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SAÚDE EM DIA

FIM da
ANSIEDADE
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SOLUCOES QUE
FUNCIONAM
Especialistas dão dicas do que você precisa fazer
para ACALMAR A MENTE e FICAR MAIS TRANQUILO
FIM da
ANSIEDADE
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Todos os direitos reservados à Alto Astral e protegidos pela Lei 9.610, de 19.2.1998.
É proibida a reprodução total ou parcial sem a expressa anuência da editora.
Este livro foi revisado segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Editora responsável Jaqueline Lopes


Produção editorial Tácia Mota, Mariana Rodrigueiro, Larissa Tomazini e Paula Santana.
Consultorias Patrícia Florenzano, psicóloga; Rafael Oliveira Gomes da Silva, psicólogo;
Lidiane Silva, psicóloga; Claudia Melo, psicóloga; Luiz Antonio Manzochi, psicólogo;
Mileine Vargas, especialista em programação neurolinguística; Semadar Marques,
especialista em inteligência emocional; Renata Bento, psicanalista, membro da Socie-
dade Brasileira de Psicanálise (Rio de Janeiro); Heloisa Capelas, coach em inteligência
emocional e especialista do desenvolvimento no potencial humano; João Jorge
Cabral, psiquiatra; Sheila Gutierrez, terapeuta homeopata; Bayard Galvão, psicólogo clí-
nico; Fernanda Ramallo, psiquiatra; Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista; Marco Cassel,
palestrante motivacional e especialista em comportamento humano.
Conselho João Carlos de Almeida e Pedro José Chiquito.
Direção Silvino Brasolotto Júnior.
Comercial Marcelo Pelegia.
Editorial Mara de Santi.
Marketing Flaviana Castro.

BAURU SÃO PAULO


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CORPO E MENTE
EM HARMONIA
Quando uma pessoa é ansiosa e enfrenta uma crise, passa
por momentos de tensão e, até mesmo, desespero. Isso
porque os sintomas são variados e podem ser intensos,
afetando tanto o seu estado físico quanto mental. Taqui-
cardia, irritação, aumento do suor, náusea, excesso de
preocupação e nervosismo são só alguns exemplos de
consequências que o distúrbio pode causar. Todas essas
reações comprometem o bem-estar do paciente e, jus-
tamente por isso, é preciso identificar a doença e buscar
formas de tratá-la. Conversamos com especialistas que
explicam as principais características da ansiedade, ensi-
nam a reconhecer seus sinais e dão dicas para combatê-
-la. Concentre-se nas próximas páginas e aproveite. Boa
leitura!

A redação

CAPA Fotos SHUTTERSTOCK IMAGES Produção Gráfica TÁCIA MOTA E MARIANA RODRIGUEIRO

ATENÇÃO!!!
Esta revista tem caráter informativo e baseia-se em dados seguros e consultorias
de profissionais especializados, com o intuito de se tornar uma referência para
a prevenção de doenças e a conscientização sobre cuidados com a saúde.
No entanto, nenhum conteúdo publicado deve substituir a medicação prescrita
e o acompanhamento de um médico.
Em relação aos alimentos, procure um especialista para saber sobre a quantidade
indicada de acordo com sua necessidade!
ÍNDICE

Ansiedade em pauta...........................................................5

Por dentro do assunto........................................................8

Você é um alvo?.................................................................. 12

Atenção aos sinais............................................................... 16

Até que ponto é normal?.............................................. 23

Mais grave...............................................................................27

Anote as dicas....................................................................... 31
O MAL DOS TEMPOS MODERNOS
O transtorno de ansiedade existe em
diferentes tipos. Saiba quais são os
principais e veja como identificá-los!

Imagine que você está andando na rua e lembra que


precisa ir a uma reunião no final da tarde. Porém, não se
preparou o suficiente! Ou, ainda, tem um problema familiar
a ser resolvido, mas não consegue ver uma solução. Seu
coração começa a palpitar mais forte, as mãos começam
a suar frio e tudo que se passa na sua mente é: “não vou
conseguir resolver, vai dar tudo errado”. Essa situação pode
ser um caso de transtorno de ansiedade, para o qual é
necessário ligar o sinal de alerta! Segundo a Organização
Mundial da saúde (OMS), 33% da população mundial sofre
com esse distúrbio. Entretanto, ainda há um tabu que ronda
o transtorno e muitas pessoas hesitam em procurar diag-
nóstico até que se chegue ao limite. Mas com ansiedade
não se brinca! Então, que tal conhecer um pouquinho mais
sobre os principais tipos e suas características? Confira!
5 . FIM DA ANSIEDADE
CINCO CATEGORIAS
O psicólogo Rafael da Silva explica que, mesmo apresentando
diferentes sintomas e causas, os distúrbios a seguir são deri-
vados do transtorno de ansiedade, portanto, em todos eles
existe o sentimento de preocupação ou até mesmo de medo.
O fator que vai levar isso à patologia é a maneira em que tudo
vai interferir nas atividades diárias, sabia? “A principal diferença
entre eles é a forma que acontece, a magnitude e como sur-
giram os sintomas”, complementa o psicólogo.

