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Estudos e Cenários

| mai. 2007 |
Raio X da Integração Regional

Marcelo Coutinho
Coordenador do OPSA

Andrea Ribeiro Hoffmann


Professora da PUC-Rio

Regina Kfuri
Pesquisadora do OPSA

Estudos e Cenários

Publicação do OPSA sem periodicidade pré-determinada e voltada para discussões


aprofundadas de temas relativos à região.
Estudos e Cenários | mai. 2007

Observatório Político Sul-Americano


Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro IUPERJ/UCAM
http://observatorio.iuperj.br

Raio X da Integração Regional

Sumário Executivo................................................................................................ 4

I - Introdução ...................................................................................................... 6

II - Aspectos Conceituais ....................................................................................... 7

Integração Regional, Cooperação Internacional......................................................... 7

Instituições Internacionais ..................................................................................... 9

Processo de institucionalização ............................................................................. 13

III - Indicadores de integração regional e sua operacionalização ............................... 16

Indicadores econômicos ...................................................................................... 19

Indicadores politico-institucionais ......................................................................... 19

Indicadores sociais ............................................................................................. 20

IV - Análise do nível de integração do Mercosul....................................................... 21

Fase I – 1991 a 1997 : a criação do Mercosul ......................................................... 22

Fase II – 1998 a 2002: crise no processo de integração ........................................... 27

Fase III – a partir de 2003 : revitalização do Mercosul ............................................. 32

V – Conclusão .................................................................................................... 38

VI - Bibliografia ........................................................................................................................ 54

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SUMÁRIO EXECUTIVO

O principal objetivo deste estudo é desenvolver indicadores que contribuam para a


avaliação do nível de integração do Mercosul. A pesquisa parte da premissa que o
Mercosul não pode ser considerado um caso sui generis de integração regional, e
sim um exemplo de organização de integração regional (OIR) assim como, por
exemplo, a União Européia, ou a Comunidade Andina de Nações. Embora cada uma
dessas organizações possua características e dinâmicas particulares, e se encontre
em momentos distintos de seu processo de integração, elas são entidades passíveis
de serem comparadas, pois pertencem a um mesmo grupo ontológico. Neste
sentido, embora os indicadores sejam desenvolvidos para serem aplicados no
Mercosul, e tenham sido selecionados parcialmente de forma indutiva, a partir da
análise da história e práticas do Mercosul, ele poderia potencialmente ser aplicado
para outros casos de processos de integração regional. A análise do nível de
integração do Mercosul entre 1991 e 2006 permite traçar um amplo panorama do
processo e dividí-lo em três fases distintas.

Fase I – 1991 a 1997 : a criação do Mercosul

A primeira fase, que compreende o período entre 1991 e 1997, é de formação da


estrutura institucional do Mercosul. A ênfase é dada ao aspecto comercial do
processo de integração, com a criação de órgãos destinados a tratar do tema.
Nesse período são criados os órgãos centrais para a estrutura institucional do
Mercosul, como o Conselho do Mercado Comum (CMC), o Grupo Mercado Comum
(GMC), a Comissão de Comércio do Mercosul (CCM) e a Secretaria Administrativa
do Mercosul (SAM). Essa também é uma fase de expansão do comércio entre os
membros do Mercosul. Entre 1991 e 1997, o intercâmbio comercial intra-Mercosul
cresce 302% e chega a responder por 23% do total comercializado por esses
países. No âmbito das relações externas do bloco, a análise dos padrões de votação
na Assembléia Geral (AG) da ONU sugere que havia, nessa fase, pouca
preocupação em coordenar políticas ou apresentar posições coesas.

Fase II – 1998 a 2002: crise no processo de integração

A segunda fase, que vai de 1998 a 2002, foi um período de crise. Em termos
econômicos e comerciais, 2002 pode ser considerado o ano crítico, com uma queda

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acentuada no volume de trocas comerciais entre Estados. O PIB dos quatro países
também caiu nesse período, atestando uma fase de crise econômica geral. O nível
mais baixo atingido pelo PIB dos quatro países durante toda a história do Mercosul
aconteceu em 2002. Emergem nessa fase diversos conflitos entre os Estados
membros, que são levados à arbitragem dos mecanismos de solução de
controvérsias do bloco regional. É interessante notar que apesar das crises
econômicas e dos conflitos entre os Estados membros, a estrutura institucional do
Mercosul não deixou de funcionar, embora tenha avançado pouco em termos de
criação de novos órgãos, durante essa fase. Um número significativo de diretrizes
da CCM entrou em vigor nesse período, algumas criadas no período anterior. No
âmbito das relações externas, o bloco demonstrou maior coesão nessa fase do que
no período anterior. A partir de 2000, há um esforço de fortalecimento e retomada
do projeto de integração. Curiosamente, no que diz respeito ao turismo interno da
região, essa é a fase de maior circulação de pessoas. O movimento ascendente no
número de turistas intrabloco, que vinha desde 1991, continua até 2000.

Fase III – a partir de 2003 : revitalização do Mercosul

Uma terceira fase se forma a partir de 2003, quando há uma retomada do processo
de integração, coincidindo com uma renovação na política doméstica dos países. A
retomada se dá com uma mudança de paradigma: aos poucos a idéia de um
Mercosul puramente comercial vai dando lugar a uma preocupação maior com a
integração física e social dos países. A criação de novos órgãos destaca a inclusão
de instituições para tratar de direitos humanos, democracia e questões sociais. Os
indicadores econômicos voltam a crescer, indicando uma nova fase positiva para o
Mercosul. O PIB somado dos quatro países do Mercosul se recupera nessa fase,
assim como os indicadores comerciais. Proporcionalmente, o comércio intrabloco
não recupera o patamar anterior à crise. Embora tenha chegado a representar 23%
do total de comércio dos países-membros, em 1997 e 1998, após o ano crítico de
2002 essa proporção se estabiliza em torno dos 15%.

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I - INTRODUÇÃO

O principal objetivo deste artigo é desenvolver indicadores que contribuam para a


avaliação do nível de integração do Mercosul. A pesquisa parte da premissa que o
Mercosul não pode ser considerado um caso sui generis de integração regional, e
sim um exemplo de organização de integração regional (OIR) assim como, por
exemplo, a União Européia, ou a Comunidade Andina de Nações. Embora cada uma
dessas organizações possua características e dinâmicas particulares, e se encontre
em momentos distintos de seu processo de integração, elas são entidades passiveis
de serem comparadas, pois pertencem a um mesmo grupo ontológico. Neste
sentido, embora os indicadores sejam desenvolvidos para serem aplicados no
Mercosul, e tenham sido selecionados parcialmente de forma indutiva, a partir da
análise da história e práticas do Mercosul, ele poderia potencialmente ser aplicado
para outros casos de processos de integração regional.

Este trabalho se insere em uma literatura que busca resgatar tentativas realizadas
na década de 60 e 70 de trabalhar com a integração regional a partir de uma
metodologia quantitativa e comparada, que será discutida adiante. Ele busca evitar
os erros cometidos então, e avançar uma proposta que possa ser ampliada,
adaptada, ou modificada à medida que isso seja necessário ou desejável.

O principal objetivo do desenvolvimento de indicadores de integração regional é o


fornecimento de informações empíricas em uma perspectiva temporal que possam
ser utilizadas em análises, críticas, políticas governamentais e atividades da
sociedade civil relacionadas ao processo de integração em curso. O trabalho não
parte, portanto, de nenhuma premissa a respeito da desejabilidade dos processos
de integração regional; ele não defende ou critica o Mercosul; ele visa desenvolver
um instrumento que possa ser o mais objetivo possível, mesmo reconhecendo
limites inerentes a qualquer pesquisa a este respeito. O objetivo do trabalho se
limita a desenvolver um instrumento, que possa ser utilizado por diversos atores
para atingirem diversos interesses. Para a compreensão da utilidade do
desenvolvimento de indicadores de integração regional, e de suas limitações, é
necessário que se analise alguns conceitos essenciais que tem sido objeto da
literatura especializada. Eles são apresentados a seguir na sessão 2. A sessão 3
apresenta os indicadores de integração regional e sua operacionalização, e a sessão
4, a mensuração empírica nível de integração do Mercosul no período histórico de
1991 a 2006.

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II - ASPECTOS CONCEITUAIS

2.1 Integração Regional, Cooperação Internacional

O conceito de integração regional é complexo. A integração pode ser definida como


um processo ao longo do qual atores, inicialmente independentes, se unificam, ou
seja, se tornam parte de um todo, no caso, de um sistema político, de tomada de
decisão, comum. Os atores envolvidos em um processo de integração podem ser
governamentais ou não-governamentais, e além disso, podem ser nacionais,
subnacionais ou transnacionais. Um exemplo de ator nacional governamental são
as instituições do poder executivo dos Estados. Já entre os atores nacionais não-
governamentais, podem ser citadas federações nacionais de indústria ou comércio e
ONGS de abrangência nacional. Entre os atores subnacionais governamentais,
encontram-se os governos estaduais e municipais, e entre os atores subnacionais
não governamentais, ONGs locais e federações estaduais de indústria ou comércio.
Um exemplo de ator governamental transnacional são as organizações
transnacionais compostas por prefeitos ou governadores. Finalmente, atores
transnacionais não-governamentais seriam, por exemplo, ONGs internacionais e
redes acadêmicas compostas por membros de dois ou mais Estados. Partindo deste
conceito de integração, pode-se definir a integração regional, como “um processo
dinâmico de intensificação em profundidade e abrangência das relações entre
atores levando à criação de novas formas de governança político-institucionais de
1
escopo regional” (Herz & Ribeiro Hoffmann, 2004: 168).

A integração regional, como definida neste trabalho, envolve a criação de


organizações internacionais formais, estabelecidas em um acordo constituinte, e
que possuem sedes físicas. Embora essas organizações internacionais sejam criadas
por Estados, e neste sentido sejam organizações intergovernamentais, elas podem
ter instituições supranacionais que exerçam funções legislativas, executivas ou
judiciárias. O maior exemplo de organização regional supranacional é a União
Européia, já que possui várias características supranacionais, tais como: processos
de tomada de decisão por maioria, direito comunitário, órgãos que tem autonomia,
e cujos representantes atuam em nome da União Européia, e não de seus Estados
membros. O Mercosul pode ser definido como uma organização intergovernamental
já que todas suas decisões são tomadas por consenso, suas normas são

1
Embora alguns autores, principalmente os neofuncionalistas (Haas 1958, Nye 1966), definam
integração e a distingam do conceito de cooperação pelo componente supranacional, esta definição não
parece adequada, dado que a maioria das organizações de integração regional são estritamente inter-
governamentais.

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consideradas direito internacional, e somente representantes dos Estados membros


atuam nas suas instituições. As únicas instituições do Mercosul que poderiam ser
consideradas como contendo algumas características supranacionais são o Tribunal
Permanente de Revisão e a Secretaria Técnica, mas a última não possui poderes, e
o primeiro é apenas uma etapa, e não necessária, do processo de solução de
controvérsias. O Parlamento, embora possa ser classificado como supranacional, já
que suas decisões serão tomadas por maioria, não possui poder legislativo. É
interessante notar que características supranacionais ou intergovernamentais não
são estáticas, elas podem mudar ao longo do tempo, e alterar o peso entre os
Estados membros e instituições regionais no processo decisório da organização de
integração regional.

Outro aspecto importante sobre o nível de cooperação/integração de um processo


de integração regional é que ele não pode ser avaliado de uma forma compacta,
única, e sim desmembrado em várias características particulares, que podem ser
vistas como indicadores temáticos. Para que o nível total de integração possa ser
analisado é necessário atribuir a importância relativa de cada indicador. A
importância relativa entre os indicadores somente pode ser determinada a partir de
premissas teóricas que busquem explicar a dinâmica dos processos de integração. 2
Alternativamente, os indicadores podem ser analisados individualmente, e de forma
que indiquem pelo menos se naquela característica particular, o processo de
integração está progredindo ou não. Como foi explicitado, este trabalho se limita a
esta segunda opção, ou seja, selecionar indicadores da forma mais ampla possível
e analisá-los individualmente. A formação de um índice geral fica a critério de cada
pesquisador que queira utilizar as informações empíricas levantadas, que pode,
portanto, selecionar algumas entre as variáveis, e atribuir seu peso relativo como
lhe for conveniente.

Outro aspecto importante para a mensuração do grau de cooperação/integração, é


que para os indicadores normativos e institucionais, dois níveis precisam ser
distinguidos: por um lado, as normas e instituições criadas, e por outro lado, as
normas e instituições que foram implementadas e que “funcionam”, que “viraram
realidade” (Pena 2003). Este aspecto costuma ser negligenciado nos estudos da
União Européia (Borzel 2003), mas, dada a ausência de um direito comunitário
regional e de instrumentos efetivos para garantir a aquiescência no Mercosul, é
essencial para a sua análise. Não bastaria, portanto, se observar as intenções
declaradas dos Estados, ou mesmo as decisões tomadas nos órgãos deliberativos,

2
As principais perspectivas teóricas de integração regional são o funcionalismo, neo-funcionalismo,
intergovernamentalismo liberal, neo-institucionalimos, e governanca multinível, e serão vistas adiante
com mais detalhes.

