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Prof.

Arthur Lima
Nome do curso Aula 00

Aula 1 – Princípios
orçamentários
AFO p/ TCU e TC-DF
Prof. Sérgio Machado
Prof. Marcel Guimarães
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Administração Financeira e Orçamentária – Prof. Sérgio Machado e Prof. Marcel Guimarães
TCU e TC-DF Aula 1

Sumário
PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS ............................................................................................................... 5

PRINCÍPIO DA UNIDADE (OU TOTALIDADE) ................................................................................................................. 8


PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE (OU GLOBALIZAÇÃO) ................................................................................................ 10
PRINCÍPIO DA EXCLUSIVIDADE ................................................................................................................................ 14
PRINCÍPIO DO ORÇAMENTO BRUTO......................................................................................................................... 17
PRINCÍPIO DA ANUALIDADE (OU PERIODICIDADE) ...................................................................................................... 20
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE .................................................................................................................................... 22
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE (OU TRANSPARÊNCIA) ..................................................................................................... 25
PRINCÍPIO DA NÃO VINCULAÇÃO (NÃO AFETAÇÃO) DA RECEITA DE IMPOSTOS .............................................................. 28
Exceções ao princípio da não vinculação da receita de impostos ....................................................................... 31
DRU – Desvinculação de Receitas da União .................................................................................................... 35
PRINCÍPIO DA ESPECIFICAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO OU DISCRIMINAÇÃO) ........................................................................... 37
OUTROS PRINCÍPIOS ............................................................................................................................................. 41
Princípio da Uniformidade (Consistência) ........................................................................................................ 41
Princípio da Programação .............................................................................................................................. 41
Princípio do Equilíbrio .....................................................................................................................................42
Princípio da Proibição do Estorno.................................................................................................................... 43
Princípio da Clareza ....................................................................................................................................... 43

QUESTÕES COMENTADAS – CESPE .......................................................................................................44

LISTA DE QUESTÕES – CESPE ................................................................................................................ 71

GABARITO - CESPE ................................................................................................................................79

RESUMO DIRECIONADO ....................................................................................................................... 80

Olá! 😄

É com enorme felicidade que nós o recebemos aqui! Se você está aqui, é porque você confia no nosso
trabalho e porque está buscando o melhor para você mesmo! 😍

Parabéns pela sua decisão e muito obrigado pela confiança! Agora sim você está na direção certa! 🦅

E, assim como você, nós também nos esforçamos muito. Investimos horas e horas de estudo, análise e
preparação das aulas para lhe entregar o melhor material possível. Um material desenhado para você e
direcionado justamente para o que você quer!
Ah! Para que possamos continuar entregando o melhor material para você, seria muito bom se você nos
dissesse o que você está achando das aulas. É só mandar uma mensagem, dizendo se o curso está bom ou ruim,
se está longo ou curto, se a didática está boa, dizendo o que está faltando ou o que você mais gostou! 💡😄

Afinal, como saberemos se o curso está bom, se você não nos disser? 😅

Não demorará muito e, em retorno a sua avaliação, você receberá um material ainda melhor! 😃

Lembre-se que o nosso objetivo é o mesmo que o seu. Você quer ser aprovado(a) e nós queremos que
você seja aprovado(a)! A partir de agora nós somos um time! Tamo junto, beleza? 😃

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Dica de um concursado para um concurseiro


Você não precisa “se matar de estudar”, entretanto é fundamental que tenha uma rotina de estudos
sustentável e saudável, a qual você consiga sustentar por um bom período de tempo.
A pior coisa que pode acontecer com você é ficar saturado, enfadado, desmotivado, de saco cheio de
estudar...
Portanto, busque uma rotina equilibrada. Priorize os seus estudos, mas não se esqueça da sua saúde, da
sua vida social, dos seus queridos, de fazer as coisas que você gosta... Isso vai fazer toda a diferença na sua
preparação!
Atenção! Não estamos dizendo para você relaxar e estudar menos! Estamos dizendo para você não ficar
paranoico com os estudos! Estamos dizendo para você levar uma vida equilibrada, com prioridade para os seus
estudos. Afinal...

Passa quem estuda melhor, não necessariamente quem estuda mais!

Mentalidade dos campeões 🏆

“O sucesso é uma decisão, não um dom” – Ben Bergeron

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O assunto desta aula é tranquilo de se aprender e fundamental para o nosso avanço na disciplina.
Portanto, você está diante de um assunto com excelente custo-benefício, pois, se entender bem esses
princípios, não só vai conseguir resolver muitas questões desse assunto, como também vai aprender de forma
muito mais fácil e natural o conteúdo que veremos adiante. 😃
Por isso, vamos realmente aprender, e não apenas decorar, ok? Vamos lá!

P.S.: existe uma infinidade de princípios orçamentários (é sério, alguns até já perderam a sua utilidade 😅). Uns estão
presentes na legislação e outros são de cunho doutrinário. Nós trataremos aqui dos princípios orçamentários mais
cobrados em provas de concurso público e o faremos de forma objetiva, colocando as informações que você precisa para
matar as questões.

Princípios orçamentários
“Princípio” significa o início, o fundamento, a essência, a raiz de alguma coisa. Portanto, os princípios
orçamentários são premissas, bases, linhas norteadoras para a elaboração, execução e controle do
orçamento.

“Tranquilo! Mas como assim linhas norteadoras, professor”? 🤔

É o seguinte: você já utilizou uma bússola? Uma bússola é um instrumento de orientação, que o ajuda a
seguir na direção correta e, quando você precisa, ela lhe dá um norte. Em qualquer situação em que você esteja,
a bússola vai orientá-lo, vai apontar o norte. A mesma coisa acontece com os princípios orçamentários: são eles
que vão guiá-lo, norteá-lo.

Os princípios orçamentários também são bases. Sim: bases! Os engenheiros civis vão me entender agora:
imagine a fundação de uma casa. Para quem não sabe, embaixo de uma casa há uma forte estrutura, uma
fundação, que segura a casa no lugar. Essa estrutura é a base, e, se não for bem-feita, a casa cai! Então,
primeiro você faz a base, para depois erguer a casa propriamente dita. Do mesmo jeito são os princípios
orçamentários: eles devem ser bem elaborados, e primeiro você tem que os observar, para depois continuar
construindo o seu orçamento.

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Mas tem uma coisa! Os princípios orçamentários não estão lá só para enfeitar e orientar. Eles devem ser
observados!

“Observados quando?” 🤔

Na elaboração, execução e controle da Lei Orçamentária! Atenção: eu falei que os princípios devem ser
observados na elaboração, execução e controle da LOA! Não falei em Plano Plurianual (PPA) ou em Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), ok? 😉

Muito bem! Os princípios devem ser observados. Isso significa que eles são impositivos! No entanto,
apesar de serem impositivos, eles não têm caráter absoluto.

“Como assim não tem caráter absoluto?” 🧐

Quando digo que os princípios não têm caráter absoluto, quero dizer que eles comportam exceções,
atenuações, relativizações . Eles não são rígidos e não serão obedecidos 100% das vezes. Você verá que,
muitas vezes, a própria regra do princípio já traz a sua exceção. Por sinal, você também verá que as bancas
adoram questionar sobre as exceções.
“E os princípios são válidos para todos os entes, professor? Ou, já que a competência para legislar sobre direito
financeiro e orçamento é concorrente, cada ente federativo possui os seus próprios princípios orçamentários?”

Mas que questão bem elaborada! 😅

Vamos à resposta: os princípios orçamentários são válidos para todos os poderes e para todos os entes!
Assim, eles proporcionam consistência e estabilidade para o sistema orçamentário. Lembre-se que “no
âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais” (CF/88,
art. 24, § 1º). Já imaginou a confusão que ia ser se cada ente tivesse os seus princípios? 😦 Seria como se cada
país adotasse o seu próprio norte. Em alguns países, o norte seria o leste, ou o oeste ou o sul. Você acha que
daria certo voar de avião de um país para o outro?
Vale destacar também que alguns princípios estão na Constituição Federal, ou seja, têm status
constitucional. Enquanto outros estão previstos somente na legislação infraconstitucional (na Lei 4.320/64,
por exemplo), no Manual Técnico de Orçamento (MTO), no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público
(MCASP) ou até mesmo na doutrina.
Beleza, então resumindo:

“os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos os
poderes e todos os níveis de governo”.

Detalhe: repare nas aspas. Não fui eu quem disse isso. Foi o próprio Cespe! Isso estava numa prova do
Cespe! 😳

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Questões para fixar


CESPE – TRT 1ª – Analista Judiciário - Área Administrativa – 2017

Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos os poderes
e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.

Os princípios orçamentários surgiram com a necessidade de se estabelecer regras para a instituição orçamentária, e alguns
deles foram incorporados à legislação brasileira há mais de cinco décadas.

Comentários:

Sim! Os princípios surgiram para orientar, nortear, estabelecer regras gerais para a elaboração e execução do orçamento.
Como eu disse, alguns princípios estão na CF/88, enquanto outros estão somente na doutrina ou na legislação
infraconstitucional, como é o caso da Lei 4.320/64.

Vamos fazer os cálculos. A prova foi aplicada em 2017. 2017 – 1964 = 53.

Então, à época da aplicação da prova, a Lei 4.320/64 já estava em vigor há 53 anos, que é mais de cinco décadas. Portanto,
a questão está correta.

Gabarito: Certo

CESPE – CGM João Pessoa – Auditor Municipal de Controle Interno – 2018

Com relação ao orçamento público, julgue o item a seguir.

Para ser considerada princípio orçamentário, a regra deve estar expressamente prevista na Constituição Federal de 1988.

Comentários:

Opa! Para ser princípio orçamentário tem que estar expressamente previsto na CF/88? Nada disso!

Alguns princípios realmente possuem status constitucional, enquanto outros estão na legislação infraconstitucional ou
na doutrina, mas nem por isso deixam de ser princípios orçamentários.

Por exemplo, veja o disposto na Lei 4.320/64:

Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira
e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade e anualidade.

Viu? Esses princípios não estão na CF/88, mas são princípios! 😃

Conclusão, ao contrário do que afirma a questão, uma regra não precisa estar na CF/88 para ser considerada um princípio
orçamentário.

Gabarito: Errado

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Princípio da Unidade (ou Totalidade)


Segundo o princípio da unidade, o orçamento deve ser uno! Unidade. Uno. Entendeu? 😊 Você pode usar
isso para gravar esse princípio!
Muito bem!
O orçamento, em cada ente federativo, deve ser um só, um único orçamento. Em outras palavras: deve
existir apenas um (e não mais que um) orçamento para cada ente da Federação em cada exercício financeiro.
“Ok! E qual é o objetivo disso, professor? Por que cada ente federativo só pode ter um orçamento em cada
exercício financeiro?”
O objetivo é eliminar a existência de orçamentos paralelos. Orçamentos paralelos acontecem quando se
tem um orçamento ordinário e um ou mais orçamentos especiais, correndo em paralelo com o ordinário. Ou
seja: é quando se tem uns três orçamentos sendo executados ao mesmo tempo. Normalmente, isso
acontecia em situações de excepcionalidade (guerras, calamidades, crises econômicas, etc.), as quais
“justificavam” a existência de orçamentos especiais.
“E qual é o problema desses orçamentos paralelos?”
O problema é que o Executivo criava, ele mesmo, um orçamento e ele mesmo o executava. Ou seja: não
tinha aprovação do Legislativo. Então, além de realizar despesas com as quais o povo não concordava, o
governo acabava gastando muito mais que o previsto. Além disso, se já é difícil para o Poder Legislativo
controlar um orçamento, imagine controlar três ou quatro... Em outras palavras: há prejuízo e dificuldade ao
controle orçamentário. Precisamos dizer que tudo isso é horrível para as finanças públicas? 🙃

Aqui no Brasil, o princípio da unidade é um dos três princípios expressos no artigo 2º da Lei 4.320/64, olha
só:

Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política
econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade
universalidade e anualidade.

Portanto, apesar de sua importância, esse princípio não tem status constitucional, ok?

Muito bem! Agora veja que intrigante: você lembra que a nossa Lei Orçamentária, também conhecida
como LOA, é dividida em três partes, três orçamentos? São eles:

• Orçamento fiscal (OF);

• Orçamento de investimento (OI); e

• Orçamento da seguridade social (OSS).

“Espera aí, professor. Você estava me dizendo que o orçamento é uno. Um único orçamento para cada ente
da Federação em cada exercício financeiro. Agora eu estou vendo três orçamentos aí. Dividir o orçamento em três
não contraria o princípio da unidade? Isso não é um caso de orçamentos paralelos?”

A resposta é: não! A separação da LOA em três orçamentos (ou “suborçamentos”) não atenta contra o
princípio da unidade. E não é um caso de orçamentos paralelos.

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É aqui que entra o princípio da totalidade. O princípio da totalidade representa uma evolução, uma
atualização, do princípio da unidade. Segundo o princípio da totalidade, é possível a coexistência de vários
orçamentos, desde que sejam posteriormente consolidados em um único orçamento. É como se o orçamento
anual fosse integrado pela totalidade dos “suborçamentos”. Em outras palavras: a LOA pode até ser divida em
três, mas ela é uma só! Nós não temos três LOAs. Nós só temos uma!
Por isso, o princípio da totalidade não se preocupa com a unidade documental. “O princípio da unidade
não significa a existência de um único documento, mas a integração finalística e a harmonização entre os
diversos orçamentos1”. Portanto, podem existir vários documentos, desde que o orçamento seja um só,
consolidado.
Para facilitar, olhe esse gráfico de pizza do nosso orçamento aqui embaixo:

OF OI

OSS
Você percebe que, apesar de ter três sabores, temos uma pizza só? 🍕😄 Com o nosso orçamento, é a
mesma coisa: de acordo com o princípio da totalidade, o orçamento pode até ser dividido em três orçamentos
(ou “suborçamentos”), mas ele é um orçamento só! Um único orçamento, posteriormente consolidado.
Ah! Detalhe: muitas vezes o princípio da unidade e o princípio da totalidade são considerados sinônimos.
Muitas provas consideram isso e até o Manual Técnico de Orçamento (MTO) considera isso. Portanto, se você
encontrar uma questão falando do princípio da totalidade e ela perguntar se esse é o princípio da unidade, pode
dizer que sim! É praticamente a mesma coisa. O que aconteceu foi que “a doutrina tratou de reconceituar o
princípio de forma que abrangesse as novas situações2”.
Para finalizar, vou deixar aqui o texto integral do MTO 2018, muito elucidativo e que resume bem o que
vimos até aqui:

De acordo com este princípio, o orçamento deve ser uno, ou seja, cada ente governamental deve elaborar
um único orçamento. Este princípio é mencionado no caput do art. 2º da Lei no 4.320, de 1964, e visa
evitar múltiplos orçamentos dentro da mesma pessoa política. Dessa forma, todas as receitas previstas
e despesas fixadas, em cada exercício financeiro, devem integrar um único documento legal dentro de
cada nível federativo: LOA.

1
TORRES, Ricardo L. Tratado de direito constitucional, financeiro e tributário, 2000.
2
GIACOMONI, James. Orçamento Público, 16ª edição, editora Atlas, 2012.

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Questão para fixar


CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional – 2018

Acerca dos princípios orçamentários, julgue o item seguinte.

Apesar do princípio da unidade, orçamentos públicos paralelos podem ser adotados pelos entes federativos em
decorrência de excepcionalidades, como, por exemplo, no caso de calamidades que demandam urgência na aplicação de
recursos públicos.

Comentários:

Orçamentos paralelos podem ser adotados? Nada disso! O princípio da unidade surgiu justamente para evitar múltiplos
orçamentos dentro da mesma pessoa política.

Mesmo em situações excepcionais (como guerras e calamidades públicas), o princípio da unidade deve ser respeitado.
Para situações como essas, lembre-se, é possível fazer abertura de créditos adicionais (nesse caso, créditos adicionais
extraordinários).

Gabarito: Errado

CESPE – TC-DF – Analista de Administração Pública– 2014

Com relação aos aspectos gerais do orçamento público e a sua implementação no Brasil, julgue o item subsecutivo.

Considera-se respeitado o princípio da unidade orçamentária ainda que a lei orçamentária anual seja composta por três
orçamentos diferentes, como ocorre no Brasil.

Comentários:

Exatamente! A separação da LOA em três orçamentos (ou “suborçamentos”) não atenta contra o princípio da unidade. E
não é um caso de orçamentos paralelos.

Lembre-se do princípio da totalidade, segundo o qual: o orçamento pode até ser dividido em três orçamentos (ou
“suborçamentos”), mas ele é um orçamento só! Um único orçamento, posteriormente consolidado. A LOA é uma só!

Gabarito: Certo

Princípio da Unidade (ou Totalidade): o orçamento deve ser uno. Cada ente federativo, em cada exercício financeiro,
deverá ter somente um único orçamento.

Princípio da Universalidade (ou Globalização)


Segundo o princípio da universalidade, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de cada ente federado deverá
conter todas as receitas e as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas
e mantidas pelo poder público. A palavra-chave aqui é “todas” (por isso que eu as marquei 😏).

Simplificando: a LOA deve conter tudo, o universo inteiro! Universalidade, entendeu? 😏

Fique atento!
Se alguma questão falar em “todas as receitas e despesas”, provavelmente ela está falando do princípio da universalidade

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Esse princípio também é um dos três que estão lá no artigo 2º da Lei 4.320/64: universalidade, unidade
e anualidade. Mas ele deixa sua marca mesmo é nos artigos 3º e 4º, observe:
Art. 3º A Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito
autorizadas em lei.
Art. 4º A Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo e da
administração centralizada, ou que, por intermédio deles se devam realizar, observado o disposto no artigo
2°.

Esse princípio foi recepcionado e normatizado pela CF/88 em seu artigo 165, § 5º (repare na abrangência
da lei orçamentária):

§ 5º A lei orçamentária anual compreenderá:

I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração
direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;

II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria
do capital social com direito a voto;

III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da
administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder
Público.

Segundo Sebastião Sant’Anna e Silva, o princípio da universalidade proporciona ao legislativo a


oportunidade de:

• Conhecer a priori todas as receitas e despesas do governo e dar prévia autorização para a
respectiva arrecadação e realização (destaque-se que o a LOA não precisa mais autorizar a
arrecadação. Atualmente ela somente prevê a arrecadação. Se alguém quiser dar dinheiro para o
governo, você acha que ele iria dificultar o processo, dizendo: “não! Só recebemos se for autorizada?”.
Claro que não!);
• Impedir que o Executivo realize qualquer operação de receita ou despesa sem prévia autorização
parlamentar;
• Conhecer o exato volume global das despesas projetadas pelo governo, a fim de autorizar a
cobrança de tributos estritamente necessários para atende-las.
Mas nem todas as receitas e despesas públicas (consideradas em seu sentido amplo) estarão no
orçamento.
“Como assim professor? Você acabou de falar que o orçamento deverá conter todas as receitas e as
despesas.” 🤨

Veja o detalhe: eu falei em receitas e despesas em seu sentido amplo. Lembra das receitas e despesas
extraorçamentárias, a exemplo de depósitos em caução? Pois é, como já diz o nome (extraorçamentárias),
essas receitas e despesas estão “fora” do orçamento, à margem do orçamento.

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Por exemplo: se um amigo lhe pedisse para somente guardar R$ 100,00 durante um mês, findo o qual ele voltaria para
buscá-los, você contaria esse dinheiro no orçamento? Você poderia usar esse dinheiro que não é seu? Claro que não! É
óbvio que você manteria um controle disso (anotaria os R$ 100,00 em algum lugar), mas não usaria esse dinheiro.

No orçamento público é do mesmo jeito: o Estado não pode usar dinheiro que não é dele! Nesse caso, o Estado é um mero
depositário dos recursos! Ele mantém registro disso, mas esses recursos não integram o patrimônio público e, portanto,
estão à margem do orçamento.

Agora vou lhe passar o bizú: muitas (mas muitas questões mesmo) tentam confundir o princípio da
universalidade com o princípio da unidade. Os nomes são parecidos (ambos começam com “uni”), e isso é
terreno fértil pro examinador.

“Professor, então como eu faço para não confundir os dois?” 🤔


Assim: no princípio da unidade (ou totalidade) você vai lembrar desta frase: “o total é uma unidade”. O
total (a soma das partes) é uma unidade. Lembre-se: mesmo dividido, o orçamento é uno.

