte na época dos descobrimentos portugueses.
O primeiro capítulo intitulado “Os artistas e a organização do trabalho nos
estaleiros portugueses de arquitectura nos séculos XV e XVI” dedica-se a analisar
as relações e mudanças ocorridas na arte da construção, bem como compreender
de que forma os novos instrumentos – como os textos impressos – e as novas
concepções sobre o artífice da arquitetura transformara-se nesse período. Essa
obra fora apresentada por Pedro Dias em Tordesilhas no ano de 1994, em uma
comunicação apresentada no Congresso Internacional de História El Tratado de
Tordesillas y su Época. O texto dedica-se a explorar o que foram os séculos XV e
XVI para os projetistas e mestres de obras, os quais, encontravam-se em um
processo de reconhecimento social de sua posição, afastando-se cada vez mais do
modo medievalesco dos estaleiros de obras e aproximando-se do estatuto de
arquiteto.5 O autor percorre a trajetória deste profissional durante dois séculos,
destacando a disseminação da linguagem clássica da arquitetura na Península
Ibérica por meio da tradução e circulação dos tratados de arquitetura, como
“Medidas Del Romano” (1526) de Diego de Sagredo, os tratados vitruvianos de Fra
Giocondo (1511), Cesare Cesariano (1521) e Sérlio (1537)6, e, o reinado de Felipe II
sobre Espanha e Portugal como o período de mudança dos modelos de arruar e
construir. Por meio do estabelecimento da Aula de Risco e da Academia de
Matemáticas em Lisboa em Madrid, eleva-se o arquiteto como parte essencial do
sistema orgânico representado pelo reino.7
A segunda parte, denominada “Uma ‘construção’ italiana em Portugal: o
Seminário de Coimbra” fora dedicada às transferências artísticas marcadas pela
relação entre a Itália e Portugal, demonstrando de que forma os profissionais
italianos estiveram inseridos na construção do seminário coimbrense no século
XVIII. Dias apresentara esse trabalho de investigação em um artigo publicado no
Arquivo Coimbrão, em 1994, onde, traz à discussão o conceito de transferência
estética8, o qual, juntamente do conceito de influência (estética), considera não
menos importante na constituição da história da arte portuguesa no período barroco.
Para o autor, a arquitetura barroca do país fora orientada por diversas escolas
multifacetadas, que caracterizaram diversificados tipos de barroco no território
português9, constituído a partir de importações frequentes de esculturas, pinturas e
projetos advindas da Itália.10

5
DIAS, Pedro. A viagem das formas: estudos sobre as relações artísticas de Portugal com a Europa,
a África, o Oriente e as Américas. Editorial Estampa, 1995, p.15.
6
DIAS, op.cit, p.18.
7
DIAS, op.cit, p.33.
8
BOTTINEAU, Yves. A transmissão de fontes arquitetônicas para o Brasil do século XVIII: da certeza
à hipótese. Colóquio Artes ", 2ª série , c. 17, p. 9-17, 1975.
9
DIAS, op.cit, p.36.
10
DIAS, op.cit, p.49.
O terceiro capítulo, “As empresas artísticas do Infante D. Henrique”
apresenta um estudo realizado por Dias e apresentado na revista Mare Liberum, o
qual fora uma sintetização do estudo “A criação e recriação da imagem do infante D.
Henrique na Época Moderna” produzido no contexto de Comemoração dos
Descobrimentos Portugueses. Esse trabalho propõe-se a apresentar as formas de
ver e pensar dos portugueses sobre a imagem de D. Henrique durante a Idade
Moderna. Sujeito dos mais estudados na história de Portugal, D. Henrique tem
diversos aspectos da sua vida já analisados, porém, nesse capítulo, Dias atenta-se
ao aspecto das empresas artísticas nos dias de D. Henrique.11 O autor destaca
indícios da participação do Infante na construção de igrejas, defesas de cidades,
vilas e edifícios, bem como a questão do patrocínio régio sobre diversas
construções do período, além das mais diversificadas compras de pinturas,
esculturas e livros que se comprovam ainda hoje feitas por D. Henrique.12 Pedro
Dias demonstra que não diferente de outros reis em distintos períodos, a arte serviu
para D.Henrique “para se afirmar como senhor; para garantir a integridade das suas
terras face aos seus inimigos; para criar espaços de convivência social, abrigar os
seus agentes administrativos, viver e rezar; e para alcançar o desejado repouso na
vida eterna”.13
O capítulo quarto “A expansão da arquitectura europeia na América do Sul;
o caso de Minas Gerais”, no qual, segundo palavras do próprio autor “este texto não
é mais que uma homenagem a essa terra tão querida e não o fruto de uma pesquisa
profunda e continuada”. Aqui, Dias realiza uma análise do ideário luso
remanescente nas construções das cidades mineiras, como em Ouro Preto, Sabará,
Tiradentes e S. João Del-Rei, propondo demonstrar assim a circulação e presença
de artistas e artífices portugueses nos territórios centro e sul-americanos durante os
séculos XVI, XVII e XVIII,14 onde, hoje, se apresenta do Brasil ao Uruguai, reflexos
das transferências e influências artísticas advindas da Península Ibérica. Dias busca
também explicar as singularidades da arquitetura mineira, evidenciando a proibição