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os novos órgãos criados, mas principalmente se observar se os Estados estão


cumprindo e implementado essas decisões.

Dada a importância das instituições internacionais (regionais) nos processos de


integração regional, é essencial que se defina o que são instituições internacionais,
e que se entenda como, e por que, elas são criadas, ou seja, como, e por que,
objetivos e/ou práticas são progressivamente explicitadas, formalizadas,
institucionalizadas. Ambas as questões são tratadas a seguir.

2.2 Instituições Internacionais

Existem várias definições para o termo “instituições”, já que elas são tratadas por
praticamente todas as disciplinas das Ciências Sociais tais como Ciência Política,
Sociologia, Antropologia, Direito, Economia, História, Geografia, Relações
Internacionais. Dada a área temática da presente pesquisa, serão abordados com
mais profundidade apenas os conceitos e o debate teórico nas Relações
Internacionais e sua sub-área Integração Regional, e quando essencial, na Ciência
Política.

Como destacado por Rosamond (Rosamond 2000:115), não há uma definição única
para instituições, ela depende em grande medida da perspectiva teórica adotada
por cada autor. Desta forma, perspectivas racionalistas tendem a definir instituições
como entidades formais e legais, ou normas que imponham obrigações sobre os
atores em consideração; organizações internacionais e instrumentos jurídicos são
privilegiados. Já autores partindo de perspectivas sociológicas, tendem a definir
instituições de forma mais abrangente, incluindo também aspectos cognitivos e
códigos de comportamento. Uma das definições clássicas nesta linha é a de J.G.
March e J.P. Olsen: “coleção de práticas e regras relativamente estáveis que
definem o comportamento apropriado de grupos específicos de atores em
determinadas situações“ (March & Olsen, 1998: 948).

Os estudos de Integração Regional sempre trataram a questão das instituições


internacionais. A principal referência é o Neofuncionalismo, desenvolvido por Ernst
Haas e seus colegas e discípulos tais como Joseph Nye, Philippe Schmitter, Leon
Lindberg e Stuart Scheingold, com o objetivo de entender e explicar o processo em
curso na Europa Ocidental no Pós-Guerra (Haas 1958, Nye 1966, Schmitter 1969,
Lindberg 1963, Scheingold 1965). O Neofuncionalismo pode ser definido como uma
perspectiva desenvolvida a partir de premissas federalistas (Burguess 2000) e

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funcionalistas (Mitrany 1943), desenhada para explicar e guiar o processo de


integração na Europa Ocidental, que se encontrava então nos seus primeiros anos.

Apesar do eurocentrismo, o Neofuncionalismo se definia como uma perspectiva de


integração regional abrangente, e por isso seus estudiosos desenvolveram
pesquisas comparadas, incluindo os processos em curso na América Latina (Haas
1961, Haas & Schmitter 1964, Nye 1966, 1968, 1971). Esta perspectiva foi, no
entanto, bastante criticada no final da década de 60, tanto em termos teóricos,
pelos intergovernamentalistas tais como Stanley Hoffmann (Hoffmann 1963, 1964,
1965, 1966), como empíricos, devido à crise pela qual passou o processo de
integração no período, que ficou sendo conhecido como “eurosclerose”.

As principais premissas e conceitos do Neofuncionalismo foram então revistas


(Haas 1968, Lindberg & Scheingold 1970, Nye 1970, Schmitter 1970), mas sem
sucesso, a perspectiva caiu em desuso, e chegou a ser chamada de obsoleta pelo
próprio Haas (Haas 1975). O autor defendeu que as políticas e instituições
européias, não estavam mais buscando avançar uma união política, e sim estavam
tentando lidar com a crescente interdependência internacional, que ele se referiu
como “turbulência”. Para Haas, neste cenário, as teorias de integração regional
deveriam ser subordinadas a teorias gerais de interdependência.

Com o descrédito das teorias de integração, a União Européia passou a ser


estudada cada vez mais como um sistema político, principalmente por
comparativistas da Ciência Política que passaram a ser chamados de
“europeinistas”, destacando suas semelhanças e diferenças com Estados Nacionais
(Hix 1994) ou sua especificidade como um sistema de governanca multinível
(Marks et al 1996).

A maioria dos estudiosos das relações internacionais redirecionou suas energias


para os estudos de interdependência e regimes internacionais (Sangiovanni
2006:101). As obras clássicas sobre a interdependência foram os dois livros
publicados por Joseph Nye juntamente com Robert Keohane em 1971 e 1977. Os
autores definem interdependência a partir do conceito de reciprocidade, ou seja, as
relações entre os atores da política mundial se caracterizam pelos efeitos um nos
outros de seu comportamento. Essas relações, por não serem necessariamente
benéficas para todos, geram custos e conflitos. Neste ponto é que entram as
instituições, que podem facilitar a coordenação de políticas e cooperação entre os
atores da política mundial, reduzindo os custos da interdependência. (Nogueira &
Messari 2005:81-88). As perspectivas da interdependência, no entanto, também
foram desacreditadas por não terem sido capazes de prever o retorno a polarização

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na política mundial na década de 80. Como afirmam Nogueira & Messari, “não havia
sinais concretos, como sugeriram Keohane e Nye, de mudança no sentido de um
sistema mais interligado e interdependente, “governado” por meio de organizações
e regimes de cooperação (ibid:89). O papel das instituições internacionais passou a
ser qualificado, e o debate teórico Na disciplina de Relações Internacionais passou a
ser dominado por perspectivas neo-realistas, para quem as instituições não passam
de “barcos vazios”, existindo apenas quando do interesse das potencias
hegemônicas (Mersheimer 1990, 1995)

Na Ciência Política, entretanto, os estudos sobre as instituições foram retomados


principalmente com os trabalhos de J.G. March e J.P. Olsen (March & Olsen 1984,
1989) e P.A Hall e R.C.R. Taylor (Hall & Taylor 1996), referidos como Neo-
institucionalistas. Como discorrem estes autores, entre as perspectivas neo-
institucionalistas podem-se destacar três vertentes: racionalistas, históricas, e
sociológicas (esta última frequentemente equiparadas ao Construtivismo), vistas
com mais detalhes abaixo.

A retomada dos estudos institucionalistas na Ciência Política acabou por influenciar


os teóricos das Relações Internacionais: Robert Keohane, por exemplo, elaborou
uma nova perspectiva a partir da perspectiva de interdependência, o Neoliberalismo
Institucional, de base racionalista (Keohane 1984), deslanchando o chamado
“debate Neo-Neo” nas Relações Internacionais (Baldwin 1993).

Nos estudos sobre a União Européia, vários autores desenvolveram análises Neo-
institucionalistas (Pollack, 1999; Aspinwall & Schneider 2001). A volta da discussão
sobre instituições também tive por efeito ressuscitar o Neofuncionalismo (Schmitter
2004). Ernst Haas chegou a escrever um artigo sobre a relação entre o
Construtivismo e o Neofuncionalismo, defendendo a proximidade entre as duas
perspectivas teóricas, e contribuindo para o resgate da última (Haas 2001).

A principal questão no debate nos estudos de Relações Internacionais e de


Integração Regional sobre as instituições é a sua relevância para o comportamento
dos atores em consideração (dependendo do nível de análise, os atores podem ser,
por exemplo, indivíduos, grupos de indivíduos, ou Estados). Apesar de variações
específicas, o ponto comum entre as perspectivas teóricas “institucionalistas“ é que
as instituições importam, ou seja, ela tem um efeito significante sobre o
comportamento dos atores em consideração.

Para as perspectivas institucionalistas racionais, as instituições são, no entanto,


apenas variáveis intervenientes, elas podem alterar os resultados políticos, mas

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não os interesses dos atores. Os institucionalistas racionais tendem a ver a política


como uma série de dilemas de ação coletiva, onde os atores, ao tentar maximizar
suas preferências levam a um resultado sub-ótimo. A cooperação institucionalizada
leva a uma melhoria dos resultados alcançados pelos participantes, já que aumenta
a eficiência, e diminui os custos da interação. Devido à expectativa de melhora dos
resultados, os atores cooperam e criam instituições, delegando competências para
que ela coordene as demandas de todos os participantes. Segundo as perspectivas
neo-institucionalistas racionais, apesar desta delegação de competência, os atores
criam mecanismos de monitoramento para controlar a instituição, e caso esta não
corresponda às expectativas, os atores que a criaram podem reformá-la ou até
mesmo extingui-la. Este processo é explicado através do conceito de “agente-
principal”, onde os atores são os “principais” e as instituições os “agentes” (Pollack
1997). O neoliberalismo institucional desenvolvido por Robert Keohane (Keohane
1984) compartilha as premissas das perspectivas neo-institucionalistas racionais.
No âmbito da integração regional, autores como Fritz Scharpf (1988), Garret (1992,
1995), Pollack (1997, 2003) e Tsebelis (1994, 1996) usaram o institucionalismo
racional para explicar o desenvolvimento da União Européia. No caso do Mercosul,
existem poucos estudos neo-institucionalistas (das três vertentes), Malamud (2003)
e Ribeiro Hoffmann (2007) sendo algumas exceções.

Para as perspectivas neo-institucionalistas sociológicas, as instituições não são


apenas variáveis intervenientes, elas podem ter um efeito constitutivo nos atores,
modificando seus interesses, e até mesmo sua identidade. Os efeitos constitutivos
das instituições operam através de dois mecanismos, processos de socialização, e
processos de aprendizado social. A socialização é um processo gradual, onde as
atitudes e crenças dos atores são lentamente, por vezes, imperceptivelmente
alteradas. Já o processo de aprendizado social é mais direto, atores mudam seus
interesses através da argumentação, deliberação e persuasão (Sangiovanni
2006:395) A lógica de reprodução de instituições não depende de sua eficiência,
mas sim de sua legitimidade. Os atores atuam com base em uma lógica
comportamental do que é apropriado, e não uma lógica puramente instrumental. A
ênfase aqui é em como as idéias e normas se tornam consensuais. Autores como
Thomas Risse (Risse 1996), Jeffrey Checkel (1999) e Thomas Christiansen
(Christiansen et al 2001) têm aplicado perspectivas institucionalistas sociológicas,
também referidas como construtivistas, no estudo da União Européia.

Finalmente, o neo-institucionalismo histórico representa um meio termo entre


racionalistas e sociológicos (Rosamond 2000:113, Sangioavnni 2006:194) e seus
principais expoentes são Theda Skocpol e Paul Pierson ( Pierson & Skocpol 2002).

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Segundo esta perspectiva, os atores podem atuar com base na lógica instrumental,
ou na lógica do comportamento apropriado, dependendo do contexto histórico e
institucional. E este contexto que, em última instância, determina os resultados
políticos. Outra característica importante destacada por esta perspectiva é que
mesmo no caso dos atores tentarem atuar de forma racional, os resultados políticos
não podem ser previsíveis, pois os atores não têm conhecimento suficiente para
antecipá-los (conseqüências não intencionais da ação). Além do conhecimento
imperfeito, os resultados do comportamento dos atores também pode ser desviado
do antecipado devido à própria existência das instituições. As instituições tendem
condicionar a trajetória dos resultados, fenômeno referido como dependência da
trajetória (path dependence). O desenvolvimento das instituições depende,
portanto, tanto das decisões dos atores como de suas próprias características e
história. Para o institucionalismo histórico, ao contrário do racional, as instituições
não são sempre eficientes, elas podem ficar presas (locked in) em trajetórias
ineficientes. O principal autor que utiliza esta perspectiva para estudar processos de
integração regional é Paul Pierson (Pierson 1996, 2000). Outros autores como
Armstrong & Bulmer (1998) e Lindner & Rittberger (2003) podem ser citados;
todos se concentraram no caso da União Européia. Para uma coletânea de estudos
usando o institucionalismo histórico neste bloco veja Meunier & MacNamara (2005).

Embora a preocupação teórica predominante nos estudos das instituições seja sua
relevância para o comportamento dos atores, um aspecto extremamente
importante, e menos explorado é o processo de institucionalização, visto a seguir.

2.3 Processo de institucionalização

O que é um processo de institucionalização? Por que determinadas práticas e


normas são institucionalizadas? Quais os diferentes tipos e níveis de
institucionalização? Estas são as perguntas essenciais para que se possa passar
para a etapa de mensuração empírica do nível de integração regional, principal
objetivo desta pesquisa.