TOTAL = 1

Já no princípio da universalidade, você vai pensar no universo. Sim, no espaço sideral. O universo contém
todos os planetas e todas estrelas. E o orçamento deve conter todas as receitas e despesas. O outro nome
desse princípio até ajuda a gravar: globalização. A Terra é um globo. E a Terra está no universo.

Mas eu quero facilitar ainda mais para você. Para que a diferença entre os dois princípios fique bem clara,
preste atenção neste exemplo:

Imagine que você pretenda montar um quebra-cabeça. Primeiro, você reúne todas as peças, porque, se faltar uma ou mais
peças, não vai dar certo. Então você segue montando. No final, você terá um quebra-cabeça montado, como se fosse
uma peça só!
Veja que você trabalhou de acordo com o princípio da universalidade, porque juntou todas as peças.
E você também pode ver a aplicação do princípio da unidade (ou totalidade), porque, juntando todas as peças, o resultado
final foi uma peça só!

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E para fechar com chave de ouro, observe o esquema abaixo:

Todas as
receitas

LOA

Todas as
despesas

É assim que o princípio da universalidade pode ser retratado: todas as receitas e todas as despesas de
todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público estarão na
LOA, que é uma peça só (essa última parte é referente ao princípio da unidade 😉).

Questões para fixar


CESPE – STM – Técnico Judiciário – 2018

Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte. O princípio orçamentário da unidade estabelece
que a lei orçamentária anual deve conter todas as receitas e despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundações
e fundos instituídos e mantidos pelo poder público.

Comentários:

Pegadinha clássica! Esse é o truque mais velho do livro, mas acredite: ainda cai em concurso público.

É o princípio da universalidade (e não da unidade) que estabelece que a lei orçamentária anual deve conter todas as
receitas e despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundações e fundos instituídos e mantidos pelo poder público.

Gabarito: Errado

CESPE – CGM João Pessoa – Técnico Municipal de Controle Interno – 2018

A respeito de orçamento público, julgue o item seguinte. O princípio da unidade orçamentária determina que todas as
despesas e todas as receitas de todos os poderes, órgãos e fundos estejam compreendidas no orçamento.

Comentários:

De novo? Sim! De novo! E caiu em duas provas aplicadas no mesmo ano!

Muitas questões vão explorar o conhecimento sobre esses dois princípios, por isso é importante que você os entenda
direitinho e saiba diferencia-los. Lembre-se do exemplo do quebra-cabeças ou dos mnemônicos que oferecemos.

Unidade: o orçamento deve ser uno. Universalidade: o orçamento deverá conter todas as receitas e despesas.

A questão está errada. Basta trocar a palavra “unidade” pela palavra “universalidade” para que ela fique correta.

Gabarito: Errado

Princípio da Universalidade (ou Globalização): a LOA de cada ente federativo deverá conter todas as receitas e as
despesas.

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Princípio da Exclusividade
De acordo com o princípio da exclusividade, a Lei Orçamentária Anual (LOA) não conterá matéria
estranha à previsão da receita e à fixação da despesa. Essa é a regra!

“A regra?” 🤨

Sim! Em regra, a LOA só poderá conter previsão de receitas e fixação de despesas. As duas exceções
nós veremos daqui a pouco. 😄

Perceba o seguinte: não é qualquer coisa que pode estar na LOA. Estar na LOA é uma exclusividade! 😏

Entendeu o nome agora? Princípio da exclusividade!


“Está certo, professor. Mas pra que serve esse princípio? Por que que ele existe?”
Muito bem. O orçamento tem um processo legislativo especial, mais rápido do que o das outras leis. O
processo legislativo ordinário é um pouco demorado (você já ouviu falar daqueles projetos de lei que são
“esquecidos” e demoram anos para serem apreciados, não é?). Por isso, os parlamentares gostavam de dar uma
de espertinho e aproveitavam a celeridade do processo orçamentário para aprovar uma outra matéria
qualquer, “infiltrada” dentro do orçamento. Eles colocavam dispositivos que não tinham nada a ver com o
orçamento (ou seja: matéria estranha) dentro da lei do orçamento com o objetivo de aprová-los mais
rapidamente.
Está entendendo a jogada? É como se esses dispositivos pegassem carona no processo legislativo
orçamentário especial, mais célere.

“Certo. E aí, o que acontecia?” 🤔

Acontecia que o orçamento vinha junto com dispositivos que não tinham nada a ver com o orçamento. O
orçamento tem que ser só o orçamento, e pronto. Não pode ser orçamento junto com dispositivos sobre
educação, sobre armamento, sobre direito penal... desse jeito o orçamento fica uma verdadeira bagunça!
Esses dispositivos que compunham a LOA e que não guardavam pertinência nenhuma com seu
conteúdo eram chamados de “caudas orçamentárias”, por isso esses orçamentos eram chamados de
“orçamentos rabilongos”.
“Ok. Então por que mesmo surgiu o princípio da exclusividade?”
Justamente para evitar as “caudas orçamentárias” e os “orçamentos rabilongos”, para que o
orçamento seja só um orçamento, com a previsão das receitas e a fixação das despesas.

O orçamento da sua casa também só deve conter receitas e despesas. Ou você, por acaso, também coloca os seus resumos
de AFO lá dentro? As fotos de família? Aquela receita de bolo? E, a cada novo orçamento, você coloca novas coisas
aleatórias lá? 😁

É claro que não! Um orçamento não é lugar para isso. ☺

Muito bem. Eu disse antes que, em regra, o orçamento só poderia conter previsão de receitas e fixação
de despesas e prometemos falar sobre as duas exceções. Chegou a hora! 😏

Existem duas exceções ao princípio da exclusividade e elas são muito importantes! Por que são
importantes? Porque despencam em provas! Há muitas questões sobre isso, você vai ver!

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A primeira exceção é a autorização para abertura de créditos adicionais suplementares. Recorde-se:


ninguém tem bola de cristal. Mesmo que o planejamento tenha sido excelente, é possível que o cenário mude
e o plano original tenha de ser descumprido ou alterado.
Nesse caso, será preciso alterar o orçamento e os mecanismos que utilizamos para isso são os créditos
adicionais. Lembre-se que nós temos três tipos de créditos adicionais:

• Suplementares: destinados a reforço de dotação orçamentária;


• Especiais: destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica;
• Extraordinários: destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção
intestina ou calamidade pública.
Agora preste atenção: a exceção é só para créditos suplementares! Não para todos os créditos
adicionais.

Por exemplo: o orçamento separou R$ 1.000.000,00 para um determinado programa de educação, mas o planejamento já
previu a possibilidade de ter que gastar mais R$ 500.000,00 nesse programa. Portanto, esses R$ 500.000,00 já podem vir
consignados na Lei Orçamentária Anual (LOA) como créditos adicionais suplementares.

Fique atento!
Se alguma questão disser que é a exceção é para créditos adicionais (que compreendem os suplementares, os
especiais e os extraordinários), ela está errada, porque a exceção é só para créditos suplementares.

A segunda exceção é para a contratação de operações de crédito, ainda que por Antecipação de
Receita Orçamentária (ARO). Essa situação é parecida com a anterior: existe a possibilidade de o plano “não
dar certo” (possibilidade de os recursos reservados não serem suficientes). Sendo assim, o orçamento, já se
adiantando, pode trazer consigo (no próprio orçamento, na LOA) a autorização para contratação de
operações de crédito, ainda que seja uma operação de crédito por Antecipação de Receita Orçamentária
(ARO), que se destina a atender insuficiência de caixa durante o exercício financeiro (LRF, art. 38).

Uma ARO funciona basicamente assim:

Imagine que surgiu uma emergência e o governo tem que pagar R$ 100.000,00 daqui a dois dias. O governo tem
capacidade de pagar isso (até porque ele irá arrecadar R$ 120.000,00 em tributos nos próximos meses), mas ele não tem
esse dinheiro agora, nesse momento.

Então o que fazer? Uma solução é fazer uma operação de crédito por Antecipação de Receita Orçamentária (ARO).
Basicamente o governo chega para um banco e diz: “nos próximos meses eu vou receber R$ 120.000,00 de tributos, só que
eu preciso é desse dinheiro hoje! Estou com uma insuficiência de caixa. Não tem como você antecipar esse dinheiro para
mim?”. O banco responde: “claro que sim!”. Pronto! Isso é uma ARO! 😄

Pense conosco: se o planejamento já previu essa possibilidade, não é melhor já deixar autorizado, para “ganhar tempo”?
Porque se for deixar para autorizar somente quando surgir a necessidade, vai demorar mais. Além de ser um desperdício.
😩 O planejamento previu essa possibilidade e não fez nada? Se fosse assim, era melhor nem ter gastado tempo, energia
e recursos com isso. 🙄

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Enfim, pense nessas duas exceções como se fosse uma otimização de processo. Em vez de o parlamento
autorizar a abertura de um crédito suplementar ou autorizar a contratação de operação de crédito no meio da
execução orçamentária (correndo o risco de ter que pausar a prestação de serviços públicos por falta de recursos
orçamentários), o planejamento orçamentário já se adianta, prevê essas possibilidades e a Constituição
autoriza que o orçamento já traga consigo, além da previsão de receitas e fixação de despesas, as autorizações
para abertura de créditos adicionais suplementares e para a contratação de operações de crédito, ainda
que por Antecipação de Receita Orçamentária (ARO).

Sim. Eu disse que a Constituição autoriza isso! Esse princípio é tão importante que ele está na CF/88.

Fique atento
O princípio da exclusividade tem status constitucional

Beleza, então vamos deixar que a Constituição resuma para você o que é o princípio da exclusividade:

Art. 165, § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à
fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos
suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos
termos da lei.

Resumindo, além da previsão de receitas e fixação de despesas, também poderão estar na LOA:

• Autorização para abertura de créditos adicionais suplementares (só os suplementares);


• Autorização para contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita
orçamentária (ARO).
Esse é o princípio da exclusividade!

E, para fechar, um esqueminha, porque sabemos que você gosta disso 😏:

previsão de receitas
LOA não conterá
dispositivo estranho à
fixação de despesas

Exclusividade
autorização para
abertura de créditos
suplementares
exceções são feitas
para
autorização para
contratação de
operações de crédito
(ainda que por ARO)

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Questões para fixar


FCC – TRT-15ª – Técnico Judiciário – 2018

Todo o processo do orçamento público está orientado por princípios sobre os quais é correto afirmar que:

Pelo princípio da exclusividade, a lei de orçamento anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação
da despesa, excetuando-se, porém, a autorização para abertura de créditos suplementares e especiais.

Comentários:

Opa, opa, opa! O que foi que conversamos sobre a primeira exceção? A exceção é só para créditos suplementares!

Se a questão disser que é para créditos adicionais (que compreendem os suplementares, os especiais e os extraordinários),
ela está errada, porque a exceção é só para créditos suplementares. É só para esse tipo de crédito adicional.

A questão falou que a lei de orçamento poderia conter a autorização para abertura de créditos especiais, por isso ela ficou
errada!

Gabarito: Errado

CESPE – Prefeitura de Salvador – Procurador – 2015

Conforme o princípio da exclusividade de matéria orçamentária, somente pode constar do orçamento matéria pertinente
às previsões de receitas e despesas, não se admitindo as chamadas caudas orçamentárias nem a previsão de operações de
crédito por antecipação de receita.

Comentários:

Qual foi a segunda exceção que comentamos? Contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de
receita.

A previsão de contratação dessas operações pode sim vir na LOA. Por isso a questão ficou errada!

Viu como as bancas adoram essas exceções?

Gabarito: Errado

Princípio da Exclusividade: a LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa.
Exceções: autorização para créditos adicionais suplementares e operações de crédito (ainda que por ARO).

Princípio do Orçamento Bruto


Vamos começar com um exemplo:

Imagine que você está indo a um restaurante. Você pede entrada, prato principal, sobremesa, bebidas, um cafezinho, e
finalmente pede a conta. Por sorte você tem um cupom de desconto de 20% 😅. O garçom então traz para você um
papelzinho mostrando somente o valor final da sua conta, já deduzido o desconto, da seguinte forma:

💯
E aí? O que você acha disso? Você confia nesse valor? Será que o garçom lhe deu o desconto mesmo? Você prefere ver só
o valor final da sua conta ou prefere ver quanto custou cada item, cada dedução e a soma deles? É claro que a segunda
opção, não é? Porque assim você pode conferir se o preço de cada item está correto, se foi aplicado o desconto
corretamente e se algum item foi indevidamente adicionado à sua conta. Desse jeito, tudo fica muito mais transparente!
Desse jeito, controlar fica muito mais fácil!

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É exatamente esse o objetivo do princípio do orçamento bruto: transparência!


Nesse sentido, o princípio do orçamento bruto veda que as despesas ou receitas sejam incluídas no
orçamento nos seus montantes líquidos! Isto é: as despesas e receitas devem ser registradas pelos seus
valores brutos! Por isso o nome: princípio do orçamento bruto!
“Mas como assim ‘montantes líquidos’, professor?”
Um montante líquido é um valor que contém deduções. Dele já foi deduzido (descontado) algum outro
valor. Por outro lado, um valor bruto é um valor cheio, sem nenhuma dedução!

Por exemplo: digamos que um ente tenha uma receita arrecadação de tributos prevista de R$ 100.000,00, só que para
arrecadar esse valor, ele precisa gastar R$ 20.000,00. Esse ente não pode simplesmente registrar a receita de R$
80.000,00, que é um valor líquido. Ele tem que registrar a receita de R$ 100.000,00 e a despesa de R$ 20.000,00, em
seus valores brutos.

Agora um exemplo mais concreto:

A União possui competência tributária para instituir os impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) e sobre
produtos industrializados (IPI). No entanto, por força de disposição constitucional, parte do produto da arrecadação desses
impostos serão entregues ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e ao Fundo de Participação
dos Municípios (FPM).

Digamos que R$ 1.000.000,00 seja o total arrecadado e que R$ 490.000,00 seja o montante a ser entregue pela União.

Muito bem. A União não pode simplesmente registrar no seu orçamento: “receitas de IR e IPI, valor R$ 510.000,00”.

A União deve registrar:

No lado das receitas: receita de IR e IPI, valor R$ 1.000.000,00; e

No lado das despesas: repasses FPE e FPM, valor R$ 490.000,00.

Assim tudo fica mais transparente e mais fácil de controlar. Se os registros fossem pelos valores líquidos, você poderia
ser levado a crer que a receita foi só R$ 510.000,00 e que não houve repasse ao FPE e ao FPM.

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“Beleza. E onde esse princípio está previsto?” 🤔

Na Lei 4.320/64, veja só:

Art. 6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer
deduções.

§ 1º As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como despesa, no
orçamento da entidade obrigada a transferência e, como receita, no orçamento da que as deva
receber.

Resumindo: o orçamento não pode fazer deduções e mostrar só o valor líquido. Tem que mostrar o valor
total, o valor bruto!

Observação: no caso de transferências constitucionais ou legais, o ente arrecadador (que irá transferir os recursos) pode
escolher em tratar a transferência como dedução da receita orçamentária ou como despesa orçamentária. Como as
transferências constitucionais ou legais constituem valores que não são passíveis de alocação em despesas pelo ente
público arrecadador, não há desobediência ao princípio do orçamento bruto tratá-las como dedução da receita
orçamentária! Portanto, apesar da disposição da Lei 4.320/64, vale ressaltar que nem todas as transferências são
obrigatoriamente tratadas como despesa do ente arrecadador. É isso que diz o item 3.6.1.2 do MCASP 8ª edição).

Questão para fixar


FCC – TRT-15ª – Técnico Judiciário – 2018

Todo o processo do orçamento público está orientado por princípios sobre os quais é correto afirmar que:

As deduções devem ser consideradas apenas para o balanceamento das transferências intragovernamentais por força do
princípio do orçamento bruto.

Comentários:

Nada disso! As deduções não devem ser consideradas para coisa alguma!

Vamos colocar aqui, de novo, o artigo 6º da Lei 4.320/64, só para garantir 😄:

Art. 6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções.

A questão estava querendo dizer o seguinte: se o órgão A tem que transferir R$ 100.000,00 para o órgão B e o órgão B tem
que transferir R$ 20.000,00 para A, então vamos logo deduzir e considerar que A só tem que transferir R$ 80.000,00 para
B. Mas, pelo princípio do orçamento bruto, você já sabe que isso não é possível. Nesse exemplo, registra-se R$ 100.000,00
saindo de A e registra-se R$ 20.000,00 saindo de B. Ok? 😉

Gabarito: Errado

Princípio do Orçamento Bruto: todas as receitas e despesas constarão da LOA pelos seus valores totais, vedadas
quaisquer deduções. Registra-se pelos seus valores brutos, e não pelos seus valores líquidos.

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Princípio da Anualidade (ou Periodicidade)


Segundo o princípio da anualidade ou periodicidade, o orçamento deve ser elaborado e autorizado para
um determinado período de tempo, afinal não se faz um orçamento para sempre, ad aeternum. Como se
planejaria para uma coisa dessas? Você poderia me dizer exatamente qual será sua receita e com o que você
vai gastar dinheiro daqui a 50 anos? 🧐 Por isso, é necessário que o orçamento se renove!

“Beleza, professor. Então o orçamento se renova, entendi. E que período de tempo é esse?”
Chamamos esse período de exercício financeiro!

Aqui no Brasil, de acordo com o artigo 34 da Lei 4.320/64, o exercício financeiro coincidirá com o ano
civil, que é o ano normal que nós conhecemos: começando em 1º de janeiro e terminando em 31 de dezembro.
No entanto, não é assim em todos os países do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o exercício
financeiro começa em 1º de outubro e termina em 30 de setembro. Na Inglaterra e na Alemanha, o exercício
financeiro vai de 1º de abril a 31 de março.
É por isso que o princípio da anualidade, em seu sentido histórico, está relacionado ao exercício
financeiro, e não ao ano civil.

Fique atento!
O princípio da anualidade está relacionado ao exercício financeiro, e não ao ano civil.

O que acontece é que, por força da Lei 4.320/64, o exercício financeiro brasileiro coincide com o ano
civil. Mas o princípio da anualidade propriamente dito não está relacionado com o ano civil. É tanto que, se a
Lei 4.320/64 fosse alterada e o novo exercício financeiro do Brasil fosse de 1º de outubro a 30 de setembro (igual
ao dos Estados Unidos), o princípio da anualidade não seria infringido.
“Por que não seria infringido?”
Bom. Você notou algo em comum entre todas essas datas? Todos esses períodos são de 12 meses! De
acordo com o princípio da anualidade (ou periodicidade) o orçamento deve ser elaborado e autorizado para um
determinado período de tempo, que geralmente é de um ano (12 meses). O princípio não fala que o
orçamento deve ser elaborado e autorizado para o ano civil. Portanto, não interessa se aqui no Brasil o exercício
financeiro começasse em outra data (não coincidindo com o ano civil): se o exercício financeiro durasse 12
meses, o princípio da anualidade continuaria sendo respeitado.

Fique atento!
Para o princípio da anualidade o que importa é a duração do exercício financeiro (que geralmente é de 12 meses), e
não a data de início deste.

“Beleza. E esse princípio da anualidade ou periodicidade tem exceções, professor?”


Tem sim! Você está lembrando dos três tipos de créditos adicionais?
• Suplementares
• Especiais; e
• Extraordinários

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Pois bem. Os créditos suplementares são aqueles da exceção ao princípio da exclusividade (a LOA poderá
conter autorização para abertura de créditos suplementares).
Já os especiais e extraordinários são as exceções aqui do princípio da anualidade. Vamos primeiro dar
uma olhadinha no que diz a nossa querida CF/88:
Art. 167, § 2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem
autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício,
caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício
financeiro subsequente.
Traduzindo: os créditos adicionais especiais e extraordinários autorizados nos últimos quatro meses do
exercício podem ser reabertos no exercício seguinte pelos seus saldos e viger até o término desse exercício
financeiro.

Por exemplo: em outubro de 2018, foi aberto um crédito especial no valor de R$ 100.000,00, mas até o final de 2018
utilizou-se somente R$ 30.000,00 de sua dotação. Se for preciso, é possível reabrir esses mesmos créditos especiais em
janeiro de 2019 e usá-los até o final de 2019, mas somente no limite de seus saldos, ou seja, somente R$ 70.000,00. Perceba
que o crédito acabou vigendo por mais 12 meses e ele não ficou limitado àquele exercício financeiro, contrariando o
princípio da anualidade, mas essa é exatamente a exceção a esse princípio! Esse crédito especial será incorporado ao
orçamento do exercício financeiro de 2019.

