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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA


CENTRO DE CIÊNCIAS APLICADAS E EDUCAÇÃO
CURSO DE LETRAS- LÍNGUA PORTUGUESA

ALÍCIA LIMA PASCOAL


MARIA EDUARDA DE OLIVEIRA ALVES

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO
ESTÁGIO SUPERVISIONADO I

João Pessoa
SETEMBRO/2019
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ALÍCIA LIMA PASCOAL


MARIA EDUARDA DE OLIVEIRA ALVES

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO
ESTÁGIO SUPERVISIONADO I

Relatório de observação apresentado como


conclusão do Estágio Supervisionado I do curso de
Licenciatura em Letras/Português, sob orientação
da professora Paloma Sabata Lopes da Silva.

João Pessoa
2019
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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................3
2 ATIVIDADE DESENVOLVIDAS .............................................................................x
2.1 Descrição da escola ..................................................................................................
2.2 Análise das aulas observadas ................................................................................
2.3 Reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa e o papel do professor ...............
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................x
REFERÊNCIAS ............................................................................................................19
APÊNDICES .....................................................................................................................
ANEXOS ..........................................................................................................................
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1 INTRODUÇÃO
Este trabalho pretende demonstrar de que forma o ensino de Língua Portuguesa
vem sendo proposto e ensinado em sala de aula, além de observar de quais formas são
dados os assuntos a partir do grau de escolaridade das turmas. O estágio de observação
foi feito em duas escolas da cidade de Rio Tinto – PB, onde uma é localizada no centro
da cidade e a outra um pouco mais afastada e tendo como base uma comunidade de
cultura e tradição indígena.

Objetivando construir um diálogo da teoria com a prática de acordo com os


documentos oficiais que regem a educação brasileira, utilizamos Kleiman (2008), Mello
(2006), Ministério da Educação - MEC (2002), Ribas e Soares (2012), Prestes (1996),
dentre outros que colaboram para uma formação docente e de ensino de Língua
Portuguesa construtivos para a abrangência do Ensino. De tal modo que a experiência
presenciada visa contribuir para a nossa formação enquanto discente, e para a reflexão
de nossas futuras práticas docentes.

Esperamos constatar como se dão as aulas do Ensino Fundamental II e Ensino


Médio dos alunos da rede pública estadual do município citado, além de observar qual a
formação estudantil está sendo propagada, quais os meios pelos quais a dinâmica da
aula é feita e de quais formas está depreendido o ensino pelos professores de língua
materna.
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2 DESENVOLVIMENTO
2.1 PERFIL DA ESCOLA
Foram duas as escolas-campos dessa pesquisa, ambas pertencentes à rede
estadual de ensino da cidade de Rio Tinto. Inicialmente, será tratada a instituição I
(Escola EEF Frederico Lundgren), e posteriormente, a Instituição II (EEIEFM
Guilherme da Silveira).
2.1.1 Instituição I
Na primeira, foram assistidas Às aulas do ensino fundamental, ela localiza-se no
centro da cidade. A escola funciona nos turnos matutino e vespertino com aulas apenas
do Ensino Fundamental I e II (1 ao 9 ano, sendo a noite destinada aos alunos da EJA
(Educação de Jovens e Adultos). A instituição I possui o PPP atualizado, o documento
foi elaborado com a participação de administradores técnicos, professores, alunos e
funcionários da escola.
O número total de alunos é de aproximadamente 289, além disso, a escola
ofereceu o Programa Novo Mais Educação para 150 alunos do Ensino Fundamental I e
II no 1º semestre do ano em curso. Comporta em torno de 40 funcionários do corpo
docente e do corpo de apoio. Nos serviços auxiliares a escola têm 02 cozinheiras, 2
coordenadores pedagógicos, 1 diretor, 1 vice-diretor, 1 secretário, 1 auxiliar
administrativo.
A referida escola possui 6 salas de aulas, 1 diretoria, 1 secretaria, 1 pátio
coberto, 6 banheiros, 1 bebedouro, ventiladores, 7 armário de aço, 6 estantes, 1 cozinha,
etc. Além disso, há ainda um local com livros mas que não chega a ser considerado uma
biblioteca. Com relação aos equipamentos audiovisuais a escola possui: 03
computadores, 1 tela para projeção, 1 retroprojetor, mas que aparentemente são pouco
utilizados pelos docentes. A escola possui também assistência pedagógica, com dois
coordenadores, e ainda uma diretora, e também são realizadas reuniões de pais e mestre
semestralmente para a comunicação e diálogo entre os professores e os pais dos alunos.