Para March & Olsen (1998: 948), institucionalização se refere à “emergência de


instituições e comportamentos dos atores em seu âmbito“. Ainda segundo estes
autores, “o processo envolve o desenvolvimento de práticas e regras no contexto
de seu uso, e ganhou vários rótulos tais como estruturação e rotinização, que se
referem ao desenvolvimento de códigos de significados, formas de raciocínio e
resposta no contexto de seu uso“ (ibid).

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Samuel Huntington define institucionalização como o “processo através do qual as


organizações e os processos adquirem valor e estabilidade” (Huntington 1975:24). 3
O autor distingue quatro critérios de institucionalização: adaptabilidade,
complexidade, autonomia e coesão. A respeito da adaptabilidade, Huntington
defende que quanto mais adaptáveis forem as instituições, maior o nível de
institucionalização. Adaptabilidade é uma função dos desafios do ambiente e da
idade, e o êxito na adaptação abre caminho para adaptações bem sucedidas aos
desafios ambientais subseqüentes. A idade pode ser medida de três maneiras:
cronologicamente (quanto maior o tempo de existência, mais institucionalizada é a
instituição), por geração (quanto mais frequentemente a instituição tiver passado
por transições de dirigentes pacificamente, maior sua institucionalização), ou em
termos funcionais (uma organização que tiver se adaptado e sobrevivido a
mudanças em seu meio e funções principais será mais institucionalizada). Quanto
ao segundo critério, a complexidade, o autor defende que quanto mais complexa a
instituição, maior seu nível de institucionalização. A complexidade pode envolver
tanto a multiplicação de subunidades, como de objetivos, e quanto mais complexa
for a instituição, mais meios para se renovar e adaptar ela terá. O terceiro critério,
autonomia, é definido como a extensão em que a instituição existe
independentemente de agrupamentos sociais e outras instituições políticas. A
autonomia da instituição pode, portanto, ser medida pela extensão em que ela
possui valores e interesses próprios, distinguíveis dos das outras instituições e
forças sociais. Finalmente, quanto maior a coesão e união da instituição, ou seja,
sua capacidade de coordenação e disciplina, maior sua institucionalização (op.cit.
23-36).

Entre os autores focando as instituições internacionais, John Ruggie se destaca, e


distingue três níveis de institucionalização: comunidades epistêmicas (um nível
estritamente cognitivo), regimes internacionais (conjuntos de expectativas mútuas,
regras acordadas, regulamentos e planos de acordo nos quais energias
organizacionais e compromissos financeiros são alocados), organizações
internacionais formais (Ruggie, 1998:55). Um processo de institucionalização
implicaria uma idéia da passagem progressiva do primeiro para o terceiro nível.
Este último nível de institucionalização é próximo do conceito de legalização.

O conceito legalização, ou judicialização, das normas internacionais ganhou


destaque após a publicação de uma pesquisa conjunta entre diversos autores

3
Huntington define instituições como padroes de comportamento estaveis, válidos e recorrentes“, e
abrangem organizações e procedimentos. Para o autor, as comunidades políticas em sociedades
complexas dependem da força das instituições políticas , que depende, por sua vez, da extensão do
apoio dado a elas, ou seja, a medida em que elas abrangem as atividades da sociedade, e do seu nível
de institucionalização (Huntington 1975:24).

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incluindo Robert Keohane e Anne Marie Slaughter publicado no volume 54 do


periódico International Organization em 2000. Na pesquisa, os autores definem
legalização como uma forma específica de institucionalização, que implica em uma
maior proximidade entre o Direito e a Política Internacional. A legalização, ainda
segundo esses autores, pode ser analisada com base em três características: o
grau de obrigação que as normas impõem sobre os Estados; a precisão de seu
conteúdo; e o nível de delegação de poderes dos Estados para terceiros na
formulação, interpretação e implementação das normas (Goldstein et al 2000,
Abott et al 2000). Apesar do avanço que esta pesquisa representou para o debate
acerca dos processos de institucionalização e da relação entre Direito e Política
Internacional, a definição de legalização utilizada foi criticada, entre outros, por
Martha Finnemore e Toope (Finemore e Toope 2001). Segundo esses autores, o
conceito de legalização usado pela pesquisa anterior seria mais bem definido como
“burocratização jurídica” dado que se restringiu ao direito positivista e formal: seria
mais interessante, neste sentido, trabalhar com um conceito mais abrangente de
legalização, e que levasse em consideração as práticas e aspectos informais das
normas, e sobretudo, a questão da legitimidade do Direito. 4

4
Outro conceito próximo ao de legalização, também usualmente referido nos estudos de integração
regional, sobretudo da União Européia, dada a existência de um Direito Comunitario, é o de
constitucionalização (Rittberger & Schimmelfenning 2006, Weiler 1999).

15
Estudos e Cenários | mai. 2007

III - INDICADORES DE INTEGRAÇÃO REGIONAL E SUA


OPERACIONALIZAÇÃO

Como afirmado acima, o principal objetivo deste artigo é desenvolver uma


metodologia capaz de mensurar processos de integração regional. Ele não tem a
ambição de construir uma teoria que explique avanços e retrocessos dos processos
de integração, não busca selecionar variáveis e comparar seu poder explicativo em
diferentes casos de processos de integração ou diferentes períodos históricos de um
mesmo processo de integração. Desta forma, a seleção de indicadores não se
restringe a variáveis apontadas pelas teorias de integração, ela procura ser o mais
abrangente possível, desde que não se torne redundante. Os dados empíricos
coletados poderiam potencialmente ser utilizados para testar hipóteses de
diferentes teorias, ou alternativamente, para desenvolver, de forma indutiva, uma
nova teoria, mas isso seria outro trabalho.

Os indicadores selecionados são brevemente descritos abaixo. Eles estão agrupados


em três dimensões: econômica, político-institucional e social. As dimensões
englobam atividades dos governos e da sociedade civil, sendo que a última é
definida de forma ampla, incorporando entidades sem e com fins-lucrativos. Estas
dimensões, e alguns dos indicadores selecionados neste trabalho, foram utilizadas
por Joseph Nye, em um estudo comparativo dos processos de integração regional
(Nye, 1970). Este autor foi um dos primeiros estudiosos da integração regional a
defender a desagregação do conceito de integração, também adotado neste
trabalho. Nye destacou que uma das principais vantagens da desagregação é a
compreensão de que não apenas diferentes aspectos podem progredir em ritmos
diferentes, mas também que é possível que haja integração em determinadas áreas
e desintegração em outras. Isso parece ser particularmente relevante para o
Mercosul, onde alguns retrocessos são visíveis, tais como a inclusão de exceções de
produtos pertencentes a tarifa externa comum (TEC), em momentos de crises
econômicas tais como a da Argentina em 2001, por exemplo.

Em relação aos indicadores econômicos, a maioria dos estudos de integração


regional se baseia na tipologia desenvolvida por Bela Belassa em uma obra seminal
sobre as teorias de integração econômica (Belassa 1961). Desde os estudos da
década de 60, tais como o de Nye acima mencionado, até estudos recentes tais
como o de Walter Mattli (Mattli 1999) e Schirm (Schirm 2002), todos fazem
referência aos tipos ideais da “área de livre comercio”, “união aduaneira”, “mercado
comum”, “união econômica” e “integração econômica total”, cujas características
são reproduzidas na tabela abaixo.

16
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 1: Etapas de Integração Econômica segundo Bela Belassa


Ausência Tarifa Livre Harmonização Unificação
de tarifas Externa circulação de políticas de políticas
ou quotas Comum de fatores econômicas e
instituições
econômicas
Área de x
Livre
Comercio
União x x
Aduaneira
Mercado x x x
Comum
União x x x x
Econômica
Integração x x x x x
econômica
total
Fonte: Nye, 1970, p.860

No caso do Mercosul, os tratados têm por objetivo alcançar apenas o nível de


mercado comum, como o próprio nome da organização indica: Mercado Comum do
Sul. No entanto, até o presente momento ele é caracterizado como uma união
aduaneira imperfeita. Por este motivo, a maioria dos indicadores selecionados se
limita a livre circulação de fatores e nível da tarifa externa comum. Note que os
indicadores abrangem as taxas de crescimento absoluta e relativa ao resto do
mundo. Enquanto o primeiro indicador é útil para demonstrar se as economias dos
Estados membros estão ficando mais interdependentes, o segundo indica se o
crescimento intrabloco é maior ou menor do que o extrabloco e, portanto, se os
Estados membros estão se integrando mais regionalmente ou apenas
internacionalmente. Esta taxa indica, portanto, se o bloco de integração regional é
“aberto” ou “fechado”. Finalmente, foi incluído um indicador para a existência da
uma moeda comum, já que este tema tem sido debatido e desenvolvido
recentemente.

No que se refere aos indicadores político-institucionais, um primeiro grupo de


indicadores são os relativos ao desenho institucional do bloco. Como visto acima,
essas características determinam em grande medida o perfil do bloco como

17
Estudos e Cenários | mai. 2007

intergovernamental ou supranacional. A partir desta visão dinâmica da


intergovernabilidade-supranacionalidade, pode-se compreender que uma
organização de integração regional possa ter características intergovernamentais e
supranacionais ao mesmo tempo, e que essas características possam ser alteradas
ao longo do tempo através de reformas institucionais. No caso da União Européia,
isso é muito claro dado que a organização se divide em “três pilares”, desde o
Tratado de Maastricht de 1992, sendo o primeiro, o chamado pilar comunitário,
primordialmente supranacional, e tendo competências, por exemplo, nas áreas de
comércio e ajuda ao desenvolvimento, e o segundo e terceiros pilares,
primordialmente intergovernamentais, e tendo competências nas áreas de
segurança, e assuntos judiciais e policiais internos, respectivamente. Uma das
diferenças entre as políticas comunitárias e as outras é exatamente a forma como
as decisões são tomadas (maioria ou unanimidade), a obrigação de incorporação e
o controle sobre a aquiescência. A jurisdição da Corte Européia de Justiça sobre
apenas o pilar comunitário. No caso do Mercosul, as decisões em todos os órgãos e
áreas temáticas ainda e o consenso, mas esta regra pode mudar, por isso precisa
ser incorporada. Da mesma forma, o sistema judiciário, embora não seja
comunitário, tem adquirido mais poder vinculatório, e pode vir a adquirir mais. No
que se refere ao volume total de normas aprovadas nos órgãos deliberativos, como
mencionado anteriormente, embora este número seja importante, o relevante
mesmo para o Mercosul parece ser o volume de normas incorporadas, dado que
historicamente há um grande hiato entre os dois (Pena 2003).

Outra característica político-institucional importante seria um indicador da utilização


do sistema de solução de controvérsia no caso da existência de conflitos. Enquanto
na União Européia todos os casos sob competência da Corte passam pelas normas
regionais, seja quando são diretamente ou via cortes nacionais, dado que o direito
comunitário e hierarquicamente superior e de aplicação imediata, no Mercosul este
não é o caso, como exemplificado no recente caso das “papeleiras” (Magalhães
2006 ). Outro indicador relevante é a representação do bloco em instituições
internacionais, ou seja, o grau de formalização da representação do bloco em
outras instituições internacionais tais como a OMC, a ONU ou a OEA. Quatro níveis
de representação poderiam ser definidos: membro pleno; status formal de
observador; participante informal (Ribeiro Hoffmann 2007).

Finalmente, é importante averiguar se as instituições dos governos nacionais


(federais, estaduais ou municipais) têm órgãos ou indivíduos responsáveis para
lidar com assuntos de integração regional. No caso do Mercosul, parece estar
havendo uma mudança neste sentido, já que várias prefeituras e ministérios têm

18
Estudos e Cenários | mai. 2007

criado cargos de assessores internacionais. As subunidades federativas têm cada


vez mais se organizado coletivamente para participar do processo decisório, sendo
a criação recente do Foro Consultivo de Municípios, Estados Federados e Províncias,
um exemplo desta atividade.

No que se refere aos indicadores sociais, o primeiro é a livre circulação de pessoas,


que também estaria dentro do indicador de Belassa de livre circulação de fatores,
mas foi incorporado aqui como indicador social, pois envolve, além da circulação
por motivos de emprego, também turismo e estudos. Outro indicador para a
circulação de estudantes, embora menos ideal, pois indicaria a possibilidade de
circulação e não a circulação de fato, seria a harmonização do sistema educacional,
as normas de equivalência de estudo, programas de intercâmbio. Outra
característica importante é a existência de atividades culturais (música, artes
plásticas, cinema, etc.) tanto no que se refere às iniciativas conjuntas por parte da
sociedade civil, como governamentais. Aqui o indicador ideal seria o número de
eventos, mas na impossibilidade de obtenção deste dado, um substituto seriam as
políticas de promoção cultural entre os Estados membros. A criação de órgãos de
representação de empresários ou trabalhadores regional, criação de ONGS
regionais também seria um indicador importante. Finalmente, entre os indicadores
sociais estaria a existência ou não de uma identidade comum regional. Uma forma
de avaliar este indicador é através de pesquisas de opinião.

