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CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO – FAE

LABORATÓRIO DE
ENGENHARIA QUÍMICA II
EXPERIÊNCIA: EQUILÍBRIO LÍQUIDO-LÍQUIDO

Ana Cristina Zocolau Alves RA: 16549-8

Antonio Henrique Gimenes RA: 16553-0

Augusto Cesar Januario RA: 16555-5

Bruno Ricardo Remédio RA: 16557-1

Daniele Viviane Hipolito RA: 15789-1

São João da Boa Vista - SP

Novembro/2013
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

SUMÁRIO:

1. RESUMO __________________________________________________________ 01

2. INTRODUÇÃO _______________________________________________________ 03

3. OBJETIVO ___________________________________________________________ 06

4. MATERIAIS E MÉTODOS ______________________________________________ 07

4.1 Materiais e Equipamentos _____________________________________________ 07

4.2 Metodologia ________________________________________________________ 08

4.2.1 Determinação da Curva Binoidal _______________________________________ 08

4.2.2 Determinação das Linhas de Amarração __________________________________ 09

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES _________________________________________ 10

6. CONCLUSÃO ________________________________________________________ 15

7. BIBLIOGRAFIA ______________________________________________________ 16
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

1. RESUMO:

A extração líquida é uma das principais alternativas a ser considerada, quando a


separação por destilação é ineficiente ou muito difícil. Para separar misturas líquidas cujos
componentes apresentam volatilidade relativa próxima de 1,0 ou substâncias sensíveis
termicamente, pode-se aplicar a extração em substituição à destilação a vácuo, por exemplo. Na
extração utiliza-se a diferença de solubilidade dos componentes em substituição a diferença de
pressão de vapor.
Existem algumas aplicações de extração como a recuperação de penicilina do caldo de
fermentação pela extração com solvente como butil acetato, recuperação de ácido acético de
soluções aquosas diluídas, refino do petróleo, recuperação de óleo de líquido residuais no
processamento mecânico, etc.
Os equipamentos para a extração podem operar em batelada ou contínua. Uma
determinada quantidade de líquido (soluto + líquido diluente) é misturada convenientemente
com o solvente extrator,

Figura 01: Esquema simplificado de uma unidade simples de extração batelada.

Fase líquida I: diluente+soluto+solvente.


Fase líquida II: diluente+soluto+solvente.
O fato de alguns pares de líquido puros, quando misturados em proporções apropriadas
não formarem apenas uma fase líquida homogênea, mas duas fases líquidas com diferentes
composições e estas fases estarem em equilíbrio, é chamado de equilíbrio líquido-líquido.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Figura 02: Coordenadas do Diagrama Triangular.

As coordenadas do triângulo eqüilátero são utilizadas para representar dados de equilíbrio


para um sistema com três componentes, uma vez que precisamos de três eixos. O diagrama é a
representação gráfica que mostra que os componentes A (solvente) e B (diluente) e C (soluto).
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

2. INTRODUÇÃO:

Quando alguns pares de líquidos puros são misturados em proporções apropriadas a


certas temperaturas e pressões, não formam apenas uma fase líquida homogênea, mas duas
fases líquidas com diferentes composições. Este fato acontece devido ao estado bifásico ser
mais estável que o estado monofásico. Se estas fases estão em equilíbrio, então o fenômeno é
chamado equilíbrio líquido-líquido.
A partir do momento em que líquidos parcialmente miscíveis se põem em contato,
aparece um intervalo de composições, no qual as duas fases líquidas existem em equilíbrio uma
com a outra. A adição de qualquer componente a um sistema de duas fases, não modificará a
composição de ambas as fases, mas altera a proporção em que estão presentes. As composições
podem exprimir-se na base de fração mássica ou fração molar.
Os dados de equilíbrio líquido-líquido são representados, usualmente, num gráfico
denominado diagrama ternário. Estes gráficos representam isotermas numa pressão suficiente
para manter o sistema inteiramente líquido. O uso de tais diagramas demonstra as relações de
fase nos sistemas líquidos ternários.

Figura 03: Leitura do Diagrama ternário.

De acordo com Treybal, as distâncias, como representada na figura 1, do ponto P aos


lados do triângulo correspondem as frações molares (ou mássicas) dos componentes. Os
vértices dos triângulos representam os componentes puros e os lados representam as misturas
binárias dos componentes que aparecem nos dois vértices que compõem o lado.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

