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ESTUDO DIRIGIDO

RECURSOS
Professor: Daniele Alves Moraes

Aluno:

1) Pode o Tribunal, em julgamento de apelação interposta contra sentença de extinção,


julgar o mérito sem que este tenha sido julgado pelo juízo a quo? Isso poderia implicar
em reformatio in pejus?
Art. 1.013 (...) § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o
tribunal deve decidir desde logo o mérito quando:
I - reformar sentença fundada no art. 485;
II - decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do
pedido ou da causa de pedir;
III - constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-
lo;
IV - decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação.
O Tribunal pode sim julgar o mérito, desde que a causa esteja madura. Não implica em
reformatio in pejus, pois a primeira decisão não analisou o mérito, portanto não há que
se falar em piora.

2) Se o juiz indeferir a inicial liminarmente, e o autor apelar dessa sentença que julgou
extinto o processo, sem julgamento do mérito, o Tribunal pode, nesta apelação, julgar o
mérito da causa, se esta versar questão exclusivamente de direito?

De acordo com o novo CPC sim. Art. 1.013, parágrafo 4º. De acordo ainda com
Eduardo Talamini:
Se o magistrado não se retratar, antes de encaminhar os autos ao tribunal ele deverá
determinar a citação do réu para responder ao recurso (art. 332, § 4º).

As contrarrazões do réu terão conteúdo análogo ao de uma contestação, tendo em vista


que será sua primeira manifestação no processo. Mas buscará reforçar a argumentação
do magistrado, em defesa da sentença prolatada. Ventilados, pelo réu, defesa preliminar
ou fato novo, faz-se necessário assegurar o contraditório e proceder à intimação do autor
para que se manifeste sobre o alegado.

Sendo o caso de reforma da sentença, estando o processo em condições de julgamento


(i.e., não havendo necessidade de produção de provas), o tribunal poderá desde logo
examinar o mérito e julgar procedente a demanda – inclusive quando em primeiro grau
se havia afirmado a prescrição ou decadência (art. 1.013, § 4º).

É esse ponto que exige especial atenção para que não se sacrifique o direito de defesa do
réu. Impõe-se reconhecer que as contrarrazões, na apelação contra a rejeição liminar do
pedido, veiculam mais do que resposta recursal. Elas constituem o veículo da defesa do
réu. Assumem o papel normalmente atribuído a contestação.

Então, nesse caso, é indispensável – sob pena de nulidade – que no mandado de citação
do réu conste expressamente a advertência prevista no art. 250, II, segunda parte, do
CPC, quanto à consequência da não apresentação de defesa.
3) Qual a diferença entre error in iudicando e error in procedendo e a consequência no
caso de cada um deles serem reconhecidos pelo Tribunal?
Barbosa Moreira:

“O error in procedendo implica em vício de atividade (v.g., defeitos de estrutura formal


da decisão, julgamento que se distancia do que foi pedido pela parte, impedimento do
juiz, incompetência absoluta) e por isso se pleiteia neste caso a INVALIDAÇÃO da
decisão, averbada de ilegal, e o objeto do juízo de mérito no recurso é o próprio
julgamento proferido no grau inferior” (destacado).

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO


COMPULSÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. JULGAMENTO ANTECIPADO
DA LIDE. ERROR IN PROCEDENDO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A
INSTÂNCIA DE ORIGEM. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Segundo a
jurisprudência desta Corte, é lícito ao Tribunal local, identificando error in procedendo
consubstanciado no julgamento antecipado da lide, determinar o retorno dos autos à
instância inferior para julgamento com dilação probatória, não havendo espaço para
falar em preclusão. 2. Agravo regimental não provido.
(STJ - AgRg no REsp: 1172705 AL 2010/0000800-0, Relator: Ministro RICARDO
VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento: 06/02/2014, T3 - TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: DJe 20/02/2014)

A consequência é anular a sentença e determinar o retorno ao primeiro grau para que


possa ser julgada.