A lista de indicadores levantados segue abaixo.

Indicadores econômicos
• Comércio de bens – taxa de crescimento do fluxo de comércio de bens
intrabloco
• Comércio de serviços - taxa de crescimento do fluxo de comércio de
serviços intrabloco
• Investimentos diretos – taxa de crescimento do fluxo de investimentos
diretos intrabloco
• Volume de comércio relativo a produtos incorporados a TEC
• Harmonização da política monetária (paridade de câmbio)

Indicadores político-institucionais
• Desenho institucional do bloco – obrigatoriedade das decisões dos órgãos
legislativos e judiciários (obrigatória ou não, penalidades para não-
aquiescência); sistema de votação dos órgãos legislativos e judiciários
(unanimidade, consenso, maioria); número de funcionários concursados

19
Estudos e Cenários | mai. 2007

• Normas regionais – volume total de normas aprovadas nos órgãos


deliberativos
• Incorporação das normas regionais – taxa entre normas aprovadas e
internalizadas
• Contenciosos jurídicos entre Estados membros levados a sistemas de
solução de controvérsia extrabloco
• Representação do bloco em instituições internacionais – grau de
formalização da representação do bloco na instituição internacional (OMC,
ONU, OEA); volume total de decisões conjuntas tomadas
• Criação de órgãos responsáveis para lidar com assuntos de integração
regional nas instituições governamentais federais, estaduais ou municipais
dos Estados membros

Indicadores sociais
• Circulação de pessoas – Taxa de crescimento do fluxo de circulação de
pessoas nas áreas de turismo, trabalho e estudos universitários
• Educação – legislação nacional sobre a equivalência de diplomas e
padronização de estudos universitários
• Cultura – atividades nacionais de promoção cultural nos e/ou dos outros
Estados membros
• Entidades coletivas regionais – criação de órgãos de representação de
empresários ou trabalhadores regional, criação de ONGS regionais
• Identidade – grau de identificação dos indivíduos com a população do bloco

20
Estudos e Cenários | mai. 2007

IV - ANÁLISE DO NÍVEL DE INTEGRAÇÃO DO MERCOSUL ENTRE 1991 E


2006

Embora não tenha sido possível encontrar dados empíricos para todos os
indicadores selecionados como relevantes para análise do nível de integração do
Mercosul, os indicadores disponíveis (veja tabelas abaixo) permitem traçar um
amplo panorama do processo de integração regional do Mercosul.

Os indicadores institucionais encontrados são a estrutura institucional do Mercosul;


a internalização da normativa; a resolução de disputas e as relações externas do
bloco. Para acompanhar a evolução da estrutura institucional do Mercosul foram
consultados os tratados, protocolos e decisões do Conselho do Mercado Comum
(CMC) que criam novos órgãos ou alteram, de alguma forma, a estrutura
institucional do bloco. Como indicadores relativos à incorporação da normativa aos
ordenamentos jurídicos internos, foram analisadas as diretrizes emanadas das
decisões da Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), de acordo com as
informações disponíveis no site da Secretaria do Mercosul 5 . As resoluções de
disputas são analisadas a partir dos laudos dos mecanismos de solução de
controvérsias do bloco e da Organização Mundial de Comércio. É analisado se o
contencioso se resolveu a contento das partes dentro dos mecanismos institucionais
do Mercosul, ou se foi levado à organização mundial, o que pode significar menor
grau de confiança na instituição regional ou menor comprometimento com a
mesma. As relações externas são analisadas por meio dos padrões de votação na
Assembléia Geral da ONU. Considera-se a votação foi conjunta quando os quatro
países do Mercosul votaram coincidentemente – seja a favor ou contra a resolução
– ou quando todos estiveram ausentes da votação. Quando há alguma divergência,
mesmo que seja apenas a ausência de um dos quatro paises, considera-se que
votaram em separado 6 .

Na área social, a circulação de pessoas é analisada através dos fluxos de turistas


entre os quatro paises do bloco. Na área econômica, são analisados dados de
comércio intra e extrabloco, assim como é acompanhada a evolução do PIB dos
países no mesmo período.

A análise dos dados sugere que o processo de integração do Mercosul pode ser
dividido em três fases. A primeira fase pode ser chamada de fase de formação e

5
http://www.mercosur.int/msweb/
6
Os dados relativos às votações na Assembléia Geral da ONU foram obtidos nos sites:
http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

21
Estudos e Cenários | mai. 2007

compreende o período entre 1991 e 1997. Durante essa fase, é constituída a


estrutura institucional do Mercosul. A ênfase é dada ao aspecto comercial do
processo de integração, com a criação de órgãos destinados a tratar do tema.

A segunda fase, que vai de 1998 a 2002, foi uma fase de crise, como um reflexo da
crise econômica pela qual os países passavam. Em termos econômicos e
comerciais, o ano de 2002 pode ser considerado o ano crítico. Mas é interessante
notar que apesar das crises econômicas e das disputas entre os Estados membros,
a estrutura institucional do Mercosul não deixou de funcionar, embora tenha
avançado pouco, durante essa fase.

Uma terceira fase se forma a partir de 2003, quando há uma retomada do processo
de integração, coincidindo com uma renovação na política doméstica dos países,
com governos mais alinhados com a esquerda chegando ao poder: no Brasil, Luis
Inácio Lula da Silva, na Argentina, Néstor Kirchner, e no Uruguai, Tabaré Vázquez.
Os três novos governos destacaram a importância da integração regional em suas
políticas externas, mas com uma mudança de paradigma: aos poucos a idéia de um
Mercosul puramente comercial vai dando lugar a uma preocupação maior com a
integração física e social dos países.

4.1 Fase I – 1991 a 1997 : a criação do Mercosul

4.1.1) Institucional

Ao criar o Mercosul em 1991, a estrutura institucional escolhida pelos países


membros foi claramente intergovernamental, com o estabelecimento de órgãos
compostos por representantes dos poderes executivos dos Estados membros e
sistema de tomada de decisão por consenso. Segundo o estabelecido no Tratado de
Assunção, o Mercosul contaria, a princípio com dois órgãos: o Conselho do Mercado
Comum (CMC) e o Grupo Mercado Comum (GMC). O CMC seria o órgão superior do
Mercosul, formado pelos ministros de Relações Exteriores e pelos ministros de
Economia de cada um dos Estados membros, além da participação dos presidentes
dos Estados membros em pelo menos uma reunião anual. Ao CMC estava
designada a condução política do bloco e a tomada de decisões para a constituição
do Mercado Comum.

O GMC foi instituído como um órgão executivo, composto por representantes dos
ministérios das Relações Exteriores e da Economia e dos Bancos Centrais, com as
funções de “zelar pelo cumprimento do Tratado, tomar as providências necessárias

22
Estudos e Cenários | mai. 2007

para o cumprimento das decisões adotadas pelo Conselho, propor medidas


concretas para a aplicação do Programa de Liberação Comercial, com a
coordenação de políticas macroeconômicas e a negociação de acordos frente a
terceiros e fixar o programa de trabalho que assegure o avanço para a constituição
do Mercado Comum” 7 . Também estava prevista no Tratado de Assunção a criação
de subgrupos de trabalho para o cumprimento das funções do GMC. Esta seria a
estrutura institucional do Mercosul responsável pelo período de transição para o
estabelecimento do Mercado Comum, previsto para 31 de dezembro de 1994.

Segundo a determinação de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto 8 , de dezembro de


1994, ampliou a estrutura institucional do Mercosul, com a criação de mais quatro
órgãos: a Comissão de Comércio do Mercosul (CCM); a Comissão Parlamentar
Conjunta (CPC); o Foro Consultivo Econômico-Social (FCES) e a Secretaria
Administrativa do Mercosul (SAM).

A CCM foi criada como um órgão encarregado de prestar assistência ao GMC,


coordenado pelos ministérios das Relações Exteriores, encarregado de “velar pela
aplicação dos instrumentos de política comercial comum acordados pelos Estados
Partes para o funcionamento da união aduaneira, bem como acompanhar e revisar
os temas e matérias relacionados com as políticas comerciais comuns, com o
comércio intra-Mercosul e com terceiros países” 9 .

A CPC foi estabelecida como um órgão de caráter consultivo, representativo dos


Parlamentos dos Estados Partes no âmbito do Mercosul e integrado por um número
igual de parlamentares representantes de cada Estado parte. Caberia à CPC
“acelerar os procedimentos internos correspondentes nos Estados Partes para a
pronta entrada em vigor das normas emanadas dos órgãos do Mercosul previstos
no Artigo 2 deste Protocolo (de Ouro Preto)” 10 . O FCES foi criado para ser o órgão
de representação de setores econômicos e sociais, com função consultiva e
submetido ao GMC.

A SAM é o órgão de apoio operacional aos demais órgãos do Mercosul e tem sede
permanente em Montevidéu. Entre as atribuições da SAM, estão a organização das
reuniões do GMC, do CMC e da CCM, a publicação das decisões adotadas no âmbito
do Mercosul e o acompanhamento e informação sobre as normas emanadas dos

7
Tratado de Assunção - http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrp/mrcsrinp.asp
8
Disponível em http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrp/ourop/ouropinp.asp
9
Protocolo de Ouro Preto, disponível em
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrp/ourop/ourop_p.asp#Cap%EDtulo_I_
10
Protocolo de Ouro Preto, disponível em
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrp/ourop/ourop_p.asp#Cap%EDtulo_I_

23
Estudos e Cenários | mai. 2007

órgãos do Mercosul incorporadas pelos Estados partes aos seus ordenamentos


jurídicos nacionais.

Apesar de ampliada, a estrutura institucional do Mercosul manteve com o Protocolo


de Ouro Preto as principais características definidas no Tratado de Assunção. Ela
continuou se baseando em um processo de tomada de decisão consensual em seus
dois principais órgãos, o CMC e o GMC. As decisões tomadas por esses órgãos são
obrigatórias e a opção por um sistema baseado no consenso dos Executivos dos
Estados membros demonstra a continuidade da preocupação com um sistema que
não interferisse na soberania dos Estados, mantendo seu desenho
intergovernamental. Outro aspecto ressaltado pela estrutura institucional criada e
pelas funções atribuídas aos diversos órgãos é a preocupação com a criação do
Mercado Comum e a promoção do intercambio comercial entre os Estados
membros. O aspecto comercial é a tônica do projeto de integração e orienta a
estruturação institucional do bloco.

O sistema de solução de controvérsias do Mercosul foi institucionalizado pelo


Protocolo de Brasília, em abril de 1993. O documento previa que as disputas
deveriam, prioritariamente, ser negociadas diretamente entre as partes. Caso não
fosse possível chegar a um acordo, as partes poderiam submeter a disputa à
consideração do GMC. Finalmente, caso nenhuma solução fosse acordada, o
Protocolo previa a possibilidade de recurso a tribunais arbitrais ad hoc. Esse
mecanismo foi reiterado pelo Protocolo de Ouro Preto.

A análise dos padrões de votação na Assembléia Geral (AG) da Organização das


Nações Unidas (ONU) demonstra que havia, nessa fase, pouca preocupação em
coordenar políticas ou apresentar posições coesas no âmbito das relações externas
do bloco. Entre 1991 e 1996, há posições divergentes em relação a quase metade
das votações. Em 1991, assim como em 1995 e 1996, houve mais votos não-
coincidentes entre os quatro membros do que votos coincidentes (ver tabela 9). Do
total de 509 votações na AG entre 1991 e 1996, os quatro Estados membros do
Mercosul votaram da mesma forma em 258, ou 51%, e tiveram posições
divergentes em 251, ou 49%. (ver gráfico 1).

24
Estudos e Cenários | mai. 2007

Gráfico 1

Votação na ONU - 1991 a 1997

49% 51%

Juntos Separados

Fontes: http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

Com relação à vigência e internalização das normas regionais, os dados sobre as


diretivas da Comissão de Comércio do Mercosul estão relacionados na tabela 6.
Entre 1994 e 1997, foram 56 diretivas. Desse total, 15 foram revogadas. Dentre as
41 restantes, 18 não requeriam incorporação aos ordenamentos jurídicos
domésticos de nenhum dos quatro países. Dessas 41 diretivas que não foram
revogadas, 24 entraram em vigor até 1997. Ou seja, das 23 diretivas que
precisavam internalização para entrar em vigor, apenas seis foram de fato
incorporadas aos ordenamentos jurídicos.