Quanto as atividades extracurriculares a escola realiza trabalhos e projetos


pedagógicos e culturais que são desenvolvidos pelos professores em conjunto com seus
alunos, um deles foi realizado pela SEE de Mamanguape-PB, com o intuito de construir
leitores mais proficientes. Implantação do projeto O Uso dos Meios Digitais na
Educação Melhorando a Aprendizagem; jogos escolares estudantis; Como também
Rodas de conversa em que os discentes entram em contato com figuras públicas do
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local, como “Gêneros textuais jornalísticos: do cotidiano escolar ao exercício


profissional.” A escola ainda executa projetos do Governo do Estado como Programa
Liga Pela Paz, que disponibiliza materiais didáticos para trabalhar com os alunos de
todas as séries do ensino regular o desenvolvimento da inteligência emocional e
relacional. E o projeto Se Sabe de Repente que foi desenvolvido por uma iniciativa da
Secretaria de Estado da Educação, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura,
Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer e demais representações do poder
público e sociedade civil, com o objetivo de desenvolver, espaços pedagógicos de
discussão de temas importantes para os jovens, de modo a permitir formas próprias de
interação, expressão e protagonismo das diferentes juventudes na sociedade. Assim
como muitos outros projetos no decorrer do ano letivo.
2.1.2 Instituição II
A escola II pertence a uma região indígena, especificamente À aldeia Monte
Mor, situada na Vila Regina, bairro afastado do centro de Rio Tinto. Ela funciona nos
horários matutino, vespertino e noturno, ofertando graus da educação básica desde os
anos inicias até o Ensino Médio (Educação Infantil, Educação Fundamental I e II de 1º
ao 9º ano, Ensino Médio da 1ª à 3ª Série), incluindo também a Educação de Jovens e
Adultos – EJA.
O número total de alunos é de aproximadamente xxx , com xxx funcionários do
corpo docente e do corpo de apoio. Nos serviços auxiliares a escola têm 02 zeladores, 1
diretora, 1 vice-diretora, 1 coordenador, apenas 01 vigia. A escola possui 7 salas de
aula, 1 cozinha, 1 diretoria, 1 biblioteca e 3 sanitários, 1 pátio grande onde são
realizadas apresentações e eventos, 1 quadra do lado de fora. Pelo fato do prédio ser
reaproveitado, algumas salas não são apropriadas e pelo teto não ser forrado, as vozes
de outras salas se misturam causando um imenso barulho, o que muitas vezes atrapalha
o rendimento. A escola dispõe de assistência pedagógica, com duas coordenadoras, e
ainda uma diretora e secretária, designada pela comunidade indígena. A Secretaria
Especial de Saúde Indígena - SESAI é quem disponibiliza serviços fornecidos da saúde
como vacinação e serviços dentários na escola, periodicamente. No que se refere as
disciplinas da grade curricular, a escola segue as orientações das especificidades da
educação indígena, apresentando além das disciplinas da matriz da base comum, as
disciplinas de: Arte e Cultura, Etno-História e Tupi, com a finalidade de preservar a
cultura do seu povo. Desse modo, de acordo com Constituição Federal, o ensino
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fundamental regular e médio, em áreas indígenas “será ministrado em Língua


Portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas
e processos próprios de aprendizagem”. (BRASIL, 2º parágrafo do artigo 210: 1996).
Assim, a escola-campo busca a formação de cidadãos ativos perante a sociedade
brasileira indígena e não indígena. Para tanto, oferta uma educação diferenciada,
considerando os conhecimentos tradicionais do Povo Potiguara e a sua cultura.