1 - Transtorno do pânico: o que caracteriza esse tipo são os


sintomas físicos somados aos cognitivos e emocionais. As
crises se iniciam de maneira brusca e, geralmente, o indivíduo
tem a certeza de que vai morrer. “Ele pode desmaiar, ter pal-
pitações, dores de cabeça e enjoos”, exemplifica Patrícia Flo-
renzano, psicóloga. Segundo Rafael, quando a ansiedade está
patológica, o cérebro acaba aumentando os níveis hormonais,
acelerando o ritmo cardíaco, estreitando as vias sanguíneas,
dentre outras funções, sem que haja real necessidade.

2 - Transtorno de ansiedade generalizada: no TAG, a ansie-


dade é intensa, constante e permanente, o que causa prejuízo
nas tarefas diárias do indivíduo. A primeira forma de “diagnos-
ticar” é verificar se as preocupações e pensamentos são reais
ou prejudiciais. “É preciso analisar se aquilo que estou pensando
é daquela forma mesmo, ou se é algo que passou pela minha
mente e eu agarrei como realidade única e exclusiva”, explica
o psicólogo.

3 - Fobia social: de acordo com Rafael, no caso dessa fobia,


existe um gatilho específico - a interação social. Às vezes, só
de pensar que esse contato acontecerá, o indivíduo entra em
6 . FIM DA ANSIEDADE
um esquema irracional de ansiedade. Patrícia salienta que a
pessoa passa a ter dificuldades em se relacionar, com medo
de estar sendo julgada ou rejeitada, e isso faz com que ela
recue ou se distancie do seu ciclo de convívio, interagindo
apenas com quem sente confiança e segurança.

4 - Transtorno obsessivo compulsivo: já no TOC, a ansiedade


não fica tão aparente, podendo ser confundida com simples
manias. Ocorrem pensamentos a todo o momento que aca-
bam levando o indivíduo a comportamentos repetitivos que
“aliviem” o sentimento de angústia. Eles pensam que, caso não
faça tal coisa, algo sério pode acontecer e, por isso, acabam
tendo essas repetições. Normalmente, a pessoa agrega um
ritual a uma ação.

5 - Transtorno de estresse pós-traumático: aqui, um trauma


acontece na vida do indivíduo e, para evitar que ocorra nova-
mente, ele acaba fugindo de lugares, situações ou pessoas.
Os traumas podem ser desde sequestro, abuso e violência
física até uma saída de emprego ou o nascimento de um
filho.

7 . FIM DA ANSIEDADE
7 FATOS SOBRE A ANSIEDADE
Conheça melhor a doença com a
lista de curiosidades a seguir!

Quando se fala em ansiedade, alguns sintomas, causas e


definições podem não ser totalmente compreendidos
pelas pessoas. Na maioria das vezes, apenas quem passa
ou já passou por um quadro ansioso consegue entender
a proporção das consequências. Se você sofre com o
problema ou conhece alguém que o enfrenta, confira
algumas curiosidades sobre a ansiedade. Elas não serão
a chave para compreender o transtorno totalmente, mas,
com esses fatos, é possível saber um pouco mais sobre
o que se passa na vida dos portadores.

1 - Tempestade em copo d’água


É verdade que o transtorno pode fazer as coisas tomarem
proporções maiores que o normal? A resposta é mais fácil
do que você imagina. Se aquele assunto do trabalho não
8 . FIM DA ANSIEDADE
precisa de tanta preocupação mas, mesmo assim, você
fica tenso por horas, isso pode ser um sintoma. “A ansie-
dade dificulta o processo de evolução do ser humano,
deixando-o pessimista, prejudicando sua rotina, causando
insônia ou dificuldade de permanecer dormindo, aumento
ou perda de apetite, irritabilidade, nervosismo, diminuição
da autoestima, perda da confiança em si mesmo, dentre
outras limitações que podem tornar certas situações mais
complexas e pessimistas”, lista a psicóloga Lidiane Silva.

2 - Fator mulher
Para Lidiane, o contexto social ou as questões de cunho
histórico, como a criação da família em determinadas
crianças, são fatores determinantes para a saúde emocio-
nal de muitas mulheres. E não é apenas isso que merece
atenção! Segundo a profissional, também é importante
avaliar e levar em consideração os fatores hormonais e
neuroquímicos além dos traços de personalidade. “Mas
cada caso é um caso, nem todas as mulheres apresentam
uma ansiedade intensa a ponto de desenvolver os seus
transtornos”, alerta.

3 - Estresse pós-traumático
O distúrbio é caracterizado por certos gatilhos que trazem
de volta a memória de algum trauma. Segundo informa-
ções publicadas em 2017 pelo Hospital Israelita Albert
Einstein, pessoas nessas condições podem apresentar
sintomas como pesadelos, lembranças repentinas (flash-
backs), ansiedade e, até mesmo, fugir de situações que
lembram o fato. “Acidentes de carro, sequestro e términos
de relacionamentos podem desencadear o estresse

9 . FIM DA ANSIEDADE
pós-traumático por estarem associados a memórias nas
quais o traumatizado não conseguiu processar o aconte-
cimento, vivenciando as mesmas emoções diariamente”,
esclarece Lidiane.