“o error in iudicando é resultante da má apreciação da questão de direito (v.g.,


entendeu-se aplicável norma jurídica impertinente ao caso) ou de fato (v.g., passou
despercebido um documento, interpretou-se mal o depoimento de uma testemunha), ou
de ambas, pedindo-se em conseqüência a REFORMA da decisão, acoimada de injusta,
de forma que o objeto do juízo de mérito no recurso identifica-se com o objeto da
atividade cognitiva no grau inferior da jurisdição” (destacado).

A consequência é a reforma da sentença. Se a causa estiver madura pelo próprio


tribunal, caso contrario pelo juízo de origem.

4) Em sede de Agravo de Instrumento, o relator pode atribuir ao recurso o chamado


efeito suspensivo ativo? Justifique.

Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído imediatamente,


se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o relator, no prazo de 5
(cinco) dias:
I - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela,
total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão;
O relator tem o poder de conceder efeito suspensivo à decisão agravada e ainda
conceder a medida de urgência.

5) Os Embargos de declaração são, muitas vezes, utilizados para o fim de


prequestionamento. O que é prequestionamento e como a parte deve prequestionar a
matéria? O STJ e o STF exigem prequestionamento implícito ou explícito?
Trata-se de um termo que se refere à exigência de que a parte provoque o surgimento da
questão federal ou constitucional no acórdão proferido na decisão recorrida.

Conforme destaca Teresa Arruda Alvim Wambier:

“A exigência do prequestionamento decorre da circunstância de que os recursos especial


e extraordinário são recursos de revisão. Revisa-se o que já se decidiu. Trata-se na
verdade, de recursos que reformam as decisões impugnadas, em princípio, com base no
que consta das próprias decisões impugnadas.”
O prequestionamento nada mais é do que a exigência de que a tese jurídica defendida no
recurso tenha sido referida na decisão recorrida.

STJ exige explicito, STF aceita implícito. O novo CPC regulamentou a possibilidade do
prequestionamento ficto em seu art. 1.025.
Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante
suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam
inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão,
contradição ou obscuridade.

6) Quais são as hipóteses de cabimento dos embargos de declaração e o que é o efeito


infringente dos embargos de declaração?

Eduardo Talamini: O objetivo dos embargos de declaração é o esclarecimento,


complemento ou correção material da decisão. Portanto, eles não se prestam a
invalidar uma decisão processualmente defeituosa nem a reformar uma decisão que
contenha um erro de julgamento. Por isso, é comum dizer-se que os embargos de
declaração não podem ter efeito modificativo da decisão impugnada (o chamado
efeito ou caráter “infringente”).

No entanto, “infringentes” quaisquer embargos declaratórios podem ser, no


cumprimento de sua função normal. Ao se suprir a omissão, eliminar a contradição,
esclarecer a obscuridade ou corrigir o erro material, é sempre possível que a decisão
de resposta aos embargos altere até mesmo substancialmente o teor da decisão
embargada. Por exemplo, o juiz havia julgado procedente o pedido condenatório ao
pagamento de quantia. No entanto, omitiu-se de examinar a questão da prescrição da
pretensão de cobrança – que foi objeto de alegação pela parte e deveria até ser
conhecida de ofício. Uma vez apontada essa omissão em embargos de declaração e
constatada pelo juiz, seu suprimento poderá alterar essencialmente o resultado do
julgamento. Ao examinar a questão da prescrição e tê-la por ocorrida, o juiz emitirá
um julgamento de mérito desfavorável ao autor, antes vencedor. Mas – reitere-se –
quando isso ocorrer, estar-se-á diante da função normal, típica, dos embargos.

O que normalmente não se admite é o emprego puro e simples dos embargos


declaratórios com o escopo de se rediscutir aquilo que o juiz decidiu. Nesse caso,
afirma-se que se trata de caráter puramente infringente. Em regra, quando isso
acontecer, os embargos deverão ser rejeitados.