Dessa forma, temos três situações possíveis:


1. Créditos orçamentários iniciais e créditos adicionais suplementares: vigência sempre dentro do
exercício financeiro;
2. Créditos especiais e extraordinários cujo ato de autorização tenha sido promulgado até 31 de
agosto (não nos últimos quatro meses daquele exercício financeiro): vigência sempre dentro do
exercício financeiro;
3. Créditos especiais e extraordinários cujo ato de autorização tenha sido promulgado entre 1º de
setembro e 31 de dezembro (nos últimos quatro meses daquele exercício financeiro): vigência
poderá ultrapassar aquele exercício financeiro, indo até o final do exercício financeiro
subsequente.

Esquematizando:

janeiro-18 junho-18 dezembro-18 junho-19 dezembro-19

Créditos ordinários

Créditos suplementares

Créditos especiais

Créditos extraordinários
setembro-18
Créditos especiais (últimos quatro meses)

Créditos extraordinários (últimos quatro meses)

Vale destacar que esse nosso princípio da anualidade não tem nada a ver com o princípio da anualidade
tributária, segundo o qual todo ano deveria haver autorização para a arrecadação de tributos. Aqui nós
estamos tratando de Administração Financeira e Orçamentária, ok? 😄

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Ah! Esse princípio também é um dos três que estão expressos no artigo 2º da Lei 4.320/64 (unidade,
universalidade e anualidade). Veja você mesmo:

Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política
econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade
universalidade e anualidade.

Questão para fixar


CESPE – TCE-PE – Analista de Controle Externo – 2017

Em relação às técnicas e aos princípios do orçamento público, julgue o item a seguir.

Em decorrência do princípio da anualidade orçamentária, os créditos orçamentários, ordinários ou adicionais abertos para
determinado exercício financeiro possuem vigência restrita ao ano civil, sem qualquer exceção.

Comentários:

Sem qualquer exceção? 🤨

Nada disso! Tem exceções sim! Lembre-se que os créditos adicionais especiais e extraordinários cujo ato de autorização
for promulgado nos últimos quatro meses de um exercício, poderão ser reabertos, no exercício subsequente, nos limites
de seus saldos. Nesse caso, eles serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subsequente e, portanto, terão
vigência até o término deste. Você encontra isso na CF/88, art. 167, § 2º.

A questão falou que todos os créditos (ordinários ou adicionais) terão vigência restrita ao ano civil, e nós acabamos de ver
que isso está errado.

Gabarito: Errado

Princípio da Anualidade (ou Periodicidade): o orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período
de tempo, geralmente de 12 meses, chamado de exercício financeiro. Exceções: créditos especiais e extraordinários
autorizados nos últimos quatro meses do exercício poderão ser reabertos, nos limites de seus saldos, e incorporar-se-ão
ao exercício financeiro subsequente.

Princípio da Legalidade
Primeiramente, lembre-se que (CF/88):

Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

E a Administração Pública não escapa! Cabe a ela fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei
expressamente autorizar. Ou seja: a Administração também está subordinada à lei e ao princípio da legalidade.
Observe (CF/88):
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência (...)
Esses são os princípios básicos da Administração Pública, que formam o famoso mnemônico LIMPE:
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

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E, no âmbito orçamentário, não poderia ser diferente: a Administração Pública também está subordinada
às prescrições legais, ou seja, também se subordina aos ditames da lei.

“Por quê?” 🤔

Porque “todo poder emana do povo” (CF/88, art. 1º, parágrafo único). Porque os recursos são públicos
(do povo) e os governantes são simplesmente os representantes eleitos (pelo povo) para administrá-los.

Assim, o governo não pode realizar o que bem entender com o dinheiro público. Esse dinheiro não é dele.
O dinheiro é da coletividade, de forma que a ninguém é dado o direito de utilizá-lo livremente (alguns autores
afirmam que esse é princípio da indisponibilidade das receitas públicas). Portanto, o governo somente
poderá fazer o que o povo autorizar e do jeito que o povo autorizar.
E como é que o povo dá essa autorização ao governo?

Por meio de leis! 😃

Sim! As leis representam a vontade do povo, o interesse público. E o Plano Plurianual (PPA), a Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e também os créditos adicionais são leis, que
serão apreciadas pelo Congresso Nacional, isto é, os representantes do povo. A CF/88 não nos deixa mentir:
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.
Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual
e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do
regimento comum.
Então perceba: o orçamento público tem que ser uma lei, pois ele representa o soberano interesse
público. É a lei orçamentária e as leis de créditos suplementares e especiais que autorizam a aplicação dos
recursos públicos. Caso a Administração realize despesas públicas sem essa prévia autorização legislativa,
estamos diante de um caso de execução de despesas não autorizadas (despesas irregulares).

Por exemplo: imagine que você entrega R$ 10,00 a um amigo, dizendo-lhe: “eu lhe autorizo a comprar uma bola de, no
máximo, R$ 10,00 para mim”. Então, ele volta com uma pipa. Opa! Você o autorizou a comprar uma bola, não a comprar
uma pipa. Esses R$ 10,00 são seus, para serem gastos do jeito que você quer, e não do jeito que o seu amigo quer ou do
jeito que o seu amigo imagina que você queira. Portanto, a aquisição da pipa é uma despesa irregular.

Agora imagine que ele volta com uma bola de excelente qualidade e lhe informa: “a bola custou R$ 100,00. Entreguei os
R$ 10,00 que você me deu e você agora está devendo R$ 90,00 à loja”. Que amigo sensacional, hein? 😂 Nesse caso, também
estamos diante de uma despesa irregular. Você o autorizou a gastar, no máximo, R$ 10,00 e ele gastou mais R$ 90,00
seus.

Percebeu que eu grifei o verbo “autorizar”? 😏

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Fizemos isso porque o nosso orçamento funciona do mesmo jeito! O nosso orçamento é autorizativo3!
Isso significa que a Administração está autorizada (e não obrigada) a realizar aquilo que está no orçamento. É
o contrário do orçamento impositivo, no qual há uma imposição ao gestor público, que deve realizar
exatamente aquilo que está no orçamento público.

Continuando o exemplo anterior: seu amigo volta sem a bola e lhe devolve os R$ 10,00, dizendo-lhe: “eu não encontrei
nenhuma bola de, no máximo, R$ 10,00. Aqui está o seu dinheiro de volta”. Tudo bem. Você não impôs ao seu amigo que
comprasse a bola. Você não o deu uma ordem, dizendo: “você tem que comprar uma bola”. Você disse: “eu lhe autorizo a
comprar uma bola”.

Portanto, o povo autoriza a Administração a gastar os seus recursos, desde que ela obedeça a regras
impostas pelo dono dos recursos. Está enxergando o princípio da legalidade aí? 😏

Você emprestaria dinheiro a alguém sem estabelecer regra alguma? Sem data para devolução, sem taxa de
juros, sem consequências em caso da inadimplência? Claro que não! Você tem que se assegurar de que vai receber
esse dinheiro de volta!
A sociedade faz a mesma coisa! É como se ela dissesse para a Administração Pública: “nós estamos
entregando e confiando a administração dos nossos recursos a você, mas, em retorno, nós queremos saúde,
educação segurança... e para garantir que nós vamos ter o nosso retorno, você tem que seguir uma série de
regras, estabelecidas em lei”.

Fique atento!
No Brasil, o orçamento público é autorizativo e se materializa em leis!

Muito bem. Você percebeu que lá em cima eu só mencionei as leis de créditos suplementares e especiais?
É porque temos uma pequena exceção: os créditos extraordinários!
Os créditos extraordinários são autorizados e abertos por Medida Provisória (no âmbito federal e nos
demais entes que possuam Medida Provisória. Nos demais, serão abertos por decreto do Poder Executivo).
Trata-se de despesas imprevisíveis e urgentes! Não há tempo para aprovação legislativa, por mais célere que
seja o processo legislativo. 😬

Por exemplo: em virtude de uma catástrofe natural (uma calamidade pública), o governo precisa alugar equipamentos
para resgatar vítimas ainda com vida. É preciso agir rápido, em poucas horas! Nesse momento, não dá para discutir essa
despesa no Congresso Nacional. O tempo está passando... ⏳ Por isso que, nesse caso, a despesa é feita sem autorização
legislativa prévia. A Administração “poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de
imediato ao Congresso Nacional” (CF/88, art. 62).

Então, resumindo:

3
O orçamento público brasileiro é autorizativo, mas possui traços de orçamento impositivo (veremos mais sobre isso
em aula oportuna). É como se fosse a Vampira, do X-Men: cabelo todo preto, mas com uma só mexa branca (sim, somos
um pouco nerds!) 😂

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Princípio da Legalidade: cabe à Administração Pública fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei expressamente
autorizar. PPA, LDO, LOA e créditos suplementares e especiais são leis. Exceção: créditos extraordinários.

Princípio da Publicidade (ou transparência)


O princípio da publicidade impõe à Administração Pública o dever de dar transparência a seus atos,
tornando-os públicos, do conhecimento de todos.

Esse princípio é tão fundamental que ele também está listado no artigo 37 da CF/88 e é considerado como
um dos princípios básicos da Administração Pública (do famoso mnemônico LIMPE):

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência (...)

“Mas professor... o princípio da publicidade também é um princípio orçamentário ou você está dando aula de
direito administrativo?” 😂

É claro que é um princípio orçamentário! 😁 Afinal, o orçamento é um ato da administração. O orçamento


é uma lei! Por sua importância e significação e pelo interesse que desperta, o orçamento público deve merecer
ampla publicidade4.
Portanto, de acordo com o princípio da publicidade, o conteúdo orçamentário deve ser divulgado
(publicado) em veículos oficiais de comunicação para conhecimento do público para que possa ter eficácia
normativa.
Simplificando: se alguma regra mudou, ela só vai “valer” depois que for publicada.
E não vale ser publicada em qualquer lugar. Tem que ser publicada em veículos oficiais de comunicação.
Se não fosse assim, a União divulgaria alterações orçamentárias por meio de um carro de som, de madrugada,
só em Brasília. E você nunca iria saber disso. 😕

Não é assim que funciona, não é mesmo?


“E para que serve a publicidade, professor?”

A publicidade é necessária para que os cidadãos e os órgãos competentes possam avaliar e controlar a
legalidade, a moralidade, a impessoalidade e todos os demais requisitos que devem informar as atividades do
Estado, incluindo, no nosso caso, as decisões sobre orçamento.

Fique atento!
A publicidade é necessária para avaliar e controlar as decisões sobre orçamento.

E isso é óbvio! Como você vai avaliar e controlar alguma coisa que você não conhece? Não dá! Você, por
acaso, avalia a comida de um restaurante sem nunca a ter experimentado? 🧐

4
GIACOMONI, James. Orçamento Público, 16ª edição, editora Atlas, 2012.

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A título de curiosidade, se você quiser entender melhor a essência do princípio da publicidade (e do


princípio da transparência), faça uma leitura rápida dos trechos que selecionamos da obra de ficção “A
revolução dos bichos”, de George Orwell (publicado em 1945).

(...) era possível resumir os princípios do Animalismo em Sete Mandamentos. Esses Sete Mandamentos, que seriam agora
escritos na parede, constituiriam a lei inalterável pela qual a Granja dos Bichos deveria reger sua vida a partir daquele
instante, para sempre.

(...) Os Mandamentos foram escritos na parede alcatroada em grandes letras brancas que podiam ser lidas a muitos metros
de distância.

Eis o que dizia o letreiro:

OS SETE MANDAMENTOS

(...)

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

(...)

Foi mais ou menos por essa época que os porcos, de repente, mudaram-se para a casa-grande, onde fixaram residência.
Novamente os bichos julgaram lembrar-se de que havia uma resolução contra isso, aprovada nos primeiros dias (...).

Sansão resolveu o assunto com seu “Napoleão tem sempre razão”, porém Quitéria, que tinha a impressão de lembrar-se
de uma lei específica contra camas, foi até o fundo do celeiro e tentou decifrar os Sete Mandamentos que lá estavam
escritos. Sentindo-se incapaz de ler mais do que algumas letras separadamente, foi chamar Maricota.

— Maricota — pediu ela — leia para mim por favor, o Quarto Mandamento. Não diz qualquer coisa a respeito de nunca
dormir em camas?

Com alguma dificuldade, Maricota soletrou o mandamento:

— Diz que “Nenhum animal dormirá em cama com lençóis”.

Interessante, Quitéria não se recordava dessa menção a lençóis, no Quarto Mandamento. Mas, se estava escrito na
parede, devia haver.

(...)

alguns dias mais tarde, Maricota, lendo os Sete Mandamentos, notou que havia outro mandamento mal recordado pelos
animais.

Todos pensavam que o Quinto Mandamento era “Nenhum animal beberá álcool”, mas haviam esquecido duas palavras.
Na realidade, o Mandamento dizia: “Nenhum animal beberá álcool em excesso.” (grifos nossos).

Você conseguiu captar o que está acontecendo? Não houve publicação alguma das alterações feitas. As
regras eram alteradas “na calada da noite”, sem que ninguém percebesse. Assim, as personagens se
questionavam: “qual é a regra válida? A que está só na minha memória ou a que está escrita?”. E acabavam
confiando na que estava escrita, pois era mais concreta: “deve ser a que está escrita. Afinal, está bem aqui na
minha frente, escrito. Eu devo ter me confundido...”.
É como se o governo somente lhe mostrasse uma folha de papel com o seguinte conteúdo: “crédito
orçamentário para compra de ambulâncias: R$ 1.000.000,00”. Você não recebe uma cópia, não tirou foto, não
“bateu print”. Você não tem nenhum registro disso!

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Meses depois você descobre que a Administração gastou R$ 2.000.000,00 e você a questiona: “a dotação
não era de R$ 1.000.000,00?” A Administração, depois do seu questionamento, altera o valor e lhe mostra uma
nova folha, na qual consta o valor de R$ 2.000.000,00. Você pergunta se essa alteração foi feita antes ou depois
do gasto. Ela diz que foi antes, mas não há nenhum registro disso, não há registro de alteração alguma. Nessa
situação, só lhe resta aceitar: “se está escrito R$ 2.000.000,00 é porque deve ser isso mesmo”.
Percebeu o prejuízo que a falta de publicidade faz para o controle? Percebeu a fragilidade desse controle?
Esse é um dos motivos pelos quais você encontra redações antigas de leis tachadas, seguidas da nova
redação e do ato normativo que a alterou. Todas as alterações devem ser registradas! Por exemplo:

Art. 1º Redação antiga.

Art. 1º Redação nova. (Redação dada pela Lei nº 1.234, de 2018)

Quer fazer um teste? Digite o número de uma lei no seu browser e a abra o site do Planalto (planalto.gov.br).
“E o princípio da transparência, professor”?
Bom, é um princípio intimamente ligado ao princípio da publicidade, por isso optamos por tratá-los no
mesmo tópico. Segundo esse princípio, as leis orçamentárias devem ser divulgadas de forma clara e precisa,
possibilitando o controle social (feito pelos cidadãos) da Administração Pública.
É possível identificar o princípio da transparência orçamentária na CF/88, especialmente no artigo 165, §
3º, segundo o qual: “o Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre,
relatório resumido da execução orçamentária”. E também na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF),
principalmente no Capítulo IX (da transparência, controle e fiscalização).

Questão para fixar


CESPE – FUB – Auxiliar de Administração– 2013

O princípio da publicidade determina que o conteúdo da lei orçamentária seja divulgado pelos veículos oficiais de
comunicação e divulgação, para efeito de conhecimento público, eficácia e validade de seu teor.

Comentários:

Exatamente! Do jeitinho que a gente comentou!

Atenção! Não basta ser divulgado em qualquer lugar: tem que ser em veículos oficiais de comunicação e divulgação. E o
objetivo é que o conteúdo orçamentário seja divulgado justamente para conhecimento público, eficácia e validade de
seu teor.

Gabarito: Certo

Princípio da Publicidade (ou Transparência): o conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) em veículos oficiais
de comunicação para conhecimento do público e para a eficácia de sua validade.

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Princípio da Não Vinculação (Não Afetação) da Receita de Impostos


Esse é um princípio bem interessante! 😃

No seu sentido histórico, ele afirma que nenhuma parcela da receita geral poderá ser reservada ou
comprometida para atender a certos e determinados gastos. Ele prescreve que todas as receitas do Estado
devem ser recolhidas a um fundo único do tesouro, de onde será retirado o numerário necessário para atender
a quaisquer despesas públicas, indistintamente.
É como se nós juntássemos tudo dentro do mesmo saco e de lá tirássemos os recursos necessários para
ir pagando as despesas. O contrário disso seria ter várias contas, sendo que cada uma delas teria uma
destinação específica.
“A exigência de que as receitas não sofram vinculações, antes de qualquer coisa, é uma imposição de bom
senso, pois qualquer administrador prefere dispor de recursos não comprometidos para atender às despesas
conforme as necessidades5”.

Por exemplo: digamos que o seu salário é R$ 1.000,00. Você prefere:

Receber os R$ 1.000,00 na sua conta sem vinculação ou comprometimento algum; ou

Receber R$ 300,00 em “vale alimentação” (que só podem ser gastos com alimentação), R$ 200,00 em “vale transporte”
(que só podem ser gastos com transporte) e R$ 500,00 sem vinculação?

Se você pensar bem, irá concluir que receber os R$ 1.000,00 sem vinculação é mais vantajoso, pois isso lhe garante mais
liberdade para administrar o seu dinheiro e organizar a sua vida, atingir seus objetivos.

Imagine que você só gaste R$ 200,00 por mês em vale alimentação. Aqueles R$ 100,00 restantes também só poderão ser
gastos com alimentação, enquanto você poderia dar qualquer outra finalidade a esse dinheiro: uma viagem, um novo
celular, um novo par de sapatos, o que você quiser! 😄 É por isso que existe um mercado secundário para vender esse “vale
alimentação”. 😬

Perceba que, nesse segundo caso do exemplo, metade do seu orçamento já está comprometido: você é
obrigado a gastar R$ 500,00 com alimentação e transporte. Não tem jeito! Isso diminui muito a sua margem de
manobra na utilização dos recursos. No dia que você decidir ir ao trabalho de bicicleta, diminuindo os custos
com transporte, para poder comprar uma nova televisão, você verá que seus esforços foram em vão, pois os
recursos continuam lá, “presos”, somente podendo ser gastos com transporte. Então você percebe que está
“amarrado”, que não consegue e não adianta inovar... 😕

Agora imagine se o orçamento público fosse todo comprometido, “engessado”, de forma que o governo
não tivesse liberdade para realizar os programas que acredita trazer mais benefícios para a sociedade? Seria
ruim, não é mesmo? Assim seria bem mais difícil atingir os objetivos.
Por isso, o princípio da não vinculação da receita de impostos tem como finalidade, portanto, aumentar
a flexibilidade na alocação dos recursos. 😉

5
GIACOMONI, James. Orçamento Público, 16ª edição, editora Atlas, 2012

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No entanto, também não seria razoável dar total liberdade ao gestor público, porque existem áreas
extremamente importantes, nas quais todos concordam que obrigatoriamente deve haver investimentos, a
exemplo da saúde e da educação. É por isso que temos exceções a esse princípio, e saúde e educação são duas
delas.
Beleza. Essa é a essência desse princípio. É o princípio em seu sentido histórico. Mas como ele se faz presente
no Brasil?
No Brasil, o princípio da não afetação (ou não vinculação) de receita de impostos dispõe que nenhuma
receita de impostos poderá ser reservada ou comprometida para atender a gastos específicos e
determinados, ressalvadas algumas importantes exceções (que veremos daqui a pouco).

Esse princípio está na CF/88, portanto possui status constitucional, tamanha é a sua importância. Vejamos
o disposto no artigo 167, IV:
Art. 167. São vedados:
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto
da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações
e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de
atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e
37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art.
165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo;
Resumindo: o princípio veda a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou despesa.
Agora, veja bem: por que eu grifei tanto a palavra “impostos”?
“Aí tem coisa, não é, professor?” 🤔
Tem sim! 😄
É o seguinte: no Brasil, a abrangência do princípio orçamentário da não vinculação de receitas restringe-
se às receitas de impostos. Não abrange a receita de todos os tributos.
Explicamos: de acordo com a CF/88, existem 5 (cinco) espécies de tributos (essa é a chamada “teoria
pentapartida”) e os impostos são somente uma das espécies de tributos. Tributo é mais abrangente, é
gênero. Imposto é uma espécie do gênero tributo.