4.1.2) Econômico

A fase de formação do Mercosul também é uma fase de expansão do comércio


entre seus membros. O volume total de comércio intrabloco em 1991 é de US$
10.201 milhões. No primeiro ano após a assinatura do Tratado de Assunção, o
volume de comércio entre os quatro paises aumenta para US$ 14.497 milhões em
1992. Esse aumento é proporcionalmente maior do que o aumento no comércio
desses países com o resto do mundo, que sobe de US$ 68.038 milhões, em 1991,
para US$ 74.846 milhões em 1992. O comércio intrabloco continua a crescer nos
anos seguintes, chegando a US$ 19.143 milhões em 1993, US$ 23.712 milhões em
1994, US$ 28.438 milhões em 1995 e US$ 34.226 milhões em 1996.
Proporcionalmente, a fatia do comércio relativo ao bloco cresce: enquanto em 1991

25
Estudos e Cenários | mai. 2007

o comércio com os países do Mercosul correspondia a 13% do total de comércio


desses países, em 1997, o comércio intrabloco respondia por 23% do total. (ver
gráficos 2 e 3).

Essa expansão contínua vai até 1997, quando o valor total das trocas dentro do
bloco chega a US$ 41.074 milhões, um valor quatro vezes maior que o de 1991.
Nesse mesmo período, o comércio extraregional também cresceu, mas em ritmo
mais lento: de US$ 68.038 milhões, em 1991, para US$ 139.046 milhões, em
1997, um volume duas vezes maior.

Gráfico 2

Comércio - 1991

13%

87%

Intra Mercosul Extra Mercosul

Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

Gráfico 3

Comércio - 1997

23%

77%

Intra Mercosul Extra Mercosul

Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

26
Estudos e Cenários | mai. 2007

4.1.3 ) Social

A circulação de pessoas intrabloco está representada nesse estudo através do


número de turistas que circulam entre os quatro países do bloco. Esse número
cresce, de 2,8 milhões de pessoas em 1991 para 5 milhões de pessoas em 1997.
Nessa primeira fase do Mercosul, o aumento de turistas intrabloco aumenta 75%
em 1997, em relação a 1991. Diferentemente de outros indicadores, esse
movimento ascendente não muda a partir de 1998. (ver gráfico 9). A queda no
número de turistas só vai acontecer a partir de 2001, o que será analisado adiante.

4.2 Fase II – 1998 a 2002: crise no processo de integração

4.2.1) Institucional

Durante o período compreendido entre 1998 e 2002, a estrutura existente


continuou funcionando, mesmo no período de crise econômica e comercial. Uma
prova disso está no número de diretivas da Comissão de Comércio que entraram
em vigor nesse período. É interessante notar que muitas das diretivas criadas entre
1994 e 1997 foram internalizadas pelos países membros nesse período. Entre 1998
e 2002 entraram em vigor 51 normas emanadas da Comissão, 14 delas eram
normas que haviam sido criadas no período anterior. As 37 normas restantes foram
criadas nesse período de crise e não necessitavam de incorporação por nenhum dos
Estados membros. A maior parte delas entrou em vigor nos anos de 2000 e 2002,
foram 20 diretivas em 2000 e 14 em 2002.

Em 1998 foi criado o Foro de Consulta e Concertação Política, único órgão criado
nessa fase. O Foro, integrado por funcionários das Chancelarias dos Estados Partes
do Mercosul, tinha por objetivo aprofundar o diálogo entre os membros do Mercosul
em temas de política externa e da agenda política comum, com a sistematização da
cooperação política entre os Estados partes, por meio da formulação de
recomendações ao CMC 11 .

Os anos de 2000 e 2002 marcaram o esforço de fortalecimento do bloco. Em 2000,


uma série de normas foi chamada de “Relançamento do Mercosul”. Foram decisões
aprovadas no âmbito do CMC e que diziam respeito a acesso aos mercados,
incorporação da normativa do Mercosul, melhorias no desempenho da Secretaria

11
MERCOSUL/CMC/DEC N° 18/98, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/pt/index.htm

27
Estudos e Cenários | mai. 2007

Administrativa do Mercosul, aperfeiçoamento do Sistema de Solução de


Controvérsias do Protocolo de Brasília, análise da estrutura de Órgãos dependentes
do Grupo Mercado Comum e da Comissão de Comércio, tarifa externa comum,
defesa comercial e da concorrência, coordenação macroeconômica, incentivos aos
investimentos, à produção e à exportação, incluindo zonas francas, admissão
temporária e outros regimes especiais e relacionamento externo 12 . Com relação
este último aspecto, o relançamento do Mercosul buscou “reafirmar o compromisso
dos Estados Partes do Mercosul de negociar de forma conjunta acordos de natureza
comercial com terceiros países ou blocos de países extrazona nos quais se
outorguem preferências tarifárias.” 13 A observação dos temas mostra não apenas a
preocupação com os aspectos comerciais do bloco, mas também com o
fortalecimento da estrutura institucional do Mercosul. Outro passo na direção do
fortalecimento institucional do bloco foi dado em 2002, quando o CMC aprovou uma
decisão sobre os símbolos do Mercosul, seu emblema e sua bandeira, com vistas a
contribuir “para consolidar a identidade e a imagem do processo de integração” 14 .

Outro aspecto da estrutura institucional do Mercosul que funciona nesse período é


seu mecanismo de solução de controvérsias. A possibilidade de estabelecimento de
tribunais arbitrais pra resolver as disputas entre os Estados membros havia sido
prevista no Protocolo de Brasília, de 1993. No entanto, é a partir de 1999 que o
mecanismo é posto em prática. São dessa fase nove laudos arbitrais (ver tabela 5).
A existência de uma quantidade maior de disputas entre os Estados membros
reflete as crises em que estavam, mas o fato de os Estados as levarem aos órgãos
de solução de controvérsias do Mercosul atesta o propósito de resolvê-las por meios
institucionais. Dentre os nove casos controvérsias levados ao julgamento do
tribunal arbitral do Mercosul, apenas dois foram levados à nova arbitragem perante
a Organização Mundial do Comércio (OMC) 15 . Em dezembro de 1999, o Brasil levou
ao Tribunal Arbitral do Mercosul uma reclamação sobre a aplicação de medidas de
salvaguarda sobre produtos têxteis, por parte da Argentina. Em fevereiro de 2000,
enquanto o caso ainda não havia recebido uma solução por parte do órgão do
Mercosul, o Brasil solicitou um painel na OMC. Em 10 de maio, o Tribunal Arbitral
do Mercosul considerou que as medidas adotadas pela Argentina não eram
compatíveis com a normativa do Mercosul e deveriam ser revogadas. Em junho do
mesmo ano, Brasil e Argentina notificaram à OMC que haviam chegado a uma
solução negociada.

12
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/indice3.asp#2000
13
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec3200p.asp
14
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec1702p.asp
15
Os casos podem ser acessados em http://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/dispu_e.htm

28
Estudos e Cenários | mai. 2007

O segundo caso que foi levado à arbitragem da OMC também foi resultado de uma
contenda entre Brasil e Argentina e ficou conhecido como o “caso dos frangos”
(Giovanna & Sálvio, 2006). A disputa referia-se à aplicação de medidas
antidumping aplicadas pela Argentina às importações de frangos inteiros. O
Tribunal Arbitral do Mercosul aplicou as regras estabelecidas pelo acordo
antidumping da OMC, já que a normativa do Mercosul não contemplava a matéria.
No entanto, o Brasil julgou que as regras foram aplicadas de forma diferente do que
o painel da OMC faria e levou o caso à organização mundial, conseguindo ganhar a
causa que havia perdido no tribunal do Mercosul.

Em 2002, o Protocolo de Olivos criou o Tribunal Permanente de Revisão (TPR), que


poderia receber recursos de revisão dos laudos do Tribunal Ad Hoc. Este mesmo
Protocolo estabeleceu que as controvérsias entre os Estados membros poderiam ser
submetidas a outros sistemas de solução de controvérsias, como na OMC. No
entanto, uma vez iniciado o processo no foro escolhido, o Protocolo proibiu o
recurso a outro mecanismo de solução de controvérsias, de qualquer uma das
partes, para julgar a mesma matéria 16 .

É interessante notar que a partir de 1997 a proporção de votos coincidentes na AG


da ONU aumenta e chega a 75% do total (ver gráfico 4). Nas 336 votações levadas
a cabo entre 1997 e 2002, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai votaram juntos em
253 casos e divergiram em apenas 83. Esse resultado pode ser explicado pela
adoção de uma norma aprovada em 1996 pelo CMC, que tratava da cooperação em
foros internacionais. A Decisão nº13/96 do CMC recomendava a coordenação das
políticas e a atuação conjunta nos foros econômico-comerciais internacionais e
destacava a coordenação na OMC, na ONU e na Associação Latino-Americana de
Integração (ALADI) 17 . Além disso, conforme mencionado acima, em 1998 foi criado
o Foro de Consulta e Concertação Política, com a função de aprofundar o diálogo
entre os membros do Mercosul em temas de política externa.

16
Protocolo de Olivos, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/pt/index.htm
17
MERCOSUL/CMC/DEC. Nº 13/96, disponível em
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/DEC1396P.asp

29
Estudos e Cenários | mai. 2007

Gráfico 4

Votação na ONU - 1998 a 2002

25%

75%

Juntos Separados

Fonte: http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

4.2.2) Econômico

É no aspecto comercial que a fase compreendida entre 1998 e 2002 configura-se


claramente como uma fase de crise para o Mercosul. O comércio intrabloco cai um
pouco em 1998: de US$ 41.074 milhões em 1997, para US$ 40.826 milhões em
1998, uma variação de 0,6%. Em 1999, a queda é mais significativa: o comércio
intrabloco totaliza US$ 30.583 milhões, uma queda de 25% em relação ao ano
anterior. Em 2000 há uma recuperação de 15% e o volume de comércio chega a
US$ 35.275 milhões. Mas uma nova queda, de 13%, acontece em 2001 e o
comércio intrabloco fecha o ano com um volume comercial interno de US$ 30.545
milhões. O ano de 2002 é o ano crítico: o volume comercializado entre os países do
Mercosul cai 33% em relação a 2001, para US$ 20.462 milhões. Este número é
menos da metade do volume comercializado pelo bloco em 1997, antes da crise, e
representa quase um retorno ao volume de comércio de 1993, que havia sido de
US$ 19.143 milhões, um retrocesso de quase dez anos. A diferença entre 1997, o
ano de pico, e 2002, o ano crítico, é de US$ 20.612 milhões, uma queda de
50,18%.

No entanto não é apenas o comércio intrabloco que sofre uma diminuição nesse
período. O volume negociado pelos países membros do Mercosul externamente ao
bloco cai de US$ 139.046 milhões em 1997 para US$ 135.818 milhões em 1998. E
esse volume também tem uma trajetória de queda no ano seguinte, chegando a

30
Estudos e Cenários | mai. 2007

US$ 122.922 milhões em 1999. Nos dois anos que se seguem, o comércio
extrabloco ensaia uma recuperação, subindo para US$ 135.945 milhões em 2000 e
para US$ 138.965 milhões em 2001. Mas no ano de 2002, o ano crítico, o volume
de comércio dos países do Mercosul com o resto do mundo sofre uma queda
acentuada e fecha o ano em US$ 128.132 milhões.

Proporcionalmente, a importância do comércio intrabloco, em relação ao total de


comércio dos países, também cai. Em 1997, o comércio entre os países membros
do Mercosul correspondia a 23% do total de comércio (ver gráfico 3). Esse patamar
se mantém, nos primeiros anos dessa segunda fase, em torno dos 20% (ver tabela
2). Mais uma vez, 2002 revela-se o ano crítico. Nesse ano a proporção do comércio
intrabloco cai para 14% em relação ao total do comércio dos países do Mercosul.
(ver gráfico 5)

Gráfico 5

Comércio - 2002

14%

86%

Intra Mercosul Extra Mercosul

Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

O PIB também caiu nesse período, atestando uma fase de crise econômica geral. O
PIB dos quatro sócios do Mercosul somados em 1997 ficara em US$ 1.131.479,90
milhões e, em 1998, caiu para US$ 1.117.255,40. Uma queda mais significativa
aconteceu em 1999, quando a soma ficou em US$ 848.424,00 milhões. Em 2000,
houve uma recuperação, com a soma fechando o ano em US$ 912.935,70 milhões.
Mas o PIB torna a diminuir em 2001, para US$ 804.087,70 milhões. E o nível mais
baixo atingido pelo PIB dos quatro países durante toda a história do Mercosul
aconteceu em 2002, quando a soma chegou a US$ 579.803,50 milhões, quase a

31
Estudos e Cenários | mai. 2007

metade do PIB de 1997. É importante ressaltar que, embora o PIB dos países reflita
a crise econômica pela qual passavam, sua variação não tem relação direta com a
variação no comércio.

Em janeiro de 1999, o Brasil desvalorizou sua moeda, o que provocou uma


mudança significativa nas condições de competitividade intrabloco. A repercussão
intrabloco foi negativa, particularmente na Argentina, com o receio de uma invasão
de produtos brasileiros 18 . Em 2001, com o agravamento da crise econômica, a
Argentina anunciou medidas emergenciais que aumentaram algumas tarifas acima
da tarifa externa comum do Mercosul. O acirramento das tensões entre os dois
países levou até mesmo ao cancelamento de uma visita que o presidente brasileiro
Fernando Henrique Cardoso faria a Buenos Aires em abril de 200119 .