11
DIAS, op.cit, p.51.
12
DIAS, op.cit, p.55.
13
DIAS, op.cit, p.69.
14
DIAS, op.cit, p.91.
das ordens religiosas na capitania e de que forma tal condição régia refletira-se na
arquitetura mineira no século XVIII.
O quinto texto dedica-se ao estudo do escultor pouco visto na historiografia
da arte: “Odart, um escultor francês do Renascimento em Espanha e Portugal”.
Pedro Dias expõe o processo de busca e mapeamento das obras e documentos
acerca da estada do artista em terras portuguesas, explorando o caráter singular de
sua produção. As esculturas possíveis de serem mapeadas e que se encontram na
Península Ibérica - local de maior produção artística do autor - trouxeram consigo
marcas do modelo norte europeu, resultado da ascendência francesa do escultor,
do qual pouco se conhece sua escola de formação. 15 O trabalho foi apresentado no
Simpósio Luso-Espanhol de História da Arte realizado em Cáceres, em novembro
de 1993.
O trabalho “Peregrinação e regresso. A memória da viagem na arte
funerária da época dos Descobrimentos” fora dedicado ao leque de situações em
que as relações artísticas estabelecem-se em consonância ao culto da morte entre
os séculos XV e XVI, por meio das encomendas de túmulos e panteões familiares
que prestavam-se em prol da perpetuação da memória e do poder dos membros da
corte16. Dias explora a relação entre a preocupação do homem português acerca da
salvação de sua alma17 perante um novo contexto cultural, onde, a exploração de
novos territórios através da navegação os colocavam mediante a face da morte de
diferentes maneiras.18 Desses feitos, a necessidade de voltar a terra natal se fazia
presente em vida ou depois da morte19, propiciando assim a demonstração da
coragem e da disposição pelo império através de grandes obras monumentais em
que seus túmulos se transformaram para ali seus restos mortais serem depositados.
O conteúdo deste texto fora apresentado por meio de uma comunicação no Curso
de Verão de História da Arte da Universidade de Coimbra, em 1993.
Reforçando sua fala acerca da ampla historiografia acerca do Infante D.
Henrique, Pedro Dias demonstra em “A criação e a recriação da imagem do Infante