Impostos

Taxas

Tributos Contribuições de
melhoria

Empréstimos
compulsórios

Contribuições
especiais

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Vamos dar um exemplo para ficar mais claro:

Taxa é uma outra espécie de tributo, cuja receita, diferentemente dos impostos, pode ser vinculada para uma despesa
específica.

Portanto, a Administração pode usar o dinheiro arrecadado da taxa de coleta de lixo domiciliar para pagar,
especificamente, os gastos para fazer essa coleta. Mas a Administração não pode reservar o dinheiro arrecadado com o
IPTU, que é um imposto, para pagar determinadas despesas. Esse dinheiro tem que ficar livre para sua alocação racional,
no momento oportuno, conforme as prioridades públicas. É proibido vinculá-lo.

Pode haver vinculação de taxa, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios (pode e deve) e contribuições
especiais (pode e deve), mas não pode haver vinculação de impostos (só nas exceções é que pode). Entendeu agora por
que o nome é princípio da não vinculação da receita de impostos?

Vale lembrar que para os empréstimos compulsórios e contribuições especiais a arrecadação é obrigatoriamente
vinculada, conforme demonstrado abaixo:

Empréstimos compulsórios: a aplicação dos recursos provenientes é (obrigatoriamente) vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição (CF/88, art. 148, parágrafo único).

Contribuições especiais:

Contribuições sociais:

Contribuições para a seguridade social: vinculadas à seguridade social;

Outras contribuições sociais: competência residual da União para instituir novas contribuições sociais
destinadas ao financiamento da seguridade social, ou seja, arrecadação vinculada;

Contribuições sociais gerais: destinadas a outras atuações da União na área social, como o salário
educação (CF, art. 212, § 5º), ou seja, arrecadação vinculada.

Contribuições corporativas: vinculadas para custeio de entidades que fiscalizam as profissões regulamentadas, ou
seja, arrecadação vinculada, por exemplo: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).

CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico): arrecadação vinculada ao setor que se quer
incentivar.

COSIP (Contribuição para o custeio da Iluminação Pública): arrecadação vinculada ao custeio de iluminação
pública.

“Ok, professor. E por que você enfatizou tanto isso? Virou aula de direito tributário agora?” 🤨

Enfatizamos isso porque essa é uma pegadinha clássica nas provas de concurso! A questão vai trocar a
palavra “impostos” por “tributos” e ficará errada! 😅

Fique atento!
O princípio veda a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou despesa.

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Exceções ao princípio da não vinculação da receita de impostos


As exceções ao princípio da não vinculação da receita de impostos são muito importantes, porque
despencam em provas. Portanto, preste atenção!
Normalmente, é vedado vincular a receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. Essa é a regra. No
entanto, é possível reservar uma parte da receita de impostos para atender às despesas mencionadas a partir
de agora. Essas são as exceções. 😉

A primeira exceção é a repartição constitucional (ou transferências tributárias constitucionais) do


produto da arrecadação dos impostos, o qual são destinados ao FPE – Fundo de Participação dos Estados e do
Distrito Federal, FPM – Fundo de Participação dos Municípios, Fundos de Desenvolvimento das Regiões Norte
(FNO), Nordeste (FNE), Centro-Oeste (FCO) e o Fundo de Compensação pela Exportação de Produtos
Industrializados.
Essa repartição está regulamentada nos artigos 157 a 161 da CF/88. Tomemos um exemplo para entender
melhor:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:

III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos
automotores licenciados em seus territórios;

Isso significa que 50% do IPVA arrecadado pelo Estado será transferido (repartido) aos Municípios. Trata-
se, portanto, de uma despesa de transferência do Estado. Portanto, perceba que essa parcela da receita do
imposto já está reservada, comprometida, vinculada a essa despesa, configurando uma exceção ao princípio
da não vinculação da receita de impostos.
A segunda exceção é a destinação de recursos para a Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).
Ela está no artigo 212 da CF/88, confira:

Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.

Portanto:

União 18%

MDE (Ensino)

Estados e Municípios 25%

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A terceira exceção é a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde. Essa nós
encontramos no artigo 198, § 2º, da CF/88:

§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços


públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre:

I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser inferior
a 15% (quinze por cento);

II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o
art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas
que forem transferidas aos respectivos Municípios;

III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere
o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º.

Veja a importância que o constituinte deu à saúde e à educação. É tanto que aplicação do mínimo exigido
da receita resultante de impostos nessas áreas é um princípio constitucional sensível e o desrespeito a essa
regra pode resultar na intervenção (federal ou estadual, a depender do caso). Observe:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente


de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.

Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território
Federal, exceto quando:

III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;

A quarta exceção diz respeito à destinação de recursos para a realização de atividades da administração
tributária. Essa exceção está relacionada ao seguinte dispositivo constitucional:

Art. 37, XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas,
terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive
com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.

Para funcionar, o Estado precisa arrecadar tributos! 💰 Por isso, o constituinte achou interessante
possibilitar a reserva de parte das receitas de impostos para atividades da administração tributária. 😄

A próxima exceção é a prestação de garantias às operações de crédito por Antecipação de Receita


Orçamentária (ARO), que é uma operação de crédito destinada a atender insuficiência de caixa durante o
exercício financeiro (LRF, art. 38).

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De acordo com a LRF (art. 29, IV), concessão de garantia é um compromisso de adimplência de obrigação
financeira ou contratual assumida por ente da Federação ou entidade a ele vinculada.
Assim, se um ente federativo quiser contratar uma ARO, ele poderá oferecer em garantia percentuais de
seus impostos futuros.

Por exemplo: o Estado do Ceará quer contratar uma ARO. Então, a instituição financeira diz: “ok, eu lhe dou esse crédito,
mas o que você me dará como garantia?” O Ceará então oferece: “como garantia, eu lhe darei 1% da arrecadação futura
do IPVA”. É possível fazer isso, porque a prestação de garantia a operações de crédito por Antecipação de Receita
Orçamentária (ARO) é uma exceção ao princípio da não vinculação da receita de impostos.

E a última exceção que trataremos aqui diz respeito à vinculação de impostos estaduais e municipais para
a prestação de garantia ou contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta (para com a União).

De acordo com o artigo 40 da LRF, os entes poderão conceder garantia em operações de crédito internas
ou externas, mas garantia estará condicionada ao oferecimento de contragarantia, em valor igual ou superior
ao da garantia a ser concedida. Pode-se dizer que a contragarantia é executada quando a garantia “falha”. Uma
vez que ocorra a inadimplência quanto pagamento de parcelas oriundas de contratos de operações garantidas
pela União, gerando a obrigação de esta adimplir as parcelas não honradas, haverá a possibilidade de executar
as contragarantias oferecidas pelo ente da Federação, conforme contrato de contragarantia firmado entre o
Ente e a União6.

Muito bem! Então, eis as exceções ao princípio da não vinculação da receita de impostos:

1. Repartição constitucional do produto da arrecadação dos impostos;

2. Destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;

3. Destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde;

4. Destinação de recursos para a realização de atividades da administração tributária;

5. Prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita (ARO);

6. Prestação de garantia ou contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta.

“É muita coisa para gravar, professor. Facilita aí, por favor!”

É pra já! 😄

Aqui você vai lembrar do mnemônico: RESA GaGa.

Agora leia novamente o quadro anterior e repare nas marcações que fizemos. Sublinhamos exatamente
as iniciais do mnemônico.

6
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/concessao-de-garantia-pela-uniao

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E para lembrar do RESA GaGa é só você imaginar aquela cantora, Lady Gaga, rezando. 😅🙏
Aqui está ela:

Lady Gaga ajudando alunos a lembrar das exceções ao princípio da não vinculação de receita de impostos.

Agora quero ressaltar um dispositivo importante da nossa LRF:

Art. 8, parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados
exclusivamente para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em
que ocorrer o ingresso.

Quer dizer: vinculou? Está vinculado! Mesmo que vire o ano!


Normalmente, as questões vão simplesmente repetir esse parágrafo ou tentar lhe enganar, dizendo que
os recursos legalmente vinculados serão utilizados somente no exercício em que ocorrer o ingresso. Não caia
nessa pegadinha! 😄

E, por último, vale lembrar o que dispõe o art. 218 da nossa querida CF/88:

Art. 218, § 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a
entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

⚠ Atenção: é facultado somente aos Estados e ao DF. União e municípios não possuem essa faculdade!

Questões para fixar


VUNESP – CM-Serrana – Procurador jurídico – 2019
É facultado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades
públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

Comentários:

Eu disse que era para você prestar atenção nisso! 😅

União e municípios estão fora! Somente os Estados e o DF podem vincular parcela de sua receita orçamentária a
entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

Gabarito: Errado

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FCC – TRE-RO – Analista Judiciário – 2013

O ciclo orçamentário, constituído por fases, compreende o período de tempo em que se processam as atividades típicas
do Orçamento Público. Com relação à fase de execução orçamentária, nos termos da Lei Complementar no 101/2000 -
LRF, é correto afirmar que os recursos legalmente vinculados à finalidade específica serão utilizados, exclusivamente, para
atender ao objeto de sua vinculação, até o término do exercício em que ocorrer o ingresso.

Comentários:

Acabamos de avisar, não foi? 😏

Você responde essa só com o parágrafo único do artigo 8 da LRF:

Art. 8, parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados exclusivamente para
atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso.

Gabarito: Errado

DRU – Desvinculação de Receitas da União


Muito bem. A Constituição Federal consagrou o princípio da não vinculação da receita de impostos, mas
estabeleceu várias exceções a ele (como acabamos de ver). Além disso, lembre-se que as outras quatro
espécies de tributos podem ter suas receitas vinculadas a finalidades específicas.
Tudo isso faz com que o orçamento público fique muito “amarrado”, “engessado”, e você já entendeu o
prejuízo que isso dá para a administração financeira e orçamentária (lembra do exemplo do vale alimentação e
do vale transporte?). O gestor público fica sem liberdade, sem margem de manobra, para realizar programas
que ele acredita trazer mais benefícios para a sociedade, dificultando o alcance dos objetivos e das metas
(estabelecidos lá no PPA e na LDO – lembra do DOM e do MP?).
Então, para “desamarrar”, parcialmente e temporariamente, as receitas tributárias de suas aplicações
obrigatórias, instituiu-se, desde 1994, um mecanismo de desvinculação de receitas (estabelecido do artigo
76, do ADCT). Nós o chamamos, carinhosamente, de DRU – Desvinculação de Receitas da União.
A partir daí, tivemos sucessivas Emendas Constitucionais, prorrogando os efeitos e, às vezes, criando
novas regras para as desvinculações (EC 27/00, EC 42/03, EC 56/07, EC 59/09, EC 68/11).
A mais recente, e vigente, Emenda Constitucional é a EC 93/16, que produziu efeitos a partir de 1º de
janeiro de 2016 e prorrogou a desvinculação até 31 de dezembro de 2023.

Originalmente, na União, liberava-se 20% (vinte por cento) da arrecadação de impostos, contribuições
sociais e Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Com a EC 93/16 isso mudou: agora,
até 31/12/2023, são desvinculados, na União, 30% (trinta por cento) da arrecadação relativa a contribuições
sociais, CIDE e taxas (já instituídas ou que vierem a ser criadas até a referida data).
Perceba as diferenças: o percentual aumentou de 20% para 30%, as taxas entraram na lista e os
impostos federais (a exemplo do IR e do IPI) não estão mais nessa lista. Portanto, qual é o percentual de
desvinculação desses impostos federais agora? Zero!

“Quer dizer que os impostos federais não podem mais ser desvinculados, professor?” 🤔

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Isso mesmo! Os impostos federais não podem! Mas os impostos estaduais e municipais podem ser
desvinculados! Inclusive, essa é uma novidade: nos Estados, DF e Municípios, ficam desvinculados de órgão,
fundo ou despesa, até 31/12/2023, 30% (trinta por cento) das receitas relativas a impostos, taxas e multas
(contribuições sociais e CIDE não estão nessa lista e as multas entraram para essa lista).
“Ah, professor. Então agora o orçamento ficou mais amarrado? Porque a desvinculação de impostos, que era
de 20%, agora é zero. E a desvinculação de contribuições só aumentou 10%, foi de 20% para 30%...”
Não necessariamente! Nos últimos anos, a receita de contribuições tem superado (e muito) a receita de
impostos. Então veja o que aconteceu: cortaram 20% de um valor pequeno, e aumentaram 10% em um valor
enorme. Entendeu o que fizeram? 🧐

Para concluir, vou resumir as alterações trazidas pela EC 93/16 numa tabela:

União Estados, DF e Municípios

Antes Depois Antes Depois

Impostos 20% Zero - 30%

Contribuições
20% 30% - -
sociais

CIDE 20% 30% - -

Taxas - 30% - 30%

Multas - - - 30%

Questões para fixar


FCC – ALE-SE – Técnico Legislativo– 2018

Um dos princípios orçamentários comumente apontados pela doutrina e que possui assento na Constituição Federal é o
da não afetação, que traz, entre outras consequências, vedação à vinculação de produto de imposto de competência do
ente federado a órgão, fundo ou despesa.
Comentários:
Sim! O princípio da não afetação veda a vinculação do produto de impostos (não de tributos) a órgão, fundo ou despesa.
Esse princípio é sim comumente apontado pela doutrina e possui assento na CF/88, mais especificamente no artigo 167,
IV.
Gabarito: Certo

CESPE – STM – Técnico Judiciário: área administrativa – 2018

Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte. O princípio da não afetação das receitas veda a
vinculação de tributos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas as exceções estabelecidas pela Constituição Federal de
1988.
Comentários:

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Pegadinha clássica! Eu avisei! E ela continua sendo utilizada. Veja que essa questão é de 2018!
Tributo é gênero. Imposto é uma espécie do gênero tributo. Há 5 (cinco) espécies tributárias: impostos, taxas,
contribuições de melhorias, empréstimos compulsórios e contribuições especiais.
O princípio da não afetação veda a vinculação do produto de impostos (não de todos os tributos) a órgão, fundo ou
despesa. Alguns tributos realmente têm o seu produto vinculado a uma finalidade específica. Por isso a questão ficou
errada. Mas esse princípio realmente tem exceções previstas na CF/88, essa parte da questão está correta.
Portanto, para que a questão ficasse correta bastava trocar a palavra “tributos” por “impostos”.
Gabarito: Errado

Princípio da Não vinculação (Não afetação) da Receita de Impostos: é vedada a vinculação de receita de impostos (não
de todos os tributos) a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas exceções previstas na CF/88.

Princípio da especificação (especialização ou discriminação)


O princípio da especificação determina que, na LOA, as receitas e despesas devam ser discriminadas
(detalhadas). Em seu sentido histórico, o princípio preceitua que o orçamento público deve ser discriminado
(ou especificado), devendo as receitas e despesas ser autorizadas não em bloco, mas de forma detalhada.
Assim, é possível conferir exatamente de onde está vindo e para onde está indo o dinheiro público. Ou seja: o
orçamento vai demonstrar a origem e a aplicação dos recursos públicos.
Imagine se a receita fosse demonstrada simplesmente assim:

• Receita: R$ 1.000.000.000,00.
Ok, mas de onde vem toda essa receita? De impostos? Taxas? Contribuições? Serviços? Todos os
anteriores? Quanto de cada?

E se a despesa fosse demonstrada simplesmente assim:

• Despesa: R$ 1.000.000.000,00.
Sim, mas o governo vai fazer o que com todo esse dinheiro? Há uma infinidade de coisas para fazer:
remunerar pessoal, construir hospitais e escolas, realizar atividades da administração tributária, pagar dívidas...
Tudo isso tem que ser detalhado!
A título de exemplo, dê uma olhadinha em um dos anexos do orçamento da União do exercício financeiro
de 2018:

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Repare na palavra que está marcada de amarelo lá em cima. 😏

Beleza. E onde está esse princípio na legislação brasileira?


Ele não está na CF/88, portanto não possui status constitucional. Ele está na Lei 4.320/64, observe:

Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a
despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras, ressalvado o
disposto no artigo 20 e seu parágrafo único.

Art. 15. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos.

Veja que o princípio veda as autorizações de despesas globais!


“E pra que fazer isso professor? Pra que fazer essa discriminação, essa especificação? Por que não pode ter
essas dotações globais?”

Ora! Transparência e controle! É para isso! 😃

Lembra daquele exemplo da conta do restaurante? É mais fácil controlar a conta se ela vier toda
detalhada ou se ela informar somente o total? Claro que é se ela vier detalhada!

Vou lhe dar outro exemplo: você e seus amigos vão a um barzinho e cada um faz o seu pedido. Um pediu água, outro pediu
refrigerante, outro pediu vodka e o último pediu leite (leite no barzinho? 🤨😂). Obviamente cada bebida tem um preço
diferente. Vocês pedem a conta e ela vem assim:

Bebidas, 4 unidades = R$ 100,00.

E agora? Esse cálculo tá certo? Que leite caro foi esse? 😂

Quando a conta vem assim, fica difícil controlar. Seria muito mais fácil se as bebidas viessem discriminadas, uma por uma,
com o seu respectivo preço.

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No orçamento é do mesmo jeito! É por isso que afirmamos que o princípio da especificação surgiu para
proporcionar maior transparência ao processo orçamentário e facilitar o acompanhamento e controle do
gasto público, evitando a famosa “ação guarda-chuva”, que é genérica e abrange tudo no mundo! 😅

Só para você ver que não estamos falando isso à toa, olha só essa questão:

Questão para fixar


CESPE – TCE-PR – Analista de controle – 2016

As finalidades do princípio da discriminação incluem fornecer detalhamento de receitas e despesas e prestar suporte ao
trabalho daqueles que fiscalizam as finanças públicas.

Comentários:

Exatamente! Essa é uma das finalidades do princípio da discriminação. Quando está tudo detalhado, discriminado, é mais
fácil fiscalizar. O detalhamento facilita o trabalho dos parlamentares, dos auditores de controle externo, e da sociedade
também (controle social)!

Gabarito: Certo

Existem duas exceções ao princípio da especificação:


1. Programas Especiais de Trabalho (PET);
2. Reserva de Contingência.
Os Programas Especiais de Trabalho (PET) são grandes investimentos públicos que, por sua
complexidade e abrangência, não podem ter toda a sua composição de despesas explicitadas de antemão. Os
PET que, por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da
despesa poderão ser custeados por dotações globais.

Simplificando: não é possível executar esses PET na forma convencional, pois eles são muito grandes e complexos. Por
isso eles precisam de dotações globais.

Essa é a ressalva que está no artigo 5º (transcrito anteriormente), prevista no artigo 20, parágrafo único,
da Lei 4.320/64:

Art. 20, Parágrafo único. Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-
se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por dotações
globais, classificadas entre as Despesas de Capital.

Já a reserva de contingência é uma reserva que serve para cobrir contingências.

“Não me diga, professor!” 😒

Pois é... 😂 Essa reserva serve para cobrir uma possível perda futura.

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Por exemplo: um agricultor sabe que, eventualmente, poderá passar por uma seca (um período de estiagem) e poderá
perder a sua safra. Por isso seria inteligente de sua parte ter uma reserva de contingência.

Muito bem. Não se pode dizer exatamente com que essa reserva de contingência será utilizada e nem
quando ela será utilizada, porque não se sabe o que vai acontecer no futuro.
Então como especificar isso?

Resposta: não dá! Como especificar algo que não é passível de especificação? 🧐

Por exemplo: o agricultor não sabe se vai acontecer uma seca, um incêndio ou uma praga. Nem sabe se vai ser em 2019,
2020 ou 2021.

Por isso que a reserva de contingência é uma dotação global para atender a passivos contingentes e
outras despesas imprevistas. É uma dotação genérica, não especificada, sem aplicação definida, a partir da qual
o poder público pode atender a passivos contingentes (a exemplo de pagamentos devidos a execuções
judiciais) ou executar novas dotações, por meio de créditos adicionais.