4 - Fuga perigosa
A profissional ainda afirma que se distrair com as redes
sociais ou com o controle do videogame, por exemplo,
pode causar a mesma sensação que um usuário de drogas
tem. “Há uma amenização momentânea dos sintomas da
ansiedade, pois o foco da sua atenção e de seus pensa-
mentos estarão direcionados a uma outra distração”, res-
salta. Dessa forma, pode acontecer, até de maneira in-
consciente, um uso abusivo de internet e de jogos.

5 - Transtornos mentais
Psicopatologias como transtorno bipolar, esquizofrenia e
esclerose múltipla potencializam a ansiedade. “No trans-
torno bipolar, a ansiedade se manifesta com mais intensi-
dade na fase depressiva e, no momento de mania, o
transtorno pode ser confundido pela manifestação da
euforia e impulsividade”, explica a psicóloga. Já os esqui-
zofrênicos podem desenvolver ansiedade por ficarem
irritados ou agitados com maior facilidade, não conse-
guindo diferenciar suas emoções. “A pessoa com esclerose
múltipla pode desenvolver algum transtorno de ansiedade
devido às lesões causadas nos nervos, resultando em um
distúrbio da comunicação entre o cérebro e o corpo”,
exemplifica a especialista.

10 . FIM DA ANSIEDADE
6 - Mães são alvos mais fáceis
É necessário entender que todo pensamento desencadeia
um sentimento e um comportamento e, para as mães, é
mais comum do que se imagina. “Se a mulher chegar em
casa com um recém-nascido e começar a pensar que
não vai conseguir cuidar do bebê, automaticamente, a
ansiedade aumenta”, afirma a psicóloga.

7 - Tudo o que é demais...


...Atrapalha! Apesar da informação das mídias chegar de
forma muito mais rápida do que antigamente com as no-
vas tecnologias, tal processo prejudica os mais novos.
“Quanto mais informações, mais vulneráveis serão crianças
e adolescentes, no âmbito emocional, podendo prejudicar
quem utiliza esses recursos de maneira excessiva. A nossa
cultura não prepara ou não dá a devida importância à
inteligência das emoções”, enfatiza a psicóloga.

11 . FIM DA ANSIEDADE
QUAIS AS CAUSAS DA DOENÇA?
Diversos fatores podem ser
desencadeados durante o dia a dia.
Confira os principais e tente impedi-los!

Muitas vezes, os relacionamentos sociais, as inseguranças


de cada um, os problemas financeiros, algumas doenças
e até mesmo as responsabilidades do cotidiano podem
causar diversas emoções e sentimentos, inclusive, de an-
siedade. Se você sofre ou suspeita que enfrenta esse mal,
confira como esses fatores podem prejudicar a saúde da
mente.

PROBLEMAS FINANCEIROS
Por mais que as pessoas digam que sabem cuidar do
próprio dinheiro, pode ser que algumas não percebam
seus problemas de economia. Semadar Marques é

12 . FIM DA ANSIEDADE
especialista em inteligência emocional e, para ela, admi-
nistrar as finanças pode ser um desafio para quem sofre
com a ansiedade. “O fato de uma pessoa ter dificuldades
em lidar com dinheiro já demonstra o problema, além da
impulsividade nos gastos”, ressalta.
Ela ainda reforça a ideia de que o ato de comprar pode
ser um perigo para os ansiosos. “O excesso de consumo
pode esconder uma ansiedade ou até mesmo uma de-
pressão, que pode evoluir para algo mais grave, como
compulsão por compras, momento no qual a pessoa alivia
suas emoções depois de gastar sem motivos”, declara.
Além disso, a responsabilidade em manter as contas em
dia e as preocupações com o salário, além de dívidas
acumuladas são situações que tendem a mexer com o
emocional das pessoas, podendo desencadear quadros
de ansiedade e estresse.

RELACIONAMENTOS
Para Semadar, pode ser que determinados relacionamen-
tos amorosos sejam um possível fator para originar o sin-
toma de ansiedade. Isso porque, para algumas pessoas,
é difícil o ato de expor suas emoções, anseios e medos.
“É preciso falar honestamente sobre seus sentimentos em
relação às atitudes do parceiro, fazer pedidos sinceros
para que suas próprias necessidades emocionais sejam
nutridas e os dois possam estar alinhados e com a comu-
nicação afinada”, recomenda a profissional.
É importante lembrar que, às vezes, há certa dificuldade
em lidar com as próprias manias e abdicar de algumas

13 . FIM DA ANSIEDADE
coisas em prol de um relacionamento mais saudável. Luiz
Antonio Manzochi é doutor em psicologia Clínica pela
PUC de São Paulo e comenta um pouco mais sobre esse
fator. “Para algumas pessoas, a impossibilidade de ter con-
trole sobre a vida e seus acontecimentos é fator gerador
de ansiedade. Além disso, o ciúme e o medo de perder
o outro podem ocasionar o problema de forma extrema
e está ligado à insegurança e à baixa autoestima”.