15
DIAS, op.cit, p. 114.
16
DIAS, op.cit, p.116.
17
DIAS, ibidem., p.116.
18
DIAS, op.cit, p.118.
19
DIAS, op.cit, p.122.
D. Henrique na Época Moderna” que a preocupação acerca da representação
artística do Rei encontra-se como uma discussão mais recente.20 Dias atualiza o
leitor das representações existentes acerca da figura do infante português, como as
existentes em um políptico nos arredores do Mosteiro de S. Vicente de Fora, bem
como sua figura representada no portal principal do Mosteiro dos Jerônimos.21 O
autor reforça o espaço dado às representações em que figura-se a face do rei,
demonstrando que do século XV ao XIX22 encontra-se o infante agraciado como
uma figura impávida nas mais distintas artes.
“Manuelino e neo-manuelino” fora resultado dos trabalhos realizados afim
do catálogo de exposição “O Neomanuelino ou a reinvenção da arquitectura dos
Descobrimentos” (1994), onde, Dias propõe-se a discutir um dos temas com um
vasto campo de estudos dentro da historiografia da arte. O movimento artístico que
florescera durante o reinado de D. Manuel I (1495-1521) e persistira até os primeiros
anos do governo de D. João III23, fora resultado do ímpeto do infante de utilizar das
construções e projetos realizados no período de seu reinado como um instrumento
da ampliação de seu poder e de sua fé católica24. A representação do poder real
passa a ser sentida em todo o âmbito da corte de D. Manuel I, bem como nas
colônias portuguesas: “As pinturas, as tapeçarias os objectos e alfaias de culto em
metais preciosos, os edifícios religiosos, civis e militares, os livros e até
documentos, festas e cerimónias, tudo o que dizia respeito ao visível tinha a sua
marca.”25 O gosto pelo manuelino expanda-se durante o século XIX e início do XX, e
encontra-se redimensionado em Portugal e sobre suas colônias e ex-colônias: o
neomanuelino.26
Ampliando o vasto leque de territórios a serem explorados para a
compreensão da trama de relações artísticas que se aprofundaram durante o século
XV e XVI, o capítulo “As primeiras construções portuguesas na costa oriental de
África e no Golfo Pérsico”, propõe demonstrar a importância estabelecida entre

20
DIAS, op.cit, p.129.
21
DIAS, op.cit, 141-143.
22
DIAS, op.cit, p.148-149.
23
DIAS, op.cit, p.152.
24
DIAS, op.cit, p.153.
25
DIAS, op.cit, p.154.
26
DIAS, op.cit, 158-159.
Portugal e Oriente Médio nas relações artísticas que permearam a Coroa e a
colônia durante esses dois séculos27. As conclusões alcançadas pelos estudos
nesta área possuem uma gama de indícios que permitem compreender essa
relação entre as artes portuguesa e oriental, como crônicas, cartas, documentos
diversos e repertórios iconográficos.28 Dias demonstra que as fortalezas construídas
em terras orientais também se fizeram espaços férteis para o intercâmbio entre
técnicas construtivas, dado a necessidade do saber da arquitetura militar para o
estabelecimento dos colonizadores nos espaços conquistados.29
Enfim, Pedro Dias finaliza a obra “Viagem das Formas” construindo um
trabalho de compreensão das relações entre Portugal e Índia, onde, analisa o papel
dos dois territórios como vetores de cultura, que, para além de questões
econômicas e religiosas, também se prestaram a um intercâmbio rico em trocas
culturais durante o século dos descobrimentos portugueses.30 A rota comercial entre
Portugal e o Oriente também fora o caminho para a circulação de obras de arte,
entre tapetes, porcelanas e outros espólios revelaram-se aos olhos dos
colonizadores31 e estiveram demonstradas a partir da documentação relativa a
época, através de crônicas, relatos e cartas.32 Pedro Dias utiliza-se dessa
documentação e da bibliografia produzida acerca dos descobrimentos portugueses
nas Índias para demonstrar os objetos artísticos que circularam e que foram
relatados pelos mais variados viajantes durante o século XVI. Dessa análise, o autor
conclui o capítulo, e também sua obra, observando que a “miscigenação estética”
ocorrera de forma constante durante o descobrimento e dominação dos territórios
colonizados em diversos âmbitos das artes, fosse na arquitetura, na pintura, nas
artes ornamentais e na arte produzida a partir do ouro.

27
DIAS, op.cit, p.165.
28
DIAS, op.cit, p.166.
29
DIAS, op.cit, p.183.
30
DIAS, op.cit, p. 185-216.
31
DIAS, op.cit, p.186.
32
DIAS, op.cit, p.188.
POR UMA BIBLIOGRAFIA: PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA DO HISTORIADOR

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Legenda das Figuras

Figura 1. Disponível em <​http://lattes.cnpq.br/1861277188018565​>.


Figura 2. Acervo pessoal.

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