A extração liquido-liquido, extração com solvente ou extração líquida, é o processo de


separação que é baseado na seletividade, ou seja, na diferente distribuição dos componentes a
serem separados entre duas fases Iíquidas. Isso depende da transferência de massa do
componente a ser extraído de uma fase para outra.
Três componentes estão envolvidos no processo, geralmente. Simplificando o problema,
componentes chaves são definidos. A alimentação (feed) é a solução que contem o componente
a ser separado. A solução com solvente que deixa a célula de extração é o extrato e a
alimentação exaurida que sai da célula é chamada de rafinado.
Esta operação se da em três etapas: mistura inicial (onde a alimentação e o solvente são
colocados em contato), agitação (com objetivo de promover a emulsão óleo/solvente para assim
facilitar a transferência de massa) e a separação da mistura em duas fases.
Através do contato íntimo da solução com outro líquido é possível obter o
fracionamento dos constituintes. Entretanto para que esta operação ocorra é necessário que os
dois líquidos em contato sejam imiscíveis ou miscíveis, possibilitando desta forma a
transferência dos constituintes de um líquido para outro, seguido da separação física das duas
fases formadas, extrato e rafinado. O rafinado é a solução residual da alimentação a qual é
pobre em solvente enquanto que, a solução rica em solvente, contendo o soluto ou solutos
extraídos, é conhecida como extratos.

Figura 04: Diagrama Triangular.


Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

O diagrama ternário, a curva de equilíbrio líquido-líquido (Curva Binoidal), estão


representados na Figura 02. Os vértices do triângulo correspondem aos componentes puros (A,
B, C), e os lados às misturas binárias. No diagrama triangular as composições são normalmente
dadas em frações mássicas. O ponto P é designado por Ponto Crítico ou Plait Point e
corresponde a ter um extrato e um resíduo em equilíbrio com a mesma composição, o que
implica que, para estas condições, a extração é impossível. No diagrama triangular estão
também representadas as linhas que unem os extratos e os resíduos em equilíbrio, as quais se
designam por Tie-Lines. A curva de equilíbrio e as respectivas tie-lines traçam-se,
normalmente, com base em resultados experimentais.

3. OBJETIVO:
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

O objetivo deste experimento é a determinação da curva Binoidal e as linhas de


amarração através dos limites entre uma fase aquosa e uma fase orgânica de um sistema
ternário água-ácido acético-acetato de etila.

4. MATERIAIS E MÉTODOS:
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

4.1 Materiais e Equipamentos:

 Células (funis de separação);


Marca: Vidrolabor
 Células encamisadas
Marca: Vidrolabor
 Agitadores;
Marca: Fisatom
Potência: 25 W
Voltagem: 115V
Modelo: 710
 Banho termostático;
 Termômetros;
 Provetas;
 Água destilada;
 Ácido acético;
Concentração: de 10%, 15%, 20%, 25% e 30%.
 Acetato de etila;
Concentração: 0,02M
 Buretas;
 Solução de NaOH;
Concentração: 2M
 Balança;
Marca: Bioprecisa
Modelo: 2104N
Carga Máxima: 215g
Carga Mínima: 0,01g
 Agitadores magnéticos;
Marca: Fisatom
Potência: 30 W
Voltagem: 115V
Modelo: 753
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

 Indicador: Fenolftaleína

4.2 Metodologia:

O experimento em questão foi realizado em duas etapas, a primeira foi a


determinação da curva Binoidal do sistema ternário (1)-água/ (2)-ácido acético/ (3)-
acetato de etila a 20oC e a determinação das Linhas de Amarração do sistema ternário
(1)-água/ (2)-ácido acético/ (3)-acetato de etila a 20ºC.

4.2.1 Determinação da Curva Binoidal:

 Usando a bureta com o ácido acético, adicione cerca de 4 ml deste componente para tornar a
mistura novamente homogênea (anote a quantidade exatamente adicionada). Com a mistura
homogênea, torne a titular com o acetato de etila até que a mistura se torne leitosa
novamente, e assim por diante. Devem ser determinados pelo menos nove pontos.
 Repetir o mesmo procedimento com a outra célula colocando inicialmente cerca de 100 ml
de acetato de etila e preparar uma bureta com ácido acético e outra com água destilada.
Titular com a água destilada até tornar a mistura leitosa e homogeneizá-la também com
cerca de 4 ml de ácido acético.

Figura 05: Modelo esquemático do procedimento.


4.2.2 Determinação das Linhas de Amarração:
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 Regular e manter o banho termostático em 20ºC ou na temperatura usada no experimento da


curva Binoidal. Colocar em cada célula cerca de 100 ml de solução aquosa de ácido acético
de composição adequada. Use 10, 15, 20, 25 e 30% de ácido acético em volume. Meça os
volumes com uma proveta, já que não é necessária a precisão do valor destes. Adicione
ainda mais 100 ml de acetato de etila em cada célula, também medido em proveta.

 Agite durante trinta minutos e deixe decantar por mais 30 minutos.


 Depois de atingido o equilíbrio, tome duas amostras de cerca de 10 ml de cada uma das
fases, pese-as e determine a concentração do ácido acético (fazendo a titulação de uma
solução padronizada de NaOH e usando fenolftaleína como indicador). Para a titulação da
fase orgânica adicione aproximadamente 5 ml de etanol para evitar a formação de duas fases
e inibir a hidrólise alcalina do acetato de etila durante o procedimento.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES:

Foram obtidos através do experimento os volumes de acetato de etila e de ácido acético


para se obter a curva Binoidal.