Numa hipótese específica, a lei determina o aproveitamento do ato, numa especial


aplicação do princípio da fungibilidade: se os embargos forem interpostos contra
decisão monocrática de relator com a mera pretensão de efeitos infringentes cabe a
sua conversão em agravo interno, devendo ao recorrente ser oportunizada a
complementação das razões recursais, para adequá-la às exigências do art. 1.021 e
eventualmente acrescentar outros fundamentos e pedidos que não haviam sido
incluídos (art. 1.024, § 3.º).

Mas se abre uma verdadeira exceção à vedação de efeitos puramente infringentes nos
casos extremos em que uma decisão não é passível de nenhum outro recurso, senão
embargos declaratórios, e padece de defeito gravíssimo que não se caracteriza como
omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Embora havendo grande
controvérsia, doutrina e jurisprudência (inclusive do STF e STJ) tendem a admitir a
utilização dos embargos declaratórios em tais casos – com efeitos infringentes
atípicos.

Em qualquer caso em que os embargos possam assumir caráter infringente – seja no


cumprimento de sua normal função, seja no seu emprego atípico –, antes de decidi-
los o julgador deve ouvir a parte contrária no prazo de cinco dias (art. 1.023, § 2.º).

7) Relativamente à multa: Em quais situações ela deve ser aplicada e como se dá a sua
reincidência? Aplicada a multa, a interposição de outro recurso fica condicionada ao seu
pagamento. E se ela foi incorretamente imposta (porcentagem exorbitante ou errônea),
como deve a parte agir nessa situação?

R: Quando os embargos de declaração forem protelatórios o juiz ou tribunal em decisão


fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a
2% sobre o valor atualizado da causa, vide art. 1023, §2º, CPC. Contrariando reiterados
embargos de declaração com intenção protelatória a multa será eleva a até 10% sobre o
valor atualizado da causa e a interposição de qualquer recurso restará condicionada ao
depósito prévio do valor da multa. Não serão admitidos novos embargos de declaração
se os dois anteriores tiverem sido protelatórios, como dispõe o art. 1023, §4º, CPC.
Caso a multa tenha sido aplicada em caso errôneo a parte prejudicada deve embargar,
com a prerrogativa de erro material.

8) João firmou com Firmino um contrato de comodato. João, confiando na palavra de


seu primo Firmino, apenas realizou contrato verbal. Dentre as condições, ficou acertado
que Firmino não poderia trazer ninguém para residir no imóvel em sua companhia, sob
pena de rescisão contratual. Após dois meses, Firmino adquiriu um cachorro. João, ao
tomar conhecimento do fato, ingressou no Judiciário com o fim de rescindir o contrato
de comodato. A única que prova escrita que João possuía era uma declaração de
Firmino, dada em um pedaço de guardanapo, com os seguintes dizeres: “declaro que, se
eu trouxer qualquer ser para residir comigo no imóvel de João, o contrato será
rescindido imediatamente”. Em sede de apelação, o tribunal decidiu que o fato de
Firmino ter adquirido um cachorro não justifica a rescisão contratual, visto que restou
demonstrado nos autos, inclusive por testemunhas, que, na verdade, a cláusula
contratual que proibia outro ser no imóvel se referia a pessoas e não a semoventes,
mantendo-se o contrato de comodato. João, inconformado, ingressa com recurso
extraordinário, arguindo que o tribunal não interpretou bem o contrato, pois a expressão
“ser” abrange humanos ou semoventes. Além disso, alega que o indeferimento pelo
tribunal do pedido de rescisão do contrato de comodato ofende o Código Civil, no seu
art. 582, visto que o comodatário usou a coisa de forma diversa da acordada no contrato,
bem como ofende, consequentemente, o seu direito fundamental à propriedade,
assegurado pela Constituição Federal.
a) O recurso extraordinário interposto deve ou não ser admitido? Por que?
Não. Supressão de instancia; art. 102, III CF e não tem repercussão geral do acordo com
o art. 1.035, parágrafo 1º.
b) Qual é o órgão competente para julgar o recurso extraordinário? A que órgão deve
ser dirigido?
STF por meio de suas turmas, deve ser interposto no tribunal recorrido sendo
competente para recebe-lo o presidente ou vice-presidente.

c) Poderia ter sido interposto e admitido, no caso, Recurso Especial?