3.0 PERFIL DO PROFESSOR DO ENSINO FUNDAMENTAL E SUA TURMA


O professor supervisor do ensino fundamental possui graduação em Letras-
Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba e é mestre em educação pelo
Profletras, atua em duas escolas da rede pública e tem experiência de mais de vinte anos
na profissão. Na escola referente, o docente leciona nas turmas de 7º,8º e 9ª ano. O
professor muitas vezes utiliza de rescursos próprios, como cópias de atividades. O
docente tem total domínio das turmas, pois na maioria das vezes os alunos se mostraram
atentos e com poucas conversas paralelas. O professor relatou que inicialmente os
alunos eram muito agitados, mas com o tempo conseguiu controlar a situação, impondo
respeito. O mesmo apresenta capacidade profissional adequada para o ensino da
disciplina, ministrando o conteúdo com clareza diante de suas exposições orais.
Além disso, o docente é bem sério e não permite brincadeiras que não façam
parte do assunto, e ainda prioriza a participação dos alunos, sempre pedindo que eles se
envolvam no conteúdo abordado, solicitando que leiam ou respondam À atividade em
conjunto. Sobre isso, sabe-se que é uma dificuldade que envolve a grande maioria dos
professores, que é conseguir a participação de todos os alunos na sala de aula. Segundo
Rozemberg (2018) “É sonho de todo educador ter uma turma participativa,
questionadora, curiosa e engajada. Isso porque muitos alunos são desengajados e não
demonstram interesse nas aulas, além de a única participação ativa ser na conversa
paralela com os colegas.”.
O professor explanou sobre conteúdos gramaticais como orações coordenadas
partindo de uma crÔnica, alegou que muitas vezes procura se atualizar lendo livros de
autores renomados para que o processo de ensinoaprendizagem aconteça de maneira
mais leve e fluída,
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Esse pensamento de atualização e formação continuada é extremamente


necessário porque, Segundo Ribas e Soares:
[...] faz-se necessário uma qualificação dos profissionais
envolvidos neste processo, é fundamental que a equipe docente esteja
bem preparada, por este motivo é extremamente importante uma
formação continuada, onde todos tenham a oportunidade de repensar a
sua prática. Pois, a formação continuada é um processo possível para a
melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto educacional
contemporâneo. (RIBAS e SOARES, 2012, p. 5)

Em meio às suas buscas pelo aprimoramento, o professor busca sempre


contextualizar a gramática, pois segundo ele, focar apenas nas regras gramaticais, sem
algo concreto, faria com que o aluno memorizasse e no outro dia descartasse todo o
aprendizado adquirido. Sobre isso, Prestes afirma que:
“Esse ensino de gramática, contudo, não deve permanecer na
base da regra pela regra, explicada e exercitada com palavras e frases
soltas. Não adianta também utilizar textos apenas como pretextos, ou
seja, apenas retirando-se deles palavras ou frases e continuando-se
com um ensino meramente normativo e classificatório. É preciso
atentar para que esse ensino mais sistematizado da gramática seja
visto em uso e para o uso, constatando-se sua funcionalidade e
procurando-se inseri-lo em situações reais ou que se aproximem o
máximo possível dessa realidade.” (PRESTES, 1996).

O pensamento de Prestes está alinhado ao que pode-se encontrar na BNCC


(2018) referente A importÂncia do contexto de uso, uma vez que muitos alunos não
conseguem acompanhar os conteúdos por não encontrar sentido naquilo que estudam,
justamente por não estar relacionando ao seu cotidino, sendo bem distante da sua
prática. Esses questionamentos também estão presentes no professor regente e por esse
motivo, ele revelou a sua preocupação com a formação, sobretudo ao enfoque
grammatical.
Na turma de oitavo ano, o professor solicitou que dessem o pontapé inicial para
a produção de um livro de crÔnicas , pedindo que inicialmente escolhessem um fato ou
acontecimento real, que envolvesse a sua realidade particular, podendo ser um fato
presenciado em sua rua, cidade, escolar, etc. Vale ressaltar que faz parte de uma
sequÊncia didática sobre o gÊnero.
Segundo Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Fundamental proporcione
aos seus alunos momentos como esse, uma vez que:
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A atividade mais importante [...] é a de criar situações em que os