4.2.3) Social

No que diz respeito ao turismo interno da região, curiosamente, apesar da crise,


essa é a fase de maior circulação de pessoas. Enquanto na primeira fase o número
médio de turistas por ano era de 3,9 milhões de pessoas, nessa segunda fase a
média aumenta para 5,4 milhões de turistas por ano. O movimento ascendente no
número de turistas intrabloco, que vinha desde 1991, continua até 2000 (ver tabela
8). É só em 2001, que esse número cai, em 24%. Enquanto em 2000 circularam
mais de 6,5 milhões de pessoas, em 2001 foram pouco mais de cinco milhões. Em
2002, o ano crítico, esse número caiu mais 30% em relação ao ano anterior: foram
apenas 3,5 milhões de turistas na região, um número bastante próximo dos
indicadores de 1992 e 1993. No total, entre 2000, o ano de maior número de
turistas, e 2002, houve uma queda de 47% no número de turistas circulando
intrabloco.

4.3 Fase III – a partir de 2003 : revitalização do Mercosul

4.3.1) Institucional

A partir de 2003, a estrutura institucional do Mercosul passou por novas mudanças,


com a ampliação da agenda do processo de integração. Houve um impulso de
criação de novos órgãos, com destaque para a preocupação com assuntos mais

18
Intal, Informe Mercosul, n. 11
19
Banco de dados - Observatório Político Sul-americano: http://observatorio.iuperj.br/

32
Estudos e Cenários | mai. 2007

diversos do que os comerciais, com a inclusão de instituições para tratar de direitos


humanos, democracia e questões sociais.

A retomada coincide com mudanças nos governos da região nesse período. No


Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse em janeiro de 2003, defendia em
seu programa de governo a necessidade de revigorar o Mercosul. Na Argentina,
Néstor Kirchner assumiu o poder em maio, com um programa de governo cuja
meta principal era o combate à pobreza e ao desemprego e com um
posicionamento favorável ao fortalecimento do Mercosul, às expensas da Área de
Livre Comércio das Américas (Alca). No Uruguai. Tabaré Vázquez foi eleito em
2004, por uma coligação de esquerda, com a proposta de trabalhar pelo
relançamento do Mercosul e sua reforma institucional 20 .

Em 2003 foi criada a Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul


(CRPM), com sede em Montevidéu. Suas principais atribuições são “assistir o
Conselho do Mercado Comum e a Presidência Pro-Tempore do Mercosul em todas
as atividades que sejam requeridas por qualquer deles; apresentar iniciativas ao
Conselho do Mercado Comum sobre matérias relativas ao processo de integração
do Mercosul, às negociações externas e à conformação do Mercado Comum;
fortalecer as relações econômicas, sociais e parlamentares no Mercosul,
estabelecendo vínculos com a Comissão Parlamentar Conjunta e o Foro Consultivo
Econômico e Social, assim como com as Reuniões Especializadas do Mercosul” 21 .

Em 2004 foram criados, dentro do âmbito do CMC, a Reunião das Altas Autoridades
nas Áreas de Direitos Humanos e o Foro Consultivo de Municípios, Estados
Federados, Províncias e Departamentos do Mercosul. Além disso, também são de
2004 a criação do Centro Mercosul de Promoção do Estado de Direito e o
estabelecimento de um Grupo de Alto Nível para a criação de uma Estratégia
Mercosul de Crescimento do Emprego. A criação desses órgãos indica a
preocupação com a ampliação do escopo do projeto de integração, com a inclusão
mais efetiva de temas como democracia, direitos humanos e questões sociais no
âmbito do Mercosul, assim como a incorporação de atores subnacionais como
participantes do processo, embora ainda com status apenas consultivo.

É também nessa fase que começa a ser tratado o tema das assimetrias no
Mercosul. Em 2004 foi criado o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul
(Focem), “destinado a promover a competitividade e a coesão social dos Estados

20
Banco de dados - Observatório Político Sul-americano: http://observatorio.iuperj.br/
21
MERCOSUL/IV CMC EXT/DEC Nº 11/03, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/pt/index.htm

33
Estudos e Cenários | mai. 2007

Partes, reduzir as assimetrias – em particular dos países e regiões menos


desenvolvidas (...), impulsionar a convergência estrutural no Mercosul e fortalecer
22
a estrutura institucional do processo de integração”. A criação do Focem atende a
demandas dos sócios menores do bloco, Paraguai e Uruguai, que manifestavam sua
frustração com relação ao processo de integração. O Focem tem caráter
redistributivo e representa a disposição de Brasil e Argentina em arcar com certos
custos da integração, uma vez que são os maiores contribuintes do fundo, mas
recebem a menor parte dos recursos.

Em dezembro de 2005, o CMC aprovou o Protocolo Constitutivo do Parlamento do


Mercosul 23 . O Protocolo previa que o Parlamento seria instalado em 31 de
dezembro de 2006, em substituição à CPC. Em sua primeira legislatura (2007-
2010), será formado por representantes dos parlamentos dos Estados Partes, mas
a partir de 2011 o Protocolo prevê que seus integrantes sejam eleitos por sufrágio
direto, universal e secreto. Embora signifique um avanço na estruturação
institucional do bloco, o Parlamento do Mercosul avança pouco em relação às
funções exercidas pela CPC e continua tendo caráter apenas consultivo, sem
nenhum competência legislativa. Além da função principal de acelerar os
correspondentes procedimentos internos para a entrada em vigor das normas nos
Estados Partes, cabe também ao Parlamento elaborar e publicar relatórios sobre a
situação dos direitos humanos nos Estados Partes, realizar reuniões semestrais com
o Foro Consultivo Econômico-Social a fim de intercambiar informações e opiniões
sobre o desenvolvimento do Mercosul e organizar reuniões públicas, sobre questões
vinculadas ao desenvolvimento do processo de integração, com entidades da
sociedade civil e os setores produtivos. 24

Em 2006, o CMC propôs a criação de duas novas instituições: o Observatório da


Democracia no Mercosul e o Instituto Social do Mercosul. Nos dois casos, o CMC
instruiu a CRPM que preparasse um projeto a ser analisado em uma reunião
posterior do CMC. O Observatório seria criado levando em consideração a
necessidade de que o Mercosul acompanhe o desenvolvimento social e democrático
de seus Estados membros. Até sua criação, o CMC ordenou a criação de um corpo
de observadores dos Estados partes para cada processo eleitoral que se

22
MERCOSUL/CMC/DEC. Nº 45/04, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/Normas/normas_web/Decisiones/PT/DEC_045
_04_Fundo%20Estrutural_Ata_02_04.PDF
23
MERCOSUL/CMC/DEC Nº 23/05, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/portal%20intermediario/Normas/normas_web/Decisiones/PT/DEC_023
_005_Acordo%20%20Parlamento_PT.PDF
24
Sobre o Parlamento do Mercosul, ver Hoffmann, A. R. O Parlamento do Mercosul e Conseqüências
não-intencionais de Ação, disponível em http://rsi.cgee.org.br/informacao/index.php?idArea=3

34
Estudos e Cenários | mai. 2007

desenvolvessem nos países do Mercosul 25 . O Instituto Social traria para a estrutura


institucional do bloco a “importância de aprofundar o desenvolvimento dos temas
sociais no Mercosul”. 26

Em relação à internalização das diretrizes da CMC, entre 2003 e 2006 entraram em


vigor 16 normas. Dessas, quatro eram normas aprovadas na fase anterior e as 14
restantes eram normas aprovadas a partir de 2003, de um total de 16 diretrizes
emanadas da CMC nesse período e que necessitavam de incorporação aos
ordenamentos jurídicos nacionais. As outras duas diretrizes requeriam
internalização do Brasil, o que aconteceu em 2006, com previsão de entrada em
vigor em 2007. O período teve ainda duas diretrizes revogadas.

No âmbito das relações externas do bloco, há uma queda no percentual de votos


coincidentes na AG da ONU. Nas 220 votações da AG entre 2003 e 2005, os quatro
países membros do Mercosul votaram juntos em 152, o que corresponde a 69% do
total. Embora represente uma queda em relação aos 75% de votos juntos na fase
anterior, ainda é um percentual bastante mais expressivo do que os 51% da fase
de formação do Mercosul.

Gráfico 6

Votação na ONU - 2003 a 2005

31%

69%

Juntos Separados

Fontes: http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

25
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec2406p.pdf
26
http://2005.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec1906p.pdf. O Observatório da Democracia no
Mercosul e o Instituto Social do Mercosul foram criados em 2007, assim como o Instituto Mercosul de
Formação. Ver: http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe.asp?ID_RELEASE=4179

35
Estudos e Cenários | mai. 2007

4.3.2) Econômico

Os indicadores econômicos voltam a crescer, indicando uma nova fase positiva para
o Mercosul. O PIB somado dos quatro países do Mercosul se recupera nessa fase.
Após uma queda de US$ 804.087,70 milhões em 2001 para US$ 579.803,50
milhões em 2002, ele se recupera um pouco em 2003, somando US$ 651.929,40
milhões. Em 2004 e 2005, o PIB continua crescendo e termina o ano em US$
777.185,50 milhões e US$ 1.003.129 milhões, respectivamente.

Os indicadores comerciais também apresentam uma recuperação. O volume de


comércio intrabloco, que havia sido de US$ 20.462 milhões em 2002, tem uma
recuperarão de 25% em 2003 e fecha o ano em US$ 25.597 milhões. Nos dois anos
seguintes, o crescimento continua. O volume total de comércio intrabloco fecha
2004 em US$ 34.640 milhões, num crescimento de 35% em relação ao ano
anterior, um recorde na história do bloco regional. Em 2005, o comércio cresce
mais 21% e o total chega a US$ 42.142 milhões, ultrapassando pela primeira vez o
volume de comércio intrabloco de 1997, o último ano antes que os efeitos da crise
econômica se fizessem sentir.

O comércio dos países do Mercosul com o resto do mundo também cresce no


período. O montante sobe de US$ 128.132 milhões em 2002, para US$ 146.642
milhões em 2003, um crescimento de 14%. Isso significa que o comércio intrabloco
se recuperou mais rapidamente, com um crescimento de 25% logo no primeiro ano
após a fase de crise, contra um crescimento de 14% do comércio extrabloco no
mesmo período. Em 2004, enquanto o comércio intrabloco crescia 35%, o comércio
extrabloco cresceu 30% e alcançou US$ 191.920 milhões. Em 2005, novo
crescimento, dessa vez de 21% e o volume total chegou a US$ 230.710 milhões.

Proporcionalmente, o comércio intrabloco não recupera o patamar anterior à crise.


Embora tenha chegado a representar 23% do total de comércio dos países-
membros, em 1997 e 1998, após o ano crítico de 2002 essa proporção se estabiliza
em torno dos 15%. (ver tabela 2). Ainda assim, é interessante notar que o volume
total de comércio cresce muito nesse período, chegando a um patamar que não
havia sido alcançado antes. Dessa forma, apesar de estabilizado em 15% do total,
o volume de comércio intra-Mercosul, também alcança cifras bastante expressivas
para o histórico da região.

36
Estudos e Cenários | mai. 2007

Gráfico 7

Comércio - 2005

15%

85%

Intra Mercosul Extra Mercosul

Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

4.3.3) Social

O número de turistas da região volta a crescer lentamente nessa fase. Nos dois
primeiros anos, a circulação de pessoas varia muito pouco: de 3,5 milhões de
turistas em 2002, para 3,6 milhões de turistas em 2003, o que representa um
aumento de apenas 4%. O número de turistas circulando entre os países do bloco
continua a crescer nos anos seguintes, chegando a 4,3 milhões de pessoas em
2005. Apesar de representar um aumento de 25% em relação a 2002, esse número
ainda é bem bastante inferior aos 6,5 milhões de turistas de 2000. A média anual
dessa fase é de 4 milhões de turistas intrabloco.

37
Estudos e Cenários | mai. 2007

V – CONCLUSÃO

Este estudo apresentou a necessidade de uma consideração multidimensional do


processo de integração na América do Sul. Ainda que o regionalismo aberto tenha
predominado como paradigma no continente, sobretudo nos anos 1990, o Mercosul
esteve longe de se reduzir à sua dimensão comercial. Os indicadores quantitativos
e qualitativos observados na pesquisa sugerem um quadro de integração regional
variável no tempo e nos temas, mas com uma tendência geral positiva.

O Mercosul passou pelo menos por três fases. De 1991 a 1997, houve o início de
sua institucionalidade e um crescimento acelerado das relações comerciais
intrabloco. Parte desse crescimento se deve ao fato de as bases do comércio até
1991 serem muito pequenas. No entanto, o grande aumento da interdependência
econômica provocado pelo acordo regional demonstrou os limites das teorias
funcionalistas para o caso sul-americano. O Mercosul foi capaz de gerar comércio
novo e intra-regional.