Sim, desde que preenchidos os requisitos do cabimento do Recurso Especial.

9) “A” moveu ação contra “B” objetivando fosse determinada ao Réu a apresentação de
contrato firmado entre as partes, para posterior declaração da correta interpretação de
cláusula contratual (Súmula n. 181 do STJ). “B” contestou o feito alegando que não
localizou o contrato, o que ensejou o julgamento de procedência do feito ante a
presunção de veracidade a que se refere o artigo 397 do CPC, com a condenação dele
(“B”), ao pagamento da verba honorária, fixada em 5% sobre o valor da causa. Foi
interposto Recurso de Apelação por ambas as partes; “A” buscou a majoração da verba
honorária e “B” a reversão do julgamento de mérito, ante a inaplicabilidade ao caso do
artigo 397 do CPC. Os recursos restaram desprovidos. “A”, então, opôs embargos de
declaração objetivando o prequestionamento do artigo 85, §§ 2º e 8º do Código de
Processo Civil. Já “B” ingressou com Recurso Especial alegando contrariedade ao
artigo 397 do CPC. Os embargos de declaração foram rejeitados e “A” também interpôs
Recurso Especial, almejando a majoração da verba honorária ou, sucessivamente, a
nulidade do acórdão dos embargos de declaração (contrariedade ao artigo 1.019, II do
CPC). Em análise de admissibilidade dos Recursos Especiais, o presidente do Tribunal
de Justiça entendeu por não admitir os recursos. O de “A” pela ausência de
prequestionamento e o de “B” pela ausência de ratificação do Recurso Especial após o
julgamento dos embargos de declaração. Pergunta-se:
a) Quanto ao Recurso Especial de “A”: está correta a decisão de não admissão no que se
refere ao artigo 1.019, II, do CPC? Seria necessária a oposição de novos declaratórios
(os segundos) para prequestionar o artigo 1.019, do CPC? Não de acordo com o art.
1.025.
b) Ainda quanto ao Recurso Especial de “A”: a simples oposição de Embargos de
Declaração não seria suficiente para dar-se como prequestionado o artigo 85, §§ 2º e 8º
do CPC? Sim, art. 1.025.
c) Quanto ao Recurso Especial de “B”: se os declaratórios foram rejeitados, ou seja: se
não ocorreu qualquer modificação no acórdão pelo qual se apreciaram as apelações, está
correta a decisão que entendeu pela necessidade da ratificação do Recurso Especial?
Art. 1.024, § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a
conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da
publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado
independentemente de ratificação.

10) “A” interpôs Recurso de Apelação contra determinada sentença, que permitia a
criação de um sindicato, alegando que tal decisão ofendia dispositivos da CLT, e era,
também, inconstitucional, pois violava o princípio da unidade sindical, previsto no art.
8º da CRFB. O Tribunal, entendendo que não eram procedentes ambos os fundamentos
do recurso, manteve a decisão de primeiro grau. “A”, então, interpôs contra esse
acórdão Recurso Extraordinário, por ofensa ao art. 8º da CRFB, deixando, porém, de
interpor Recurso Especial a respeito da matéria infraconstitucional. Pergunta-se:
a) Neste caso, pode ser conhecido o Recurso Extraordinário? Aplica-se, no presente
caso, a súmula 283 do STF? Sim, não se aplica a súmula.
b) Caso fossem interpostos ambos os recursos, especial e extraordinário, qual deles
deveria ser julgado em primeiro lugar? Especial.