alunos possam operar sobre a própria linguagem, construindo pouco a pouco,
no curso dos vários anos de escolaridade, paradigmas próprios da fala de sua
comunidade, colocando atenção sobre similaridades, regularidades e diferenças
de formas e de usos linguísticos, levantando hipóteses sobre as condições
contextuais e estruturais em que se dão. É, a partir do que os alunos conseguem
intuir nesse trabalho epilinguístico, tanto sobre os textos que produzem como
sobre os textos que escutam ou leem, que poderão falar e discutir sobre a
linguagem, registrando e organizando essas intuições: uma atividade
metalinguística, que envolve a descrição dos aspectos observados por meio da
categorização e tratamento sistemático dos diferentes conhecimentos
construídos. (BRASIL, 1998, p. 28).

Desse modo, por meio de sequências didáticas como essa, o docente estimula os
usos linguísticos de forma abrangente, com situações do seu cotidiano, tratando de
linguagem e os paradigmas de sua comunidade.

2.2 PERFIL DO PROFESSOR DA EJA E SUAS TURMAS


A professora supervisora da EJA apresenta a formação de Licenciatura Plena em
Letras e é especialista na área, leciona a disciplina de LP na escola desta pesquisa em
outro turno também (matutino). Seu horário nas aulas assistidas é noturno, 2º/3º ciclo da
EJA (Educação de Jovens e Adultos). A professora não utiliza o livro fornecido pelo
Governo Federal na prática de suas aulas, pois justificou dizendo que apenas ela teria o
livro e não teria como os demais acompanharem.
O conteúdo do segundo ano foi figuras de linguagem, a docente levou uma folha
com o resumo da maioria das figuras e foi lendo com a turma, exemplificando. Não
utilizou o quadro, apenas a folhinha para explicação. Introduzia de maneira pausada e
calma, nesse momento, a turma não demonstrou interesse, haviam cerca de oito alunos,
apenas três prestavam atenção no que ela falava. Os discentes conversavam entre si,
mas de uma forma que não atrapalhava a aula, dois alunos foram para o final da sala
conversar e a professora agiu normalmente, outros alegavam estarem cansados do
trabalho.
Sobre isso, sabe-se que a realidade da EJA é bem mais complicada que o ensino
regular pois muitas vezes se trata de alunos que não possuem muita disponibilidade de
estudar em outros horários e já chegam exaustos na escola. Por isso, é preciso que o
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professor possua clareza quanto aos objetivos de ensino, além disso, é necessário o
envolvimento do professor para tentar aproximar ao máximo os alunos desse ambiente
escolar, visto que o número de evasão é extremamente alto.
A Proposta Curricular da EJA aborda que:
"A importância de que cada escola tenha clareza quanto ao
seu projeto educativo, para que, de fato, possa se constituir em uma
unidade com maior grau de autonomia e que todos os que dela fazem
parte possam estar comprometidos em atingir as metas a que se
propuseram; o fato de que os jovens e adultos deste país precisam
construir diferentes capacidades e que a apropriação de conhecimentos
socialmente elaborados é base para a construção da cidadania e de sua
identidade; a certeza de que todos são capazes de aprender (BRASIL,
2002, p.08)."
Apesar da professora ser bastante atenciosa, ainda é necessário que suas práticas
busquem um maior envolvimento dos discentes, que desperte o interesse da turma.
Ao tratar-se do terceiro ano, só haviam quatro alunas, então a professora sentou
perto delas e começou a responder um exercício de fixação da aprendizagem, logo após
fazer uma revisão. A docente perguntava As meninas quais eram as respostas sobre as
funções da linguagem, mas raramente alguma acertava e então ela ia dando
possibilidades de respostas para que chegassem, juntas, a uma conclusão, e só aí, a
alternativa certa era revelada.
Com isso, conclui-se que diversas são as dificuldades enfrentadas pelo professor
da EJA e os discentes, visto que é uma realidade completamente diferente do ensino
regular. Uma vez que os alunos possuem diversas obrigações e muitas vezes não
conseguem encontrar outro horário para estudar, o turno da noite deve ser explorado ao
máximo pelo professor, quanto ao aproveitamento visando a qualidade da educação.
4. Reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa e o papel do professor