O período de 1998 a 2002 é marcado por uma grande crise econômica no processo
de integração, cujas causas principais foram instabilidades de grandes proporções
nos países membros. Os indicadores comerciais declinaram fortemente e as
expectativas quanto a sua recuperação eram muito pessimistas. Contudo, esta crise
não afetou negativamente outras variáveis como o fluxo turístico dentro do
Mercosul e o funcionamento ordinário de suas instituições. Na realidade, a
internalização de regras se acelerou, não houve paralisia decisória, instituições
novas foram criadas, controvérsias foram resolvidas por meios institucionais e a
coesão política do bloco em fóruns internacionais aumentou de maneira expressiva.

Em 2003, o comércio do Mercosul começou a se recuperar, chegando dois anos


depois a bater recordes sucessivos. Nessa fase a proporção de comércio intrabloco
atinge uma estabilidade, de 15% em relação ao comércio total dos países,
resultado da grande expansão das exportações dos países do bloco, notadamente
do Brasil. Além disso, desde então, houve um grande impulso de desenvolvimento
institucional com a existência de novos órgãos, diretivas internalizadas e
instrumentos econômicos e sociais, a exemplo do Tribunal Permanente de Revisão,
da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, do Parlamento, do
Fundo de Convergência Estrutural e do Instituto Social. Durante os últimos anos, a
despeito de algumas divergências e mesmo alguns contenciosos, como na crise das
papeleras, os indicadores em geral demonstram que a integração sul-americana

38
Estudos e Cenários | mai. 2007

prosperou sensivelmente. Esse, aliás, é o período em que todos os países andinos


aderem ao Mercosul, seja como membros associados ou permanentes.

Os dados compilados neste trabalho e outras referências na literatura especializada


recente (Lima e Coutinho, 2007) apontam para uma mudança paradigmática no
bloco. Um modelo regionalista estrutural, voltado mais para aspectos físicos,
energéticos, institucionais e sociais, está sendo aos poucos construído. Embora
essa mudança seja lenta, seus sinais já são perceptíveis, o que não significa dizer
que os esforços comerciais tenham sido de todo abandonados frente às dificuldades
políticas e assimetrias econômicas.

Ao contrário de visões mais céticas, muitas dessas sem respaldo empírico, é


possível dizer com bases nas informações disponíveis que a integração regional
está progredindo. A discussão sobre o caráter do bloco, intergovernamentalista,
equivocadamente leva parte dos especialistas a considerarem que o Mercosul se
reduz a um acordo de cooperação sem grandes conseqüências institucionais. Não
raramente observam-se críticas dirigidas à suposta fragmentação verificada nos
últimos anos, tendo em vista todos os desentendimentos e a debilidade crescente
da união aduaneira.

A literatura sobre integração regional geralmente atrela seu conceito de


institucionalização à supranacionalidade e ao nível de legalização. Este trabalho,
contudo, revelou que a institucionalização não se limita a um modelo de integração
específico, e que a redução do processo ao caráter supranacional é uma atitude
eurocentrada e simplificadora. Um olhar multidimensional sobre o regionalismo
descobre muitos outros critérios de institucionalização que não somente a
supranacionalidade e legalização, ainda que sejam bastante relevantes, uma vez
que se referem à autonomia das instituições regionais.

Além da autonomia, pelo menos outros três critérios de institucionalização podem


ser utilizados: adaptabilidade, complexidade e coesão (Huntington, 1968). Ao longo
de sua jovem história, o Mercosul já demonstrou capacidade de se adaptar ao
contexto, superando uma grande crise e mudanças profundas; uma crescente
variedade de instituições e temas, diversificando-se para além da questão
comercial; e uma ação coletiva relativamente coesa em fóruns multilaterais,
internos e externos. Salvo poucos assuntos sensíveis que dividem o bloco, a
verdade é que nele a cooperação prevalece sobre o conflito.

Essa visão multidimensional do regionalismo não absolve os problemas e as


restrições do Mercosul. Há, de fato, entre outras dificuldades, um déficit de

39
Estudos e Cenários | mai. 2007

autonomia institucional. Porém, ao mesmo tempo, parece inegável que o Mercado


Comum do Sul é cada vez mais uma realidade, ainda que esta escape ao modelo
dominante na primeira metade da década de noventa ou às expectativas originais
do bloco. O raio x da integração regional apresentado neste trabalho mostra que
não obstante as crises, oscilações e vagarosidade, o Mercosul avança. A superação
da grande crise, a criação de novos órgãos, novas competências, a ampliação da
área de atuação, a prioridade conferida pelos seus respectivos governos e as ações
conjuntas são provas do desenvolvimento e continuidade de sua institucionalização.

Em termos teóricos, além de um conceito mais abrangente de institucionalização,


este estudo também ressalta a importância de uma perspectiva analítica desde os
blocos em desenvolvimento recente, cujos países membros são democracias mais
novas e mais pobres do que as democracias européias. Estas características são
desafios adicionais que impedem uma simples transposição do modelo europeu
para a América do Sul. Um desafio central do Mercosul foi institucionalizar-se
regionalmente enquanto seus países tentavam, simultaneamente, ampliar a
capacidade institucional de suas respectivas democracias.

Em termos metodológicos, finalmente, a pesquisa constatou a dificuldade em se


obter dados confiáveis e contínuos sobre as mais diferentes dimensões da
integração regional na série histórica do Mercosul. Se, por um lado, foi necessário
desagregar o conceito para conseguir uma avaliação menos restrita e mais precisa
do fenômeno, por outro lado, muitas variáveis presumidas na parte teórica do
trabalho não puderam já ser observadas empiricamente por falta de fontes de
investigação. Ainda assim, foi possível reunir com a pesquisa um conjunto de
indicadores-chave nas dimensões econômica, social e institucional, suficientemente
amplos sobre o Mercosul, de forma a oferecer instrumentos úteis de comparação e
respaldar análises a respeito do processo de integração regional em andamento.

40
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 2: Comércio

Volume de comércio Participação sobre total


Intra
Intra Mercosul Variação Extra Mercosul Variação Total Extra Mercosul
Mercosul
1991 10.201 68.038 78.239 13% 87%
1992 14.497 42,1% 74.846 10,0% 89.344 16% 84%
1993 19.143 32,0% 80.743 7,9% 99.886 19% 81%
1994 23.712 23,9% 96.486 19,5% 120.197 20% 80%
1995 28.438 19,9% 117.806 22,1% 146.245 19% 81%
1996 34.226 20,4% 124.066 5,3% 158.292 22% 78%
1997 41.074 20,0% 139.046 12,1% 180.119 23% 77%
1998 40.826 -0,6% 135.818 -2,3% 176.644 23% 77%
1999 30.583 -25,1% 122.922 -9,5% 153.505 20% 80%
2000 35.275 15,3% 135.945 10,6% 171.220 21% 79%
2001 30.545 -13,4% 138.965 2,2% 169.510 18% 82%
2002 20.462 -33,0% 128.132 -7,8% 148.594 14% 86%
2003 25.597 25,1% 146.642 14,4% 172.239 15% 85%
2004 34.640 35,3% 191.920 30,9% 226.560 15% 85%
2005 42.142 21,7% 230.710 20,2% 272.852 15% 85%

Em milhões de dólares. Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

Gráfico 8: Comércio Intra Mercosul e Comércio Extra Mercosul

250000

200000

150000

100000

50000

0
1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Comércio Intra Mercosul Comércio Extra Mercosul

Em milhões de dólares. Fonte: http://www.cei.gov.ar/html/mercosur.htm

41
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 3: PIB
Argentina Brasil Paraguai Uruguai Total
1991 189.594 407.731 5.840 11.206 614.371,0
1992 228.776 390.586 6.039 12.878 638.279,0
1993 236.505 438.299 6.285 15.002 696.091,0
1994 257.440 546.487 6.941 17.475 828.343,0
1995 258.032 703.961 8.066 19.298 989.356,9
1996 272.150 775.276 8.754 20.515 1.076.694,8
1997 292.859 808.045 8.872 21.704 1.131.479,9
1998 298.948 788.021 7.915 22.371 1.117.255,4
1999 283.523 536.687 7.301 20.913 848.424,0
2000 284.204 601.551 7.095 20.086 912.935,7
2001 268.697 510.384 6.446 18.561 804.087,7
2002 102.011 460.612 5.091 12.089 579.803,5
2003 129.631 505.535 5.552 11.211 651.929,4
2004 153.185 603.783 6.950 13.268 777.185,5
2005 183.117 795.666 7.468 16.878 1.003.129,0
2006 0,0

Em milhões de dólares. Fonte: http://www.cei.gov.ar

Gráfico 9

PIB Total

1.200.000,0

1.000.000,0
800.000,0

600.000,0
400.000,0
200.000,0
0,0
1991
1992

1993
1994
1995

1996
1997

1998
1999
2000

2001
2002

2003
2004
2005

PIB Total

Em milhões de dólares. Fonte: http://www.cei.gov.ar

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Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 4: Estrutura Institucional do Mercosul


Órgão Data Desenho Institucional
Conselho Mercado Comum 1991 • Reuniões de Ministros
• Grupos de Trabalho
1998 • Foro de Consulta e Concertação Política
2003 • Comissão de Representantes Permanentes do
Mercosul
2004 • Reunião das Altas Autoridades nas Áreas de
Direitos Humanos
2004 • Foro Consultivo de Municípios, Estados
Federados, Províncias e Departamentos do
Mercosul
Grupo Mercado Comum 1991 • Reuniões Especializadas
• Subgrupos de Trabalho
• Grupos Ad Hoc
• Grupo Contratações Públicas do Mercosul

• Grupo de Serviço
• Comissão Sócio Laboral do Mercosul
• Comitê de Cooperação Técnica do Mercosul

• Reunião Técnica de Incorporação da Normativa


do Mercosul
• Grupo Assuntos Orçamentários da SAM
Comissão de Comércio do 1994 Comitês Técnicos
Mercosul
Comissão Parlamentar 1994
Conjunta
Foro Consultivo Econômico e 1994
Social
Tribunal Permanente de 2002
Revisão do Mercosul
Centro Mercosul de 2004
Promoção do Estado de
Direito
Secretaria do Mercosul 1994

Fonte: http://www.mercosur.int/msweb/principal/contenido.asp

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Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 5: Resolução de Disputas


Data Países Contencioso OMC
Abril de Argentina – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL constituído para a controvérsia sobre
1999 Brasil Comunicados Nº 37 do 17 de dezembro de 1997 e Nº 7 do 20 de fevereiro de 1998
do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) da Secretaria de
Comércio Exterior (SECEX) : Aplicação de Medidas Restritivas ao Comércio
Recíproco
Setembro de Argentina – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL sobre a Reclamação da República
1999 Brasil Argentina à República Federativa do Brasil, sobre Subsídios à Produção e
Exportação de Carne de Porco
Dez 1999 a Brasil – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL constituído para decidir sobre Aplicação Fev/00
maio de Argentina de Medidas de Salvaguarda sobre Produtos Têxteis (Res. 861/99) do Ministério
2000 de Economia e Obras e Serviços Públicos
Maio de Brasil – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL constituído para decidir sobre Nov/01
2001 Argentina Controvérsia entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina sobre
“Aplicação de Medidas Antidumping contra a exportação de frangos inteiros,
provenientes do Brasil, (Res. 574/2000) do Ministério de Economia da República
Argentina
Setembro de Uruguai – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL constituído para a Solução da
2001 Argentina Controvérsia apresentada pela República Oriental do Uruguai à República
Argentina sobre “Restrições de Acesso ao Mercado Argentino de Bicicletas de
Origem Uruguaia
Janeiro de Uruguai – Tribunal Arbitral Ad Hoc do MERCOSUL constituído para entender da
2002 Brasil controvérsia apresentada pela República Oriental do Uruguai à República
Federativa do Brasil sobre “Proibição de Importação de Pneumáticos
Remoldados (Remolded) Procedentes de Uruguai
Abril de Argentina – Tribunal Arbitral "Ad Hoc" do MERCOSUL constituído para decidir sobre a
2002 Brasil controvérsia apresentada pela República Argentina à República Federativa do Brasil
sobre“Obstáculos à entrada de produtos fitossanitários argentinos no mercado
brasileiro. Não incorporação das Resoluções GMC Nº 48/96, 87/96, 149/96,
156/96 e 71/98, o que impede sua entrada em vigência no MERCOSUL”
Maio de Paraguai – Tribunal Arbitral "Ad Hoc" do MERCOSUL constituído para decidir a controvérsia
2002 Uruguai entre a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai sobre a aplicação
do "IMESI" (Imposto Específico Interno) à comercialização de cigarros
Abril de Paraguai – Tribunal Arbitral "Ad Hoc" do MERCOSUL constituído para decidir a controvérsia
2003 Uruguai entre a República Argentina e a República Oriental do Uruguai sobre a
Incompatibilidade do Regime de Estímulo à Industrilização de Lã
Agosto de Uruguai - Tribunal Arbitral "Ad Hoc" do MERCOSUL constituído para decidir na
2005 Brasil controvérsia entre a República Oriental do Uruguai e a República Federativa do
Brasil sobre "Controvérsia sobre medidas discriminatórias e restritivas ao
comércio de tabaco e produtos derivados do tabaco".