Tabela 01: Volumes obtidos.


Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Foi possível calcular a massa de cada componente.

Tabela 02: Massa específica dos elementos utilizados a 20 °C.

Tabela 03: Cálculo das massas.

Através da massa obteve as porcentagens mássicas na fase aquosa.

Tabela 04: Cálculo das porcentagens mássicas.

Através dos dados obtidos foi traçado os pontos de cor laranja no Diagrama de Fases
(Figura 06).
Para a fase orgânica foram feito o mesmo procedimento. Através do experimento obteve
os volumes de acetato de etila e de ácido acético para se obter a curva Binoidal.

Tabela 05: Volumes obtidos.


Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Foi possível calcular a massa de cada componente.

Tabela 06: Cálculo das massas.

Através da massa obteve as porcentagens mássicas na fase orgânica.

Tabela 07: Cálculo das porcentagens mássicas.

Através dos dados obtidos foram traçado os pontos de cor verde no Diagrama de Fases
(Figura 06).
A curva Binoidal do sistema foi traçada a partir dos pontos da fase orgânica e da fase
aquosa, esta curva foi determinada seguindo o sentido de seqüência dos pontos, formando uma
curva côncava.
Quando compararmos os dados da literatura com os experimentais, observamos que os
valores da porcentagem mássica do elemento predominante nas duas fases são bem
aproximados, porém para a determinação do ponto de separação das fases os valores do
produto titulado para formar a fase homogênea e para voltar a fase heterogênea, são muito
discrepantes, com isto a curva obtida certamente será diferente da curva encontrada na
literatura, provavelmente isto é devido a temperatura e a pureza dos reagentes utilizados e pela
diferença de temperatura na realização do experimento.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Tabela 08: Dados utilizados para realização dos Cálculos das Linhas de Amarração.

Tabela 09: Resultados obtidos na fase aquosa.

Tabela 10: Porcentagens mássicas da fase aquosa.


Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Tabela 11: Resultados obtidos na fase orgânica.

Tabela 12: Porcentagens mássicas da fase orgânica.

As Linhas de Amarração foram traçadas sobre o diagrama da figura 06, e desta forma as
linhas de amarração se relacionaram a curva Binoidal.

Gráfico 01: Pontos da Curva Binoidal e Linha de Amarração.

Após traçar a curva Binoidal (união dos pontos laranja e verde), observa-se sem
muito esforço que as linhas de amarração ultrapassam os limites da curva Binoidal, ou
seja, em um sistema perfeito este desvio não ocorreria, pois as linhadas de amarração
mostram a ligação dos componentes dentro de um diagrama de fases, com ela é possível
determinar a percentagem de cada composto em um meio bifásico.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Através da realização do experimento foi possível observar alguns pontos como


possíveis contribuintes ao erro evidenciado, sendo eles o ponto de viragem durante a titulação,
a utilização de uma proveta para a determinação dos 10 ml utilizados na titulação, por se tratar
de um equipamento graduado, o mesmo não tem a confiabilidade do volume exato, o que
também compromete na determinação da concentração dos componentes, o mais correto seria a
utilização de uma pipeta graduada, a qual traz o valor exato de 10 ml, a observação da aparição
das fases, não havia um padrão de agitação da solução homogeneizada pelo agitador
magnético.

6. CONCLUSÃO:

O experimento em questão foi de fácil realização e agregou um bom conhecimento.


Através da determinação dos limites das fases homogêneas e heterogêneas do sistema ternário
água-ácido acético-acetato de etila, foi possível esclarecer o potencial de separação de
elementos parcialmente miscíveis, e demonstrou que a teoria aprendida é aplicável.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

Concluímos também, que cuidados devem ser tomados em relação a minimizar os erros,
uma vez que a Curva Binoidal representa a mudança da homogeneidade para heterogeneidade
das fases, se este ponto for erroneamente determinado todo processo de separação de uma
industrial pode ser prejudicado. Trazendo assim, resultados e requisitos básicos adquiridos para
a carreira de um Engenheiro Químico.

7. BIBLIOGRAFIA:

 SMITH, J. M./ VAN NESS, H. C./ ABBOTT, M. M. Introdução a termodinâmica da


engenharia química ed.5 Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora S.
A., 2000.
 SILVA, Alynne Gomes, OLIVEIRA, Ana Paula, Diagramas ternários, Departamento de
química, Centro de ciências exatas e da natureza universidade federal da Paraíba – UFPB.
Laboratório de Engenharia Química II – Relatório: Equilíbrio Líquido-Líquido.

 TREIBAL, R.E. Mass Tranfer Operations.


 SORENSEN, J.M. E ARLT. W., 1980. Líquid-líquid Equilíbrium Data Collection.
DECHEMA, Chem. Data Series, V, partes 2 e 3.

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