Vale lembrar que a dotação da reserva de contingência nunca é executada! Ela, no máximo, serve como fonte para
abertura de créditos adicionais. Veja só o que diz o MCASP 8ª edição:

“A classificação da Reserva de Contingência, destinada ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos, bem como
eventos fiscais imprevistos, e da Reserva do Regime Próprio de Previdência Social, quanto à natureza da despesa
orçamentária, serão identificadas com o código “9.9.99.99”, conforme estabelece o parágrafo único do art. 8º da Portaria
Interministerial STN/SOF nº 163, de 2001. Todavia, não são passíveis de execução, servindo de fonte para abertura de
créditos adicionais, mediante os quais se darão efetivamente a despesa que será classificada nos respectivos grupos.”

Agora vamos transcrever novamente o artigo 15 da Lei 4.320/64:


Art. 15. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos.
Quero destacar o seguinte: hoje, a LOA não traz mais o detalhamento das despesas em nível de elemento
de despesa, mas sim até a modalidade de aplicação. Essa modificação foi introduzida pela Portaria STN/SOF
163/01, com o objetivo de proporcionar à Administração Pública maior flexibilidade de ação para a solução de
novo problemas que o governo deve enfrentar.

Na classificação por natureza da despesa, as despesas são detalhadas na seguinte ordem:


1. Categoria Econômica;
2. Grupo de Despesa;
3. Modalidade de aplicação;
4. Elemento de despesa;
5. Detalhamento da despesa.
O que você tem que gravar: na LOA, as despesas devem ser detalhadas até a modalidade de aplicação.
Por último, gostaríamos de acrescentar algo que está na nossa LRF:
Art. 5º, § 4º É vedado consignar na lei orçamentária crédito com finalidade imprecisa ou com dotação
ilimitada.
Esse dispositivo representa um reforço do princípio da especificação.

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Questão para fixar


FCC – DPE-AM – Assistente Técnico de Defensoria – 2018
Entre os princípios orçamentários podemos destacar o da especificação, também conhecido como da especialidade ou
discriminação, o qual, entre outros efeitos, enseja a vedação a autorizações de despesa genéricas, exigindo a
discriminação, ao menos, por elementos.
Comentários:
Esse é o princípio da especificação, especialidade ou discriminação. Ele veda dotações globais, créditos com finalidades
imprecisas e dotações ilimitadas (segundo o disposto no artigo 5º da Lei 4.320/64, e no artigo 5º, § 4º, da LRF).
Além disso, de acordo com o artigo 15 da Lei 4.320/64, a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos.
Ressalte-se que o texto da lei está, sim, vigente, por isso a questão está correta. No entanto, a interpretação dada à palavra
“elementos” é que mudou de 1964 para cá, principalmente por conta do aumento e extensão das funções e
responsabilidades governamentais. Foi por isso que a Portaria STN/SOF 163/01 foi editada. Mas grave o seguinte: hoje, na
LOA, as despesas devem ser detalhadas até a modalidade de aplicação.
Gabarito: Certo

Princípio da especificação (especialização ou discriminação): na LOA, as receitas e despesas devem ser discriminadas
(detalhadas). Exceções: Programas Especiais de Trabalho (PET) e Reserva de Contingência.

Outros princípios
Princípio da Uniformidade (Consistência)
Segundo o princípio da Uniformidade (Consistência) o orçamento deve manter uma mínima
padronização na apresentação de seu conteúdo, de forma a permitir comparações entre diferentes períodos.
Esse artigo é extraído da Lei 4.320/64, artigo 22, III, e, em outras palavras, determina que o orçamento deve
apresentar e conservar ao longo dos exercícios financeiros uma estrutura que permita comparações entre os
sucessivos mandatos.

Por exemplo: suponha que um usuário deseje fazer uma análise horizontal (tal qual é feita na contabilidade), medindo o
comportamento das receitas ao longo dos anos.

Acontece que, em 2015, a receita de impostos foi apresentada junto com a receita de taxas (“impostos e taxas”). Em 2016,
ela foi apresentada junto com a receita de contribuições sociais (“impostos e contribuições sociais”). Já em 2017, foi
apresentada junto com todas as outras receitas tributárias (“receitas tributárias”). Dessa forma, a comparação entre os
exercícios financeiros ficou prejudicada, impossibilitando, dentre outras, a análise do comportamento da receita de
impostos.

Princípio da Programação
O princípio da programação é um princípio doutrinário, que surgiu a partir da instituição do orçamento-
programa. Ele preceitua que orçamento público deve evidenciar os programas de trabalho, servindo como
instrumento de administração do Governo, facilitando a fiscalização, gerenciamento e planejamento.

No orçamento, todas as despesas são inseridas sob a forma de programa. Cada despesa deve ter um
programa correspondente (estar dentro de um programa).

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Princípio do Equilíbrio
De acordo com o princípio do equilíbrio, as despesas não podem ser maiores que as receitas. Esse
princípio tem como finalidade equilibrar as finanças públicas, o orçamento, as receitas e as despesas. Mais
especificamente, o princípio busca garantir que as despesas fixadas não serão maiores que as receitas
previstas, o que significa que o princípio do equilíbrio é (formalmente) atendido na fase de planejamento.

Mas também procura-se atender ao princípio do equilíbrio na execução do orçamento. A Lei de


Responsabilidade Fiscal tem um papel muito importante nesse sentido, porque ela estabelece que: se
verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas
de resultado, acontecerá o que chamamos de limitação de empenho e movimentação financeira (LRF, art.
9º). Além disso, em seu art. 4º, inciso I, alínea “a”, a LRF que determina que a LDO disporá sobre o equilíbrio
entre receita e despesa.
O princípio do equilíbrio também se faz presente na famosa regra de ouro. Em termos simples, ela proíbe
as operações de crédito (OC) que excedam as despesas de capital (DK). Em outras palavras: as operações
crédito devem ser menores ou iguais às despesas de capital.

Fique atento!
Regra de ouro: OC £ DK

Perceba: ela não proíbe todas as operações de crédito. Ela proíbe aquelas que excedam as despesas de
capital. Por exemplo: se as despesas de capital somam R$ 1.000.000,00, não é possível ter R$ 1.500.000,00 em
operações de crédito. Esses R$ 500.000,00 excedentes estão proibidos!
A mensagem que essa regra passa é que o endividamento só pode ser admitido para a realização de
investimento ou abatimento da dívida. Ou seja, deve-se evitar tomar dinheiro emprestado para gastar com
despesa corrente, mas pode pegar emprestado para cobrir despesa de capital (o déficit aqui é permitido).
É uma regra que busca preservar a saúde financeira do país, evitando que se tome empréstimos para
pagar por despesas correntes.

Por exemplo: tomar empréstimo para comprar um apartamento, um carro, é “normal”. Mas tomar um empréstimo para
pagar despesas corriqueiras (alimentação, aluguel, etc.) não é nada bom! 😬

Mas como toda boa regra, há exceção. Ela fica por conta créditos suplementares ou especiais com
finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.

Essa regra está expressa na CF/88, confira:

Art. 167. São vedados:


III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital,
ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;

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Princípio da Proibição do Estorno


O princípio da proibição do estorno determina que o gestor público não pode transpor, remanejar ou
transferir recursos sem autorização legislativa, do contrário toda a finalidade do orçamento público e do
princípio da legalidade estariam em risco.
Explicamos: de que adianta autorizar o orçamento se quando da execução do mesmo ele será todo
alterado à discricionariedade do gestor público? Será que a alteração será compatível com o interesse público?
Portanto, em caso de insuficiência de recursos, o Poder Executivo não pode simplesmente “tirar do
crédito orçamentário A e colocar no crédito orçamentário B” (será que esse é o interesse público?). O Poder
Executivo deverá recorrer à abertura de créditos adicionais ou solicitar ao Poder Legislativo a transposição,
remanejamento ou transferência.
Esse princípio está na CF/88 (possui status constitucional):

Art. 167. São vedados:

VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação


para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;

Exceção é feita no § 5º desse mesmo artigo:

Art. 167, § 5º A transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de


programação para outra poderão ser admitidos, no âmbito das atividades de ciência, tecnologia e
inovação, com o objetivo de viabilizar os resultados de projetos restritos a essas funções, mediante ato do
Poder Executivo, sem necessidade da prévia autorização legislativa prevista no inciso VI deste artigo.

Princípio da Clareza
Segundo o princípio da clareza, o orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e
compreensível (de fácil entendimento), de forma que as pessoas consigam entendê-lo.
Esse princípio também está muito relacionado ao princípio da transparência, e o motivo é óbvio: de que
adianta publicar o orçamento se ninguém o entender?
Embora seja um princípio de caráter meramente formal, tem uma importante finalidade: facilitar o
controle social.

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Questões comentadas – CESPE


1. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018

De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.
O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um único exercício financeiro.
Comentários:
Sim! Esse é o princípio da anualidade (periodicidade). Segundo esse princípio, o orçamento deve ser
elaborado e autorizado para um determinado período de tempo, geralmente de 12 meses, chamado de
exercício financeiro.
Aqui no Brasil, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, que é o ano normal que nós conhecemos:
começando em 1º de janeiro e terminando em 31 de dezembro. Isso está expresso na Lei 4.320/64, confira:

Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Gabarito: Certo

2. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018

De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.
Cada ente da Federação deve possuir apenas um orçamento, estruturado de maneira uniforme.
Comentários:
Sim! Aqui nós temos dois princípios:
1. Princípio da Unidade (Totalidade): o orçamento deve ser uno. Cada ente federativo, em cada
exercício financeiro, deverá ter somente um único orçamento.
2. Princípio da Uniformidade: o orçamento deve manter uma mínima padronização na
apresentação de seu conteúdo, de forma a permitir comparações entre diferentes períodos.
Lembre-se: o objetivo do princípio da unidade é eliminar a existência de orçamentos paralelos. E o fato
de a LOA ser dividida em três orçamentos (ou “suborçamentos”) não representa transgressão ao princípio da
unidade (totalidade). Aqui entra o princípio da totalidade, segundo o qual: é possível a coexistência de vários
orçamentos, desde que sejam posteriormente consolidados em um único orçamento.

Gabarito: Certo

3. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018

De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.
A lei orçamentária deverá conter todas as receitas e despesas previstas no ano civil.
Comentários:

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De acordo com o princípio da Universalidade (Globalização), o orçamento deverá conter todas as


receitas e todas as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e
mantidas pelo poder público.
Ademais, o orçamento, de acordo com o princípio da anualidade, é elaborado e autorizado para um
determinado exercício financeiro (orçamento 2018, orçamento 2019, orçamento 2020...) e o exercício
financeiro, no Brasil, coincidirá com o ano civil (art. 34, Lei 4.320/64).
Só mais um detalhe: no orçamento, temos a previsão de receitas e fixação de despesas. Repare que a
questão fala em “receitas e despesas previstas”. A diferença é que, quando há uma previsão, não há um teto,
um limite superior. Por exemplo: o orçamento prevê a arrecadação de R$ 1.000.000,00, mas, se arrecadar R$
2.000.000,00, está tudo bem. Nenhum problema aí! Agora, quando a despesa é fixada, aí tem-se um teto. Por
exemplo: se a despesa fixada for de R$ 1.000.000,00, o ente não pode gastar mais do que isso, caso contrário
estará realizando despesas não autorizadas.

“E agora, professor? Isso não deixa a questão errada?” 🧐

A banca a considerou correta. E é um posicionamento que ela já tinha adotado antes, quando questionou
em 2009, na prova da AGU: “O princípio da universalidade estabelece que todas as receitas e despesas devem
estar previstas na LOA”. Questão também foi considerada correta.
Enfim, fizemos essa análise só para você “ficar ligado”, mas não fique procurando pelo em ovo! A lei
orçamentária deverá conter todas as receitas e despesas previstas naquele exercício financeiro e pronto!
Gabarito: Certo

4. CESPE – IPHAN – Analista– 2018

Acerca das noções elementares de orçamento público, julgue o item a seguir.


O princípio do orçamento bruto constitui um pressuposto básico do princípio da universalidade.
Comentários:
É isso mesmo. Em outras palavras, para atender ao princípio da universalidade, supõe-se que o princípio
do orçamento bruto também foi atendido.

De acordo com o princípio do orçamento bruto, as receitas e despesas constarão da LOA pelos seus
valores totais, vedadas quaisquer deduções.
Pense conosco: se o orçamento registrasse as receitas as receitas e despesas pelos valores líquidos, nem
todas as receitas e despesas estariam lá. Por exemplo: registrando as receitas e despesas sem nenhuma
dedução, poderíamos ter o registro de uma receita de R$ 1.000,00 e uma despesa de R$ 200,00. Agora, se
utilizássemos valores líquidos e fizéssemos a dedução, registraríamos somente uma receita de R$ 800,00.
Nesse caso, cadê a despesa de R$ 200,00? Seria como se ela não existisse! O orçamento não informaria a
dedução.

É por isso que esses princípios andam juntos! Eles se complementam! E o princípio do orçamento bruto
constitui um pressuposto básico do princípio da universalidade. 😉

Gabarito: Certo

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5. CESPE – IPHAN – Analista– 2018


Acerca das noções elementares de orçamento público, julgue o item a seguir.
Novas categorias de programação da lei orçamentária podem ser utilizadas sem se desrespeitar o princípio da
uniformidade.

Comentários:
Segundo o princípio da uniformidade (consistência), o orçamento deve apresentar e conservar ao longo
dos exercícios financeiros uma estrutura que permita comparações entre os sucessivos mandatos.

Adicionar uma nova categoria de programação não viola esse princípio.


Vamos fazer uma comparação com o seu orçamento pessoal. Antes você organizava as suas despesas nas
seguintes categorias: saúde, educação e lazer. Se você adicionar uma nova categoria chamada
“investimentos”, a padronização entre o seu orçamento passado e o orçamento atual será quebrada? Claro que
não!

Gabarito: Certo

6. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018


Acerca dos princípios orçamentários, julgue o item seguinte.

Quando o Poder Legislativo local não consegue apreciar, discutir, votar e aprovar a lei orçamentária no prazo
determinado — dezembro de todo ano —, o ente federativo inicia o exercício financeiro seguinte em
descumprimento ao princípio da anualidade.

Comentários:
De acordo com o princípio da anualidade, o orçamento é elaborado e autorizado para um determinado
exercício financeiro. Só porque o projeto de lei orçamentária anual (PLOA) não foi aprovado, não significa
que o orçamento não irá se referir àquele exercício financeiro. Por exemplo: mesmo que a LOA 2019 não seja
aprovada até dezembro de 2018, ela continuará sendo a LOA 2019, o orçamento que será executado no
exercício financeiro de 2019. Potanto, o princípio continua sendo cumprido!
Além disso, o legislador foi precavido e a legislação já prevê como deverá se proceder caso o Poder
Executivo não envie o PLOA dentro do prazo ou caso o Poder Legislativo não aprove a lei orçamentária no prazo
determinado (situação da questão).
A cada ano, as Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) determinam que se o PLOA não for sancionado
pelo Presidente da República até 31 de dezembro daquele ano, parte da programação constante do PLOA
poderá ser executado até o limite de 1/12 do total de cada ação prevista no referido projeto de lei, multiplicado
pelo número de meses decorridos até a sanção da respectiva lei. Por exemplo: se o projeto de lei apresenta
uma despesa fixadas para uma ação no total de R$ 120.000,00, em janeiro do ano seguinte é possível executar
R$ 10.000,00 da referida ação (1/12 de R$ 120.000,00). Se, em fevereiro, o PLOA ainda não tiver sido votado e
aprovado, é possível executar mais 1/12, e aí já teremos 2/12. Se decorridos 6 meses até a sanção da LOA, a
Administração pode executar até 6/12 (metade) do total previsto para aquela ação.
Por sinal, isso aconteceu em 2015. A LOA 2015 foi aprovada com 3 meses de atraso!
Gabarito: Errado

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7. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018


Operação de transferência de recursos entre entes federativos não fere o princípio do orçamento bruto. Nesse
caso, os recursos deverão ser incluídos como despesa no orçamento do ente que transfere e, como receita, no
orçamento daquele que os receber.
Comentários:
Exatamente! Primeiro, relembremos o princípio do orçamento bruto: receitas e despesas constarão da
LOA pelos seus valores totais, vedadas quaisquer deduções. Elas são registradas pelos seus valores brutos, e
não pelos seus valores líquidos.
Agora vamos a um exemplo:

O Estado de São Paulo tem que transferir R$ 100.000,00 para o Ceará e o Ceará tem que transferir R$
20.000,00 para o Estado de São Paulo. Nesse caso, não podemos simplesmente fazer uma dedução e
considerar que o Estado de São Paulo só tem que transferir R$ 80.000,00 para o Ceará, registrando uma receita
de R$ 80.000,00 para o Ceará e uma despesa de R$ 80.000,00 para São Paulo. Na verdade:
São Paulo registra:

• Receita de R$ 20.000,00
• Despesa de R$ 100.000,00
Ceará registra:

• Receita de R$ 100.000,00
• Despesa de R$ 20.000,00

Perceba que no orçamento do ente que transfere, registra-se uma despesa. E no orçamento do ente que
recebe, registra-se uma receita. E todas devem constar no orçamento pelos seus valores totais (R$ 100.000,00
e R$ 20.000,00), não pelos seus valores líquidos, deduzidos (R$ 80.000,00).

“E de onde você tirou isso, professor?” 🤨

Da Lei 4.320/64, olha só: 😅

Art. 6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer
deduções.

§ 1º As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como despesa, no
orçamento da entidade obrigada a transferência e, como receita, no orçamento da que as deva
receber.

Portanto, essa operação de transferência de recursos entre entes federativos em nada fere o princípio do
orçamento bruto. Receita para quem receber. Despesa para quem transferir. Questão correta!
Gabarito: Certo

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8. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018


Acerca dos princípios orçamentários, julgue o item seguinte.
Pelo princípio do equilíbrio, o ente que apresenta déficit orçamentário em exercício financeiro está impedido
de contratar quaisquer operações de crédito no exercício subsequente, até que consiga equilibrar a diferença
entre despesas e receitas.
Comentários:
Nada disso! Essa regra não existe! Não é isso que o orçamento preceitua. O princípio do equilíbrio busca
garantir que as despesas fixadas não serão maiores que as receitas previstas. A questão está relacionada com
a regra de ouro, que também faz parte da concepção moderna do princípio do equilíbrio. A regra estabelecida
no art. 167, III, da CF/88, proíbe as operações de crédito (OC) que excedam as despesas de capital (DK).
Perceba: ela não proíbe a contratação de quaisquer operações de crédito. Ela proíbe a contratação daquelas
que excedam as despesas de capital (DK). E é por isso que a questão está errada.

Além disso, vale lembrar que, durante a execução do orçamento, se verificado, ao final de um bimestre,
que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado, acontecerá o que
chamamos de limitação de empenho e movimentação financeira (LRF, art. 9º).
Gabarito: Errado

9. CESPE – EMAP – Analista Portuário - Financeira e Auditoria Interna– 2018


No que se refere a tributos, julgue o item a seguir.

Contribuição de melhoria, um imposto decorrente de melhorias advindas de obras públicas, atende ao princípio
da não afetação da receita pública.
Comentários:

Quem entendeu a diferença entre tributo e impostos matou essa questão rapidinho! 😅

Vamos lá! Há dois erros nessa questão.

Primeiro (e flagrante) erro: de acordo com a CF/88, existem 5 (cinco) espécies de tributos (essa é a
chamada “teoria pentapartida”) e os impostos são somente uma das espécies de tributos. Tributo é mais
abrangente, é gênero. Imposto é uma espécie do gênero tributo. Contribuição de melhoria também é uma
espécie de tributo, portanto não é imposto. Imposto é imposto! 😜

Segundo erro: o princípio da não afetação da receita de impostos, no Brasil, restringe-se às receitas de
impostos. Não abrange a receita de todos tributos. Portanto, a receita de contribuições de melhoria pode sim
(e é) afetada (vinculada) a determinadas e específicas despesas. Portanto, contribuição de melhoria não atende
ao princípio da não afetação da receita pública.
Gabarito: Errado

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10. CESPE – EMAP – Analista Portuário - Financeira e Auditoria Interna– 2018


No que se refere a tributos, julgue o item a seguir.
O empréstimo compulsório, criado para atender a despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública,
de guerra externa ou iminente, é um imposto que atende ao princípio da não afetação da receita pública.