Ainda hoje o ensino de Língua Portuguesa (LP) enfrenta diversas questões que
afetam o aprendizado dos alunos e o trabalho do professor dentro da sala de aula, sua
autonomia e desempenho acabam por não satisfazer os objetivos propostos e ou são
interrompidos por fatores outros, como metodologias de ensino pela gestão escolar que
não estão em consonância com seus métodos de ensinar, pouca disponibilidade de
materiais que podem auxiliar nas aulas, um programa de incentivo pouco incentivador,
entre outros. Segundo Kleiman:
“As mudanças no sistema educacional em curso, decorrentes de
todo esse trabalho, criam uma situação de incerteza que
desestabiliza o professor alfabetizador e o professor de língua
materna” (Kleiman, p.488, 2008)
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Esse ensino ainda deficiente ocasiona muitas vezes uma formação crítica pouco
efetiva do aluno, sendo assim, não promove um efeito de adesão temática e nem de
sujeitos ativos dentro da constituição social do seu meio. O professor se encontra
geralmente como aquela figura conteudista, que sua presença é apenas a de “passar”
conhecimento, o único detentor dos conhecimentos acerca do tema, e esse fator acaba
por contribuir para os alunos criarem uma aversão a língua materna e seu aprendizado
sobre tal. Para afirmar o que está sendo discutido, Beividas e Ravanello dizem:

“[...] se tivermos de linguagem um entendimento de meio de


transmissão (de idéias, de pensamentos, de sentimentos), ou de
modo de sua expressão, ou ainda de instrumento ou veículo de
comunicação (sobre o mundo dos fatos objetivos ou subjetivos)
[...]. Esses entendimentos, na verdade, situam tudo,
implicitamente, fora ou anterior a linguagem: temos idéias,
temos sentimentos, pensamentos, há o mundo, os objetos e os
fatos, [...], em seguida, tudo isso é veiculado, transmitido, por
um instrumento, sofisticado sim, mas apenas instrumento de
veiculação, a linguagem.” (Beividas e Ravanello, 2006, p.122)

Pensando sobre esse fato é necessário também distinguir que nem toda figura de
professor oferece este perfil tradicional, mas também depreende de uma forma de
ensinar mais dinâmica, sociável e interativa, por tais atitudes de inovação ganha espaço
e confiança dos alunos, tendo um maior desempenho tanto no que tange o aprendizado
dos seus alunos, como na sua forma de lecionar e direcionar o olhar da turma para os
temas.

A profissão do professor de Língua Portuguesa vem ganhando espaço mesmo


diante tantos problemas mediante a educação brasileira, sua movimentação
interdisciplinar ajuda no desempenho e competência do seu público, pois desenvolve
neles uma interação intra e extra sala de aula que provoca uma maior associação
temática e humana. Nesse aspecto por se integrar a outras turmas, havendo assim um
misto de conhecimento, debate e discussão sobre a produção dos projetos elaborados
por todos, sejam eles feitos em conjunto ou não. Sobre tal fato Mello diz:

“A enunciação é vista como um produto da interação de dois ou


mais indivíduos socialmente organizados: o locutor e o(s)
alocutário(s). Entretanto, o termo [...] traz consigo uma
pluralidade de sentidos. Sabemos que para que haja comunicação
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é preciso pelo menos duas pessoas. Dialogismo refere-se


exatamente a essa estrutura.” (Mello, 2006, p.107)

Dessa forma, o professor passa a desempenhar o papel de mediador do


conhecimento, deixando de tornar a aula cansativa e desgastante para a classe, no
entanto, a mudança de método de ensino não deve afetar os conteúdos a serem
apresentados, mas sim contribuir para a efetivação da educação e conciliar a integração,
dinamicidade e o conteúdo. Ocorre então a comunicação por excelência, pois além do
educador todo o alunado se envolve nas práticas de extensão (caso haja) e faz com que o
transcorrer das atividades seja algo natural e ao mesmo tempo construtivo.