PROBLEMAS DE AUTOESTIMA
De acordo com Luiz, a ansiedade e seus transtornos po-
dem estar associados ao problema de autoestima rebai-
xada, quando a pessoa não tem confiança nela mesma e
não apresenta capacidade de enfrentamento de desafios.
“Essa pessoa não se sente segura na maior parte do tem-
po, percebendo-se ameaçada constantemente, o que
gera estresse e ansiedade”, declara.

TRABALHO
Quando não há certeza ou garantia sobre o cargo assu-
mido, os funcionários de uma empresa podem se mostrar
nervosos diante de determinadas situações. “É um local
onde as habilidades e competências são testadas e reve-
ladas o tempo todo e, com isso, as pessoas esperam re-
conhecimento e que o espaço possa estar garantido”,
explica a especialista Semadar.
Além do mais, metas e cobranças podem não ser muito
bem administradas por algumas pessoas, gerando preo-
cupação e autocrítica em diversas tarefas. Se essas atitudes

14 . FIM DA ANSIEDADE
não forem solucionadas ou amenizadas ao longo do tem-
po, é possível que se instale alto grau de ansiedade e
descontrole emocional.

O QUE CAUSA ANSIEDADE NO AMBIENTE DE TRABALHO?


• Medo de não atingir as metas da empresa
• Colegas de trabalho abusivos
• Não saber se está desenvolvendo um bom trabalho
• Desorganização

15 . FIM DA ANSIEDADE
É HORA DE LIGAR O ALERTA!
Irritação constante, medos irracionais,
excesso de preocupação... Esses
sentimentos podem ser indício de que você
é ansioso. Mas isso é só o começo, pois o
distúrbio engloba muitos outros sintomas

Você sabia que, somente no Brasil, em torno de 9% da


população sofre com algum tipo de transtorno de ansie-
dade (segundo dados da Organização Mundial da Saúde)?
Isso equivale a mais de 18 milhões de pessoas no país
enfrentando sintomas como nervosismo excessivo, taqui-
cardia, preocupações exacerbadas e náuseas sem causa
aparente. Portanto, o transtorno de ansiedade deve ser
tratado com seriedade, deixando de ser encarado como
uma frescura. Para se ter ideia da gravidade do distúrbio,
de acordo com a OMS, o Brasil ocupa o primeiro lugar no
ranking de indivíduos com transtornos de ansiedade no
mundo.
16 . FIM DA ANSIEDADE
Muitos fatores podem contribuir para as temidas crises de
ansiedade, desde problemas socioeconômicos até ques-
tões ambientais. Ou seja, qualquer pessoa está sujeita a
se tornar uma vítima. Então, saber identificar seus sinais é
o primeiro passo para conseguir a ajuda necessária e, com
o tratamento correto, ver-se livre da ansiedade. Claro que
nada substitui a consulta com um especialista, mas con-
versamos com profissionais e listamos os sintomas mais
comuns que um indivíduo ansioso enfrenta. Saiba mais a
seguir e descubra se é hora de ligar o sinal de alerta!

SINTOMAS FÍSICOS
Ao contrário do que muitos podem imaginar, a ansiedade
não causa apenas sintomas emocionais, como fobia e
irritação. Na verdade, o distúrbio vai muito além: também
influencia no estado físico da pessoa. Mas por que isso
acontece? “Justamente por pensarmos que corpo e mente
não se dissociam, não estão separados. Então, se a mente
não consegue lidar com os problemas, é possível que o
corpo seja o depositário desses conteúdos não metabo-
lizados”, explica a psicanalista Renata Bento. Ou seja, a
ansiedade excessiva com sintomas físicos é sinal de que
algo não pode ser elaborado na mente e, portanto, foi
extravasado no corpo. Confira alguns sinais que o orga-
nismo dá quando algo não está bem:

Tensão muscular: se a pessoa está muito ansiosa, pode


tensionar mais o corpo, apertar a mandíbula, cerrar os
punhos... Então, quem é ansioso tende a ficar mais enrije-
cido, tanto emocionalmente quanto fisicamente. “Tudo vai
depender do grau da tensão muscular, se é algo que
ocorreu isoladamente ou se tem se repetido. O
17 . FIM DA ANSIEDADE
acompanhamento psicológico vai ajudar a compreender
o que pode estar ocorrendo na vida da pessoa para levar
a esse quadro. Cabe ressaltar que exercícios físicos e de
relaxamento também são indicados para aliviar esse sin-
toma, mas, nesse caso, eles vão tratar a consequência e
não a causa”, esclarece Renata.

Cansaço: a verdade é que nem mesmo quando dorme


a pessoa com ansiedade se acalma. Muitas vezes, durante
o sono, o ansioso se mexe muito, fala e, inclusive, acorda
em diversos momentos. Com isso, o resultado é bastante
óbvio: cansaço ao longo do dia. Uma explicação para isso
é que, ao dormir, o indivíduo acaba sendo muito influen-
ciado pelos sonhos, causando as reações citadas. Estudos
feitos pelo Instituto do Sono indicam que os sonhos inten-
sos são capazes de afetar a qualidade do sono, tornando-
-se mais um elemento que aumenta o sofrimento da pessoa
ansiosa.