Comentários:

De novo, Cespe? 😅

Existem 5 (cinco) espécies de tributos:


1. Impostos;
2. Taxas;
3. Contribuição de melhoria;
4. Empréstimos compulsórios;
5. Contribuições especiais.
Empréstimo compulsório é uma espécie do gênero tributo, assim como imposto também é. Portanto o
empréstimo compulsório não é um imposto, como afirmou a questão.
Além disso, o princípio da não afetação da receita de impostos, no Brasil, restringe-se às receitas de
impostos. Portanto, empréstimos compulsórios não atendem ao princípio da não afetação da receita pública.
Gabarito: Errado

11.CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2018


Acerca dos fundamentos de administração financeira e orçamentária, julgue o item a seguir.
Os princípios da unidade e da universalidade são válidos, ainda que haja orçamentos diferentes no âmbito de
cada ente da Federação.
Comentários:
Sim! É claro!

Cada ente possui o seu próprio orçamento, a sua própria LOA. Independente um do outro. Por exemplo:
o Estado do Rio de Janeiro tem o seu orçamento, que é diferente e independente do orçamento do Estado de
Minas Gerais.

E cada ente da Federação deve adotar os princípios orçamentários, afinal eles são válidos para todos os
poderes e todos os níveis de governo.
Relembrando:

• Princípio da unidade: cada ente da Federação, em cada exercício financeiro, deverá ter somente
um único orçamento;
• Princípio da universalidade: a LOA de cada ente da Federação deverá conter todas as receitas e
as despesas.

Reparou no destaque?

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Portanto, os princípios da unidade e universalidade são, sim, válidos, ainda que haja orçamentos
diferentes no âmbito de cada ente da Federação (e eles são diferentes e independentes mesmo).
Gabarito: Certo

12. CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2018


A respeito das técnicas, dos princípios e do ciclo orçamentários, julgue o item a seguir.
A publicação do orçamento em diário oficial é o ato que garante o cumprimento do princípio orçamentário da
clareza.
Comentários:

Opa! Princípio da publicidade é coisa. Princípio da clareza é outra coisa! 😅 E só porque algo está
publicado não significa que ele seja claro.
Por exemplo: imagine um orçamento divulgado somente com os códigos (números) para representar as
receitas e despesas. A relação do significado desses códigos não foi divulgada. Como você vai descobrir o que
cada receita e despesa significa? Além disso, o legislador utilizou-se do seu melhor “juridiquês” e utilizou uma
linguagem que somente um cidadão altamente qualificado seria capaz de entender. De que adianta publicar o
orçamento assim se somente uma minúscula parcela da população vai entender? Isso não é nada transparente!
É por isso que o princípio da clareza está muito relacionado ao princípio da transparência, e o motivo é
óbvio: de que adianta publicar o orçamento se ninguém o entender?
Dito tudo isso, a publicação do orçamento não garante o cumprimento do princípio orçamentário da
clareza. Portanto, a questão está errada!
Gabarito: Errado

13.CESPE – TCM-BA – Auditor Estadual de Controle Externo – 2018


O prefeito de determinado município brasileiro encaminhou proposta de lei orçamentária anual contendo
apenas as receitas e despesas públicas correntes e, em mensagem à câmara de vereadores, informou que
encaminharia no mês seguinte o plano de trabalho do governo referente à política financeira do município.
Nessa situação hipotética, a conduta do prefeito contraria o princípio
A) da universalidade.
B) da unidade.
C) do orçamento-bruto.
D) da anualidade.
E) da exclusividade.
Comentários:
Questão bem interessante! Vamos analisar as alternativas, por exclusão.
Alternativa “c” está errada. O princípio do orçamento bruto dispõe que todas as receitas e despesas
constarão da LOA pelos seus valores totais, vedadas quaisquer deduções. O enunciado não falou nada sobre

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receitas e despesas sendo apresentadas com deduções, por seus valores líquidos. Portanto, não há infração a
esse princípio.
Alternativa “d” está errada. O princípio da anualidade (periodicidade) preceitua que o orçamento deve ser
elaborado e autorizado para um determinado período de tempo, geralmente de 12 meses, chamado de
exercício financeiro. Não houve qualquer menção, na questão, de que o orçamento não seria para um período
diferente do exercício financeiro. Ressalte-se que a aprovação tardia do orçamento, mesmo depois de iniciado
o exercício financeiro a que ele se refere, não constitui infração ao princípio da anualidade.

Alternativa “e” também está errada. De acordo com o princípio da exclusividade, a LOA não conterá
dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa. A questão não falou nada sobre algum
outro dispositivo que estava contido na LOA, portanto não há infração a esse princípio.
Então ficamos entre as alternativas “a” e “b”. É aqui que surge a dúvida.
Por um lado, argumenta-se: “a proposta de lei orçamentária anual continha apenas as receitas e despesas
públicas correntes (deixando de lado as receitas e despesas de capital), e o princípio da universalidade diz que
a LOA deverá conter todas as receitas e as despesas.”
Por outro lado, nota-se que a proposta de lei orçamentária anual veio fragmentada, ou melhor, nota-se
a existência de duas propostas de lei orçamentária anual. Na primeira ocasião, o prefeito encaminhou proposta
de lei orçamentária anual contendo apenas as receitas e despesas públicas correntes. No mês seguinte, ele
encaminharia “o resto”, a segunda proposta de lei orçamentária. Essa é uma flagrante infração ao princípio da
unidade, pois, segundo esse princípio, o orçamento deve ser uno. Cada ente federativo, em cada exercício
financeiro, deverá ter somente um único orçamento. Não são dois: um agora só com as receitas e despesas
correntes e outro no mês seguinte com o restante. É um único orçamento (lembrando que, segundo o princípio
da totalidade, é possível a coexistência de vários orçamentos, desde que sejam posteriormente consolidados
em um único orçamento. Esse princípio não se preocupa com a unidade documental).
A banca adotou esse segundo posicionamento e, apesar dos recursos interpostos, apontou como gabarito
definitivo a alternativa “b”.
Gabarito: B

14. CESPE – STM – Técnico Judiciário – 2018

Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte.


O princípio da exclusividade proíbe que a lei orçamentária contenha autorização para a contratação de
operações de crédito.

Comentários:
O princípio da exclusividade (estabelecido no Art. 165, § 8º, da CF/88) é aquele que prega: a LOA não
conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa. O objetivo desse princípio é evitar
as “caudas orçamentárias” e os “orçamentos rabilongos”. Evitar que outros dispositivos (estranhos à
previsão da receita e à fixação da despesa) peguem carona no processo legislativo especial do orçamento (mais
célere que o processo legislativo ordinário).
Agora, a LOA não conterá só previsão de receitas e fixação de despesas. Há exceções a esse princípio. São
elas:

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• Autorização para abertura de créditos adicionais suplementares (só os suplementares);


• Autorização para contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita
orçamentária (ARO).
A segunda exceção foi justamente a cobrada pela questão. Portanto, o princípio da exclusividade não
proíbe que a lei orçamentária contenha autorização para a contratação de operações de crédito.
Gabarito: Errado

15.CESPE – STM – Técnico Judiciário – 2018


Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte.

O princípio da não afetação das receitas veda a vinculação de tributos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas
as exceções estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.

Comentários:
Mais uma vez o Cespe brinca com as palavras “tributo” e “imposto”. Preste atenção e leia com cuidado
para não cair nessa pegadinha chula! 🤓

O nome do princípio é “princípio da não afetação da receita de impostos”, não “da receita de tributos”.
No Brasil, a aplicação desse princípio restringe-se às receitas de impostos.
Gabarito: Errado

16. CESPE – TCE-PB – Auditor de Contas Públicas - Demais Áreas– 2018

A CF prevê, expressamente, o princípio orçamentário


A) da uniformidade.
B) da exclusividade.
C) do orçamento bruto.
D) da programação.

E) da participação.
Comentários:

Questãozinha simples, mas traiçoeira! 😬

Eu mesmo (professor Sérgio) fui pego desprevenido nessa prova (sim, eu fiz essa prova! Esse é o cargo
que ocupo atualmente). Eu ainda não tinha visto uma questão que cobrasse onde os princípios estariam
estabelecidos. É por isso que eu, ao longo da aula, me preocupei em dizer onde o princípio está estabelecido,
inclusive se ele tem status constitucional ou não.
Vamos às alternativas:
a) Errada. O princípio da uniformidade é extraído da Lei 4.320/64, artigo 22, III.
b) Correta. O princípio da exclusividade está sim previsto na CF/88, mais especificamente no Art. 165, §
8º.

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c) Errada. O princípio do orçamento bruto, apesar de sua importância, não possui status constitucional.
Está previsto
d) Errada. O princípio da programação é um princípio doutrinário, que surgiu a partir da instituição do
orçamento-programa, portanto, não está expressamente previsto em legislação.
e) Errada. O princípio da participação também é um princípio doutrinário. Aliás, ele é muito pouco
reconhecido: muitos autores sequer o citam.

Agora quem ficou curioso para saber se eu acertei essa questão na prova? 😂 Acertei sim! 😄

Gabarito: B

17.CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017


Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
A Constituição Federal prevê exceções a alguns princípios orçamentários, entre elas, a autorização para
abertura de créditos suplementares na lei orçamentária anual.

Comentários:
A autorização para abertura de créditos suplementares na lei orçamentária anual é exceção a algum
princípio orçamentário? Sim!
Lembra do princípio da exclusividade? A LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e
à fixação da despesa.
Mas a LOA poderá conter somente previsão de receitas e fixação de despesas e nada mais, sem
exceções? Negativo!
Além da previsão de receitas e fixação de despesas, também poderão estar na LOA (exceções ao
princípio da exclusividade):

• Autorização para abertura de créditos adicionais suplementares (atenção: a exceção é só os


suplementares. Caso a questão mencionasse “créditos especiais”, “créditos extraordinário”, ou
mesmo “créditos adicionais”, ela estaria errada!);
• Autorização para contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita
orçamentária (ARO).
Gabarito: Certo

18. CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017

Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
O princípio da totalidade surgiu em razão da necessidade de se reformular o princípio da unidade, o qual
substituiu, tornando possível a elaboração de múltiplos orçamentos, que devem ser consolidados para a
apreciação legislativa.
Comentários:

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As questões que tratam desse princípio batem muito nessa mesma tecla: múltiplos orçamentos,
orçamentos paralelos, orçamentos especiais...
E agora você já sabe: segundo o princípio da unidade (ou totalidade), o orçamento deve ser uno. O
objetivo é justamente evitar múltiplos orçamentos dentro de um mesmo ente federativo e em um mesmo
exercício financeiro.
Tudo bem. Até aqui, a questão está correta ao afirmar que o princípio da totalidade surgiu em razão da
necessidade de adequação a novas situações, possibilitando a existência de múltiplos orçamentos, desde que
eles sejam posteriormente consolidados.
A questão erra, no entanto, quando afirma que o princípio da totalidade substituiu o princípio da unidade.
Não foi isso que aconteceu. Na verdade, o que aconteceu foi que “a doutrina tratou de reconceituar o princípio
de forma que abrangesse as novas situações”.
Portanto, o princípio da totalidade não substituiu o princípio da unidade. Se retirássemos essa parte da
questão, ela ficaria certa.
Gabarito: Errado

19. CESPE – SEDF – Professor de Educação Básica – 2017

Acerca do orçamento público, julgue o item seguinte.


Com a finalidade de evitar a existência de orçamentos paralelos no âmbito da mesma pessoa política, foi criado
o princípio orçamentário da exclusividade, o qual determina a realização de um único orçamento. Assim,
conforme esse princípio, o orçamento deve ser uno para cada ente federado, não cabendo a existência de
múltiplos orçamentos para o mesmo ente.
Comentários:
A justificativa da banca é tão boa que você quase acredita que é o princípio da exclusividade mesmo, não
é? 😅

Só que o princípio da exclusividade dispõe que a LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da
receita e à fixação da despesa. Exceções são feitas para:

• Autorização para abertura de créditos adicionais suplementares (só os suplementares);


• Autorização para contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita
orçamentária (ARO).

Na verdade, a questão descreveu o princípio da unidade. Se simplesmente trocássemos a palavra


“exclusividade” por “unidade”, a questão ficaria correta.
Gabarito: Errado

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20. CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017


Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
O princípio da exatidão determina que o orçamento público deva ser apresentado em linguagem compreensível
a todas as pessoas que precisem ou desejem acompanhá-lo.
Comentários:
Princípio da exatidão? Não! A questão trouxe o conceito de princípio da clareza!

O princípio da exatidão, também muito relacionado ao princípio da transparência, determina que as leis
orçamentárias devem ser publicadas e divulgadas de forma precisa, possibilitando o controle social da
Administração Pública (o povo, verdadeiro dono do poder, controlando a gestão pública).
O princípio da clareza dispõe que o orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e
compreensível (de fácil entendimento), de forma que as pessoas consigam entendê-lo.

Gabarito: Errado

21. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018


Na tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), um deputado federal apresentou emenda propondo a criação
de uma agência de fomento no Centro-Oeste, com o objetivo de incentivar projetos de desenvolvimento
econômico e social da região por meio da concessão de empréstimos e financiamentos.
Em decorrência de seu objetivo, a emenda proposta pelo parlamentar, nessa situação hipotética, viola o
princípio da
a) discriminação.
b) universalidade.
c) unidade.
d) exclusividade.

Comentários:
Beleza, agora o orçamento pode conter qualquer matéria? Até mesmo a criação de uma agência de
fomento no Centro-Oeste?

É claro que não! Um orçamento é um orçamento! 😁 Um orçamento deve conter somente matéria
orçamentária. E é isso que prega o princípio da exclusividade:

Art. 165, § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação
da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e
contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.

Esse deputado “espertinho” quis aproveitar a célere tramitação da proposta de lei orçamentária para criar
uma agência de fomento no Centro-Oeste.

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“Ah, professor. Mas era por uma boa causa. Era para incentivar projetos de desenvolvimento econômico e
social da região.”

Mas não interessa se era por uma boa causa. 😅 O princípio da exclusividade tem que ser respeitado.
Gabarito: alternativa “d”.
“E por que as outras alternativas estão erradas?”

a) Errada. O princípio da discriminação (ou especificação ou especialidade) determina que, na LOA, as


receitas e despesas devam ser discriminadas (detalhadas). A questão não falou nada sobre a
proposta de lei orçamentária contendo dotações globais (ressalvadas as exceções para os Programas
de Trabalho Especiais e Reserva de Contingência), portanto não se identificou infração a esse
princípio.
b) Errada. Também não há infração ao princípio da universalidade, porque não houve menção sobre
receitas e despesas que não constam no orçamento. Entendemos, então, que a LOA contém todas
as receitas e as despesas.
c) Errada. O orçamento também foi uno (um só), portanto o princípio da unidade foi respeitado.
Gabarito: D

22. CESPE – TCE-PE – Analista de gestão: administração – 2017


A respeito do ciclo, do processo e dos princípios do orçamento público, julgue o item subsequente.
O tratamento dado aos recursos destinados à educação e à saúde constitui uma exceção ao princípio
orçamentário da não vinculação.
Comentários:
As exceções ao princípio da não afetação da receita de impostos são muito importantes! Elas despencam
em prova. Está aí um exemplo.

Felizmente, a Lady Gaga está aqui rezando para lhe ajudar: RESA GaGa.

1. Repartição constitucional do produto da arrecadação dos impostos;


2. Destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;
3. Destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde;
4. Destinação de recursos para a realização de atividades da administração tributária;
5. Prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita (ARO);
6. Prestação de garantia ou contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta.
Saúde e educação são áreas muito importantes, por isso a CF/88 possibilita a vinculação de parte da
receita impostos (que servem para custear despesas em geral) para atendê-las. É tanto que, conforme os
artigos 34 a 36 da CF/88, a aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos nessas áreas é um
princípio constitucional sensível e o desrespeito a essa regra pode resultar na intervenção (federal ou
estadual, a depender do caso).
Por isso, o tratamento dado aos recursos destinados à educação e à saúde realmente constitui uma
exceção ao princípio orçamentário da não vinculação da receita de impostos.
Gabarito: Certo

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23.CESPE – TCE-PE – Analista de Controle Externo – 2017


Em relação às técnicas e aos princípios do orçamento público, julgue o item a seguir.
De acordo com o princípio orçamentário da não afetação — que, no Brasil, é aplicável somente às receitas de
impostos —, as receitas públicas não podem estar vinculadas a qualquer tipo de despesa pública.

Comentários:
Questão, a nosso ver, polêmica e com uma redação ambígua.
De fato, o princípio orçamentário da não afetação, no Brasil, é aplicável somente às receitas de
impostos, e não às receitas de todos os tributos. Tudo certo até aqui...
A problema vem agora: a expressão “as receitas públicas não podem estar vinculadas a qualquer tipo de
despesa pública” permite duas interpretações:
1. As receitas públicas só se vinculam a alguns tipos de despesas públicas. Nesse caso a questão
estaria correta, porque, “apesar de o princípio da não afetação proibir as vinculações das receitas
de impostos às despesas, a CF vincula algumas dessas receitas a determinadas despesas” (essa
foi uma questão considerada correta pelo Cespe no concurso da FUB, em 2013).
2. As receitas públicas não se vinculam a nenhum tipo de despesa pública. Nesse caso a questão
estaria incorreta, pois há exceções que permitem a vinculação.
Apesar dos recursos, o Cespe manteve o gabarito como “certo”.
Gabarito: Certo

24. CESPE – Prefeitura de Fortaleza – Procurador do município – 2017

Dado o princípio da universalidade, o orçamento deve conter todas as receitas e despesas da União, de qualquer
natureza, procedência ou destino, incluída a dos fundos dos empréstimos e dos subsídios. Tal princípio é de
grande importância para o direito financeiro e se concretiza na norma do art. 165, § 5.º, da CF e em diversas
constituições modernas. A respeito do orçamento público na CF e dos princípios orçamentários vigentes no
ordenamento jurídico brasileiro, julgue o item que se segue.
De acordo com o entendimento do STF, a destinação de determinado percentual da receita de ICMS ao
financiamento de programa habitacional ofende a vedação constitucional de vincular receita de impostos a
órgão, fundo ou despesa.
Comentários:
O princípio da não vinculação da receita de impostos, estabelecido no artigo 167, IV, da CF/88, veda a
vinculação de receita de impostos (não de todos os tributos) a órgão, fundo ou despesa, salvo algumas
exceções.
Ora, a questão pergunta se a destinação de determinado percentual da receita, ou seja, a vinculação
de parte da receita de ICMS (que é um imposto 😅) a uma despesa específica ofende o princípio da não
vinculação da receita de impostos. E a resposta é sim! Ofende! Porque está ocorrendo a vinculação de um
imposto a uma despesa que não se encaixa nas exceções previstas na CF/88 (RESA GaGa). O financiamento
de programa habitacional não é uma das exceções.
Gabarito: Certo

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25.CESPE – TCE-PE – Auditor de Controle Externo – 2017


A respeito de orçamento público, julgue o item a seguir.
Dado o princípio da anualidade orçamentária, os orçamentos públicos das diversas esferas de governo devem
ter vigência de um exercício financeiro e coincidir com o ano civil.

Comentários:

Cuidado! O Cespe é engraçadinho! 😁

Durante a aula, alertamos para a diferença entre o sentido histórico e o sentido do princípio da anualidade
adotado no Brasil. O princípio da anualidade, em seu sentido histórico, está relacionado ao exercício
financeiro, e não ao ano civil. Já no Brasil, por conta do artigo 34 da Lei 4.320/64, o exercício financeiro
brasileiro coincidirá com o ano civil.

Agora, diga-nos: onde é que a questão falou algo sobre o Brasil?


Em lugar nenhum! Isso porque a questão estava perguntando sobre o sentido histórico! E, no sentido
histórico do princípio, o exercício financeiro não precisa coincidir com o ano civil (lembra que em vários outros
países o exercício financeiro não coincide com o ano civil?). Por isso a questão ficou errada! “Choveram”
recursos para cima do Cespe, mas a banca manteve o seu gabarito.
Lição: fique atento(a) às diferenças entre o sentido histórico e o sentido adotado no Brasil. O Cespe está
gostando de cobrar isso e é por essa razão que enfatizamos isso no nosso curso!