A LP por si abrange um nível de particularidades relativamente grandes de


regras e normas, levando em consideração o contexto de sala de aula, o conhecimento
de mundo dos alunos e a disponibilidade de tempo para a adesão dos conteúdos. Seu
sistema de composição leva muitos alunos a apenas decorar o assunto para determinado
fim – seja ele, trabalhos, provas, seminários, estudos dirigidos, etc. – com isso, a
maneira de ensinar deve levar em conta todos esses aspectos, contando com a
dificuldade da gramática básica e das formas como são colocadas no Livro Didático
(LD).

Esse último desempenha, na maior parte dos ensinos tradicionalistas, o foco


central do aprendizado, em outros contextos desempenha função de auxiliar o professor
no ensino da nossa língua.

As contextualizações textuais vêm sendo mais desenvolvidas no âmbito da


escrita e da leitura, para tanto, ainda são um tanto mecânicas e prototípicas, “fabricadas”
apenas para funcionar naquele contexto específico de explicação teórica/gramatical da
aula. Como explica Kleiman:

“O descompasso entre o ensino pretendido e o realizado


diz respeito à complexidade de uma situação de uso da língua
escrita que considera, em primeiro plano, a situação de
comunicação e que extravasa, por isso, o escopo das análises dos
também complexos aspectos textuais (do gênero em questão), que
são passíveis de teorização lingüística e textual-enunciativa (e o
tem sido tradicionalmente).” (Kleiman, 2008, p.504)
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O LD ainda é constituído por questões sócio-políticas que dão ênfase a


determinados pontos e outros são pouco explanados. O professor/mediador deve ser o
sujeito que estimula o aprendizado conciliando a conhecimento internalizado e de
mundo do aluno, dessa forma há uma maior interação entre ambos, além de fortalecer a
união da língua com o sujeito (aluno), promovendo uma maior eficácia no ensino de LP
e a constante construção do educando como ser social.

5. Considerações finais

Por meio das observações e experiências proporcionadas pelo estágio foi


possível notar que há certa discrepância no que tange a conexão entre a teoria e a prática
do papel do professor dentro da sala de aula, no entanto, esses fatores são de extrema
importância para o ingresso na vida profissional como docente de Língua Portuguesa
por trazer a tona dificuldades apresentadas na vida real em um convívio coletivo entre
corpo docente, alunos e corpo pedagógico.
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As informações obtidas por meio dessa atividade curricular foi de muita


importância para a formação como estudantes do curso de Letras, enriqueceu a
percepção de como ocorre a vivência em sala, além de poder perceber como se dá o
processo de ensino-aprendizagem. No tocante do convívio entre professor e aluno, e de
quais formas as relações de convivência entre si são afetadas, podemos perceber
algumas dificuldades enfrentadas pelos professores supervisores, como a falta de espaço
físico, a falta de incentivo e dedicação dos alunos, a seleção de dinâmicas para o
conteúdo, entre outros, mas contudo, os docentes inviabilizam suas próprias formações
acadêmicas e superam-se ao sempre procurar inovar dentro do que lhes é possível e
cabível.

O estágio foi de uma oportunidade única de poder ter o primeiro contato com a
sala de aula e seus aspectos particulares de funcionamento, além de poder ver como é o
dia a dia dos alunos dentro do ambiente escolar concomitantemente com a postura dos
professores dentro e fora da sala de aula.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta
Curricular para a educação de jovens e adultos: segundo segmento do ensino
fundamental: 5a a 8a série. Brasília, 2002. 240 p., v. 3, MEC. Secretaria de Educação
Fundamental.

PRESTES, Maria Luci de Mesquita. Ensino de português como elemento consciente


de interação social: uma proposta de atividade com texto. Ciências & Letras. Porto
Alegre: FAPA, n. 17, p.189-198, 1996.

RIBAS, Marciele Stiegler; SOARES, Solange Toldo. Formação de Professores para atuar na
Educação de Jovens e Adultos: uma reflexão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da
prática docente. In: Anais do IX Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul – ANPED
SUL. Caxias do Sul - RS: Universidade de Caxias do Sul, 2012, p. 01–16.
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Anexos

Material utilizado para a aula de Figuras de linguagem pela professora da EJA


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Material utilizado para a aula de Linguagem e funções da linguagem da EJA