Coração em pauta: não é difícil encontrar pessoas que


passaram por uma crise ansiosa e descreveram a sensação
de estarem tendo incômodos no coração. Isso realmente
acontece, já que sintomas como taquicardia e aperto no
peito são recorrentes no quadro de ansiedade. Além disso,
fortes palpitações, formigamento e aumento da tempe-
ratura corporal também podem ocorrer, agravando o
sentimento de estar “à beira da morte”. São minutos as-
sustadores que costumam ir amenizando com o passar
do tempo, à medida em que a crise passa. Para ficar mais
tranquilo, o indicado é que o indivíduo consulte um car-
diologista para ver se está tudo bem com a saúde do
coração.
18 . FIM DA ANSIEDADE
Sistema digestivo desregulado: de acordo com Renata,
a ansiedade extrema pode atingir todo o corpo. Quando
a mente não dá conta de elaborar certas ideias, o corpo
atua como o depositário. “O sistema digestivo tem ligação
com o estado emocional, assim como corpo e mente
estão interligados. Um nível de ansiedade muito grande
pode provocar náusea, vômito, diarreia ou prisão de ven-
tre”, complementa a profissional.

Insônia: geralmente, quando o indivíduo está prestes a


adormecer, há um encontro consigo próprio. Nessas horas,
as ideias surgem e atrapalham o momento de relaxamento
tão necessário para se revigorar. “A ansiedade tem a ver
com ideias que batem à porta da mente para serem pen-
sadas e digeridas. O distúrbio se caracteriza por esse
aglomerado de pensamentos misturados, que pode surgir
com mais força à noite, no momento de relaxar - mas que
esteve ali durante todo tempo. É nesse sentido que a an-
siedade excessiva pode causar insônia”, afirma a
psicanalista.

SINTOMAS PSICOLÓGICOS
Esses sinais são, geralmente, os mais lembrados ao se falar
em distúrbios da mente. O grande segredo é saber dife-
renciar uma situação considerada normal de algo extremo.
Por exemplo: todo mundo, em algum momento da vida,
passa por situações de irritação ou medo. Contudo, quan-
do isso começa a atrapalhar a rotina, é preciso ficar atento.
“A ansiedade é uma espécie de alarme que soa interna-
mente como resposta do nosso insconsciente diante de
conflitos internos ligados ao dia a dia e a relação com o

19 . FIM DA ANSIEDADE
ambiente. Pode ser disparada frente a uma ameaça ou a
uma situação traumática, um perigo real ou imaginário,
que pode produzir medo e até paralisação. Ela começa
a ficar preocupante no momento em que prejudica a
funcionabilidade da pessoa, deixando de realizar alguma
coisa devido àqueles sintomas”, diz Renata. A seguir, confira
alguns sintomas que, em excesso, podem indicar
ansiedade.

Medos irracionais: quem tem um alto grau de ansiedade


pode perceber a realidade de forma distorcida, experi-
mentando um estado de alerta todo o tempo. Com isso,
ela deixa de viver o presente. “O perigo que a pessoa
extremamente ansiosa percebe no exterior é o reflexo
de seu mundo interno. E é a partir da simbolização dessa
angústia, ou seja, entrando em contato com os medos e
os colocando em palavras que poderá resignificar essa
sensação”, justifica a psicanalista.

Excesso de preocupação: a pessoa ansiosa, muitas vezes,


tem a sensação de que sua mente nunca “desliga”. É como
se as coisas ficassem rodando na sua cabeça em um lo-
oping infinito. Isso faz com que as informações, sejam elas
boas ou ruins, estejam sempre por perto. Como resultado,
o indivíduo se encontra constantemente em um estado
de preocupação, pensando e repensando os aconteci-
mentos do dia e as coisas que ainda estão por vir.

Descontrole financeiro: não é difícil encontrar indivíduos


ansiosos que procuram em determinadas ações uma vál-
vula de escape para esse distúrbio. Em muitas situações,

20 . FIM DA ANSIEDADE
um dos sinais que podem indicar esse problema emo-
cional é a compulsão por compras, uma vez que a pessoa,
como uma fuga das crises, procura uma solução “fácil”.
Nesse caso, ir às compras, à princípio, ajuda a distrair a
mente, trazendo alívio imediato ao ansioso. “Verifica-se
que nos quadros ligados a compulsão, o nível de ansie-
dade é sempre maior do que se espera. Porém, a angústia
pode surgir junto com sentimentos de perda de controle,
culpa, arrependimento e fracasso. Então, é preciso inves-
tigar clinicamente o que estaria desencadeando a ansie-
dade”, completa Renata.

Sensação de sobrecarga: como o pensamento de quem


é ansioso, geralmente, é frenético, é comum que a pessoa
não descanse o suficiente (tanto física, quanto mentalmen-
te). Com isso, qualquer problema acaba ganhando reper-
cussão bem maior do que deveria, causando uma sensa-
ção de sobrecarga. Assim, até mesmo as tarefas mais
simples do dia a dia podem se tornar penosas e difíceis,
comprometendo a qualidade de vida e o bem-estar.