Gabarito: Errado

26. CESPE – TCE-PE – Auditor de Controle Externo – 2017


A respeito de orçamento público, julgue o item a seguir.
Em observância ao princípio da universalidade orçamentária, devem estar reunidos no orçamento estadual
todos os recursos que um estado-membro esteja autorizado a arrecadar e todas as dotações necessárias ao
custeio de serviços públicos estaduais.

Comentários:
É isso mesmo. Nenhum grande mistério aqui.
O princípio da universalidade (globalização) exige que a LOA de cada ente federativo deverá conter todas
as receitas e as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas
pelo poder público. A palavra-chave aqui é “todas” e “todos”.
Gabarito: Certo

27.CESPE – TRE-BA – Analista Judiciário – 2017


Acerca de orçamento público, julgue os itens a seguir.
I Os princípios orçamentários visam estabelecer regras básicas que norteiem os processos de elaboração,
execução e controle do orçamento público.
II Os princípios orçamentários são válidos para todos os poderes e para todos os entes federativos.

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TCU e TC-DF Aula 1

III O orçamento deve ser preferencialmente uno, o que não impede que cada ente governamental elabore mais
de um orçamento.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item I está certo.
b) Apenas o item II está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens II e III estão certos.

e) Todos os itens estão certos.


Comentários:
Vamos analisar item por item:
I. Certo. Os princípios orçamentários estabelecem linhas norteadoras para a elaboração, execução
e controle do orçamento público. Como uma bússola, eles guiam e norteiam esses processos. 😄

Sabe de onde o Cespe tirou isso? Do MCASP! Veja como os textos se parecem:

“Os Princípios Orçamentários visam estabelecer diretrizes norteadoras básicas, a fim de conferir
racionalidade, eficiência e transparência para os processos de elaboração, execução e controle do
orçamento público.”

II. Certo. Os princípios orçamentários são válidos para todos os poderes e para todos os entes!

E, de novo, sabe de onde o Cespe tirou isso? Você acertou: do MCASP! De novo! Este trecho vem logo em
seguida do trecho apresentado no item anterior:

“Válidos para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todos os entes federativos – União,
estados, Distrito Federal e municípios – são estabelecidos e disciplinados por normas constitucionais,
infraconstitucionais e pela doutrina.”

III. Errado. Preferencialmente? Mais de um orçamento? Nada disso! É justamente isso que o
princípio da unidade (totalidade) busca evitar: orçamentos paralelos. Esse princípio prega que
o orçamento deve ser uno, ou seja, para cada ente da Federação, em cada exercício financeiro,
deve existir somente um orçamento.
Gabarito: C

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28. CESPE – TRE-PE – Analista Judiciário – 2017


O parágrafo único do artigo 20 da Lei n.º 4.320/1964, conforme o qual “os programas especiais de trabalho que,
por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa,
poderão ser custeados por dotações globais, classificadas entre as despesas de capital”, constitui uma exceção
ao princípio da
a) exclusividade.
b) universalidade.

c) unidade.
d) periodicidade.
e) especificação.
Comentários:
Normalmente, as receitas e despesas devem ser discriminadas (detalhadas, especificadas). Mas, em
alguns casos, isso não é possível. Os Programas Especiais de Trabalho (PET), por exemplo, são grandes
investimentos públicos que, por sua complexidade e abrangência, não podem ter toda a sua composição de
despesas explicitadas de antemão. Por isso “os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não
possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por
dotações globais, classificadas entre as Despesas de Capital”.
Muito bem. Então, para matar a questão, de qual princípio estamos falando? Do princípio da especificação
(especialização ou discriminação). Ele surgiu para proporcionar maior transparência ao processo
orçamentário e facilitar o acompanhamento e controle do gasto público, evitando a famosa “ação guarda-
chuva”. E existem duas exceções ao princípio da especificação:
3. Programas Especiais de Trabalho (PET);
4. Reserva de Contingência.
Portanto, gabarito alternativa “e”.
Mas vamos relembrar rapidamente as exceções das outras alternativas:
a) Exceções ao princípio da exclusividade: autorização para créditos adicionais suplementares e
operações de crédito (ainda que por ARO).
d) Exceções ao princípio da periodicidade (anualidade): créditos especiais e extraordinários autorizados
nos últimos quatro meses do exercício poderão ser reabertos, nos limites de seus saldos, e incorporar-se-ão ao
exercício financeiro subsequente.
Os princípios da universalidade e unidade não possuem exceções claramente estabelecidas (expressas
na legislação).Mas lembre-se que as receitas e despesas extraorçamentárias não constam no orçamento e que
é possível a coexistência de vários orçamentos, desde que sejam posteriormente consolidados em um único
orçamento.
Gabarito: E

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29. CESPE – TCE-PR – Analista de controle – 2016


Assinale a opção correta, a respeito dos princípios orçamentários.
a) Na elaboração da proposta orçamentária, um dos princípios determina a não consignação de dotações
globais para as despesas, mas esse grau de detalhamento não exige a separação de valores destinados a
despesas de pessoal daquelas destinadas a serviços de terceiros, por serem ambas de mesma natureza.
b) De acordo com o dispositivo constitucional, para conferir celeridade ao processo orçamentário, a unidade
gestora deverá desenvolver sua proposta com matéria orçamentária, sem a inclusão de assuntos estranhos;
caso esse protocolo seja quebrado, a unidade gestora estará descumprindo o denominado princípio da
universalidade.
c) As finalidades do princípio da discriminação incluem fornecer detalhamento de receitas e despesas e prestar
suporte ao trabalho daqueles que fiscalizam as finanças públicas.
d) Auxiliar o controle parlamentar no que se refere às ações do executivo constitui uma das funções dos
princípios orçamentários, motivo pelo qual esses princípios são tratados como mandamentos, sem admissão
de ressalvas.
e) Conforme o princípio da anualidade, as previsões de receitas e de despesas se referem sempre a um período
limitado de tempo, denominado exercício financeiro. Se os parlamentares não aprovam o orçamento no prazo
determinado, o orçamento do exercício seguinte se inicia descumprindo o referido princípio.
Comentários:
Vamos analisar cada alternativa:
a) Errado. O princípio que determina a não consignação de dotações globais para as despesas é o princípio
da especificação (especialização ou discriminação) e ele exige sim a separação de valores destinados a despesas
de pessoal daquelas destinadas a serviços de terceiros, porque são despesas de naturezas distintas!
b) Errado, mas quase certo. A questão derrapou só no final. Ela estava se referindo ao princípio da
exclusividade! O princípio da universalidade é aquele que preceitua que a LOA de cada ente federativo deverá
conter todas as receitas e as despesas.
c) Certo. Dois grandes propósitos do princípio da discriminação são: transparência e controle. Lembra
daquele exemplo da conta do restaurante? É mais fácil controlar a conta se ela vier toda detalhada ou se ela
informar somente o total? Claro que é se ela vier detalhada! Por isso, receitas e despesas detalhadas facilitam
e dão suporte ao trabalho daqueles que fiscalizam as finanças públicas (como o seu professor Sérgio aqui! 😉
Se as despesas não estivem detalhadas, eu não consigo fiscalizar efetivamente!)
d) Errado. Mandamentos, sem admissão de ressalvas? Claro que não! Os princípios orçamentários visam
estabelecer diretrizes norteadoras básicas, a fim de conferir racionalidade, eficiência e transparência para os
processos de elaboração, execução e controle do orçamento público. E admitem sim exceções! Vimos várias ao
longo da aula, não foi? 😌

e) Errado. Veja que o Cespe cobrou isso em 2016, cobrou de novo em 2018 e pode cobrar no seu concurso
também. Por isso atenção: só porque o projeto de lei orçamentária anual (PLOA) não foi aprovado, não
significa que o orçamento não irá se referir àquele exercício financeiro. Caso o orçamento não seja aprovado
no prazo determinado, o princípio da anualidade (periodicidade) não será descumprido! O orçamento
continuará se referindo a um exercício financeiro.
Gabarito: C

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30. CESPE – TRT-8ª – Técnico Judiciário– 2016


Os valores estabelecidos para a efetivação das despesas autorizadas deverão ser proporcionais aos valores
previstos para a arrecadação das receitas. Essa afirmativa faz referência ao princípio orçamentário do(a)
a) equilíbrio.

b) exclusividade.
c) orçamento bruto.
d) proibição e estorno.

e) programação.
Comentários:
Valores das despesas autorizadas proporcionais aos valores das receitas previstas, ou seja, equilíbrio entre
receitas previstas e despesas fixadas.
Qual princípio é esse? O princípio do equilíbrio! Sua finalidade é equilibrar as finanças públicas, o
orçamento, as receitas e as despesas.
Vale destacar que o princípio da programação preceitua que orçamento público deve evidenciar os
programas de trabalho, servindo como instrumento de administração do Governo, facilitando a fiscalização,
gerenciamento e planejamento.
Gabarito: A

31.CESPE – Prefeitura de Salvador – Procurador do município – 2015


Assinale a opção correta no que diz respeito aos princípios orçamentários.
a) A criação de créditos adicionais — suplementares ou especiais — está sujeita a previsão na lei orçamentária,
em razão do princípio da unidade.
b) A divisão do orçamento em três peças — LOA, LDO e lei do PPA — constitui exceção ao princípio da unidade
orçamentária.

c) Conforme o princípio da exclusividade de matéria orçamentária, somente pode constar do orçamento


matéria pertinente às previsões de receitas e despesas, não se admitindo as chamadas caudas orçamentárias
nem a previsão de operações de crédito por antecipação de receita.
d) Os orçamentos e créditos adicionais somente poderão ser aprovados por lei formal, sendo vedada a edição
de medida provisória que verse sobre matéria orçamentária.

e) O orçamento deve atender a determinados princípios, entre os quais os da unidade, da universalidade, da


anualidade, da proibição de estorno, da não afetação de receita e da exclusividade de matéria orçamentária.
Comentários:

Vejamos cada uma das alternativas: 😃

a) Errado. Existem três tipos de créditos adicionais: suplementares, especiais e extraordinários. Os


suplementares podem conter sua autorização de abertura na própria lei orçamentária, em razão do princípio
da exclusividade. Os créditos suplementares e especiais são autorizados por lei, afinal o orçamento público

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tem que ser uma lei (princípio da legalidade). Exceção se faz aos créditos extraordinários, os quais são
autorizados e abertos por Medida Provisória (no âmbito federal e nos demais entes que possuam Medida
Provisória. Nos demais, serão abertos por decreto do Poder Executivo).
b) Errado. Na verdade, a divisão do orçamento em orçamento fiscal (OF), de investimentos (OI) e da
seguridade social (OSS) não constitui transgressão ao princípio da unidade (totalidade). É possível a
coexistência de vários orçamentos, desde que sejam posteriormente consolidados em um único orçamento.
c) Errado. Uma das exceções ao princípio da exclusividade é a autorização para contratação de operações
de crédito, ainda que por antecipação de receita orçamentária (ARO).
d) Errado. Os créditos extraordinários são autorizados e abertos por Medida Provisória. Observe o
disposto no artigo 62, da CF/82:

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias,
com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:

d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares,


ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;

Que ressalva é essa? Justamente os créditos extraordinários!

Art. 167, § 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas
imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública,
observado o disposto no art. 62.

e) Certo. A banca simplesmente listou vários princípios que vimos ao longo da aula.
Gabarito: E

32.CESPE – MPOG – Administrador – 2015


Julgue o próximo item, a respeito de orçamento público.

A vinculação legal entre recurso e objeto é restrita ao exercício de ingresso do recurso, sendo desfeita no
exercício subsequente.
Comentários:
A resposta para essa questão está na LRF, observe:
Art. 8, parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados
exclusivamente para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em
que ocorrer o ingresso.
Quer dizer: vinculou? Está vinculado! Mesmo que vire o ano! Portanto, a vinculação legal entre recurso e
objeto não é restrita ao exercício de ingresso do recurso, e não é desfeita no exercício subsequente.
Gabarito: Errado

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33.CESPE – FUB – Auditor – 2015


Com relação aos princípios orçamentários, julgue o item a seguir.
O princípio orçamentário da não afetação veda a vinculação de impostos a órgão, fundo ou despesa, sem
ressalvas de repartição do produto da arrecadação.

Comentários:
Mais uma questão sobre as exceções ao princípio da não afetação (não vinculação) da receita de impostos.
Ainda bem que a Lady Gaga está aqui rezando para lhe ajudar: RESA GaGa.

E a primeira exceção (a letra “R” do nosso mnemônico) é a Repartição constitucional do produto da


arrecadação dos impostos. Quer ver?

CF/88, Art. 167. São vedados:

IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto


da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, (...)

A questão diz que não há ressalvas de repartição do produto da arrecadação de impostos. Pegamos o
Cespe na mentira! 😄

Gabarito: Errado

34. CESPE – MDIC – Analista Técnico – 2014

No que se refere ao orçamento público como ferramenta de atuação do governo nas finanças públicas, julgue
os próximos itens.

O princípio orçamentário da legalidade é estabelecido pela norma constitucional segundo a qual é vedada a
realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital. Serão ressalvadas,
porém, as operações de crédito autorizadas com finalidade precisa, mediante créditos suplementares ou
especiais aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.
Comentários:
Opa! Será o princípio da legalidade mesmo? Vejamos.
Segundo o princípio da legalidade, cabe à Administração Pública fazer ou deixar de fazer somente aquilo
que a lei expressamente autorizar. O orçamento público tem que ser uma lei, pois ele representa o soberano
interesse público. É a lei orçamentária e as leis de créditos suplementares e especiais que autorizam a aplicação
dos recursos públicos.
Enquanto isso, o princípio do equilíbrio busca equilibrar as finanças públicas, o orçamento, as receitas e
as despesas, e uma das facetas desse princípio é a Regra de Ouro, presente no art. 167, III, da CF/88, segundo
a qual:

Art. 167. São vedados:

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III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital,
ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;

Resumindo: OC £ DK

Já deu para perceber que a questão estava falando do princípio do equilíbrio e não do princípio da
legalidade, não é mesmo? O restante da questão está todo correto. É só substituir a palavra “legalidade” por
“equilíbrio” que a questão ficaria correta.

Atenção às ressalvas: créditos suplementares ou especiais (extraordinários não) com finalidade precisa
(não genérica), aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta (não é maioria simples ou maioria
relativa).
Gabarito: Errado

35.CESPE – FUB – Assistente em Administração – 2013


Julgue os itens a seguir, a respeito dos princípios orçamentários.
Apesar de o princípio da não afetação proibir as vinculações das receitas de impostos às despesas, a CF vincula
algumas dessas receitas a determinadas despesas.
Comentários:
Sim! É isso mesmo. A regra do princípio da não afetação da receita de impostos é: a vinculação de receita
de impostos a órgão, fundo ou despesa é vedada! Mas existem ressalvas (exceções) previstas na própria
CF/88. Nesses casos, há vinculação sim de parte da receita de impostos para atender a determinadas despesas.

E quais são elas? RESA GaGa. 😄

Viu como isso despenca em prova?


Gabarito: Certo

36. CESPE – MPU – Analista – 2013

No que concerne aos princípios orçamentários, julgue o item subsecutivo.


Na Lei Orçamentária Anual, a autorização, para a abertura de créditos suplementares é exceção ao princípio
orçamentário da não afetação de receita.

Comentários:

Agora o Cespe tenta fazer uma salada mista, um grande “mistureba”, das exceções. 😅

As exceções ao princípio da não afetação da receita de impostos são:


1. Repartição constitucional do produto da arrecadação dos impostos;

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2. Destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;


3. Destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde;
4. Destinação de recursos para a realização de atividades da administração tributária;
5. Prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita (ARO);
6. Prestação de garantia ou contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta.

É o nosso já conhecido mnemônico RESA GaGa.

Perceba que a autorização para a abertura de créditos suplementares não é exceção a esse princípio. Na
verdade, ela é exceção ao princípio da exclusividade, segundo o qual o orçamento não conterá dispositivo
estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, mas não somente isso. Duas exceções são feitas. São
elas:

• Autorização para abertura de créditos adicionais suplementares (só os suplementares);


• Autorização para contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita
orçamentária (ARO).
Gabarito: Errado

37.CESPE – MPOG – Técnico – 2013


O cumprimento do princípio orçamentário da discriminação ou especialização dificulta a fiscalização
parlamentar.
Comentários:

Dificulta? É justamente o contrário: facilita!


O princípio da especificação (discriminação) surgiu para proporcionar maior transparência ao processo
orçamentário e facilitar o acompanhamento e controle do gasto público, evitando a famosa “ação guarda-
chuva”, que é genérica e abrange tudo no mundo! 😅

Lembre daquele exemplo em que você e seus amigos foram ao barzinho e seu amigo pediu leite. É mais
fácil fiscalizar a conta se ela agrupar tudo em um bloco só (chamado “bebidas”) ou se ela discriminar os itens,
um por um? Se discriminar, é claro! E no orçamento público é do mesmo jeito: receitas e despesas
discriminadas (detalhadas) facilitam a fiscalização parlamentar (e o controle social também).
Gabarito: Errado

38. CESPE – MME – Assistente Financeiro – 2013

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Assinale a opção correta com relação aos princípios orçamentários. Nesse sentido, considere que a sigla LOA,
sempre que utilizada, se refere a lei orçamentária anual.
a) O princípio da unidade prevê que a LOA deverá conter os valores brutos de todas as receitas e todas as
despesas.
b) O princípio da universalidade garante que a LOA deverá ser única no âmbito de atuação de cada ente
federativo.
c) O princípio da uniformidade prevê que a LOA apresente e conserve uma estrutura que permita a comparação
ao longo dos diversos exercícios e mandatos.
d) Consta no princípio da legalidade que a vigência da LOA deve ser limitada a um ano-calendário, iniciando-se
em 1.º de janeiro e terminando em 31 de dezembro.
e) De acordo com o princípio da anualidade, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa,
senão em virtude de lei.
Comentários:
Vamos às alternativas:
a) Errado. Esse é o princípio do orçamento bruto. O princípio da unidade prevê que o orçamento seja
uno. Cada ente federativo, em cada exercício financeiro, deverá ter somente um único orçamento.

b) Errado. Como as bancas adoram trocar os princípios da unidade e da universalidade... 😌 O princípio


da universalidade garante que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de cada ente federado deverá conter todas as
receitas e as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas pelo
poder público.
c) Certo. O princípio da uniformidade está preocupado com a padronização de uma estrutura, que
permita comparações ao longo dos diversos exercício financeiros. Está preocupado com a comparabilidade!

d) Errado. Esse é o princípio da anualidade (periodicidade) e no sentido adotado no Brasil, porque, em


seu sentido histórico, esse princípio não está relacionado com o ano civil.
e) Errado. O examinador só inverteu os conceitos constantes da alternativa “d” e “e”. Pelo princípio da
legalidade, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei.
Gabarito: C

39. CESPE – FUB – Assistente em administração – 2013

Julgue os itens a seguir, a respeito dos princípios orçamentários.


O orçamento deve atender ao requisito de uniformidade no que se refere ao aspecto formal para permitir a
comparabilidade ao longo dos exercícios financeiros.
Comentários:
Exatamente! O princípio da uniformidade está preocupado com a comparabilidade!

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Por isso, ele requer que o orçamento mantenha uma mínima padronização na apresentação de seu
conteúdo e conserve, ao longo dos exercícios financeiros, uma estrutura que permita comparações entre os
sucessivos mandatos.
Gabarito: Certo

40. CESPE – TCE-ES – Auditor – 2012

No que se refere à atuação do Estado nas finanças públicas e ao orçamento público, julgue o item que se segue.
A abrangência do princípio orçamentário da não vinculação de receitas restringe-se às receitas de impostos.
Comentários:

É isso mesmo! De acordo com o princípio da não afetação (não vinculação) da receita de impostos (o
nome já diz tudo...): é vedada a vinculação de receita de impostos (não de todos os tributos) a órgão, fundo
ou despesa, ressalvadas exceções previstas na CF/88.
Gabarito: Certo

41. CESPE – EBC – Analista – 2011


O princípio da não afetação da receita veda a vinculação de receita de impostos, taxas e contribuições a
despesas, fundos ou órgãos.
Comentários:
Mais uma vez... viu como o Cespe gosta desse princípio?
De acordo com a CF/88, existem 5 (cinco) espécies de tributos (“teoria pentapartida”) e os impostos são
somente uma das espécies de tributos. Tributo é mais abrangente, é gênero. Imposto é uma espécie do
gênero tributo.
Muito bem, como o próprio Cespe já disse: “a abrangência do princípio orçamentário da não vinculação
de receitas restringe-se às receitas de impostos” ou “o princípio orçamentário da não afetação (...), no Brasil, é
aplicável somente às receitas de impostos (...)”.
Portanto, produto da arrecadação dos impostos não pode ser vinculada (salvo as exceções
constitucionais), mas o produto da arrecadação das demais espécies tributárias (como as taxas e
contribuições) pode sim ser vinculado, ao contrário do que afirma a questão.
Gabarito: Errado

42. CESPE – TRE-BA – Analista Judiciário – 2010

Julgue o próximo item de acordo com o disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal, quanto à utilização de
recursos legalmente vinculados.