Laudos do Tribunal Arbitral. Fontes: Sice e OMC

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Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 6: Diretivas da Comissão de Comércio do Mercosul


Não requer Requer
Ano Norma Revogada incorporação Argentina Brasil Paraguai Uruguai Vigência incorporação de
1994 01/94' x

1995 01/95' x
02/95' x 1995
05/95' x
06/95' 1998 1997 2000 1996 2000
08/95' x
09/95' x 1995
10/95' x 1995
11/95' x 1995
12/95' x 1995
13/95 x
14/95 x 1995
15/95 x 1995
16/95 1998 1997 2000 1996 2000
17/95 1998 1997 2000 1996 2000
18/95 x 1995
19/95 x 1995
20/95 x 1995
22/95 x 1995
23/95 x 1995

1996 01/96' 1998 1997 2000 1997 2000


02/96' x 1996
03/96' 1998 1997 2000 1997 2000
04/96' x 1996
05/96' x
06/96' x
07/96' 1996 2003 Argentina
08/96' x
09/96' 1998 1997 2000 1997 2000
10/96' x 1996
Argentina, Brasil,
11/96' 1996 1998 1996 1998 Paraguai
12/96' x
13/96 1998 1997 2000 1997 2000
14/96 x
15/96 1987 2002 1998 1997 2003
16/96 x
17/96 x
Brasil, Paraguai,
18/96 1996 1997 1996 1996 Uruguai
19/96 1997 1997 Brasil

1997 01/97' 1998 1997 2000 1997 2000


02/97' 1996 1996 Brasil
03/97' 1998 1998 2000 1997 2000
05/97' 1997 1997 Brasil
06/97' 1998 1998 2000 1997 2000
07/97' x 1997

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Estudos e Cenários | mai. 2007

08/97' x
09/97' x 1997
10/97' 1997 1997 1997 Argentina e Brasil
12/97' x
13/97 1998 1998 2000 1997 2000
14/97 1998 1998 2000 1997 2000
15/97 1997 1997 Brasil
16/97 1998 1998 2000 1998 2000
18/97 1997 1998 2000 1998 2000
19/97 1997 1997 Brasil
20/97 x

1998 01/98' x 1998


02/98' x 1998
03/98' 1998 1998 Uruguai
04/98' 1998 1998 Brasil
05/98' 1999 1998 2000 1998 2000
06/98' 1998 1998 Brasil
07/98' 1998 1998 Brasil
08/98' 1998 1998 Brasil
09/98' 1998 1998 Brasil
10/98' 1999 1998 2000 1998 2002
11/98' x
12/98' 1999 1998 2000 1998 2002
13/98 x 1998
16/98 1999 1999 Brasil

1999 01/99' 1999 1999 Brasil


02/99' xxxx Argentina
03/99' x
04/99' 1999 1999 2000 1999 2002
05/99' 1999 1999 2000 1999 2002
06/99' 1999 1999 Brasil
07/99' 1999 1999 2000 1999 2002
08/99' 1999 1999 2000 1999 2002
09/99' 1999 1999 2000 1999 2002
10/99' 1999 1999 2000 1999 2002
11/99' 2000 2000 Argentina
12/99' 2000 2000 Argentina
13/99 1999 2000 Brasil
14/99 1999 2000 Brasil
15/99 x
16/99 2000 1999 2000 2000 2002
17/99 x 1999

2000 01/00' 2001 2003 Argentina


02/00 2001 2000 2000 2000 2004
03/00 2001 2000 2001 Argentina e Brasil
04/00 x
05/00 2000 2000 Brasil
07/00 2001 2000 2001 2000 2004

46
Estudos e Cenários | mai. 2007

08/00 2001 2000 2001 2000 2004


09/00 2001 2000 2001 2000 2004
11/00 2002 2003 Argentina
12/00 2000 2002 Brasil
13/00 2000 2002 Brasil
14/00 2000 2002 Brasil

2001 01/01' 2001 2001 Argentina


10/01' 2001 2002 Brasil
11/01' 2001 2001 2001 Argentina e Brasil
12/01' 2001 2003 Argentina

2002 02/02' 2002 2003 Argentina


05/02' x 2002
06/02' 2003 2002 2003 Argentina e Brasil
08/02' 2002 2003 Brasil
09/02' 2003 2002 2004 Argentina e Brasil

2003 02/03' x
04/03' 2003 2003 Brasil
06/03' 2003 2003 Brasil

2004 03/04' x
05/04' x 2004
04/04' 2006 2006 2005 2006 2005
06/06' 2005 2005 Argentina

2005 02/05' 2005 2005 Argentina


05/05' 2005 2006 Argentina
07/05' Brasil
08/05' x 2005
09/05' 2005 2006 Brasil

2006 02/06' 2006 2006


07/06' x 2006
08/06' 2006 2007 Brasil
09/06' 2006 2007 Brasil

Fonte: Secretaria do Mercosul

47
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 7: População
Argentina Brasil Paraguai Uruguai Total
1991 33,0 149,1 4,4 3,1 189,5
1992 33,4 151,5 4,5 3,1 192,6
1993 33,3 154,0 4,6 3,1 195,0
1994 33,7 156,4 4,7 3,2 198,0
1995 34,0 158,9 4,8 3,2 200,9
1996 34,4 161,3 4,9 3,2 203,8
1997 34,8 163,8 5,0 3,2 206,7
1998 35,1 166,3 5,1 3,3 209,8
1999 35,5 168,8 5,2 3,3 212,7
2000 35,9 171,3 5,3 3,3 215,7
2001 36,3 173,8 5,4 3,3 218,8
2002 38,3 176,4 5,5 3,4 223,5
2003 37,6 179,0 5,6 3,4 225,6
2004 37,7 181,6 5,7 3,4 228,4
2005 38,1 184,2 5,8 4,3 232,4

Em milhões de habitantes. Fonte: http://www.cei.gov.ar

48
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 8: Turismo
Argentina Brasil Paraguai Uruguai Total
Argentina 254.737 290.585 382.971 928.293
Brasil 405.512 68.961 112.044 586.517
1991

Paraguai 122.220 59.127 23.703 205.050


Uruguai 1.023.798 128.220 11.860 1.163.878
Total por ano 2.883.738
Argentina 269.653 300.162 361.267 931.082
Brasil 598.346 71.876 153.666 823.888
1992

Paraguai 109.972 63.161 17.716 190.849


Uruguai 1.311.856 121.839 12.018 1.445.713
Total por ano 3.391.532
Argentina 269.653 300.162 361.267 931.082
Brasil 598.346 71.876 153.666 823.888
1993

Paraguai 109.972 63.161 17.716 190.849


Uruguai 1.311.856 121.839 12.018 1.445.713
Total por ano 3.391.532
Argentina 303.642 444.949 452.696 1.201.287
Brasil 729.338 92.971 154.017 976.326
1994

Paraguai 141.359 69.216 26.358 236.933


Uruguai 1.579.683 144.041 15.626 1.739.350
Total por ano 4.153.896
Argentina 379.589 461.414 499.507 1.340.510
Brasil 657.942 90.716 200.423 949.081
1995

Paraguai 158.000 83.523 24.476 265.999


Uruguai 1.478.036 178.192 20.827 1.677.055
Total por ano 4.232.645
Argentina 495.128 558.723 509.979 1.563.830
Brasil 858.189 118.563 209.333 1.186.085
1996

Paraguai 159.413 81.852 12.520 253.785


Uruguai 1.491.845 194.039 20.125 1.706.009
Total por ano 4.709.709

49
Estudos e Cenários | mai. 2007

Argentina 532.270 508.797 649.400 1.690.467


Brasil 938.973 146.581 206.468 1.292.022
1997
Paraguai 139.261 76.026 14.960 230.247
Uruguai 1.602.845 200.331 22.035 1.825.211

Total por ano 5.037.947


Argentina 573.268 558.093 681.251 1.812.612
Brasil 1.467.922 451.693 359.186 2.278.801
1998

Paraguai 121.989 64.420 9.185 195.594


Uruguai 1.513.634 212.182 20.283 1.746.099
Total por ano 6.033.106
Argentina 522.459 580.922 667.477 1.770.858
Brasil 1.548.571 501.425 383.741 2.433.737
1999

Paraguai 95.357 52.246 7.854 155.457


Uruguai 1.532.725 153.740 20.519 1.706.984
Total por ano 6.067.036
Argentina 524.072 561.890 638.144 1.724.106
Brasil 1.744.004 371.873 403.896 2.519.773
2000

Paraguai 223.058 82.251 4.913 310.222


Uruguai 1.841.806 165.728 53.152 2.060.686
Total por ano 6.614.787
Argentina 333.012 469.191 392.450 1.194.653
Brasil 1.374.461 285.724 304.682 1.964.867
2001

Paraguai 170.575 60.193 5.351 236.119


Uruguai 1.478.561 121.882 20.654 1.621.097
Total por ano 5.016.736
Argentina 345.038 518.310 362.963 1.226.311
Brasil 698.465 226.011 195.384 1.119.860
2002

Paraguai 160.758 43.134 4.939 208.831


Uruguai 813.304 118.400 18.015 949.719
Total por ano 3.504.721

50
Estudos e Cenários | mai. 2007

Argentina 350.298 429.792 363.107 1.143.197


Brasil 786.568 198.170 270.251 1.254.989
2003
Paraguai 177.741 40.651 5.775 224.167
Uruguai 866.570 151.383 17.716 1.035.669
Total por ano 3.658.022
Argentina 418.865 346.266 370.428 1.135.559
Brasil 922.484 204.758 309.732 1.436.974
2004

Paraguai 197.563 48.985 6.692 253.240


Uruguai 1.108.592 187.744 19.227 1.315.563
Total por ano 4.141.336
Argentina 453.346 302.174 438.153 1.193.673
Brasil 992.299 249.030 341.647 1.582.976
2005

Paraguai 209.130 56.036 9.287 274.453


Uruguai 1.107.514 197.672 20.155 1.325.341
Total por ano 4.376.443

Turismo, por origem e destino. Fontes: http://www.ibge.gov.br/cms/mercosul/index.php?contentid=125


e Organização Mundial de Turismo

Gráfico 10: turismo

7000
Milhares

6000

5000

4000

3000

2000

1000

0
1991

1992
1993

1994

1995

1996
1997

1998

1999
2000

2001

2002

2003
2004

2005

Fontes: http://www.ibge.gov.br/cms/mercosul/index.php?contentid=125
e Organização Mundial de Turismo

51
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 9: Relações Externas – Votações na Assembléia Geral da ONU


Total Juntos Separados
1991 75 36 39
1992 75 44 31
1993 65 33 32
1994 68 35 33
1995 81 37 44
1996 76 31 45
1997 69 42 27
1998 61 45 16
1999 68 48 20
2000 67 55 12
2001 67 48 19
2002 73 57 16
2003 74 52 22
2004 72 46 26
2005 74 54 20

Fontes: http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

Gráfico 11: Relações Externas – Votações na Assembléia Geral da ONU

60

50

40

30

20

10

0
1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Juntos Separados

Fontes: http://ucdata.berkeley.edu:7101/new_web/VoteWorld/voteworld/index.html e
http://home.gwu.edu/~voeten/

52
Estudos e Cenários | mai. 2007

Tabela 10: Governos

Argentina
1989 Carlos Saúl Menem
1999 Fernando de la Rúa
2001 Ramón Puerta (interino)
Adolfo Rodríguez Saá
2001 (interino)
2001 Eduardo Camaño (interino)
2002 Eduardo Duhalde(interino)
2003 Néstor Kirchner

Brasil
1990 Fernando Collor
1992 Itamar Franco
1995 Fernando Henrique Cardoso
1999 Fernando Henrique Cardoso
2003 Luis Inácio Lula da Silva
2007 Luis Inácio Lula da Silva

Paraguai
1989 Gen. Andrés Rodríguez
1993 Juan Carlos Wasmosy
1998 Raúl Cubas Grau
1999 Luis Ángel González Macchi
2003 Nicanor Duarte Frutos

Uruguai
1985 Julio María Sanguinetti
1990 Luis Alberto Lacalle
1995 Julio María Sanguinetti
2000 Jorge Batlle Ibáñez
Tabaré Ramón Vázquez
2005 Rosas

53
Estudos e Cenários | mai. 2007

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