Irritação e nervosismo: não é exagero dizer que a ansie-


dade faz com que os pacientes vivam, constantemente,
em uma corda bamba, sempre esperando o momento
em que terão outra crise. E, para piorar, nem sempre eles
são levados à sério por quem está ao redor. Somado a
isso, a preocupação com o que ainda não aconteceu, o
cansaço frequente, o turbilhão de pensamentos e a inca-
pacidade de viver o agora favorecem o nervosismo e a
irritação, sintomas que podem ser facilmente confundidos
com situações normais da rotina. Porém, quando ocorrem

21 . FIM DA ANSIEDADE
com muita frequência, devem ser responsáveis por ligar
o sinal de alerta da pessoa.

Pensamentos obsessivos: eles são ideias inoportunas


marcadas pela compulsão a realizar atos indesejáveis, nos
quais o sujeito fica em uma luta constante contra essas
ideias. “É um modo de pensar caracterizado por uma ru-
minação mental que limita a vida do sujeito, pois ele fica
aprisionado. O grau de ansiedade é bastante alto e a
pessoa pode sentir necessidade de realizar rituais de for-
ma compulsiva para diminuir a ansiedade provocada por
esses pensamentos obsessivos”, finaliza a profissional.

QUAIS OS RISCOS DE NÃO SE ATENTAR AOS SINTOMAS


DA ANSIEDADE?
Como a mente está ligada ao corpo, se a ansiedade ex-
trapola, vão surgindo dificuldades em lidar consigo próprio
e com o outro. Isso, aos poucos, impede a pessoa de se
sentir segura e confiante, impossibilitando seu funciona-
mento na rotina. “É preciso observar qual o grau de limi-
tação que a ansiedade impõe àquela pessoa. Podem
surgir os sintomas físicos, como todos esses que foram
ditos anteriormente. É importante verificar as causas da
ansiedade ou corre-se o risco de tratar apenas a conse-
quência do distúrbio, ou seja, seus sintomas. A terapia
pode contribuir de forma positiva para esse problema”,
conta Renata.

22 . FIM DA ANSIEDADE
FORA DE CONTROLE
A ansiedade pode até ser algo comum ao ser
humano, mas tudo tem um limite. Quando será
que esse sentimento se torna um problema?

Não seria exagero dizer que qualquer situação de incer-


teza acaba se tornando um gatilho para a ansiedade. Quer
um exemplo? Uma pessoa que foi convocada para dar
uma palestra, mas não se sente totalmente à vontade em
falar ao público, pode desenvolver sintomas desse pro-
blema. Ou, então, aquela viagem de férias tão esperada
está chegando e ainda é preciso resolver algumas pen-
dências. Mais uma vez, o cenário é propício para as crises
ansiosas. Em outras palavras, esse sentimento é bastante
comum entre as pessoas, não sendo um problema à saúde
quando é algo controlado.

23 . FIM DA ANSIEDADE
Contudo, a linha entre o saudável e o risco é bastante
tênue, ou seja, a ansiedade pode facilmente transitar entre
o medo excessivo e a expectativa prazerosa. O segredo,
portanto, é descobrir quando a barreira da normalidade
é cruzada. “A espera do futuro ou daquilo que está para
acontecer é algo positivo. Eu aguardo, eu espero, eu gero
uma expectativa. Com isso, sinto um entusiasmo ou um
medo? A ansiedade é a soma de tudo isso e, se ela fica
exacerbada, ocupa todos os pensamentos, apodera-se
de todas as emoções. Isso passa do limite e a pessoa
começa a tremer, a boca seca, fica mais agitada fisicamen-
te, fala acelerada e tem pensamentos mais compulsivos.
Isso já é um sinal que a ansiedade passou muito além do
ponto”, comenta a coach em inteligência emocional e
especialista no desenvolvimento do potencial humano,
Heloisa Capelas.

AFINAL, QUANDO PEDIR AJUDA?


Algumas pessoas são naturalmente mais ansiosas que
outras e, até aí, tudo bem. O grande problema surge em
decorrência da reação que elas têm diante das situações
que causam ansiedade, isto é, da forma com que lidam
com a expectativa sentida. Se isso evoluir e se tornar um
medo extremo ou um pensamento obsessivo, é hora de
procurar ajuda! “A ansiedade é a deturpação da espera.
Quando a pessoa decide algo, toma uma atitude e precisa
do próximo movimento, mas a próxima ação exige uma
espera. E esse aguardar, em pessoas ansiosas, vira uma
ansiedade, uma doença”, completa Heloisa.
A ansiedade atua como adaptação para situações que
pareçam perigosas ou imprevisíveis. Por isso, um certo

24 . FIM DA ANSIEDADE
grau desse sentimento é saudável e normal, o problema
é quando ele se torna frequente sem motivos aparentes.
“Todos nós ficamos ansiosos às vezes, mas, se as suas
preocupações e os seus medos são tão constantes que
interferem na sua capacidade de levar a vida para frente,
não conseguindo relaxar e ter saúde, você pode estar
sendo afetado pelo transtorno de ansiedade generalizada”,
afirma a terapeuta homeopata Sheila Gutierrez.