Os recursos legalmente vinculados a uma finalidade específica devem ser utilizados exclusivamente para
atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso.

Comentários:
Exatamente! Essa questão é uma cópia do artigo 8º da LRF:

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Art. 8, parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados
exclusivamente para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em
que ocorrer o ingresso.

Vinculou? Está vinculado! Mesmo que vire o ano!


Gabarito: Certo

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Questão Resposta Errei Dúvida Questão Resposta Errei Dúvida


1 22
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3 24
4 25
5 26
6 27
7 28
8 29
9 30
10 31
11 32
12 33
13 34
14 35
15 36
16 37
17 38
18 39
19 40
20 41
21 42

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Lista de questões – CESPE


1. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018
De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.

O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um único exercício financeiro.

2. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018

De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.
Cada ente da Federação deve possuir apenas um orçamento, estruturado de maneira uniforme.

3. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018


De acordo com os princípios que regulam o orçamento público, julgue o item seguinte.
A lei orçamentária deverá conter todas as receitas e despesas previstas no ano civil.

4. CESPE – IPHAN – Analista– 2018

Acerca das noções elementares de orçamento público, julgue o item a seguir.


O princípio do orçamento bruto constitui um pressuposto básico do princípio da universalidade.

5. CESPE – IPHAN – Analista– 2018

Acerca das noções elementares de orçamento público, julgue o item a seguir.


Novas categorias de programação da lei orçamentária podem ser utilizadas sem se desrespeitar o princípio da
uniformidade.

6. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018


Acerca dos princípios orçamentários, julgue o item seguinte.

Quando o Poder Legislativo local não consegue apreciar, discutir, votar e aprovar a lei orçamentária no prazo
determinado — dezembro de todo ano —, o ente federativo inicia o exercício financeiro seguinte em
descumprimento ao princípio da anualidade.

7. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018

Operação de transferência de recursos entre entes federativos não fere o princípio do orçamento bruto. Nesse
caso, os recursos deverão ser incluídos como despesa no orçamento do ente que transfere e, como receita, no
orçamento daquele que os receber.

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8. CESPE – IPHAN – Auxiliar institucional– 2018

Acerca dos princípios orçamentários, julgue o item seguinte.


Pelo princípio do equilíbrio, o ente que apresenta déficit orçamentário em exercício financeiro está impedido
de contratar quaisquer operações de crédito no exercício subsequente, até que consiga equilibrar a diferença
entre despesas e receitas.

9. CESPE – EMAP – Analista Portuário - Financeira e Auditoria Interna– 2018

No que se refere a tributos, julgue o item a seguir.


Contribuição de melhoria, um imposto decorrente de melhorias advindas de obras públicas, atende ao princípio
da não afetação da receita pública.

10. CESPE – EMAP – Analista Portuário - Financeira e Auditoria Interna– 2018


No que se refere a tributos, julgue o item a seguir.

O empréstimo compulsório, criado para atender a despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública,
de guerra externa ou iminente, é um imposto que atende ao princípio da não afetação da receita pública.

11.CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2018


Acerca dos fundamentos de administração financeira e orçamentária, julgue o item a seguir.
Os princípios da unidade e da universalidade são válidos, ainda que haja orçamentos diferentes no âmbito de
cada ente da Federação.

12. CESPE – STJ – Analista Judiciário – 2018

A respeito das técnicas, dos princípios e do ciclo orçamentários, julgue o item a seguir.
A publicação do orçamento em diário oficial é o ato que garante o cumprimento do princípio orçamentário da
clareza.

13.CESPE – TCM-BA – Auditor Estadual de Controle Externo – 2018


O prefeito de determinado município brasileiro encaminhou proposta de lei orçamentária anual contendo
apenas as receitas e despesas públicas correntes e, em mensagem à câmara de vereadores, informou que
encaminharia no mês seguinte o plano de trabalho do governo referente à política financeira do município.
Nessa situação hipotética, a conduta do prefeito contraria o princípio

A) da universalidade.
B) da unidade.
C) do orçamento-bruto.

D) da anualidade.
E) da exclusividade.

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14. CESPE – STM – Técnico Judiciário – 2018

Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte.


O princípio da exclusividade proíbe que a lei orçamentária contenha autorização para a contratação de
operações de crédito.

15.CESPE – STM – Técnico Judiciário – 2018


Com relação a técnicas e princípios orçamentários, julgue o item seguinte.

O princípio da não afetação das receitas veda a vinculação de tributos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas
as exceções estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.

16. CESPE – TCE-PB – Auditor de Contas Públicas - Demais Áreas– 2018


A CF prevê, expressamente, o princípio orçamentário
A) da uniformidade.

B) da exclusividade.
C) do orçamento bruto.
D) da programação.
E) da participação.

17.CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017


Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
A Constituição Federal prevê exceções a alguns princípios orçamentários, entre elas, a autorização para
abertura de créditos suplementares na lei orçamentária anual.

18. CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017

Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
O princípio da totalidade surgiu em razão da necessidade de se reformular o princípio da unidade, o qual
substituiu, tornando possível a elaboração de múltiplos orçamentos, que devem ser consolidados para a
apreciação legislativa.

19. CESPE – SEDF – Professor de Educação Básica – 2017


Acerca do orçamento público, julgue o item seguinte.
Com a finalidade de evitar a existência de orçamentos paralelos no âmbito da mesma pessoa política, foi criado
o princípio orçamentário da exclusividade, o qual determina a realização de um único orçamento. Assim,
conforme esse princípio, o orçamento deve ser uno para cada ente federado, não cabendo a existência de
múltiplos orçamentos para o mesmo ente.

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20. CESPE – TRF-1ª – Analista Judiciário: área administrativa – 2017

Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para todos
os poderes e todos os níveis de governo. A respeito desses princípios, julgue o item subsequente.
O princípio da exatidão determina que o orçamento público deva ser apresentado em linguagem compreensível
a todas as pessoas que precisem ou desejem acompanhá-lo.

21. CESPE – MPE-PI – Analista Ministerial – 2018

Na tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), um deputado federal apresentou emenda propondo a criação
de uma agência de fomento no Centro-Oeste, com o objetivo de incentivar projetos de desenvolvimento
econômico e social da região por meio da concessão de empréstimos e financiamentos.
Em decorrência de seu objetivo, a emenda proposta pelo parlamentar, nessa situação hipotética, viola o
princípio da

a) discriminação.
b) universalidade.
c) unidade.
d) exclusividade.

22. CESPE – TCE-PE – Analista de gestão: administração – 2017

A respeito do ciclo, do processo e dos princípios do orçamento público, julgue o item subsequente.
O tratamento dado aos recursos destinados à educação e à saúde constitui uma exceção ao princípio
orçamentário da não vinculação.

23.CESPE – TCE-PE – Analista de Controle Externo – 2017


Em relação às técnicas e aos princípios do orçamento público, julgue o item a seguir.
De acordo com o princípio orçamentário da não afetação — que, no Brasil, é aplicável somente às receitas de
impostos —, as receitas públicas não podem estar vinculadas a qualquer tipo de despesa pública.

24. CESPE – Prefeitura de Fortaleza – Procurador do município – 2017

Dado o princípio da universalidade, o orçamento deve conter todas as receitas e despesas da União, de qualquer
natureza, procedência ou destino, incluída a dos fundos dos empréstimos e dos subsídios. Tal princípio é de
grande importância para o direito financeiro e se concretiza na norma do art. 165, § 5.º, da CF e em diversas
constituições modernas. A respeito do orçamento público na CF e dos princípios orçamentários vigentes no
ordenamento jurídico brasileiro, julgue o item que se segue.
De acordo com o entendimento do STF, a destinação de determinado percentual da receita de ICMS ao
financiamento de programa habitacional ofende a vedação constitucional de vincular receita de impostos a
órgão, fundo ou despesa.

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25.CESPE – TCE-PE – Auditor de Controle Externo – 2017


A respeito de orçamento público, julgue o item a seguir.
Dado o princípio da anualidade orçamentária, os orçamentos públicos das diversas esferas de governo devem
ter vigência de um exercício financeiro e coincidir com o ano civil.

26. CESPE – TCE-PE – Auditor de Controle Externo – 2017

A respeito de orçamento público, julgue o item a seguir.

Em observância ao princípio da universalidade orçamentária, devem estar reunidos no orçamento estadual


todos os recursos que um estado-membro esteja autorizado a arrecadar e todas as dotações necessárias ao
custeio de serviços públicos estaduais.

27.CESPE – TRE-BA – Analista Judiciário – 2017


Acerca de orçamento público, julgue os itens a seguir.

I Os princípios orçamentários visam estabelecer regras básicas que norteiem os processos de elaboração,
execução e controle do orçamento público.
II Os princípios orçamentários são válidos para todos os poderes e para todos os entes federativos.
III O orçamento deve ser preferencialmente uno, o que não impede que cada ente governamental elabore mais
de um orçamento.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item I está certo.

b) Apenas o item II está certo.


c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens II e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

28. CESPE – TRE-PE – Analista Judiciário – 2017

O parágrafo único do artigo 20 da Lei n.º 4.320/1964, conforme o qual “os programas especiais de trabalho que,
por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa,
poderão ser custeados por dotações globais, classificadas entre as despesas de capital”, constitui uma exceção
ao princípio da
a) exclusividade.

b) universalidade.
c) unidade.
d) periodicidade.

e) especificação.

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29. CESPE – TCE-PR – Analista de controle – 2016

Assinale a opção correta, a respeito dos princípios orçamentários.


a) Na elaboração da proposta orçamentária, um dos princípios determina a não consignação de dotações
globais para as despesas, mas esse grau de detalhamento não exige a separação de valores destinados a
despesas de pessoal daquelas destinadas a serviços de terceiros, por serem ambas de mesma natureza.
b) De acordo com o dispositivo constitucional, para conferir celeridade ao processo orçamentário, a unidade
gestora deverá desenvolver sua proposta com matéria orçamentária, sem a inclusão de assuntos estranhos;
caso esse protocolo seja quebrado, a unidade gestora estará descumprindo o denominado princípio da
universalidade.
c) As finalidades do princípio da discriminação incluem fornecer detalhamento de receitas e despesas e prestar
suporte ao trabalho daqueles que fiscalizam as finanças públicas.

d) Auxiliar o controle parlamentar no que se refere às ações do executivo constitui uma das funções dos
princípios orçamentários, motivo pelo qual esses princípios são tratados como mandamentos, sem admissão
de ressalvas.
e) Conforme o princípio da anualidade, as previsões de receitas e de despesas se referem sempre a um período
limitado de tempo, denominado exercício financeiro. Se os parlamentares não aprovam o orçamento no prazo
determinado, o orçamento do exercício seguinte se inicia descumprindo o referido princípio.

30. CESPE – TRT-8ª – Técnico Judiciário– 2016

Os valores estabelecidos para a efetivação das despesas autorizadas deverão ser proporcionais aos valores
previstos para a arrecadação das receitas. Essa afirmativa faz referência ao princípio orçamentário do(a)
a) equilíbrio.

b) exclusividade.
c) orçamento bruto.

d) proibição e estorno.
e) programação.

31.CESPE – Prefeitura de Salvador – Procurador do município – 2015


Assinale a opção correta no que diz respeito aos princípios orçamentários.
a) A criação de créditos adicionais — suplementares ou especiais — está sujeita a previsão na lei orçamentária,
em razão do princípio da unidade.
b) A divisão do orçamento em três peças — LOA, LDO e lei do PPA — constitui exceção ao princípio da unidade
orçamentária.
c) Conforme o princípio da exclusividade de matéria orçamentária, somente pode constar do orçamento
matéria pertinente às previsões de receitas e despesas, não se admitindo as chamadas caudas orçamentárias
nem a previsão de operações de crédito por antecipação de receita.

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d) Os orçamentos e créditos adicionais somente poderão ser aprovados por lei formal, sendo vedada a edição
de medida provisória que verse sobre matéria orçamentária.
e) O orçamento deve atender a determinados princípios, entre os quais os da unidade, da universalidade, da
anualidade, da proibição de estorno, da não afetação de receita e da exclusividade de matéria orçamentária.

32.CESPE – MPOG – Administrador – 2015


Julgue o próximo item, a respeito de orçamento público.
A vinculação legal entre recurso e objeto é restrita ao exercício de ingresso do recurso, sendo desfeita no
exercício subsequente.

33.CESPE – FUB – Auditor – 2015


Com relação aos princípios orçamentários, julgue o item a seguir.
O princípio orçamentário da não afetação veda a vinculação de impostos a órgão, fundo ou despesa, sem
ressalvas de repartição do produto da arrecadação.

34. CESPE – MDIC – Analista Técnico – 2014


No que se refere ao orçamento público como ferramenta de atuação do governo nas finanças públicas, julgue
os próximos itens.
O princípio orçamentário da legalidade é estabelecido pela norma constitucional segundo a qual é vedada a
realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital. Serão ressalvadas,
porém, as operações de crédito autorizadas com finalidade precisa, mediante créditos suplementares ou
especiais aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.

35.CESPE – FUB – Assistente em Administração – 2013


Julgue os itens a seguir, a respeito dos princípios orçamentários.
Apesar de o princípio da não afetação proibir as vinculações das receitas de impostos às despesas, a CF vincula
algumas dessas receitas a determinadas despesas.

36. CESPE – MPU – Analista – 2013

No que concerne aos princípios orçamentários, julgue o item subsecutivo.


Na Lei Orçamentária Anual, a autorização, para a abertura de créditos suplementares é exceção ao princípio
orçamentário da não afetação de receita.

37.CESPE – MPOG – Técnico – 2013


O cumprimento do princípio orçamentário da discriminação ou especialização dificulta a fiscalização
parlamentar.

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38. CESPE – MME – Assistente Financeiro – 2013

Assinale a opção correta com relação aos princípios orçamentários. Nesse sentido, considere que a sigla LOA,
sempre que utilizada, se refere a lei orçamentária anual.
a) O princípio da unidade prevê que a LOA deverá conter os valores brutos de todas as receitas e todas as
despesas.
b) O princípio da universalidade garante que a LOA deverá ser única no âmbito de atuação de cada ente
federativo.
c) O princípio da uniformidade prevê que a LOA apresente e conserve uma estrutura que permita a comparação
ao longo dos diversos exercícios e mandatos.
d) Consta no princípio da legalidade que a vigência da LOA deve ser limitada a um ano-calendário, iniciando-se
em 1.º de janeiro e terminando em 31 de dezembro.

e) De acordo com o princípio da anualidade, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa,
senão em virtude de lei.

39. CESPE – FUB – Assistente em administração – 2013


Julgue os itens a seguir, a respeito dos princípios orçamentários.
O orçamento deve atender ao requisito de uniformidade no que se refere ao aspecto formal para permitir a
comparabilidade ao longo dos exercícios financeiros.

40. CESPE – TCE-ES – Auditor – 2012

No que se refere à atuação do Estado nas finanças públicas e ao orçamento público, julgue o item que se segue.
A abrangência do princípio orçamentário da não vinculação de receitas restringe-se às receitas de impostos.

41. CESPE – EBC – Analista – 2011

O princípio da não afetação da receita veda a vinculação de receita de impostos, taxas e contribuições a
despesas, fundos ou órgãos.

42. CESPE – TRE-BA – Analista Judiciário – 2010

Julgue o próximo item de acordo com o disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal, quanto à utilização de
recursos legalmente vinculados.
Os recursos legalmente vinculados a uma finalidade específica devem ser utilizados exclusivamente para
atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso.

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Gabarito - CESPE
1. Certo 15. Errado 29. C
2. Certo 16. B 30. A
3. Certo 17. Certo 31. E
4. Certo 18. Errado 32. Errado
5. Certo 19. Errado 33. Errado
6. Errado 20. Errado 34. Errado
7. Certo 21. D 35. Certo
8. Errado 22. Certo 36. Errado
9. Errado 23. Certo 37. Errado
10. Errado 24. Certo 38. C
11. Certo 25. Errado 39. Certo
12. Errado 26. Certo 40. Certo
13. B 27. C 41. Errado
14. Errado 28. E 42. Certo

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Resumo direcionado
Os princípios orçamentários norteiam a elaboração e a execução do orçamento público e são válidos para
todos os poderes e todos os níveis de governo”.

Princípio do(a) Descrição

Unidade (Totalidade) O orçamento deve ser uno. Cada ente federativo, em cada exercício financeiro,
deverá ter somente um único orçamento.

Universalidade A LOA de cada ente federativo deverá conter todas as receitas e as despesas.
(Globalização)

Exclusividade A LOA não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da


despesa. Exceções: autorização para créditos adicionais suplementares e
operações de crédito (ainda que por ARO).

Orçamento bruto Todas as receitas e despesas constarão da LOA pelos seus valores totais, vedadas
quaisquer deduções. Registra-se pelos seus valores brutos, e não pelos seus valores
líquidos.

Anualidade O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período de


(Periodicidade) tempo, geralmente de 12 meses, chamado de exercício financeiro. Exceções:
créditos especiais e extraordinários autorizados nos últimos quatro meses do
exercício poderão ser reabertos, nos limites de seus saldos, e incorporar-se-ão ao
exercício financeiro subsequente.

Legalidade Cabe à Administração Pública fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei
expressamente autorizar. PPA, LDO, LOA e créditos suplementares e especiais são
leis. Exceção: créditos extraordinários.

Publicidade O conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) em veículos oficiais de


(Transparência) comunicação para conhecimento do público e para a eficácia de sua validade.

Não vinculação (Não É vedada a vinculação de receita de impostos (não de todos os tributos) a órgão,
afetação) da Receita de fundo ou despesa, ressalvadas exceções previstas na CF/88.
Impostos

Especificação Na LOA, as receitas e despesas devem ser discriminadas (detalhadas). Exceções:


(especialização ou Programas Especiais de Trabalho (PET) e Reserva de Contingência.
discriminação)

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Não confundir o princípio da Unidade com o princípio da Universalidade:

• Princípio da Unidade (Totalidade): TOTAL = 1. Orçamento é uno;


• Princípio da Universalidade (Globalização): universo. O orçamento deve contar todas as receitas e
despesas.

Exceções ao princípio da anualidade (periodicidade):

Art. 167, § 2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem
autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso
em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro
subsequente.

janeiro-18 junho-18 dezembro-18 junho-19 dezembro-19

Créditos ordinários

Créditos suplementares

Créditos especiais

Créditos extraordinários
setembro-18
Créditos especiais (últimos quatro meses)

Créditos extraordinários (últimos quatro meses)

Princípio da Legalidade e Princípio da Publicidade: ambos estão dentre os princípios básicos da


Administração Pública (LIMPE: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência).

O orçamento público brasileiro é autorizativo, mas possui traços de orçamento impositivo. Lembre-se da
Vampira do X-Men!

Exceções ao princípio da Não vinculação (Não afetação) da Receita de Impostos: RESA GaGa

7. Repartição constitucional do produto da arrecadação dos impostos;


8. Destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;
9. Destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde;
10. Destinação de recursos para a realização de atividades da administração tributária;
11. Prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita (ARO);
12. Prestação de garantia ou contragarantia à União e pagamento de débitos para com esta.

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DRU (Desvinculação de Receitas da União): EC 93/16 prorrogou o prazo para desvinculação até 31/12/2023
e trouxe novidades:

União Estados, DF e Municípios

Antes Depois Antes Depois

Impostos 20% Zero - 30%

Contribuições
20% 30% - -
sociais

CIDE 20% 30% - -

Taxas - 30% - 30%

Multas - - - 30%

Princípio da especificação (especialização ou discriminação): hoje, na LOA, as despesas devem ser


detalhadas até a modalidade de aplicação.

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