SAIBA QUEM PODE AJUDAR


Uma vez detectada as crises de ansiedade, é preciso bus-
car ajuda. Mas quem é indicado nesses casos? Antes de
mais nada, a pessoa deve ter consciência de que, nem
sempre, ela mesma será capaz de diagnosticar o distúrbio.
“O indivíduo pode suspeitar do quadro pelos sintomas
apresentados. Mas é importante um diagnóstico correto,
uma vez que várias doenças podem cursar com sintomas
de ansiedade. Se houver a suspeita, é importante buscar
ajuda de um profissional competente”, esclarece o psi-
quiatra João Jorge Cabral.
O psicólogo vai cuidar dos problemas de ordem com-
portamental e psicológica, por meio de tratamentos como
a psicoterapia. Entretanto, ele não pode receitar nenhum
tipo de medicamento, cabendo apenas a realização de
testes para identificar o grau da ansiedade. Já o psiquiatra
diagnostica problemas de ordem mental, sendo o profis-
sional responsável pela indicação de medicamentos. Am-
bos são importantes no tratamento da ansiedade, por isso,
a doença precisa de um suporte multidisciplinar para que
a eficácia do tratamento seja melhor.

25 . FIM DA ANSIEDADE
O PAPEL DA FAMÍLIA
Além do apoio profissional, a pessoa com ansiedade pre-
cisa de todo o suporte possível proveniente dos familiares.
Por ser um problema emocional, muitas vezes, o paciente
perde o controle sob suas ações, tornando o convívio um
pouco complicado. Nesse momento, os parentes devem
intervir e evitar comportamentos negativos, como falas
do tipo “Você precisar arrumar algo pra fazer” ou “Isso aí
é falta de trabalho”. A desinformação pode levar a esse
tipo de reação da família, então, buscar conhecimento
sobre a doença colabora - e muito - com o quadro da
pessoa ansiosa.

26 . FIM DA ANSIEDADE
IDENTIFICANDO AS CRISES!
Ansiedade e pânico: saiba os sintomas
e as diferenças entre os dois

Já vimos, até aqui, como se manifesta e quais os principais


sintomas da doença - irritabilidade, tensão e insônia, por
exemplo, são alguns dos sinais do problema. A expressão
“crise de ansiedade” se refere a momentos pontuais de
manifestação da doença, e suas causas são diversas. “A
crise de ansiedade é representada pela intensificação dos
sintomas comuns da sensação”, ressalta o psicólogo clínico
Bayard Galvão. Entenda melhor a seguir!

CRISE DE ANSIEDADE
Por se tratar de uma sensação comum, é difícil entender
quando está se passando por um caso normal do dia a
dia ou por uma crise. “Elas podem ter várias manifestações
diferentes e também ocorrerem com frequência bem

27 . FIM DA ANSIEDADE
variada, podendo ter um fator desencadeante ou não”,
afirma a psiquiatra Fernanda Ramallo. A profissional ainda
acrescenta que as crises podem variar com sintomas,
desde uma simples insônia prévia a algum acontecimento,
inquietude, dificuldade de concentração, tensão muscular
e irritabilidade. Ela ainda indica que, nesses casos, um bom
psiquiatra saberá identificar os sintomas e indicar o melhor
tratamento.
Com a manifestação dos efeitos da ansiedade, é comum
que surja uma necessidade de fuga. No entanto, algumas
situações impedem esse ato de fugir, como acontece
em aviões ou elevadores, por exemplo. Esses tipos de
enfrentamento levam o indivíduo a evitar esses locais e
procurar outro tipo de refúgio. “Pessoas com crises de
ansiedade costumam ter a vontade de buscar companhia
para se sentirem protegidas, comer compulsivamente e
até se exercitar desesperadamente”, destaca Bayard.
Dentre os métodos que pessoas ansiosas buscam para
tentar lidar com a doença, o especialista também destaca
fumar, beber e, até mesmo, ficar agressivo.

CRISE DE PÂNICO
Segundo Bayard, a crise de pânico é uma decorrência da
crise de ansiedade. Isso porque o indivíduo que passou
por ela, começa a ter medo de ter outras. “Uma das cruel-
dades da ‘síndrome do pânico’ é que ela pode ser dispa-
rada com uma ansiedade qualquer, como medo de falar
com um chefe que só critica e ameaça. Pois, ao sentir o
desconforto de ir falar com o ele, vem em seguida a per-
gunta: ‘será que terei uma nova crise de pânico?’”, exem-
plifica o psicólogo.

28 . FIM DA ANSIEDADE
Não diferente das crises de ansiedade, os efeitos da crise
de síndrome do pânico são diversos. A questão é que a
manifestação deles pode ser mais grave. “Pode ocorrer
desde crises de desespero inesperadas e medo intenso
de que algo aconteça até sintomas físicos de taquicardia,
dor no peito, sudorese, bolo na garganta e sensação de
morte iminente, que acontecem mesmo sem nenhum
motivo aparente”, explica Fernanda.

DURAÇÃO
As crises tendem a ser pontuais. Segundo Galvão, costu-
mam se prolongar por cerca de 20 minutos, sendo esse
o tempo que o organismo leva para se reequilibrar após
a “inundação de adrenalina, cortisol e variações”. Apesar
disso, ele destaca que na síndrome do pânico o efeito
pode se prolongar. “Devido ao nível de desconforto da
crise, o comum é o indivíduo se dirigir a um hospital, onde
passará por exames. Uma vez verificada a causa como
sendo ansiedade, tenderá a receber calmantes”,
destaca.

FAMÍLIA E AMIGOS
Quando o sujeito está em uma situação de crise, é impor-
tante que a família entenda as necessidades dele naquele
momento. Para Galvão, o cenário perfeito seria o de ajudar
a pessoa a compreender os motivos que desencadearam
aquele momento, porém, esse é um método complicado.
Por isso, o psicólogo sugere que os integrantes do ciclo
social procurem dar tranquilidade e segurança para a
pessoa, tentando entender o que ela precisa: seja medi-
cação, exercícios, um lugar calmo ou ir para o hospital.

29 . FIM DA ANSIEDADE
“Caso as crises comecem a comprometer a vida do indi-
víduo, é recomendado que busquem ajuda em medica-
ções e psicologia clínica, se possível, com alguém que
capaz de auxiliar tanto nas causas quanto nos efeitos”, fi-
naliza Galvão.

30 . FIM DA ANSIEDADE
ACALMANDO OS NERVOS
Algumas práticas simples podem ajudar
a contornar os efeitos da ansiedade

Além dos métodos de tratamento mais comuns para a


ansiedade, ainda existem formas alternativas de combater
os efeitos que ela causa. Atividades prazerosas e relaxantes
podem ser uma arma para ajudar a driblar o sentimento
que esse problema gera, desviando o foco e ocupando
a mente com coisas mais leves e interessantes. Listamos
alguns hábitos que podem auxiliar na fuga da
ansiedade!

MÚSICA
Tanto ouvir quanto tocar música podem ser formas de
evasão dos efeitos do transtorno. Segundo a psicanalista
Cristiane M. Maluf, esses dois métodos melhoram a imu-
nidade e reduzem o nível de cortisol no organismo

31 . FIM DA ANSIEDADE
- hormônio responsável pelo estresse no corpo. “O foco
não é a causa, mas sim o efeito, pois tenderá a desfocar
dos problemas que estão gerando a crise e, se for uma
música calma, inclusive, trará também um relaxamento e
bem-estar”, acrescenta Bayard Galvão, psicólogo clínico.

LER
Esse hábito é importante em qualquer situação, porém,
em quadros de ansiedade pode ser um grande aliado.
“Também tem o mesmo efeito da música, prendendo
nossa atenção e desviando nosso foco do padrão nega-
tivo. Leia o que gosta, aquilo que faz bem, que acalma”,
aconselha Marco Cassel, especialista em comportamento
humano e palestrante motivacional. Bayard ressalta que,
em alguns casos, pode haver uma diferença no efeito. Se
a leitura for sobre como lidar com o motivo da ansiedade,
pode ser que ela aja na própria causa. “Por exemplo, se a
razão da ansiedade for o medo da própria morte, uma
leitura que ensine a partir em paz, dentro do razoável,
trabalhará a causa e não o efeito, mas é raro alguém fazer
isso sozinho”, exemplifica o psicólogo. Galvão explica que
o mesmo pode ocorrer com filmes e músicas também.

CONTATO COM A NATUREZA


Segundo Cristiane, caminhar em meio ao ar livre auxilia
no controle da ansiedade, por aumentar os níveis de en-
dorfina - hormônio do bem-estar - no corpo, essa atividade
eleva a satisfação e afasta o problema. O contato com a
natureza também melhora nossa criatividade, concentra-
ção e memória. “Foco também no efeito, distraindo-se,
mesmo que não haja relaxamento”, reforça Bayard.

32 . FIM DA ANSIEDADE
MINDFULNESS
Esse método de meditação, baseado em se conectar com
o “agora”, pode ajudar a melhorar os quadros de ansie-
dade. Concentrar-se no simples e no momento presente
é um exercício ótimo para pessoas ansiosas. “Essa técnica
fará a pessoa pensar e focar no ‘aqui e agora’, ou seja, o
antes já passou, o depois ainda não chegou. Portanto, o
importante é o momento, trabalhando a ansiedade para
não se ‘pré-ocupar’ com situações e acontecimentos que
ainda nem ocorreram”, destaca Cristiana.
Para Marco Cassel, a “atenção plena” - tradução mais pró-
xima para mindfulness - é estar no presente, conectado
com ele e interagindo com nossos pensamentos, emoções
e sensações, sem julgar ou avaliar, permitindo o fluxo da
vida através do agora.

EXERCÍCIOS
Os benefícios do exercício para a saúde física são muitos,
mas a prática de atividades também pode auxiliar na saúde
da mente. “Os exercícios, de uma maneira geral, são de
extrema importância no tratamento da ansiedade, pois
vão elevar o nível dos neurotransmissores, como a nora-
drenalina, a dopamina e a serotonina, que produzem uma
sensação de relaxamento e bem-estar no indivíduo”, des-
taca Cristiane. Ainda há outro benefício: segundo Bayard,
o relaxamento proporcionado após a prática tem o efeito
semelhante ao de um calmante psiquiátrico. Além do fator
biológico, os exercícios, como o resto dos itens da lista,
servem para distrair a mente e podem se tornar um pas-
satempo. É claro, não se deve exagerar e é necessário,
sempre que possível, consultar um profissional.

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